⚠️ Uso exclusivo do Goshinsho: não autorizamos a reprodução deste conteúdo sem autorização expressa. Tradução em revisão — pode conter erros.
A Caligrafia Expressa a Personalidade
=De um diálogo com um certo fiel=
Eikō nº 179, publicado em 15 de novembro do ano 15 da Era Showa (1940)
Interlocutor: O senhor pratica caligrafia há muito tempo?
Meishu-Sama: Pratico há cerca de vinte anos.
Interlocutor: A caligrafia dos chineses é muito vigorosa, de traços grossos, sem se preocupar em excesso com detalhes minuciosos, e é firme.
Meishu-Sama: Na China, a melhor é a de Wang Xizhi — é excelente. No Japão, a de Kōbō Daishi também é excelente. Mas ser excelente e ser interessante são coisas diferentes. Na China, o calígrafo cujos caracteres são interessantes é o Mestre Wuzhun; tenho em minha posse a melhor obra dele. No Japão, o mais interessante deve ser o Mestre Daito, fundador do Templo Daitoku-ji, em Quioto. Os caracteres de Ikkyu também são muito bons. Mesmo na caligrafia, há vários tipos: caracteres excelentes, interessantes, habilidosos e elegantes. Eu aprecio muito a caligrafia do Mestre Ikkyu, mas seus caracteres não são tecnicamente bons. Ainda assim, não transparece neles a intenção de escrever bem — o que é bom é que ele escreve como lhe vem, com naturalidade. Na maioria dos casos, essa intenção transparece; é o que se vê nos caracteres de Takuan. Há uma ambição de escrever bem ou de escrever de forma diferente, e isso se torna um certo vício. O mais puro e sincero é Ikkyu.
Interlocutor: Vi em algum lugar um retrato do Mestre Ikkyu; sua expressão é realmente despojada e livre. Dizia-se que a caligrafia do falecido Senhor Konoe era boa, e parece que ele escreveu a placa quando o Ministério da Grande Ásia Oriental foi criado.
Meishu-Sama: Naquela época, também vi aquela placa; achei que era uma boa caligrafia, perguntei e soube que era do Senhor Konoe. Afinal, mesmo na caligrafia, tudo depende da pessoa — isto é, da personalidade. Tanto na caligrafia quanto na pintura, em última análise, pincel e tinta servem para expressar a personalidade. Por isso a caligrafia dos calígrafos profissionais não é interessante: é feita apenas de modo superficial. Não exprime personalidade; é, em suma, técnica.
O interlocutor do diálogo na ocasião foi o Sr. Tsuneatsu Tamesato, subchefe do Departamento de Ciência do Jornal Yomiuri Shimbun. O trecho acima é parte da conversa que teve com Meishu-Sama quando foi recebido em audiência no outono do ano passado, na Vila Hakone Kōzan-sō.
Discurso de Ano Novo
Eikō nº 241, publicado em 1 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Em se tratando de discursos de ano novo, geralmente se escrevem coisas previsíveis; por isso não costuma haver muito entusiasmo.
Este ano, porém, ao contrário dos anteriores, há grande entusiasmo, e a pena salta enquanto escrevo. Como é sabido, a nossa Igreja completou três anos desde a "dispersão das flores e a frutificação" [*], e hoje parece que os frutos cresceram consideravelmente. Em primeiro lugar, porque o Templo Messiânico no topo do terraço panorâmico — o rei do Paraíso Terrestre em Atami — finalmente será concluído neste outono.
Junto com ele, o Palácio de Cristal no terraço panorâmico também deverá ser concluído em data auspiciosa. O Museu de Arte, com um ano de atraso, está previsto para ser concluído no ano que vem. Assim, a conclusão do Paraíso Terrestre em Atami está bastante próxima. E, apenas com a conclusão do Templo e do Palácio de Cristal, sua grandiosidade já será tamanha que não deixará os observadores indiferentes.
Afinal, ambos são construções de estilo inteiramente novo, sem precedentes não só no Japão, mas também fora dele. Os jardins que os cercam também receberão uma ornamentação paradisíaca esplêndida, com árvores verdes e flores coloridas. Se for possível contemplar de uma só vez a paisagem que vai do distante mar e das montanhas de Izu até a Península de Miura e Boso, surgirá provavelmente um grande reino artístico sem igual no mundo, que não desonrará o nome de Paraíso Terrestre. Quando isso acontecer, não será exagero dizer que será, mais do que um local de renome japonês, um local de renome mundial. Isso fica claro pelo fato de que um jornalista americano que o visitou recentemente, além de elogiá-lo entusiasticamente, fez tal afirmação. O Museu de Arte, por sua vez, será superior ao de Hakone em todos os aspectos — tanto em tamanho quanto em instalações. Será, portanto, a cereja do bolo, e certamente se tornará um assunto de repercussão mundial — algo que já se pode esperar desde já.
Deixando isso de lado, a partir deste ano o desenvolvimento da nossa Igreja no Havaí e nos Estados Unidos deverá ser notável. Naturalmente, também no Japão o método do Johrei, o da agricultura natural etc. — o foco principal da nossa Igreja — gradualmente atrairão a atenção do público em geral, e num futuro próximo surgirão simpatizantes, em sucessão, em vários países do mundo. Como visto acima, uma vez que o programa de Deus entra cada vez mais em seu ponto culminante, que os senhores fiéis também se preparem mentalmente e avancem com coragem. Acima, esbocei rapidamente as diretrizes para este ano.
[*] Nota do tradutor: "san-ka-ketsu-jitsu" (散花結実, literalmente "as flores caem e os frutos se formam") é uma expressão que descreve metaforicamente a passagem da fase de floração para a fase de frutificação, referindo-se ao período de consolidação dos ensinamentos.
Definição de Superstição
Eikō nº 74, publicado em 18 de outubro do ano 25 da Era Showa (1950)
A expressão "definição de superstição" é algo que raramente se ouviu até hoje; mas é interessante notar que, na verdade, até a superstição tem sua definição. Considerar superstição aquilo que não é superstição também é um tipo de superstição. O fato de algo que se faz acreditando ser bom resultar em algo ruim também se deve à superstição. Tomar um remédio que não faz efeito, acreditando que funciona, e recomendá-lo a outros é igualmente superstição; e aplicar fertilizante — ainda que não adubar renda mais colheita do que adubar — também é superstição. Pensar que, mesmo fazendo o mal, ninguém saberá, e acabar sendo pego na rede, também se deve à superstição, ainda que, nesse caso, se some a isso um toque de tolice. É o que acontece com diretores e funcionários públicos que pensam ter feito algo esperto às escondidas, mas são descobertos e se tornam criminosos. Há também casos em que se pensou que uma educação rigorosa das crianças as tornaria pessoas excelentes, mas elas se tornam delinquentes juvenis inimagináveis. Isso também é uma superstição da educação.
Se eu escrevesse sobre tudo isso, não teria fim, e acho que já deu para entender até aqui. O estranho, porém, é que coisas insignificantes — adivinhos, calendários e omikuji — são tratadas com grande alarde como superstições. De fato, essas também não deixam de ser superstições, mas superstições tão pequenas que não chegam a ser problema. Talvez seja por se apegarem a essas coisas tão mesquinhas que, ao contrário, não percebem as grandes superstições mencionadas anteriormente.
E, falando de religião, também nela existem a superstição e a fé correta. Isto é, há aquelas que são sete partes de fé correta e três partes de superstição. Por outro lado, há aquelas que são sete partes de superstição e três partes de fé correta. Nesses casos, a primeira, com suas sete partes de fé correta, comove-se e elimina as três partes de superstição; a última, com suas três partes de fé correta, elimina as sete partes de superstição. Pode-se dizer que a maioria das pessoas no mundo que acreditam em deuses e budas se enquadra aproximadamente nesses tipos. No entanto, os materialistas veem isso pelo lado oposto; e jornalistas e intelectuais que, observando apenas o aspecto supersticioso de ambos, o exageram e o atacam como superstição parecem constituir a maioria desse lado.
Dessa forma, sendo verdade que não existe superstição absoluta nem fé correta absoluta, seja na religião ou em qualquer outra coisa, ao se fazer uma crítica, quanto maior a proporção de elementos de fé correta em relação aos de superstição, mais valiosa ela será.
Portanto, deve-se abrir bem os olhos da percepção e cuidar para não se equivocar. A definição de superstição é, em suma, a que ficou exposta acima.
A Conclusão do Quadro Mundial
Eikō nº 75, publicado em 25 de outubro do ano 25 da Era Showa (1950)
Muitos dos meus ensaios trazem opiniões nunca antes expressas por ninguém, mas este é particularmente extraordinário, sem precedentes, e peço que seja lido com esse entendimento.
Em primeiro lugar, todas as religiões estabelecidas que existem atualmente possuem suas respectivas peculiaridades, e não há duas que sejam exatamente iguais.
Isso se deve ao profundo Plano Divino, e parece que até hoje ninguém explicou o seu significado. Se até agora tivesse surgido uma única religião perfeita, os seres humanos estariam satisfeitos com ela, e não haveria razão para se perderem em dúvidas sobre qual caminho seguir. Consequentemente, não haveria necessidade de controvérsia alguma, nem divisões ou seitas religiosas, nem heresias doutrinárias; todos, satisfeitos com um único objetivo, viveriam em harmonia e cordialidade — o que seria verdadeiramente ideal. Apesar disso, o estado caótico do mundo como o de hoje não deveria existir. O fato de não ser assim tem, na verdade, um grande significado, e é sobre isso que pretendo esclarecer a Vontade Divina. Existe no mundo a palavra "planejamento" (keikaku), mas o caractere "pintura" (kaku) nela contido possui um significado profundo.
Isso porque as religiões estabelecidas até hoje foram como as muitas tintas necessárias para pintar um grande quadro mundial. Chegou, porém, o momento de reunir essas cores variadas e compor uma pintura multifacetada; o esboço ficou exatamente conforme o ideal, e agora estamos prestes a ver o grande pintor usar sua última habilidade. Naturalmente, o tema da pintura é o Paraíso Terrestre, e o pintor — quem mais poderia ser? — é o grande espírito divino salvador.
Assim, com a visão que se tem até hoje, não é fácil sequer vislumbrar uma parte dessa grandiosa concepção. O que foi dito acima diz respeito ao aspecto religioso.
