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Superstição Científica Hikari nº 38, publicado em 3 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) O público em geral, quando ouve falar em superstição, imagina que ela não tem relação com a ciência, como se fossem entidades separadas — mas isso é um grande erro. A ciência também possui superstições consideráveis, e não são poucas as pessoas que sofrem danos por causa da superstição científica; há inclusive quem perca a vida. Pode haver quem franza o cenho ao ouvir isso, mas é um fato, e não há como evitá-lo. Se perguntarmos qual é a razão disso, trata-se do vício em drogas, que se tem tornado popular ultimamente. Existe uma variedade de fármacos, sendo o Hiropon (metanfetamina) o principal deles. Quem os utiliza pela primeira vez parece não acreditar que sejam tão prejudiciais. Entre eles, alguns, conhecendo o perigo, param de usá-los, mas a maioria se aprofunda gradualmente no vício e acaba não conseguindo mais se libertar. No entanto, a causa que gera tal situação é, naturalmente, a forte crença em medicamentos que existe desde tempos antigos. Basta mencionar a palavra “remédio” para que as pessoas pensem apenas em seus efeitos e tendam a menosprezar a toxicidade. Percebe-se o quanto o homem moderno anseia por agentes químicos diante dos inúmeros anúncios de medicamentos que aparecem diariamente nos jornais. Do nosso ponto de vista, porém, o vício em drogas não se limita apenas àquelas atualmente reconhecidas como tal. Todos os agentes químicos agem de forma quase idêntica ao vício em drogas. A diferença é que, enquanto o vício em drogas se manifesta com intensidade em curto prazo, eles seguem um curso extremamente lento, de modo que quase ninguém percebe. Naturalmente, por se tratar de um vício, eles têm o efeito de aliviar temporariamente o sofrimento, e tanto médicos quanto pacientes caem na ilusão de que isso cura a doença. Como resultado, é incalculável o número de pessoas que desenvolvem doenças ou encurtam a própria vida em decorrência dos agentes químicos. Sempre falamos da toxina medicamentosa justamente para que o mundo conheça os danos causados pelos medicamentos, como os acima mencionados. Diante do exposto, compreende-se bem. Os agentes químicos de hoje são produtos da ciência, e o homem moderno, por confiar em tudo o que é científico, utiliza, sem saber, aquilo que encurta a vida. O que é isso, senão superstição científica? Ah, temível superstição científica! Resposta a um Questionador Hikari nº 46, publicado em 21 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Um dia, um membro de nível de liderança entre os fiéis veio dizer-me: “Há algo que gostaria de perguntar”. Recebi-o imediatamente, e sua questão era: “A respeito de fulano, o boato sobre ele está errado. Como foi fulano quem o disse, gostaria de desfazer esse mal-entendido”. A isso respondi: “Atualmente, estou utilizando o tempo de forma extremamente significativa para a grande obra da salvação de toda a humanidade. Portanto, fale-me: qual é a relação do seu problema com a salvação da humanidade?”. Ao ouvir isso, ele ficou estupefato, fez três reverências e nove prostrações e retirou-se apressadamente. Esse tipo de episódio, nada engraçado, ocorre com frequência. Embora a última era esteja se aproximando cada vez mais, e Deus, desejando salvar o maior número possível de pessoas, derrame através de mim Sua atividade de grande compaixão, as pessoas vêm apelar para questões de interesses pessoais e problemas emocionais. É difícil compreender o que pensam que é esta fé. No entanto, como deve haver também um número considerável de fiéis com esse modo de pensar, deixei isso como uma agulhada certeira. Por isso, ao partir, disse-lhe: “Se tiver tempo para isso, leia o máximo possível dos livros de Deus”. Presença ou Ausência de Sinceridade Hikari nº 47, publicado em 28 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Vou escrever sobre o método mais simples para saber se alguém tem ou não sinceridade. A pessoa sincera, acima de tudo, valoriza e cumpre bem as promessas. As pessoas comuns não dão muita importância ao simples fato de cumprir ou não uma promessa, mas, na verdade, não é bem assim: deixar de cumprir uma promessa equivale a enganar alguém, e isso é, de certa forma, um pecado. Entre as promessas, a mais menosprezada costuma ser a do horário. Vale refletir bem sobre o que significa marcar um horário e não cumpri-lo: a outra parte conta com isso e espera, e o tédio e a ansiedade causados são bastante dolorosos. Como ensina o provérbio “Antes ser a pessoa esperada do que a que espera”, é preciso compreender o sentimento de quem espera. Se esse sentimento não surge em nós, é sinal de que nos falta sinceridade. Sendo assim, ainda que tudo o mais seja bom, de nada adianta. Por isso, os crentes de Deus não devem descuidar do cumprimento rigoroso das promessas nem da pontualidade. Quem não consegue fazer isso é, antes de tudo, reprovado na fé. Os crentes devem gravar isso profundamente no coração e jamais esquecer. A Singularidade da Cultura Japonesa Hikari nº 43, publicado em 1 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Há algo que desejo ardentemente dizer aos senhores japoneses. Refiro-me à índole do Japão e à singularidade dos japoneses. Se tivessem compreendido isso em seu âmago, jamais teriam caído em um destino tão trágico como a derrota na guerra e a ruína da nação. Costuma-se dizer “conhece-te a ti mesmo”, mas é preciso ampliar esse conceito e conhecer o próprio país. Se, no passado, durante a era do isolamento nacional, ainda se podia tolerar a ignorância, agora que tudo se tornou mundial e internacional, é imprescindível conhecer o próprio país. Ou seja, é necessário saber plenamente qual o papel que a nossa nação deve desempenhar. Se não for possível reconhecer a razão de ser do Japão como exposto acima, é natural que as grandes diretrizes nacionais jamais se estabeleçam. Isso se torna claro ao observarmos o Japão até o fim da guerra. Até então, internamente, uma classe privilegiada chamada “clique militar” exercia poder absoluto, e a política era conduzida arbitrariamente segundo a vontade de uma minoria. Por causa disso, o povo em geral não tinha qualquer direito de se manifestar contra os poderosos, sendo escravizado numa atitude de mera submissão, algo ainda fresco na memória de todos. De fato, desde a Era Meiji, promulgou-se uma Constituição, criou-se um sistema representativo e fingiu-se respeitar a opinião pública; na realidade, porém, o poder político estava nas mãos de uma minoria, que acabou por provocar uma guerra imprudente. Foi exatamente como “pendurar uma cabeça de carneiro e vender carne de cachorro”. Examinemos aqui a história do Japão. Na verdade, desde o Imperador Jinmu, este país nunca conheceu um período de paz, com guerras civis incessantes. A política foi completamente dominada pela força militar. Escondidos sob o belo nome de “Bushidô”, os indivíduos que se destacavam em atos de homicídio obtinham honrarias, e os vencedores das guerras tornavam-se os senhores da época. Até o fim da guerra, o Japão foi arrastado por essa forte corrente de violência. Com o grande impacto da derrota, essa corrente rompeu-se fragilmente. Se todos os japoneses não reconhecerem profundamente o significado disso, provavelmente não nascerá uma verdadeira política nacional como nação pacífica. Em contrapartida, o importante é reavaliar o Japão. Pois, originalmente, o país chamado Japão deve ser um Estado pacífico e artístico — exatamente o oposto do que costumo chamar de Estado feudal e militarista. Essa é a missão celestial imposta ao Japão. Fala-se muito, portanto, em “reconstruir o Japão”, mas apenas isso não tem grande significado. Literalmente, seria apenas um Estado democrático sem forças armadas. Isso, é claro, é algo a celebrar, mas, na verdade, o Japão deve tomar consciência de seu papel peculiar no mundo e contribuir para o bem-estar de toda a humanidade; esse é o verdadeiro papel do novo Japão. Tentemos escrever as razões disso em ordem. Em primeiro lugar, acima de tudo, está o fato de o território japonês possuir uma paisagem de rara beleza. Provavelmente não há paralelo no mundo. Ouvimos com frequência elogios de estrangeiros. Além disso, o fato de as quatro estações — primavera, verão, outono e inverno — serem bem definidas tem grande significado. Isso se refere às constantes mudanças na paisagem, não apenas das montanhas, rios e árvores. Sobre essas quatro estações, fica claro também pelas palavras do Sr. Takahama Kyoshi, após sua viagem ao redor do mundo. Ele disse: “Não há país no mundo onde as quatro estações sejam tão nítidas quanto no Japão. Como o haikai canta as quatro estações, um verdadeiro haikai não pode ser feito fora do Japão.” Diz-se, além disso, que não há país tão rico em variedade de plantas, flores, peixes e mariscos quanto o Japão. Entre as singularidades dos japoneses, destaca-se particularmente a destreza dos dedos. Isso significa que são aptos para as artes e ofícios. A melhor prova é que, no Japão, com o passado de guerras civis quase constantes já mencionado, foram criadas inúmeras obras de arte superiores, e ainda hoje nos admiramos com sua técnica excepcional. De modo geral, pelas razões acima, compreende-se bem a missão do Japão e dos japoneses. Em suma, deve-se transformar todo o território japonês em um parque mundial e, por meio de esforços incansáveis nas belas-artes, elevá-lo ao mais alto padrão. Ou seja, estabelecer as duas grandes políticas nacionais que defendemos — a indústria do turismo e as artes e ofícios — e avançar decididamente nessa direção. Com isso, contribuiremos, é claro, para o avanço do pensamento de toda a humanidade, proporcionando-lhe entretenimento e conforto renovadores. Em uma palavra, trata-se de tornar o Japão um Estado de alta cultura e arte. Atualmente, toda a humanidade teme a guerra e anseia pela paz. Pode-se dizer que nunca houve época em que isso fosse tão sentido como hoje. Como sempre digo, a causa da guerra é que o espírito de luta ainda permanece, em grande parte, no ser humano. É claro que o espírito de luta nasce de ideias bárbaras; por assim dizer, embora se proclame a cultura com a boca, a pele da barbárie ainda não foi eliminada. A solução está justamente em transformar o ponto de vista dos olhos da humanidade, e o alvo dessa transformação deve ser, necessariamente, a arte. Em outras palavras, trata-se de converter o mundo do Inferno da luta no mundo paradisíaco da arte. Em suma, a paz perpétua alcançada pela ameaça das armas é apenas temporária. Fundamentalmente, trata-se de uma revolução do pensamento. E afirmo que a revolução do pensamento não é nada além da religião e da arte. Nesse sentido, não quero dizer “reconstruir o Japão”, mas sim “reconstruir o Novo Japão”, e sua política nacional, naturalmente, não pode ser outra senão a de um Estado transformado pela arte. A anatomia da chamada superstição: a fé deve ser sempre calma Hikari nº 9, publicado em 14 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Por vezes, lançam-se contra a nossa Igreja palavras de superstição. Vejamos, porém, qual é, afinal, o verdadeiro significado de superstição. Evidentemente, superstição é o oposto da fé correta; sendo assim, trata-se de, após muito se iludir e vacilar, acreditar erroneamente que algo incorreto é correto. Mas qual seria, de fato, a interpretação desse “incorreto”? Esclareçamos primeiro isso a fundo. Por exemplo: fazer crer que algo sem benefício espiritual traz benefício; aparentar curar uma doença sem que haja efeito real; ou fazer com que o fundador de uma religião seja crido como um deus vivo especial, quando na verdade é um ser humano comum que, mediante artifícios engenhosos, leva as pessoas a assim pensarem. O acima exposto é, sem dúvida, uma explicação da superstição. No entanto, consideremos o seguinte: um médico garante que curará o doente, e o paciente deposita nele absoluta confiança. Depois de gastar grandes quantias e longos períodos de tempo, o resultado, contrariamente ao esperado, não só não traz a cura, como pode levar à morte. Ou ainda: anualmente, gastam-se enormes somas do erário público e constroem-se inúmeros sanatórios para tuberculose; apesar de grandes esforços, o número de pacientes não diminui. Mesmo assim, mantém-se a esperança infundada de que um dia o problema será resolvido. Em sentido rigoroso, tudo isso também pode ser considerado uma forma de superstição. Contudo, talvez seja mais correto dizer que, mais do que os pacientes crerem supersticiosamente na medicina, são os próprios médicos que nela acreditam de maneira supersticiosa. Trata-se, por assim dizer, de uma superstição de boa-fé. Ainda que seja de boa-fé, ela difere enormemente de um engano planejado para ludibriar as pessoas. Na realidade, sua motivação é boa, pois visa servir à sociedade e à humanidade de forma conscienciosa — não podendo, portanto, ser condenada. Contudo, falando a verdade, essa superstição de boa-fé, por ser sustentada por uma convicção que o próprio supersticioso considera muito forte, possui também grande poder de influenciar muitas pessoas, causando, antes, grande prejuízo à sociedade. Quando analisamos a nossa Igreja à luz do exposto, vemos que, nas obras de salvação que realiza, não há a menor contradição entre o que é dito e os resultados obtidos; pelo contrário, os frutos colhidos superam o que é anunciado. Portanto, a palavra “superstição” não se aplica a ela. Apenas porque até hoje não houve exemplos tão extraordinários de salvação como os da nossa Igreja é que as pessoas não conseguem acreditar. Todos os seres humanos têm a fraqueza de não crer naquilo que não experimentaram, e isso talvez seja inevitável. O problema, porém, é que, como diz o provérbio “quando um cão late, todos os outros o imitam”, basta que uma pessoa de alguma credibilidade — sem nunca ter sequer tocado no assunto — profira palavras de crítica para que a multidão, por psicologia de massa, siga cegamente a opinião alheia. Isso é extremamente problemático. No entanto, por mais que a verdade seja reprimida ou criticada, isso é temporário; no fim, ela acabará recebendo a confiança do mundo. Isso é uma verdade. Costuma-se citar frases como “Crê, e ser-te-á dado” ou “Se não crês, não obterás benefício”. Mas a nossa Igreja jamais diz algo assim; pelo contrário, ela diz: “Duvidai bastante”. Por quê? Porque crer em algo sem reconhecer nenhum benefício desde o início é enganar a si mesmo. Se, após duvidar e esgotar todas as dúvidas, chegar-se a uma verdade que não pode mais ser posta em dúvida, é natural que não se possa deixar de crer. E, na nossa Igreja, há milagres e benefícios em abundância; o próprio desenvolvimento da nossa Igreja é a prova maior disso. Contudo, é preciso também compreender o seguinte. Há pessoas que, ao obterem um benefício, o exageram para três ou quatro, sentindo-se gratas de forma exagerada. Isso também não é correto. Pode-se dizer que caem no feitiço dos benefícios, e é fácil errar nesse ponto. Portanto, se houver um benefício, creia apenas nesse um; se houver três, creia apenas nesses três; e só quando houver dez é que se deve entrar numa fé absoluta. Isso porque, mesmo na fé, não se permite a menor incoerência. Outro ponto a que se deve atentar é que a fé deve manter-se sempre serena. Há pessoas que, tomadas por um excesso de gratidão, tornam-se fanáticas e perdem o bom senso. Essa fé é, sim, uma crença cega. Quando um terceiro observa tais fiéis, não pode deixar de duvidar da própria religião, e eles acabam cometendo o pecado de se tornarem obstáculos à salvação do mundo. Portanto, é preciso ter grande cautela. Assim, a fé correta deve ser, em todos os aspectos, sensata, não prejudicar a dignidade e ser respeitada pelas pessoas do mundo. O Hábito Japonês de Sofrer em Silêncio Hikari nº 11, publicado em 31 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Dizem que não há outro povo, entre os países culturalmente desenvolvidos, que sofra calado tantas injustiças quanto os japoneses. No entanto, isso não é sem razão. Como diz o antigo ditado: “não se vence uma criança que chora nem um senhor feudal”, ainda hoje permanecem esses resquícios feudais. Para dar um exemplo: mesmo sofrendo prejuízos com artigos difamatórios em jornais e revistas, as pessoas se calam, temendo que, se forem malvistas pelo jornal, este publique artigos ainda piores. Mesmo quando as medidas das autoridades são incompreensíveis, calam-se, pois dizem que, se manifestarem insatisfação, as consequências futuras serão terríveis. Mesmo achando injusta a tributação do fisco, calam-se, pois temem que, se magoarem os sentimentos dos fiscais e forem malvistos por eles, será pior. Quando recusam ou denunciam extorsões e ameaças, calam-se, com medo de represálias futuras. É de conhecimento geral que os chefões locais, que ainda hoje não desapareceram, aproveitam-se dessa resignação silenciosa para agir com grande arrogância e oprimir os cidadãos de bem. Ouço dizer que, em países como os Estados Unidos, quando os direitos humanos são ignorados ou se sofre um tratamento injusto, as pessoas protestam firmemente e jamais recuam até que a justiça prevaleça. É somente quando o povo possui esse espírito que as injustiças sociais são reprimidas, a justiça é protegida e uma verdadeira sociedade democrática e justa se realiza. Portanto, se o Japão deseja construir uma sociedade democrática e límpida, é necessário não se curvar diante da violação da justiça, ou seja, é preciso que o bem vença o mal. Somente quando essa maré se espalhar por toda a sociedade é que o Japão se tornará verdadeiramente democrático. Graças Recebidas Nessa Vida Hikari nº 9, publicado em 14 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Hoje em dia, muitos estudiosos que discutem religião costumam dizer que a fé voltada para as graças recebidas nessa vida é uma fé de nível inferior. Dizem que uma fé que não se preocupa com as graças recebidas nessa vida, mas que apresenta teorias supostamente elevadas e distantes da vida real, é vista como se fosse uma teoria religiosa mais autorizada. Do nosso ponto de vista, isso é um grande erro e, falando sem rodeios, não passa de um jogo de teorias vazias. Pensemos bem: qual é, afinal, a missão da religião? Não é necessário dizer que é salvar todas as pessoas do mundo do seu sofrimento e transformar esta terra em um paraíso de paz e alegria. O que mais poderia ser? Ao observarmos as pessoas comuns, o desejo de ter saúde e de possuir bens, independentemente da posição social ou riqueza, é algo que ninguém deixa de desejar. Se houver alguém que não deseje, essa pessoa ou desistiu por considerar impossível alcançar o que tanto desejava, ou é um pseudo-intelectual que tenta parecer mais importante. Se for esse o caso, examinemos como surgiram essa desistência e essa auto-ilusão. O fato é que, até hoje, os fiéis religiosos se dedicam a Deus e Buda, oferecendo tudo o que podem e perseverando numa fé tão ardente que nada mais lhes é possível fazer; ainda assim, não conseguem o que desejam. É verdade que há alguns benefícios, mas a realidade é que adoecem, morrem e não escapam da pobreza. Então, no final, veem-se obrigados a escolher entre duas opções: abandonar a fé ou desistir. No entanto, a maioria não consegue afastar-se completamente da fé. Isso porque, de qualquer forma, a fé traz algum benefício, e a resignação diante das dificuldades é melhor do que a de quem não tem fé. Essa deve ser a verdadeira situação de quem continua na fé, mesmo lutando contra as dificuldades. Deixando de lado os fanáticos, observemos as pessoas de certa camada intelectual: elas parecem pensar que a fé e os deuses e budas não são coisas que possam dar tantos benefícios. Obtêm apenas uma leve sensação de paz espiritual, como se não passasse de uma ideia. O curioso é que esse tipo de pessoa trata os ensinamentos e escritos dos fundadores das religiões como algo absoluto e supremo, tecendo elogios bajuladores, mas, ao mesmo tempo, escreve críticas arrogantes. É claro que não possuem a Sabedoria Sagrada espiritual, por isso suas críticas são sempre materialistas. Preocupados em não perder a própria reputação, escrevem de forma superficial, sem a menor força para tocar o coração do leitor. Quando vemos essas pessoas, não podemos deixar de sentir compaixão e, ao mesmo tempo, nos embriagamos com a nossa própria felicidade. Isso porque, desde a nossa conversão, obtivemos a saúde que desejamos, fomos abençoados com bens e as graças recebidas nessa vida são, em todos os aspectos, verdadeiramente abundantes. No entanto, como as pessoas do mundo não têm essa experiência, é muito difícil para elas acreditarem. Por isso, chamam a nós, os felizes que recebem as graças nessa vida, de supersticiosos, mas, na verdade, eles próprios não podem deixar de ser chamados assim. Apegam-se apenas à resignação espiritual, que é somente um dos aspectos dos benefícios, e não conseguem se libertar do ciclo de doença, pobreza e conflito, permanecendo nele estagnados ano após ano, sempre da mesma forma, como se o tempo não passasse. Portanto, é natural que haja uma enorme diferença entre a nossa visão da vida e do mundo e a deles. Resumindo em uma palavra: por mais que se exaltem teorias magníficas, só a teoria não cura doenças. O deus da pobreza não se afasta e os conflitos não cessam. Assim, não importa como se veja, não se pode dizer que estão salvos. Ah, quando será o dia em que abriremos os olhos dessas pessoas teimosas e as faremos experimentar o verdadeiro êxtase religioso? Mal podemos esperar. Obra Religiosa e Obra Social Hikari nº 10, publicado em 25 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Ao observarmos os diversos aspectos da sociedade, vemos que existem várias obras sociais, tanto públicas quanto privadas, que contribuem consideravelmente para o bem-estar social. É claro que as obras sociais com base religiosa são ainda mais eficazes. No entanto, áreas como os sanatórios para tuberculose (embora existam alguns particulares) e os serviços de assistência pública, que estão além do alcance da iniciativa privada, dependem exclusivamente do poder governamental. Além disso, reconhece-se plenamente que instituições semipúblicas, como a Cruz Vermelha, os asilos, os orfanatos e os sanatórios, estão suprindo as deficiências da sociedade. Contudo, o que pretendo abordar agora são as obras religiosas, algo sobre o qual ainda não se ouviu muito. Por exemplo, o sanatório para tuberculose que estamos prestes a implementar transcende a ciência, pois se baseia em uma terapia de fé por meio de espíritos de divindades, nunca antes tentada. Com a convicção de erradicar a tuberculose do Japão através deste método, já estamos dando os primeiros passos. Podemos prever desde já que, em breve, alcançaremos resultados surpreendentes. Em seguida, temos a agricultura sem fertilizantes. Como já foi divulgado repetidas vezes em revistas e jornais, omitirei os detalhes, mas é possível obter resultados notavelmente superiores aos da agricultura com fertilizantes, mesmo sem utilizá-los. Atualmente, estamos cultivando dezenas de milhares de tsubo de terra. Além disso, há planos em andamento para a projeção mundial da arte japonesa. Estamos projetando um edifício que reunirá o que há de mais refinado na arquitetura japonesa — abrangendo, naturalmente, não apenas pintura e escultura, mas também todas as artes e ofícios, arquitetura e paisagismo — e que servirá como uma vitrine da arte japonesa no exterior. Quando estiver concluído, não apenas os estrangeiros, mas também os próprios japoneses se surpreenderão com a descoberta do pássaro azul. Além das obras mencionadas, existem vários outros projetos ainda não divulgados, todos eles inovadores. Isso porque, em relação ao que já foi planejado ou posto em prática por outros antes de nós, podemos deixar a cargo dessas pessoas, não havendo necessidade de nós mesmos o executarmos. Naturalmente, pretendemos anunciar gradualmente diversos novos projetos alinhados com a linha de promover o bem-estar da sociedade e da humanidade no futuro. Por fim, escreverei sobre o significado fundamental das obras sociais. As chamadas obras sociais ou obras de caridade são, de fato, melhores do que nada. No entanto, dito de forma direta, são medidas de socorro temporário, desprovidas de perpetuidade fundamental. Isso porque se limitam a garantir a sobrevivência dos necessitados, dos desamparados e dos portadores de doenças incuráveis, sendo um socorro passivo que, no final, se torna um fardo para o Estado. Portanto, a verdadeira obra de salvação deve ser ativa, mas, na verdade, até hoje, embora se pudesse falar sobre ela, não foi colocada em prática. Para isso, é imprescindível que uma religião poderosa se encarregue da tarefa. Se as pessoas forem verdadeiramente salvas dessa forma, em primeiro lugar, a felicidade da própria pessoa é evidente, e os custos necessários das obras sociais serão reduzidos. Além disso, essas pessoas se tornarão indivíduos que, ao contrário, contribuirão para a sociedade, resultando em um ganho triplo de uma só vez. Essa é a verdadeira missão da religião, ou seja, a obra religiosa que defendemos. No entanto, nas religiões existentes, infelizmente, como não foi possível realizar essa salvação ativa conforme mencionado, elas têm justificado sua existência por meio de obras sociais de segunda ordem. A realidade atual é que tanto as autoridades quanto a sociedade toleram a religião, considerando-a impotente, mas aceitando-a sob o pretexto de que, ao menos, realiza obras sociais. Portanto, como nossa Igreja, estamos decididos a deixar a salvação passiva, como as obras sociais, para outras instituições, e a contribuir para a melhoria da sociedade por meio de uma salvação ativa e original. A isso chamamos de obra religiosa. A Terrível Liberdade de Imprensa Hikari nº 32, publicado em 22 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Quem ler este título talvez o ache estranho, mas para nós não há outra forma de expressá-lo. Isso porque, como todos sabem, o artigo recentemente publicado no jornal Yomiuri, repleto de insultos, desprezo e críticas venenosas contra a nossa Igreja, é algo que não se pode aceitar como a ação de um grande jornal sob o governo do povo. Além disso, ao longo de todo o texto, a maior parte é composta por ficção e invenções, e sofremos para interpretar qual seria a intenção desse jornal pernicioso. A voz que exalta a liberdade de imprensa, tanto interna quanto externamente, durante esta Semana da Imprensa, é algo com que nós também gostaríamos de concordar plenamente, mas, na realidade, como somos uma das pessoas que sofrem não poucos danos por causa dessa liberdade de imprensa, não podemos deixar de hesitar. Desnecessário dizer que isso se deve ao fato de que, em relação à nossa Igreja, ela confunde muitos fiéis, prejudica a credibilidade social e obstrui o seu desenvolvimento. Como devemos considerar a ação de um jornal tão pernicioso? É algo que nos causa sofrimento interpretar. E, ainda por cima, o presidente do Yomiuri, Sr. Tsuneo Baba, ocupa o cargo de presidente da Associação de Jornais do Japão. Além disso, embora o lema dessa associação diga que "imprensa livre e ditadores não coexistem", a ação deste jornal pernicioso desta vez não é nada além de ditadura. Desde o passado até hoje, nos casos em que os órgãos de imprensa lançam críticas contra novas religiões, na maioria das vezes elas terminam com as vítimas sofrendo em silêncio. Aproveitando-se disso, eles engolem cartas de opinião unilaterais sem qualquer investigação e escrevem artigos de forma arbitrária. Portanto, há algo de imperdoável nessa postura antidemocrática. Com isso, eles adotam uma atitude de não considerar absolutamente os grandes danos que causam. Não há diferença alguma entre isso e um forte que, abusando do poder coercitivo da imprensa, ameaça a existência de um fraco. Deveriam reconsiderar por que razão o General MacArthur enfatizou a liberdade de crença como um dos lemas do governo democrático desde o início. O Sr. Sulzberger, do New York Times, disse desta vez que "a liberdade deve sempre vir acompanhada de responsabilidade". Exigimos que o Yomiuri assuma essa responsabilidade por se esconder à sombra da liberdade e causar danos à nossa Igreja. Devolvemos-lhes a acusação de abuso da liberdade religiosa como abuso da liberdade de imprensa. Naturalmente, isso é uma clara violação do Código de Imprensa. Portanto, decidimos entrar com uma ação judicial contra o jornal Yomiuri e os dois autores do relatório falso. Como religiosos, não é nada agradável recorrer à lei, mas não podemos deixar de nos livrar das faíscas que voam em nossa direção. E, uma vez que o nosso objetivo é reduzir os males sociais e construir uma sociedade verdadeiramente democrática, mais brilhante e mais habitável, somos obrigados a brandir a espada da destruição do mal contra aqueles que nos obstruem. Acreditamos que a correção dos males da imprensa, correção essa que hoje tem a importância primordial na orientação das massas, é também uma forma de cumprir a nossa responsabilidade como religião. Método para Distinguir os Maus Hikari nº 17, publicado em 9 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Durante muito tempo, aproximei-me de diversos tipos de pessoas, mas pensei que, antes de tudo, para a necessidade de viver neste mundo, o mais importante é discernir se alguém é uma pessoa má ou uma pessoa boa. Além disso, ultimamente, tenho recebido muitas tentativas de extorsão, por isso penso nisso especialmente. No entanto, esses extorsionários também têm suas próprias características, o que é interessante. Vou escrever sobre elas. Primeiro, eles são extremamente hábeis com as palavras. Muitas vezes, mesmo estando alerta, acabamos sendo seduzidos pelo seu modo de falar. Nesse ponto, quase não há exceção. Em seguida, eles falam em voz alta e são muito insistentes. Outro ponto a ser observado é que existem dois tipos: aqueles que usam uma abordagem ameaçadora e, ao contrário, aqueles que agem com extrema gentileza, o que é interessante. Em geral, imagina-se que quem pratica más ações tenha uma aparência assustadora, mas, na maioria dos casos, é o oposto. Eles são extremamente gentis e afáveis. De fato, pensando bem, se tivessem uma aparência assustadora, a outra parte ficaria alerta, diminuindo a taxa de sucesso; já com a gentileza, é inevitável que as pessoas caiam mais facilmente. Em seguida, falando sobre as pessoas boas, pela minha longa experiência, aquelas que não são hábeis com as palavras são mais numerosas e também obtêm melhores resultados em seu trabalho. Isso é natural, pois as pessoas se deixam enganar por quem fala bem, e assim, essas pessoas naturalmente passam a se virar na vida enganando as outras. Por outro lado, quem não é hábil com as palavras não consegue enganar os outros, então tenta obter resultados através da capacidade, o que provavelmente leva ao resultado mencionado anteriormente. Lojas Novas e Lojas Antigas na Religião Hikari nº 3, publicado em 30 de março do ano 24 da Era Showa (1949) Quando observamos atentamente a sociedade, vemos que existem dois tipos de lojas de varejo nas ruas: as lojas novas e as lojas tradicionais. Como todos sabem, as lojas novas, pela disposição de se desenvolverem grandemente no futuro, possuem um vigor vibrante, mas, infelizmente, sua credibilidade ainda é frágil. Isso ocorre porque, da perspectiva do consumidor, ele se preocupa com o quão excelente é a mercadoria, se o preço é adequado ou não, e, naturalmente, acaba comprando apenas para experimentar ou como uma compra de ocasião. Por outro lado, quando se trata de uma loja tradicional, o consumidor deposita nela, desde o início, uma confiança absoluta. Se é o produto de tal loja em tal rua e tal número, jamais haverá engano; como é mais seguro comprar ali do que passar pela ansiedade de comprar em uma loja nova, as pessoas vão até lá, mesmo que seja um pouco distante, e, além disso, compram itens em maior quantidade. Isso se deve inteiramente ao prestígio (noren) cultivado ao longo de muitos anos de vendas. Portanto, a realidade é que as lojas novas precisam se esforçar ao máximo, como se estivessem suando sangue, para atrair para si, ainda que um pouco, os consumidores que vão às lojas tradicionais. Isso é algo que todos sabem, e não há necessidade de mencioná-lo como novidade agora. No entanto, é interessante que algo semelhante a isso também ocorre na religião. Como é de vosso conhecimento, quando se trata de uma nova religião, não é como um simples lojista. Desde o início, ela é rotulada como uma religião maligna e supersticiosa, uma religião fraudulenta, e não há como não lamentar profundamente essa situação. De fato, como dizeis, deve haver muitas novas religiões assim, mas gostaria que soubésseis que, de vez em quando, também existem as genuínas. A esse respeito, é preciso considerar o seguinte: não há dúvida de que todas as religiões tradicionais, que são como lojas antigas, também foram, no princípio, lojas novas. Como elas gradualmente acumularam anos e se tornaram as lojas tradicionais de hoje, mesmo as lojas novas de hoje, caso se esforcem, tenham preços justos e mercadorias de qualidade comprovada, acabarão se tornando lojas tradicionais um dia. Portanto, considerar que todas as lojas recém-inauguradas de hoje são fraudes e cultos malignos é, do ponto de vista do que acabei de expor, decididamente um erro. Pelas razões expostas acima, penso que a atitude correta para aqueles que se encontram em posição de crítica seria examinar suficientemente as novas religiões, emitir um julgamento verdadeiro sobre se são brancas ou pretas, e só então pegar na pena. Religião e Medicina Hikari nº 6, publicado em 25 de abril do ano 24 da Era Showa (1949) No dia primeiro de março passado, ocorreu em Takayama, província de Gifu, uma gravação de rua sob o tema "Superstição e Religião". Nos dias três e cinco seguintes, a emissora de Nagoya fez uma transmissão nacional. Não há dúvida de que o alvo dessa transmissão era, obviamente, a nossa Igreja. Além disso, nos jornais das regiões de Gifu, Aichi e Shizuoka, surgiram repetidamente artigos que problematizavam a nossa Igreja. E todas essas críticas eram direcionadas à relação entre a nossa Igreja e as doenças. Havia também artigos comparando a associação médica e a nossa Igreja, nos quais se afirmava que a nossa Igreja não criticava a medicina, mas a associação médica sim, criticava a nossa Igreja. Além disso, na gravação de rua, duas pessoas que desferiram ataques declararam ser médicas. Por tudo isso, pode-se perceber o fato de que os médicos e a associação médica estão no centro do movimento, empenhando-se ativamente na crítica à nossa Igreja. Especialmente durante a transmissão, um dos médicos chegou a pedir às autoridades que exercessem a mais severa repressão. Como exposto acima, é realmente incompreensível que se esteja tão exaltado contra a nossa Igreja. Se, por acaso, a nossa Igreja violasse alguma lei ou causasse danos à sociedade, mesmo sem a interferência da associação médica, as autoridades, como parte de suas funções, deveriam tomar medidas rigorosas. No entanto, ao refletir profundamente sobre por que a nossa Igreja é tratada como inimiga, chego a pensar que não seria por esta razão: uma vez que as pessoas entram na nossa Igreja, doenças difíceis e graves são curadas de forma surpreendente, e isso, imagino, não causaria uma espécie de medo e estímulo aos médicos? Não há outra forma de pensar. Se for esse o caso, trata-se de uma história completamente absurda. Para os médicos também, o verdadeiro objetivo final é curar as doenças e tornar os seres humanos saudáveis. Sendo assim, se aquilo que a medicina, sua própria área, não consegue curar for completamente curado por qualquer outro método, não deveriam eles se alegrar imensamente? Ou melhor, não seria justamente o caminho para cumprir o dever dos médicos buscar proativamente a nossa Igreja e avançar até mesmo em seu estudo? Para dizer a verdade, se surgiu um método que cura em curto espaço de tempo aquilo que a medicina moderna, por mais avançada que seja, não conseguia curar de forma alguma, isso é, na verdade, uma grande maravilha mundial e um problema sem precedentes. Não é ocasião para ficar de braços cruzados, tranquilamente, assobiando. Embora seja necessário examinar essa terapia revolucionária o mais rápido possível, até hoje, mesmo vendo os resultados reais, eles não só não tentam tocá-la, como nem sequer lhe dão atenção. Muito pelo contrário, há até mesmo aqueles que temem tocá-la, o que realmente nos deixa perplexos. Se nos permitem falar sem reservas, a maioria das doenças é completamente curada sem necessidade de medicamentos ou instrumentos. Por isso, parece-nos que o esforço de todos os estudiosos da medicina do mundo atual, trancados em seus laboratórios de pesquisa, dedicando-se a experimentos com animais, radiações e descoberta de novos medicamentos, é, na verdade, mero trabalho inútil. Isso porque tanto a descoberta das patologias quanto a terapia ideal já foram estabelecidas e estão sendo praticadas, obtendo resultados surpreendentes. Portanto, se a terapia de fé da nossa Igreja for um dia reconhecida pelo público em geral, a medicina mundial não poderá deixar de desencadear uma grande revolução. No caso da terapia de fé, costuma-se dizer que as pessoas são curadas porque um fator psíquico se soma. Mas isso é, na verdade, o oposto; vamos explicá-lo primeiro. Quando alguém adoece, é senso comum que, seja quem for, a primeira coisa a fazer é consultar um médico. Na era atual do cientificismo onipotente, é provável que não exista ninguém que, desde o início, vá tratar sua doença com algo que a sociedade considera religião maligna e supersticiosa. Como está profundamente enraizada desde tempos antigos a crença de que as doenças são curadas por médicos e com remédios, a influência benéfica do fator psíquico é evidente no caso da terapia. Portanto, as doenças deveriam ser rapidamente curadas. No entanto, muitos fatos mostram o contrário: elas não melhoram facilmente. Enquanto alternam entre avanços e retrocessos, os pacientes trocam de médico ou de hospital, ou seguem à risca as orientações médicas, seja internando-se, seja fazendo tratamento em casa. Apesar disso, a doença gradualmente se agrava, chegando a uma situação sem saída. É então que, sem alternativa, recorrem às terapias populares ou à terapia de fé. Contudo, mesmo assim não melhoram com facilidade; a doença se deteriora ao extremo, e há até quem, tomado pelo sofrimento, decida cometer suicídio. É comum ouvir, no relato de pessoas que se curaram completamente, a amarga experiência de hesitar entre cometer suicídio hoje ou amanhã. E, claro, os gastos com terapia e outros custos até então são verdadeiramente imensos. No final, o que recebem como compensação por essa vultosa despesa não é senão um destino trágico, a um passo da morte. Afinal, quem deveria assumir a responsabilidade por ter levado a pessoa a esse estado, a um passo da morte, como descrito acima? Se há algo que deva ser profundamente considerado antes de tudo, essa responsabilidade caberia, naturalmente, aos médicos que, até então, agravaram a doença. No entanto, se os médicos assumissem essa responsabilidade, não lhes restaria alternativa senão abandonar a profissão. Assim, aprofundando ainda mais a questão, na prática, os médicos não têm responsabilidade. Então, quem deveria assumi-la? Aí reside algo inesperado: a ciência chamada medicina. Ou seja, não se sabia que nessa ciência se ocultava uma grande falha. Portanto, por mais avançada que a medicina pareça ser, é absolutamente impossível eliminar as doenças da humanidade. Em termos simples, toda terapia, se tem efeito de um lado, causa dano do outro. Especialistas e leigos veem apenas o efeito e não percebem o dano, exatamente como uma balança: quando um lado sobe, o outro desce. A maior prova disso é o fato de novos medicamentos e novas terapias surgirem com frequência. A razão é que nunca nasce uma versão verdadeiramente definitiva. Especialmente no caso dos medicamentos específicos para a tuberculose. Há ainda mais uma coisa a dizer sobre o fator psíquico. Como foi dito anteriormente, mesmo recorrendo à medicina moderna — na qual o público confia a ponto de parecer quase religiosa — não há efeito, e a pessoa é levada ao fundo do poço da deterioração. Quando está numa situação em que agarraria até um fio de palha e, por algum motivo, busca socorro na nossa Igreja, os especialistas advertem: "Não há absolutamente nada além da medicina moderna avançada que possa curar doenças. Se houver, é superstição." Jornais, revistas, rádio, etc., também, como se fossem a voz das autoridades, dizem: "Quando adoecer, recorra ao tratamento médico o mais rápido possível", afirmam que esse é o método correto e alertam para não se deixar enganar por religiões malignas e supersticiosas. Parentes, conhecidos e familiares dizem: "As doenças não se curam sem médico. Se nem mesmo o tratamento do Doutor Fulano cura, é porque é a hora, não há o que fazer senão resignar-se." No entanto, todos amam a vida. Nessa hora, alguém pode recomendar, e a pessoa tenta se aproximar da fé, mas os que estão ao redor se opõem veementemente. As medidas de prevenção são realmente completas, por todos os meios. Mas o paciente, que de modo algum consegue se resignar, busca socorro na fé. No entanto, a maioria, inicialmente cheia de suspeitas e medos, aproxima-se com receio e de forma extremamente secreta. Dessa forma, do ponto de vista do fator psíquico, as condições são absolutamente desfavoráveis. Apesar disso, ocorrem milagres surpreendentes, e até mesmo doenças consideradas incuráveis dão uma guinada: o sofrimento diminui, a recuperação começa e, por fim, a pessoa se cura. Diante desses resultados práticos, não há necessidade de discorrer muito sobre a superioridade em relação à terapia científica. Quão numerosas são as pessoas assim salvas fica claro pelo fato de que as cartas de agradecimento e relatórios formam montanhas sobre a mesa. É impossível ler, sem lágrimas, a emoção transbordante de gratidão e comoção dessas pessoas. Uma parte disso é publicada em nosso jornal como "Histórias de Gratidão". Além disso, dizem que, por mais milagrosamente que as doenças se curem entre nós, isso não é aceitável, porque não se encaixa na Lógica. Mas isso ocorre porque a Lógica deles é que está errada. A Lógica pela qual as pessoas realmente se curam, essa sim, é a verdadeira Lógica. Assim, após uma longa discussão, o que quero dizer como conclusão é: o importante é que a doença se cure. Se a doença se cura, essa é a verdadeira arte médica. Se a doença se cura e a pessoa fica saudável, o paciente fica satisfeito com isso. O que mais ele poderia buscar? Nós, neste sentido, aqui e agora, devolvemos a expressão extremamente desagradável "religião maligna e supersticiosa". A Missão da Arte Hikari nº 31, publicado em 15 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Todas as coisas que existem no mundo possuem, cada uma, um papel útil para a sociedade humana. Trata-se da chamada missão celestial. Naturalmente, a arte também não está fora desse escopo. Sendo assim, o artista, como membro da estrutura social, deve conscientizar-se dessa missão e cumpri-la integralmente; essa é a verdadeira arte e, também, o dever primordial do artista. No entanto, ao observarmos os artistas em geral nos dias de hoje, não podemos deixar de nos espantar com suas ações excessivamente desregradas. É claro que existem artistas admiráveis, mas, no caso da maioria, seria mais correto afirmar que ela não compreende esse dever de modo algum do que dizer que o esqueceu. Além disso, eles pensam como se fossem seres especiais e, sob a ideia de que agir conforme a própria vontade é manifestação da individualidade e expressão do gênio, comportam-se de maneira arbitrária e egoísta, sem sentir a menor vergonha. Isso é realmente lastimável. A sociedade também os trata como pessoas especiais, tolerando-lhes a maioria das coisas, e, por isso, eles caem cada vez mais na arrogância e na presunção. No entanto, o artista, por sua própria natureza, deve possuir um caráter mais elevado do que as pessoas comuns. Vamos explicar isso através da religião. Antes de mais nada, é fato que, na era primitiva da humanidade, havia uma forte presença da natureza animal. Não há quem duvide de que, passando por diversas etapas desde a era bárbara, estamos construindo, pouco a pouco, uma cultura ideal. Nesse sentido, o progresso da cultura consiste em remover a natureza animal do ser humano. Portanto, é somente quando se atinge esse grau que se pode falar em um verdadeiro mundo civilizado. Contudo, ainda hoje, a maior parte da humanidade está exposta à ameaça da guerra, e isso se deve ao fato de que a natureza animal ainda permanece em grande medida. Assim, o artista é um dos que carregam a importante missão de eliminar essa natureza animal. Trata-se, portanto, de remover a natureza animal do ser humano por meio da arte e elevar seu caráter. Naturalmente, essa finalidade é cumprida por meio da literatura, da pintura, da música, do teatro, do cinema e de outros meios. Isso ocorre porque a alma do artista, através desses meios, apela à alma das massas. Em termos mais simples, a energia espiritual que emana da alma do artista — por meio da literatura, da pintura, dos instrumentos musicais, da voz e da dança — toca as cordas sensíveis da alma das massas. Ou seja, trata-se de uma firme ligação entre a alma do artista e a alma das massas. Portanto, se o caráter do artista é inferior, as massas também se tornam inferiores. Se o caráter do artista é elevado, é natural que os sentimentos das massas também sejam elevados. Aqui reside a nobreza da arte. Em outras palavras, o artista deve ser, com sua alma, um guia das massas. Nesse sentido, não seria exagero dizer que o aumento dos males sociais como os de hoje também é, em parte, responsabilidade dos artistas. Vede: a literatura erótica e grotesca extremamente vulgar, as pinturas extremamente monstruosas, as vozes emitidas por artistas de baixo nível, a música que tocam, o teatro, o cinema, etc. Se observardes com atenção e com o coração em silêncio, percebereis que o que foi dito acima não é um erro. Os Malefícios da Educação Precoce Hikari nº 16, publicado em 2 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Dizer que nos seres humanos de hoje a sabedoria se desenvolveu e o cérebro piorou é uma forma estranha de falar, mas na verdade é isso. O significado é que aumentaram as pessoas astutas, superficiais e de sabedoria rasa, e diminuíram as pessoas de sabedoria profunda e sólida. A questão é a causa disso; segundo minha reflexão, é inteiramente resultado da educação precoce. Por que a educação precoce é ruim? É porque, numa fase em que o cérebro ainda não se desenvolveu até certo ponto, acumula-se conhecimento, ou seja, há um descompasso entre o desenvolvimento e o aprendizado. Na verdade, embora o ser humano deva usar o cérebro e o corpo de forma adequada conforme a idade, a educação precoce é como fazer uma criança de sete ou oito anos realizar um trabalho intelectual de quinze ou dezesseis anos — uma sobrecarga completa de estudos. Então, qual é o resultado disso? Vou dar um exemplo a esse respeito. Quando cursava a escola primária, tentei aprender judô, mas disseram-me que não se podia aprendê-lo com quinze anos ou menos. Perguntei o motivo, e responderam-me que, se praticasse judô com quinze anos ou menos, o crescimento em estatura pararia e não haveria mais alongamento. Naturalmente, isso decorre da interrupção do crescimento causada pelo esforço excessivo. De modo semelhante, na educação atual, considera-se bom fazer com que crianças de doze ou treze anos realizem o que os adultos fazem. De fato, como a inteligência se desenvolve rapidamente por um tempo, isso parece uma boa educação; mas, na realidade, como disse anteriormente, não há desenvolvimento da profundidade, e formam-se pessoas de sabedoria apenas superficial e pensamento raso. De fato, mesmo no Japão, entre os políticos modernos, as pessoas de caráter sólido e de grande porte têm diminuído gradativamente. Vendo como são verdadeiramente escassas as figuras sólidas e de grande porte como as de antes, é uma questão sobre a qual aqueles envolvidos na educação devem refletir profundamente. Artigos de Jornal e Mentiras Hikari nº 10, publicado em 25 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Há muito tempo se diz que os artigos dos jornais japoneses contêm muitas mentiras, e está ainda recente na memória o fato de que, após o fim da guerra, o Quartel-General também emitiu severas advertências contra tais artigos mentirosos. No ano passado, em novembro, quando a nossa Igreja se tornou alvo de questões fiscais, todos os jornais, competindo entre si, publicaram artigos misturando fatos e ficção, não apenas sobre o movimento religioso, mas também sobre outros aspectos, e quase não há quem não saiba disso. Ao examinarmos esses artigos um a um, ficamos surpresos com a quantidade de mentiras. A verdade é que não imaginávamos que fossem tantas. Além disso, o que foi inesperado é que mesmo os grandes jornais de renome, para não mencionar os de segunda linha, traziam muitas mentiras. Diante disso, sentimos profundamente que a cultura japonesa ainda é imatura e não pudemos conter um suspiro de pesar. Observando atentamente seus métodos de escrita, vê-se em toda parte a criação de histórias por mero interesse e o exagero, transformando pequenas coisas em grandes — talvez por uma questão comercial de agradar aos leitores. No entanto, se fosse apenas uma questão de priorizar o interesse, não seria tão repreensível; mas, por exagerarem os fatos, os envolvidos sofrem grandes transtornos. Por exemplo, quando um certo grande jornal noticiou que os ativos da nossa Igreja eram de dois a três bilhões, foi algo ridículo; contudo, os leitores comuns, que nada sabem, depositam certa confiança por se tratar de um grande jornal. Desde então, fomos inundados, de todos os lados, por pedidos de empréstimo, exigências, extorsões, visitas e cartas, a ponto de não termos tempo para atender a todos. Diante disso, é necessário refletir profundamente sobre como as mentiras dos artigos de jornal causam danos imprevisíveis. Considerando que os artigos de jornal hoje ocupam a posição de livro-texto para o povo em geral, se continuarem a usar o exagero para aumentar as vendas, não se pode negar o perigo de alimentar essa tendência frívola e superficial. Portanto, espera-se que reflitam profundamente sobre esse ponto e ajam corretamente. Desde os tempos antigos, diz-se que o jornal é o sino de madeira da sociedade e, como recebe respeito como guia, sua responsabilidade deve ser extremamente grande. Assim, a menos que mudem sua política atual, pensamos que poderão carregar a mancha de assumir uma parte do mal social. Portanto, se os jornais continuarem a escrever mentiras descaradamente, é inimaginável que as mentiras do povo em geral diminuam. Desejamos que, pelo menos os grandes jornais, adotem a honestidade como lema e realizem uma edição exemplar; certamente não somos os únicos a desejar isso. Nesse sentido, para reconstruir o Japão como um país melhor, deve-se banir em primeiro lugar as mentiras dos jornais e, ao mesmo tempo, o que ansiamos sinceramente é que surja no Japão ao menos um tipo de jornal que não escreva mentiras. Vício em Hiropom Hikari nº 26, publicado em 10 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Recentemente, o vício em Hiropom, como estimulante, tem sido amplamente discutido e acabou sendo proibido, como é de conhecimento geral. Isso é perfeitamente compreensível, pois o fato de essa substância estar se infiltrando com força extraordinária até mesmo entre os jovens é verdadeiramente assustador. Portanto, as medidas de repressão e proibição são não apenas naturais, mas, na verdade, até tardias demais. A respeito disso, escreverei hoje sobre um assunto grave do qual o público em geral não se dá conta: o vício em medicamentos comuns, que sempre sustentamos. Ou seja, tanto os digestivos quanto os remédios específicos para tuberculose e pneumonia, tanto os remédios para resfriado quanto qualquer outro medicamento — todos, sem uma única exceção, causam vício. A única razão pela qual não se percebe é que os medicamentos comuns não provocam um efeito de dependência tão agudo quanto o Hiropom. Darei dois ou três exemplos: quem usa digestivos regularmente passa a sofrer de indigestão crônica; quem sofre de constipação não evacua a menos que use laxantes; pacientes febris tornam-se usuários habituais de antitérmicos e da aspiração nasal de cocaína. Tudo isso é, sem dúvida, vício em medicamentos. Pelo exposto, a maior parte da humanidade hoje em dia está acometida pelo vício em medicamentos, e é por isso que a neurastenia, os doentes, a tuberculose e a vida curta são todos assim; é verdadeiramente assustador. Visto isso, o fundamento para a salvação da humanidade é fazer com que o público em geral reconheça o quão temíveis são os medicamentos, e não deve haver evangelho de salvação do mundo maior do que este. A respeito disso, creio que o artigo a seguir servirá de referência. (Artigo do jornal Tóquio Nichinichi, edição de 6 de novembro de 1949, "A causa da tragédia de um artista popular") Biografias de usuários ávidos de Hiropom Diz-se que Miss Wakana morreu devido ao Hiropom; Nagata King desmaiou no camarim de uma peça; Sekiya Isoji errou as "Vinte Portas"; Matsudaira Akira perdeu a voz; e Makino Masahiro foi abandonado por sua esposa Todoroki Yukiko, resultando em uma briga de casal que chegou a uma separação temporária — tudo por causa do Hiropom. Diz-se também que Kirishima Noboru e Matsubara Misao, um casal, também eram apreciadores, mas se esforçavam ao máximo para parar; Haida Katsuhiko, tendo percebido o perigo, teria mudado exclusivamente para injeções de vitaminas e hormônios. Além disso, o roteirista Oguni Eiji, o diretor de cinema Kame Fumio, o ator de teatro Fujio Jun, Sakura Mitsuko, Sazanka Kyu, o cantor Omi Toshiro, Hata Minoru, o contador de histórias rakugo Kinba e Kashō, o imitador de vozes Kinoshita Kasei, o contador de histórias kōdan Issai Teizan, o dançarino Araki Yō, o locutor Wada Nobuken, o escritor Sakaguchi Ango, Kikuta Kazuo, entre outros, também eram apreciadores. Além disso, a disseminação desenfreada do Hiropom entre os artistas de mangá anônimos e as mulheres dos shows de nudez é algo terrível. (Hikari nº 36, 19 de novembro de 1949) A Teoria da Ruína Nacional pelos Medicamentos — As Toxinas Medicamentosas Devem Ser Temidas Na edição de 16 de agosto do jornal Asahi, na coluna "Ciências Sociais para Adultos", havia um artigo intitulado "Hiropom e Adorm", com o seguinte conteúdo. Oda Sakunosuke, Dazai Osamu e Miss Wakana, todos parecem ter cometido suicídio com Hiropom e Adorm; mais recentemente, diz-se que a causa da loucura de Sakaguchi Ango é o vício nesses estimulantes e hipnóticos. Engolir 50 gramas de Hiropom e escrever rascunhos como um cavalo louco; depois, como não consegue dormir, mastigar 60 gramas de Adorm e cair bêbado com álcool; essa repetição é como estar fazendo experimentos com a dose tóxica e a dose letal. O nome "Hiropom" não vem de "soprar para longe" (hiro-pom), mas sim do grego "philoponos" (amante do trabalho). Cientificamente, tem a estrutura de um-fenil-dois-metil-amino-propano, da mesma família da efedrina e da adrenalina. O Dr. Nagai teria criado a efedrina na década de 1890 da Era Meiji a partir da planta chinesa maō (efedra), durante sua descoberta. Em 1935, surgiu a benzedrina na América; em 1938, a pervintina na Alemanha; e seu efeito estimulante foi redescoberto. A partir de 1941 (16º ano da Era Showa), estreou como "Hiropom". Após a guerra, tornou-se popular graças aos escritores, que sofriam com a inflação editorial, e aos artistas, que faziam filmagens noturnas. O Hiropom estimula e excita o cérebro, como o café; por outro lado, aumenta a pressão arterial, como a efedrina. Assim, elimina a sonolência e a sensação de melancolia, torna as ações mais ativas, faz as ideias fluírem e a pessoa se torna loquaz. Na época em que Miss Wakana era apreciadora, era como se estivesse consumindo de uma só vez toda a sua escassa energia; por isso, depois ficava extremamente cansada e precisava de um bom descanso. No entanto, é ideal para pessoas que sofrem de colapso mesmo com uma pequena cirurgia, para a excitação após o efeito da anestesia passar ou para quedas anormais da pressão arterial em doenças infecciosas agudas. Os produtos comerciais do mesmo tipo incluem Zedrin, Hospin, etc. O Adorm é um hipnótico que surgiu em substituição aos antigos Calmotin, Veronal e Adan. Quimicamente, tem uma estrutura complicada de um-dois-tiquexenail-etil-barbitúrico-cálcio, que parece fazer a língua tropeçar. É mais eficaz que o Calmotin. É senso comum que, se estimulantes e hipnóticos forem usados em excesso, a dose aumenta e ocorre o vício. No entanto, ao contrário dos narcóticos, uma pessoa comum pode se recuperar com um pouco de autocontrole. O Departamento de Neurologia da Universidade de Tóquio afirma que o caso de chegar ao ponto de "Matsuzawa Yuki" (internação no hospital psiquiátrico de Matsuzawa) com Hiropom e Adorm é provavelmente uma questão de predisposição. O artigo acima corrobora minha teoria. O fato de pessoas famosas de várias áreas estarem morrendo uma após a outra ultimamente, tendo como causa máxima esse vício em medicamentos, é um fato incontestável. Como também diz o artigo, o efeito de um medicamento, se é bom de um lado, é ruim do outro; e isso acaba se tornando um vício, tornando impossível largar o medicamento. No entanto, se fosse só isso, ainda iria; mas, como há um efeito potente, contém muitas toxinas medicamentosas. Por causa dessas toxinas, o cérebro se deteriora, ocorre uma fraqueza anormal, ou o coração sofre danos, levando finalmente à morte. Ah, como desejo que o público em geral reconheça o quão temíveis são as toxinas medicamentosas! 