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Tijotengoku
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A Era da Semicivilização
Tijotengoku nº 5, publicado em 25 de junho do ano 24 da Era Showa (1949)
Não importa quem seja: todos acreditam que vivemos hoje no mundo civilizado mais avançado que já existiu. É certo que, comparados à era primitiva e bárbara, formamos de fato uma civilização elevada — mas isso vale apenas para o lado material; do ponto de vista espiritual, dificilmente se poderá negar que ainda não superamos a semibarbárie. Desde a Antiguidade, a humanidade tem consumido a maior parte de sua energia com guerras — e a guerra, evidentemente, nada mais é do que o exercício da mais poderosa violência, não diferindo, em sua essência, do ato das feras que rangem os dentes, cravam as garras, rugem de fúria e se devoram mutuamente. É verdade, por outro lado, que existem povos amantes da paz que, esforçando-se ao máximo para evitar a guerra, vêm adotando diversas medidas. Considerando isso, não seria errado dizer que os primeiros são a humanidade bestial, e os segundos, a humanidade verdadeiramente humana. Esses dois tipos opostos de seres humanos atuam, cada um, buscando satisfazer seus próprios anseios — esse é o processo da história mundial, e também a sua situação atual. Naturalmente, essas duas correntes de pensamento também existem no âmbito individual, mas a lei contém a violência e mantém a ordem, evitando, de algum modo, problemas maiores. Ainda assim, é fato que, com frequência, pessoas boas e honestas acabam oprimidas pelos maus e sofrem danos.
Observemos ainda outro aspecto. Hoje, graças ao progresso da ciência, surgem grandes invenções e descobertas — mas, dependendo da vontade de quem as utiliza, elas podem gerar resultados trágicos ou, ao contrário, contribuir para o bem-estar da humanidade. O atrito entre essas duas grandes ideologias opostas — a barbárie e a civilização — torna-se também causa das guerras e, junto com isso, leva ao uso perverso das invenções e descobertas. Examinando a questão sob outro ângulo, vemos que os povos belicosos são irreligiosos, e os pacíficos, religiosos — o que mostra, de qualquer forma, que a religião se torna uma necessidade inevitável. Diante disso, por mais que esta era se orgulhe de sua cultura elevada, não seria exagero dizer que, na verdade, vivemos numa era de semibarbárie e semicivilização.
Nesse sentido, é preciso que essa semicivilização dê o salto rumo a uma civilização plena, em que o material e o espiritual sejam um só. Deve-se dizer, portanto, que a missão dos religiosos do futuro é, de fato, grandiosa.
(Jikan)
Sobre Conhecer as Coisas
Tijotengoku nº 16, publicado em 15 de agosto do ano 25 da Era Showa (1950)
Não deve haver expressão tão profunda, sutil e repleta de significado quanto esta: "conhecer as coisas".
Talvez se possa dizer que esta é uma expressão japonesa da qual podemos nos orgulhar perante o mundo.
No entanto, como é uma expressão de difícil compreensão à primeira vista, tentarei explicá-la da forma mais clara possível. Se analisarmos o significado de "conhecer as coisas", chegamos ao seguinte: significa experimentar todas as coisas do mundo, penetrá-las, captar sua essência e expressá-la de alguma forma. É descobrir, por exemplo, o único ponto vital: diante de um determinado problema, se agir de tal forma, tal resultado ocorrerá. Em contrapartida, as pessoas que se perdem em discussões infantis e imaturas, agem de forma leviana ou praticam atos sem perceber que são criticadas e desprezadas pelos outros — fazendo-o com indiferença — são as que não veem as coisas, as que não conhecem as coisas.
No mundo, costuma-se dizer que tal pessoa é "imatura", "inexperiente" ou "grosseira", referindo-se a esse tipo de ser humano. Há também a palavra "conhecedor", forma culta de designar quem conhece as coisas. Vistas as coisas assim, há hoje muitos políticos, por exemplo, que não conhecem as coisas: mesmo diante de um problema pouco grave, ampliam-no artificialmente e criam alvoroço, sem perceber que causam repulsa nos conhecedores — o que não é senão a expressão de sua própria inferioridade.
Além disso, pessoas assim são invariavelmente vítimas da visão limitada do Shojo: é por sua ação que a eficiência do Parlamento é sempre prejudicada, e sua credibilidade, ferida, sempre empenhadas numa autopromoção egocêntrica. Por isso, essas pessoas que não conhecem as coisas podem ser chamadas, em outras palavras, de "pessoas sem discernimento". Hoje em dia, mesmo nas discussões políticas, o fato de não se chegar facilmente a uma conclusão, apesar do tempo despendido, deve-se provavelmente ao excesso de gente sem discernimento como essa.
Se houvesse muitas pessoas que compreendessem, seria mais fácil chegar a um ponto de concordância. O problema, porém, é que as pessoas que compreendem as coisas tendem a evitar se intrometer, a evitar conflito com os ignorantes, e acabam por se tornar complacentes e retraídas — enquanto os que não têm discernimento se aproveitam disso e se intrometem cada vez mais.
Ainda assim, o mundo é curioso: quanto mais alguém se intromete, mais famoso se torna; e, ao se tornar famoso, aumenta sua taxa de vitória nas eleições — de modo que os que compreendem são sempre minoria, e os ignorantes, maioria. O fato de que, ultimamente, chegar a uma conclusão sobre qualquer problema exija discussão a noite toda é um bom exemplo disso. Ainda assim, no fim, a verdade é que as opiniões das pessoas que compreendem acabam prevalecendo: os que se destacam no mundo político não se intrometem e, sem que se perceba, conquistam a confiança alheia e são valorizados.
Pode-se dizer, por exemplo, que o atual Primeiro-Ministro Yoshida é, entre os políticos de hoje, quem mais compreende as coisas. E não só no mundo político: em todas as áreas da sociedade, é natural que os considerados capazes sejam, comparativamente, pessoas que compreendem as coisas.
Até aqui, tratei do aspecto espiritual; passo agora ao outro aspecto, o material. Para tratar disso de forma compreensível, a área artística é a mais adequada, pois as pessoas que conhecem as coisas, além de reunirem muitos traços de grandes personalidades, também se distinguem pelo senso estético.
A primeira pessoa que gostaria de destacar é o Príncipe Shōtoku.
Não há dúvida de que se destacou na cultura budista, sobretudo na área artística — basta ver como tudo o que dele resta até hoje no Templo Hōryū-ji e em outros lugares ainda brilha intensamente. Além disso, a famosa Constituição dos Dezessete Artigos pode ser considerada a base das leis japonesas. Em seguida, gostaria de mencionar Ashikaga Yoshimasa.
Embora seja criticado sob outros aspectos, na área artística deixou realizações notáveis. Deixou construções como o Templo Ginkaku-ji, apreciava a arte chinesa, reuniu excelentes obras das dinastias Song e Yuan e ainda incentivou a arte japonesa, mandando produzir utensílios raros e famosos. A contribuição de ter criado os "Tesouros de Higashiyama", que ainda hoje encantam nosso olhar apreciador, merece ser destacada.
Nesse ponto, aquele a quem gostaria de conceder os maiores e mais elevados elogios é Toyotomi Hideyoshi.
Merece registro especial o fato de ele ter dado origem à esplêndida cultura artística do período Momoyama e, ao mesmo tempo, ter se dedicado à cerimônia do chá como arte da simplicidade — que até então tivera existência muito insignificante — auxiliando o gênio ímpar da época, Sen no Rikyū, e deixando como legado a consolidação do Caminho do Chá. Nesse ambiente de florescimento da cultura artística da época, surgiram, um após outro, nomes célebres e grandes mestres: Kobori Enshū e o famoso ceramista de Raku, Chōjirō, são exemplos. Hideyoshi, seguindo o exemplo de Yoshimasa, também colecionou não só arte chinesa e japonesa, mas famosas peças de cerâmica da dinastia Joseon, dando nova vida à cerâmica japonesa — essa também foi sua realização.
O que não se pode ignorar aqui é o surgimento de Hon'ami Kōetsu. Kōetsu pintava, era hábil em caligrafia, inovou na laca maki-e e produzia cerâmica Raku; tudo o que fazia era original, e sua versatilidade era tal que não havia área em que não se destacasse, algo que outros dificilmente poderiam imitar. Uma grande contribuição que ele não previu foi o surgimento, cem anos após sua morte, de Ogata Kōrin, o maior mestre artesão que o Japão produziu; admirador do já falecido Kōetsu, Kōrin tornou-se um nome que chegou a superar o mestre. Não se pode deixar de mencionar também os ceramistas Ninsei e Kenzan; quem deu continuidade a essa linhagem foi Kōho, que tampouco era um artista comum.
O que torna Hideyoshi ainda mais excepcional é o fato de que, embora filho de camponês, desde a juventude compreendia o gosto pelas artes e colecionava peças famosas — algo verdadeiramente admirável.
No senso comum, para conhecer as coisas seria necessário passar por consideráveis dificuldades e, além disso, partir de uma condição social de classe média para cima. Ele, porém, saindo de uma condição como a sua e tendo vagueado quase continuamente pelos campos de batalha, tornou-se alguém que conhecia profundamente as coisas sem que se saiba onde ou quando aprendeu — o que o torna, de fato, um grande homem, raro no mundo.
No campo da literatura, os maiores exemplos seriam, sem dúvida, Saigyō como poeta e Bashō como poeta haikai.
A arte desses dois santos é obra que só pode ser realizada por quem conhece as coisas. Como suas obras-primas representativas, que sempre me vêm à mente, estão: "Até mesmo para mim, que não tenho coração, a beleza é conhecida: o entardecer de outono no pântano onde as narcejas se erguem" (Saigyō), e "Tão quieto: o canto das cigarras penetra nas rochas" (Bashō).
Há ainda outra pessoa, conhecedora das coisas, que não posso deixar de mencionar.
É o Senhor Matsudaira Unshū, conhecido pelo nome de "Fumai-kō".
Ao reunir e organizar numerosos utensílios raros e famosos, evitando sua dispersão, e ao revitalizar o Caminho do Chá, então em declínio, mostrou-se também uma pessoa digna de respeito.
Já nos tempos modernos, como pessoa que conhece as coisas, gostaria de citar o falecido ator Ichikawa Danjūrō.
Isso está detalhado em "Jikan Zuidan" (Conversas Casuais de Jikan), por isso omito aqui os pormenores; de qualquer forma, escrevi de modo amplo sobre algumas figuras representativas. Não é preciso dizer como as pessoas que conhecem as coisas são o que há de mais elevado na cultura, e como suas realizações nutrem a alma das gerações futuras, enriquecem seus interesses e elevam seus sentimentos.
De fato, as invenções, as descobertas e o progresso do conhecimento também contribuem para a cultura humana, como todos sabem. Ainda assim, como expus acima, é preciso reavaliar como as realizações das pessoas que conhecem as coisas contribuíram, ao longo do tempo, para essa mesma cultura.
Comunicado aos Fiéis
Tijotengoku nº 2, publicado em 1 de março do ano 24 da Era Showa (1949)
(2) Observações
Comunicado aos Fiéis
Há, entre os seguidores da nossa Igreja, quem negue a necessidade de consultar médicos, tomar remédios ou receber injeções no que se refere ao Johrei.
Isso é um equívoco quanto ao propósito fundamental da nossa Igreja e, naturalmente, gera mal-entendidos na sociedade, prejudicando a própria Igreja. Transmito aqui, portanto, a vontade do Grão-Mestre de que todos permaneçam atentos a este ponto e jamais ajam como se fossem contrários ao tratamento médico.
Fé em Kannon
Tijotengoku nº 3, publicado em 20 de abril do ano 24 da Era Showa (1949)
Em todos os aspectos da vida humana — mas, sobretudo, na fé em Kannon — é necessário ser fluido, maleável, livre e desimpedido. "Fluido" significa que uma esfera rola; se houver arestas, porém, ela não rola. Costuma-se dizer que uma pessoa que passou por muitas dificuldades teve suas arestas removidas, e isso é exatamente verdade.
No entanto, há pessoas no mundo para quem simplesmente “ter arestas” é dizer pouco: são como confeitos, cheios de pontas por todos os lados. Em vez de rolarem, tropeçam nas próprias arestas e não conseguem sair do lugar. Há também os que criam um molde para si mesmos e, ao se encerrarem nele, sofrem. Se fosse apenas o próprio sofrimento, ainda seria tolerável; mas há quem pense ser bom forçar os outros para dentro desse mesmo molde, fazendo-os sofrer.
Esses moldes são comuns na fé do tipo Shojo — uma fé, por assim dizer, também feudal — e essa maneira de agir não se limita à religião; na vida social, é igualmente bolorenta e insuportável. Ser livre e desimpedido significa não criar moldes nem estruturas, não ter preceitos; é a liberdade do céu e do mar vastos, e “desimpedido” carrega exatamente esse sentido.
Liberdade, porém, não significa fazer o que se quer por mero egoísmo; envolve, evidentemente, respeitar também a liberdade alheia. A fé em Kannon é uma fé do tipo Daijo e, por isso, difere consideravelmente da fé baseada em preceitos.
Na fé baseada em preceitos, como as regras são severas e difíceis de cumprir, acaba-se observando-as apenas na aparência, enquanto, às ocultas, se pratica o que é proibido. Cria-se, assim, uma dualidade entre o exterior e o interior, e daí nasce a ruptura; junto com ela, nasce a falsidade, que se torna o mal. Por essa razão, as pessoas de fé Shojo são boas na superfície, mas más por dentro. Já a fé Daijo respeita a liberdade humana, de modo que o coração permanece sempre leve e alegre, sem necessidade de dualidade entre aparência e essência.
Por isso, a falsidade tampouco surge. Esta é a verdadeira fé em Kannon, e é por isso que ela é tão valiosa.
Além disso, como as pessoas de fé Shojo caem na falsidade sem perceber, tendem a se exibir, a querer parecer grandiosas — o que se torna um fedor repugnante, como o de um missô rançoso, e é extremamente feio. Mais que isso, o efeito acaba sendo o contrário: em vez de parecerem grandiosas, revelam-se mesquinhas.
Há também o seguinte: sempre que construo uma casa, minhas opiniões divergem das dos artesãos. Por quê? Porque eles querem apenas que ela pareça imponente — o que acaba resultando num certo ar de afetação — e por isso mando corrigir.
Da mesma forma, as pessoas que, como dito, não tentam parecer grandiosas tornam-se humildes em tudo e parecem refinadas — por isso passam a ser sinceramente respeitadas. Os devotos de Kannon devem, portanto, tornar-se pessoas sinceramente respeitadas.
Despesas de Campanha Eleitoral: 10.000 Ienes
Tijotengoku nº 2, publicado em 1 de março do ano 24 da Era Showa (1949)
Falando em eleições, há vários tipos, mas aqui tratarei primeiro da eleição para deputados da Dieta, que pode ser considerada a mais representativa. Hoje em dia, para se eleger deputado, diz-se “um perde, dois vencem” — ou seja, com um milhão de ienes perde-se, mas com dois milhões ou mais, elege-se —, o que é realmente uma história surpreendente. O fato de essas despesas eleitorais serem tão altas acaba forçando os candidatos a obter fundos de campanha por meios obscuros. Daí surgirem, um após outro, os famosos e lamentáveis escândalos — como os de Tsuji, da construção civil, da Shōden, entre outros — numa extensão praticamente insondável.
Chegando a esse ponto, os melhores representantes da nação, os dirigentes dos grandes partidos e até mesmo os diversos ministros tornam-se alvo de desprezo popular — e isso ainda é pouco diante do que realmente acontece. Isso afeta a dignidade da nação e tem, sem dúvida, influência nada pequena sobre a moral social. Para resolver este problema, portanto, o melhor a fazer é, antes de tudo, extrair a causa e submetê-la a discussão.
É de conhecimento geral que, nas eleições gerais, quanto maior o dinheiro de campanha, maior a taxa de sucesso. Por isso, os candidatos chegam a infringir a lei para obtê-lo. Falando sem rodeios, isso significa que vitória ou derrota são decididas pela habilidade em conseguir fundos — o que é um grande problema. Se um episódio como o atual não tivesse vindo à tona, o parlamento se tornaria algo extremamente opaco e, nesse caso, jamais se poderia fazer boa política, deixando incerto quando viriam a reconstrução do Japão e a felicidade do povo.
Dito isso, o povo também tem sua parcela de culpa. Para ser específico: antes de tudo, ao escolher um candidato numa eleição, que critérios costumam ser usados?
Um: uma pessoa cujo nome é conhecido, seja para o bem ou para o mal.
Dois: votar por obrigação social ou por favores, a pedido de parentes e conhecidos.
Três: por compaixão, por ele já ter perdido antes ou por ser pobre.
Quatro: por ter visto o nome repetidas vezes em cartazes, painéis e material impresso, até ficar gravado na memória.
Cinco: alguém conhecido por fazer perguntas no parlamento ou por recorrer à violência, ganhando fama pelos jornais e pelo rádio.
Seis: o motivo, até ridículo, de que o nome é fácil de escrever.
— e assim por diante; em linhas gerais, são essas as circunstâncias que, na prática, servem de critério para a escolha dos candidatos.
Sendo os deputados da Dieta nossos representantes, deveriam ser pessoas capazes de obter resultados excelentes em matéria legislativa; mas, diante do quadro descrito acima, como poderia nascer uma boa política, uma sociedade feliz? É até estranho que uma lógica tão evidente não seja posta em prática. O ponto principal a considerar numa eleição, como critério para julgar o caráter do candidato, deveria ser, evidentemente, o seu próprio programa político.
No entanto, nenhum dos critérios listados acima tem relação alguma com programa político — é puro desperdício, e o fato de isso causar sofrimento a uns e a outros é verdadeiramente absurdo. Ainda assim, embora tenham ocorrido revisões da lei eleitoral no passado, foram sempre parciais, e nunca se realizou uma reforma radical e decisiva.
Pensando bem, porém, há também pontos que não são de todo descabidos. Costuma-se dizer, em jornais e revistas, que se deve escolher uma pessoa de caráter e discernimento elevados — mas não há recomendação mais incompreensível do que essa. Isso porque, ao olhar para os rostos dos que se apresentam como candidatos, a pessoa comum vê quase todos como nomes completamente desconhecidos, sobretudo porque a maioria das figuras conhecidas está hoje sujeita ao decreto de expurgo, e os candidatos acabam sendo quase todos novatos — o que torna ainda mais impossível conhecê-los. Por isso, o eleitor é forçado a votar com base em fatores que nada têm a ver com o programa político.
Diante disso, para corrigir essas falhas e viabilizar uma eleição digna, gostaria de apresentar a seguinte proposta, pedindo a crítica de todos.
Nesta proposta, dois pontos são essenciais: não exigir grande volume de fundos de campanha e simplificar a divulgação do programa político dos candidatos. Para referência, examinemos a verdadeira natureza desses fundos. Embora a compra de votos, como antigamente, pareça ter diminuído consideravelmente nos últimos tempos, obter fundos de campanha está longe de ser fácil, dado o alto custo de vida atual: é preciso, antes de tudo, empregar grande número de auxiliares de campanha. As despesas necessárias — diárias, transporte, refeições e bebidas, além de cartazes, material impresso, painéis, comícios aos quais comparecem apenas cinco ou dez ouvintes, agradecimentos pela eleição etc. — tornam-se, como já mencionado, a condição principal, sem qualquer relação com o programa político: puro desperdício.
Se, como exposto acima, o programa político é a condição absoluta para a escolha do candidato, o mais importante é divulgá-lo plenamente ao eleitorado. Como método, proponho o seguinte: usar uma única folha do tamanho de um jornal de hoje, com quatro páginas, cada uma com dezessete colunas, totalizando sessenta e oito colunas. Bastariam duas colunas para o artigo sobre o programa de cada candidato, o que permitiria divulgar o programa de trinta e quatro candidatos.
Supondo um distrito eleitoral de médio porte, com distribuição para quatrocentos ou quinhentos mil eleitores, mesmo somando os custos de impressão e postagem, isso não deveria custar mais de dez mil ienes — e bastaria distribuí-lo uma única vez. O eleitor o leria com atenção e, entre os candidatos, escolheria aquele que melhor correspondesse à sua vontade, comparecendo à seção eleitoral no dia da votação. Apenas isso. Não seria simples demais?
Com este método simples, os candidatos não precisariam de nenhum auxiliar de campanha nem de fundos, e os eleitores poderiam escolher livremente, sem serem incomodados por obrigações sociais ou favores — de modo que o objetivo de uma eleição justa seria plenamente alcançado. Nem é preciso dizer que se obteriam resultados melhores do que nas eleições de até hoje, que exigem grandes fundos de campanha. Sendo assim, nem a corrupção nem os escândalos judiciais teriam como ocorrer: seria, realmente, uma eleição ideal, que traria dois benefícios de uma só vez.
No entanto, se bastasse um fundo de campanha tão pequeno quanto este, todo tipo de pessoa desejaria se candidatar. Para evitar isso, seria necessário estabelecer um depósito de garantia de, no mínimo, cinquenta a cem mil ienes.
O título “Despesas de Campanha Eleitoral: 10.000 Ienes” refere-se, em linhas gerais, a isso que acabo de expor.
O Deus do Tempo
Tijotengoku nº 5, publicado em 25 de junho do ano 24 da Era Showa (1949)
Não há, entre todas as coisas do universo e todos os assuntos humanos, uma sequer que escape ao governo do Deus do Tempo. Nem o curso incessante da ascensão e queda da história, nem a determinação do bem e do mal, do certo e do errado, existem à parte dele. A história demonstra amplamente que o que hoje é bom torna-se mal depois de alguns anos; o que hoje se tem por verdade é abandonado como inverdade depois de alguns anos; e o que hoje floresce segue, com o tempo, o destino do declínio. Por isso se diz que não há bem absoluto nem mal absoluto; e, desde a Antiguidade, existe também o ditado de que o certo e o errado são uma só coisa — ambos, sem dúvida, verdadeiros.
Como estão hoje os japoneses daquela época, que acreditavam que a lealdade ao imperador e o amor à pátria eram o bem supremo, e tratavam a própria vida com leveza? Ao vermos o resultado tão divergente do objetivo de então e a miserável situação em que se debatem, o quanto estavam equivocados deve estar profundamente gravado na mente da nação. Isso também mudou num instante, com o fim da guerra — e nem é preciso dizer que essa mudança foi, ela mesma, uma determinação da própria época.
Dentro do que conhecemos, há exemplos, numa história não muito antiga, que também não podem ser ignorados. Na era em que o clã Tokugawa era próspero, assim que se traçou a linha divisória da Restauração Meiji, todos os grandes senhores feudais, os hatamoto etc. caíram por completo — e, em contrapartida, um estudante obscuro e sem nome tornou-se ministro ou conselheiro, o que guarda semelhança com a situação atual.
Como será que os olhos das pessoas veem hoje a queda de tantos membros da família imperial, da nobreza e dos ricos, que até o fim da guerra formavam a classe privilegiada? Nem é preciso dizer que isso se deve, evidentemente, ao Deus do Tempo. No Ofudesaki do fundador da religião Oomoto há a passagem: “Na estação, nem mesmo os deuses podem prevalecer” — frase que, examinada a fundo, não deixa margem a objeções.
Creio, portanto, que não há problema em concluir que o verdadeiro governante de tudo sobre a Terra é o Deus do Tempo. Nesse sentido, não posso deixar de pensar que o ser humano deveria ter grande interesse por esse Absoluto chamado “Tempo”.
A Barbárie Cultural
Tijotengoku nº 38, publicado em 25 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
A nossa Igreja, como é sabido, tem por lema a construção de um mundo onde não existam doença, pobreza e conflito. Refletindo bem, porém, a raiz dessas três grandes calamidades está, acima de tudo, no fato de que a natureza selvagem do ser humano ainda persiste. É despertando para este ponto e eliminando essa natureza, portanto, que um verdadeiro mundo civilizado poderá nascer.
Que natureza selvagem seria essa? Há algo imenso que se oculta em lugares dos quais não nos damos conta — e o primeiro deles é a terapia médica. O curioso é que não só não percebemos isso, como ainda a consideramos fruto do progresso, e talvez não haja erro maior do que este.
Atualmente, quando alguém adoece, recorre-se a medicamentos, injeções, cirurgias, tratamentos por radiação e vários outros Tratamentos por Agentes Físicos. Examinados com frieza, porém, não há um único desses métodos que não seja selvagem. Os medicamentos, em primeiro lugar, são extraídos de minerais, plantas, órgãos de animais etc., por meio de diversos processos — mas, na verdade, não têm absolutamente nenhuma relação com a cura de doenças. Por quê? Se fosse possível curar doenças com medicamentos, e se estes fossem tão avançados, o número de doentes deveria diminuir a cada ano.
No entanto, ainda hoje quase não se ouve falar de médicos ou farmacêuticos desempregados, nem de hospitais em dificuldades financeiras. Pelo contrário: os pacientes de tuberculose se espalham pelas ruas, ouve-se constantemente falar da falta de leitos, e mesmo quem solicita internação precisa esperar de seis meses a mais de um ano para ser admitido. Além disso, as diversas doenças infecciosas só aumentam a cada ano, e é de conhecimento geral que se ouve, por toda parte, um clamor por socorro.
Diante desses fatos, não fica claro que os medicamentos são ineficazes? Como sempre digo, eles são apenas um meio temporário de alívio do sofrimento, sem absolutamente nenhum efeito curativo — apenas aumentam o número de viciados, como as drogas entorpecentes.
Deixemos os medicamentos de lado e passemos à cirurgia. Esta, é claro, também não é uma verdadeira terapia. Por quê? Porque terapia deveria ser um método para curar apenas a doença, e não para danificar ou remover órgãos e tecidos. Mas, como a terapia não consegue curar, a cirurgia não passa de um recurso extremo, uma tentativa desesperada de curar por meios extraordinários — no mínimo, algo nada cultural, puramente selvagem. E, ainda assim, é tida como avanço da medicina, o que é um erro espantoso. Como sempre digo, a cirurgia danifica uma parte preciosa do corpo humano; por isso, é claro que a pessoa jamais poderá cumprir plenamente, por toda a vida, seu papel como ser humano saudável. Quanto aos tratamentos por radiação e outros Tratamentos por Agentes Físicos, sendo semelhantes em essência e diferindo apenas em detalhes, deixo de tratá-los aqui.
Em suma, o que é o progresso da medicina moderna senão um ato selvagem habilmente trajado com as vestes da cultura?
A seguir, escreverei sobre a pobreza. Sendo a doença a causa de quase toda a pobreza, pode-se dizer que a pobreza é, por assim dizer, um produto derivado de atos selvagens. Na tentativa de resolvê-la, surgiram o socialismo, o comunismo etc. — mas mesmo estes, ao tentarem fazer prevalecer suas doutrinas, não recorrem a meios pacíficos, e sim à violência e à destruição. Por mais nobre que seja a lógica que os sustenta, portanto, não passam de uma forma de selvageria. Hoje, para socorrer as inúmeras pessoas infelizes que a pobreza produz, tomam-se várias medidas, como a Cruz Vermelha, a compensação social, os sistemas de seguro, as obras de caridade etc. Embora ajudem em alguma medida, como não tocam a raiz do problema, seu efeito é limitado — e por isso a ansiedade social nunca encontra sequer um vislumbre de solução.
Por fim, o que gostaria de dizer é que o problema que ameaça hoje a todos no mundo, sem exceção, é, sem dúvida, a guerra. E, diferentemente do passado, tudo hoje ocorre em escala mundial: uma guerra não seria mais um conflito entre um país e outro, mas, uma vez iniciada, dividiria o mundo em dois, forçando todos a escolher entre inimigo e aliado, sem que restasse posição neutra possível. Teríamos, assim, um cenário de grande massacre, e surgiria uma era de selvageria sem precedentes. Por qualquer ângulo que se observe, a era atual, como diz o título, pode ser chamada, sem exagero, de uma era de selvageria cultural.
Nossa Igreja e o Movimento de Paraisação
Tijotengoku nº 6, publicado em 20 de julho do ano 24 da Era Showa (1949)
O mundo sem doença, pobreza e conflito, maior objetivo da nossa Igreja, é, nem é preciso dizer, fazer do mundo inteiro o Paraíso. Para isso, é preciso primeiro tornar o indivíduo o Paraíso; depois, a família; em seguida, a sociedade e a nação; e, por fim, o mundo inteiro, unificado num só corpo, no Paraíso. Isso é exatamente o que todas as religiões idealizaram, mas nunca conseguiram alcançar.
Ao observarmos, por outro lado, o mundo profano de hoje, vemos que ele manifesta uma aparência tão infernal que quase não podemos deixar de fechar os olhos — pode-se dizer que é a própria escuridão. Por qualquer aspecto que se olhe, dificilmente haverá um lugar livre de pecado. Diante disso, governantes, religiosos e educadores se esforçam arduamente, mas, em vez de diminuírem, os males sociais parecem até em ascensão.
Tentar transformar este mundo em Paraíso justamente numa era tão sombria talvez pareça algo extremamente audacioso e imprudente. Temos, porém, uma convicção absoluta: uma vez convertidos à nossa Igreja, todos, sem exceção, tornam-se — tanto individual quanto familiarmente — pessoas que vivem em júbilo, uma realidade que chega a parecer mentira. E isso não é exagero algum: basta observar os relatos de graças desta revista para que não reste a menor margem de dúvida.
Como método para transformar este mundo profano de escuridão e ignorância no Paraíso, disparamos, como balas, os caracteres de luz que são a caligrafia do Mestre Jikan. O poder dessa luz dissolve a escuridão — e é natural que, onde a escuridão se dissolve, ocorra a transformação no Paraíso. Dizer isso, porém, é algo que dificilmente um terceiro poderá acreditar. Não é sem razão que pensem: "Como pode existir uma coisa tão absurda? Caracteres de luz agindo como seres vivos não passam de superstição" — pois julgam com base em toda a experiência do passado.
Nós, no entanto, acreditamos que o Juízo Final proclamado por Cristo está se aproximando. Isso porque, tratando-se de uma profecia de dois mil anos atrás, não havia, na experiência dos últimos dois mil anos, nada de semelhante; e, ainda assim, não é possível que um grande profeta como Cristo tenha dito uma mentira. Não se pode afirmar, portanto, que uma situação sem precedentes como o Juízo Final não venha a ocorrer.
Da mesma forma, é possível que os caracteres de luz atuem organicamente — um privilégio conhecido apenas por quem crê. É por isso que acreditamos absolutamente na realização da transformação do mundo no Paraíso, e avançamos com firmeza.
Ser Amado por Deus
Tijotengoku nº 4, publicado em 25 de maio do ano 24 da Era Showa (1949)
O segredo profundo da fé pode ser resumido numa só palavra: ser amado por Deus — ser Seu favorito. Que tipo de pessoa Deus ama, então? Falarei sobre isso mais adiante, mas antes há algo que precisamos saber: a missão da nossa Igreja. Ela consiste no seguinte: o tempo do fim do mundo, de que falou Cristo — o Juízo Final —, e a era da Extinção do Budismo, mencionada por Buda, estão se aproximando rapidamente. Diante disso, Deus e os Budas manifestam seu grande espírito de compaixão e desejam fazer com que o maior número possível de pessoas atravesse em segurança esta grande crise mundial.
Quanto ao método que Deus usará para isso, é claro que O fará por meio de seres humanos — e acredito ter sido escolhido como responsável por essa importante tarefa. De qualquer forma, tratando-se de uma missão tão extraordinária, algo que nunca ouvi nem vi antes, não posso deixar de pensar que, sendo eu um mero mortal comum, o fardo é pesado demais.
Mas, sendo quem me confiou esta missão um ser extraordinário, um Deus verdadeiramente maravilhoso, não há o que fazer: não poderia recusar. No início, por isso, duvidei muito e até resisti, mas não adiantou nada — Deus me manipula e me faz dançar com total liberdade. Não foram uma nem duas vezes que fui levado ao êxtase ou, em outras ocasiões, experimentei a sensação de ser lançado ao fundo do abismo.
Em cada uma dessas ocasiões, porém, a maneira como Deus age é verdadeiramente profunda, sutil e misteriosa, com um encanto indescritível — uma sensação de alegria e gratidão que talvez possa ser chamada de verdadeiro sabor da vida, algo que não pode ser expresso em palavras. Não posso deixar de pensar que, provavelmente, sou a única pessoa no mundo a senti-lo assim. Passemos, agora, ao assunto principal.
O que devemos fazer, afinal, para nos tornarmos favoritos de Deus, como dito no início? Isto é o mais importante. Antes de tudo, para sermos do agrado de Deus, é preciso não fazer o que Lhe desagrada e, ao contrário, esforçar-se para fazer o que Lhe agrada. Como qualquer um pode entender pelo senso comum, o que desagrada a Deus são as coisas que se desviam do Caminho: contar mentiras, causar sofrimento aos outros, causar transtornos à sociedade etc.
As pessoas de hoje, porém, pensam com frequência demais que, desde que elas próprias estejam bem, pouco importa o que aconteça com os outros — e agem assim.
Isso é o que há de pior: dessa forma, é impossível ser do agrado de Deus. É preciso saber, portanto, se estamos ou não sendo do Seu agrado. Como julgar isso, então? O método é realmente simples, e não exige tempo algum.
Podemos saber imediatamente. Vou escrever sobre isso. Há muitas pessoas que dizem: "As coisas não saem como eu quero.
"Tenho dificuldades materiais, meu trabalho não se desenvolve, a confiança das pessoas em mim é fraca, as pessoas não se aproximam de mim, minha saúde também não vai bem. Mesmo me esforçando com empenho, não entendo por quê." Isso acontece justamente porque não são do agrado de Deus. Se forem do agrado de Deus, o trabalho fluirá de forma interessante, as pessoas se aproximarão a ponto de se tornar incômodo, e os bens materiais virão em abundância, a ponto de não se conseguir gastar tudo. Assim, o mundo se tornará muito interessante.
Creio que agora vocês compreenderam, ao menos em linhas gerais. Tornar-se uma pessoa feliz como essa é que dá valor à fé.
Se alguém, portanto, mesmo tendo fé, não consegue alcançar a felicidade, deve perceber que a causa está, sem dúvida, oculta no próprio coração.
Iluminação e Despertar
Tijotengoku nº 8, publicado em 25 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Falando simplesmente em "satori", existem dois tipos, correspondentes aos dois termos do título deste artigo: a iluminação (satori) e o despertar (kaku). Esses dois tipos de satori têm significados muito diferentes entre si — pode-se dizer, até, que são opostos.
O satori é passivo, e o kaku pode ser considerado ativo. Mesmo no budismo fala-se em tōgaku, shōgaku, makkaku, entre outros termos referentes ao lado do kaku — mas, na realidade, o budismo parece inclinar-se mais para o lado do satori. Isso porque este mundo transitório é chamado de "terra impura a ser abandonada" ou "moradia incendiada", e considera-se que o ser humano não pode escapar dos quatro sofrimentos: nascimento, doença, velhice e morte.
Isso não está errado. Ainda que a atitude ativa de eliminar e reformar esse mundo transitório repleto de sofrimento — transformando-o num mundo de Extremo Gozo — devesse ser o verdadeiro papel futuro da religião, diz-se que nada se pode fazer quanto a esse mundo de sofrimento, e que não resta alternativa senão resignar-se. Essa atitude verdadeiramente passiva e retraída é a do satori — mas, na prática, ela tem sido tomada como a própria essência do budismo.
Penso que a causa do declínio da Índia esteja, acima de tudo, exatamente aí — e a crise do budismo japonês atual é também uma manifestação disso. Do nosso ponto de vista, porém, isso se deve ao fato de termos vivido até agora no Mundo da Noite. Agora que finalmente chegou o tempo da transição para o Mundo do Dia, não haverá salvação a menos que se desperte o quanto antes e se alcance o estado do kaku — ou seja, o estado da autoconsciência (jikaku).
Sobre os Espíritos de Raposa
Tijotengoku nº 8, publicado em 25 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Conforme exposto no item "Os Japoneses e as Doenças Mentais", a pobreza espiritual na testa é, sem dúvida, causa da insônia, pois há uma solidificação na região próxima à medula oblonga direita, que comprime os vasos sanguíneos. Quando ocorre possessão por espírito de raposa, ela visa a testa, como já dito, porque essa região exerce a função central que controla livremente o corpo humano — os espíritos possessores conhecem bem esse fato e, por isso, dela se apossam para manipular os seres humanos à vontade.
Os espíritos de raposa não apenas têm enorme interesse em controlar os seres humanos dessa forma, como também são tão numerosos que, só no Japão, não se sabe quantas dezenas de milhões existem. Formam grupos, com líderes e inúmeros seguidores; entre os grandes, podemos citar Fushimi, Toyokawa e os que antes existiam em Haneda, Oji e Kasama, entre outros. Há ainda grupos de médio e pequeno porte em todo o país, e é de conhecimento geral que chegam a ser cultuados em residências particulares.
No mundo espiritual das raposas há dois tipos: os seguidores de Inari e as raposas selvagens. Estas últimas são como os sem-teto do mundo humano — por isso estão sempre ativas, desejosas de serem cultuadas como Inari. Há também raposas de boa índole, que se tornaram servas do Ubusunagami (Deus da Terra Natal), mas a maioria é de raposas más.
Os espíritos de raposa sentem enorme prazer em causar certos transtornos mentais nas pessoas ou induzi-las a cometer crimes. Os mais perversos chegam a levar pessoas ao assassinato ou ao suicídio e, por essa habilidade, são respeitados entre seus pares, ganhando influência — de modo semelhante aos vadios e yakuza no mundo humano.
Entre os piores espíritos de raposa há até os que se vangloriam de ter cometido dezenas de assassinatos. A natureza do espírito da raposa tem aspectos que os seres humanos dificilmente podem imaginar — são, por exemplo, extremamente tagarelas e não param de falar um minuto sequer. Certos doentes mentais parecem, às vezes, envolvidos em intermináveis perguntas e respostas consigo mesmos; na verdade, porém, trata-se de um diálogo com o espírito da raposa, que o paciente ouve incessantemente em seus ouvidos.
A medicina chama isso de alucinação auditiva; da mesma forma, esses pacientes também veem espíritos. É comum que fiquem olhando fixamente para o espaço, sentindo medo, chorando ou rindo — o que a medicina chama de alucinação visual. Na verdade, porém, estão vendo os vários espíritos que realmente existem no mundo espiritual e o movimento desses espíritos.
Nesses casos, conforme o momento, o espírito da raposa se apossa do paciente e, valendo-se dessa capacidade de visão espiritual, seus companheiros no mundo espiritual se disfarçam diante dele.
Assim, o ser humano, senhor de todas as criaturas, acaba manipulado à vontade pelos espíritos da raposa — o que é realmente lamentável.
Como exemplo, relatarei alguns casos que vivenciei.
Um.
Um homem de vinte e cinco anos. Como parecia haver um espírito de raposa que dele se apossava de vez em quando, realizei uma investigação espiritual e travei o seguinte diálogo: Eu: "Quem é você?" Ele: "Este sou eu, um ancestral deste corpo, um samurai que morreu há cento e oitenta anos, chamado fulano de tal." Eu: "Com que propósito você se apossou dele?" Ele: "Tenho um desejo." Eu: "Qual é o seu desejo?" Ele: "Quero que me cultuem adequadamente." Eu: "Entendo. Então, quando você era samurai, qual era o nome do seu senhor, em que geração de xógum vivia, qual era o nome do xógum, e qual era o nome da era?" Diante da insistência das perguntas, encadeadas uma após a outra, ele, gaguejando, acabou tirando o capacete (confessando). Mudou de atitude subitamente e disse: "Ah, falhei. Não deu certo. Sou um seguidor de Anamori. Vim tentando enganar, mas no final fui descoberto." Dizendo isso, foi embora rapidamente.
Os espíritos de raposa também têm nomes próprios simples, como "Sankichi", "Torakō" ou "Hakuzō", e sua atitude e linguagem costumam ser do tipo "beranmeê" — grosseira e vulgar. Alguns dias depois, ele se apossou novamente. Quando investiguei espiritualmente, tentou enganar usando o nome de um antepassado, mas, diante de perguntas sucessivas, também acabou se rendendo. Disse: "Da outra vez, um amigo meu chamado fulano veio e foi descoberto. Então pensei que, desta vez, eu conseguiria fazer melhor, mas também não deu certo. Em outros lugares, geralmente consigo enganar bem, mas quando me aposso deste corpo, estranhamente sou descoberto." Então eu disse: "Raposas medíocres como vocês não conseguem. Da próxima vez, tragam o chefe de Anamori." Ele respondeu: "O chefe não vem." E foi embora.
Dois.
Uma mulher casada, de vinte e quatro anos. Curei sua violenta doença mental, e o processo foi interessante: um espírito de raposa estava enraizado nela. Quando ele se moveu da testa, ela naturalmente voltou ao estado de consciência; em seguida, ele desceu gradualmente do ombro para o peito, o abdômen, as nádegas e, por fim, saiu pelo ânus. Todo o processo levou cerca de seis meses.
O interessante é que, durante essa migração, ele sempre falava alguma coisa do local onde estava, e eu perguntava de vez em quando. Ao indagar onde ele estava naquele momento, ela apontava e dizia: "Está por aqui, no peito." Quando perguntava se ele estava falando alguma coisa, ela respondia: "Sim, está falando sobre isso e aquilo" — mas o que ele falava eram sempre coisas tolas. No início dava para ouvir claramente; com o tempo, porém, a voz foi ficando gradualmente mais baixa e, quando estava prestes a se desprender pelo ânus, quase não se ouvia mais. O estranho é que a voz do espírito da raposa, por ser emitida de dentro do corpo, é diferente de uma voz normal vinda de fora: é transmitida do interior para o ouvido interno, ou seja, é uma voz silenciosa. Se isso for estudado cientificamente no futuro, no campo da ciência espiritual, poderão ser feitas descobertas úteis.
O que o espírito da raposa mais gosta é de assustar o paciente. Por exemplo, diz: "Está havendo um grande incêndio agora, fuja rápido!" — e o paciente sai correndo descalço. Ou então, diz que vai haver um grande terremoto, ou que alguém está vindo para matá-lo, fazendo o paciente fugir. Por outro lado, diz também: "Em tal e tal lugar, existe o Paraíso, com lindas flores desabrochando e um palácio magnífico. É um lugar realmente maravilhoso, então vou levá-lo até lá. Mas, como fica no outro mundo, você precisa morrer." E assim, leva o paciente a se atirar em um rio ou a se enforcar. Isso é muito comum. A mulher do caso anterior também passou por isso várias vezes. Durante um período, três homens tiveram de vigiá-la em tempo integral.
Três.
Havia um escultor chamado Ishikawa, que apresentava sintomas de um estágio anterior à doença mental. Quando ia comer arroz em casa, ouvia uma alucinação auditiva: "Ishikawa, o arroz que você vai comer agora está envenenado, é perigoso!" Ao ouvir isso, largava os hashis e saía correndo para uma loja de soba; ao tentar comer lá, ouvia a mesma coisa, e ia então para uma loja de sushi. Assim, passava o dia inteiro perambulando de um lugar a outro e voltava para casa com fome.
À noite, ao dormir no segundo andar, parecia ouvir pessoas passando e conversando em frente à sua casa — várias vozes, que diziam: "Ishikawa é um cara mau, vamos matá-lo esta noite." Assustado, passava a noite inteira tremendo de medo, sem pregar o olho.