Juntamente com isso, porém, todos os outros pensamentos e culturas, cada um com sua respectiva missão para a realização do Paraíso Terrestre, estão prestes a iniciar um avanço em passo sincronizado. Ao pensar nisso, não podemos deixar de sentir o sangue ferver e a carne vibrar; lembrando-nos da honra de ter nascido nesta oportunidade única, que surge uma vez a cada mil anos, agradecemos a Deus por esta alegria de participar do grande Plano Divino.
IV. Educação — A Superstição Ateia
Eikō nº 134, publicado em 12 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Recentemente, um dos assuntos que mais tem agitado as páginas dos jornais é o problema da corrupção de funcionários públicos.
E, como é de conhecimento geral, os casos surgem um após o outro, dando a impressão de que não têm fim.
Basta olhar à volta para ver que o mundo dos funcionários públicos está completamente corrompido em toda parte, tal como um paciente com sífilis em terceiro estágio, em quem, não importa onde se aperte, sai pus. Provavelmente nunca se ouviu falar de uma corrupção tão profunda como esta. Diante disso, as autoridades, julgando que precisam fazer algo, parecem empenhar-se em encontrar medidas; mas isso também é algo previsível: como de costume, provavelmente se limitarão a tentar disciplinar a conduta dos funcionários públicos. Embora essa atitude seja inevitável, como tais medidas são apenas paliativos temporários e não tocam a raiz do problema, é certo que, mais cedo ou mais tarde, problemas semelhantes surgirão novamente.
Relacionado a essa questão, há também o que tem sido ruidosamente comentado ultimamente: a atuação oculta dos chamados "homens de negócios que usam empresas". Diz-se que eles convidam vários funcionários públicos para restaurantes, casas de encontro etc., os tratam com banquetes, os "desossam" e, assim, ganham muito dinheiro com facilidade. Os gastos necessários para isso devem atingir valores imensos. Nem é preciso dizer que esse dinheiro é repassado aos preços e impostos, e o ônus recai sobre o povo. Pensando bem, o povo é quem acaba sendo o grande prejudicado. Por essa razão, esse problema precisa ser resolvido de forma radical o mais rápido possível; mas, infelizmente, tanto as autoridades quanto os intelectuais desconhecem a causa raiz, e a realidade é que não há o que fazer.
Por isso, desejo ensinar um método que certamente pode resolver esta questão. Em primeiro lugar, o que contraria a lógica é que os responsáveis por esse problema são, quase sem exceção, pessoas que receberam educação superior ou uma educação considerável. Parece, portanto, que não há muita relação entre educação e crime. No entanto, o senso comum da sociedade acredita piamente que uma pessoa que recebeu educação superior jamais cometeria a tolice de cometer um crime. Essa é, provavelmente, a concepção social atual. De fato, é compreensível pensar assim, pois os crimes violentos não são cometidos especialmente pelos intelectuais. Mas a verdade é que eles apenas não usam a violência; em vez disso, agem de forma inteligente, o que torna as consequências ainda mais graves. Além disso, como são pessoas de posição social, a influência que exercem sobre a sociedade em geral não é pequena.
Então, por que os intelectuais cometem crimes tão abomináveis? Há uma razão importante para isso, e gostaria de começar a analisar este ponto. A causa raiz é que há um grande defeito em sua psicologia. Trata-se de uma concepção materialista de que, se fizerem qualquer tipo de injustiça de forma habilidosa, desde que não seja descoberta pelos olhos dos outros, tudo se resolverá bem. No entanto, inesperadamente, o caso acaba sendo exposto de lugares que eles nem imaginavam, causando-lhes grande surpresa e fazendo-os coçar a cabeça.
Imaginemos o estado de espírito deles nessa situação: "Eu fiz tudo tão habilmente, mas acabei sendo descoberto. Eu conheço bem as leis, então pensei que não cometeria a tolice de cair na malha da lei, mas não entendo como isso resultou nisso. Mas, como o que está feito está feito, vou fazer o possível para que a pena seja leve e, se um dia eu voltar a ser funcionário público, vou agir com ainda mais habilidade." Esse deve ser o pensamento da maioria. É claro que deve haver alguns funcionários públicos dignos, que pensariam: "Foi um erro total ter me envolvido neste caso de corrupção. Eu estava errado. Vou aceitar a punição com dignidade e, aproveitando esta oportunidade, regenerar-me como uma pessoa decente." No entanto, mesmo que pensem assim por um momento, com o passar dos dias essa determinação vai se afrouxando gradualmente, e eles acabam voltando ao estado anterior.
A razão para isso é que todos eles são, invariavelmente, ateus. Então, como resolver este problema pela raiz? A resposta é, obviamente, a fé. É fazê-los reconhecer a existência de Deus através da fé. Afirmo que absolutamente não existe outro método eficaz além deste. Isso porque, como já disse, a psicologia criminosa deles se baseia na crença simplista de que não existem deuses ou budas neste mundo, e que sobre a Terra só existe ar, nada mais. No entanto, quando dizemos que, embora não seja visível aos olhos, Deus certamente existe, eles concluem que estamos presos a superstições. Mas é justamente porque Deus realmente existe que dizemos que Ele existe, e o fato de eles não pensarem assim revela a terrível superstição ateísta que está oculta neles. Se é assim, eles são verdadeiramente dignos de pena, e, como essa forma de pensar é o terreno fértil para a psicologia criminosa, é demasiadamente óbvio que a chave para a solução do problema está em destruir essa superstição.
Então, por que eles caíram nessa superstição? Sem dúvida, é porque, desde a infância, foram bombardeados com uma educação materialista, tornando-se prisioneiros da superstição do materialismo como princípio supremo. Esclarecer este ponto é a nossa missão. Em outras palavras, trata-se de reeducá-los. E é somente através disso, de fato, que se podem formar pessoas que não cometem crimes. Portanto, enquanto os governantes e os intelectuais não despertarem para este fato, qualquer outro método não passará de um paliativo temporário. Em suma, o que é preciso é incutir no fundo de suas almas este único ponto: os olhos dos homens podem ser enganados, mas os olhos de Deus não podem ser enganados.
As Tangerinas de Quarenta Anos Sem Fertilizante
Eikō nº 133, publicado em 5 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Recentemente, um seguidor que cultiva tangerinas sem fertilizantes há quarenta anos me ofereceu algumas de suas frutas.
Apressei-me em prová-las e, de fato, seu sabor era tão extraordinariamente delicioso que é impossível descrevê-lo com palavras ou pela escrita; foi o sabor mais requintado que experimentei em toda a minha vida. A respeito disso, sempre recebo de seguidores frutas e hortaliças que, segundo dizem, foram cultivadas sem fertilizantes. De fato, elas são certamente mais saborosas que as comuns, mas parece que lhes falta algo, não podendo ser consideradas de sabor perfeito. Isso ocorre porque ainda resta veneno de fertilizante na terra ou nas sementes, e é necessário que se passem quatro ou cinco anos ou mais para que esse veneno se elimine completamente. Só então surge o sabor verdadeiro.
Sendo assim, se frutas tão puras, cultivadas sem fertilizantes como essas tangerinas, fossem vendidas em lojas, certamente se tornariam famosas, e não se sabe quantas seriam vendidas. Além disso, se fossem exportadas para o exterior, o valor das exportações atingiria cifras enormes, nunca antes vistas, e não há dúvida de que isso seria um grande benefício para a economia nacional. Pensei em coisas assim. No entanto, ouvi dizer que ultimamente estão surgindo lojas que vendem hortaliças chamadas "hortaliças puras", que não utilizam fezes humanas. De fato, isso previne lombrigas e outros parasitas, mas, uma vez que usam fertilizantes químicos, é certo que o sabor não é bom. Portanto, para os seguidores que têm experiência nesse ramo, sejam hortaliças ou frutas cultivadas sem fertilizantes, se as cultivarem em grande escala e as venderem, tenho certeza de que ganharão dinheiro.
Contudo, não se trata apenas de ganhar dinheiro. Isso também servirá de propaganda real do cultivo natural, matando dois coelhos com uma só cajadada. Que tal? Penso que os seguidores deveriam começar imediatamente.
Suavidade e Refinamento
Eikō nº 75, publicado em 25 de outubro do ano 25 da Era Showa (1950)
De modo geral, o que mais falta aos seres humanos modernos é, provavelmente, a suavidade e o refinamento. Primeiramente, vou escrever focando em nossa Igreja. Por exemplo, para saber o quanto a fé de alguém progrediu e o quanto sua alma e seu corpo foram lapidados, há um padrão, e não é algo tão difícil. Acima de tudo, a pessoa deixa de gostar de competir com os outros; brotam a suavidade e o refinamento. Pode-se considerar que a pessoa está lapidada quando adquire esse coração e essa atitude, e é neste ponto que se encontra o maior valor da fé. Uma pessoa que se torna assim é amada e respeitada por todos e torna-se uma propaganda silenciosa. No mundo de hoje, porém, essa suavidade e esse refinamento estão extremamente ausentes. Onde quer que se olhe, vê-se apenas a procura de falhas alheias, o ódio e a censura excessiva — coisas verdadeiramente feias que saltam aos olhos. Sobretudo, pode-se dizer que falta ao homem moderno o refinamento quase por completo. Em tudo, há um apego obstinado ao próprio interesse, uma tendência a expor tudo, um espírito argumentativo e pouca preocupação em ser detestado pelos outros — o que só se pode ver como um liberalismo que degenerou em egoísmo. O mais lamentável é a tendência a expor os assuntos alheios, o espírito de exclusão e a extrema frieza de sentimentos.
Como esse tipo de pessoa se multiplica, a sociedade se torna sombria e fria, e os pessimistas em relação à vida aumentam cada vez mais; talvez seja também nisso que resida a causa do grande número de suicídios nos últimos tempos. Por isso, a verdadeira sociedade culta é aquela em que aumentam as pessoas que seguem princípios como o cavalheirismo britânico ou o espírito filantrópico americano, e em que, pela boa prática da moral social, nasce uma sociedade agradável e boa de se viver. Se essa sociedade assim constituída é o próprio Paraíso neste mundo, então o Paraíso está, de fato, bem ao nosso alcance.