7. Registro de Diálogos Hikari nº 7, publicado em 30 de abril do ano 24 da Era Showa (1949) Interlocutor: Ouvi dizer que, devido ao rápido desenvolvimento da vossa igreja, o mundo está muito alvoroçado, e que as autoridades também estão investigando bastante. O senhor não se preocupa com isso? Meishu-Sama: Como disseste, sei muito bem que há uma mistura de pessoas que, por causa do desenvolvimento da nossa Igreja, sentem medo, outras que olham com inveja e outras que agem por interesse próprio, todas utilizando vários tipos de meios injustos para tentar influenciar as autoridades. Isso é algo que acompanha inevitavelmente toda nova religião. É evidente ao observarmos os exemplos de grandes santos como Cristo e Maomé, e também no Japão, os casos de Honen, Shinran e Nichiren. Apenas Shakyamuni não passou por isso, devido à sua posição de príncipe herdeiro. No entanto, considero que hoje, com o avanço da cultura, é uma época de gratidão por não haver uma perseguição tão severa e violenta. O fato de a nossa Igreja ser tão intensamente o centro das questões deve ser interpretado como a prova concreta de que ela é uma grande religião. Interlocutor: Recentemente, em uma reunião de uma certa associação, a vossa religião foi tema de discussão. Concluiu-se que o rápido desenvolvimento dela se deve às notáveis graças recebidas nessa vida, e decidiu-se investigar por que essas graças são tão evidentes. O que o senhor acha disso? Meishu-Sama: Isso pode ser bom, mas também pode não ser, pois existe o perigo de, como resultado dessa investigação, a pessoa acabar abandonando a própria religião. A respeito disso, desejo sinceramente que as pessoas que tenham qualquer dúvida, por menor que seja, em relação à nossa Igreja, investiguem-na a fundo. Pois, através disso, poderão reconhecer a correção da nossa Igreja e quão essencial ela é para a reconstrução do Japão. Interlocutor: Compreendi muito bem. E, dizendo isso, retirou-se. A Teoria do Controle de Natalidade que Arruína a Nação Hikari nº 16, publicado em 2 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Já publiquei dois artigos sobre o controle de natalidade nas colunas anteriores, e agora apresentarei minha terceira opinião. O motivo é que desejo expor quão terríveis resultados o controle de natalidade acarreta. A razão é a seguinte. A maioria dos defensores do controle de natalidade afirma que dois ou três filhos são o número adequado. No entanto, isso é algo terrível. É claro que, com dois filhos, o número se iguala ao do casal; com três, há aumento de apenas uma pessoa. Ou seja, uma taxa de aumento de cinquenta por cento. Assim, com dois filhos o crescimento é zero; com três, de cinquenta por cento; e a média fica num aumento de vinte a trinta por cento. Se as crianças nunca morressem, isso até poderia ser aceitável; mas, considerando a saúde das crianças japonesas atuais, devemos reconhecer que cerca de vinte a trinta por cento delas morrem, quase se pode afirmar que é inevitável. Em especial, a taxa de mortalidade infantil do Japão é considerada a maior do mundo, e, comparada à dos Estados Unidos, chega a ser trinta vezes maior, realidade verdadeiramente alarmante. Não é só isso. Também surgirão famílias sem filhos; se o padrão for de dois a três filhos, o saldo será naturalmente negativo, e é mais claro que a luz do Sol que a era da diminuição populacional chegará mais cedo do que se imagina. Outro ponto que não pode ser menosprezado é a solução eugênica, frequentemente defendida pelos teóricos do controle de natalidade. Mas o que se pensa disso? É o oposto da realidade. Por quê? No caso de um ou dois filhos, os pais tendem a criá-los com muito cuidado, e o resultado é que, por serem mimados, tornam-se pessoas fracas e sem determinação, como "mocinhos" e "mocinhas". Em contrapartida, quando há muitos irmãos, o amor dos pais dificilmente alcança a todos, e as crianças aprendem a lidar com as coisas por conta própria, formando pessoas com forte independência e autossuficiência. Isso não é mera lógica; os fatos o comprovam. Tenho aqui, em meu arquivo, um exemplo: uma estatística alemã que obtive antes do fim da guerra. Segundo ela, Beethoven e Bismarck vinham de famílias de seis irmãos; Mozart era o sétimo filho; Wagner, o nono; Schubert, o décimo; e o famoso Robert Koch era um entre treze irmãos. Observando esses exemplos, a regra de ferro de que gênios e grandes homens surgem de famílias numerosas é reconhecida também no exterior. Além disso, no caso de dois ou três filhos, é perfeitamente possível que todos venham a falecer, e lares infelizes e solitários surgirão por toda parte. Se, como exposto acima, a população diminuir e pessoas excelentes não surgirem, o que será do futuro do Japão? É algo realmente de causar profunda apreensão. Portanto, se for para impor o controle de natalidade, o mais adequado seria estabelecer o limite de cinco filhos e permitir o controle apenas àqueles que já tenham mais de cinco, restringindo a partir daí. A razão pela qual a questão do controle de natalidade se tornou tão ruidosa, de forma tão repentina, hoje é, obviamente, o rápido aumento populacional. Ou seja, o aumento foi de 1,6 milhão em 1947 e de 1,7 milhão em 1948 — não é de admirar que tenham se alarmado. No entanto, em minha opinião, isso é temporário e não continuará por muito tempo. Isso porque, após o fim da guerra, muitos soldados repatriados do exterior, privados por longo tempo da vida conjugal, apresentaram alta taxa de fertilidade. É fato comprovado que, quando a vida conjugal ocorre após um intervalo, a taxa de fertilidade é elevada. É notório que marinheiros e militares navais, por exemplo, têm muitos filhos. Como mencionado anteriormente, assustam-se com o aumento populacional de 1,6 a 1,7 milhão; mas, alguns anos antes da guerra, houve anos com aumento de 1,2 a 1,3 milhão — comparado a isso, o aumento atual é apenas vinte a trinta por cento maior. No entanto, se isso for um aumento temporário, em poucos anos a situação retornará ao estado anterior à guerra, e essa é uma visão que não está de forma alguma equivocada. Pelo contrário, não creio que seja apenas uma retomada. Prevejo que, mesmo que as coisas continuem como estão, possa chegar uma era de estagnação ou mesmo de declínio populacional. Por quê? Porque por volta de 1937 e 1938, a tendência era de que o número caísse para menos de um milhão. O pior é que, uma vez que a dinâmica populacional entra em uma fase de declínio, não é fácil reverter a situação. Apresentarei um exemplo adequado para isso. A Inglaterra, que há décadas vem apresentando uma desaceleração no crescimento populacional, mesmo sendo chamada de Império Britânico, não consegue se sustentar com seus quarenta e poucos milhões de habitantes. O próprio Churchill, entre outros, clamou veementemente sobre a questão populacional, mas a Inglaterra ainda não conseguiu ultrapassar a marca dos cinquenta milhões. Além disso, o declínio populacional da França é famoso mundialmente, e a verdadeira razão pela qual a Inglaterra cedeu a posição de potência mundial a outros é, como dizem os especialistas em uníssono, a queda populacional. Diz-se que o fato de a Inglaterra ter abandonado a Índia, considerada seu único tesouro, deveu-se também à falta de soldados suficientes para administrá-la. Ao refletirmos sobre o nosso Japão, com a abolição do armamento, não se pode sequer imaginar uma expansão territorial por meio de guerras futuras. No entanto, mesmo que se tente contribuir para a paz mundial econômica e culturalmente, será impossível a menos que se mantenha um certo número de habitantes. Pensem bem: se a população diminuir, a força nacional se exaurirá, o ânimo do povo se desvanecerá, e quem poderá dizer que não cairá em um destino sombrio e lúgubre? Diante dos fatos expostos, fica claro quão equivocada é a política de controle de natalidade que se tenta implementar atualmente, e quão perigosa ela é, levando a nação ao fundo da desgraça. Ausência de Fé e Presença de Fé Hikari nº 2, publicado em 20 de março do ano 24 da Era Showa (1949) Ao escrever este artigo, gostaria de esclarecer que a "presença de fé" aqui mencionada se refere, evidentemente, à nossa Igreja, e não a outras religiões ou religiões estabelecidas. Deixando de lado os tempos antigos, ao observar atentamente os seres humanos que vivem neste mundo profano atual, penso que a palavra de Cristo, "pobres ovelhas", se encaixa perfeitamente. Primeiramente, pensemos nisto: quantas pessoas existem que realmente passam seus dias sem qualquer ansiedade e com tranquilidade? A primeira coisa que vem à mente entre essas ansiedades é, sem dúvida, a doença humana. Não importa quem seja, ninguém sabe quando será acometido por uma doença. Pode-se pegar um resfriado daqui a uma hora. Se pegar um resfriado, pode-se desenvolver pneumonia. Ou pode ser o estágio inicial da tuberculose. Talvez nesta noite mesmo a apendicite se manifeste, e a pessoa sofra dores excruciantes, rolando de um lado para o outro. Amanhã, pode-se contrair febre tifoide ou uma doença de causa desconhecida. Quem tem filhos pode vê-los contrair doenças graves e fatais, como disenteria epidêmica, difteria, meningite, e partir para o outro mundo em dois ou três dias. Quanto aos idosos, também podem, a qualquer momento, sofrer uma congestão cerebral que leve a um derrame, caindo em um destino miserável: ficar anos sem sair do leito, com metade do corpo paralisado. Quem sabe se alguém da família não contrairá uma doença contagiosa e será hospitalizado em isolamento? Não é só isso. Com o alto custo dos tratamentos médicos de hoje, não se sabe quanto custarão as despesas de tratamento e a taxa de internação. Se a cura for rápida, ainda bem; mas, se o tratamento se prolongar, as economias acumuladas com anos de trabalho duro podem se reduzir a zero. Mesmo que a doença se cure, pode-se ser demitido da empresa e ficar sem rumo. No entanto, mesmo assim, se a vida for poupada, ainda há meios de trabalhar novamente; mas, se por infortúnio a pessoa se tornar incapacitada ou morrer, o que acontecerá? Se for o chefe da família, como seus dependentes sobreviverão? Além disso, para a própria pessoa, seus planos e empreendimentos ficarão pela metade, e é realmente lamentável partir deste mundo quando ainda se está no auge da vida masculina. Quem poderia afirmar que não chegará uma situação em que se torne insuportável romper o vínculo de apego com a esposa e os filhos? Ao pensar em todas essas coisas, o medo da doença paira constantemente, pesado como chumbo, sobre todos, sem exceção. Se a vida é tão terrível como descrita e não há libertação dessa ansiedade, então, como pregou o Buda Shakyamuni, "este mundo profano é uma moradia incendiada, e o ser humano não pode escapar dos quatro sofrimentos de nascimento, doença, velhice e morte. Não há outro caminho senão resignar-se e suportar, e isso é a iluminação." Como exposto acima, se surgisse uma religião que libertasse absolutamente as pessoas dessa ansiedade da doença, não haveria evangelho maior do que este. No entanto, aqueles que ouvem isso pela primeira vez dirão: "Como pode existir uma coisa tão absurda neste mundo? Você não está bem da cabeça", e provavelmente pensarão que é quase um caso de anormalidade mental. Mas o que acontece? Uma religião como a mencionada surgiu de fato. Caros leitores, em vez de duvidar, talvez cheguem a negar. No entanto, se descobrirem que isso é verdade, o que farão? Não será uma comoção qualquer; não poderão deixar de causar uma grande sensação mundial. Entre eles, os mais afortunados provavelmente decidirão estudar o assunto, ao menos uma vez. Por outro lado, pode haver quem ria com desdém, dizendo que tal história não passa de superstição. Essas pessoas são, na verdade, companheiras daquelas que saltam na Cascata de Kegon ou no Monte Mihara, e deve-se dizer que são verdadeiramente infelizes. Ao dizer isso, talvez me acusem de ser pretensioso demais, mas deixem-me expor brevemente aqui a fé na nossa Igreja e a doença. Para as pessoas que, através da nossa Igreja, apreenderam a realidade da fé, a preocupação com a doença torna-se inexistente. Pelo contrário, uma vez que a raiz da doença se torna clara, em vez de temê-la, chega-se a alegrar-se com ela. Isso porque a doença é uma função fisiológica natural de promoção da saúde e uma grande bênção de Deus. Naturalmente, isso também se deve ao fato de que, assim que qualquer doença surge, ela é curada de forma extremamente simples pela energia radiante dos espíritos das divindades. Acima, falei apenas sobre a doença, mas existem muitas outras causas de infortúnio além dela. Na vida moderna, por exemplo, nossa relação com os meios de transporte é indissociável; para algumas pessoas, eles chegam a ocupar a maior parte da existência. Todos sabem que, por isso, a ansiedade e os desastres relacionados não podem ser subestimados. Há ainda os acidentes com máquinas em fábricas, os incêndios, os prejuízos causados por ladrões e, embora raros, os terremotos e as inundações — todos dignos de nota. Ao considerar a vida moderna, em que doenças e tantos outros desastres podem nos atingir a qualquer momento, é realmente impossível sentir-se seguro, nem que seja por um instante. Diante disso, o governo e a iniciativa privada adotam várias medidas de proteção, como seguro-saúde, seguro contra desastres, seguro-desemprego, sistemas de poupança e diversos projetos de assistência. No entanto, essas medidas tangíveis não podem oferecer segurança além de certo limite. Para obter segurança absoluta, é imprescindível um seguro intangível, a saber, o seguro de Deus. Mas as pessoas modernas dificilmente aceitam a ideia de forças intangíveis ou do seguro de Deus. Ainda assim, veem-se no dilema de não poder obter verdadeira segurança apenas com métodos tangíveis e seguem passando os dias na ansiedade. Essa é a realidade: não passam de pobres ovelhas. Portanto, aos nossos olhos de crentes, a maneira como os não-crentes vivem, tremendo de medo numa vida semelhante a plantas aquáticas, sem fundamento algum, é algo realmente insuportável de se ver. É como se disséssemos a alguém que navega num pequeno barco no oceano: "Embarque no grande navio a vapor" — mas ele, olhando apenas para o próprio barco, não soubesse da existência do grande casco. Nós, que não podemos ignorar essa situação, recomendamos a fé; no entanto, vemos que eles não conseguem sair das trevas da negação. É compreensível que não seja fácil acreditar num poder de salvação tão maravilhoso, algo jamais visto na história da humanidade. No entanto, ao considerar o próprio fato de este grande evangelho ter surgido, deve-se saber que não há a menor dúvida: a aproximação do Paraíso Terrestre — um mundo sem doença, pobreza e conflito — está iminente. Diálogo com um Certo Doutor em Medicina Hikari nº 47, publicado em 28 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Recentemente, tive um diálogo com um conhecido doutor em medicina que exerce a profissão em Tóquio. Gostaria de registrá-lo aqui. Médico: "Outro dia, durante uma reunião na associação médica, o assunto, por acaso, recaiu sobre a vossa Igreja. Na ocasião, todos, unanimemente, levantaram a questão de que a vossa Igreja se opõe à medicina. A discussão foi bastante acalorada e o clima geral não era bom. Por isso, penso que seria melhor que a vossa Igreja tomasse cuidado para não difamar a medicina daqui em diante." Eu: "Seu conselho é muito pertinente. Eu também gostaria de agir conforme a sua sugestão, e compreendo bem que seria uma maneira sábia de agir, sem preocupações. No entanto, não posso fazer isso. Pois, se eu apenas me dedicasse a desenvolver esta religião, me acomodasse na posição de líder venerado e fosse tratado como um deus vivo, o mundo estaria em paz e não haveria nada melhor. Mas o meu propósito é muito diferente. Não, é que a Vontade de Deus é assim, portanto, eu também não posso fazer nada." O propósito de Deus é salvar a humanidade, que geme no fundo do sofrimento, e estabelecer o Paraíso Terrestre. Como etapa para isso, é necessário eliminar a causa do sofrimento humano. Isso porque o modo de ser da humanidade atual está excessivamente errado. Chegou o momento de corrigir isso, de fazer com que cada ser humano retorne ao Caminho do Estado Original e construa o Paraíso Terrestre. A base para isso é criar seres humanos saudáveis, livres de doenças. Para tanto, é imprescindível despertá-los da medicina, que caiu no erro. Portanto, não tenho inimizade contra os médicos, tampouco tenho a menor intenção de falar mal da medicina. Pelo contrário, compreendo bem que isso me é desvantajoso. No entanto, como exposto acima, é inevitável. Médico: "De fato, ouvindo o senhor, não deixa de ser razoável. Sinto muito pelo senhor, e eu mesmo não tenho nada a dizer." Assim disse, e em seguida a conversa passou a assuntos mundanos. A Nossa Igreja é Xintoísmo ou Budismo? Hikari nº 11, publicado em 31 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Como sou frequentemente questionado sobre a dúvida mencionada no título, explicarei aqui. Em primeiro lugar, a verdadeira entidade de Kanzeon-Bosatsu não pode ser revelada em profundidade, pois ainda é prematuro fazê-lo; não há dúvida, porém, de que se trata de uma divindade de primeira linha. Aqui, explicarei a respeito dos deuses e Budas. Houve uma época, há milhares de anos, em que o mundo se transformou, e todos os deuses se manifestaram como Budas. Por exemplo, Tsukuyomi-no-Mikoto tornou-se Amida Nyorai; Amaterasu Ōmikami, Dainichi Nyorai; Wakahimegimi-no-Mikoto, Shaka Nyorai; e Izunome-no-Kami, Kanzeon-Bosatsu. Esse período foi o Mundo da Noite, a chamada era de Shinnyo. No budismo, costuma-se dizer "Shinnyo Jisso"; mas Shinnyo é a lua de Shinnyo, ou seja, o Mundo da Noite, e Jisso é o Mundo do Dia. Até agora, colocava-se Shinnyo acima e Jisso abaixo. Shinnyo, como o próprio nome indica, significa "como a verdade", não sendo a verdade em si. Foi por essa razão que Shakyamuni disse que este mundo é um "shaba" (mundo ilusório) temporário. Foi também nesse sentido que se disse que chegaria a era da Extinção do Budismo. Portanto, quando o mundo espiritual se transformar desta vez, tornar-se-á o Mundo do Dia, ou seja, o mundo de Jisso. Relacionado a esse ponto, faz-se necessário explicar o significado do Sutra de Lótus. O Sutra de Lótus, como se lê, compara o Dharma Budista a uma flor, significando que, uma vez que a flor desabroche, o fruto será colhido. É o capítulo "Kannon Fumon", o vigésimo quinto dos vinte e oito capítulos do Sutra de Lótus. A razão do surgimento da nossa Igreja também reside aqui. Ao ver que o fruto nascido após a dispersão das flores do Budismo é a nossa Organização Kannon, pode-se vislumbrar o significado oculto do surgimento da nossa Igreja. Ela nasceu porque estava destinada a nascer como fruto. Somente por isso, pode-se perceber que a nossa Igreja não é, de forma alguma, uma religião criada artificialmente; antes, com o amadurecimento do tempo celestial, ergueu seu choro de nascimento para a salvação do sofrimento da humanidade neste período de transição do mundo. Só isso já permite prever que, se o budismo existente reconhecesse a verdadeira natureza da nossa Igreja, ele se levantaria para auxiliá-la. Naturalmente, nem mesmo Shakyamuni deixaria de se satisfazer no Paraíso da Terra Pura do mundo espiritual. Mas o assunto se desviou; retornarei ao tema principal. Como mencionado anteriormente, já que os deuses verdadeiros se manifestaram como Budas, desde os tempos antigos se diz "Shinbutsu Dōkon" e também "Butsushin Ichinyo". Atualmente, estamos exatamente numa era de transição e grande transformação, na qual as almas dos vários Budas estão sendo restauradas para a qualificação divina do futuro. É por essa razão que, em nossa Igreja, praticamos o tratamento tanto dos deuses quanto dos Budas. A Era do Terror dos Jornais Hikari nº 32, publicado em 22 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Dedicamo-nos dia e noite, com esforço e diligência, à sagrada obra de salvar a humanidade. Há inúmeros relatos cheios de gratidão vindos de todas as regiões, como o de fazer reviver aqueles que estavam diante da morte, conceder luz aos desesperados e transformar aqueles que estavam afundados na infelicidade em um estado de alegria. O fato de isso estar contribuindo consideravelmente para tornar mais claro este cenário mundano infernal é bem demonstrado pelo desenvolvimento da nossa Igreja. Portanto, não passa um dia sem que os jornais de todo o país publiquem artigos sobre a nossa Igreja. Relatos sobre isso também chegam de todas as regiões, mas nenhum deles corresponde à verdade; são todos boatos infundados. Ademais, segundo os relatos dos fiéis locais, a origem dos artigos, em muitos casos, está nas maquinações daqueles que se sentem afetados pelo desenvolvimento da nossa Igreja ou que agem por interesse próprio, e isso também se reflete claramente nos artigos. Como se diz desde os tempos antigos, "para Shakyamuni, Devadatta". Sem dúvida, trata-se da ação desse Devadatta. Se ocorresse na época do Buda Shakyamuni, há dois mil e seiscentos anos, ainda se compreenderia; mas é um anacronismo excessivo que Devadatta ainda esteja ativo na era cultural do século XX. Naturalmente, agem assim por causa da visão materialista, que não acredita em coisas invisíveis. Isso decorre, sem dúvida, da concepção de que se pode fazer qualquer coisa, desde que não se violem as leis criadas pelos homens, e de que as leis criadas por Deus, por não serem visíveis aos olhos, não poderiam existir. Se assim é, somos forçados a sentir profundamente a necessidade de também salvá-los. Nessas condições, os aproximadamente duzentos mil fiéis da nossa Igreja espalhados por todo o país temem os jornais mais do que qualquer outra coisa. Isso se deve, naturalmente, ao fato de que artigos irresponsáveis fazem com que a nossa Igreja seja considerada uma religião maligna e supersticiosa, e com que tocá-la seja visto como perigoso; numa área local de pequena extensão, o impacto é extremamente prejudicial. Consequentemente, não são poucos os casos em que aqueles que deveriam ser salvos não o são e terminam na infelicidade. Vendo isso, percebe-se que o pecado e a maldade deles são imperdoáveis. Após o fim da guerra, graças à instauração de um governo democrático, vivemos em uma sociedade livre e iluminada, e estamos cheios de gratidão ao General MacArthur. No entanto, o que constantemente ameaça e escurece esse sentimento são os jornais. Por isso, intitulei este texto "A Era do Terror dos Jornais", e o exposto acima deve permitir a compreensão disso. Eliminar a Tragédia Hikari nº 12, publicado em 11 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Neste mundo, o que os seres humanos mais detestam são as tragédias. Embora seja impossível eliminá-las por completo, reduzi-las até certo ponto não é tarefa difícil. Para isso, examinemos primeiro a verdadeira natureza do que chamamos de tragédia. É fato incontestável que a maioria de suas causas provém das doenças. É verdade que, além das doenças, há também problemas amorosos, atos ilícitos nascidos da cobiça material etc.; mas, quando examinamos bem esses casos, percebemos que eles também se originam de doenças mentais. Diz-se que uma mente sã habita um corpo são, e isso é verdade absoluta. Pelo que pude constatar em muitos anos de pesquisa, descubro que, nos casos de amor, imoralidade, desonestidade, irritabilidade, alcoolismo, preguiça e delinquência juvenil, há, quase sem exceção, sempre um defeito patológico no corpo físico. No entanto, até hoje não se encontra um método seguro — nem na medicina moderna nem em qualquer outra via — que cure completamente as doenças e torne o corpo e o espírito saudáveis. Mesmo quando se conseguia descobrir a causa, não havia um método para resolvê-la verdadeiramente. Até hoje, surgiram muitos que se vangloriaram de haver completado a descoberta das causas das doenças e o estabelecimento de métodos de tratamento; mas, na verdade, isso apenas produzia efeitos temporários que, cedo ou tarde, desapareciam — casos assim foram numerosos demais. É realmente uma sensação de "o sol se põe e o caminho se torna longo". Entre os relatos de graças desta publicação, há inúmeros exemplos de doenças difíceis e graves que foram resolvidas, e a alegria e a gratidão transbordantes são tais que não se pode ler sem lágrimas. A resolução de doenças e infortúnios como os acima se dá pela manifestação do chamado poder invisível — e quão grande é o poder dos espíritos das divindades, somente quem o experimentou pode conhecer. Os homens modernos só se convencem daquilo que é concreto e comprovado empiricamente. Por mais engenhosas que sejam as teorias apresentadas e por mais que se recomende o Caminho da fé, enquanto não virem um efeito real, tudo isso não passará, no fim, de uma reza vazia — e salvar amplamente a humanidade e promover o bem-estar da sociedade será apenas um sonho. O poder invisível que move as coisas visíveis — esse poder é a essência da verdadeira fé. É isso que a nossa Igreja realiza atualmente e, nesse sentido, penso que não seria descabido chamá-la de "religião do poder". As religiões estabelecidas, como a maioria de seus próprios nomes indica, têm o ensinamento como fundamento e tentam despertar a alma interior agindo de fora para dentro. No entanto, o método do Johrei praticado pela nossa Igreja irradia diretamente a Luz Espiritual para a alma interior, despertando-a de uma só vez. É o que se chama "transformar sem agir", e coisas como o sermão são consideradas secundárias. O Buda Shakyamuni disse que "a mente em si é o Buda" e que "quem desperta é um Bodhisattva", e isso é realmente verdade. Os convertidos à nossa Igreja, em período extremamente curto, alcançam a iluminação quase perfeita, atingem a iluminação correta e não apenas deixam de se preocupar com as próprias tragédias, como também se tornam pessoas qualificadas para eliminar ativamente as tragédias alheias. Religião é Milagre Hikari nº 12, publicado em 11 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) A relação inseparável entre religião e milagre é evidente desde os tempos antigos, como atestam inúmeros documentos históricos. Se existisse uma religião sem milagres, ela não poderia ser chamada de religião. Isso porque os milagres são obra de Deus, e o poder humano é incapaz de produzir um único milagre. Portanto, uma religião sem milagres não possui valor de existência como religião. Pode-se dizer que, por mais religiosa que seja sua forma exterior, ela já perdeu seu valor religioso. Nesse sentido, é natural que, quanto maior a religião, mais milagres se manifestem. Milagre, em outras palavras, é o surgimento de benefícios inesperados. Por meio deles, a fé sincera brota no coração, a pessoa se converte e é salva da infelicidade. Se isso não é a verdadeira religião, o que mais poderia ser? Nem é preciso dizer que um único fato vale mais do que cem teorias. A situação atual do mundo, embora seja resultado da derrota na guerra, é alarmante: causam profunda preocupação não apenas o aumento vertiginoso dos males sociais, mas sobretudo o fato de a camada jovem, que deverá carregar o futuro do Japão, estar sendo corrompida por ideias insalubres e vivendo em meio à confusão. Se investigarmos a causa, veremos que é o resultado de uma educação que tomou o pensamento materialista como dogma absoluto. Enquanto não despertarmos para esse erro, este problema jamais poderá ser resolvido. Então, como romper com o pensamento materialista? Naturalmente, é necessário despertar para o sentimento religioso e, para isso, como fundamento, sempre defendemos que se deve fazer reconhecer o Deus invisível. Assim, o único método são os milagres. Os milagres, naturalmente, tornam possível o que era considerado impossível para o ser humano. Se pudermos ver diante dos olhos fatos que a teoria é absolutamente incapaz de explicar, é natural que qualquer dúvida se dissipe como fumaça e desapareça como um sonho num instante. Portanto, como diz o título, pode-se afirmar que "religião é milagre e milagre é religião". Por conseguinte, enquanto não se fizer reconhecer a existência de Deus pelos milagres e não se cultivar o pensamento espiritualista, não se poderão obter os resultados esperados nem na construção de um Japão pacífico nem na expulsão dos males sociais. Na história da humanidade, é duvidoso que se tenha visto ou ouvido falar de uma religião com tantos milagres quanto a nossa Igreja. Nesse sentido, ao atingir este grande período de transição mundial, o objetivo da nossa Igreja é despertar as almas adormecidas, soprando o vento dos milagres sobre um mundo que perdeu a alma espiritualista. O Deus onipotente, por meio das manifestações de Kanzeon-Bosatsu, também chamado de Komyo-Nyorai, faz uso de Sua energia vital livre e desimpedida, manifesta cada vez mais milagres e, tendo a nossa Igreja como Seu instrumento, está realizando a grande obra de salvação do mundo. A Insensatez do Controle de Natalidade Hikari nº 23, publicado em 20 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Já abordei três vezes a questão do controle de natalidade nesta coluna, mas ainda há pontos insuficientemente esclarecidos; por isso, volto a escrever sobre eles. Atualmente, o Japão defende o incentivo ao controle de natalidade, argumentando que a produção de alimentos é insuficiente para a população. Contudo, ao refletirmos com cuidado, trata-se de uma visão verdadeiramente míope. Suponhamos que uma criança nasça agora. Para se tornar um adulto pleno, serão necessários vinte anos. Considerando que a sociedade e o mundo apresentam um cenário tão vertiginoso quanto o atual, é impossível prever como será o mundo daqui a vinte anos. Mais ainda, não se sabe se, mesmo dentro de cinco anos, não ocorrerão mudanças tão grandes que sequer poderíamos imaginar em nossos sonhos. Portanto, ainda que se estabeleça agora uma diretriz de redução populacional por meio do controle de natalidade, talvez daqui a alguns anos não haja mais necessidade de se preocupar com o aumento populacional. No entanto, não se pode sequer cogitar o erro de expandir territórios por meio de invasões, como se fazia antigamente. Sendo assim, quem pode afirmar que não chegará o tempo de resolver o problema populacional de forma pacífica e prática? Por exemplo, caso se concretizasse uma nação mundial como a que alguns intelectuais americanos defendem hoje, talvez se tornasse viável uma política de equilíbrio populacional, enviando imigrantes de países densamente povoados para regiões de baixa densidade demográfica. Mais ainda, há plena possibilidade de que essa política se realize. E por quê? Porque, entre as causas que rompem a paz, o desequilíbrio populacional é um fator preponderante. Se assim for, os defensores do controle de natalidade também devem levar esses pontos em grande consideração. Ademais, em minha opinião, a nação mundial pode se concretizar mais cedo do que se imagina. A razão é que, quando a questão entre Estados Unidos e União Soviética, que atualmente ameaça o mundo, for resolvida, seja pela guerra ou pela paz, o que virá a seguir será, naturalmente, a concretização de uma era de paz eterna, e então surgirá a nação mundial. Fé é Confiança Hikari nº 13, publicado em 18 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Em primeiro lugar, há inúmeros adeptos de religiões no mundo, mas os verdadeiros crentes são realmente raros. Escreverei, então, sobre o que é um verdadeiro crente. Por mais que alguém se considere um crente admirável, isso de nada vale se for apenas na aparência. Para que seja genuíno, é imprescindível que se demonstre na prática. Para se tornar um crente assim, primeiro é preciso saber o que fazer, e a lógica é simples: trata-se de ser digno da confiança das pessoas. Por exemplo, ser confiável a ponto de dizerem: "Se é o que aquela pessoa diz, não há erro", "Se eu me relacionar com aquela pessoa, nunca farei algo ruim", "Aquela pessoa é uma pessoa admirável". Então, o que fazer para obter essa confiança? Também não é difícil. Acima de tudo, não mentir e colocar os interesses dos outros à frente dos próprios. Em outras palavras, se for alguém de quem se diga: "Fui salvo graças àquela pessoa", "Não há perda em seguir aquela pessoa", "É uma pessoa realmente gentil", "Sempre me sinto bem ao encontrar aquela pessoa", é garantido que qualquer pessoa irá gostar e respeitar. Por quê? Basta pensar em si mesmo para entender de imediato. Se conhecermos uma pessoa assim, é natural que queiramos nos relacionar intimamente com ela, consultá-la sobre qualquer coisa com tranquilidade e, sem perceber, nos tornemos amigos que compartilham o coração. Há ainda uma coisa que quero dizer: por mais que se faça o bem, isso não pode ser algo temporário. É exatamente como o arroz: a princípio parece não ter muito sabor, mas quanto mais se mastiga, mais o sabor aparece. Costumo dizer sempre que, assim como o ser humano não pode passar um dia sequer sem o arroz, deve tornar-se uma pessoa como o arroz. No entanto, olhando para o mundo, há muitas pessoas que fazem o oposto. Elas, com indiferença, fazem coisas que deliberadamente prejudicam a própria confiança. Acima de tudo, contam mentiras que são descobertas na hora. Uma vez contada uma mentira, por melhor que seja tudo o mais, a confiança se perde por completo. É realmente o cúmulo da tolice. Há pessoas que, por mais que trabalhem com empenho, se esforcem e se dediquem, não prosperam. Se investigarmos a causa, veremos que é por terem mentido e perdido a confiança — e não há exceção. A confiança é realmente um patrimônio. Se houver confiança, nunca haverá dificuldades financeiras, pois qualquer pessoa emprestará dinheiro de bom grado. O que foi dito até aqui diz respeito às relações humanas; mas, dando um passo adiante, o mais importante é ser digno da confiança de Deus. Isso porque, se Deus confiar em nós, tudo correrá bem e poderemos viver uma vida imersa em alegria. Método para se Tornar Bela Hikari nº 25, publicado em 3 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Falando de modo geral, a beleza se divide em três tipos: artificial, natural e sensorial. A beleza artificial é a que se obtém com pó branco e batom. A beleza natural é a beleza da saúde, viva e vibrante, proveniente de boa circulação sanguínea. A beleza sensorial é a do coração belo, que desperta, por algum motivo, sentimento de respeito e afeição. As mulheres de hoje, ao aplicarem excessivamente pó de arroz, blush e batom na tentativa de parecer belas, agem assim porque se esqueceram da beleza que não é a artificial. Mesmo sem usar cosméticos tão absurdamente caros quanto os de hoje, existe um método para se tornar bela por inteiro. Este método é a beleza da saúde, é purificar o sangue. Esta é a verdadeira beleza. O seu método consiste em receber o Johrei da nossa Igreja e, ao mesmo tempo, jamais ingerir ou utilizar medicamentos. O fato de a pele das mulheres perder o viço, enrugar-se como a de uma idosa, ou ficar pálida e inchada como um hematoma se deve ao uso excessivo de medicamentos. As mulheres de hoje, para esconder isso, usam cosméticos desmedidamente. É claro que, se o coração também não for belo, não se pode dizer que seja uma verdadeira beldade. Para isso, é necessária a fé. Como prova disso, quando alguém se torna seguidor da nossa Igreja, com o passar do tempo, torna-se tão belo que chega a ser irreconhecível. Dívida Hikari nº 15, publicado em 30 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Já examinei e expliquei bastante, sob todos os ângulos, o tema da doença — parte do lema da nossa Igreja de construir um mundo livre de doença, pobreza e conflito —, e pretendo continuar elucidando-o como a medicina da revelação divina. Passemos agora aos próximos temas: a pobreza e o conflito. Em primeiro lugar, a causa da pobreza é, sem dúvida, o colapso da saúde, o que é desnecessário dizer. No entanto, existem outras causas importantes, então escreverei sobre elas. A causa da pobreza não é apenas o fato de não se poder trabalhar devido à doença, mas também a necessidade de grandes despesas médicas. Se isso fosse por um curto período, ainda seria suportável, mas, quando se prolonga, a pessoa perde o emprego, e, além da angústia da doença, soma-se o sofrimento pela dificuldade de viver, sofrendo uma dupla punição. Cercada pelas nuvens escuras da ansiedade quanto ao futuro e sem saber o que fazer, essa pessoa vive uma angústia que pode verdadeiramente ser chamada de fundo do Inferno. O mundo está repleto de pessoas infelizes em tais circunstâncias, por todos os lados. Inúmeros exemplos de muitas dessas pessoas infelizes que, ao conhecerem a nossa Igreja, escaparam imediatamente do Inferno, encontraram luz no futuro e iniciaram uma vida de alegria podem ser vistos nos relatos de graças. Com isso, a maior parte da pobreza pode ser resolvida. No entanto, avançando mais, escreverei sobre mais um assunto importante e, para fazer conhecer o segredo da solução absoluta da pobreza, escreverei sobre minha própria experiência. Quando jovem, embora não tivesse fé, tinha um forte desejo de melhorar a sociedade e, pensando que não havia nada mais eficaz do que o negócio de jornais para isso, pesquisei e descobri que, na época, seriam necessários cerca de um milhão de ienes. Eu era filho de um homem pobre, estabeleci meu lar com o pouco dinheiro que recebi de meus pais e comecei um pequeno comércio de miudezas com uma frente de apenas nove shaku. Como o negócio foi muito bem, em pouco mais de um ano, abri um atacado e, em cerca de dez anos, passei a ser considerado um homem de sucesso no setor, acumulando um patrimônio de cerca de cento e cinquenta mil ienes na moeda da época (por volta do 8º ano da Era Taisho, 1919). Então, ansioso por obter rapidamente o capital para o negócio de jornais, expandi demais meus negócios e acabei fracassando, tornando-me, ao contrário, devedor. Como resultado, desisti do negócio de jornais, achando que não era mais possível, e, na crença de que "em tempos de dificuldade, recorre-se a Deus", voltei-me para a religião, percorrendo um caminho cheio de altos e baixos, sofrendo com grandes dívidas por cerca de vinte anos. No entanto, pensando agora, isso foram minhas práticas ascéticas. Os religiosos comuns do mundo, diz-se, entram nas montanhas, banham-se em cachoeiras e jejuam, mas eu pensei que isso era uma prática ascética e um sofrimento ainda maiores do que aquilo. Naturalmente, não foram uma ou duas vezes que me debati no fundo da pobreza. A filosofia da pobreza que aprendi então é o que escreverei a seguir. Em geral, a causa da pobreza, além da doença, são as dívidas. Cheguei à conclusão de que, se o ser humano não contrai dívidas, jamais se torna pobre. Isso porque, se contrai uma dívida, o prazo de pagamento certamente chegará, e o dinheiro a ser pago é determinado. No entanto, o dinheiro que entra, mesmo que o dia determinado chegue, geralmente atrasa, criando uma discrepância. Além disso, enquanto a dívida não for totalmente quitada, os juros incidem sem um único dia de descanso. Portanto, mesmo que pareça lucrativo no papel, ao deduzir os juros, surpreendentemente, não se lucra tanto. Além disso, as dívidas ameaçam constantemente o espírito, e, como não há paz de espírito, boas ideias não surgem, e a sabedoria se embota. Sendo assim, pode-se dizer que a maioria dos fracassados e das pessoas que caem na pobreza no mundo tem as dívidas como causa. Compreendendo esse significado, sempre digo às pessoas que, se alguém tem um capital de cem mil ienes, deve primeiro usar um terço, ou seja, trinta mil ienes, para fazer negócios. Essa forma de agir pode parecer pequena no início, mas, na verdade, com o tempo, torna-se surpreendentemente grande. Isso porque, com trinta mil ienes, mesmo que haja um pequeno fracasso, como se adquire conhecimento com a experiência do fracasso, pode-se começar novamente com outros trinta mil ienes, usando um método diferente, e assim geralmente se chega ao caminho do sucesso. Se, mesmo assim, fracassar, usando os últimos trinta mil ienes, certamente terá sucesso desta vez. No entanto, a maioria das pessoas no mundo, quando possui um capital de cem mil ienes, ou começa usando todo o capital, ou, em alguns casos, ainda acrescenta cinquenta mil ienes de empréstimo para começar com cento e cinquenta mil ienes, o que é verdadeiramente arriscado. Portanto, se fracassarem, é natural que sofram um golpe fatal do qual não podem mais se levantar. Por outro lado, com o método que defendo, como há margem no capital, pode-se imediatamente aproveitar algo muito barato ou uma oportunidade segura de ganhar dinheiro, obtendo lucros inesperadamente grandes. Em contrapartida, quando o capital é usado ao máximo, pode-se atrasar pagamentos ou ter que prorrogar prazos, o que diminui a credibilidade. No entanto, quando há margem, os pagamentos são sempre pontuais, aumentando a confiança, e assim há vários tipos de vantagens. Sobre isso, escreverei um grande exemplo. A maior causa de o Japão ter se tornado um país derrotado como hoje é a política de endividamento. Parece que poucas pessoas percebem isso, mas é algo que deve despertar grande interesse. Até antes da última grande guerra, o comércio exterior do Japão apresentava déficit anual, e as dívidas aumentavam a cada ano, até que se passou a contrair dívidas para pagar dívidas. Com essas dívidas, expandiu-se continuamente o armamento e o território, ampliando cada vez mais o alcance da agressão. Naturalmente, não eram apenas dívidas externas; as dívidas internas, ou seja, a política de títulos públicos, também foi extremamente expandida. As Ferrovias Nacionais, que hoje sofrem com o déficit, também eram um resquício disso. Se o Japão não tivesse adotado essa política de endividamento, talvez nem tivessem surgido ambiciosos da agressão. Não só isso, mas certamente o comércio exterior teria apresentado superávit anual, e o país teria se tornado rico. Como resultado, a cultura pacífica teria se desenvolvido enormemente, a moral do povo teria se elevado, e o país teria se tornado, naturalmente, uma nação feliz e invejada pelo mundo. Se fosse um país tão rico, a escassez de alimentos seria suprida com importações tranquilas, na medida necessária, e, ao mesmo tempo, transmitiria a cada país a sensação de segurança de que o povo japonês é pacífico. Consequentemente, os países possuidores de vastas terras certamente acolheriam de bom grado os imigrantes japoneses, e a necessidade de controle de natalidade seria algo impensável. Se mesmo uma nação, no final, resulta como descrito acima devido a uma política de endividamento, não há diferença alguma para um indivíduo. O método de solução da pobreza poderá ser compreendido através do exposto acima. Contrair Dívida é Certo ou Errado? Hikari nº 35, publicado em 12 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Por mais de vinte anos, provei toda sorte de sofrimento por causa das dívidas. Isso pode-se bem imaginar considerando que tive meus bens penhorados várias vezes e fali uma vez. A filosofia da dívida que agora pretendo expor é o que foi destilado dessas experiências. Analisemos agora a pessoa que pretende contrair uma dívida. Falando em dívida, existem a dívida ativa e a dívida passiva. A dívida ativa é aquela contraída ao iniciar um negócio, calculando-se que, com determinado montante emprestado, se obterá determinado lucro, ou seja, que, mesmo deduzindo os juros do lucro, ainda sobrará uma quantia considerável. Isso todo mundo conhece. Por outro lado, na dívida passiva, como as despesas são maiores que as receitas, o dinheiro é insuficiente. O comum é pedir emprestado por não haver outro jeito, mas, quando a situação se torna realmente crítica, não há margem para pensar no futuro. Apertado pela necessidade iminente de resolver o problema urgente diante dos olhos, a pessoa acaba não se importando se os juros são altos ou baixos, contentando-se em conseguir o empréstimo. São exemplos disso as notícias de agiotagem com juros exorbitantes que saem frequentemente nos jornais hoje em dia. Quando se chega a esse ponto, pode-se dizer que oito ou nove em cada dez casos estão à beira de cair de um precipício; é uma situação verdadeiramente desesperadora. O que fiz acima foi uma classificação grosseira das dívidas. Agora, pensemos no caso de não haver dívidas. Sem dívidas, primeiro se inicia um negócio com o capital que se possui atualmente. Portanto, é inevitável que seja em escala realmente pequena. Suponhamos, por exemplo, que se tenha um capital de cem mil ienes. Começa-se usando cerca da metade ou um terço disso, deixando o restante de reserva. Pela Lógica, isso é extremamente moroso. Além disso, esse dinheiro de cem mil ienes, naturalmente, não depende da ajuda de outros; deve ser algo acumulado e economizado com o próprio esforço. Por ser dinheiro verdadeiramente conquistado com o próprio suor, há um grande empenho. E assim, começa-se o menor possível. Como exemplo disso, quando iniciei a Terapia da Fé, em maio do nono ano da Era Showa (1934), aluguei uma casa de cinco cômodos por setenta e sete ienes em Hirakawa-cho, Kojimachi. Achei que era um pouco cara demais, mas, como as condições eram extremamente boas, resolvi alugá-la. Naquela época, ainda tinha dívidas antigas consideráveis, mas foi porque decidi colocar em prática a filosofia que aprendi através das dívidas. Isso porque obtive a inspiração fundamental da grande natureza; compreende-se bem observando o ser humano. Um bebê que nasce com o choro "guá guá" vai, com o passar dos anos, crescendo gradualmente, tornando-se adulto em força e sabedoria. O mesmo ocorre com as plantas. Assim que se semeia uma pequena semente, brota, formam-se os cotilédones, surgem as folhas verdadeiras, o caule cresce, os galhos se estendem e, por fim, torna-se uma árvore gigantesca que roça o céu. Essa é a verdade. Sendo assim, o ser humano também deve aprender com isso. Portanto, ao compreender que, se executarmos fielmente esse princípio, certamente alcançaremos grande êxito, decidi começar tudo o menor possível. No entanto, a maioria das pessoas tenta começar de forma grande e espetacular desde o início. Observando bem essas pessoas, quase todas fracassam. Veem-se exemplos disso em abundância. A maioria dos negócios no mundo é assim: começam em grande escala, fracassam, passam por reestruturação e redução, recomeçam pequenos por necessidade, e então obtêm sucesso. É um exemplo que se vê com frequência. Contudo, o mundo não funciona estritamente de acordo com a Lógica ou com o cálculo. Há várias razões para isso não acontecer, mas o ponto mais importante é a influência espiritual. Ou seja, como os prazos de pagamento vencem rigorosamente, a preocupação está sempre presente na mente. É claro que a realidade nunca segue o orçamento. Essa angústia ocupa o cérebro o tempo todo, impedindo que boas ideias surjam — este é o ponto mais desvantajoso. Além disso, como o bolso está sempre vazio, não há ânimo; mesmo que se enfeite a aparência, o conteúdo é extremamente pobre, tanto material quanto espiritualmente, tornando tudo passivo e sem iniciativa para crescer. Por isso, a pessoa está sempre descontente. Um comerciante, por exemplo, perde a oportunidade de lucrar porque não pode comprar imediatamente uma mercadoria barata que aparece. Ademais, como o pagamento geralmente se atrasa, o crédito diminui. Os juros também não são nada desprezíveis; quando o prazo se alonga, os juros se acumulam sobre juros. Quando isso acontece, surge a impaciência, e a pessoa força a situação. Quando a impaciência e a força aparecem em qualquer coisa, é o fim. Sempre alerto contra essa impaciência e essa força, mas a maioria das pessoas, surpreendentemente, não percebe isso. Impaciência e força, ainda que tenham sucesso temporário, nunca duram muito. Como exemplo, citarei dois ou três casos: o famoso Nobunaga e Hideyoshi também fracassaram devido à impaciência e à força. Por outro lado, o xogunato Tokugawa se manteve por trezentos anos porque a política de Ieyasu, desde o início da conquista do país, não se baseou em impaciência nem em força. Ele adotou a famosa tática de "perder para vencer"; quando achava que era um pouco forçado, recuava uma vez e esperava o momento, aguardando que as circunstâncias se tornassem naturalmente favoráveis a ele. Assim, fez com que o país viesse a ele naturalmente; isso foi bom. Seu ensinamento — "A vida do homem é como carregar um fardo pesado e caminhar por uma longa estrada; não se deve ter pressa" — expressa bem seu caráter. A derrota do Japão na guerra atual também tem várias causas, mas não há dúvida de que essa impaciência e essa força foram um grande mal. Isso porque o ponto de partida inicial estava errado. A causa provavelmente foi não ter percebido isso e ter tentado prosseguir com a impaciência e a força. O pior de tudo é contrair dívidas para pagar dívidas, por desespero. Foi o que aconteceu no final da guerra; a emissão desenfreada de papel-moeda também se deveu a isso, e a inflação encontrou nisso uma grande causa. O gabinete trabalhista da Inglaterra, logo após sua formação, tomou um empréstimo de 3,7 bilhões de dólares dos Estados Unidos. Pensei que seria bom se isso não se tornasse uma causa de dificuldades econômicas no futuro, mas, como era de se esperar, depois disso, tornou-se impossível continuar sem acumular dívidas sobre dívidas. A recente desvalorização da libra é uma manifestação disso. Na época áurea do Império Britânico, a renda anual das colônias e outras possessões era de trezentos milhões de libras, então a sensação de contraste entre o passado e o presente é realmente profunda. Até então, as finanças sólidas da Inglaterra eram motivo de orgulho para aquele país, mas pode-se dizer que o fato de ter chegado ao estado atual devido a duas guerras foi um destino inevitável. Considerando o exposto, escrevi que a dívida deve ser rejeitada e que a verdade é começar tudo pequeno. Gostaria que isso fosse tomado como lema de vida. A dívida, contudo, só é inevitável como exceção nos casos em que houver certeza de que o pagamento é possível em curto prazo. Esta é a filosofia da dívida que defendo. Aguardar o Momento Hikari nº 14, publicado em 25 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Ao observarmos atentamente as diversas áreas da sociedade, vemos que são realmente numerosos os que fracassam. Se o resultado desse fracasso trouxesse sofrimento apenas à própria pessoa, bastaria resignar-se dizendo que o método foi ruim ou que faltou sorte; mas, na verdade, não é só isso. O que acontece é que o fracasso de uma única pessoa pode lançar sua família à rua e causar transtornos até mesmo a parentes e conhecidos, constituindo, assim, uma espécie de mal social. É claro que, no início, a intenção não era má; mas, vendo o resultado, não é um problema que se possa tratar com leviandade. Sendo assim, é preciso examinar a fundo a causa desses fracassos. E, ao fazê-lo, descobrimos que a causa está justamente onde a maioria das pessoas não costuma reparar. Isso porque, ao começar algo, a pessoa costuma planejar tudo cuidadosamente e se preparar sem deixar nada a desejar; mas, ao colocar em prática, não só as coisas não saem como esperado, como surgem obstáculos e imprevistos, deixando a própria pessoa confusa quanto ao julgamento, sem saber que rumo seguir — esse é o caminho por que passa, invariavelmente, todo aquele que fracassa. Vou explicar onde está a causa disso. Em poucas palavras, isso acontece porque se ignora o momento certo. Entre todos os assuntos humanos, não há nada tão absoluto quanto o momento certo. Por exemplo, tanto as flores e frutos quanto as lavouras — tudo tem seu momento próprio. Se não estiver de acordo com o momento certo, por melhores que sejam as demais condições, não se pode obter um bom resultado. As flores de outono desabrocham na primavera porque seus bulbos são plantados; e as belas flores desabrocham do verão ao outono porque suas sementes e bulbos são semeados e plantados na primavera. Também os frutos têm seu tempo determinado de amadurecimento. Se colhidos antes de amadurecer, não se pode comê-los. Só quando colhidos no ponto certo de maturação é que se tornam um alimento saboroso. Também nas lavouras, a semeadura, o transplante e tudo o mais têm seu momento adequado. E, claro, é preciso que tudo esteja de acordo com o clima e o solo da região. Como visto acima, a grande natureza ensina ao ser humano a importância do momento certo, e sua própria face, tal como ela é, é a própria verdade. Por isso, ao realizar qualquer coisa, o ser humano deve tomar a grande natureza como modelo, pois aprender com ela é a maior condição para o sucesso. Nesse sentido, tanto a terapia espiritual divina quanto o cultivo sem fertilizantes, que eu proponho, assim como os diversos outros métodos, têm por base seguir a grande natureza e, por isso, quase não conhecem fracasso, obtendo os resultados esperados. Por isso, ao planejar algo, jamais me apresso. Observo com calma sob todos os ângulos possíveis, reflito profundamente uma e outra vez, confirmo que, sob qualquer aspecto, aquilo é correto, é benéfico para a sociedade e para a humanidade, e tem vida eterna — e só então preparo tudo cuidadosamente e espero o momento certo. Mas a maioria das pessoas não consegue ter a paciência de esperar esse momento. Como começam antes que o momento tenha amadurecido, surge um descompasso entre o plano e o momento; as coisas não saem como o esperado, a pessoa se apressa, o descompasso se agrava cada vez mais e, por fim, vem o fracasso — essa é a sequência costumeira. Por isso, o essencial é ter paciência durante o período que antecede a chegada do momento certo. Toda coisa tem, sem dúvida, seu momento exato. Desde os tempos antigos existem provérbios como "quem espera, encontra bom tempo no mar", "a boa sorte se espera deitado" e "espere e mire com precisão" — e são inteiramente verdadeiros. Houve, no passado, muitas pessoas que se impacientavam bastante com esse meu modo de proceder. Também havia quem me trouxesse diversas sugestões e pedidos; e, mesmo quando eu prometia adotá-los, como demorava a colocá-los em prática, havia quem se impacientasse ou estranhasse. Da minha parte, eu simplesmente não agia porque o momento ainda não havia chegado. Desde os tempos antigos existem expressões como "aproveite a oportunidade", "monte na onda dos ventos e nuvens" ou "não deixe escapar a ocasião" — todas elas expressam muito bem esse princípio. E como se julga, então, esse momento propício? Antes de mais nada, quando todas as condições estão reunidas, e, a julgar pelo clima geral, surge um ímpeto irrefreável de que o plano precisa, de qualquer forma, ser executado — é justamente nesse momento que a ocasião amadureceu por completo, e, ao se começar então, tudo flui sem o menor esforço, com facilidade. Por isso, não é preciso mais força alguma — tudo corre bem naturalmente. Em suma, tudo se resume a essas quatro palavras: refletir profundamente e agir com decisão. Por exemplo, ao deixar cair um objeto pesado ladeira abaixo, há algo que o prende. Tentar remover o obstáculo à força exige esforço. Mas, se tivermos paciência e esperarmos, o obstáculo vai enfraquecendo pouco a pouco sob o peso da pedra, até que, no momento certo, basta empurrar com um único dedo para que ele role sem dificuldade. "Se não cantar, esperarei até que cante, ó cuco" — verso que satiriza o temperamento de [Tokugawa] Ieyasu —, e o fato de ele ter mantido viva sua linhagem por trezentos anos deveu-se, justamente, a essa capacidade de esperar o momento certo. Por tudo isso, compreende-se o quão importante é o momento certo. No Ofudesaki da fundadora da religião