Eu lhe disse: "Não é possível que, com as portas fechadas e estando no segundo andar, você possa ouvir claramente as palavras de pessoas passando na rua. Além disso, se realmente fossem matá-lo, não falariam em voz alta, no máximo cochichariam. Tudo isso é a raposa zombando de você. A história de que a comida está envenenada também é uma brincadeira da raposa. Se colocassem veneno na comida de um restaurante da cidade, o que aconteceria? Não seriam presos imediatamente por assassinato? Uma coisa tão absurda é impossível de acontecer. Além disso, não é possível ouvir apenas vozes sem ver a forma humana. Tudo isso é engano da raposa. De agora em diante, quando você ouvir vozes sem ver pessoas, considere que é tudo obra da raposa. Quando a raposa percebe que foi descoberta, perde a graça e para." Depois que lhe disse isso, ele logo voltou ao normal e veio me agradecer, muito contente.
Quatro.
Curei a doença mental de um motorista, um homem de vinte e sete ou vinte e oito anos. Depois que recuperou a sanidade, perguntei-lhe várias coisas sobre o período da doença. Segundo ele, sentia vontade de subir no telhado, escalava postes e árvores com facilidade, corria de um lado para o outro sobre as telhas e as arrancava, atirando-as na rua — para grande sofrimento da família. Ele disse: "Quando subia no telhado ou corria sobre as telhas, não sentia nenhum medo. Isso porque a planta dos meus pés grudava." Com isso, entendi que, em todos os animais, inclusive nos insetos, quando a planta do pé toca uma superfície, ocorre uma ação de sucção que cria vácuo e permite a aderência — é por isso que os insetos conseguem andar livremente de cabeça para baixo no teto.
Cinco.
Uma moça de dezessete anos, com uma violenta doença mental: às vezes ficava só de calcinha e se debatia com tanta fúria que três homens mal conseguiam segurá-la. Nesses momentos, quando eu fazia a Irradiação Espiritual, ela se acalmava. Curou-se por completo em cerca de um ano, casou-se alguns anos depois e chegou a ter filhos, voltando inteiramente à normalidade.
Além destes, há muitos outros exemplos de possessão por espíritos de raposa, mas só com esses cinco já é possível ter uma ideia geral. Dizem também que os espíritos de raposa gostam especialmente de ouvir a recitação do Sutra de Lótus; ao perguntar por quê, responderam que isso aumenta seus poderes sobrenaturais. Em contrapartida, dizem que o que mais odeiam é ouvir o Amatsu Norito, por ser algo que os faz sofrer — e isso não é engano: os praticantes da seita Nichiren usam raposas, e é por isso que, ao ouvir o Amatsu Norito, os espíritos de raposa sofrem e se encolhem.
O Mistério do Mundo Espiritual
Tijotengoku nº 9, publicado em 25 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949)
O mundo espiritual é, na verdade, uma existência misteriosa e inconcebível, extremamente difícil de compreender pelo senso comum das pessoas de hoje. Escreverei aqui sobre como os pensamentos e a vontade dos seres humanos se refletem nesse mundo espiritual — que é, acima de tudo, o mundo da vontade e do pensamento.
É, por isso, um lugar onde o ser surge do nada, o ser se torna nada e as transformações são infinitas. Suponhamos, por exemplo, que imagens de divindades e budas sejam criadas por meio da pintura, da escultura etc. Dependendo da personalidade do autor, porém, naturalmente surgem diferenças de nível entre os espíritos de divindades e budas que ali se manifestam — é a personalidade do autor que determina isso. No caso mais elevado, desce e se manifesta um espírito de divindade superior correspondente; por isso, mesmo quando a forma exterior é a mesma, se a personalidade do autor é inferior, manifesta-se um espírito de divindade substituto, ou um espírito de divindade parcial, correspondente a esse nível.
Outro ponto: quanto à Imagem da Luz Divina, objeto de toda adoração, quando os adoradores se dedicam a ela com sinceridade e de todo o coração, o poder do espírito de divindade — a luz — manifesta grande força. Quando, ao contrário, o pensamento e a vontade dos adoradores são meramente formais, sem respeito e fé sinceros que brotem do coração, esse poder diminui na mesma proporção.
Além disso, quanto maior o número de adoradores, tanto mais se engrandece a majestade divina, e a luz se torna cada vez mais resplandecente. Desde os tempos antigos se costuma dizer: "Até a cabeça de uma sardinha, se houver fé, torna-se objeto de devoção." O que isso significa? Que, se uma pessoa sem qualquer qualificação cria uma Imagem da Luz Divina e, por meios enganosos e hábeis, a divulga — e se, por algum tempo, um número considerável de adoradores passa a venerá-la —, então, pelo pensamento e pela vontade desses adoradores, forma-se no mundo espiritual uma divindade ou um buda.
Essa entidade passa então a manifestar poder considerável e até a conceder benefícios — obra inteiramente forjada pelo pensamento e pela vontade humanos, algo que só podemos chamar de verdadeiramente misterioso. Ainda que tais formações prosperem por algum tempo, não são algo verdadeiro e definitivo: por serem fenômenos temporários e ilusórios, um dia acabam por desaparecer. Exemplos assim, como todos sabem, não são poucos.
As chamadas "divindades da moda" são desse tipo. O que foi dito até aqui diz respeito aos espíritos de divindades.
Explicarei agora também o oposto: os demônios. O que mais se vê neste mundo é o excesso de pessoas más que, por seus próprios desejos egoístas, causam transtornos aos outros, fazem-nos sofrer e os levam à infelicidade — produto, como sempre digo, do pensamento materialista, que não crê nas coisas invisíveis. Vistas espiritualmente, porém, são coisas estranhas, bizarras e verdadeiramente aterrorizantes.
Ao fazerem os outros sofrer, certamente despertam o ódio das vítimas, que guardam rancor e buscam vingança.
Esse pensamento e essa vontade, pelo elo espiritual, chocam-se contra o agressor. Espiritualmente, a aparência da ira e do rancor é algo terrível — se fosse possível vê-la a olho nu, qualquer vilão, por pior que fosse, não a suportaria e morreria ali mesmo.
Quando as vítimas, porém, não são uma ou duas, mas milhares ou dezenas de milhares, esses numerosos pensamentos e vontades se unem e formam um monstro cada vez mais terrível e bizarro que, assumindo várias formas, cerca o malfeitor e tenta destruí-lo — tornando a situação insuportável.
Por mais corajoso e heróico que seja, ao final não lhe resta alternativa senão a ruína, sob um destino trágico. Se observarmos as grandes figuras históricas de todos os tempos, veremos que, sem exceção, seguiram esse mesmo destino. A tragédia dos políticos corruptos, a queda dos novos-ricos e, claro, o fim dos que seduziram e manipularam muitas mulheres, ou dos agiotas inescrupulosos — tudo isso se compreende bem quando contemplamos seus destinos.
Em contraste, se alguém pratica muitas boas ações e recebe de muitas pessoas pensamentos e sentimentos de gratidão e comoção, esses mesmos pensamentos e sentimentos se tornam luz e envolvem essa pessoa.
Ela se torna, assim, uma pessoa cada vez mais virtuosa e, como os espíritos malignos e as Divindades malignas temem essa luz e não podem sequer se aproximar, é também uma pessoa de grande felicidade. As auréolas que tantas vezes vemos em imagens de divindades e budas são a representação simbólica disso.
Por tudo o que foi exposto, pode-se compreender quão importante é o pensamento dos seres humanos e o quanto deve ser valorizado.
A Queda das Divindades Malignas
Tijotengoku nº 10, publicado em 20 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Que Cristo teve Satanás, assim como Buda teve Devadatta, é de conhecimento de todos; mas até Eu sou constante e pacientemente visado por Satanás e Devadatta. O interessante é que, com a aproximação do tempo, essas Divindades malignas se tornam cada vez mais frenéticas; ultimamente, têm agido com o ímpeto de um leão em fúria — o que já deve ser de conhecimento geral, pois tem sido divulgado com destaque nesta própria publicação. Por tudo isso, pode-se inferir que o destino das Divindades malignas já está iminente: estamos agora no que se pode chamar de véspera do último mundo, do qual falou Cristo.
Embora chamadas genericamente de Divindades malignas, há entre elas vários graus — grandes, médias e pequenas —, e seu líder é o governante do reino das hordas malignas.
Os seres humanos com mais nuvens espirituais são manipulados à vontade, pelo elo espiritual das energias malignas, e passam a agir como obstáculos inconscientes contra Deus. As Divindades malignas, porém, agiram livremente, como bem entenderam, por milhares de anos até hoje e, alheias à transformação do mundo espiritual, continuam a praticar o mal, como se tudo permanecesse como antes.
Com a transformação do mundo espiritual prestes a ocorrer, porém, não é de admirar que elas, ainda sem despertar, tenham começado a se desesperar.
Isso porque o que as Divindades malignas mais temem é a luz — e, à medida que o mundo espiritual se torna dia, a luz se torna mais intensa. Ou seja: aproxima-se a era do terror para as Divindades malignas.
De fato, ao se depararem com a luz, as Divindades malignas se contraem, e seu poder de ação se enfraquece. É por isso que, nas sociedades de pesquisa espiritual, por exemplo, a atividade espiritual só é possível apagando-se as luzes e deixando o ambiente em completa escuridão: a menos que se trate de um espírito de qualificação divina considerável, não é possível atuar sob a luz.
Por esse mesmo princípio, os que se opõem à nossa Igreja temem a luz que emana do Poder Kannon. É por isso que o mundo das Divindades malignas, tentando de algum modo impedir essa luz, promove todo tipo de obstrução — esse é o seu desespero atual. Mas a luz do dia é a luz do sol: por mais que tentem desesperadamente bloqueá-la, não passa de esforço inútil.
Há aqui, porém, uma grande questão sobre a qual todos devem estar alerta: os que se aliam às Divindades malignas tornar-se-ão, no momento do Juízo Final, seres destinados à destruição eterna. Quando chegar a hora, por mais que se arrependam, será tarde demais, e a ruína será certa. Por isso, acima de tudo, é preciso que, agora, enquanto há tempo, se arrependam e se voltem para o bem, envolvam-se pelo grande amor de Deus, libertem-se do mal, entrem no grupo das pessoas boas, tornem-se pessoas que vivem na alegria e alcancem a vida eterna. É isso que não nos cansamos de recomendar.
A Era da Radioatividade dos Espíritos de Divindades
Tijotengoku nº 4, publicado em 25 de maio do ano 24 da Era Showa (1949)
Nos últimos tempos, é fato notório que termos como radiação e radioatividade vêm sendo amplamente empregados — tendência particularmente acentuada com o avanço da teoria da fissão atômica.
Naturalmente, essa terminologia se originou com a descoberta do rádio; hoje, porém, elementos como urânio, tório e plutônio vêm ampliando gradualmente essa variedade. A contribuição desses elementos para o desenvolvimento da cultura e sua futura aplicação em todas as áreas a serviço do bem-estar da humanidade é algo que, sem dúvida, superará qualquer imaginação.
Descobri, porém, uma radioatividade ainda mais poderosa e superior à radioatividade mineral acima mencionada, e venho aplicando-a ativamente, salvando inúmeras vidas e recebendo, por isso, a gratidão de muitos.
Denomino essa radioatividade de "radioatividade dos espíritos de divindades". Uma característica peculiar é que, diferentemente da radioatividade mineral, pode ser extraída infinitamente do corpo humano e, por determinado método, manifestar um poder extraordinário. Outra particularidade é que, a menos que seu propósito seja justo, bom e amoroso para com a humanidade, ela não se manifesta. Cientificamente falando, trata-se de partículas ainda mais finas que as da radioatividade mineral, de densidade mais elevada e de ordem superior.
Desde os tempos antigos, todos os chamados benefícios obtidos por meio de várias crenças nada mais são do que a ação dessa radioatividade dos espíritos de divindades — e era a isso que se chamava "benefício".
Trata-se, porém, de um poder tão ínfimo que não se compara ao que estou manifestando — naturalmente, apenas uma fração dele, um décimo ou menos. Vejamos, a seguir, alguns exemplos de seus efeitos.
Quando a radiação dos espíritos de divindades é aplicada às doenças humanas, o sofrimento é eliminado de forma instantânea, e o alívio do paciente torna-se evidente, como comprovam os inúmeros relatos publicados nesta revista, na seção "Histórias de Graças" (O-kage-banashi). A tuberculose, considerada a doença mais difícil de tratar atualmente, não só é curada na maioria dos casos; no caso da apendicite, por exemplo, a medicina moderna recorre à cirurgia — cortando a carne, consumindo sangue, infligindo sofrimento e, pela remoção do órgão, tornando o paciente um deficiente interno, além de lhe impor um fardo econômico considerável.
Com a nossa radioatividade dos espíritos de divindades, porém, em poucas dezenas de minutos o sofrimento desaparece e, sem qualquer dano aos órgãos, a pessoa se recupera a ponto de não se distinguir de quando estava saudável. Não são poucos, além disso, os exemplos de cura completa de doenças mentais, paralisia infantil e até cegueira, tidas como as mais difíceis de tratar. E não é só isso: também não são raros os casos de cura de desvios espirituais — crianças delinquentes, pessoas de maus hábitos, histeria — que se recuperam ao estado de pessoas comuns.
O efeito da radiação dos espíritos de divindades não se limita, porém, às doenças: é notável também na agricultura.
A revista "Histórias de Graças", por exemplo, relata casos de plantas prestes a morrer por pragas ou enchentes que foram revividas, e de melhoria do solo, entre outros — resultando em diferença marcante de produtividade, como na cultura do arroz, entre o que recebeu a radiação dos espíritos de divindades e o que não recebeu. Há também, em casos de incêndio, quando as chamas estavam prestes a alcançar a própria casa, inúmeros relatos de que, graças a essa radiação, a direção do vento mudou, evitando que o fogo se propagasse.
É comum, ainda, ouvir relatos de que, quando um ladrão estava prestes a invadir, bastava realizar a radiação dos espíritos de divindades de dentro de casa para que ele fugisse às pressas. Os milagres que abrangem essas e outras áreas são tão numerosos que não há tempo de enumerá-los todos.
O público em geral talvez pense que essa radiação dos espíritos de divindades é algo restrito a pessoas especiais e selecionadas — mas não é, de forma alguma, o caso. Qualquer pessoa, seja quem for, pode praticá-la de modo extremamente simples, bastando aprender o método. É verdade que há diferenças na capacidade de radiação entre as pessoas, mas não há uma sequer que seja totalmente desprovida dela.
Por tudo o que foi exposto, creio ter dado uma noção do que é a radioatividade dos espíritos de divindades. Pretendo, em outra oportunidade, aprofundar o assunto por meio de uma explicação teórica e científica.
Fragmentos Médicos (7) – Histórias Estranhas (2)
Tijotengoku nº 10, publicado em 20 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Certa vez, quando sofria de dor de dente, pensei que a causa fosse o curativo medicamentoso que haviam colocado no dente no dia anterior. Disse ao dentista: "Gostaria que o senhor removesse aquilo; acho que assim vou sarar." O dentista respondeu: "Não deve ser esse o motivo; espere até amanhã." No dia seguinte, voltei a procurá-lo, e ele me disse: "Verifiquei ontem à noite todos os compêndios alemães, e não há nenhum caso de dor causada por esse medicamento; portanto, não seria possível doer." Respondi: "Mesmo que não seja possível, dói de qualquer forma — por favor, remova." Ele, com relutância, removeu-o, e a dor desapareceu.
Fragmentos Médicos (8) – Histórias Estranhas (3)
Tijotengoku nº 10, publicado em 20 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Esta é outra história da mesma época da minha dor de dente crônica. Consultei um certo bacharel em odontologia a respeito dela. Ele disse: "Com certeza vai sarar; venha por duas semanas e verá." Fiz exatamente isso. Como a dor não melhorava nem um pouco, reclamei, e ele respondeu: "Mesmo que ainda doa, o estado do dente em si já melhorou bastante." Achei aquilo estranho: "Não me importa o estado do dente — o que importa é que a dor pare, só isso..."
Fragmentos Médicos (9) – Histórias Estranhas (4)
Tijotengoku nº 10, publicado em 20 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Aconteceu o seguinte: uma mulher de meia-idade tinha algo dentro da cabeça que falava sem parar. Isso a incomodava tanto que, às vezes, quase enlouquecia; com esse sintoma, ficou internada por um ano na clínica de medicina interna de uma certa universidade imperial, mas não melhorou nem um pouco. O médico, então, disse: "Sua doença já está curada; portanto, receba alta." Ela respondeu que o sofrimento não havia melhorado nem um pouco, mas o médico insistiu: "Por mais que examinemos o seu corpo, não há absolutamente nada de errado." Achando aquilo estranho, ela recebeu alta. Depois de eu a tratar por cerca de dois meses, curou-se completamente. Este é o defeito da medicina materialista: não sabe que a causa da doença é um espírito invisível aos olhos.
Fragmentos Médicos (10) – Histórias Estranhas (5)
Costuma-se dizer que, quando o filho de um médico adoece, ele próprio não o trata, preferindo confiá-lo aos cuidados de colegas. Não deve haver história mais estranha do que essa. Mesmo sendo médico, confiar a vida do próprio e precioso filho a outra pessoa é algo que, por mais que se pense a respeito, não se ajusta à lógica. Suponho que a razão esteja na hesitação que surge quando se trata do próprio filho. Se assim for, não há diferença alguma em relação à adivinhação que um vidente faz sobre o destino alheio.
O Tratamento de Doenças pelo Praticante
Tijotengoku nº 15, publicado em 20 de abril do ano 25 da Era Showa (1950)
Há mais de trinta anos, sofri de uma dor de dente crônica.
Consultei praticamente todos os dentistas famosos de Tóquio, mas não havia cura; quando já me via em situação desesperadora, por recomendação de alguém, recorri a um praticante da seita Nichiren. Na ocasião, enquanto entoava o "Namu Myoho Renge Kyo", o praticante, nos intervalos, ordenava repetidamente em voz baixa: "Vocês dois, curem a dor de dente desta pessoa. Se curarem, eu os consagrarei no Inari; portanto, esforcem-se com empenho. Darei a vocês os nomes de 'Fulano Inari' e 'Sicrano Inari'." Ao ouvir isso, pensei: "Ah, ele está fazendo duas raposas curarem a dor" — e, ao mesmo tempo, compreendi o método do praticante para tratar doenças.
No entanto, refletindo agora, aquilo não surtiu efeito algum. Mas, como me veio à mente que a causa da dor de dente era a toxina medicamentosa, decidi abandonar definitivamente as consultas aos dentistas e, como resultado, a dor acabou sarando. Quem me fez conhecer a toxina medicamentosa naquela ocasião, portanto, foram as raposas, e considero essas mesmas raposas grandes benfeitoras da minha vida, a quem sou imensamente grato — pois, quando a dor de dente era intensa, o próprio cérebro era afetado, a ponto de eu ter de me preparar para o destino final, fosse a loucura, fosse o suicídio.
A Batalha entre o Materialismo e o Espiritualismo
Tijotengoku nº 11, publicado em 20 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Os jornalistas, em sua maioria, chamam a nossa Igreja de superstição e culto maligno — mas por que será? Falando com franqueza, é porque o nosso ponto de vista e o deles são diferentes: eles criticam o espiritualismo a partir de uma perspectiva materialista. O materialismo é, literalmente, uma existência clara e visível, que qualquer pessoa pode compreender; o espiritualismo, por ser invisível, acaba inevitavelmente sendo negado. Por isso, quando os dois são simplesmente comparados, é inevitável que o espiritualismo saia em desvantagem.
No entanto, a visão materialista está limitada ao que é visível e ao que pode ser percebido pelos cinco sentidos; pode-se dizer, por isso, que é uma existência pequena. Em contrapartida, a visão espiritualista é infinita — como o tamanho ilimitado do universo comparado ao da Terra. Aqui, o que pode ser visto a olho nu é, no máximo, algo como o Monte Fuji, que não passa de algumas dezenas de léguas; mas o pensamento invisível pode expandir-se instantaneamente muito além dos limites da Terra, rumo ao infinito. É como dizer que, se o grande oceano é a visão espiritualista, o barco que flutua sobre ele é a visão materialista.
Por essa razão, o materialismo é semelhante a Son Goku, que correu milhares de léguas na palma da mão de Buda — tal como os espiritualistas — mas que, no final, foi derrotado. Para dar outro exemplo, a doutrina de que "tudo é vazio" (kū), pregada pelo próprio Shakyamuni, também toma o materialismo como objeto a partir da visão espiritualista; o mesmo vale para o princípio de que "todo ser vivo perece e todo encontro termina em separação", e também para o satori zen de que "tudo o que tem forma certamente perece". Naturalmente, visto que a visão espiritualista é um corpo de vida eterno e infinito, fica claro o quão equivocado é criticá-la a partir da visão materialista, que é finita. É como tentar colocar um elefante em um pequeno vaso, ou espiar o céu pelo interior oco de um junco.
Materialistas! Depois de lerem esta tese, o que me dizem?
Respondendo às Angústias dos Convertidos
Tijotengoku nº 11, publicado em 20 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Quando uma pessoa se converte de uma religião para outra, é inevitável que, dependendo do caso, surjam preocupações de maior ou menor porte. A carta publicada a seguir (aqui omitida) descreve detalhadamente uma mudança sincera de estado de espírito e as angústias da conversão, e é algo que realmente comove o coração. Escrevo isto porque a resolução dessas angústias, que os futuros convertidos provavelmente enfrentarão, é também um aspecto importante da salvação. Examinando-as minuciosamente, o ponto central é o que se segue.
Diz-se que essa pessoa era um membro influente de uma denominação protestante do cristianismo. É claro que não se trata de um caso restrito apenas aos cristãos; há exemplos equivalentes entre seguidores de outras religiões. Isso se deve, obviamente, à rigorosa proibição de "não tocar em outras religiões", imposta por seus preceitos. Explicarei a seguir qual é a causa disso.
Em qualquer religião, existem o caminho Daijo e o caminho Shojo. Como sempre explicamos, Shojo é o fogo e a urdidura, enquanto Daijo é a água e a trama. Portanto, Shojo tem como princípio os preceitos, e Daijo tem como princípio fundamental o ser livre e desimpedido. Por essa razão, a angústia da conversão se deve aos preceitos de Shojo; no caminho Daijo, não existe absolutamente nenhuma angústia de conversão.
Isso significa que, qualquer que seja a religião, sua origem provém do Deus Supremo — ou seja, Jeová, Deus, o Imperador Celestial, Buda, etc. Em todo o mundo, para todos os povos, regiões e épocas, surgiram, como representantes de Deus, Cristo, Buda, Maomé, entre outros santos e sábios. Portanto, embora haja diferenças de superioridade e inferioridade, a origem é uma só e boa raiz. Além disso, como nos seres humanos existem almas superiores, médias e inferiores, é necessário que haja religiões que possam ser aceitas de acordo com a condição de cada alma. Há, por exemplo, aqueles que não se satisfazem a menos que a doutrina seja profunda, e também crenças populares que não podem ser compreendidas a menos que se utilizem sinos, tambores, vários instrumentos musicais, sutras, danças, etc. Isso é evidente. Da mesma forma, entre os diversos povos do mundo, existem naturalmente diferenças em suas tradições, costumes, gostos e cultura.
Vendo isso por este prisma, a crença em Shojo faz com que os seres humanos criem limites e sofram por estarem presos a eles, o que é um grande erro. O grande amor de Deus não é algo tão limitado e pequeno; no entanto, pode-se dizer que quase todas as religiões existentes hoje são de caráter Shojo, e quase não há nenhuma que seja perfeitamente completa no sentido Daijo. Se houvesse, o mundo de sofrimento como o de hoje já deveria ter desaparecido, e o Paraíso Terrestre já deveria ter nascido. Portanto, as religiões estabelecidas possuem defeitos, em maior ou menor grau. Um desses defeitos é a visão de Shojo, como mencionado anteriormente; por causa disso, elas não conseguem se unificar no grande amor do Deus Supremo, e as feias disputas entre os ideais religiosos nunca cessam. O fato de que, mesmo dentro de uma única seita ou escola, surgem facções, afiando as lâminas e criando atritos incessantes, é uma prova disso.
Observando que as disputas religiosas na Europa antiga chegaram a causar grandes guerras, podemos perceber quão terrível é a crença em Shojo.
À luz do exposto, na nossa Igreja, uma vez que Daijo é o principal e Shojo o secundário, não existem preceitos severos; ela é verdadeiramente livre e libertadora. Em suma, é uma concepção que abraça toda a humanidade e tem um propósito mundial.
Por isso, na nossa Igreja, não se censura em nada o contato com outras crenças. É liberdade absoluta. Um seguidor da nossa Igreja pode, por exemplo, estudar outras religiões sem qualquer problema; além disso, se por acaso houver uma religião superior à nossa, é livre para se converter a ela. Da mesma forma, se alguém que uma vez se converteu a outra religião retornar à nossa Igreja, também não há problema algum.
Em sua origem, a verdadeira atitude de fé é aquela que brota naturalmente do fundo da alma humana e, não podendo ser contida, leva a crer.
No entanto, ensinar que a própria conversão é como um pecado e obrigar a obedecer a isso é, na verdade, uma tentativa de manter a fé por meio de uma espécie de coação, o que oprime a livre consciência e é uma autoilusão. Uma fé como essa não pode, de forma alguma, estar de acordo com a vontade de Deus. A verdadeira fé é, acima de tudo, espontânea, e não se deve esquecer que não há nela qualquer restrição. É por isso que a nossa Igreja tem Daijo como seu princípio fundamental.
Sawamura Tanosuke e Outros
Tijotengoku nº 13, publicado em 20 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950)
Outro dia, ao assistir a um filme sobre Tanosuke, notei algo.
É por demais famosa a trágica e comovente história de que ele, devido a uma gangrena, teve ambas as pernas amputadas e, devido a um panarício, todos os dedos das mãos amputados, tornando-se quase um homem-dharma vivo e, ainda assim, continuava a subir ao palco.
Mas não há quem não saiba que o médico que realizou essa cirurgia foi o renomado médico holandês Dr. Hepburn. Por isso, o Dr. Hepburn é ainda hoje venerado como o pioneiro da cirurgia no Japão.
Como a cirurgia de Tanosuke ocorreu no quarto ano da Era Meiji (1871), pode-se dizer que esse foi o marco inicial da cirurgia no Japão. No entanto, o caso de Tanosuke era algo quase sem precedentes.
Primeiro, amputaram-lhe a perna direita e, quando se pensou que estava curado, a perna esquerda logo piorou, e ele teve de amputá-la também. Não bastasse isso, todos os dedos das mãos desenvolveram panarício e foram igualmente amputados — portanto, essa tragédia não é algo comum. Qualquer um pensaria que deveria haver uma causa muito forte por trás disso. As pessoas da época, no entanto, propuseram a seguinte teoria especulativa: diziam que, como Tanosuke era de uma beleza rara, cometera pecados com muitas mulheres, e que aquilo seria a maldição dos espíritos vingativos delas. À primeira vista, qualquer um poderia concordar; mas, na verdade, embora isso possa ter contribuído um pouco, a causa verdadeira residia num ponto que ninguém percebia.
Vou escrever sobre isso. No início, quando a gangrena surgiu no pé direito, se tivesse sido deixada em paz, teria se curado naturalmente. Por quê? Porque a causa da gangrena é a ação de eliminar pus de má qualidade; se deixado como estava, o acúmulo aumentaria gradualmente, até se tornar um enorme inchaço, com rubor, amolecendo, abrindo um pequeno orifício — e uma quantidade muito grande de sangue tóxico e pus seria então excretada, curando-se completamente, sem deixar vestígios.
Contudo, como a cirurgia foi realizada antes de haver supuração suficiente, teria bastado, mesmo naquele caso, um pequeno furo de agulha para que o acúmulo de pus cessasse.
Esta é uma maravilha da criação, e eu já a testemunhei inúmeras vezes. Assim, como tanto a perna direita quanto a esquerda foram amputadas, o pus, não tendo alternativa, buscou uma via de excreção nos dedos das mãos. Por isso, se Tanosuke tivesse vivido, teria sido inevitável que supurasse em outra parte. Considerando o princípio acima, se o Dr. Hepburn não estivesse no Japão, Tanosuke teria se curado completamente apenas com a perna direita e deixado uma arte extraordinária.
Por este único fato, podemos perceber quão terrível é o erro da medicina.
Entre os pacientes que tratei anteriormente, houve um caso assim: uma mulher casada de cerca de quarenta anos. A toxina medicamentosa de uma injeção preventiva desceu gradualmente, tentando ser excretada pelo tornozelo, e formou um inchaço. Embora, se deixado em paz, também se curasse naturalmente, o tratamento médico realizou uma cirurgia e aplicou antissépticos. O antisséptico, ao que parece, era forte, e, ao penetrar pela ferida, fez o inchaço aumentar ainda mais do que antes; a dor foi se tornando gradualmente mais intensa, até se espalhar do tornozelo para cima. O médico, assustado, disse que, como estava apodrecendo para cima, teria que amputar a partir da parte inferior do joelho. Foi quando ela veio ao meu consultório. Levei alguns anos, mas ela se curou sem amputar o joelho.
Existem muitas histórias semelhantes a esta no mundo, mas as mais infelizes são aquelas em que, primeiro, um panarício no dedo do pé é curado temporariamente pela cirurgia, depois surge em outro dedo, que é amputado, e assim vários dedos são perdidos; ou, em alguns casos, surge no tornozelo e, ao amputá-lo, surge então na parte superior do joelho, levando à amputação desde a raiz da coxa. Pessoas que chegam a esse estado geralmente não escapam da morte.
Houve, em seguida, este paciente: um homem de cerca de cinquenta anos. Primeiro, surgiu um inchaço na parte superior do corpo. Tentaram fazê-lo desaparecer aplicando um medicamento forte, que penetrou pela pele e se espalhou gradualmente, alastrando-se por todo o corpo em poucos anos. A cor era vermelho-escuro, e as partes mais graves apresentavam uma coloração púrpura, tão hedionda que era insuportável de se ver. O paciente sofria continuamente, sem conseguir dormir direito. À primeira vista, fiquei com a pele arrepiada e, não havendo o que fazer, recusei o caso; ouvi dizer, depois, que ele morreu alguns meses mais tarde.
Houve também este caso raro: uma mulher casada de cerca de quarenta anos. Surgiu um inchaço entre o olho direito e a sobrancelha. Também neste caso, se deixado em paz, teria se curado naturalmente, mas o tratamento médico aplicou radioterapia com raio-X. Como resultado, endureceu fortemente, e a toxina acumulada foi aumentando gradualmente na parte profunda atrás do inchaço, ao mesmo tempo que este avançava para a parte inferior, tornando-se finalmente um bloco de tamanho surpreendente. Além disso, como o globo ocular era pressionado por cima, a posição do olho desceu, ficando exatamente no centro da bochecha, em forma de lua crescente. Ela sempre o escondia com um pano branco, mas, quando tirei o pano pela primeira vez, fiquei estupefato — de qualquer forma, só podia parecer um monstro. A causa disto é que a medicina, por não saber que, se deixasse inchar completamente e drenar o pus naturalmente, o mal teria se curado por completo, provocou solidificação na superfície externa com raio-X e interrompeu o inchaço.
Os exemplos acima são apenas alguns, mas já testemunhei inúmeros outros, incontáveis. Todos eles se devem a erros da medicina, e devo dizer que é verdadeiramente terrível. Escrevi isto acreditando que os médicos que lerem este texto poderão concordar, balançando a cabeça, e que também haverá pessoas sábias que despertarão.
"É mentira que o honesto é prejudicado"
Tijotengoku nº 3, publicado em 20 de abril do ano 24 da Era Showa (1949)
Ouço expressões como a do título há bastante tempo, mas, quando reflito profundamente sobre essas palavras, temo que elas transmitam uma ressonância extremamente desagradável ao coração da sociedade.
No entanto, se os fatos fossem realmente assim, não haveria o que fazer. Garanto, porém, com base em minha experiência, que não existe absolutamente nenhum fato como o que essa expressão sugere. Discorrerei sobre isso a seguir.
Quando observamos atentamente o mundo, constatamos que há duas maneiras de ver todas as coisas humanas: uma é a visão temporária; a outra, a visão eterna. Ocorre que as pessoas comuns tendem a julgar o bem e o mal com base em resultados temporários. Ao verem, por exemplo, o sucesso de pessoas desonestas que, por um tempo, enganam os outros com habilidade ou iludem com falsidades, ficam deslumbradas e concluem que "o honesto leva desvantagem". No entanto, é preciso observar essas situações com um olhar um pouco mais demorado. Se assim o fizerem, é certo que tais pessoas acabarão revelando suas falhas, passando vergonha e se tornando fracassadas. Em contrapartida, o honesto, mesmo que por um tempo sofra mal-entendidos, tenha prejuízos ou seja colocado em posição desfavorável, verá a verdade vir à tona inevitavelmente com o passar do tempo — e isso também pode ser considerado decisivo. Sobre isso, gostaria de relatar minha própria experiência.
Escreverei, primeiramente, a partir da minha experiência. Eu, desde jovem, embora pareça estranho dizer isso de mim mesmo, sou realmente honesto: simplesmente não consigo mentir. Quando jovem, ouvia com frequência: "Alguém honesto como você dificilmente terá sucesso; portanto, mude de atitude e, para conseguir se virar no mundo e ter sucesso, é preciso aprender a mentir com habilidade." Também pensei: "de fato" e, por um tempo, tentei mentir com empenho, mas não dava certo. Era insuportavelmente doloroso; a vida se tornava sombria, e eu passava apenas dias desagradáveis. Naturalmente, por essa razão, os resultados não podiam ser bons. Naquela época, eu era comerciante — portanto, barganhas e mentiras deveriam ser ainda mais proveitosas para mim —, mas isso não trazia nada de bom. Por fim, tomei a decisão de seguir firmemente com a honestidade e a retidão, que eram minha verdadeira natureza, e assim prosseguir. O interessante é que, a partir de então, os resultados foram inesperadamente bons: primeiro, aumentei a confiança no meu ramo de atividade, progredi rapidamente e, por algum tempo, construí uma fortuna considerável. Empolgado com isso, porém, expandi demais os meus negócios, e, quando fui atingido por um pânico econômico, sofri uma queda da qual não consegui me reerguer, e assim entrei para a vida religiosa.
A honestidade e a retidão que uma vez decidi seguir, no entanto, mantive-as inabaláveis, e permaneço assim até hoje. Naturalmente, os resultados são bons. É verdade que, ao longo do tempo, enfrentei mal-entendidos, fui alvo de críticas, sofri perseguições e atravessei um caminho espinhoso repleto de vicissitudes, mas minha credibilidade jamais diminuiu. Ainda hoje, sinto profundamente que isso se deve à minha honestidade. As pessoas modernas, dessa forma, tendem a ter uma visão temporária das coisas, e são facilmente iludidas pelos resultados momentâneos. Por isso, o ser humano, ao observar qualquer coisa, deve fazê-lo com um olhar eterno.
Isso se aplica a tudo. No caso dos políticos, por exemplo, eles se esforçam excessivamente para obter o poder de forma temporária — é como alguém que, sem conseguir esperar o caqui maduro cair, colhe-o ainda verde e, por ser adstringente, fracassa.
Há também um ditado que diz: "O grande político pensa em cem anos à frente; o político mediano, em dez anos; e o político inferior, em um ano." Isso é exatamente verdade. No entanto, o que é preocupante é que, hoje em dia, parece que a maioria é de políticos inferiores. O mesmo se aplica, além disso, ao cultivo sem fertilizantes que defendo: na agricultura convencional, quando se aplicam fertilizantes químicos ou adubo humano, os resultados são bons temporariamente, mas, como isso mata o solo, ele vai se empobrecendo gradualmente. Sem perceber isso, iludidas pelo efeito temporário dos fertilizantes, tanto as pessoas quanto o solo acabam sofrendo de intoxicação por fertilizantes. Esse princípio também se aplica à medicina moderna: os medicamentos e as terapias mecânicas produzem efeitos temporários, mas, com o tempo, surgem reações adversas e o quadro se agrava. Iludidas, no entanto, pelo efeito temporário inicial, as pessoas insistem em adotar apenas esse método — e, como resultado, a doença se agrava cada vez mais.
Chamei a atenção, portanto, para a maneira de observar as coisas — entre o temporário e o eterno — conforme exposto no início.
O Juízo Final
Tijotengoku nº 12, publicado em 20 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950)
O que é o Juízo Final do qual Cristo falou, e sob que forma e em que momento ele se manifestará? Esta é uma questão que, naturalmente, os cristãos, e também o público em geral, desejam saber. Agora que o tempo se aproxima, revelo aqui um vislumbre disso. Esta, porém, não é uma opinião pessoal minha: sendo inteiramente fruto de inspiração espiritual, peço que seja lida como referência e como teoria.
Em primeiro lugar, devemos decidir se o Juízo Final realmente ocorrerá. E, se assim for, não é possível que um grande santo, como é chamado Cristo — a quem centenas de milhões de fiéis, centrados nas nações culturalmente avançadas que lideram o mundo, dedicam sua fé absoluta —, tenha profetizado algo que não existe. Se não existisse de fato, ele seria um mero mentiroso. Portanto, mesmo nós, que não somos cristãos, acreditamos nisso sem sombra de dúvida. Além disso, aquilo em que eu, particularmente, acredito está escrito no Ofudesaki do fundador da religião Oomoto: "O que Deus disse, nem a largura de um fio de cabelo difere". Penso que esta palavra se aplica perfeitamente, e sem erro, à profecia do Juízo Final. Há também este Ofudesaki sobre o bem e o mal: "Eu erradicarei o mal e estabelecerei o mundo do bem", "O mundo do mal já se findou", "Farei com que o mundo do mal se detenha nos noventa e nove por cento, e pelo mecanismo de um por cento o converterei no mundo do bem", "Finalmente, chegará o tempo da grande transição do mundo". O que tudo isso significa, senão o Juízo Final? Isto é o que sempre chamamos de Transição da Noite para o Dia.
Ofudesaki: “O grande divisor de águas deste mundo está chegando; portanto, purifiquem suas almas”. Isso se refere ao período de transição da noite para o dia e significa que, para superá-lo, uma alma impura não serve.
Com base no exposto, examinando o significado do Ofudesaki à luz do Juízo das escrituras sagradas, chega-se a esta conclusão: uma grande crise se aproxima e, para superá-la, o coração deve estar puro.
Os maus cairão e perecerão para sempre. Por isso, é imperativo purificar a alma mediante uma fé correta e superar a crise em segurança. No entanto, há quem diga no mundo: “Como pode existir uma coisa tão absurda? Deuses e Budas são criações humanas; na realidade, não podem existir”. Os materialistas dificilmente acreditarão; mas, quando esse momento chegar, por mais que se desesperem e se agarrem a Deus, já será tarde demais, e nada mais haverá a fazer. Isso é mais claro do que a luz do dia. Naturalmente, o grande amor de Deus deseja salvar o maior número possível de pessoas; por isso, nós, que incorporamos a Vontade Divina, temos dado avisos repetidas vezes, por escrito e oralmente. Sobre isso, o Ofudesaki diz: “Deus, pensando em ajudar, avisa repetidamente através do Ofudesaki, mas, se vocês sempre o tratarem com descuido, como o som do corvo que grasna, chegará o momento em que terão que se desculpar de cabeça para baixo, sacudindo um rolo de massa.
Quando esse momento chegar, Deus não poderá mais se importar com tais pessoas; vocês terão que se resignar, pensando que é ferrugem que saiu do próprio corpo, e não haverá outro jeito senão morrer”. Penso que isso expressa bem a situação. A respeito disso, vou esboçar brevemente a história do Dilúvio de Noé.
Isso deve ter ocorrido há vários milhares ou dezenas de milhares de anos. Havia, em um país da Europa antiga, dois irmãos chamados Noé. O irmão mais velho, tornando-se o que hoje chamamos de possesso por divindades, recebeu a seguinte revelação: “Em breve haverá um grande dilúvio; portanto, adverti veementemente o povo”.
Os irmãos, com grande fervor, alertaram o povo, mas ninguém acreditou. Após vários anos, conseguiram finalmente seis seguidores. Deus também ordenou que construíssem uma arca — um barco em forma de semente de ginkgo, ou seja, com uma tampa. Pouco tempo depois, como era de esperar, começou uma longa chuva.
Há teorias de que a chuva durou cem dias, e outras de que durou quarenta; de qualquer forma, foi uma chuva torrencial e prolongada. Aos poucos, o nível da água subiu, todas as casas foram submersas, restando apenas os picos das montanhas. As pessoas disputavam os barcos ou subiam às montanhas altas; mas, inesperadamente, feras selvagens e serpentes venenosas também subiam às montanhas ou aos barcos, tentando se salvar junto com os humanos. A fome fez com que as feras matassem todos os humanos; como a arca tinha tampa, elas não conseguiram subir nela, e apenas oito pessoas se salvaram. Diz-se que os descendentes dessas oito pessoas são os ancestrais dos brancos de hoje.
No Antigo Testamento, em seguida, está escrito que João realizou o batismo pela água, e Cristo, o batismo pelo fogo. Se o Dilúvio de Noé foi o batismo pela água de João, então o batismo pelo fogo de Cristo não pode ser senão o Juízo Final que está prestes a chegar. No entanto, como a água é material e o fogo é espiritual, o método que estamos praticando agora — o de purificar o espírito com o espírito — é exatamente o batismo pelo fogo. E, como isso se transfere do espírito para o corpo, de que modo o batismo pelo fogo afetará o corpo materialmente? Deve ser uma mudança sem precedentes. Dito isso, é preciso saber que a crise se manifesta apenas para o mal; para o bem, não há crise.
Ofereço este texto aos descrentes.
2. A Revolução da Medicina
Tijotengoku nº 13, publicado em 20 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950)
2. A Revolução da Medicina
(1) A Revolução da Medicina
A Revolução da Medicina
Desde os tempos antigos, como todos sabem, o que se chama de revolução refere-se a movimentos como a revolução política ou a revolução social, que visam corrigir políticas equivocadas e ideologias erradas, buscando tornar a sociedade melhor.
No entanto, esses movimentos, em sua maioria, limitavam-se a um determinado país ou a um determinado povo.
Atualmente, porém, eles gradualmente ganharam grande escala, e tanto a revolução comunista, que tem a União Soviética como centro, quanto a revolução democrática, centrada nos Estados Unidos, que busca impedi-la, são questões da maior importância.
Contudo, o que estamos propondo e colocando em prática é uma revolução cultural com o significado fundamental de salvar a humanidade: a criação de um mundo sem doenças.
E não deve haver questão mais importante do que esta.
Trata-se, provavelmente, de um grande empreendimento que jamais foi sequer sonhado na história da humanidade. A bomba atômica, capaz de aniquilar num instante construções e seres vivos numa extensão de vários quilômetros, foi uma grande descoberta que jamais se imaginou ser possível; se utilizada de forma pacífica, é inimaginável o quanto poderia beneficiar a humanidade. No entanto, o que se propõe aqui é erradicar completamente as doenças da humanidade. Comparando uma coisa com a outra, a diferença em magnitude torna-se evidente por si só. Naturalmente, expulsar as doenças deste mundo significa, antes de tudo, compreender exaustivamente a causa pela qual elas surgem e existem; e, junto com esse conhecimento, é necessário descobrir o método para exterminar essa causa. Esses dois pontos devem ser o fundamento essencial.