Olhando por outro ângulo, hoje se proclama que a indústria do turismo é uma questão da mais alta urgência como política nacional. De fato, as instalações materiais são muito necessárias, mas causar boa impressão aos visitantes estrangeiros deve ser uma necessidade ainda maior. Isso porque, ao lidar com os visitantes estrangeiros, reunir estas três qualidades — gentileza, refinamento e limpeza — será, sem dúvida, o meio mais eficaz de atrair estrangeiros, e que não custa um único centavo. E a condição fundamental para formar esse tipo de pessoa é, sem dúvida alguma, a fé; é sob essa orientação que nossa Igreja avança com determinação.
Leiam Grandemente os Escritos Divinos
Eikō nº 80, publicado em 29 de novembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Até agora, como se sabe, a propagação da nossa Igreja tem sido realizada por meio de dois elementos: o Johrei e as publicações. De agora em diante, porém, acrescentar-se-á mais um: a realização de reuniões de discussão e palestras em várias localidades para a propagação. Esta é, naturalmente, uma propagação através dos ouvidos. Ou seja, além da propagação pela cura de doenças e pela visão, que existia até então, a partir de agora se somará a propagação pelos ouvidos. Pode-se esperar que, por meio deste método trino, grandes efeitos sejam alcançados.
Naturalmente, a propagação pelos ouvidos consiste em, por meio das palavras, informar tudo o que diz respeito à nossa Igreja e transmitir quão excelente religião é a nossa Igreja. E, para fazer o interlocutor compreender, é necessário que nós também sejamos ricos em conhecimento doutrinário. Afinal, é preciso despertar no ouvinte o sentimento de que "a Igreja Messiânica é realmente algo magnífico, uma fé excelente; eu também quero me converter". Nesses momentos, muitos dizem: "Não sou bom em falar", "Não consigo falar bem", mas isso é um equívoco. Isso porque, por melhor que se fale, o coração do interlocutor não se move. Como sempre digo, o que move as pessoas é a sinceridade. A nossa sinceridade toca a alma do outro, ou seja, faz a alma vibrar; é apenas isso. A habilidade de falar bem ou não é algo secundário.
Mesmo que se movam as pessoas com ardor e sinceridade como acima, é necessário ter compreensão suficiente para isso. Sendo assim, o que importa é aprimorarmos nosso próprio conhecimento e, acima de tudo, ler os Escritos Divinos o máximo possível.
Além disso, como somos questionados em muitas ocasiões, se não formos capazes de responder com clareza e precisão a cada pergunta, o interlocutor certamente não se convencerá. Portanto, por mais difícil que seja a questão, devemos dar uma explicação que o interlocutor possa compreender. Nesse ponto, deve-se ter especial cuidado, pois há pessoas que, pressionadas, dão respostas falsas. Quando o interlocutor as ataca veementemente, elas tentam se esquivar momentaneamente com algo que não está em seu coração — mas isso é absolutamente imperdoável.
Ainda que se seja seguidor de Deus, não é permitido proferir mentiras. Se não se sabe algo, basta dizer honestamente que não se sabe. No entanto, as pessoas tendem a querer fingir que sabem, imaginando que, se disserem que não sabem, o interlocutor as desprezará. Isso é o que há de pior, pois, ao contrário, acaba gerando um efeito reverso. Com efeito, quando se diz honestamente que não se sabe, o outro pensa: "Este mestre é uma pessoa honesta, portanto é digno de confiança". Por mais notável que uma pessoa seja, provavelmente não existe quem saiba tudo. Portanto, mesmo que haja algo que não se saiba, isso nunca é motivo de vergonha. Além disso, as perguntas que me fazem frequentemente versam sobre assuntos que já estão claramente escritos nos Escritos Divinos.
Isso se deve ao fato de que, no dia a dia, a pessoa negligencia por completo a leitura dos Escritos Divinos. O importante, portanto, é lê-los o máximo possível; quanto mais se lê, mais a fé se aprofunda e a alma se aprimora. Aquele que descuida dessa leitura vê seu poder espiritual diminuir gradualmente. Quanto mais a fé se aprofunda, maior é o desejo de ler com avidez, e o ideal é ler repetidas vezes até que o conteúdo penetre no íntimo. Naturalmente, quanto mais se lê, mais claramente se compreende a Vontade Divina.
Aproveito o ensejo para acrescentar mais uma consideração a respeito do Johrei. Quando não se consegue identificar a causa da doença, a pessoa tende a querer aparentar que sabe. Isso é o que há de pior. Pessoas assim, invariavelmente, quando a doença não cura como esperavam, fogem dizendo que se trata de algo espiritual. Para falar a verdade, é extremamente difícil discernir se a causa da doença é espiritual ou material. No entanto, como o ser humano é, originalmente, a união do corpo espiritual e do corpo material, no caso do Johrei não há distinção. Com efeito, se o espírito é curado, o corpo se cura; se o corpo é curado, o espírito se cura. Contudo, os praticantes de Johrei tendem a pensar que, se a cura ocorre com facilidade, é uma purificação comum; mas, se não ocorre, facilmente julgam tratar-se de algo espiritual. Isso é um grande equívoco. É exatamente o que fazem os médicos que, diante de uma doença de difícil cura, a rotulam como tuberculose.
Após a Morte do Ser Humano e o Reino Animal
Eikō nº 81, publicado em 6 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Já escrevi anteriormente que, após a morte, o ser humano, conforme seus pecados, pode cair no reino animal e, ao reencarnar, tornar-se um animal. Desta vez, trago o relato de um fato novo e vivo sobre esse tema, que apresento a seguir. Quem quer que o veja não terá mais espaço para dúvidas. Aproveito para fazer aqui um breve comentário: por que razão se cai no reino animal? A razão é que, enquanto se vive, nutrem-se pensamentos e sentimentos semelhantes aos dos animais e praticam-se ações próprias deles. Assim, ainda que a forma seja humana, o espírito já se tornou completamente animal. A morte, naturalmente, é o momento em que se abandona o cadáver neste mundo e apenas o espírito adentra o mundo espiritual.
Portanto, ao entrar no mundo espiritual, o ser é exatamente um animal. Diante disso, qualquer ser humano não pode deixar de se arrepender, mas, ainda assim, não é algo que se resolva facilmente. Assim, a maioria dos espíritos, arrependendo-se dos pecados cometidos em vida, deseja renascer como ser humano o mais rápido possível, mesmo que para isso tenha de passar por quaisquer práticas ascéticas, e busca expiar seus pecados em benefício do mundo e das pessoas. Por isso, os animais buscam voluntariamente o sofrimento e se dispõem ao sacrifício. No entanto, mesmo dentro do chamado reino animal, existem diversas variedades.
Isso se dá porque, de acordo com as ações praticadas no mundo atual, ocorre a correspondência. Por exemplo: os de forte apego nascem como serpentes; os que enganam os outros, como raposas; os insolentes, como cães-guaxinins; os que praticam espionagem, como cães; os imprudentes, como javalis; os preguiçosos, como gatos; os hábeis na Sabedoria Astuta, como macacos; os humanos que só querem acumular dinheiro aos poucos, como ratos; os que passam o ano todo vagando e detestam atividades, como bois; os ferozes, como tigres ou lobos; e os que, usando a vaidade da própria voz como motivo, cometem pecados, nascem como pássaros canoros.
Especialmente, os adeptos do XX-ismo, ao irem para o mundo espiritual, tornam-se dragões malignos ou demônios. É natural, portanto, que estes sofram por longos anos até a reencarnação, e isso talvez seja inevitável.
Escrevi acima um resumo, mas, em suma, o ser humano, enquanto vive, deve crer em Deus, praticar o máximo de boas ações possível e preparar-se para o pós-morte. É evidente que, como resultado, alcançará uma morte pacífica e, se for para o mundo espiritual, tornar-se-á um ser celestial do Paraíso e, na ocasião da reencarnação, tornar-se-á um afortunado. Esta é uma conclusão a que cheguei através de minha longa experiência, e afirmo que não há um único erro nisso.
Não Atrapalhem o Meu Trabalho (Parte 2)
Eikō nº 132, publicado em 28 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Em seguida, temos o museu de arte. Será um edifício de três andares, com aproximadamente mil tsubos de área total, e seu estilo também é uma questão importante. Embora seja basicamente no estilo de Le Corbusier, pretendo que seja uma obra de alcance mundial, que expresse plenamente o caráter de um museu de arte. Quanto às obras de arte que serão expostas, tanto em quantidade quanto, sobretudo, em qualidade, almejo o mais alto nível mundial. De fato, países como Estados Unidos, Inglaterra e França possuem museus e galerias de arte respeitáveis. No entanto, enquanto a maioria das peças expostas são obras ocidentais, este museu dará ênfase à arte oriental. A opinião dos apreciadores de arte ocidentais também é esta: quando se trata de arte mundial, a arte oriental é, sem dúvida, superior. Isso fica evidente pelo fato de que, recentemente, até mesmo no Ocidente, há uma grande dedicação em colecionar arte oriental. Por essa razão, há décadas eles voltaram sua atenção para isso e, gastando rios de dinheiro, adquiriram peças que hoje enchem seus museus nacionais. No entanto, num período tão curto de algumas décadas, é impossível atingir a plenitude, e isso é motivo de preocupação para os especialistas ocidentais.
Felizmente, em nosso Japão, há mais de mil anos, não apenas obras da China e da Coreia, mas também peças originais japonesas foram preservadas em todo o país, sem falta. Embora estejam dispersas, isso nos dá grande ânimo. No entanto, é lamentável que, atualmente, a maioria esteja praticamente em estado de depósito morto, mas não há como evitar. Afinal, diferentemente do Ocidente, até hoje o Japão não dispunha de instituições capazes de dar vida a essas obras e beneficiar o mundo. Ademais, diz-se que atualmente quase não restam obras de arte chinesas e coreanas em seus próprios países de origem. Tendo sofrido inúmeras guerras e incêndios ao
Eikō nº 69, publicado em 13 de setembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Embora o nome da nossa Igreja seja Igreja Messiânica, é certo que, por ter ela surgido para a salvação do último mundo, o nome não peca nem na forma nem no conteúdo. Pode-se, contudo, chamá-la também de Igreja da Criação. Explico-me. Desde os primórdios, ao longo de dezenas de séculos, a humanidade, incansável e inflexível, tem envidado todos os esforços para fazer a cultura progredir e se desenvolver, até chegar aos dias de hoje. Assim se criou a admirável, esplêndida e deslumbrante cultura que hoje vemos, cujos méritos, por mais que se exaltem, jamais se esgotam. Escusado dizer que esse esforço sempre teve por ideal a felicidade da humanidade; o fato, porém, é que a realidade se mostrou extremamente contrária às expectativas — e isso se deve à descoberta da fissão do núcleo atômico. Diz-se que ela pode ceifar milhões de vidas humanas num instante, algo que palavras como “terror” e “pavor” ainda são insuficientes para descrever.