Oomoto está escrito: "Nem mesmo os deuses podem vencer o tempo certo" — expressão que, em poucas palavras, capta essa verdade com admirável precisão. Não Ignore o Soroban Hikari nº 26, publicado em 10 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) O que mais falta aos políticos japoneses atuais, creio eu, é o conhecimento econômico. Mesmo falando em conhecimento econômico, no fim das contas, trata-se do soroban. No entanto, isso não se limita apenas à política; em todos os assuntos humanos, se esquecermos o soroban, nenhuma empreitada terá sucesso. Dito isso, o soroban não se restringe ao que está relacionado ao dinheiro. Para se compreender claramente os lucros e perdas, os prós e contras de qualquer questão, é indispensável fazer cálculos. Hoje em dia, a teoria da política democrática afirma que refletir a vontade da maioria é algo óbvio, mas isso se dá pelo número de votos, e não há outro meio para avaliar a obtenção desse número senão através do soroban. Onde se ignora o soroban, não pode haver desenvolvimento nem sucesso. O exemplo mais claro é a grande guerra recente. As causas dessa derrota podem ser várias, mas a maior delas foi ter ignorado o soroban. Do ponto de vista do soroban, o ideal seria não ter iniciado a guerra desde o início, mas, uma vez que as chamas da guerra foram acesas, o mais correto teria sido terminá-la o mais rápido possível. A perda dessa oportunidade e a continuação da guerra tornavam-na cada vez mais desvantajosa do ponto de vista do soroban, o que é demasiado evidente quando se olha para trás, para aquela época. O soroban não se aplica apenas aos tempos atuais; mesmo na antiguidade, ele não mudou em nada. O fato de Yoritomo ter alcançado a hegemonia sobre o país deveu-se, como causa poderosa, à existência de um homem chamado Kaneuri Kichiji, famoso por sua habilidade em descobrir minas de ouro, que foi recrutado e acumulou grandes quantidades de ouro. O mesmo se deu com Hideyoshi. O ouro que ele extraiu das minas de Sado foi imenso. A famosa história de que, ao construir o Jurakudai e banquetear os grandes nomes da época, ele espalhou pedrinhas de ouro e prata em ambos os lados do longo caminho do portão até a entrada, permitindo que os convidados levassem livremente o quanto pudessem carregar como lembrança, mostra quão imensas eram suas posses de ouro e prata. O mesmo se pode dizer de Ieyasu. O fato de ele ter conseguido manter o governo Tokugawa por trezentos anos também se deve às minas de ouro de Sado. Além disso, é famoso que ele recrutou o renomado prospector Okubo Iwami no Kami para que este prospectasse minas em todo o país, levando à descoberta das minas de ouro de Izu Oohito. No entanto, com o passar dos anos, os veios de minério de Sado se esgotaram e, no final do período Edo, a produção de ouro diminuiu drasticamente, gerando uma crise de colapso econômico. Como resultado, o fornecimento de estipêndios aos vassalos diretos do xogunato — mesmo aos de escalões inferiores — passou a sofrer interrupções frequentes, lançando-os em dificuldades de subsistência. Isso, inegavelmente, tornou-se uma causa da queda do xogunato. Por ser religioso, muitos devem pensar que sou indiferente à economia, mas não é bem assim. Não pretendo ficar atrás de ninguém no manejo do soroban. Talvez isso se deva ao meu passado de empresário; mas, para ser sincero, se vivesse como os religiosos de outrora — roupas grosseiras, comida simples, cabanas de palha —, não seria capaz de salvar as pessoas modernas. Os tempos são outros. Terras e construções também precisam ser condizentes com a época. Além disso, para erguer o modelo do Paraíso Terrestre, são necessárias quantias imensas. Por isso, é natural que o poder financeiro seja a base do avanço da frente de expansão religiosa. Exemplo disso: entre as religiões mais reconhecidas no cenário religioso atual, a primeira deve ser a Igreja Tenrikyo. A força da Igreja Tenrikyo sempre esteve em dar máxima ênfase à obtenção de fundos, e não há quem não saiba disso. Considerados esses exemplos — da política de uma nação, em grande escala, aos negócios de um indivíduo, em pequena escala —, quem negligencia o soroban jamais verá as coisas correrem bem. A esse respeito, lembro-me dos Estados Unidos. A maioria dos políticos influentes daquele país provém do mundo empresarial. É notório que o presidente Truman, há vinte anos, era comerciante de miudezas e armarinhos. Além disso, mesmo entre os militares influentes, há considerável número de ex-empresários. Os Estados Unidos são o que são hoje, sem dúvida, sobretudo porque sua classe dirigente é composta por empresários proficientes no soroban. Em contraste, se observarmos os líderes japoneses, a maioria, ao sair da universidade, tornou-se imediatamente funcionário público e, após uma longa vida nessa condição, galgou posições como quem sobe uma escada. Tais líderes não apenas desconhecem o interior da sociedade, como também não têm o menor interesse pelo soroban; são verdadeiros “meninos mimados” ou “senhores feudais”. A prova mais clara disso está nas empresas estatais. Nas Ferrovias Nacionais, por exemplo, os prejuízos chegam a dezenas de bilhões de ienes ao ano, enquanto as empresas ferroviárias privadas continuam a distribuir dividendos de cerca de cinco por cento; o monopólio do tabaco, por sua vez, vende cigarros de má qualidade a preços que lhe rendem lucros exorbitantes. Isso não passa do que popularmente se chama “comércio de samurai”. Diante disso, quero alertar: para os futuros políticos, deve-se receber de braços abertos aqueles oriundos do mundo empresarial — não há outra política senão essa como condição essencial para a reconstrução do Japão. A Causa da Escassez de Dinheiro Hikari nº 47, publicado em 28 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Atualmente, o que mais aflige a todos no mundo inteiro é, sem dúvida, a escassez de dinheiro. Por toda parte, ouvem-se queixas sobre a falta de dinheiro. Diante disso, todos certamente desejam saber qual é a causa dessa escassez, por quanto tempo ela continuará e como se pode resolvê-la. Explicarei aqui esses pontos. Antes de tudo, a escassez de dinheiro decorre, evidentemente, da falta de bens. Havendo escassez, os preços sobem; e, à medida que sobem, é preciso mais dinheiro para comprar e vender as mercadorias. Como os preços continuam subindo, as pessoas passam a estocar mercadorias antes que subam ainda mais — demanda artificial que torna os bens ainda mais escassos, eleva os preços e exige ainda mais dinheiro. Esse círculo vicioso acabou por levar a uma emissão colossal de moeda, e essa emissão é a causa da inflação. Assim, à medida que os preços sobem, a quantidade de moeda emitida também aumenta: a moeda vai perseguindo os preços. Se essa tendência continuasse, não haveria escassez de dinheiro, mas, em contrapartida, a inflação se tornaria cada vez maior. Foi então que o Plano Dodge limitou a emissão de papel-moeda, tornando a situação insustentável. Os preços, que até então haviam inchado desmedidamente, não puderam mais subir. Com isso, a expansão dos preços — que se alastrava como se estivesse dentro de um saco chamado moeda — ficou tão justa que não sobrou espaço vazio algum. Eis a escassez de dinheiro. Pode-se dizer que, até então, a moeda era arrastada pelos preços; agora, ao contrário, é ela quem passou a arrastá-los. Nessa situação, como o saco da moeda não se estica, não resta alternativa senão os preços se contraírem. Se os preços se contraem, abre-se um espaço vazio na mesma proporção, e é exatamente nessa medida que a escassez de dinheiro se alivia. Como a contração dos preços significa queda, não há, de agora em diante, outro caminho senão os preços caírem. Quanto ao seu limite, porém, trata-se de algo tremendo: afinal, os preços subiram cem ou duzentas vezes e, no limite final, poderiam cair a um centésimo ou a um ducentésimo. Se caíssem de uma só vez, contudo, o impacto sobre o mundo econômico seria grande — por isso o governo aplica injeções de estímulo de tempos em tempos, como ocorreu recentemente, quando liberou dez bilhões no mercado de valores mobiliários. Com isso, creio que já se possa compreender a causa e o limite da escassez de dinheiro. A seguir, falarei do prazo e da solução. Quanto ao prazo, levará provavelmente dois ou três anos, período em que, sem dúvida, haverá consideráveis reviravoltas e percalços. Quando os preços atingirem o ponto mais baixo desse processo, a situação estará resolvida e, a partir de então, a marcha do progresso continuará — por essa razão, é fundamental preparar-se para esse momento. Naturalmente, o próprio governo, em confronto direto com os preços, irá reduzir gradualmente a moeda; a habilidade das autoridades está justamente em comprimi-la mantendo o impacto sobre a economia no mínimo possível, o que exige grande esforço e engenho. O que foi escrito acima, porém, toma como padrão a situação atual das relações internacionais. Caso irrompa um grande evento, como uma guerra, a interpretação será muito diferente — é necessário, portanto, considerar também esse ponto. A Transformação de Atami em Paraíso Hikari nº 14, publicado em 25 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Em 28 de maio de 1949, o jornal Shizuoka Shimbun publicou o seguinte artigo: [Kyokichi] Os nipo-americanos de primeira e segunda geração do Havaí — o primeiro grupo turístico a visitar o Japão após a guerra, a bordo do navio G. Gordon, no dia 29 do mês passado — concluíram com sucesso um roteiro de 21 dias, que ia de Nikko, a leste, até Aso e Beppu, a oeste. Desde o dia 20, vêm passando mais de um mês em suas terras natais cheias de memórias, até retornarem ao país no dia 2 de julho. Que impressão essa viagem turística deixou em seus olhos? Compilamos as opiniões do líder do grupo, Shigeo Shigenaga, e dos funcionários da agência de turismo. Bons locais turísticos — além da capital, Tóquio: Nikko, Uji, Yamada, Futami e Quioto. Os templos Higashi Honganji e Nishi Honganji, em particular, foram muito bem recebidos, por reunirem grande número de fiéis. Beppu, com suas fontes termais relaxantes, também foi considerada um destino adequado. ◇ Locais que poderiam ser dispensados em roteiros futuros — Atami, que, como estância termal, deveria ser um lugar mais tranquilo; Hakata e Kumamoto, que não têm grande valor como destino turístico, exceto para quem tem raízes na região; e Aso, que não impressiona quem já está acostumado ao vulcão Kilauea, no Havaí. ◇ Locais que gostariam de ver incluídos em roteiros futuros — o Mar Interior de Seto e as tranquilas fontes termais de Izu. Quanto às instalações e aos serviços das hospedarias, os isseis (primeira geração) preferem decididamente as hospedarias de estilo puramente japonês, enquanto os nisseis (segunda geração) preferem hotéis. Quanto à comida, em particular, preferiam a culinária japonesa completa, evitando qualquer prato com toque ocidental. O serviço é extremamente lento: em algumas hospedarias, o treinamento dos funcionários deixa a desejar. Mesmo os isseis mais idosos preferem, sem exceção, vasos sanitários de estilo ocidental. Banhos termais mistos, com homens e mulheres juntos, são malvistos. Ao ler o artigo acima, concordo plenamente — não há nele uma única palavra que eu possa contestar. De fato, embora Atami possua uma paisagem de rara beleza cênica, negligenciar seu aproveitamento deve-se, provavelmente, a uma visão estreita demais. Contentar-se com políticas comerciais vulgares e alimentar o pensamento raso de que basta ganhar dinheiro não é, a meu ver, senão fechar os olhos às mudanças dos tempos. Assim, enquanto Atami permanecer como está hoje, não há garantia de que não venha a ser abandonada pelos estrangeiros, apesar de ser agraciada com uma das paisagens mais notáveis do Japão. Por isso, para o futuro de Atami, é imperativo abandonar de uma vez a mentalidade tacanha da antiga estância termal e reformar-se com métodos comerciais novos, adequados à nova era. Do ponto de vista da política nacional, cabe também a Atami cumprir a importante responsabilidade de atrair estrangeiros — em suma, é preciso estabelecer uma grande diretriz sob a convicção de que ela há de se tornar não a Atami do Japão, mas a Atami do mundo. Embora a nossa Igreja seja uma organização religiosa, foi ela a primeira a perceber esse ponto e já o está colocando em prática. Este é o modelo do Paraíso Terrestre, lema da nossa Igreja — por essa razão Atami foi escolhida, e a construção já avança concretamente. Não é preciso dizer que Atami possui montanhas, mar e ilhas; ao longe, a linha costeira de Izu e, até a região de Kawana, a vista deslumbrante de suas várias pontas; à esquerda, a paisagem do Cabo Manazuru; um clima ameno e fontes termais límpidas; a proximidade de Hakone, famosa no mundo inteiro; a posição entre as duas capitais, Leste e Oeste; e a conveniência do transporte — tudo isso faz dela um destino turístico verdadeiramente ideal, um presente dos céus. Apesar disso, não conseguir exercer todo o seu encanto, como mencionado, não é senão o resultado de uma política que, até agora, dependeu apenas das fontes termais, entregue a um sonho de longa noite. Como os estrangeiros, à semelhança dos japoneses, não têm tanto interesse por fontes termais, é necessário aproveitar ao máximo as belezas naturais que vão além delas. Para isso, a medida urgente é, evidentemente, afastar-se da área urbana barulhenta e vulgar e instalar um grande hotel ideal em um local tranquilo, nos arredores de Atami, com vista panorâmica excepcional. Nesse sentido, a nossa Igreja está construindo, atualmente, uma grande utopia nas extremidades leste e oeste — áreas de beleza cênica que, embora próximas da cidade de Atami, guardam a distância adequada — e está convicta de que isso se tornará a pedra angular para o desenvolvimento futuro de Atami. O Mal Social é Causado pelo Ambiente, ou Não? Hikari nº 10, publicado em 25 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Desde os tempos antigos, diz-se que “quem possui bens estáveis possui um coração estável”, significando que, quando os seres humanos não sofrem privações materiais, suas palavras e ações também se tornam melhores. De fato, o cenário social atual está repleto de males, e não são poucos os intelectuais que atribuem sua causa à carência material. Isso não deixa de conter uma parte da verdade, mas não é, de forma alguma, a causa fundamental. Se assim fosse, os ricos em bens materiais deveriam ser pessoas corretas — mas a realidade não é essa. São inúmeras as pessoas que, mesmo tendo roupa e comida em abundância, praticam atos ilícitos; em certos casos, chegam a causar mais dano e a corromper mais o mundo do que os pobres. Isso se manifesta, por exemplo, no poder do dinheiro que, em plena crise habitacional, ocupa muitas residências e as deixa praticamente vazias; na violação da moralidade que trata tantas mulheres como meros objetos de prazer; na privação da liberdade dos fracos e pequenos que estão na base da sociedade, impedindo-os de progredir; na corrupção do mundo político; na degradação de educadores por ocasião do ingresso de seus filhos nas escolas; e em inúmeros outros exemplos que, se enumerados, não haveria tempo suficiente. Mesmo à luz desses fatos, fica claro que a causa do aumento dos males sociais não está apenas na insuficiência material. A raiz desses males, como sempre defendemos, reside na carência de fé — é aí que se encontra a verdadeira causa. Enquanto essa carência não for resolvida, a erradicação dos males sociais será algo inimaginável; para isso, o surgimento de uma religião poderosa é, necessariamente, o fundamento da solução absoluta. Apontemos, em seguida, um erro de pensamento extremamente grave entre os intelectuais de hoje: o hábito de transferir toda a culpa para os outros. Esse modo de pensar deve-se, em grande parte, à influência do pensamento de Marx, cuja teoria socialista afirma que a causa de toda a infelicidade humana está na má organização e estrutura da sociedade. É certo que importa reformar a organização e a estrutura da sociedade para melhor — mas afirmar que a causa da infelicidade humana reside só nisso é um grande erro. Por mais ideais que sejam a organização e a estrutura criadas, se o pensamento e as ações de cada indivíduo forem equivocados, sua administração não funcionará sem problemas: inevitavelmente, surgirão rupturas. A única solução verdadeira é, antes de tudo, tornar boa a natureza do coração de cada indivíduo — ou seja, considerar o ser humano como o principal, e a organização social, o secundário. É evidente que esse pensamento equivocado se origina inteiramente do materialismo, no qual não se reconhece a natureza espiritual do ser humano. O grande erro está em tentar resolver tudo apenas pela teoria material — e, como resultado, as pessoas justificam as próprias palavras e ações e procuram transferir a culpa para os outros. A realidade, porém, é que a maior parte da culpa está em si mesmo. Se isso puder ser reconhecido com firmeza, a virtude da humildade e o espírito de amor fraterno surgirão naturalmente, e se realizará uma sociedade pacífica e feliz. Para isso não há outro meio senão a crença religiosa. O sentimento de culpa imposto de fora, ideal da revolução social, tem por propósito destruir a organização social: por meio da teoria de que a culpa cabe não a si mesmo, mas à organização social, manipulam-se as massas. Cabe, portanto, a cada ser humano reconhecer bem esse significado, acertar contas com os próprios erros passados e empreender um novo começo. Religião do Passado e Religião do Presente Hikari nº 17, publicado em 9 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Atualmente, para realizar a obra de salvação, utilizo uma forma religiosa simplificada, bastante diferente das que existiram até hoje. Os antigos fundadores e líderes religiosos, em geral, vestiam roupas surradas e comiam alimentos simples, levando uma vida extremamente modesta e frugal. Para o treino espiritual, por sua vez, isolavam-se em montanhas profundas, banhavam-se em água fria e dedicavam-se inteiramente às escrituras, acumulando as chamadas práticas ascéticas. Consequentemente, entre a Verdade, o Bem e o Belo, embora houvesse a Verdade e o Bem, o Belo era negligenciado — quase não demonstravam interesse por coisas como a arte. E, ainda que houvesse alguns milagres, tomavam as escrituras como doutrina absoluta, veneravam as formas, valorizavam os rituais e, dedicando-se exclusivamente à pregação, realizavam a salvação dos seres. Essa crítica, na verdade, dirige-se ao budismo; como o xintoísmo e o cristianismo surgiram ou se propagaram já na era moderna, omiti-os e tomei apenas o budismo como objeto. Antes da introdução do budismo existia, de fato, o xintoísmo antigo, mas, como dele não há registros escritos nem tradições orais, não é possível escrever a respeito. O método que pratico hoje, porém, é extremamente diferente. Em primeiro lugar, tenho como objetivo um mundo sem doença, pobreza e conflito, e proclamo o estabelecimento do Paraíso Terrestre — declaração tão ousada e destemida que só pode ser vista como uma grande fanfarronice. Só por isso já se pode perceber quão diferente sou das religiões estabelecidas; mas, como primeiro passo, o que estou colocando em prática é a salvação que há de libertar a humanidade do sofrimento da doença, sua maior aflição. Isso já está produzindo efeitos notáveis, e é ao tornarem-se saudáveis de corpo e mente que, naturalmente, a pobreza e o conflito também desaparecerão. Com essa convicção, todos os seguidores, unidos como um só grupo, atuam dia e noite. Como mencionei antes, a transformação em Paraíso não é apenas um ideal: já está produzindo, no presente, resultados surpreendentes e extraordinários. Além disso, como parte do Plano Divino, estou planejando um modelo do mais elevado Paraíso Terrestre, selecionando os locais de paisagem mais espetacular em Atami e Hakone, e avançando com a construção, desde a preparação do terreno até o projeto arquitetônico e a criação de jardins. Quando estiverem concluídos, pretendo mostrar ao mundo quão sublime, bom e belo é esse Paraíso. O Paraíso Terrestre deve, por natureza, ser chamado de mundo da arte, e é por isso que a nossa Igreja dá à arte a maior ênfase. No entanto, também em áreas como política, economia e educação, pretendo anunciar, em conjunto com o progresso do Plano Divino, medidas inovadoras baseadas nas mais novas revelações divinas — e, por meio disso, vocês reconhecerão a grandiosidade do meu plano. Amor e Religião Hikari nº 17, publicado em 9 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Sobre o amor, sou frequentemente questionado, e respondo da seguinte forma. O amor em si é a maior das bênçãos que Deus concedeu aos seres humanos. Diz-se também que o fim último do amor é o casamento, e isso é verdade. Por isso, o amor exige Sabedoria Sagrada e autorreflexão. O amor desregrado, tão comum no mundo, é um caminho desviante que constitui pecado e que, no final, terá de ser expiado com um sofrimento muitas vezes maior do que o pecado cometido. Alimentação e Nutrição Tōhō no Hikari nº 6, publicado em junho do 10º ano da Era Showa (1935) No que diz respeito especialmente à medicina e à higiene atuais, gostaria de afirmar, dirigindo-me aos estudiosos especializados, que é preciso abrir os olhos para o fato de que não há área mais equivocada do que esta questão da alimentação e da nutrição. Pois não estará ela excessivamente inclinada à teoria e demasiado distanciada da realidade? A razão é que, ao cabo de mais de dez anos de árdua pesquisa, cheguei, curiosamente, a uma conclusão totalmente oposta à da Ciência da Nutrição atual. Exporei isso a partir da minha própria experiência. Eu mesmo, há quinze ou dezesseis anos, era um grande apreciador de carne, e minha refeição noturna era quase sempre ocidental, com a mistura ocasional de culinária chinesa. Do ponto de vista da chamada Ciência da Nutrição atual, isso poderia ser considerado ideal. No entanto, o que se viu? Naquela época, eu estava na casa dos trinta anos e, para minha tristeza, meu peso não ultrapassava de forma alguma os treze kan [aproximadamente 49 kg]. Além disso, não havia um único momento do dia em que não sofresse de resfriados e problemas estomacais, a ponto de não passar um mês sequer sem precisar dos cuidados de um médico. Desejando ardentemente tornar-me saudável, experimentei uma a uma as práticas de saúde então em voga, como respiração profunda, fricção com água fria e o método de meditação sentada. Embora todas tivessem algum efeito, nenhuma chegou ao ponto de melhorar minha constituição física. O que aconteceu, então? Ao reconhecer o erro da alimentação cárnea e passar à dieta tradicional japonesa — baseada principalmente em peixe e hortaliças —, meu peso aumentou visivelmente. Em dois ou três anos, passei a oscilar entre quinze kan e quinhentos momme e cerca de dezesseis kan [aproximadamente 58 kg a 60 kg]. Ao mesmo tempo, gradativamente deixei de pegar resfriados e esqueci por completo os sofrimentos estomacais. Pude, pela primeira vez, mergulhar na alegria da saúde e, desde então, há mais de dez anos, tenho atuado com um corpo robusto e vigoroso. De posse dessas experiências, realizei testes à vontade com uma família de mais de dez pessoas, incluindo seis filhos. Naturalmente, todos obtiveram excelentes resultados, e desfrutei da felicidade de não ver absolutamente nenhum vestígio de doença em minha casa. Particularmente interessante foi o experimento de oferecer aos seis filhos uma alimentação não nutritiva. Ou seja, ordenei à minha esposa e à empregada que dessem às crianças, especialmente, uma alimentação simples. O arroz era semi-polido (setenta por cento), com grande quantidade de hortaliças. Peixe, raramente, era dado na forma de salmão salgado ou sardinhas secas, peixes humildes. A refeição consistia, com frequência, em arroz com chá e picles (chazuke com picles), ou bolinhos de arroz salgado com picles, ou nori caseiro enrolado — enfim, algo que, do ponto de vista da Ciência da Nutrição, seria considerado, antes de tudo, uma alimentação desnutritiva irrepreensível. No entanto, os resultados foram surpreendentes. Tanto no ensino fundamental quanto no médio, o físico era classificado como "A", e a nutrição, como "normal" ou "boa". Da filha mais velha, de dezesseis anos, ao menino de quatro anos, nenhum deles adoeceu sequer uma vez de algo que merecesse o nome de enfermidade grave, e recebiam prêmios de frequência perfeita todos os períodos. Quanto a essas valiosas experiências obtidas na prática, há oito anos venho aplicando-as no tratamento de doenças. Tendo-as testado em várias centenas de pacientes, obtive bons resultados, sem exceção. Espero, especialmente, que os médicos do mundo se dediquem a pesquisar amplamente quão eficaz é a dieta de hortaliças para pacientes com doenças pulmonares, da pleura etc. Ainda que de forma simplificada, com base nos fatos acima, não hesito em afirmar que a Ciência da Nutrição, que hoje parece ter se desenvolvido enormemente, contém um grande erro em seus fundamentos. Por se tratar de uma questão de grande importância para a saúde nacional, levanto-me corajosamente para soar o alarme e, dirigindo-me não apenas aos sábios estudiosos deste campo, mas também ao público em geral, emitir este grande alerta. Se esta nova alimentação que proponho for adotada de forma generalizada, deverá ser considerada uma grande bênção também do ponto de vista da economia nacional. A razão pela qual os agricultores do nosso país têm tanta resistência para o trabalho deve-se inteiramente à sua alimentação humilde. E garanto que, se eles ingerissem uma alimentação nutritiva à base de carne, jamais seriam capazes de realizar tamanho trabalho. 6. Jornalistas — Carta ao Sr. Ōya Sōichi Hikari nº 4, publicado em 8 de abril do ano 24 da Era Showa (1949) Sr. Ōya, o senhor, na recente edição da revista Shukan Asahi, critica duramente as novas religiões. Não conhecemos as demais novas religiões; portanto, apresentaremos nossa refutação apenas em relação à nossa Igreja. Ao longo de todo o texto, percebe-se uma atmosfera verdadeiramente emocional. Trata-se de uma escrita com intuito de difamar, e isso é evidente aos olhos de qualquer um. Por exemplo, o senhor descreve minuciosamente, até nos pequenos detalhes, a época de adversidade do Mestre Jikan, ocorrida há mais de dez anos. Com que necessidade escreve, como se fosse novidade, algo tão antigo? Tenho dificuldade em compreender suas intenções. Sendo o senhor um jornalista de destaque, será que não se esqueceu de que deveria julgar com a máxima imparcialidade? Certamente não será por causa da senilidade. De qualquer forma, isso se assemelha exatamente à abordagem das revistas de baixo nível que, como está na moda ultimamente, visam apenas satisfazer a curiosidade dos leitores. Sempre nutrimos grande respeito pelo Asahi Shimbun, considerado por nós o rei (soberano) do mundo jornalístico. Ao ler, porém, o artigo desta vez em sua revista semanal, nossa decepção é imensa. O que desejo declarar aqui, com veemência, é o veneno que o materialismo causa à sociedade. O cerne do pensamento materialista é a crença de que "o que não se vê não se deve acreditar". Em oposição a isso, acreditar que os espíritos das divindades, embora invisíveis, realmente existem é o pensamento espiritualista. Hoje em dia, as pessoas mal abrem a boca e já clamam pelo declínio da moral; as estatísticas apontam para o aumento de criminosos. Vendo que tanto ministros de Estado quanto presidentes de grandes empresas vão parar na prisão de Kosuge, fica claro que os males sociais se espalham por todos os cantos, do topo à base. Qual seria, então, a causa disso? Naturalmente, o próprio pensamento materialista. As pessoas pensam que, se conseguirem enganar os olhos dos outros com habilidade, mesmo cometendo más ações, não serão descobertas — mas, na verdade, mais cedo ou mais tarde, tudo acaba inevitavelmente revelado. Deveriam compreender que os olhos de Deus não podem ser enganados — mas não é isso que acontece. Isso ocorre porque são prejudicados pelo pensamento materialista que lhes foi incutido desde a infância. Como exposto acima, a menos que se destrua o pensamento materialista — esse produtor de crimes — não se pode esperar nem a construção de um Novo Japão, nem a felicidade humana, nem a erradicação dos males sociais. E o artigo desta vez deixa claríssimo o quanto o senhor é um materialista convicto. Sua crítica é, do início ao fim, a de que as novas religiões não passam de charlatanismo, engano e artifícios humanos. Nessa linha de argumentação, o senhor não toca nem um pouco nas religiões estabelecidas, visando apenas as novas religiões como alvo de crítica. No entanto, mesmo as religiões estabelecidas, quando surgiram, foram em sua maioria vistas como religiões malignas, supersticiosas e charlatãs — como se pode constatar pela perseguição cruel que sofreram, tanto dos governantes da época quanto do povo. O exemplo mais notável disso é o de Cristo. Durante sua vida, Ele foi considerado líder de um culto maligno, coroado de espinhos pelo povo e levado ao local de execução. Sua figura dolorosa — que se desfez como orvalho no campo da crucificação, como redentor dos pecados de toda a humanidade — é até hoje objeto de adoração pelos cristãos. Como o senhor vê essa figura venerável? Por tudo isso, criticar uma religião recém-nascida exige o máximo de cautela, e é preciso empunhar a pena com um olhar perspicaz. Nesse sentido, nada é mais arriscado do que decidir de antemão o que é bom ou mau, certo ou errado numa nova religião — e não se pode deixar de alertar contra a leviandade nesse tipo de crítica. Como conclusão, gostaria de dizer uma coisa: se todos os jornalistas do Japão despertassem para a realidade da existência dos espíritos das divindades, é mais claro que a luz do Sol que os crimes do povo sob sua influência se reduziriam a uma fração do que são hoje. O Significado de Inari Hikari nº 19, publicado em 23 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Não deve haver, entre os santuários venerados nas várias partes do Japão, nenhum tão numeroso quanto os de Inari. Conhecer a origem de Inari, portanto, também não deve ser inútil. No princípio dos tempos, com o crescimento gradual da população, tornou-se necessário aumentar a produção de alimentos. Então, Amaterasu Ōmikami ordenou a Toyouke no Okami que fosse a responsável pela produção dos cinco cereais, e ela distribuiu sementes de arroz por todo o país. Naquela época, porém, devido às dificuldades de transporte, bem diferentes das de hoje, Toyouke no Okami ordenou que as raposas realizassem essa tarefa. Os caracteres de "Inari" significam "carregar arroz" (ina = arroz, ni = carga). Há uma teoria de que, na ciência do espírito da palavra, "Inari" seria "Iinari" (formação do arroz), significando fazer com que a semente do arroz se forme, mas isso não é muito aceitável. Por essa razão, os agricultores, inicialmente gratos pelo trabalho das raposas e desejosos de uma boa colheita, passaram a venerá-las como "Inari Daimyojin". A imagem principal dos santuários Inari, que com frequência mostra uma deusa montada numa raposa segurando um feixe de arroz na boca, representa exatamente isso. Com o passar do tempo, porém, Inari tornou-se alvo de orações pela prosperidade dos negócios e por diversos outros desejos, chegando a conceder graças até mesmo às pessoas do mundo das flores e salgueiros (geishas e cortesãs) — o que resultou no completo abandono do dever original do próprio Inari. Não se deve, portanto, fazer a Inari orações que não sejam pela boa colheita; fazê-lo constitui, ao contrário, uma espécie de pecado, e é preciso cautela. Apelo às Autoridades Fiscalizadoras Hikari nº 41, publicado em 24 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) Em todas as épocas, a história demonstra que os cultos malignos e as seitas populares nunca deixaram de existir — e os dias de hoje não são diferentes. Especialmente após o fim da guerra, esse fenômeno tornou-se notavelmente intenso: como brotos de bambu depois da chuva, eles surgem um após outro, sem cessar. Se considerarmos, entre as novas religiões atuais, quantas possuem verdadeiro valor e razão de ser, certamente serão pouquíssimas. É evidente, naturalmente, que as autoridades fiscalizadoras devem realizar uma rigorosa repressão contra aquilo que é suspeito, e é igualmente evidente que, por dever de ofício, mantendo sempre um olhar perspicaz, se empenham para não errar em seu julgamento imparcial. No entanto, quando a tolerância é excessiva, existe o perigo de proliferação e domínio de coisas duvidosas, de modo que não se pode descuidar da atenção. Por isso, é inevitável que, ao se falar em "nova religião", haja uma tendência a olhar para todas elas com suspeita, agrupando-as indistintamente. Contudo, por mais que sejam novas religiões, não se pode julgar que todas, sem exceção, sejam cultos malignos — é aí que reside o problema. Se observarmos as religiões estabelecidas que existem hoje, as mais recentes têm uma história de algumas décadas, e as mais antigas, de milhares de anos. Não é difícil imaginar que, ao longo de período tão longo, elas tenham se misturado com muitas religiões suspeitas e suportado amargas provações. Pode-se dizer, portanto, que aquelas que hoje subsistem firmemente são apenas as de valor genuíno, escolhidas a dedo. Diante disso, não seria de modo algum estranho que, mesmo entre a multidão de religiões que surgem atualmente, algumas de valor e vitalidade venham a perdurar. As autoridades certamente já consideram esse ponto, mas o que lamentamos é a tendência de fixar o olhar apenas nos defeitos e de ater-se exclusivamente a confrontá-los com os regulamentos de repressão. Do ponto de vista das autoridades, agir assim pode até ser o mais natural, mas o que ardentemente desejamos é que, junto com esse aspecto de repressão, se volte o olhar também para o lado oposto. Refiro-me ao lado prático da nossa Igreja e das demais — ou seja, ao lado positivo: o quanto elas estão de fato contribuindo para a promoção da saúde do povo, o quanto ajudam a purificar o coração da sociedade e o quanto obtêm resultados diante de deficiências sociais que nem as leis nem a educação conseguem resolver. Existem muitos problemas difíceis que só a religião pode resolver, e nós nos deparamos com eles constantemente. Pede-se, portanto, que as inúmeras religiões sejam comparadas e examinadas tendo como critério o seu valor prático. Se essa diretriz for adotada, as nuvens de dúvida se dissiparão e, ao mesmo tempo, deixaremos de ser prejudicados por artigos difamatórios de jornais e revistas. Assim, nós, os religiosos, poderemos nos dedicar com tranquilidade e com todas as nossas forças às atividades de salvação do mundo. O que aqui expusemos com toda a franqueza é a esperança que acalentamos. Sobre o Ujigami Hikari nº 20, publicado em 30 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) O Deus do Clã (Ujigami) surgiu quando os primeiros desbravadores de uma terra, ao se estabelecerem, viram seus descendentes prosperar gradualmente até que, após várias gerações, formassem uma vila ou um povoado. Desejando então venerar alguma divindade, passaram a cultuar o ancestral do tronco principal da família — e isso se tornou o Deus do Clã. À medida que o povoado crescia, porém, surgiu a necessidade de consagrar o Deus da Terra Natal (Ubusunagami). Solicitou-se, então, ao Deus do Clã uma promoção provisória, e ele passou a ser entronizado como Deus da Terra Natal. Por essa razão, como se vê hoje, é fácil confundir o Deus da Terra Natal com o Deus do Clã. Além disso, antigamente, ao se construir o santuário do Deus da Terra Natal, houve casos em que se buscou, como divindade principal, uma alma dividida de um santuário próximo, e outros em que se promoveu o Deus Inari a essa posição. As divindades principais dos santuários do Deus da Terra Natal são, portanto, em geral, de um desses três tipos. Problema Sem Precedentes Hikari nº 37, publicado em 26 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Provavelmente nunca houve um problema tão grave e de solução tão difícil quanto o que agora nos propomos a discutir. Trata-se, precisamente, do difícil problema — que se poderia chamar de força maior — que surge naturalmente com o desenvolvimento da nossa Igreja. São as camadas profissionais que sofrem influência em proporção direta a esse desenvolvimento. Como todos sabem, estão em primeiro lugar os médicos e os inúmeros profissionais ligados ao tratamento de doenças; e, naturalmente, as religiões estabelecidas também sofrerão algum impacto. O que foi exposto é de natureza verdadeiramente inevitável. Diferentemente de outros negócios lucrativos, da política ou de ideologias, a nossa Igreja não tem por objetivo prejudicar o campo dos concorrentes ou de outros profissionais do mesmo ramo, para que apenas ela própria se sobressaia. Seu propósito é eliminar a infelicidade da sociedade humana e torná-la um mundo de pessoas felizes; não há outra intenção senão a sagrada obra de salvação. Por que, então, doenças diagnosticadas como incuráveis pela medicina ou por outros métodos resultam em cura completa? Como isso já foi explicado com frequência, omitirei os detalhes; basta observar o desenvolvimento da frente de expansão religiosa da nossa Igreja para compreender. Como mencionado, isso também se percebe pelo impacto causado a outros profissionais. Neste mundo tão astuto e difícil, não é possível que existam tantas pessoas ignorantes a ponto de dedicar fé ardente a algo que não produz efeito algum. Pensem bem: o fato de abandonarem uma medicina tão avançada tem sua razão de ser. Aqueles que simplesmente descartam isso como superstição não podem ser chamados de outra coisa senão de pessoas que consideram as massas demasiadamente tolas. Assim como ninguém compra produtos de má qualidade vendidos a preços altos, ao passo que os compradores aparecem em grande número quando produtos de boa qualidade são vendidos a preços baixos, a regra de ferro da sobrevivência dos mais aptos também se aplica rigorosamente aqui. Um fato claro a esse respeito é que, hoje em dia, qualquer pessoa, ao adoecer, recebe rapidamente tratamento médico — isso se tornou senso comum para o homem moderno. Não deve haver uma única pessoa que, desde o início, confie sua preciosa vida àquilo que é criticado como religião maligna e supersticiosa. No entanto, quando um doente, mesmo recebendo todo tipo de tratamento em grandes hospitais ou com médicos renomados, não só não se cura como piora cada vez mais, caindo em estado de desespero absoluto, é natural que passe a pensar que, seja o que for, desde que possa se salvar, até uma religião maligna e supersticiosa serve. É nesse momento que, cheio de suspeitas e medos, ao ouvir a recomendação de alguém que já teve essa experiência, ele vem para a nossa Igreja e recebe o Johrei. E então, de repente, recebe uma graça notável e se cura completamente. Quase todos os motivos de conversão são esses, e é aí que reside a razão do desenvolvimento excepcional da nossa Igreja. Diante desses fatos, é fácil entender: se um paciente, ao receber tratamento médico, se curasse naturalmente, o problema estaria resolvido, ninguém viria para a nossa Igreja e não se formariam seguidores. Se assim fosse, não haveria espaço para a existência de religiões malignas e supersticiosas — talvez não haja argumento mais claro do que este. Segundo essa lógica, a causa de as pessoas recorrerem a religiões malignas e supersticiosas, apesar do avanço da medicina, é, na verdade, a incompetência da própria medicina. Por isso, aqueles que foram completamente curados pela nossa Igreja, sem exceção, passam a evitar a medicina quando eles próprios ou seus familiares adoecem, confiando apenas no Johrei da nossa Igreja. Isso ocorre porque, com base na própria experiência, sabem que o Johrei é mais eficaz do que a medicina. Se a medicina fosse superior, o contrário deveria acontecer. O que quero dizer é que, até hoje, nunca ouvi um único caso de alguém que, tendo piorado com a terapia pela fé e estando à beira da morte, tenha obtido efeito de ressurreição por meio da medicina. Não temos a menor intenção de criticar a medicina, mas devemos escrever os fatos exatamente como são. Como o objetivo é criar um mundo sem doenças, a correção da medicina é a própria raiz da questão. Para eliminar a ocorrência desse problema, portanto, é imprescindível que a medicina cure completamente os doentes — é preciso demonstrar sua eficácia pelos fatos. Se qualquer doente pudesse ser completamente curado, por que alguém precisaria recorrer a religiões malignas e supersticiosas? No entanto, há até médicos que parecem confessar a ineficácia da medicina. Como manifestação disso, associações médicas de algumas regiões chegam a mobilizar as autoridades reguladoras para tentar reprimir a nossa Igreja, ou usam jornais locais e calúnias para obstruí-la, tanto às claras quanto às escondidas. Isso é, obviamente, um caminho tortuoso, e pode-se dizer que não passa de uma autoconfissão: por não conseguirem rivalizar com a nossa Igreja, os médicos se veem obrigados a tomar medidas desesperadas. Não somos insensíveis a esse ponto, mas, como estamos empenhados na obra de salvação do mundo pela vontade de Deus, não há o que fazer. Pode-se dizer que estamos num dilema entre os sentimentos humanos e a ordem divina. Dizer isso pode ser interpretado pelos materialistas como uma desculpa engenhosa que usa o nome de Deus, e não é fácil fazê-los compreender o contrário. Afinal, trata-se de uma diferença fundamental de concepção entre a matéria visível e o espírito invisível, algo como a disputa entre quem gosta de bebida alcoólica e quem não gosta. O que se pode afirmar aqui é que, chegado o momento certo, até mesmo os materialistas certamente se converterão ao espiritualismo — isso podemos assegurar. Por fim, o que desejamos é o seguinte: se a medicina moderna fosse superior à terapia dos espíritos das divindades, nós também nos tornaríamos imediatamente médicos e desejaríamos salvar a humanidade em grande escala. Dessa forma, poderíamos andar de cabeça erguida e às claras, sem sofrer as críticas de sermos uma religião maligna e supersticiosa. A proliferação de religiões malignas e supersticiosas como a de hoje deve-se, portanto, inteiramente ao fato de a medicina não conseguir resolver as doenças. Se assim for, não seria errado dizer que metade da responsabilidade cabe à medicina. Discorremos sobre isso com bastante franqueza, mas, para nós, é inevitável para a salvação do mundo, e pedimos que este ponto seja amplamente compreendido. O Problema do Controle de Natalidade sob a Perspectiva Religiosa Hikari nº 7, publicado em 30 de abril do ano 24 da Era Showa (1949) Recentemente, em nosso país, o problema do controle de natalidade tem sido veementemente defendido. A razão, evidentemente, é que, nestas quatro pequenas ilhas, a população é de oitenta e dois milhões de pessoas, sendo imperativo fazer algo a respeito. No entanto, quando observamos a questão como religiosos, a forma de pensar dos intelectuais modernos é excessivamente materialista, incapaz de ir além disso — o que é um problema sério. Vou explicar este ponto. Em primeiro lugar: para que nasce o ser humano neste mundo? Os dois bilhões de seres humanos que compõem este mundo não nasceram por vontade própria. Não há dúvida de que, inconscientemente, são concebidos no ventre feminino e, inconscientemente, são dados à luz. As crianças assim nascidas tornam-se adultas e se dedicam às suas respectivas ocupações. Nessa ocasião, manifestam-se diferenças de sabedoria ou tolice, de características, de superioridade ou inferioridade, e cada um se dedica, também naturalmente, às profissões correspondentes, necessárias à constituição da sociedade. Foi assim que a sociedade humana se desenvolveu, desde a era primitiva até a esplêndida era cultural de hoje. Observem: aqueles que se tornam grandes políticos, parlamentares, educadores, artistas, industriais, funcionários públicos, engenheiros, trabalhadores — todos possuem características profissionais especializadas e estão bem distribuídos. Não é digno de nota que, em qualquer época, isso nunca se incline para um só lado, sendo verdadeiramente universal? Além disso, os excelentes e capazes são pouquíssimos e, quanto mais humildes as ocupações, maior o número, em forma de pirâmide. Para dar um exemplo: mesmo entre as plantas, as ervas daninhas proliferam por toda parte, e quanto mais excelentes as flores, menor o seu número. Quanto às árvores, espécies de demanda geral, como o cedro e o carvalho, são abundantes, e quanto mais nobre a árvore, menor o seu número. Também entre os metais, os preciosos, como o ouro, são extremamente escassos, enquanto os de demanda geral, como ferro, chumbo e cobre, são mais abundantes — o que é evidente. O mais surpreendente de tudo é que, em qualquer época, o número de homens e mulheres é aproximadamente igual. Ao observarmos calmamente esses fenômenos naturais, o que descobriremos? Alguns chamam isso de verdade, outros de natureza, e os filósofos dirão que é a expressão da vontade universal. No entanto, isso é apenas uma explicação dos fenômenos. Não podemos nos dar por satisfeitos sem desvendar o mistério que se oculta em seu interior. Então, qual é esse mistério? Vou explicá-lo a seguir. Em primeiro lugar, mesmo este grande globo terrestre onde a humanidade habita tem um centro, e no centro deve haver um governante, um soberano. Quem é, então, o governante da Terra? É o Deus Supremo, também chamado de Imperador Celestial, ou Jeová, o Absoluto. A vontade universal é a vontade desse Deus Supremo. Sob essa vontade, a sociedade humana está a caminho de um desenvolvimento infinito, e é impossível imaginar quão bela e boa será a sociedade humana no futuro — apenas uma parte desse mundo futuro pode ser antevista. Basta olhar para o caminho do progresso desde a era primitiva, milhares ou dezenas de milhares de anos atrás, até a cultura de hoje, para se ter uma ideia aproximada de seu notável desenvolvimento. Com base nesses fatos e raciocínios, chegamos a esta conclusão: toda a humanidade e, evidentemente, todos os fenômenos da natureza são gerados, formados, cultivados e desenvolvidos sob o desígnio do Deus Supremo. Se assim é, nem mesmo o nascimento e a morte dos seres humanos podem estar fora do desígnio do Deus Supremo. Então, ainda que um grande número de pessoas nasça numa determinada região, não deveria haver escassez de alimentos para sustentá-las — a morte por fome é algo que nem sequer se pode cogitar. Nesse sentido, por mais que a população aumente, a quantidade de alimentos necessária para sustentá-la está fadada a ser produzida naquela mesma terra. Se houver escassez, é porque há um erro em algum lugar dos métodos de produção, e simplesmente não se percebe isso. Supondo que a quantidade média de arroz por pessoa e por ano, incluindo idosos, crianças, homens e mulheres, seja de um koku, uma população de oitenta e dois milhões deveria produzir oitenta e dois milhões de koku. Por não perceberem essa causa fundamental, porém, praticam o Princípio Inverso de limitar o nascimento de filhos, desviando-se da lei celestial e tornando-se grandes pecadores contra Deus — o que é verdadeiramente temível. Pode-se dizer, portanto, que os defensores do controle de natalidade não passam de brincadeiras de ateus materialistas. A escassez de alimentos em relação à população total é, como visto, um erro nos métodos de cultivo agrícola. Se adotarmos, portanto, o cultivo sem fertilizantes que defendo, o problema desaparece. Por não se ter dado atenção a isso, concentrando-se exclusivamente no cultivo com fertilizantes, a terra do Japão se tornou hoje extremamente empobrecida. No entanto, se mudarmos para o cultivo sem fertilizantes, um aumento de 30% a 50% na colheita é algo fácil de alcançar. Como a colheita anual de arroz é de sessenta e três milhões de koku, um aumento de 30% resultaria em oitenta e um milhões e novecentos mil koku, e um aumento de 50%, em noventa e quatro milhões e quinhentos mil koku — resolvendo o problema de forma extremamente simples. Nesse caso, não há sequer necessidade de aumentar a área cultivada, pois o número de grãos por haste da planta de arroz também aumenta. O interessante é que, há milhares de anos, o número de grãos por haste era de algumas dezenas, mas, com o aumento da população, foi crescendo gradualmente, até chegar aos atuais 150 a 300 grãos por haste. Ouvi dizer que, há alguns anos, quebrando o recorde, um agricultor da província de Shiga obteve mais de 400 grãos por haste — o que mostra que, dependendo do método de cultivo, é possível obter cerca do dobro da produção atual. Ouvi também de anciãos que, do final do período Tokugawa ao início da Era Meiji (1868-1912), o número de grãos de arroz era menor do que hoje. Tudo isso mostra que os alimentos necessários para a população são dados por Deus, e não há nenhuma dúvida quanto a isso. Há outro exemplo. Frequentemente, devido à tuberculose ou a outras doenças debilitantes da gestante, diz-se que é perigoso não realizar um aborto induzido, anulando-se assim uma preciosa gravidez. No entanto, segundo minha interpretação, o próprio fato de engravidar significa que o feto pode se desenvolver e nascer com segurança — se não houvesse essa capacidade, a gravidez não ocorreria desde o início. Com base nessa visão, sempre fui contrário ao aborto e, de fato, em dezenas de casos, não houve um único fracasso. Deus não poderia ter criado o ser humano de forma tão imperfeita a ponto de engravidar alguém sem capacidade de dar à luz; devemos acreditar que o Criador de todas as coisas não é tão superficial e obtuso quanto o ser humano imagina. Com base no exposto, declaro aqui que somos totalmente contrários ao controle de natalidade. As Três Grandes Calamidades e as Três Pequenas Calamidades Hikari nº 22, publicado em 13 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) O que são, afinal, as chamadas Três Grandes Calamidades — vento, água e fogo — e as Três Pequenas Calamidades — fome, doença e guerra —, como se diz desde a antiguidade? Escreverei sobre sua origem e seu significado mais profundo. A causa do vento e da água está no processo de purificação entre o Céu e a Terra. E por que ocorre esse processo? Porque as nuvens espirituais — isto é, a poluição invisível — se acumulam no mundo espiritual. Elas são varridas pela força do vento e lavadas pela água da chuva: é para isso que existem os vendavais e as tempestades. Explicarei, a seguir, o que são essas nuvens espirituais e como se acumulam. Elas se devem aos pensamentos e ao espírito da palavra dos seres humanos — descontentamento, ódio, maldição, inveja, raiva pessoal, mentira, espírito de vingança, apego, tudo o que pertence ao mal dos pensamentos e turva o mundo espiritual. Quanto às palavras, o descontentamento para com a natureza — como "o tempo está ruim", "o tempo está péssimo", "a colheita de arroz foi fraca" —, bem como a crítica e o ataque às pessoas, os gritos de raiva e os insultos, os segredos e os enganos, as censuras e as queixas, tudo o que provém do mal turva o mundo do espírito da palavra, que é o nível seguinte ao mundo dos pensamentos. Quando o acúmulo dessas várias nuvens espirituais ultrapassa certo limite, gera-se uma espécie de toxina que causa obstáculos à vida humana; por isso, ocorre sua purificação natural — essa é a lei do Céu e da Terra. Como dito, as nuvens espirituais do mundo espiritual não afetam apenas a saúde humana: exercem também influência negativa sobre as plantas, especialmente as culturas agrícolas, resultando em más colheitas e no aumento de pragas. É por esse mesmo princípio que ocorrem, atualmente, as pragas que estão matando pinheiros e cedros em várias partes do Japão. Assim, a menos que os seres humanos se arrependam profundamente, será difícil evitá-las. Em outras palavras, são os próprios erros dos japoneses que estão matando os pinheiros e os cedros de seu próprio país. Por isso, os pensamentos e o espírito da palavra dos seres humanos devem ser extremamente vigiados. Em contraste com esses desastres naturais, os desastres causados pelo homem também são temíveis, como todos sabem. O que causa mais dano aos seres humanos é, sem dúvida, a guerra — e escreverei aqui uma teoria inédita sobre sua causa. Como se trata de algo bastante inesperado, peço aos leitores que a leiam com a mente serena. A guerra é, obviamente, uma luta coletiva. A humanidade sempre mostrou uma forte tendência a preferir a luta à paz — e isso não se limita às relações internacionais: ao observarmos qualquer aspecto dentro de um país, dificilmente há lugar onde não haja conflitos. Num órgão público, numa empresa, numa associação, em qualquer grupo, há inevitavelmente lutas ocultas e incessantes, em que os membros se criticam e se excluem mutuamente. Há também rivalidades entre pessoas do mesmo ramo, desavenças dentro do lar — entre marido e mulher, irmãos, pais e filhos —, discórdias entre amigos, e assim por diante. O ser humano, de fato, gosta muito de lutar. Mesmo em trens, bondes ou estradas, frequentemente se veem discussões entre transeuntes. Não é necessário insistir no quanto a luta está presente na vida humana. Explicarei, então, a causa dessa natureza humana que tanto aprecia a luta: todo ser humano, sem exceção, possui várias toxinas, tanto congênitas quanto adquiridas. Diz-se que essas toxinas se concentram nas partes do corpo onde a pessoa mais usa os nervos. Segundo a teoria que defendo, a região onde os nervos são mais usados é do pescoço para cima. Embora os pés e as mãos possam descansar, as funções da cabeça — cérebro, olhos, nariz, boca, ouvidos — permanecem em atividade incessante, sem um momento de descanso durante a vigília. É natural, portanto, que as toxinas se acumulem nessas proximidades, razão pela qual a maioria das pessoas sempre se queixa de rigidez no pescoço e nos ombros. Com o tempo, essas toxinas acumuladas se solidificam; quando essa solidificação atinge certo grau, ocorre uma reação oposta — um processo de dissolução e eliminação, ao qual chamamos processo de purificação. Nessa ocasião, ocorre necessariamente febre, que dissolve a solidificação para facilitar a eliminação das toxinas. Essa purificação natural é o resfriado, e o catarro, a secreção nasal e o suor são as suas manifestações. No entanto, a maioria das pessoas mantém continuamente esse processo de purificação extremamente leve do resfriado, mesmo em estado normal — e, como ele ocorre num grau quase imperceptível, a pessoa comum pensa que está saudável. Mas, mesmo nesse estado, ninguém tem uma verdadeira sensação de saúde. Por quê? Porque, se examinarmos com cuidado, há sempre um estado ligeiramente febril em toda a região do cérebro até os ombros, e sempre sintomas subjetivos como leve peso na cabeça, leve tontura, secreção ocular, secreção nasal, zumbido no ouvido, periodontite, rigidez no pescoço e nos ombros. Daí a sensação constante de desconforto — e é justamente essa sensação de desconforto o elemento problemático. Ou seja: dessa causa surge a raiva; a materialização da raiva torna-se a luta; e o desenvolvimento da luta torna-se a guerra. Como meio de eliminar o espírito de luta da humanidade, portanto, não há absolutamente nenhum outro método além de eliminar essa sensação de desconforto. Por esse princípio, todos devem perceber que, mesmo diante de uma mesma questão, quando se está com sensação de bem-estar não se incomoda, mas, quando se está com sensação de desconforto, não se consegue conter a ira. Dificilmente haverá alguém que não tenha vivido essa experiência. Um exemplo disso: Há bebês que têm o hábito de chorar muito. Diz-se que é por causa de "vermes" ou porque os "vermes" são fortes, mas, ao examinar esses bebês, há sempre um estado ligeiramente febril no cérebro e nos ombros — e também muitos bebês com rigidez nos ombros. Se recebem o Johrei da nossa Igreja, as toxinas diminuem, a febre desaparece e o hábito de chorar se cura por completo. Do mesmo modo, as crianças irritadiças, de natureza rebelde para com os pais, apresentam sempre esses mesmos sintomas — e, por meio do Johrei, curam-se, tornam-se obedientes, passam a detestar a luta e suas notas na escola melhoram. A causa da má relação entre marido e mulher é a mesma, e, também nesse caso, o Johrei os torna harmoniosos. Se a raiz da luta é, como vimos, o calor da purificação da concentração de toxinas no cérebro e na região do pescoço e dos ombros, curá-la por completo é o único meio de solução. Não será exagero dizer, assim, que o Johrei da nossa Igreja é o método absoluto, único e sem igual no mundo para a eliminação fundamental da luta. Todos os problemas do sofrimento, com exceção da guerra, seguem igualmente esse princípio: pensamentos