Diz-se, no entanto, que a medicina moderna avançou, e o público em geral está convencido de que ela progrediu. Mas o que se pode dizer? Na verdade, longe de progredir, ela se encontra apenas em estado de estagnação. Desde Hipócrates, considerado o pai da medicina, há mais de dois mil anos, até os dias de hoje, nem mesmo a causa de um resfriado foi descoberta — o que já basta, e não é necessário dizer mais nada. Só por este fato, não se pode afirmar que a medicina moderna tenha progredido; e, por conseguinte, por mais séculos que ainda se passem, é evidente que um mundo sem doenças não passará de um sonho diurno, nada mais.
Não estamos criticando a medicina pelo simples prazer de criticar. Estamos apenas considerando os fatos como fatos, os erros como erros, e criticando de um ponto de vista imparcial, sem nos apegarmos a nada. O que defendemos não é uma teoria nem uma hipótese: como estamos expondo os fatos tais como são, pode-se dizer que é a própria verdade.
O Que É a Nova Civilização?
Tijotengoku nº 31, publicado em 25 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Atualmente estou escrevendo uma grande obra intitulada “A Criação da Civilização”, cujo objetivo é fazer saber que a civilização até hoje é uma civilização de erro fundamental, e não a verdadeira civilização.
A maior prova disso é que, por mais que a civilização tenha avançado, a felicidade da humanidade, que é o objetivo final da civilização, não apresenta nenhum sinal de realização.
Pelo contrário, é fato que a humanidade tem até mesmo a tendência de as preocupações com a sobrevivência aumentarem à medida que a civilização avança, e não se pode pensar de forma alguma que esta civilização moderna, repleta de contradições, possa continuar assim para sempre. Isso porque o progresso da civilização é afastar-se passo a passo da barbárie, e não pode haver outra razão fundamental além desta. Portanto, é natural que a humanidade, mais cedo ou mais tarde, perceba isso e passe a construir uma verdadeira civilização acompanhada de felicidade — e quero anunciar que esse momento está iminente, pois a raiz desse erro foi descoberta agora por mim.
A Barbárie Será Eliminada
E isso se confirma mesmo considerando por outro ângulo.
É que a verdade é que o mundo progride infinitamente, e este é um fato incontestável que ninguém pode negar.
Sendo assim, por qualquer razão que seja, não é possível que se retorne à era bárbara. Desta forma, a civilização avançará cada vez mais e, no final, a barbárie será completamente eliminada da humanidade, e só então se terá o verdadeiro estado da civilização. Ao atingir esse ponto, a humanidade habitará em paz e desfrutará da felicidade. No entanto, como está a situação atual? Como se vê, a ameaça de guerra e o medo das doenças não diminuíram nem um pouco, não é verdade? Isso significa que ainda resta muita barbárie, e o problema não é que não se perceba isso, mas sim a ilusão de acreditar que essa barbárie é inseparável da civilização. É claro que o ponto principal dessa forma de pensar é o erro da medicina. Isso porque, como resultado de a terapia da medicina moderna não curar com medicamentos ou outros métodos, um dos métodos recentemente muito utilizados é a cirurgia. Esse método, nem é preciso dizer, corta a carne, causa hemorragia, remove órgãos e, dependendo da doença, faz perfurações para drenar pus e água turva; tumores são sempre cortados, deixando cicatrizes feias.
No entanto, consideram isso um progresso, o que é realmente surpreendente. Do nosso ponto de vista, isso não passa de um ato bárbaro e cruel. De fato, embora se diga que é uma medida paliativa para quem não consegue curar a doença, pensar que isso é progresso significa que, na verdade, não é um progresso da terapia, mas apenas um progresso da técnica. Falando a verdade absoluta, portanto, a verdadeira terapia, no ato de tratar, não deve causar nenhum sofrimento, não deve danificar o corpo, deve apenas remover a doença e deixar o corpo em seu estado original. Não há outro progresso na medicina além deste. Ora, a medicina que progrediu nesse sentido é exatamente a terapia que eu criei; portanto, à medida que esta terapia se difundir, a humanidade será completamente libertada das preocupações com as doenças, e aqui se realizará o mundo sem doenças, que é o ideal da humanidade.
Por que, então, nasceu uma medicina tão revolucionária? Há uma razão para isso. Como todos sabem, a medicina moderna nasceu da ciência materialista, enquanto a nossa terapia de fé nasceu da ciência espiritualista, e seus fundamentos são completamente opostos. A condição fundamental dessa diferença está em que a medicina considera o ser humano um animal material, enquanto nós o consideramos um animal espiritual. Se decidirmos qual dessas formas de pensar é a verdadeira, então o problema se resolve imediatamente. Embora se pense que essa decisão não seja fácil, na verdade é extremamente simples: basta observar o efeito de curar a doença. É a experiência de curar ou não curar, e não deve haver método mais seguro do que este. Sendo assim, os especialistas em medicina deveriam, primeiro, experimentar o Johrei da nossa Igreja, e só com isso a questão se resolveria de uma vez. Comparem, por exemplo, para sintomas como apendicite ou alguma outra dor, qual cura mais rapidamente e mais completamente: o tratamento médico ou o Johrei. Com isso, o lado vencedor é a verdadeira terapia; não há, portanto, necessidade de teorias difíceis — isso por si só decide. No entanto, os homens modernos têm o hábito de não aceitar algo, mesmo que tenha efeito, se não houver uma base teórica; por isso escrevi exaustivamente sobre isso na parte da medicina em “A Criação da Civilização”. Na ciência médica atual, até a origem dos micróbios — questão mais crucial e completamente não resolvida — é ali explicada teórica e cientificamente, de modo que quem ler poderá se convencer. Por que, então, a medicina materialista foi considerada a melhor até hoje? A causa disso reside num ponto muito profundo.
A Eliminação do Sofrimento das Doenças
Quanto a isso, como um fato mais fácil de entender, desde a antiguidade até hoje, os métodos para curar doenças podem ser divididos em dois grandes grupos.
Um é o método completamente espiritualista, que inclui várias práticas, como fazer preces a deuses e budas, pedir orações a sacerdotes ou ascetas, amuletos, transferência de males, substituição, cultivo espiritual, etc. Em suma, é completamente espiritual.
Em contrapartida, o lado materialista inclui, naturalmente, medicamentos, máquinas, cirurgia, injeções, fototerapia, tratamento por agentes físicos, e até mesmo terapias populares como digitopuntura e massagem — tudo isso é material. Dessa forma, ambos os lados são extremamente tendenciosos. Além disso, a civilização moderna, deslumbrada pelos feitos de progresso e desenvolvimento surpreendentes da ciência, chegou ao ponto de acreditar que até mesmo o tratamento de doenças só pode ser resolvido pela ciência materialista, e isso se tornou senso comum. Surgiu a ideia de que, se apenas este método for aperfeiçoado, o sofrimento das doenças poderá ser eliminado da humanidade; e esse pensamento de supervalorização da ciência acabou por negar até mesmo a existência dos espíritos de divindades. Examinando ainda mais profundamente este assunto, a cultura oriental é algo que surgiu no Plano Divino de Deus depois que a humanidade evoluiu até certo ponto.
Esta cultura, como sempre digo, é espiritual e psíquica e, embora tenha alcançado um desenvolvimento extraordinário, por negar extremamente a matéria, acabou fracassando, chegando ao estado de declínio como o de hoje. Já a cultura ocidental, que menosprezou o espírito e progrediu até hoje baseada no pensamento de valorização da matéria, também foi uma cultura de fracasso. Acima de tudo, o mundo atual prova bem isso. Vendo assim, a humanidade fracassou ao se inclinar para a urdidura, e fracassou novamente ao se inclinar para a trama. Diante de uma cultura que fracassou não uma, mas duas vezes, e a humanidade ainda não desperta, continuando a se agarrar a uma cultura sem esperança, é natural que ocorra aqui alguma grande reviravolta histórica.
O Papel de Parteira da Civilização Mundial
Foi então que surgiu a nossa Igreja Messiânica. A nossa Igreja, portanto, é quem extrai os erros da civilização fracassada e ensina o verdadeiro estado da civilização.
Nesse sentido, estou agora escrevendo a obra “A Criação da Civilização”.
A base desse projeto é pregar a verdade de uma forma de pensar que não se inclina nem para a urdidura nem para a trama, mas que é ao mesmo tempo urdidura e trama, livre e sem impedimentos — ou seja, uma forma de pensar de meio-termo. Para explicar de forma simples, significa fazer reconhecer a existência dos espíritos de divindades e, ao mesmo tempo, respeitar grandemente o progresso material. O método do Johrei é uma manifestação desse princípio; e, como este método emite o espírito pela palma da mão, nem é preciso dizer que é uma força que combina tanto o espírito quanto o corpo.
Portanto, eu sou tanto a parteira que deve dar à luz o mundo da verdadeira civilização, quanto o seu guia.
Por que se tornou a Igreja Messiânica?
Tijotengoku nº 14, publicado em 20 de março do ano 25 da Era Showa (1950)
Ainda não se passaram três anos desde a fundação da Organização Kannon e também da Igreja Miroku, e ambas, unificando-se desta vez, foram recém-estabelecidas sob o nome de Igreja Messiânica. Qual seria a razão para isso? Como todos os fiéis devem desejar saber, escrevo aqui a explicação.
Desde antes, tenho dito constantemente que Deus mostra tudo através de modelos e, ao mesmo tempo, faz com que os modelos sejam realizados. Nesse sentido, um dia, o espírito e o corpo — ou seja, a urdidura e a trama — unem-se, formando uma cruz, e a partir daí começa a verdadeira obra de Deus. A urdidura e a trama são o fogo e a água; o fogo é Ka e a água é Mi, constituindo a obra de Kami (Deus). Ademais, o budismo é a lua, e a lua é a luz da noite.
Portanto, como Kanzeon-Bosatsu é um Buda, sua obra é a da lua noturna, e por isso não pôde exercer o poder absoluto — o que foi inevitável devido às circunstâncias da época. Consequentemente, uma vez que se entra no mundo do dia, a obra do Buda aqui se dissolve e passa a ser a obra de Deus. É natural que isso se tenha tornado a Igreja Messiânica, como mencionado anteriormente. Mesmo que a obra tenha se tornado a de Deus, como descrito acima, ela difere do xintoísmo existente no Japão desde os tempos antigos.
O xintoísmo é uma religião étnica do Japão e, por ser limitado, perdeu seu significado no mundo atual, que se tornou global em todos os aspectos. O fato de a influência do xintoísmo ter diminuído após o fim da guerra não se deve a outra coisa senão a isso. Por essa razão, o Deus Supremo, sem discriminação de nações ou povos, passou a salvar toda a humanidade do mundo, o que torna esta verdadeiramente uma época de gratidão. Diante disso, é necessário atribuir um nome adequado; e, se assim for, o nome “Kyūsei” (salvação do mundo) é o mais apropriado. No entanto, “Igreja Messiânica” (Kyūseikyō), por ser escrito em caracteres chineses, é oriental e pouco interessante. Por isso, foi acrescentada a leitura em furigana de “Mesia” a esses caracteres, unindo assim o Oriente e o Ocidente, e tornando-o mundial. A palavra “Messias”, em especial, tem afinidade com Cristo e, além disso, é um título pelo qual as nações culturalmente avançadas anseiam. Além disso, segundo consta, o Messias e o Juízo Final têm uma relação estreita, e o fato de isso coincidir com o significado do fim da noite e do início do dia, que sempre proclamamos, tem um significado realmente profundo. A propósito, como se dará a transformação quando Kanzeon-Bosatsu passar a atuar como Deus?
Esta deve ser a maior preocupação para os fiéis. Como tenho dito repetidamente, a salvação que não distinguia entre o bem e o mal deixa de ser indiferenciada, e o bem e o mal passam a ser claramente separados. Isso significa que a proteção ao bem se torna cada vez mais intensa, e o mal, diferentemente do passado, será julgado com ainda mais rigor. É necessário gravar profundamente este ponto no coração e avançar. Para isso, o mais importante é ler e venerar os Escritos Divinos o máximo possível — pois, uma vez que Deus construirá o perfeito Paraíso Terrestre, que é a Verdade, o Bem e o Belo, Seu ideal, Ele deve corrigir radicalmente aqueles que têm o coração impuro e estão equivocados.
A Concretização da Profecia do Paraíso
Tijotengoku nº 14, publicado em 20 de março do ano 25 da Era Showa (1950)
Ao examinarmos as Escrituras hoje, os pontos mais importantes são provavelmente três: “O Juízo Final”, “O Reino dos Céus está próximo” e “A Segunda Vinda de Cristo”. Ao analisá-los, o Juízo Final, dentre os mencionados, é realizado por Deus, e a Segunda Vinda de Cristo ocorre quando o tempo celestial chega — não necessitando de explicação. No entanto, apenas o Paraíso é construído pelo poder humano. Sendo assim, é natural que um dia alguém tenha de se tornar o projetista e realizar a construção.
Assim, o momento, segundo a nossa visão, é agora, e o construtor é a nossa Igreja. A sua concretização já começou. Vede o seu modelo: ele está sendo construído atualmente, conforme divulgado repetidamente nesta revista.
Dessa forma, ao construir o Paraíso Terrestre, a profecia de Cristo se cumpre aqui, e não se trata de uma vanglória. Isso porque tanto as profecias da Bíblia quanto a sua concretização pela nossa Igreja são obra de Deus Jeová, que, pelo Seu coração de amor pela humanidade, utiliza livremente os seres humanos por Ele escolhidos, conforme a época, para a construção do mundo ideal.
Nesse sentido, a nossa obra atual já foi profetizada há dois mil anos pelo Santo Cristo, e acredito que somos um dos membros incumbidos da missão de executar essa profecia.
Religião e Fé
Tijotengoku nº 15, publicado em 20 de abril do ano 25 da Era Showa (1950)
De modo geral, quando se fala em religião ou fé, as pessoas tendem a pensar que são a mesma coisa, mas, na realidade, há muitos casos diferentes. Expressões populares como “até a cabeça de uma sardinha, se houver fé, é sagrada” referem-se à fé, mas não à religião. Da mesma forma, as pessoas da era primitiva que adoravam ídolos monstruosos feitos de madeira ou pedra também praticavam a fé, mas não a religião.
Nesse sentido, é compreensível que as pessoas cultas de hoje em dia desprezem a adoração de ídolos como algo inferior. Contudo, não se pode afirmar que basta ser religião para que tudo esteja bem, pois, mesmo dentro do que se chama religião, existem graus superior, médio e inferior. Para que o ser humano seja verdadeiramente salvo, é necessária uma religião de grau superior. À primeira vista, pode parecer estranho que haja graus superior, médio e inferior na religião — mas tudo no universo possui esses graus, e a religião não poderia escapar a essa regra. Ou seja, a religião superior é aquela governada pelo Deus Supremo: como Sua virtude e poder são elevados, vastos e fortes, é natural que o poder de salvação esteja à altura e que, acima de tudo, os milagres sejam notáveis.
É por isso que, na nossa Igreja, ocorrem milagres como a cura de doenças que a medicina não consegue tratar, a salvação de pessoas em desastres de extremo perigo e o livramento de incêndios que, em condições normais, consumiriam tudo. Assim, quanto mais notórias forem as graças recebidas nessa vida, mais se deve reconhecer que o Deus Supremo reside no centro daquela religião.
Os Fatos Falam por Si
Tijotengoku nº 11, publicado em 20 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Por que a nossa Igreja alcançou um desenvolvimento tão extraordinário em tão curto período de tempo e continua ampliando, cada vez mais, sua frente de expansão religiosa?
Provavelmente, não há precedente para tal exemplo na história religiosa.
Deve haver algo que faça com que as pessoas, neste mundo difícil e implacável, doem dinheiro, dediquem seu tempo e perseverem numa fé fervorosa. Além disso, nossa Igreja abrange todas as camadas da sociedade, desde políticos, doutores, professores universitários, deputados, altos funcionários públicos, empresários influentes, até comerciantes e industriais de médio e pequeno porte, a classe trabalhadora, os agricultores, etc., e o número de fiéis está prestes a atingir duzentas mil pessoas.
Mesmo considerando apenas este fato, é algo sobre o qual não se pode deixar de refletir. Há, ainda hoje, não poucas pessoas que fecham os olhos para esse fato, não tocam nele de forma alguma e, de modo autossuficiente, a rotulam como religião maligna e supersticiosa, sentindo-se satisfeitas.
Isso também é revelador, mas é claro que é um erro condenar tais pessoas de forma genérica, pois, até hoje, quase todas as novas religiões não tiveram valor verdadeiro. É fato conhecido por todos que, embora no início do desenvolvimento fossem realmente esplêndidas, parecendo prometer uma grande religião para o futuro, com o passar dos anos iam perdendo gradualmente o vigor, até terminarem em “cabeça de dragão, cauda de serpente” [grande começo e fim medíocre] — e que, na realidade, apenas uns poucos tipos ainda subsistem hoje em dia.
Pode-se até dizer que é natural que as pessoas do mundo, com esses exemplos gravados em suas mentes, rotulem as novas religiões como religião maligna e supersticiosa.
Agora, permitam-me falar sobre a nossa Igreja. Neste caso, gostaria que deixassem de lado todas as memórias do passado, se tornassem como uma folha em branco e observassem com calma através de lentes incolores.
Falando diretamente, o primeiro ponto é o efeito do Johrei, peculiar à nossa Igreja. Este efeito não só não tem precedentes na história religiosa, ou melhor, na história da humanidade, como possui uma eficácia tão grandiosa que sequer se pode imaginar.
Naturalmente, não se trata de lógica nem de presunção. É o próprio fato vivo. A melhor prova são os relatos transbordantes de gratidão, baseados nas experiências individuais, que se acumulam como montanhas.
Esses relatos são publicados como relatos de graças no jornal Hikari e na revista Tijotengoku. O interessante é que, como neles constam, sem omissão, o endereço e o nome da pessoa, não são poucas as autoridades, bem como pessoas de todas as áreas, que escrevem ou visitam para investigar se é verdade ou não. Até hoje, porém, não houve uma única pessoa que tenha vindo dizer que é diferente da verdade.
Entre esses relatos de graças, há pessoas que receberam diagnóstico de morte, outras que foram consideradas incuráveis por médicos, outras que a medicina moderna julgou impossível curar — e todas se curaram por completo. Além disso, inúmeros exemplos de milagres além das doenças estão surgindo diariamente, em todos os aspectos, coisas absolutamente inacreditáveis para o senso comum do homem moderno.
Quem toma conhecimento deste fato não pode deixar de acreditar na possibilidade de realização do nosso ideal — aparentemente absurdo — de estabelecer o chamado Paraíso Terrestre, onde não há doença, pobreza nem conflito. Por isso, o trabalho que estamos realizando atualmente, na verdade, não pode ser chamado de religião: quando se fala em religião, tende-se a associá-la às religiões estabelecidas, o que acaba sendo um obstáculo para compreender a verdadeira essência da nossa Igreja.
Em outras palavras, e com franqueza, trata-se de uma obra de salvação grandiosa e sem precedentes: neste período de grande transição mundial, se essa grande salvação não surgir, será difícil para a humanidade escapar da crise. Foi por isso que Deus me escolheu como executor desta grande obra. Não ouso dizer que sou o Messias, mas posso afirmar hoje que, no futuro, Deus me fará manifestar um poder messiânico.
No entanto, olhando para a história das religiões do passado, fica claro que qualquer religião, seja qual for, sofre mal-entendidos por parte do mundo durante certo período. Não fujo a essa regra. Embora haja sempre aqueles que me interpretam mal, o número de apoiadores aumenta gradualmente. Por isso, simplesmente ajo de acordo com a vontade de Deus, entrego tudo a Ele e aguardo o passar do tempo.
Relato de Viagem ao Kansai
Tijotengoku nº 25, publicado em 25 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
Como os fiéis já sabem, desta vez planejei, depois de muito tempo, uma viagem ao Kansai — evidentemente por vontade divina, sugerindo que se aproxima o período de expansão de nossa Igreja. Passo agora a relatar, de forma resumida, os diversos episódios dessa viagem.
Como a ida foi feita inteiramente de automóvel, descobri que, ao contrário do que seria de esperar, era menos confortável do que ir de trem. Mas eu já desejava, havia muito tempo, viajar uma vez pelas Cinquenta e Três Estações de Tōkaidō, à maneira de um Yaji-Kita dos novos tempos — e desta vez realizei esse desejo. Fui apenas com minha esposa e o Sr. Abe, numa viagem descontraída. Partimos às sete da manhã; ao passar por Shizuoka, grupos de fiéis já nos aguardavam em diversos pontos do caminho, mantendo-me bastante ocupado. Havia grupos de cinquenta a sessenta pessoas, e mesmo os menores tinham cinco ou seis; eu ia cumprimentando cada um deles, a ponto de ficar quase tonto.
Houve até um episódio: perto de certa ponte, um grupo de cinquenta a sessenta pessoas aguardava, e entre elas estava misturado um policial. Pensei que talvez fosse alguma medida de fiscalização; mas, para minha surpresa, o policial tirou o quepe e fez uma reverência bastante educada. Percebi, com um sorriso: "ah, então ele também é fiel".
Seguimos viagem e, conforme o planejado, chegamos ao Templo Filial de Nagoya por volta de uma hora da tarde. Um pouco antes, próximo a uma ponte, fomos recebidos por várias centenas de pessoas, entre elas o presidente, Sr. Watanabe Katsuichi, e os principais fiéis dirigentes. Essa residência havia sido designada templo filial cerca de meio ano antes; além de uma vista magnífica, sua construção em estilo sukiya é luxuosa. Tem número considerável de cômodos, sendo uma casa espaçosa e agradável — sem dúvida uma das mais belas que se pode encontrar naquela região. O jardim, com suas grandes rochas e pedras raras dispostas em camadas, é verdadeiramente esplêndido. Receberam-me com um almoço preparado com todo o carinho e, ao término, discursei perante quatrocentos ou quinhentos dirigentes e pessoas qualificadas daquela região, voltando em seguida ao automóvel — eram então três da tarde.
Tanto à entrada quanto à saída do templo filial, os fiéis da vizinhança se enfileiravam, apinhados, dos dois lados da rua, ao longo de cerca de um chō — certamente mais de mil pessoas. Fiz reverências alternadas para os grupos dos dois lados, o que exigiu bastante esforço; e pensei que, quando pessoas importantes costumam apenas erguer a mão direita nesses casos, deve ser realmente muito mais fácil. Felizmente, como o local ficava cerca de um chō adentro da avenida principal, num lugar de pouco movimento, apenas os fiéis se reuniram ali, sem que curiosos de fora se misturassem — o que foi, de fato, uma sorte.
Em seguida, seguimos de carro rumo a Quioto. No caminho, o que me chamou a atenção foi a travessia da região de Tsuchiyama, no Passo de Suzuka: deslizamos por uma estrada plana, digna de um local turístico, sob um céu de maio completamente limpo, atravessando cadeias de montanhas dos dois lados, verdejantes como se estivessem a gotejar de tão frescas — uma sensação de leveza verdadeiramente indescritível. De repente, percebi que o carro já corria pela vasta planície de Shiga. Ao ouvir minha esposa dizer "já dá para ver", olhei — e, de fato, o Lago Biwa, como um espelho, brilhava entre as montanhas. Ao nos aproximarmos da Ponte Karahashi de Seta, centenas de pessoas já aguardavam para nos receber; fomos então conduzidos até a residência de veraneio de certo senhor, previamente preparada dentro do terreno do Templo Nanzen-ji. Olhando o relógio, faltava pouco para as oito da noite; essa casa também era construída no estilo sukiya de Quioto, bastante luxuosa, com um jardim espaçoso e coberto de musgo, de vista acolhedora e agradável. Ao caminhar, especialmente, rumo ao aposento destinado a mim, atravessando a "ponte don-don", suspensa sobre um lago de sete ou oito ken, pude observar bem: o refinamento do jardim, com seu musgo à maneira de Enshū, era realmente algo difícil de deixar passar despercebido. E, ao contrário de uma hospedaria comum, o silêncio e o sossego do lugar eram, acima de tudo, o que mais apreciei. Pouco depois, serviram-nos a mais alta culinária japonesa de Quioto, e saboreei cada prato com prazer. Afinal, estava bastante cansado das onze horas de viagem de automóvel e, enquanto uma serva me massageava, acabei adormecendo por volta da meia-noite.
Na manhã seguinte, levantei cedo e parti. Primeiro, guiado pelo Sr. Mimura, visitei o famoso museu de arte da família Sumitomo, onde havia cerca de duzentas e poucas peças, quase todas de bronze da China antiga. Disseram-me que isso representava cerca de metade do acervo total, e fiquei admirado com tamanha reunião. As peças mais antigas eram da era Yin; à medida que se aproximava da dinastia Han e dos Três Reinos, a variedade aumentava — uma coleção tão abrangente que bem merece ser elogiada.
Ao sair de lá, seguimos de carro para o Palácio de Katsura. Erguido no início da era Momoyama, o palácio reflete amplamente, tanto na arquitetura quanto no jardim, o gosto pelo chá daquela época, expressando bem as cores desse período. Além disso, após tantos anos, o indescritível charme do wabi era particularmente agradável. Em seguida, visitei os templos Koke-dera e Ryōan-ji, mas, além de inusitados, não deixaram impressão digna de relato.
Como o relógio já marcava onze horas, seguimos apressados de carro até o templo Hōnen-in, onde se diz que o antigo mestre Hōnen praticou sua disciplina espiritual. Ali, conforme previamente planejado, já esperavam várias centenas de fiéis daquela região, e proferi um discurso entremeado com as impressões que tivera ao visitar Quioto naquele dia. Terminado o discurso, o abade me conduziu pelos diversos aposentos do templo — embora antigo, é bastante nobre. Mostraram-me, entre outras coisas, cerca de uma dezena de papéis decorados de origem chinesa (karakami), em cores vivas, com motivos de flores e aves, tesouros nacionais do período Momoyama, além de biombos — algo realmente esplêndido (autor desconhecido). Em seguida, fui conduzido ao salão principal, onde vi uma imagem sentada de Amida, um pouco maior que o tamanho humano, atribuída a Eshin Sōzu — também essa é uma notável obra-prima.
Depois, voltei à hospedagem e, após o almoço, fui primeiramente ao Shugaku-in — aqui há um jardim vastíssimo, de dezenas de milhares de tsubo, com montanhas e lagos, contando com apenas um ou dois edifícios; mas, observado de um ponto alto, a cidade de Quioto se estende por inteiro diante dos olhos, e o rio Kamo, envolto em névoa como uma faixa branca, formava uma paisagem realmente difícil de esquecer. Em seguida, visitei o Templo Shaka-ji, em Saga, e fui convidado ao Daitoku-ji, onde me mostraram a famosa tigela de chá Kizaemon Ido — tida como a melhor do Japão, é uma peça verdadeiramente rara. Depois, fui conduzido à residência de veraneio dos Nomura, no bairro de Nanzenji: era ainda mais esplêndida do que eu esperava; não vi o interior do prédio, mas o grande lago no centro do amplo jardim, além de todas as árvores, pedras e pontes ao redor, agradaram-me profundamente. Pode-se dizer, em resumo, que era um jardim ao estilo antigo dos grandes senhores feudais, construído de forma moderna.
Saindo dali, conforme combinado, fui recebido no salão de chá do chefe da linhagem Mushanokōji-senke, a escola Kankyū-an, comparável em prestígio às escolas Omote-senke e Ura-senke, onde me agraciaram com uma refeição kaiseki preparada com todo o esmero. Voltei à hospedagem por volta das dez horas da noite e fui dormir.
Na manhã seguinte, após o café, fui, conforme planejado, ao Museu Nacional de Quioto, onde visitei a exposição de cerâmica chinesa antiga então em cartaz — nada de extraordinário. Em seguida, também conforme combinado, visitei o Yūrinkan, que exibe um rico acervo de arte chinesa antiga; ali, o principal eram cerâmicas antigas, bronzes e pinturas chinesas — havia algumas peças excepcionais, mas, no geral, a maioria era de qualidade mediana.
Saindo de lá, fui ao Templo Nishi Honganji. Guiado por um monge do templo, observei o grande complexo — embora antigo, é verdadeiramente magnífico. Fui conduzido gradualmente até os aposentos mais internos; entrei numa sala que, segundo me disseram, era o famoso Salão de Audiências de Toyotomi Hideyoshi, transferido do antigo palácio Momoyama: o teto era um esplêndido gradeado (gōtenjō), e as paredes dos quatro lados eram inteiramente cobertas de folha de ouro, com pinturas em cores vivíssimas de flores e aves, paisagens e figuras chinesas — um luxo levado ao extremo. Só de ver essa sala, já se pode imaginar o esplendoroso poder daquele Kanpaku em sua época.
Em seguida, fui conduzido a uma edificação isolada, ligada ao jardim, bastante distante dali. No canto dessa casa ficava o banheiro de Hideyoshi; ao vê-lo, achei-o realmente humilde, nem de longe comparável ao banheiro de uma hospedaria de classe média de hoje. Ao lado, porém, havia uma porta de madeira que parecia um armário embutido, com cerca de seis shaku de largura. Quando perguntei a respeito, disseram-me que, naquela época, dois guerreiros permaneciam escondidos ali, prontos para saltar em caso de emergência — o que revela quão perigosos eram aqueles tempos. Num canto de um dos grandes salões, havia ainda um buraco pelo qual uma pessoa podia passar; espiando por ele, via-se água, ligada a um lago próximo. Segundo me explicaram, era um sistema para fugir de barco pelo lago em caso de emergência, o que me deixou surpreso. Comentei, rindo bastante, que, mesmo conquistando o poder sobre todo o país, se fosse preciso viver de forma tão sinistra, preferiria dispensar.
Saindo dali, seguimos finalmente de carro rumo a Osaka. Chegamos à residência da família Kawai, recentemente transformada em templo filial, onde fui recebido com toda a hospitalidade. Após o almoço, encontrei-me com várias centenas de fiéis daquela região, incluindo os principais dirigentes, que aguardavam havia bastante tempo, e proferi um discurso.
Terminado isso, voltamos ao carro, desta vez com destino ao Museu Hakutsuru, em Mikage. Chegamos em pouco mais de uma hora; embora o museu estivesse fechado no momento, graças ao empenho de certo senhor, tiveram a gentileza de me mostrar, em atenção especial, apenas as peças de qualidade excepcional — algo pelo qual não poderia deixar de agradecer profundamente. Aqui também o principal eram cerâmicas chinesas antigas, além de bronzes e pinturas — todas peças tão esplêndidas que até mesmo eu fiquei verdadeiramente assombrado. Não pude deixar de me curvar diante da elevada perspicácia e do mérito do saudoso Sr. Kanō, dono dessa coleção, que faleceu recentemente aos noventa anos, por haver conseguido reunir peças tão excepcionais quanto essas.
Deixe-me descrever brevemente algumas das principais: dois quadros budistas de Dunhuang, na China, verdadeiros tesouros do mundo — datam de cerca de mil anos atrás e talvez sejam as mais antigas pinturas budistas, ou mesmo as mais antigas pinturas orientais que existem. Em seguida, um Buda das Seis Dinastias: trata-se de uma escultura em relevo de cinco budas secretos sobre uma placa de bronze quadrada de sete ou oito sun, cuja técnica e cor de época possuem uma beleza indescritível — nunca havia visto algo assim antes. Havia ainda peças especialmente notáveis: um vaso de celadon Kinuta com alças em forma de fênix, um grande incensário do mesmo tipo com peônias em relevo, uma garrafa de tamanho médio em três cores Tang (san-cai) e um grande vaso do forno Xiuwu com desenho de dragão em preto raspado — todos excepcionais. Entre as demais peças, não havia uma sequer que fosse mediana. Já vi diversas fotografias de cerâmica chinesa antiga em museus e galerias britânicos e americanos, mas essas peças, sem dúvida, os superam. Considerei este, nesta viagem, o maior tesouro que colhi.
Em seguida, fui recebido no famoso restaurante Tsuruya, em Imabashi, onde realizei um jantar com mais de trinta pessoas do escalão dirigente — todos com o rosto radiante, num clima de perfeita harmonia que parecia prenunciar o desenvolvimento futuro de nossa Igreja. Como o tempo já se aproximava, seguimos apressadamente de carro até a Estação de Osaka, chegando a tempo para o trem noturno das oito horas.
Por fim, o que mais quero registrar é que, aonde quer que eu fosse nesta viagem, a multidão de fiéis era imensa. Vendo isso, não pude deixar de sentir uma satisfação renovada com o desenvolvimento das regiões de Chūkyō e Kansai. Além disso, tanto o semblante e a atitude ardentes e emocionados dos fiéis que me recebiam e se despediam, quanto a postura daqueles que, com respeito reverente, uniam as mãos em prece — havendo até quem se comovesse até as lágrimas —, faziam brotar em mim, a cada momento, um sentimento indescritível e profundo. Esta viagem durou três dias: os dois primeiros foram abençoados com bom tempo, mas o último foi de chuva — o que também deve ter sido, de alguma forma, vontade divina.
Depois que esta viagem terminou, pude vislumbrar a profundidade da vontade divina por trás dela. Isso porque, como sempre digo, Hakone é o Paraíso das montanhas, e Atami, o Paraíso do mar. Sendo assim, é necessário que exista também o Paraíso da terra — e esse lugar precisa ser um terreno plano e amplo. Quioto se encaixa perfeitamente nessa condição: no sistema de Miroku, corresponderia justamente ao "sete". Por isso, algum dia, uma extensão de terra bastante ampla em Quioto certamente será obtida. E, refletindo profundamente sobre o que observei nesta viagem, percebi que a própria cidade de Quioto, como um todo, é uma verdadeira obra de arte, com muitas singularidades que nenhuma outra cidade possui — este é, sem dúvida, o local onde deve ser erguido um grande Paraíso Terrestre. Senti, então, profundamente o desejo de construir aqui algo verdadeiramente digno, como símbolo de uma cidade das artes. Dito isso, embora a Quioto atual possua, sem deixar nada a desejar, a beleza refinada de sua época, quase não se percebe nela algo vivo e vibrante, capaz de atrair a sensibilidade do homem moderno. Por isso, penso em criar, já no século vinte, um esplêndido reino artístico, perfeitamente ajustado à sensibilidade contemporânea — não apenas jardins e edificações, mas, sobretudo, erguer ali um grande museu de arte de nível mundial, com força suficiente para atrair, inevitavelmente, visitantes estrangeiros no futuro, fazendo surgir, como um parque para o mundo inteiro, uma verdadeira cidade das artes do Japão.
(Jikan)
*1 (Museu de Arte da Família Sumitomo): Refere-se ao Museu Sen-oku Hakuko.
*2 (Templo Kokedera): Refere-se ao Templo Saihōji.
*3 (Templo Shakadera em Saga): Refere-se ao Salão Shakadō do Templo Seiryōji, em Saga, Quioto.
*4 (Residência Secundária Nomura): Residência secundária do Sr. Tokushichi Nomura.
*5 (Garrafa de tamanho médio em cerâmica sancai da dinastia Tang): Refere-se a um vaso com pescoço em forma de fênix (hōshubei).
6 (Grande vaso de flor com padrão de dragão em preto sobre fundo esculpido, do forno Shūbu): Refere-se a um vaso meiping* com padrão de dragão em preto sobre fundo branco esculpido, do atual forno de Cizhou.
Nossa Igreja e Eu
Tijotengoku nº 18, publicado em 25 de novembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Quem se torna membro da nossa Igreja logo compreende que ela é completamente diferente das religiões existentes até hoje. Onde reside, então, a diferença? Como ainda não posso escrever detalhadamente sobre todos os seus aspectos, escreverei até certo ponto. Primeiramente, observando bem as religiões até hoje, parece que existem, em linhas gerais, dois tipos.
Um deles é uma fé extremamente simples, que mal se pode chamar de religião; em suma, é uma fé de gratidão. Esse tipo de crença, como é de conhecimento geral, consiste em ir ocasionalmente ao templo, receber bênçãos, acender fogueiras rituais, obter amuletos e tirar a sorte. Aqueles com recursos financeiros mais folgados oferecem também danças sagradas, fazendo oferendas e doações. De qualquer forma, sente-se uma vaga gratidão, um bom sentimento, e volta-se para casa. Esse é o nível; trata-se, primeiramente, de uma fé popular e comum, a chamada fé em deuses. Embora esse tipo de fé tenha, em geral, uma organização religiosa por trás, não deixa de ser uma religião. O outro tipo, por sua vez, pode ser chamado de fé pura.
Ela inscreve todos os fiéis no registro da ordem religiosa e possui também muitos dirigentes, Ministros e encarregados da propagação que se dedicam profissionalmente às atividades religiosas; é uma religião genuína. Os fiéis desse tipo, diferentemente dos da fé de gratidão, são sinceros e, quando se aprofundam, dedicam-se de corpo e alma, realizando ardentes atividades de fé. Naturalmente, mesmo nesse tipo de religião, há as antigas e as novas. As antigas, talvez também devido à mudança dos tempos, em sua maioria carecem de vitalidade e tendem à estagnação. Ouço frequentemente que há algumas que mal conseguem manter o status quo. As novas são religiões que surgiram do final do período Edo ao período Meiji e parecem ser as mais vigorosas atualmente, estando também em desenvolvimento. Contudo, a maioria delas é de origem xintoísta; no budismo, apenas uma parte da seita Nichiren demonstra algum ânimo, enquanto as demais são visivelmente sem vitalidade.
Assim, ao lançar um olhar sobre todas as religiões estabelecidas, embora suas formas sejam variadas, em geral elas se baseiam no espírito do fundador, seu líder, ou nos Ofudesaki, e os desenvolvem e explicam.
Quanto aos fiéis, é natural que, estando sempre sob a proteção dos deuses e budas, ofereçam sua sinceridade no serviço. No entanto, como há diferenças na profundidade da fé, não se pode generalizar.
E, como ocorre com todas as religiões, também consideramos muito auspicioso o objetivo de satisfazer o sentimento de felicidade humana e realizar um mundo melhor.
Porém, a maioria delas dá ênfase ao aspecto espiritual e parece não se importar muito com as graças recebidas nessa vida.
A Verdadeira Salvação
Contudo, no que diz respeito à nossa Igreja, embora jamais negligencie a salvação espiritual como a descrita acima, para salvar verdadeiramente o ser humano apenas o aspecto da mente não é suficiente.
É imprescindível salvar também o aspecto material.
Essa é a premissa, e nisso diferimos enormemente das outras religiões. Ainda que o ser humano seja espiritualmente salvo, apenas com conceitos não se obtém a verdadeira felicidade.
Numa sociedade tão complexa e deteriorada como a de hoje, essa felicidade pode ser destruída a qualquer momento, como os fatos demonstram claramente. Por exemplo: contrair uma doença, ser roubado por ladrões que invadem a casa, ser enganado por pessoas más e sofrer prejuízos, ou ser prejudicado por impostos elevados.
Quanto aos impostos, na origem eles existem porque há pessoas más, o que torna necessários a polícia e os tribunais; como há muitas doenças, gastam-se recursos para preveni-las; e, como pessoas equivocadas causaram grandes guerras, que resultaram em enormes prejuízos, os custos para repará-los também se tornam impostos.
Ainda há muitos outros exemplos, mas, dessa forma, a tranquilidade e a paz espiritual estão longe de ser alcançadas. Numa sociedade como esta, a menos que tanto o aspecto espiritual quanto o material sejam salvos, a verdadeira felicidade não pode ser obtida. Portanto, a nossa Igreja, como o próprio nome indica, está realizando no mundo a salvação de ambos os aspectos, o material e o espiritual.
Individualmente, isso se manifesta como graças recebidas nessa vida; socialmente, como o aperfeiçoamento da cultura. No entanto, de acordo com a revelação divina, a cultura moderna contém erros surpreendentes e, além disso, diz-se que não há uma única pessoa no mundo que tenha percebido isso. Tais erros são de tal ordem que, inesperadamente, aquilo que se acredita e se pratica como sendo correto é, na verdade, o oposto — e, por isso, a humanidade está sofrendo grandes prejuízos.
Em suma, o que se pensa ser a promoção do bem-estar acaba resultando no aumento da infelicidade. Acima de tudo, os fatos comprovam isso claramente. Apesar de a cultura ter se desenvolvido tanto, não só a felicidade da humanidade não a acompanha, como o sofrimento tende a aumentar.
Se a cultura moderna é o resultado do esforço e da inteligência de inúmeras pessoas notáveis — sábios, santos e grandes estudiosos que surgiram ao longo de milhares de anos —, ela poderia ser considerada o ápice da cultura. Pensa-se, então, que não poderia haver erros significativos no interior de uma cultura tão elevada.
No entanto, tendo eu mesmo tomado conhecimento desse grande erro, desejo, o quanto antes, levar o maior número possível de pessoas a compreendê-lo, compartilhando com elas a felicidade e, ao mesmo tempo, oferecendo as diretrizes para a criação de um mundo de cultura nova e ideal.
Esta é a Vontade Divina. Aqui, permitam-me falar um pouco sobre quem sou. Quanto à minha origem, sou, sem dúvida, uma pessoa comum, como qualquer outra. No entanto, carrego também um destino misterioso, sem paralelo na história da humanidade. Fui feito nascer neste mundo para cumprir a grande missão de salvar o mundo — missão completamente diferente da de Buda, Cristo, Maomé e outros, mundialmente conhecidos como grandes líderes religiosos. E me foi dado o poder de realizar o que esses grandes homens não puderam fazer.
Naturalmente, isso é um fato real, como os membros sabem. Posso, por exemplo, compreender tudo o que desejo saber. Compreendo integralmente todas as coisas importantes que abrangem os três mundos — divino, espiritual e material —, bem como o passado, o presente e o futuro. Escusado será dizer que isso se limita ao âmbito de salvar a humanidade e construir o Paraíso. Por isso, é interessante poder saber como o mundo se transformará daqui a um ano ou a alguns anos, e também o meu próprio destino.
Ademais, pela experiência até hoje, isso se realiza aproximadamente como previsto. Ou seja, os sonhos se tornam realidade. Planejo e executo constantemente diversas coisas, e tudo sai como desejo.
Na área literária, por exemplo, quando penso em escrever um ensaio, as ideias fluem com facilidade. Como sabem, também gosto de compor poemas, e a quantidade que produzo é surpreendente. Não tenho dificuldade em compor cerca de cinquenta poemas em uma hora. Gostaria ainda de escrever haicais, senryu, kanku, romances e peças de teatro, mas não tenho tempo para isso. Componho igualmente sátiras e literatura humorística e, como as publico constantemente, os leitores devem conhecê-las. Os norito que os membros apresentam também foram compostos por mim; eu nada conhecia da estrutura de norito, mas, de qualquer forma, eles ficaram como estão.
Como todos sabem, estou construindo um modelo do Paraíso Terrestre em grande escala, e tudo — desde as pedras e a madeira até as flores — é selecionado e concebido por mim. Naturalmente, o mesmo se aplica aos jardins, aos projetos arquitetônicos e à decoração. O Templo Messiânico, atualmente em projeto, que será erguido no planalto ensolarado do Paraíso Terrestre, segue o estilo de Le Corbusier, da França, hoje predominante em todo o mundo da arquitetura, mas foi concebido em estilo ainda mais novo e, quando concluído, certamente merecerá a atenção mundial.
Tanto na arquitetura quanto nos jardins, quando permaneço no local e contemplo o espaço, a imagem surge vívida diante de mim, extremamente simples, a ponto de não ser necessário pensar.
