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A Cegueira Tem Cura Kyusei nº 62, publicado em 13 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) Desde os tempos antigos, a cegueira é considerada, antes de tudo, uma doença incurável. A história dos benefícios de Osato e Sawaichi, presente no "Joruri: O Relato Milagroso de Tsubosaka", aos nossos olhos não passa de uma espécie de invenção. Por muito tempo, acreditou-se que, por mais que a medicina avançasse, essa era uma condição incurável. No entanto, surgiram recentemente relatos médicos sobre o sucesso do transplante de olhos de pessoas falecidas. Pode-se dizer que tais relatos são extremamente precipitados, pois, ainda que a cura pareça bem-sucedida, nada se pode afirmar com certeza antes que alguns anos se passem. A nosso ver, é inevitável que, mesmo quando a visão retorne temporariamente, ela se perca novamente depois de algum tempo. Contudo, ainda que, por acaso, se alcançasse o sucesso, inserir o olho de um falecido no globo ocular não é tarefa fácil; portanto, do ponto de vista prático, isso teria pouco significado. Tudo somado, trata-se de uma divulgação que quase não merece consideração. Por outro lado, de acordo com o Johrei da nossa Igreja, a cegueira pode ser completamente curada, e o olho se torna igual a um olho saudável, sem necessidade de olhos de falecidos, de máquinas ou de medicamentos. Recentemente, recebemos um relato* desse fato vivo e surpreendente e decidimos publicá-lo a seguir. "Após um ano e meio de Johrei, finalmente recuperou a visão da cegueira (o restante do texto foi omitido)." Aos Materialistas Kyusei nº 62, publicado em 13 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) O texto a seguir é um relato de experiência recentemente apresentado por um seguidor. Este relato demonstra claramente que, quando um espírito humano desce ao nível de um dragão (espírito de serpente), esse dragão também reencarna como ser humano. Se, mesmo depois de ler isto, alguém ainda não conseguir sair da fortaleza do materialismo, essa pessoa estará defendendo sua visão a ponto de negar os fatos; em suma, pode-se dizer que é um ser humano com um topete cultural. No final de outubro do ano passado, sentia dores no estômago. No dia 8 de dezembro, a dor tornou-se extremamente intensa. Por volta das dez horas da noite, minha filha, Satō Fumiko, fez uma prece a Komyo-Nyorai. Então, o espírito de uma serpente a possuiu espiritualmente e disse: "Fui morto por essa pessoa há dez anos. Como espírito, desejo nascer neste mundo como ser humano." Disse ainda que a possessão espiritual ocorrera por considerar uma sorte que esta pessoa fosse seguidora da Igreja Messiânica. A cabeça do espírito estava em meu estômago, e o corpo, em meus intestinos. Para causar a dor, sua língua picava meu estômago. Naquela ocasião, cheguei a sentir dores intensas no peito e nas costas. Perguntei, então, o que deveria fazer para aliviar a dor. O espírito respondeu: "Desenhe minha figura. De manhã, desenhe minha figura em uma folha de papel japonês. Gostaria que ela fosse oferecida ao Ujigami (Deus do Clã, Sumiyoshi-sama). Em outra folha de papel, de quatro shaku de largura por seis shaku de comprimento, desenhe meu corpo com uma curva de um shaku e quatro sun, e pinte os olhos. Se Meishu-Sama a vir uma única vez, ficarei infinitamente feliz." Perguntei, então, como a dor passaria, e ele disse que desapareceria em vinte minutos. Após vinte minutos, a dor desapareceu completamente e nunca mais voltou. Que Todos Sejam Curadores Kyusei nº 64, publicado em 27 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) Certa vez, ouvi uma palestra de um médico. O conteúdo daquela palestra era tão peculiar que ainda me lembro dela; por isso, vou escrevê-la. Aquele médico disse o seguinte: "Para eliminar as doenças da humanidade, cada pessoa teria que se tornar um médico. "Se isso fosse possível, seria o ideal, e não haveria método melhor do que este. No entanto, como isso é absolutamente impossível, não há outra alternativa senão que cada indivíduo cultive ao máximo o conhecimento médico." Essa teoria me pareceu muito interessante, mas, evidentemente, não há possibilidade de realizá-la. Contudo, o método acima pode ser perfeitamente realizado. Isso se torna possível por meio do aprendizado do Johrei da nossa Igreja. Além disso, enquanto na medicina é necessário estudar por pelo menos dez anos ou mais para sequer conseguir atender pacientes, com o Johrei da nossa Igreja, em poucos dias do curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu), aprende-se a arte de curar, de forma simples, doenças que os médicos não conseguem curar com seus tratamentos. Naturalmente, o fato de a cura ocorrer sem tocar o corpo do paciente e sem o uso de medicamentos ou instrumentos é algo maravilhoso. É verdade que há diferenças de habilidade entre as pessoas; contudo, uma vez que se domine o método e se aplique o Ohikari, não há uma única pessoa que não obtenha algum efeito. Isso não é nada menos que um milagre. Considerando este fato, é possível que toda a humanidade se torne médica em pouco tempo. Além disso, como curam melhor do que os médicos especialistas, não é nada difícil expulsar as doenças deste mundo. Inúmeros relatos surpreendentes de casos como este chegam até nós; os dois exemplos que chegaram recentemente pareceram-me adequados e, por isso, apresento-os. "Doença de estômago e infiltração pulmonar completamente curadas — banhado na Luz, rumo a uma nova vida (o restante do texto foi omitido)." "Permitida até a obra de cura (o restante do texto foi omitido)." Que a Religião Seja Mundial Kyusei nº 49, publicado em 11 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Antes de tudo, por mais completas que sejam as demais condições de uma religião, se ela não for mundial em sua raiz, não se pode chamá-la de verdadeira religião. Isso porque uma religião étnica ou nacional acaba gerando conflitos, como tem sido a realidade do mundo até hoje. Cada religião tende a orgulhar-se da própria superioridade e a menosprezar as demais, o que não apenas impede a harmonia, como também, em certas ocasiões, permite que os governantes de um país a utilizem para fins políticos. Um exemplo disso é o modo como os militaristas japoneses exploraram ao extremo o xintoísmo durante a Guerra do Pacífico. As guerras das Cruzadas, na Europa antiga, também ilustram bem isso. Exemplos como esse não são poucos, e sua causa, como já mencionado, reside no fato de terem sido religiões de caráter étnico. Ainda assim, isso também era inevitável, pois se tratava de uma época em que os transportes ainda eram pouco desenvolvidos e as relações internacionais eram regionais — poder-se-ia dizer que era um tempo de infância da cultura. No entanto, hoje, numa era em que tudo se tornou mundial e internacional, é natural que a religião acompanhe o mesmo passo. O motivo de a nossa Igreja ter retirado, desta vez, os dois caracteres de "Japão" que antes carregava, passando a chamar-se Igreja Messiânica Mundial, não é outro senão este. A Desculpa dos Médicos Kyusei nº 49, publicado em 11 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Por mais que o médico se esforce, quando o efeito esperado não aparece, a frase que ele invariavelmente diz é: "a razão de sua doença não se curar é a sua constituição física", ou então: "é uma doença rara, que só ocorre em uma pessoa entre mil, ou uma entre dez mil". É certo que esses pacientes existem, ainda que raramente; mas, de tanto ouvir esse tipo de explicação, fico com a estranha impressão de que não passa de uma desculpa. Ouvi certa vez o seguinte: dizem que o médico que diz "não compreendo a sua doença e, portanto, não posso me responsabilizar pelo tratamento, mas, se ainda assim desejar, tentarei tratá-lo" é considerado um médico renomado. De fato, é justamente esse tipo de médico que é honesto e consciencioso. No entanto, a maioria dos médicos dificilmente admite não compreender a doença; inventam uma teoria plausível e fingem entendê-la. Isso porque, se dissessem a verdade tal como ela é, o paciente deixaria de confiar no médico, e a profissão médica não se sustentaria; nesse sentido, é até compreensível. Pensando bem, ser médico também é uma profissão difícil. Como a medicina, conforme sempre digo, está fundamentalmente equivocada, por mais empenho que se dedique a ela, é impossível curar como se deseja. É por isso que se chega a essa situação: o médico é, ao mesmo tempo, respeitado e alvo de ressentimento — esta deve ser a verdadeira realidade. A esse respeito, ouvi certa vez a confissão de um certo doutor em medicina. Contou que, ao visitar a casa de um paciente, sabendo que ele certamente havia piorado, ficava pensando em como explicar a situação de modo que tanto o paciente quanto a família se conformassem. Quando havia falecimento, era preciso inventar uma razão qualquer para a causa da morte. Disse que isso acontecia com frequência e que essa era sua maior fonte de aflição — o que, de fato, achei bastante compreensível. Transfusão de Sangue Kyusei nº 49, publicado em 11 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Recentemente, os jornais noticiaram, como se fosse algo de grande valor, que o Dr. Tasaka Sadataka, da Faculdade de Medicina da Universidade de Chiba, descobriu a terapia com plasma sanguíneo desidratado em substituição à transfusão de sangue. Já antes, porém, houvera descoberta semelhante nos Estados Unidos, e esse plasma desidratado fora amplamente utilizado na prática, no campo da medicina transfusional, durante a Segunda Guerra Mundial. O que o Dr. Tasaka descobriu agora parece superior àquilo, mas, do nosso ponto de vista, isso não representa problema algum, pois o nosso Johrei consegue produzir, em cerca de cinco minutos, um efeito igual ou superior ao de uma transfusão de cerca de duzentos gramas de sangue. Portanto, a transfusão de sangue, tão apreciada pela medicina — que consome sangue humano e exige processos de desidratação, armazenamento e outros trabalhos — torna-se totalmente desnecessária. Não é exagero dizer que, em comparação com a medicina, o nosso método está adiantado em cerca de um século. A razão é simples: originalmente, o sangue é a materialização do espírito. Por isso, em casos de hemorragia ou anemia, o espírito também se torna rarefeito e, ao concentrá-lo, o sangue aumenta em quantidade. É lamentável que, mesmo diante de um método de transfusão tão maravilhoso, já praticamente concluído, as pessoas, ao vê-lo divulgado, não acreditem e continuem apegadas, como sempre, a métodos ainda não civilizados. Se isso se deve à crença cega da ciência materialista, que não acredita na existência do espírito, desejamos sinceramente despertar as pessoas para essa cultura desviada o quanto antes. Pessoas sem "Yoku" (Avidez) Kyusei nº 49, publicado em 11 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Quando escrevo aqui sobre uma pessoa "sem desejo" (yokunai), não me refiro a uma pessoa que não é boa. Pode parecer estranho dizer que se trata de uma pessoa sem desejo, mas a explicação a seguir fará com que todos compreendam. Observando atentamente a sociedade atual, vemos inúmeras pessoas gananciosas; na verdade, todas elas são pessoas sem desejo. Pode parecer estranho dizer que uma pessoa gananciosa não tem desejo, mas a realidade é que elas apenas buscam um lucro momentâneo, sem perceber que, no futuro, sofrerão um prejuízo. Isso porque, de início, elas dizem coisas boas baseadas em mentiras; mas a mentira acaba sempre sendo descoberta e, nesse momento, a confiança se reduz a zero. Quanto mais habilmente é contada, porém, mais demora a ser desmascarada — e, por isso, a pessoa pensa que fez um bom negócio. É impossível, contudo, que a mentira jamais venha à tona. Ainda assim, elas se iludem, acreditando que nunca serão descobertas e, sem se corrigir, esforçam-se para enganar os outros. É claro que não acreditam que exista algo como Deus no mundo; estão impregnadas de pensamento materialista, o que as torna difíceis de lidar. Quando a mentira é enfim descoberta, porém, a confiança se desfaz de uma só vez e tudo acaba. Sofrem, então, um enorme prejuízo, e já não se pode fazer negócios com elas. Nesses momentos, penso comigo: se desde o início tivessem agido com total honestidade e sinceridade, a esta altura já teriam conquistado confiança e, com certeza, estariam obtendo lucros verdadeiramente grandes. Ter feito apenas um pequeno bom negócio por um breve instante e depois tudo acabar... que pessoa sem desejo, que pena! Essa pessoa que age assim é, na verdade, a que não tem desejo algum. Hoje em dia, a maioria dos que sofrem com o fracasso nos negócios ou com a falta de dinheiro são essas pessoas "sem desejo". De todo modo, para o ser humano, a confiança é o bem mais importante; não há riqueza maior. Da riqueza da confiança podem ser gerados juros em qualquer quantidade. Por isso, mesmo numa sociedade em que o dinheiro escasseia, os ricos em confiança jamais passam por dificuldades. Portanto, é absolutamente necessário tornar-se alguém que acredita na existência do Deus invisível; caso contrário, não importa o que se faça, nada dará certo. E não há outro caminho senão tornar-se crente. Por essa razão, o crente possui um tesouro infinito: é a pessoa verdadeiramente feliz e, ao mesmo tempo, a mais "desejosa" (profundamente ambiciosa) de todas. Não Há Fé Verdadeira nas Novas Religiões? Kyusei nº 50, publicado em 18 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Hoje em dia, as novas religiões surgem como brotos de bambu depois da chuva, e diz-se que já existem cerca de quatrocentas. Todos sabem, porém, que não são poucas as duvidosas; não é sem razão que os jornalistas, ao escreverem em jornais e revistas, tratam todas elas sem exceção como superstição e culto maligno. Mas, na verdade, há de tudo misturado, pedra e jade, e não deixa de ser lamentável que a nossa Igreja também seja incluída nesse mesmo grupo. Esse fato, no entanto, não começou agora. Desde a Antiguidade — começando por Cristo e Maomé e, no Japão, por Hōnen, Shinran, Nichiren e pela fundadora da Tenrikyo, Nakayama Miki, entre outros —, quanto mais uma religião veio a se tornar grande até hoje, tanto mais, no início, foi tida por superstição, sofreu perseguição e passou por dificuldades por causa da fé; é o que demonstra a história. Apenas o Buda Shakyamuni escapou disso, talvez por ter nascido príncipe herdeiro. Sendo assim, é natural que sejamos mal interpretados; devemos antes considerar que a nossa culpa é leve e talvez nos dar por satisfeitos com os benefícios da cultura moderna, especialmente da democracia. Ainda assim, é impossível que a verdadeira compreensão da nossa Igreja jamais seja alcançada. Num futuro próximo, ela será reconhecida repentinamente pelo mundo, pois na base do seu surgimento está o fato de que o mais elevado espírito de divindade exerce seu poder absoluto por ocasião do fim do mundo. Foi também por essa razão que adotamos, desta vez, o nome de Igreja Messiânica Mundial. O que desejo salientar aqui é que, ao comparar a nossa Igreja não apenas com as novas religiões, mas com todas as religiões estabelecidas, percebe-se quão revolucionário é o poder espiritual que ela manifesta. Naturalmente, agora que esse momento se aproxima, esperamos que todos os fiéis se dediquem a um último grande esforço; para isso, antes de tudo, é preciso ler o máximo possível os livros sagrados e polir o corpo e a alma. Prejudicar o Corpo Kyusei nº 50, publicado em 18 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) É comum, no mundo, dizer-se que alguém "estragou o corpo", mas não há nada mais cômico do que isso. O corpo humano não é uma substância como vidro ou porcelana. Isso se deve inteiramente ao desconhecimento da verdadeira natureza das coisas: na realidade, a doença está longe de estragar o corpo — ao contrário, serve para ajustá-lo. Quando se tem diarreia, costuma-se dizer que "estragou o estômago"; na verdade, é algo excelente, pois toxinas nocivas à saúde estão sendo expelidas. Sobre a Digestão Kyusei nº 50, publicado em 18 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) A medicina afirma com frequência que se deve comer alimentos de fácil digestão, com base em considerações nutricionais; isso, porém, é um grande equívoco. Se a digestão é muito fácil, o estômago não tem necessidade de trabalhar e vai se enfraquecendo aos poucos. Portanto, quem come alimentos de fácil digestão e ainda toma medicamentos digestivos torna o estômago cada vez mais lento e flácido. O caso extremo disso é a conhecida ptose gástrica — uma doença criada pela medicina equivocada. A medicina também recomenda mastigar bem os alimentos, mas isso é igualmente um erro, mero método para enfraquecer o estômago. Deus criou os alimentos para que fossem ingeridos combinando habilmente os de fácil digestão e os de difícil digestão. Portanto, não se deve dar importância à digestibilidade ou não; pode-se comer qualquer coisa que se deseje e que seja saborosa, e garanto que, com uma mastigação parcial, doenças estomacais jamais ocorrerão. Visão Subjetiva e Visão Objetiva Kyusei nº 54, publicado em 18 de março do ano 25 da Era Showa (1950) No trato social, o ser humano tende a prender-se a ideias fixas — algo especialmente comum entre as mulheres, como é fato. Esse apego é extremamente perigoso, pois a pessoa passa a considerar seu próprio modo de pensar absoluto, insiste em suas opiniões e tenta medir os outros pela mesma régua. Por isso, as coisas não transcorrem harmoniosamente, causando sofrimento não só aos outros, mas também a si mesma. Segundo esse princípio, o ser humano deve constantemente desprender-se de si mesmo para observar-se. Isto é, deve criar um segundo eu para criticar o primeiro eu sem cessar. Agindo assim, é possível evitar erros na maioria dos casos. Há uma história interessante a respeito. Trata-se de Kuroiwa Ruikō, presidente do jornal Yorozu Chōhō e também famoso por suas traduções de romances. Era ele, ao mesmo tempo, um filósofo, e eu costumava ouvir com frequência suas palestras sobre filosofia. Em suas palavras, havia algo assim: nenhum ser humano, por natureza, é uma pessoa de valor; se alguém deseja, de qualquer forma, aperfeiçoar-se, deve criar um novo segundo eu. É o chamado segundo nascimento. Lembro-me até hoje de como fiquei impressionado com essa teoria; esforcei-me para pô-la em prática e dela obtive não poucos benefícios. Sarampo e seu Tratamento Kyusei nº 55, publicado em 25 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Como se aproxima a época do sarampo, gostaria de dar alguns avisos a respeito. A medicina, ao que parece, ainda não compreendeu a verdade sobre o sarampo, pois utiliza o resfriamento com gelo — justamente a pior coisa a fazer. Em consequência, o sarampo deixa de erupcionar como deveria, e o veneno fica retido, concentrando-se nas funções internas; é por isso que ocorrem a pneumonia e a otite média, tão comuns no sarampo. Desde os tempos antigos, diz-se que é ruim expor-se ao vento, e a razão é a mesma: o vento resfria o corpo e impede a erupção adequada. Como o sarampo é, afinal, uma espécie de doença de pele, trata-se de doença leve; basta deixar o doente deitado, sem resfriá-lo nem aquecê-lo, para que se cure facilmente. Se, além disso, aplicar-se o Johrei, a cura será ainda mais rápida. Quanto à pneumonia, o que se deve saber é o seguinte: ela ocorre porque o sarampo se forma nos alvéolos pulmonares, reduzindo assim o volume interno dos pulmões. Por essa razão, a quantidade de ar absorvida diminui e a respiração se torna mais frequente; isso, no entanto, se cura em um ou dois dias. Já a otite média e a conjuntivite ocorrem porque o veneno do sarampo tenta sair por ali; ainda que deixadas sem tratamento, certamente se curam. A Dependência dos Japoneses Kyusei nº 55, publicado em 25 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Ao observar os japoneses de hoje, impressiona-nos sua excessiva dependência. Em grande escala, isso se manifesta na dependência do governo japonês em relação ao comércio exterior e a outros países. Na esfera privada, vemos desde a dependência de subsídios governamentais ou da assistência econômica do Banco do Japão até os pequenos e médios empresários que afirmam não conseguir sobreviver sem empréstimos bancários. Entre os indivíduos comuns, há os que não conseguem viver sem pedir dinheiro emprestado a parentes e conhecidos, e filhos que não conseguem estudar sem a ajuda dos pais. Desempregados e viúvas, além disso, contam com a assistência das autoridades ou com o socorro de organizações de assistência social. Em toda parte, parece que nada é possível sem a ajuda de outros. Observando isso, não podemos deixar de nos surpreender com a dependência dos japoneses. Qual seria, então, a causa fundamental disso? Parece-me que não é outra senão o feudalismo profundamente enraizado, ainda não erradicado por completo. Antigamente, as classes que constituíam a maioria da nação eram os samurais e funcionários públicos — considerados a classe dominante — e a classe comum dos cidadãos. Os primeiros viviam dos estipêndios fornecidos pelos senhores feudais. Os segundos, com exceção de alguns poucos ricos, tinham sua subsistência garantida por vários anos ou décadas, embora com salários baixos, como a classe dos empregados. Nessa condição, era costume que, ao se tornarem independentes, recebessem a clientela e os direitos de exploração do negócio de seus patrões. Os trabalhadores, por sua vez, sem direitos coletivos como os de hoje, viviam graças ao patrocínio dos grandes clientes ou dos patrões das casas comerciais. Quase todos viviam não de forma independente e igualitária, mas pela graça dos poderosos — e é claro que não possuíam direitos de existência. Considerando que esse estado de coisas perdurou por séculos, não é de estranhar que o espírito de dependência não se elimine facilmente. Quanto às mulheres, como não havia mulheres profissionais como hoje, mesmo ao atingir a idade adulta elas não tinham escolha senão depender dos pais. Ao se casarem, tornavam-se absolutamente submissas ao marido, considerando a casa dele como seu túmulo para toda a vida; acreditava-se que desobedecer às ordens do marido e da sogra era contrário ao caminho da mulher. Era uma situação insuportável. Como uma planta trepadeira, que não podia viver sem se agarrar firmemente a algo sólido. Em contraste, vejamos, por exemplo, os Estados Unidos. A diferença é imensa. Como se pode ver pela história da fundação daquele país, algumas centenas de puritanos ingleses, no início do século XVII, atravessaram o oceano para a América de mãos vazias, desbravaram montanhas e campos desertos e, com esforço e luta, em pouco mais de duzentos anos, construíram a magnífica e grande nação cultural que é hoje. A diferença de pensamento em relação aos japoneses é inevitável. Os americanos, desde o início, não tinham a quem recorrer nem de quem depender. Não importava quão grande fosse a dificuldade, não havia outro auxílio senão a própria força; ou seja, a autossuficiência. Não havia outro método senão criar algo a partir do nada com as próprias mãos. Por essa razão, ao observar o povo americano hoje, sinto imensa inveja. Se os japoneses, após uma derrota tão dura, pretendem reconstruir este país, devem, antes de tudo, aprender o espírito pioneiro do povo americano. Afirmo que a introdução desse pensamento é infinitamente mais eficaz do que a introdução de capital; e, à luz da verdade de que o espírito domina a matéria, esse é o método fundamental. No entanto, pode-se dizer que quase não há líderes japoneses que percebam isso. Mesmo nos órgãos de opinião pública, o que se prega é, ao contrário, o incentivo ao espírito de dependência. Pode parecer exagero, mas o espírito de dependência é uma índole covarde, que busca comprar a simpatia e implorar a piedade dos outros. Quando as expectativas não são atendidas, vêm as queixas e o descontentamento; por fim, recorrendo à força do número, partem para a resistência, tentando derrubar o outro sem perceber que, como resultado, também cairão. A tolice disso é incomensurável. Dessa forma, não se pode esperar sequer a manutenção do status quo, quanto mais a reconstrução do Japão. Recorrer à greve como único meio de resolver os problemas entre capital e trabalho é, por um lado, um recurso inevitável. Contudo, quando se pensa profundamente, chega-se à seguinte conclusão: quanto mais greves, mais o negócio declina; como resultado, a renda diminui e os próprios salários dos trabalhadores certamente serão reduzidos. Isso é como estrangular o próprio pescoço. Desnecessário dizer que o objetivo tanto do capital quanto do trabalho é a felicidade. Se assim é, não se sustenta a lógica de que uma parte seja infeliz e a outra feliz. Uma vez que estão em relação de interdependência, a menos que se faça o outro lucrar, não se pode receber grande remuneração. Não há argumento mais claro do que este. Portanto, é errado que os capitalistas obtenham lucros injustos, e também é errado que os trabalhadores pensem