como o ideário destrutivo e a luta de classes têm por causa o descontentamento e a insatisfação nascidos dessa sensação de desconforto. Ademais, para escapar dela, a pessoa busca inconscientemente estímulos fortes — o que resulta, obviamente, em crimes como bebida alcoólica, libertinagem, preguiça e luta. Os ambiciosos e materialistas de cada época abusam desse princípio, alimentam o descontentamento e a insatisfação, provocam guerras e causam revoluções sociais malignas. Para estabelecer a paz eterna neste planeta, portanto, é necessário, antes de tudo, eliminar a sensação de desconforto de cada ser humano e tornar plena a sensação de bem-estar. É um fato incontestável que, como resultado, ele passará a detestar a luta e se tornará um amante da paz. Deve-se saber que não há outro poder senão o da nossa Igreja para fazer compreender um princípio como este e obter resultados práticos. A Raiz do Mal Social Hikari nº 9, publicado em 14 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Discutirei agora os males sociais, que são a maior aflição do Japão atual. Antes disso, é necessário examinar as medidas que governantes e intelectuais vêm adotando. Os governantes tornam as leis e os regulamentos cada vez mais rigorosos e intensificam a fiscalização, mas, como é óbvio, essas medidas não tocam a raiz do problema. Por isso, os malfeitores se dedicam a descobrir como burlar as leis com habilidade: ficam à espreita de brechas na rede da lei e, ao encontrar uma oportunidade, tentam rompê-la. As autoridades, para impedir que a rede seja rompida, tornam-na cada vez mais cerrada, esforçando-se para não deixar qualquer brecha. É, pura e simplesmente, uma competição de astúcia entre o bem e o mal. Quando se pensa nas pessoas que burlam a rede da lei, é fácil associá-las a criminosos reincidentes, chefes do crime organizado e delinquentes. Mas, na realidade, não se trata apenas dessa classe de pessoas inferiores: desde ministros até políticos, deputados, funcionários públicos e figuras notáveis do mundo empresarial, quase não há quem não cometa crimes. Diz-se até que os que hoje vêm à tona como criminosos são apenas uma parte deles, e o mundo comenta com frequência que os apanhados são apenas azarados — o que mostra existir uma grande quantidade de crimes ocultos que nunca vêm à superfície. Ao examinarmos com profundidade esses criminosos, podemos afirmar o seguinte: eles não temem o pecado. Mesmo causando prejuízos à nação, espalhando venenos prejudiciais à sociedade ou fazendo outras pessoas sofrerem, não sentem vergonha na consciência. Sabem censurar os outros, mas não sabem censurar a si mesmos. Ouvimos com frequência que, enquanto o povo sofre com impostos pesados, são muitos os funcionários públicos que se entregam a farras em banquetes. Se um ser humano não se incomoda com os próprios atos ilícitos, não se envergonha de suas ações impuras ou não sente compaixão ao fazer os outros sofrerem, já perdeu o valor como ser humano. Por mais que profira teorias sublimes e se orgulhe de seu conhecimento, isso, por si só, não lhe confere valor humano: é um ser humano material, sem alma. É porque hoje há um número excessivo de pessoas assim que os males sociais se espalham, dando ao mundo uma aparência infernal. Em suma, pode-se dizer que todo o Japão se tornou um paciente gravemente enfermo. Qual é a causa de fenômenos tão preocupantes como esses? Não deve haver espaço para dúvida: deve-se inteiramente à educação baseada no materialismo, como sempre tenho dito. Por isso, o método para erradicar os males sociais não é particularmente difícil: basta destruir o pensamento materialista — somente isso. Qual é, então, o método? A educação baseada no espiritualismo, é claro — isto é, reconhecer a existência de Deus, crer na existência do espírito e do mundo espiritual. Essa é a missão preciosa da religião do futuro. No entanto, ainda que se preguem teorias religiosas em vão, ou se façam sermões e nembutsu, é impossível fazer com que se reconheça Deus ou o espírito. É imprescindível manifestar milagres concretos e conceder, de forma notável, graças recebidas nesta vida. Fora isso, não há absolutamente nenhum método para destruir o pensamento materialista. Famoso Médico, o Falecido Doutor Irisawa Hikari nº 23, publicado em 20 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Segundo o doutor, "o médico que não recorre a um pouco de embuste não consegue ganhar o pão de cada dia" — e essa é uma frase célebre. Isso porque, mesmo sabendo que não vai curar, é preciso dizer que vai curar; mesmo diante de uma doença que não se compreende, é preciso fazer cara de quem compreende — de modo que, sendo demasiado consciencioso, não se consegue ganhar a vida. Isso, porém, não vale só para os médicos: quase tudo neste mundo tem um pouco de embuste, de modo que talvez seja cruel culpar apenas os médicos por isso. O doutor disse ainda que "se os médicos desaparecessem, os doentes também desapareceriam" — se isso é ou não uma observação perspicaz, fica a critério de quem a lê. O que é interessante é o poema de despedida do doutor: "Embora pense que não faz efeito, por obrigação, tomo eu mesmo o remédio que fiz outros tomarem." Autointoxicação Hikari nº 23, publicado em 20 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Na medicina, fala-se com frequência em "autointoxicação", mas esse termo não faz sentido algum. Intoxicação, normalmente, significa algo que entra no corpo vindo de fora, através de bebidas ou alimentos; dizer que a pessoa intoxica a si mesma é, no mínimo, estranho. Costuma-se dizer que a constipação provoca autointoxicação, provavelmente por se imaginar que as fezes retidas voltam a penetrar no organismo — mas isso jamais acontece; quando há constipação, o que ocorre é apenas a solidificação gradual das próprias fezes. Não há, portanto, motivo algum para temer a constipação. Entre os pacientes que tratei, houve um caso de câncer de estômago que se curou por completo após ficar vinte e oito dias constipado, e também uma pessoa que ficou meio ano constipada. Antigamente, saiu numa revista feminina o relato de alguém que ficou dois anos constipado. A Causa da Sarna Hikari nº 23, publicado em 20 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) A causa da sarna é a vacinação contra a varíola. Como a vacinação enfraquece a força de manifestação da toxina da varíola, essa toxina passa a se manifestar de forma lenta — e é isso que é a sarna. Considerando que a sarna em estado grave apresenta os mesmos sintomas da varíola, pode-se dizer que ela é uma varíola crônica. Por conseguinte, antes de existir a vacinação, a doença da sarna não deveria ter existido. Tabaco e Medicina Hikari nº 40, publicado em 17 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) O Departamento de Monopólio, esgotado de tentativas porque os cigarros Peace não vendem, chegou ao ponto de recorrer a toda sorte de medidas desesperadas, recrutando até mesmo as "senhoritas Peace" como último recurso — o que é mais cômico do que qualquer outra coisa, e totalmente equivocado. A razão pela qual os cigarros Peace não vendem é, obviamente, a influência dos cigarros estrangeiros; mas afirmar que é apenas isso se deve ao fato de serem piores do que os cigarros estrangeiros. Se o sabor fosse bom e o preço baixo, tenho certeza de que venderiam mesmo sem usar as "senhoritas Peace" como propaganda. Algo assim parece fácil de entender, mas talvez, mesmo entendendo, não consigam agir de acordo — é realmente algo inexplicável. O mesmo pode ser dito sobre as doenças com as quais nos deparamos constantemente. A respeito disso, algumas pessoas afirmam veementemente que é inadmissível a religião realizar tratamentos de doenças, que, apesar de existir uma medicina avançada, recorrer a uma religião maligna e supersticiosa é extremamente perigoso, e promovem campanhas de propaganda e obstrução. Até os jornais fazem o papel de bajuladores nisso, o que é insuportável. É uma situação muito semelhante à do tabaco: o Departamento de Monopólio e os médicos não passam de algo totalmente descabido. Pois, se curassem os doentes um após o outro, o problema estaria resolvido, apenas isso. É justamente por não curarem de forma alguma que, sem alternativa, as pessoas recorrem a uma religião maligna e supersticiosa — é natural que se busque aquilo que cura mais do que a medicina. Em suma, a terapia dos espíritos de divindades da nossa Igreja está, para a medicina, assim como os cigarros estrangeiros estão para os cigarros nacionais. Fica aqui esta reflexão, dirigida ao Departamento de Monopólio e à Associação Médica. 3. Economia — Dinheiro Desonesto Não Permanece Hikari nº 14, publicado em 25 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Desde os tempos antigos, existe o ditado "dinheiro desonesto não permanece com ninguém", e isso é absolutamente verdadeiro. A respeito disso, gostaria de oferecer uma interpretação espiritual. Quando se fala em especulação, há diversos tipos, como o mercado de ações, a flutuação de preços de mercadorias, as apostas em corridas de cavalos, e assim por diante. Como exemplo representativo, interpretarei o mercado de ações. Eu mesmo, na época em que ainda não tinha fé, também me envolvi no mercado de ações, comprando e vendendo por vários anos, mas acabei sofrendo um grande fracasso. Isso, naturalmente, tornou-se um dos motivos que me levaram a ingressar na vida de fé e, ao conhecer o aspecto espiritual, compreendi que jamais se deve praticar tal coisa. Por isso, desejo sinceramente que este texto seja lido por quem se interessa pelo mercado. Costuma-se dizer que, no mercado, cem pessoas perdem para que uma ganhe, e é exatamente assim. Ainda que alguém se torne um novo-rico com uma fortuna instantânea, dificilmente essa situação se prolongará; além disso, quanto maior o lucro, maior a perda, e quanto mais se ganha, mais o futuro dessa pessoa se assemelha a um precipício de boca aberta a esperá-la. Espiritualmente, a situação é a seguinte: a maioria das pessoas que sofre prejuízo sente um profundo arrependimento e deseja, de alguma forma, recuperar o que perdeu — isso é da natureza humana. Para onde se dirige, então, esse pensamento de rancor? Ele tenta alcançar a pessoa que absorveu seu dinheiro mas, como não se sabe quem é, acaba se concentrando no próprio local de negociação e, mais ainda, nas cédulas de dinheiro. Nesse momento, se observado com os olhos espirituais, vê-se que, na superfície das cédulas do local de negociação, estão impressos milhares e milhares de rostos de pessoas ressentidas. Cada um desses rostos está ligado ao seu respectivo dono por um elo espiritual, de modo que o pensamento de recuperar o dinheiro puxa constantemente essas cédulas. Por isso, o dinheiro jamais permanece estável por muito tempo no cofre do proprietário; mais cedo ou mais tarde, é puxado, resultando em grandes perdas e na perda total do dinheiro. Isso não se aplica apenas à especulação, mas é comum a todas as questões financeiras. Quando se obtém riqueza por meios ilícitos, por exemplo, ou quando não se dá o dinheiro que deveria ser dado, ou se reduz intencionalmente o valor, ou não se paga uma dívida, a outra parte sente rancor — e, como mencionado, acaba-se sendo forçado a devolver o dinheiro. No entanto, comprar ações não com o objetivo de especular, mas sim de obter juros — ou seja, dividendos —, é algo louvável: isso não apenas não gera rancor, como também é necessário para o desenvolvimento da indústria, devendo ser amplamente incentivado. Sobre os Novos Medicamentos para Tuberculose Hikari nº 24, publicado em 27 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Dificilmente haverá algo que apareça e desapareça, apareça e desapareça, como os novos medicamentos para a tuberculose. Exporei minha opinião sobre a causa disso. Como sempre pregamos, os medicamentos, em geral, têm apenas o efeito de interromper temporariamente a doença, que é um processo de purificação. Como, quando interrompida, a doença aparenta estar curada, as pessoas se deixam enganar por isso, iludem-se com uma falsa cura e anunciam que tal medicamento é eficaz. No entanto, como originalmente não se trata de uma cura verdadeira, com o tempo a purificação se manifesta novamente, e a doença ressurge. Por isso, o medicamento desaparece naturalmente. Cria-se, então, um novo medicamento com o mesmo efeito de interromper a purificação, que também se mostra ineficaz, e cria-se outro — a realidade é que esse ciclo se repete indefinidamente. Se a medicina compreendesse esse princípio fundamental, quão salva estaria a humanidade. Sobre os Hormônios Hikari nº 23, publicado em 20 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Vou escrever um pouco sobre os hormônios. Como é amplamente conhecido, são muito utilizados em casos de fadiga, diminuição do desejo sexual, desenvolvimento insuficiente do útero, e outros males. No entanto, a matéria-prima desse medicamento, para uso masculino, é extraída e preparada a partir da urina de éguas; para uso feminino, a partir da urina dos banheiros dos dormitórios de jovens rapazes. Quem não sabe disso, ao ouvir tal fato, certamente franzirá o rosto. Originalmente, o sangue humano deve ser puro. Prova disso é que, nos exames de velocidade de hemossedimentação, quanto mais rápida a sedimentação, pior é considerado — o que se deve ao fato de o sangue apresentar grande turbidez. A medicina que considera o sangue impuro como causa das doenças é, portanto, contraditória neste ponto. O efeito dos medicamentos hormonais é apenas temporário; depois dele, a pessoa se torna portadora de sangue turvo e, por conseguinte, portadora da causa da doença. Lavar os Olhos Hikari nº 26, publicado em 10 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Quando me perguntam se é bom ou não lavar os olhos, respondo: Respondi: "Em vez de lavar os olhos, é melhor lavar a tanga. Os olhos não devem ser lavados." Os olhos são constantemente lavados pelas lágrimas e pela mucosa. Não se sabe quantas vezes isso é superior à água ou a um pedaço de pano. Que mundo problemático este em que vivemos. A Câmara Revogadora de Leis e a Câmara Legislativa Hikari nº 21, publicado em 6 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Dizem que o parlamento é o poder legislativo. De fato, ano após ano, ele estabelece novas leis e regulamentos. No entanto, isso não é motivo de orgulho: é, na verdade, porque os males sociais aumentam. Se as pessoas boas se multiplicassem, não haveria necessidade de leis e regulamentos, e portanto não haveria necessidade de legislar. É justamente no fato de o parlamento se tornar um poder que abole as leis que reside o verdadeiro progresso da cultura. O Ser Humano é Segundo Seus Pensamentos Hikari nº 25, publicado em 3 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) A gratidão gera gratidão, e a insatisfação atrai insatisfação — isto é, verdadeiramente, a pura verdade. Porque o coração grato se comunica com Deus, enquanto o coração insatisfeito se comunica com os maus espíritos. Por essa razão, é fato que a pessoa que vive constantemente agradecida torna-se naturalmente uma pessoa feliz, ao passo que aquela que vive sempre reclamando, insatisfeita e a resmungar, torna-se uma pessoa infeliz. O Ofudesaki da religião Oomoto diz: "Se você se alegrar, coisas alegres virão até você" — esta é, verdadeiramente, uma palavra de suprema sabedoria. Crianças com Deficiência Intelectual São Curáveis Hikari nº 45, publicado em 14 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Atualmente, o número de crianças com deficiência intelectual no Japão é estimado em mais de oitocentas mil. Se considerarmos que uma quantidade tão grande de cidadãos está sendo desperdiçada, a perda para a nação provavelmente não é pequena. Pode-se até reconhecer o esforço atual da nação em oferecer educação adequada e cultivar essas pessoas para que se tornem produtivas — mas isso, na verdade, não passa de um método passivo, que não constitui uma verdadeira solução. A verdadeira solução é curar a deficiência intelectual de cada uma dessas pessoas e torná-las pessoas comuns. Como isso é impossível para a medicina moderna, porém, não há alternativa senão adotar o método secundário mencionado, contentando-se com o nível atual de medidas. Para a nossa medicina divina, contudo, tornar crianças com deficiência intelectual em pessoas comuns não é algo difícil. Divulgo, por isso, este fato. Explicarei, primeiramente, a causa da deficiência intelectual. Onde reside essa causa? No nariz. Como sempre digo, o cérebro humano se divide em duas partes: a parte frontal exerce as capacidades racionais, como conhecimento e memória, enquanto a parte posterior governa as emoções, como alegria, raiva, tristeza e prazer. Quando há, porém, acúmulo e solidificação de toxinas na parte frontal desde o nascimento, essas toxinas se dissolvem gradualmente, descem e se solidificam no interior das narinas. Como resultado, a pessoa não consegue respirar pelo nariz, passando a respirar pela boca. Com base nesse princípio, para curar a deficiência intelectual é preciso, primeiro, possibilitar a respiração pelo nariz — e, para isso, eliminar as toxinas da parte frontal, que são a causa do bloqueio das narinas. No entanto, de nada adianta conhecer a causa se não houver um método para eliminar essas toxinas. Como tal eliminação é absolutamente impossível para a medicina, não há escolha senão adotar o método secundário mencionado. Já que a nossa medicina divina torna esse método possível, porém, divulgo-o aqui para o mundo. A Inspiração Espiritual para a Reconciliação entre os Estados Unidos e a União Soviética Hikari nº 30, publicado em 8 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) No mundo atual, os sofrimentos da humanidade são incontáveis; nem é preciso dizer que aquele que ocupa o trono mais elevado é a questão entre os Estados Unidos e a União Soviética. Se os diversos problemas entre os EUA e a URSS fossem resolvidos e chegasse o tempo em que o Sr. Truman e o Sr. Stálin se dessem as mãos, quão salva seria toda a humanidade e quão brilhante se tornaria o mundo — algo incalculável. Compreendemos bem, contudo, que, mesmo que esperemos por algo assim, isso não é levado em consideração, como algo impossível e sem realidade. Pensar que não há possibilidade de realização, porém, é uma visão que pressupõe que o estado atual continuará como está. No mundo de hoje, que avança a passos largos e muda como um caleidoscópio, não se pode prever com segurança que tipo de mudanças ocorrerão — é algo que o julgamento humano, incapaz de ver nem um palmo adiante, não consegue compreender. Só Deus, que governa o mundo sozinho, o conhece, e mesmo os descrentes podem imaginá-lo. Por isso, acreditamos firmemente em algo que, no presente, nem sequer parece imaginável. Esta é a inspiração espiritual concedida apenas aos crentes. Naturalmente, por sermos nós os que acreditamos, propomos que, visando à sua realização, devemos exercer ao máximo a Sabedoria Sagrada, o entusiasmo e o esforço, e iniciar um grande movimento. De fato, movimentos como o da UNESCO e o MRA, surgidos recentemente, são extremamente úteis e adequados ao momento atual para a paz da humanidade, e não hesitamos em manifestar nossa concordância com eles. Como fundamento, porém, não há meio mais eficaz do que tornar realidade a reconciliação entre os EUA e a URSS. Isso porque, mesmo que esses movimentos tenham como alvo apenas países que não a União Soviética e tenham como objetivo o anticomunismo, ainda que bem-sucedidos, não se tornarão uma solução fundamental — a ameaça soviética provavelmente persistirá, e há até o perigo de que aumente. Nesse sentido, todos os países, exceto a União Soviética, devem se unir e, ao mesmo tempo em que se preparam com armas contra a URSS, realizar uma grande ofensiva de paz dirigida ao Sr. Stálin e ao povo soviético. Qual seria, então, a estratégia dessa ofensiva de paz? É a grande união de todas as religiões do mundo, começando pelo Cristianismo, unindo centenas de milhões de religiosos numa só massa e iniciando o maior movimento desde a criação do mundo. Naturalmente, o povo não religioso também deve dar toda a assistência possível — pois, se a Terceira Guerra Mundial, grande ameaça para toda a humanidade, puder ser evitada por meio disso, será um sacrifício extremamente barato. Propor um artigo de significado tão audacioso a partir de um canto do pequeno Japão, país derrotado na guerra, pode parecer, como se diz no estilo japonês, extremamente presunçoso. No entanto, como também somos membros da humanidade e desejamos ardentemente o bem-estar de toda ela, dirigimo-nos aqui ao mundo. A Grande Revolução na Agricultura: Cultivo sem Fertilizantes em uma Horta Doméstica Limpa e que se Pode Desfrutar de Todo o Coração Hikari nº 3, publicado em 30 de março do ano 24 da Era Showa (1949) Sobre o cultivo sem fertilizantes, já publiquei uma explicação detalhada no número inaugural de "Tijotengoku", mas aquele artigo tinha em vista os agricultores profissionais. Desta vez, explicarei tendo em vista, principalmente, a horta doméstica. Os agricultores profissionais têm obtido excelentes resultados com o cultivo sem fertilizantes, como já foi relatado em "Tijotengoku" e neste jornal, e creio que os leitores já o compreenderam em linhas gerais. No caso da horta doméstica, porém, praticada por amadores — não profissionais —, posso afirmar que o evangelho do cultivo sem fertilizantes será recebido com uma alegria comparável à de quem encontra uma luz na escuridão da noite. Na horta doméstica, até hoje, usava-se principalmente o esterco humano como fertilizante, e lidar com esses dejetos, além do mau cheiro, é um sofrimento quase insuportável em vários aspectos. Sem fertilizante algum, esse sofrimento desaparece por completo, e o cultivo pode ser feito de forma verdadeiramente limpa e com todo o coração. Além disso, os resultados são notavelmente melhores do que com o uso de fertilizantes, e ainda se economiza bastante mão de obra — é, de fato, matar dois coelhos com uma cajadada só. Passo a enumerar, a título de experiência, os pontos vantajosos: Primeiro, o fertilizante é apenas o composto natural, sem o incômodo do esterco humano, economizando também mão de obra. Segundo, todas as hortaliças são de qualidade superior, com um sabor tão delicioso que não se compara ao das hortaliças cultivadas com fertilizantes. Terceiro, em geral, são maiores e a quantidade também aumenta. Quarto, a ocorrência de pragas se reduz a uma fração da verificada no cultivo com fertilizantes, de modo que não há necessidade de pesticidas. Quinto, não há preocupação com a propagação de parasitas, especialmente de lombrigas. Além dos itens acima, há vários outros efeitos, mas escrevi apenas os principais. Como a maioria das hortas de amadores tem terrenos pequenos e não cultiva arroz ou trigo, dedicando-se quase exclusivamente a hortaliças, explicarei cada um deles com base em nossas experiências já realizadas. A batata-inglesa é de um branco puro, tem textura cremosa, aroma forte e estimula o apetite de forma extraordinária. Nos casos de cultivo por amadores, quando a batata não vinga bem ou o crescimento é ruim, isso se deve aos fertilizantes; sem eles, os tubérculos vingam bem e em grande número. O milho tem o caule grosso, as folhas de um verde intenso, é alto e, à primeira vista, parece mais gigantesco que o normal. As espigas são grossas e longas, os grãos estão alinhados de forma densa e uniforme, são macios e doces, e todos se surpreendem com seu sabor delicioso. O nabo é de cor branca, textura fina, mais longo e mais grosso que o normal, com uma sensação cremosa na língua e decididamente mais saboroso. Muitas vezes, os nabos ficam fibrosos ou desenvolvem partes ocas, o que também se deve aos fertilizantes. Todas as verduras para conserva — espinafre, mizuna, couve-chinesa, repolho e outras — também têm aroma forte, são macias, grandes e estimulam o apetite de forma extraordinária. No final do ano passado, um horticultor amador trouxe para me mostrar três pés de couve-chinesa, cada um pesando 1 kan e 500 momme (cerca de 5,6 kg cada). Eram tão gigantescos que nunca tinha visto algo igual. As leguminosas, é claro, também têm bons resultados, especialmente a soja verde, que tem porte baixo, folhas pequenas e uma colheita cerca de duas vezes maior. Muitas vagens têm quatro grãos, e quase não há vagens com um único grão. No caso das leguminosas cultivadas com fertilizantes, o porte é alto, as folhas são grandes, há muita queda de flores e a produção é baixa; já no cultivo sem fertilizantes, um aumento de 50% a 100% é certo. A berinjela tem boa cor, casca macia, aroma forte, e tanto a aparência quanto o sabor são tais que, uma vez provada uma berinjela cultivada sem fertilizantes, não se tem mais disposição para provar uma cultivada com fertilizantes. Cebolinha, cebola, tomate, abóbora, melão e outras cucurbitáceas serão omitidos aqui, mas são, obviamente, excelentes. A abóbora, em especial, tem uma textura cremosa na língua e um sabor adocicado indescritível. Os tubérculos, especialmente a batata-doce, são surpreendentemente gigantescos. Se a colheita for muito adiada, crescem a um tamanho que não se pode acreditar que sejam batatas-doces. As frutas também são excelentes, especialmente as frutas cítricas, o caqui e o pêssego, que têm um sabor incomparável ao dos cultivados com fertilizantes. O exposto acima é apenas um resumo bastante geral. A seguir, explicarei o método de uso do composto natural e o seu princípio. O que é necessário no cultivo sem fertilizantes é o composto natural. O composto natural também é de dois tipos: o de folhas de gramíneas e o de folhas de árvores. As folhas de gramíneas são adequadas para misturar com a terra, e as de árvores, para fazer a cama. Passarei a escrever, então, sobre o efeito e o princípio do método da agricultura natural. Qual é a diferença entre os fertilizantes convencionais e a ausência de fertilizantes que defendemos? Originalmente, o solo é uma substância misteriosa e profunda, criada pelo Criador para fazer crescer todos os alimentos vegetais. Fazer com que a vitalidade do solo se manifeste com mais vigor é, portanto, o que está de acordo com o propósito original do solo. As pessoas antigas, que desconheciam essa verdade, passaram a usar fertilizantes em algum momento, baseadas numa interpretação equivocada. Como resultado do uso de fertilizantes, a capacidade de crescimento original do solo se perde, e a terra morre. Tenta-se então compensar isso com mais fertilizantes e, como resultado de aplicá-los indiscriminadamente, as plantas sofrem de intoxicação por fertilizantes. Diz-se que o solo do Japão se tornou empobrecido, mas isso se deve, obviamente, aos fertilizantes. Especialmente nos últimos anos, o uso de fertilizantes químicos acelerou o empobrecimento do solo. A maior prova disso é que, quando a colheita de arroz e outras culturas diminui, faz-se a troca de terra (substituição do solo superficial por terra virgem). Com isso, a colheita aumenta temporariamente. Nesse caso, os agricultores costumam interpretar: “Como as culturas esgotaram os nutrientes do solo ao longo de muitos anos de cultivo, a colheita diminuiu; se trocarmos a terra por terra virgem, os nutrientes voltam a ser suficientes, por isso é bom.” Isso é um grande erro. Na verdade, com a aplicação anual de esterco humano e fertilizantes comprados, o que se perde é a vitalidade do solo. Se a terra for trocada, como não há toxicidade de fertilizantes, a vitalidade do solo se recupera. E qual é o propósito do composto natural? É evitar que a terra se compacte e aquecê-la. A base para tornar vigorosa a capacidade de crescimento das plantas é melhorar o desenvolvimento das raízes. Para isso, o mais importante é que a terra não se compacte. Por isso, mistura-se bem o composto natural com a terra. Quando as plantas estendem as raízes, para melhorar o crescimento das radículas nas extremidades, o composto de folhas de gramíneas é ideal, pois suas fibras são macias e não atrapalham o crescimento das raízes. As folhas de árvores, por outro lado, têm fibras duras, de modo que não é bom misturá-las à terra — é melhor usá-las para fazer a cama e aquecer o solo. O ideal é fazer uma camada de cerca de 30 cm de uma mistura de folhas de gramíneas e terra e, na parte inferior, uma cama apenas de folhas de árvores, também com cerca de 30 cm de espessura. Isso é bom para verduras, leguminosas e todas as outras hortaliças. Para legumes de raiz, como nabo, cenoura e bardana, porém, deve-se ajustar a camada de solo de acordo com a cultura, fazendo, tanto quanto possível, canteiros altos e garantindo boa exposição solar às raízes, o que resulta num crescimento muito melhor. No caso da batata-doce, se forem feitos canteiros altos de cerca de 60 cm, com espaçamento de cerca de 30 cm entre as mudas, os tubérculos ficam surpreendentemente gigantescos. Costuma-se dizer que os canteiros devem ser orientados no sentido leste-oeste ou norte-sul, mas o que importa, na verdade, é a exposição solar. Basta, portanto, fazê-los considerando a incidência de sol e a direção do vento no local. Se o vento for forte, pode quebrar os caules ou levar a terra, por isso é necessário criar um quebra-vento com árvores e uma cerca adequada. Como princípio geral, quanto mais limpo o solo, mais forte se torna sua vitalidade. Aplicar imundícies como fezes e urina na terra, portanto, produz o resultado oposto. Ainda que se possa dizer que os agricultores antigos não sabiam disso, na verdade não era apenas um esforço em vão, mas um fator negativo. Além disso, os americanos não comem, de forma alguma, hortaliças japonesas — por medo de parasitas, é claro. Com o cultivo sem fertilizantes, essa preocupação desaparece. Esta é, verdadeiramente, a grande revolução na agricultura, um grande evangelho para os nossos compatriotas. A Casca da Tangerina e as Espinhas do Peixe Hikari nº 44, publicado em 7 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Atualmente, as tangerinas estão na época da colheita, e a maioria das pessoas as come; mas há algo, a esse respeito, que deve ser observado. A medicina afirma que, na tangerina, a casca tem mais nutrientes do que a polpa — pois contém todas as vitaminas A, B e C, e por isso seria recomendada. No entanto, isso também está completamente errado. É uma falácia, presa a teorias acadêmicas, que ignora por completo a natureza. Afinal, o que significa o fato de a casca ter um gosto pior do que a polpa? Deus está mostrando, com isso, que a casca não é algo para se comer — logo, comer a polpa é o correto. Não é, então, uma explicação excelente? É preocupante o retrocesso de uma medicina que já não consegue compreender algo tão óbvio quanto isso. O mesmo se pode dizer quando a medicina recomenda comer as espinhas dos peixes porque têm cálcio: insistir em comer algo sem gosto e que os dentes humanos não conseguem mastigar é tratar os seres humanos como se fossem gatos. Os homens modernos são, de fato, dignos de pena. Um Mundo às Avessas Hikari nº 40, publicado em 17 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) Desde os tempos antigos, costuma-se dizer que as pedras flutuam e as folhas das árvores afundam. É exatamente isso que está acontecendo hoje, e por isso este é um mundo problemático. Isso porque ignoram o fato de que, graças à nossa Igreja, doenças graves e incuráveis estão sendo curadas, e dezenas de milhares de pessoas se alegram e saltam de alegria a cada dia. Ainda assim, consideram a nossa Igreja uma religião maligna e supersticiosa, e os jornais escrevem, com ar de satisfação, artigos difamatórios repletos de malícia. Em contrapartida, a medicina moderna — cuja taxa de cura é incomparavelmente inferior à da nossa Igreja, e que ainda por cima exige grandes despesas — é considerada a terapia correta, sem qualquer sombra de dúvida; pior ainda, elogiam e publicam teorias que, do nosso ponto de vista, são ridículas. Isso só nos causa espanto. Ah, esses fanáticos cegos certamente abrirão os olhos algum dia. Outra Perspectiva sobre o Problema do Controle de Natalidade Hikari nº 12, publicado em 11 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Atualmente, um dos temas que se tornaram objeto de debate acalorado no Japão, como questão premente, é o problema do controle de natalidade. Não é preciso dizer que a motivação para essa questão está no fato de que, em razão da estreiteza do território nacional após a derrota na guerra, há uma escassez de cerca de vinte a trinta por cento dos alimentos necessários para sustentar uma população de oitenta milhões de pessoas. Por outro lado, como não é possível, no momento, expandir o território nacional o bastante para suprir essa deficiência, é evidente que o país não tem alternativa senão adotar uma política de contenção que reduza a população. Há, é verdade, uma oposição considerável a essa ideia por parte de posições religiosas e de pontos de vista humanitários; ainda assim, do ponto de vista científico e do senso comum, a teoria do controle de natalidade parece ser mais prática, sendo natural que o próprio governo se veja obrigado a considerá-la. Aqui, pretendemos propor um método positivo, alternativo às leis de controle de natalidade. É verdade que, antes da Grande Guerra, esse método já havia sido defendido por alguns intelectuais da Alemanha, da Itália e do Japão, e talvez haja quem o conheça — mas nós o levamos a um grau mais aprofundado, apresentando ainda uma versão modificada, tornando-o o mais pacífico possível, na esperança de chamar a atenção das autoridades. Se observarmos atentamente este vasto globo terrestre, não podemos deixar de reconhecer que a distribuição da população é extremamente desequilibrada. Por um lado, existem vastas regiões desabitadas que se estendem por centenas de milhas pela África, pela América, pela Ásia; por outro, no Japão, uma área do tamanho de uma ponta de dedo abriga uma população densa de oitenta milhões de pessoas, a ponto de ser necessário impor um controle de natalidade contrário aos princípios humanitários. Diante desse fato lamentável, chega-se a pensar se isso não seria, de fato, uma grande injustiça. Nesse sentido, ainda que se exijam medidas para corrigir essa injustiça e distribuir de forma adequada a população japonesa, não se pode considerar que seja uma exigência descabida. Do ponto de vista da Lógica, o que foi exposto acima não é de forma alguma irracional; há aqui, porém, um problema: devido às guerras de agressão do passado, o Japão ainda hoje se encontra numa situação em que as nações do mundo o observam com cautela. Por isso, mesmo sabendo que o Japão enfrenta dificuldades com a questão populacional, não é de estranhar que essas nações não se disponham facilmente a ajudar a resolvê-la. Diante disso, ao refletir sobre como superar esse obstáculo, conclui-se que a única saída é fazer com que se sinta, do fundo do coração, a certeza de que os japoneses são um povo amante da paz — devendo essa política ser implementada com toda a determinação. Explicarei, a seguir, em que consistiria esse método. Se o Japão quisesse, além de eliminar por completo o espírito de agressão, demonstrar vigorosamente ser uma nação amante da paz, não haveria outro meio senão a religião. Sendo a religião, acima de tudo, um ideal comum a todo o mundo, é improvável que alguém, seja de dentro ou de fora do país, levante objeções a isso. No entanto, não se pode tratar de uma fé superficial e falsa, adotada por conveniência ou como mera política — esse tipo de engano certamente terá sua máscara arrancada um dia. A política fundamental deve ser, inegavelmente, o desencadeamento de um grande movimento religioso. Naturalmente, isso não significa restringir-se a uma seita específica, pois, limitando-se a uma única seita, seria difícil conquistar a maioria dos crentes em pouco tempo. Pode-se apenas afirmar o seguinte: distribuir os fiéis cristãos pelas regiões de povos brancos, os budistas pela Ásia, os xintoístas pelas demais regiões, e assim por diante, poderia ser um dos métodos. Bastando que sejam pessoas religiosas, como se vê, é evidente que não haverá espaço para ideias de guerra ou de agressão, e será possível cooperar e harmonizar-se com qualquer povo. Com isso, os japoneses poderão conquistar a confiança do mundo. Chegada a fase de execução, bastaria selecionar, sob a rigorosa escolha de cada organização religiosa, um número adequado de emigrantes, e decidir isso em cooperação com os responsáveis das potências Aliadas. Elabora-se o método acima e submete-se ao Quartel-General das Forças Aliadas, buscando sua aprovação. O que se deve saber aqui é que, entre os intelectuais da Europa e da América, não há dúvida de que se dedica atenção extremamente grande ao vigoroso aumento populacional do Japão. Por isso, acredito que, mesmo que o Japão proponha uma política populacional como a mencionada, isso não suscitará qualquer desconfiança; pelo contrário, talvez seja aceito com surpreendente facilidade, como algo natural. É claro que, por se tratar de uma questão de grande importância, não se obterão resultados rapidamente; mas, se o movimento for persistente e repetido, pode-se esperar que, mais cedo ou mais tarde, se alcancem resultados favoráveis. É assim que ouso perguntar aos políticos e intelectuais sobre uma política nacional como a descrita acima. Os Japoneses e o Sentimento Religioso Hikari nº 40, publicado em 17 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) O presidente dos Estados Unidos, Truman, na noite de 30 de outubro de 1949, em um programa especial de rádio intitulado “A Vida Religiosa dos Americanos”, fez a seguinte transmissão: “Os Estados Unidos são, desde sua fundação, uma nação com um senso religioso extremamente forte. O que os fundadores dos Estados Unidos buscavam era que cada pessoa pudesse adorar a Deus de forma livre, e esta foi uma das fortes motivações que os levaram a se mudar da Europa para o Novo Mundo. O lema na época da independência dos Estados Unidos era ‘uma nova fé’, e ainda hoje dedicamos uma fé profunda a Deus. As nações estrangeiras agora veem os Estados Unidos como um líder no caminho para a paz, e estou confiante de que temos força suficiente para corresponder a essa expectativa, e isso se deve, sem dúvida, ao fato de termos uma profunda crença religiosa. A raiz da força dos Estados Unidos como nação é espiritual. Assim como os pioneiros, com uma fé ativa, conquistaram o deserto, também hoje, com uma fé ativa, poderemos trabalhar para realizar um mundo de paz justa, liberdade para todos e onde a vida humana mantenha sua verdadeira santidade.” Como se depreende da declaração do Sr. Truman acima, é uma maravilha para o mundo que os Estados Unidos, em pouco mais de cem anos, tenham construído uma posição inabalável como líder mundial, como hoje se vê — e cabe compreender onde residiu a causa disso. Ela reside inteiramente no fato de que um espírito religioso sublime lhes serviu de alicerce. Por isso, também para a reconstrução do Japão, o mais essencial, nem é preciso dizer, é que todo o povo tenha fé. O fato de que, nos Estados Unidos, qualquer família, sem exceção, possui uma Bíblia em casa é algo realmente digno de inveja. Movimento de Celestialização através das Flores Hikari nº 8, publicado em 8 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Afinal, que espécie de mundo é este Paraíso Terrestre cuja construção constitui o objetivo de nossa Igreja? Nem é preciso dizer que se trata de um mundo onde a Verdade, o Bem e o Belo se manifestam plenamente. O método de saúde — que é a própria vida da nossa Igreja — e o da agricultura natural são a concretização desse mundo; o Johrei, por sua vez, realiza não apenas a transformação do corpo, mas também a espiritual. Ainda assim, é igualmente urgente elevar o coração das pessoas por meio da beleza. Quanto à beleza, trata-se de um novo projeto de nossa Igreja, posto em prática neste momento. Tratemos primeiro da situação atual do Japão nesse campo. Em linhas gerais, a beleza pode ser dividida nos domínios do ouvido, dos olhos e da língua. No domínio do ouvido, dificilmente terá havido época em que a música fosse tão próspera como hoje. A causa principal é, sem dúvida, o rádio; mas o desenvolvimento do fonógrafo e dos discos de gravação também contribuiu significativamente. No domínio dos olhos, porém, a situação é lamentavelmente precária, dependendo apenas do teatro, do cinema e de meios semelhantes. Deseja-se algo que, de forma mais simples, mais próxima e sem limitação de tempo, permita o contato com a sensação de beleza. O teatro e o cinema, de fato, são excelentes como entretenimento para os olhos, mas as limitações de tempo, economia e transporte impedem que sejam adotados de forma abrangente. Por isso, o que aqui propomos é o cultivo e a distribuição de plantas florais, meio adequado à universalização da beleza — ornamentar com flores os cômodos das residências comuns e outros lugares. Hoje, mesmo nas famílias de classe média para cima, já se costuma fazê-lo, mas isso não basta. Nosso objetivo é que haja flores em qualquer classe social e em qualquer lugar, ao alcance dos olhos de todos. Nem é preciso dizer o quanto uma única flor no canto de um escritório ou sobre a mesa de um estudo pode trazer uma sensação de frescor e renovação. Idealmente, gostaríamos de ornamentar até mesmo com uma única flor as celas de detenção e as prisões. Que influência benéfica teria isso na psicologia dos criminosos! Se a sociedade chegar a um ponto em que, onde quer que haja seres humanos, haja também flores, isso se tornará uma força capaz de amenizar consideravelmente a atual aparência infernal do mundo. Para que isso seja possível, porém, é preciso resolver o preço elevado que as flores têm hoje. É imprescindível que possam ser adquiridas a preço extremamente baixo. Para tanto, deve-se promover amplamente o aumento da produção de plantas florais, desde que não afete a produção de alimentos. A propósito, abordemos agora outro ponto importante: diz-se que o Japão é o país com a maior variedade de plantas florais do mundo. Diz-se também que suas técnicas de cultivo atingiram o mais alto nível mundial. É de conhecimento geral que as tulipas, produto típico da Holanda, eram cultivadas na região de Echigo antes da última guerra, gerando volume considerável de exportação, e que os lírios brancos produzidos na província de Kanagawa, exportados para a Inglaterra e os Estados Unidos, aumentavam ano após ano. Segundo nossa pesquisa, os americanos, por exemplo, admiram as plantas florais do Japão e anseiam incessantemente por flores raras e espécies preciosas que não existem nos Estados Unidos. Por isso, no futuro, um aumento da produção em larga escala deverá contribuir para a obtenção de moeda estrangeira. Esse ponto, inesperadamente, foi negligenciado até hoje, mas daqui em diante é necessário incentivá-lo amplamente. Além disso, por ser um artigo comercial livre da preocupação com restrições ao volume de exportação, certamente terá grande valor promissor. Superstição e Ciência Hikari nº 28, publicado em 24 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Se eu dissesse que a superstição nasce, na verdade, da própria ciência, o mundo certamente se surpreenderia — mas é exatamente isso, e explico por quê. O homem moderno pensa que tudo pode ser resolvido pela ciência, e são justamente os que saíram das instituições de ensino superior os que mais fortemente acreditam nisso. Ao se depararem com a sociedade real, porém, percebem uma enorme discrepância entre o que aprenderam na escola e a realidade, e acabam descobrindo que a teoria acadêmica, por si só, não resolve nada — passando então a buscar algo além da ciência. Não é só isso: às vezes sobrevêm infortúnios inesperados, e mesmo o que se fez com toda a confiança de que daria certo chega a produzir o resultado oposto. O mundo está de fato repleto de coisas inexplicáveis. Por isso, quase ninguém escapa de ser tomado por uma espécie de decepção e de insegurança quanto ao futuro. É por essa razão que, surpreendentemente, muitos intelectuais, em segredo absoluto, sem que ninguém saiba, acabam recorrendo a adivinhações, à leitura de fisionomia e de mãos, ou aos oráculos de médiuns e xamãs. Por tudo isso, como já indiquei no início, é justamente o fato de haver tantas coisas que a ciência não consegue resolver que leva as pessoas a recorrerem à superstição — de modo que não se pode, de forma alguma, negar que é a própria ciência que a gera. O Mês Sem Deuses (Kannazuki) Hikari nº 28, publicado em 24 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Recentemente, durante o programa religioso do rádio, um Ministro de certa religião proferiu uma palestra sobre o "Mês Sem Deuses" (Kannazuki), mas havia muitos pontos que não me convenciam. Gostaria, por isso, de expor minha opinião. Como é historicamente claro, antes do Imperador Jinmu o Japão era governado pela Corte de Izumo, cujo centro era o célebre Okuninushi no Mikoto, sucessor de Susanoo no Mikoto. Susanoo no Mikoto veio da Coreia e assumiu o domínio; ou seja, naquela época, era a Coreia que governava o Japão. Por essa razão, todos os anos, no mês de outubro, ele partia de navio do Cabo Hinomisaki, localizado nos fundos do Grande Santuário de Izumo, para retornar à sua terra natal, voltando ao Japão um mês depois. Diz-se que os sacerdotes do Grande Santuário ainda hoje explicam esse fato, e é por isso que outubro é chamado de "Mês Sem Deuses" — pois é quando Susanoo no Mikoto está ausente. Dado esse significado, hoje em dia a expressão "Mês Sem Deuses" já não tem sentido algum. A Crítica Deve Ser Justa Hikari nº 46, publicado em 21 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) O que mais nos incomoda na atual situação social é o seguinte: mesmo quando o Johrei de nossa Igreja é eficaz, às vezes ocorre algo contrário ao esperado. Diante disso, a sociedade imediatamente o cobre de críticas e ataques. Quando um médico, em contrapartida, falha em seu tratamento, a menos que seja algo muito evidente, as pessoas tratam o fato como natural e dificilmente o censuram. Percebe-se, assim, como a cura pela religião é tratada de forma cruel. E esse exemplo não se limita a esse caso: algo assim ocorre com frequência. Quando o tratamento médico e o Johrei são realizados em conjunto, se há fracasso, não se censura o tratamento médico — atribui-se a culpa apenas à nossa Igreja. Se há sucesso, interpreta-se que não foi graças ao Johrei de nossa Igreja, mas porque havia chegado a época da cura, ou por causa do tratamento médico. O que sentimos em cada uma dessas ocasiões é a forte convicção, entranhada nas pessoas, de que a doença absolutamente não se cura sem o tratamento médico e os remédios. Além disso, quando alguém, após não se curar com os mais diversos tratamentos médicos — tendo, ao contrário, o estado agravado — recorre à nossa Igreja por não ter outra alternativa, quase sem exceção as pessoas ao redor dizem que terapias de fé são superstições e que se deve interrompê-las, incentivando a continuação do tratamento médico. Isso mostra como a crença no tratamento médico é tão intensa que quase não difere da crença dos seguidores de superstições e cultos malignos. A realidade, porém, é que a pessoa, por não se curar com o tratamento médico, recorre, sem alternativa, àquilo que chamam de superstição e culto maligno. As pessoas estão, dessa forma, tão imersas na superstição da ciência que não compreendem algo tão óbvio. Naturalmente, nesses casos, o paciente — inicialmente cheio de dúvidas e receios — recebe o Johrei e, apesar da oposição cada vez mais intensa ao seu redor, sente o efeito maravilhoso do Johrei revertendo o quadro da doença e conduzindo à cura. Isso pode ser compreendido pelos inúmeros relatos de graças recebidas. Diante do exposto, não há o menor fundamento na afirmação comum de que a cura ocorre porque se acredita, ou por sugestão. Observa-se, pelo contrário, até mesmo o oposto, e não se pode deixar de reconhecer que o efeito não provém da força própria, mas de uma força externa. O que sempre lamentamos, diante disso, é o número excessivo de pessoas que, por si mesmas, criam verdadeiras tragédias: não curam doenças que poderiam ser perfeitamente curadas, perdem vidas que poderiam ser salvas, abandonam destinos que poderiam ser redimidos. A causa disso, evidentemente, é não enxergarem os fatos — o que decorre inteiramente do fato de estarem aprisionadas por conceitos tradicionais. Infelizmente, não deve haver nada mais grave do que isso. Quantas Amaterasu Ōmikami Existem? Hikari nº 29, publicado em 1 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) A famosa Jikōson, que afirmava estar possuída pela grande divindade Amaterasu Ōmikami, e a mulher Kitamura Sayo, da religião dançante, também diziam coisas semelhantes. Certa vez, uma mulher praticante veio à minha casa e disse: "A grande divindade Amaterasu Ōmikami é realmente digna de pena." Quando perguntei "Por qual razão?", ela respondeu: "A grande divindade Amaterasu Ōmikami está me possuindo, mas eu estou atualmente alugando um quarto e, sendo expulsa, não tenho para onde ir; estou em dificuldades." Então eu disse: "Falando da grande divindade Amaterasu Ōmikami, sendo a mais venerável e mais nobre divindade, ela não deveria ter dificuldades com moradia ou coisas do tipo; deveria, por sua imensa virtude e poder, residir em uma magnífica mansão e ser venerada e crida por muitas pessoas." Ao ouvir isso, aquela mulher foi-se embora cabisbaixa. Além desse caso, encontrei depois várias outras mulheres que se autodenominavam a grande divindade Amaterasu Ōmikami. Parece, portanto, que também aqui no Japão o número de pessoas que se autodenominam a grande divindade Amaterasu Ōmikami deve ser considerável. Sendo assim, pode-se dizer que vivemos atualmente na era da moda da grande divindade Amaterasu Ōmikami. Os Caracteres para Deus (Kami) e Buda (Hotoke) Hikari nº 30, publicado em 8 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Parece que quase ninguém interpretou esses dois caracteres. No entanto, como não há nada que os seres humanos respeitem e almejem mais do que eles, seria necessário conhecê-los ao menos uma vez. Apresentarei minha opinião sobre seu significado. Primeiramente, o caractere "Deus" é composto pelas chaves "mostrar" e "declarar". A maioria das pessoas parece não conseguir compreender este caractere "declarar": ele não significa "macaco". Trata-se do caractere "campo" cuja barra central vertical se estende para cima e para baixo. E o caractere "campo" tem origem no "círculo com o caractere dez": o círculo é a Terra, o grande solo, e o caractere "dez", como sempre digo, é a forma da união das barras vertical e horizontal. A vertical é o fogo, e a horizontal é a água; fogo (ka) e água (mi) juntos formam "kami". A grande terra é governada por Deus e é o mundo de Deus. Deus é sem início e sem fim, e isso é simbolizado pelas barras superior e inferior. Naturalmente, é necessário mostrar esse significado à humanidade, e é por isso que existe a chave "mostrar". Já o caractere "Buda" tem a chave da "pessoa", porque o Buda é justamente o ser humano que se aperfeiçoou. A parte direita, "futsu", lê-se "futsu" ou "doru" (dólar), mas não tem relação com isso: é o caractere "arco" atravessado por duas barras verticais. Originalmente, o caractere "arco" tem o significado de "lua", e sua forma é a de meia-lua, popularmente chamada de "lua em arco". O Budismo, como sempre digo, é o ensinamento da Verdade Absoluta, ou seja, o ensinamento da lua. As duas barras verticais que o atravessam são a forma do caractere "dez" que se desfez. O espírito da palavra Buda é "hodoke" ("desatar"), enquanto o de Deus é "musubi" ("atar", "unir"), como sempre afirmo. Há ainda outro significado nessas duas barras verticais: como o Budismo é o ensinamento da vertical, não possui a horizontal. A vertical é o espírito e tem como princípio a mente, portanto nega a matéria. Isso se manifesta no princípio da abstinência, no Budismo das montanhas, na prática do Zen e em outros aspectos. Acredito que, com o exposto acima, tenham compreendido em linhas gerais. A Celestialização e o Problema da Saúde Hikari nº 14, publicado em 25 de junho do ano 24 da Era Showa (1949) Não é necessário, a esta altura, perguntar novamente que tipo de mundo é o Paraíso Terrestre, que a nossa Igreja sempre proclama. Como é do conhecimento de todos, por ter sido repetido inúmeras vezes, o Paraíso Terrestre é, nem é preciso dizer, a eliminação dos três flagelos que constituem as três grandes aflições de toda a humanidade: a doença, a pobreza e o conflito. E, naturalmente, entre esses três flagelos, o principal é o sofrimento causado pelas doenças. Nesse sentido, se Deus deseja salvar a humanidade agora, deve partir, em primeiro lugar, da solução da saúde. Poder-se-ia dizer: sem saúde, que felicidade existe? Se não tiver o poder de resolver a saúde, qualquer religião ou ciência não passa de um objeto inútil e incômodo. Por quê? Porque nem a pobreza nem o conflito podem ser resolvidos sem a solução da saúde. É provável que, até hoje, nenhuma religião ou ciência tenha proclamado uma afirmação tão grandiosa quanto a de que a nossa Igreja criará um mundo absolutamente livre de doença, pobreza e conflito. No entanto, para a nossa Igreja, que faz disso sua principal bandeira, não seria possível fazer tal afirmação sem uma convicção absoluta. Se, sem convicção, proferisse uma declaração tão audaciosa, não seria nada além de uma destas duas coisas: um grande charlatão que engana a sociedade humana, ou um indivíduo com perturbação mental. E, se fosse um desses dois casos, não seria ilógico que, em um período excepcionalmente curto, houvesse não apenas mais de cem mil convertidos, mas que o número de convertidos crescesse gradualmente a cada dia e a cada mês? Por isso, desejo que os sábios do mundo considerem este ponto com a devida atenção. No sentido exposto acima, a nossa Igreja proclama a solução do problema da saúde e avança tendo a cura das doenças como sua prioridade máxima. E, para dar a conhecer exemplos disso, estamos publicando o máximo possível em todas as edições do jornal Hikari e da revista Tijotengoku. No entanto, é certo que terceiros que leem isso — especialmente as autoridades, sem falar nos estudiosos e especialistas — terão dúvidas. Por quê? Porque a maioria desses relatos é de milagres que beiram o impossível. Pode-se prever que, diante disso, tanto os governantes quanto os especialistas, através de seus respectivos órgãos, certamente realizarão investigações minuciosas. Como resultado, porém, existe até mesmo o perigo de surgirem problemas sem precedentes. A questão é saber se os muitos relatos de graças recebidas são verdadeiros ou não. Se os fatos forem exatamente como são, sem qualquer exagero ou ficção, o que aconteceria, afinal? Justamente porque o problema não tem precedentes na história mundial até hoje, pode-se chegar a uma situação não apenas grave, mas cujo rumo não se pode sequer imaginar. Ainda assim, os fatos são, até o fim, fatos, e a verdade é, até o fim, a verdade. Por que razão haveríamos nós de cometer a tolice de nos lançar voluntariamente no turbilhão, provocando um problema tão grave? Contudo, quando recuamos um passo e refletimos profundamente, percebemos que uma grande obra como esta é, na verdade, a manifestação da autoridade do Absoluto chamado "tempo", e não podemos deixar de reconhecer ali o verdadeiro grande amor. Como se vê pelos inúmeros exemplos contidos nos relatos de graças recebidas, pessoas infelizes que, apesar de terem usado todos os tratamentos convencionais — ofegando sob o sofrimento de doenças graves e incuráveis —, acabaram caindo no abismo do desespero: ao conhecerem o Johrei da nossa Igreja, encontraram subitamente a alegria de ressuscitar dos mortos, a ponto de não encontrarem palavras para expressar sua gratidão. Como o mundo vê tais fatos? Se houver quem negue ou duvide disso, é porque não teve contato real com a prática. Se, como resultado de uma investigação exaustiva, ficar constatado que os fatos são verdadeiros, não seria o caminho humano resolver decididamente o sofrimento atual do mundo, utilizando o poder da nossa Igreja? Se, por acaso, alguém considerar isso como nuvens que passam, essa pessoa só pode ser vista como alguém carente de amor à humanidade, ou em uma situação inevitável, ou ainda como portadora de perturbação mental. Não há outra forma de pensar. Embora eu pense que os argumentos expostos acima tenham sido excessivamente francos, já que somos nós que avançamos corporificando a Vontade Divina de salvar o mundo, este é, na verdade, um clamor que não pode ser contido, por mais que se tente contê-lo. Críticas Baseadas na Imaginação Hikari nº 8, publicado em 8 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Os jornais e revistas têm publicado vários artigos críticos em relação à nossa Igreja, mas, como é do conhecimento dos leitores, a maioria deles a trata como uma religião maligna e supersticiosa. Quase não realizam investigações: são produtos da imaginação baseados em boatos mundanos, o que é insuportável. Pensando bem, é uma atitude verdadeiramente irresponsável. Dizer que os jornais noticiam fatos não se aplica muito bem ao âmbito religioso. De fato, como a essência da religião é algo invisível aos olhos, semelhante ao vazio, é fácil imaginar qualquer coisa — mas eles deveriam sentir mais responsabilidade e realizar seriamente o máximo de investigação e exame possível. As novas religiões não são necessariamente apenas superstição; entre elas, deve haver, com certeza, aquelas que realmente devem beneficiar as grandes massas da sociedade. É perfeitamente possível que, devido a essa irresponsabilidade, muitas pessoas que estão sofrendo sob inúmeras infelicidades deixem de ser salvas. Se assim for, a culpa está, obviamente, nos artigos de jornal levianos. A respeito disso, o que é verdadeiramente absurdo hoje em dia é que, por um lado, lamentam a deterioração do coração das pessoas e dizem que a religião é necessária para salvá-las, enquanto, por outro lado, afirmam que se deve eliminar as religiões malignas e supersticiosas. Não há contradição maior do que essa. Pensando assim, percebe-se que, quando se fala em religião, o argumento deles tem como alvo apenas as antigas religiões estabelecidas. No entanto, como é do conhecimento de todos, as religiões estabelecidas existem em profusão no Japão atualmente e, apesar de estarem se esforçando na salvação espiritual há centenas de anos, não conseguiram evitar que o mundo chegasse ao estado corrupto de hoje. Já deve estar comprovado, portanto, que as religiões estabelecidas são incapazes de prevenir os males sociais. Diante disso, não há outra escolha senão buscar algo além das religiões estabelecidas? No entanto, como mencionado, os jornalistas e as autoridades decidiram que não existe nada superior às religiões estabelecidas e, desde o início, olham para as novas com preconceito. Por isso, a menos que despertem para esse erro, a purificação do coração das pessoas é algo inimaginável. Nesse sentido, propomos o seguinte método: deixar de lado, por ora, como fator ainda incerto, as novas religiões muito pequenas, investigar e examinar bem aquelas que, em certa medida, já se destacaram, selecionar as excelentes entre elas e conceder-lhes grande apoio. Afirmamos que não há método melhor do que este para prevenir a deterioração do coração das pessoas. As Novas Religiões e as Reportagens de Jornal Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) A maioria das pessoas certamente sabe que, nos últimos tempos, a nossa Igreja tem se tornado tema de conversa em todas as camadas da sociedade, tanto para o bem quanto para o mal. A esse respeito, quase não há dia em que os jornais de todo o Japão deixem de publicar alguma notícia sobre a nossa Igreja. No entanto, quando se trata de políticos, personalidades de destaque ou líderes de religiões já estabelecidas, os jornais escrevem com toda a seriedade; no caso das novas religiões, porém, o tom empregado revela uma espécie de desprezo. Qual seria o motivo disso? A nossa opinião sobre a causa é a seguinte: a maior parte dos jornalistas tornou-se inteiramente materialista em seu modo de pensar, de modo que sente uma espécie de antipatia ideológica diante da nossa insistência no pensamento espiritualista — ou seja, na firme afirmação da existência de Deus, invisível aos olhos. Assim, o pensamento materialista arraigado que eles sustentam os leva a crer que o pensamento espiritualista é superstição, considerando correto combatê-lo. Julgam que esse é o caminho justo para salvar as pessoas comuns, e pretendem, com isso, adverti-las para que não se deixem enganar pela superstição. Nós, porém, entendemos que é justamente o pensamento materialista que constitui uma espécie de superstição, e a raiz de onde nascem os males sociais; se não o destruirmos e não incutirmos com vigor o pensamento espiritualista, o mundo jamais melhorará. Daí nasce um abismo enorme entre as duas visões. Como esse espírito materialista está entranhado no coração deles, ele acaba, inevitavelmente, transparecendo nos artigos, e é evidente, ao lermos, que um sentimento de antipatia transborda em cada trecho. Sempre que troco impressões com jornalistas, sinto-me decepcionado ao ver como o conteúdo do seu pensamento é excessivamente materialista, sem o menor traço de visão espiritualista. Nesse sentido, decidi que, doravante, só receberei os jornalistas que escrevam com seriedade, e gostaria que os senhores jornalistas tomassem nota disso. Contudo, caso queiram, ainda assim, apresentar perguntas, respostas ou impressões, que o façam por escrito; assim, responderemos também por escrito. Como seria lamentável fazê-los vir de longe em vão, procedemos desta forma, e espero que isso seja bem compreendido. Por Que os Jornais Ridicularizam a Religião? Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) O que sempre consideramos incompreensível é que, mesmo os grandes jornais do Japão, ao tratarem de novas religiões, jamais escrevem artigos com uma atitude séria. Pode-se dizer que empregam invariavelmente um estilo zombeteiro e tendem a desprezar tudo o que se refere a novas religiões. Em relação às religiões estabelecidas, porém, não se encontra absolutamente essa atitude. Se assim é, trata-se, em uma palavra, da simplicidade de uma mentalidade que considera bom tudo o que é antigo e mau tudo o que é novo. Francamente, uma crítica imparcial é aquela que não distingue entre o antigo e o novo, mas considera bom o que é bom e mau o que é mau — e essa seria a maneira correta de um jornal encarar as coisas. Para isso, naturalmente, é necessária uma investigação minuciosa; sem realizá-la, porém, eles se deixam levar por rumores da sociedade, informações ouvidas de passagem, boatos de opositores etc., e escrevem com distorções e floreios, de modo que nós somos sempre as vítimas. É verdade que, em questões de atualidade ou furos jornalísticos que exigem rapidez, não há tempo para investigação, sendo inevitável certo grau de pressa e imperfeição; mas as questões religiosas não devem ser equiparadas a essas. Havendo tempo para investigação e material em abundância, atitudes como as mencionadas acima são inadmissíveis. O problema aqui, contudo, não se resume a rumores da sociedade. Como no caso recente do jornal Yomiuri, em que ele se deixa levar por uma trama planejada por alguém com interesses próprios, cria matérias visando prioritariamente o entretenimento e faz com que os leitores se divirtam. Com isso, sacrificam-se cidadãos honestos em prol do comercialismo do jornal e da obtenção de méritos para seus repórteres. Tal atitude não apenas anula a missão do jornal, mas também fomenta os males sociais, sendo uma ação extremamente lamentável. É por isso que nós, com base nos fatos, questionamos a sociedade sobre o que é certo e errado nisso. O Verdadeiro Forte Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Hoje em dia, as pessoas só abrem a boca para lamentar os males da sociedade, mas isso se deve simplesmente ao excesso de pessoas más em toda parte. Olhando para o meu próprio caminho percorrido, posso dizer que é uma história de luta contra pessoas más, pois sou constantemente perseguido por elas. Ao dissecar a psicologia dessas pessoas más, porém, percebe-se que elas não agem inconscientemente; fazem-no com plena consciência. Excetuando-se os grandes criminosos de maldade indescritível, a maioria das pessoas más, embora saiba que fazer o mal é errado, acaba se lançando no caminho do mal por desejar dinheiro, saquê, mulheres e várias outras coisas. Uma vez nesse caminho, é comum entre elas a noção de que é difícil se libertar dele. Naturalmente, sabem que a lei é temível; mas, como não conseguem satisfazer os próprios desejos sendo honestas, tomam o máximo cuidado para não infringir a lei nem serem vistas pelos outros, esforçando-se com grande afinco. Mesmo mentindo ou enganando, procuram fazê-lo da maneira mais engenhosa possível e, com o passar do tempo, suas habilidades se desenvolvem cada vez mais, a ponto de enganar os outros com facilidade, como se fosse algo corriqueiro. Como as pessoas enganadas são, em sua maioria, boas, acabam se resignando. Aproveitando-se disso, os maus praticam cada vez mais o mal e, ao atingir esse estágio, percebem que o mal traz resultados mais rápidos do que a honestidade. Uma vez chegados a esse ponto, longe de se redimirem, acabam se afundando cada vez mais no pântano. Naturalmente, como esse tipo de pessoa má é um criminoso intelectual, é fato que são relativamente mais numerosos entre a classe média e a superior. Além disso, todo ser humano tem algum tipo de vício; desde os tempos antigos existe o ditado de que "não há pessoa sem sete vícios". Mesmo os maus devem, sem dúvida, sentir algum remorso por praticar o mal, que faz as pessoas sofrerem, leva-as à infelicidade e cria pecados. Sabem também que o vício em bebida gera gastos desnecessários, torna a vida difícil, faz suas esposas e filhos chorarem — e que isso é lamentável. Sabem igualmente que desejar mulheres exige gastar dinheiro extra, traz o risco de contrair doenças malignas e causa preocupação aos pais e à esposa. Quanto ao jogo e às apostas, sabem bem que, na maioria das vezes, saem perdendo. Apesar de conhecerem bem tudo isso, não conseguem parar, não conseguem se controlar. Duvido que haja alguém que nunca tenha passado por essa experiência. É a este ponto que quero chegar. O fato de não conseguirem se controlar, mesmo sabendo que é errado, deve-se à falta de força para se conter — ou seja, de verdadeira coragem. Essa coragem é a coisa mais nobre no ser humano. Costumo dizer que o ser humano, ao se aperfeiçoar, torna-se Deus. E aquele que, ao saber que algo é errado, consegue controlá-lo perfeitamente e desenvolve a determinação de jamais se deixar levar pelo mal torna-se um magnífico possuidor da qualificação divina. Na verdade, essa força é a verdadeira força, e é ela o verdadeiro Poder Kannon. Diante do exposto, afirmo: "Ó, fraco, o teu nome é pessoa má." E isto será compreendido. A Expansão do Jornal Hikari é o Fortalecimento da Linha de Ensino Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Como único órgão de divulgação da nossa Igreja, publicamos o jornal Hikari. Desde o primeiro número, lançado em março deste ano, já se passaram seis meses; ao examinar recentemente os resultados desse período, constatamos que os centros de ensino que se desenvolvem são aqueles que sempre se dedicam com afinco à distribuição do jornal Hikari. Naturalmente, essas filiais o distribuem gratuitamente, como material de divulgação, na maior quantidade possível — ou seja, a dedicação entusiástica à divulgação pelo jornal é, ela mesma, a causa desse desenvolvimento. Nem é preciso dizer, hoje em dia, o quanto a força da palavra impressa produz efeitos extraordinários em qualquer empreendimento. Fragmentos Médicos (III) – O Tratamento Correto Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Os especialistas de hoje falam com frequência em "tratamento correto", mas não se compreende absolutamente o seu significado. Dizer "tratamento correto" implica que também existe um tratamento incorreto. Dificilmente haverá um leigo que saiba qual padrão usar para decidir se um tratamento é correto ou incorreto. Parece que, no mundo, há excesso de coisas que não se encaixam na lógica. Fragmentos Médicos (IV) – A História de uma Enfermeira-Chefe Hikari nº 34, publicado em 5 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Vou relatar aqui a história de uma senhora que, alguns anos atrás, na época em que a nossa Igreja realizava a Terapia de Purificação do Japão, participou de um curso conosco — ela havia sido, anteriormente, enfermeira-chefe de um sanatório de tuberculose vinculado a um antigo hospital do Exército. Ela cuidava de um grande número de pacientes tuberculosos, e a maioria deles ia gradualmente piorando até a morte; entre todos, apenas um jovem oficial, seu paciente, escapou com vida. De fato, embora todos os demais pacientes obedecessem rigorosamente às ordens do médico militar, sua evolução não era boa. Ele, porém, não seguia em absoluto as ordens do médico: apesar de lhe terem prescrito repouso absoluto, quase nunca ficava na cama, só se deitando furtivamente na hora da visita do médico. Por mais que ela o advertisse, ele não dava ouvidos. E, no entanto, sua evolução era, estranhamente, muito boa — o que ela, por mais que pensasse, não conseguia entender. Por fim, ele recebeu alta, completamente curado, e a dúvida dela só se aprofundou, permanecendo por anos envolta em mistério. Mas, ao vir a conhecer o princípio desta terapia, sua dúvida de longos anos se desfez de uma só vez, como gelo ao sol — lembro-me de que ela contou isso radiante de alegria. Fragmentos Médicos (V) – A História de um Oculista Hikari nº 34, publicado em 5 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Esta é uma história de mais de dez anos atrás, da época em que eu exercia a clínica em Kojimachi Hanzomon. Naquela ocasião, um certo velho oculista, que havia sido médico escolar em um distrito da cidade de Tóquio por cerca de trinta anos, contraiu uma doença ocular que foi se agravando gradualmente até ficar a um passo da cegueira. No entanto, com uma semana de Johrei, curou-se completamente e, transbordando de alegria, recebeu também o curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu). Quando lhe perguntei sobre a causa da doença ocular, ele contou o seguinte: alguns meses antes, durante o banho, o sabão entrou em seus olhos, causando uma dor intensa; ele então aplicou o tratamento médico de praxe, mas não sarou. Além disso, seu filho, assistente de oftalmologia no Hospital Keiō, aplicou com empenho o tratamento mais moderno, mas a doença só piorava gradativamente. Envergonhado como médico, conteve o orgulho e veio até mim. Dois ou três meses depois, certo dia ele apareceu; quando lhe perguntei: "Você está praticando o Johrei?", ele fez uma expressão de "isso é absurdo" e contou o seguinte: "Eu mantenho em absoluto segredo, tanto para minha esposa quanto para meu filho, o fato de ter sido curado pelo senhor e de ter recebido o curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu), porque, se a associação médica vier a saber, eu seria expulso.." Diante disso, fiquei simplesmente estupefato. Religião, Educação, Política Hikari nº 24, publicado em 27 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Hoje em dia, aos olhos de quem quer que seja, pode-se dizer que o mundo está verdadeiramente repleto de males sociais. Ocorrências lamentáveis sucedem-se em toda parte, e a ansiedade no coração das pessoas atingiu o extremo. É necessário refletir profundamente sobre onde se encontra a causa de um estado social que se tornou assim. Quanto a onde reside essa responsabilidade, nem é preciso dizer: cabe aos três pilares — religião, educação e política. Se assim é, é preciso saber se um grande erro está oculto em algum deles. Conhecer claramente esse erro deve ser a chave para a solução do problema. Coloquemo-los, então, sobre a mesa de análise. Primeiramente, quanto à religião: deixando de lado o Cristianismo, as demais religiões estabelecidas estão demasiadamente distanciadas da época. Mesmo o Budismo, por ter nascido há mais de dois mil e seiscentos anos tendo por alvo o povo da Índia, já não pode atender às necessidades dos dias de hoje, por mais que Shakyamuni tenha sido um grande homem e por mais profundo que seja o seu ensinamento. Evidentemente, isso é ainda mais verdadeiro na sociedade do Japão moderno. Imergir em dezenas de milhares de escrituras e entregar-se à meditação nas florestas, dia após dia, em busca da verdadeira iluminação, como faziam os indianos daquela época, é algo impossível para o homem moderno, que mal consegue se mover por causa da própria subsistência. Pode-se dizer que a situação atual, em que as religiões estabelecidas, além de cuidar dos túmulos, não conseguem dar um passo adiante, é um resultado perfeitamente natural. O estado em que elas se ocupam apenas em manter a chama da lei é algo que só podemos chamar de lastimável. Não se pode negar que, ao chegarem ao ponto de fazer do trabalho social o seu único meio de existência, já se desviaram da verdadeira essência da religião. Em segundo lugar, a educação encontra-se extraordinariamente fora dos trilhos. O verdadeiro propósito da educação é formar seres humanos excelentes — ou seja, criar pessoas que tenham a justiça como princípio, que se esforcem por promover o bem-estar da sociedade e que contribuam para o avanço da cultura. Apesar de ser esse o verdadeiro propósito, a situação atual é tal que mesmo os formados pelas mais altas instituições de ensino cometem crimes e espalham veneno, causando danos à sociedade. É imperioso, portanto, que algo seja feito. Se perguntarmos onde reside o erro dessa educação, a resposta está inteiramente na ênfase excessiva no materialismo — ponto sobre o qual sempre insistimos à exaustão. A menos que se avance também no espiritualismo, é impensável alcançar o verdadeiro propósito da educação. Dito isso, por se tratar de um erro de longa data, sabemos bem que uma reforma imediata trará grandes dificuldades. O espiritualismo consiste em levar o ser humano a reconhecer o espírito, o que equivale a reconhecer Deus; sem isso, não pode, de forma alguma, estabelecer-se. Até hoje, a religião tem sido usada para esse fim, mas sem efeito algum, porque não houve uma religião com poder real. Foi então que surgiu a nossa Igreja: é ela que permite o reconhecimento do espiritualismo e torna possível o paralelismo entre ciência e religião. Por meio dela nascerá um mundo de paz perpétua, e a humanidade poderá entrar numa vida no Paraíso. Por mais que a cultura avance, se a felicidade não a acompanhar, isso se deve ao pecado de ter-se deixado iludir apenas pela cultura materialista. A humanidade precisa perceber isso o quanto antes. Em terceiro lugar, a política é por demais cruel. Aqui discutiremos tendo como alvo apenas o Japão: embora se diga que o país está sob regime de ocupação, a situação é excessivamente precária. Como também a política é materialista, seu conteúdo é ainda mais vazio. Pode-se dizer que quase não há políticos com uma perspectiva de futuro; vivem ao sabor do dia a dia. A causa de tudo isso é que a alma está obscurecida por nuvens espirituais. Por mais que se trate de um político, a menos que se baseie na fé, é absolutamente impossível fazer uma boa política. Dito isso, como as religiões estabelecidas não têm força para tanto, não há outro caminho para a solução senão o surgimento de uma religião nova e poderosa. Não Façam do Ser Humano um Tolo Hikari nº 37, publicado em 26 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Hoje, há algo sobre o qual gostaria de chamar a atenção dos jornalistas: sempre que abrem a boca, afirmam que as novas religiões são malignas e supersticiosas. Se fossem, de fato, religiões supersticiosas e fraudulentas como eles pensam, não seria possível que tantas pessoas instruídas, além de centenas de milhares de seguidores, dedicassem a elas uma fé tão ardente. Não é verdade? Deveriam refletir com calma sobre esse ponto. No mundo difícil de hoje, há pessoas que vêm de Hokkaido e de Kyushu, pagando caras passagens de trem e gastando tempo, duas ou três vezes por mês, só para ouvir a palestra de uma hora do Mestre Jikan. Isso certamente deve ter uma razão de ser, e vou apontar uma ou duas dessas razões. Há aqueles que, atormentados por longos anos de doença e sofrimento, esgotaram todos os meios em todos os tratamentos — em grandes hospitais e com médicos renomados —, gastaram somas enormes e estavam à beira da morte, mas que, por meio da nossa Igreja, obtiveram a graça de ressuscitar dos mortos. Há jovens que, atormentados pela dúvida, angustiados e resolvidos a morrer, ou pessoas que caíram no fundo da infelicidade, encontraram a luz por meio da nossa Igreja e foram salvos, passando a um estado de júbilo. Essas pessoas receberam a vida inteiramente pela nossa Igreja; é natural, portanto, que sua gratidão e comoção gerem uma fé ardente. Jamais se poderia alcançar tal estado por capricho ou impulso. Vocês, jornalistas, não sabem absolutamente nada disso. Como já decidiram de antemão que é superstição e não procuram saber nem tocar no assunto, não há outra escolha senão vê-los como as chamadas "pessoas sem vínculo [com a verdade]". Fechar os olhos para esses fatos e, para o público em geral, difundir arbitrariamente, pela boca e pela pena, que se trata de uma religião maligna e supersticiosa é, na verdade, extremamente perigoso. Para dizer a verdade, os ignorantes deveriam calar-se e não escrever; mas, agindo como se enxergassem até o fundo das novas religiões e adotando uma atitude de observação e crítica a partir de um ponto de vista elevado e abrangente, aos nossos olhos não passam de jornalistas cegos e malignos. Portanto, em vez de ridicularizar a tolice daqueles que correm para religiões malignas e supersticiosas, vocês deveriam ridicularizar a si mesmos. Sendo assim, do nosso ponto de vista, gostaríamos que vocês removessem os óculos escuros que sempre usam. Se o fizerem, poderão compreender a verdade com muita facilidade. O que seriam, então, esses "óculos escuros"? São os óculos do pensamento materialista. Devolvemos o Título de Charlatão Hikari nº 36, publicado em 19 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Frequentemente, os jornais e outros meios de comunicação atribuem o título de "charlatão" às novas religiões e, naturalmente, a nossa Igreja também deve ser um dos alvos. Contudo, a palavra "charlatão", segundo o senso comum da sociedade, pode ser interpretada como algo falso, isto é, não genuíno. Vale, portanto, esclarecer em que ponto a nossa Igreja seria considerada "charlatã". Sendo a nossa Igreja também uma religião, é evidente que, por meio da fé, as pessoas recebem bênçãos, são salvas e tornam-se felizes — e é por isso que ela vem alcançando um desenvolvimento notável. Entretanto, o fato de a nossa Igreja, em particular, concentrar seus maiores esforços em eliminar as doenças e dificuldades — que deveriam ser a origem da felicidade — e de obter resultados extraordinários não contém um único erro, ainda que se trate de autoelogio. Sendo assim, o título de "charlatão" não se aplica de forma alguma. Além disso, a maioria dos que vêm buscar salvação na nossa Igreja são pessoas em estágios terminais de doenças graves e incuráveis, quase todas a um passo da morte. Contudo, elas se recuperam e, do destino de morte certa, obtêm a alegria do renascimento. Sua gratidão é, por isso, tamanha que inevitavelmente se tornam seguidores fervorosos. Como resultado, não apenas a própria pessoa, mas também seus familiares e conhecidos, tomados pela surpresa e pela emoção, naturalmente acabam se convertendo, superando qualquer oposição. Ademais, os gastos com tratamentos médicos, desde o início da doença até o momento em que a pessoa finalmente busca a salvação na nossa Igreja — sem mencionar o sofrimento e a ansiedade — devem ser algo inimaginável. Considerando os fatos acima com rigor e imparcialidade, que conclusão se poderia tirar? Se o Johrei da nossa Igreja, que cura com certeza, é charlatanismo, e as terapias que não conseguem curar não o são, então isso seria o mesmo que pedras flutuarem e folhas afundarem na água. Com base no exposto, nós, aqui, devolvemos o título de charlatão. A Verdadeira Religião Hikari nº 34, publicado em 5 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) A verdadeira religião deve ter o mundialismo como base; a que tem como objeto um único país, um único povo ou uma única classe não é a verdadeira religião. A razão é que algo tão limitado traz consigo o receio de que surja inevitavelmente uma luta pelo poder. Sendo a harmonia a base fundamental da religião, sua essência deve ser a eliminação completa dos conflitos; lutar significa, portanto, abandonar a própria religião. No entanto, desde os tempos antigos, tanto no Oriente quanto no Ocidente, existem inúmeros exemplos históricos de guerras religiosas. A essa religião limitada dá-se o nome de fé Shojo, enquanto a religião universal é chamada de religião Daijo. Pelo exposto, conclui-se que a religião Daijo é a verdadeira religião. A Celestialização através da Saúde Hikari, edição extra, publicado em 30 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) O grande rugido de Cristo — uma de suas principais profecias, "O Reino dos Céus está próximo" — e, evidentemente, o objetivo de todas as religiões é a realização de um mundo melhor: um mundo que remova o sofrimento dos seres humanos e concretize uma vida imersa em alegria. Diante desse ideal unânime, é lamentável que a realidade, longe de realizá-lo, dê a sensação de que ainda estamos muito distantes de escapar das fronteiras do Inferno. Seja no Oriente ou no Ocidente, desde os tempos antigos, apesar dos esforços dedicados por meio da religião, da filosofia, da moral, da educação etc., o fato é que até hoje não se observa qualquer progresso. Especialmente no que diz respeito à solução para a saúde humana, que deve ser considerada a raiz da tragédia, não há progresso digno de nota — e não somos apenas nós que o afirmamos. Sobre este ponto já falamos até a exaustão, mas não acreditamos que haja excesso de explicação sobre o assunto; por mais que se repita, sempre há uma sensação de novidade. Isso porque, a menos que esse problema de saúde seja resolvido de forma excelente, mesmo que todas as outras condições se concretizem, elas não terão qualquer significado. Ora, a terapia de fé, aperfeiçoada aqui pela nossa Igreja, é capaz de remover todas as doenças humanas e restaurar um estado de saúde perfeita. Descoberta de tal grandeza está tão acima do nível da cultura moderna que, ao contrário, às vezes é mal compreendida. Por isso, é inevitável que seja difícil de aceitar apenas por meio de palavras ou textos. É como se uma pessoa, estando no chão, não pudesse ver o topo da cabeça de quem está no telhado. Basta, porém, investigar a raiz de toda tragédia para certamente encontrar ali a causa da doença. Jovens que sucumbem à tuberculose; pessoas que, prestes a se formar em instituições de ensino superior, são acometidas por doenças malignas, e cujos pais, perdendo sua única esperança, são lançados a um destino sombrio; pessoas de meia-idade que veem seus negócios fracassarem pela metade ou que, quando finalmente estabelecem uma base e estão prestes a dar um grande salto, caem em dificuldades devido a demônios da doença... Se enumerarmos, a sociedade está repleta de materiais para tragédia em todos os lugares. Contra isso, tanto a medicina avançada quanto as religiões estabelecidas continuam seus esforços, mas, longe de encontrar qualquer luz, mal conseguem preservar-se. A nossa Igreja surgiu repentinamente neste mundo de extrema miséria. Aqueles que uma vez se converteram à nossa Igreja e compreenderam sua essência podem facilmente perceber quão grande é a contribuição que ela dá para a resolução dessas tragédias intermináveis. No entanto, algumas pessoas pensam: "Surgiu mais uma nova religião chamada Nihon Kannon Kyodan (Organização Kannon do Japão). Deve ser algo do tipo religião maligna e supersticiosa. Não tenho tempo a perder com uma coisa dessas. Se tenho tempo, é melhor assistir a um filme ou a um jogo de beisebol." Essa é a conclusão típica. Naturalmente, mesmo os jornalistas têm a mesma visão, pois, quando pegam na pena, limitam-se a dizer, em artigos de crítica a novas religiões que já se tornaram um modelo: "Aproveitando-se da confusão espiritual do pós-guerra, inventaram uma religião falsa, enganando as massas ignorantes para tirar vantagem. Isso é imperdoável." Do nosso ponto de vista, isso não passa de um absurdo. E assim, os fariseus, sem tocar no conteúdo, olham apenas para o invólucro e, como se tivessem visto através dele, brandem sua visão autossuficiente e se satisfazem. No entanto, muitos deles, com o passar do tempo, serão acometidos por doenças — eles próprios ou seus familiares —, serão hospitalizados, sofrerão infortúnios e gastarão grandes somas de dinheiro sem, ainda assim, escapar da vida infernal. Se fosse apenas isso, ainda seria tolerável; mas, ao apelarem ao público em geral por meio dos órgãos de imprensa, com o pensamento errôneo do ego absoluto, mergulham as massas na confusão e conduzem a sociedade às trevas. Pode-se dizer que esse pecado é verdadeiramente grande, e as ações desses materialistas estão entre as causas de os males sociais não diminuírem. Acreditamos que a missão celestial que nos foi confiada é justamente anunciar a essas ovelhas dignas de compaixão o surgimento da luz, abrir os olhos de seus corações e lançar a rede da salvação. Fragmentos Médicos (XI) – A Doença de Dentro para Fora Hikari nº 37, publicado em 26 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Na medicina, considera-se que os agentes patogênicos invadem o corpo a partir do exterior. Nós, porém, afirmamos exatamente o oposto: eles são excretados de dentro para fora. O interessante é que essa teoria coincide com o princípio que rege o comportamento humano. Há uma linha de pensamento segundo a qual o ser humano comete o mal devido a condições externas — ou seja, transfere o pecado para outrem. A linha de pensamento oposta afirma que o mal do ser humano decorre de seu próprio coração estar equivocado, atribuindo o pecado à própria responsabilidade. Observando os resultados dessas duas formas de pensar, chega-se ao seguinte: aqueles que transferem o pecado para os outros, por não terem espírito de sacrifício, guardam rancor das pessoas, amaldiçoam a sociedade e tornam-se descontentes; quando tais pessoas aumentam, a sociedade se torna sombria. Em contrapartida, por possuir um forte espírito de sacrifício, o ser humano perdoa os pecados alheios, harmoniza-se com a sociedade e interpreta tudo com boa vontade; surge uma sociedade repleta de amor caloroso. Peço que reflitam profundamente sobre o significado do exposto acima. Assim, poderão compreender claramente onde se encontra a nossa intenção. Danos Causados por Cartas Anônimas e Denúncias Hikari nº 35, publicado em 12 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Compreende-se bem que as autoridades acolham denúncias anônimas como ponto de partida para investigações criminais. Se fossem denúncias de significado genuíno, nem mesmo nós hesitaríamos em manifestar nossa concordância. No entanto, as que são fruto de má-fé, de ardis, de invenções e falsificações certamente exigem grande vigilância — buscar a própria satisfação por esse meio é, na verdade, um ato diabólico. Nesse ponto, a nossa Igreja é constantemente a vítima. Especialmente desde o problema da sonegação fiscal no outono passado, quando nos tornamos conhecidos de toda a sociedade de uma só vez e fomos taxados com um valor exorbitante de impostos, o número de pessoas que, visando a nossa Igreja, cobiçam dinheiro aumentou subitamente. Desde então, de forma incansável, trazem os mais variados problemas. Ao examinar cada um deles, percebe-se que todos visam, de alguma forma, obter dinheiro — trata-se da chamada chantagem engenhosa. Quando se tornam de grande escala, seus métodos são, na verdade, tão engenhosos que, antes de tudo, não nos resta senão admirar suas maquinações. Além disso, entre as pessoas que se deixam levar por isso há não apenas indivíduos de renome, mas até mesmo vários membros do Parlamento, e chegam a movimentar grandes jornais — o que é surpreendente. Diz-se que gastam uma quantia considerável em fundos de campanha e se empenham dia e noite, de um modo que uma pessoa comum provavelmente não conseguiria sequer imaginar. Por tais razões, quando tentam influenciar as autoridades, o método habitual são as cartas e denúncias anônimas. É interessante notar que, antes de enviar as denúncias anônimas, às vezes vêm vender manuscritos de centenas de páginas, pedindo um preço exorbitante, como centenas de milhares de ienes. Nesses casos, porém, se compramos o manuscrito uma vez, isso se espalha entre seus cúmplices de chantagem, e eles voltam a vender. Ao sabermos disso, adotamos a política de recusar terminantemente. Então, por retaliação — e desta vez em grande escala —, enviam cartas e denúncias anônimas a várias autoridades responsáveis. O conteúdo é uma enumeração daquilo que as autoridades provavelmente vigiariam com mais atenção. É claro que elas não acreditam nisso tal como está, mas passam a nutrir certa suspeita e a dar andamento às investigações. Feito isso, de um ângulo inesperado, esses indivíduos ameaçam afirmando que a repressão das autoridades está próxima e tentam extorquir fundos de campanha. É realmente impossível não ficar estupefato diante de suas maquinações profundas. Por causa disso, causam transtornos às autoridades e também nos trazem aborrecimentos — não passando, portanto, de um ato verdadeiramente diabólico. Como mencionado, entre esses grupos há uma ampla rede de contatos e, como agem de forma organizada, pode-se imaginar que, se pessoas com algum ponto fraco forem alvo deles, serão extorquidas em quantias consideráveis. No entanto, para nós, que somos — ainda que minimamente — religiosos e temos a função de incentivar o bem na sociedade, não há razão para termos qualquer ponto que nos pese na consciência. É natural, portanto, que, por mais que tramem, não nos deixemos abalar. Isso porque, como uma nova religião que, com grande esforço, teve um desenvolvimento excepcional e recebe a confiança absoluta de centenas de milhares de fiéis, ainda que houvesse uma pequena falha, o impacto sobre toda a organização religiosa seria, sem dúvida, imenso. Sendo assim, ao se determinar a veracidade ou falsidade das denúncias anônimas, desejo ardentemente que se tome uma atitude adequada, com olhar perspicaz e postura cautelosa no julgamento. Relato de uma Experiência com o Problema Trabalhista Hikari nº 40, publicado em 17 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) Atualmente, estou construindo modelos do Paraíso Terrestre nas paisagens pitorescas de Hakone e Atami, com cerca de cento e poucas dezenas de trabalhadores envolvidos. Desses, cerca de metade são seguidores; a outra metade, não. Os seguidores, naturalmente, realizam trabalho voluntário e, portanto, não recebem salário; sua eficiência é altíssima, e estão empenhados em atividades tão sérias que é de partir o coração. O período de trabalho é dividido em dois tipos: um de cerca de dez dias e outro de cerca de um mês. Aqui, porém, escreverei sobre os trabalhadores assalariados, e não sobre os seguidores acima mencionados. A construção é realizada inteiramente de acordo com meu planejamento e projeto, e não há nada — desde a concepção arquitetônica até cada árvore, cada grama e cada pedra do jardim — que não siga minhas instruções. Isso não é, de forma alguma, para me vangloriar de minha capacidade; é que, sem dizer isso, não posso escrever este texto. Há alguns anos, passo quatro meses em Hakone e oito em Atami ao longo do ano e, além de vários trabalhos relacionados à fé, encarrego-me da administração da construção. Estou, portanto, sempre ausente de um dos dois lugares. Durante minha ausência, às vezes vou uma ou duas vezes; outras, não vou de forma alguma. Quando me mudo, duas vezes por ano, instruo os respectivos encarregados sobre os planos para os períodos de quatro e de oito meses; durante minha ausência, ordeno que meus subordinados relatem o andamento e, com base nisso, faço com que novos planos sejam comunicados e transmitidos sucessivamente. Gostaria de apresentar aqui a situação real do novo tratamento dos trabalhadores que estou experimentando nesse contexto. Nem é preciso dizer que todos os trabalhos são relacionados à construção civil e à engenharia, mas cada grupo é delegado a seu respectivo encarregado, e as coisas são feitas de acordo com a vontade desse encarregado. Minha política é inteiramente baseada no princípio da liberdade; por exemplo, não há muitas regulamentações quanto ao horário de entrada e saída do trabalho. Isso porque não adoto, de forma alguma, o sistema de empreitada, e nem mesmo os encarregados precisam interferir na capacidade de trabalho dos trabalhadores sob seu comando. Os trabalhadores se dedicam, portanto, por livre vontade; em termos mais simples, trabalham com prazer, como se estivessem fazendo seu próprio trabalho. Dessa forma, mesmo aqueles que, quando recém-ingressados, trabalhavam de maneira superficial e convencional passam, gradualmente, a sentir que estão construindo algo próprio. Sendo assim, não há atmosfera de insatisfação ou queixa; todos estão em perfeita harmonia e nem sequer querem ouvir falar de problemas trabalhistas. E, observando a maneira como trabalham, eles simplesmente constroem bem. Como estão cheios da vontade de construir de um modo que me agrade, a qualidade do trabalho não só demonstra uma excelência raramente vista no mundo, mas também frequentemente os vejo trabalhando com as luzes acesas até o anoitecer para concluir o serviço. Meu princípio é tratar os seres humanos como pessoas que não são preguiçosas nem desonestas — e isso não vale apenas para os trabalhadores. Trato também todos os meus subordinados como pessoas honestas e que não cometem injustiças; por isso, tanto eu quanto eles nos sentimos bem e cheios de alegria. Se quisessem agir de forma desonesta, poderiam fazê-lo à vontade. É verdade que isso também se deve ao fato de serem quase todos seguidores da fé, mas sempre penso que, se em toda esta sociedade — tanto os de cima quanto os de baixo — houvesse um relacionamento como o que estou praticando, não só o mundo se tornaria incrivelmente agradável, mas também a eficiência aumentaria enormemente, sem dúvida. O exposto acima é a relação entre capital e trabalho no Mundo de Miroku; e, como estou atualmente colocando isso em prática de forma experimental, apresentei aqui os resultados. Seria uma grande honra se isso pudesse servir de alguma referência para os tão discutidos problemas trabalhistas de hoje. 7. Registro de Diálogos Hikari nº 24, publicado em 27 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) 7. Registro de Diálogos — Diálogo com o Grão-Mestre Jikan Uma religião de graças recebidas nessa vida. O ideal é a paz mundial perpétua. Em um dia fresco do início do verão, quando uma brisa suave varria o jardim, o Grão-Mestre Okada Jikan, atendendo ao pedido de uma entrevista especial do repórter para abrilhantar a edição comemorativa do décimo número da revista "Hikari", tornou públicas, pela primeira vez, suas opiniões grandiosas e lúcidas acerca de diversos problemas sobre os quais, até hoje, não havia tentado dar uma explicação concreta ao mundo. Segue-se o registro da audiência com o Grão-Mestre. (A responsabilidade pelo texto é do repórter). Repórter: A fé pode, de fato, salvar o sofrimento humano? Meishu-Sama: Se a pessoa pensa que não pode ser salva, não será salva; se pensa que pode, será salva. O essencial é a questão da vontade da pessoa em relação à fé. Quem deseja ter fé deve primeiro experimentá-la; se, ao experimentar, sentir que isso o salvará, pode-se dizer que essa pessoa entrou no mundo da fé. No entanto, pode-se dizer que, até hoje, quase não houve religiões que realmente salvaram o sofrimento humano, porque a maioria delas se baseia apenas em lógica e não possui força real. Repórter: E como é uma religião que possui força real? Meishu-Sama: É aquela que possui graças recebidas nesta vida. As religiões até hoje tiveram algumas graças recebidas nesta vida, mas nenhuma foi tão evidente. Justamente por haver poucas graças desse tipo, elas passaram a ser chamadas de religiões inferiores. Pode-se dizer que quase todos os estudiosos da religião do passado a encerraram em uma moldura de lógica e ignoraram a existência real dessas graças, classificando-as como meros milagres. Não acreditar em milagres também leva a não acreditar na própria religião. Repórter: É permitido acreditar em milagres? Meishu-Sama: Pode-se acreditar em milagres. Mesmo sem fé, a pessoa acabará inevitavelmente acreditando neles. Os milagres de que falamos são justamente as graças recebidas nesta vida; pode-se dizer que, onde há muitas dessas graças, há também muitos milagres. A menos que se destrua fundamentalmente o modo de pensar dos estudiosos estabelecidos da religião, que chamam isso de culto maligno e religião supersticiosa e insistem apenas na lógica, é absolutamente impossível salvar o sofrimento humano e os males sociais por meio da fé. Se alguém deseja comer algo delicioso e podemos oferecer essa comida à sua boca, não há felicidade maior. Todos os seres humanos têm desejos; basta que eles sejam satisfeitos. Qualquer um, para satisfazer seus desejos, leva dinheiro e tenta comprar coisas; se, mesmo levando dinheiro, não lhe derem a mercadoria, será um grande problema. As graças recebidas nesta vida também se aplicam a isso: uma religião em que, mesmo tendo fé, não se obtém benefício algum é quase sem sentido. É melhor não acreditar numa religião assim. Repórter: De que forma se manifesta a graça de Kannon-Sama? Meishu-Sama: Os milagres se manifestam como fatos, e o fato de haver realmente graças recebidas nesta vida é a graça do grande Poder Kannon. Até agora, não foi possível manifestar esse Poder Kannon. Repórter: Então pode-se crer na existência real do Poder Kannon? Meishu-Sama: Ele existe realmente. Posso explicar isso de forma mais científica, mas ainda não chegou o momento. Pode-se dizer que o Poder Kannon que eu manifesto está muito acima do nível religioso atual, e por isso o público em geral ainda não consegue compreendê-lo totalmente. Assim, surgem pessoas que se surpreendem com o que digo e o rejeitam como superstição. O período do berço de uma religião é, naturalmente, um caminho espinhoso; o fato de o cristianismo ter sido perseguido como "bateren" também se insere nisso. Quando, com o tempo, o compreenderem, naturalmente acreditarão em seu valor. Repórter: A ação social da religião é certa ou errada? Meishu-Sama: A religião deve empreender uma grande ação social. Filósofos e estudiosos da religião podem estudar para si mesmos, ou talvez estejam se salvando apenas a si mesmos, mas isso não significa salvar o mundo e socorrer os seres sencientes. Uma religião de que apenas uma parte dos intelectuais ou uma classe específica desfruta, essa sim é um caminho desviado. Se todos os povos não se alegrarem e todos não forem salvos, não se pode dizer que seja a verdadeira graça de Deus. A graça do Poder Kannon se estende não apenas a esta sociedade humana, mas também à sociedade das aves e dos animais. Repórter: Qual é a concepção do Grão-Mestre sobre o Paraíso Terrestre, seu ideal? Meishu-Sama: Não é outra coisa senão o ideal de criar um mundo sem doença, pobreza e conflito. O trabalho de construir jardins floridos e curar a tuberculose também é uma das atividades do movimento de transformação da Terra em Paraíso Terrestre. No entanto, isso não é o único objetivo; é apenas uma amostra para a construção do Paraíso Terrestre neste mundo. É como se diz: "corpo espiritual unificado, coração de Buda uno". Repórter: Sobre a relação entre Komyo-Nyorai e Kannon-Sama. Meishu-Sama: É a mesma, mas atuam em momentos diferentes. A atuação de Komyo-Nyorai, porém, parte de uma posição superior. Repórter: Os ensinamentos de Kannon-Sama negam a ciência? Meishu-Sama: De forma alguma negam a ciência. Talvez seja mais fácil entender se dissermos que, antes, eles a precedem. Se a ciência que progrediu é a ciência do século XX, pode-se dizer que os ensinamentos de Kannon-Sama são a ciência do século XXI. Portanto, a cultura e a medicina atuais estão um século atrasadas. Repórter: O Johrei nega a medicina? Meishu-Sama: Não nega. Apenas, como existe a graça de curar o que a medicina atual não cura, naturalmente os medicamentos se tornam desnecessários. Repórter: Qual é a opinião do Grão-Mestre sobre o socialismo? Meishu-Sama: O socialismo, hoje, está atrasado em relação aos tempos. Na era feudal, em que a distância entre uma classe privilegiada e a classe comum era grande, ele era certamente necessário, mas acho que a ideia de que todas as classes devem estar em uma única fileira é uma igualdade maligna. Colocar tanto quem trabalha quanto quem vive na vadiagem na mesma situação é, ao contrário, injusto. O capitalismo é necessário, o socialismo é necessário, e o comunismo também é necessário; mas o que os harmoniza bem, creio, é a democracia. Mesmo para pintar um quadro bonito, só com vermelho não se faz um quadro; é com a combinação de várias cores que se completa um belo quadro. O mesmo vale para a comida: depois de algo doce, às vezes é necessário algo salgado. Se tudo for uniformizado, de uma só cor, perde-se o sabor peculiar. Repórter: Como o Grão-Mestre vê o futuro do Japão por meio de sua inspiração espiritual? Meishu-Sama: Estou firmemente convencido de que o Japão certamente melhorará; os sinais disso já aparecem. Os longos anos de desastre da guerra deixaram o corpo do Japão em pedaços. O Japão é verdadeiramente um paciente grave, um doente que geme de dor. A falta de dinheiro é como uma prisão de ventre; as más ideias são o bacilo da tuberculose. Não há, hoje, no Japão, um médico capaz de curar isso. Em especial, não se sabe o quanto o pensamento materialista está atrapalhando a reconstrução do Japão. A menos que se elimine fundamentalmente o pensamento materialista e se introduza em seu lugar o pensamento espiritualista, o Japão jamais poderá se tornar saudável nem ser salvo. O pensamento materialista nega o Deus invisível e ignora sua existência; negar a religião não dará certo. Repórter: Qual é sua opinião sobre o movimento pacifista pela religião? Meishu-Sama: Não adianta só o Japão melhorar; o mundo inteiro precisa melhorar. Para isso, os corações das pessoas do mundo devem estar religiosa e espiritualmente conectados. O que almejo não é outra coisa senão este grande ideal de paz mundial. A atividade religiosa da nossa Igreja é, por assim dizer, um elo do movimento pela paz mundial. O primeiro passo dessa ação é o grande Johrei do Japão: é preciso remover os espíritos malignos e despertar um coração sincero, novo e vigoroso. Por isso, dedico-me dia e noite à salvação do mundo. Repórter: Muito obrigado por nos conceder, apesar de sua grande ocupação, palavras tão proveitosas. Não sabemos quanta grande luz os fiéis, e também os futuros convertidos, encontrarão nessas palavras. ("Hikari" edição extra, 30 de maio de 1949) — Conversa Franca do Grão-Mestre Jikan Inflação, Gabinete Yoshida, Mao Tsé-Tung e Chiang Kai-shek, o Problema EUA–URSS, a Guerra Atômica Por origem, um religioso é uma figura de pose solene, um tanto difícil de se aproximar para o homem comum. No entanto, o Grão-Mestre Jikan, com grande desembaraço, respondeu com leveza às perguntas atrevidas do repórter, entremeando-as com seu humor peculiar. Os problemas econômicos atuais, fragmentos sobre figuras do mundo político e a China, foco da atenção mundial — tornar-se-á comunista? Uma solução inovadora para isso, o problema EUA–URSS e se a guerra atômica ocorrerá. De repente, surge uma discussão sobre o amor. De vez em quando, se não contarmos algumas bobagens, os ombros ficam tensos. Um trecho refrescante do lado humano de "Okada Jikan". (No dia 20 de maio, na sala de sol de Atami.) A inflação atual é como encher um saco de ar; se o enchermos demais, ele estoura. Repórter: Perdoe-me por incomodá-lo em meio às suas ocupações. Sem rodeios: gostaria de ouvir uma conversa informal, algo que não pese nos ombros. E, a propósito, a nossa vida tem ficado muito apertada — o que o senhor pensa desta inflação? Meishu-Sama: Em resumo, só se resolve quando se alcança a estabilidade econômica. Até hoje o Japão não se estabilizou, e os Estados Unidos, vendo isso, apresentaram os Nove Princípios, que se resumem a "parar de pedir emprestado e trabalhar com afinco". Recentemente surgiu a expressão "economia de pernas de pau": o governo clama pela introdução de capital estrangeiro, e o povo busca ajuda do governo. Dizem que, por não terem fundos, não podem comprar materiais de produção nem matérias-primas, por isso querem que se libere muito dinheiro. O governo, por sua vez, recorre ao capital estrangeiro para obter as matérias-primas necessárias do exterior; se não der certo, pede ajuda aos Estados Unidos imediatamente — andam fazendo essas coisas mornas. Assim, a inflação não diminui facilmente; é preciso um tratamento radical, de uma vez. O "Japan Times" publicou um artigo dizendo "abandonem toda ajuda e parem de liberar fundos", mas, na realidade, o Japão tem dependido demais dos outros; assim que se vê em dificuldade, corre chorando para os Estados Unidos. Em geral, a inflação não ocorre se o nível de preços e a quantidade de moeda emitida se mantiverem em equilíbrio. Quando os preços sobem e o dinheiro se expande, é como um saco cheio de ar: ao inchar até o limite, não incha mais; se tentarmos colocar mais ar, ele certamente estoura. A inflação de hoje é exatamente assim — é preciso deixá-la estourar de uma vez. O método para isso é o que hoje se costuma chamar de aperto financeiro; é preciso aplicar esse aperto. Quando apertarmos ao máximo, ocorrerá a ruptura. Se superarmos este período difícil, a inflação desaparecerá. Por essa lógica, é melhor não introduzir capital estrangeiro: seria como um paliativo temporário, sem efeito duradouro; o resultado, ao contrário, só pioraria. Bem, o tempo resolverá. O Gabinete Yoshida terá vida longa. O regime de Chiang cairá. A China se tornará o mundo de Mao Tsé-Tung. Capitalismo e comunismo são como as duas pontas de um balanço. Repórter: A propósito, o atual Gabinete Yoshida é de vida longa ou curta? Meishu-Sama: De vida longa, porque o seu modo de agir é bom. Em que sentido é bom? Primeiro: não agrada ao povo apenas por agradar — para dar um exemplo, Katayama, que agradou ao povo, acabou agradando também aos membros do próprio partido e ruiu; Ashida, por ter tratado o povo com desprezo, foi abandonado por ele. Segundo: não segue cegamente a opinião pública. Quem comanda um gabinete, se for movido por qualquer opinião pública, não consegue fazer política; deve apresentar sua visão peculiar ao povo e convencê-lo dela. Este é o ponto essencial de uma política feita com a opinião pública, e nisso o atual gabinete é excelente. Repórter: E Chiang Kai-shek, o que será dele? Meishu-Sama: Não tem jeito. Só lhe resta um caminho: deixar o poder, viajar ao exterior, observar com calma a cultura americana e, ao voltar, submeter-se à China. A China não terá alternativa senão confiar tudo a Mao Tsé-Tung. Tanto em caráter quanto em capacidade, Mao Tsé-Tung está hoje bem acima de Chiang Kai-shek. O ponto a observar aqui é que a comunização da Repórter: Então, sob esse ponto de vista, a China se tornará mesmo comunista? Meishu-Sama: Justamente porque a comunização chinesa é diferente da soviética, não se pode concluir, sem mais, que a China se tornará comunista. O sentido é este: capitalismo e comunismo são como as duas pontas de um balanço. Parecem ir para um lado, mas não vão para nenhum; oscilam de um lado a outro, mas não param no meio — e é assim que a cultura progride. Quem entende essa verdade é um homem completo. Que tal? Você entende? Repórter: Seria isto: o balanço em si não muda; o que gera os extremos, esquerda e direita, é o estado que aparece com sua oscilação — as duas pontas; mas o que importa é o balanço em si. Meishu-Sama: Isso mesmo, é por aí. Eles se opõem nesses dois extremos, mas isso um dia se dissolverá — ou seja, quando a oscilação parar e o balanço ficar reto, não haverá mais extremos. É aí que a verdade está oculta. Por isso, a discussão sobre se a China se tornará comunista: na prática ela apresentará uma aparência de comunização, mas isso não se pode chamar de verdade. O problema EUA–URSS. A guerra atômica não ocorrerá; mais temível que isso é a grande era de terror que se aproxima para os maus. Repórter: Como está a relação entre os Estados Unidos e a União Soviética? Meishu-Sama: Estamos sob a ameaça de uma guerra EUA-URSS, uma Terceira Guerra Mundial. E o objeto dessa ameaça é o átomo — as pessoas temem seu poder de destruição. Se houver uma nova grande guerra, ela será, naturalmente, uma guerra atômica; teme-se o terrível efeito desse poder atômico. É aqui que reside a visão peculiar sobre o problema EUA-URSS. Repórter: Em conclusão: eles lutarão ou não? Gostaria de ouvir isso. Meishu-Sama: Não, provavelmente não. Ao menos na realidade atual essa possibilidade é escassa, porque nem mesmo os Estados Unidos têm um poder atômico decisivo. O átomo de hoje não tem tanto poder explosivo assim, não tem grande efeito; se for disperso em área ampla, seu poder de destruição é reduzido a um certo nível; se as pessoas se esconderem no fundo das montanhas, ele não conseguirá exercer sua força — o átomo de hoje ainda não tem o poder tão difundido entre o povo. Nesse nível, nem os Estados Unidos vão lutar de forma tão imprudente. Se forem lutar, só poderão dar o golpe decisivo final; pela metade, a força não bastaria. Antes de tudo, a Terceira Guerra Mundial vai se manifestar de forma distinta da guerra, como um fenômeno diferente. Repórter: Ou seja, é o fenômeno dessa grande virada de época? Que fenômeno é esse? Meishu-Sama: A propósito, o que indica o progresso desta civilização material? A próxima supercivilização — um campo além do material — vai se desenvolver; a cultura e a ciência de hoje são apenas seu pressuposto. Mas, ao lado do progresso dessa civilização material, um grande salto do mundo espiritual vem se realizando continuamente. O que é esse progresso do mundo espiritual? Não se entende facilmente com uma explicação simples, nem se pode medir pelo senso comum do homem moderno; por isso, há grande necessidade de uma interpretação religiosa. Vou chamá-lo de uma grande força atuante oculta nos corpos celestes, no universo. É preciso ter em mente que essa força se desenvolve paralelamente ao progresso da civilização científica moderna. O surgimento da televisão, o surgimento do átomo, e também o rádio e o telégrafo sem fio, tão próximos de nós — esses fenômenos parecem deduzidos apenas da física, mas na verdade são manifestações do progresso do mundo espiritual. A razão fica clara se pensarmos no que são, afinal, as próprias ondas de rádio: tais fenômenos ocorrem no espaço como fenômenos físicos e deles se originam; mas qual é a essência que os faz ocorrer? É a ação do mundo espiritual. Essa ação se desenvolve de forma assombrosa e certamente manifestará sua verdadeira natureza. Tenho observado cuidadosamente o momento, o estado e a ação dessa manifestação e, por fim, compreendi tudo com clareza. Repórter: Se isso for um grande acontecimento para a humanidade, gostaria que o Grão-Mestre o anunciasse ao mundo. Meishu-Sama: Isso não pode ser dito de ânimo leve. Mesmo que eu anuncie, o mundo não levará a sério; rirá, tratando como propaganda da nossa Igreja ou como delírio. O problema é que, se um fenômeno assim tão grande ocorrer, para mim seria mais seguro chamá-lo de "uma grande era de terror para os maus". E, por ser isso a verdade, entraremos no turbilhão da chamada grande purificação — mas é justamente "purificação": não é purificação para os puros, os justos e os bons; o que é escuro, turvo e injusto é que será purificado. Sendo um fenômeno tão grande, não há necessidade de bradar em voz alta; também não é algo tão absurdo como a extinção da humanidade; portanto, não há por que tanta pressa. Mas o que importa é que ocorrerá uma grande ação de acerto de contas contra o mal. E o que é esse mal? Guerra, conspiração, engano — esses são os maiores males, e contra eles haverá naturalmente um grande julgamento. É isso que ocorrerá antes da guerra atômica: uma grande transformação tendo o ser humano como alvo. O ápice da ciência espiritual. O grande princípio do universo. As doenças curam-se pelo "Johrei". Repórter: Parece que vai surgir a teoria da "ciência espiritual"; gostaria de ouvir sua opinião sobre isso. Meishu-Sama: Vamos falar com base na realidade. O que estamos fazendo agora é o "Johrei". Como ele surgiu? Passo a explicar: foi deduzido do princípio do universo, o poder da trindade fogo, água e terra. Em suma: todos sabem que o ser humano tem espírito e corpo. Desde a origem, as doenças são manifestações das nuvens espirituais refletidas no corpo humano, e sua causa principal é o próprio espírito. Portanto, se esse espírito for purificado, a doença se cura naturalmente — não é que a curemos; ela se cura. Isso é o mais