Nunca estudei nem aprendi essas coisas; quando penso em fazê-las, porém, boas ideias surgem imediatamente. Também arranjo flores, pinto e escrevo caligrafia — aprendi apenas um pouco de pintura; nas demais áreas, sou completo amador. Compreendo política, educação, economia, filosofia e medicina cerca de um século à frente do que são hoje. Sobretudo, sei o quanto é errada a base da cultura atual e, ao pensar em como a humanidade seria salva e em que mundo feliz se transformaria se ela fosse rapidamente reformada, mal consigo ficar parado. No entanto, enquanto o momento não chega, não há nada a fazer.
Por enquanto, limito-me a apontar, conforme a revelação divina, os pontos errados relativos à saúde — que é fundamental para a construção do Paraíso — e à agricultura.
O Exercício do Espírito
Particularmente, o que considero mais misterioso é que, ao usar o espírito para curar as doenças dos membros, elas de fato se curam bem. Mesmo doenças que a medicina levaria cerca de um mês para tratar frequentemente se curam em um ou dois dias. Não é só isso: posso curar sozinho minha própria doença. Dos caracteres que escrevo emanam atividades conforme o significado daquele caractere.
Compreendo, ademais, fundamentalmente todas as causas das doenças. Segundo isso, a interpretação patológica da medicina moderna é, a meu ver, lamentavelmente inferior. Do meu ponto de vista, não se pode chamar isso de terapia: é apenas método paliativo para aliviar o sofrimento e, no estado atual, dificilmente se tornaria uma medicina que cura doenças. Cristo e outros santos realizaram milagres contra doenças, mas a maioria deles era de um para um, sendo impossível salvar bilhões de pessoas.
Para salvar toda a humanidade, portanto, é necessário conceder a cada pessoa, ilimitadamente, o poder de curar doenças.
E é isso que atualmente ponho em prática, com resultados surpreendentes.
Acima de tudo, o desenvolvimento da nossa Igreja bem o demonstra. Isso, como já disse, é uma obra divina que nem Cristo nem Buda puderam realizar. Não quero afirmar que meu poder é superior ao dos grandes santos; apenas relato os fatos como eles são. Isso ocorre também porque o tempo chegou, e Deus assim o faz. E, ao considerar para que fui agraciado com poder tão grande vindo de Deus, sinto a importância da minha missão.
Naturalmente, a intenção de Deus é não criar nada além do necessário. Tudo é criado pela necessidade e desaparece pela necessidade.
Esta é a verdade que sempre proclamo; assim, a missão celestial de quem sou se torna clara. Constantemente sou informado de todos os mistérios e recebo, sem limites, uma profunda e maravilhosa sabedoria. Movo-me conforme as instruções de Deus para divulgar isso amplamente à humanidade e criar uma nova cultura ideal.
Especialmente, segundo a Vontade Divina, como a sabedoria humana está desenvolvida nos tempos modernos, métodos de pregação simples como os de antigamente não convencem. É necessário, de todo modo, mostrar milagres comprobatórios e, ao mesmo tempo, expor teorias aceitáveis para o homem moderno.
Por isso, Deus faz com que milagres se manifestem abundantemente nos bastidores. De um lado, Ele revela os erros; de outro, comprova-os por meio de milagres. Assim, a grandeza da providência divina é imensa, e só nos restam gratidão e comoção. Acima de tudo, ao observar a obra divina que atualmente realizo, não há dúvida de que o que acabo de dizer é verdade.
Pelo exposto, a humanidade, do passado ao presente, jamais sonhou com uma obra de salvação tão absoluta e em tão grande escala. Portanto, se alguém, mesmo tomando conhecimento disso, ainda não despertar, jamais será salvo por toda a eternidade. E, se num futuro próximo formos atingidos por uma grande crise chamada "fim do mundo", aqueles que não estiverem preparados ficarão atônitos e se arrependerão amargamente, mas, quando isso acontecer, já será tarde demais.
A Atuação das Divindades Malignas
Tijotengoku nº 19, publicado em 25 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Nem é preciso dizer que, originalmente, todas as coisas do universo se movem segundo a lei de que o espírito é primordial e a matéria, secundária. Se o movimento de todos os fenômenos ocorre primeiro no mundo espiritual e depois é transferido para o mundo material, é natural que haja uma diferença de tempo, a qual depende da magnitude do fenômeno. Ou seja, há casos em que a transferência se dá em alguns dias, e outros em que demora vários anos.
No entanto, à medida que isto se torna o mundo do dia, esse período tem se encurtado e, recentemente, parece que se tornou consideravelmente mais curto. Mais do que isso, o mundo espiritual atual apresenta um estado de confusão sem precedentes e, ao mesmo tempo, a intensidade das mudanças também revela claramente o fim dos tempos.
A Grande Atuação das Divindades Malignas
Atualmente, o que há de mais notável é a atuação desesperada das Divindades malignas.
Afinal, durante um longo período de milhares de anos, exerceram grande influência; agora, à medida que o destino de sua decadência se aproxima, desencadeiam, num último esforço, uma violência desenfreada, como quem arrisca tudo.
As Divindades malignas têm seus líderes, e os que mais atuam atualmente são o Dragão Vermelho e o Dragão Negro. Quanto aos seguidores, chegam a quase um bilhão, o que é algo tremendo. Possuem também classes superiores, médias e inferiores, cada uma com sua respectiva função. Mesmo sendo Divindades malignas, esforçam-se com empenho para cumprir fielmente as ordens recebidas, pois, conforme seus méritos, podem ser promovidas e participar das recompensas por suas contribuições.
Naturalmente, do líder supremo que reside na Sede Central partem ordens uma a uma, transmitidas, pelo elo espiritual, ao espírito protetor secundário que está em possessão espiritual nos seres humanos.
Nesse caso, atuam os seguidores correspondentes à posição e à classe social da pessoa no mundo humano, e sua missão é empregar todos os meios para conduzir os seres humanos cada vez mais ao mal. Isso se manifesta plenamente na situação atual do mundo, o que é problemático.
Esses meios, ademais, são extremamente engenhosos e cruéis. Por exemplo, fazem com que algumas pessoas cometam crimes hediondos, como assassinato, roubo e violência; levam outras, um pouco melhores, a praticar fraudes, falsificação de moeda, títulos, pinturas e caligrafias; ou ainda, com palavras hábeis, sequestram mulheres e crianças, ou se divertem com o adultério.
Em um nível ainda mais elevado, há pessoas bastante superiores que, cobrindo-se com a máscara do bem, cometem crimes de astúcia intelectual. Fazer com que as pessoas percam seus bens, enganá-las para ganhar dinheiro, suborno, corrupção, sonegação fiscal, ocultação de mercadorias, comércio ilegal etc. são coisas óbvias; mas também fazê-las beber álcool e brincar com mulheres são hábitos comuns dessas Divindades.
Todos os casos acima, se descobertos, tornam-se crimes contra a lei, e os autores são vistos como maus aos olhos de todos. No entanto, ao contrário desses, há casos em que se cobre a pessoa com a máscara do bem e a faz praticar o mal. Esses casos são relativamente mais comuns entre a classe média alta e, especialmente, entre a classe intelectual, exigindo grande atenção.
Por exemplo, há pessoas que, constantemente, escrevem em discursos ou documentos teorias que parecem corretas aos olhos de todos, ou fazem os outros acreditar que várias causas justas são a verdade, ganhando a confiança do público, mas, nas sombras, agem de forma oposta. Esse tipo de pessoa é intelectual, tem credibilidade e é extremamente hábil, sendo difícil discernir o certo do errado. São comuns entre políticos e formadores de opinião, e há aqueles que ocupam posições sociais consideráveis e são respeitados pelos outros; por isso, não se pode descuidar.
O Bem aos Olhos das Divindades
Além disso, o que há de pior é o caso em que alguém, acreditando estar fazendo o bem, age com empenho, mas o resultado é o mal.
Os incidentes de 15 de maio e 26 de fevereiro são exemplos disso. Em casos mais extremos, há grandes pessoas que, acreditando estar fazendo o bem ou o correto, arriscaram a vida, mas obtiveram o resultado oposto. Os criminosos de guerra executados recentemente também são, sem dúvida, pessoas desse lado. Há aqui um pecado do qual ninguém suspeita. Há pessoas que acreditam que suas teorias são excelentes doutrinas e as colocam em prática com dedicação, mas, na verdade, estão causando danos à humanidade, o que é lamentável.
Todas as pessoas mencionadas acima são manipuladas pelas Divindades malignas, mas isso é algo que um cérebro endurecido pela ciência jamais conseguirá compreender.
No entanto, há pessoas excepcionais que se elevam inteiramente acima do nível comum. São os fundadores de religiões, os grandes estudiosos que formularam novas teorias ou fizeram descobertas, os pensadores célebres — em suma, pessoas de estirpe superior. Por isso, é natural que, após a morte, se tornem objeto de veneração por séculos e sejam tratadas como ídolos.
É claro que essas pessoas não abrigam pensamento maligno algum, nenhum átomo de interesse próprio ou desejo pessoal; há entre elas criaturas admiráveis que, acreditando sinceramente agir pela humanidade, dedicaram-lhe toda a vida. No entanto, a meu ver, as realizações desses grandes homens, embora tragam benefícios à humanidade, trazem também malefícios, e não são poucos os casos em que não se pode decidir se são mérito ou demérito.
Nem é preciso dizer que os grandes homens acima nada têm a ver com as Divindades malignas; mas há exemplos de realizações que foram úteis até certo período e depois se tornaram prejudiciais e inúteis. Isso ocorre tanto com estudiosos quanto com religiosos.
É o que vemos e ouvimos com frequência: aquilo que era admirável na época da fundação de uma religião, com o passar dos longos anos, esmorece; surgem conflitos na ordem religiosa, aparecem pessoas corruptas, e a religião torna-se uma existência negativa. O mesmo se dá no campo acadêmico: teorias que, na época da descoberta, dominaram o mundo, com o passar dos anos, convertem-se muitas vezes em existência prejudicial.
Em suma, tudo faz parte do Plano Divino de Deus Supremo. No desenvolvimento da cultura, o bem e o mal lutam entre si; a luz e as trevas, a beleza e a feiura se misturam; e assim, passo a passo, aproximamo-nos do ideal. Isso também é a profunda Vontade Divina, e devemos saber que a sabedoria humana jamais poderá perscrutá-la.
Reflexões sobre a Situação Atual
Tijotengoku nº 32, publicado em 25 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Como resultado, se for promovida a vinda do Paraíso Terrestre, o mundo de Miroku, que é o nosso ideal, as palavras sagradas de Cristo — “Bem-aventurados os que creem” — o que seriam senão isto? Neste Ano Novo, o que me vem profundamente à mente é a diferença em relação ao mesmo período do ano passado. Como é de conhecimento geral, no ano passado a agitação na Coreia estava no auge, o futuro estava envolto em nuvens escuras, e era impossível prever se viria chuva ou sol, tal era a sensação inquietante que predominava.
É verdade que, ao entrarmos neste ano, a situação se amenizou. No entanto, não se tornou mais clara. É como um céu nublado, abafado e sombrio, que não está limpo nem chove. Refletindo sobre isso, creio que a razão seja a seguinte: em suma, a causa do problema coreano reside, nem é preciso dizer, na cooperação entre a União Soviética e a China, e o centro, obviamente, provém de um plano de longo alcance originado no Kremlin.
Ao tentar intuir isso, vê-se que, primeiro, eles provavelmente procuraram conquistar a Coreia de uma só vez, para usá-la como trampolim para a dominação da Ásia. No entanto, os Estados Unidos, que não esperavam tanto, envolveram-se com uma seriedade inesperada, estenderam uma grande ajuda e, gradualmente, enrijeceram a postura, adotando a firme posição de que, a qualquer custo, deveriam conter a China.
Diante disso, a própria China, se continuasse a resistir dessa forma, só teria prejuízos cada vez maiores. Por isso, para interromper isso a qualquer custo, ainda que temporariamente, recorreu à União Soviética, e o primeiro passo dado foi, sem dúvida, a declaração do embaixador Malik. Dessa forma, é claro que não há qualquer pensamento genuíno de paz; percebe-se facilmente que o plano é apenas ganhar tempo, articular lentamente as estratégias e esperar o momento de se erguer novamente.
Além disso, como o plano soviético adota uma tática de desgaste para enfraquecer ao máximo o poder dos Estados Unidos, se houvesse um acordo de paz e as tropas se retirassem, isso não teria sentido. Portanto, eles devem manter as forças da ONU engajadas e desgastá-las. Assim, por enquanto, continuarão com uma tática de “deixar a cobra meio viva”, que não leva nem à guerra nem à paz.
Enquanto isso, a União Soviética ameaçará outras regiões, como a Birmânia, a Indochina e o Oriente Médio, e, conforme a situação, poderá iniciar conflitos. Na Europa, a invasão da Iugoslávia, que sempre odiaram, deve ser considerada questão de tempo. A Alemanha Oriental também carrega uma atmosfera inquietante, e os problemas do Irã, do Iraque, do Egito etc., embora indiretos, têm como alvo os Estados Unidos.
Isso porque, ao dificultar a situação da Inglaterra, a recente e extrema crise financeira inglesa também pode ser influenciada por essa política. A julgar pelas recentes notícias estrangeiras, a política de austeridade imposta ao povo parece ter-se tornado bastante severa. A recente visita do Sr. Churchill aos Estados Unidos parece ter esse ponto como objetivo principal — ou seja, provavelmente a de recomendar ao presidente Truman uma ajuda econômica.
As questões do Japão em relação à China e ao governo nacionalista, que são acessórias a isso, não passam de apêndices. Visto por esse ângulo, tanto os gastos militares para a criação das quarenta e sete divisões do exército europeu, que se diz terem sido praticamente decididos, quanto os custos para ajudar o Japão, a Coreia e o Oriente Médio, na Ásia, totalizados, devem atingir uma soma astronomicamente enorme.
Se isso continuar por muito tempo, mesmo os Estados Unidos sofrerão um impacto considerável em seu poder nacional. Dessa forma, cairão exatamente na armadilha da União Soviética, e esta, sem lutar, estará em posição de vitória.
Stalin, sorrindo satisfeito enquanto espera o enfraquecimento dos Estados Unidos, concentrará todos os seus esforços no fortalecimento militar e, assim que obtiver a convicção de que a vitória é certa, erguer-se-á com ímpeto. Por isso, não se pode descuidar. O que escrevi acima é uma visão baseada no senso comum e no raciocínio lógico.
No entanto, para nós, pessoas religiosas, a perspectiva é fundamentalmente diferente da visão geral, pois, uma vez que acreditamos na existência de Deus, é uma conclusão natural que, em qualquer questão, o justo vença e o injusto perca. Assim, ao compararmos os Estados Unidos e a União Soviética, a vitória ou a derrota é óbvia, e os fiéis compreenderão bem.
Portanto, não importa o que aconteça daqui em diante, não precisamos ter a menor preocupação. Se a vinda do Paraíso Terrestre, o mundo de Miroku, que é o nosso ideal, fosse acelerada, as palavras sagradas de Cristo — “Bem-aventurados os que creem” — não seriam exatamente sobre isso?
Libertação
Tijotengoku nº 20, publicado em 25 de janeiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Fala-se frequentemente em “libertação” desde os tempos antigos, mas não se pode julgar facilmente essa palavra como boa ou ruim. Na interpretação comum do mundo, libertação significa afastar a ilusão e abrir a iluminação, ou desapegar-se, ou resignar-se bem, etc., o que, naturalmente, veio do budismo, mas tem uma ressonância de fuga e reclusão, sendo um pensamento peculiar aos orientais.
No entanto, falando realisticamente, quando a iluminação se abre demais, a energia de ação geralmente diminui. Naturalmente, a vontade de competir desaparece, e mesmo um povo como a Índia acaba em decadência. Por isso, o ser humano ganha força para viver ao se iludir — mas iludir-se demais também é perigoso.
Da mesma forma, resignar-se também tende a diminuir a energia de ação; mas, se não se resignar demais, as relações entre homens e mulheres podem gerar tragédias. Por isso, libertar-se demais também não é interessante: no fim, o mundo se torna tolo, e a pessoa se torna solitária ou um cadáver vivo.
Considerando tudo isso, o excesso em qualquer coisa não é bom. Em suma, é saber a medida. De fato, o mundo é difícil e interessante, doloroso e prazeroso; essa é a verdadeira forma. No final, a expressão “prazer e dor são um só” é exatamente a aparência do ser humano como ele é. No entanto, só com essa história não se chega a uma conclusão, então vou tentar concluir.
Diz-se que o ser humano deve resignar-se quando deve resignar-se e não deve resignar-se quando é melhor não fazê-lo. A dúvida surge quando se tenta decidir à força; enquanto a decisão não vem, é porque o momento ainda não chegou, e basta esperá-lo. O importante é encontrar o melhor método de acordo com o tempo, o lugar e a posição, conforme as circunstâncias. Mas, para isso, é necessária a Sabedoria Sagrada. Sabedoria Sagrada é a inteligência que produz a capacidade de julgamento correto, e ela se manifesta tanto melhor quanto mais a alma estiver livre de nuvens espirituais. Portanto, eliminar as nuvens espirituais da alma é fundamental, e isso é a sinceridade. A sinceridade nasce da fé; se alguém conhece essa verdade e pode praticá-la, deve ser chamado de pessoa que alcançou a grande iluminação completa.
Indignação contra o mal
Tijotengoku nº 21, publicado em 25 de fevereiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Observando atentamente o mundo atual, parece-me que os homens de hoje carecem demasiadamente de indignação contra o mal. Por exemplo, mesmo ao ouvir histórias de pessoas boas atormentadas por pessoas más, são poucos os que se exaltam. Suponho que pensem que, por mais que se indignem contra o mal, não adianta nada.
Além disso, se não houver relação direta com seus próprios interesses, acham que basta preocupar-se com aquilo que afeta seus ganhos e perdas, em vez de se inquietar com questões supérfluas. Mesmo sem isso, neste mundo astuto e difícil, já há excesso de preocupações e sofrimentos. Por isso, fazer vista grossa parece ser considerado atitude de pessoa inteligente. E, como a sociedade chega a respeitar tais pessoas como experientes e conhecedoras do mundo, muitos as imitam.
Soma-se a isso o fato de que a política vai mal: políticos e funcionários públicos estão corruptos.
Pessoas que estavam à frente da sociedade aparecem frequentemente nos jornais por casos de suborno, peculato e outros escândalos. Especialmente nos últimos tempos, a criminalidade aumentou muito, e a delinquência juvenil, entre outros problemas, faz-nos pensar no futuro do Japão e perceber que a situação não pode continuar assim. O feudalismo dos funcionários públicos ainda persiste, e, com a distorção do princípio de que “o povo é a base”, as relações entre pais e filhos, irmãos, mestre e discípulo parecem ter-se tornado verdadeiramente frias.
A tributação opressiva e extorsiva é excessivamente severa. A democracia também tem um nome bonito, mas, na verdade, o povo é oprimido pelo princípio de que “o governo é a base”, sofrendo incessantemente. Há, além disso, inúmeros outros problemas desagradáveis dos mais variados tipos que, se fôssemos enumerá-los, não teriam fim.
Tudo isso, sem dúvida, deve-se à falta de senso de justiça social, mas, acima de tudo, como dito anteriormente, deve-se ao excesso dos chamados “espertos”. No entanto, pensando bem, não é de se estranhar que a sociedade tenha se tornado assim.
Em qualquer época, os jovens, em especial, são naturalmente dotados de um forte senso de justiça e possuem considerável indignação contra o mal. Porém, assim que saem da escola e se tornam membros da sociedade, ao se depararem com a vida real, encontram tantas coisas inesperadas que, gradualmente, com o acúmulo de experiência, sua maneira de pensar muda. Caso se exaltem imprudentemente com a injustiça ou brandam o senso de justiça, podem sofrer mal-entendidos inesperados, ser evitados pelas pessoas e tornar-se incômodos para os superiores, o que facilmente se torna um obstáculo para a ascensão profissional.
Assim, sem perceber, acabam por reprimir o senso de justiça em um canto do coração e passam a agir priorizando o lucro prático.
Quando se chega a esse ponto, a pessoa é considerada alguém que, de uma forma ou de outra, aprendeu a arte de viver no mundo.
Evidentemente, não se pode dizer que isso seja mau. No entanto, quando esse tipo de pessoa aumenta em demasia, o mecanismo social tende a afrouxar, um clima de decadência se dissemina e cresce o número de corruptos e criminosos. O estado atual da sociedade não é prova clara disso?
Pela minha longa experiência, ao julgar o valor de uma pessoa, o critério mais seguro parece ser a medida de sua indignação contra o mal, pois quanto mais alguém se indigna contra o mal, mais fibra e firmeza possui. Apenas a indignação, porém, não basta; ela tende a ser acompanhada de perigo. De fato, não se pode negar que os jovens, por exemplo, muitas vezes se deixam levar pelo ardor juvenil, causando transtornos aos outros ou ameaçando a paz social.
Para isso, é imprescindível a Sabedoria Sagrada. Em outras palavras, deve-se ocultar a indignação nas profundezas do coração, refletir suficientemente, evitar ações imprudentes e, ao mesmo tempo, realizar, de forma justa e correta, aquilo que se considera reto e bom para o próximo e para a sociedade.
A este respeito, escreverei um pouco sobre mim. Desde jovem, meu senso de justiça era forte, e meu ódio pelas injustiças do mundo era superior ao comum. Ao ver ou ouvir falar de injustiças, minha indignação era difícil de conter, e eu me esforçava muito para reprimir esse sentimento. Essa contenção era bastante penosa, mas, considerando-a como treino espiritual, tornava-se suportável e, além disso, é claro que a alma é lapidada. Neste ponto, ainda hoje não mudei, e persevero, considerando isso também como uma provação de Deus.
Dessa forma, como ideal, uma pessoa que não é capaz de sentir indignação contra a injustiça não é útil. No entanto, o método de expressar essa indignação requer consideração: deve-se ter o máximo cuidado para não perder o equilíbrio, nem causar transtornos aos outros, e avançar sempre com senso comum, sem faltar com o amor e a afabilidade, tendo o coração de Deus como próprio coração.
Até a Construção do Paraíso Terrestre
Tijotengoku, publicado em 21 de setembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Escreverei sobre a construção do Paraíso Terrestre, que é a única obra da nossa Igreja, desde o início.
Contudo, mesmo para construir apenas o seu modelo, não é algo fácil. Pode-se dizer que, no Japão, quase não há exemplos de se construir algo assim, embora eu não saiba sobre o estrangeiro. Quanto a mim, embora tivesse apenas esperança, sempre hesitei e vacilei quando chegava a fase da execução. No entanto, do lado de Deus, Ele fazia questão de me fazer construir, de qualquer forma. Isso, ao mesmo tempo em que me mostrava vários milagres, fazia com que todas as circunstâncias se encaminhassem de modo a não haver outra escolha senão fazê-lo, e assim, aos poucos, meu pensamento também mudou, e de alguma forma adquiri confiança, aguardando a oportunidade.
Isso foi por volta do ano de 1943. Então, como a Guerra do Pacífico foi se intensificando cada vez mais, não só Tóquio corria o perigo de ataques aéreos, como também, se isso acontecesse, não seria mais possível realizar a obra, e assim, cheguei à inevitabilidade de me transferir. Foi então que percebi: finalmente havia chegado a época mencionada anteriormente.
Por isso, primeiro mirei em Hakone. Isso porque, desde muito antes, eu gostava imensamente de Hakone e Atami. No entanto, pensei que, se fosse Hakone, o melhor era Gora. Então, quando mandei procurar em Gora, disseram que a casa de veraneio do falecido Sr. Raita Fujiyama estava à venda.
Fui vê-la imediatamente e, como gostei muito, no dia seguinte à visita, fiz a promessa de compra. Esta casa, embora bastante antiga, era verdadeiramente impecável.
O terreno tinha cerca de 660 tsubos, a casa cerca de 100 tsubos. A entrada ficava na direção sudeste, e após subir uma escadaria de pedra natural por cerca de 10 a 20 ken, ao chegar ao vestíbulo, havia uma escada de três degraus. Subindo-a e percorrendo um corredor largo que fazia uma curva, no final havia outra escada de oito degraus. Subindo-a, o salão de estar era um amplo espaço adequado para o altar divino. A vista para os quatro lados era verdadeiramente de uma beleza esplêndida, provavelmente a melhor de Hakone. Além disso, esta casa era extremamente boa do ponto de vista da geomancia. A entrada pelo sudeste era a melhor, e o caminho do portão até a casa era em aclive.
Do vestíbulo ao salão, havia duas escadas, como descrito. Além disso, o lado esquerdo era um cômodo ao estilo japonês, e o lado direito, um cômodo ao estilo ocidental. Isso é chamado de "forma de asas de grou", sendo o melhor formato. Ademais, a construção do cômodo ocidental tinha a forma de um navio, o que também significava "avançar cortando as ondas", sendo ideal em todos os aspectos. O que merece menção especial é que toda a casa estava construída sobre uma rocha, e acredito que seja exatamente isso que significa a passagem do norito: "Firme, fincou o pilar do palácio na rocha firme das profundezas". Era verdadeiramente adequada como casa de Deus, e compreendo bem que Deus a havia preparado desde tempos remotos.
Assim, denominei esta mansão de "Shinzan-sō". Isso porque, atrás dela, está o Monte Kamiyama, a montanha mais alta de Hakone, e a montanha um pouco mais baixa à sua frente é o Monte Sounzan. Assim que me mudei para o Shinzan-sō, comprei da empresa de bondes de montanha um terreno vizinho de cerca de 2.000 tsubos.
Dizem que este terreno era um pequeno parque chamado "Parque Japonês", construído pela empresa de bondes há mais de vinte anos. Havia algumas casas de veraneio para alugar, mas eram apenas de nome, estando tão deterioradas que não suportavam a habitação. Como toda esta área havia sido negligenciada por um longo período, as plantas cresciam em densa vegetação rasteira, e mesmo durante o dia era escuro, a ponto de nem mesmo se distinguir claramente o caminho.
Naturalmente, não havia terreno plano algum, mas eu queria construir uma casa anexa na parte central deste pequeno parque. Assim, nivelei o terreno acidentado e, finalmente, criei uma área plana de pouco mais de 30 tsubos. Na época, não era permitido construir em mais de 15 tsubos, então tentei construir uma casa de 15 tsubos, mas, como estávamos em plena guerra, não era possível obter madeira.
No entanto, por uma feliz coincidência, anos antes, eu havia selecionado madeiras de alta qualidade para construir uma casa anexa no jardim do Hozan-so, em Tóquio, e estava prestes a erguê-la, quando, devido a um processo judicial, recebi uma ordem de paralisação da construção do tribunal, e ela ficou como estava. De repente, lembrei-me disso e pensei que seria perfeito, mas, na época, caminhões particulares não podiam circular, o que me preocupava. Então, um seguidor com ligações com a Marinha soube disso e providenciou o transporte. Quando finalmente começamos a construção e cerca de um terço estava pronto, os ataques aéreos se intensificaram ainda mais, e não conseguíamos nem mesmo obter o arroz para alimentar os operários, sendo forçados a interromper a obra temporariamente.
Então, por incrível que pareça, de repente, um seguidor veio com um caminhão carregado de seis sacas de arroz branco e os doou. Pensei: "Ah, a vontade de Deus é que a construção não deve parar".
Assim, a obra continuou sem interrupção e, em agosto de 1946, ficou pronta a atual "Kanzan-tei". No entanto, assim que a cortina da guerra caiu, em 15 de agosto de 1945, pensei em construir uma casa grande. No mês seguinte, em setembro, ordenei a um subordinado que fosse à província de Akita e comprasse mil koku de madeira de cedro. Naquela época, ainda era barato, custando 300 ienes por koku. Eram mais de 50 árvores em pé de um santuário xintoísta.
Então, como surgiu a oportunidade de comprar um terreno de mais de 600 tsubos, um pouco mais abaixo da Terra Divina, adquiri-o imediatamente. Como eu o desejava muito desde antes, fiquei extremamente feliz. Assim que o obtive, para construir um santuário ali, nivelei a encosta, criando várias centenas de tsubos de terreno plano.
Quando estava prestes a iniciar a construção, de repente, por intermédio de um certo Sr., veio o Professor Yoshida Isoya, da Escola de Belas Artes, que poderia ser considerado a principal figura do mundo do projeto arquitetônico no Japão moderno (ele é o responsável pelo projeto do atual Teatro Kabuki-za). Ao conversarmos, vi que ele tinha uma mente brilhante e estava em sintonia com minhas ideias, e pensei que Deus o havia enviado. Dessa forma, seja os materiais, o terreno ou o arquiteto, tudo o que era necessário, Deus providenciava perfeitamente no momento necessário, numa sucessão de milagres de todos os tipos.
Este edifício é o atual "Nikkōden (Palácio da Luz Solar)", que teve seu nome mudado.
Naquela época, denominei este jardim divino de Gora de "Terra Divina". Quanto aos edifícios, o primeiro foi o Shinzan-sō, adquirido no início. O segundo a ser construído foi o Kanzan-tei. Esta casa foi destinada à minha residência, mas, como era muito pequena, fiz uma ampliação este ano.
Esta casa está situada exatamente no centro da Terra Divina, cercada por montanhas em três lados, com uma vista muito boa, por isso recebeu o nome que tem. A casa de chá construída no terreno plano mais abaixo é chamada "Sangetsu-an", que também foi concluída este ano. Foi construída por um famoso carpinteiro especializado em casas de chá, chamado Seibei Kimura, que dedicou todo o seu coração e alma, levando três anos para completá-la.
Ao lado, construí um "Caminho das Flores de Hagi", e a pequena casa construída ali como memorial foi denominada "Casa das Flores de Hagi". Escreverei uma pequena história sobre esta Casa das Flores de Hagi: há mais de vinte anos, quando este lugar era o Parque Japonês, havia várias casas de veraneio para alugar. Como eu gostava muito de Gora desde antes, queria morar lá ao menos uma vez. Assim, aluguei uma das casas de veraneio e morei lá por um verão.
As lembranças daquela época são inesquecíveis, e a casa de veraneio que reformei é esta Casa das Flores de Hagi. Subindo um pouco a estrada em frente à Casa das Flores de Hagi, encontramos rochas e um bosque de bambus foi criado.
Dizem que isso é um cenário chinês, e quem o vê o elogia, dizendo que se sente como se estivesse passeando por um reino dos imortais. Subindo alguns degraus de pedra a partir dali, há um terreno um pouco mais amplo. Estou atualmente realizando terraplenagem para construir um museu de arte ali.
Como já escrevi uma vez, este jardim divino é algo inovador, que ninguém jamais tentou antes, e como é construído conforme a ordem divina, pode-se chamá-lo de arte divina. O objetivo é criar uma obra de arte que harmonize bem a beleza natural das montanhas e águas com a beleza artificial do jardim. Nesse sentido, com o sentido de "adicionar flores ao brocado", planejei o museu de arte como descrito acima, pois apenas a beleza natural das montanhas e águas e a beleza artificial do jardim não são suficientes; a menos que se exibam obras de arte únicas do Japão, não se pode considerar um verdadeiro Paraíso.
Um outro objetivo é concretizar quão grande contribuição isso dará à introdução da arte japonesa, quando, no futuro que virá, turistas estrangeiros vierem visitar Hakone e lhes for permitido visitar esta Terra Divina. A casa de chá também tem, naturalmente, esse significado. Com isso, desejo mostrar mundialmente o quão profunda compreensão, elevado senso estético e excelente habilidade os japoneses possuem em relação à arte, e penso que esta é também a razão por que desempenha um papel na política nacional.
Aqui, escreverei sobre a história e vários outros aspectos da Terra Divina. De um ponto elevado do jardim divino, contemplam-se os picos Myojin e Myojo, que desenham curvas suaves e verdejantes e se conectam de Kintoki ao Passo Otome. A suavidade das formas montanhosas, típica de Hakone, certamente acalmará o coração.
Se o Monte Myojin é a manga esquerda, a manga direita é o Monte Asama. No espaço ligeiramente aberto entre as duas mangas, ao longe, no fundo da névoa, avista-se um mar pálido que quase se confunde com um lago — desnecessário dizer que é a Baía de Sagami, perto de Odawara. Em dias claros, a Península de Miura desenha uma linha. Um pouco acima, na linha do horizonte, uma cadeia de montanhas indistintas que flutua longamente é a Península de Boso; os dentes serrilhados característicos do Monte Nokogiri também são bem visíveis. Virando-se, vê-se o Monte Asama, montanha em forma de tigela invertida que se estende até o distante Monte Sounzan.
A grande montanha que parece pressioná-lo é o Monte Komagatake, famoso para caminhadas. Deixemos de lado a vista panorâmica e vamos passear pelo jardim. Como este lugar fica no sopé do Monte Sounzan, para quem olha para cima ele parece ser apenas uma montanha dentro do jardim, tão próximo que se pode chamar por ele. Por toda parte, há rochas gigantes e pedras estranhas, com cores e formas interessantes, nenhuma igual à outra — aqui também se revela o engenho divino. No lado oeste, rochas gigantes de mais de um jō se alinham, protegendo o pico do Monte Kamiyama, típico de Hakone, o que também é curioso.
Especialmente a rocha gigante que se ergue como se escondesse a entrada principal parece uma "pedra que afasta os maus espíritos", como a "Jibiki-iwa". E o que deve ser especialmente registrado é que, entre todas as montanhas de Hakone, a que tem mais rochas é Gora; nossa Terra Divina, situada na parte central de Gora, pode ser considerada o ponto culminante das rochas.
Se cavarmos o solo por aqui, rochas gigantes se acumulam em camadas, sem fundo. No entanto, a uma distância de cerca de um chō, o solo é apenas terra, e quase não se veem rochas — o que é realmente misterioso. Além disso, como os tipos de rocha são inúmeros, se quisermos construir um jardim, podemos escolher a gosto. Entre os tipos principais, o primeiro é cinza, de ângulos agudos e extremamente duro. O segundo é um cinza azulado, um pouco menos duro, com muitas rugas e entalhes, provavelmente devido aos inúmeros impactos sofridos durante o fluxo. O terceiro é um tipo de lava, de cor vermelha e textura de madeira preta. O quarto é um tipo duro e multifacetado, de cor marrom-ferro. Todos, naturalmente, fluíram durante a erupção do Monte Sounzan e se acumularam nesta área.
A erupção dessa época foi uma explosão do embasamento rochoso da crosta terrestre devido à emissão de gás — trata-se do que se chama de vulcão explosivo. Curiosamente, há vestígios de que uma quantidade considerável de cinzas vulcânicas caiu e se acumulou devido a essa erupção.
Com efeito, na vila de Miyagino, algumas ruas abaixo, ainda hoje, ao cavar o solo, encontram-se enterrados troncos gigantes de cedro, que se acredita terem cerca de 20 a 30 shaku de altura e que, após longos anos, se tornaram "cedros da era dos deuses". Dizem que, antigamente, os camponeses locais os desenterravam e obtinham lucros consideráveis. Com isso, fica claro que a camada de cinzas vulcânicas atingiu dezenas de shaku de espessura. O maior cedro tinha cerca de 6 shaku de diâmetro, e eu também o vi.
Quanto à cratera da erupção daquela época, é fácil percebê-la olhando para o Monte Sounzan: a parte central está afundada e tem uma superfície avermelhada. As fontes termais de Owakudani também devem ter se formado nessa época; a água termal que brota aqui é a fonte termal de Gora.
Já percorri a região do Monte Sounzan ao Monte Kamiyama e ao Monte Komagatake; como toda a montanha é uma área de arbustos, sem nenhuma árvore gigante à vista, compreende-se que a erupção não foi tão antiga assim.
Isso se deve ao fato de essas cinzas vulcânicas conterem enxofre. De modo geral, a ausência de muitas árvores gigantes em todas as montanhas de Hakone deve-se provavelmente à queda de cinzas vulcânicas até uma distância considerável. Voltando ao assunto, não há uma única pedra, uma única árvore ou uma única planta no jardim divino que não siga minhas instruções. Curiosamente, quando desejo uma pedra de determinado tipo, ela está sempre por perto; se cavo ali perto, ela aparece. Por isso, compreendo muito bem que Deus, há dezenas de milhares de anos, após a formação do embasamento rochoso e seu endurecimento até certo ponto, provocou a erupção, fragmentou as rochas em tamanhos adequados e as fez fluir, tendo como centro a Terra Divina. E hoje, enquanto me dá instruções, está fazendo com que eu construa o jardim conforme a Sua vontade.
Só por isso, a Vontade Divina de que Deus, usando-me como instrumento, está fazendo construir o Paraíso Terrestre é demasiadamente clara, como sempre digo.
Além disso, quanto a árvores, plantas e flores, sempre que preciso de algo, ou alguém o traz, ou ele está no viveiro de plantas próximo, ou no jardim de alguma casa de veraneio, e a pessoa vem dizendo que quer vendê-lo. É verdadeiramente misterioso e maravilhoso. Costuma-se dizer que, quando se empreende algo um pouco grande ou difícil no mundo, passa-se por grandes dificuldades e sofrimentos; comigo, porém, isso quase não acontece. Como disse anteriormente, as coisas que desejo ou de que preciso se reúnem naturalmente.
Quanto ao dinheiro, ocorre o mesmo: entra sempre exatamente a quantia necessária, e não tenho a menor preocupação. Naturalmente, nunca falta, mas também nunca é demais — é sempre na medida certa.
Como disse anteriormente, comecei do zero em maio de 1944; portanto, passaram-se apenas seis anos. Durante esse período, apesar de obstáculos como a guerra, não é de admirar que o mundo tenha questionado ou tratado o assunto como ridiculamente grandioso — afinal, quem vê o local da construção do Paraíso Terrestre em Atami e Hakone não pode acreditar que seja um trabalho de tão curto período. Ou seja, como dito anteriormente, uma vez que tudo é executado exatamente conforme as instruções de Deus, não pode haver tropeços ou fracassos.
Tudo progride sem problemas. Aqui, não posso deixar de registrar um milagre: durante esses seis anos, ao mover e posicionar rochas gigantes e pedras grandes, não houve uma única morte nem um único ferido. As maiores chegam a ter 10 shaku de diâmetro e pesar mais de 20.000 kan. Segundo os especialistas que trabalham nisso, por experiência, em obras deste porte é normal que ocorram algumas mortes e muitos feridos; eles sempre dizem que esta obra é simplesmente surpreendente, não havendo outra palavra. Por fim, perceberam que não é obra humana e parecem ter passado a acreditar na existência de Deus e a reconhecer o Plano Divino que estou realizando — hoje, todos, sem exceção, se converteram.
Acima, pretendi escrever, de modo geral, o histórico desde o início até os dias de hoje. Atualmente, com exceção do museu de arte, os outros edifícios já atingiram quase a fase de conclusão. Por isso, desta vez, realizaremos a cerimônia de inauguração conjuntamente com o Culto Especial de Outono.
O Culto Especial será realizado de 21 a 27 de setembro, durante uma semana, com as cerimônias realizando-se sucessivamente. Na verdade, pensei em encurtá-lo para cerca de três dias; mas, como o Nikkōden é muito pequeno, decidimos construir uma extensão temporária no jardim. Ainda assim, parece que não será suficiente, e fomos forçados a estendê-lo para uma semana. Além do Culto Especial, como entretenimento, durante os sete dias convidaremos artistas de primeira linha, com programas e artistas diferentes a cada dia, para que todos desfrutem plenamente da atmosfera do Paraíso.
Isso porque, como sempre digo, o Paraíso Terrestre é o mundo da arte. Portanto, além da beleza natural e da beleza artificial já descritas, sem as artes performáticas que deleitam os olhos e os ouvidos — como a dança, o canto e a música — não se pode dizer que seja perfeito.
Acima, escrevi sobre o histórico da construção do modelo do Paraíso Terrestre, ainda que em pequena escala. Em suma, anuncio que este Culto Especial é um evento comemorativo e extremamente importante para dar o primeiro passo nessa direção.
Em Defesa da Literatura Irônica
Tijotengoku, publicado em 1 de dezembro do ano 23 da Era Showa (1948)
A ironia é composta de pele e carne; portanto, é uma brincadeira daqueles que não têm ossos.
Observar as coisas em linha reta e falar delas diretamente é arriscado, devido ao perigo de ataque. Por isso, ela é uma criatura extremamente servil, que vê as coisas pelo avesso e as distorce ao falar. No entanto, aqueles que observam as coisas com uma seriedade excessiva não têm flexibilidade, não possuem senso de humor e são como uma estátua de madeira ou pedra. Se apenas esse tipo de pessoa aumentar, o mundo se tornará desinteressante.
Os humanos de hoje, especialmente os políticos, estão aprisionados na moldura da lógica e não conseguem se mover. No parlamento, a caça aos erros e a busca por falhas constituem a atividade principal, e a troca de sofismas é a ocupação dominante — nada interessante nem divertido para os espectadores.
Lembro-me, com nostalgia, das famosas ironias de Katō Takaaki, do passado, e dos discursos repletos do sabor do Zen de Takahashi Korekiyo; eram realmente coisas de grande interesse.
No entanto, como está o parlamento de hoje? Estou farto de discursos tão secos quanto morder pedra. Desejo ardentemente que surja, também no Japão, um grande mestre da literatura irônica como Bernard Shaw.
O Ponto Cego da Medicina e a Capacidade Natural de Cura
Tijotengoku nº 15, publicado em 20 de abril do ano 25 da Era Showa (1950)
O erro da medicina moderna é exatamente o que sempre tenho afirmado; dentre esses erros, qual é o maior?
É o fato de ignorar completamente a capacidade inata de cura natural que o ser humano possui desde o nascimento. Explico a seguir. Suponhamos, agora, que alguém adoeça.
Imediatamente, a pessoa consulta um médico, e o médico diz: "Que bom que o senhor veio cedo; se tivesse demorado mais, poderia ter se tornado algo grave." Essa é uma história que se ouve com frequência, e isso ocorre porque, na medicina, pensa-se que, uma vez manifestada a doença, se for deixada como está, ela só tende a piorar. Assim, para impedi-la a todo custo, recorre-se a medicamentos e a vários tipos de terapia. No entanto, é preciso ensinar que, mesmo nisso, há um grande erro no fato de a medicina detestar tanto o atraso e pensar que tudo deve ser contido o mais cedo possível.
Por quê? Porque, como sempre digo, a doença é uma ação de excreção de toxinas. Portanto, se for deixada como está, as toxinas serão eliminadas de forma natural e a doença certamente se curará. Isto é, a febre, a tosse, o catarro, a secreção nasal, o suor, a diarreia, a dor, a coceira e todos os outros sofrimentos existem exatamente para isso.
Assim, se tivermos um pouco de paciência, as impurezas serão eliminadas na medida do necessário e o corpo se tornará limpo. Dessa forma, não há sentido em falar em "atraso". No entanto, a medicina, que desconhece essa verdade, faz uma interpretação oposta: teme e adverte veementemente contra o ato de deixar a doença seguir seu curso. Em suma, ela considera bom impedir a saída das impurezas que estão tentando ser expelidas e fazê-las solidificar.
Com isso, é natural que a cura radical da doença seja impossível. Há ainda outro ponto cego da medicina: quando alguém se fere ou sofre uma queimadura, geralmente ocorre supuração. A medicina também a receia sobremaneira e lança mão de vários recursos para impedir a saída do pus. Também isso é um grande equívoco, pois, devido a esse estímulo, as toxinas se acumulam na região.