Provavelmente, o sonho que tinha por objetivo a felicidade foi traído de modo inimaginável. Quem poderia ter previsto que uma desgraça tão grande viria a acontecer? Talvez nunca, em toda a história da humanidade, tenha havido desencontro tão inesperado quanto este.
Diante disso, a humanidade — ou, pelo menos, os homens cultos — deve investigar exaustivamente a verdadeira causa. Enquanto não se conhecer essa causa e não se encontrar uma solução, o progresso cultural futuro não terá qualquer significado. No entanto, mesmo a bomba atômica, quando usada como arma de guerra, torna-se um demônio terrível; se não for usada para esse fim, torna-se, evidentemente, um anjo da paz maravilhoso.
Por essa razão, na verdade, não é o caso de considerar a bomba atômica como o problema.
O problema está na própria guerra e, acima de tudo, não pode haver problema mais grave do que a erradicação da guerra.
Dito isso, há milhares de anos toda a humanidade tem envidado os maiores esforços para escapar da ameaça da guerra, e isso é coisa que todos conhecem até demais.
Apesar disso, a ameaça da guerra não só persiste como, na verdade, aumenta a cada novo conflito. É certo que isso pode decorrer do crescimento populacional, mas o avanço das armas acrescenta uma ameaça ainda maior. E, por fim, o que surgiu como o extremo disso foi a bomba atômica. Essa descoberta não é senão um indício de que está próximo o destino de a humanidade pôr fim à guerra. Acredito que foi a isso que Cristo se referiu ao dizer “o último mundo”. Pensando assim, a cultura estabelecida pode ser considerada um sucesso, mas não se pode negar que houve um grande fracasso que anula esse sucesso.
Vendo por esse ângulo, o mais adequado seria, após despertar para o fracasso da cultura estabelecida como descrito acima, lançar-se à criação de uma cultura inovadora. É, por assim dizer, um recomeço da cultura. O que é, então, essa criação de uma nova cultura? É essa a grande tarefa da humanidade atual. Acredito que a nossa Igreja se manifestou para responder a isso. Portanto, assumindo essa importante missão, a nossa Igreja Messiânica se propõe a realizar a grande obra da construção do Paraíso Terrestre, conforme a ordem divina.
Em primeiro lugar, como condição fundamental para isso, proclamamos a eliminação das doenças da humanidade; e, ao vermos que a estamos pondo em prática e obtendo resultados admiráveis, não há necessidade de muitas palavras.
Escusado será dizer que a verdadeira causa da guerra é a doença.
E, quando digo doença, não me refiro apenas às doenças do corpo, mas às do espírito. Eliminar essa doença do espírito da humanidade e conduzi-la à saúde é, sem dúvida, a solução fundamental. Fora isso, creio, a erradicação da guerra não passa de um sonho impossível.
Amor Correto e Amor Incorreto
Eikō nº 74, publicado em 18 de outubro do ano 25 da Era Showa (1950)
Costuma-se dizer que a fé é amor; mas, ainda que se fale apenas de amor, há muitas variedades. Há o amor correto, o amor incorreto, o amor grande, o amor pequeno, e assim por diante — variedades múltiplas e diversas. Por essa razão, os que têm fé não devem perder a compreensão correta a respeito do amor. Darei primeiro alguns exemplos.
No que diz respeito ao amor correto, não há por que censurar, por mais intenso que seja, o amor familiar entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, bem como o amor comum entre amigos, parentes, conhecidos etc., como seres humanos comuns que são. O problema é o amor incorreto. Este, nem é preciso explicar, é o oposto do anterior: a relação conjugal carece de harmonia, as relações entre pais, filhos e irmãos são frias, e as desavenças com amigos, parentes etc. tornam-no propenso ao distanciamento.
Esses casos são extremamente comuns no mundo, e ocorrem tanto pelo amor incorreto quanto pela falta de amor.
Acima, classifiquei brevemente o amor correto e o amor incorreto. No entanto, o que mais merece crítica dentre os amores é, sem dúvida, o amor romântico. Já discorri antes sobre o assunto; ainda assim, limitando-nos ao amor romântico, há nele grande diferença entre o correto e o incorreto. É claro que o amor mútuo entre jovens puros, com o objetivo de casamento, é amor correto. No entanto, o chamado amor romântico momentâneo e febril, movido por impulsos passageiros e caprichosos, tão comum no mundo, é, evidentemente, amor incorreto. Em suma, pode-se considerar que a ausência de lampejos de Sabedoria Sagrada é sinal de amor incorreto. Porém, quando o amor incorreto se desenvolve ao extremo, quase sempre gera tragédias. Isso porque, mesmo tendo já esposa ou marido, cria-se um novo objeto de amor romântico — e é isso que constitui o problema. Como resultado de se entregar a prazeres passageiros, a pessoa cai em uma vida de ruína, e há até mesmo quem perca a vida. Não há cálculo mais desvantajoso do que este, sendo algo que se deve evitar com o máximo cuidado.
Acima, critiquei brevemente o amor romântico correto e incorreto. O que mais desejo expor aqui, porém, é a grandeza e a pequenez do amor. Isto é, o amor familiar e o amor pelo círculo próximo, mencionados anteriormente, são amores do tipo Shojo, pertencentes à categoria do amor egoísta.
A maioria das pessoas comuns se enquadra nesse tipo, constituindo o chamado modelo da boa pessoa comum, que também existe entre os não crentes, sem que haja motivo particular para crítica. Porém, quando se trata de um verdadeiro crente, a situação é completamente diferente. O amor do crente é, sim, o Daijo, o chamado Amor Altruísta.
A expansão máxima desse amor Daijo é, justamente, o amor pela humanidade e o amor pelo mundo. O que se deve notar aqui é que os japoneses, até antes do fim da guerra, não conheciam o verdadeiro amor Daijo. O que era considerado o mais elevado era o amor pela nação. É fato amplamente conhecido que dedicar a vida pela nação era tido como o maior objetivo da vida. No entanto, isso é amor Shojo, e o resultado de se acreditar que este era o mais elevado foi a realidade atual do Japão, tão lamentável como hoje se vê.
Por essa mesma lógica, o amor étnico e o amor de classe também não são os verdadeiros. Portanto, mesmo que floresçam por um tempo, no final fracassarão inevitavelmente. Por isso, por mais que se lute em nome de uma “causa” limitada, não há possibilidade de grande realização, como já foi dito anteriormente. Assim, a única causa verdadeira é a causa mundial; e mesmo a religião, se não se voltar para ela, não pode ser considerada uma verdadeira salvação. É nesse sentido que a nossa Igreja ostenta a palavra “mundo”.
Sobre Doenças Tropicais
Eikō nº 81, publicado em 6 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
A maioria das pessoas que se mudam para regiões tropicais contrai doenças tropicais, como malária, dengue e calazar.
Vamos explicar, à luz da nossa terapia, a razão disso. Por natureza, o ser humano saudável está adaptado a responder ao clima e ao solo da terra em que habita. Por isso, quando se muda para uma terra de clima radicalmente diferente, o próprio corpo sofre alterações para se adaptar ao novo ambiente, e é por isso que ocorre a purificação. Ou seja, para enfrentar um clima intenso, é preciso fortalecer o sangue, e isso se faz tornando-o mais puro. Assim, quando a doença se manifesta e é deixada em paz, sobrevém a cura completa e, com ela, a imunidade. No entanto, pelo uso de medicamentos ou de outros métodos que interrompem a purificação, a pessoa acaba por sucumbir ou conserva a causa de uma recaída. Deve-se saber que essa razão é a mesma para as regiões frias e para muitas outras doenças endêmicas.
(Sem data)
Hortaliças Cruas
Outro dia, numa transmissão de rádio, disseram: “Caros ouvintes, parece que atualmente até oitenta por cento dos japoneses estão sendo afetados por parasitas. Por isso, por favor, mergulhem bem as hortaliças cruas em água fervente antes de comê-los.”
Vamos pensar um pouco sobre isso. É que algo verdejante e fresco, como a alface para salada, é saboroso; se a mergulharmos em água fervente, perde-se a graça. Ela fica murcha e sem viço, e só de olhar, o apetite foge. Considerando isso, se for uma alface de cultivo natural, não há absolutamente nenhuma preocupação desse tipo. Quão grato é isso, não é mesmo?
O Projeto do Paraíso Terrestre
Eikō nº 113, publicado em 18 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Quanto aos dois Paraísos Terrestres atualmente em construção em Hakone e Atami, além do que já escrevi, há ainda várias outras coisas a relatar; passarei a relatá-las.
Como costumo dizer, a beleza da paisagem natural — condição fundamental do Paraíso Terrestre — é evidente; mas também devem ser realçadas ao máximo a beleza das cores das árvores floridas, a das diversas árvores verdejantes, a das plantas e flores e a beleza própria de cada elemento da natureza, como rochas, riachos e lagos. Ao mesmo tempo, emprego todo o cuidado
Pode-se dizer que não há outro lugar que se assemelhe ao raro e singular Shinsenkyō (Terra Divina) de Hakone. Sobretudo no que diz respeito à abundância de rochas e pedras extraordinárias, não seria exagero afirmar que ele é o número um do Japão.
Quanto a Atami, as obras correm com urgência, e está previsto que, no mais tardar, ainda este ano, o jardim estará concluído. Aguardem, portanto, com expectativa. Como todos sabem, a beleza da paisagem grandiosa que se avista ao longe provavelmente não tem igual em todo o Japão. Além disso, não só a preparação do terreno, mas também o plantio de todas as árvores não devem demorar muito. Se, a partir da primavera do ano que vem, as flores desabrocharem em profusão — ameixeiras, pessegueiros, cerejeiras, azaleias e assim por diante —, qualquer pessoa que as contemple terá os olhos arrebatados por essa visão esplêndida e sentirá como se estivesse passeando no Paraíso deste mundo.