apenas nos próprios interesses. Além disso, ao examinar imparcialmente o mundo empresarial de hoje, é claro que, antes da guerra, os capitalistas realmente lucravam em excesso, e a economia nacional tinha uma folga incomparável com a de hoje. Mas qual é a situação atual? Não se pode dizer que quase todos os empresários e capitalistas dignos do nome foram aniquilados? Os grandes zaibatsu foram dissolvidos, e a classe rica quase se arruinou. Portanto, tanto os latifundiários quanto os capitalistas, que antes eram tidos como inimigos pelos comunistas, desapareceram, e eles devem estar sem ter a quem atacar. Considerando essa situação atual, a necessidade urgente de hoje é que, embora os grandes capitalistas sejam uma existência perigosa, a menos que surja um número considerável de capitalistas médios, a prosperidade dos negócios dificilmente será alcançada. Foi por isso que, no ano passado, os Estados Unidos aconselharam o Japão a adotar uma política de acumulação de capital. Isso fica claro até mesmo no caso da União Soviética, onde Stalin, por ter inicialmente derrubado os capitalistas em excesso, viu a gestão dos negócios não funcionar bem e, por isso, adotou uma política de abrir caminho para o cultivo de capitalistas médios. Como visto acima, a situação atual do Japão não é de cooperação entre capital e trabalho, mas sim de um firme aperto de mãos entre ambos. Afirmo que é somente através disso que se pode esperar a promoção do bem-estar dos trabalhadores. No entanto, pensar que tudo só pode ser resolvido por meio da luta não passa de ilusão perigosa. Se não perceberem isso, tanto o capital quanto o trabalho não terão escolha senão a autodestruição. Considerando isso, mesmo na questão do capital e do trabalho, o recurso à greve não passa de manifestação do espírito de dependência, pois exigir aumento de salário dos capitalistas é depender deles. Se os trabalhadores exercessem um espírito de independência e trabalhassem, seu desempenho melhoraria, e seriam os capitalistas que teriam de depender dos trabalhadores. Portanto, o correto é primeiro fazer os capitalistas lucrarem e depois exigir uma distribuição justa. Assim, os capitalistas naturalmente não poderão recusar e concordarão. Se avançarmos com essa política, acredito que a solução dos problemas entre capital e trabalho não será tão difícil. No entanto, atualmente o pensamento é inverso: não se tenta resolver a estagnação dos negócios, mas apenas aumentar os salários. Isso só pode ser visto como uma tentativa de forçar o impossível. Em suma, quero alertar que, neste momento, não há método melhor do que eliminar resolutamente o espírito de dependência de todo o povo. Doença é Ação de Eliminação de Toxinas Kyusei nº 57, publicado em 8 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Em primeiro lugar, para explicar a doença da forma mais compreensível: ela é o processo pelo qual as impurezas, ou seja, as substâncias tóxicas presentes no corpo, são excretadas de diversas formas. Portanto, não há nada neste mundo tão benéfico quanto a doença. Se eliminássemos a doença dos seres humanos, estes não conseguiriam manter a saúde e se tornariam indivíduos frágeis, para os quais uma vida longa seria absolutamente incerta. Essa é a verdade imutável através dos milênios, e a medicina que se fundamenta nessa base é a verdadeira medicina. Consequentemente, qualquer terapia que se desvie dessa verdade, por mais que se apresente como tal, não passa de terapia simulada, que não merece o nome de verdadeira terapia e é incapaz de curar a doença. As substâncias tóxicas são: o sangue tóxico, como escarro, secreção nasal, hemoptise, hemorragias etc.; pus, fezes diarreicas, urina turva, suor, saliva, remela, lágrimas, secreção do ouvido, erupções cutâneas, rubor da pele, manchas, tinha, frieira, caspa, e assim por diante. A ação de excreção do escarro, da secreção nasal, do suor, da urina turva etc. é o resfriado. A diarreia e a hemorragia hemorroidária, por exemplo, ocorrem quando as toxinas de todo o corpo se concentram no abdômen e são excretadas pelo ânus. Além disso, o pus e o sangue tóxico são excretados através de tumores; vários tipos de sangue tóxico são excretados pela superfície da pele através de varíola, sarampo, escarlatina, tifo exantemático, sarna etc. As demais toxinas são excretadas por várias outras formas. Portanto, a doença, em outras palavras, é a ação de limpeza do corpo humano; e, como resultado dessa limpeza, o sangue se purifica, aumentando a saúde. Por isso, a circulação sanguínea melhora, o poder de eliminação de micróbios é fortalecido e a força física se torna robusta, tornando difícil contrair doenças. Mentalmente, a pessoa adquire sensação de bem-estar e se torna otimista. Em contrapartida, é desnecessário dizer que a causa de quem pega resfriado facilmente, sente-se constantemente indisposto, é impaciente, irritadiço, melancólico, propenso à neurastenia e à tuberculose, é o sangue turvo. E, entre todas as doenças, não há nada superior ao resfriado em termos de simplicidade e efeito notável para a saúde. Portanto, o melhor é pegar resfriado o máximo possível. Assim, pode-se dizer que, se a pessoa se empenhar em pegar resfriado constantemente, nunca será atacada pela tuberculose nem pela neurastenia. No entanto, a medicina que desconhece esse princípio tem uma interpretação completamente oposta, o que mostra o quanto está equivocada. Acima de tudo, embora se diga que a medicina de hoje é avançada, seu efeito prático é extremamente duvidoso. Pelo contrário, quanto mais avança, mais se distancia do verdadeiro caminho da medicina. Vejam: é evidente pelo fato de que hoje nem mesmo a causa do resfriado é conhecida e que, por mais que se esforce e se dedique, a solução para a tuberculose não se alcança como se deseja. De acordo com o princípio acima, a razão pela qual até mesmo doenças extremamente simples de hoje não são facilmente curadas é a terapia invertida. Na verdade, do nosso ponto de vista, as doenças se curam com muita facilidade, pois, sendo a ação de limpeza concedida por Deus, quando as impurezas se acumulam até certo ponto, a boa capacidade inata do próprio ser humano se ativa e a cura ocorre. Assim, a maioria das doenças se cura rapidamente apenas deixando-as ao natural, sem qualquer tratamento. No entanto, não se sabe em que época foi, mas, como a medicina passou a interpretar a doença no sentido oposto, como mencionado anteriormente, por mais que tenha evoluído, é impossível que cure. Pelo contrário, acaba aumentando o sofrimento e chegando a colocar a vida em perigo, sendo algo verdadeiramente temível. Por isso, as pessoas não se sentem seguras sem realizar tratamentos adequados. A medicina de hoje se desenvolveu resolvendo um erro com outro erro. Se assim é, pode-se dizer que se continuou a praticar um método verdadeiramente tolo e terrível. E, por causa disso, quantos enormes sacrifícios a humanidade não terá feito ao longo de centenas e milhares de anos? Ao pensar nisso, chega-se a suspeitar que o "fruto proibido" mencionado na Bíblia se referia exatamente aos medicamentos. Contudo, é de se alegrar que, finalmente, tendo chegado o tempo do Céu, a verdade desse erro será esclarecida e um mundo sem doenças será estabelecido. Assim, num futuro próximo, a longevidade de todos os seres humanos se tornará possível, ultrapassando os cem anos. E, à medida que aumentarem as pessoas sem toxinas, aumentarão também os seres humanos sem doenças, sem pobreza e que não gostam de conflitos. Afirmo com convicção que a realização do Paraíso Terrestre, nosso lema, está se aproximando. Naturalmente, uma obra de salvação tão grandiosa e sem precedentes depende, obviamente, da manifestação do grande amor de Deus e da chegada do momento oportuno. A condição mais fundamental para isso é a eliminação da doença dos seres humanos. O ponto essencial para tal é a correção da medicina, e é somente nela que todos os erros serão resolvidos e o Paraíso Terrestre será estabelecido. Pregando a Verdade Kyusei nº 58, publicado em 15 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Devo admitir que a maioria das teorias que defendo contém, em algum ponto, um significado diferente do que foi sustentado até agora. Isso porque todas as teorias já defendidas são amplamente conhecidas no mundo, e não há necessidade de escrevê-las novamente. Por mais engenhosamente que se tente explicá-las hoje, isso não passa de mera reformulação de teorias antigas, não sendo nada além de um esforço inútil. De fato, desde os tempos antigos, inúmeros sábios e grandes homens surgiram e defenderam ensinamentos e teorias admiráveis, e o mérito de seus benefícios para a humanidade, por mais alto que se avalie, nunca será demais. No entanto, é inevitável que, com o progresso do mundo, o valor útil desses ensinamentos se desgaste. Se assim é, devem surgir novas teorias que sirvam à era atual e à futura. Nem é preciso dizer que é exatamente isso que os homens modernos desejam ardentemente. É certo que os ensinamentos das religiões estabelecidas tiveram valor imenso para os povos de suas respectivas épocas e, em seu conteúdo, certamente correspondiam ao grau de cultura da humanidade daquele tempo. Contudo, passados longos anos, a realidade demonstra claramente que elas já não têm mais a força de apelar às massas. Além disso, a maioria das religiões, ao longo do caminho, sofreu consideráveis alterações e distorções por parte de estudiosos e sábios que as adaptaram às suas épocas. Dessa forma, pode-se dizer que as religiões existentes hoje já perderam grande parte do poder de salvar o mundo atual. O problema reside também na dificuldade de compreensão dos clássicos e documentos. Mesmo quando se trata de uma única religião, baseada nos ensinamentos de um único fundador, ela se divide em várias seitas e escolas, e em algumas delas as disputas religiosas nunca cessam. Assim, a capacidade de proporcionar verdadeiramente tranquilidade e paz espiritual às massas é como procurar peixes em árvores. Em essência, se a religião é a manifestação da verdade, a reforma espiritual do ser humano, por meio da elucidação da verdade, é o mais importante. Portanto, ainda que outras atividades, como as obras sociais, sejam derivadas, tê-las considerado o futuro da religião demonstra total falta de compreensão do que é a religião. O que é, então, a verdade? É preciso compreendê-la profundamente; no entanto, não há nada mais simples e fácil de compreender do que a verdade. Por isso, deve-se considerar que, quanto mais complicado e difícil algo é, mais distante está da verdade. Por exemplo, a verdade é como o sol nascer no leste e pôr-se no oeste, ou como o ser humano respirar o ar, comer arroz e defecar. Não sei como se enganaram, mas, desde os tempos antigos, a verdade tem sido considerada algo extremamente difícil. Isso tem uma razão: nunca surgiu um verdadeiro vidente da verdade, e isso se deve, fundamentalmente, ao fato de que o mundo era o Mundo da Noite. Quando eu tinha pouco mais de quarenta anos, recebi de Deus uma missão importante e, ao mesmo tempo, ascendi a um estado de visão da verdade que ninguém jamais alcançara. Naturalmente, ao observar tudo a partir desse estado, percebo os inúmeros erros da cultura moderna. Portanto, expor tudo de forma clara e nítida e promover um grande esclarecimento de toda a humanidade deve ser a base da salvação. Nesse sentido, tanto o que defendo quanto o que faço são extremamente diferentes do que se fez até agora; tudo contraria os modelos estabelecidos. Como se pode ver, por mais profunda e sutil que seja a verdade, explico-a de forma extremamente simples e fácil, de modo que tanto estudiosos quanto não estudiosos possam compreendê-la. No entanto, aos olhos daqueles que por muito tempo confundiram a Pseudo-Verdade com a verdade e firmemente a ela se apegaram, a verdade que defendo é facilmente mal interpretada como Pseudo-Verdade. Mas isso também é inevitável, como fenômeno passageiro de um período de transição. Contudo, como a verdade é verdade em qualquer lugar, é natural que, com o passar do tempo, seja gradualmente compreendida — e é por isso que a verdade é a verdade. Acima de tudo, o desenvolvimento sem precedentes da frente de expansão religiosa de nossa Igreja é a prova mais clara disso. O Grande Incêndio de Atami Visto Espiritualmente Kyusei nº 59, publicado em 22 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) No dia três de abril último, dezenas de casas foram consumidas pelo fogo, da frente da Estação de Atami até a rua Nakamise. Antes mesmo que o susto se dissipasse, dez dias depois, no dia treze, fomos atingidos por um incêndio de proporções sem precedentes, que devastou por completo o centro comercial de Atami. Considerando que, de uma só vez, mais de mil e seiscentas casas foram destruídas, com prejuízos estimados em três bilhões de ienes, é inimaginável o golpe sofrido pela pequena cidade de Atami. Ao mesmo tempo, os danos sofridos pelas vítimas despertam compaixão irreprimível. A causa teria sido um descuido de um assistente de motorista de automóvel; não há dúvida de que se deveu à falta de atenção. Contudo, como religiosos, sentimos a obrigação de examinar espiritualmente essa causa, e por isso escrevemos aqui. Sempre afirmamos que uma grande purificação poderia ocorrer em Atami. Isso porque, ao refletirmos profundamente sobre a real situação da cidade, não podemos deixar de ter essa apreensão. A questão é: qual tem sido o papel constante da cidade termal de Atami? Sempre consideramos que Atami, com sua paisagem pitoresca, abundantes fontes termais, clima ameno e transporte extremamente conveniente, é verdadeiramente um local privilegiado, concedido pelos céus, sem igual em todo o Japão, e certamente foi criado por Deus para proporcionar conforto aos seres humanos. Portanto, os seres humanos deveriam agradecer essa grande bênção de Deus, vindo ocasionalmente para lavar o coração e purificar a alma. No entanto, aqueles que não reconhecem a existência de Deus são completamente indiferentes e usam este local privilegiado unicamente com o propósito de ganância e lucro, poluindo-o ao extremo. Isso fica claro ao observarmos os fatos. Como todos sabem, há em Atami inúmeros hotéis e pousadas, cujos hóspedes são viajantes em lua de mel, meros turistas e pessoas em encontros ilícitos, etc. Há também muitas casas de veraneio, mas a maioria delas são, na verdade, residências para amantes. Portanto, é natural que os pensamentos de ciúme e rancor das esposas legítimas obscureçam constantemente o mundo espiritual de Atami. Além disso, não são poucas as prostitutas que ali atuam, contaminando o ambiente. Considerando o exposto, o dinheiro que circula nesta terra é, em sua maior parte, impuro — muito mais do que puro. Assim, a realidade material erguida com esse dinheiro estava fadada a, mais cedo ou mais tarde, receber o batismo do fogo. Isso é bem compreensível para os que conhecem o mundo espiritual, mas difícil de entender para os ateus, que não acreditam nele — o que é inevitável. Diante desse incêndio, soubemos que as autoridades municipais, e até mesmo o governo nacional, estão elaborando com urgência um plano ideal para transformar Atami — que tem futuro como cidade turística internacional — em uma cidade à prova de fogo. Isso é muito bom, e temos grandes expectativas. No entanto, isso é apenas o aspecto material; não podemos negligenciar o aspecto espiritual, que também almejamos. O que fazer, então? Como mencionado anteriormente, é necessário reconhecer a missão futura de Atami, evitar ao máximo poluí-la, renovar a Atami poluída do passado e transformá-la em uma Atami de ambiente puro. O propósito de nossa Igreja ao construir o Paraíso Terrestre no mais belo ponto cênico de Atami e ao planejar um grande parque no futuro não é outro senão este. Desde tempos antigos, esta terra privilegiada, rica em belezas naturais de montanhas e rios, teve seu verdadeiro uso esquecido e tornou-se um mero local de lazer vulgar. Isso deve ser considerado um grande fracasso, talvez porque os cidadãos, presos a interesses imediatos e de visão curta, não tenham dado a devida atenção a uma política nacional de longo alcance. Portanto, tomando este desastre como oportunidade, devemos, com profunda reflexão, estabelecer um grande plano para os próximos cem anos da nação. Isso significa tornar Atami uma cidade turística internacional digna, que não envergonhe o mundo. É por isso que oramos incessantemente. A Delinquência Infantil Kyusei nº 59, publicado em 22 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Recentemente, a delinquência infantil tem sido apontada como um problema social, mas parece que ainda não se deu uma resposta adequada a essa questão. É lamentável que as várias teorias atuais para a prevenção da delinquência sejam extremamente superficiais e nenhuma toque o cerne do problema. A esse respeito, escreverei sobre o método de prevenção absoluta em que acreditamos. Antes de tudo, é preciso esclarecer onde está a raiz do problema. Para isso, deve-se considerar a relação entre pais e filhos. Para explicar da forma mais compreensível: se os pais são o tronco da árvore, os filhos são seus ramos. Portanto, negligenciar o tronco e esforçar-se para impedir que os ramos apodreçam não passa de um absurdo. A condição fundamental para a solução do problema é compreender plenamente que a causa da delinquência infantil está nos pais. Analisemos primeiro sob o aspecto espiritual. Como sempre digo, pais e filhos estão ligados por um elo espiritual. Portanto, se o espírito dos pais estiver com nuvens espirituais, o dos filhos também as terá, por meio desse elo espiritual. Esta é a causa da delinquência infantil. De acordo com esse princípio, o método para prevenir a delinquência é não permitir que o espírito dos filhos tenha nuvens espirituais; por isso, acima de tudo, é necessário não permitir que o espírito dos pais as tenha. No entanto, como os pais desconhecem esse princípio, alimentam pensamentos equivocados e, consciente ou inconscientemente, cometem pecados. Isso se torna nuvens espirituais que se refletem nos filhos. Por isso, aqueles que são pais devem sempre pensar no bem, praticar a retidão e dedicar-se diligentemente ao cultivo do próprio caráter. Não há outro método eficaz além deste. A explicação acima é de natureza espiritual. Passemos, agora, a uma explicação material. As crianças tendem a imitar e a seguir o exemplo dos pais. Como isso é de conhecimento de todos, se os pais alimentam pensamentos injustos e praticam atos incorretos, por mais habilmente que tentem escondê-los, estando dentro do mesmo lar, mais cedo ou mais tarde os filhos acabarão por descobri-los. É natural que surja nos filhos o pensamento: "Já que até meus pais fazem isso, por que nós não podemos?" Em última análise, não seria errado dizer que a delinquência infantil é a delinquência dos pais. Portanto, a delinquência dos filhos nada mais é do que a exposição da delinquência dos pais. Ó pais do mundo, ponderai profundamente sobre esta teoria. Se desejais ter bons filhos, tornai-vos primeiro bons pais. O Culto Especial Kyusei nº 53, publicado em 11 de março do ano 25 da Era Showa (1950) É verdadeiramente auspicioso que, agora que finalmente nos tornamos a Igreja Messiânica, o primeiro Culto Especial se realize, como de costume, durante três dias — cinco, seis e sete de março. Ao refletir sobre o significado do importante Culto de hoje, sinto gratidão imensurável. O primeiro passo que dei ao lançar-me na Obra Divina foi no dia do Setsubun, em fevereiro do terceiro ano da Era Showa (1928); completam-se, portanto, vinte e três anos neste ano. Durante esses vinte e três anos, a obra de alicerce foi concluída; agora, finalmente, organizamos as fileiras para um início em caráter definitivo, erguendo a grande bandeira da salvação de toda a humanidade e prestes a dar início às atividades de fato. Pode-se dizer que, até agora, era como se estivéssemos nos aprontando nos bastidores; com a preparação concluída, é como se agora subíssemos ao palco. De modo geral, o Messias tem relação profunda com o Cristianismo e, mesmo no Ocidente, as interpretações parecem diversas e conflitantes, sem que haja ainda uma definição estabelecida. Isso ocorre porque é difícil para a sabedoria humana sondar as profundezas desse mistério. Quanto a mim, ainda não me intitulo Messias nem afirmo ser a segunda vinda de Cristo. Isso se deve, também, ao fato de que, até certo período, Deus me proibiu de anunciar. É claro que seria um grande problema se pensassem tratar-se da vinda do Messias: pessoas do mundo inteiro viriam em alvoroço, e não seria possível realizar o trabalho de forma alguma. O que posso afirmar com certeza hoje é que estou realizando o grande Plano Divino para salvar o mundo. Isso se compreende ao ver os fatos que realizo atualmente, e é por essa razão que adotamos o nome de Igreja Messiânica. Há algo que devo dizer especialmente aqui. Deve-se saber que, hoje em dia, quando tudo se tornou mundial, a maioria das religiões estabelecidas ainda realiza obras de salvação limitadas a regiões específicas, sem nunca ter tido a missão de salvar toda a humanidade. Apenas o Cristianismo, por ter como missão a salvação de toda a humanidade, alcançou a grandeza que tem hoje. No entanto, há grande margem para dúvidas quanto à sua capacidade de aliviar a enorme angústia que aflige toda a humanidade nos dias de hoje. Por quê? Porque os fatos o mostram claramente. Pode-se dizer, sem reservas, que a força da própria religião já não é mais suficiente para resolver a situação, e esta é uma opinião unânime entre os sábios. Neste ponto, o que se pode dizer francamente é que é necessário que surja uma força superior à religião; o que seria isso senão uma super-religião? Originalmente, religião (shukyo) — como sugerem os próprios caracteres que a compõem — é o ensinamento do fundador de uma doutrina religiosa. Seja a Bíblia, os sutras ou o Alcorão, todos, em última análise, ensinam por meio de palavras e despertam a alma humana, sendo, portanto, fruto do esforço humano. Hoje, porém, a força humana já não é mais suficiente. É claro que os ensinamentos também são necessários, mas é indispensável a manifestação de um grande poder divino superior. Mesmo assim, a força de um deus vivo individual, por si só, dificilmente é suficiente; de qualquer forma, é necessária a manifestação do poder absoluto de Jeová, o Deus que governa toda a humanidade. Naturalmente, desde o surgimento da humanidade até hoje, um grande poder divino como esse não se manifestou, pois apenas a força necessária para a preparação do Paraíso Terrestre era suficiente. Pode-se dizer que, até agora, a nossa Igreja e o mundo eram como os bastidores. No entanto, finalmente, o tempo amadureceu, e o mundo, acompanhado de uma grande transformação, chegou à realização do ideal de Deus: o estabelecimento do Paraíso. Este é o fundamento, e é somente ao compreender profundamente isso que alguém se torna qualificado para participar da Grandiosa Obra Divina. Deus é Justiça Kyusei nº 54, publicado em 18 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Pode parecer estranho dizer isso agora, mas escrevo aqui porque as pessoas comuns — e é claro os Ministros e os fiéis em geral — tendem a esquecer que Deus é justo. Embora a nossa Igreja, em particular, se dedique à justiça e às boas ações, raramente há quem se desvie do Caminho Absoluto e vagueie por direções equivocadas. Nesses casos, certamente recebem um alerta de Deus, mas, se o ignoram, sofrem a grande punição divina. No início, a maioria dos crentes comuns é extremamente sincera: emociona-se com a graça divina e os milagres e continua praticando uma fé fervorosa. Como se trata de uma fé correta, as bênçãos são notáveis, e eles passam a ser respeitados por muitas pessoas naturalmente, além de terem suas condições de vida amplamente favorecidas. Assim, no futuro, deveriam agradecer ainda mais pela graça divina, ser mais cautelosos e dedicar-se a retribuir essa graça. Contudo, é a tristeza dos mortais: sem perceber, acostumam-se com a graça, surge a arrogância e uma brecha se abre em seus corações. As Divindades malignas estão sempre à espreita dessa brecha e, aproveitando a oportunidade, nela se infiltram, ocupam a pessoa e passam a manipular livremente seu corpo físico. É realmente algo perigoso! Quanto mais ambiciosa e útil é a pessoa, mais as Divindades malignas a miram. No entanto, se a pessoa for um verdadeiro e correto crente, as Divindades malignas não encontram por onde entrar e desistem, tornando-a segura. Mas há quem caia nessa armadilha, e este ponto é bastante difícil. Isso também pode ser claramente compreendido quando se compara com um padrão: trata-se da presença ou ausência de amor egoísta. Basta avançar com determinação, colocando como prioridade máxima apenas a causa de Deus e da humanidade, sem considerar os próprios interesses. Uma pessoa assim é alguém com quem as Divindades malignas nada podem fazer. No entanto, quando as coisas vão um pouco bem, surge a vaidade. A pessoa pensa que é