importante. Cada vez mais me maravilho com a descoberta desse grande princípio do universo e com sua esplêndida eficácia. O que é o ápice da ciência espiritual? É a ação de fazer com que as funções humanas dadas por Deus — capacidade, força física, atividade espiritual — se manifestem em alto grau; esse é o objetivo da ciência espiritual. E, enquanto tiver como objeto o ser humano vivo, a força que permeia as instituições, as ordens e a moral da sociedade ou do Estado que se relacionam com o ser humano ou são constituídas por ele — quão corretas e belas são! — essa força é o ápice da ciência espiritual. De modo algum é a forma do progresso das coisas materializadas; esse é o estado atual da ciência material. Tornar claros os fenômenos misteriosos, invisíveis e intangíveis — esse é o objetivo da ciência espiritual, e seu fundamento é, acima de tudo, promover o bem-estar da humanidade. Mesmo no amor do século XXI, ainda assim, haverá aflição. Repórter: De qualquer forma, se a "ciência espiritual" se desenvolver em alto grau, será bastante conveniente para a humanidade, não é? O surgimento do Paraíso Terrestre neste mundo — só de falar, já fico extasiado; o som das próprias palavras já é bom. Meishu-Sama: A concretização do Paraíso Terrestre que eu proponho não é fantasia; por ser verdade, certamente se realizará. E, nesse caso, em última análise, a religião provavelmente deixará de existir. Mesmo que ainda exista, será algo bem diferente. Repórter: Tudo será o auge do sagrado, do puro e do verdadeiro, bom e belo? Meishu-Sama: A interpretação do sagrado é difícil; não se pode dizer isso levianamente. Mas o Paraíso Terrestre não é o "paraíso" que vem à mente comum das pessoas; por ser, acima de tudo, um fenômeno do mundo humano, de forma alguma é algo fantasioso. Repórter: E o amor naquela época, como será? Meishu-Sama: Amor? Que salto bobo você deu (risos). Repórter: Ultimamente, isso tem me intrigado: por exemplo, se a ciência espiritual se desenvolver em alto grau, poderemos saber as coisas do dia seguinte, e os jovens, no amor, poderão entender o coração do outro, evitando sofrimentos desnecessários (risos). Além disso, pessoas com quem não queremos nos encontrar, com quem é problemático nos encontrar — como cobradores de dívidas (risos) —, se pudéssemos saber disso de antemão, seria muito conveniente (risos). Meishu-Sama: Isso não convém (risos). É um tipo de fenômeno do mal. Ao menos naquela época não haverá aspectos sombrios; portanto, não haverá atos de fuga como esse. A propósito, já que o assunto surgiu, falemos do amor — isso é diferente da ciência espiritual, mas o amor em si envolve, em muitos casos, ação espiritual. Desde os tempos antigos se diz que "a beleza tem vida curta". Isso ocorre porque os pensamentos alheios se projetam sobre a pessoa; no caso de uma bela mulher (risos), essa projeção é ainda mais forte, e ela acaba recebendo os pensamentos de muitas pessoas. As nuvens espirituais desses pensamentos, um dia, se acumulam, e ela acaba morrendo — o amor não correspondido é realmente problemático: a outra parte se apega por conta própria, cria uma fantasia, e a vítima é quem sofre o incômodo (risos). No entanto, mesmo nesse caso, se essa bela mulher tiver um corpo espiritual verdadeiramente puro e forte, ela repele tais pensamentos. É aí que reside a ação sutil da "ciência espiritual". Portanto, a solução para o amor está, acima de tudo, no plano espiritual. É por não entenderem isso que todos sofrem e vivem amores não correspondidos; bem, é uma história trabalhosa (risos). Repórter: Sendo assim, que feição terá o amor da próxima era, digamos, o do século XXI? (risos) Meishu-Sama: Não, meu caro, isso não é motivo de riso; vale muito a pena pensar nisso a sério (risos). Afinal, para a própria pessoa, não há nada mais profundo do que o amor (risos). O verdadeiro prazer do amor parece estar justamente no estado de sofrimento (risos). Você mesmo deve ser dos que sofreram, já que seus pensamentos parecem não estar muito bons (risos). Repórter: Ora, sem dúvida. Certamente o sabor do amor é por aí. Sendo assim, no amor do mundo que há de vir também se sofrerá? (risos) Meishu-Sama: Mesmo sofrendo do mesmo jeito, será bem diferente. Por exemplo, a arte da visão espiritual — ver o futuro e coisas do gênero é uma ação do mal; a palavra "arte" não é apropriada aqui, mas, bem, chamar de "arte da visão espiritual" soa mais atraente. Como isso estará desenvolvido, saberemos até o futuro distante. Se soubermos que agora é assim, mas no futuro será assim, você não vai se afobar tanto (risos). Mas discutir o amor do século XXI, como você insiste em fazer, não tem muito valor. Originalmente, o amor existe como algo sagrado; às vezes, a crítica de terceiros só traz maus resultados. Ainda mais no século XXI, que será uma era abençoada com corações e corpos puros, o amor será algo completamente saudável e alegre — e assim deve ser. Mesmo hoje em dia, ver a interação de jovens rapazes e moças dessa forma é belo e deve ser cultivado. O surgimento do Paraíso Terrestre neste mundo está num futuro próximo; antes disso, porém, há uma grande ação de purificação. Repórter: Então, vamos entrar na conclusão por aqui: quando se realizará o "Paraíso Terrestre" que o Grão-Mestre propõe? Meishu-Sama: Recebo com frequência essa pergunta; será num futuro próximo. Como já disse, antes disso ocorrerá uma grande ação. Assim como a ação purificadora do corpo humano precisa ocorrer para que ele se torne saudável, da mesma forma, como o próprio universo dará um grande salto, devemos estar preparados para uma ação de transformação considerável. Isso soa como uma profecia, mas, como já expliquei antes, a nossa Igreja pretende continuar realizando a "obra de salvação" e aprofundá-la daqui para frente. Repórter: Muito obrigado. ("Mugen" nº 3, 15 de junho de 1949) — Grão-Mestre Jikan: Ampla Conversa à Sombra Verde da Terra Divina Repórter: Como o senhor avalia a atual insegurança social e o panorama do mundo? Meishu-Sama: Pode-se dizer que a causa principal da insegurança social está no conflito ideológico. Esquerda e direita, de qualquer forma, encenam um choque violento, mas isso é um fenômeno transitório, e o tempo resolverá tudo. De modo geral, há uma grande incoerência na atuação do Partido Comunista japonês. O coração humano não é algo que se possa agarrar com facilidade; ainda que se recorra à força para tentar dominá-lo, isso acabará levando à própria ruína, não à vitória final. O ser humano, a menos que haja ressonância vinda do fundo do coração, não pode ser considerado verdadeiramente unido. O que o Partido Comunista faz é, por assim dizer, uma doença infantil, uma falta de maturidade — acho que aí reside a causa de sua ruína. Ele já passou do auge; está em declínio. Repórter: Então esse clima social vai melhorar à medida que o Partido Comunista perder força? Meishu-Sama: Como é o conflito ideológico que escurece o mundo, se esse conflito enfraquecer, o mundo aos poucos se tornará mais claro. Repórter: O povo em geral está muito aflito com a falta de dinheiro; qual é sua opinião sobre isso? Meishu-Sama: Durante a guerra, a maior parte era absorvida pelos militares; ao voltar ao estado de paz, deixou de haver algo com tamanha capacidade de absorção. Assim, quanto mais a produção avança, mais os produtos se tornam excessivos e a demanda não acompanha — é natural que sobrevenha uma recessão. Mas, se as mercadorias sobram, é princípio da economia que seu preço caia; portanto, com o excesso atual, os preços só tendem a cair. Quando os preços caem, o dinheiro ganha valor. A atual falta de dinheiro é um fenômeno do que se costuma chamar de "pânico de estabilização". Em breve haverá também a liberação dos fundos de contrapartida, e o valor da moeda aumentará em relação a antes; não é preciso, portanto, temer tanto essa escassez. Repórter: Então a economia vai se recuperar um pouco? Meishu-Sama: Como já indiquei, a estratégia do Partido Comunista de destruir a indústria e os transportes parece ter fracassado; o ânimo no setor industrial vai melhorar e o coração das pessoas vai se estabilizar. Por isso, sou muito otimista quanto às perspectivas econômicas futuras. Repórter: Qual é sua opinião sobre os políticos do Japão de hoje? Meishu-Sama: Também acho que a vida dos políticos não é fácil; ainda assim, de modo geral, não há hoje no Japão políticos com verdadeiro conteúdo. Falando com franqueza, alguém como o Sr. Yoshida deve ser considerado, entre os políticos japoneses, de classe A; isso se deve à pobreza de grandes figuras, e é algo inevitável. Mais do que isso, porém, é preciso realizar uma educação política mais profunda e completa para o povo japonês — e essa educação, se continuar presa à antiga base materialista, é absolutamente ineficaz. Se não incorporar também uma perspectiva religiosa, tornar-se-á inevitavelmente vazia; sem sentimento religioso, formam-se pessoas sem espinha dorsal, cujo modo de pensar facilmente cai na estreiteza. Repórter: Recentemente, no caso do surto de disenteria num grupo, os médicos parecem estar sendo severamente responsabilizados. Meishu-Sama: É lamentável que se responsabilize apenas os médicos. Eles provavelmente fazem o melhor que podem; mas, como a própria medicina tem falhas, não há nada que o médico, por si só, possa fazer. A menos que se corrijam os erros da medicina, o mundo das doenças não será purificado. Ultimamente, não posso deixar de sentir sincera compaixão pelos médicos. Repórter: Existe algum meio, através do sentimento religioso — em especial da nossa Igreja — de reconstruir o Japão mais rapidamente? Meishu-Sama: Até agora, o japonês parece ter confiado demais em religiões sem força real. A época já não precisa de religiões ilusórias e supersticiosas; anseia pelo surgimento e pela proteção de uma religião viva, com força real. Foi exatamente para atender a essa exigência da época que a nossa Igreja nasceu e vem se desenvolvendo; e ouvi recentemente que, até mesmo em certos círculos influentes do exterior, já se começa a demonstrar grande interesse por ela. Em suma, religião é acreditar em milagres. Os materialistas, por não quererem acreditar nesses milagres, tornam-se meros prisioneiros do culto ao materialismo onipotente. O espiritualismo, ao contrário, acredita no invisível, isto é, nos milagres. Hoje o mundo percebe que não pode, de forma alguma, ser salvo pelo materialismo, e procura criar uma nova visão de mundo assentada no espiritualismo, ou seja, no sentimento religioso. Devemos saber que a situação mundial, que nos força a crer em milagres, pulsa com intensidade. Pode-se dizer que entramos numa época em que devemos gravar bem fundo em nossos corações que o futuro da nossa Igreja é verdadeiramente imenso, e que a mão salvadora do Poder Kannon se estende largamente. (Revista "Hikari" nº 25, 3 de setembro de 1949) — Anúncio de Ano Novo do Grão-Mestre Jikan: Conversa à Beira da Lareira em Atami no Ano Novo Superando o caminho de espinhos, saudamos agora um Ano Novo em que se anuncia um grande salto adiante, e a gratidão dos trezentos mil fiéis se renova. Tudo isso se deve, não a outra coisa, senão ao grande poder espiritual e à virtude do Grão-Mestre Jikan (Meishu-Sama), que, com espírito inabalável e lúcida perícia divina, se entrega por inteiro à realização desta obra sagrada do século. No início do ano, abrindo especialmente um momento de seu escasso tempo livre para conversar com o nosso repórter, foi possível vislumbrar, no fundo do coração do Grão-Mestre, até mesmo um domínio ilimitado e ainda desconhecido do mundo humano. Segue-se, para os prezados leitores, o resumo dessa conversa de Ano Novo à beira da lareira em Atami. Repórter: Cremos que o ano passado foi bastante difícil para a nossa Igreja; gostaríamos de ouvir, antes de mais nada, as impressões do Grão-Mestre sobre isso. Meishu-Sama: No ano retrasado, foi o problema dos impostos; no ano passado, um ataque injusto do jornalismo — não foi fácil, em vários sentidos. Mas nunca fiquei pessimista nem perdi a confiança; ao contrário, acredito que essa amarga provação, conforme a revelação divina, trouxe uma bênção ainda maior ao meu trabalho. Afinal, o desenvolvimento da nossa Igreja foi tão rápido que despertou grande inveja em parte dos japoneses que já perderam o senso de moralidade — creio que essa é a principal causa. É um destino do qual nenhuma religião, por maior que seja, escapa por certo período, como evidencia a história das religiões do passado. Repórter: Outro dia, encontrei um alto executivo de um grande jornal e lhe perguntei: "Por que o jornalismo japonês toma apenas a nossa Igreja como alvo de crítica?" Ele me respondeu: "Não, de modo algum tratamos a Igreja Kannon como inimiga; é que, ao pensar em abordar uma nova religião, a Igreja Kannon é a maior do Japão." Ainda assim, o jornalismo tem feito, à vontade, todo tipo de perseguição. Meishu-Sama: Não me importo nem um pouco com o que escrevem; tudo isso se baseia em mero sensacionalismo, portanto não tenho nada a temer. Aliás, a vida dessas divindades malignas do pós-guerra não deve ser muito longa. Repórter: A expansão tão rápida da nossa Igreja não terá gerado alguma dificuldade na orientação interna? Meishu-Sama: Esse pesar de fato existiu. Quando o exterior se expande de uma vez, é natural que o interior não consiga acompanhar o ritmo; nesse caso, é necessário conter, até certo ponto, essa força de expansão. Em outras palavras, a meu ver, deve-se reconhecer que até mesmo a propaganda negativa do jornalismo tem, por trás, a Vontade Divina. Não digo isso por despeito, mas creio que Deus me concedeu um tempo de paciência e recolhimento; talvez seja bom adotar, por ora, uma postura de avançar um palmo e recuar um dedo. Com o Poder Absoluto de Deus, Lutando Dignamente Contra a Opressão Injusta Repórter: Quando um grande jornal publica reportagens tão cheias de má-fé, a maioria das instituições se desmorona; fiquei surpreso com a solidez da base da nossa Igreja. Meishu-Sama: Não há motivo para surpresa. Temos uma preparação minuciosa para enfrentar dignamente a opressão injusta e as maquinações; essa preparação é, em outras palavras, o Poder Absoluto de Deus. Ninguém pode destruir essa dignidade divina, portanto deve ficar claro que não há um pingo de maldade em nós. Agimos com força real, sem a menor má intenção, verdadeiramente serenos como o fluir de um rio, sem falsidade. Seria bom se todos entendessem isso, mas o nível intelectual do Japão ainda não chegou a esse ponto — por mais que se realize uma grande obra de bem, se houver um pequeno defeito, é mau hábito do japonês disfarçá-lo como se fosse a totalidade e tentar prejudicar os outros com isso. Numa época assim, acho que a estratégia sensata é não resistir demais e seguir com paciência; por ora, quero fazer da solidez, antes de tudo, o meu lema. Repórter: Em nítida proporção inversa à opinião pública deturpada pelo jornalismo, os números recentes provam, de forma mais concreta, quantas pessoas vêm sendo salvas pela nossa Igreja. Qual seria a razão disso? Meishu-Sama: Isso significa que as nuvens do mundo espiritual estão gradualmente se dissipando; em outras palavras, é sinal de que a Luz de Deus se fortaleceu mais do que antes, e por isso o poder de Johrei dos fiéis da nossa Igreja também se fortaleceu. Meu próprio poder espiritual é hoje várias vezes maior do que no passado, e creio que o poder espiritual dos fiéis já se manifesta com uma força equivalente à que eu tinha há uns vinte anos. Por isso, é absolutamente impossível que não funcione. Sobretudo agora, quando a ação purificadora sobre o Japão é muito intensa, o fato de o poder espiritual atuar com tanta eficácia já se explica suficientemente até mesmo do ponto de vista científico. [Nota do repórter: consultar em especial o artigo "A Noite Está Perto do Fim", publicado no nº 42 da revista "Hikari".] Repórter: Ultimamente, mesmo nas camadas intelectuais do Japão, cresce a opinião de que o sentimento religioso é absolutamente necessário para construir as bases de um Japão pacífico. Qual é sua opinião sobre isso? Meishu-Sama: Sempre insisto que o ser humano sem sentimento religioso não presta, e creio firmemente que é a religião que constrói toda a base da paz. Mas, mesmo sendo religião, as chamadas religiões malignas e supersticiosas não têm eficácia nenhuma; crer numa religião sem valor é pura perda de tempo. No Japão de hoje, além da nossa Igreja, não há religião alguma merecedora da confiança de todos — não há outro poder capaz de salvar verdadeiramente além da absolutidade do Poder Kannon. No Ocidente, creio que ainda seja o Cristianismo. Repórter: Em que se fundamenta a superioridade da nossa Igreja? Meishu-Sama: Está nos benefícios recebidos nesta vida. Os benefícios do outro mundo, pregados pelo budismo e por outras religiões, são necessários até certo ponto para ligar o mundo espiritual ao mundo humano; mas o caminho para salvar hoje todo o povo japonês que sofre nesta dificuldade está em transformar este mundo no Paraíso. Naturalmente, é uma tarefa imensa; mas não creio que seja tão árdua assim, se cada japonês compreender de fato a essência da nossa Igreja. Esse mundo sem "doença, pobreza e conflito" de que falo é, em outras palavras, a transformação deste mundo no Paraíso; e, entre esses três males, basta eliminar o primeiro, a doença, para que a pobreza e o conflito desapareçam por si mesmos — nem preciso dizer mais: todos sabem que a doença é causa da pobreza, e o mesmo vale para o conflito, pois a guerra nasce do estado doentio de uma nação. Sinais de Luz Aparecem à Medida que o Mundo Espiritual Se Clareia Repórter: O clima para a conferência de paz se intensifica, e a perspectiva do Japão para este ano parece bastante promissora. Qual é a opinião de Meishu-Sama? Meishu-Sama: É um ano bom e também um ano ruim. Com a mudança da energia espiritual e a iluminação do mundo espiritual, os sinais de luz já aparecem com clareza; em contrapartida, o mundo do mal seguirá o caminho da ruína. Quem se esforçar pelo bem será recompensado; quem praticar o mal será desmascarado na hora — a descoberta do mal ficou mais rápida por obra do poder espiritual. Uma grande faxina dos maus: este é o fardo que recai sobre os ombros do Japão neste ano. Se, mesmo depois de varrido, ainda restar um lixo que não possa nem ser jogado no cesto, ainda está bom; mas, se não chegar ao menos a ser um lixo aproveitável, será grave. Nesse sentido, pode-se dizer que é um ano de mau agouro para os maus. Avancem no Caminho de Deus com Dedicação, Sem se Deixar Levar por Manobras Repórter: Como será a economia este ano? Meishu-Sama: Ainda não será fácil, pois as finanças do Japão continuam sendo um malabarismo. Mas, se até agora os preços vinham à frente dos salários, aos poucos esse equilíbrio parece que se restabelecerá, de modo que não creio que venha uma inflação tão severa quanto antes. Como a capacidade produtiva atual parece ter se recuperado a uns 60 ou 70% do nível de antes da guerra, pode-se dizer que o Japão de hoje, sem demanda militar, já voltou quase ao estado de antes da guerra. Porém, como o comércio exterior vai mal e há muito estoque parado, as mercadorias não circulam, e o consumo interno tampouco aumenta; a economia deverá apresentar, por ora, um aspecto de recessão. Se, neste momento, eliminarmos o desperdício e fizermos poupança, poderemos superar qualquer crise. Repórter: Qual é a sua previsão política para este ano? Meishu-Sama: Não tenho interesse em política, mas hoje é difícil encontrar no Japão um grande político. Acho que o Sr. Yoshida ainda é, para o Japão, a figura principal; tem visão considerável e também força. Pessoalmente, gosto de gente que, como ele, não busca agradar. Se deixarmos este ano nas mãos do Sr. Yoshida, creio que ficaremos bem. Repórter: Por fim, gostaríamos de ouvir uma palavra sua para todos os fiéis. Meishu-Sama: Muda o ano, mas não tenho palavra nova a acrescentar; peço apenas, encarecidamente, que não se deixem levar por manobras interesseiras, mantenham o coração em paz e se dediquem, com sinceridade e espírito aberto, ao Caminho de Deus. ("Hikari" nº 43, 1º de janeiro de 1950) — Comemorando o Primeiro Aniversário do Nosso Jornal, o Grão-Mestre Jikan Expressa Seus Sentimentos: Que se Abra o Caminho da Felicidade da Humanidade Repórter: O nosso jornal, "Hikari", completa um ano de publicação e, antes disso, sob nova missão, foi renomeado "Kyusei" (Salvação do Mundo) — celebramos aqui este significativo primeiro aniversário. Ao longo deste ano, houve essa transição de "Hikari" para "Kyusei", e acredito que houve muito mais sentimentos do que isso. Gostaríamos de ouvir, antes de mais nada, as impressões de Meishu-Sama sobre esse período. Meishu-Sama: De fato, este ano foi de dificuldades, mas, para mim, guarda muitas lembranças que hão de ficar gravadas nas páginas da história da minha vida. Escrever sempre foi um gosto meu e também parte do meu trabalho, mas raras vezes me dediquei tão seriamente à escrita como neste ano. No passado, às vezes escrevia por gosto, compondo poemas e versos com espírito descontraído; mas ultimamente, sem esse ânimo tranquilo de passatempo, e sim sob o comando da Vontade Divina, não pude deixar de escrever com espírito solene e tenso. Em suma, tive de lutar, com a "escrita do bem", contra a "escrita do mal". Por mais que o mundo tenha mudado, nunca vivi um jornalismo tão violento quanto o de hoje. Por mais que se diga que o interesse comercial é o essencial para os jornais, a tendência a se regozijar em ferir ou difamar os outros não é desejável. A nossa Igreja sofreu com esse jornalismo maligno o ano inteiro, mas, como se vê, não houve nem sombra de abalo — prova silenciosa da retidão da nossa Igreja; e esse jornalismo maligno acabou tendo de se render diante da justiça. Bem, quando algo novo e cheio de vigor invade o espaço de algo antigo, é inevitável que surja forte oposição e obstrução da parte do que já está estabelecido; é próprio da natureza humana não gostar de ser ofuscado por recém-chegados. Mas isso dura apenas um breve período; uma vez que a força nova conquiste seu lugar, o japonês, por sua índole, para de reclamar. Como a nossa Igreja nada tem a esconder, poderíamos até partir para a ofensiva de forma mais aberta, mas isso não é do meu gosto; mesmo sendo alvo de críticas, seguimos avançando devagar, mas com segurança, rumo ao nosso objetivo final. Sendo humano, também fiquei irritado com as calúnias mais extremas; mas, contendo minha raiva pessoal e apenas obedecendo às ordens de Deus, persisti neste ano de verdadeira provação. Jornalistas superficiais deste pós-guerra jamais poderão entender um sofrimento como esse. A Paixão que Jorra é Servir a Deus sem Nenhuma Má Intenção Repórter: Sustentar, semana após semana, ao longo de um ano inteiro, essa linha de reflexão do "Hikari" ao "Kyusei" é mais do que um dom divino; não deve tê-lo cansado? Meishu-Sama: Jorra como uma fonte, e a minha força de escrever ainda não diminuiu; ao contrário, daqui para frente, conforme a ocasião e a oportunidade, falarei cada vez mais. O meu pensamento e a minha paixão por Deus estão evidentes nos meus escritos até hoje; quem duvidar, se ler com atenção o que escrevi, há de compreender tudo — não há uma única palavra falsa. Em primeiro lugar, se houvesse a menor má intenção, não só em mim, mas na nossa Igreja, nenhum fiel a toleraria. O nosso trabalho é feito às claras, por isso não há nenhuma inquietação nem dúvida. A Manifestação do Poder de Deus: Chega o Tempo da Proteção sobre o Universo Repórter: O título de Messias (Salvador do Mundo) também é atribuído a Jesus Cristo. Que relação há com isso? Meishu-Sama: No Ocidente, Cristo é de certo modo chamado de Messias, mas isso não se diz com base em uma definição sólida. Ainda que chamado de Salvador do Mundo, ninguém de fato alcançou plenamente esse objetivo; talvez não fosse possível manifestar o poder real até a primeira metade do século XX, mas pode-se dizer que, a partir de agora, entramos numa época em que o poder real de Deus será manifestado. Creio que, no Ocidente, o próprio Cristo há de manifestar no futuro o seu poder real; e, no Oriente, estou convencido de que o Messias manifestará verdadeiramente o seu poder divino. Por essa razão, não se pode compreender isso com as concepções religiosas do passado; surgirá, pela primeira vez, um poder divino mais misterioso e profundo. Eu sou, evidentemente, o representante do Messias, por isso não me é dado sequer imaginar de que forma o Messias há de atuar futuramente; mas, a partir das poucas manifestações divinas já presentes, creio poder dizer que um imenso poder espiritual está protegendo o universo. Repórter: Há algo particularmente notável desde que passamos a ser a Igreja Messiânica? Meishu-Sama: Estão surgindo ecos muito agudos vindos do mundo espiritual. Os milagres, isto é, as graças, tornaram-se ainda mais fortes; o que antes era comum passou a ser inimaginável, e eles continuam a acontecer sem parar. Mas o julgamento entre o bem e o mal se tornou excepcionalmente severo, e a condenação do mal passou a ser aplicada com todo o rigor. A diferença entre "Hikari" e "Kyusei" está exatamente aí; que fique bem gravado que não se trata de mera mudança de título ou de marca. Repórter: Qual o significado, em escala mundial, do nascimento da Igreja Messiânica? Meishu-Sama: Até agora, o âmbito da atuação de Deus estava limitado a esta região local chamada Japão, mas creio que, daqui em diante, isso se estenderá a todo o Oriente. Assim como se diz que a fé não conhece fronteiras, a atuação de Deus é infinita no universo, e sua misericórdia se estende até cada folha de grama e cada árvore. E, assim como o estado de ausência absoluta de "doença, pobreza e conflito" — lema da nossa Igreja — há de se estender a todos os lugares, o surgimento de um "mundo de paz" é mais claro do que a luz do dia. O conflito é o que a humanidade mais odeia e detesta; custe o que custar, a humanidade precisa deixar de lutar. E o japonês, sobretudo, sem armas, carrega o destino de estar à frente na construção desse "mundo de paz". O que hoje se agita internamente, entre esquerda e direita, é infantil demais para ser considerado parte do "anseio fervoroso pela paz"; não parece, de forma alguma, uma postura séria em prol da paz. Pequenos conflitos, quando gradualmente se exaltam, tornam-se antagonismo entre povos, e os povos passam a se odiar mutuamente; daí nasce a divisão dos povos. O japonês, que por tanto tempo foi vítima do governo dos samurais e sofreu sob a opressão dos militares, não poderia, agora, recuperar um espírito mais amplo, calmo e sereno, capaz de se libertar desse antagonismo interno e construir um Estado pacífico e alegre? Ultimamente não consigo deixar de notar, com pesar, a estreiteza de espírito do japonês. A Paz Mundial É Possível, em Cooperação com o Cristianismo Repórter: A paz mundial pode de fato ser realizada pelo poder da religião? Meishu-Sama: Creio que sim, absolutamente. Como já disse, há Cristo no Ocidente e o Messias no Oriente; se essas duas grandes forças cooperarem, e todos os fiéis lutarem a sério pela paz, creio que a paz eterna certamente será alcançada. Mesmo os países ateus, provavelmente, não gostariam de atrair a ira de Deus sobre si. Nem é preciso dizer que a doutrina da Igreja Messiânica Mundial está, evidentemente, enraizada nesse anseio pela paz eterna da humanidade. Repórter: Já houve alguma repercussão disso em algum lugar do mundo? Meishu-Sama: Já houve, sim. Recebi, há poucos dias, uma carta de Washington do Sr. Nakamura Kaju, senador que viajou recentemente aos Estados Unidos: parece que o nosso jornal "Hikari" fez grande sucesso entre os nossos compatriotas de lá. Quando a livre comunicação for permitida, "Kyusei" também há de se difundir amplamente além-mar. Além disso, um senhor chamado Okamoto Yonezō Meishu-Sama: Como a obra cresceu além do plano inicial, está um pouco atrasada e talvez leve o ano todo. Mas creio que, ao ficar pronta, apresentará uma paisagem grandiosa sem precedentes no Oriente, e algo de extrema magnificência estará completo. Ainda assim, por serem tempos como estes, eliminaremos todo luxo desnecessário, e a construção será simples e elegante; o estilo é o francês de Le Corbusier, com reboco branco — o primeiro desse tipo em Atami —, com um toque moderno e elegante. Poderá acomodar vários milhares de pessoas, e pretendo também disponibilizá-la para casamentos do público em geral, não apenas dos fiéis. A nossa Igreja tem investido, até hoje, uma soma enorme nessa construção, e estou convencido de que, uma vez pronta, a essência da nossa Igreja será, enfim, bem compreendida. O problema é que o japonês, enquanto não vê diante de si algo material e concreto, fica tecendo todo tipo de suposição; quando isso surgir diante dos olhos de todos, entenderão. Além do santuário, haverá alojamentos para os fiéis, fontes termais, mirantes, e também um grande museu de arte, aberto ao público em geral, o que há de desempenhar papel importante na amizade internacional. Repórter: Há quem espalhe o boato de que, com isso, a nossa Igreja estaria dominando a cidade de Atami. Meishu-Sama: Isso me surpreende de verdade. Atami é uma entidade autônoma, formada por seus próprios cidadãos; a nossa Igreja não passa de uma pequena fração, entre dezenas de milhares, dentro dessa entidade autônoma. Não pode dominar a cidade e, pelo próprio princípio religioso, não tem relação alguma com a administração municipal. Estou disposto a ajudar no que for preciso para o desenvolvimento de Atami, e é isso que tenho feito até hoje. Atami não é uma cidade tão pequena; quem se preocupa com uma coisa dessas não a conhece bem. Atami pertence aos cidadãos de Atami e tem um direito de autonomia respeitável, que ninguém pode violar. Há gente tão insensata que inventa disparates e os apresenta como se fossem verdade; é realmente ridículo. ("Kyusei" nº 53, 11 de março de 1950) — Diálogo com um Certo Político: Que os Políticos Também Tenham Fé Recentemente, em certo lugar, tive um diálogo previamente combinado com um certo político, que se estendeu por várias horas. Ele já havia sido ministro por duas vezes e é figura bastante influente. Político: O que há de mais importante a fazer, hoje, no Japão? Meishu-Sama: Antes de mais nada, incutir no povo uma educação política, fazendo-o interessar-se por política. Pois o povo japonês de hoje não se importa muito com quem se torna ministro ou qual partido forma o gabinete; basta que a própria vida seja confortável, e esse é, provavelmente, o sentimento sincero da maioria. Ou seja, o nível geral de instrução é baixo, e é preciso elevá-lo. Creio que cada cidadão precisa chegar a sentir-se, ele próprio, um político. Político: De fato, deve ser como o senhor diz; mas, quanto à política em si? Deem "Tempo" ao Gabinete Meishu-Sama: Os gabinetes japoneses têm, de fato, vida muito curta; assim não se pode fazer boa política. Por mais capaz que seja um político, é impossível realizar, em seis meses ou um ano, um bom plano de governo. Antes de tudo, é preciso deixá-lo executar sua política em silêncio por um bom período; só então, se o resultado não for bom, é que se deveria agir para substituí-lo. Em suma, deveria haver mais tolerância com o gabinete. Mas, no Japão, assim que se forma um novo gabinete, já se começa imediatamente a tentar derrubá-lo; não sobra política alguma, só a vontade de derrubar o gabinete. Um país onde os gabinetes mudam com tanta frequência não se desenvolve — é o caso da França e da Itália. Nos Estados Unidos, com um mandato de quatro anos, dá para trabalhar com calma e dedicação; mesmo na Inglaterra, uma vez que confiam a um gabinete, ainda que haja algo desagradável, não o criticam levianamente, e ficam observando com paciência — basta ver o atual gabinete trabalhista. E não é só: no Japão, a cada mudança de gabinete, trocam-se até os funcionários das administrações locais; assim não há como trabalhar tranquilo, sempre com o pé atrás. Quando finalmente a pessoa se acostuma e está prestes a começar o trabalho de verdade, já foi substituída. Creio que a grande reforma necessária está, antes de tudo, nisso. Um certo presidente de jornal, que estava por perto, interveio: — O que eu acho é que seria bom fixar o mandato dos parlamentares em uns três anos, sem dissolução. Deseja-se o Surgimento de Novos Nomes Político: Acho que o gabinete Yoshida é frio com a classe trabalhadora; o primeiro-ministro vive recolhido em Oiso e deveria vir com mais frequência ao centro. Meishu-Sama: Esse ponto, de fato, existe; há algo de aristocrático nisso. Será que ainda restam traços do modelo dos antigos políticos? Creio que, daqui para frente, é imprescindível que surjam novos nomes. Político: Penso o mesmo. Os antigos já foram quase todos afastados, e os que restaram são antiquados; daqui para frente devem surgir novos nomes, gente na casa dos quarenta anos. Meishu-Sama: O senhor mesmo seria um bom exemplo de quem prepara o palco para que os novos apareçam. Político: Penso o mesmo; primeiro os mais velhos precisam preparar o terreno. Meishu-Sama: Claro, mas é preciso que sejam novos e, além disso, de espírito aberto. Daqui para frente não basta pensar em termos nacionais ou étnicos; creio que seja preciso pensar em termos mundiais — ou seja, ter como meta esse Estado mundial de que tanto se fala na América. Um repórter que estava por perto interveio: — É a mesma opinião do presidente; ele também sempre foi mundialista, e nisso está de acordo com o senhor. Os Ideais Coincidem Político: Ora, eu também penso assim! Se estamos de acordo, gostaria que, de vez em quando, nos reuníssemos para trabalhar pela construção desse Estado mundial. Meishu-Sama: É exatamente isso o que sempre chamamos de Paraíso Terrestre, livre de doença, pobreza e conflito. O fundamental é eliminar a doença, mas a medicina moderna está cometendo um grande erro; é preciso, antes de tudo, esclarecê-lo. Estou escrevendo agora um artigo intitulado "Apelo a Todos os Médicos do Mundo", que pretendo dirigir às universidades e ao meio acadêmico do mundo inteiro — naturalmente em inglês, alemão e francês —, com o objetivo de uma revolução na medicina mundial. Político: Quanto a mim, ainda não conheço a sua terapia, mas vou me informando aos poucos sobre ela. O Partido Comunista Está Impaciente Nesse diálogo surgiu também o assunto do Partido Comunista. Meishu-Sama: Acho que, de agora em diante, os partidos políticos não podem mais ficar limitados a rótulos como esquerda ou direita; essa disputa impede a boa política, que é o essencial. Penso que precisa surgir um novo partido de contornos mundiais, que englobe tudo — conservadorismo, comunismo, socialismo, qualquer ideologia —, e que esse conjunto, como um todo, oriente o povo. Por isso, a minha religião está aberta a qualquer ideologia. O Partido Comunista, por sua vez, tendo mostrado ultimamente sinais de impaciência, já revela seu fim próximo; quando algo mostra impaciência, já não presta mais. É preciso ter calma — a felicidade vem para quem sabe esperar; a impaciência gera excesso, e isso leva ao fracasso. Ashida é um bom exemplo disso. Doações Políticas às Claras Político: O pessoal do meu lado é todo ruim em ganhar dinheiro e vive em apuros por causa disso. Meishu-Sama: Isso até que é bom — os que são bons em ganhar dinheiro acabam indo parar em Kosuge (a prisão). Penso que as doações políticas, se feitas de forma justa e às claras, não têm problema algum; o essencial é que não haja, atrelada a elas, nenhuma condição de troca, como a promessa de favores. Mas, no Japão, gente rica assim, sem segundas intenções, é praticamente inexistente. Até agora, como o objetivo eram os favores, tudo se fazia em segredo, e daí nasciam os crimes; mas os políticos, de fato, precisam de uma certa quantia de dinheiro. Por isso, é preciso, antes de tudo, criar uma sociedade em que surjam pessoas que doam abertamente, por acreditarem que tal partido fará uma boa política. É assim, por exemplo, que surgem bons políticos nos Estados Unidos. Outro ponto essencial: daqui para frente, o político não pode prescindir de sentimento religioso — tanto MacArthur quanto Truman são cristãos fervorosos. Tenho isso também como objetivo; meu ideal é formar políticos excelentes, dotados de sentimento religioso. O político, o presidente do jornal e o repórter disseram em uníssono: "Foi muito bom termos tido esta noite uma reunião tão proveitosa; vamos trocar opiniões de vez em quando." E, com isso, despediram-se. Benefícios Neste Mundo e Benefícios no Mundo Futuro Hikari nº 36, publicado em 19 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) No que diz respeito à crítica que a sociedade faz à religião, há quem hesite sobre qual é o correto: desejar as graças recebidas nesta vida ou as graças futuras. Com efeito, embora as pessoas comuns, sem exceção, desejem as graças recebidas nesta vida, os religiosos e intelectuais afirmam veementemente que essas graças são próprias de religiões inferiores, e que a verdadeira religião tem como objetivo as graças futuras. No entanto, não há ideia mais absurda do que essa: é certo que esses próprios críticos também desejam as graças recebidas nesta vida. Se alguém dissesse que não as deseja, essa pessoa seria, antes de tudo, um ser de caráter anormal. A ideia de tomar como objeto de fé apenas as graças futuras, após a morte, é uma doutrina comum nas religiões estabelecidas, que fazem da possibilidade de ir para junto de Amida após a morte a sua única alegria. Isso não é, de forma alguma, algo ruim, mas é evidente que, como seres humanos de hoje, não se pode ficar satisfeito apenas com isso. Por mais que se diga uma coisa ou outra, é provável que não haja quem tenha fé se não houver graças recebidas nesta vida. Contudo, a questão é como conceder essas graças. Se for por meio do poder material visível, como a assistência social, isso não se torna fé; é necessário, de qualquer forma, que seja um benefício material proveniente de um poder invisível, ou seja, de um milagre. Nesse caso, qual seria a origem desse poder? Não é preciso dizer que é o poder dos deuses e budas — é o Poder Kannon, que sempre invocamos. É somente por meio dele que podemos conhecer a existência real dos deuses e budas invisíveis. Por essa razão, por mais bela que seja a aparência externa e por mais completo que seja o formalismo, por mais claramente que se exponham teorias elevadas e profundas, é impossível que tais religiões se desenvolvam. Considerando o exposto, deve ficar claro por que a nossa Igreja está experimentando um desenvolvimento sem precedentes em tão curto espaço de tempo. Os jornais, com frequência, escrevem — como é comum — que, aproveitando a confusão espiritual do povo após o fim da guerra, estaríamos fazendo proliferar religiões malignas e supersticiosas e tirando proveito disso. Essas afirmações são extremamente insultuosas para com as pessoas e subestimam demasiadamente o povo. Há uma frase que os políticos habilidosos costumam repetir: “Os olhos e as vozes do povo nunca podem ser menosprezados; na verdade, são os olhos de Deus e a voz de Deus.” Isso é absolutamente verdade. Não só isso: ainda que o povo, em seu desespero, se agarre a uma religião, é certo que, se ela não resolver seu sofrimento, ele a abandonará imediatamente — não há, portanto, como haver desenvolvimento da expansão religiosa nesses termos. Especialmente, é improvável que existam, na sociedade de hoje, homens e mulheres devotos que tenham fé atraídos pelas graças futuras de outrora. Além disso, pode-se dizer que, na atual situação de aperto financeiro, dificilmente alguém se deixaria aprisionar por uma religião maligna e supersticiosa a ponto de despender tempo e dinheiro consideráveis. O verdadeiro problema reside no raciocínio desses jornalistas que, sem compreender absolutamente a situação atual da sociedade acima descrita, julgam precipitadamente que o povo é medíocre, tolo e ignorante. Portanto, do nosso ponto de vista, ao constatarmos que o povo tem, inesperadamente, grande capacidade de compreensão e sabedoria, sentimo-nos verdadeiramente encorajados. Em contrapartida, não podemos deixar de nos sentir pessimistas ante o raciocínio antiquado e extremamente irresponsável dos senhores jornalistas, que têm o papel de guias do povo, e nos preocupamos dia e noite com a maneira de esclarecê-los. Dissemos o exposto com excesso de franqueza aos senhores jornalistas, causando-lhes talvez algum desconforto, mas, em prol da salvação da humanidade, não podemos deixar de apresentar estas palavras sinceras, ainda que amargas. Esperamos, portanto, que nos perdoem amplamente por este ponto. Como Ver Isso Hikari nº 17, publicado em 9 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Anteriormente, escrevi um artigo intitulado “A Tragédia da Nutrição”; como ainda há pontos que não foram suficientemente abordados, escrevo este como complemento. Refiro-me à ocasião em que subi os Alpes Japoneses, há alguns anos. Na hora do almoço, fiquei surpreso ao ver a marmita do guia de montanha: continha apenas arroz branco, nenhum vegetal à vista. Perguntei-lhe: “Sua marmita não tem hortaliças?” Ele respondeu: “Não, senhor. Assim mesmo, está deliciosa.” Não pude deixar de perguntar: “Quer que eu lhe dê algo, como uma lata de conservas ou algo do tipo?” Ele então disse: “Se for assim, quero açúcar.” Quando lhe dei um pouco de açúcar, ele o comeu com alegria, polvilhando-o sobre o arroz. Duvido que exista um homem moderno que não se surpreenda com esse fato, pois, mesmo carregando todos os dias mais de trinta e sete quilos e meio de bagagem e subindo e descendo os caminhos íngremes dos Alpes, ele se alimentava apenas de arroz. Gostaria de saber o que diriam os estudiosos da nutrição, já que a Ciência da Nutrição atual afirma que os principais nutrientes estão nas hortaliças. Além disso, hoje se considera boa a alimentação variada, mas também acho isso estranho. A vigorosa força física dos coolies da Manchúria é mundialmente conhecida; no entanto, diz-se que eles se alimentam apenas de pão de sorgo no café da manhã, no almoço e no jantar, uma dieta extremamente monótona. Se assim é, a Ciência da Nutrição atual estaria em contradição com os fatos — mais um ponto que requer a reflexão dos estudiosos da nutrição. Na minha opinião, a razão é a seguinte: quando a alimentação é monótona, o poder misterioso da função nutritiva transforma e produz os diversos nutrientes necessários na quantidade exata. Em seguida, como também foi dito em “A Tragédia da Nutrição”, os nutrientes defendidos pela Ciência da Nutrição são, na verdade, o oposto. Isso porque, com o excesso dos chamados nutrientes, a atividade da função produtora de nutrientes do corpo se torna lenta, enfraquecendo a força física e acelerando o envelhecimento. Considerando este ponto, penso em adotar uma alimentação extremamente simples após ultrapassar os noventa anos, para viver mais. A razão é que, quanto mais simples for a alimentação, mais ativamente a função produtora de nutrientes terá de trabalhar — caso contrário, não será possível obter os nutrientes necessários para sustentar a vida. O aumento da atividade da função nutritiva equivale diretamente ao rejuvenescimento. Vou dar vários exemplos. Quando tinha cerca de dezessete ou dezoito anos, sofri de tuberculose pulmonar e fui abandonado pelo falecido Dr. Tatsukichi Irisawa. Naquela época, preparado para morrer, obtive uma dica por meio de algo e pratiquei uma dieta vegetariana absoluta. Para minha surpresa, o quadro da doença mudou completamente, minha força física reviveu visivelmente e, em três meses de regime vegetariano, tornei-me mais saudável do que antes da doença. Desde então, percebi que a Ciência da Nutrição estava completamente errada. Posteriormente, até dois de meus parentes consanguíneos com tuberculose pulmonar foram completamente curados com a terapia da dieta vegetariana. É claro que, naquela época, eu era um descrente; logo, a cura se deu apenas pela dieta vegetariana. Desde os tempos antigos existe a palavra “imortal”, mas isso não é mentira; é verdade que eles realmente existiram. Se olharmos os registros de “A História de Torakichi” e “Akiba Sanjakubō”, que serão publicados em série na revista “Tijotengoku”, não será possível deixar de acreditar. Além disso, examinando os registros do Sr. Goto Domyo, que ainda está vivo, e de seu mestre, o imortal Zuikei, podemos compreender e concordar. A terra natal dos imortais deve ser, sem dúvida, a Coreia. Afinal, como se faz o treino espiritual para se tornar um imortal? Começa-se picando finamente agulhas de pinheiro, misturando-as com farinha de trigo sarraceno e, cruas, moldando-as em bolinhos bastante grandes. No início, comem-se três desses bolinhos por dia; à medida que nos acostumamos, passamos a comer dois e, finalmente, um por dia. Mas o difícil vem depois: passa-se a viver sem comer nada, apenas com água. Diz-se que a maioria das pessoas é reprovada nessa etapa, mas quem passa torna-se um verdadeiro imortal. Desde os tempos antigos, diz-se que os imortais vivem alimentando-se de névoa, e isso não é de todo mentira. Certa vez, vi as idades dos imortais em algum lugar; estava escrito que o mais velho tinha oitocentos anos, o seguinte, seiscentos e tantos anos, e que idades em torno de trezentos anos eram bastante comuns. Quanto a essa longevidade humana, já vi a linhagem da família Takeuchi no Sukune, e isso é confiável, pois ainda está preservado na própria família. O mais longevo da família Takeuchi foi de trezentos e quarenta e nove anos; havia dois ou três com trezentos e vinte ou trinta anos, e os trezentos e seis anos de Takeuchi no Sukune eram, com certeza, o quarto ou quinto lugar. Gradualmente, as pessoas passaram a morrer mais cedo; no final do período Tokugawa, a maioria vivia até os cento e vinte ou trinta anos, mas, com a entrada no período Meiji, a vida tornou-se ainda mais curta, caindo para a faixa dos noventa e oitenta anos. Hoje em dia, já é igual às pessoas comuns. Penso que deve haver alguma razão para esse encurtamento gradual da vida e, em minha opinião, pode ser devido ao seguinte: entre os testamentos das gerações da família Takeuchi, há a instrução de ferver as folhas de rododendro e beber a infusão. Isso, é claro, provavelmente era pensado para a longevidade, mas acredito que, na verdade, possa ter sido a causa da vida curta. Há alguns anos, morreu na Bulgária um velho de cento e cinquenta e seis anos, mundialmente famoso como o mais longevo, e há uma história interessante sobre ele. Havia uma senhora que ficou muito triste com a morte desse longevo — ela tinha cento e vinte anos. Por que ela se entristeceu? Diz-se que, na juventude, ela e o velho de cento e cinquenta e seis anos eram amantes, mas, devido a alguma circunstância, não puderam se casar, e ela não conseguiu esquecê-lo até aquele dia. Assim se compreendeu a razão de sua tristeza. Além disso, diz-se que o velho de cento e cinquenta e seis anos, pouco antes de morrer, estava de casamento marcado com sua décima primeira esposa. Fico estupefato, a ponto de não conseguir imaginar. Agora, voltando à história dos imortais, diz-se que, quando alguém se torna um imortal, o corpo fica extremamente leve, correndo por montanhas e campos como um animal. Quanto a este ponto, posso concordar, pois, perto do final dos meus três meses de dieta vegetariana, meu corpo estava muito leve, e eu costumava pular do telhado para testar. Mesmo subindo em lugares altos, estranhamente não sentia medo; além disso, o corpo era muito leve, a disposição melhorou, a resistência aumentou e eu não sabia o que era me cansar. Percebi que a dieta vegetariana era realmente muito boa, mas o único ponto que se pode chamar de defeito foi que os desejos materiais se tornaram extremamente fracos. Em compensação, passei a não gostar de me irritar e a ter grande resignação diante de tudo, tornando-me, por assim dizer, uma pessoa de caráter não resistente — o que permite imaginar perfeitamente um imortal. Acima, alonguei-me citando vários exemplos sobre nutrição. Em suma, o que quero dizer é que a nutrição está nas hortaliças; escrevi este texto com o objetivo de ensinar isso. A História dos Extorsionários Hikari nº 19, publicado em 23 de julho do ano 24 da Era Showa (1949) Desde tempos antigos, ouvia-se dizer que organizações religiosas eram alvo frequente de tentativas de extorsão. Quando a nossa Igreja, porém, se tornou alvo de grande publicidade na sociedade devido à questão tributária, foi verdadeiramente surpreendente a quantidade de pedidos de dinheiro e extorsões que começaram a surgir, não se sabia de onde. Afinal, como um grande jornal havia publicado que os ativos da nossa Igreja eram de dois a três bilhões de ienes, pessoas de todo tipo, até mesmo desconhecidos, passaram a apresentar-se diariamente, com cartas de apresentação e outros meios, em uma fila interminável. Havia quem dissesse que o capital para o negócio era insuficiente, quem perguntasse se não queríamos investir em um negócio lucrativo, quem pedisse que comprássemos uma estátua de Buda e, no caso mais extremo, houve até quem, alegando que havíamos realizado o Johrei no leito de morte de seu filho, exigisse dezenas de milhares de ienes como indenização póstuma. Por um tempo, ficamos completamente absorvidos em responder a essas demandas e atender a essas pessoas. Vou expor um pouco dos bastidores da extorsão. O negócio da extorsão parece exigir bastante inteligência; há até quem elabore planos de profunda estratégia e visão de longo prazo. Ao ver essas pessoas, pensei muitas vezes, com verdadeira pena, que sucesso não alcançariam se empregassem tamanha inteligência em algo correto. No entanto, parecem sentir um profundo interesse em enganar os outros para obter dinheiro. Falando em extorsão, é interessante que existam a ala moderada e a ala dura. Vou começar pela ala moderada: esta é verdadeiramente suave e finge ser extremamente leal à organização religiosa. O que dizem é: "Há um grupo tramando para colocar a organização em perigo" ou "Estão perturbando os fiéis" — criando histórias engenhosas e exigindo fundos para suas atividades. Essas pessoas são realmente hábeis na oratória e, se não tomarmos cuidado, acabamos enganados. No entanto, o tipo mais comum é outro: a ameaça do começo ao fim. Seus métodos padrão incluem alegações como "O Quartel-General e o Ministério da Justiça estão se preparando para reprimir" ou, no caso mais extremo, "Vamos prender o Grão-Mestre, fazer uma busca domiciliar e destruir a organização" ou "Vamos invadir todas as filiais da organização e fazer uma prisão em massa". Recentemente, há até quem recorra a membros do Parlamento ou ao Partido Comunista. Além disso, depois de apresentarem ameaças exageradas, há os que dizem ser necessárias dezenas de milhares de ienes em fundos para suas atividades, a fim de evitar que isso aconteça. Há, ainda, os que praticam assédio de um jeito ou de outro. Uns exibem cartões de visita com três ou quatro nomes de associações nunca antes ouvidas, como "Presidente da Associação Tal", em letras garrafais, pedindo ajuda. Outros se apresentam como jornalistas de jornais ou revistas jamais vistos. O mais cômico é que, ao se encontrarem conosco, propositalmente falam em voz alta e grossa para nos intimidar ou insistem obstinadamente para conseguir alguma quantia. Sua característica é serem extremamente hábeis na conversa e, ao mesmo tempo, terem o cuidado de não infringir a lei, mantendo-se no limite do permitido. Raramente, há também quem proponha discursos públicos ou, de antemão, nos informe sobre seus planos como uma espécie de "informação". O admirável, porém, é sua técnica de criação: como a falsificação lhes é natural, são peritos em semear suspeitas entre funcionários do governo e em círculos importantes. Por causa disso, muitas vezes somos questionados sobre coisas que jamais imaginaríamos a respeito da nossa Igreja, e ficamos estupefatos. Portanto, as causas das suspeitas levantadas pelas autoridades, pela imprensa e pela sociedade em geral, em muitos casos, originam-se desses extorsionários. Assim, deveríamos considerar esses tais extorsionários como "grandes homens". Em seguida, recorrem ao seguinte estratagema desesperado: criam dezenas de cartas anônimas, mudando o nome do remetente em cada uma, e as enviam de vários lugares. É surpreendente que, às vezes, as autoridades, confundindo isso com a opinião pública, cheguem a investigar a nossa Igreja. Portanto, peço que as próprias autoridades tenham o máximo cuidado para não cair nesses estratagemas. É verdade que, ocasionalmente, as cartas anônimas podem levar à descoberta de crimes, de modo que não se pode subestimá-las totalmente. No entanto, como há casos em que, por causa delas, pessoas inocentes são alvo de suspeitas infundadas e sofrem danos, peço o máximo cuidado ao selecioná-las e descartá-las. Isso porque não é possível que uma religião que tem por objetivo a melhoria da sociedade pratique atos injustos. E o que é admirável é que os repórteres de jornais consideravelmente influentes jamais se deixam seduzir por dinheiro ou presentes. Isso, sim, é digno de respeito. Fragmentos Médicos (XII) – Medicina de Bonecos Hikari nº 37, publicado em 26 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) A medicina moderna, para dizer com clareza, não é a medicina do ser humano, mas sim uma medicina de bonecos. Ela não trata o homem como um indivíduo completo; sua interpretação limita-se a considerar braços, pernas, pescoço e tronco como partes separadas. A prova mais evidente de que não reconhece a inter-relação das quatro extremidades com o corpo é sua divisão em departamentos como neurologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, odontologia, especialidade em tuberculose, especialidade em aparelho digestivo, proctologia, urologia, entre outros. Para dar um exemplo interessante: se uma pessoa tem problemas nos olhos, tuberculose pulmonar, hemorróidas, beribéri e pé de atleta, precisaria ir a cinco hospitais diferentes ou a cinco especialidades de um hospital geral. Quanto aos medicamentos, considerando uma doença para cada tipo, seriam necessários cinco tipos. Naturalmente, ainda que corresse o dia inteiro, não seria possível receber tratamento para essas cinco especialidades. Nesse caso, gostaria de perguntar o que se deve fazer. A respeito desse ponto, a nossa Medicina do Espírito Divino considera todas as doenças como uma só, pois a doença é a parte onde as toxinas se acumulam; o tratamento, portanto, também é um só. Pelo simples fato de que até cinco tipos de doença podem ser resolvidos de uma só vez, pode-se dizer que esta é uma medicina ideal. Só por esse ponto, já se compreende que a nossa terapia produz efeitos maravilhosos. Se isto não é a verdadeira medicina do ser humano, o que mais poderia ser? A Medicina que se Rebela contra o Criador de Todas as Coisas Hikari nº 30, publicado em 8 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Quem ler este título talvez o ache um tanto estranho. Contudo, trata-se de um fato incontestável, e não há o que fazer quanto a isso. Atualmente, a medicina se orgulha do avanço de suas técnicas cirúrgicas, mas não poderia haver erro maior do que esse. Por exemplo, suponhamos que alguém contraia apendicite. A medicina, imediatamente, corta fora o apêndice vermiforme. A razão apresentada é: "O apêndice é algo inútil para a saúde do corpo humano. Como é por causa de algo assim que a apendicite ocorre, o melhor é cortá-lo fora." Isso é verdadeiramente terrível, pois, se o Criador de todas as coisas fez o corpo humano — que pode ser considerado a mais notável obra-prima entre Suas criações —, é impossível que tenha criado nele algo inútil. Nem mesmo uma unha ou um fio de cabelo são desnecessários; cada um desempenha uma função útil. Decidir que algo é inútil é prova de que não se compreende a função fundamental do corpo humano. Sendo assim, pode-se dizer que a cirurgia moderna se resume à palavra "barbárie". Nesse sentido, a verdadeira medicina consiste em remover completamente o pus e o sangue tóxico, causas da doença, sem danificar sequer uma parte da função, mantendo a forma original — é justamente avançar passo a passo nessa direção que deve ser a verdadeira medicina. Portanto, a cirurgia moderna não passa de um meio que apenas alivia o sofrimento temporário; não é medicina. Forçando a definição, é apenas um método conveniente para aliviar o sofrimento temporário. Além disso, como resultado desse alívio temporário, a pessoa se torna debilitada de forma generalizada e, naturalmente, tem a vida encurtada. Isso é, de fato, ferir a obra do Criador de todas as coisas, o que pode ser considerado um ato de rebelião contra Ele. Nesse sentido, pode-se afirmar que o Johrei da nossa Igreja é a obediência ao Criador de todas as coisas e a verdadeira medicina — e isso não será, de forma alguma, um exagero. 