Escusado será dizer que, uma vez concluído, tornar-se-á, sem dúvida, um novo ponto turístico do Japão.
Acima, escrevi de modo geral apenas sobre a beleza natural. Agora, escreverei também um pouco sobre a beleza artificial que se seguirá. O museu de arte do Shinsenkyō está previsto para ficar pronto até maio do ano que vem, o que, de modo geral, completará o Paraíso Terrestre de Hakone. A arquitetura desse museu é inteiramente de meu projeto; portanto, aguardem para ver que tipo de construção surgirá. Quanto às obras de arte a serem expostas, já estabeleci contato, em linhas gerais, com museus, galerias de arte, bem como com tesouros e objetos preciosos de coleções particulares de todo o Japão. Assim, quando o museu for inaugurado, certamente atrairá a atenção de todos. Acredito que se tornará um museu de primeira classe no Japão. No entanto, como se trata do primeiro modelo, sua escala não é tão grande. Já o de Atami, que será construído em seguida, será muito maior. Creio que se tornará um museu modelo do qual não só o Japão, mas o mundo inteiro poderá se orgulhar. Do ponto de vista internacional, sua contribuição para a cultura da humanidade será, portanto, imensurável.
Shugakuin: refere-se ao Shugakuin Rikyū (Palácio Imperial de Shugakuin).
Sobre a Morte de um Herói
Eikō nº 205, publicado em 22 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
A respeito da recente morte de Stálin, nem é preciso dizer que, sem sombra de dúvida, esse homem foi a maior figura deste século. De todo modo, ao rever sua trajetória — sucedendo a Lênin, que havia arrancado pela raiz aquele imperialismo extremamente opressivo da era czarista russa —, e deixando de lado se isso foi bom ou mau, pode-se dizer que a habilidade com que construiu o atual grande império comunista é digna de admiração. Além disso, em pouco mais de trinta anos, colocou-se frente a frente com a poderosa América sem se abalar, como vemos hoje; tal postura bem poderia ostentar o nome de herói, como um verdadeiro gigante do século.
Não obstante, quantas pessoas no mundo lamentariam verdadeiramente sua morte, de coração? Não é fenômeno de agora. Desde os tempos antigos, quando inúmeros heróis morrem, se formos ouvir a opinião da maioria, dirão que, de fato, externamente, como uma existência brilhante, não se pode deixar de admirar seu excepcional punho de ferro. Contudo, para que se chegasse a esse ponto, inúmeras vítimas incontáveis foram feitas. Só por isso, é impossível elogiá-lo incondicionalmente. Isso porque o rancor dessas vítimas é profundo e, se as coisas continuarem assim, os espíritos não o permitirão. Em outras palavras, encontramos neles a visão egoísta peculiar aos heróis, que não medem os meios para atingir seus fins; e a raiz dessa visão nasce inteiramente de seu pensamento ateu.
Sendo assim, nem é preciso dizer que não há no mundo pensamento mais temível do que o ateísmo, ideia destruidora da felicidade e inimiga da civilização. O que foi escrito acima diz respeito aos heróis e ao pensamento ateu, mas isso também se aplica às pessoas em geral, que não são heróis. Isto é, há atualmente um número excessivo de pessoas que, com a mentalidade de que “os vencedores são sempre os justos”, não medem os meios para atingir seus fins. E, como tais pessoas são veneradas como bem-sucedidas, o número das que as imitam aumenta, e os males sociais vão se criando um após o outro. É sabido que, para prevenir essa corrente maligna de pensamento, não há outro recurso senão a religião. Por isso, nem é preciso dizer que, sem a religião, é impossível construir uma sociedade luminosa e habitável.
Dessa forma, embora seja incalculável o quanto a religião contribui para prevenir a ansiedade social, a maioria dos intelectuais do mundo não percebe isso; ao contrário, considera a religião um objeto inútil e supérfluo, o que é realmente lamentável. A causa disso é inteiramente o envenenamento pela ciência; o estado atual das coisas é que, inconscientemente, as pessoas prejudicam a felicidade humana e, ainda assim, se consideram pessoas cultas. E, mesmo que, com base no princípio ateu, alguém seja elevado à condição de herói conforme seu desejo, essa alegria e satisfação não duram muito. A história nos conta isso claramente. Isto é, pode-se dizer que quase não há aqueles que são chamados de heróis e que tenham tido um fim completo. De fato, não há herói que, ao encontrar a morte, tenha atingido um Ōjō tranquilo.
Pode-se dizer que Stálin, desta vez, teve uma morte raramente pacífica, mas a questão é por quanto tempo a grande União Soviética atual continuará existindo após sua morte. Isso porque, provavelmente, não se sabe quão maior é o número de pessoas que tiveram suas vidas ceifadas e foram lançadas na infelicidade por causa dele, em comparação com o número daquelas a quem ele deu alegria e felicidade. Mais cedo ou mais tarde, a massa de espíritos rancorosos dessas muitas pessoas não deixará de derrubar o país da fortuna. E, como regra de ferro do mundo espiritual, quando um grande pecador como esse vai para o mundo espiritual após a morte, cai no mundo do Inferno de trevas e ignorância, em uma situação miserável indescritível, e leva pelo menos várias centenas de anos até que seu pecado seja perdoado. Portanto, ao saber disso, qualquer herói ou grande homem, por mais valente que seja, se arrependerá amargamente, mas, como já é tarde demais, nada pode ser feito.
Por isso, quero dizer: “Ó homem miserável, teu nome é herói”. Em contrapartida, nós, que acreditamos em Deus, salvamos o maior número possível de pessoas e lhes proporcionamos alegria e paz de espírito, é que podemos ser os verdadeiramente felizes, sob a eterna glória.
Lei e Barbárie Humana
Eikō nº 118, publicado em 22 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
No mundo atual, é de conhecimento geral: quanto mais civilizado um país, mais avançado o seu sistema jurídico e maior o número de artigos de lei, que aumentam a cada ano.
Pode-se dizer que vivemos verdadeiramente em uma era de onipotência da lei. A quantidade de regulamentações é tamanha que mesmo juízes e advogados que atuam na área teriam dificuldade de memorizá-las por completo, ainda que dedicassem a vida inteira a isso. Na verdade, a maioria das pessoas mal consegue conhecer a fundo apenas a parte que lhe diz respeito. Se assim é, os efeitos dessas leis deveriam ser visivelmente proporcionais; mas, contrariamente, o que se vê é que os crimes importantes não diminuem — antes, aumentam a cada ano. Como explicar isso? Não é algo verdadeiramente incompreensível?
Isso contradiz totalmente o que se entende por progresso cultural. Gostaria, portanto, de examinar aqui as causas desse fenômeno. Em primeiro lugar, o propósito fundamental da lei é, obviamente, reduzir os crimes na sociedade e, por fim, criar um mundo sem criminosos. No entanto, como mencionado, a realidade é o oposto: a cada ano, a maior parte das pautas no parlamento é ocupada pelo aumento de artigos de lei. Se a cultura progredisse conforme o esperado, os criminosos diminuiriam gradativamente e os artigos de lei se tornariam desnecessários. Consequentemente, as discussões no parlamento deveriam se voltar para projetos de revogação de parte das leis. No entanto, ocorre o contrário, e é estranho que ninguém se surpreenda com isso. Isso provavelmente se deve ao fato de que todos já se resignaram, pensando que não há mais nada a fazer. Por essa razão, fica claro que, para eliminar os crimes, a lei, por si só, é totalmente insuficiente. Por outro lado, se não houvesse lei alguma no momento, a situação seria terrível. Se isso acontecesse, o mundo se tornaria um paraíso para os malfeitores, e as pessoas de bem não poderiam dormir tranquilas.
Portanto, penso que devemos manter a lei como está, por enquanto, e, ao mesmo tempo, adotar outros métodos eficazes em conjunto. Contudo, falando em outros métodos, basicamente só existem a educação e a religião; mas também não se pode depositar muita esperança nelas. Por quê? Porque, mesmo após séculos e milênios de prática, a condição do mundo humano ainda é a que se vê atualmente.
Já escrevi sobre isso antes, mas, de modo geral, a lei é como uma jaula que abriga feras. Ou seja, como há o perigo de causar danos a pessoas e animais se não houver a jaula, mantêm-se grades grossas e redes bem esticadas, apenas para conter as feras. Como as feras tentam romper a jaula quando surge uma brecha, as grades vão sendo fechadas aos poucos, até não restar nenhuma. Esse processo de tornar as leis mais densas e a fiscalização mais rigorosa a cada ano é, na verdade, uma vergonha para a humanidade. Dessa forma, se os seres humanos de hoje estão sendo tratados como feras, não há muito de que se vangloriar. Se refletirmos bem sobre esses pontos, deveríamos despertar o mais rápido possível. A expressão antiga “fera em forma humana” certamente se aplica também ao homem moderno. Em suma, ainda não saímos do estágio de semic
Surge então a questão: como remover verdadeiramente a natureza animal do ser humano e criar uma sociedade que dispense jaulas? Desnecessário dizer que, para isso, é preciso um poder extraordinário, que transcenda toda a cultura estabelecida. Felizmente, esse poder já nos foi concedido por Jeová, o Senhor Deus, e está se manifestando agora mesmo. Essa é a essência da nossa Igreja. Por isso, ela é uma existência grandiosa, que transcende a religião. Que este texto seja considerado o primeiro sino a despertar a humanidade de sua confusão e ignorância, como precursor do mundo de luz que está por vir.
O Grande Significado da Terra Divina e do Paraíso Terrestre
Eikō nº 216, publicado em 8 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Finalmente, foi concluído o tão aguardado modelo da Terra Divina e do Paraíso Terrestre, no alto de Gora.
Desnecessário dizer que este jardim divino é uma obra que, creio, não existe igual nem mesmo no Japão, quanto mais no exterior. Em um cume tão elevado, ele emprega com total liberdade uma imensa quantidade de rochas bizarras e estranhas; nos vales e desfiladeiros, dispõem-se inúmeras árvores, flores e plantas alpinas. Aqui e ali, riachos de montanha serpenteiam, e o prazer de se deleitar ao máximo com essa beleza natural, ao som murmurante da água, dá a quem a contempla a sensação de deixar para trás as poeiras do mundo vulgar e passear pelo Paraíso — algo que todos os que a veem elogiam com entusiasmo. Além disso, como se fosse um toque de requinte, um magnífico palácio da beleza também foi preparado. Visto como um todo, acredito que seja uma obra de arte que combina a beleza natural com a artificial, digna de orgulho.