importante, e é nesse momento que o perigo reside. Por fim, ela passa a ter ambições. Para isso, tenta parecer importante e busca obter poder. É algo verdadeiramente terrível. Assim que isso acontece, as Divindades malignas penetram cada vez mais fundo na alma e, por fim, a possuem completamente. Além disso, quando se trata de uma Divindade maligna poderosa, ela chega a manifestar uma força espiritual considerável. É claro que se trata de uma força espiritual temporária, mas, como ela cura doenças e realiza milagres, a arrogância aumenta ainda mais, e a pessoa acaba por acreditar ser a própria encarnação de algum deus, tornando-se um deus vivo. Esses deuses vivos, como os fundadores de muitas novas religiões que existem no mundo, são quase todos desse tipo. No entanto, como não são deuses verdadeiros, entram em decadência após um certo período. Vale notar aqui que a atitude desses líderes religiosos ou deuses vivos se torna bem compreensível quando observada com olhar rigoroso. O ponto mais notável é a escassez de amor, bem como o fato de que, embora a fé seja severa, como a do Shojo, baseada em preceitos, eles ameaçam dizendo que, se não ouvirem o que dizem, serão punidos, ou que, se saírem do grupo ou da fé, serão destruídos ou perderão a vida, tentando impedir a deserção. Isso é a chamada fé coercitiva. Se houver qualquer indício disso, pode-se concluir com segurança que se trata de uma Divindade maligna. Como sempre digo, a fé correta é como a do Daijo, livre e voluntária; portanto, tanto a continuidade quanto o abandono da fé são livres, e ela é celestial, alegre e radiante. Por outro lado, uma fé baseada em preceitos severos como o gelo e o sol escaldante é um culto maligno e um inferno de fé. Deve-se prestar atenção especial: se houver qualquer segredo, como dizer que não se pode contar a alguém, pode-se considerar uma fé maligna. A fé correta não tem nenhum segredo e é pura radiância. Como Surgem as Crianças Gênio? Kyusei nº 53, publicado em 11 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Há pouco tempo, um noticiário de jornal foi tomado pela história de uma criança de seis anos que desenhava quadros maravilhosos. Vou escrever sobre como nascem essas crianças prodígio. Crianças geniais aparecem de tempos em tempos desde a antiguidade. No Ocidente, também se ouve frequentemente falar de músicos famosos que, por volta dos seis ou sete anos, já tocavam bem piano ou violino e que, após os dez anos, compunham grandes obras. Schubert, por exemplo, compôs mais de quinhentas obras desde os dez e poucos anos até sua morte, aos trinta e um. Não há dúvida de que foi um gênio impressionante. Deve haver alguma causa especial para o nascimento de um gênio tão grande, e é sobre isso que vou escrever. Isso é, naturalmente, de ordem espiritual, e a ciência materialista não tem a menor ideia a respeito; portanto, não há o que fazer. No entanto, conhecer essa causa também deve ser uma necessidade. Nesse sentido, vamos explicá-la a partir da ciência espiritual. Quanto a essa causa, pode-se pensar que existem duas: a reencarnação do espírito de um grande músico e a possessão espiritual. Suponhamos que exista um grande músico. Mesmo após a morte, indo para o mundo espiritual, ele não consegue esquecer a música que ama. Devido a esse forte apego, ele reencarna rapidamente. Essa é uma delas. A outra é que, por não conseguir esperar até reencarnar, ele busca alguém de sua linhagem e se apodera dessa criança. Ele espera o movimento dos dedos e, por volta dos seis ou sete anos, se apossa dela. Como é um grande músico, naturalmente exibe uma habilidade impressionante. No entanto, nesse caso, ele não pode se apossar de alguém sem vínculo; por isso se apossa de alguém de sua linhagem espiritual. Apossa-se especialmente de crianças, pois é mais fácil se apossar delas do que de adultos, e também porque pode usá-las livremente como deseja. Pensem bem: se fosse uma criança comum de seis ou sete anos, não teria como ter a habilidade de um adulto. Mas, conhecendo a razão acima, não é de se estranhar que nasçam crianças geniais ou crianças prodígio. No entanto, nem todas as crianças geniais se tornam grandes nomes. Entre elas, há muitas que, até certa idade, são geniais, mas depois se tornam comuns. Isso se limita aos casos de possessão espiritual, e não de reencarnação. A razão é que, no caso da reencarnação, o próprio espírito é humano; portanto, não há como mudar. Já no caso da possessão espiritual, é algo permitido até um certo período, devido à missão de Deus ou aos desígnios dos espíritos ancestrais. Uma Palavra ao Mestre Okada Michiaki: Sobre o Johrei "Sokohito" Kyusei nº 61, publicado em 6 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) No artigo do senhor, escrito sob o título "terapia dos espíritos de divindades Sokohito" na edição nº 60 do jornal da nossa Igreja, há um ponto de grande equívoco, pelo qual realmente lamento pelo senhor. Em sua tese, o senhor afirma que a cura de doenças pela fé se baseia, do início ao fim, na convicção do paciente. Esta não é uma opinião apenas do senhor, mas da maioria dos especialistas e da classe intelectual, que interpretam que a cura se deve à sugestão do terapeuta ou à fé da própria pessoa. É verdade que tais casos existem. Desde os tempos antigos, a maioria das terapias baseadas na fé tem sido interpretada dessa forma. Contudo, exclusivamente na nossa Igreja, isso absolutamente não ocorre. Este é o grande ponto da nossa Igreja, e é também a razão pela qual se ostenta um nome tão grandioso como "Igreja Messiânica". Primeiramente, de todas as pessoas que buscam o Johrei da nossa Igreja, dez em cada dez, cem em cada cem, sem uma única exceção, inicialmente hesitam, vacilam, duvidam com intensa desconfiança e o recebem com receio. Isso não é sem razão. Os jornais e revistas rotulam a nossa Igreja com nomes como "charlatanice" ou "religião maligna e supersticiosa" e lhe desferem ataques e críticas incessantes, enquanto os terceiros, acreditando unilateralmente nisso e seguindo a onda, fazem o possível para que as pessoas não se aproximem dela. Até mesmo parentes, conhecidos e familiares pensam da mesma forma; portanto, é natural que, mesmo que alguém ocasionalmente recomende a nossa Igreja, a pessoa não acredite de forma alguma. A pessoa, após ter tentado todos os tipos de terapia, incluindo a medicina, e todas as religiões, é levada ao extremo da piora, até o limiar da morte, e, sem ter para onde ir, apega-se à nossa Igreja. No entanto, uma vez que recebe o Johrei, inesperadamente surgem inúmeros casos de pessoas que experimentam o milagre de escapar da beira da morte e se curam completamente. Como resultado, a nossa Igreja continua a se desenvolver cada vez mais, e este é o seu estado atual. Por outro lado, tornou-se senso comum que, quando qualquer pessoa no mundo adoece, imediatamente busca tratamento médico. A ideia de que as doenças são curadas por médicos e medicamentos foi incutida exaustivamente durante séculos, e, como até mesmo a nação protege os médicos, pode-se dizer que a confiança do público geral é absoluta. Tal é a confiança da humanidade na medicina que, se hoje a criticássemos, seríamos tidos por tolos ou loucos. Todos os que se submetem a tratamento médico, sem exceção, depositam nele confiança absoluta desde o início; desnecessário dizer que não há lugar para a menor dúvida. Como a pessoa se entrega ao tratamento com tamanha confiança, suas condições mentais são impecáveis. Sendo a medicina uma ciência materialmente tão avançada, pela lógica deveria alcançar cem por cento de eficácia. A realidade, contudo, é outra: as doenças não são facilmente curadas, e as pessoas se veem forçadas a recorrer à religião maligna e supersticiosa. O que foi exposto é um esboço fiel da realidade. Se assim é, a tese do senhor deveria ser considerada, antes, o oposto. Recomendamos-lhe, pois, que leia atentamente os relatos de graças abundantemente publicados em todas as edições do jornal da nossa Igreja. Com isso, a porta de pedra do coração do senhor certamente se abrirá. Discurso de Fundação: Sobre o Nascimento da Igreja Messiânica Mundial Kyusei nº 48, publicado em 4 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) A Nihon Kannon Kyodan, fundada como entidade religiosa em 30 de agosto de 1947, e a Igreja Miroku do Japão, fundada em 30 de outubro de 1948, dissolveram-se voluntariamente. Unindo ambas as organizações sob uma nova concepção, no dia 4 de fevereiro de 1950, data do início da primavera (Risshun), surgiu a entidade religiosa intitulada Igreja Messiânica Mundial. Tal fato possui um significado extremamente importante e, evidentemente, decorre da profunda vontade de Deus — nem é preciso dizer que não se trata de intenção humana. A razão é que finalmente adentramos o período da Transição da Noite para o Dia no mundo espiritual, como sempre proclamamos. Conforme também sempre afirmamos, a salvação do budismo ocorre durante o período noturno; portanto, com o desaparecimento da noite, a salvação de Kanzeon-Bosatsu passa por transição e avança. Em suma, isso significa a Extinção do Budismo. Consequentemente, é natural que a atuação de Kanzeon-Bosatsu se transforme na do Messias. Isto é, Kanzeon-Bosatsu, que era um Buda encarnado, aqui retira a máscara e passa a atuar como a divindade em sua forma original, que é Deus. Como exposto acima, uma vez que o mundo espiritual se torna dia — e isso se transfere ao mundo material —, é natural que, na cultura noturna, pereça o que é desnecessário, restando apenas o que é útil. Não é só isso: a longa era de trevas fez acumular não poucos pecados e impurezas na humanidade, tornando imperativa uma ação de limpeza. É precisamente a isso que se referem os elementos desnecessários que devem perecer. Simultaneamente, tem início a construção da cultura diurna. A que se refere essa grande virada sem precedentes? Trata-se, na verdade, do programa de Deus, decidido há milhares — ou melhor, dezenas de milhares — de anos. Em outras palavras, ocorrerão uma destruição e uma criação mundiais em larga escala. Ah! Agora que nos encontramos diante de um período tão crucial, precisamos saber de que forma se manifestará o grande amor de Deus. Ou seja, na sua concretização, tudo será decidido entre o que perece e o que sobrevive. Embora isso seja inevitável, a graça de Deus, desejando salvar o maior número possível daqueles que pereceriam, escolhe Seus representantes e realiza a grande obra de salvação do mundo. A instituição utilizada para cumprir essa missão é a nossa Igreja. Deve-se dizer, portanto, que a missão da nossa Igreja é verdadeiramente grandiosa. Nesse sentido, a atividade neste período final, cada vez mais iminente, é digna de toda a atenção. O Paraíso Terrestre que proclamamos deve ser, por conseguinte, o objetivo final. Até agora, sob o título de conselheiro, por assim dizer, eu atuava nos bastidores do Plano Divino; concluído, porém, o trabalho de base, passo agora a atuar na superfície. Em termos claros: finalmente subi ao palco principal. É natural, portanto, que gradualmente renasçam de maneira nova todos os aspectos — não apenas a forma organizacional, mas também o estilo das atividades. E, como consta no norito, Kanzeon-Bosatsu, Komyo-Nyorai, o Messias (Salvador do Mundo), Miroku Shin etc., embora os nomes sejam diferentes, por serem o mesmo espírito de divindade, a raiz e o fundamento não se alteram. Ou seja, uma vez que o âmbito de atuação do espírito de divindade se expande de acordo com a época, não há problema em manter a Imagem da Luz Divina e o Ohikari como estão até certo momento. Ainda há muitas coisas que desejo anunciar, mas, como a divulgação ocorrerá gradualmente conforme o avanço do tempo, paro por aqui. Por fim, devo dizer o seguinte: até agora, por tratar-se da atuação de Kanzeon-Bosatsu, ela era, por assim dizer, de caráter oriental. Contudo, devido à iminência do tempo, é imperativo salvar toda a humanidade mediante um grande salto. Para isso, é necessário expandir-se mundialmente, e é por essa razão que se usa o nome Igreja Messiânica Mundial. Outro ponto: a salvação de Kanzeon-Bosatsu não distinguia entre bem e mal. Agora, porém, com o Paraíso Terrestre iminente, chegou o momento de separar o bem do mal, cultivar o bem e eliminar o mal. É o chamado golpe final no mal. O poder de salvação, portanto, também deve ser decisivo. Esse poder é a grande força divina exercida pelo Messias. Ah! Chegou, de fato, um tempo digno de celebração! Há liberdade na religião? Kyusei nº 48, publicado em 4 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) A visão comum da sociedade é que a religião é algo extremamente destituído de liberdade; há até quem, temendo essa opressão, evite tocar no assunto. Trata-se, porém, de um grande engano, e sua causa está inteiramente na fé Shojo existente dentro das religiões estabelecidas. A fé Shojo parte do princípio de que a alma se polirá e alcançará a iluminação por meio de práticas ascéticas e do ascetismo; do nosso ponto de vista, isso é cair em uma espécie de inferno religioso. E a razão de isso ocorrer é que falta poder à divindade ou ao Buda que é o objeto dessa fé; no futuro, o correto seria que, pela luz desse mesmo objeto de fé, se alcançasse a iluminação sem tanto sofrimento, chegando a um estado de tranquilidade e paz espiritual. Sendo assim, a fé Shojo é pelo poder próprio, e a fé Daijo, pelo poder alheio. Esse caminho Shojo tem origem na religião Bramânica da Índia. Pelo exposto, percebe-se que a fé Shojo carece de liberdade, ao passo que a fé Daijo possui liberdade sem obstáculos — mas não uma liberdade qualquer. Sem o funcionamento da Sabedoria Sagrada, há o perigo de que essa liberdade se torne mero egoísmo. A verdadeira liberdade consiste em respeitar a liberdade do próximo, e nisso reside naturalmente um limite. É a chamada liberdade dentro de certos limites, e é essa a verdadeira liberdade. Isso porque, se causarmos o menor prejuízo a outrem, sentiremos remorso e desconforto e não alcançaremos um estado de espírito verdadeiramente livre e desimpedido; é dando alegria ao próximo que também nos tornamos alegres. Deve-se saber que esta é a verdadeira liberdade. Contribuindo para a Salvação da Humanidade e a Paz Mundial (O Significado e a Missão do Nascimento da Igreja Messiânica Mundial) Kyusei nº 48, publicado em 4 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) O Fundador Jikan fala sobre seus sentimentos na fundação da Igreja. Desta vez, a Corporação Religiosa Nihon Kannon Kyodan e a Nihon Miroku-kyo foram dissolvidas de forma construtiva e, sob um ideal amplo e distante, acaba de ser fundada, como corporação religiosa, a Igreja Messiânica Mundial. Com isso, a nossa Igreja dá início a um novo capítulo em sua história. Recorde-se que, em agosto do ano 22 da Era Showa (1947), sob a bandeira da liberdade religiosa, ela emitiu seu primeiro grito de vida e, em pouco mais de dois anos, alcançou desenvolvimento e prosperidade raros no mundo religioso. Prejudicada, porém, pela maré de inveja e ciúmes do pós-guerra, deparou-se inúmeras vezes com dificuldades e obstáculos inesperados. A ansiedade e a angústia de todos os fiéis foram indescritíveis. Mas, diante da justiça, esses grupos de Divindades malignas gradualmente desapareceram e, finalmente, a nossa Igreja entrou em uma fase em que seu verdadeiro valor brilha resplandecentemente. Neste momento, a transformação da nossa Igreja é verdadeiramente indescritível em palavras, mas tudo isso se baseia na Vontade Divina para a nova era. O serviço a Deus e a "sinceridade" da salvação do mundo serão impulsionados com mais força, e a grande obra da paz mundial e da salvação da humanidade pela fé irradiará novo poder e esplendor. Nesta primavera inicial, repleta de efervescência histórica, no templo anexo de Atami, o repórter teve a oportunidade de ouvir diretamente do novo Fundador Jikan o significado da "Proclamação da Fundação da Igreja" e sua missão futura. Do lado de fora da janela da sala de estar do novo Fundador, as primeiras cerejeiras já começavam a florescer aqui e ali, e novas esperanças transbordavam. A seguir, o resumo do diálogo. Sinais do Declínio do Poder do Buda / A Grande Missão da Fundação da Igreja Interlocutor: Qual a diferença entre a fundação (kaikyō) e a reforma de uma igreja? Meishu-Sama: Neste caso, trata-se tanto de fundação quanto de reforma; o termo se aplica a ambas, mas, considerando a essência da missão, talvez "fundação" seja o mais correto. Interlocutor: Então, com que significado nasceu esta fundação? Meishu-Sama: Tudo isso se deve à Vontade Divina; não se manifestou pela minha própria vontade como apóstolo. Basta crer que, por conveniência divina, entramos nesta nova fase. Interlocutor: E essa conveniência divina — de que forma se manifestou na inspiração espiritual do Grão-Mestre? Meishu-Sama: Primeiro, os sinais do declínio do poder do Buda são extremamente evidentes. É claro que o budismo em si tem grande razão de existir, mas penso que é difícil salvar os seres humanos complexos de hoje apenas recitando sutras e desejando benefícios na vida futura na Terra Pura. Olhando para o estado atual do mundo budista e dos templos, como qualquer um pode ver, a transição das coisas é lamentável demais. Lamentar a queda da humanidade devido à derrota na guerra e fugir da responsabilidade não é, penso eu, o caminho do budismo Daijo. Ainda assim, deve haver mais obras de salvação para os vivos. Deve-se dizer que aí reside uma das causas do declínio do poder do Buda. Segundo, a tendência de declínio dos santuários xintoístas torna-se cada vez mais intensa. Isso é ainda pior do que o declínio do poder do Buda, e somos forçados a duvidar de que os santuários realmente possuam autoridade divina. É verdadeiramente um sentimento de profunda solidão. Portanto, embora a nossa Igreja não deixe de ter Kanzeon-Bosatsu como símbolo de fé, quero dizer que a missão e o caminho de Kanzeon-Bosatsu mudaram muito em comparação com antes. O mesmo vale para Miroku Ōkami. Para simplificar, pode-se dizer que Kanzeon-Bosatsu, que era um Buda de manifestação, tornou-se a atuação de Deus — seu corpo original —, e sua posição tornou-se mais elevada do que antes. Vê-se, portanto, que seu poder de salvação se tornou várias vezes mais forte do que antes. Em Sintonia com o Cristianismo / Pregando Amplamente no Oriente Interlocutor: Qual a razão de o Grão-Mestre ter se tornado, desta vez, o fundador? Meishu-Sama: Apenas emergi à superfície como representante de Deus. Interlocutor: Gostaria de perguntar sobre a nova doutrina da nova igreja. Meishu-Sama: O maior ideal é a salvação de todo o gênero humano. Em particular, quero distinguir claramente o bem do mal, destruir o mal e ajudar grandemente o bem. Esta é a Vontade de Deus. É verdadeiramente lamentável a quantidade de bem que fica sem recompensa. A nova igreja primeiro salvará as pessoas boas por todos os meios possíveis, e quero que ela se torne uma fortaleza para erradicar completamente a escuridão do mundo humano. Para isso, a luta contra os demônios malignos continuará, mas isso deve ser suportado como um processo. Interlocutor: Qual é o significado mundial da Igreja Messiânica Mundial? Meishu-Sama: Conduzir toda a humanidade à felicidade através da fé é o seu maior objetivo. No entanto, no Ocidente existe o cristianismo. As palavras de Cristo, "O Reino dos Céus está próximo...", estão muito próximas da nossa doutrina; a nossa doutrina está em criar o "Paraíso Terrestre" o mais rápido possível. Os ensinamentos deixados por Cristo são verdadeiramente magníficos, e o poder divino para salvar a humanidade é realmente grandioso. Quero que a nossa nova igreja esteja em sintonia com o cristianismo e que, no Oriente, especialmente primeiro no Japão, eu dedique toda a minha sabedoria e poder para guiar e salvar a humanidade. Acredito firmemente que isso certamente contribuirá grandemente para a paz mundial. Verdadeiramente, a nossa Igreja é a primeira e maior religião nascida no Japão a promover a paz mundial. Como diz o ditado "a religião não tem fronteiras", se a verdadeira natureza e as bênçãos espirituais reais da nossa Igreja forem compreendidas, certamente será possível que não apenas os japoneses, mas todos os orientais mantenham um espírito elevado e puro, verdadeiramente imbuído de paz. Para a paz mundial e para eliminar os conflitos no mundo humano, as atividades futuras da nossa Igreja devem tornar-se vigorosas. Pode-se dizer que aqueles que não conseguem compreender esta verdade são pessoas infelizes que não desejam a paz. Interlocutor: Creio que o que o Grão-Mestre acabou de dizer já era algo que defendia desde antes... Meishu-Sama: Exatamente. Como o poder de Deus aumentou, este ideal se torna ainda mais concreto e grandioso. O Poder Divino Ainda Mais Forte / Eliminando a Ansiedade da Doença e da Pobreza Interlocutor: A obra de salvação contra a doença e a pobreza também aumentará em poder? Meishu-Sama: Ela manifestará um poder ainda maior do que agora. Aquele que tiver um coração bom certamente será salvo de qualquer doença grave ou sofrimento. Esta é a verdadeira confissão da Proclamação da Fundação da Igreja; quem duvidar, que primeiro experimente, para só depois criticar. Interlocutor: A nossa Igreja entrou agora nesta segunda etapa de desenvolvimento, mas, apesar disso, ainda não possui um templo principal. Como o senhor pretende resolver isso daqui para frente? Meishu-Sama: Estamos apressando a construção do edifício que deverá se tornar o templo principal, em Zuiunkyo, em Atami, como já é do conhecimento de todos, mas os trabalhos estão atrasados porque os recursos não estão disponíveis como desejaríamos. Ainda assim, é estranho que qualquer religião não tenha um templo principal; por isso, e também pelo ardente desejo de todos os fiéis, decidimos concluir a construção do santuário o mais rápido possível. Junto com o edifício, decidimos também desenvolver um grande jardim em Zuiunkyo, e os preparativos já foram iniciados. Quando a primavera chegar a este local de beleza cênica incomparável em Atami, um jardim de cem flores em pleno desabrochar emitirá um novo brilho, e assim a concepção do Paraíso Terrestre mostrará seu vigoroso avanço do sonho rumo à realidade. Se todos os fiéis acalmarem o coração e se apoiarem na vastidão sem limites da Vontade Divina, o Caminho certamente se abrirá. A Gripe Atual Kyusei nº 48, publicado em 4 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Recentemente, a gripe tem se alastrado furiosamente por todo o país, e parece haver sinais de que continuará se espalhando cada vez mais; as autoridades, com grande empenho, têm investigado a causa, mas, até agora, não parecem ter descoberto a verdadeira causa. Quanto aos sintomas: "suas características são calafrios, fortes dores de cabeça, dores nos músculos e articulações do pescoço, costas, cintura, braços e pernas; também pode haver sangramento nasal, congestão ocular e dor de garganta. Em alguns casos, pode vir acompanhada de diarreia e dor abdominal. Em geral, a febre e esses sintomas duram de cinco a sete dias, e não há perigo de vida, a menos que sobrevenham complicações como bronquite ou pneumonia" (segundo declaração do técnico Wakabayashi, do Ministério da Saúde e Bem-Estar). Sendo assim, do ponto de vista da nossa ciência divina, trata-se apenas de um processo de purificação, e deve ser vista como algo muito bom. Mesmo deixada sem tratamento, cura-se facilmente, e por isso, também sob esse aspecto, a medicina a considera de fácil cura. Do nosso ponto de vista, o que importa é o quanto essa gripe aumenta a saúde de quem a contrai; por isso, longe de nos preocuparmos, o correto é nos alegrarmos grandemente com ela. Para a medicina, que não conhece isso, é compreensível que se preocupe; mas nós, que conhecemos a fundo a sua causa, não podemos deixar de, a cada vez que isso acontece, agradecer a Deus novamente e nos embriagarmos com essa felicidade. Assim, esta gripe atual, por ser um processo de purificação da superfície do corpo humano, é algo bom; mas, mais cedo ou mais tarde, ocorrerá o grande processo de purificação das toxinas solidificadas no interior do corpo. E, quando isso acontecer, não será algo que se resolva tão facilmente. Surgirão, um após o outro, casos graves e óbitos. Nessa hora, as pessoas afortunadas se apegarão à nossa Igreja e serão salvas, mas as que insistirem em não se apegar facilmente terão um destino infeliz; pode-se dizer que isso é uma espécie de teste espiritual pelo qual Deus separa o bem do mal. Sobre Sentir Frio Kyusei nº 48, publicado em 4 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Às vezes me perguntam por que razão, quando sentimos frio, a vontade de urinar aumenta; por isso, escreverei um pouco sobre isso aqui. Antes de mais nada, quanto à relação entre o corpo humano e a água: o ser humano não absorve água apenas pela boca; absorve constantemente, também, a umidade do ar através da respiração pulmonar, e essa quantidade chega a ser surpreendentemente grande. Isso porque a respiração ocorre cerca de trinta