6. Comentário — É Possível Erradicar os Micróbios? Hikari nº 24, publicado em 27 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) No mundo em geral, os micróbios são considerados nocivos. Se alguém dissesse que são benéficos, certamente seria considerado um anormal. No entanto, a função dos micróbios é purificar o sangue tóxico existente no corpo humano. Portanto, o que chamamos de doenças contagiosas nada mais é do que a ação purificadora do sangue. Quando entram no corpo, os micróbios se alimentam das toxinas presentes no sangue — essas toxinas são o seu alimento. Consequentemente, quanto mais alimento houver, mais se reproduzem; se não houver alimento, morrem de fome. Por isso, o chamado portador de micróbios é aquele que possui alimento suficiente para que os micróbios sobrevivam, mas não o bastante para que se reproduzam. Com base nesse princípio, para erradicar as doenças contagiosas bastaria retirar o alimento dos micróbios. Alguém dirá: "Existirá no mundo um método tão engenhoso assim?" Pois bem, esse método existe de forma magnífica: é o método do Johrei da nossa Igreja. Por meio dele, o alimento dos micróbios desaparece e a pessoa passa a ter sangue purificado. Como resultado, os micróbios morrem de fome e são erradicados. Não só isso: as moscas, cuja função é transportar os micróbios — esses agentes de limpeza —, ficam desempregadas e, evidentemente, desaparecerão deste mundo. Uma História Inesperada Hikari nº 23, publicado em 20 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Recentemente, tem-se alegrado com a redução da taxa de mortalidade dos japoneses e com a redução das doenças contagiosas, mas isso é um grande equívoco. Pelo contrário, trata-se de um fenômeno que não permite descuido, e passarei a explicar a razão disso. Como sempre afirmamos, a doença é um processo de purificação. Sendo assim, nas pessoas de saúde superior não ocorre a purificação; já as pessoas comuns, por terem saúde mediana, adoecem com facilidade e, nesses casos, recorrem à terapia. A terapia é a interrupção da purificação, gerando assim atrito, o que agrava o estado da doença e leva à morte. As doenças contagiosas seguem o mesmo princípio. Prova disso é que povos normalmente saudáveis são mais suscetíveis a contrair doenças contagiosas — o que fica evidente ao observarmos que essas doenças são menos frequentes em idosos e mais comuns na infância e na juventude. Sendo assim, a redução das doenças contagiosas se deve ao enfraquecimento da força física, e a diminuição da taxa de mortalidade também se deve a esse enfraquecimento. Como a purificação não pode ocorrer, a taxa de incidência de doenças é menor e, de todo modo, a saúde é mantida. A verdade do exposto é comprovada pelas estatísticas populacionais dos países avançados. O que vem após a diminuição da taxa de mortalidade é a diminuição da população, como se vê claramente nas estatísticas da Inglaterra e da França. É fato notório que, nos últimos anos, a Inglaterra teve sua força nacional enfraquecida pela taxa decrescente de aumento populacional, e que a França apresenta crescimento populacional negativo. Além disso, como o Japão está chegando ao ponto de praticar o controle de natalidade, é nossa firme convicção que, em não muitos anos, chegará uma era de grande declínio populacional. Preconceito Sem Experimentar Hikari nº 34, publicado em 5 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Por mais que a medicina tenha avançado, não se pode dizer que houve verdadeiro progresso a menos que se criem lares sem doentes e que esses lares aumentem gradualmente. Desde os tempos antigos, existe a expressão "médico para tratar", mas isso demonstra claramente a falta de poder da medicina. Se a medicina realmente curasse as doenças, a expressão "médico para tratar" jamais teria surgido. Por quê? Porque, se as pessoas saudáveis aumentassem e surgissem lares sem doenças, os médicos se tornariam desnecessários. Portanto, "médico para tratar" significa que, como as pessoas adoecem constantemente, estão sempre recorrendo a eles. Ser freguês de um médico também segue o mesmo princípio. Se, ao consultar um médico, a doença fosse curada, a necessidade seria apenas durante o período da doença; a expressão "médico temporário" seria estranha, e bastaria apenas a palavra "médico". Contudo, falando com franqueza, quando há pessoas ou crianças constantemente fracas, deve-se ensinar o método para se tornarem verdadeiramente saudáveis; é isso o que se chama de "médico da saúde". Poderia ser uma atividade secundária dos médicos, mas, na prática, não passa de um sonho. Aqui, falarei sobre a medicina ideal, que é o campo da nossa Igreja. Como não há necessidade de medicamentos, não há ônus financeiro. Além disso, como não existem os danos causados por vacinas e injeções, que ultimamente vêm surgindo em várias regiões, isso é verdadeiramente tranquilizador. Ao mesmo tempo, o resultado de curar as doenças de forma radical vem sendo demonstrado de modo concreto e inequívoco. No entanto, muitas pessoas, sem ver isso, dirigem críticas à nossa Igreja. Isso ocorre porque têm uma aversão infundada e não tiveram contato com ela. Essa atitude também não é sem razão. Afinal, existe uma grande aversão infundada que gera essa aversão, e são os jornalistas que, chamando a nossa Igreja de religião maligna e supersticiosa, se esforçam para que as pessoas não se aproximem dela. Nesse sentido, o primeiro passo é fazer com que os jornalistas conheçam o valor da nossa Igreja. No entanto, eles relutam em se aproximar: estão extremamente vigilantes e, na verdade, muito cautelosos. Como sempre digo, a causa disso é que, desde a infância e ao longo de décadas, eles foram impregnados até o fundo do estômago pelo pensamento materialista. A chave para resolver o problema está, portanto, em remover justamente essa coloração do materialismo. Os que se converteram à nossa Igreja, passados alguns anos, conseguem estabelecer lares sem doenças. Existirá, em algum lugar do mundo, um método de saúde tão maravilhoso? Basta dizê-lo para que se compreenda. Três: A Medicina da Revelação Divina Hikari, edição extra, publicado em 30 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) (I) O Princípio do Johrei O Princípio do Johrei — Primeiro A maior dificuldade em expor este princípio é que, dado o nível de educação das pessoas modernas, creio que ele é muito difícil de compreender. Isso porque a educação moderna foi construída, do início ao fim, sobre o materialismo — o que também é algo inevitável. Por outro lado, ao observarmos, através de registros e tradições orais, os feitos dos fundadores das diversas religiões atuais, quase sempre vemos que eles realizaram milagres — e isso é tanto mais verdadeiro quanto maior a religião. No entanto, dado o nível cultural daquela época, as massas se contentavam apenas com a manifestação de milagres e a concessão de graças. Não procuravam compreender o conteúdo ou a teoria que havia por trás deles. O que é lamentável é que, no caso de Cristo, que realizou os maiores milagres, se não tivesse havido aquele sacrifício expiatório, podemos ainda hoje imaginar quanto da humanidade ele poderia ter salvo e o quanto poderia ter expandido sua frente de expansão religiosa durante sua vida. O fato de tudo haver terminado em um período tão curto deveu-se inteiramente a que a força de Satanás fosse maior naquela época, e é um fato que não se pode negar. Como disse acima, a superioridade da força de Satanás ocorreu porque, em relação ao mundo espiritual, ainda era cedo demais. Contudo, o tempo finalmente amadureceu, a grande transformação do mundo espiritual se completou, e a força de Satanás se enfraquece dia após dia, mês após mês, como se evidencia à nossa intuição espiritual. Pela revelação divina, percebi todos os fenômenos que até hoje eram considerados enigmas do mundo. Com isso, esclareço o certo e o errado, investigo a raiz do bem e do mal, corrijo todos os erros e, diante da realidade unilateral em que apenas a cultura material vinha se desenvolvendo até hoje, faço a cultura espiritual avançar decididamente, para que ambas progridam e se desenvolvam juntas, e faço surgir o mundo ideal do Paraíso Terrestre. A esse respeito, pretendo explicar parte do princípio pelo qual os seguidores da nossa Igreja vêm obtendo grandes efeitos, através de milagres surpreendentes. Como afirmei anteriormente, diferentemente das épocas de povos não civilizados ou de cultura baixa, o homem moderno não desenvolve uma fé completa apenas com milagres concretamente manifestados; ele não se convence sem um respaldo teórico. A causa do declínio das religiões estabelecidas reside também no fato de que elas apenas negam a cultura material e não podem conceder as graças que se recebem nesta vida. Passo, então, a explicar o princípio do método do Johrei, que está entre os milagres manifestados pelos seguidores da nossa Igreja. Trata-se de manter a mão a uma distância de alguns shaku (cerca de 60 cm a 1 metro) do doente, para que doenças graves e difíceis sejam aliviadas instantaneamente. Dores insuportáveis diminuem ou desaparecem em pouco tempo. Não se pode ver nisso senão um milagre. São inúmeros os doentes abandonados por vários médicos que, por meio de um seguidor convertido havia poucos meses e sem qualquer formação em terapia, obtiveram o efeito de ressuscitar os mortos. Do ponto de vista materialista moderno, isso não é senão um grande problema que não se enquadra em lógica nenhuma. A medicina moderna foi aperfeiçoada e lapidada por eminentes estudiosos de vários países ao longo de centenas ou milhares de anos, e suas terapias, sutis e engenhosas, são dignas de admiração. No entanto, doenças que não cedem nem mesmo aos grandes mestres modernos — homens que gastaram dezenas de milhares em taxas de estudo, além de décadas de treinamento e pesquisa — apresentam resultados notáveis quando um simples leigo pratica o método do Johrei. Portanto, não seria exagero dizer que se trata inteiramente de uma maravilha do século. Verdadeiramente, é isto: “a lógica além da lógica”. É compreensível que, ao ouvirem falar desses resultados, as pessoas não apenas não os aceitem com facilidade, mas também os vejam como superstição ou mesmo como anormalidade mental. Trata-se, provavelmente, de um grande acontecimento sem precedentes na história. Afirmações grandiosas como “um mundo sem doença, pobreza e conflito”, presentes nas palavras da nossa Igreja, não podem ser proferidas sem verdadeira convicção. Se não houvesse poder real por trás delas, isso constituiria um engano ao mundo e um pecado imperdoável. No entanto, os milagres acima mencionados, do nosso ponto de vista, não são milagres: têm base absoluta e o respaldo de uma explicação científica, pois se manifestam porque devem se manifestar. Portanto, procurarei escrever sobre isso com o máximo de detalhes possível. (II) Finalmente, explicarei o princípio do Johrei; mas, antes, é preciso conhecer uma premissa, e é por ela que começarei. Em primeiro lugar, as coisas não são compostas apenas de matéria; existe também algo de espiritual, que não pode ser visto a olho nu. Naturalmente, o ser humano também é constituído de espírito e corpo. Numa classificação geral, o espírito é a essência do sol, e o corpo, a essência da lua e da terra. Para explicar de forma mais compreensível: o espírito é fogo, yang, masculino, superfície, vertical e dia. Em contraste, o corpo é água, yin, feminino, interior, horizontal e noite. No entanto, a ciência toma apenas o corpo como objeto e não reconhece a existência do espírito. Esse é o erro fundamental. Por quê? Se o ser humano fosse apenas corpo, sem espírito, ele seria mera matéria, um mineral inorgânico como madeira ou pedra. Não haveria vida nem atividade mental. O fato de não terem compreendido uma teoria tão simples foi a causa fundamental do erro da ciência até hoje. Por isso, a forma de pensar desses cientistas era a de que, no espaço, existe apenas ar; todo o resto é nada. O que não sabem é que, além do ar, existem inúmeros elementos invisíveis, e é lamentável que a ciência ainda não tenha progredido o bastante para descobri-los. Felizmente, pude descobrir a verdadeira natureza desses elementos invisíveis. A isso denominei “ciência espiritual”. Tomando esta descoberta como ponto de partida, iniciou-se a era em que a doença — o maior sofrimento da humanidade — seria eliminada, evidentemente. Tudo o que concerne às doenças, até hoje completamente desconhecidas, foi inteiramente elucidado. Pode-se dizer, portanto, que já não há necessidade de pesquisa médica como a de hoje. Em seguida, esclarecerei a origem das doenças. Como foi dito, o ser humano é constituído de dois elementos, espírito e corpo; o movimento de estar vivo ocorre porque espírito e corpo se unem intimamente, e o espírito move o corpo. O espírito tem a mesma forma do corpo humano; no centro do espírito está a mente, e no centro da mente, a alma. A atividade desses três, agindo como um só, manifesta-se como vontade/pensamento. E, sendo esse espírito invisível — isto é, a vontade/pensamento — o governante do corpo físico, o espírito é o principal e o corpo, o subordinado; em outras palavras: “o espírito é o principal, o corpo é o subordinado”. Para explicar de modo mais simples: quando uma pessoa move as mãos e os pés, eles não se movem por vontade própria; movem-se segundo as ordens da vontade. O mesmo se aplica aos olhos, ao nariz, à boca e a todo o corpo humano. O mesmo princípio vale para as doenças. Para facilitar a compreensão, tomemos como exemplo um furúnculo, que qualquer pessoa já experimentou. Em geral, um furúnculo começa como uma pequena elevação; aos poucos incha, aumenta de tamanho, torna-se vermelho, acompanhado de febre, e a área afetada apresenta dores, coceira e outros sofrimentos. Esse fenômeno é a atividade pela qual as toxinas do corpo devem ser excretadas pela fisiologia natural. Elas se acumulam numa área local; o calor dissolve e liquefaz essa concentração de toxinas, facilitando a excreção. É a ação da capacidade natural inata. Para criar uma abertura de excreção, a pele se torna mais fina e macia. A cor vermelha, portanto, deve-se ao fato de o sangue tóxico ser visto através da pele fina, que se tornou translúcida. Logo depois, abre-se um pequeno orifício; o pus do sangue tóxico líquido é expelido e a purificação se completa. Essa explicação diz respeito ao corpo. Quanto ao estado do espírito nesse momento, ele assume a forma de uma nuvem semelhante ao próprio furúnculo — são as nuvens espirituais. Quanto mais grave a doença, mais densas são as nuvens espirituais. Por que elas se acumulam numa área local do espírito? É um processo constante de purificação: as nuvens de todo o espírito concentram-se em um só lugar, e a atividade de excreção se realiza. É isso a doença. Naturalmente, há uma relação inseparável com o corpo. No caso de um furúnculo, porém, o tratamento médico remove o pus do sangue tóxico por punção ou incisão — e isso é um grande erro. Em muitos casos, como a cirurgia é realizada antes de o pus do sangue tóxico se acumular suficientemente, o pus continua a se acumular por longo tempo após a incisão, e o ferimento muitas vezes não fecha. O fato de feridas não fecharem por anos após uma cirurgia de apendicite, por exemplo, deve-se a esse princípio. Por isso, médicos habilidosos esperam que o inchaço amadureça completamente antes de fazer a incisão, o que acelera muito a cura completa. Se, desde o início, nenhum método for aplicado e o inchaço amadurecer por completo, formando naturalmente um pequeno orifício para a excreção do pus do sangue tóxico, o prognóstico é extremamente bom e a cura ocorre em pouco tempo, de modo incomparável à cirurgia. Por exemplo, uma cirurgia em um furúnculo imaturo pode levar um mês para cicatrizar; em um maduro, dez dias; e o abandono à natureza, cinco dias. O problema é que, se esperarmos o amadurecimento natural, o sofrimento até a drenagem do pus é insuportável. Como a cirurgia alivia temporariamente o sofrimento, ela também acaba se tornando inevitável. No entanto, por mais intenso que seja o sofrimento, se a terapia do Johrei for aplicada, não só ele desaparece por completo, como as pessoas ficam maravilhadas ao ver que o grande inchaço vermelho permanece indolor até que o pus do sangue tóxico seja excretado. Explicarei a seguir esse princípio misterioso. Anteriormente, expus o princípio de que "o espírito é o principal, o corpo é o subordinado". Isso não se aplica apenas ao corpo humano. Todas as coisas estão sujeitas a essa lei. O objetivo do Johrei é eliminar essas nuvens espirituais. Com isso, elas entram em colapso, ou seja, sua vida se transforma em morte. Como as nuvens espirituais mortas têm força zero, não estimulam os nervos. Por isso não há sofrimento nem dor. Explicarei, então, qual é o princípio pelo qual o Johrei elimina completamente as nuvens espirituais. (III) Qual é, afinal, a essência das nuvens espirituais mencionadas no item anterior? São micróbios tóxicos que surgem no Elemento Água contido no corpo humano. Trata-se de partículas extremamente pequenas, provavelmente invisíveis sem um microscópio de milhões de vezes. O princípio da geração dessas partículas será explicado em detalhes em outra seção. Aqui, limitar-me-ei a explicar o princípio de matar essas partículas tóxicas; esse método de eliminação é, obviamente, o poder do espírito. Como pode o Johrei matar as nuvens espirituais, isto é, as toxinas, por meio do poder da radiação do corpo humano? O elemento dessa radiação são as ondas de Luz geradas a partir do Elemento Fogo, que é a essência da luz. Essas ondas de Luz são um elemento oposto aos micróbios tóxicos do Elemento Água; em uma palavra, são o bem e o mal. Naturalmente, são partículas extremamente pequenas de luz, e essa vitalidade exerce um notável poder de eliminação de micróbios. Qual é, afinal, a essência dessas ondas de Luz? Explico agora. Essas partículas minúsculas de ondas de Luz são a radiação proveniente dos espíritos de divindades e a fonte das graças recebidas nesta vida que manifestam milagres por meio do Johrei da nossa Igreja. Diante disso, tanto seguidores quanto terceiros são tomados apenas de admiração, e eu sabia bem que o desejo de conhecer seu princípio é o mesmo em todos. Por isso, há muito desejava elucidá-lo, mas, por ser cedo demais, não pude publicar até hoje. Agora, porém, o tempo finalmente se tornou iminente, e chegou o momento em que não posso mais deixar de publicar. Como método do Johrei, o que atualmente pratico é dar um pedaço de papel no qual está escrito, em letras grandes, o caractere "Luz". Quando colocado no peito como amuleto, ele produz efeito. Isso ocorre porque ondas de Luz poderosas são irradiadas da tinta preta do caractere "Luz" e da palma da mão, através do braço, a partir do corpo do praticante. A distância mais adequada para essa radiação é de alguns shaku a alguns ken (unidades de medida japonesas: 1 shaku ≈ 30 cm; 1 ken ≈ 1,8 m). E por que ondas de Luz são irradiadas desse caractere "Luz"? Porque, pelo elo espiritual, elas são transmitidas instantaneamente do meu corpo para cada caractere "Luz". Isso é muito semelhante às ondas de rádio de uma transmissão. Se as ondas de Luz são irradiadas do meu corpo espiritual pelo elo espiritual, então que mecanismo existe no meu espírito? Compreendido isso, as dúvidas se dissolvem. Em meu abdômen há uma esfera (jóia) de luz, normalmente com cerca de seis centímetros de diâmetro. Alguns a viram. Dessa massa de luz esférica irradiam-se ondas de Luz infinitamente. E onde está a fonte original dessa esfera? A partir da esfera (jóia) que realiza os desejos de Kanzeon-Bosatsu no mundo espiritual, a luz infinita me é fornecida. Isto é o Poder Kannon, também chamado de poder misterioso e poder da sabedoria maravilhosa. A esfera que Nyoirin Kannon segura também é esta. (IV) Aqui devo escrever sobre a origem de Kanzeon-Bosatsu. Entre todos os Budas, apenas Kanzeon tem sido considerada, desde os tempos antigos, uma divindade oculta. Isso encerra um profundo mistério, e ainda não posso revelá-lo por inteiro, pois o tempo ainda não é oportuno; pretendo publicá-lo assim que tiver a permissão de Deus. Aqui, escreverei apenas o mistério necessário para o Johrei. A atividade de Kanzeon remonta, naturalmente, à introdução do budismo, mas, daquela época até recentemente, ela salvava apenas o espírito. É claro que, por meio das orações humanas, as pessoas recebiam benefícios, mas estes eram extremamente fracos. A razão é que o elemento luz é a união íntima do Elemento Fogo e do Elemento Água, mas faltava o Elemento Terra. Portanto, os benefícios eram concedidos apenas com dois elementos, e o poder era insuficiente. No entanto, aproximou-se o tempo da grande transformação no mundo espiritual. É o fim do mundo e o tempo do Juízo Final na Bíblia. Por essa razão, tornou-se necessário um poder de salvação absoluto e mais poderoso. Esse poder é, como mencionado anteriormente, o poder da trindade de fogo, água e terra. O poder da terra é o elemento material, correspondente ao corpo humano. Quando a luz passa pelo corpo, o Elemento Terra é adicionado, e ela se torna o poder da trindade, ou seja, o Poder Kannon. Para explicar de forma mais compreensível: o elemento luz emitido da esfera de Kanzeon-Bosatsu torna-se a manifestação do Poder Kannon por meio do meu corpo, e isso se converte no poder de purificação por meio do meu corpo e do corpo dos seguidores. Explicarei o princípio acima com um exemplo: desde os tempos antigos, as pessoas oravam diante de imagens ou estátuas de Kanzeon para receber o benefício da remoção de doenças e dificuldades. Em contraste, hoje o Johrei praticado pelos seguidores da nossa Igreja pode alcançar benefícios várias vezes maiores. Isso ocorre porque as ondas de Luz de imagens ou estátuas têm apenas dois elementos, e o poder do corpo, que é essencial, não é adicionado. Outra razão é a grande transformação do mundo espiritual, que sempre proclamo. Ela começou em meados de junho do sexto ano da Era Showa (1931). Antes disso, no mundo espiritual havia muito Elemento Água e pouco Elemento Fogo. A partir de então, porém, o Elemento Fogo tem aumentado gradualmente mais que o Elemento Água. É verdade que a transformação já havia começado algumas décadas antes, mas o Elemento Fogo era extremamente rarefeito. Aqui, explicarei a intensidade da luz. A luz é forte porque há muito Elemento Fogo, assim como, quanto maior a potência de uma lâmpada elétrica, mais forte é o calor. Outro exemplo: como tenho uma massa de Elemento Fogo no abdômen, costumam dizer que sou muito mais quente que uma pessoa comum. Todas as noites peço a meus auxiliares que massageiem meus ombros, e todos dizem que estou muito quente, a ponto de tirarem uma ou duas peças de roupa, mesmo no inverno. Além disso, quando permaneço algum tempo em um quarto, todos dizem que o quarto esquenta. Costumo rir alto e dizer: "Sirvo como substituto do aquecedor". Após o banho, mesmo no inverno, fico assim por uma ou duas horas, vestindo apenas um roupão de toalha. Gosto especialmente de água morna. Isso se deve ao mesmo princípio de que, ao derramar água no fogo, o calor aumenta ainda mais; o fato de um dia claro de inverno ser mais frio também se deve a esse princípio. A Trindade dos Órgãos Internos e o Johrei Hikari nº 21, publicado em 6 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Em primeiro lugar, as funções mais importantes do corpo humano na vida cotidiana são, sem dúvida, o coração, os pulmões e o estômago. Isso se baseia precisamente nos três grandes elementos primordiais — Fogo, Água e Terra — que sempre proclamo. Passo a explicar a atividade dessas três funções. A questão é esta: o Fogo corresponde ao coração, a Água aos pulmões e a Terra ao estômago. Isso porque o coração tem a função de absorver o Elemento Fogo, os pulmões, de absorver o Elemento Água, e o estômago, de absorver o Elemento Terra. No entanto, a explicação que a medicina tem dado sobre isso até os dias de hoje é verdadeiramente insuficiente. Ela afirma que o sangue turvo é purificado pelo oxigênio que os pulmões absorvem, mas isso, evidentemente, não toca a essência da questão. Explicarei isso com base na medicina da revelação divina, mas, para tanto, é necessário primeiro expor a verdadeira natureza do mundo espiritual. Em primeiro lugar, o mundo espiritual é uma existência quase nula, que não toca os cinco sentidos humanos. No entanto, é justamente ele a origem de todas as coisas e, sem conhecê-lo, é impossível apreender a verdadeira realidade. Tenho proclamado repetidas vezes o princípio de que o fogo queima pela água e a água flui pelo fogo; esse princípio é a chave para a solução de todas as coisas. Portanto, como premissa para conhecer o mundo espiritual, que é uma existência invisível, começarei pelo mundo atmosférico. O que a ciência atual chama de oxigênio é o espírito do Fogo; o hidrogênio, o espírito da Água; e o nitrogênio, o espírito da Terra. Eles formam uma trindade, e esses três elementos primordiais são a essência de todas as coisas. O fato de que o calor extremo, o frio extremo e o clima temperado são adequados à sobrevivência dos seres vivos deve-se à vitalidade desses três elementos primordiais, que são um profundo mistério. Se, hipoteticamente, o Elemento Água fosse removido deste planeta, ele explodiria num instante; se o Elemento Fogo fosse removido, congelaria num instante; e se o Elemento Terra fosse removido, desmoronaria num instante, reduzindo-se a zero. Esta é a verdade. Ao refletir sobre essa verdade, compreende-se o significado fundamental das três funções — coração, pulmões e estômago — que expus no início. Ou seja, o coração absorve o Elemento Fogo do mundo espiritual, e essa ação é o batimento cardíaco. Os pulmões absorvem o Elemento Água, e essa ação é a respiração. O estômago absorve o Elemento Terra do mundo material, e essa ação é a ingestão de alimentos. Aprofundemos ainda mais este princípio. Para dissolver as toxinas solidificadas — causa de todas as doenças —, é necessário calor. Essa é a primeira atividade do processo de purificação. Se a ação purificadora se manifesta como sintoma da doença, a febre alta durante a doença surge porque é necessária uma grande quantidade de calor para dissolver as toxinas solidificadas. Nesse momento, o coração bate com frequência para absorver o calor. O calafrio, por sua vez, decorre da concentração de calor na área afetada, que reduz temporariamente o calor nas demais partes do corpo. A respiração, igualmente acelerada, visa promover a atividade do coração e prevenir o ressecamento, pois os pulmões absorvem grande quantidade do Elemento Água. Assim, a fonte do Elemento Fogo é naturalmente a energia radiante emitida pelo sol; a do Elemento Água, a emitida pela lua; e a do Elemento Terra, a emitida pela terra. No entanto, a posição central entre esses três é, evidentemente, o coração. É ele que move os pulmões, e são estes que movem o estômago. Esse princípio se torna claro pelo fato de que, mesmo faltando alimento no estômago, não há perigo imediato de vida; quanto aos pulmões, embora não se possa dizer o mesmo, a vida pode ser sustentada por um ou dois minutos; mas, quando se trata do coração, é impossível mantê-la por mais de alguns segundos. Na medicina, mesmo nos casos de morte, não se mencionam os pulmões ou o estômago; diz-se sempre "parada cardíaca" — evidência clara disso. Quando o ser humano morre, assim que a atividade do coração cessa, o espírito — isto é, o Elemento Fogo —, que até então preenchia o corpo, desprende-se, e o corpo fica sem calor. Isso ocorre, naturalmente, porque o espírito retorna ao mundo espiritual. Quando a respiração para, o Elemento Água, que até então preenchia o corpo, retorna ao mundo atmosférico, e tem início o ressecamento. O estômago, é claro, também cessa sua atividade, tornando impossível a ingestão de alimentos, e começa o processo de solidificação do corpo. Tudo isso corrobora a explicação anterior. Como exposto acima, já que o corpo humano é constituído pela essência da trindade Fogo, Água e Terra, o método para curar suas doenças também deve, logicamente, basear-se no poder dessa trindade. Esse é o princípio do Johrei da nossa Igreja, e passarei a explicá-lo. O Johrei da nossa Igreja é considerado realizado pelo Poder Kannon. Este é, naturalmente, a luz transmitida pelo Bodhisattva. No entanto, trata-se de uma luz espiritual, invisível aos olhos humanos. A luz visível, como a do sol, das lâmpadas elétricas ou das chamas, é o corpo da luz. E a essência da luz, nem é preciso dizer, é a união íntima do fogo e da água, ou seja, compõe-se do Elemento Fogo e do Elemento Água. Quanto maior a quantidade de Elemento Fogo, mais poderosa se torna a luz. Contudo, o poder da luz composta apenas de fogo e água é insuficiente; faz-se necessário aqui o espírito da Terra. É com a adição do espírito da Terra que se manifesta o poder completo da trindade, resultando num poder de cura das doenças verdadeiramente extraordinário. Essas ondas de Luz, ao penetrarem o corpo humano, fazem com que as impurezas do espírito sejam eliminadas; e isso se transfere ao corpo, produzindo o efeito curativo. Como método concreto para isso, conforme sempre explico, faz-se com que a pessoa dobre um papel no qual está escrito o caractere "luz" (hikari) em letras grandes e o coloque junto ao peito. No caractere "luz", através do meu braço e do pincel, a essência das ondas de Luz penetra e se solidifica. (Como é difícil explicar, emprego a palavra "solidificação" provisoriamente.) Em seguida, esse caractere "luz" e a fonte primordial da luz que existe em meu corpo se conectam por meio de um elo espiritual, fornecendo continuamente ondas de Luz. Naturalmente, a atividade do elo espiritual entre mim e Kanzeon-Bosatsu é igual, e Ele nos transmite infinitamente ondas de Luz para a salvação da humanidade. Como exposto acima, uma vez que o corpo humano é constituído como uma trindade, pode-se dizer que o método de cura pelo poder da trindade é a própria verdade. É perfeitamente natural que se possa manifestar um poder de cura absolutamente sem precedentes. A explicação desse princípio é extremamente difícil, mas creio que, por meio dela, se tenha obtido uma certa compreensão do conceito geral. Fé e Preceitos Hikari nº 40, publicado em 17 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) Assim como na política existem o sistema feudal e o liberal, o mesmo ocorre com a religião. As religiões estabelecidas até os dias de hoje eram, em sua maioria, feudais. Como manifestação disso, havia muitas regras e preceitos do tipo "não se deve fazer isto" ou "deve-se fazer aquilo". Todos esses são feudais e próprios do Shojo. Em contrapartida, na nossa Igreja quase não existem preceitos; ela é verdadeiramente liberal. Os preceitos na religião são semelhantes às leis e aos regulamentos na sociedade, e não é correto dizer que o ser humano se abstém da injustiça pelo poder das leis. Se o ser humano se tornar verdadeiramente excelente, ainda que seja deixado em qualquer lugar, sem leis que o controlem, não será capaz de praticar o mal. Esse é o verdadeiro ser humano. Por esse princípio, os preceitos são, por assim dizer, as leis da religião. Portanto, não se poder realizar uma conduta de fé correta sem depender de preceitos significa que essa não é uma fé verdadeira. Contudo, na era em que a humanidade era primitiva e inculta, a inteligência humana era baixa, incapaz de compreender verdadeiramente a religião. Por isso, era inevitável controlar o mal por meio de preceitos. Como se vê claramente pelo exposto, se a religião de uma era de alta cultura progrediu a ponto de o ser humano poder compreender verdadeiramente a Vontade Divina, então não há necessidade de punições como os preceitos. Pode-se dizer que uma religião assim tem a capacidade de criar o Paraíso Terrestre de paz eterna. A Conquista do Dr. Yukawa Vista Espiritualmente Hikari nº 38, publicado em 3 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) Desta vez, com a conquista do Prêmio Nobel de ciência teórica pelo Dr. Yukawa — o primeiro e único japonês a recebê-lo até hoje —, sentimos que nossa posição perante o mundo tornou-se extremamente honrosa. É verdadeiramente indescritível a alegria de ver a credibilidade dos japoneses, perdida na Guerra do Pacífico, recuperada, ainda que em parte. A propósito, a razão pela qual o Dr. Yukawa recebeu o Prêmio Nobel foi que a descoberta da teoria fundamental da ciência atômica, feita quando ele tinha apenas vinte e oito anos, deu frutos; trata-se, portanto, de uma visão notável. O princípio acima mencionado é a descoberta do méson, e diz-se que esse méson, ao se combinar com o elétron, gera uma força. Posteriormente, os dois físicos americanos Anderson e Neddermeyer, durante a observação dos raios cósmicos, descobriram acidentalmente, em chapas fotográficas, os traços de partículas que pareciam ser as partículas de Yukawa, e a teoria das partículas de Yukawa passou a contar com confirmação experimental. Sobre isso, gostaria de expor aqui minha opinião. Originalmente, o méson é um elemento resultante da combinação do Elemento Fogo e do Elemento Água; ou seja, é evidentemente uma partícula formada pela essência do sol e pela essência da lua. Atualmente, confirmam-se cinco tipos de mésons: o múon do yin e do yang, o píon do yin e do yang e o méson neutro. São eles: o múon e o píon do yin e do yang, que constituem as duas essências do sol e da lua; o méson neutro, a partícula da unificação do sol e da lua; e os outros dois tipos, que são as essências da terra e das estrelas. A base dessa força é, evidentemente, o nêutron. Devo dizer que esta descoberta tem particular importância para a minha teoria. Ou seja, a partícula de Yukawa é, por assim dizer, um elemento intermediário entre a matéria e o espírito; com o avanço da ciência, chegou-se ao estágio em que a próxima descoberta será o espírito-partícula, a partícula mais fundamental. E, embora haja o receio de que seja um pouco cedo demais para apresentar minha teoria do espírito-partícula, se eu a explicar, há três estágios: o que ocupa o terceiro deles é o que deve ser descoberto após o méson atual; o que será descoberto em seguida é o segundo espírito-partícula; e o que será descoberto por último é o primeiro espírito-partícula. Este primeiro espírito-partícula é, precisamente, a partícula espiritual irradiada pela divindade suprema que defendemos, a força que estou atualmente exercendo e com a qual venho manifestando milagres sem precedentes; é o que também se chama de Poder Kannon. Portanto, esta força vem manifestando um poder de cura dezenas de vezes — ou melhor, centenas de vezes — superior ao poder de cura da medicina moderna. É por essa razão que sempre chamo minha terapia de "medicina do século XXI". Assim, a descoberta do méson desta vez significa que o estágio de descoberta na ciência teórica finalmente alcançou o méson, e por isso também não posso deixar de me sentir satisfeito. A respeito disso, até hoje religião e ciência têm sido consideradas difíceis de harmonizar. Por isso, é de conhecimento geral que sempre se criticaram mutuamente. Isso se deve, naturalmente, ao descompasso entre ambas, que não encontram um ponto de concordância. A causa disso, evidentemente, é que a ciência não havia progredido até a descoberta do espírito-partícula divino como mencionado anteriormente; e, do lado da religião, o tempo ainda não havia chegado e a manifestação do poder divino supremo não havia ocorrido. Há mais uma coisa que gostaria de dizer: o méson presente nos raios cósmicos foi confirmado ao ser registrado em fotografias, exatamente como está na explicação sobre os raios cósmicos que consta no meu Conversas sobre a Fé, onde escrevi o seguinte: "Os raios cósmicos são aquilo que, a partir de inúmeras estrelas nos corpos celestes, atraem a Terra por meio de elos espirituais e, incessantemente, enviam nutrição à Terra; essa nutrição é a força vital que nutre a Terra." Também na descoberta do Sr. Yukawa, justamente por o méson ser força, é natural que ele seja encontrado em grande quantidade nos raios cósmicos, e a força que preenche esse méson é, precisamente, a radioatividade do espírito-partícula divino. Por fim, de vez em quando me dizem que a medicina que descobri é digna do Prêmio Nobel e que eu deveria submetê-la à avaliação. A isso, respondo da seguinte forma: "Com o nível acadêmico dos jurados do Prêmio Nobel, que tomam a medicina moderna como padrão, é impossível. Se, no futuro, chegar um tempo em que a ciência tenha avançado muitas vezes mais, minha teoria também poderá ser compreendida; portanto, não há outro caminho senão esperar por esse momento." E, dizendo isso, dou uma sonora gargalhada. Palavras Breves Hikari, edição extra, publicado em 30 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) As palavras dos médicos aos pacientes nunca são, de fato, categóricas. Por exemplo: "é assim que se costuma fazer", "é o que se diz", "dizem que fazer assim é bom", "tem certo efeito", "segundo a teoria, é assim que ocorre" — mas nunca algo como "se fizer isso, com certeza vai se curar". Não há palavras categóricas desse tipo, e isso provavelmente se deve à falta de convicção. A Ordem do Tratamento das Doenças Quando alguém adoece, a realidade é a seguinte: primeiro, recorre-se à medicina ocidental; em seguida, à medicina chinesa, à moxabustão, às terapias populares e às religiões estabelecidas; por último, ao Johrei da nossa Igreja, que traz a solução. O Problema dos Parasitas Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Na edição de 25 de setembro do jornal Asahi, havia um artigo intitulado "Temamos a lombriga", com o seguinte conteúdo: a partir do dia 21, tem início a Semana de Prevenção de Parasitas. Devido ao acúmulo de condições adversas no pós-guerra, atualmente é raro encontrar um japonês que não abrigue parasitas no ventre. Em especial, a proliferação de lombrigas é verdadeiramente sem precedentes. De acordo com um relatório aproximado baseado na Lei de Prevenção de Doenças Parasitárias, a taxa de portadores de ovos de parasitas (em porcentagem) em 1947 era: Hokkaido 52,5 (38,3); Aomori 89,1 (66,5); Gunma 95,1; Tóquio 48,7 (26,7); Yamanashi 98,0 (64,7); Shizuoka 78,7 (54,0); Osaka 66,8 (57,6); Hiroshima 81,4 (1,4); Kagoshima 92,9 (56,5). A comparação com os números de 1938, apresentados entre parênteses, revela o quanto esses índices aumentaram. Segundo uma pesquisa detalhada do 406º Instituto de Pesquisa Médica Combinada do Exército, a taxa de portadores de ovos de parasitas (em porcentagem) entre setembro e novembro do ano passado era: Saitama 91,6; Ibaraki 93,4; Chiba 87,0. As lombrigas representavam 74,2, 6,4 e 55,8, respectivamente, e os ancilóstomos também estavam presentes em 33,5, 59,0 e 45,7. Em alguns por cento, foram encontrados também o distoma hepático e o Schistosoma japonicum. As lombrigas, que antes eram um problema exclusivo das áreas rurais, recentemente avançaram até as cidades. Além disso, os parasitas do ventre, que antes não passavam de dois ou três por pessoa, hoje vão de uns poucos a mais de cem, e nos casos graves chegam a duzentos ou trezentos, crescendo o número de pessoas que os criam em grande quantidade. Quando se chega a esse ponto, não se trata apenas de má aparência ou falta de apetite; além de dores abdominais, eles perfuram o fígado e os pulmões e, por fim, obstruem os intestinos, matando o ser humano. Ultimamente, em qualquer hospital, parece que há sempre dois ou três casos em que, após a autópsia, se descobre que a causa foi a ação das lombrigas. Diante dos fatos acima, pode-se compreender como o cultivo sem fertilizantes, que a nossa Igreja vem incentivando, é um evangelho para a erradicação dos danos causados por parasitas. ―――――――――・―――――――――― Materialismo e Espiritualismo Hikari nº 4, publicado em 8 de abril do ano 24 da Era Showa (1949) À medida que a nossa Igreja se desenvolve, ocorrem coisas inesperadas uma após outra. Pessoas que sentem inveja do desenvolvimento da nossa Igreja, ou que têm hostilidade em relação a ela, etc., tentam obstruí-la por todos os meios possíveis. Entre os estratagemas que empregam, a tática mais utilizada é enviar cartas de denúncia às autoridades. Essas cartas não são apenas extremamente absurdas e descabidas. Estão repletas de coisas que desconhecemos completamente e de ficções; algumas até contêm o oposto da verdade. É como se estivéssemos lendo um romance ou uma peça de teatro. Qual seria a intenção dessas pessoas ao tentarem nos ferir com estratagemas tão perversos? É verdadeiramente incompreensível. Ao mesmo tempo, o problema reside na mesquinhez de pensarem que podem atingir seus objetivos através de tamanha perversidade. Ora, pessoas capazes de escrever tais cartas evidentemente receberam uma educação considerável; pode-se dizer que pertencem, antes de tudo, à camada intelectual. Que haja, entre os japoneses, um número considerável de pessoas que pensam que tamanha perversidade tem sucesso causa profunda apreensão, fazendo-nos pensar que a construção de um novo Japão ainda está muito distante. Se investigarmos a fundo por que não cessam as pessoas indignas, veremos que a maior razão reside, acima de tudo, em uma grave deficiência na educação. Isso porque, entre os autores das cartas anônimas, há um número extremamente grande de jovens, e isso se deve inteiramente ao fato de lhes ser incutida uma mentalidade baseada unicamente no materialismo. Em sua origem, o materialismo se baseia na crença de que não se deve acreditar naquilo que não se vê. Como essa crença é incutida por um longo período, desde o ensino fundamental até a universidade, acaba-se por criar uma espécie de incubadora de ideias perigosas. Por isso, eles não dão a menor importância à distinção entre o certo e o errado. Para eles, a falsidade, a injustiça e a perversidade não são problemas, contanto que satisfaçam seus desejos e interesses. Pensam que, de algum modo, se atingirem seus objetivos, está tudo bem; isso é verdadeiramente temível. O mais surpreendente é que até mesmo membros da classe dirigente da sociedade, como ministros de Estado e presidentes de grandes empresas, cometem falsidades e injustiças como essas e acabam sendo presos; o que acontece com os outros pode-se deduzir facilmente. É imperioso que, neste momento, realizemos uma grande purificação, façamos com que todos os japoneses tomem consciência disso e promovamos a restauração da moral; caso contrário, a nação estará em perigo. Para isso, não há outro método senão, antes de tudo, destruir o materialismo de forma radical. E sinto profundamente que, para fazê-lo, é absolutamente impossível sem o poder da religião. E, se é necessário recorrer ao poder da religião, é porque se trata da crença em algo que não se vê. No entanto, este é um campo exclusivo da religião; os olhos humanos podem ser enganados, mas os olhos de Deus não podem ser enganados; mais do que isso, não se pode ocultar nada nem dos próprios olhos. É necessário incutir profundamente na camada jovem a verdade suprema de que as más ações inevitavelmente serão expostas e a justiça inevitavelmente triunfará, ou seja, a verdade de que a causa má gera efeito mau e a causa boa gera efeito bom. Para isso, é claro que são necessários o ardor e o poder dos religiosos, e o que particularmente se deseja é que as autoridades também estejam suficientemente vigilantes para não se deixarem enganar por esses autores de cartas de denúncia de má índole. No entanto, mesmo falando genericamente em "religião", há diferenças entre o correto e o incorreto, portanto, é evidente que se deve manter um olhar crítico aguçado também em relação a elas. Por fim, gostaria de falar sobre os jornalistas. A maioria deles é composta de pessoas completamente imbuídas de materialismo, e a má influência desse aspecto também não pode ser ignorada. A respeito disso, penso sempre no que se diz: mesmo que se tente explicar a existência do ar a um selvagem, ele não acreditará, pelo fato de não poder vê-lo. A sensação é exatamente a mesma quando se fala aos materialistas da realidade dos espíritos de divindades. O que é a verdadeira salvação? Hikari nº 41, publicado em 24 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) A crítica que os críticos de hoje levam ao extremo é a de que a nossa Igreja, sendo uma religião, erra ao dedicar-se ao tratamento de doenças. No entanto, se pensarmos bem, não há argumento mais sem sentido do que este. Por quê? Provavelmente porque, para esses críticos, a religião é uma salvação apenas para o aspecto espiritual, e o aspecto material não é campo da religião. Portanto, consideram que coisas como curar doenças, por pertencerem ao aspecto material, não são religião. Pensam que a salvação material se desvia da religião e decidem que apenas o aspecto espiritual é a essência da religião. Naturalmente, a salvação espiritual que eles imaginam é, em uma palavra, a resignação. Como não têm poder para livrar materialmente as pessoas do sofrimento, procuram, ao menos, reduzir o sofrimento através da resignação espiritual. Essa tem sido, até os dias de hoje, a concepção de muitas pessoas em relação à religião. Contudo, uma solução que desconsidera o material e se limita ao aspecto espiritual não constitui uma salvação real. Isso porque é justamente por acreditarmos na comprovação de que a solução material é possível que obtemos também a verdadeira tranquilidade espiritual. Por exemplo, quando se está com fome, é possível ficar tranquilo porque se tem a fé de que alguém trará alimento; caso se saiba que ninguém trará, é natural ser tomado pelo terror da morte por inanição. Da mesma forma, seja quanto à doença, seja quanto às dificuldades da vida, é por reconhecer que a fé pode resolvê-las que se alcança a verdadeira paz de espírito. Assim, é a solução de ambos os aspectos — material e espiritual — que conduz à salvação, ao estado de verdadeira tranquilidade e paz espiritual. Se assim é, não há nada superior a eliminar a doença e tornar a pessoa saudável como fundamento da salvação, tanto material quanto espiritual. Por mais que montanhas de ouro, prata e tesouros se acumulem, por mais que iguarias dos mares e montanhas se amontoem na mesa, por mais que posição e fama sejam concedidas, se a pessoa sofre com a dor da doença, tudo é zero. Dessa forma, a primeira condição para salvar a humanidade deve ser, antes de tudo, a conquista da saúde. Não é outro o significado de a nossa Igreja ter como objetivo, como fundamento da salvação, um ser humano sem doenças e uma sociedade sem doenças. ―――――――――・―――――――――― Diálogo com um Certo Homem Hikari nº 25, publicado em 3 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Interlocutor: Todas as formas de proceder da vossa Igreja são verdadeiramente de meu agrado, mas há apenas um ponto sobre o qual tenho dúvida: não será que vos dedicais excessivamente ao tratamento de doenças? Gostaria de ouvir vossa elevada opinião sobre este ponto. Meishu-Sama: Não é de admirar que penseis assim. Para os homens modernos, para quem os métodos das religiões estabelecidas se tornaram senso comum, é natural que vejais dessa forma. Contudo, para dizer a verdade, talvez o que faço não possa ser chamado de religião. O que seria, então? Deveria ser chamado de obra de salvação. A obra de salvação, dita em uma palavra, consiste apenas em curar as doenças, e não há mais nada além disso. Ao dizer isso, pode soar um pouco estranho, mas a verdade é a seguinte: todos interpretam a doença de forma restrita. Quando se fala em doença, pensa-se apenas nos seres humanos. No entanto, eu a interpreto de forma ampla. Isto é, a doença não aflige apenas os seres humanos. A sociedade, a nação e o mundo, todos atualmente se encontram enfermos. Por exemplo, observando apenas o Japão de hoje, a angústia da classe dominante é a dor de cabeça; a queda da classe superior é a hemorragia cerebral; a propagação de más ideias é a tuberculose pulmonar; e o mal do coração é a ansiedade e o medo generalizados na sociedade. A escassez de dinheiro é a má circulação sanguínea e a anemia; a angústia da classe trabalhadora, o sofrimento nas mãos e nos pés. Dessa forma, a nação inteira está enferma, sofrendo de hemiplegia. O mundo, sem dúvida, também deve estar no mesmo estado. Se assim é, como torná-lo um corpo saudável? Esta é a grande questão imposta à humanidade — ou, no mínimo, aos homens cultos. No entanto, com exceção do Cristianismo, as religiões, a moral, as leis, etc., de até hoje têm a eficácia de uma injeção de cânfora para aliviar o sofrimento temporário; a realidade, porém, prova que é impossível alcançar a cura completa. Nesse sentido, se não surgir, de qualquer forma, uma terapia absolutamente poderosa, a infelicidade da humanidade só se tornará cada vez mais grave. O fato de a nossa Igreja ter nascido também se deveu inteiramente a que estava destinada a nascer. É claro que, por mais vasto que seja, o mundo é um grande conjunto de dois bilhões de indivíduos. Sendo assim, é preciso resolver primeiro o problema, partindo das doenças de cada indivíduo, pois não deve haver outro método eficaz além deste. Compreendereis, então, por que disse inicialmente que a nossa Igreja não é uma religião, mas uma obra de salvação, e também por que ela concentra seus maiores esforços na cura das doenças. Interlocutor: "De fato, compreendi", disse ele, e foi embora. Eliminar o Medo Hikari nº 44, publicado em 7 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Nosso objetivo, como sempre digo, é a salvação da humanidade. Se assim é, a salvação da humanidade, em uma palavra, consiste em eliminar todo o medo da sociedade humana. Naturalmente, os maiores medos são a doença, a pobreza e a luta (guerra). Dentre esses três grandes medos, o que ocupa o primeiro lugar é, sem dúvida, a doença. Não há nada que ameace constantemente o ser humano tanto quanto o medo dela. Pode-se dizer que não existe uma única pessoa, seja quem for, que esteja completamente livre dessa ansiedade ao longo de toda a sua vida. O segundo medo é a pobreza, mas a causa principal desta, na maioria dos casos, advém da doença. É um fato que, por mais que a cultura avance, o medo da doença não apenas não diminui, como parece estar aumentando. Atualmente, a causa das doenças é atribuída quase que inteiramente aos micróbios, de modo que o medo deles é algo que as pessoas antigas jamais experimentaram. Por essa razão, lança-se mão de todos os meios possíveis, como exames de saúde, vários tipos de injeções preventivas, radiografias, etc. Pode-se dizer que todas as instalações para a prevenção de doenças — centros de saúde, sanatórios, hospitais públicos e privados, hospitais nacionais, clínicas municipais, etc. — são tão completas quanto possível. A enorme quantidade de dinheiro e esforço despendidos nisso é incalculável, e o fardo sobre o povo certamente não é leve. Quanto ao medo da pobreza, sua maior causa, como mencionado, é provavelmente a doença. As despesas médicas elevadas para o indivíduo e os prejuízos decorrentes do abandono da profissão durante a doença são óbvios. Especialmente quando o paciente é o chefe da família, a consequência infeliz é que os familiares sobreviventes não podem escapar das dificuldades de subsistência. O grande aumento da criminalidade após o fim da guerra se deve, em grande parte, a essas causas. É claro que a guerra também é uma causa original, mas os danos dela são temporários, enquanto os da doença são permanentes, sendo, portanto, os mais graves. Quanto ao medo da guerra, quão grande sofrimento ele causa fica evidente pelo fato de que toda a humanidade o está experimentando neste exato momento. A situação está tão tensa, devido ao grave atrito entre os Estados Unidos e a União Soviética, que não se sabe quando a guerra irá eclodir. Além disso, com o surgimento da arma terrível e sem precedentes que é a bomba atômica, há estudiosos que afirmam que, se uma terceira guerra mundial começar, a destruição da humanidade será inevitável. Não é difícil imaginar, portanto, que não deve haver medo maior para a humanidade hoje em dia. A solução desses três grandes medos é, de fato, a grande tarefa dada à humanidade. Na verdade, o mundo até hoje tem sido um lugar de sofrimento incessante. Se realmente existe um Deus neste mundo, o grande amor de Deus não permitiria que um mundo assim continuasse por muito tempo. Certamente, esta era de sofrimento deve ter um fim, e o belo e perfeito Paraíso Terrestre deve nascer. Nós, que acreditamos absolutamente nisso acima de tudo, avançamos com uma fé inabalável. O que mais poderia significar a profecia de Cristo de que "o Reino dos Céus está próximo"? Com base no exposto, sinto profundamente que a verdadeira missão da religião é justamente a solução desses três grandes medos. Religião e Liberdade Hikari nº 45, publicado em 14 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Observando as religiões até os dias de hoje, pode-se dizer que elas quase não possuem liberdade. A maioria está amarrada por rígidos preceitos, a ponto de não se poder mover livremente, e isso era considerado a forma do futuro da religião. Ao examinar profundamente tal situação, tem-se a impressão de um verdadeiro Inferno de fé. É justamente esse tipo de religião que está repleto de preceitos como "não se deve fazer isso ou aquilo" ou "se fizer tal coisa, incorrerá na ira de Deus e será punido", sendo impossível encontrar ali uma vida com liberdade e folga. Dessa forma, a concepção de Deus quase não inclui reverência e afeto; as pessoas apenas temem e tremem. Não é só isso: doenças, pobreza e desarmonia familiar também perseguem a pessoa o ano todo, sem deixá-la em paz. Diante desses sofrimentos, esse Ministro certamente diz: "Em sua família, há muitos pecados e impurezas desde os antepassados; o sofrimento é por causa disso, portanto, você deve se empenhar com esforço na eliminação de pecados e impurezas. Mas você ainda não tem fé suficiente, por isso o sofrimento não cessa." É assim que ele fala. Entre os fiéis, há aqueles que, como o sofrimento não diminui muito, tentam escapar desse Inferno de fé. Então, invariavelmente, os líderes ameaçam: "Se você abandonar esta fé, sua família certamente perecerá." Assim, a pessoa não consegue se libertar, não suporta a situação atual e fica em um beco sem saída. Encontram-se com frequência pessoas nessa condição. O propósito da fé é tornar-se alguém que vive a alegria do Paraíso. No entanto, apesar de o resultado ser exatamente o oposto, como descrito acima, por que isso acontece? É porque, ao continuar por muito tempo nessas religiões inferiores, a sabedoria essencial se embota, perde-se a razão e torna-se incapaz de discernir o bem do mal, o certo do errado. E, ao comparar tais pessoas com os materialistas, pode-se dizer que, em conclusão, ambos não conseguem obter tranquilidade e paz espiritual, o que equivale a esperar que o Rio Amarelo se torne límpido — algo que nem em cem anos chegaria a acontecer. No sentido acima, sentimos profundamente que devemos salvar os materialistas e, ao mesmo tempo, devemos também salvar aqueles que têm uma fé infernal. Não é Curar, é Curar-se Hikari nº 3, publicado em 30 de março do ano 24 da Era Showa (1949) Há aqueles que, contra a nossa Igreja, empregam todos os meios para prejudicá-la, utilizando ao máximo a tática de enviar cartas às autoridades responsáveis pela fiscalização. Também na ocasião da gravação ao ar livre em Takayama, no outro dia, seus companheiros se reuniram em número considerável e lançaram flechas de crítica e ataque; parece que havia também muitos infiltrados. Isso porque havia quem gritasse coisas completamente inventadas. Além das cartas, eles também utilizam ao máximo os órgãos de imprensa e espalham boatos e calúnias, tornando-se exaltados. Por causa disso, as autoridades parecem estar com os nervos à flor da pele. No entanto, tais meios de difamação não apenas não têm influência na tendência de desenvolvimento da nossa Igreja, como há uma inclinação para que, ao contrário, acelerem a velocidade desse desenvolvimento. Afinal, a nossa Igreja está apenas cumprindo a missão divina de, segundo a vontade de Deus, salvar o maior número possível de pessoas e guiá-las à felicidade. Os dirigentes e fiéis, com sinceridade e devoção, respeitam a Lei, são cautelosos em suas palavras e ações, e se esforçam dia e noite. Portanto, qualquer pessoa que examine profundamente a nossa Igreja não poderá deixar de se arrepender dos grandes equívocos que teve até agora, e ouvimos com frequência as palavras de desculpas de tais pessoas. E aqueles que tentam desferir um golpe na nossa Igreja não podem ser vistos senão como Devadatta em relação a Buda. Considerando que é evidente que o método que eles têm usado ultimamente como seu último