No entanto, o que dissemos é uma impressão humana. Visto espiritualmente, este jardim encerra um significado tão grande que é inimaginável. Passo a explicá-lo em detalhes; se o compreenderem, poderão entrever quão profundo, sutil e insondável é o Plano Divino, e quão grandioso, a ponto de transcender a sabedoria humana. E, como sempre digo, o Plano Divino é algo verdadeiramente misterioso: é criado inicialmente em escala muito pequena, expande-se gradualmente e, por fim, alcança proporções mundiais. Isso vale também para o mundo material. Assim como os seres humanos, ao construir algo grande, primeiro fazem um modelo e só depois começam, também esta Terra Divina e Paraíso Terrestre, agora concluídos, podem ser entendidos como indício do futuro Paraíso Terrestre de âmbito mundial. Sobre isso, escreverei o profundo significado da escolha da montanha de Hakone.
Em primeiro lugar, espiritualmente falando, o centro do mundo é o Japão, e o Monte Fuji é o grande pilar central da Terra. Observem sua forma: é uma montanha de beleza incomparável no mundo, chamada desde a antiguidade de Montanha Divina ou Pico Espiritual, a ponto de os estrangeiros a considerarem o símbolo do Japão. Nisso reside um profundo significado. É que o futuro deste país deverá tornar-se o centro do Paraíso Terrestre, determinação firmada por Deus já na época da Criação do Céu e da Terra. Observem a beleza das montanhas e dos rios, a grande diversidade de árvores e plantas, as paisagens das quatro estações conforme as mudanças do clima e tantas outras transformações das coisas: a riqueza de suas bênçãos celestiais possui, naturalmente, uma beleza paradisíaca. Não é à toa que, na antiguidade, o Primeiro Imperador Qin chamou o Japão de "Ilha Penglai do Oriente". Além disso, o fato de o caráter nacional do nosso povo ser especialmente superior no senso de beleza é reconhecido até pelos estrangeiros, a ponto de nenhum povo do mundo poder igualar-se. Ademais, é um mistério que, desde tempos antigos, obras de arte de todos os países do mundo tenham sido colecionadas e reunidas no Japão. Dessa forma, este afortunado Japão, segundo o Kamunagara (a Vontade Divina), já possui os elementos do Paraíso. É por isso que sempre digo que o Japão é o parque e o museu de arte do mundo.
Se, como vimos, todo o território do Japão é o parque e o centro do mundo, então o parque do Japão seria Hakone. Hakone está situada no centro leste-oeste do país, o que fica evidente até pelo fato de que, a leste, fica a região de Kanto; a oeste, a região de Kansai. Do ponto de vista cultural, dificilmente haverá outro país que tenha incorporado todas as culturas orientais e ocidentais tanto quanto o Japão, e cabe a ele a missão de controlar tudo isso e gerar uma cultura de paz ideal. Ouvi dizer que, recentemente, alguns intelectuais nos Estados Unidos começaram a defender essa teoria, o que é bem plausível. Como dito, Hakone é o centro do Japão, e seu centro é Gora. E a montanha que se ergue por trás do Monte Soun, avistada dali, é a Montanha Divina (Kamiyama), que ocupa o pico mais alto da cordilheira de Hakone, sendo o verdadeiro centro. Sendo assim, nem é preciso dizer que essa montanha se torna o ponto de divisão entre o leste e o oeste do Japão. Isso é verdadeiramente misterioso, e considero-a digna do nome de Montanha Divina.
Portanto, a rigor, o Paraíso Terrestre deveria ser construído sobre a Montanha Divina, mas, como isso é impossível, escolheu-se este local. O nome da primeira residência onde morei ao vir para Gora, "Vila da Montanha Divina" (Shinzan-so), foi dado justamente para que servisse de modelo da Montanha Divina. E o nome "Pousada do Monte Soun" (Soun-ryo), dado a este local do Nikkōden (Palácio da Luz Solar) na época, também carrega o significado do Monte Soun, como acima. O próximo ponto interessante é que quem originalmente desenvolveu Gora foi a companhia do bonde de montanha, e este local da Terra Divina foi inicialmente criado com o nome de "Parque do Japão". É também misterioso que a parte inferior — o atual Parque Gora — tenha sido concebida como um parque de estilo ocidental.
Visto assim, o Japão é o parque do mundo; o parque do Japão é Hakone; o parque de Hakone é Gora; e o centro de Gora é a Terra Divina.
Portanto, pode-se dizer que a Terra Divina é o verdadeiro centro do mundo. Nesse sentido, o fato de o Paraíso Terrestre da Terra Divina ter sido concluído agora significa que, enfim, o Paraíso Terrestre nasceu no centro do mundo.
Em outras palavras, é o nascimento do Paraíso Terrestre. Trata-se, portanto, de um grande evento de celebração desde o início do mundo, e será o grande dia festivo mundial que perdurará pela eternidade. Este dia 15 de junho se tornará, provavelmente, o Culto do Nascimento do futuro Paraíso Terrestre. E aqui desejo anunciar algo de grande importância: tomando o dia de hoje como marco, a atividade espiritual será acelerada e, com este local como centro, um grande turbilhão no ritmo de "avanço para a esquerda, recuo à direita" se desdobrará gradualmente pelo mundo, trazendo grandes mudanças sem precedentes. Isto é, precisamente, a renovação e a reconstrução do mundo.
Seja uma Pessoa Nova
Eikō nº 73, publicado em 11 de outubro do ano 25 da Era Showa (1950)
O homem deve sempre empenhar-se no progresso e na elevação. Isso é ainda mais verdadeiro para aqueles que têm fé. No entanto, quando se fala em religião ou fé no mundo em geral, há uma tendência a considerá-las antiquadas ou a tratar as pessoas como ultrapassadas. De fato, não se pode negar que os seguidores das religiões convencionais têm essa inclinação, mas, no que diz respeito aos seguidores da nossa Igreja, dá-se exatamente o oposto. Inversamente, é preciso empenhar-se para que assim seja.
Antes de tudo, observe a grande natureza: sem um instante de descanso, ela segue em progresso e elevação, renovando-se a cada momento.
Veja: o número de seres humanos aumenta a cada ano. As terras na superfície da Terra também se desenvolvem a cada ano. Não há um único meio de transporte, construção ou máquina que esteja em retrocesso. As gramíneas e as árvores crescem elevando-se para o céu; não há uma única planta que se volte para baixo. Diante da realidade de que todos os fenômenos do universo, sem exceção, estão em progresso e elevação, cabe ao homem também imitá-los.
Nesse sentido, eu mesmo me esforço para que o espírito de progresso e elevação jamais se afrouxe — do ano passado para este, deste mês para o próximo. No entanto, a elevação apenas de empreendimentos materiais, profissões ou posições sociais é algo flutuante, sem fundamento, como uma planta sem raízes. O imprescindível é o progresso e a elevação da alma. Em suma, a elevação da personalidade. Com esse empenho, constrói-se a si mesmo, passo a passo, com paciência. Naturalmente, não se deve ter pressa; pode ser apenas um pouco de cada vez. Com o passar dos longos anos, certamente se tornará uma pessoa admirável. Na verdade, o simples empenho em praticar dessa forma já faz de alguém uma pessoa admirável. Agindo assim, pode-se garantir que se receberá a confiança do mundo, que tudo correrá bem e que se tornará uma pessoa feliz.
Ao falar dessa maneira, os jovens de hoje podem pensar que estão ouvindo uma antiga teoria moral e considerá-la obsoleta, mas, na verdade, ela não tem nada de obsoleta. Se alguém conseguir fazer isso, será uma nova pessoa por excelência. Tomando esse ponto como critério, quando observo muitas pessoas, elas inevitavelmente me parecem antiquadas: não apresentam progresso algum, seus modos de pensar e falar são os mesmos de sempre, e não se encontra nelas nenhuma mudança ou melhora. Por isso, mesmo quando encontro tais pessoas, não sinto o menor interesse. Se tento conversar, não há nada além de assuntos mundanos; não há sequer um indício de religião, política, filosofia ou arte. A maior parte do mundo é composta por essas pessoas, e não tenho a intenção de censurá-las por isso, mas, pelo menos, os seguidores da Igreja Messiânica não admiram esse tipo de pessoa antiquada, e parece que pessoas assim não são tão comuns entre eles. Como é sabido, a nossa Igreja, diante do período de transição do mundo, tem como objetivo salvar toda a humanidade, despertando-a para a cultura equivocada e construindo um novo mundo ideal. Portanto, é imprescindível empenhar-se para ser uma nova pessoa. É nesse sentido que digo sempre que é preciso tornar-se um homem cultural do século XXI.
Qual é a Superstição?
Eikō nº 73, publicado em 11 de outubro do ano 25 da Era Showa (1950)
Quando se fala em superstição, geralmente se pensa que ela é algo inerente à religião; na verdade, porém, ela não se limita à religião: existe superstição em tudo.
Apenas não nos damos conta disso. É claro que há superstição também na ciência, na política, na filosofia, na educação e na arte. Na verdade, a superstição é tanta que chega a ser um problema. É incalculável o quanto a humanidade tem sido prejudicada e quantas infelicidades tem sofrido devido a essas inúmeras superstições. Qual seria, então, a maior delas?
É o pensamento materialista. Partindo do princípio de que não se deve acreditar no que não é visível, satisfazem-se em acreditar apenas no que se vê. Esse pensamento cria criminosos, prejudica a saúde e torna as pessoas pobres. Aproveitando-se desse pensamento, o comunismo se desenvolveu e, por fim, como se vê atualmente, tornou-se até mesmo a causa de uma terceira guerra mundial. A situação atual é que todos os países do mundo estão ameaçados por isso. Por essa razão, pode-se compreender quão terrível é a superstição do pensamento materialista.
Meus senhores, desejam tornar-se o povo da União Soviética, de comunismo ateu, ou o povo dos Estados Unidos, de democracia cristã? Basta pensar nisso para entender. Mesmo que se queira romper com as superstições, isso se limita a certos aspectos e, por enquanto, não há outro jeito senão contentar-se com isso.
No entanto, não fico nem um pouco pessimista.