vezes por minuto, sem uma única pausa, absorvendo continuamente. Em relação a isso, o corpo absorve a parte necessária da água e elimina a parte desnecessária; essa eliminação é a urina. No entanto, a urina não é a única via; também é eliminada pela pele, na forma de suor. E o suor, como todos sabem, é produzido pelo calor, por isso ocorre em grande quantidade nos dias quentes de verão. Assim, quando faz frio, o suor diminui, e, na mesma proporção, a quantidade de urina aumenta. Ou seja, urina e suor são, no fundo, a mesma coisa, e por isso seus odores também se assemelham. Esse princípio fica bem claro no caso da pleurisia úmida. Na pleurisia úmida, forma-se um espaço entre as duas membranas pulmonares, no qual se acumula urina; por isso, uma característica dessa doença é a sudorese noturna intensa, que ocorre justamente porque essa urina acumulada na pleura sai na forma de suor, conforme explicado acima. Teoria da Cooperação entre Homens e Mulheres Kyusei nº 48, publicado em 4 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) A teoria da igualdade de direitos entre homens e mulheres, como produto da democracia, é, de fato, um bom senso repleto de racionalidade. Contudo, especialmente no Japão, onde por muito tempo os direitos das mulheres foram ignorados e elas foram colocadas em uma posição infeliz, nem é preciso dizer o quanto foram salvas pela igualdade de direitos. No entanto, deve-se atentar também para os males decorrentes dos excessos, pois, no Japão, onde ainda não faz muito tempo que a igualdade de direitos foi estabelecida, trata-se, sem dúvida, de um fenômeno transitório inevitável. Em países como os Estados Unidos, onde as pessoas foram treinadas por um longo período e a igualdade já está integrada em toda a sociedade, não há necessidade de dizer nada. Mas, considerando a situação atual do nosso país, conforme descrito acima, escrevi a teoria da cooperação entre homens e mulheres, conforme o título, com o intuito de uma salvação mais rápida. Em primeiro lugar, se for a igualdade de direitos entre homens e mulheres, ambos os lados inevitavelmente tenderão a insistir apenas em suas próprias opiniões, faltando-lhes espírito de compromisso. Isso porque igualdade de direitos significa igualdade, sendo ambos como duas protuberâncias. É justamente por existirem uma protuberância e uma reentrância que há harmonia. Com duas protuberâncias iguais, nenhum dos lados cederá, e é uma consequência natural que as disputas não cessem. De fato, com a igualdade de direitos, a posição das mulheres se elevou e sua felicidade aumentou, mas não se pode ignorar o sofrimento de disputas inesperadas como as mencionadas que surgem por outro lado. É exatamente como o excesso do liberalismo se transforma em egoísmo. Não é outra a razão pela qual defendemos a teoria da cooperação entre homens e mulheres. Cooperação significa estabelecer uma hierarquia, ou seja, não é uma divisão de cinco partes para cada um, mas sim uma divisão de seis partes para o homem e quatro para a mulher, pois, na maioria dos casos, a capacidade do homem é superior na vida prática. No entanto, há casos no mundo em que a capacidade da mulher é superior e o homem assume uma posição subordinada; para esses casais, seria adequado que a mulher tivesse seis partes e o homem, quatro. Se assim for, posso garantir que as disputas diminuirão grandemente e a felicidade da vida conjugal aumentará. Ofereço este texto aos casais do mundo. Causas da Queda dos Preços das Ações e Seu Futuro Kyusei nº 48, publicado em 4 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Os preços das ações caíram bastante nos últimos tempos: comparados aos de um tempo atrás, em geral estão pela metade ou um terço do valor anterior, havendo casos graves em que chegaram a um décimo ou menos. Por causa disso, o número de pessoas que sofreram grandes prejuízos é incalculável, e é algo verdadeiramente lamentável. Diz-se que há até mesmo pessoas que enlouqueceram ou cometeram suicídio, o que é uma tragédia que ultrapassa completamente a mera compaixão. Embora, há algum tempo, se falasse em "popularização das ações" e se fizesse grande propaganda em jornais e rádio, diante da situação atual, não deve haver desculpas que justifiquem. Mesmo que agora se discuta sobre responsabilidades, é como "depois da festa", e, como as próprias autoridades não imaginaram que cairia tanto, provavelmente não se pode culpá-las. No entanto, eu compreendia bem esse colapso e cheguei a dar diversos avisos. Da primavera ao verão do ano passado, fui frequentemente questionado sobre qual estratégia adotar em relação ao futuro dos preços e das ações; em todas as ocasiões, eu dizia que tudo cairia em breve e que era melhor vender o máximo possível enquanto ainda havia tempo. Cheguei a afirmar que, até o final do ano, as ações cairiam a uma fração do valor; para o bem ou para o mal, como hoje se vê, a previsão se confirmou. Alguém poderia perguntar, então, se essa profecia foi uma revelação divina — mas não foi bem assim. É mais adequado dizer que foi deduzida do senso comum: a alta dos preços de várias mercadorias se deve inteiramente à guerra; portanto, é extremamente natural que, com o fim da guerra, voltem ao nível anterior. É como um balanço: sobe porque desce, desce porque sobe. Os especuladores costumam dizer: "quanto mais alto o pico, mais profundo o vale", e é exatamente isso. A única coisa inevitável é que a queda é muito mais rápida do que a subida — algo semelhante à teoria da gravitação de Newton: o tempo para soltar um objeto é mais curto do que o tempo para levantá-lo. Aqui, escreverei algo como um "manual secreto das ações". Em primeiro lugar, qual é a essência das ações? Para administrar um grande empreendimento, é necessário um grande capital; por isso, muitas pessoas precisam reunir seus recursos. No entanto, ainda que houvesse alguém capaz de fornecer sozinho um grande capital, isso se tornaria monopolista e não seria interessante. Por essa razão, mesmo os zaibatsu antes do fim da guerra, embora tivessem poder para investir sozinhos, optaram pela organização acionária por prudência. Hoje, com as leis antimonopólio, isso é ainda mais difícil, sendo inevitável adotar uma base popular. Essa é a maneira correta. Naturalmente, o objetivo é obter dividendos sobre o capital investido e, como o retorno é melhor que o de depósitos bancários, títulos públicos ou outros investimentos, há também a expectativa de aumentos de capital e valorização. Além disso, do ponto de vista do estímulo econômico, destinar parte da poupança ao investimento pode ser considerado um dever do cidadão. Portanto, quando o investimento tem por objetivo obter dividendos, como descrito acima, ele é legítimo e não apresenta problemas; pode-se dizer que dificilmente haverá prejuízo. No entanto, como apenas os dividendos não são interessantes, as pessoas inevitavelmente buscam lucrar com as flutuações de preço, visando a diferença. Isso é o que se chama de especulação, e é fundamentalmente errado. Em geral, o que é feito da maneira correta nunca dá prejuízo; o prejuízo surge quando se age de forma errada. Ou seja, "dinheiro mal adquirido não permanece"; mesmo que se lucre temporariamente, um dia certamente se terá prejuízo. A melhor prova disso é que, entre aqueles que enriqueceram com a especulação, sejam novos-ricos ou corretores de ações, não há um único caso de fortuna que tenha durado duas ou três gerações; todos inevitavelmente se arruínam, fato que os conhecedores do ramo devem saber bem. No entanto, as pessoas que compraram ações quando o mercado estava aquecido no ano passado nem sequer pensavam em dividendos. Eram todas pessoas que buscavam apenas o lucro com a diferença de preço, pensando em quanto ganhariam se o preço subisse. Eram amadores — assalariados, viúvas e pessoas com algumas economias — que não tinham nenhum conhecimento sobre ações e compravam desordenadamente. Por isso, eu achava aquilo não apenas perigoso, mas até assustador, pois, mesmo que se pagassem dividendos razoáveis com base nos preços da época, muitos papéis não renderiam nem um por cento ao ano; investidores sérios que visam dividendos jamais aplicariam dinheiro nisso. Consequentemente, assim que o mercado começasse a cair, a multidão, incapaz de suportar a situação, certamente se desfaria dos papéis. As vendas geram mais vendas, acelerando a queda, e, num piscar de olhos, os preços atingiram os baixos níveis que se veem hoje. O que se deve notar aqui é que, antigamente, quando os preços chegavam ao fundo, os capitalistas entravam comprando e conseguiam estancar a queda. Hoje, porém, como já não existem esses grandes compradores, o mercado parece não ter fundo, e é de se considerar que a recuperação exigirá um período consideravelmente longo. Por princípio, ações são algo que só se deve possuir depois de se ter uma boa folga financeira. Dessa forma, não importa o quanto os preços caiam, não se fica abalado. No entanto, a maioria das pessoas, mesmo sem ter meios, quer fazer grandes negócios; essa é a raiz do fracasso. Isso porque, ao comprar ações, as pessoas só pensam na alta, e não na queda — é exatamente isso que está errado. Aliás, não apenas com ações, mas ao planejar qualquer coisa, deve-se pensar mais na possibilidade de fracasso do que na de sucesso. Ou seja, é preciso decidir antecipadamente o que fazer em caso de fracasso. A esse respeito, ouvi uma vez algo interessante: o ser humano não deve, seja nos negócios ou em qualquer outra coisa, "morrer junto" com eles. Deve-se sempre agir de modo que se possa desvencilhar a qualquer momento. Agindo assim, nunca se fracassa. Considerei essas palavras verdadeiramente sábias. No ano passado, escrevi sobre o mercado de ações do ponto de vista espiritual. Desta vez, este artigo aborda o mercado de ações do ponto de vista material. Espiritualmente Insolúvel: "Sobre a Revolução na Terapia Neurocirúrgica" - O Erro da Medicina do Século XX Kyusei nº 49, publicado em 11 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) No dia 26 de dezembro de 1949, o jornal Chubu Nihon (região central do Japão) publicou um artigo intitulado "Revolução na Cirurgia Cerebral: Curando Doenças Mentais sem Abrir a Cabeça". Segue-se um resumo do artigo, que trata de uma tese enviada dos Estados Unidos ao Japão. Interlocutor: "Segundo uma carta do Dr. E. A. Spiegel, professor da Universidade Temple e autoridade no campo da neurocirurgia nos Estados Unidos, o tratamento que tenta curar doenças mentais, epilepsia e movimentos involuntários causados por distúrbios dos nervos cerebrais através de cirurgia foi concebido pelo Dr. Moniz, professor da Universidade de Lisboa, em Portugal, que recebeu o Prêmio Nobel este ano. Foi popularizado nos Estados Unidos pelos Drs. Freeman e Watts. No Japão, centrado no Professor Fuji, a técnica de lobotomia pré-frontal (leucotomia) teve grande desenvolvimento após a guerra, apresentando resultados clínicos milagrosos, como a cura de doenças que causam tremores no corpo, como a coreia, simplesmente com a cirurgia. A pesquisa do Dr. Spiegel revelou-se uma inovação revolucionária que torna esta terapia mais simples e eficaz. Esta pesquisa aplicou com sucesso em humanos o 'estereoencefalótomo' (coagulador cerebral elétrico), que o Professor Clark, da Inglaterra, havia utilizado em macacos e gatos. O método consiste em inserir uma agulha elétrica no núcleo dorsomedial do tálamo dentro do cérebro e cauterizá-lo, obtendo bons resultados de forma simples, sem a necessidade de incisar a substância branca com um bisturi. O Dr. Spiegel relatou ter obtido os seguintes resultados clínicos em 42 pacientes: 'Em pacientes com doenças mentais que não apresentavam efeito com eletrochoque há 17 anos, obteve-se um efeito muito bom. As dores intensas de pacientes em estágio terminal de câncer, que precisavam de várias injeções diárias de morfina, foram curadas com esta terapia. Foi possível interromper ou aliviar as crises epilépticas. Como esta terapia consiste apenas em inserir uma agulha no cérebro e cauterizá-lo com eletricidade, não há risco de morte. Além disso, como é possível obter ondas cerebrais mais precisas do que aquelas obtidas pelo contato externo com o cérebro, que era o método utilizado até agora, é possível descobrir doenças até então desconhecidas.' — relatou o Dr. Spiegel. O Dr. Saito comentou a notícia com grande entusiasmo, da seguinte forma: 'O Dr. Spiegel é um velho amigo meu da época em que eu pesquisava na Universidade de Viena, de 1920 a 1922. A pesquisa do Dr. Spiegel é inovadora e de nível mundial. Divulgarei imediatamente para a comunidade médica japonesa.'" Meishu-Sama: A julgar apenas pelo relato acima, parece uma descoberta verdadeiramente revolucionária, e a bênção que trará à humanidade é maravilhosa. No entanto, creio que descobertas como esta têm apenas efeito temporário; é impossível eliminar a causa da doença e curá-la completamente. Especialmente para doenças cerebrais como epilepsia e doenças mentais, tenho a impressão de que isso está totalmente fora do alvo. Como sempre digo, epilepsia e doenças mentais são doenças espirituais. Portanto, a menos que sejam resolvidas espiritualmente, não haverá efeito. Para explicar este ponto de maneira fácil de entender, é como amarrar pés e mãos de um moleque travesso porque ele está fazendo travessuras. De fato, com isso ele não pode fazer travessuras temporariamente, mas, em compensação, também não pode realizar as atividades normais da vida humana, o que acaba sendo um problema. Embora seja louvável a crença da medicina que, como sempre, se apega ao físico e ao mecânico e se esforça para progredir, no final ela não atinge a essência da cura das doenças, o que é um problema. Portanto, a menos que a humanidade desperte para isso, não será salva. Ah, como fazer a medicina despertar de seu erro? Esta é, sem dúvida, a grande questão da segunda metade do século XX. Zuiunkyo como ponto turístico mundial Kyusei nº 49, publicado em 11 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) O modelo do Paraíso Terrestre que estou construindo atualmente em Atami-Momoyama, inicialmente considerado o melhor da região de Kanto, à medida que as obras avançam, passou a ser considerado o melhor do Japão. De fato, entre as construções religiosas famosas no mundo, as antigas incluem o Partenon, na Grécia; as medievais, o Palácio do Vaticano, em Roma, e a Abadia de Westminster, na Inglaterra. Além disso, como construção famosa fora do âmbito religioso, temos a Cidade Proibida de Pequim, na China (*1), cuja magnitude e beleza arquitetônica grandiosa podem ser consideradas, de fato, as maiores do mundo. E, no Japão, o Santuário Toshogu em Nikko é, sem dúvida, o único de que podemos nos orgulhar perante o mundo. Comparado a esses, este Zuiunkyo é, evidentemente, algo modesto, e seu custo não chega sequer a uma centésima parte daqueles. No entanto, em outros aspectos, seja na localização, na vista geral, na paisagem circundante ou na beleza das montanhas e águas que se avistam, provavelmente não haverá igual em todo o vasto mundo. Isso é algo que as pessoas versadas neste Caminho louvam por unanimidade. Vou descrevê-lo em detalhes, mas, antes de tudo, o que mais importa é o ambiente natural com que já conta. É claro que as montanhas não são muito altas — têm cerca de cem metros de altitude. Além disso, fica a poucos quarteirões da estação, a quinze minutos a pé e cinco minutos de carro, sendo, portanto, de uma conveniência ímpar. Quanto ao plano, a construção será dividida em três fases; atualmente, a primeira fase está em andamento, e apenas o terreno estará pronto por volta de meados deste ano. No terreno mais alto, com 1.200 tsubo, está prevista a construção de um templo com 18 ken de frente, 20 ken de fundos e 360 tsubo de área. O estilo é o mais moderno, seguindo a escola de Le Corbusier, da França (*2), que atualmente domina o mundo. Eu o projetei em um estilo ainda mais inovador: sem telhado, todo em gesso branco, com um design extremamente simples. Curiosamente, diz-se que o estilo Le Corbusier originou-se da arquitetura das salas de chá japonesas. Em um dos lados deste terreno, já foi concluído um muro de pedra com quatro ken de altura e mais de cinquenta ken de extensão; só isso já basta para os visitantes se surpreenderem com sua imponência. Tendo o referido templo como centro, a beleza das curvas, ricas em variações naturais, das pequenas colinas ondulantes que o cercam é de uma excelência verdadeiramente indescritível. De qualquer ângulo que se contemple, não se pode deixar de pensar que foi Deus quem preparou tudo isso. Quando se contempla o conjunto desde o sopé da montanha, é provável que se esqueça de que se está neste mundo, com a sensação de passear por um reino de sonhos. Por outro lado, o plano atual para o local inclui: cem ameixeiras centenárias, cem cerejeiras Yoshino, setenta cerejeiras de flor dupla, dezenas de azaleias grandes, além de arbustos como dafne, roseira, lilás, glicínia, rosa-dourada e camélia, e flores como tulipa, jacinto, narciso, crisântemo comestível, anêmona, amor-perfeito, cravo e ciclâmen. Como serão plantadas apenas espécies que florescem na primavera, quando estiver concluído, sua beleza será provavelmente inimaginável — e, certamente, não haverá igual no mundo. O que descrevi acima é apenas a primeira fase. Acredito, sem dúvida, que, quando a segunda e a terceira fases estiverem concluídas, este lugar se tornará um dos orgulhos do Japão como local de renome mundial. Portanto, para o turismo estrangeiro, já se pode prever que, no futuro, será necessário visitar o Santuário Toshogu em Nikko e o Paraíso Terrestre em Atami. Por fim, gostaria de dizer que o propósito original de planejar uma construção como a descrita acima é criar uma grande obra de arte unificada, que integre a beleza natural do Japão à beleza artificial, conforme sempre digo: a missão do Japão é ser uma nação artística. Para isso, a escolha do local é fundamental. Depois de pesquisar todo o Japão, descobri que Atami é o local ideal, o mais excelente. Dispensa dizer: o clima é ameno, há fontes termais, montanhas, mar e ilhas (Ilha Hatsushima e Ilha Oshima). A paisagem, com seu litoral sinuoso e ricas variações, não tem comparação. Além disso, está situada no meio do caminho entre Kansai e Kanto, é de fácil acesso e faz fronteira com Hakone e a Península de Izu, ambos parques nacionais. É, de fato, um local privilegiado pela natureza, sem nenhum defeito. E adquiri, uma a uma, mais de vinte mil tsubo das terras com a mais bela paisagem de Atami. Como comecei a comprá-las há vários anos, quando os preços estavam muito baixos, não resta a menor dúvida de que Deus preparou tudo isso desde tempos remotos. Compreende-se, portanto, que todas as condições para construir o modelo do Paraíso Terrestre estão perfeitamente reunidas. *1 Cidade Proibida de Pequim. O palácio imperial das dinastias Ming e Qing. *2 Le Corbusier. Arquiteto e pintor nascido na Suíça. Abandona o Ga Kyusei nº 50, publicado em 18 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Provavelmente, não há nada na vida humana tão temível quanto o Ga (ego). Basta ver que, na disciplina do mundo espiritual, abandonar o Ga é considerado o princípio mais importante. Quando eu ainda era seguidor da religião Oomoto, havia no Ofudesaki uma passagem que dizia: "Até mesmo Deus fracassou por causa do Ga; por isso, não há nada mais temível do que o Ga." E também: "Não se pode viver sem o Ga, mas também não se pode ter o Ga; o melhor é ter o Ga, mas não exibi-lo." O sentido dessas palavras é, de fato, extremamente simples, mas expõe com precisão a verdadeira natureza do Ga — e não pude deixar de me impressionar profundamente. Naturalmente, isso também me levou a uma grande reflexão sobre mim mesmo. Também no Ofudesaki, a passagem que diz que "a docilidade é o que há de melhor" me pareceu verdadeiramente sábia. Isso porque aqueles que, até hoje, ouviram com docilidade o que tenho dito seguiram um caminho verdadeiramente tranquilo, sem fracassos; mas há também os que, por terem um Ga forte, não conseguem fazer o mesmo. Ver essas pessoas fracassarem com frequência por essa razão é algo verdadeiramente doloroso. Como exposto acima, não exibir o Ga, ser dócil e não mentir são, antes de tudo, os princípios essenciais da fé. Resistência Kyusei nº 50, publicado em 18 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Costuma-se dizer, na medicina, que "para não ser acometido por doenças, deve-se fortalecer a resistência", mas isso é exatamente o contrário, pois é justamente por se ter resistência que se contrai a doença. Dispensa dizer que a resistência nada mais é do que o processo de purificação. No entanto, a medicina, seguindo o Princípio Inverso, entende que, para não adoecer, é preciso fortalecer a resistência, e por isso introduz toxinas medicamentosas no corpo — o que, ao contrário, enfraquece o organismo. Com isso, a força de purificação deixa de surgir. Ou seja, acredita-se que, ao enfraquecer a resistência, evita-se a doença — e assim se pode perceber o quão equivocado é esse raciocínio. Discutindo Novamente sobre Dívidas Kyusei nº 50, publicado em 18 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Recentemente, publiquei um artigo nesta coluna sobre se a dívida é certa ou errada; mas, como ainda há pontos que não foram suficientemente abordados, volto a escrever. Observando a sociedade atual, os resultados negativos decorrentes da dívida são mais numerosos do que os positivos. E, como se vê ultimamente, o número de suicídios alcançou níveis nunca antes vistos, e acredita-se que a maioria desses casos tenha a dívida como causa. É claro que os suicídios de jovens — homens e mulheres —, bem como os suicídios por amor, são quase todos causados por paixões tolas; mas, entre os de meia-idade ou mais velhos, sobretudo pessoas de certa notoriedade social, a maioria tem a dívida como causa. Recentemente, certo homem influente que veio dos Estados Unidos ao Japão — esqueci seu nome — disse em uma conversa: "O que mais me surpreendeu ao visitar o mundo empresarial do Japão foi a quantidade excessiva de dívidas." Como se pode ver por isso, atualmente, não importa quem seja: dificilmente há alguém sem dívidas. De fato, como fomos atingidos daquela forma pela guerra, era impossível reconstruir sem um tostão, e entendo que era necessário recorrer a empréstimos; mas muitos contraem dívidas além do necessário, e é isso que é ruim. De modo geral, os japoneses têm vaidade em excesso e são muito preocupados com as aparências. Esse ponto também deve ser uma das causas. Essa preocupação com as aparências faz com que, quando as coisas vão um pouco bem, eles se expandam impulsivamente. Não pensam com calma e ponderação. Esquecem-se de provérbios como "apertar o cordão do capacete após a vitória". É claro que também desconhecem coisas como a lógica além da lógica. Têm o hábito de achar que basta que a lógica e o ábaco concordem e haja lucro — uma espécie de hedonismo momentâneo —, avançando imprudentemente, ultrapassando a ousadia. Em suma, embora sejam empresários, o que fazem é uma aposta de tudo ou nada. No entanto, o mundo não é tão fácil assim. Quase nunca as coisas saem conforme o planejado, pois o mundo muda tão rapidamente que elas acabam sendo algo completamente diferente das expectativas iniciais. Acima de tudo, a atual escassez de dinheiro é prova disso, e os que sofrem agora certamente se surpreendem com o presente, tão diferente da época do planejamento inicial. Como é de conhecimento geral, são evidentes o fechamento de inúmeras fábricas, o aumento drástico de cheques sem fundo, os atrasos no pagamento de salários, o acúmulo gradual de estoques, a falta de fluidez nas transações comerciais etc. Até mesmo os agiotas, que antes estavam em boa fase, encontram-se recentemente em estado lastimável, e alguns chegam à falência, o que mostra o quão severa é a crise de crédito. Isso se deve ao fato de que, como mostram os fatos acima, não se levou em conta a violenta mudança inicial do mundo. Sendo assim, a única maneira de aliviar a atual escassez de dinheiro e superar a presente dificuldade é mudar a mentalidade de antes. Ou seja, são três preceitos: não contrair dívidas, não forçar a barra, não se apressar. E, acima de tudo, é preciso ter expectativas baixas para o futuro. Dispensa dizer que se deve adotar, tanto quanto possível, uma política de austeridade, evitando a falta de rigor. Não há outro caminho seguro além deste. Há ainda um ponto para o qual quero chamar muita atenção. Desde os tempos antigos, dificilmente existe um povo com fé tão forte na ajuda alheia quanto os japoneses — e isso é o que há de pior. Vejam: quando se trata de um projeto um pouco maior, eles buscam auxílio do governo ou querem receber subsídios, e pensam que não podem realizar um negócio sem pedir emprestado ao banco. Grandes empresas, por exemplo, quando estão um pouco bem, aumentam os dividendos e, como retêm pouco internamente, querem emitir títulos corporativos descontroladamente. A introdução de capital