Ora, todo ser humano, sem exceção, carrega em si uma quantidade considerável de toxinas; quando surge uma oportunidade, elas procuram ser expelidas do corpo e dirigem-se imediatamente para o ferimento. Portanto, quanto maior a área de supuração, maior a quantidade de toxinas eliminadas — o que é extremamente benéfico.
A medicina, no entanto, interpreta a supuração negativamente, atribuindo-a à invasão e à proliferação de micróbios. Assim, procura contê-la a todo custo, empregando germicidas, compressas frias, injeções, repouso e toda sorte de tratamentos. Do nosso ponto de vista, isso é fazer exatamente o oposto, de uma maneira quase ridícula. E o problema reside justamente nos germicidas: eles primeiro penetram a carne e, com o passar do tempo, produzem um terrível efeito de intoxicação.
Afinal, por mais minúsculo que seja um micróbio, enquanto é um ser vivo, um agente capaz de matá-lo exercerá sobre o corpo humano um impacto igualmente severo. Assim, à medida que os antissépticos envelhecem, transformam-se em venenos violentos; mais cedo ou mais tarde, ocorre essa purificação. Sob a forma de febre, dores e mal-estar, surgem sofrimentos de natureza extremamente maligna. Se o paciente, nessa ocasião, consulta um médico, este diagnostica uma doença de causa desconhecida. O que o médico não sabe é que essa causa foi justamente criada pelo tratamento. Como jamais poderia imaginar que o antisséptico é o responsável, ouve-se com frequência que não há como tratar.
O corpo humano, portanto, está constantemente em processo de limpeza, eliminando impurezas. A isso chamamos de capacidade inata de cura natural. Se o ser humano possui, desde o nascimento, essa capacidade inata de curar doenças, o método que a respeita e a faz manifestar-se deveria ser a verdadeira medicina.
A medicina atual, contudo, considera bom obstruir essa capacidade inata e ainda faz essa obstrução progredir. Percebe-se, então, o quanto ela se equivoca. Isso não é mera lógica; os fatos o demonstram melhor do que qualquer coisa.
Suponhamos que alguém contraia um resfriado. Se, desde o início, nada for feito e a doença seguir seu curso, ela se curará rapidamente, como descrito anteriormente, em geral ao cabo de uma semana. Se, porém, a pessoa receber tratamento médico, levará três ou quatro semanas para se curar. Além disso, com a terapia natural a cura ocorre sem sobressaltos e de forma regular; com o tratamento médico, a doença não se resolve facilmente e surgem complicações ou agravamentos. Há casos em que a pessoa chega a desenvolver tuberculose.
É claro que, ocasionalmente, há quem se cure com o tratamento médico; isso se dá porque são pessoas dotadas de uma força de cura tão vigorosa que vencem a interferência do tratamento. Casos assim, porém, são extremamente raros. Na maioria dos pacientes, as toxinas dissolvidas se solidificam, ainda que temporariamente, dando a impressão de recuperação completa. Pelo exposto, creio que se tenha compreendido em linhas gerais. De fato, a medicina moderna parece ter progredido enormemente, e é justamente nessa admiração que reside a ilusão.
Considerando tudo isso, vê-se que o ser humano recebeu dos Céus uma maravilhosa força de cura, tão grande que nem a medicina pode igualar: a capacidade inata de cura natural.
Apenas por tomar conhecimento disso, já se pode perceber quão grande felicidade se pode alcançar. O Johrei da nossa Igreja, no entanto, é um método que fortalece e acelera ainda mais essa capacidade inata de cura natural. Portanto, pode-se compreender que ele é o método de cura mais avançado e racional.
(Tijotengoku, nº 26, 25 de julho de 1951)
A Doença é Curada pela Medicina Moderna?
O título acima pode parecer transpor os limites da audácia e beirar a loucura; no entanto, ao ler esta exposição até o fim, ninguém, seja quem for, poderá levantar objeções.
Recentemente, as pessoas se regozijam ao dizer que a expectativa de vida aumentou um pouco graças ao avanço da medicina.
Isso, porém, é temporário; é evidente que chegará o momento em que o efeito será o contrário.
Eis uma profecia que jamais se provará errada.
Passemos a explicar detalhadamente esses pontos. Primeiramente, como premissa, apresentarei provas incontestáveis: os relatos de graças abundantemente publicados no jornal "Salvação" e na revista Tijotengoku. Atualmente, recebemos centenas desses relatos por mês, e pode-se dizer que todos se referem a doenças graves e incuráveis, arrastadas por vários anos ou décadas, resistentes a toda espécie de tratamento médico e outras terapias.
Ao examinar cada um desses casos, percebe-se que, em inúmeras situações, o tratamento médico não apenas não teve efeito algum, como até se mostrou contraproducente.
Além disso, os pacientes sofrem por longos períodos e gastam grandes quantias com esses tratamentos ineficazes — algo realmente lamentável.
Esses relatos de graças nascem do transbordamento da gratidão e do entusiasmo sincero daqueles que, curados completamente pela nossa terapia, desejam compartilhar isso com outros doentes. Gostaria de saber o que os médicos que veem esses registros têm a dizer. A medicina não percebe a estreita relação entre a incapacidade de curar doenças e o prolongamento temporário da vida. Por isso, acrescentarei uma interpretação da medicina divina sobre a raiz dessa questão. Como sempre dizemos, a medicina, que não sabe que a doença é o nome dado ao sofrimento causado pela ação de eliminação das toxinas que o ser humano possui, interpreta o sofrimento de forma negativa e considera bom aliviá-lo.
O único meio para isso são os medicamentos. Ora, a essência dos medicamentos é o veneno. Eles enfraquecem a força de excreção das toxinas e aliviam o sofrimento.
A medicina confunde isso com um método de cura da doença. Acredita, portanto, que sua missão é conter as toxinas prestes a ser eliminadas e buscar o alívio temporário do sofrimento. Quão equivocado é isso! Para ser franco, o tratamento médico é um método de alívio do sofrimento, não um método de cura da doença. Como diz o título, "a doença não é curada pela medicina". Quem ler e refletir atentamente sobre este texto compreenderá claramente essa verdade.
De acordo com essa lógica, o avanço da medicina é o avanço da técnica de alívio do sofrimento; em outras palavras, o avanço do método de adiar a eliminação das toxinas. De fato, a causa das complicações, recaídas e doenças crônicas reside exatamente aí. Por isso, o método que, ao contrário da medicina, promove a eliminação das toxinas e purifica o corpo é que constitui a verdadeira terapia e o meio de criar pessoas verdadeiramente saudáveis. Naturalmente, quem se torna completamente saudável, a ponto de não ser infectado nem por micróbios patogênicos, dispensa inteiramente a desinfecção; e a fobia de micróbios, tão comum entre as pessoas modernas, desaparece.
E, como as toxinas são, obviamente, compostas principalmente por toxinas medicamentosas, pode-se dizer, em suma, que o próprio meio de tentar curar a doença acaba por criar a doença. De fato, é senso comum que, ao adoecer, o homem moderno recorre imediatamente ao tratamento médico. No entanto, como já mencionado, o tratamento médico se vale de toxinas medicamentosas e de outros meios de alívio do sofrimento; a purificação é adiada, e a pessoa acaba se tornando um semi-saudável. Explicarei agora o caminho que esse semi-saudável percorre.
Aqui, preciso escrever algo importante. Por que ocorre a ação de excreção de toxinas, como descrito anteriormente? Porque a pessoa é saudável. Quanto mais saudável ela é, mais vigoroso é seu metabolismo; portanto, a ação purificadora — como a chamamos — ocorre com mais facilidade. As doenças infecciosas, especialmente, são as ações purificadoras mais vigorosas, como evidencia o fato de serem mais comuns em jovens.
O fato de a tuberculose ser mais comum entre adolescentes e jovens adultos também se deve à mesma razão. A patologia médica, no entanto, sustenta o oposto, atribuindo as doenças infecciosas e a tuberculose à fraqueza da resistência. Se assim fosse, quanto mais velha a pessoa, mais fraca seria sua resistência e mais suscetível ela se tornaria a essas doenças. Além disso, o fato de a tuberculose se prolongar por muitos anos deve-se à supressão e ao adiamento máximos da ocorrência da purificação.
Seguindo essa lógica, é natural que, quanto mais a medicina moderna "avança", mais diminui gradualmente o número de pessoas verdadeiramente saudáveis e mais aumenta o de semi-saudáveis. O semi-saudável desenvolve uma constituição intermediária, como a de um jovem com traços de idoso. Como sua força de purificação é fraca, as oportunidades de adoecer diminuem.
Mesmo quando a doença ocorre, ela é temporariamente aliviada pela interrupção da purificação. Acima de tudo, não se pode ignorar a recente redução da capacidade de trabalho dos trabalhadores. Nos países civilizados, os trabalhadores se cansam facilmente, evitam o trabalho e enfatizam a redução da jornada; até mesmo os agricultores têm perdido resistência ao trabalho. Isso passa despercebido ao público em geral, mas, na verdade, decorre da diminuição da força física. É verdade que há também o propósito de respeitar o trabalho, pensando na felicidade dos trabalhadores com o avanço da cultura; é inegável, porém, que o ponto acima mencionado está oculto em segundo plano.
O que quero destacar especialmente é a questão recente da vacinação preventiva. Como mencionado anteriormente, as doenças infecciosas ocorrem devido ao vigor da força de purificação.
Assim, ao se vacinar, a força de purificação se torna fraca e a oportunidade de adoecer diminui. A medicina iludiu-se com isso. Uma pessoa verdadeiramente saudável e livre de toxinas, naturalmente, não desenvolveria doenças; mas atualmente pode-se dizer que não existem pessoas assim. As pessoas comuns são semi-saudáveis que possuem toxinas. Portanto, são propensas a sofrer a ocorrência da purificação — isto é, a adoecer —, mas também a ter um alívio temporário. Naturalmente, quando a doença ocorre, a medicina se esforça para interromper a purificação. Como a força de purificação reage, porém, ocorre um atrito; quanto mais intenso é esse atrito, maior é o enfraquecimento, levando a um ponto de virada para a morte.
O caso da pneumonia é um exemplo disso. Em sua origem, a pneumonia é uma purificação violenta. Quando se usam agentes terapêuticos para tratá-la, os médicos dizem que, com este medicamento, ou o paciente se cura rapidamente ou morre.
Isso porque, para combater uma purificação violenta, é necessária uma toxina medicamentosa igualmente violenta. Essa lógica também se aplica às crianças. A alta taxa de mortalidade infantil deve-se ao fato de que são elas que têm a purificação mais vigorosa. Como até um medicamento comum, usado para interrompê-la, é violento para uma criança, ocorrem o atrito e a morte.
Pelas explicações factuais acima, acredito que se tenha compreendido em linhas gerais.
Nesse caso, à medida que cresce o número de semi-saudáveis, diminuem as oportunidades de adoecer. Além disso, mesmo quando adoecem, a purificação é fraca, não havendo o atrito violento causado pela toxina medicamentosa; a pessoa escapa da morte por algum tempo. Essa é a verdadeira causa do recente aumento da expectativa de vida.
No entanto, esses semi-saudáveis não podem ter vida longa. Por quê? Porque, ao entrarem na velhice, a grande quantidade de toxinas que carregam acelera o envelhecimento. A arteriosclerose, a hemorragia cerebral e os rins atrofiados decorrem disso. Os fatos o demonstram. Embora a idade média tenha aumentado nos últimos anos, a idade máxima não mudou. As estatísticas mostram que a proporção de pessoas com mais de oitenta anos continua a mesma de antes. Isso indica que o aumento da longevidade não se deve a um verdadeiro ganho de saúde.
Por fim, o que importa dizer é o seguinte: o verdadeiro valor da terapia divina é que, ao contrário do tratamento médico, que interrompe a purificação, ela promove a purificação e elimina as toxinas ao máximo.
Esse processo está demonstrado de modo inequívoco nos relatos de graças. Portanto, pode-se garantir que os que se tornam verdadeiramente saudáveis pela terapia divina manterão longevidade superior a noventa anos.
Escrevo sobre a Verdade
Tijotengoku nº 28, publicado em 25 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Comecei a escrever manuscritos há mais de dez anos e, naturalmente, todos se centram na fé. Diferentemente dos fundadores de religiões do passado, tenho me esforçado por eliminar por completo qualquer rigidez ou aspecto antiquado, buscando torná-los compreensíveis a pessoas de todas as classes sociais.
No entanto, há um aspecto desfavorável nisso. Refiro-me ao fato de que os oitenta e quatro mil sutras de Shakyamuni, a Bíblia de Cristo, o Esoterismo Shingon, o Tannisho de Shinran, os Escritos de Nichiren, o Mikagura-uta da fundadora da Tenrikyo, o Ofudesaki da fundadora da religião Oomoto e assim por diante — todos eles, para dizer de forma negativa, possuem um certo odor religioso; para dizer de forma positiva, algo de misterioso. E talvez seja justamente nesse ponto, que parece compreensível mas não é, que reside o seu encanto.
Contudo, como a interpretação é difícil e pode variar conforme a pessoa, é inevitável que surjam facções. Acima de tudo, a história mostra claramente que, quanto maior a religião, mais ela se divide e entra em conflito. Por essa razão, os seguidores não conseguem captar a essência de sua fé, tornando-se propensos à dúvida e dificilmente alcançando a verdadeira tranquilidade e paz espiritual.
Sendo assim, com os métodos de ensino até hoje, é absolutamente impossível alcançar a unificação e a harmonia mesmo dentro de uma única religião. Mais ainda, a unificação de todas as religiões é algo inimaginável até em sonho — e é provavelmente por isso que o número de novas religiões aumenta a cada ano. Mesmo considerando apenas o Japão, a realidade atual é que o número de religiões cresce proporcionalmente ao aumento da população.
No entanto, seja qual for a religião, quando se fala do objeto de adoração, Jeová, Zeus, Logos, o Imperador Celestial, Mukyoku (O Ilimitado), Amaterasu Ōmikami, Kunitokotachi-no-mikoto, Cristo, Shakyamuni, Amida, Kannon, entre outros, são os deuses e budas principais. Além destes, há vários outros nomes, como "Fulano-no-Mikoto", "tal-Nyorai", "tal-Daishi", e, naturalmente, todos são, sem dúvida, deuses e budas excelsos. Deixando de lado as crenças vulgares, como as de Inari, tengu e dragões, se remontarmos à sua origem, é indiscutível que existe um único Deus verdadeiro, ou seja, um único Deus Supremo.
No entanto, até hoje, todas as religiões consideram a sua própria como a mais elevada e excelsa, havendo também muito de visão excludente, o que torna impossível qualquer unificação. Dito isso, apenas o ideal final de todas as religiões é o mesmo.
Ou seja, a realização do Paraíso neste mundo, do Mundo da Felicidade Suprema, do Mundo Ideal, e a felicidade de toda a humanidade. Não deve haver uma única religião que se oponha a isso. Então, como realizar tal mundo? Para isso, deve surgir uma religião unificadora que una o mundo como um só. E ela deve ser algo tão grandioso e suprarreligioso que possa ser acreditado por todas as pessoas.
Não digo que isso seja a nossa Igreja Messiânica, mas ensinar o método, os meios — isto é, o planejamento e o projeto para criar tal mundo, e como fazê-lo — é a missão da nossa Igreja. À medida que aumentar o número de pessoas conscientes disso, entre os intelectuais de cada nação, avançaremos passo a passo em direção ao objetivo. Em suma, isso é a materialização da verdade. Por meio disso, todos os erros se tornarão claros, serão corrigidos, e um mundo luminoso, límpido e puro se realizará. Naturalmente, o mal será expulso dos seres humanos, o bem, que era oprimido, florescerá, e a humanidade passará a desfrutar da felicidade. Portanto, o fundamental é, antes de tudo, fazer com que a verdade seja amplamente conhecida por toda a humanidade.
Ao ouvir isso, alguém pode dizer: "Desde os tempos antigos, muitos grandes homens não pregaram a verdade exaustivamente? Portanto, não há necessidade disso agora." Mas esse é o problema: se a verdade tivesse sido revelada até hoje, já deveria ter se manifestado concretamente, e o Mundo do Paraíso já estaria realizado ou, pelo menos, deveria estar se aproximando disso.
No entanto, não se vê nem sinal disso. É verdade que, materialmente, pode-se dizer que nos aproximamos do Paraíso, mas, no outro aspecto — o mundo espiritual — não há progresso algum; pelo contrário, é até mesmo o oposto. Dessa forma, não se tem a menor ideia de quando o verdadeiro Mundo do Paraíso se realizará.
Se assim for, perceber-se-á que a causa disso é que a própria verdade em que se acreditou até agora não era, de fato, a verdade.
Acima de tudo, observe a realidade do mundo. Não está tudo excessivamente distante do Paraíso? As doenças, maior sofrimento da humanidade, continuam sem diminuir; a dificuldade de viver, como a pobreza, também permanece a mesma; e as disputas entre indivíduos, bem como as disputas nacionais — as guerras — estão como se vê.
Se assim é, esta é a prova de que a verdade não está sendo praticada. Portanto, o que se pensava ser a verdade até agora é, na realidade, uma falsa verdade, que serve apenas de obstáculo à construção do Paraíso, não sendo algo útil.
No entanto, finalmente chegou a hora. Deus, para elucidar a verdade, está me fazendo torná-la amplamente conhecida à humanidade. Essa é a razão do surgimento da nossa Igreja Messiânica. Portanto, os textos que escrevo são revelações divinas que Deus concede para que todas as pessoas possam compreender.
Sendo assim, tudo o que escrevi até agora é a verdade. Através do espelho da verdade, exponho as falhas da falsa verdade e ensino o método para corrigi-las. Com isso, não apenas a distinção entre a verdade e a falsa verdade se tornará clara, mas também a demonstrarei com fatos. Esses fatos são o Johrei, o Cultivo Natural, o aprimoramento da arte e a construção do modelo do Paraíso Terrestre. Pelo exposto, os empreendimentos que atualmente realizo são, em suma, um grande processo de materialização da verdade e um grande esforço para fazer compreender a verdade por meio da escrita.
Bodhisattva Kannon
Tijotengoku, publicado em 23 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Nos itens anteriores, expus, sob vários ângulos, o innen (afinidade cármica) relativo a Kanzeon, mas, como já mencionei, a raiz de tudo, até chegarmos a esse ponto, foi inteiramente a tirania violenta de Susanoo. Ora, o que aconteceu ao Japão depois que a Deusa Izunome partiu? O deus que era seu irmão mais novo era o Imperador Amaterasu, e este, infelizmente, veio a falecer de repente, sem motivo algum. Assim, não havendo alternativa, foi entronizada em seu lugar sua irmã mais nova, a Imperatriz Amaterasu — essa mulher. É por essa razão que, ainda hoje, Amaterasu Ōmikami, embora seja a divindade do sol, é venerada como deusa.
Além disso, como já escrevi anteriormente, Susanoo, apressando-se demasiadamente para obter o poder soberano do Japão, praticou uma política de força, sem escolher meios para atingir seus objetivos; o coração do povo, então, perturbou-se a ponto de se tornar incontrolável. Por isso, incorreu na ira de seu pai, Izanagi no Mikoto, sendo inevitável a repreensão. Isso porque Susanoo era também, originalmente, um deus de linhagem coreana. E, como depois disso não demonstrou nenhum arrependimento, permanecendo da mesma forma, como último recurso, foi banido do Japão.
Sobre esse episódio, o Kojiki relata o seguinte: em razão da conduta e do mau governo de Susanoo no Mikoto, ele recebeu a repreensão de Izanagi no Mikoto e foi expulso por decreto divino, tendo como destino Yomi, a Terra dos Mortos. Mas, como em Yomi residia sua mãe, a deusa Izanami no Mikoto, pensou em ficar sob a proteção da deusa-mãe até que seu pecado fosse perdoado, permanecendo em reclusão por um tempo.
Antes de partir, quis despedir-se de sua irmã mais velha, Amaterasu Ōmikami, que residia no Céu. Sobre isso, o Kojiki escreve o seguinte: Susanoo no Mikoto, fazendo ressoar montanhas e rios, subiu ao Céu; ao saber disso, Amaterasu Ōmikami ficou extremamente alarmada, tomada pela suspeita de que seu irmão mais novo, Susanoo, teria vindo atacá-la.
Nesse estado de dúvida e medo, Susanoo subiu aos Céus e encontrou-se com Amaterasu Ōmikami. Percebendo que a atitude da irmã não era normal, Susanoo, compreendendo a situação, disse: "Parece que minha irmã mais velha desconfia de mim, mas meu coração não abriga nenhum pensamento maligno. Sou puro como se vê. Agora, provarei isso diante de seus olhos." Dizendo isso, desembainhou a espada, mergulhou-a na Água Verdadeira do Céu (Ama no Mana no Mizu), e imediatamente nasceram três deusas: Ichikishima Hime no Mikoto, Tagitsu Hime no Mikoto e Tagori Hime no Mikoto.
Então, Amaterasu Ōmikami disse: "Pois bem, mostrarei também a pureza do meu coração." Retirou o colar de contas curvas (magatama) que trazia ao peito, mergulhou-o na água auspiciosa e o agitou; nasceram cinco deuses: Ame no Oshihomimi no Mikoto, Ame no Hohi no Mikoto, Amatsuhikone no Mikoto, Ikutsuhikone no Mikoto e Kumanokusubi no Mikoto.
Naturalmente, isso é uma metáfora. Na realidade, naquela ocasião, Susanoo convocou três damas de companhia, e Amaterasu Ōmikami, cinco importantes vassalos, pois ambos os deuses pretendiam fazer um juramento, tendo como testemunhas esses cinco homens e três mulheres. O conteúdo do juramento era que, tendo como centro o Lago Biwa de Omi, chamado Lago Shiga, e também a referida Água Verdadeira do Céu, a região leste seria governada por Amaterasu Ōmikami, e a região oeste, por Susanoo no Mikoto.
Em outras palavras, era o que hoje chamamos de tratado de paz. Com isso, obteve-se uma paz temporária. No entanto, como Susanoo continuava sem demonstrar intenção de se recolher, ocorreu o exílio definitivo. Esse episódio é conhecido como o Juramento de Yashimagahara. Acredita-se que o fato de existir até hoje, na margem leste do Lago Biwa, uma vila chamada Yashimagahara seja uma referência a esse local. (Nota: atualmente, existe um lugar chamado Yashimazaki, Oaza Noda, Nakasu-chō, Yasugun, Província de Shiga.) Aqui, preciso escrever sobre a deusa conhecida popularmente desde a antiguidade como Otohime, do Palácio do Dragão.
Para isso, é necessário recuar um pouco no tempo. Izanagi e Izanami no Mikoto tiveram cinco filhos: três homens e duas mulheres.
O primogênito era o Imperador Izunome; o segundo, o Imperador Amaterasu; o terceiro, o Deus Susanoo no Mikoto; a primogênita, Wakahime no Mikoto; e a segunda, Hatsuwakahime no Mikoto. Izanagi no Mikoto determinou que, primeiro, Izunome no Mikoto governasse o Japão; em seguida, o Imperador Amaterasu; e depois, a Imperatriz Amaterasu. Quanto a Susanoo no Mikoto, desde o início foi designado para governar a Coreia. A deusa que se tornou sua esposa era, naturalmente, uma princesa nascida na Coreia. Essa princesa tornou-se a esposa do irmão mais novo. Como era a "princesa do irmão mais novo" (otohime), isso foi contraído para "Oto", e passou a ser chamada de Otohime. Desde a antiguidade, também foi chamada de Otomehime, mas isso provavelmente se deve ao fato de que, em seu nome coreano de solteira, havia o caractere "arroz" (kome).
Como dito acima, Otohime, a princesa-esposa do irmão mais novo, com a partida de seu marido para uma jornada errante, passou a levar uma vida solitária. Não demorou muito para que ela retornasse à sua terra natal, a Coreia, onde construiu um magnífico castelo, cercou-se de muitas damas de companhia no palácio e guardou o leito vazio. Nessa época, um jovem chamado Taro, natural da região de Shinshu, gostava de pescar e sempre saía ao mar a partir da costa de Hokuriku. Certa vez, foi surpreendido por uma grande tempestade e, com dificuldade, foi salvo ao ser levado para a costa coreana. Naquela época, os japoneses eram uma raridade, e não é de estranhar que ele tenha sido convidado a entrar no palácio real, onde a entrada de homens era proibida.
A rainha da época, a princesa Otohime, talvez não suportasse mais a solidão; o fato é que, tendo-lhe sido concedida uma audiência, o jovem Taro era dotado de uma beleza raríssima no mundo, e ela não conseguiu conter seus sentimentos. Apaixonou-se perdidamente à primeira vista e, sob algum pretexto, acabou permitindo que ele permanecesse no castelo. Dessa forma, seu amor por Taro tornou-se cada vez mais ardente, e ela o mantinha a seu lado dia e noite, sem se separar dele. Isso acabou chegando aos ouvidos do povo, e as críticas tornaram-se cada vez mais veementes.
Assim, ela teve que romper um afeto difícil de romper. Colocou tesouros magníficos em uma caixa e, como presente de despedida, deu-a a Taro, permitindo-lhe retornar ao seu país. Esta é a famosa Caixa de Tesouros (Tamatebako). A lenda de que, ao abri-la, a pessoa envelhece e fica com cabelos brancos é provavelmente uma invenção de alguém.
Quanto ao sobrenome Urashima, como a Coreia fica "atrás" (ura) do Japão, algum autor de épocas posteriores deve ter atribuído esse sobrenome. Na época em que Otohime era a rainha da Coreia, tanto o Japão quanto a China foram dominados, e pode-se dizer que a região a leste da Índia estava sob a esfera de influência coreana. Isso se devia, naturalmente, ao fato de Susanoo no Mikoto ter tido, por um tempo, um poder avassalador, e também porque a deusa Otohime era uma heroína que superava os homens.
Foi nessa época que o Bodhisattva Kannon, tendo concluído seu Plano Divino na Índia, estava a caminho de retornar ao seu país e chegou à região de Tan, na China. Percebendo que o Japão ainda estava impregnado de uma atmosfera perigosa, decidiu permanecer por um tempo naquela terra.
Foi a partir de então que ele passou a ser chamado de Kanzeon. A razão é que, durante sua estada na Índia, ele contemplava diretamente o mundo de Jizaiten como realidade, sendo chamado de Jizai. Agora, passou a observar silenciosamente o mundo de Otohime, sendo então nomeado Kanzeon. Ou seja, lendo "Kannon" ao contrário, significa "observar o mundo de Otohime".
Dessa forma, o Bodhisattva passou a ensinar o povo da região de Tan, na China. Como era um Bodhisattva de virtudes elevadas, os povos das regiões vizinhas, como crianças que anseiam pelos pais, foram se aproximando e se reunindo. Foi a partir de então que a fé em Kannon se espalhou por toda a China. No entanto, com o passar dos anos, e tendo seu Plano Divino sido praticamente concluído, ele finalmente faleceu naquela terra. E, até hoje, em toda a China, incluindo o Nordeste da China (nota: antiga Manchúria), Mongólia e Tibete, somente a fé em Kannon permanece inabalável. Há uma razão profunda para isso, que explicarei aos poucos.
O que é lamentável aqui é que, embora devesse haver vestígios de Kannon na região de Tan, na China, não há nenhum. Isso se deve inteiramente ao fato de que aquela região foi repetidamente devastada por guerras e incêndios, resultando na destruição de tudo o que existia na superfície, o que é, afinal, inevitável.
Miroku San-e
Tijotengoku, publicado em 1 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
No budismo, desde os tempos antigos existe a expressão "Miroku San-e" (Três Assembleias de Miroku), mas isso permaneceu, até hoje, encoberto por um véu de mistério, sendo completamente desconhecido; por isso, desta vez, pretendo esclarecê-lo. Em primeiro lugar, as "Três Assembleias de Miroku" significam, como a própria leitura indica, o encontro dos três corpos de Miroku ao mesmo tempo.
Os três corpos de Miroku são, obviamente, Shaka, Amida e Kannon. Assim, Shaka é o Miroku do Corpo de Recompensa, Amida é o Miroku do Corpo da Lei, e Kannon é o Miroku do Corpo de Manifestação.
Além disso, Shaka é o Miroku da Terra, Amida é o Miroku da Lua, e Kannon é o Miroku do Sol. Como digo repetidamente, segundo a ordem verdadeira, esses três santos correspondem ao Sol, à Lua e à Terra; ao Fogo, à Água e à Terra; e também ao cinco, seis e sete.
Somando esses números, obtém-se dezoito. Sobre esse número dezoito, está escrito no Ofudesaki da religião Oomoto: "Até agora, o Céu era seis, o Mundo Intermediário era seis e a Terra era seis, mas, como uma alma de um centésimo do Céu desceu à Terra, o Céu tornou-se cinco e a Terra tornou-se sete". No entanto, este significado é o mais profundo Plano Divino, e essa alma de um centésimo é justamente o Pochi, a Mani no Tama, a esfera (jóia) que realiza os desejos.
É por meio dela que nasce a era do cinco, seis e sete.
Além disso, o três, seis e nove também são chamados de Miroku, mas isso pretendo detalhar no último "Capítulo do Paraíso", portanto omito aqui. De todo modo, o número dezoito é o mais importante. Interpretando-o por meio dos caracteres, o "dez" (juu) é a forma de duas hastes unidas, uma vertical e outra horizontal; é também o símbolo de Deus e a forma da perfeição. O "oito" (hachi) é a forma de abrir e também tem o significado de inumerável.
Desde os tempos antigos, no budismo, o número dezoito é frequentemente utilizado. O Salão Kannon de Asakusa e o Templo Zenkoji têm dezoito ken (medida) de cada lado, e o dia de peregrinação mensal também é o décimo oitavo dia. Dobrando dezoito, obtém-se trinta e seis, que é Miroku. O sino da véspera de Ano Novo é tocado cento e oito vezes, e o rosário também tem cento e oito contas. Fala-se também das cento e oito aflições. Neste caso, o cem é formado por dez vezes dez, e tudo isso contém o significado de Miroku.
Aqui, interpretarei o significado de Izunome. Izunome, em termos de números, é cinco e três.
Isto é, cinco é Izu, Fogo, e três é Mi, Água. Portanto, é Kami, Deus. É também Fogo e Água, Izu e Mizu, Izunome. E a união íntima do Fogo e da Água é a luz, e o caractere também é assim. Ou seja, o caractere "luz" (hikari) é formado inserindo-se um traço horizontal no meio do caractere "fogo" (hi).
O traço horizontal é a água, portanto está muito bem feito. Vendo isso, pode-se compreender que os caracteres foram criados por Deus. No entanto, apenas a luz é composta de Fogo e Água, duas forças, e é necessária a adição de mais uma força, a Terra. Por isso, quando a luz atravessa o corpo físico, como o corpo físico é a Terra, surge a força da trindade. Se considerarmos esse significado, o Johrei também deve ser bem compreendido. Voltando ao assunto, eu disse anteriormente que Shaka e Amida eram de raça indiana, mas isso foi apenas para contrastá-los com Kannon.
Na origem, eles são, afinal, deuses do Japão, apenas seus corpos espirituais é que foram transferidos para lá. Esses espíritos são: Shaka é Wakahime no Mikoto, e Amida é o Deus Susanoo no Mikoto. Portanto, é preciso saber que o povo que até então adorava o Grande Deus Soberano (Daijizaiten) na Índia é que é a verdadeira raça indiana. Em seguida, escreverei algo interessante. Como Kannon nasceu do budismo, o budismo é seu pai e sua mãe, e Shaka, o fundador do budismo, é o pai dos pais. Então, a Deusa Izunome, que deu à luz Shaka, torna-se, por assim dizer, a mãe e a antepassada.
E como essa Deusa se torna Kannon, pode-se perceber, por este ponto, que os Budas são encarnações dos Deuses. Assim, Shaka, sendo a Terra, realiza a função de gerar, e Amida, sendo a Lua e o feminino, pode ser chamada de mãe de Kannon. Em outras palavras, tanto a Terra quanto a Lua têm o significado de gerar o Sol, e a realidade do universo também é assim. Há também a lenda antiga da Santa Mãe Real (Seiobo) da China. Diz-se que a Santa Mãe Real é uma encarnação do Deus da Lua, e que em seu jardim há um pessegueiro que dá frutos uma vez a cada três mil anos, e que estes são oferecidos como tesouros preciosos ao Grande Deus do Céu.
Também a lenda indiana de que a cada três mil anos nasce um Bodhisattva Chakravartin, e que quando esse Bodhisattva aparece, todos os povos são salvos e este mundo se torna o Paraíso, a Terra da Felicidade, pode ser considerada uma profecia do que está por vir. E esse Bodhisattva Chakravartin deve ser outro nome de Kannon, o Rei Chakravartin. Além disso, penso que não se pode negar que o Deus Tenri-O no Mikoto, o Mestre da religião Tenrikyo, também está relacionado a isso. Amida também é chamado de Bodhisattva da Luz Lunar, e Kannon é o Grande Sol Tathagata (Dainichi Nyorai). Em outras palavras, os dois veneráveis são a Lua e o Sol, e isso também tem o significado de marido e mulher.
Isso está bem representado nos templos budistas de várias partes do Japão. Ou seja, onde Kannon é venerada, há sempre um Grande Buda (Daibutsu), pois o Grande Buda é Amida. E o fato de Kannon ser venerada dentro do santuário, com uma imagem pequena, e o Grande Buda estar sentado do lado de fora, sendo grande, significa que Kannon é a divindade do interior do Japão, e Amida é a divindade das terras estrangeiras. Além disso, o corpo principal de Kannon é uma imagem de ouro de um sun e oito bu (medida, aproximadamente 5,45 cm), enquanto Amida é uma estátua de metal dourado ou uma estátua de madeira folheada a ouro, sendo a grande considerada boa. Tudo isso pode ser compreendido.
A Deusa Izunome
Tijotengoku nº 29, publicado em 25 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
O que foi exposto no item anterior representava o governante da época em que prosperava o chamado Bramanismo, ou o Grande Deus Soberano. Naquela época, como já foi dito anteriormente, as divindades do antigo Japão atravessaram para a Índia e tornaram-se Budas encarnados. A líder desses Budas encarnados era a Deusa Izunome, que ocupava a mais alta posição no Japão daquela época. No entanto, por volta desse período, as divindades da Coreia, tendo Susanoo no Mikoto como figura central, vieram para o Japão e, almejando a posição da Deusa Izunome, fizeram suas exigências. Como não obtiveram consentimento facilmente, passaram a usar de intimidação e perseguição, que acabaram por ameaçar até mesmo Sua vida.
Assim, Ela abandonou rapidamente Seu posto, distraiu os demais com uma transformação, evadiu-se em segredo do Japão, atravessou a China e buscou refúgio na Índia. Sob o nome de Kanzeon-Bosatsu, foi então construída uma nova e pura morada, no topo de uma montanha não muito alta, chamada Fudaraku, na costa sul da Índia daquela época, para que Ela pudesse residir em paz. Assim está registrado no Sutra do Lótus da Compaixão, que diz: "Kanzeon-Bosatsu, acompanhado por vinte e oito divisões de seguidores, sobre um gramado macio no Monte Fudaraku, sentou-se em posição de lótus sobre um trono de diamante e prelecionou o Dharma."
Naquela época, o jovem Shakyamuni, ainda chamado de Príncipe Zenfu, ao ouvir essa preleção, ficou profundamente impressionado com aquele ensinamento excepcional e, com o espírito renovado, abandonou sua posição de príncipe herdeiro, conhecido como Príncipe Siddhartha. Com grande determinação, afastou-se da sociedade mundana, então em desordem, e adentrou imediatamente as profundezas da montanha Dandaka. Sob a árvore Bodhi — também chamada de oliveira —, sentou-se calmamente sobre uma rocha e, com total concentração, dedicou-se intensamente ao treino espiritual para ingressar no Caminho da Iluminação.
Há várias teorias conflitantes sobre a duração desse treino espiritual, mas a mim foi revelado que foram sete anos. Assim que completou seu treino e saiu da montanha, ele finalmente começou a expor o Dharma Budista como Shakyamuni Nyorai. Portanto, a verdadeira origem do Budismo foi, de fato, a Deusa Izunome do Japão. Há ainda um fato que não pode ser ignorado como evidência de que o Budismo se originou no Japão: a expressão "matsuji suijaku", frequentemente louvada no Budismo. Segundo minha análise, "matsuji" refere-se ao país de origem, ou seja, o Japão, e "suijaku" significa, naturalmente, derramar o ensinamento.
Ou seja, há um significado oculto: no final, o ensinamento de Buda deve ser derramado uma vez em todo o Japão, sua terra natal, e, ao mesmo tempo, deve-se fazer desabrochar a flor do Buda e produzir os seus frutos.
Outro ponto é a figura de Kannon: Sua característica mais peculiar é o cabelo negro e liso, traço exclusivo dos japoneses. Em contraste, Shakyamuni e Amida têm cabelos avermelhados e crespos, completamente diferentes, o que evidencia que ambos os Nyorai eram indianos. A coroa e os colares de Kannon também atestam Sua elevada posição, e o capuz que Ela usa é a Sua forma de se ocultar.
Entre os discípulos de Shakyamuni havia um notável chamado Bodhisattva Hozo. Ele se afastou de Shakyamuni por um tempo e praticou treino espiritual em outra região. Ao completar seu treino, um dia visitou Shakyamuni e disse: "Agora, escolhi uma terra sagrada a oeste da Índia e construí o Templo Jetavana, nomeando-o de Terra Pura do Extremo Gozo. O propósito é que, de agora em diante, de acordo com os ensinamentos do Bhagavan, aqueles que obtiverem a qualificação de um desperto, ou seja, um Buda, sejam enviados para lá. Se assim for, eu os farei habitar na referida Terra Pura do Extremo Gozo, também chamada de Terra Pura da Luz Silenciosa, e os farei permanecer para sempre no estado de êxtase e deleite do Dharma." E assim fez a promessa. "Luz Silenciosa" (Jakko) significa, na verdade, "uma luz solitária", e por isso é a luz da lua. No entanto, quando esse Bodhisattva Hozo faleceu, tornou-se o Dharma-nome de Amida Nyorai e, no mundo espiritual, passou a salvar todos os seres sencientes.
Ou seja, Shakyamuni salva no mundo material, e Amida, no mundo espiritual. Kanzeon-Bosatsu, por fim, mudou Seu nome para Kannon-Bosatsu. Diz-se que Seu nome em sânscrito era Avalokiteshvara, mas depois foi traduzido e denominado "Kannon" pelo estudioso Kumarajiva, na China. Sobre esse nome, porém, paira um profundo mistério, do qual passarei a tratar.
A Origem do Budismo
Tijotengoku nº 29, publicado em 25 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Quanto ao fato de a imagem sagrada principal de Kanzeon-Bosatsu ser a deusa Izunome, já o informei repetidas vezes anteriormente; mas o que se deve compreender a respeito é que ela é, originalmente, a raiz e o fundamento do corpo de Buda. Quando falamos em Buda, existem, na verdade, dois tipos: o corpo de Buda do futuro e a encarnação de um deus.
O Buda do futuro surgiu há aproximadamente dois mil e seiscentos anos, a partir da época de Shakyamuni. Até então, a atual Índia era chamada de Reino de Getsushi, e naquele país a religião bramânica já atingira, havia muito tempo, o auge de sua prosperidade. Essa religião não possuía doutrinas propriamente ditas; buscava apenas apreender a verdade do universo por meio de práticas ascéticas corporais.
Os arhats que ainda hoje vemos em pinturas e esculturas são representações dessas práticas ascéticas. Como se pode ver por essas imagens, subiam em árvores, construíam algo como ninhos de pássaros e ali permaneciam em meditação silenciosa por anos a fio. O eminente monge da época, o mestre Chōso Zenji, fazia o mesmo, e havia quem, com um modelo de pagode sobre a palma da mão, permanecesse imóvel por anos. Todos, em posturas estranhas e singulares, praticavam a meditação sentada de mãos postas, causando estranheza em quem os via.
Nos casos mais extremos, fincavam muitos pregos em uma tábua e sobre ela se assentavam para meditar, de modo que as pontas perfuravam as nádegas, causando hemorragia e sofrimento indescritível. Como essa resistência, porém, era considerada o próprio treino espiritual, trata-se de algo inimaginável nos dias de hoje.
Quanto ao grande mestre Bodhidharma, passou longos anos — nove, ao todo — diante de uma parede, em meditação sentada e contemplação contínuas, de modo que suas práticas ascéticas não deviam ser comuns.
Farei aqui uma breve explanação sobre Bodhidharma. Além do grande mestre Bodhidharma da Índia, surgiu também na China, há cerca de mil e duzentos a mil e trezentos anos, um outro Bodhidharma, homem igualmente extraordinário — e os dois são facilmente confundidos. Li um registro bastante confiável segundo o qual o Bodhidharma da China veio ao Japão na época do Príncipe Shotoku e teve uma audiência com ele. Voltando ao assunto: por que os ascetas brâmanes realizavam práticas tão severas?
Naquela época, muitos buscadores da verdade competiam para conhecer a verdade do universo e encontravam nas práticas ascéticas o método para tanto — algo semelhante ao que hoje se busca por meio do estudo acadêmico, na conquista de um título de doutor, de fama ou de posição social. Outra história interessante sobre Bodhidharma é a de que, numa noite do nono ano de meditação diante da parede, ao erguer os olhos e contemplar a lua cheia, no instante em que sentiu a luz do luar iluminar-lhe profundamente o peito, alcançou subitamente a grande iluminação e a perfeita compreensão, e sua alegria atingiu o ápice. A partir de então, conta a lenda que Bodhidharma, como se enxergasse a verdade, dava respostas claras a qualquer questão difícil e, como asceta excepcional de sua época, granjeou a veneração e a confiança de muitas pessoas.
Na Índia daquela época, tal como a Grande Deusa Amaterasu no Japão, o centro da reverência e do temor do povo era o Grande Deus Maheshvara. Havia também vários outros nomes, como o Grande Deus Virupaksha e o Deus Shakra, que aparecem em sua maioria no mandala da seita Nichiren, como se pode constatar ao observá-lo. De todo modo, é inegável que a religião bramânica dominava a sociedade de forma esmagadora. Foi então que, subitamente, surgiu — nem é preciso dizer — o Tathagata Shakyamuni. Escreverei sobre essas circunstâncias mais adiante, mas, em suma, o Príncipe Siddhartha, então príncipe herdeiro, após completar seu treino espiritual, tornou-se o Grande Iluminado e saiu das montanhas. Compreendeu a verdadeira natureza dos mundos espiritual e material e, com compaixão grande e ardente, fez o voto supremo de salvar todos os seres sencientes. Como primeiro meio para isso, revelou ao mundo o método de obter a iluminação pela leitura dos sutras.
Ao pregar isso amplamente às massas, causou, como era de se esperar, uma grande sensação na sociedade da época.