Por quê? Porque, uma vez que Deus está exercendo Seu poder de salvação em tudo, a questão é o momento. Acredito firmemente que, quando chegar o momento, aqueles que nos viam como supersticiosos perceberão que, na verdade, eles próprios é que eram supersticiosos, e chegará o dia em que virão pedir ensinamentos à nossa Igreja. Aguardo apenas esse momento.
Benefícios Presentes e Futuros
Eikō nº 77, publicado em 8 de novembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Nossa Igreja, sem pretensão de autoelogio, é algo magnífico no que diz respeito às graças recebidas nesta vida. Desde tempos antigos, inúmeras religiões notáveis surgiram e, ainda hoje, a começar pelas três grandes religiões — Cristianismo, Islamismo e Budismo —, as religiões influentes mantêm suas respectivas posições. Contudo, é sabido que a maioria delas, desde o início, dedicou-se exclusivamente à salvação espiritual.
Embora nossa Igreja, desde sua fundação, tenha um histórico ainda recente e, comparada a outras, sua expansão religiosa seja extremamente modesta, diz-se que a rapidez de seu desenvolvimento não tem precedentes, tornando-se o centro das atenções. Por essa razão, recebe muitas críticas, mas isso também é, sem dúvida, um fenômeno inevitável do período de transição. Dito isso, é uma questão de tempo; certamente chegará o dia em que seu verdadeiro valor será reconhecido sob o julgamento imparcial do mundo. Nossa Igreja, assim como outras religiões, possui doutrinas e ideais e se esforça com dedicação.
Gostaria de escrever sobre o ponto em que nossa Igreja difere fundamentalmente das religiões estabelecidas. Se esse ponto não for compreendido, a essência de nossa Igreja não poderá ser apreendida. É que nossa Igreja possui, em abundância, graças recebidas nesta vida. Em contrapartida, quando pessoas instruídas observam as religiões, consideram aquelas que enfatizam as graças recebidas nesta vida como inferiores e adotam uma atitude de quase ignorá-las.
Por que isso acontece? Há uma razão. Nas inúmeras religiões do Japão atual, observam-se dois tipos: as seculares e as não seculares. De um lado, por exemplo, coisas como "Inari de tal lugar", "Senhor de tal lugar" ou "Deus de tal lugar" tornam-se objetos de fé. Esses fiéis, sem exceção, têm como objetivo as graças recebidas nesta vida e são pessoas que, pode-se dizer, não possuem teoria, filosofia ou intelectualidade. Como visam apenas os benefícios, aos olhos dos sábios são tolas e indignas de serem levadas a sério.
Portanto, a busca por graças recebidas nesta vida é imediatamente rotulada como fé de baixo nível. Valorizam-se altamente as formas religiosas que não se preocupam com as graças desta vida, tratam a doutrina academicamente e a fundamentam com engenhosas teorias. Além disso, como possuem uma história consideravelmente antiga e, nesse período, surgiram famosos fundadores de renovação e inúmeros virtuosos, essas religiões são valorizadas e consideradas de alto nível. Em suma, o que importa é a aparência. Sobre isso, escreverei francamente algumas críticas. De qualquer forma, a fé do primeiro tipo é vulgar, mas, na verdade, lidera o povo comum mais do que se imagina. Afinal, como o povo tem um nível intelectual baixo, não há teoria nem fundamento. Eles simplesmente vão ao templo de vez em quando, fazem orações por algum desejo, oferecem dinheiro e se sentem satisfeitos. É extremamente simples. No entanto, é inegável que essas fés também exercem influência positiva, até certo ponto, sobre a sociedade e o coração das pessoas. Isso porque partem da concepção idealista de acreditar em coisas invisíveis, o que as torna, com certeza, mais benéficas para a sociedade do que aquelas presas ao materialismo. Afinal, se alguém tem um coração que ao menos venera deuses e budas, dificilmente cometeria crimes hediondos com frieza.
Em seguida, quanto ao segundo tipo, temos pessoas que, ao contrário das do primeiro, rejeitam a crença em coisas invisíveis, consideram tudo superstição e parecem ser hoje as mais numerosas entre as classes instruídas. Naturalmente, como são materialistas, consideram adequado tratar a religião academicamente. Portanto, quando falam sobre religião, não aceitam nada que não seja inteiramente teorizado e fundamentado filosoficamente. Assim, mesmo do nosso ponto de vista, muitos de seus argumentos são extremamente superficiais e, quando nos criticam, são meros insultos. Para criticar verdadeiramente uma religião, deve-se mergulhar profundamente nela, penetrar em seu conteúdo com um olhar aguçado e discernir sua essência. Dessa forma, deve-se abandonar completamente a subjetividade e criticar com a mente em branco. Desde o início, a essência da religião não é algo exterior, mas interior. Se assim for, a atitude crítica deles também precisa ser grandemente reformada.
Como exposto acima, para nossa Igreja, julgar apenas pela aparência externa e decidir que se trata de uma fé secular por priorizar as graças recebidas nesta vida é uma leviandade indelicada. Pode-se dizer que, a menos que isso seja corrigido, cem críticas não terão sentido. Portanto, se nossa Igreja for verdadeiramente examinada, perceber-se-á que ela é tanto uma fé secular quanto uma religião teórica. Pode-se dizer que é uma super-religião, algo nunca antes experimentado pela humanidade. Não só isso: as afirmações (ensinamentos) de nossa Igreja não se limitam apenas à religião. Medicina, agricultura, arte, educação, economia, política e todos os departamentos importantes dos assuntos humanos são objeto de sua atenção, e ela lhes fornece a mais elevada orientação. Em suma, isso visa expressar fielmente a teoria de que a fé é a própria vida.
Método para Qualquer Um Engordar
Eikō nº 86, publicado em 10 de janeiro do ano 26 da Era Showa (1951)
No mundo, há muitas pessoas que nasceram magras e, pensando "quero engordar, quero engordar", tentam várias coisas, mas os efeitos dificilmente aparecem; acho que há um número considerável de pessoas que se desesperam.
Também é comum algo assim: mesmo uma mulher de traços faciais muito belos, por ser magra, não consegue exibir sua beleza inata. Sempre que vejo um caso desses, penso como ela seria bela se engordasse um pouco mais, e sinto grande pena. Quem nunca teve uma experiência dessas? Entre as crianças, vemos frequentemente aquelas chamadas de "linfáticas", franzinas como se tivessem "vermes nervosos". Isso, naturalmente, ocorre porque o corpo é fraco, e os pais, querendo fazê-las engordar, dão leite, óleo de fígado de bacalhau e vários nutrientes, mas elas não engordam como se espera, e há muitos que se lamentam por isso no mundo. No entanto, para ambos os casos acima, existe um método que certamente as fará engordar.
Além disso, a tez também melhora. Não é uma notícia maravilhosa? Então, vou ensinar esse método. Ao observar os ombros de pessoas assim, nota-se que eles estão sempre duros como pedra e que nessa região há, invariavelmente, um estado ligeiramente febril.
Isso ocorre porque esse estado ligeiramente febril faz o apetite diminuir e o corpo se consumir. Portanto, ao dissolver esse nódulo através do Johrei, à medida que a região vai amolecendo gradualmente, o apetite aumenta. Consequentemente, a pessoa engorda. É realmente infalível. Vemos, assim, que a salvação de Deus não só torna as pessoas saudáveis, mas também as embeleza. Se isso se tornar conhecido no mundo, será motivo de grande alegria: o número de mulheres belas vai aumentar cada vez mais. Naturalmente, as crianças saudáveis também aumentarão, então como os pais do mundo ficarão felizes!
Outra coisa que não se pode ignorar é que homens, mulheres e crianças com essas características são facilmente confundidos com casos de tuberculose. Isso porque pessoas com esses sintomas pegam resfriados com facilidade, estão sempre magras, sem energia e apresentam tosse e catarro, então os médicos confundem com tuberculose. No entanto, os infelizes, devido a terapias equivocadas, tornam-se, de fato, doentes de tuberculose, e muitos acabam perdendo a vida. Se assim for, aqueles que conhecem este método podem evitar contrair tuberculose, sendo agraciados até mesmo com a vida. Não é uma salvação maravilhosa?
Daijo e Shojo
Eikō nº 81, publicado em 6 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Frequentemente sou questionado sobre o Daijo e o Shojo, e já escrevi consideravelmente sobre este assunto anteriormente, mas parece que ainda não está completamente claro; por isso, pego novamente na pena.
Primeiramente, vou explicar a partir dos fundamentos: o Daijo é a trama e o Shojo é a urdidura. Isto é, o Daijo é a água, e o Shojo é o fogo. Portanto, o Daijo se expande infinitamente, sendo infinito. O Shojo, embora profundo e elevado, é estreito. Por exemplo, o Cristianismo, por ser Daijo, expandiu-se mundialmente. Em contrapartida, o Budismo, por ser Shojo, não se expande, tornando-se isolado.
Além disso, como o Daijo é materialista e o Shojo é espiritualista, a civilização branca, através do Cristianismo, desenvolveu-se materialmente. Já o Budismo, sendo uma civilização espiritual, é recluso; embora tenha se desenvolvido por um tempo, está gradualmente em declínio.
Outro exemplo, embora mais trivial, é o fato de o Japão ter sido subjugado pelos Estados Unidos. O Japão é fogo, e a América é água; portanto, o Japão, sendo fogo, é inevitavelmente extinto pela América, que é água. Como visto acima, até os dias de hoje, o mundo tem sido marcado pelo conflito entre a urdidura do fogo e a trama da água. A este respeito, não se pode ignorar mais um ponto: o comunismo também é fogo, daí sua cor vermelha. Se assim for, ele também está em oposição à água da América. Portanto, no final, a urdidura e a trama do mundo necessariamente se unirão, formando uma cruz. Esta cultura em forma de cruz é precisamente a realização do mundo ideal, e a cruz do Cristianismo também a simboliza. De fato, a cruz do sofrimento de Cristo também tem esse significado, mas isso é algo pequeno. É preciso saber que algo tão grandioso quanto Deus não teria apenas um significado tão pequeno; está também sugerindo um significado grandioso como o descrito acima. Além disso, na forma de cruz, a urdidura é o espírito e a trama é o corpo; portanto, inclinar-se para qualquer um dos lados não é correto.