estrangeiro, que hoje é um grande problema, é um exemplo disso. No entanto, é preciso considerar por que os capitalistas americanos hesitam e vacilam quanto a essa introdução. É inteiramente porque o mundo econômico do Japão carece de solidez. Portanto, se o Japão atingir um estado em que não precise de capital estrangeiro, é certo que os Estados Unidos virão por iniciativa própria, dizendo que querem que usemos seu dinheiro, mesmo que a taxa de juros seja baixa. É preciso perceber esse ponto sutil. Por fim, o que quero dizer é: que caminho tomará a economia japonesa daqui para frente? Dispensa dizer que estamos entrando em uma era de deflação. Portanto, se não mantivermos uma política de austeridade e não seguirmos com solidez sobre solidez, será difícil superar essa fase. Outra questão: mesmo entre os agricultores, a euforia rural de outrora desapareceu, e a realidade é que estão em extrema dificuldade. Isso se deve em parte à falta de conhecimento econômico dos agricultores, mas também à incompetência dos governantes, que não conseguem vislumbrar o futuro e negligenciaram o alerta sobre a situação atual. Deve-se dizer que os políticos também têm metade da culpa nisso. Como fica claro pelo exposto, o erro em todos os negócios é começar em grande escala com uma estratégia de endividamento. Deve-se sempre começar de forma sólida e modesta, mantendo a autossuficiência como base. Portanto, desprezando a ajuda alheia e tendo como lema "Deus ajuda quem se ajuda", quem perseverar sem pressa e sem desânimo, acumulando esforços de forma constante, certamente obterá resultados melhores do que o esperado. Isso é algo que aprendi com minha própria experiência de vida; portanto, não há erro. O que foi dito acima é o cristal da minha experiência de ter sofrido por muito tempo com dívidas. Após quitar todas as dívidas, jurei em meu coração nunca mais contrair dívidas em toda a minha vida — e assim cheguei aos dias de hoje. Como era de esperar, desde então tenho obtido resultados excepcionalmente bons. Em primeiro lugar, quando não há dívidas, o coração está sempre alegre; o cérebro funciona bem e ideias inesperadamente boas surgem. Costuma-se dizer: "A felicidade vem para quem ri" ou "A preocupação gera preocupação, e a queixa gera queixa". É exatamente como dizem: se o coração for próspero, é natural que a prosperidade material também venha. O fato de a nossa Igreja ser considerada pela sociedade como muito mais abençoada economicamente do que realmente é deve-se a não contrairmos dívidas e também a não haver atrasos nos pagamentos. Como exposto acima, escrevi longamente sobre os malefícios da dívida. Em suma, não estou dizendo, de forma alguma, que não se deva contrair dívidas. O fundamental é manter a autossuficiência como base e limitar as dívidas ao mínimo. Basta observar esses dois preceitos. Se assim for, não haverá necessidade de pressa nem de forçar a barra; tudo prosseguirá sem problemas, e posso garantir, com toda a certeza, o sucesso tranquilo. Jornais que Pregam o Bem Kyusei nº 50, publicado em 18 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Atualmente, quem observa os jornais e revistas constata, como é sabido, uma quantidade excessiva de artigos pertencentes ao mal. Roubos, assassinatos, furtos, fraudes, negócios ilícitos, desvios, ocultações, contrabando, suicídios, suicídios em dupla, adultérios — a lista é quase interminável. Se alguém, vivendo fora do Japão, visse apenas isso, talvez pensasse que não existe nação mais temível do que o Japão. Contudo, ainda assim, o Japão certamente tem qualidades que podem ser elogiadas e das quais se pode orgulhar. No entanto, as coisas boas tendem a se ocultar e dificilmente vêm à tona. Desde os tempos antigos, diz-se que "a má notícia voa"; de fato, o mal se espalha e se torna conhecido mais depressa. Nos jornais, as boas notícias não despertam o interesse dos leitores; são as ruins que mais atraem a atenção. As notícias extraordinariamente más chegam a despertar cem por cento de interesse e, por isso, ganham destaque. A melhor prova é que o furo jornalístico, quase sempre, é uma notícia ruim. De vez em quando, surgem boas notícias, como a do Dr. Yukawa recentemente, mas provavelmente não chegam nem a um por cento do total. Como se percebe pelos fatos acima, os leitores que veem diariamente jornais repletos de mal são influenciados inconscientemente. Assim, a reação contra o mal se enfraquece; é característica comum do ser humano tornar-se surpreendentemente indiferente até diante do que, em estado mental normal, seria terrível. Os jornais atuais, ao escreverem apenas sobre os aspectos sombrios, pretendem alertar a sociedade e melhorá-la, mas, ironicamente, produzem o efeito contrário. E, o que é crucial, os próprios jornalistas acabam paralisados, tornando-se comum exagerarem os fatos criminosos ao escrevê-los. Essa paralisia dos jornalistas em relação ao mal não pode ser ignorada; somos obrigados a adotar uma política oposta. Basta observar o estilo de edição do Jornal Messiânico para compreendê-lo. Jamais tratamos crimes ou aspectos sombrios de forma sensacionalista. Ao contrário, damos advertências e enfatizamos veementemente a rejeição do mal. É claro que, tratando-se de um jornal religioso, isso talvez seja natural; mas, se as publicações desse tipo no mundo se tornassem meros sermões, com artigos tão insossos quanto mastigar cera, não seriam lidas por não terem graça e não teriam serventia alguma. Por isso, como se vê no Jornal Messiânico, mesmo nos artigos de opinião escrevemos novas teorias, ainda pouco explicadas, que tocam o âmago do leitor. É aí que reside o seu atrativo. Além disso, em máximas contundentes que, ao serem lidas, provocam gargalhadas inevitáveis, procuramos fazer com que se capte o ponto vital das coisas. Em especial, as histórias de gratidão, artigos peculiares ao Jornal Messiânico, são relatos de fatos extraordinários — milagres vívidos, vidas preciosas que foram salvas —, e é impossível não lê-los. Provavelmente não há quem, ao lê-los, não se impressione e chore. Considerando o exposto, atualmente dificilmente se encontrará algo que, como o Jornal Messiânico, rejeite o mal e promova vigorosamente o bem. Sendo assim, pode-se dizer que, embora pequeno, o Jornal Messiânico, como uma existência que atua como lume para purificar o coração da sociedade, é como uma única flor vermelha em meio a uma vasta vegetação verde. Sobre a alimentação de crianças pequenas Kyusei nº 51, publicado em 25 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) A medicina interpreta de forma extremamente equivocada a alimentação de crianças pequenas. Costuma-se dizer que, se derem banana ou pasta de feijão doce (an) às crianças, elas terão disenteria epidêmica (ekiri); por isso, evitam esses alimentos — mas isso não tem fundamento algum. Provavelmente trata-se de um erro de interpretação: pouco antes de a disenteria se manifestar, a criança, por acaso, havia comido tais alimentos. Por isso, tenho ensinado isto não apenas aos meus seis filhos, mas também a centenas de milhares de seguidores, e, até hoje, não houve um único caso assim. A disenteria e doenças semelhantes, além disso, podem ser facilmente curadas pelo Johrei e quase nunca levam à morte. O ridículo é que há muitas famílias que não dão pasta de feijão doce (an) às crianças. Sempre digo a essas mães: "O que há de ruim na pasta de feijão doce? Ela é feita cozinhando feijão azuki, que é bom para constipação e beribéri, passando-o por um pano, adicionando açúcar e cozinhando bem. Não existe alimento tão bom quanto este." Pensando bem na causa disso, a medicina foi desenvolvida no Ocidente e, como lá não existe pasta de feijão doce (an), ela provavelmente não está escrita nos livros de medicina. O mesmo se aplica a outros casos, como fica evidente quando vemos os médicos, ao recomendarem alimentos aos pacientes, tenderem a sugerir itens ocidentais — leite, caldo de carne, sorvete, aveia, tomate, batata, repolho, cebola, maçã etc. Recentemente, como se tivessem despertado um pouco para esse fato, passaram a recomendar sopa de missô e nattô, embora antes rejeitassem esses alimentos. Houve, certa vez, uma paciente interessante. Era uma senhora de cerca de quarenta anos que, acreditando que o espinafre fosse um remédio, passou a comer apenas espinafre todos os dias. Depois de cerca de seis meses, surgiram erupções cutâneas semelhantes às da sífilis por todo o corpo. Assustada, ela veio me procurar. Era uma intoxicação, e ela se curou completamente em pouco tempo — mas a senhora disse: "Não há nada mais terrível do que o espinafre. Decidi que não o comerei pelo resto da vida." Isso nos mostra que devemos ter cuidado. No entanto, não se pode dizer que o espinafre seja especialmente ruim, pois qualquer alimento, se consumido em excesso e de um único tipo, pode facilmente causar intoxicação. De modo geral, basta comer adequadamente aquilo que se tem vontade de comer. Portanto, sejam alimentos ocidentais ou japoneses, o melhor é não ter preferências excludentes e escolher aqueles que se adequam ao paladar de cada um. Discussão sobre Dívidas Kyusei nº 51, publicado em 25 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Conforme sempre digo, sofri por muito tempo com dívidas, e não há nada mais desagradável do que elas. A maioria das pessoas deve conhecer essa experiência: uma vez contraída, a dívida é muito difícil de pagar. Quando se faz uma dívida, pensa-se em pagá-la o mais rápido possível, mas, mesmo quando já se tem o dinheiro necessário, é da natureza humana não conseguir fazê-lo com facilidade. Assim, cria-se uma lógica conveniente: "Vou adiar um pouco, fazer esse dinheiro render e, depois de ganhar mais, não será tarde para pagar." Se, por sorte, alguém decide pagar de uma vez, a outra parte, ganhando confiança, dá a entender que poderia emprestar novamente. Então, acaba-se pegando emprestado um valor ainda maior do que antes. Dessa forma, o dinheiro que entra não segue o planejado, mas o que sai, sim; por isso, não se consegue pagar na data prevista. Uma dívida que já se grudou a alguém não se resolve facilmente. No fim, ter dívidas acaba se tornando um hábito. Há até pessoas que se sentem mal se não têm dívidas. Portanto, provavelmente não há nem uma em cada dez pessoas que, tendo contraído uma dívida, consiga se livrar completamente dela. Hoje, o problema mais detestável no mundo deve ser o dos empréstimos e das dívidas. Diz-se que quase a totalidade das ações civis — a ponto de se poder dizer que são todas — é causada por relações de crédito e débito. Assim, a primeira condição para eliminar os conflitos deste mundo é evitar ao máximo fazer empréstimos. Nos casos em que é inevitável pedir emprestado, porém, o importante é pagar o mais rápido possível. Se todos seguissem isso, nem seria preciso dizer o quanto a sociedade se tornaria mais límpida e o quanto o desconforto mútuo diminuiria. Há ainda uma coisa que quero dizer: as dívidas encurtam a vida das pessoas. Dizem que o falecido Sr. Kihachiro Okura costumava alertar sobre isso, e acredito que seja uma afirmação totalmente correta, pois não há nada que escureça tanto o coração humano quanto as dívidas. Pela minha própria experiência, depois que fiquei livre delas, senti como se tivesse saído de uma longa prisão. Os parlamentares do Japão Kyusei nº 52, publicado em 4 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Recentemente, uma delegação de deputados japoneses visitou o parlamento americano para uma inspeção. Segundo seu relato, no parlamento daquele país quase não há vaias nem tumultos, e a atmosfera séria e refinada é verdadeiramente digna de inveja. Em contrapartida, qual é o estado do parlamento japonês? Vaias, gritos de raiva, insultos e até mesmo o uso da força física — a desordem é tamanha que, mesmo quando o presidente tenta acalmar os ânimos, ninguém o ouve. Pode-se dizer que não difere em nada da algazarra de desordeiros num mercado qualquer. Toda vez que vemos ou ouvimos tais cenas, não podemos deixar de suspirar de vergonha e desolação, tamanha é a nossa tristeza. Diante disso, é necessário examinar profundamente por que razão, no Japão, surgem apenas deputados de um nível tão baixo. A esse respeito, fui convidado inúmeras vezes até hoje para me candidatar a deputado, mas jamais pude sentir-me inclinado a isso. É claro que, pela minha própria missão, isso seria impossível; mas, mesmo que não houvesse tal impedimento, de modo algum eu me sentiria disposto. Isso porque, ao considerar as circunstâncias complexas que envolvem tornar-se um deputado no Japão, sinto-me profundamente desanimado. Vou expor aqui essa realidade tal como ela é. Originalmente, o deputado é tido como representante do povo, o encarregado de refletir a vontade geral da nação na política. Portanto, a pessoa a ser eleita deveria, em princípio, ser recomendada pelo povo e, constrangida por essa indicação, candidatar-se. Assim, abandonando sua própria profissão, desconsiderando todos os interesses pessoais e com a determinação de sacrificar-se até certo ponto em prol do bem público do país, ela ascende ao palco da assembleia legislativa. Isso é, sem dúvida, a manifestação de um espírito verdadeiramente sublime e de amor fraternal. Por conseguinte, é natural que tal pessoa receba o respeito e a gratidão do povo, e que o Estado lhe conceda honrarias e tratamento especiais. Se assim é, quando alguém se lança como candidato na disputa eleitoral, todas as despesas de campanha deveriam ser custeadas pelos eleitores. Não só isso. Uma vez que abandona sua profissão para dedicar-se aos assuntos do Estado, todas as despesas de subsistência do deputado também deveriam ser arcadas pelo povo, permitindo-lhe mergulhar na política sem preocupações com o futuro. Se um deputado fosse eleito dessa forma, seria, sem dúvida, uma pessoa de caráter elevado e digna de confiança absoluta, e não haveria motivo para temer ficarmos atrás dos Estados Unidos. No entanto, quando observamos a realidade atual do Japão, ela é extremamente oposta ao que foi exposto. Vejam: os candidatos curvam-se diante dos eleitores, fazem-lhes a corte e apelam às emoções, fazendo disso o princípio fundamental da campanha. Trata-se de algo verdadeiramente ilógico e absurdo. É claro que todas as despesas de campanha são pagas pelos próprios candidatos, o que já é estranho. Há até quem burle as leis eleitorais, oferecendo banquetes aos eleitores para agradá-los e, nos casos mais graves, chegando a comprar votos. Dificilmente haverá no mundo algo tão contrário à lógica quanto isso. No entanto, como não conseguem ser eleitos sem fazer isso, mesmo cientes do absurdo, agem assim. Isso indica que deve haver algo por trás de tudo. Esse "algo" é, evidentemente, a troca de interesses. E assim os interesses da maioria acabam sacrificados em benefício de uma minoria. Essa é a causa da corrupção no mundo político e da degeneração das eleições, que resultam nos problemas políticos do Japão. Além disso, a sociedade não se escandaliza muito com esses erros. De fato, os jornais e o povo em geral os criticam constantemente, mas de modo bastante brando e superficial. Por isso, eles se aproveitam e continuam a produzir, como sempre, um número determinado de deputados por meio de eleições sórdidas e vergonhosas. Diante do exposto, chega-se à conclusão: se uma pessoa fosse verdadeiramente notável, jamais pensaria em tornar-se deputado, mesmo que para isso tivesse de fazer coisas tão ilógicas e absurdas. Isso é ainda mais verdade quando é preciso gastar somas enormes em campanha! Como dito acima, quando se gasta uma fortuna em campanha e se recorre até mesmo a métodos impuros para ser eleito, é óbvio demais que apenas pessoas à altura desses meios acabam surgindo. Uma vez eleitos, consideram isso uma honra suprema; ostentam o título de deputado, andam de peito estufado e se gabam de ser a "nata" da nação. Que mundo estranho! Com isso, as pessoas verdadeiramente notáveis se ocultam nas sombras, e apenas as de baixo calibre se tornam deputados. Assim, as ações descritas no início são, na verdade, algo natural. Embora possa parecer que proferimos palavras extremamente odiosas, é porque nos preocupamos sinceramente com o país que não podemos deixar de fazer uma crítica nua e crua. Que fazer, então? Elevar o senso de moral política de todos os japoneses, formando pessoas que verdadeiramente se preocupem com o país e almejem o bem-estar das massas. Para tanto, acima de tudo, o despertar da classe dirigente é a questão mais urgente. Por fim, gostaria de acrescentar uma palavra sobre a educação religiosa. É inegável que a raiz da excelência dos deputados americanos reside inteiramente na fé cristã. O Japão deveria, portanto, aprender com isso e incentivar uma fé religiosa verdadeiramente valiosa. Advertimos que não há outro meio eficaz de resolver esse problema senão este. O Aumento Recente dos Crimes Intelectuais Kyusei nº 52, publicado em 4 de março do ano 25 da Era Showa (1950) A tendência de aumento dos crimes intelectuais, que ultimamente tem ocupado as páginas dos jornais, é motivo de preocupação para todos. Gostaria de expor nossa visão sobre as causas e as medidas para lidar com isso. Os crimes intelectuais variam em tamanho e natureza, mas os mais recentes são, em sua maioria, de grande escala. Pequenas fraudes de rua, falsificação de documentos e desvios de mercadorias têm danos conhecidos; muitos dos crimes intelectuais atuais, porém, são de proporções consideráveis, envolvendo grandes empresas e bancos, desvios em larga escala, sequestros de funcionários públicos e atos ilegais de agiotas — entre os envolvidos há até pessoas socialmente conhecidas. Portanto, o dano que causam não pode ser subestimado. Passo, então, às causas disso. Como sempre dizemos, isso se deve à educação tendenciosamente materialista, e não é necessário repetir esse ponto agora. A razão é extremamente simples: trata-se de acreditar ou não em coisas invisíveis. Ao analisar a psicologia dos que cometem crimes intelectuais, vemos o seguinte: estão absolutamente convictos da filosofia materialista de que não existe Deus nem Buda neste mundo e, portanto, desde que não sejam vistos pelos olhos das pessoas, podem fazer qualquer tipo de trapaça. Enganar as pessoas com habilidade e agir com astúcia é, para eles, sinal de inteligência e capacidade. No entanto, curiosamente, os fatos acabam vindo à tona de lugares inesperados. Presos à interpretação materialista, pensam apenas que a forma como agiram foi inadequada; na próxima vez, tentarão agir com mais habilidade — e assim sua astúcia vai se desenvolvendo cada vez mais. São completamente materialistas e consideram princípios como "causa boa, efeito bom; causa má, efeito mau" meras tolices de tolos. No entanto, por mais hábeis que sejam, no fim só acumulam fracassos, sem conseguir perceber isso — exatamente como os seguidores de cultos malignos e superstições. O fato acima fica claro ao observar os chantagistas que se aproximam de nossa Igreja. De fato, eles trazem, com muita habilidade, todo tipo de assunto que parece vantajoso para a nossa Igreja e assim nos tentam. Se alguém se deixar levar descuidadamente, é perigoso; por isso, escapamos com habilidade. Quanto a isso, porém, pela inspiração de Deus podemos compreender claramente suas palavras e suas encenações aparentemente sinceras. Em suma, quando julgam ter-nos enganado e ficam satisfeitos, o resultado é que, depois de gastarem recursos consideráveis, ficam sem nada — mas dificilmente abrem os olhos. O número desses criminosos intelectuais espalhados pelas ruas deve ser surpreendentemente alto. Além disso, como há pessoas com títulos e posições sociais consideráveis que são enganadas e lhes servem de instrumento, não se pode descuidar. Diante de um mundo tão corrupto, sinto profundamente que, a menos que Deus faça uma grande limpeza, jamais poderá nascer uma sociedade brilhante e feliz. Quanto mais observamos os males do pensamento materialista, como os descritos acima, mais sentimos a necessidade de uma educação centrada no espiritualismo. Neste ponto, chamo a atenção dos sábios do mundo para uma reflexão profunda. Naturalmente, a educação centrada no espiritualismo é a forma futura da religião; mas uma filosofia religiosa compreendida apenas por uma parte das pessoas, e não pela maioria, de nada serve na prática. Perceberão que só tem significado uma religião que, por meio de milagres, faça reconhecer a existência do Deus invisível. Doutrina da Igreja Messiânica Mundial Kyusei nº 53, publicado em 11 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Antes de tudo, cremos que o Grande Deus Senhor (Jeová), Criador do mundo, vem conduzindo, desde os tempos primordiais, um Plano Divino para estabelecer o Paraíso sobre esta Terra. Para tanto, designou o ser humano como Seu representante, e tudo o que existe no universo foi criado em função dele. Cremos, portanto, que toda a história da humanidade até hoje não passou de um trabalho preparatório para esse fim. Assim, Deus manifesta, em cada época, o homem e a religião que lhe são necessários, fazendo com que cada um cumpra sua missão. Agora que a situação do mundo se encontra em caos, sem rumo definido, cremos que o Deus Supremo confiou ao nosso Fundador, Okada Jikan, a grande missão da salvação do mundo, para que realize a sagrada obra de salvar a humanidade. Com o propósito de erradicar por completo os três grandes flagelos da humanidade — doença, pobreza e conflito —, dedicamo-nos a avançar rumo à realização do mundo ideal, de paz eterna e perfeita, fundado na Verdade, no Bem e no Belo. Fé Shojo Kyusei nº 53, publicado em 11 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Hoje em dia, ao criticar a religião, ouve-se com frequência o seguinte: para o futuro da religião, os líderes — incluindo o fundador e os dirigentes — deveriam vestir roupas grosseiras, comer alimentos simples, viver em cabanas de palha e, ao sair, usar bonde, ônibus ou ir a pé, vivendo da forma mais modesta possível. De fato, os fundadores e patriarcas do passado, ao propagarem a fé, calçavam sandálias de palha e polainas, saíam sozinhos pelas ruas a pregar em público; às vezes dormiam ao relento, adentravam montanhas, jejuavam, submetiam-se a quedas d'água, experimentavam toda sorte de sofrimentos, ou eram lançados na prisão, chegando a sofrer a pena de exílio em ilhas distantes. Vistos de hoje, os registros de suas dificuldades são comoventes. E o que finalmente conseguiam era, no máximo, uma região ou uma localidade; em geral, a fé só se expandia por todo o país várias gerações — às vezes dezenas — depois de sua morte. Comparado aos dias de hoje, o fato de terem permanecido na adversidade do início ao fim é algo inimaginável. Como essas circunstâncias estão profundamente enraizadas na mente do povo, é natural que, ao observar uma nova religião, as pessoas a vejam por essas lentes e, por isso, sejam facilmente enganadas. Uma religião vista dessa forma é chamada de fé Shojo. A origem dessa fé Shojo remonta à religião Bramânica, surgida na Índia antes mesmo do nascimento de Buda; seu ponto central é que a iluminação se alcança por meio de práticas ascéticas. Diz-se que ainda hoje, em algumas partes da Índia, embora em pequeno número, existem ascetas brâmanes remanescentes, que manifestam considerável poder espiritual e realizam milagres. A prática do jejum de Gandhi provavelmente se deve ao fato de ele ter sido asceta brâmane em sua juventude. Há uma história interessante sobre isso. A essência dos oitenta e quatro mil sutras pregados por Buda é a seguinte. Quando Buda observava a situação da Índia daquela época, em que a religião Bramânica predominava, estabeleceu-se que a iluminação não poderia ser alcançada sem a realização de práticas ascéticas, e isso era considerado o Caminho Perfeito da fé. As pinturas e esculturas de Arhats que permanecem em vários lugares do Japão até hoje são representações das práticas ascéticas dos ascetas brâmanes; pode-se imaginar como eram. Diante disso, a grande compaixão de Buda, que não suportava ver aquilo, revelou nos sutras o método de obter a iluminação sem depender de práticas ascéticas. Dizia-se que, apenas recitando os sutras, sem recorrer a práticas ascéticas, era possível penetrar no Caminho da iluminação. Nem é preciso dizer quão grande foi a alegria das massas ao saberem disso pela primeira vez. Veneravam e admiravam Buda como o santo mais benéfico que jamais existira, e o Budismo finalmente dominou toda a Índia. Visto por esse ângulo, pode-se dizer que, entre as obras de salvação de Buda, essa foi sua maior realização. A Religião Shojo é Anacrônica Pelo exposto, a fé ascética Shojo vai contra a vontade da grande compaixão de Buda; na verdade, inclina-se para a religião Bramânica, que era o objeto da salvação de Buda. Percebe-se quão equivocada ela é. Creio que Buda, no mundo do Paraíso, também se entristece. Pelo exposto, deve-se saber quão errada e anacrônica é a fé Shojo. Além disso, por outro ângulo, na propagação da religião nos dias atuais, o desenvolvimento