Afinal, naquela época as práticas ascéticas de estilo bramânico eram consideradas as únicas possíveis, de modo que não é de se estranhar tamanha alegria diante da recitação de sutras — um treino espiritual comparativamente fácil, que veio substituir aquelas práticas. As massas passaram a admirar a virtude de Shakyamuni e, dia após dia, mês após mês, surgiam pessoas que se refugiavam na porta do Budismo, até que, por fim, não é de admirar que ele se tenha tornado, na Índia, o objeto de fé, como salvador do mundo. Dessa forma, acabou por converter toda a Índia ao Dharma do Buda — e essa é a origem do Budismo. A partir de então, na Índia, o poder dos brâmanes, antes tão grande, definhou naturalmente e foi se tornando inativo. Isso, porém, não significou sua extinção completa; ainda hoje uma parte permanece, e diz-se que ascetas de várias escolas realizam milagres notáveis. Parece haver até estudiosos ingleses que vão à Índia estudá-los com afinco. Li um registro sobre isso há alguns anos e ainda me lembro de que nele estavam listados inúmeros milagres esplêndidos.
Seja Daijo
Tijotengoku nº 30, publicado em 25 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Como sempre digo, o mal do Daijo é o bem do Shojo, e o mal do Shojo é o bem do Daijo. Há, porém, fiéis que tendem a esquecer esse ponto crucial, e é preciso que reflitam profundamente sobre ele. Para facilitar a compreensão: observar tudo de uma perspectiva ampla é a visão do Daijo. Explico melhor: há casos em que aquilo que se faz com empenho, crendo ser o bem, acaba, inesperadamente, por se tornar um obstáculo para a nossa Igreja. É justamente esse tipo de pessoa que tende a confiar demais na própria força e no poder humano, esquecendo-se, sem perceber, do importante poder de Deus. Creio que todos guardam alguma lembrança disso. Ouço também, com frequência, o seguinte: as pessoas estranham que alguém, embora atue com bastante dedicação, não obtenha o desenvolvimento proporcional ao esforço, e se perguntam qual seria o motivo.
Isso se deve justamente à fé do Shojo. Quem tem a fé do Shojo torna-se rígido e restrito e, como as pessoas não se sentem atraídas a se reunir, não há desenvolvimento. O pior é que, de tão tendenciosa, essa pessoa perde o senso comum e passa a agir e falar de maneira excêntrica. Vendo isso, as pessoas de bom senso passam a considerar a nossa Igreja uma religião de superstição inferior e a desprezá-la — por isso é preciso ter grande cuidado com esse ponto. Há, por outro lado, pessoas que, mesmo sem parecer tão dedicadas, desenvolvem-se de modo surpreendente. Isso ocorre porque, de fato, compreendem e praticam a fé do Daijo.
Outra coisa que quero dizer: são justamente as pessoas de fé do Shojo que tendem a querer julgar o bem e o mal dos outros. Isso também é algo que sempre digo: julgar o bem e o mal alheios é um erro imperdoável. O bem e o mal do ser humano, ninguém além de Deus pode conhecer. Portanto, um ser humano, em sua condição limitada, dizer o que é bom ou mau é uma arrogância que usurpa o lugar de Deus — e não se sabe o quanto isso O blasfema; não há desrespeito maior do que esse. Acima de tudo, é justamente esse tipo de pessoa que, presunçosa e arrogante, por não ter virtude humana, não só deixa de se desenvolver como também tende a causar problemas graves. Para dar um exemplo disso, basta olhar para o Japão antes do fim da guerra.
O que toda a nação fez com a vida, empunhando a bandeira do patriotismo e da lealdade ao imperador, resultou naquela situação. Este Caminho Perfeito se aplica a tudo, em maior ou menor escala. De fato, naquela época todos agiam acreditando que aquilo era correto e bom. Mas esse bem era o bem do Shojo, e a consequência foi o castigo por uma concepção egoísta: se o próprio país estivesse bem, não importava o que acontecesse com os demais. A esse respeito, publiquei recentemente um artigo intitulado "Seja um Cidadão do Mundo", que trata exatamente disso: mostrei que, a menos que seja o bem do Daijo, ou seja, o bem mundial, não se pode considerá-lo o verdadeiro bem. Se tivéssemos seguido essa linha de pensamento, não haveria possibilidade de ocorrerem guerras de invasão, e certamente não teríamos passado por uma situação tão trágica. Hoje estaríamos desfrutando da paz e seríamos um país respeitado pelo mundo.
Em outras palavras, também no amor existe o amor de Deus e o amor humano. O amor de Deus é o amor do Daijo e, por isso, ama infinitamente toda a humanidade. Já o amor humano é o amor do Shojo — por isso é limitado, restrito ao amor egoísta, aos próprios companheiros ou ao próprio povo, e sua conclusão é o mal. Compreendido esse significado, os fiéis devem, em tudo, agir segundo o Daijo, isto é, intermediar a graça divina guardando firmemente no coração o amor de Deus, o que certamente trará bons resultados. Assim, enquanto se agir tendo como coração a vontade de Deus e se enfrentar as situações com um amor imparcial, é natural que todos se relacionem com alegria e que as pessoas se reúnam com prazer. Escrevo aqui, conforme senti recentemente, que não há dúvida de que isso leva ao desenvolvimento.
A Magia da Teoria Acadêmica
Tijotengoku nº 10, publicado em 20 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Pode-se dizer que o homem moderno vive sob o feitiço da teoria acadêmica.
Basta mencionar a palavra "teoria" para que ele acredite nela incondicionalmente, como se fosse absolutamente infalível. A teoria acadêmica, porém, não é absoluta, pois está em constante mudança. Por exemplo, acreditou-se por muito tempo que a doença pulmonar era hereditária, mas recentemente surgiu a teoria de que não é. O mesmo ocorre com a hanseníase. Hoje se diz que a causa da encefalite japonesa é a transmissão por mosquitos, mas garantimos que, em breve, também isso será tido como um erro. A tuberculose, por sua vez, era tratada com banhos de sol — prática muito popular em certa época —, mas hoje se considera que isso, ao contrário, é prejudicial. Quanto à apendicite, por exemplo, ainda não parece haver resposta definitiva sobre a aplicação de frio ou calor.
O mesmo vale para os medicamentos. Como remédios específicos para a tuberculose, surgem e desaparecem, alternadamente, a cefarantina, a penicilina e, mais recentemente, a estreptomicina.
Como se pode ver por esses exemplos, as teorias acadêmicas da medicina são como modas: estão sempre em voga ou caem em desuso e, por isso, dificilmente têm caráter absoluto. É verdade que se pode argumentar tratar-se do processo de progresso. Ainda assim, diversamente do que ocorre com as modas, quando está em jogo a vida humana, as pessoas que se tornam vítimas desse processo nada mais são do que cobaias dignas de compaixão.
Assim, o problema do homem moderno consiste em dar mais importância à teoria acadêmica do que aos resultados. É interessante notar que há muitas pessoas que, embora saibam que o Johrei da nossa Igreja cura, dizem que não se submeterão a ele a menos que haja uma explicação teórica. Não há outra forma de explicar isso senão dizer que essas pessoas estão completamente enfeitiçadas pela teoria acadêmica. Explicar o Johrei com as teorias acadêmicas atuais, porém, é extremamente difícil, pois a verdadeira teoria do Johrei está mais de um século à frente das teorias modernas, sendo impossível para o homem moderno compreendê-la — é como dar uma aula universitária a um aluno do ensino fundamental. Se o homem moderno despertar para esse ponto e passar a valorizar, acima de tudo, os fatos vivos e seus resultados, relegando a teoria acadêmica a segundo plano, quantas pessoas não seriam salvas?
A esse respeito, encontrei o seguinte artigo no livro Por que o Comunismo é Mau?, do Sr. Hashimoto Tetsuma, publicado recentemente, e creio que seja uma referência útil.
A Medicina Moderna e Marx
Certa vez escrevi um artigo intitulado "A Medicina Moderna e a Doutrina de Marx". Fiz essa comparação porque a ilusão de Marx, autor de O Capital, e a ilusão dos médicos modernos são muito semelhantes. Os médicos modernos, por exemplo, estudam minuciosamente as doenças que se manifestam nos sintomas: investigam em detalhe a forma dos micróbios da tuberculose, como os pulmões são afetados quando eles se proliferam, como a imagem aparece no raio-X, o que é a diabetes, o que é a úlcera estomacal, e assim por diante. Com igual afinco e minúcia, estudam ainda os métodos de medicação para cada uma dessas doenças.
No entanto, por mais conhecimento dessa ordem que possuam, enquanto se limitarem a perseguir doenças já manifestadas, a era da saúde sem doenças jamais chegará para a humanidade. Se realmente desejam tornar o ser humano saudável e livre de doenças, devem, antes de tudo, concentrar-se no período anterior ao adoecimento, compreender o princípio que impede o ser humano de adoecer e ensiná-lo a todos.
Marx, ao estudar cientificamente as mercadorias, o capital, o trabalho, o dinheiro, a mais-valia etc., e ao apontar minuciosamente as irracionalidades sociais presentes entre eles, agiu exatamente como os médicos modernos, que estudam da forma mais científica e detalhada possível os sintomas que aparecem no corpo humano.
Ambos se ocupam de conhecimentos inúteis. Se Marx realmente se preocupava com esse estado da sociedade, deveria ter deixado de lidar com a realidade social já manifestada — ou seja, os sintomas — e, para erradicar a causa fundamental do surgimento de tal estado social, deveria ter ensinado uma mudança na mentalidade humana, baseada na apreensão de uma correta visão do universo, do mundo e da vida.
De fato, como dizem os budistas, os Três Mundos são manifestações da mente. Se a mentalidade de cada pessoa mudar, a natureza das mercadorias, do capital, do trabalho e do dinheiro que Marx via também mudará, e o estado social por ele descrito se transformará por consequência. Atualmente, entre os empresários, não são poucos os que, em vários lugares, visando não o lucro próprio, mas exclusivamente o serviço à sociedade, estão alcançando uma cooperação entre capital e trabalho de um tipo que Marx jamais imaginou (vide meu livro Devemos Ser Otimistas na Vida). Isso demonstra que, se o ser humano mudar sua mentalidade, a sociedade também mudará em conformidade.
Marx, que não percebeu isso, foi um iludido e formou um par perfeito com os médicos modernos — que, sem saber como eliminar a causa fundamental das doenças, insistem em combatê-las.
A Situação Atual e o Mundo Espiritual
Tijotengoku nº 21, publicado em 25 de fevereiro do ano 26 da Era Showa (1951)
A situação mundial atual apresenta, de fato, um aspecto de crise em larga escala como nunca antes visto na história. A ideia de que a Terceira Guerra Mundial é absolutamente inevitável deve ser, naturalmente, a noção que domina o pensamento da maioria das pessoas no mundo. Afinal, tratando-se de um problema grave que envolve diretamente mais de cinquenta países, a magnitude de seu impacto também é algo sem precedentes. Essa, porém, é apenas a aparência do mundo atual que salta aos olhos de todos. Se tudo neste mundo tem sua origem no mundo espiritual, é evidente que, sem compreender a realidade desse mundo espiritual, não se pode apreender a raiz do problema. É conhecendo isso, em primeiro lugar, que se pode ter uma perspectiva para o futuro e obter uma tranquilidade genuína. Por isso, escreverei sobre o assunto agora.
Em primeiro lugar, o Plano Divino de Deus Supremo, para a futura construção do Paraíso Terrestre, exigia que a cultura material se desenvolvesse e progredisse até certo ponto. Foi com esse propósito que o bem e o mal foram criados — pois foi através do atrito entre ambos que se formou a esplêndida cultura material que vemos hoje, e agora estamos a um passo da manifestação do Paraíso. Isso é algo que sempre explico, mas é necessário retomá-lo antes de entrar no assunto principal, para que os novos leitores possam compreender. No mundo espiritual, desde a criação do ser humano, já se havia iniciado a luta entre os próprios homens.
Entre eles, os mais fortes, movidos pelo desejo de monopolizar tudo o que a região de sua época abrangia e de dominar a seu bel-prazer, empregaram, para realizar tal intento, uma violência que não distinguia o bem do mal — exatamente como ocorre hoje. Com isso, a sabedoria humana foi se desenvolvendo gradualmente e, à medida que a população aumentava, a escala dos conflitos também se expandia, até chegar ao que vemos hoje. Quem, porém, há mais de dois mil e quinhentos anos, elaborou o plano para obter a hegemonia mundial como se vê atualmente foi o grande e poderoso ser espiritual do mundo espiritual, o Dragão ○○. Esse Dragão, apossando-se de um deus chamado ○○○-no-Mikoto, tentou dominar o mundo por meio de toda sorte de violência, sem escolher meios para atingir seus objetivos. Por um momento pareceu ter sucesso, mas fracassou quando já estava a noventa e nove por cento do caminho, e finalmente recebeu o severo castigo de Deus, arrependendo-se e voltando a ser um deus benigno.
Em seguida, o Dragão ○○ passou a se apossar de pessoas influentes de cada época, tentando realizar sua ambição de conquistar o mundo, e falhando todas as vezes. Ainda assim, não aprenderam a lição e, até hoje, continuam a lutar obstinadamente. Todos os grandes heróis e valentes da antiguidade foram exatamente isso: embora por um tempo tenham sido os heróis de sua era, com um poder capaz de fazer cair os pássaros em pleno voo, no final fracassaram e, chegando ao seu ocaso, pereceram de forma lamentável e efêmera, como os fatos históricos deixam claro. Na era moderna, César, Napoleão, o Kaiser, Hitler e outros foram, naturalmente, também assim. Só com o que foi escrito até aqui já se pode ter uma noção geral da raiz da situação atual. Eu sempre chamo esses heróis de "mestres do papel de destruidores do mundo".
Afinal, o mundo até agora não conheceu uma verdadeira civilização; e, como os próprios seres humanos ainda retinham metade de sua natureza selvagem, cometeram, espiritualmente falando, não poucos pecados e acumularam impurezas. Por isso, de tempos em tempos, surge a necessidade de um processo de purificação, para o qual são necessários tanto o papel de destruidor quanto o de limpador. Compreende-se, assim, que o surgimento dos heróis que atuam como limpadores não passa de uma manifestação do Plano Divino de Deus Supremo — e, portanto, que tanto a indignação quanto o desespero não têm grande sentido. Por fim, escreverei um pouco sobre mim.
No ano passado, de maio a junho, em razão de um infortúnio, fui atormentado pela vida na polícia e na prisão. Naquela ocasião, os senhores promotores de justiça estavam todos possuídos por membros da linhagem do Dragão ○○ e me atormentavam.
Quando a forma de atormentar se tornava excessivamente severa, meu deus guardião a moderava um pouco, e eles se davam por satisfeitos. Assim, mesmo aqueles oficiais foram, na verdade, influenciados e levados a agir pelo espírito mencionado. É certo, portanto, que, depois de algum tempo, se arrependerão, sem entender por que pensaram ou sentiram vontade de agir daquela forma na época. O que escrevi acima é apenas uma pequena parte do mundo espiritual, mas servirá como alguma referência.
Na verdade, se eu pudesse me aprofundar mais, tudo isso se compreenderia ainda melhor; mas lamento que, por razões do Plano Divino, não possa fazê-lo agora.
A Religião Messiânica e a Revolução Cultural
Tijotengoku nº 33, publicado em 25 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Do ponto de vista do mundo em geral, a nossa Igreja tem a religião como fachada; embora pareça um tanto peculiar, as pessoas provavelmente a consideram apenas uma seita religiosa emergente — e não sem razão. Afinal, até hoje nunca surgiu uma religião tão magnífica quanto a nossa. Como ela não pode ser compreendida pelos conceitos religiosos convencionais, e não havendo outro nome que se lhe pudesse dar, foi chamada, a contragosto, de Igreja Messiânica. Por que, então, não existe um nome apropriado? Porque nunca existiu algo com o caráter da nossa Igreja. Escreverei, portanto, em que ponto ela difere: além da religião, a nossa Igreja descobre todos os erros relacionados à cultura fundamental, busca fazer com que se conheça a verdadeira forma da cultura e indica claramente o seu método — sendo, por assim dizer, uma revolução cultural em larga escala.
Consequentemente, quando essa concepção da nossa Igreja se tornar conhecida em todo o mundo, toda a humanidade — e, em especial, a classe intelectual — lhe prestará enorme atenção.
De fato, desde os tempos antigos até hoje, surgiram, em cada época, visionários que realizaram feitos revolucionários em benefício da cultura; mas esses feitos se limitavam a um certo âmbito e careciam de perpetuidade, como se pode bem compreender observando o mundo atual. Entre os que, de todo modo, realizaram feitos notáveis, estariam as revoluções religiosas de Buda e de Cristo; também elas, porém, tiveram o aspecto espiritual como principal, quase sem tocar no aspecto material. Em termos de alcance, estavam basicamente limitadas ao Oriente ou ao Ocidente — o que era inevitável, pois, para a época, a cultura era extremamente primitiva e não havia condições como meios de transporte, diferentemente de hoje. Considerando, porém, que a cultura de hoje, já passada a primeira metade do século XX, progrediu decididamente, deve-se compreender que a grande revolução agora prestes a ser realizada por mim não é, de forma alguma, um sonho.
E, como processo, isso significa naturalmente destruição e criação; mas, mesmo falando em destruição, não se trata de algo externo, e sim de um acerto de contas consigo mesmo, por meio do julgamento de Deus, que será, ao mesmo tempo, a construção de uma nova cultura. Isso, quer se queira ou não, tem o seu momento a aproximar-se a cada instante.
Em outras palavras, o que é bom será preservado, e o que é mau será aniquilado. Sendo assim, é possível imaginar, em linhas gerais, o propósito de Deus.
Surge, porém, a dúvida se uma obra tão grandiosa, que parece quase fictícia, será realmente realizada ainda em nossa vida. E não é só isso: eu mesmo, a princípio, nunca sonhei com algo assim. Apenas pensei que, como religioso, queria salvar a humanidade ao máximo, e que essa era a minha missão vinda do Céu. Mas, à medida que esse trabalho progredia, ficou claro que eu havia sido incumbido de uma missão ainda maior, como a descrita acima.
Junto com isso, à medida que milagres surpreendentes ocorriam em sucessão, não pude deixar de tomar uma grande decisão. O maior desses milagres é que esta grande obra foi meticulosamente preparada pelo Deus que é o seu princípio, desde dezenas de milhares, centenas de milhares — ou melhor, milhões de anos atrás. Além de ter visto com os meus próprios olhos numerosos fenômenos suficientes para comprová-lo, compreendi também que as profecias de muitos santos, desde a antiguidade, eram sugestões disso. Não há necessidade de qualquer hesitação nesse ponto. Com uma fé inabalável como rocha sólida, dedico todo o meu corpo e alma e avanço com determinação na grande obra de salvação do mundo. Por isso, aos olhos de quem não sabe disso, pode parecer uma espécie de megalomania; mas, como o meu caráter é, originalmente, excepcionalmente cauteloso, e tenho uma timidez que de forma alguma me permite dizer falsidades — sendo, antes, do tipo de pessoa honesta até a tolice —, ainda assim digo algo extremamente audacioso, para que se possa imaginar o quanto estou convicto.
Johrei e Felicidade
Tijotengoku nº 34, publicado em 25 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
O Johrei da nossa doutrina parece ter, como único propósito, curar doenças; mas, na verdade, não é só isso — tem um significado muito maior, e é sobre isso que vou escrever. Em poucas palavras, o Johrei é um método que gera felicidade. Isso porque, mesmo quando falamos apenas de doença, trata-se, é claro, de purificação — cuja base é a ação de dissolver as nuvens espirituais, o que já nem precisa ser dito —, mas essa ação elimina também todo o sofrimento humano.
Portanto, tanto a pobreza quanto os conflitos são manifestações da purificação — é a isso que me refiro quando falo em doença, pobreza e conflito. Ora, entre todos os processos de purificação, a mais importante é a doença, pois está relacionada à própria vida; assim, se a questão da doença for resolvida, é natural que a pobreza e os conflitos também se resolvam por si mesmos. Isso é, naturalmente, a base da felicidade, de modo que fica evidente que a causa da infelicidade está inteiramente nas nuvens espirituais. Por isso, o método simples e seguro para dissolvê-las é justamente o Johrei — que, como disse no início, não se limita à doença. Deixe-me escrever com mais detalhes a respeito.
Como já escrevi antes, o corpo do ser humano vive no mundo material; e, uma vez que o espírito vive no mundo espiritual, o estado do mundo espiritual afeta diretamente o corpo espiritual, refletindo-se no corpo físico. Por isso, a raiz do destino mutável humano está no mundo espiritual. O mundo espiritual, assim como o mundo material, possui diversos níveis — superior, médio e inferior —, divididos, em linhas gerais, em três grandes planos. Cada um desses planos contém sessenta camadas, subdivididas em três grupos de vinte camadas, totalizando cento e oitenta e uma camadas. Como o Um é o Deus Supremo, todas as demais divindades, com exceção Dele, ocupam algum lugar entre essas cento e oitenta camadas.
O que acabei de dizer refere-se ao vertical; quanto ao horizontal, cada uma dessas camadas se expande de forma diferente, do inferno ao paraíso. Assim, supondo que se trate do próprio espírito de alguém: se essa pessoa estiver nas vinte camadas mais baixas dentro das sessenta inferiores, isso corresponde ao mais baixo dos infernos, um mundo repleto de sofrimento como nenhum outro, refletido no corpo como o fundo do poço da adversidade. Subindo às vinte camadas seguintes, a situação melhora um pouco; subindo ainda mais vinte camadas, melhora ainda mais — e assim, naturalmente, cada camada difere, uma a uma, em sua medida de sofrimento e prazer. Ao ultrapassar essas sessenta camadas inferiores, chega-se ao plano médio — isto é, o Mundo Intermediário, Yachimata —, que corresponde ao mundo material; e, ao passar do meio para as sessenta camadas superiores, chega-se ao paraíso, alcançando a condição de ser celestial, um estado de alegria e felicidade plena.
Como visto acima, o destino mutável de cada pessoa corresponde exatamente à camada em que seu espírito se encontra; por isso, deve-se buscar subir, ainda que uma única camada. Quanto mais alto se sobe, mais desaparecem as coisas dolorosas e sofridas, e mais a felicidade aumenta — pois deixa de haver necessidade do sofrimento que deve ser purificado. Por isso, enquanto o corpo espiritual estiver nas camadas inferiores, de nada adianta o ser humano esforçar-se ou usar de toda a sua inteligência. Essa é uma lei celestial de Deus, e o princípio de que o espírito é primordial e a matéria é secundária não pode, de forma alguma, ser violado. Portanto, para ser feliz, é absolutamente necessário purificar o espírito, tornando-o mais leve, e procurar, ainda que pouco a pouco, subir a uma camada superior — não existe absolutamente nenhum outro método além desse. E é justamente aí que reside o grande significado do Johrei.
A Alma de Izunome (Izunome no Mitama)
Tijotengoku, publicado em 25 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
Já falei e escrevi inúmeras vezes sobre a alma de Izunome; mas, ao que parece, é um tema tão difícil que pouquíssimas pessoas conseguem realmente pô-lo em prática. No entanto, não se trata de algo assim tão difícil: uma vez compreendida a base e transformada a prática em hábito, é possível praticá-la com surpreendente facilidade. A razão pela qual as pessoas não conseguem praticá-la é justamente essa ideia preconcebida de que é algo muito difícil; e penso que também há quem não a considere assim tão importante — por isso não posso deixar de escrever sobre o tema repetidas vezes.
Em poucas palavras, Izunome é o princípio de não se inclinar para nenhum dos lados, seguindo o caminho do meio. Não é Shojo, não é Daijo — ou melhor, é Shojo e Daijo ao mesmo tempo. Ou seja, é não correr para os extremos, não decidir as coisas de forma precipitada. Dito isso, é claro que aquilo que deve ser decidido precisa ser decidido; mas é justamente nesse discernimento que reside a dificuldade — é, por assim dizer, como cozinhar: não pode ser doce demais, nem salgado demais; é o ponto certo de tempero. O mesmo se pode dizer do clima: nem quente demais, nem frio demais, como o clima ameno da época do equinócio — essa é, sem dúvida, a estação mais agradável. Da mesma forma, se a disposição de espírito e as ações do ser humano se tornarem assim, é natural que a pessoa seja bem quista por todos e que tudo corra bem.
Mas, quanto ao ser humano de hoje, como ele é? Na verdade, tende fortemente a inclinar-se para um lado ou para o outro — e isso se manifesta claramente, por exemplo, no campo da política. Hoje se fala em direita e esquerda, defendendo, desde o início, princípios já inclinados para um lado. Por isso, o modo de pensar se torna extremista e, além disso, como o ego é forte, os conflitos nunca cessam ao longo do ano — o que se torna um grande prejuízo para a nação e para o povo. Nesse sentido, é natural que também a política precise seguir o modelo de Izunome; mas parece muito difícil encontrar políticos ou partidos que se deem conta disso. As pessoas capazes de se aproximar de nós, nesse sentido, são realmente muito poucas; e a própria causa da guerra também está aí — é, sem dúvida, o resultado do pensamento que tenta impor esses dois princípios extremos.
Examinando bem, também os conflitos no campo da fé derivam igualmente da diferença entre Shojo e Daijo — isto é, entre sentimento e razão. Nesse caso, basta encurtar pela metade o pilar vertical e também o pilar horizontal, e eles se igualam, permitindo uma solução harmoniosa. Pensando bem, portanto, a reconciliação também não é algo assim tão difícil. A esse respeito, é comum acontecer o seguinte:
Em qualquer campo há sempre conservadores e progressistas, e o mesmo se dá na religião. Observando o conflito entre esses dois grupos, vemos que o primeiro é formado por fiéis antigos, rigidamente apegados à tradição e avessos a qualquer novidade — poderíamos até chamá-los de “fiéis de topete samurai”. O segundo, embora progressista, inclina-se tanto para o novo que tende a rejeitar tudo o que é antigo. Daí nascem a divergência de opiniões e o conflito entre eles; mas, se ambos seguissem o modelo de Izunome, isso se resolveria sem dificuldade alguma. O essencial, mesmo na religião, é conhecer profundamente o espírito da época. No entanto, os religiosos tendem a ser indiferentes ao seu tempo — há até uma forte tendência a considerar isso positivo, tomando como regra sagrada tradições de centenas ou milhares de anos atrás. É verdade que a fé é algo espiritual, vertical, uma verdade eterna e imutável, e por isso não deve ser distorcida — isso está certo; mas o mesmo não vale para o Plano Divino, que pertence ao plano material e, portanto, deve mudar conforme a época. Ou seja, é o pleno funcionamento tanto do espiritual quanto do material — em suma, é preciso seguir sempre o modelo de Izunome.
Nesse sentido, é claro que, hoje, pensar que vivemos na mesma época de Shaka Buda ou de Cristo e tentar aplicar seus ensinamentos e métodos tal como eram não conseguirá, de forma alguma, tocar a alma do ser humano contemporâneo. É preciso compreender que o declínio das religiões estabelecidas se deve justamente a esse ponto. Em suma, basta entender que a atividade de Izunome é, ela mesma, a verdade fundamental de todas as coisas — e é por isso que sempre ensino o significado de Izunome; peço aos fiéis que compreendam bem isso.
Minha Luz
Tijotengoku nº 36, publicado em 25 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Tenho escrito diversas coisas sobre o budismo que ninguém, até hoje, havia explicado; mas tudo isso, naturalmente, são coisas que pude conhecer por meio da revelação divina, e os leitores certamente arregalarão os olhos de espanto. Se assim é, por que Deus não as revelou até hoje? A razão está inteiramente na época. A época, como já disse anteriormente, é um grande marco da transição da noite para o dia. Isto é: o Mundo da Noite, que perdurou por um longo tempo — o mundo da escuridão e da ignorância — está se extinguindo, e o Mundo do Dia, o mundo da luz resplandecente do sol, está se aproximando. No entanto, mesmo na noite escura, era possível ver os objetos até certo ponto graças à luz da lua, e os humanos, como um consolo, sentiam-se aliviados. Esse era o ensinamento da lua da Verdadeira Essência, ou seja, o budismo. Como dito acima, a luz da lua era uma claridade tênue, que não permitia ver com nitidez.
Afinal, a luz da lua tinha apenas um sexagésimo da intensidade luminosa do sol. Por isso, durante o período da noite, era natural que nada pudesse ser visto em profundidade — não apenas na religião, mas em todas as coisas. Em consequência, os humanos criavam ilusões e não conseguiam obter a verdadeira tranquilidade e paz espiritual.
No entanto, quando se faz dia, sob a luz do sol, todas as coisas sobre a terra são expostas com clareza e nitidez, de modo que não há nada que não se compreenda. Por isso, para mim, que crio a civilização do dia, é natural que tudo seja compreensível.
Examinando agora mais a fundo a relação entre mim e o Mundo do Dia, chega-se ao seguinte.
Em meu corpo habita a esfera (jóia) de luz — a esfera que realiza os desejos (Nyoi Hōju), como é chamada desde os tempos antigos. Já publiquei isso anteriormente, mas aqui escreverei em detalhes sobre a luz. À primeira vista, pode-se pensar que a luz é o próprio sol, mas não é assim: a essência da luz é a união íntima do sol e da lua. Sendo os elementos desses dois extremos a essência da luz, e habitando ela em meu corpo — que é o Elemento Terra —, forma-se a trindade do fogo, da água e da terra.
Mas, se é só isso, pode-se perguntar se as pessoas comuns são apenas terra. Não é assim: elas também possuem luz, cada uma a seu modo, ainda que pequena e fraca.
A força da luz que existe em mim, porém, é extremamente grande — dezenas de milhares de vezes, centenas de milhares de vezes, talvez até infinitamente maior que a das pessoas comuns —, e pode-se dizer que é quase inimaginável. Por quê? Por causa dos caracteres do Ohikari que escrevo quase diariamente. São três tipos: Luz, Grande Luz e Luz Imensa. Quando se coloca um deles no peito, ele manifesta instantaneamente o poder de curar as doenças das pessoas.
Essa força se deve à luz irradiada pelos caracteres do Ohikari. No entanto, quando os escrevo, não faço orações nem nada de especial: apenas escrevo cada um em uma folha, com notável velocidade. Em média, levo sete segundos para escrever uma folha, de modo que é fácil escrever quinhentas folhas por hora. Se uma única folha de papel pode curar as doenças de dezenas de milhares de pessoas, o efeito será o mesmo ainda que seja dada, no futuro, a dezenas ou centenas de milhares delas. Pode-se, assim, imaginar aproximadamente a força da luz que possuo — e, sendo eu alguém com um poder tão imenso, não há nada que eu não possa compreender.
Como os fiéis bem sabem, não importa o que me perguntem, nunca fico sem resposta. Além disso, quando pessoas distantes sofrem com doenças, muitas vezes pedem proteção por telegrama, e não são poucas as que, só com isso, recebem a graça. No momento em que isso chega aos meus ouvidos, uma parte da luz se divide e se conecta instantaneamente a essa pessoa, que assim recebe a graça por esse elo espiritual. A luz é, portanto, algo valioso, pois pode ser irradiada e conectada dezenas de milhares de vezes, não importa quão longe esteja. Para explicar de forma mais simples: o que é irradiado de mim são, por assim dizer, balas de luz. Escusado será dizer que a diferença em relação às balas comuns é que estas matam as pessoas, enquanto as minhas as fazem viver; aquelas são finitas, mas as minhas são infinitas. Esta é uma explicação geral, mas é apenas uma pequena parte do meu poder, e não é fácil explicar o todo.
Acima de tudo, o que importa é que as pessoas vejam, com os olhos bem abertos, o trabalho que realizarei daqui em diante. Quem usa a inteligência não deveria deixar de compreender isso, ao menos até certo ponto. Em termos de fé, pode-se entendê-lo como a correspondência entre o corpo e a alma. Portanto, os fiéis devem, nesse sentido, polir diligentemente o corpo e a alma, mantendo-os livres de nuvens espirituais. Assim obterão a iluminação correta e poderão compreender o poder e a virtude que possuo.
Heróis do Bem e Heróis do Mal
Tijotengoku nº 37, publicado em 25 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde os tempos antigos, em cada era e em cada nação, surgiram inúmeros heróis, guerreiros ilustres, santos e grandes homens. Examinando-se friamente, porém, os feitos dessas pessoas que se destacaram, percebe-se que, em linhas gerais, existem dois modelos. O primeiro é o do herói ou guerreiro ilustre que realizou grandes feitos, capazes de chamar a atenção das pessoas e de ficar registrados na história. Quase todos agiam sem escolher meios para atingir seus objetivos e, quanto maior era sua ambição, mais invariavelmente recorriam à violência brutal da guerra. Falando sem rodeios, isso não passa de assassinato e roubo em grande escala; dizendo de forma rigorosa, são grandes figuras do mal.
Em contrapartida, existem pessoas veneráveis que, detestando os meios do mal, procuraram salvar a humanidade da infelicidade por meio do amor e da compaixão, sem se arrependerem nem mesmo de sacrificar a própria vida. Esses são os verdadeiros heróis do bem. Eles brilham esplendidamente na história até os dias de hoje e, mesmo após séculos, continuam sendo objeto de veneração e ardente admiração por parte de muitos homens e mulheres devotos. Como é de conhecimento geral, são numerosos os que se convertem aos seus ensinamentos. Se chamarmos os primeiros de heróis do mal, portanto, podemos dizer que os últimos são heróis do bem. Quanto aos méritos que ambos deixaram para a humanidade, porém, há pontos que não podem ser julgados de forma uniforme.
Isso ocorre porque o Plano Divino é profundo, e a sabedoria humana é incapaz de medi-lo. A propósito, com relação aos locais sagrados de Atami e Hakone que estou construindo atualmente, muitos dos que os veem — embora sejam, em sua maioria, não crentes — dizem: “Mestre, o senhor se parece com Hideyoshi, não é mesmo?”. E eu respondo o seguinte: de fato, ao ver a maneira como realizo projetos audaciosos, como jardins e construções, talvez pensem assim, mas a raiz é completamente diferente. Hideyoshi, de fato, realizou empreendimentos em larga escala, como paisagismo e construção, e deixou vários feitos louváveis, como ordenar a Rikyu que completasse a arte e a cultura que coloriram a era Momoyama — especialmente a cultura de gosto japonês, como a cerimônia do chá. No entanto, a força que lhe permitiu realizar essas coisas foi, afinal, obtida por meio da guerra. Falando cruamente, portanto, não se pode negar que ele foi um assassino e ladrão em grande escala. É claro que foi um gênio heróico sem paralelo, especialmente superior em inteligência, e ninguém o igualava em sua grande habilidade para o Plano Divino; mas, no fim das contas, foi um herói do mal.
Diz-se que, quando Ishikawa Goemon foi capturado, ele teria dito: “Eu sou apenas um pequeno ladrão; não posso ser comparado a Sua Alteza o Taiko. Sua Alteza não é um grande ladrão que roubou o país?”. Penso que isso também tem seu fundamento. O próximo a aparecer foi o famoso Ieyasu. Falando estritamente, este homem também tomou o país de Hideyoshi — ou seja, roubou algo que já havia sido roubado —, e pode-se dizer que também foi um herói do mal. Por outro lado, quando se trata dos heróis do bem, não há absolutamente nenhum ponto a criticar; mas nem por isso podemos elogiá-los incondicionalmente. Embora tenham de fato salvado a humanidade e realizado grandes feitos, quase todos representaram apenas um aspecto da atividade espiritual — o aspecto material foi verdadeiramente negligenciado. Entre eles, não parece ter havido nada digno de nota, exceto o fato de que o Buda Shakyamuni construiu o Jardim de Jetavana durante sua vida, o Bodhisattva Dharmakara criou a Terra Pura do Sukhavati, e o Príncipe Shotoku deu origem à arte budista. É verdade que isso pode ter se devido ao atraso da época; mas é certo que não houve um único grande homem capaz de manifestar poder tanto no aspecto material quanto no espiritual, a ponto de mover o mundo. Pensando assim, as pessoas consideradas grandes, até agora, dividiam-se entre heróis materiais e heróis espirituais.
Quanto a mim, pode-se dizer que não me inclino para nenhum dos dois lados, mas reúno ambos: espiritualmente, sou do tipo herói do bem; materialmente, do tipo herói do mal. Este último, porém, é o mal apenas no aspecto material, e seu conteúdo é completamente diferente. Por ora, é razoável comparar o que estou construindo com o que Hideyoshi fez; mas, no futuro, não se tratará de algo tão pequeno — é certo que expandirei o modelo de Hideyoshi em escala mundial. Isso porque Deus já havia preparado tudo suficientemente desde dezenas de milhares de anos atrás, e isso está agora sendo realizado passo a passo. Assim, embora pareça estranho dizer isso de mim mesmo, quero que pensem que sou um modelo de grande herói como nunca houve desde o início do mundo.
2. Política
Tijotengoku nº 11, publicado em 20 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949)
A Arte de Deus
Em primeiro lugar, partindo do pressuposto de que nós, como pessoas modernas, devemos reconhecer em que época estamos vivendo, o que pretendo dizer com isso?
Não é outra coisa senão isto: com a invenção do rádio e da televisão, a cultura material progrediu como num sonho, a ponto de podermos conhecer instantaneamente todos os acontecimentos que ocorrem no mundo inteiro.
O que isso significa, afinal? Este ponto é extremamente importante e, se não nos dermos conta dele, não deveríamos sequer ter o direito de falar sobre a cultura moderna.
As expressões "nação mundial" e "governo mundial", que começaram a ser proclamadas há alguns anos nos Estados Unidos, não são senão uma sugestão do mundo ideal que, num futuro próximo, deverá dar o seu primeiro choro.
É, de fato, uma grande questão. Quando esse dia chegar, é claro que um presidente mundial também será eleito, e qualquer nação poderá apresentar candidatos à presidência dentre seus cidadãos. Para o nascimento desse novo mundo, é natural que ocorram grandes transformações em todos os setores e, entre elas, a que deve constituir a base será a revolução do pensamento da humanidade. Naturalmente, todas as ideologias serão varridas e, ao mesmo tempo, haverá uma unificação do pensamento. Para tornar isso mais compreensível, apresentarei um exemplo: suponhamos que um grande pintor vá pintar um grande quadro chamado "mundo".
Nesse caso, ele expressará a mais elevada beleza com variadas linhas e cores, manifestando uma técnica divina sem defeitos. Não é difícil imaginar que, para preparar a pintura de um quadro mundial, tenham sido necessários milhares ou dezenas de milhares de anos. E o mais importante é a primeira linha — a linha de fronteira construída ao longo de longos anos. Uma vez traçada essa linha, o passo seguinte são as cores: nesse caso, são necessárias tintas extremamente variadas, como vermelho, azul, amarelo, branco, roxo e outras. Tentemos aplicar isso às nações e aos povos — como se trata de uma hipótese, peço que leiam com essa disposição. As demais nações também desempenham o papel de suas respectivas cores características, e é por meio dessas linhas habilidosas e dessas cores variadas que se completa o grande quadro mundial — o que não é senão a grande arte do Deus Todo-Poderoso.
No entanto, a humanidade, até hoje, considerou a cor característica de seu próprio país como a suprema, e tentou pintar o grande quadro mundial apenas com essa única cor — por isso não poderia ter sucesso. Naturalmente, houve também o aspecto de ignorar o tempo, e a derrota do Japão e da Alemanha prova isso claramente. Por essa razão, as ideologias e os pensamentos são como uma tinta de um único tipo que cada um criou; assim, não só é impossível pintar além da linha, como também se gera atrito com aqueles que têm outros objetivos, tornando-se causa de conflitos. E, no fim das contas, como isso se torna um obstáculo ao grande quadro mundial que Deus pinta tendo como base o amor à humanidade, mesmo que tenha sucesso temporariamente, não poderia durar por muito tempo. Vede: desde os tempos antigos surgiram inúmeros heróis, mas a maioria deles não foi, no fim, derrotada justamente por ter obstruído a arte de Deus? Vendo isso, percebe-se que as grandes nações do futuro não devem pintar outros países com sua própria cor, mas sim tornar a cor característica de cada país mais vívida e bela. Somente adotando uma política como essa é que se estará de acordo com a Vontade Divina, e o mundo ideal se realizará.
Diante disso, é necessário considerar a religião. Mesmo no caso da religião, a maneira como se tem procedido até hoje — com cada seita e denominação disputando a aplicação de suas próprias cores — não apenas deixa de acompanhar o progresso dos tempos, como também está em desacordo com o Plano Divino. Reconheçamos, portanto, o profundo significado de Deus por trás do progresso da cultura e, para a construção do mundo ideal que está prestes a nascer, não deveriam todas as religiões, unidas como uma só, avançar de mãos dadas conosco?
Sermão
Tijotengoku nº 39, publicado em 25 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde os tempos antigos, tudo o que se chama religião tem, sem exceção, os preceitos como núcleo central, e todos sabem que esses preceitos foram ensinados por meio do sermão. Em nossa Igreja Messiânica, porém, como os próprios fiéis sabem, os sermões são extremamente escassos, e é provável que alguns tenham certa dúvida quanto a isso; além disso, quando perguntados por não fiéis, será preciso explicar o motivo — e é isso que vou escrever aqui. Não é preciso dizer que o propósito da religião é a correção dos erros e a escolha do bem e, para isso, é necessário dissolver as nuvens espirituais. Isso porque, uma vez que a alma se torna pura, torna-se impossível praticar o mal, e a pessoa se transforma em um ser humano admirável, que pratica o bem para o mundo e para os outros.
Nesse sentido, o meio de purificar a alma pelo ensinamento que entra pelos ouvidos é o sermão; e o mesmo se dá, pelos olhos e pelo espírito da palavra, com a Bíblia, as escrituras sagradas, o Ofudesaki e assim por diante. Em nossa doutrina, embora também exista, até certo ponto, purificação pelos ouvidos, pelos olhos e pelo espírito da palavra, esses são meios secundários; o principal é o Johrei. Isso porque purificar por meio dos cinco sentidos é um método indireto — um método físico dirigido a uma alma que não se pode ver —, e por isso, naturalmente, seu efeito é limitado. Já o Johrei de nossa doutrina age diretamente sobre a alma, derramando sobre ela a luz espiritual para purificá-la, e por isso seu efeito não é, de forma alguma, comparável ao dos métodos físicos. Isso fica claro justamente no caso da cura de doenças: males que não se curam mesmo depois de se tentarem incontáveis outros tratamentos são curados, sem dificuldade, em pouco tempo.
Sendo assim, como sempre digo, nossa doutrina não é uma religião — pode-se até dizer que é uma superreligião. Religião, como o próprio termo sugere, significa o ensinamento do fundador de uma seita, tendo por princípio salvar os corações das pessoas por meio do ensinamento; mas, como já disse, em nossa doutrina o ensinamento vem em segundo ou terceiro lugar, pois é pelo Johrei que as pessoas são transformadas para o bem — e, assim, sem exigir grande esforço nem tempo, o efeito chega a cem por cento. Não seria de forma alguma exagero dizer que isso está, verdadeiramente, além da própria religião. Por essa razão, não havendo ainda um nome apropriado, demos a ela, provisoriamente, o nome de Igreja Messiânica. Isso também não é de se estranhar, pois nunca antes houve uma salvação tão maravilhosa quanto esta, e por isso não havia, tampouco, um nome para ela. Se fosse preciso encontrar uma palavra, talvez não houvesse outra melhor do que "luz da salvação".