recurso oculto é tramar vários esquemas para enquadrar a nossa Igreja como violação da Lei do Exercício da Medicina ou obstrução médica, não é difícil inferir que os difamadores da nossa Igreja são pessoas ligadas à profissão médica ou farmacêutica, ou curandeiros populares. Há também quem tente fazer a nossa Igreja parecer deliberadamente como uma prática de cura especializada em doenças, mas estes são indivíduos incorrigíveis e dignos de desprezo. Uma vez que a nossa Igreja prega constantemente o estabelecimento de um mundo onde não haja doença, pobreza e conflito, o centro dessas três grandes calamidades é, sem dúvida, a preservação da saúde. Sem saúde, que salvação existe? Há crentes que, mesmo gemendo sob o sofrimento das doenças neste mundo, dizem ter sido salvos, mas isso é um grande erro. Apenas a parte espiritual foi salva, mas a parte física não foi salva. Eles foram salvos apenas pela metade. A razão para isso é que o poder das religiões existentes até hoje era apenas espiritual e não conseguia salvar nem mesmo o corpo; infelizmente, seu poder era insuficiente. Foi por isso que, com o tempo, estabeleceu-se a ideia de que a religião deveria salvar apenas o aspecto espiritual. Os estudiosos da religião construíram uma teoria engenhosa, como se salvar o corpo fosse domínio dos cultos malignos. Essa visão paradoxal espalhou a ideia de que religiões que curam doenças ou livram da pobreza são religiões inferiores que visam as graças recebidas nessa vida, o que foi um erro gravíssimo. Como exposto acima, as graças recebidas nessa vida, que eram consideradas impossíveis nas religiões existentes, podem ser abundantemente recebidas pelos fiéis da nossa Igreja. Isto é, o fato surpreendente de que pacientes que não obtiveram efeito com todos os tipos de terapia e foram abandonados pelos médicos melhoram e se recuperam rapidamente é, para ninguém mais do que para os médicos, uma grande questão. Penso que, de certa forma, não é de se estranhar que haja, entre os médicos, aqueles que cometem os atos insensatos mencionados anteriormente. Portanto, é natural que a nossa Igreja, mesmo sendo alvo de todas as críticas e ataques do mundo, não tenha seu ritmo de desenvolvimento diminuído nem um pouco. E assim, os propagadores da nossa Igreja, de um ponto de vista religioso, não têm grande empenho em curar os doentes. Eles apenas, atendendo ao pedido dos doentes, purificam o espírito através do que chamam de Johrei. Isso porque, uma vez que o espírito é purificado, a doença se cura naturalmente. Portanto, não se trata de curar, mas de curar-se. Este ponto é o mais crucial. Diante disso, em que aspecto isso viola as leis ou causa danos à sociedade? É verdadeiramente inexplicável. Os relatos e cartas de agradecimento, transbordando de gratidão e comoção, enviados em montanhas por inúmeras pessoas que foram salvas pelo Johrei da nossa Igreja, são tantos que não podem ser publicados apenas na revista mensal Tijotengoku e no jornal semanal Hikari. É extremamente claro quantas vidas estão sendo salvas e o bem-estar social está sendo promovido, e desejamos ardentemente que isso seja investigado. Além disso, quanto aos relatos dos muitos salvos, o princípio é que sejam escritos pelo próprio punho da pessoa, sem qualquer exagero, relatando os fatos tais como são; aqueles que não podem escrever ditam para que seja registrado. Portanto, o endereço e o nome são detalhados ao máximo, e se alguém tiver dúvidas, que visite e interrogue diretamente a própria pessoa. Nós avançamos sob o grande objetivo da reconstrução do Novo Japão, mas é verdadeiramente lastimável que existam pessoas extremamente levianas que, sabendo disso ou não, se esforçam ao máximo para nos obstruir. O que dizer do fato de que, pelo simples motivo de que o poder de salvar da doença, a maior aflição humana, é superior a todas as terapias existentes, eles se irritam e tentam nos esmagar? Fico sem palavras. Em rigor, não seria apropriado que tanto o governo quanto o povo recomendassem amplamente nossas ações? Porque, à medida que o Johrei da nossa Igreja se difunde vigorosamente, é mais claro que a luz do Sol que a tuberculose, as doenças contagiosas e todos os tipos de enfermidades que a medicina não consegue resolver diminuirão gradualmente, e o surgimento de um Japão saudável não é algo difícil. Nesse sentido, obstruir a salvação da nossa Igreja como se faz atualmente não é nada além de retardar o surgimento de um Japão saudável, sendo um grande mal social. Por isso, oramos incessantemente para que o dia em que eles despertem para este fato chegue o mais rápido possível. Filosofia do Amor Hikari nº 46, publicado em 21 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Não há, na vida humana, problema mais complicado e difícil de resolver do que o amor. Em suma, o amor é a flor da vida, mas também é um espinho. Uns o elevam a princípio supremo; outros o consideram causa de imoralidade. Do nosso ponto de vista, porém, a verdade é que ele pode ser tanto um princípio supremo quanto um caso de imoralidade. Agora, exporemos nossa visão sobre o amor. Em primeiro lugar, o amor é a maior bênção que Deus concedeu aos seres humanos. É algo verdadeiramente fascinante: por mais que se aprecie, nunca se aprecia o bastante. Ao mesmo tempo, é tão perigoso que, no auge do amor, a pessoa pode chegar a não se importar de abandonar a própria vida. Por isso, pode-se dizer que nenhum romance ou peça teatral se sustenta sem o amor. Se ele não existisse neste mundo, a vida seria como um campo seco no inverno frio. No entanto, quando observamos os fatos, vemos que o amor causa mais infelicidade do que felicidade. Brigas vergonhosas, sofrimentos insolúveis, destinos arruinados e acontecimentos repugnantes — como suicídios por amor e assassinatos — quase todos têm o amor como causa. Pode-se dizer que é algo verdadeiramente temível. Escreverei, então, do ponto de vista da fé, como se deve realmente lidar com o amor. Não é problema tão difícil; é extremamente simples. Pode parecer estranho, mas, em suma, é a Sabedoria Sagrada, a coragem e o amor verdadeiro. Primeiro, suponhamos que se estabeleça uma relação amorosa entre um homem e uma mulher. Nunca se deve ficar preso à visão subjetiva; é preciso olhar objetivamente até o fim. Para isso, antes de tudo, deve-se avaliar o resultado — ou seja, ambos devem considerar a felicidade ou a infelicidade futura. Por exemplo, se o objetivo final é o casamento, o amor é bom e gera felicidade. Se não há intenção de casamento e se trata apenas de busca de prazer movida por impulso momentâneo, então é mau, pois ao menos a mulher se tornará infeliz. No entanto, os envolvidos dirão: "Não se pode pensar em bem ou mal, ou no que vai acontecer, quando se ama. Apenas se ama; há apenas o impulso incontrolável do amor." Decidirão assim, mas isso é o que se chama amor cego; ou seja, foram engolidos pelo amor. No caso do homem, ele foi engolido por uma frágil mulher; em outras palavras, foi derrotado por uma mulher. Portanto, um covarde desses não tem qualificação como homem; é pessoa que dificilmente terá sucesso na vida. O que queremos dizer é este ponto: é absolutamente necessário engolir o amor. Quem assim age jamais cometerá erros. E, para a mulher, um homem assim é digno de respeito; ao contrário, o amor se aprofunda e ela fica satisfeita. Nossa visão do amor, portanto, é que ele não é algo ruim; é inteiramente a flor da vida. Como dito anteriormente, o importante é não ser dominado por ele; se for possível dominá-lo, não haverá erro algum. A filosofia do amor é, em suma, a acima exposta. Aos Críticos da Nossa Igreja Hikari nº 34, publicado em 5 de novembro do ano 24 da Era Showa (1949) Há algo que sempre sinto: a visão dos críticos da nossa Igreja tem a lamentável característica de ser extremamente injusta. Por quê? Porque, a despeito de a nossa Igreja realizar feitos salvadores notáveis em todas as camadas da sociedade atual, é como se eles estivessem de olhos vendados para esse fato. Arregalam os olhos como pires à procura de qualquer pequeno defeito; mal ouvem um boato ou calúnia de um opositor — como se apenas esperassem por isso —, apoderam-se somente dessa informação, suscitam uma dúvida qualquer ou a divulgam de forma exagerada. É algo realmente incompreensível. Quando se observa o mundo de hoje, não apenas no campo religioso, não existe uma única coisa que seja perfeita entre todas as coisas. Por mais admirável que algo seja, é certo que possui algum defeito, por menor que seja. No entanto, se considerarmos a nossa Igreja como dez, ainda que se force a procura de defeitos, eles seriam apenas um ou dois. Que é assim, compreende-se observando o desenvolvimento da nossa Igreja. Contudo, nas terras onde ela se desenvolve, causa naturalmente impacto sobre médicos, massagistas e outros praticantes de terapias populares. Estes, encarando isso como questão de vida ou morte, lançam mão de todos os meios possíveis. Como método, recorrem às autoridades reguladoras locais, aos jornais locais e à divulgação boca a boca, para cobrir a nossa Igreja de críticas e tentar impedir seu desenvolvimento. Nessa ocasião, exageram como a agulha que se torna barra de ferro, amplificando minúcias — alguém ter proferido palavras que obstruem a terapia, pessoas que sofreram danos e andam chorando, palavras que perturbam a paz e a ordem — e misturam invenções tão absurdas que chegam a ser ridículas. Divulgam-nas ao mesmo tempo em que apelam às autoridades, enfatizando a necessidade de repressão. Dessa forma, pode-se dizer que quase não há dia em que não saiam notícias difamatórias em jornais de âmbito nacional. Naturalmente, isso aumenta à medida que a nossa Igreja se desenvolve. Embora seja uma maneira estranha de dizer, sinto constantemente a dificuldade de praticar boas ações. Nós mesmos, diante dos fatos acima, sabemos que quanto mais a nossa Igreja se desenvolver no futuro, maior será o número dos que sofrerão impacto; e sentimos sincera pena deles, sem mesquinhez no sentimento. No entanto, como estamos realizando a imensa obra de salvar toda a humanidade, corporificando a vontade de Deus, não há como evitar. Desde os tempos antigos, diz-se que uma grande bondade é acompanhada de pequenas maldades, e é exatamente assim. Antigamente, alguém disse: "É porque existem bebedores de saquê que os recursos nacionais são mantidos; se todos parassem completamente de beber, o orçamento do Ministério das Finanças não se sustentaria." Deve ser algo semelhante. Quanto a isso, o que desejo dizer aos opositores é que o melhor meio é tornar-se seguidor da nossa Igreja e praticar a terapia dos espíritos de divindades. Seu efeito é incomparavelmente diverso do da terapia médica; nem é preciso dizer quantas vidas humanas são salvas e quanta gratidão é recebida. Isso fica claro até pela recente confissão de um certo doutor em medicina depois de sua conversão à nossa Igreja. Aqui, há mais um assunto importante. Trata-se do cultivo sem fertilizantes, que a nossa Igreja preconiza, e do fato de que, à medida que a toxicidade dos fertilizantes diminui ano após ano, resultados notáveis vêm sendo obtidos em todas as regiões. Se isso se tornar amplamente conhecido e popularizar-se em todo o país, o impacto sobre a indústria de fertilizantes também será imenso — e nós já consideramos isso desde agora. Em outras palavras, se o impacto é tamanho a ponto de afetar a indústria de fertilizantes, pode-se imaginar quão grande é o efeito do cultivo sem fertilizantes: o custo dos fertilizantes se torna zero e a mão de obra é drasticamente reduzida. Pode-se avaliar, então, quão imenso é o efeito na promoção do benefício nacional. Diante dos pontos acima, espero que as autoridades investiguem suficientemente a real situação da nossa Igreja e tomem as devidas providências. O Ser Humano é Matéria? Hikari nº 22, publicado em 13 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) O pensamento que vê o ser humano como mera coisa gera assassinatos, assaltos e guerras. Porque, se é coisa, é o mesmo que um rabanete ou uma batata. É algo verdadeiramente terrível. Essa ideia de ver o homem como coisa é justamente o pensamento materialista. Portanto, por mais que se tente eliminar os crimes ou se promovam movimentos pela paz, enquanto esse pensamento materialista permanecer como está, será como pregar um prego em farelo de arroz: não passa de reza vazia. Entendeu? A Irresponsabilidade dos Suicidas Hikari nº 45, publicado em 14 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) Os suicídios nunca cessam em época alguma, como todos sabem, mas ultimamente parecem particularmente numerosos. Isso mostra que o progresso da cultura nada tem a ver com o suicídio. Creio que os motivos do suicídio no Japão e no exterior sejam bastante diferentes. A nosso ver, os suicídios de estrangeiros têm, em sua maioria, o sofrimento espiritual como causa; os do Japão parecem ser de outra natureza. Na antiga era feudal, havia muitos motivos espirituais sublimes — sinal de desculpa, sacrifício da própria vida para admoestar o senhor feudal ou demonstração da própria inocência —, de modo que se prestava até uma espécie de respeito ao suicida. Pode-se bem deduzir isso do fato de que o próprio General Nogi, por exemplo, foi consagrado como divindade em consequência de seu suicídio. No entanto, pode-se dizer que, atualmente, quase não existem motivos como os mencionados acima. Tomemos o caso recente de um certo Yamazaki, agiota estudante que cometeu suicídio. Teve um breve momento de sucesso, foi muito aclamado, mas, no fim, viu-se encurralado sem saída. Pode ter havido também a intenção de escapar de uma situação difícil e um sentido de pedido de desculpas, o que o levou inevitavelmente ao suicídio. Contudo, se pensarmos bem, isso deve ser considerado, na verdade, o auge da irresponsabilidade. Depois de causar enormes transtornos às pessoas, sem fazer a menor reparação, foge para o outro mundo: pode-se dizer que é um ato extremamente condenável. Na verdade, ainda que isso custasse a própria vida, dever-se-ia viver o máximo possível para reparar, ao menos em parte, os transtornos causados. Não agir assim pode, antes, ser considerado atitude covarde. Além disso, o suicídio de literatos, tema recente de discussão, também não escapará à censura de irresponsabilidade. Pode até ser um acerto de contas com o sofrimento decorrente da própria imoralidade, mas é preciso considerar quanta infelicidade e transtorno a morte causa aos familiares e às pessoas envolvidas. O que quero dizer especialmente é que, embora haja quem, em parte da sociedade, chegue a admirar esse tipo de suicida, pode-se afirmar que esses admiradores estão, na verdade, cometendo uma espécie de crime. Como prova, vejamos o caso do Sr. Tanaka Hidemitsu, que cometeu suicídio recentemente. O fato de ter se matado diante do túmulo do Sr. Dazai provavelmente se deve à admiração que sentia pelo ato deste. Não só isso: o Sr. Dazai se jogou no aqueduto de Tamagawa e, posteriormente, dezenas de seguidores apareceram no mesmo local — o que não podemos deixar de estranhar. O fato de que, ainda hoje, não cessam aqueles que seguem os passos de Fujimura Misao, que saltou na cachoeira de Kegon há várias décadas, também ilustra bem o que foi dito. Em seguida, quanto ao vício em entorpecentes como o Hiropom e o Adorm, apontado como causa bastante frequente de suicídio nos últimos tempos, também é necessário refletir profundamente. O vício começa com uma única dose, e é preciso fazer com que se compreenda exaustivamente que isso se tornará uma ameaça à própria vida no futuro. Recentemente, as autoridades também perceberam isso e tomaram medidas de proibição, mas deve-se dizer que a medida foi, antes, tardia. Acima, enfatizei que o ato de suicídio é o auge da irresponsabilidade e uma atitude covarde; e gostaria de alertar especialmente os senhores jornalistas para que não concedam elogio algum a tal ato. Do ponto de vista da religião do futuro, não convém "açoitar o morto". Contudo, com o intuito de prevenir os suicídios que provavelmente ocorrerão daqui em diante, atrevi-me a chamar a atenção para a inconveniência do suicídio. Creio que, com isso, os espíritos dos mortos também ficarão satisfeitos. Diretrizes para a Reconstrução do Japão Hikari, edição extra, publicado em 30 de maio do ano 24 da Era Showa (1949) Agora, desejo tratar das futuras políticas nacionais do Japão; antes, porém, devo falar da missão do Japão como nação. Em primeiro lugar, há muitos países no mundo, mas, qualquer que seja a nação, Deus, por necessidade de Seu Plano Divino para o mundo, atribuiu a cada uma uma missão futura. O Japão, naturalmente, não escapa a essa regra, sendo evidente que também possui uma missão especial. Como ela, porém, não ficara clara até hoje, interpretações arbitrárias dos homens conduziram a erros gravíssimos e, por fim, o país se tornou a nação lastimável que se vê atualmente — nem é preciso mencionar. Como é evidente a quem folheia a história do Japão, desde os tempos antigos surgiram heróis e gênios militares; a maioria deles, empunhando a violência da guerra, apoderou-se do poder, fez o povo padecer as mais atrozes misérias e arrastou o país à ruína. Os pecados e males disso se veem por toda parte. Em suma, pode-se dizer que a história do Japão não passou de um registro da disputa pelo poder entre os que o detinham. E não há dúvida de que o desfecho final dessa disputa foi a recente Guerra do Pacífico. Em razão disso, desde a fundação do país, quão grandes sacrifícios o povo foi obrigado a pagar pela disputa pelo poder? Isso fica evidente até no fato de que o Japão jamais teve propriamente uma história do povo. Durante esse longo período, contudo, houve também, intermitentemente, eras de paz: Asuka, Hakuhō, Tenpyō, Heian, Kamakura, Ashikaga, Momoyama, Genroku-Kyōhō, Bunka-Bunsei, Meiji, etc. Nesses períodos, ainda que breves, desenvolveu-se uma cultura de paz; como legado, restam hoje pinturas, esculturas, belas-artes e artesanatos que falam dessas épocas. O fato de que mesmo esses curtos intervalos de paz produziram obras magníficas como as que vemos revela o quanto o povo japonês é excepcionalmente dotado de senso estético. Vejamos agora a paisagem natural do Japão. Os estrangeiros são unânimes em elogiar: não existe outro país com paisagem tão bela quanto o Japão. Ademais, a variedade de árvores, plantas e flores é a maior do mundo, e dizem que as mudanças das quatro estações não encontram paralelo em outros países. Isso se manifesta nas transformações de montanhas, rios, árvores e plantas, que exibem a beleza de cada estação: flores na primavera, folhagem verde no verão, folhas avermelhadas no outono, paisagem morta no inverno. Na arquitetura, é peculiar a técnica de aproveitar a beleza natural da madeira e de outros materiais. Nas belas-artes e nos artesanatos, objetos como as refinadas e elegantes pinturas japonesas, ricas em aroma, os característicos trabalhos em laca com pó de ouro (maki-e) e as cerâmicas e porcelanas despertam a cobiça dos estrangeiros. Durante a guerra, Quioto e Nara escaparam dos bombardeios graças aos esforços do Dr. Warner para preservar sua beleza — o que se deveu, naturalmente, à compreensão que ele, como estrangeiro, tinha da arte japonesa. No que diz respeito à alimentação, a grande variedade de peixes, frutos do mar e hortaliças, bem como as técnicas de preparo que realçam o sabor natural, constituem, provavelmente, uma cultura peculiar. Considerando o exposto, podemos vislumbrar onde reside a futura missão do Japão. Ela é, escusado será dizer, a grande missão de, por meio da beleza da natureza e da arte, cultivar os sentimentos de toda a humanidade, proporcionar-lhe conforto e enriquecer o pensamento de desfrutar a paz. Em termos concretos, isso significa transformar todo o território japonês no parque do mundo e torná-lo a fonte de toda a beleza. Contudo, que ironia! Tendo adotado como lema o militarismo — quase o oposto dessa missão futura — e tendo-se dedicado a ele por muito tempo, sem se importar com mais nada, ao despertar para o significado acima e refletir profundamente, perceber-se-á o quanto isso foi errado. Vede! O fato sem precedentes da abolição do armamento, resultado da derrota na guerra, não é senão a vontade de Deus para fazer o Japão compreender sua verdadeira missão. Quanto a essa abolição, deve haver muitos japoneses que temem que o país fique indefeso, mas creio que isso não passa de preocupação infundada. Por quê? Porque, se o Japão, como parque do mundo, primar pela beleza e pela bondade e assumir a forma de um Paraíso Terrestre, creio que, em caso de guerra, nem inimigos nem aliados teriam coragem de destruí-lo. Nossa Igreja, também atenta a isso, já selecionou lugares de beleza cênica e clima ameno, como Hakone e Atami, e, em escala reduzida, está construindo e produzindo modelos do futuro Paraíso Terrestre, que reúnem o que há de mais requintado em beleza paisagística e arquitetônica. Ao lado disso, está instalando o que se poderia chamar de centro de apresentação ao exterior das belas-artes e artesanatos artísticos. Planeja também um grande jardim florido, com o objetivo de cultivar e exportar flores; atualmente, um terreno adjacente a Atami, de 30.000 tsubo, está sendo desenvolvido por equipes de serviço voluntário. Sobre isso, quero dizer especialmente que, entre os muitos produtos de exportação do Japão, os têxteis, que são os mais característicos, dificilmente podem ultrapassar certo limite. Máquinas, navios, locomotivas, bondes, automóveis, bicicletas, artigos diversos, etc., também se limitam, para os países de cultura avançada, a artigos comuns para o público em geral, mal conseguindo atender à demanda de países de baixo nível cultural. Quanto a máquinas de alta qualidade, artigos diversos, materiais culturais, etc., alcançar os Estados Unidos e outros países avançados será um caminho longo e difícil. Pelo exposto, não será exagero dizer que, como política nacional a adotar daqui em diante, o Japão quase não tem futuro senão o turismo e a exportação de belas-artes, artesanatos artísticos e flores. Há, contudo, uma questão de suma importância: o problema da saúde dos japoneses. Por mais completas que sejam as instalações turísticas e por mais que o país se torne objeto da admiração dos estrangeiros, se doenças contagiosas e tuberculose estiverem disseminadas, será como fechar as portas de uma bela mansão mesmo querendo convidar as pessoas. Outro ponto são as hortaliças produzidas no Japão. O uso do adubo humano, tradicional no Japão, que traz o risco de propagação de parasitas, será um obstáculo considerável para atrair estrangeiros. Portanto, deve-se implementar o método de cultivo sem fertilizantes e com Johrei, preconizado pela nossa Igreja, que é, nesse aspecto, verdadeiramente ideal. Com isso, ambos os obstáculos mencionados poderão ser removidos. Acredito que, em linhas gerais, a explicação acima já tenha proporcionado uma compreensão. No dia em que esses planos e instalações estiverem completos no território japonês, o Paraíso Terrestre que defendemos surgirá em sua forma real, e creio que não haverá país que não acolha esse fato. Como Resolver a Escassez de Alimentos Básicos Hikari nº 46, publicado em 21 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) A inflação, que há muito tempo aflige o povo, parece estar chegando ao fim. De fato, a tendência de alta foi contida, mas isso ainda não se manifesta claramente aos olhos. Continuamos a sofrer com os preços elevados. Isso fica evidente ao constatar que os preços atuais ainda mantêm um nível mais de cem vezes superior ao do período pré-guerra. Ao examinar as causas da dificuldade de queda dos preços, o que mais se destaca é o alto custo da mão de obra. Em qualquer setor que se observe, alguns materiais tiveram queda considerável, mas apenas os custos com pessoal não mostram sinais de redução. Se assim é, não é preciso pensar muito para entender a causa: os preços dos alimentos não caem. A razão, evidentemente, é a escassez de alimentos básicos, e a situação atual é tal que não se pode prosseguir sem depender de volume considerável de importações — o que é inevitável. Portanto, para superar verdadeiramente a inflação e buscar a estabilidade dos preços, é evidente que precisamos alcançar a autossuficiência alimentar para sustentar a população, e a questão se resume unicamente ao aumento da produção de alimentos básicos. Nesse sentido, a questão de como aumentar a produção de alimentos básicos encontra sua resposta no cultivo sem fertilizantes, preconizado pela nossa Igreja. Pelos relatos de exemplos práticos que demonstram ser possível um aumento de 50% na produção, pode-se perceber quão confiável é esse método. Portanto, espera-se que, sem qualquer dúvida, todos os senhores envolvidos na agricultura em todo o país o coloquem em prática o mais rápido possível. Uma vez que é por meio disso que a superação da inflação se torna possível, juntamente com a estabilidade econômica, não se pode mensurar o quanto isso contribuirá para a dissolução da ansiedade social em nosso país. Fragmentos Médicos (I) – A História de uma Senhora Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Esta senhora, de quarenta e cinco anos, perdeu o marido há três anos e ficou solitária. Tentou então abrigar-se na casa de parentes, mas nenhum deles a aceitou de modo algum. A razão é a seguinte: essa senhora sofria de tuberculose pulmonar havia vários anos; o rosto pálido e a magreza denunciavam a doença à primeira vista. Vendo-se em situação sem saída, não havia mais nada que pudesse fazer. Ao ouvir sua história, senti muita pena dela; por isso, acolhi-a em minha casa e a coloquei para ajudar na cozinha. Com o passar do tempo, ela vem recuperando gradualmente a saúde e passa os dias em alegria e gratidão. Isso, por si só, é uma história extremamente comum, mas, na verdade, quero dizer algo de grande importância. Quando se fala em tuberculose, as pessoas, temendo o contágio, não acolhem o doente; eu, ao contrário, acolhi-a tranquilamente e, além disso, faço-a ajudar no preparo das refeições na cozinha. Do ponto de vista comum, só poderiam pensar que se trata de uma anormalidade mental. No entanto, para mim, que sei claramente que a tuberculose não é contagiosa, tomei apenas a atitude normal. De fato, fatos trágicos como o descrito acima ocorrem em toda parte do mundo. Uma vez contraída a tuberculose, além do sofrimento da doença, cai-se no triste destino de ninguém se importar conosco, como aconteceu com essa senhora. Quão lamentável é isso! Por essa razão, desejo que a medicina descubra o mais rápido possível o princípio de que a tuberculose não é contagiosa. Nem é preciso dizer o quanto isso aumentaria a felicidade humana. O Fim da Noite se Aproxima, Arrependei-vos Hikari nº 42, publicado em 31 de dezembro do ano 24 da Era Showa (1949) As duas advertências de Jesus, o Grande Cristo — "O fim do mundo se aproxima; arrependei-vos" e "O Reino dos Céus está próximo; arrependei-vos" — parecem nunca ter sido explicadas em seu verdadeiro sentido até hoje. Naturalmente, isso se deve também ao fato de o tempo ainda não haver chegado, mas, como sempre digo, até os dias de hoje era o Mundo da Noite. E isso coincide perfeitamente com o significado de que, finalmente chegado o momento, o Mundo da Noite anuncia aqui o seu fim e se transforma no Mundo do Dia. Ou seja, o fim do mundo é o fim da Noite, e o Paraíso se refere ao Mundo do Dia. O mundo tenebroso, repleto de sofrimento até os dias de hoje, é o símbolo da Noite; o Mundo do Dia é o mundo de alegria onde a luz brilha em toda parte e tanto o mal quanto o sofrimento são eliminados. Aqueles que, ao ouvirem esta explicação, conseguem compreendê-la são, naturalmente, as pessoas que possuem fé; os materialistas, que não têm fé alguma, provavelmente não conseguirão entender apenas com isso. Portanto, para que também eles possam compreender, escreverei aqui a verdade sobre esta Transição da Noite para o Dia. Primeiramente, quanto à ordem da Transição da Noite para o Dia, como sempre digo, ela se inicia no mundo fundamental e causal, invisível aos olhos; transfere-se depois para o mundo espiritual e, em seguida, para o mundo material. Aqui, o primeiro momento da transição — o mundo fundamental e causal, que é o mundo tridimensional — corresponde ao ano de 1881 d.C. A transição seguinte, do mundo espiritual, ou seja, a transição bidimensional, deu-se em 1930. E a transição do mundo material, que se segue, é justamente o início de uma grande crise que agora se aproxima iminentemente. Em suma, o mundo está agora prestes a amanhecer, exatamente no momento em que o sol está prestes a nascer no céu oriental. Sendo assim, expliquemos em que estado se encontra atualmente o mundo espiritual, do ponto de vista científico. Nem é preciso dizer que, no mundo espiritual, durante o período da Noite, o Elemento Água era o principal e o Elemento Fogo, o secundário. Ao entrar no Mundo do Dia, ao contrário, o Elemento Fogo torna-se o principal e o Elemento Água, o secundário. Em outras palavras, a escuridão se transforma em luz. Se fosse apenas isso, não haveria motivo para preocupação; mas, na verdade, com isso ocorre uma grande mudança sem precedentes, pois haverá uma destruição e uma criação como jamais experimentadas antes. Ou seja, no mundo espiritual o turvo torna-se puro e, sendo isso transferido diretamente para o mundo material, é fácil imaginar quão grandes transformações ocorrerão no mundo material. Naturalmente, com o aumento do Elemento Fogo no mundo espiritual e a geração do poder de purificação, esse poder se fortalece gradualmente, em proporção direta ao passar do tempo. Como manifestação disso, o bem e o mal, o certo e o errado tornam-se evidentes, e a purificação se realiza em toda a humanidade. Originalmente, as doenças humanas são a ação purificadora do Elemento Fogo; portanto, é natural que, quanto mais impurezas uma pessoa possui em seu corpo, mais intensa será a purificação realizada. No entanto, as doenças até os dias de hoje ocorriam de forma extremamente lenta, a ponto de não ameaçarem a vida. Mas as doenças do fim dos tempos são uma grande purificação extremamente abrupta; portanto, seguem um curso muito rápido. Por exemplo, se os sintomas forem apenas dois ou três, como dor de cabeça, tosse e diarreia, a vida não chega a ser ameaçada. No entanto, se sete ou oito desses sintomas ocorrerem todos de uma vez, não há como suportá-los. Nesse caso, mesmo que se consulte um médico, a causa da doença é completamente desconhecida; portanto, a morte rápida é inevitável. Quão terrível não é isso? Pode-se imaginar que, como resultado de uma purificação tão grande que atacará a humanidade, surgirá uma era de grande terror, e inúmeros serão os que perecerão. A esse respeito, também Cristo emitiu uma grande advertência com as palavras do Juízo Final. Apenas porque, até hoje, a verdade e o momento desse Juízo não eram claramente conhecidos, a humanidade não pôde obter uma verdadeira consciência. No entanto, agora que o tempo finalmente se aproxima, Deus me fez escrever concretamente, para que eu aqui emita uma grande advertência. No sentido acima exposto, agora que o Grande Julgamento está prestes a cobrir e envolver a cabeça de toda a humanidade, salvar o maior número possível de pessoas é o Grande Amor de Deus. E, sendo Ele o executor do Grande Julgamento e Aquele que detém a vida dos seres humanos, não há absolutamente nenhuma outra forma de superar esta crise difícil senão apegar-se à graça de Deus e ter os pecados perdoados. Em outras palavras, não há outro caminho para a salvação a não ser que o pesado fardo dos pecados que a humanidade carrega seja removido e purificado pela graça de Deus. Eu, como executor desta salvação final, faço soar aqui um grande alarme para cumprir minha responsabilidade conforme a incumbência de Deus. Portanto, para aqueles que tapam os ouvidos e não desejam ouvir, não posso senão dizer que estão escolhendo por si mesmos o destino da perdição. Advertindo que, mesmo que se arrependam quando chegar o momento final, já não haverá mais retorno, encerro aqui a pena. O Segredo da Felicidade Hikari nº 29, publicado em 1 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) Ao falar em "segredo da felicidade", talvez se pense que se trata de algum tipo de magia especial, mas não é nada disso — é algo extremamente simples e óbvio. Só que as pessoas, em geral, não se dão conta dessa obviedade. Ao observarmos hoje a sociedade em seu conjunto, quantas pessoas verdadeiramente felizes existem? Provavelmente se pode dizer que não há sequer uma. É, de fato, um mundo de tanto sofrimento assim. Na realidade, seja qual for a pessoa, ela vive presa por grilhões no pescoço e nos pés — fracasso, desemprego, doença, pobreza, discórdia, dúvida, pessimismo — e geme como se estivesse numa prisão: essa é, sem dúvida, a verdadeira face das coisas. Antes de mais nada, quando qualquer pessoa reflete com calma, certamente surge esta pergunta: "Deus, que é o Criador de todas as coisas, tendo criado o ser humano, por que o faz sofrer tanto assim? Por que não cria um mundo com mais felicidade do que infelicidade?" — não há como não pensar assim. E, ao refletir sobre isso, certamente há algo ali que não se explica facilmente. Por isso, penso que todos gostariam de saber o motivo desse ponto inexplicável, e vou tentar explicá-lo. Desde a era primitiva do surgimento do ser humano até os dias de hoje, o que continua a existir, de forma inabalável, é, antes de tudo, o bem e o mal. Isso é verdade. E essas duas naturezas opostas — bem e mal — vivem em constante atrito e disputa, sem que, até agora, se tenha decidido qual delas vence. Mas, pensando bem, é também verdade que foi justamente por meio desse atrito entre o bem e o mal que se chegou ao desenvolvimento cultural que vemos hoje. A esse respeito, perguntam-me frequentemente o seguinte: "Se Deus é amor e compaixão, então esse tal "Juízo Final", em que Ele deixa o ser humano cometer más ações, criar pecados, para depois puni-lo por isso, não faz sentido algum. Se Ele não tivesse criado, desde o início, os maus, não haveria necessidade de punição nem de juízo, não é mesmo?" Isso é, de fato, muito razoável e, para dizer a verdade, eu também penso assim. Porém, se eu tivesse criado o ser humano, a explicação seria fácil; mas, sendo eu mesmo um ser criado, não há como dar uma explicação definitiva sobre isso — o máximo que se pode fazer é imaginar que a vontade de Deus deve ser assim, e não há outra forma de explicá-lo. Sendo assim, deixemos esse tipo de investigação para quem tem tempo livre, e, quanto a nós, ocupemo-nos do que é real: basta que, enquanto tivermos vida, consigamos ser felizes. Por isso, o mais importante é descobrir essa raiz e colocá-la em prática. E qual seria o método? É sempre o que costumamos dizer: tornar os outros felizes — apenas isso, uma única coisa. Existe, para isso, um método excelente. Eu mesmo o pratico há muito tempo, e tenho obtido resultados maravilhosos; e é justamente para ensiná-lo que escrevo este texto. Para dizer de forma simples: trata-se de praticar o bem tanto quanto possível. Sempre que houver um momento livre, deve-se procurar fazer algo de bom. Por exemplo: procurar alegrar as pessoas; para o bem do mundo, a esposa deve fazer com que o marido trabalhe com boa disposição, e o marido deve tratar a esposa com gentileza, dando-lhe tranquilidade e alegria. É natural que os pais amem os filhos, mas devem usar da Sabedoria Sagrada, pensando no futuro dos filhos, sem serem autoritários — de modo que os filhos se submetam de bom grado e com carinho aos pais, e estudem com prazer. Do mesmo modo, em todas as situações do dia a dia, deve-se procurar dar esperança ao outro, tratando superiores e subordinados com amor e gentileza, e sendo o mais sincero possível. O político deve deixar de lado seus próprios interesses e colocar a felicidade do povo em primeiro lugar, dando o exemplo em tudo. E, é claro, também as pessoas comuns devem se esforçar ao máximo para praticar o bem, usando de sabedoria e empenho. Dessa forma, é garantido que, quanto mais bem uma pessoa pratica, mais feliz ela se torna. Imaginem agora o que aconteceria com a nação e com a sociedade se todos, unidos, praticassem o bem dessa maneira. Antes de tudo, tornar-se-ia o país mais ideal do mundo, respeitado por todas as nações. Como resultado, todos os problemas detestáveis desapareceriam, surgiria o Paraíso Terrestre que proclamamos — livre de doença, pobreza e conflito —, e a felicidade do povo seria incalculável. E isso, garanto, é tão certo quanto o martelo que bate sobre a terra — mesmo que erre o alvo alguma vez, isso jamais erraria. Mas, e a realidade de hoje, como é? É, em quase tudo, o oposto disso: as pessoas que se empenham arduamente em praticar o mal formam uma torrente incontível, mentindo, enganando os outros, buscando apenas o próprio benefício, sem que o dia lhes baste. Não é exagero algum dizer que se trata, verdadeiramente, de uma sociedade de maus. Assim, a felicidade jamais retornará, tendo partido para muito, muito longe. E, para piorar, o mais lamentável é que consideram esse mundo infernal como um estado social natural, sem sequer sonhar em reformá-lo. Há até quem atrapalhe deliberadamente nosso trabalho de transformar esse mundo infernal em paraíso. Isso é como escolher, por vontade própria, tornar-se infeliz, caindo no mais baixo dos infernos. Quando observamos essas pessoas, não podemos vê-las senão como os mais dignos de pena entre os tolos; e, ao mesmo tempo, rogamos sempre a Deus pela salvação delas. Como isso já vai longo demais, encerro aqui minha pena; mas, se refletirmos bem sobre o que foi dito acima, veremos que ser feliz não é, de forma alguma, uma tarefa difícil. Ó Insensato! Teu Nome é Malvado Hikari nº 7, publicado em 30 de abril do ano 24 da Era Showa (1949) Afinal, o que é um homem mau? Nem é preciso dizer que é o oposto de uma pessoa de bem. Não se trata apenas de alguém que, para seu próprio benefício, sacrifica os outros com indiferença; há até mesmo aqueles que parecem agir assim por uma espécie de interesse. Primeiramente, analisemos a psicologia dessas pessoas. Os maus costumam dizer que vivem de forma intensa e breve, o que provavelmente significa que, como diz o provérbio "a má notícia voa", não conseguem esconder seus atos por muito tempo. Por isso, já agem desde o início cientes disso, com a determinação de que, se descobertos, será o seu fim. No entanto, quando se fala em “maldade”, geralmente se pensa em vadios das ruas, ladrões, assassinos e coisas do gênero — mas não é só isso. Pessoas de posição social cometem injustiças que parecem extremamente perigosas. Desde o fim da guerra, jornais e revistas vêm repletos de crimes abomináveis — ocultação e desvio de mercadorias, sonegação fiscal, suborno e corrupção — em número excessivo. É quase inacreditável que cavalheiros distintos, em quem se confiava, acabem enviados à prisão de Kosuge. Por que, então, cometem tais injustiças? É claro: pensam que, se enganarem os olhos das pessoas e agirem com habilidade, poderão escapar sem serem descobertos. No entanto, as más ações, de modo algum, deixam de ser reveladas. Isso ocorre porque os deuses do mundo espiritual invisível estão observando tudo. É por isso que sempre digo, até a boca cansar: “Os descrentes são pessoas perigosas”. Mesmo pessoas bastante notáveis não conseguem reconhecer esse ponto crucial. Contudo, uma vez exposta a injustiça e transformada a pessoa em criminosa, a confiança social é perdida, e é claro que ela leva um tempo considerável para recuperá-la. Há casos, nada raros, em que a pessoa, por azar, acaba relegada à obscuridade para o resto da vida. Pense bem: o prejuízo causado por um pequeno ganho ilícito pode ser dezenas de vezes maior do que o lucro obtido. Diz-se que, quando o famoso assaltante armado de pistola da Era Meiji (1868-1912) Shimizu Sadakichi foi capturado, ele fez uma profunda reflexão. Segundo suas palavras: “Não há negócio tão ruim quanto ser ladrão. O dinheiro que roubei até agora, se dividido por dia, dá apenas quarenta e cinco sen.” Portanto, mesmo na Era Meiji, quando os preços eram baixos, certamente não valia a pena. Como visto acima, seja do ponto de vista da fé ou do cálculo, não só não compensa, como também, durante o período até que o crime seja exposto, a pessoa vive em pavor constante, incapaz de dormir com a cabeça tranquila no travesseiro. Portanto, não há ser mais tolo do que aquele que pratica o mal e a injustiça. Por isso, como diz o título: “Ó Insensato! Teu Nome é Malvado.” Desfrutar a Vida Hikari nº 27, publicado em 17 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Desta vez, o Sr. Katayama, líder do Partido Socialista, ao retornar ao país, declarou em seu primeiro discurso que, atualmente, as populações da Europa e da América, tendo aprendido a lição com a guerra, estão empenhadas em evitá-la e, em última análise, têm como objetivo desfrutar a vida. Essa expressão “desfrutar a vida” é a chamada realidade do mundo de Miroku e também o nosso ideal. No entanto, o mundo de hoje está longe de ser um lugar onde se possa desfrutar a vida; isso não passa de um sonho diurno, e a realidade não é senão sofrer na vida. Quando se abrem os olhos e se observa esta sociedade, vê-se o ser humano cercado de inúmeros sofrimentos. Não apenas as relações internacionais, mas também a política, a economia, a educação e o pensamento de cada nação — nada disso é bom; são apenas causas de sofrimento. Diante do Inferno dos dias de hoje, como descrito acima, resolver tudo e salvar a humanidade é a mais difícil das tarefas difíceis. Nem a religião, nem a ciência, nem a educação, nem a moral, nem quaisquer doutrinas, nem os diversos movimentos tiveram até hoje efeito algum. É como tentar apagar um grande incêndio com um balde d’água. Então, o que seria capaz de salvar verdadeiramente este mundo? Não pode ser senão um poder de magnitude sem precedentes. No entanto, senhores, esse sonho está prestes a se concretizar. Ou seja, é o advento da nossa Igreja. É o poder do Deus Onipotente, o poder de salvação que toda a humanidade esperava há milhares de anos. Uma vez surgido esse poder, virá pela primeira vez a era de desfrutar a vida, como disse o Sr. Katayama, e ela já se aproxima diante de nossos olhos. Embora seja compreensível que seja difícil de acreditar, nós estamos atuando com absoluta convicção. A Degradação da Sociedade Atual Hikari nº 47, publicado em 28 de janeiro do ano 25 da Era Showa (1950) O estado atual da sociedade nunca antes esteve tão deteriorado como hoje. A prova mais evidente disso é o aumento vertiginoso dos crimes, a superlotação das prisões, o grande número de processos judiciais não resolvidos e a quantidade considerável de casos arquivados sem solução. Esses fatos são apenas o que aparece na superfície — ou seja, a ponta do iceberg. Gostaria de relatar aqui a minha experiência. Naturalmente, encontro-me com muitos seguidores, mas também entro em contato com pessoas de todas as camadas da sociedade. Procuro evitar ao máximo encontrar-me com não seguidores, mas há ocasiões em que não posso deixar de fazê-lo. Dessa forma, acabo tendo contato com suas conversas e ações, e é raro encontrar alguém verdadeiramente confiável. De vez em quando, há pessoas que parecem ter caráter, mas a grande maioria é composta de indivíduos realmente desagradáveis. Acima de tudo, mentem sem o menor constrangimento — mentiras que se desmancham logo em seguida. Não: mentem até mesmo durante uma conversa frente a frente. Isso é muito claro para mim, e ouvir essas mentiras é uma dor insuportável. Além disso, o fundo de seus corações é apenas a intenção de me enganar para obter dinheiro ou bens materiais; por isso, ultimamente, tenho evitado encontrá-los quase que absolutamente. Eles parecem me considerar um filhinho de papai muito rico e me subestimam desde o início. No entanto, como consigo escapar habilmente, eles ficam surpresos — o que é realmente cômico. Muitas vezes, eles se arrependem, achando que não era para ser assim, tão grande é a surpresa. São verdadeiramente tolos. Como sempre digo, fico tentado a perguntar se é possível salvar toda a humanidade sendo enganado por esses tanukis e texugos. Pensem bem: se eu fosse tão ingênuo, não seria possível que centenas de milhares de pessoas me respeitassem nem que eu alcançasse grande desenvolvimento em tão curto período de tempo. Essa realidade é completamente invisível para eles. Pelo exposto, é surpreendente a quantidade de pessoas assim hoje em dia. No entanto, suas artimanhas são extremamente engenhosas, a ponto de causar admiração. Sempre penso que, se usassem essa inteligência para o bem, teriam sucesso — e lamento por isso. Mas, recuando um passo e pensando, é por se tratar de algo ruim que a inteligência surge; eles sabem que, para as boas ações, isso não funciona e, por isso, recorrem ao mal. Em suma, são verdadeiros tolos que se julgam espertos na superfície. O interessante é a diferença abissal entre seguidores e não seguidores. Enquanto o contato com eles é extremamente perigoso, ao encontrar os seguidores, sinto-me verdadeiramente confortável, como se estivesse encontrando meus próprios filhos. É uma diferença tão grande quanto a que há entre um demônio maligno e um deus. Refletindo profundamente sobre isso, pergunto-me se a presença ou ausência de fé pode fazer tanta diferença, e sempre chego à conclusão de que, em última análise, quem não tem fé nem sequer pode ser considerado parte da humanidade. Diante disso, é necessário fazer com que, pelo menos, mais uma pessoa se torne seguidora. Caso contrário, o futuro do Japão é verdadeiramente alarmante, e não posso deixar de sentir um frio no coração. Fragmentos Médicos (II) – Transfusão de Sangue Hikari nº 33, publicado em 29 de outubro do ano 24 da Era Showa (1949) O sangue é a materialização do espírito, como sempre afirmamos. Naturalmente, também na transfusão de sangue, se o espírito for fortalecido por meio da Irradiação Espiritual, produzir-se-á o mesmo efeito. Assim, com cerca de cinco minutos de Irradiação Espiritual, o efeito equivaleria a uma transfusão de aproximadamente duzentos gramas de sangue. Sendo assim, pode-se dizer que a capacidade de Irradiação Espiritual dos fiéis da nossa Igreja é verdadeiramente grandiosa. A Verdadeira Causa da Ansiedade Social Hikari nº 25, publicado em 3 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Atualmente, conforme declarações das autoridades, sou frequentemente questionado: “O número de criminosos está aumentando, o que é preocupante. O que devemos fazer para resolver isso?” Gostaria de expor minha opinião sobre este assunto. Falando sem reservas, o homem moderno ainda não está completo como um verdadeiro ser humano. Isso porque ainda possui uma grande quantidade de elementos bestiais. Pode-se dizer que é meio animal, meio humano. Talvez pensem que estou sendo severo demais, mas é a verdade, e não há como evitar. Ao expor as razões, o leitor certamente compreenderá, pensando “de fato”. Atualmente, como métodos de prevenção do crime, existem instituições como a polícia, os tribunais e as prisões, além de um grande número de funcionários para operá-las e centenas e milhares de artigos de lei. Externamente, o sistema está tão completo que quase não resta brecha para o crime. Isso não difere em nada de construir gaiolas extremamente rigorosas, camada após camada, para proteger os seres humanos dos animais que lhes causam danos. Desde os tempos antigos, os homens têm lançado mão de sua sabedoria, mas, por mais que construíssem gaiolas, os animais as rompiam imediatamente. Assim, gradualmente, foram criando redes cada vez mais engenhosas e de malhas mais finas — e essa é a atual situação da prevenção criminal. Observem: as leis aumentam a cada ano, e isso nada mais é do que tornar as malhas da rede mais finas. A razão pela qual precisamos agir dessa forma é que os homens-animais estão afiando as garras e rangendo os dentes para romper as gaiolas; essa é a origem da ansiedade social. Na verdade, embora exteriormente sejam humanos, interiormente são feras. Se fossem verdadeiros seres humanos, deveria surgir uma sociedade que não necessitasse de gaiolas. Apenas aquele que, mesmo solto em qualquer lugar, jamais cometesse atos maus é que é digno do título de ser humano. Por mais que a cultura avance, o fato de a decadência moral persistir se deve a que os meios para romper as gaiolas superam os meios para impedi-lo. É por isso que sempre dizemos que a cultura atual é uma cultura distorcida, em que apenas o materialismo se desenvolveu. Com base no exposto, pode-se dizer que o verdadeiro mundo dos seres humanos é aquele em que não existem leis nem instalações de prevenção criminal, e que o objetivo pelo qual nos esforçamos atualmente é, justamente, criar esse mundo humano. Diálogo com um Certo Homem (II) Hikari nº 27, publicado em 17 de setembro do ano 24 da Era Showa (1949) Recentemente, tive um diálogo com um homem envolvido em um trabalho importante, de grande escala, na área policial. Interlocutor: Atualmente, o Japão está extremamente preocupado com a prevenção do comunismo. Para isso, é necessário fortalecer ainda mais a força policial, mas há razões que tornam difícil aumentar o número de policiais. Portanto, precisamos fortalecer ainda mais as funções da polícia nacional tal como está. Em caso de emergência, faz-se necessária uma ação conjunta extremamente rápida. Por isso, estamos nos esforçando atualmente. Meishu-Sama: De fato, isso também é bom. Quanto a salvar a emergência imediata, concordamos que não há outra escolha senão essa. Isso, porém, é apenas temporário; não é fundamental nem permanente. Assim, é necessário, de qualquer forma, um alvo espiritual, além dos métodos materiais. Para isso, naturalmente, é a fé. As religiões estabelecidas, é claro, não têm poder — a realidade atual o demonstra. É imprescindível uma nova religião poderosa, como nunca existiu antes. Para explicar de forma simples, é como a medicina atual, cujo método consiste em considerar os micróbios a causa de todas as doenças. Em virtude disso, o medo dos micróbios é extremo, e pode-se dizer que tanto o governo quanto o povo sofrem de uma fobia de micróbios. Isso ocorre porque há o perigo de se contrair uma doença se os micróbios invadirem o corpo e, atualmente, esse é um recurso inevitável. No entanto, a lógica é a mesma: o problema estaria resolvido se houvesse um corpo saudável que não adoecesse, por mais que os micróbios o invadissem. Ou seja, seja o comunismo, seja qualquer outra ideologia, se for algo bom, que se adote; se for algo ruim, que se rejeite. Basta que o povo tenha o poder de fazer essa distinção. Esse poder de discernimento é exatamente igual a um corpo saudável que não é afetado por micróbios; é, por assim dizer, um corpo saudável do pensamento. Para isso, não há outro caminho senão por meio de uma religião com poder. Portanto, o ideal é que o fortalecimento da polícia e o fortalecimento da religião avancem lado a lado. Interlocutor: "Compreendi bem. Gostaria que a sua religião também se empenhasse bastante." Assim disse e foi embora. A Morte do Grande Ator Kikugorō Hikari nº 21, publicado em 6 de agosto do ano 24 da Era Showa (1949) Deve haver quem tenha ficado bastante decepcionado ao saber da morte de Kikugorō. Eu sou um deles. Lembro-me, a esse respeito, de que Kikugorō, após receber o Johrei de um discípulo meu há alguns anos e melhorar consideravelmente de uma doença crônica, manifestou também o desejo de fazer o curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu). O problema é que ele só aceitava se fosse diretamente com o Grão-Mestre. Como minha regra era não fazer diretamente o curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu), vi-me obrigado a recusar. Quando contei isso a alguém, essa pessoa disse: "Parece ser a personalidade de Kikugorō", acrescentando que era devido à sua inteligência excepcionalmente elevada. Mas foi exatamente por ter essa personalidade que ele provavelmente se tornou um ator tão notável. Por essas razões, foi realmente uma pena que a oportunidade se perdesse. Se tivesse feito o curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu) naquela época, provavelmente não teria morrido ainda. No entanto, soube que Kikugorō gostava muito de injeções e, ultimamente, aplicava não sei quantas injeções em si mesmo todos os dias. Eu achava aquilo perigoso e cheguei a comentar com alguém. A causa da morte, sem dúvida, foi o excesso de injeções; é um fato incontestável. Segundo consta, o Teatro Kabuki, atualmente em reforma, tem previsão de ficar pronto no outono do ano que vem, e já estava decidido que o grande atrativo da espetacular peça de estreia seria, Portanto, imagina-se o desânimo do Sr. Otani e de todos os envolvidos. Lembrei-me de outra coisa. Há cerca de dez anos ou mais, fui procurado pela esposa do Sr. Otani para tratar de uma doença. Na ocasião, sabendo que ela tomava injeções, disse: "Injeções e terapia dos espíritos de divindades são contraditórias; não terão efeito se feitas juntas. Se parar com as injeções, eu a tratarei." Ela, porém, respondeu: "Se não tomar injeção, não me sinto disposta; não tenho ânimo nem para falar com meu marido quando ele volta para casa. Portanto, não posso parar as injeções de jeito nenhum." Assim, fui obrigado a deixar como estava. Estava completamente viciada em injeções; não havia o que fazer. Pouco tempo depois, soube que ela morrera. Como explicar que, ultimamente, atores importantes estejam morrendo um após o outro? Quem se importa não pode deixar de se fazer essa pergunta. Na verdade, o mundo do teatro está se tornando cada vez mais solitário. Com a morte do Sexto e com Kichiemon também debilitado pela doença, o que será do Kabuki? Mesmo sem isso, as opiniões sobre o futuro do Kabuki já se dividem entre otimismo e pessimismo. Se não houver atores principais de peso, pensar se os jovens conseguirão sustentar tudo sozinhos é algo realmente preocupante. Aproveitando o ensejo, escreverei sobre outro ponto que o público em geral considera incompreensível. Refiro-me à morte prematura dos atores especializados em papéis femininos (onnagata), algo que todos conhecem. A esse respeito, certa vez fui chamado para tratar o famoso onnagata de então, o Mestre Ichikawa Shōchō. Ao examiná-lo, constatei um nódulo muito forte, do pescoço aos ombros. Percebi então que isso se devia ao uso constante de perucas pesadas. Com o processo de purificação desse nódulo, a febre surge facilmente. Naturalmente, como também aparecem tosse e catarro, o médico diagnostica tuberculose. Isso se torna a causa da morte e leva ao falecimento precoce. A solução para isso, certamente, não existe fora do Johrei da nossa Igreja. Por fim, gostaria de acrescentar uma palavra sobre a arte do Mestre. É inegável que o Mestre Kikugorō ocupava o trono como a maior figura do teatro Kabuki contemporâneo, e todos o reconheciam como tal. As razões para isso são, evidentemente, sua dança, à qual ninguém mais conseguia igualar-se, e o fato de ter rompido com os modelos do Kabuki. É inegável que essa arte de quebrar modelos foi influenciada pelo nono Danjūrō. E em que consistia, especificamente, essa influência? Provavelmente, em nunca agradar ao público. Por volta dos meus vinte anos, eu gostava tanto da arte de Danjūrō que ia vê-lo com frequência. Pretendo escrever detalhadamente sobre Danjūrō em minhas "Conversas Casuais de Jikan"; portanto, limitar-me-ei aqui a apenas um ou dois pontos. Como já disse, ele nunca agradava ao público. Pelo contrário, parecia até considerar que agradar ao público era uma decadência da arte. Conta-se que, se houvesse uma cena que agradasse ao público, no dia seguinte ele a mudava. Dizem que ele explicava: "O público aplaude porque há uma falha na arte. Quando a arte atinge o ápice, as pessoas se esquecem até de aplaudir." Dizem também que ele afirmou: "Prefiro ser reconhecido por um único conhecedor a ser reconhecido pelas massas." Nesse ponto de sua visão elevada, ele era verdadeiramente um artista raro no mundo. Por isso, em seu palco, não havia nenhum artifício técnico como o de outros atores. Não havia movimento; ele expressava a emoção real apenas pela expressão dos olhos e, mesmo assim, sentia-se uma força impressionante. Do nosso ponto de vista, tratava-se inteiramente do poder do espírito invisível. Em contraste, a maneira como os artistas de hoje se esforçam apenas para bajular o público é algo que nos faz franzir a testa diante de tamanha baixeza — e não podemos deixar de sentir saudades de Danjūrō. Desviei-me bastante do assunto, mas é certo que a arte do Mestre Kikugorō foi inteiramente influenciada por Danjūrō. Gostaria de dedicar este texto ao espírito do Mestre.

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