dos meios de transporte e das técnicas de publicação, por exemplo, permite que o que antes levava dez anos seja feito em um dia. Portanto, é absolutamente necessário adaptar-se aos tempos e utilizar ao máximo os instrumentos da civilização. No entanto, é evidente que, se apenas a religião continuar com métodos antiquados, o verdadeiro objetivo não poderá ser alcançado. A melhor prova disso é que as religiões estabelecidas hoje se distanciam da época, de modo mais do que evidente. Por isso, ao observar as atividades religiosas que realizamos atualmente, os portadores das lentes Shojo apenas se maravilham, sem sequer pensar em compreender a verdade. Se fosse apenas isso, ainda assim estaria bem; mas alguns nos difamam, dizendo que vivemos em palácios de ouro e jade ou que levamos uma vida de luxo. No entanto, como administramos tudo apenas com as ofertas de muitos fiéis, não necessitamos de dinheiro; e, se aceitássemos as críticas dos crentes Shojo, teríamos de deixar apodrecer os alimentos doados ou lançá-los fora. Além disso, não podemos vender esses itens no mercado negro nem devolvê-los. E, como os fiéis, com sua sinceridade, nos oferecem grandes casas, não podemos deixar de usá-las. Muito pelo contrário, é por meio delas que podemos realizar a grande obra de salvar a humanidade. Ao considerar isso, percebe-se quão equivocada é a visão dos seguidores do Shojo. A nossa Igreja Cria uma Vida de Alegria Além disso, como o ideal da nossa Igreja é criar um mundo sem doença, pobreza e conflito, todos os convertidos podem tornar-se pessoas saudáveis, prósperas e que vivem uma vida harmoniosa e alegre. Para aqueles que gemem na sociedade do Inferno de hoje, isso não só parece inimaginável, como provavelmente o negam, julgando-o apenas uma isca para atrair as massas. Podem mesmo considerar o modelo do Paraíso Terrestre que estamos construindo como um luxo de palácios de ouro e jade; no entanto, nosso objetivo é libertar as pessoas da atual sociedade do Inferno, fazê-las passear de vez em quando no reino celestial, longe do mundo terreno, banhá-las na atmosfera celestial da Verdade, do Bem e do Belo e, enquanto se deliciam no estado de alegria, cultivar sentimentos elevados. Não é preciso dizer, portanto, quão necessário isso é para o homem moderno. De fato, na atmosfera da sociedade atual, formam-se pessoas inferiores, os jovens são corrompidos e, em toda parte, não há senão um viveiro de males sociais. Por isso, pode-se dizer que este Paraíso Terrestre é o único oásis dos tempos modernos. Quando este nosso plano grandioso e sublime for verdadeiramente reconhecido, em vez de críticas, deveriam erguer as mãos e expressar concordância. Há ainda um assunto importante. Nem é preciso dizer como os japoneses foram mal interpretados pelo mundo e perderam sua credibilidade devido à guerra de agressão do passado; recuperar essa credibilidade o mais rápido possível é, sem dúvida, o problema mais urgente que nos foi imposto. Nesse sentido, esta será uma importante instalação para mostrar a beleza natural do Japão e o talento estético, traço característico dos japoneses. No futuro, à medida que mais estrangeiros visitarem o Japão, espero desde já que, ao mesmo tempo em que confortem sua nostalgia de viagem, contribuam para que reconheçam o alto nível cultural do Japão e que, quando isso se concretizar, o mundo inteiro o louve. Acima está a explicação sobre a fé Shojo e a fé Daijo. A Doença é Realmente Terrível? Kyusei nº 53, publicado em 11 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Em nossa sociedade contemporânea, não deve haver uma única pessoa que não pense que as doenças são o que há de mais temível. Isso se deve, obviamente, ao fato de estarem relacionadas à vida, que é a coisa mais importante — nem seria preciso mencionar algo tão óbvio. Mas, mesmo quando a vida não está em jogo, uma vez que se adoece, com os altos custos médicos de hoje, a doença prolongada traz, além da despesa e da redução de renda pelo abandono do trabalho, um problema para quem está prestes a iniciar um negócio, para quem está no meio do sucesso ou precisa cumprir responsabilidades importantes. Se alguém nessa situação — incapaz de descansar sequer um dia — vier a contrair uma doença, a medicina atual exige repouso absoluto, impossibilitando qualquer atividade. Por isso, a angústia mental, a inquietação e a ansiedade, somadas ao sofrimento físico da doença, fazem com que a pessoa enfrente um duplo tormento. É natural, portanto, que se temam tanto as doenças. Além disso, como se atribui a causa de todas as doenças à infecção por micróbios, o medo desses micróbios é intenso, e as pessoas vivem em constante tremor e apreensão. Isso não ocorre quando se está doente, mas sim quando se está saudável — é nesse momento que se é acometido por esse terror. Por isso, somos levados a perguntar: que mundo cheio de ansiedade é este? De fato, o progresso de uma cultura esplendorosa tornou a sociedade, diferentemente dos tempos antigos, democrática, liberal, com igualdade de gêneros, racional, com transportes desenvolvidos e grande comodidade de vida. Certamente a felicidade humana aumentou, não há dúvida. No entanto, como mencionado, surgiu uma nova e grande ameaça, a chamada "fobia de micróbios". Não seria erro dizer, portanto, que todas essas felicidades culturais foram por ela aniquiladas. Ao refletir profundamente sobre os pontos acima, conclui-se que, para que a humanidade possa desfrutar dos benefícios da cultura e da felicidade, é necessário, antes de tudo, livrar o mundo da ansiedade das doenças. Se assim for, como é absolutamente impossível — por mais completos que sejam os equipamentos de desinfecção — exterminar por completo os micróbios (a causa fundamental) ou impedir que infectem o corpo humano, não há outro método senão criar um corpo humano que, mesmo infectado, não desenvolva a doença. Somente por esse meio a ansiedade em relação às doenças será resolvida. Então, pergunta-se: existe um método ideal como o mencionado acima? De acordo com o método de saúde da Revelação Divina, como sempre dizemos, não é tarefa difícil tornar-se uma pessoa saudável que não seja atacada por micróbios. Acima de tudo, nós, que não adotamos nenhuma medida de prevenção contra micróbios, não sofremos dano algum. Portanto, a ansiedade em relação às doenças é, para nós, coisa de um passado distante. Médicos se Opondo à Eletroterapia Kyusei nº 53, publicado em 11 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Certa vez, fui procurado para realizar o Johrei na esposa de um grande empresário, cujo rosto, devido a uma paralisia do nervo facial, se tornara irreconhecível. Alguns dias depois, segundo o relato da própria senhora, foi o seguinte: "Professor, eu confio plenamente no senhor, mas meus filhos insistiram para que eu fosse examinada por um especialista. Então, consultei o Doutor X, da Faculdade de Medicina Y, com quem tenho uma relação próxima. Quando ele me perguntou que tipo de tratamento eu estava fazendo, respondi: 'Na verdade, estou recebendo uma terapia baseada em energia espiritual, feita com as mãos.' Ao que o doutor disse: 'Isso é excelente. 'Essa doença, mesmo se deixada como está, cura-se em cerca de dois anos. No entanto, se fizer eletroterapia, ao contrário, não se cura. Portanto, nunca faça eletroterapia.' Então, eu lhe disse: 'No seu hospital, um médico subordinado ao senhor tentou aplicar eletroterapia em mim, mas eu recusei.' O doutor respondeu: 'Ainda bem.' E assim, pude continuar o tratamento com o senhor de coração leve." Ao ouvir isso, achei a história estranha. Desse modo, continuei com o Johrei e, como resultado, ela se curou completamente em cerca de dois meses. O que é interessante aqui é que o referido doutor era uma grande autoridade, muito famosa na época; sua reputação pode ser avaliada pelo fato de a senhora em questão ter sido convidada para a comemoração do feito de ter formado mais de cem médicos. Apesar de esse doutor negar o tratamento elétrico, o fato de um médico subordinado a ele recomendar a eletroterapia não se entende. Ele era uma pessoa bastante excêntrica, e há muitas anedotas sobre ele — ouvi várias delas da própria senhora. Entre elas, havia uma como esta: quando a senhora apresentou o doutor a uma família cujo filho estava doente, o doutor disse: "Ah, esta criança não tem mais salvação. Não adianta tratá-la." A família, então, suplicou, perguntando se não havia alguma forma de salvá-la. Ao que o doutor respondeu: "Quantos filhos a senhora tem? O quê, cinco? Então, não tem problema perder um?" E, dizendo isso, foi embora apressadamente. Dizem que a família ficou furiosa, dizendo que ela lhes havia apresentado um médico terrível. Como se vê por este exemplo, ele era, de todo modo, uma pessoa que transcendia o mundano. No entanto, era alguém que, de certa forma, se destacava do comum e figurava entre as maiores autoridades da associação médica. O Sucesso das Pessoas Boas Kyusei nº 54, publicado em 18 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Este é um título bastante estranho, mas, como é algo que passa despercebido pelas pessoas, resolvi escrever sobre ele. Em primeiro lugar, examinando-se, até os dias de hoje, tanto no Oriente quanto no Ocidente, desde os grandes empreendimentos que fazem a humanidade aguçar os ouvidos até as pessoas que obtiveram sucesso, ainda que em pequena escala, verifica-se que, com raras exceções, os envolvidos quase nunca são do modelo de pessoas boas; pode-se dizer que quase todos são do modelo de pessoas más. Isso ocorre porque, na prática, as pessoas boas têm dificuldade em obter sucesso, sendo superadas pelas más. De fato, a grande maioria dos que obtêm sucesso são aqueles que, longe de se preocuparem em causar incômodo aos outros ou em espalhar veneno prejudicial à sociedade, escapam habilmente das malhas da lei e parecem acreditar que não há outro caminho senão esse. Portanto, ao vermos uma pessoa bem-sucedida, o que vem à mente de todos é o preconceito de que "aquele sujeito deve ser alguém que não recua diante de nada" e de que "por trás do sucesso, ele certamente não está fazendo nada de bom". E, como isso não está errado, não há o que fazer. Por isso, os ambiciosos que aspiram ao sucesso, imitando esse exemplo, convencem-se de que, para atingir seus objetivos, não escolher meios é a maneira mais inteligente de agir e, pior ainda, colocam isso em prática. Essa é a causa dos males da sociedade atual. Como essa visão está profundamente enraizada na mente das pessoas modernas, o mesmo ocorre quando nos observam. Como a nossa Igreja conquistou trezentos mil seguidores em três ou quatro anos, certamente pode ser incluída no grupo dos bem-sucedidos. E, como as pessoas a observam através das lentes coloridas dessa concepção mencionada, mesmo tratando-se de uma religião, decidem de antemão que, de qualquer forma, nos bastidores ela não deve estar fazendo nada de bom, que por isso obteve sucesso e que, no mundo de hoje, é impossível ter sucesso apenas com o bem. Naturalmente, não se trata apenas do público em geral. Não é mera suposição nossa pensar que mesmo as autoridades, em maior ou menor grau, têm essa tendência. A isso se somam as queixas daqueles que foram afetados pelo desenvolvimento da nossa Igreja, os materialistas que têm aversão a novas religiões, as cartas anônimas e denúncias de chantagistas rejeitados, que agem como fezes de cães, e as notícias falsas de jornais maliciosos; tudo isso se sobrepõe, confundindo o cérebro das autoridades e fazendo com que, por responsabilidade, mantenham os olhos bem abertos. O que foi exposto acima é a verdadeira razão pela qual a nossa Igreja é alvo de críticas da sociedade. Isso se deve inteiramente ao fato de que quase não existem pessoas bem-sucedidas por meio de boas ações — o que o demonstra claramente. Portanto, é necessário dissipar a concepção errônea de que, neste mundo, não se pode ter sucesso sem o mal, e mostrar, pelo exemplo, que é justamente por ser correto e bom que se pode ser um grande vencedor. É também com esse propósito que nos esforçamos e nos dedicamos. Se fizermos a sociedade reconhecer este fato vivo, é evidente a boa influência que isso exercerá sobre o coração das pessoas, e acredito que essa é também a razão pela qual a religião cumprirá sua missão futura. A Batalha entre o Bem e o Mal Kyusei nº 54, publicado em 18 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Desde os tempos antigos, na sociedade humana, dificilmente houve um momento ou lugar sem a luta entre o bem e o mal. Não há exceção: das grandes relações internacionais aos pequenos lares individuais. Naturalmente, no mundo religioso também é assim. A nossa Igreja, considerando que essa luta — uma das formas de doença, pobreza e conflito — é absolutamente inevitável até certo período, dedica-se a salvar as pessoas dela. O fato de os fariseus travarem, obstinadamente e por todos os meios, uma luta para obstruir o desenvolvimento da nossa Igreja é, precisamente, uma luta entre o bem e o mal, um combate entre Deus e os demônios malignos, e também uma guerra entre as divindades corretas e as divindades malignas. Provavelmente, entre as novas religiões, nenhuma é tão odiada pelas divindades malignas quanto a nossa Igreja. E há uma grande razão para isso. Como todos devem querer saber, escreverei em detalhe. O espírito de divindade que lidera a nossa Igreja, ao exercer o poder de salvar o mundo por ocasião da grande virada mundial, representa uma ameaça sem precedentes para o mundo das divindades malignas — para elas, a agonia final. Portanto, se a nossa Igreja gradualmente alcançar grande êxito, as divindades malignas serão encurraladas e levadas a um destino decisivo: ou se arrependem, ou sucumbem. Sabendo disso, devem, a todo custo, escapar dessa ameaça. Como resultado, empregam todas as suas forças em atividades de obstrução. Os seguidores das divindades malignas são tão numerosos que é quase impossível contá-los. Naturalmente, há líderes e subordinados de níveis superior, médio e inferior, e o poder corresponde a esses níveis. Desses grupos de divindades malignas, são selecionados os que parecem úteis para obstruir a nossa Igreja, e eles se apossam de cada ser humano individualmente. Os seres humanos, naturalmente, são ateus, materialistas e, raramente, espiritualistas; mas, quando pensamentos malignos surgem por algum motivo, podem tornar-se prisioneiros das divindades malignas. Uma vez que a divindade maligna se apossa dele, utiliza aquele ser humano com total liberdade. Para isso, ocupa-lhe o cérebro e rouba-lhe os pensamentos. Por exemplo, em relação à nossa Igreja, surgem persistentemente ideias como: “sinto uma irritação inexplicável”, “não simpatizo”, “quero causar problemas”, “quero acabar com ela”. No caso das pessoas intelectuais, porém, fazem surgir pensamentos adequados a elas, ou seja, fazem-nas acreditar firmemente que, por ser um culto maligno e supersticioso, destruí-la é para o bem da sociedade. Aqui há algo muito interessante: as publicações da nossa Igreja. São, afinal, todos artigos bons, sem nenhum ponto de crítica. Portanto, se forem lidas, os planos das divindades malignas fracassarão. Por isso, elas não apenas fazem o possível para impedir que sejam vistas, como também as temem extremamente, pois até lê-las já lhes causa sofrimento. Isso é algo que os possuídos por divindades malignas costumam confessar, depois de se arrependerem — e é justamente este o melhor teste mental para saber se alguém está ou não possuído por uma divindade maligna. Basta colocá-las em um local visível no lar: pode-se afirmar, sem erro, que quem as lê é uma boa pessoa, e que quem não as vê está sob possessão espiritual de uma divindade maligna. Pelo princípio acima, enquanto se veem as publicações da nossa Igreja, as divindades malignas se encolhem e a vontade de obstruir desaparece. Mas, enquanto não podem vê-las, continuam servos dos demônios malignos, rebelando-se contra Deus. Por isso mesmo, pode-se perceber quão poderosa é a nossa Igreja. Aqui, desejo alertar sobre o destino dos possuídos por divindades malignas. Quando o mundo espiritual finalmente se tornar dia e a purificação se intensificar, a ação de limpeza se tornará absoluta. Assim, as divindades malignas não terão escolha senão perecer. Isso é o chamado Juízo Final. No entanto, o grande amor de Deus deseja salvar o maior número possível de pessoas. Por isso, para afastar as divindades malignas e restaurar os corpos, Ele nos faz escrever este alerta. Os Incompreensíveis Partidários Kyusei nº 54, publicado em 18 de março do ano 25 da Era Showa (1950) Ao observar os homens dos partidos políticos do Japão atual, não somos os únicos a sentir uma impressão verdadeiramente estranha e extrema. O que seria isso? É a atitude de decidir que tudo o que o próprio partido diz está correto e tudo o que os outros partidos dizem está errado. Portanto, por mais boas que sejam as opiniões dos outros partidos, eles as negam quase por completo. Por mais que o governo do outro partido realize uma boa administração, eles decidem que é, sem falta, uma má administração. Não há lógica nem nada que se aproveite. Parece que não sabem de nada além de lançar críticas ao partido adversário. Além disso, nessas ocasiões, brandem discursos odiosos contra o partido oposto, como se fossem inimigos rancorosos e cheios de mágoa. O povo que vê isso sente constantemente um desconforto e, ao mesmo tempo, uma sensação de insegurança. Isso porque a falta de grandeza dos homens dos partidos políticos é excessiva, e eles dão importância primordial apenas aos interesses do próprio partido, parecendo não ter absolutamente nenhum interesse pelos interesses do povo. Ouço com frequência que, nos Estados Unidos, por exemplo, se a opinião do partido adversário está correta, eles expressam concordância. É algo verdadeiramente invejável. Portanto, mesmo que seja a opinião do partido adversário, o que é certo é certo, o que é errado é errado. A atitude de observar com imparcialidade é algo que o povo, por igual, deseja incessantemente. Além disso, quando se trata do governo do partido de oposição, empenham-se apenas em derrubá-lo. No que diz respeito às políticas do governo da vez, a atitude de não perdoar nem mesmo um pequeno defeito é verdadeiramente própria do Shojo. Desejar que houvesse um pouco mais de margem para uma observação tolerante é, certamente, sentimento comum a todos. Por isso, se o governo comete um pequeno erro, eles fazem alvoroço como se tivessem capturado a cabeça de um demônio. Ao observar essas coisas, parece que os homens dos partidos políticos do Japão atual colocam em segundo plano o aperfeiçoamento da nação e o aumento da felicidade do povo, pensando apenas em atacar o partido adversário, derrubar o gabinete e chegar ao poder. Essa parece ser a diretriz deles. Acima de tudo, compreende-se bem isso ao observar o estado vergonhoso da Dieta. Ataque pelo ataque, busca por pontos fracos, vaias, algazarra, chegando até mesmo a vias de fato — tudo isso é verdadeiramente insuportável de se ver. Se a política for realmente conduzida por tais parlamentares, gostaria de dizer: “Ó infeliz, teu nome é povo do Japão.” Não Censurem os Outros Kyusei nº 55, publicado em 25 de março do ano 25 da Era Showa (1950) De vez em quando me perguntam se é certo ou errado repreender outra pessoa, e é sobre isso que vou escrever aqui. Para dizer a verdade, o poder de repreender as pessoas pertence somente a Deus; quando um ser humano repreende outro, na realidade está usurpando o lugar de Deus. E, olhando por outro ângulo, o resultado de repreender alguém raramente é bom — na maioria das vezes, produz o efeito contrário. Falando por mim, quando vejo alguém cometer um erro, finjo não ver e deixo passar. Mais cedo ou mais tarde, chega o momento em que esse erro bate de cabeça contra a realidade. É aí que a pessoa desperta por si mesma e se arrepende de coração. Para dar um exemplo: é como uma grande pedra rolando ladeira abaixo — tentar detê-la não adianta, ela jamais para; e, se alguém tentar detê-la à força, acaba se machucando. Por isso, o melhor é esperar que ela caia e, depois de caída, levantá-la com calma. Ainda assim, é bom avisar de antemão que agir daquela forma acabará em fracasso — pois, quando a pessoa finalmente bater a cabeça, logo perceberá: “Ah, era isso que me disseram antes.” Como visto acima, quando um ser humano repreende outro, reprimindo-o à força pelo poder ou por qualquer outro meio, ameaçando-o ou amarrando-o com preceitos e regras, isso só tem efeito temporário; mais cedo ou mais tarde, haverá sempre uma reação contrária, e o resultado final não será bom. Só é verdadeiro quando a própria pessoa reconhece seu erro e se arrepende de coração. Isso se aplica também à medicina. A medicina moderna tenta deter as doenças com diversos instrumentos materialistas de repressão; é verdade que, por algum tempo, isso pode até funcionar, mas sempre haverá uma reação, e a doença retornará — e, dessa vez, de forma pior que a original. Por isso, em nossa terapia divina não se utiliza absolutamente nenhum instrumento de repressão; deixa-se que o próprio doente se cure naturalmente, por meio de seu poder curativo inato. Assim, o método que verdadeiramente aumenta esse poder curativo é o que constitui a verdadeira terapia. Insensibilidade Religiosa Kyusei nº 57, publicado em 8 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Do ponto de vista do senso comum, contribuir para o bem do mundo ou tornar as pessoas felizes deve ser algo bom; e, por isso, é da verdadeira natureza humana sentir-se movido a expressar apoio e a ajudar. No entanto, é frequente encontrar pessoas que, de forma incompreensível, se mostram extremamente indiferentes a isso, e tais pessoas parecem ser, surpreendentemente, numerosas. O verdadeiro sentimento dessas pessoas é que pouco importa o bem do mundo ou dos outros — tudo isso não passa de esforço desperdiçado. O que importa é apenas a própria pessoa; basta fazer o que traz proveito próprio, pois isso é que é ser esperto. Do contrário, pensam, seria impossível ganhar dinheiro ou progredir na vida. E o mundo é estranho: de fato, são justamente essas pessoas que, ao contrário, parecem mais espertas. Por isso, esse tipo de pessoa, seja qual for o sofrimento que enfrente, raciocina de modo inteiramente materialista e calculista. Ou seja, acham que, para a doença, basta ir ao médico; para os problemas incômodos, basta recorrer à força da lei; e, contra quem não obedece, basta repreender ou fazer sofrer — resolvendo tudo dessa maneira simplista. Como seguem o princípio de que, contanto que estejam bem, pouco importam os outros, entregam-se sozinhas ao luxo, sem olhar para o próximo; por isso, não têm reputação nem virtude alguma. Como os que se reúnem ao seu redor o fazem apenas por interesse, assim que a sorte muda, todos se afastam. E, naturalmente, são justamente essas pessoas que nunca deixam de ter problemas e queixas o ano inteiro. No fim, tudo deixa de dar certo; ao fracassarem, tentam reverter a situação à força do próprio ego, insistindo cada vez mais no erro — o que as leva a um estado ainda mais difícil, do qual não conseguem mais se reerguer. Casos assim são vistos em abundância no mundo. Esse tipo de pessoa, naturalmente, jamais dá ouvidos a conversas sobre fé. Dizem que não podem existir deuses ou budas que não se veem, que tudo isso é superstição, que deuses e budas estão dentro da própria barriga do homem, que eles próprios são deuses — e ainda afirmam, com orgulho, que gastar dinheiro e tempo com essas coisas é o cúmulo da tolice, considerando a fé apenas um consolo para os fracos ou um passatempo de gente ociosa, sem lhes dar a menor atenção. A essas pessoas chamamos de portadoras de insensibilidade religiosa. Pérolas aos Porcos Kyusei nº 57, publicado em 8 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Desde os tempos antigos existe o ditado "pérolas aos porcos", e vou escrever sobre um caso em que isso vem sendo feito, com indiferença, exatamente como o ditado sugere. Suponhamos que haja uma pessoa. Quando essa pessoa está sofrendo infortúnios, como doenças ou calamidades, e por acaso ouve falar da nossa Igreja, há aqueles que se apegam a ela imediatamente, convertem-se e são salvos. Há também aqueles que, embora levantem objeções de um jeito ou de outro ou duvidem, recebem o Johrei desejando, de qualquer forma, curar sua doença e, surpresos com o fato de terem sido curados, convertem-se. Os primeiros são pessoas de alma superior; os últimos, de alma mediana. No mundo, porém, há também muitas pessoas de alma inferior — talvez até a maioria. Por mais que se explique ou se mostrem milagres a essas pessoas, elas teimosamente não acreditam; por mais que nos esforcemos, é inútil. Incentivar a conversão de tais pessoas é o que se chama "pérolas aos porcos". Portanto, para elas, o melhor é fazer uma breve explicação, julgar pela atitude e, se souber que se trata de uma pessoa de alma inferior, desistir. Esforçar-se em algo sem perspectiva é apenas desperdício de tempo e