O Destino Mutável é Livremente Criado
Tijotengoku nº 41, publicado em 25 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Agora escreverei sobre o destino mutável; mas é necessário saber, de antemão, que as pessoas comuns frequentemente confundem o destino predeterminado com o destino mutável, tratando-os como a mesma coisa. São, no entanto, coisas completamente diferentes, e vou explicar isso. O destino predeterminado é algo determinado desde o nascimento, enquanto o destino mutável pode ser alterado conforme a vontade humana — é preciso compreender esse ponto. Qualquer pessoa, por mais que deseje fazer isto ou aquilo, dificilmente consegue realizar seus desejos como gostaria, pois, como dito, cada um está limitado pela moldura de seu destino predeterminado, da qual naturalmente não consegue escapar. É fundamental, portanto, que o ser humano conheça claramente os limites do destino predeterminado com o qual nasceu; mas isso, na verdade, é extremamente difícil — pode-se dizer que é quase impossível. Por não compreenderem esses limites, as pessoas elaboram planos acima de suas forças ou alimentam desejos que não condizem com sua condição, e fracassam por isso.
No entanto, mesmo nessas situações, se perceberem cedo e recuarem para recomeçar, o sofrimento será mais leve. Mas, como não conhecem os limites do destino predeterminado, tentam forçar a passagem, agravando o fracasso — o que também se deve, é claro, a uma visão excessivamente otimista do mundo. Assim, a maioria das pessoas tenta se reerguer e fracassa, tenta recomeçar e é interrompida, passando por todo tipo de provação até finalmente despertar. Ainda assim, é bom quando despertam; mas há muitas que, infelizmente, permanecem no fundo da infelicidade e morrem sem jamais despertar — algo realmente lastimável. O que escrevi acima trata do destino mutável das pessoas sem fé. Quando se trata dos que têm fé, a situação é diferente, e é necessário explicá-la do ponto de vista espiritual. Em suma, todo sofrimento é um processo de purificação. Ao falar em ação purificadora, talvez se pense apenas em doenças, mas não é nada disso.
A causa de todas as angústias e sofrimentos é, invariavelmente, o processo de purificação. Por exemplo: ser enganado por alguém e sofrer um prejuízo, ter a casa queimada num incêndio, sofrer ferimentos ou furtos, a infelicidade na família, perdas e fracassos nos negócios, dificuldades financeiras, brigas entre marido e mulher, desavenças entre pais e filhos ou entre irmãos, conflitos com parentes e conhecidos — tudo isso é processo de purificação.
Sendo assim, quando se fala em ação purificadora, não há outro meio senão remover as nuvens espirituais por meio do sofrimento.
Enquanto houver nuvens espirituais, não se pode evitar a purificação, e reduzi-las é a condição absoluta para abrir o caminho para uma boa sorte. Em outras palavras, quando a alma se purifica até certo ponto, deixa de haver necessidade de purificação, e a infelicidade se transforma em felicidade. Esta é a verdade. Por isso, não se deve esperar a sorte dormindo; o correto é purificar-se e esperar. No entanto, como dito anteriormente, a fé é o método pelo qual a alma se purifica sem sofrer.
Por isso, é absolutamente impossível que os descrentes alcancem a felicidade. Mas, como existem vários tipos de fé, a menos que seja uma fé de excelente poder, não se pode obter a verdadeira felicidade. Nesse ponto, é preciso saber que a nossa Igreja Messiânica é, justamente, a religião que atende a essas condições.
O Juízo Final
Tijotengoku nº 42, publicado em 25 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
O Juízo Final, do qual Cristo falou, costuma ser interpretado de forma extremamente simplista, como se algo terrível fosse acontecer de repente, fazendo com que os incrédulos perecessem e os crentes fossem salvos. Pode-se dizer que não é bem assim, mas também se pode dizer que é — o que soa vago, mas há uma razão para isso. Dependendo da atividade futura de Deus, se muitas pessoas se arrependerem, não haverá necessidade de um método tão extremo, e isso será bom; mas, se não for o caso, será inevitável que sejam julgadas de forma completa. Essa conclusão, portanto, depende dos próprios seres humanos. Por essa razão, Deus, na medida do possível, procura não fazer sofrer, e incentiva a mudança de coração por métodos suaves — e é justamente aí que se pode vislumbrar a profundidade de Seu amor e compaixão.
Dentre as impurezas e pecados cometidos pela humanidade até hoje, o maior deles é, sem dúvida, o erro da medicina. Fazer com que isso seja compreendido profundamente, do fundo do coração, e levar ao arrependimento é, portanto, a questão mais fundamental para a salvação do mundo — e é por isso que continuo envidando os maiores esforços nesse sentido. Como sempre digo, todos os pecados e maldades dos seres humanos têm como causa a doença, tanto no espírito quanto no corpo. Assim, curar a doença e tornar as pessoas saudáveis, a ponto de não serem mais acometidas por ela, é o único meio pelo qual se pode expulsar completamente a impureza e o pecado da sociedade humana.
O lema da nossa Igreja, "um mundo sem doença, pobreza e conflito", não significa outra coisa senão isso.
Escreverei, portanto, sobre esse ponto de maneira mais ampla e detalhada. Antes de tudo, o mundo atual não está doente apenas no que diz respeito aos seres humanos: absolutamente tudo está enfermo — tanto o lar quanto a sociedade, tanto a nação quanto o mundo. A preocupação de que seria terrível se irrompesse uma terceira guerra mundial também se deve ao fato de que ela traria consigo um grande processo de purificação mundial. A ansiedade social, o aumento vertiginoso dos crimes, o crescimento do número de infelizes — tudo isso são processos de purificação. Em cada país, a ocorrência contínua de problemas como questões ideológicas, dificuldades econômicas, greves e toda sorte de coisas desagradáveis é, igualmente, um processo de purificação social; as confusões no lar, as brigas entre marido e mulher etc. são processos de purificação individual. Pode-se dizer que não há lugar na Terra onde não haja processo de purificação. Portanto, se quisermos transformar o mundo de hoje em um mundo feliz e livre desses processos de purificação, o primeiro passo é curar a doença de cada ser humano, individualmente. Compreendida essa verdade, certamente se entenderá por que a nossa Igreja é a religião que salva o mundo — ou seja, por que o nome Igreja Messiânica é apropriado.
A Razão pela Qual Não Adoro os Deuses
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Tijotengoku nº 43, publicado em 25 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Os fiéis sabem bem que nunca adorei a Deus, mas é provável que não haja exemplo disso entre os fundadores de religiões que existiram desde os tempos antigos. Por conseguinte, pode haver entre os fiéis quem tenha dúvidas a esse respeito, e é por isso que escrevo aqui. Originalmente, como pessoa, ocupo a posição mais elevada em termos de qualificação divina e, como não existe neste mundo um Deus superior a mim, não posso adorar. Assim, falando em termos absolutos, pode-se considerar que todos os oito milhões de deuses são meus subordinados. Como tenho o poder de salvar todos os deuses e budas, ultimamente surgem, no mundo espiritual, inúmeros deuses e budas que se aferram a mim para obter o perdão de seus pecados; arrependem-se e, ao mesmo tempo, desejam poder ajudar no trabalho da Igreja Messiânica daqui em diante. Eu também penso em salvá-los o máximo possível.
Ao dizer isso, pode haver quem não acredite que seres que deveriam ser deuses e budas cometam pecados a ponto de precisarem se desculpar; a razão, porém, é a seguinte. Durante o período do Mundo da Noite, como a verdade absoluta estava oculta, aquilo que se pensava ser bom era, na verdade, servir às divindades malignas. Ao perceberem isso, ficaram alarmados. Isso porque o tempo do julgamento se aproxima e, não podendo mais hesitar, de repente passaram a desejar ser salvos de alguma forma. Já os seres humanos, por enxergarem apenas o mundo material, vivem despreocupados; mas os deuses e budas, por verem tudo no mundo espiritual e saberem que todas as coisas ocorrem ali primeiro, compreendem bem a situação e, sem nenhum apego, adotaram a atitude descrita acima. Isso se pode compreender nas possessões espirituais da Sra. Taga, publicadas em todas as edições recentes da revista da nossa Igreja, nas quais os espíritos dos fundadores e líderes de várias seitas vêm, um após o outro, suplicar. Mudando de assunto, mesmo no que diz respeito ao Plano Divino da nossa Igreja, tudo corre de forma suave e rápida, exatamente como penso.
Isso também se deve ao fato de que os espíritos dos deuses e budas arrependidos, por ordem do Deus Supremo, atuam intensamente no mundo espiritual. Prova disso são as magníficas estátuas de buda que, antes, não entravam facilmente em minha posse e que, ultimamente, vêm entrando uma após a outra — isso ocorre porque os fundadores dessas seitas, seus líderes e grandes monges estão atuando no mundo espiritual, buscando conquistar mérito. Quanto a outras obras de arte, que não sejam as budistas, os espíritos de seus autores e antigos proprietários também atuam, fazendo com que entrem em minha posse, o que é bom; mas há um aspecto desagradável nisso: na época em que esses espíritos viviam no mundo, não havia necessidade de noções econômicas, e eles não percebem que hoje a situação é completamente diferente, pensando que basta trazer os objetos. Como ser humano do mundo material, tenho de arcar com despesas consideráveis para isso. Por essa razão, sempre solto um grito de alegria misturado com preocupação.
Em seguida, devo escrever sobre outra manifestação da minha qualificação divina: a esplêndida capacidade de curar doenças, como é sabido. Nem é preciso dizer que se trata de um milagre: apenas colocando o caractere "luz" no peito, milhares e dezenas de milhares de pessoas são salvas; e, mesmo a centenas ou milhares de léguas de distância, no momento da morte, em meio a um perigo, se rezarem para mim, serão salvas.
Quanto a Hakone e Atami, onde atualmente estou construindo o Paraíso Terrestre, os inúmeros milagres até hoje são assim; mas, ao pensar que o recente Heiankyo, em Quioto, também superou as dificuldades iniciais e foi adquirido de modo suave e em curto período, não posso deixar de me maravilhar. Além disso, descobri recentemente, com surpresa, que tanto a localização quanto o ambiente são os melhores de Quioto. É claro que não procurei esse lugar desde o início; tudo aconteceu de forma completamente natural. Assim, Deus, desde a criação da Terra, preparou tudo para o surgimento da Igreja Messiânica em todo o mundo, e não há a menor dúvida quanto a isso. Escrevi o que me veio à mente, mas é difícil fazê-lo por ser excessivamente autoelogioso. No entanto, como o Plano Divino que se desenrolará daqui em diante é tão grandioso que, se não souberem disso de antemão, talvez não consigam ter uma noção dele, escrevi aqui para dar-lhes uma ideia prévia.
Fragmentos Médicos (6) — Uma História Estranha (1)
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Tijotengoku nº 10, publicado em 20 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949)
Certa vez, ouvi a história do filho de um médico que contraiu apendicite.
Foi imediatamente submetido a uma cirurgia, mas veio a falecer. O pai, também médico, disse o seguinte: "Para ser sincero, se ele não fosse filho de um médico, talvez tivesse se salvado. Isso porque, do ponto de vista da medicina, naquela situação, realizar a cirurgia era o senso comum para um médico, e não havia como deixar de operar." Realmente, existe uma lógica estranha.
Religião Paradisíaca e Religião Infernal
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Tijotengoku nº 46, publicado em 25 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
Em primeiro lugar, escrevendo sobre a religião como ela é, pode-se dizer que todas as religiões até hoje foram religiões do inferno, e não seria ofensa dizê-lo. Isso porque, quanto mais importante a religião, mais ela sofreu perseguições e tribulações na época de sua fundação, a ponto de a perseguição ser considerada inerente à religião.
São inumeráveis na história os exemplos de fiéis dessas religiões que seguiram o caminho da perseguição e do sofrimento, havendo relatos tão horríveis que são difíceis de ler. O fundador do cristianismo, que hoje domina o mundo, Jesus Cristo, também foi assim; sua morte na cruz e a perseguição dos fariseus são histórias famosas.
No Japão, também, pode-se dizer que não houve religioso que não passasse por um caminho espinhoso, em maior ou menor grau. Apenas Shakyamuni e o Príncipe Shotoku foram exceções, naturalmente porque eram príncipes.
E, qualquer que fosse o fundador de uma religião, ele não era, obviamente, uma pessoa má; pelo contrário, era uma pessoa boa acima da média, com um amor profundo e uma compaixão incomuns, com a convicção de que não poderia deixar de salvar os infelizes, a ponto de sacrificar a própria vida para realizar a obra de salvação. São, portanto, santos que podem ser chamados de personificações do bem.
Assim, a bem da verdade, o governo e o povo da época deveriam ter agradecido e recompensado seu esforço, dando-lhes a maior consideração; no entanto, ao contrário, odiavam-nos como se fossem grandes demônios, perseguiam-nos, oprimiam-nos e até tentavam tirar-lhes a vida. Não deve haver história tão irracional quanto essa.
Ao analisar isso friamente, não é lógico dizer que são os verdadeiros demônios aqueles que odeiam, maltratam e tentam enterrar um grande benfeitor como esse? Como o ser humano é essencialmente bom ou mau, não havendo meio-termo, em outras palavras, ou se é aliado de Deus ou se é aliado do demônio.
Sendo assim, é natural que aqueles que odeiam Deus, pregam o pensamento ateu e se opõem à religião que pratica o bem sejam servos do demônio. E mesmo os fundadores das grandes religiões de hoje, no início, foram tratados como demônios e perseguidos ao máximo; mas, no final, o mal perdeu e o bem venceu, como mostra a história.
Quando Cristo, mesmo sofrendo, disse "Eu venci o mundo", também tinha esse significado, e é uma palavra sagrada que deve ser saboreada.
As religiões estabelecidas foram, em sua maioria, reconhecidas somente muitos anos após a morte de seu fundador, sendo então veneradas como deuses ou adoradas como budas. Naturalmente, isso se deve ao fato de que seus ensinamentos trouxeram alegria aos seres humanos e contribuíram grandemente para a promoção do bem-estar social. Pode-se dizer, contudo, que não houve religião reconhecida dessa forma durante a vida de seu fundador; a perseguição era considerada natural, e até mesmo os fiéis tendiam a se alegrar com a vida de sofrimento. Especialmente no cristianismo, é de partir o coração ler a história trágica de pessoas que, tomando como exemplo o sofrimento expiatório de Cristo, adentravam terras distantes com a disposição de sofrer e se sacrificavam. É por isso que nenhuma religião tem uma expansão tão forte e enraizada em todo o mundo como o cristianismo. Mesmo no Japão, ao ver a perseguição aos padres cristãos e a Rebelião de Amakusa, a reflexão é profunda.
No entanto, o que escrevi acima são sofrimentos causados por forças externas inevitáveis; não são poucas, porém, as religiões que buscam o sofrimento voluntariamente. Semelhantes são a observância estrita dos preceitos em uma seita do cristianismo, os abstinentes, aqueles que dedicam a vida a um mosteiro, e também o islamismo, o taoísmo chinês, o lamaísmo, o bramanismo indiano etc.; todos fazem da abstinência o ponto central de sua fé.
Mesmo no Japão, muitas religiões antigas, com diferenças de grau, são basicamente as mesmas quanto ao sofrimento: o xintoísmo foi severamente oprimido pelo budismo, a ponto de, por um tempo, terem colocado uma imagem de Amida Nyorai no Grande Santuário de Ise, e as práticas ascéticas dos praticantes xintoístas também eram assim; o sofrimento dos budistas não era nada leve, como se sabe.
Entre eles, o mais famoso é o Venerável Nichiren. Na famosa perseguição de Tatsunokuchi, quando estava prestes a ser executado e a espada já havia sido erguida, um grande milagre ocorreu e ele escapou por pouco da morte.
Em algumas seitas budistas, além disso, nunca cessam as práticas de fé que observam os preceitos de forma extrema, expõem o corpo a austeridades e se entregam à meditação. Em resumo, todas as religiões até hoje foram infernais, pois consideravam o sofrimento como a essência da religião e como um meio de polir a alma; no fim, as pessoas se tornaram uma espécie de anormais que consideram o sofrimento como prazer.
Sem rodeios, a razão era que o poder da religião era fraco, sendo preciso acrescentar o esforço próprio.
Foi nesse mundo de fé infernal que surgiu subitamente a nossa Igreja Messiânica. De todo modo, tudo em nossa religião não só é fundamentalmente diferente das religiões anteriores, como é até oposto a elas; rejeitamos veementemente as práticas ascéticas infernais e consideramos a vida paradisíaca como a verdadeira fé. Portanto, o que pregamos, tanto no coração quanto na ação, representa uma diferença abismal em relação às religiões estabelecidas.
A grandeza do contorno da nossa religião está em incluir tudo — religião, filosofia, ciência, arte — e, especialmente, a solução da saúde, que é fundamental para a salvação da humanidade, e a revolução agrícola, entre outras coisas dignas de admiração. Pode-se dizer que tudo isso são as condições para transformar o inferno em paraíso. Isso é o verdadeiro amor de Deus e a compaixão de Buda.
Nesse sentido, as práticas ascéticas são um caminho errado; é a vida paradisíaca transbordante de alegria que verdadeiramente salva. Se isso se expandir para o mundo inteiro, o Paraíso Terrestre surgirá concretamente. Como vimos, o primeiro passo para o mundo paradisíaco, que é o lema da nossa religião, começa no lar; se esses lares aumentarem dia após dia, é evidente que o mundo inteiro se tornará um paraíso.
Se as pessoas compreendessem a verdade acima, qualquer um deveria exaltar nossa religião, louvá-la e converter-se imediatamente. Contudo, de todo modo, estão perturbadas por certas concepções das religiões Shojo ou pelo pensamento ateísta e, ao contrário, geram dúvidas e mal-entendidos, adiando assim a própria felicidade. Mas é certo que chegará o dia em que a verdade da nossa religião será compreendida; por isso, enquanto espero por esse dia, sigo, conforme a ordem divina, esforçando-me dia e noite.
O que sou eu
Tijotengoku nº 47, publicado em 25 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
As coisas que estou prestes a escrever são algo que ninguém jamais viu ou ouviu; peço, portanto, que leiam com essa disposição.
Trata-se de eu mesmo me criticar, como se houvesse um outro eu, além de mim, que assim o fizesse, revelando minha figura inteiramente nua, sem qualquer adorno. Provavelmente, nunca houve, até hoje, uma tentativa tão peculiar quanto esta. Então, por que escrevo algo assim? Há um significado nisso. É que, em toda a história, passada e presente, nunca surgiu um ser humano tão misterioso quanto eu; e, para mim mesmo, o eu que vejo é tão misterioso que se torna inimaginável para os outros. Sobre isso, escreverei primeiro a partir do meu trabalho.
Como é sabido, atualmente a atividade à qual dedico maior esforço é a cura de doenças. Na sociedade atual, o método de tratamento de doenças é, sem dúvida, a medicina. No Ocidente, o fundador é o famoso médico sagrado Hipócrates, da era pré-cristã; no Oriente, diz-se que Banko-shi (também chamado de Banko Shin'ō), da dinastia Han anterior, criou a medicina Kampo.
Em ambos os casos, o principal meio de tratamento são os medicamentos. No entanto, enquanto a medicina Kampo não apresentou progressos dignos de nota, a medicina ocidental, influenciada pela cultura científica, alcançou um progresso surpreendente. O número de tipos de medicamentos aumentou cada vez mais, e é evidente o desenvolvimento de tratamentos por agentes físicos, como máquinas, raios luminosos e ar. Além disso, como métodos fundamentais, a dissecação, a análise, o microscópio e a experimentação animal, entre outros, são praticados minuciosamente, sem deixar lacunas. Assim, ambas as medicinas foram construídas sobre uma história de mais de dois mil anos. A medicina ocidental, porém, a partir do século XIX, com o desenvolvimento da ciência, deu um grande salto, tornando a medicina Kampo incapaz de competir — e esta se tornou, atualmente, uma existência insignificante, como é de conhecimento geral.
Como resultado, a medicina mundial não apenas se tornou monopolizada pela medicina ocidental, mas também todos os países passaram a incentivá-la, pela crença de que, se apenas essa medicina fosse aprimorada, as doenças seriam resolvidas. O método para adquiri-la, ademais, envolve percorrer o ensino fundamental até a universidade, acumular experiência prática após a formatura e, gradualmente, tornar-se um profissional. Isso requer, no mínimo, mais de vinte anos de tempo e centenas de milhares em gastos, não sendo nada fácil.
Ainda assim, se fosse possível obter a técnica de curar completamente as doenças, não haveria o que reclamar; mas o fato é que a quantidade de doenças que não se curam é imensa, como os próprios médicos sabem. Com o tratamento médico, o sofrimento momentâneo é aliviado e parece que a pessoa se cura, mas, com o passar dos dias, a doença certamente retorna. Por outro lado, com a cirurgia, a função da parte afetada é removida, de modo que não há recaída; mas é fato também que outras doenças surgem de forma modificada. Se essa lógica for compreendida corretamente, a medicina deve, naturalmente, passar por uma revolução.
No entanto, até hoje, isso não foi compreendido de forma alguma. Ao confundirem o alívio temporário do sofrimento com o processo de cura e ao fazerem avançar e desenvolver esse método, revelaram uma ignorância verdadeiramente surpreendente.
Sobretudo, a melhor prova disso é que, enquanto a medicina avança, o número de doentes aumenta cada vez mais. Se continuarmos assim, portanto, posso afirmar que, no final, chegará uma crise para a saúde da humanidade. O exposto acima revela a verdadeira essência da medicina. É algo extraordinariamente misterioso que, diante de um fato tão terrível e deplorável, não tenha surgido um único descobridor no mundo inteiro.
Pode-se dizer que este é o grande enigma do século XX. No entanto, diante dessa situação, minha teoria surgiu subitamente; é exatamente como uma bomba atômica. Com ela, a cortina da longa escuridão foi rasgada e derrubada, e o mundo radiante e sem doenças deu o primeiro passo para sua realização.
Assim, finalmente, a grande calamidade da extinção da medicina se aproxima de nós. Dito isso, dissipar a ilusão da medicina, que tão profundamente tem dominado o coração da humanidade, não é tarefa fácil. É endireitar o erro, tornando-o correto — e, por ser o Plano Divino do Deus Supremo, não há a menor dificuldade. O fato de eu ter sido escolhido foi algo já prometido na época da criação do céu e da terra; por isso, recebi a sabedoria e o poder necessários para a grande obra de salvação do mundo.
Sem ter estudado medicina sequer um pouco, pude conhecê-la profundamente. Só por esse fato, o ser humano que sou é um ser misterioso, jamais visto na face da Terra.
Quando vejo pelos olhos da Sabedoria Divina, não há palavras para expressar o quanto a medicina moderna está fundamentalmente errada. Fico estarrecido. Isso já foi detalhado em meus livros anteriores, portanto vou omiti-lo; o essencial, aqui, é o método de curar doenças. Este método pode ser aprendido por qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo ou profissão, desde que acredite em minha teoria e deseje aprender a arte de curar. Para tanto, basta receber, por alguns dias, o curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu). Nessa ocasião, recebe-se um pedaço de papel, do tamanho de cerca de duas folhas de papel japonês, chamado Ohikari, no qual estão escritos caracteres de luz. Ao colocá-lo no peito, o poder de curar doenças se manifesta imediatamente. Em seguida, dependendo da prática, ele pode ser trocado por um Ohikari de luz um pouco maior; avançando ainda mais, torna-se uma grande luz. Nem é preciso dizer que, apenas com isso, a pessoa se torna detentora de um surpreendente poder de cura.
Este método é chamado de Johrei. Mesmo aqueles que foram abandonados por grandes hospitais ou doutores, vendo que se recuperam rapidamente e se curam por completo, por mais que ouçam ou leiam, dificilmente acreditarão. No entanto, como se pode ver pelos relatos de cura completa e cartas de agradecimento — que atualmente chegam de duzentos a trezentos por mês, número que aumenta gradualmente, a ponto de não caberem nas publicações da nossa Igreja —, o fato é real. Então, por que os caracteres deste Ohikari manifestam o poder de curar doenças? Isso também é bastante misterioso; portanto, peço que leiam com essa disposição. Dentro do meu ventre existe uma esfera (jóia) de luz. Essa esfera é algo misterioso e sutil, impossível de explicar; é, por assim dizer, um instrumento divino que o Deus Supremo utiliza com total liberdade.
É a esfera (jóia) que realiza desejos — a Mani no Tama —, mencionada desde os tempos antigos. Naturalmente, o poder dessa esfera foi concedido, e seu uso foi permitido pela primeira vez ao ser humano que sou, desde o início da humanidade.
Por meio do elo espiritual, a luz dessa esfera é transmitida ao Ohikari, fornecendo luz infinitamente.
Portanto, não importa quantos Ohikari existam, não há diferença alguma entre eles. Como se pode ver pelo exposto, a obra que realizo não é uma religião. É algo superior à religião, e não se pode dar-lhe um nome. Falando francamente, a religião tem um papel durante certo período; é uma salvação temporária e não possui eternidade. A Extinção do Budismo, mencionada pelo Buda Shakyamuni, o mundo transitório e as palavras de Cristo sobre o fim do mundo referem-se a isso. Isso porque, nas religiões, até hoje, as doenças não são curadas adequadamente, como demonstram os fatos — o que fica claro ao ver que a maioria das religiões atuais se curva à medicina e constrói hospitais. Isso prova que o poder da religião é inferior ao da ciência. É lamentável, mas a vida das religiões estabelecidas já terminou, e elas deveriam perceber isso o mais rápido possível. Se esse significado for compreendido no fundo do coração, deve ser fácil entender o advento de Miroku, a segunda vinda de Cristo e a descida do Messias Salvador. Se não entenderem, é porque o assunto é grande demais; e, como isso não acontecia há mais de dois mil anos, a humanidade decidiu que era algo impossível de acontecer. Dessa forma, embora acreditassem nos ensinamentos dos fundadores, não podiam acreditar nas profecias, caindo em contradição interna.
A Luta Entre o Bem e o Mal
Tijotengoku nº 50, publicado em 25 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Como todos sabem, em qualquer época, desde os tempos antigos, a religião começa com pessoas dotadas de características singulares: ao despertarem sua determinação (ichinen hokki) e, movidas pelo desejo de salvar o mundo, fundam uma escola ou seita, criam uma doutrina e, enquanto ajudam consideravelmente as pessoas, gradualmente passam a ser reconhecidas pela sociedade. No entanto, quando chega o momento de avançar de vez, surgem obstáculos — pode-se dizer que inevitavelmente. Grandes exemplos disso, conhecidos de todos, são Devadatta, para Buda, e Satanás, para Cristo. E quanto mais poder e potencial futuro aquela religião possui, mais severas são a perseguição e a repressão que sofre. Os opositores primeiro manipulam as autoridades da época e, para despertar o ódio nas pessoas, inventam argumentos engenhosos e boatos, dedicando-se à propaganda. Dizem: "Aquela religião é uma superstição terrível que engana as pessoas e, no fim, arruína as famílias; portanto, nunca se envolva com ela." Sem qualquer investigação, decidem de forma dogmática e fazem com que pessoas de credibilidade social e aqueles que lidam com os principais órgãos de imprensa ajam livremente nesse sentido. Tudo isso ocorre porque divindades malignas se apossam deles e os fazem pensar assim; os próprios afetados, portanto, nada percebem, acreditando tratar-se de sua própria consciência. Ao mesmo tempo, os agentes das divindades malignas também se apossam das pessoas comuns, e os dois lados se correspondem, tornando a situação insuportável. Essa é a artimanha das divindades malignas.
Hoje em dia, do mesmo modo, quanto mais uma nova religião tem poder para superar as religiões estabelecidas e maior é sua contribuição à sociedade, mais ela é visada pelas divindades malignas e intensamente obstruída. Nossa Igreja, sendo o primeiro alvo, avança enquanto elimina esses obstáculos — tarefa nada fácil. A respeito disso, escreverei sobre a causa fundamental.
Desde o princípio, no mundo espiritual, existe o mundo do mal — chamado reino das divindades malignas — e o mundo do bem, que a ele se opõe, chamado reino das divindades corretas, em luta constante e obstinada. O líder do reino das divindades malignas, possuindo imenso poder, reina supremo e movimenta livremente centenas de milhões de subordinados. Sob um plano surpreendente — assumir o controle de todo o mundo, seu objetivo final —, ele vem colhendo resultados passo a passo. Por essa razão, os maiores obstáculos para ele são os religiosos que pregam o bem e têm a justiça como meta; assim, sempre que surge um grande líder religioso, eles usam todos os meios para oprimi-lo e destruí-lo.
Muitas religiões, até hoje, embora tenham florescido por um tempo, acabaram sendo desvirtuadas sem que se percebesse, porque foram derrotadas. E a razão é exatamente o que sempre digo: até hoje era o Mundo da Noite, ou seja, sob o domínio do deus lunar, a luz era fraca. Portanto, embora não fosse fatal, elas apenas preservavam a forma. Isso também se manifesta nas religiões relativamente novas do nosso país.
Vejamos, primeiro, as dificuldades enfrentadas pelos fundadores de cada seita, as perseguições sofridas pelos fundadores das novas religiões do final do período Edo ao período Meiji. Os principais exemplos são a religião Tenri, a religião Oomoto, a religião Tokko e a religião Hitonomichi. A fundadora do Tenri, Miki Nakayama, por exemplo, suportou a provação de ser presa mais de dez vezes. O Mestre Sagrado (Seishi) do Oomoto, Onisaburo Deguchi, passou sete anos na prisão e, mal teve a alegria de sair, tornou-se um hóspede que nunca mais voltou, devido ao cansaço da longa vida no cárcere e aos interrogatórios severos, nem é preciso dizer. Além disso, diz-se que o fundador do Tokko, um certo Sr. Kaneda, era constantemente seguido pela polícia e quase não teve liberdade até o momento de sua morte. O fundador do Hitonomichi, Tokuharu Miki, também faleceu logo após sair de vários anos de prisão, devido, dizem, aos intensos sofrimentos que enfrentou.
E, então, a partir da Era Showa (1926-1989), o primeiro a sofrer perseguições fui eu, provavelmente. Escreverei um pouco sobre isso. Como mencionado anteriormente, como o mundo espiritual era noite por um longo período, o exército das divindades malignas, à vontade, causava caos no mundo e exercia sua tirania, entregando-se ao sonho da longa noite. Foi então que, de repente, surgiu a nossa Igreja Messiânica. Afinal, a nossa Igreja Messiânica é uma religião do dia, algo que nunca havia aparecido antes, ou seja, sob o domínio do deus sol. Por isso, mesmo eles, por mais poderosos que fossem, ficaram estupefatos, perderam a cor e começaram a se agitar, naturalmente, fazendo todos os esforços para destruir a nossa Igreja.
A manifestação disso foram as inúmeras provações que sofremos: o incidente de sonegação fiscal de 1948, em seguida a exagerada busca domiciliar feita por dez soldados americanos do C.I.D., e depois o incidente de violação econômica em Shizuoka. Naquela época, devido a essa repressão em grande escala, chegou-se a pensar que seria impossível se recuperar, mas conseguimos superar ilesos e chegamos ao que somos hoje, inteiramente porque o poder das divindades corretas prevaleceu.
Durante esse período, também fomos consideravelmente atormentados pelos ataques persistentes do exército das divindades malignas, como a incompreensão incessante dos órgãos de imprensa e a recente transmissão de boatos por um jornalista de rádio. No mundo espiritual, dessa forma, com a nossa Igreja como centro, continua uma luta de mil transformações, com o bem e o mal se misturando, cheia de estratagemas. Isso ocorre porque, acima de tudo, a nossa Igreja é para eles um inimigo sem precedentes. Portanto, se a nossa Igreja fosse derrotada, o mundo não teria outra escolha senão se tornar um mundo de demônios. Por isso, Deus preparou tudo com antecedência e de forma minuciosa.
Uma dessas preparações é a democracia. Assim, mesmo as inúmeras provações da nossa Igreja não afetam o panorama geral, e estamos trilhando o caminho do desenvolvimento. Isso é verdadeiramente motivo de grande alegria e, ao mesmo tempo, deve-se inteiramente à luz intensa do deus sol. Portanto, à medida que o sol nasce, o exército das divindades malignas será gradualmente levado à derrota inevitável, e então se concretizará a realização do mundo do bem.
Verdade, Bem e Belo
Tijotengoku nº 52, publicado em 25 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Como sempre digo, o Paraíso Terrestre que idealizamos é um mundo completo na Verdade, no Bem e no Belo. Agora, desejo aprofundar este ponto, escrevendo primeiramente sobre a Verdade, seguindo uma ordem. A Verdade é, naturalmente, a materialização da verdade, e a verdade é o próprio fato, referindo-se ao estado correto de ser, sem a mais mínima discrepância, sem impureza ou opacidade. No entanto, na cultura até os dias de hoje, aquilo que não é verdade foi erroneamente considerado e tratado como verdade.
É fato, portanto, que houve um excesso de falsas verdades que não são a verdade.
Nem é preciso dizer que o fato de não se perceber isso se devia ao baixo nível do conhecimento acadêmico. Acima de tudo, como se pode ver claramente observando a sociedade real atual, a maioria dos seres humanos apenas trabalha afanosamente para sobreviver, vivendo sem qualquer esperança. Apesar de se agitarem em meio à ansiedade das doenças, às dificuldades de vida e às ameaças de guerra, quando abrem a boca, chamam isso de mundo civilizado e avançado. No entanto, olhando com rigor, a maioria dos humanos compete entre si como feras, rosnando e se chocando, ofegando no turbilhão de ansiedade e impaciência; essa cena é um quadro do Inferno.
Isso é, como dito anteriormente, o resultado da cultura da Falsa Verdade. É lamentável que, mesmo entre os intelectuais, ninguém perceba isso, acreditando e louvando este mundo como civilizado. Tomemos como exemplo as doenças: é precisamente porque a medicina não está de acordo com a verdade que, para onde quer que se olhe, os doentes pululam.
Tuberculose, disenteria, encefalite japonesa, hemorragia cerebral, paralisia infantil e inúmeras outras doenças, tantas que não se podem contar. E, como desculpa para isso, dizem: "No passado também existiam várias doenças, mas, como a medicina não era avançada, não era possível descobri-las; hoje, tornou-se possível descobri-las."
Seja como for, o que almejamos é simplesmente que os doentes diminuam e os saudáveis aumentem, apenas isso.
Observem como os homens modernos temem excessivamente as doenças; por isso, as autoridades e os especialistas se dedicam à higiene e se esforçam na prevenção. O que é ridículo são as injeções preventivas. A medicina, que não passa de uma mera supressão temporária, não cura a doença e nem sequer sabe distinguir entre supressão temporária e cura radical. É verdade que, mesmo que soubessem, não conheceriam o método de cura, então não há o que fazer. A medicina, além disso, não compreende absolutamente que a doença é uma providência divina para aumentar a saúde, por isso concentra-se apenas em suprimir, acreditando que isso é progresso. E, como não compreende que o próprio método de supressão se torna a causa da doença, quanto mais avança, mais as doenças aumentam, como se pode ver. Observem como os doentes aumentam cada vez mais e o físico se deteriora. Por isso, temem a fadiga e a falta de sono, perdem a perseverança, não conseguem fazer esforços e, ao praticar um exercício um pouco mais intenso, logo desfalecem. O ridículo é o incentivo aos exercícios para a saúde. No entanto, o fato é que os esportistas morrem cedo e, nos Estados Unidos, os esportistas atualmente não conseguem de forma alguma competir com os atletas de origem negra.
Como explicar isso? Não é algo realmente incompreensível? No entanto, aqueles que seguem a patologia defendida pela nossa Igreja e recebem o Johrei veem as doenças se dissiparem e se tornam verdadeiramente saudáveis, como os fatos demonstram.
A seguir, escreverei sobre o Bem. O Bem é, naturalmente, o oposto do Mal. Então, o que é o Mal? É aquilo causado pelo ateísmo que surgiu do pensamento materialista. O Bem, seu oposto, origina-se do teísmo, e esta é a verdade. No entanto, negar este teísmo, que é a verdade, é a premissa da ciência. Portanto, quanto mais a ciência avança, mais o Mal aumenta; e, mesmo que se fale em progresso cultural, é apenas na superfície. Dessa forma, embora reconheçamos as contribuições que a ciência faz, não podemos subestimar os males que ela cria. Os seres humanos que não percebem isso louvam apenas o lado positivo, enquanto, do lado negativo, criam teorias engenhosas que aprisionam a classe dirigente, fazendo com que se acredite que nada pode ser resolvido sem a ciência, distanciando-se completamente da felicidade espiritual.
Em seguida, vem o Belo, que também é problemático. De fato, com o desenvolvimento da cultura, os elementos do Belo aumentaram enormemente, o que é bom para os indivíduos, mas as massas não podem usufruir deles.
Observem: apenas uma parte da classe privilegiada é agraciada com belas roupas, belas comidas e belas residências, enquanto a classe comum mal consegue se alimentar, estando longe de poder apreciar o Belo. Têm apenas comida suficiente para encher o estômago, moradia suficiente para dormir, estradas suficientes para transitar e meios de transporte (talvez isso seja apenas no Japão) nos quais, empurrando-se e apertando-se, mal conseguem embarcar. Esta é, dessa forma, uma sociedade onde não se pode desfrutar nem mesmo da beleza natural das montanhas, rios, grama, árvores e flores, que são as grandes bênçãos de Deus, muito menos da beleza artística criada pelo homem.
Se a cultura se desenvolveu tanto e, ainda assim, a humanidade como um todo não pode usufruir de seus benefícios, o mundo moderno é, na verdade, o Paraíso dos ricos e o Inferno dos pobres. A causa disso é que há um grande defeito em algum lugar da civilização. Somente corrigindo esse defeito e desfrutando da felicidade de forma justa é que se terá um verdadeiro mundo civilizado, e esta é a missão da nossa Igreja Messiânica. Pelo exposto, creio que o verdadeiro significado da Verdade, do Bem e do Belo foi compreendido.
O essencial, porém, é o poder de realizá-los.
Um bolo pintado ou meras palavras de ordem não servem para nada. No entanto, é de se alegrar: finalmente, esse sonho está se tornando realidade e, agora, está prestes a se manifestar nesta Terra.
O Bramanismo e o Islamismo
Tijotengoku nº 56, publicado em 25 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Entre as diversas crenças que existem no mundo, as que apresentam caráter mais peculiar são, sem dúvida, o Bramanismo, a leste, e o Islamismo, a oeste. Ambos são formas extremas de fé Shōjo; e o Bramanismo, mesmo em seu berço, a Índia, hoje se reduziu a uma presença insignificante, restando apenas alguns poucos ascetas bramânicos. Mas o que exatamente é o Bramanismo, como fé? Como quem conhece bem sabe, é uma disciplina que restringe a liberdade por meio dos preceitos mais rigorosos, tomando as práticas ascéticas como preceito — e sua divindade central é o célebre Bodhidharma. Segundo a famosa lenda, após nove anos de prática ascética voltado para uma parede, ele teria alcançado subitamente a iluminação numa noite de lua cheia, sendo por isso também chamado de Bodhisattva da Luz da Lua. Diz-se que, por ter permanecido tanto tempo sentado em meditação, suas pernas apodreceram, a ponto de não conseguir mais se levantar — e é daí, provavelmente, que se origina a tradição de que Bodhidharma não tem pernas. Tendo o Bramanismo nascido de uma prática ascética como essa, também muitos de seus discípulos se dedicavam exclusivamente às práticas ascéticas, em busca da iluminação. É o que hoje se representa, em pinturas e esculturas, como os Arhats — uma disciplina que, em termos de hoje, seria como um curso universitário: quem alcançava a iluminação por esse caminho obtinha um tipo de poder espiritual e manifestava, com frequência, verdadeiros milagres, sendo, por isso, profundamente venerado pelas multidões da época.
E o extremo dessas práticas ascéticas era tal que, por exemplo, cravavam vários pregos por trás de uma tábua e sentavam-se de pernas cruzadas sobre ela, de modo que as pontas dos pregos perfuravam repetidamente as nádegas — e, suportando essa dor insuportável, mantinham-se sentados em meditação por anos a fio, algo que, visto de hoje, arrepia a pele só de imaginar. Havia também a postura, como se vê em pinturas, de erguer algum objeto com uma das mãos e permanecer assim, imóvel, por vários anos; e, sobre o eminente monge daquela época, o mestre Chōso Zenji, é famosa a história de que, como o próprio nome sugere ("ninho de pássaro"), praticava a meditação sentado num ninho de pássaro construído no alto de uma grande árvore. Além dessas, havia, evidentemente, práticas como jejum, silêncio e olhos fechados — o que se pode ver claramente também nas figuras peculiares dos Quinhentos Arhats.
Ao ver isso, Shakyamuni, considerando aquelas práticas extremas demais, elaborou sutras para salvar essas pessoas, ensinando que, pela leitura desses sutras, seria possível alcançar a mesma iluminação — e, ao saberem disso, tanto os buscadores da verdade quanto o povo em geral daquela época se reuniram, unanimemente, admirados por essa virtude, ao redor de Shakyamuni. Foi assim, evidentemente, que se abriu o início do budismo. Por essa razão, mesmo o poderoso Bramanismo acabou, inevitavelmente, entrando em declínio.
Ocorre que, algumas centenas de anos após o falecimento de Shakyamuni, surgiu, como um ramo do Bramanismo, o célebre leigo Vimalakīrti. Esse leigo possuía considerável erudição e força de aprendizado, e agiu no sentido de derrubar o budismo, então ainda florescente — mas, sem forças suficientes, acabou fracassando. Quem deu continuidade ao seu legado buscou terreno na China, e ali se formou, tendo o ensinamento de Shakyamuni como fachada e o espírito bramânico como fundamento, aquilo que conhecemos como Zen. Esse ramo se dividiu em três escolas — Rinzai, Sōtō e Ōbaku —, difundindo o caminho sob esses nomes, e obtendo, por algum tempo, resultados consideráveis. Ainda hoje, no célebre Monte Wutai, sede principal dessa tradição, existe um templo subsidiário do taoísmo, tornando-se uma espécie de "Meca" do Zen. Por essa razão, sua prática tem como base os rigorosos preceitos bramânicos e as práticas ascéticas — e, entre seus praticantes, diz-se que muitos alcançaram considerável percepção espiritual, chegando até a realizar milagres. E foi essa tradição que, ao ser transmitida ao Japão, deu origem a duas seitas próprias: a seita Zen e a seita Nichiren. Assim, a primeira tem como essência os preceitos, e a segunda, as práticas ascéticas, como caminho de disciplina. O fato de o próprio Nichiren ter dito "Eu sou um praticante ascético (gyōja) do Sutra de Lótus" também comprova isso — pois, entre os altos monges das demais seitas, nenhum, além de Nichiren, jamais se autodenominou "gyōja". De fato, "gyōja" é justamente a denominação dos praticantes ascéticos bramânicos. Ou seja, tanto o Hokke (Lótus) quanto o Zen se tornaram, formalmente, budismo — mas sua essência é bramânica, o que se comprova também pelo fato de ambas as seitas serem centradas no esforço próprio (jiriki).
Diferente disso, porém, é a seita Jōdo Shinshū, centrada no poder alheio (tariki) — essa sim pode ser considerada uma transmissão direta do próprio Shakyamuni. Além dela, seitas como Shingon, Tendai e Hossō podem ser consideradas, de certa forma, escolas intermediárias. Fora essas, há também a fé em Fudō e as crenças de esforço próprio do antigo xintoísmo japonês — entre elas, práticas como jejum, banho sob cachoeira, purificação com água e vegetarianismo; e, especialmente, Misogi-kyō e Ontake-kyō são representativas dessa vertente.