energia, sendo extremamente ineficiente. Diagnóstico de Saúde Absoluto Kyusei nº 58, publicado em 15 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Gostaria de escrever sobre uma descoberta interessante que fiz após examinar os corpos de muitas pessoas durante um longo período. Trata-se do seguinte: para julgar a saúde, deve-se observar, sem exceção, a rigidez ou a maciez dos ombros. Ao pressionar os ombros, as pessoas que os têm macios são invariavelmente saudáveis e, mesmo que contraiam uma doença relativamente grave, com certeza se curam. Além de raramente adoecerem no dia a dia, essas pessoas possuem energia abundante e capacidade de ação particularmente notável. A maior prova disso é que os bem-sucedidos na sociedade e as pessoas que se tornaram figuras de primeira grandeza têm, invariavelmente, os ombros macios. Em contrapartida, as pessoas com ombros rígidos, mesmo que aparentem ser saudáveis, quando adoecem, têm uma doença extremamente difícil de curar e, na maioria dos casos, morrem precocemente. É também fato sem exceção que, em qualquer empreendimento, elas fracassam no meio do caminho e não alcançam grandes realizações. Com base nesse princípio, o método de diagnóstico de saúde absolutamente infalível consiste em observar a rigidez ou a maciez dos ombros. Pode-se dizer que um método de diagnóstico de saúde tão simples e eficaz é uma descoberta sem precedentes. A esse respeito, gostaria de acrescentar o poder do Johrei da nossa Igreja, pois ele é capaz de tornar macios até mesmo os ombros das pessoas mais rígidas. Portanto, o efeito do Johrei da nossa Igreja é tornar qualquer pessoa saudável, proporcionar longevidade e torná-la bem-sucedida. Não seria isso algo verdadeiramente maravilhoso? Sobre a Purificação Média Kyusei nº 59, publicado em 22 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Há algo que deve ser observado com grande atenção pelos praticantes de Johrei. Trata-se do fenômeno da purificação média que ocorre durante a aplicação. Por exemplo, suponhamos que o braço direito esteja dolorido. Quando essa dor melhora, o braço esquerdo passa a doer, dando a impressão de que a dor migrou. Na verdade, isso é a purificação média. Ou seja, quando as toxinas do braço direito são eliminadas e ele se purifica, caso haja toxinas no braço esquerdo, ocorre uma purificação natural para equilibrar a condição com a do braço direito. Naturalmente, isso não se limita aos braços; não se trata de migração da dor para o abdômen ou para as costas, e sim, conforme explicado, de purificação média. Também ocorre o seguinte: por exemplo, quanto mais se aplica Johrei em um paciente com tosse, mais a tosse pode aumentar. Isso se deve a um erro de alvo. A razão é que, quando há concentrações de toxinas em vários locais, quanto mais se purifica um ponto, mais ocorre a purificação média das concentrações de toxinas nos outros pontos, resultando em muita tosse. Portanto, nesses casos, deve-se perceber rapidamente o erro de alvo e procurar as outras áreas afetadas. Dessa forma, encontra-se o ponto vital e, ao aplicar Johrei nele, a tosse diminui imediatamente. Há apenas uma exceção a ser observada, que se limita às dores no abdômen. A causa é uma serpente espiritual. Nesse caso, há uma dor intensa em um único ponto do abdômen. Ao aplicar Johrei, a serpente foge; por isso, é preciso persegui-la com paciência, aplicando Johrei repetidamente. Com isso, a dor diminui gradualmente e, por fim, desaparece. No entanto, nesses casos, após um ou dois dias, a dor retorna. Aplicando-se Johrei novamente como descrito, a dor diminui a cada vez, até a cura completa. Isso ocorre porque a purificação média é própria de uma terapia que realmente cura — uma característica especial do Johrei da nossa Igreja, inexistente em qualquer outro lugar, já que nenhuma outra terapia tem o poder de curar as doenças e, portanto, não pode haver nelas algo como a purificação média. 5. A Visão da Religião Kyusei nº 60, publicado em 29 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) Percebe-se que a maneira como as pessoas comuns veem a religião está extremamente equivocada. Isso se refere à posição que a religião ocupa: ela está acima de tudo o mais. Portanto, é natural que a filosofia, a moral e a ciência sejam inferiores quando vistas a partir da religião. No entanto, por ignorarem isso, existem termos como "filosofia da religião", que tentam interpretar a religião filosoficamente, o que é completamente o oposto. É uma tentativa de explicar o que é da ciência espiritual com teorias da ciência material. Isso porque a religião foi criada por Deus, enquanto a filosofia foi criada pelo homem. A religião e a moral também são diferentes. É claro que a moral também foi criada pelo homem, e a diferença em relação à filosofia é que, enquanto a filosofia é científica e ocidental, a moral é psicológica e oriental. A ciência, por sua vez, é ainda mais material do que a filosofia e a moral, e nem é preciso dizer que é o ponto que mais se distancia da religião. Pelo exposto, pode-se perceber quão inadequada é a visão religiosa dos intelectuais modernos. No entanto, se aprofundarmos ainda mais essa questão, chegaremos ao seguinte ponto. Originalmente, a filosofia chegou aos dias de hoje por meio da construção de teorias criativas do ser humano; por isso, ao compará-la com a religião, seu valor se evidencia por si só — em última análise, ela esbarra em um muro e não consegue avançar. Prova disso é que, quanto mais se estuda filosofia, mais se cai em um labirinto: a dúvida gera dúvida e, como nunca se chega a uma conclusão, o resultado é uma tendência ao pessimismo, havendo até casos extremos em que alguns tentam resolver a questão pelo suicídio — o que é de conhecimento geral. Em seguida, temos a moral. É claro que ela contribuiu consideravelmente para a sociedade humana até hoje. Mas, como também é algo que nasceu do cérebro de pessoas capazes — uma espécie de código de conduta que visa melhorar o coração humano —, ela é incapaz de mover a alma humana em sua raiz. Se fosse nos tempos antigos do Japão, ainda poderia ser de alguma utilidade; nos dias de hoje, porém, em que tudo é dominado pela cultura ocidental, a moral, algo oriental, já não consegue mais convencer o ser humano contemporâneo. Isso fica claro, acima de tudo, pelo fato de que a influência da moral está gradualmente se enfraquecendo. Em seguida, temos a ciência materialista. É um ponto que criticamos constantemente e não há necessidade de repeti-lo agora. De qualquer forma, atualmente, quando se fala em cultura, é como se ela fosse a própria ciência, e a situação é tal que o progresso da cultura é visto como o progresso da ciência. No entanto, é questionável o quanto a felicidade da humanidade aumentou com o progresso da ciência. Pelo contrário, há fatos que nos fazem pensar até mesmo em um aumento proporcional da infelicidade. Basta olhar para toda a humanidade, hoje exposta à terrível ameaça da guerra com bombas atômicas, para que não sejam necessárias muitas palavras. Nesse ponto, o que toda a humanidade, com exceção de uma minoria, afinal deseja é, obviamente, a própria felicidade. O progresso e o desenvolvimento da ciência nada mais são do que meios para a felicidade da humanidade, mas, infelizmente, a realidade chega a ser o oposto. Se assim é, então investigar a causa raiz disso deve ser uma necessidade urgente dos dias de hoje. Como foi dito anteriormente, se nem a filosofia, nem a moral, nem a ciência têm o poder de resolver a questão, o que mais existe senão a religião? Neste ponto, é provável que até os intelectuais estejam cientes disso; mas, na verdade, quando se fala em religião, tomando-se como padrão as religiões estabelecidas até hoje, não se pode acreditar que elas sejam capazes de resolver as condições mencionadas. Portanto, nem sequer se pode ter uma ideia de quando a felicidade da humanidade poderá ser alcançada. Pois a situação do mundo é verdadeiramente sombria e desoladora. No entanto, o que surgiu nesse mundo em que todos haviam desistido, como descrito acima, foi o nosso grande poder de salvação, que transcende a religião. Provavelmente, ninguém jamais havia sonhado com isso, e pode não ser fácil aceitá-lo, mas não se podem negar os fatos. Acima de tudo, uma vez conhecida a verdadeira natureza da nossa Igreja, a pessoa desperta de repente, como um cego que recupera a visão e se alegra; os relatos dessa alegria abundam nas publicações da nossa Igreja, o que é a melhor prova disso. Portanto, ó vós que desejais obter a verdadeira felicidade, primeiro, experimentai tocar a nossa Igreja. Por mais deliciosa que seja uma comida, não se pode compreendê-la apenas ouvindo uma explicação ou olhando com os olhos. Deve-se primeiro colocá-la na boca e saboreá-la; é somente após saboreá-la que se compreende pela primeira vez. Provavelmente, ninguém deixará de se satisfazer com esse sabor requintado, jamais experimentado antes. O Homem Mau e o Homem Bom Kyusei nº 60, publicado em 29 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) "Os chamados homens bons são, realmente, insuportáveis; sempre que tento fazer algo mau, são eles que atrapalham" — diz o homem mau. De fato, pensando bem, há uma certa lógica nisso. Os obstáculos que atrapalham o homem mau — a lei, a polícia, os tribunais — foram criados pelos homens bons, se é que se pode dizer isso. Não se sabe ao certo; escrevo isso supondo que seja provavelmente assim. Não é por teimosia, mas há também os que nos criticam e caluniam; contudo, a cada vez que isso ocorre, não sentimos a menor raiva. Pelo contrário, sentimos até um certo orgulho de estarmos, de alguma forma, atrapalhando os homens maus. Sobre Hemorroidas Kyusei nº 60, publicado em 29 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) As hemorroidas são, evidentemente, uma doença do ânus. No entanto, sua causa está em um local inesperado, por isso passarei a explicá-la. As hemorroidas comuns incluem o prolapso retal, as hemorroidas internas e as fissuras anais, mas a raiz delas está, surpreendentemente, na região da virilha, entre as pernas. Por exemplo, quando o lado direito da hemorroida dói, há sempre um nódulo na virilha direita; à medida que esse nódulo é dissolvido pelo Johrei, o sofrimento da hemorroida diminui gradualmente. Outro aspecto é a hemorragia, que ocorre quando há congestão sanguínea na parte superior do corpo — ou seja, no cérebro, nos ombros etc. Pela purificação, o sangue tóxico desce e é excretado pelo ânus. Portanto, se a quantidade de sangue eliminada for adequada, a hemorragia cessa completamente e, como resultado, o sofrimento no cérebro alivia-se e a rigidez dos ombros também melhora. A hemorragia por hemorroidas geralmente dura de uma a duas semanas, não havendo motivo algum para preocupação. 5. Literatura, Artes Cênicas, Cinema Kyusei nº 61, publicado em 6 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) Sobre a coletânea de poemas "Montanhas e Águas" Como sempre digo, o objetivo da fé é polir a alma e purificar o coração. Há três métodos para isso. O primeiro é o sofrimento causado por práticas ascéticas e calamidades; o segundo é acumular virtudes e boas ações; o terceiro é elevar a alma por meio da arte elevada. Destes, o mais simples e direto é a influência da arte elevada. Além disso, como ela nos permite aprimorar-nos sem perceber, enquanto nos divertimos, não há nada mais excelente. Nesse sentido, deve-se ler os poemas de "Montanhas e Águas" sempre que houver tempo livre. Com isso, a alma se eleva inconscientemente. Se a alma se eleva, o Chieshōkaku (Inteligência da Percepção Verdadeira) é aprimorado, tornando o cérebro mais lúcido e a fé mais fácil de ser compreendida em profundidade. Isso porque todos os poemas de "Montanhas e Águas" são impregnados da Verdade, do Bem e do Belo. Como exposto acima, meu objetivo é também promover a fé por meio do poder do espírito da palavra. Deus Vivo Kyusei nº 62, publicado em 13 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) Frequentemente, as pessoas que me encontram pela primeira vez dizem, em uníssono, que antes de me verem pensavam que eu era uma pessoa muito inacessível, sempre acompanhado por um assistente, e que era necessário fazer a mais profunda reverência — e por isso vinham com temor e receio. No entanto, para sua surpresa, tudo era tão simples e direto que ficavam estupefatas. De fato, a noção comum é que pessoas como o fundador ou o líder de uma seita religiosa qualquer vivem em meio a uma atmosfera tão exagerada quanto essa. Por essa razão, antigamente, alguns subordinados desejavam que eu adotasse tal postura, mas não consigo sentir-me assim, e até hoje continuo com meu jeito comum de pessoa. Como deve haver muitos que desejam saber por que eu, sendo quem sou, não ajo como um deus vivo, escreverei aqui meu sincero estado de espírito. Pode ser também devido ao fato de eu ter nascido em Tóquio, mas, desde jovem, nunca gostei de me afetar. Isso porque, como sempre digo, detesto profundamente a falsidade; considero que fingir ou criar aparências é um tipo de falsidade e também uma ostentação, além de ser, aos olhos dos outros, uma espécie de afetação. No final, conclui-se que o melhor é ser como se é. Primeiramente, considerando minha situação atual, talvez fosse mais valoroso e melhor que eu, como um deus vivo, me recolhesse no fundo do santuário e, ao permitir que alguém me encontrasse, agisse de maneira solene e imponente. No entanto, eu realmente não gosto disso. Por essa razão, o princípio que tenho sempre em mente é apenas este: quem não gostar da minha atitude e do meu jeito, que não venha; quem gostar, que venha. Contudo, vendo a realidade desenvolver-se dia após dia, mês após mês, fico satisfeito, certo de que são mais numerosos os que aprovam. Aqui, gostaria de acrescentar mais uma coisa: acho que minha natureza é bastante peculiar. Isso porque tenho verdadeira aversão a imitar os outros. O fato de não agir como um deus vivo, como mencionei anteriormente, também se deve a isso. Desejo, até o fim, ser exteriormente uma pessoa comum e vulgar; isso também deve ser considerado uma quebra de padrões. No entanto, foi essa característica que muito contribuiu para a descoberta do Johrei, um método revolucionário de cura. Além disso, como os fiéis sabem, coisas como fazer com que um pedaço de papel com caracteres escritos, quando usado como Ohikari, manifeste poder de cura; tratar deuses e budas de maneira igualitária; construir um modelo do Paraíso Terrestre; dedicar-se às artes; evitar a atmosfera religiosa; e muitas outras — se formos enumerar, são realmente inúmeras as formas de quebrar os padrões. A respeito disso, outro dia, quando um repórter da Fujin Kōron me visitou, ele disse estar realmente surpreso, e quando perguntei o motivo, respondeu que, ao passar pela entrada da sede provisória, estranhou não sentir cheiro algum de religião. Naturalmente, tenho planos de realizar atividades religiosas em todas as áreas no futuro, mas pretendo que nada seja convencional; por isso, espero que aguardem com grande expectativa. A Grande Revolução Agrícola: Aumento de 100% na Produção de Arroz é Fácil Kyusei nº 63, publicado em 20 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) Finalmente, chegou o momento de anunciar amplamente ao mundo que se iniciou a era da autossuficiência alimentar do nosso povo. Este método agrícola verdadeiramente surpreendente foi, por fim, aperfeiçoado. Para transmitir a sua verdade, decidimos publicar uma edição especial do jornal da nossa Igreja, e não podemos conter a alegria pelo bem da nação. Desde que o Japão se tornou um país de cultura, o governo e o povo têm se dedicado sem descanso a várias melhorias e inovações na agricultura. No entanto, por que ainda não conseguimos alcançar os resultados esperados? Certamente deve haver uma causa para isso, e essa causa é um grande erro nos métodos agrícolas convencionais. Agora esclarecerei esse ponto e, ao mesmo tempo, apresentarei o verdadeiro método de cultivo. Explicarei o método de cultivo sem fertilizantes que temos defendido há muitos anos. Uma vez que, como resultado da aplicação prática dessa teoria, obtivemos um sucesso verdadeiramente revolucionário e sem precedentes, não podemos mais adiar nem por um dia. Portanto, anunciamos ao mundo e instamos todos os agricultores do país a despertarem e a se levantarem, ao mesmo tempo que expressamos nosso sincero desejo de que o coloquem em prática imediatamente. Primeiramente, listarei a seguir como este método agrícola revolucionário é superior. 1. Não se utiliza absolutamente nenhum fertilizante químico ou adubo humano, sendo suficiente apenas o composto natural. 2. Consequentemente, não há necessidade de comprar fertilizantes químicos caros, e o trabalho de adubação também se torna desnecessário. 3. Os danos causados por pragas tornam-se quase inexistentes, pois fertilizantes químicos e adubo humano são a causa do aparecimento de pragas. 4. A quantidade da colheita aumenta, e a qualidade é superior e saborosa. 5. Como não se utiliza adubo humano, não há o perigo de parasitas, que se tornaram um grande problema recentemente. 6. Mesmo em caso de danos causados por inundações, como a fibra das plantas é resistente, elas quase não sofrem prejuízos. Como visto acima, além do aumento da produção, há muitos outros pontos vantajosos. É um método agrícola verdadeiramente revolucionário e sem precedentes, inimaginável. Ao conhecer esta realidade, percebe-se quão equivocados estavam os métodos agrícolas praticados até hoje. Do nosso ponto de vista, os métodos agrícolas convencionais faziam com que os agricultores se perdessem voluntariamente no caminho das dificuldades, ofegando e sofrendo. Agora, com a chegada do tempo do Céu, todos os agricultores serão guiados para o caminho da luz e se tornarão pessoas felizes. A implementação deste método agrícola da nossa Igreja, que resolve de uma só vez o problema alimentar, o mais importante para a vida do povo, trará uma luz tão grande para o futuro do Japão reconstruído que não há palavras para expressar. Se alguém ler os inúmeros relatos de campo (omitidos) em outra seção, não haverá espaço para dúvidas, não importa quem seja. No entanto, para aqueles que veem isso pela primeira vez, talvez seja necessário explicar resumidamente o princípio do método agrícola da nossa Igreja, por isso escrevo aqui. Em primeiro lugar, o princípio do método agrícola da nossa Igreja é que, até hoje, durante muito tempo, não se percebeu que o solo estava sendo morto pelas toxinas dos fertilizantes químicos e do adubo humano. O oposto disso — vivificar o solo — é o princípio fundamental do método agrícola da nossa Igreja. O grande erro dos métodos agrícolas convencionais foi ignorar o poder inato do solo e acreditar firmemente que as plantações não poderiam produzir resultados satisfatórios sem fertilizantes químicos e adubo humano. Para explicar de forma mais clara, é como o vício em morfina ou em estimulantes, que se tornou popular recentemente. Quando uma pessoa contrai esse vício, ela não consegue mais funcionar quando o efeito da droga passa. Da mesma forma, o solo que contraiu o vício em fertilizantes não consegue manifestar sua vitalidade quando os fertilizantes acabam. Como também consta nos relatos de casos, no primeiro ano de implementação do cultivo sem fertilizantes, sem exceção, durante os primeiros meses, a cor das folhas é ruim, os caules são finos e as plantas parecem muito fracas, sendo alvo de zombaria dos vizinhos, e ele próprio também fica muito preocupado. Mas isso é inteiramente devido à toxina dos fertilizantes, pois tanto o solo quanto as sementes contêm uma quantidade suficiente dessa toxina. Contudo, à medida que o período de maturação se aproxima, a situação começa a melhorar gradualmente. Isso ocorre porque a toxina dos fertilizantes diminui aos poucos e o solo recupera sua vitalidade inata. Portanto, a razão pela qual a colheita aumenta ano após ano, sendo maior no segundo ano do que no primeiro, e no terceiro ano do que no segundo, é que esse aumento é diretamente proporcional à diminuição gradual da toxina dos fertilizantes. Consequentemente, após três anos de cultivo sem fertilizantes, um aumento de produção de pelo menos 50% a 100% é certo. Como a produção de arroz do nosso país no ano passado foi de 63 milhões de koku, um aumento de 50% resultaria em exatamente 94,5 milhões de koku. Mesmo que a população atual de 82 milhões de pessoas aumente em cerca de 100 milhões, ainda haveria uma folga considerável. Além disso, como a produção de todos os outros grãos, como batata-doce, batata-inglesa e feijões, também aumentará, o temor em relação ao problema alimentar desaparecerá completamente. Esta é uma previsão baseada no mínimo. Na realidade, porém, é possível um aumento de 100% a 200%; se, daqui a alguns anos, chegar uma época em que as pessoas clamem por causa da grande superprodução de alimentos — algo que parece mentira —, talvez seja necessário começar a tomar medidas para isso desde já. Ademais, como a mão de obra é reduzida pela metade, não só o excesso de trabalho dos agricultores japoneses, mundialmente famosos, será resolvido de uma só vez, mas também, somando-se os benefícios econômicos proporcionados pela economia de fertilizantes e de outros custos, a era de ouro das áreas rurais surgirá, e a ideia de que o Paraíso virá do campo não será mais um sonho. Há mais uma coisa que gostaria de dizer. Ao anunciar ao mundo esta grande boa-nova, talvez pareça que a estejamos utilizando para a propagação religiosa de nossa Igreja, mas não temos absolutamente nenhuma intenção desse tipo. Nosso único propósito é dar a conhecer esta grande descoberta sem precedentes o mais rápido possível, salvar os agricultores que sofrem na angústia e contribuir para a prosperidade da nação. Quanto ao Johrei, que aparece em alguns exemplos, ele é, naturalmente, muito eficaz; acrescento, porém, que mesmo sem recorrer a tais meios de cunho religioso é certo obter uma colheita 50% maior ou mais apenas com o cultivo que utiliza exclusivamente composto natural. Diálogo com um Visitante Kyusei nº 65, publicado em 3 de junho do ano 25 da Era Showa (1950) Interlocutor: Ouvi dizer que a vossa igreja fez profecias bastante inquietantes. Gostaria de saber se isso é verdade. Meishu-Sama: Ora, que profecia seria essa? Interlocutor: Dizem que o senhor afirmou que, a partir de certo dia e mês, uma epidemia se alastraria e somente os fiéis da vossa igreja seriam salvos; e também que, a partir de outro dia e mês, terríveis calamidades naturais ocorreriam, causando a morte da maioria das pessoas. Isso procede? Meishu-Sama: (Dá uma gargalhada) Na nossa Igreja, as profecias são terminantemente proibidas. Por quê? Porque, se a profecia se cumpre, tudo bem; se falha, a credibilidade se reduz a zero. Além disso, converter-se por medo ou com o intuito de ser salvo é uma fé baseada no Amor egoísta, e não uma fé verdadeira. A respeito disso, há uma passagem memorável no Ofudesaki da religião Oomoto: “A conversão motivada pelo medo não é genuína.” Pelas razões expostas, na nossa Igreja não há absolutamente nenhuma profecia. Portanto, se ouvirem algo assim no futuro, considerem que se trata de engano ou de boato malicioso. Todos os nossos princípios e posicionamentos doutrinários estão publicados em nossos periódicos. Naturalmente, assumimos total responsabilidade pelo que está publicado neles, mas não temos nenhuma responsabilidade por rumores ou conversas. Que fique claro. Interlocutor: Compreendo perfeitamente. Fé é Justiça Kyusei nº 65, publicado em 3 de junho do ano 25 da Era Showa (1950) Antes de tudo, o que é a religião? Não se trata, evidentemente, de expor teorias ou filosofias religiosas de forma complicada; no fim, ela se resume a formar seres humanos corretos — e nada mais que isso. No entanto, embora seja fácil dizê-lo em palavras, na prática essa tarefa, aparentemente simples, é extraordinariamente difícil. Há um ditado nos Analectos de Confúcio: é fácil falar, mas difícil praticar; se isso é exatamente verdade, escreverei a seguir o motivo dessa dificuldade. Qualquer pessoa, ao tentar tornar-se ilustre, ganhar dinheiro ou progredir na vida, pensa, na maioria dos casos, que não basta apenas fazer o bem, que é inevitável misturar um pouco do mal — essa é a realidade das coisas. Mais do que isso, até mesmo em relação aos prazeres e diversões, considera-se que o mal é mais interessante que o bem. Esse modo de pensar perdura há centenas ou milhares de anos e acabou se tornando o próprio senso comum de como viver no mundo. Desde os tempos antigos, procurou-se corrigir isso por meio de leis e de educação moral, mas o efeito obtido foi extremamente pequeno; se assim é, nem é preciso dizer que não há outro caminho senão a religião. Mas, mesmo quando se diz apenas “religião”, a força dessa religião é o que realmente importa. Isso porque uma religião de força insuficiente não consegue, de forma alguma, vencer o mal. Por isso há até fiéis religiosos que não conseguem superar a má conduta. Em qualquer religião, os fiéis que verdadeiramente praticam a justiça até o fim são extremamente raros. Diante disso, a conclusão é que precisa surgir uma religião com o poder de vencer o mal. Somente assim poderá nascer uma sociedade melhor e um mundo de felicidade e paz. É a isso que nos referimos quando dizemos que fé é justiça. Uma das Minhas Aflições Kyusei nº 65, publicado em 3 de junho do ano 25 da Era Showa (1950) Eu também, é claro, tenho vários tipos de sofrimento. Como estou abrindo caminho através do mundo atual, que é como trevas e ignorância, onde Satanás e Devadatta grassam e pululam desenfreadamente, vejo-me cercado por uma densa fileira de lanças — ciúmes, inveja, perseguição, calúnias e mal-entendidos. Como estou rompendo tudo isso e expandindo gradualmente o Paraíso neste Inferno, as dificuldades estão além da imaginação. No entanto, como existe a grande e sublime proteção dos espíritos de divindades, o sofrimento não é tão grande quanto parece exteriormente. Por isso, eu mesmo constantemente agradeço por ser, provavelmente, a pessoa mais feliz do mundo e por ter um destino tão misterioso. Dito isso, na verdade, existem outras dificuldades que as pessoas não conhecem. Dentre elas, escreverei sobre a mais dolorosa. Refiro-me, obviamente, à medicina moderna, cujos erros venho apontando, tanto verbalmente quanto por escrito, há muito tempo. Contudo, para ser sincero, até hoje não pude dizê-lo de forma franca e sem rodeios. Tenho tomado cuidado para amenizar ao máximo e evitar estímulos. Por quê? Porque havia a preocupação de que, se eu expusesse claramente a verdade, isso pudesse causar uma grande comoção. No entanto, ainda que eu quisesse publicá-la, não podia, pois Deus me proibiu firmemente até que chegasse o momento certo. Sobre a saúde e a doença dos seres humanos, recebi de Deus uma revelação completa. Se não fosse assim, não poderia dizer algo tão audacioso como criar um mundo sem doenças. Só posso afirmar isso com tamanha ousadia porque tenho uma convicção absoluta. A raiz a eliminar para pôr fim ao sofrimento da humanidade é, portanto, a doença. Ao observar a humanidade atual, não se pode deixar de dizer que ela é excessivamente lastimável. Para mim, que vejo isso, é uma angústia verdadeiramente insuportável. No entanto, Deus me impede de publicar, e é por isso que me encontro atualmente em um sofrimento de total impasse. Meu desejo sincero, sem falsidade, é que o tempo chegue logo. Sobre as Superstições dos Agricultores Kyusei nº 65, publicado em 3 de junho do ano 25 da Era Showa (1950) Ao ler o relatório abaixo (omitido), percebe-se claramente como as superstições agrícolas convencionais ainda não foram superadas. A raiz disso, acima de tudo, é a tendência a ignorar a natureza. Preocupando-se com coisas como o excesso ou a falta de água nas plantações de arroz, as pessoas acabam fazendo coisas desnecessárias, o que, ao contrário, piora os resultados. Isso se deve ao fato de que o pensamento humano, até hoje, é quase inteiramente míope: não compreende as coisas em profundidade e acaba criando as causas do fracasso. Como essa é também uma falha comum da civilização científica, é preciso, acima de tudo, atentar para esse ponto. No entanto, o princípio do nosso método de agricultura natural não está divorciado da realidade; pelo contrário, está em harmonia com ela, e por isso obtém resultados surpreendentes. Pode-se dizer que é uma ciência que supera a própria ciência. Em seguida, há também o relato sobre o esterco de curral. Mas mesmo o esterco de curral, sem dúvida, suja e enfraquece o solo; portanto, é certo que os resultados serão piores na mesma proporção. Sendo assim, o princípio do método da agricultura natural é, acima de tudo, respeitar o solo, amá-lo e não sujá-lo. Dessa forma, o solo fica satisfeito e, naturalmente, trabalha com alegria. Numa analogia humana, é como uma pessoa que, por não sofrer impedimentos, torna-se saudável e vigorosa. Por não compreenderem isso, as pessoas atiram indiscriminadamente substâncias impuras e sujas, o que enfraquece o solo e o torna doente. Assim, mesmo que surjam pragas, ele não tem força para eliminá-las. Essa é uma das causas das más colheitas. A tolice humana, até hoje, é indescritível. Em seguida, há algo que sempre ouço: no início, a lavoura aparenta estar pior do que a dos campos com fertilizantes, o que causa preocupação. Isso se deve ao fato de que ainda resta a toxicidade dos fertilizantes. Assim que a toxicidade dos fertilizantes desaparece tanto das sementes quanto do solo, a lavoura cresce verdejante e magnífica, a ponto de não haver comparação com os campos fertilizados. No entanto, para que isso aconteça, são necessários, inevitavelmente, quatro ou cinco anos; portanto, é preciso perseverar com essa expectativa. Além disso, recentemente, em várias regiões, a ocorrência de pragas e doenças tem se tornado cada vez mais severa. Embora isso também se deva aos fertilizantes, as pessoas, ao contrário, usam antissépticos, o que, por sua vez, enfraquece ainda mais o solo e, com isso, acaba acelerando o surgimento de pragas e doenças. Dessa forma, Deus tem compaixão da ignorância humana e, através da nossa Igreja, revela que o método da agricultura natural é, de fato, a maneira correta de proceder. Sobre a Avaliação Precipitada da Eficácia dos Medicamentos Kyusei nº 61, publicado em 6 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) Com frequência, vemos em jornais e outros meios elogios ao avanço da medicina, afirmando que foram descobertos novos medicamentos com efeitos notáveis para diversas doenças. No entanto, é preciso prestar grande atenção a isso. Isso porque, por mais notável que seja o efeito de um medicamento, não se pode confiar nele em um curto período. É impossível ficar tranquilo sem observar o estado de cura por, no mínimo, alguns meses a dois ou três anos. Falando com rigor, deveríamos observar os resultados por pelo menos dez anos e, sendo ainda mais rigoroso, nem isso seria suficiente. Na verdade, só é possível ficar tranquilo depois de observar os resultados reais ao longo de várias décadas. Isso fica claro ao ver que, pessoalmente, a toxina medicamentosa de um remédio que usei há mais de trinta anos para curar uma dor de dente ainda permanece, causando algum sofrimento residual. Considerando o exposto, é extremamente leviano ficar imediatamente eufórico com os efeitos dos medicamentos, que são temporários. Desnecessário dizer que, como o objetivo é lidar com a preciosa vida humana, deve-se agir com o máximo de cautela. O que é ridículo é algo que vi há alguns anos em um filme cultural: ao aplicar uma injeção de Orizanina em uma galinha com as pernas atrofiadas, ela começou a andar diante dos olhos dos espectadores. Quem viu pensou que a Orizanina era realmente eficaz para o beribéri, mas, na verdade, é certo que, após um dia inteiro, a galinha voltaria ao estado anterior. Como visto acima, os efeitos dos medicamentos são temporários e, com o tempo, inevitavelmente ocorre uma reação adversa, e essa toxina medicamentosa se torna a causa da próxima doença. Nesse sentido, divulgar a eficácia notável de novos medicamentos não passa de um serviço para os farmacêuticos ganharem dinheiro. Portanto, a menos que se desperte para esse ponto, é impossível estabelecer uma verdadeira medicina. A verdadeira medicina consiste em não utilizar absolutamente nenhum medicamento e em aumentar a própria capacidade de cura do ser humano. Advertimos que, fora isso, não é possível obter efeitos curativos radicais. Inflação de Crimes Intelectuais Kyusei nº 64, publicado em 27 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) A maior parte das notícias sociais que atualmente enchem os jornais são casos de crimes intelectuais. Surgem problemas um após o outro: suspeitas de irregularidades em órgãos públicos, desvios de valores que somam tantos ienes, prisões de chefes de seção. É algo sem precedentes. Naturalmente, todos esses são crimes intelectuais, e o que chama a atenção é que, não apenas os altos escalões das autoridades, mas também muitas pessoas em cargos-chave de bancos e empresas estão envolvidas. O que considero particularmente estranho é o fato de que jovens e pessoas de meia-idade, na faixa dos vinte e trinta anos, são os protagonistas, agindo sob planos de grande escala e enganando pessoas influentes. Em suma, o motivo desses casos é astuciosamente burlar as leis, iludir os olhos das pessoas, obter grandes quantias de dinheiro de uma só vez, entregar-se ao luxo desenfreado e, com um pouco de sorte, nutrir até mesmo a ambição de se tornar uma figura de proa no mundo econômico. Como sempre dizemos, essas pessoas, partindo de uma visão materialista-subjetiva, são aquelas que acreditam que o que não se vê não merece crédito. De fato, existem órgãos como a polícia, o Ministério Público e o Ministério da Justiça que coíbem os crimes intelectuais, e eles atuam de forma suficiente; mas, como religiosos, pensamos que também são necessários órgãos no aspecto espiritual. Isso porque eles supririam as deficiências do controle material. Desnecessário dizer que esse é o papel da religião — mesmo sem que o digamos, aqueles que têm consciência certamente já pensam assim. Sem dúvida, trata-se de fazer crer na existência do que não se vê, ou seja, de Deus. Diante do exposto, a atual situação corrupta do mundo é resultado de o homem moderno não acreditar na existência de Deus e ter sido abarrotado apenas de educação materialista. Como consequência, apenas o conhecimento se desenvolveu e, se for possível iludir habilmente os olhos das pessoas, acredita-se piamente que não há problema em cometer um crime, e que isso é próprio de pessoas inteligentes. Por isso, é provável que esse seja o fenômeno social atual de crimes intelectuais em série. Com base nessa lógica, acredito que não há solução radical senão adotar uma política dupla: por um lado, tomar medidas para prevenir o crime ao máximo por meio de leis e outros meios materiais; por outro, erradicar a raiz do crime por meio da educação religiosa. Guia das Gravuras Ukiyo-e — Prefácio Kyusei, publicado em maio de 1953 Diretor do Museu de Arte de Hakone, Okada Mokichi. Desde jovem, sempre apreciei pinturas e, sempre que as circunstâncias permitiam, visitava diversos lugares para apreciá-las e também as adquiria para meu deleite. No entanto, como é sabido, no ano passado construí um pequeno museu de arte em Hakone e passei a exibir várias pinturas, o que me obrigou a prestar atenção também ao campo das gravuras ukiyo-e, pelo qual até então não nutria grande interesse. Para minha surpresa, descobri que as gravuras ukiyo-e possuem um encanto difícil de descartar e, a partir de então, comecei a me interessar por elas. Com o passar do tempo, meu interesse aumentou cada vez mais e descobri um tipo de fascínio peculiar que não se encontra em outras pinturas, a ponto de me arrepender por não ter conhecido isso antes. Foi então que, no outono passado, ao visitar a Exposição de Ukiyo-e de Kyoto, fui apresentado por um conhecido ao Sr. Kondo, de quem recebi diversos ensinamentos sobre ukiyo-e. Desde então, não apenas ele compartilhou seu conhecimento comigo sempre que tive oportunidade, como também me dediquei à coleção, o que culminou na realização desta exposição. Naturalmente, este projeto também contou com a inestimável ajuda de diversas pessoas, resultando no que ora se apresenta. E, aproveitando esta oportunidade, desejo promover amplamente o ukiyo-e, como arte peculiar ao Japão, não apenas para o exterior, mas também para os japoneses em geral, e, por isso, solicitei a estas pessoas que compilassem este pequeno guia. Sobre Evitar Alimentos Picantes Kyusei nº 49, publicado em 11 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Na medicina, é comum proibir o consumo de pimenta, mostarda, wasabi e afins, sob a alegação de que fazem mal a quem está doente. Isso é, na verdade, ridículo. Obviamente, esses alimentos são extremamente necessários para estimular o paladar e promover a atividade do estômago, sendo, por isso, criações de Deus. Por exemplo, ao comer sashimi, quão insípido seria sem o wasabi? Da mesma forma, mesmo no caso do natto, o sabor seria reduzido à metade sem a mostarda. A razão pela qual a medicina defende essa teoria provavelmente se baseia no caso das hemorroidas. Nas hemorroidas, ao ingerir alimentos picantes, estes se misturam às fezes, irritando o ânus e podendo causar dor. Mas é apenas por isso; para outras doenças, não há qualquer influência, portanto, pode-se comer tranquilamente. Assim como no caso anterior, há outro fato interessante. Existe a teoria de que a causa da apendicite seriam as sementes de uva. Sempre que me perguntam sobre isso, respondo da seguinte forma: "Se a apendicite fosse causada por algo como uma semente de uva, quem comesse sementes de caqui, por exemplo, morreria na hora", e dou risada. A origem dessa teoria parece ser a seguinte. Um certo médico francês, ao operar um caso de apendicite, encontrou por acaso uma semente de uva e, pensando ser esta a causa, publicou o caso. A partir daí, essa teoria se espalhou pelo mundo. Pode-se dizer que isso não passa de algo realmente sem sentido. Reflexão Espiritual sobre Incêndios Kyusei nº 63, publicado em 20 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) A causa dos incêndios é uma questão óbvia demais. Conforme também é divulgado em jornais, a causa, na maioria dos casos, reside em itens como fósforos, cigarros, kotatsu, aquecedores elétricos, etc., sendo atribuída, quase sempre, à negligência humana. Isso, sem dúvida, não é um equívoco, mas, sob a nossa perspectiva religiosa, não seria de todo inútil investigar a causa através do espírito invisível. A doença, como sempre afirmamos, é um processo de purificação do corpo humano. Quando as toxinas se acumulam no corpo a um certo ponto, prejudicando a saúde, ocorre um processo de excreção dessas toxinas; ou seja, é uma ação de limpeza. Sem isso, a saúde humana não poderia ser mantida, sendo este o princípio fundamental e uma grande bênção de Deus. Como a ciência não consegue descobrir esse princípio, ela o interpreta de forma completamente equivocada. Por isso, por mais que avance, a realidade é que, atualmente, ela sofre por não conseguir lidar com a proliferação de doentes. Pode parecer estranho trazer à baila a doença para explicar a causa dos incêndios, mas, na verdade, tanto a causa das doenças quanto a dos incêndios são idênticas. Por quê? Porque o incêndio também é uma manifestação do processo de purificação. Além disso, a causa das tempestades e chuvas torrenciais, que também sempre mencionamos, é o acúmulo de impurezas no mundo espiritual, ou seja, as nuvens espirituais. A causa dessas nuvens espirituais são os maus pensamentos, as más palavras e as más ações dos seres humanos. A ação de purificação e limpeza disso são as tempestades e chuvas torrenciais. Isto é, o vento sopra para longe, a água lava e o sol seca; assim, a purificação se completa. Se, como exposto acima, a doença é a purificação do corpo humano e as tempestades e chuvas são a ação de purificação do espaço terrestre, então, além desses, as demais coisas materiais, naturalmente as construções terrenas, também estão sujeitas a isso. Mesmo as construções, quando a sua sujeira se acumula a um certo ponto, desencadeiam um processo de purificação, que é o incêndio. Naturalmente, a sujeira de uma casa deve-se à impureza no dinheiro utilizado para sua construção e ao acúmulo de atos impuros durante o uso da mesma. A respeito disso, certa vez ouvi algo de uma pessoa. Essa pessoa possuía a capacidade de visão espiritual. Anos antes do Grande Terremoto de Kanto, enquanto caminhava pela cidade de Tóquio, ela observou com seus olhos espirituais e viu que todas as casas, todas as ruas, desde os grandes edifícios até as casas mais precárias de barracão, estavam enfileiradas de uma forma estranha. Pensando nisso, eis que ocorreu aquele grande terremoto, e ela então compreendeu: "Realmente, era isso". O que sempre dizemos, que tudo ocorre primeiro no mundo espiritual, é verdade. Ou seja, de acordo com a lei de que o espiritual é o senhor e o material é o servo, o mundo espiritual é purificado um passo antes, e isso é transferido para o mundo material. Por ocasião do recente incêndio em Atami, o fato de os prédios da nossa sede provisória terem sido salvos, mesmo estando envoltos em chamas, deve-se à ausência de sujeira, como exposto acima; antes, deve-se dizer que era algo natural. Considerando este fato, se, no plano material, construirmos edifícios incombustíveis e, no plano espiritual, nos esforçarmos para não sujar ao máximo, só então se tornará uma cidade segura, eterna e imutável. A respeito disso, pode surgir a seguinte dúvida: em cidades incombustíveis como as do Ocidente, mesmo que haja sujeira, elas não deveriam pegar fogo. No entanto, isso não é verdade. Observando a destruição causada por bombas na Segunda Guerra Mundial, vemos que ela se deu com base no princípio acima exposto. Na verdade, basta saber que os princípios do universo são rigorosos e não podem ser violados. Como Ver Esse Fato? Kyusei nº 56, publicado em 1 de abril do ano 25 da Era Showa (1950) A nossa Igreja publica constantemente os resultados comparativos entre a taxa de cura da medicina moderna e a do nosso Johrei, e não há quem não se surpreenda com a diferença tão grande entre elas. Para os homens modernos, que acreditam na medicina como algo absoluto, isso deve ser totalmente inacreditável. No entanto, o fato é fato, e nem é preciso dizer que um único fato vale mais do que cem teorias. Naturalmente, a surpreendente terapia divina é uma descoberta sem precedentes e a verdadeira terapia que cura. Portanto, se essa terapia se difundisse pelo mundo inteiro, as pesquisas e experimentos nos quais inúmeros estudiosos da medicina em todo o mundo hoje dedicam seu sangue e esforços com tanto empenho não passariam de trabalho inútil, sem nenhum significado. Além disso, considerando a situação atual em que, por causa dessa medicina moderna que não consegue se livrar de sua incompletude, a maioria da humanidade não só não é libertada dos grilhões do sofrimento das doenças, como também se torna objeto de estudo e vítima, não podemos de forma alguma ficar de braços cruzados. No entanto, embora estejamos nos esforçando há mais de vinte anos, verbalmente e por escrito, para despertar as pessoas de seus sonhos ilusórios, os homens modernos, especialmente os especialistas, presos à medicina materialista, sequer tentam tocar nesse assunto. Na verdade, não há outra forma de descrevê-los senão como cegos espirituais. Nesse ponto, pode-se dizer que a cegueira física é, antes, mais afortunada. Por quê? Porque, através do Johrei, a maioria dos cegos físicos pode ter seus olhos abertos. Aqui, as duas contribuições a seguir, recebidas recentemente, são exemplos adequados para a comparação entre o tratamento médico e a terapia divina. Uma é de uma profissional da área médica, uma enfermeira, e a outra é de uma jovem leiga em medicina que salvou, uma após a outra, pacientes considerados casos difíceis no Hospital da Cruz Vermelha Japonesa. Diante disso, não há mais necessidade de dizer muito. "O Grande Poder Divino — Tiro o Chapéu Diante dos Fatos" (restante omitido) "Sendo Salvas" (restante omitido) Religião e Arte Kyusei nº 61, publicado em 6 de maio do ano 25 da Era Showa (1950) Como sempre proclamamos, o ideal de Deus é construir o Paraíso Terrestre. Se o Paraíso deve ser um mundo onde a Verdade, o Bem e o Belo da paz eterna — sem guerras — se manifestem plenamente, então o que mais se desenvolverá nele é a arte. Desde a antiguidade, diz-se que a religião é a mãe da arte, e nem é preciso lembrar que religião e arte mantêm uma relação tão íntima que não podem ser separadas. No entanto, por mais estranho que pareça, entre as inúmeras religiões surgidas desde a antiguidade, quase não se encontra um fundador que tenha se interessado pela arte. Raros foram os religiosos que se dedicaram à arte. No estrangeiro, podemos citar Da Vinci na pintura, Bach e Handel na música; no Japão, o Príncipe Shōtoku com a arte budista, Kūkai e Gyōki com suas esculturas; e, na China, durante as dinastias Song e Yuan, e no Japão, no período Tenpyō, houve monges hábeis na pintura. Isso tem uma razão profunda, que passo a expor. A causa reside inteiramente no fato de que era o Mundo da Noite; por assim dizer, ainda se estava muito distante da aurora, e não havia necessidade de preparação para o Paraíso. Para falar sem reservas, vivia-se no período do Inferno. Como prova, os fundadores das seitas, em circunstâncias mais infernais que celestiais, ao propagarem suas doutrinas, abriram caminhos espinhosos e enfrentaram dificuldades nada fáceis. Em suma, não se tratava de Paraíso nem de arte. Pode-se dizer que, até hoje, não houve um único santo que tenha proclamado construir o Paraíso. Contudo, sem especificar a época, profetizou-se que um dia surgiria um mundo ideal, o Paraíso. Exemplos disso são o Mundo de Miroku, do Buda Shakyamuni; a afirmação de Cristo de que "O Reino dos Céus está próximo"; o Mundo da Agricultura Justa, de Nichiren; o Mundo do Pedestal do Néctar, do fundador da Tenrikyo; e o Mundo do Pinheiro, do fundador da Oomoto. Nós, porém, sabendo que a época finalmente chegou, desejamos anunciar a toda a humanidade que o Paraíso está prestes a dar seu primeiro choro de nascimento. É claro que um empreendimento como este, que poderia ser chamado de delírio de grandeza, está além de qualquer previsão de realização pelo poder humano. No entanto, por ser o Plano Divino de Deus, a autoridade absoluta, não há a menor sombra de dúvida quanto à sua possibilidade. Por quê? Porque hoje Deus, para mostrar o Seu poder, manifesta inúmeros milagres surpreendentes e implanta em nós uma fé inabalável. Isso se comprova pelo fato de que todos os seguidores da nossa Igreja estão vivenciando esses milagres e adquirindo uma fé cada vez mais firme. Como concretização desse argumento, a nossa Igreja dedica o máximo de esforços à arte e, como primeiro passo, constrói atualmente um modelo do Paraíso nos pontos cênicos de Hakone e Atami. Se não se compreender plenamente o ponto acima, não se entenderá o verdadeiro significado do surgimento da nossa Igreja. Em suma, pode-se dizer que as religiões de até hoje serviram de trabalho de base para o surgimento do Paraíso, e a nossa Igreja surgiu para estabelecer o Paraíso sobre essa base, assumindo essa missão. ―――――――――・―――――――――― O Paraíso é o Mundo da Arte Kyusei nº 51, publicado em 25 de fevereiro do ano 25 da Era Showa (1950) Tenho sempre um grande interesse pela arte. Como os seguidores também sabem, nos jardins e construções que estou erguendo em Hakone e Atami, venho projetando e construindo com um elevado refinamento artístico, como ninguém jamais tentou antes. No passado, eu era bom em pintar quadros, mas hoje estou ocupado e não posso fazê-lo. Atualmente, escrevo caligrafia, componho poemas, pratico ikebana e preparo o chá, atividades que muito aprecio. Também gosto imensamente de objetos de arte: compro aqueles que estão ao alcance das minhas posses e recebo oferendas dos seguidores, saciando assim, ainda que modestamente, minha sede de arte. Também aprecio teatro e música, mas, como não tenho tempo livre, contento-me com filmes e rádio. Gosto tanto da música japonesa quanto da ocidental, e frequentemente me dizem que é raro alguém da minha idade apreciar filmes e música ocidental. No entanto, isso parece bastante comum entre os americanos, mas raro entre os japoneses. Pelo exposto, vê-se que a maior parte do meu cotidiano é ocupada pela arte, a ponto de se poder dizer que levo uma vida artística. Penso constantemente que isso se deve inteiramente à missão de construir o Paraíso Terrestre, e que Deus me concedeu esse instinto. Digo isso porque o Paraíso é o mundo da arte — e há uma razão para isso. Até hoje, era o Mundo da Noite, de escuridão e ignorância; portanto, os humanos praticavam com facilidade atos secretos e crimes e, inevitavelmente, passaram a ter gosto pelas coisas más. Ou seja, passaram a enganar os outros, a fazê-los sofrer, a cobiçar os bens alheios, a preferir relações impuras entre homens e mulheres e a gostar de conflitos; os fatos testemunham isso. Entretanto, uma vez que chega o Mundo do Dia, tudo se torna completamente transparente e visível, de modo que não é mais possível esconder nada. Naturalmente, os humanos perdem o gosto pelo mal e, portanto, seu prazer passa a ser, inevitavelmente, o bem e a retidão. Sendo assim, esse prazer certamente se voltará para o lado da arte. Por conseguinte, no âmbito da arte, não apenas a poesia, a música instrumental e todas as artes cênicas, mas também a arquitetura, as ruas, os teatros, as instalações de lazer, a decoração do interior das casas e o vestuário pessoal, tudo se tornará belo de forma inimaginável. Como exposto acima, deve-se compreender que o mundo de Miroku, o Paraíso Terrestre, é o mundo da arte.

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