O que vimos até aqui pertence ao lado oriental; passemos agora à outra grande religião, o Islamismo. Em termos de localização, embora esteja mais próximo do Ocidente, situa-se, na verdade, entre o Oriente e o Ocidente, tendo como sede a célebre Meca, na Arábia. É chamado de "Huihui" na China e de "Islã" na Índia — mas, ainda assim, é uma religião de forte colorido oriental. Essa fé, como se sabe, tem como núcleo não tanto as práticas ascéticas, mas sim a observância de preceitos extremamente rigorosos — um rigor que nenhuma outra religião consegue imitar. Como isso já é hoje bastante conhecido do público em geral, deixo de detalhar; mas é notável o fato de que essa religião mantém, com firmeza, o domínio sobre a maior parte dos povos orientais. Quanto ao Cristianismo, também essa fé possui bastante elemento de esforço próprio, com preceitos consideravelmente rigorosos. Isso se vê claramente na conduta e no modo de vida de seus pastores, muito diferentes do padrão comum — o que se manifesta, especialmente, em instituições como os mosteiros. Por essa razão, o grande sofrimento dos cristãos de hoje, decorrente do dilema entre essa fé e a vida moderna, tão distante dela, parece ser um tormento espiritual fora do comum.
Nesse ponto, nossa Igreja Messiânica é completamente diferente: em resumo, ao contrário das demais religiões, centradas numa fé infernal baseada nas práticas ascéticas, nossa Igreja rejeita as práticas ascéticas, tendo como princípio fundamental uma vida paradisíaca. Para explicar isso de forma mais simples: todas as religiões até hoje foram religiões da noite, pois tentavam enxergar as coisas na escuridão — e, por isso, o sofrimento que causavam era quase impossível de suportar. Nossa Igreja, porém, sendo uma religião do dia, permite que tudo seja compreendido de forma clara e imediata, com facilidade — é, por assim dizer, a diferença entre o céu e a terra. Isso ocorre justamente porque o longo Mundo da Noite está chegando ao fim, e finalmente demos um passo em direção à transição para o mundo do dia. Ou seja, no mundo espiritual, o sol começou a se erguer, transformando-se gradualmente em dia — e é aqui que se dá a abertura do Paraíso Terrestre: o surgimento, transmitido desde tempos antigos, da luz do Oriente. Isso não é apenas retórica. Comprova-se claramente ao ver, hoje mesmo, uma quantidade incontável de milagres extraordinários se manifestando por toda parte.
A Relação entre Deus e Eu
Tijotengoku nº 57, publicado em 25 de fevereiro do ano 29 da Era Showa (1954)
É algo que ocorre com frequência desde os tempos antigos: os fundadores de religiões, ou aqueles que se autodenominam deuses vivos, frequentemente dizem consultar os deuses ou receber oráculos divinos, entrando em estado de possessão por divindades, e utilizam métodos como o autodiálogo, a escrita automática ou pensamentos que surgem na mente — ou seja, métodos indiretos. No entanto, como é de conhecimento geral, desde a antiguidade não havia outra forma de comunicação com os deuses além deste método. Eu, contudo, sou completamente diferente, sendo uma existência sem precedentes no mundo, e por isso sinto a necessidade de escrever sobre isso de forma geral.
Eu também, no passado, tive uma época em que recebia bênçãos através de métodos espirituais de comunicação com os deuses, mas isso se limitava a assuntos de grande importância. Naquelas ocasiões, ocorreram várias coisas interessantes. Por exemplo, quando eu tinha alguma preocupação e consultava, o deus nada dizia, apenas ria alto, e eu interpretava: "Ah, não devo me preocupar." E, com o passar dos dias, realmente acontecia exatamente como eu havia interpretado, e então eu também ria alto. Isso aconteceu muitas vezes. Quando eu era seguidor da religião Oomoto, além disso, o deus chamado Kunitokotachi-no-mikoto ocasionalmente se apossava de mim, e ainda me lembro da sublime dignidade e da severa inspiração espiritual que esse deus possuía. No entanto, a divindade que mais se apossava de mim era, sem dúvida, Kannon-Sama, a ponto de ser quase incessante. Naturalmente, o sentimento naqueles momentos era de uma serenidade indescritível, transbordando a grande compaixão e a grande misericórdia.
Aqui, um fato interessante, que acredito já ter escrito um pouco antes, é que fui possuído espiritualmente por um deus chamado Izunome-Kinryu. Esse deus dragão havia habitado o Lago Biwa por milhares de anos, aguardando o momento, e finalmente, com a chegada do tempo oportuno e por innen (afinidade espiritual), ele me possuiu. Esse deus é o Kuzuryu, o líder dos Hachi Dai Ryuo (Oito Grandes Reis Dragões), e é o mesmo que é venerado popularmente sob o nome de Kuzuryu Gongen.
Como ele era um deus dragão por um longo período, quando me possuiu pela primeira vez, seu olhar brilhava intensamente, sua boca se rasgava até as orelhas, grandes chifres se erguiam de ambos os lados da testa, e a parte superior das costas, no meio entre os ombros, elevava-se em forma de chifre, emitindo um rugido aterrorizante — o que me deixou estupefato. Naquela época, eu ainda não tinha muito conhecimento espiritual, então não entendia nada do que estava acontecendo, mas logo depois descobri que se tratava de um deus dragão e, em pouco tempo, ele começou a falar. Naquela ocasião, disse: "Por ter sido um deus dragão por tanto tempo, não conseguia usar a linguagem humana, mas graças a você, finalmente pude usá-la." E então me contou várias coisas, entre elas assuntos extremamente misteriosos e importantes, e muitas vezes a alegria brotava em mim junto com o espanto.
Ainda há muitas outras coisas, que escreverei em outra ocasião, mas o que quero dizer aqui é sobre o meu eu atual. Já contei em algum momento que, durante o Incidente de Shizuoka, dentro da cela de detenção, ocorreu uma obra divina extremamente misteriosa. Foi nessa ocasião que o deus mais elevado e mais nobre, ○○○○○, entrou em meu corpo, e foi de acordo com o Plano Divino daquele momento que, logo após minha libertação, escrevi mil folhas da caligrafia "Sanka Ketsujitsu" e as distribuí aos principais fiéis. A partir daquele momento, porém, tornou-se desnecessário para mim consultar os deuses como antes. Isso porque, uma vez que o espírito de divindade reside em meu corpo, a separação entre deus e homem, como antes, foi removida, e alcancei o estado de unificação entre deus e homem. Em outras palavras, como sou deus e homem ao mesmo tempo, tudo o que faço é diretamente dos deuses, tornando-se suficiente agir conforme meu próprio pensamento.
O que compreendi ao saber disso é que consultar os deuses, como escrevi no início, é o método praticado até hoje, e sempre de modo indireto. Para mim, porém, que me tornei o que sou agora, isso é, naturalmente, algo sem precedentes no mundo. Não sei quanto aos três grandes santos — Buda, Cristo e Maomé —, mas acredito que provavelmente não tiveram uma comunicação tão direta com os deuses como eu. Por quê? Pode-se entender observando as inúmeras realizações que deixaram até os dias de hoje.
Felicidade
Tijotengoku nº 1, publicado em 1 de dezembro do ano 23 da Era Showa (1948)
Desde os tempos antigos até os dias de hoje, não há ser humano que não deseje a felicidade, pois ela é, na verdade, o primeiro e o último objetivo da humanidade. Embora os estudos, a disciplina e os esforços tenham por finalidade alcançá-la, quantas pessoas conseguem, de fato, obtê-la plenamente? A realidade geral é que a maioria, mesmo pensando continuamente em conquistar a felicidade, acaba, ao contrário, em situação de infelicidade, tornando-se apenas uma lembrança sem jamais ter conhecido a alegria da solução. Será, então, que alcançar a felicidade é algo tão difícil assim? Eu gostaria de dizer que não.
Em primeiro lugar, todos sabem que a felicidade tem como base a solução destes três grandes problemas — doença, pobreza e conflito —, mas é fácil falar e difícil realizar, e na maioria das vezes as pessoas não têm outra escolha senão desistir. Tudo tem causa e efeito. É claro que, se a felicidade também está sujeita à mesma lei, o ponto de partida para a solução do problema deve ser, antes de tudo, conhecer a sua causa.
Enquanto a causa for desconhecida, portanto, por mais que se esforce, é certo que não há possibilidade de realização. Então, qual é essa causa? Eu gostaria de expô-la. O que se diz desde os tempos antigos — "causa boa, efeito bom; causa má, efeito mau" — é, na verdade, a verdade que perpassa os milênios. Conhecer essa verdade e esforçar-se para fazer os outros felizes deve ser a condição absoluta para tornar a si mesmo feliz. No entanto, neste mundo há um número excessivo de pessoas que, ignorando a infelicidade alheia, tentam ser felizes apenas para si mesmas. É algo completamente tolo, pois tentam obter o fruto da felicidade enquanto semeiam as sementes da infelicidade. É exatamente como a água: se a empurramos, ela flui para a direção oposta; se a puxamos, ela flui para a frente.
É neste ponto que reside a importância da religião para o ser humano. O amor do Cristianismo e a compaixão do Budismo têm como propósito fundamental incutir a ideia altruísta de fazer os outros felizes. O ser humano tem grande dificuldade em reconhecer uma verdade tão simples como esta. Por isso, os deuses e budas criam várias doutrinas, mostram os padrões para o coração, a palavra e a ação, ensinam a existência do invisível e, através dos ministrantes, conduzem as pessoas à fé com toda a sinceridade. No entanto, não é nada fácil salvar uma única pessoa, e isso não é sem motivo: as pessoas comuns, educadas a não acreditar no que não se vê, estão enraizadas no pensamento materialista e dificilmente se dispõem a dar ouvidos. Assim, acorrentadas a sonhos ilusórios, vagando e sofrendo na escuridão, acabam partindo para a viagem sem retorno. Deve-se dizer que a vida é realmente efêmera.
Contudo, se houver um método pelo qual, ainda em vida, se possa mergulhar na alegria, habitar no estado de êxtase espiritual, obter longevidade e tornar-se um verdadeiro felizardo, então este mundo é, de fato, o Paraíso, e deve-se dizer que a vida vale a pena ser vivida. No entanto, as pessoas dirão: "É impossível tornar-se tão feliz neste mundo de sofrimento." Essa é a resignação do pensamento geral. Mas nós afirmamos: existe o segredo para se tornar um felizardo como o descrito acima, e, como introdução para transmiti-lo, oferecemos primeiramente esta revista.
Os Medicamentos Causam a Infelicidade
Tijotengoku nº 44, publicado em 25 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Quanto aos medicamentos, venho examinando-os sob todos os ângulos até agora, mas tenho a impressão de que ainda não escrevi com muitos detalhes sobre a relação entre eles e a infelicidade.
Por isso, escrevo aqui sobre este assunto. Em primeiro lugar, onde reside a causa da felicidade e da infelicidade humanas? Naturalmente, no mundo espiritual, e é preciso compreender isto suficientemente. Escreverei, então, sobre a organização do que chamamos de mundo espiritual. Ele é composto por cento e oitenta camadas, que, por sua vez, dividem-se em sessenta camadas superiores, sessenta camadas médias e sessenta camadas inferiores. As camadas inferiores são o mundo do Inferno, as médias, o Mundo Intermediário, e as superiores, o mundo do Paraíso. Essas sessenta camadas — superiores, médias e inferiores — dividem-se novamente em vinte superiores, vinte médias e vinte inferiores, e dentro dessas vinte também existem níveis superiores, médios e inferiores. Assim, mesmo quando se fala simplesmente em Inferno, é natural que o sofrimento se torne mais intenso à medida que se desce para as camadas inferiores. No Inferno mais baixo, chega-se a um mundo em que doenças incuráveis, fome, conflitos e coisas do gênero atingem seu grau extremo. Na tradição xintoísta, isso é chamado de Reino do Fundo da Raiz; no budismo, de Escuridão Profunda e Ignorância, ou Inferno de Frio Extremo; e Dante o chama de Purgatório.
À medida que se sobe gradualmente para as camadas superiores, porém, a situação vai se amenizando, e somente ao se chegar ao Mundo Intermediário é que se atinge um estado social comum. Aqui, como o próprio nome indica, o sofrimento é mediano e a alegria também é mediana. Contudo, quando se ultrapassa esse ponto em direção ao alto, entra-se no mundo do Paraíso. Esta é exatamente a Terra Pura mencionada nas escrituras budistas, um mundo sem doenças, sem pobreza, com comida e bebida em abundância, repleto de felicidade harmoniosa.
Como exposto acima, a maioria das pessoas comuns tem seu registro no Mundo Intermediário. No entanto, não se pode ficar tranquilo de forma alguma, pois, dependendo do coração e das ações da pessoa, é possível tanto subir quanto descer — mas, na maioria dos casos, as pessoas caem para baixo, e o mundo material também reflete isso.
Escrevi, de forma resumida, a relação entre o mundo material e o mundo espiritual, mas, como sempre digo, a lei de todas as coisas é que o espírito é primordial e a matéria é secundária. Sendo assim, mesmo os seres humanos não fogem a essa regra, e a felicidade ou infelicidade é determinada pela posição do espírito no mundo espiritual. Esta é a verdade. Portanto, se a pessoa conhece isto e o observa bem, tornar-se uma pessoa feliz não é algo difícil. Dessa forma, por mais que alguém se considere feliz e seja considerado feliz pelos outros, se não tiver seu registro no Paraíso, no mundo espiritual, essa felicidade é temporária e, mais cedo ou mais tarde, a pessoa cairá para a posição correspondente ao seu registro. Da mesma forma, por mais infeliz que alguém seja atualmente, se essa pessoa, por meio de uma fé correta, praticar a virtude e realizar boas ações, tais como salvar as pessoas, subirá para uma posição correspondente e se tornará uma pessoa feliz.
E qual é a causa fundamental e última disso? É que o espírito cai para as camadas inferiores porque as nuvens espirituais se acumulam nele, tornando-o pesado. Portanto, quanto mais as nuvens espirituais diminuem, mais leve o espírito se torna, mais ele se eleva e, acompanhando isso, a felicidade também aumenta. Em outras palavras, a felicidade e a infelicidade humanas dependem da quantidade de nuvens espirituais no espírito. Assim, apenas conhecendo este princípio, a pessoa já entrou para o grupo dos felizes. Esta é a regra de ferro imutável através dos milênios no mundo espiritual, e não há outra opção senão acreditar nela.
Então, o que são as nuvens espirituais? Desde os tempos antigos, as religiões as consideram como pecado e impureza. Como todos sabem, não há necessidade de explicação, mas isso é apenas a superfície. No fundo disso, existe uma grande causa, que é a origem fundamental das nuvens espirituais. O que é isso? É exatamente aquilo que as pessoas do mundo consideram a coisa mais excelente e que, desde os tempos antigos até os dias atuais, utilizam em abundância: os medicamentos. Ao ouvir isso, qualquer pessoa ficará surpresa, mas eu o soube por meio da revelação divina; portanto, quero que acreditem absolutamente. Quando um medicamento é introduzido no corpo, seu veneno turva o sangue. Se o sangue se turva, pela lei da unidade do corpo espiritual, o espírito nubla-se. Portanto, não há nada mais temível do que os medicamentos. Em suma, os medicamentos nublam o espírito, tornam-no pesado, e a posição no mundo espiritual desce gradualmente, até cair no mundo do Inferno. Como resultado, pelo princípio da correspondência, aumenta o número de pessoas que praticam ações repugnantes, e o mundo se tornou este mundo de sofrimento, o Shaba, onde a doença, a pobreza e o conflito grassam.
Se, como exposto acima, a causa fundamental e última que torna os seres humanos infelizes são os medicamentos, então, para transformar este mundo em um mundo de paz e felicidade, antes de tudo, é necessário abolir os medicamentos da sociedade. É por isso que revelo e alerto sobre esta causa fundamental e última.
O Aumento da Criminalidade e sua Solução
Tijotengoku nº 2, publicado em 1 de março do ano 24 da Era Showa (1949)
"Apresentando números aproximados, o número de pessoas condenadas por furto nos anos 16 e 17 da Era Showa (1941 e 1942), período em torno da Guerra do Pacífico, era de pouco mais de quinze mil pessoas por ano. No entanto, no período de um ano, de setembro do ano 20 (1945) a agosto do ano 21 (1946) do pós-guerra, esse número subiu para pouco mais de cinquenta e quatro mil pessoas, e, no período de um ano de setembro do ano 21 a agosto do ano 22 (1947), chegou a pouco mais de setenta e quatro mil pessoas — um aumento de cerca de cinco vezes. Quanto aos assaltos, o aumento é ainda mais acentuado do que o dos furtos. Nos anos 16 e 17, eram pouco mais de trezentos por ano, mas, no período de um ano de setembro do ano 20 a agosto do ano 21, passaram a pouco mais de mil, e, no período de um ano de setembro do ano 21 a agosto do ano 22, tornaram-se pouco mais de oitocentos.
Comparando os anos 16 e 17 com o ano 22, houve um aumento de vinte e cinco vezes."
Isso também fica claro pelo que foi exposto acima. Contudo, ao examinar os comentários de jornais e outros meios sobre a causa disso, a maioria afirma que o aumento da criminalidade após a guerra é um fenômeno comum em todo o mundo, decorrente das dificuldades de vida pela escassez de materiais, do aumento populacional devido aos soldados repatriados etc. Isso está inteiramente correto e não há erro, mas, na verdade, esses são apenas aspectos superficiais, e a maioria não percebe que há uma causa principal e grave na raiz.
Escreverei agora sobre o que é essa causa. Ao examinar profundamente as circunstâncias em que os criminosos cometem seus crimes, vê-se que eles habilmente evitam os olhares das pessoas, agindo com a psicologia de que, se não forem vistos, podem ocultar o ato. Sendo esse o pensamento do ladrão, uma vez descoberto, ele acaba inevitavelmente matando a vítima para tentar enterrar o crime na escuridão. Que essa é a psicologia do assaltante fica claro também por inúmeros exemplos. E qual é a causa desse modo de pensar? É inteiramente a falta de convicção religiosa. Provavelmente, nunca houve uma época na sociedade do Japão moderno em que o sentimento de fé fosse tão rarefeito como agora. É necessário saber, então, por que veio uma época de rarefação da fé como a mencionada.
Hoje está claro que os militares japoneses vinham se preparando para a guerra desde tempos consideravelmente anteriores. Em termos materiais, naturalmente, denominavam o país de Estado de Defesa Nacional e, enquanto gradualmente convertiam as indústrias pacíficas em bélicas, havia também a impressão de que o treinamento militar dos jovens, por exemplo, era realizado com o máximo cuidado. Além disso, passaram a oprimir as religiões, perseguindo indiscriminadamente as novas religiões, o que encheu as páginas dos jornais da época e ainda está fresco na memória. E qual a razão disso? Seja qual for a religião, desde que tenha o nome de religião, seu princípio fundamental é o pacifismo e a não resistência. Esse pensamento, portanto, em caso de guerra de invasão, torna-se algo prejudicial e um obstáculo, sendo necessário incitar grandemente o espírito de luta. Para isso, antes de tudo, era preciso arrancar em grande medida o sentimento religioso. Isso era especialmente verdadeiro entre os jovens, e por isso foi natural que os militares da época tocassem flauta e batessem tambores nesse sentido. Isso fez com que se desenvolvesse não apenas o espírito de luta, mas até a crueldade, o que se tornou a causa do estado atual da sociedade.
O fato de haver numerosos criminosos entre os repatriados fala eloquentemente disso. Nesse sentido, a juventude que respira na sociedade atual é verdadeiramente digna de compaixão.
Vede: o pensamento de lealdade ao imperador e amor à pátria incutido nesses jovens ruiu. Uma vez que os líderes que os fizeram avançar rumo à vitória, com os jovens oferecendo suas preciosas vidas, caíram na miserável condição em que se encontram hoje, a indignação por terem sido enganados, a frieza dos sentimentos nacionais em relação aos repatriados, as dificuldades de vida e outros fatores diversos acabaram por levá-los ao ceticismo, a amaldiçoar a sociedade e a se tornarem autodestrutivos. Há, por um lado, muitos pontos dignos de compaixão nisso. No entanto, apenas a compaixão não é a solução. É claro que a verdadeira solução é que surja um líder forte que traga luz ao seu futuro e mostre a alegria de viver.
As atividades religiosas que a Igreja Messiânica realiza atualmente dão importância a esse ponto e vêm obtendo resultados consideráveis. O que surpreende aqueles que se convertem à Igreja Messiânica é que os jovens fiéis constituem a grande maioria. Esses jovens, tendo perdido o espírito orientador como mencionado, ardem com um desejo religioso de obter alguma convicção forte. Por isso, ao conhecerem os ensinamentos da nossa Igreja, sentem que é exatamente o que procuravam e se convertem, como se tivessem encontrado uma luz na escuridão da noite. Naturalmente, sua alegria é imensa, e eles se transformam em fiéis ardentes, tornando-se por completo jovens de bem. Além disso, ao encontrarem milagres como expressão do poder dos deuses e budas invisíveis, não podem deixar de crer de todo o coração e são verdadeiramente salvos. Nesse sentido, pode-se dizer que qualquer educação ou moral, sem a crença nesse algo invisível, não passa de algo sem substância.
Pelo que foi exposto, compreende-se que o método para prevenir o crime, que atualmente aumenta vertiginosamente, não é outro senão a verdadeira religião.
Os Males Sociais Podem Ser Resolvidos?
Tijotengoku nº 20, publicado em 25 de janeiro do ano 26 da Era Showa (1951)
O aumento vertiginoso de criminosos em nosso país atingiu níveis nunca antes vistos. Surgem casos grandiosos, como roubos e furtos cometidos por gangues de mais de cem pessoas, com prejuízos que chegam a quatrocentos milhões de ienes, e também incidentes de violência em grupo. A criminalidade entre os jovens, além disso, só aumenta, configurando um estado social que não pode mais ser tolerado como está. E quanto às classes média e alta? Estas também são um problema. Diz-se que escândalos de corrupção em várias corporações públicas, subornos e propinas relacionados a diversos empreendimentos, e outras questões repugnantes, são quase infinitos. No entanto, se considerarmos que estes são apenas a ponta do iceberg que veio à tona, a sensação é de que a extensão dos males sociais no Japão atual é insondável. É como uma montanha de lixo completamente acumulada, um estado em que não há sequer onde pisar. Sendo assim, a grande questão do momento é como podemos purificar isso. Naturalmente, o governo e os intelectuais também se preocupam com esses muitos problemas difíceis e se esforçam para resolvê-los, o que é compreensível.
Contudo, por que nem mesmo um vislumbre de solução pode ser facilmente percebido? Ao examinarmos isso a partir de nossa perspectiva, vemos que os responsáveis estão, na verdade, cometendo um erro colossal, completamente equivocados em seu foco. Pensemos bem: primeiro, qual é a causa fundamental do crime? É óbvio que, se isso não estiver claro, não se pode estabelecer uma medida adequada. Desnecessário dizer que a raiz do crime é um problema da alma humana; não há nada além disso. Conforme a alma seja branca ou preta, isto é, a pessoa se torna boa ou má. O ponto central para a resolução do problema, portanto, é transformar a alma preta de uma pessoa em branca, e os governantes e intelectuais de hoje não percebem isso. Eles focam apenas nos aspectos superficiais e secundários que se manifestam externamente, estabelecendo várias medidas e se desdobrando em instalações de prevenção ao crime. É como tirar água de um balde furado: por mais anos que passem, a erradicação do crime é algo inimaginável. Alguém disse que, para eliminar completamente o crime, seria necessário um policial para cada cidadão — uma observação perspicaz e irônica. Portanto, não importa o quanto se melhore o sistema judiciário, nem o quanto a polícia e os tribunais se esforcem, é natural que não se obtenha o efeito esperado.
Não existe, então, uma solução verdadeiramente eficaz? Na verdade, existe, e em abundância. Vou escrevê-la em detalhes agora. Como dito anteriormente, para tornar a alma de todos os seres humanos branca, existe apenas um método: a religião, obviamente. Não há erro em afirmar isso com toda a certeza, como se apusesse um selo de garantia. No entanto, dizer que qualquer religião serve é algo que requer muita consideração.
Como é sabido, mesmo falando em religião, existem várias, como as oito seitas e as nove escolas. Examinemos primeiro as novas religiões. Infelizmente, aquelas que se pode considerar confiáveis e satisfatórias são tão raras quanto estrelas da manhã. E quanto às religiões antigas? Parece que também não possuem poder suficiente para transformar o preto em branco como mencionado, o que provavelmente é a intuição de todos. Sendo assim, o primeiro passo é abrir bem os olhos e examinar todas as religiões. Dentre elas, deve-se selecionar algumas que, de alguma forma, pareçam confiáveis e, mesmo que não se possa apoiá-las, tratá-las com benevolência. Pode-se dizer que não há outra boa estratégia além desta.
No entanto, por alguma razão, os responsáveis, embora se preocupem com os males sociais, não cogitam depender da religião. A situação atual é que eles insistem em se agarrar ao método materialista, como mencionado, e não se afastam dele. Se assim for, o povo é quem é infeliz. O mais urgente, portanto, é abrir esse ponto cego e fazê-los reconhecer a verdadeira essência da religião. Desnecessário dizer que, como a base da mentalidade dos criminosos é a visão materialista de que o que não se vê não se deve acreditar, eles pensam que basta enganar os olhos das pessoas, concentrando toda a sua inteligência nisso e promovendo a geração de males sociais. A menos que essa mentalidade seja removida, qualquer outro meio não passará de um paliativo temporário. É imperativo, portanto, estabelecer a visão espiritualista como fundamento e fazê-los reconhecer a existência de Deus. Se eles acreditarem que os olhos de Deus estão constantemente vigiando as ações de cada ser humano e compreenderem o Caminho Perfeito da causa má, efeito mau; causa boa, efeito bom, erradicar a raiz do crime será algo fácil.
No entanto, os intelectuais que lerem este texto dirão: "De fato, deve ser como o senhor diz, mas fazer com que reconheçam Deus apenas com isso é um pedido impossível." Isso ocorre porque a própria mentalidade desses intelectuais é exatamente essa; eles provavelmente pensarão que impor a existência de um Deus que não existe não passa de um disparate de cultos malignos e supersticiosos. Isso porque, quando pensam em religião, eles a veem com base nas religiões convencionais, o que não deixa de ser compreensível. No entanto, gostaria que recuassem um passo e pensassem profundamente sobre a cultura científica, que tem avançado verdadeiramente, com invenções e descobertas surgindo uma após a outra. Comparando com cem anos atrás, o que era sonho naquela época tornou-se realidade hoje. No entanto, apenas a religião não mudou nem um pouco desde a sua fundação, há centenas ou milhares de anos. É inevitável que surja a dúvida: por que existe essa contradição? Assim, quando os intelectuais de hoje veem a religião, eles a consideram pouco mais que uma relíquia de uma era passada.
É a mesma visão de quem observa uma peça de antiquário. Mesmo que lhes digamos que a solução para os males sociais deve vir por meio da religião, eles não dão o menor ouvido. Aí está o problema. Como dito anteriormente, assim como o progresso e o desenvolvimento da cultura científica estão criando uma era revolucionária, também no caso da religião algo semelhante deve surgir. Pelo contrário, não seria surpreendente se surgisse algo ainda mais avançado do que o nível da ciência. Se assim for, não é de se estranhar que essa nova religião tenha o poder de resolver o que a ciência não pode resolver. Se este significado for compreendido, não há como não apreender a verdadeira natureza da nossa Igreja. Falando sem reservas, trata-se de quão grande é o poder da nossa Igreja; uma vez que nela se entre, qualquer pessoa pode facilmente reconhecê-lo. Pensem bem: por mais magnífico que algo seja, não se pode vê-lo sem se aproximar. Por mais deliciosa que seja uma comida, não se pode saboreá-la sem colocá-la na boca.
Assim como um tesouro de ouro enterrado no solo não pode ser agarrado sem ser desenterrado, imaginar apenas de longe é como desenhar um bolo no papel. Se alguém se deixa enganar por boatos ou notícias falsas de jornais e pensa que é apenas mais um tipo de culto maligno e supersticioso, está recusando a felicidade por conta própria. Acima de tudo, é preciso avançar e ter contato com ela. "Quem não entra na toca do tigre não pega seus filhotes" é, sem dúvida, uma máxima milenar de ouro.
Meishu-Sama e Madame David: Crônica do Encontro com os Jornalistas
Tijotengoku nº 41, publicado em 25 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Conforme já divulgado na edição nº 173 do Eikō, a Srta. Madeleine David, que todos conhecem, é vice-diretora do Museu Cernuschi, em Paris, França, e uma autoridade em arte oriental. Ela veio ao Japão para pesquisar a arte japonesa. No dia 22 de agosto do ano passado, acompanhada pela Srta. Tatsuko Tazuke, do Ministério das Relações Exteriores, pelo Sr. Shiro Takeuchi, presidente do conselho de administração do jornal Hochi Shimbun, pelo Sr. Shohei Morimura, diretor-chefe de redação, e pelo Sr. Masashi Watabe, do departamento de vendas do jornal Yomiuri Shimbun, visitou o Museu de Hakone, ficando profundamente impressionada. Em seguida, no salão japonês do terceiro andar do museu, encontrou-se com Meishu-Sama, e imediatamente uma animada conversa floresceu. Apresentamos aqui, por meio de estenografia, o relato desse encontro que se estendeu por uma hora e meia.
As Duas Nações Artísticas do Mundo
Meishu-Sama: Tenho visto seu nome com frequência nos jornais. Naquela época, pensei que gostaria muito de lhe mostrar isto. A senhora está no Japão há bastante tempo?
Madame David: Cheguei em fevereiro deste ano e pretendo ficar até fevereiro do ano que vem.
Srta. Tazuke: Ela veio como representante da UNESCO e é muito versada na arte japonesa.
Meishu-Sama: Este museu reúne obras japonesas; portanto, sinta-se à vontade para vir e estudá-las com calma, a qualquer momento.
Madame David: Estou pasmada. Havia coisas que jamais vira e, por isso, tenho lhe causado vários incômodos, pensando em enviar fotografias para a França. Desculpe-me por dar-lhe tanto trabalho repetidas vezes.
Secretário: A senhora pediu que enviássemos à UNESCO o "E-inga-kyō" (*1) e a pintura de "Yuna" (mulher do banho) em tamanho natural. Parece que isso circulará pelo mundo inteiro.
Meishu-Sama: Está bem.
Secretário: Acho que levará até por volta de novembro.
Madame David: Não há problema. Se enviarem ao museu de arte oriental em Paris, eu os exibirei imediatamente.
Meishu-Sama: A França é muito próxima em termos de arte — a França na Europa, o Japão no Oriente. São as duas nações artísticas do mundo, não são?
Madame David: Acredito que sim.
Meishu-Sama: Penso que fomentar amplamente a arte também é algo muito bom do ponto de vista ideológico.
Srta. Tazuke: Esta senhora é o braço direito do Dr. Grousset e cuida sozinha da organização do museu e de outras coisas. Ela ainda é solteira — parece que se casou com a arte oriental. Por isso, vive viajando de um lado para o outro, mas ainda não foi à China.
Meishu-Sama: Além do mais, a China não deve ter coisas raras, não é?
Madame David: Acho que há, no museu de Pequim.
Meishu-Sama: Pode até haver, mas as coisas boas Chiang Kai-shek deve tê-las levado. A arte chinesa está mais na América e por aí.
Madame David: Deve ser assim.
Secretário: Parece que ela gostou muito do pesado chawan (tigela de chá) de Ninsei.
Meishu-Sama: Pois é. É porque o design é moderno.
Srta. Tazuke: Ela gostou tanto da tigela de chá de celadon que disse que queria roubá-la... mas, por mais que se desdobrasse, não conseguiria pagar nem metade; sem jeito, desistiu.
Meishu-Sama: Pois não (ri).
Kōrin Vive na França
Meishu-Sama: Gostaria de realizar uma exposição também na França...
Madame David: Gostaria de realizar uma exposição de arte japonesa em Paris e uma exposição de arte francesa em Tóquio.
Meishu-Sama: A arte japonesa, até agora, raramente foi vista por estrangeiros. As obras de arte japonesas, na verdade, estavam guardadas em depósitos de pessoas ricas e da nobreza, que não gostavam que fossem vistas. Por isso, mesmo que alguém quisesse vir ao Japão para vê-las, só conseguia ver algumas poucas e, como estavam dispersas em vários lugares, era impossível vê-las completamente. A base deste museu é, portanto, a necessidade de criar uma instituição onde todos possam apreciar tais obras. Por isso, tenho me esforçado de várias formas para mostrar ao máximo aquelas coisas que antes não podiam ser vistas. E, como venho colecionando principalmente obras de Kōrin, Kōetsu, Sōtatsu e Kenzan, estou pensando em realizar uma exposição delas. Hoje em dia, fala-se de Matisse e Picasso, mas, no fundo, a origem deles é Kōrin.
Madame David: Penso o mesmo. A arte japonesa tem relação com a arte moderna francesa. De Kōrin, vi apenas fotografias. Ver suas pinturas na França não é a mesma coisa. Elas foram um grande objeto de estudo para a arte moderna francesa.
Meishu-Sama: É verdade. Quanto aos kakemono (rolos de pintura) da escola Rinpa, tenho muitos de Sōtatsu, então os exibirei. Acho que será de grande referência.
Madame David: Outra mulher que estuda em Paris virá em breve, e gostaria de visitá-lo com ela.
Meishu-Sama: Conta-se que um japonês, querendo aprender pintura, foi até Matisse, mas este lhe disse: "Você não precisa vir até a França. No Japão, há o grande Kōrin. Kōrin é meu mestre. Portanto, não há necessidade de vir especialmente até a França."
Srta. Tazuke: Parece que Matisse já está bem velho e não está mais muito bem.
Madame David: Eu realmente não conhecia a arte japonesa anterior a Kōrin.
Meishu-Sama: Isso porque a senhora não teve oportunidade de vê-la.
Madame David: É mesmo? Acho que uma exposição de arte japonesa é absolutamente necessária.
Meishu-Sama: É isso mesmo.
Madame David: Na França há poucos brocados de fundo dourado (kinran).
Meishu-Sama: Os da China? Falando nisso, tenho catálogos ilustrados, mas não tenho as peças. Os brocados de fundo dourado também são raros na América e na Inglaterra. Os que existem por lá são bem modernos, da era Kangxi a Qianlong, de uns duzentos anos atrás. Mas os brocados de fundo dourado são da dinastia Ming, de cerca de quatrocentos anos atrás. Esses não existem. Foram muito valorizados pelos japoneses e, quando foram importados antigamente, foram guardados com grande zelo. Também não há muitas peças boas de celadon; não há na América nem na Inglaterra. As peças boas que existem na Inglaterra são da cerâmica Jun, e essas são superiores às do Japão. O Japão não tem muitas peças Jun, mas tem celadon. Além disso, as peças da Inglaterra e da América são chamadas de "objetos de escavação", retirados do solo; as do Japão são "objetos transmitidos por gerações", portanto, completamente diferentes. Por exemplo, havia aquela tigela de chá chamada "taihai" (com padrão de casco de tartaruga, tipo tenmoku), com uma fênix desenhada; essa é uma peça transmitida por gerações, que nunca esteve enterrada. A maioria das outras esteve enterrada.
Secretário: Dizem que o vaso de Anderson está na Suécia, e que há muitas peças com cerca de três mil anos. Parece que no Japão há muito poucas.
Meishu-Sama: É isso mesmo.
Srta. Tazuke: Outro dia encontrei um chinês e perguntei a ele; disse que no Japão há, ao que parece, duas. Uma está em Hakone e a outra em Kyoto.
Secretário: Dizem que o vaso com desenho de peônias e borboletas é muito bom.
Meishu-Sama: Aquela é uma peça boa. Saiu em uma revista americana, mas também existem peças ruins dela. A boa está no Japão, no Museu Hakutsuru, em Osaka. O Museu Hakutsuru tem peças boas.
Madame David: A levaram para São Francisco?
Meishu-Sama: Levamos para Los Angeles.
Madame David: Gostaria de contar com o apoio da UNESCO. Como farei um relatório para a UNESCO, eles ficarão sabendo...
Meishu-Sama: Fazer arte traz algum benefício ideológico, não é?
Srta. Tazuke: A UNESCO está se esforçando muito. Pediram ao meu departamento cinquenta xilogravuras ukiyo-e inéditas e de boa qualidade, mas não tínhamos dinheiro para comprar todas as matrizes, o que foi uma grande preocupação. No entanto, parece que, ao verem o resultado, acharam tão bonito que acabaram ganhando as gravuras.
Meishu-Sama: No Japão há quem selecione e produza boas gravuras.
Srta. Tazuke: A Associação de Arte Oriental nos apoiou com muito entusiasmo. Parece que as gravuras circularão pelo mundo, mas só com gravuras não se pode dizer que é a arte japonesa...
Meishu-Sama: No fim das contas, a ideia é fazer um bom álbum de pinturas — pretendo fazer isso em breve. Produzir muitas reproduções fotográficas das obras famosas do Japão e enviá-las para esses lugares, em vários países. O Japão tem muitas coisas boas, não é?
Madame David: Acho que é uma ideia magnífica, que poderíamos até chamar de milagrosa.
Secretário: A senhora disse que o "E-inga-kyō" (*1) de Nara talvez seja melhor.
Meishu-Sama: Não quero ser indelicado, mas aquele é inferior. Este daqui foi feito primeiro.
Madame David: Parece que sim.
Meishu-Sama: Aquele veio depois. O de Nara pertence ao acervo da escola de arte, mas no período Tenpyō foram feitas tanto uma versão anterior quanto uma posterior, e a posterior está exposta no Museu de Nara. Comparando, percebe-se imediatamente.
Madame David: Gosto muito do "E-inga-kyō". Tenho a impressão de que toda a pintura japonesa deriva dele.
Meishu-Sama: Isso é realmente uma boa percepção. É verdade mesmo. Vem do "E-inga-kyō" e depois se transforma na pintura Yamato-e...
Madame David: A origem da pintura Yamato-e?
Meishu-Sama: Sim. A senhora conhece muito bem. Do "E-inga-kyō" surge a pintura Yamato-e, e depois o ukiyo-e. Tenho comigo a primeira obra que fez essa transição do "E-inga-kyō" para a pintura Yamato-e; vou mostrá-la agora. Se a senhora entende até esse ponto, é impressionante. Mesmo entre os japoneses, poucos entendem isso.
A Igreja Messiânica e o Museu
Jornalista: O senhor parece ter um conhecimento muito profundo...
Meishu-Sama: Gosto disso desde jovem e tenho estudado bastante.
Jornalista: Quando o senhor olha para uma peça, consegue perceber se é uma falsificação?
Meishu-Sama: Percebo na hora.
Jornalista: E já foi enganado alguma vez?
Meishu-Sama: No início, sim, mas percebo logo.
Jornalista: Qual é a relação entre a Igreja Messiânica e o museu?
Meishu-Sama: Superficialmente, nenhuma. No entanto, para construir algo como isto, foram os seguidores que doaram todo o dinheiro. Mas a Igreja Messiânica não tem relação alguma. Um museu como este é extremamente necessário para a nação. Por isso, o Comitê de Proteção aos Bens Culturais também o apoia com grande entusiasmo. Eles dizem que algo assim é indispensável para o país.
Jornalista: Fiquei surpreso ao ver que foi construído em um local tão excelente.
Meishu-Sama: Sim, a localização é boa. Além disso, os estrangeiros sempre vêm a Hakone, então, quer queiram quer não, acabam vendo isto. Isso é o melhor. Mas até agora, era muito difícil para um indivíduo ver essas obras. Por isso, algo de acesso público como este é absolutamente necessário.
Jornalista: A Igreja Messiânica valoriza muito a beleza...
Meishu-Sama: Isso porque se trata da Verdade, do Bem e do Belo; a beleza é necessária. Em nosso movimento, dizemos que religião e arte são inseparáveis. A religião aprimora o coração humano, eleva-o ideologicamente. Para isso, é preciso fazer o espírito atuar, elevá-lo, e também alcançar o homem pelos ouvidos e pelos olhos. No entanto, o que entra pelos olhos hoje em dia, mais do que elevar, muitas vezes rebaixa. Coisas como o strip-tease até podem ter seu valor, mas, apesar disso, pensa-se muito na necessidade de algo bom que eleve. O artigo do Sr. Tetsuzō Tanikawa, do Yomiuri, parece ter tido grande repercussão.
Jornalista: Quando houver uma exposição, seria bom convidar críticos para vê-la e fazer com que escrevam não só nos jornais, mas também em revistas de arte.
Meishu-Sama: Já saiu na revista Geijutsu Shinchō.
Jornalista: Ainda assim, seria bom que uma revista especializada em arte dedicasse uma edição só ao museu. Por exemplo, publicar um número especial sobre o Museu de Hakone.
Meishu-Sama: Vamos fazer isso aos poucos. Mas, se os estrangeiros causarem muito alvoroço agora, os japoneses também causarão. É como o filme "Rashōmon". No início, também não achei que fosse grande coisa, mas, ao ouvir falar e rever, percebi que realmente é bom. Com as obras de arte do museu, deve acontecer o mesmo.
(Neste momento, mostra-se um kakemono com quatro painéis representando Shaka e oito discípulos)
Madame David: É muito interessante.
Meishu-Sama: Não é mesmo? É justamente o ponto de transição da pintura budista para a pintura Yamato-e. É do início do período Kamakura. Por isso, transmite bem a atmosfera do período Fujiwara.
Madame David: É verdade. O autor é o mesmo?
Meishu-Sama: Sim.
Madame David: É a mesma época, não é?
Meishu-Sama: Sim.
Srta. Tazuke: Talvez o Museu de Hakone se torne famoso no exterior rapidamente. Se a UNESCO der destaque a ele, talvez os próprios japoneses acabem correndo para vê-lo, dizendo "ah, então existia algo assim".
Meishu-Sama: Pois é, a adoração pelo que vem de fora também não se consegue eliminar facilmente.
Jornalista: O projeto daqui foi feito pelo senhor?
Secretário: Ele o fez em cerca de dois dias. Quanto ao tamanho das vitrines, partiu do que seria colocado em cada lugar, determinando as dimensões de cada peça, e assim por diante.
Madame David: Está realmente muito bem feito. Magnífico.
Jornalista: Se a gente vier aqui, vir tudo e depois se deitar para descansar...
Srta. Tazuke: É bem diferente da redação do jornal ou de uma repartição pública, não é?
Meishu-Sama: Venha, às vezes, para se refrescar. De qualquer forma, esta localização é a melhor de Hakone. Em Hakone, o melhor local é Gōra. Em nenhum outro lugar se consegue essa vista panorâmica em todas as direções. Gōra tem essa paisagem, e no outono se pode ver o mar, a partir da Península de Miura. E o centro de Gōra é exatamente aqui. No Japão, Hakone é o melhor parque, mas aqui é o melhor de Hakone, então isso quer dizer que é o melhor de todo o Japão. Ou seja, estamos aproveitando a zona mais importante de Hakone. Desde o início, eu pensava que, se fosse construir um museu, deveria ser em um local de bom ambiente. A harmonia com o ambiente é algo muito importante.
(Nota) A conversa ainda não havia terminado, mas, como estava se alongando demais, o restante foi omitido (*2).
*1: Refere-se ao "E-inga-kyō" (Sutra Ilustrado das Causas e Efeitos), do período Tenpyō.
*2: Esta nota é um acréscimo do texto original.
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