Como mencionado anteriormente, é somente com a união de ambos que se atinge a perfeição. Isto é, deve ser Daijo sendo Shojo, e Shojo sendo Daijo. No centro dessa união atua Kannon-Sama, chamada de Izunome. O fato de Kannon-Sama ser homem e mulher não é senão esse significado. Portanto, se colocarmos o coração no centro da cruz, torna-se possível uma atuação de mil transformações, livre e desimpedida. Isto é, quando colocamos a alma/consciência no centro, ela é extremamente pequena, mas, uma vez que se expande para a urdidura e a trama, torna-se tão grande quanto se queira. Assim, a ação da urdidura deve ser como a de um pai, severa e inviolável; a ação da trama deve ser como a de uma mãe, livre e espontânea como a primavera, por quem todos sentem saudades.
Quanto ao clima, o inverno é Shojo e o verão é Daijo; ambos são extremos. A primavera e o outono têm climas amenos, sendo o centro da forma de cruz, ou seja, neutros. Por isso, esse período se chama Higan, pois é o clima da margem ideal, ou seja, do Paraíso, da Terra Pura. É por isso que celebramos e visitamos templos para confortar o espírito. Pelo exposto, acredito que a essência do Daijo e do Shojo tenha sido compreendida.
Sobre o Ateísmo
Eikō nº 242, publicado em 6 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Normalmente, ao se escrever sobre o ateísmo, parece natural desenvolver o raciocínio em moldes religiosos. Pretendo, no entanto, escrever sem tocar em religião alguma, colocando-me na posição de um ateu. Antes de tudo, assim que o ser humano nasce, rompendo o silêncio com o choro “guá”, o leite — líquido excelente e necessário ao crescimento — jorra abundantemente do corpo da mãe que o gerou. A criança cresce saudável e, quando os dentes começam a nascer, os pais lhe trazem alimentos para mastigar. Dessa forma, ela se desenvolve aos poucos e, por fim, torna-se um adulto independente, como nem é preciso dizer. Mas, falando especialmente do alimento, que é o mais essencial: cada alimento tem seu próprio sabor, a língua possui nervos gustativos e o ser humano, ao comer com prazer, consegue ingerir calorias suficientes. E a refeição é, sem dúvida, o rei dos prazeres humanos. Assim, enquanto o corpo físico se desenvolve gradualmente, o cérebro também se desenvolve por meio da educação escolar, e a pessoa se torna capaz de funcionar como um adulto independente.
Quando isso acontece, surgem vários desejos. Da sabedoria, do sentimento de superioridade, do desejo de competição, do progresso etc., até os aspectos materiais, como o prazer e o amor, tudo levanta a cabeça. Razão e emoção se entrelaçam, dor e prazer se alternam, preenchendo as condições de um ser vivo de alto nível, que então navega pela sociedade.
Acima, esbocei rapidamente o caminho do nascimento à idade adulta. Agora, observemos a grande natureza. Nem é preciso dizer que, entre o céu e a terra, desde fenômenos naturais tangíveis e intangíveis — como o sol, a lua, as estrelas, o frio e o calor do clima, a chuva e o vento — até animais, plantas, minerais etc., que estão diretamente relacionados aos seres humanos, todas as coisas são geradas, formadas e nutridas pelo poder da grande natureza. Esta é a forma do mundo como ele é. Se alguém, partindo de uma folha em branco, observar tudo isso com calma e objetividade, a menos que seja uma pessoa insensível, será tomado apenas por um sentimento de admiração, sem saber o que dizer.
Na verdade, tudo se resume a uma única palavra: profundo e maravilhoso. Se assim é, quem teria criado este mundo tão esplêndido, com que propósito e com que intenção? Qualquer pessoa se sentiria obrigada a pensar nisso.
E, ao erguer os olhos para o céu, ele é eterno e infinito — não se sabe até onde se estende sua vastidão. Além disso, como será o centro da terra? Qual é a temperatura máxima do sol? Qual é o frio da lua? Quantas estrelas existem? Qual é o peso da terra? Qual é a quantidade de água do mar? Se enumerarmos, não há fim. Quanto mais se pensa, mais misterioso e maravilhoso, além das palavras. No entanto, o movimento regular dos corpos celestes, a distinção entre dia e noite, as mudanças das quatro estações, os trezentos e sessenta e cinco dias do ano, a evolução de todas as coisas, o progresso e o desenvolvimento da civilização, que não conhecem parada, são evidentes.
Além disso, quando este mundo foi criado? Até quando continuará? É eterno e infinito ou não? O limite do aumento da população mundial, o futuro da terra — tudo é incompreensível, e não se pode ter uma ideia.
Como acima, tudo flui silenciosamente sob um padrão fixo, sem um desvio de um milímetro, sem um instante de atraso.
No entanto, deixando isso de lado, afinal, para que nasci eu mesmo? O que devo fazer? Até quando viverei? Ao morrer, tornar-me-ei nada? Ou existe um mundo espiritual desconhecido, onde encontrarei morada? Quanto mais penso nessas coisas, menos as compreendo — não há uma única coisa que se possa entender.
É o que os budistas chamam de “realidade é vacuidade, vacuidade é realidade”: uma existência de céu e terra vastos e ilimitados, infinitos e eternos, para a qual não se encontra outra palavra de descrição. Para tentar compreendê-la, os seres humanos, desde milhares de anos atrás, têm se dedicado a todos os meios, especialmente à criação e à pesquisa do conhecimento, mas até hoje só compreendem uma pequena parte — permanece um enigma.
Se assim é, a sabedoria humana diante da grande natureza não equivaleria nem a um fio de cabelo de nove bois. Isso também é o que os budistas chamam de “vazio e silêncio”. No entanto, o ser humano chamado “homem” é extremamente presunçoso, gabando-se de conquistar a natureza, mas não passa de um tolo que não conhece seu próprio lugar. Portanto, o mais sábio é que o ser humano, antes de tudo, conheça a si mesmo, siga a grande natureza e desfrute de suas bênçãos.
A propósito, em relação a este mundo cheio de incógnitas como as acima, há uma única coisa que está clara. O que é isso? É quem criou este mundo tão esplêndido e o maneja livremente como deseja. Ao imaginar quem seria esse alguém, assim como em uma família há o chefe, em uma nação há o imperador ou o presidente, neste grande mundo também deve haver um protagonista, e este protagonista não é outro senão aquele “quem” chamado pelo nome de Deus, o X. Não há outra conclusão senão esta.
Nesse sentido, se Deus não existisse, todas as coisas também não existiriam, e o próprio ateu também não existiria. Provavelmente não há argumento tão claro quanto este.
Se alguém não entende isso, essa pessoa não passaria de um animal. Por quê? Porque os animais não têm vontade, pensamento nem inteligência. Não haveria palavra melhor do que chamá-lo de animal com forma humana.
Há uma prova clara disso. Ou seja, os criminosos que nascem do pensamento ateísta; pode-se entender bem observando que a maioria de suas psicologias e ações é animal. Portanto, minha missão é remover essa animalidade do ser humano animal e fazê-lo evoluir para um verdadeiro ser humano, e a condição básica para isso é a destruição do pensamento ateísta. Em suma, é um trabalho de reforma do ser humano.
Um Mistério
Eikō nº 83, publicado em 20 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Há pouco tempo, quando eu estava preso, ocorreram vários fenômenos misteriosos, mas, devido às circunstâncias, não posso revelar tudo; portanto, irei informando aos poucos. Por agora, escreverei apenas sobre um deles.
Não posso esquecer: fui detido neste incidente no dia 29 de maio de Showa 25 (1950). Logo em seguida, recebi uma comunicação de Deus de que ficaria detido por dezoito dias. Contando, isso corresponderia até o dia 15 de junho. Porém, cerca de dois ou três dias antes dessa data, começou a ocorrer um mistério supremo. Como não posso revelar tudo além de certo ponto, escreverei aqui apenas a parte que não traz problemas.
Foi, se não me engano, no dia 13 de junho. Desde a manhã, sentia uma espécie de dor no abdômen e, deixando-a de lado, à tarde toda a região do baixo-ventre começou a doer violentamente. Pensei que fosse peritonite aguda. De todo modo, como em meu corpo ainda restava, em quantidade considerável, a toxina medicamentosa de outrora, imaginei que aquele acúmulo devia estar começando a se dissolver. Então, apliquei Johrei em mim mesmo e, de alguma forma, a dor tornou-se suportável, mas ainda persistia uma sensação desagradável. Normalmente, com vinte ou trinta minutos de Johrei, a cura se completa; desta vez, porém, mesmo após meio dia ou um dia inteiro, não me sentia aliviado. No fim, passei a noite toda com dores, embora não fossem tão intensas, e amanheci no dia seguinte. Então, achando aquilo estranho, consultei a comunicação de Deus, e Ele me disse que era por causa do grande Plano Divino, que era inevitável, e que eu deveria suportar por um pouco mais de tempo. Não havia o que fazer. Ao mesmo tempo, pensei: “É verdade!”. No dia seguinte, 15 de junho, completavam-se exatamente dezoito dias. Além disso, como está escrito em meus livros, o primeiro passo da aurora que leva ao mundo diurno foi em 15 de junho de Showa 6 (1931). Se assim é, deve haver uma relação com isso. Ou seja, compreendi claramente que se tratava de uma purificação preparatória para limpar completamente o interior do abdômen.
E, o que é interessante, na manhã do dia 14, tive um sonho divino e maravilhoso. Sonhei que subia ao topo do Monte Fuji coberto de neve. Lá, havia uma casa em forma de palácio, não muito grande. Entrei nela e, quando ia me sentar para contemplar a paisagem de neve ao redor, acordei. Naquele instante, senti uma emoção como nunca antes. Afinal, desde os tempos antigos, diz-se que sonhar com qualquer uma destas três coisas — “um, Fuji; dois, falcão; três, berinjela” — é de muito bom augúrio. E, além disso, o melhor de todos é o sonho com o Monte Fuji, e eu havia subido até o seu topo. Provavelmente, não existe sonho melhor do que este. Até hoje, aos meus sessenta e sete anos, nunca tive um sonho tão esplêndido. Por isso, a alegria brotava dentro de mim, a ponto de me fazer esquecer a dor que ainda restava no abdômen.
Finalmente, chegou o dia 15 de junho. Logo cedo pela manhã, o significado importante daquele dia tornou-se claro. É que, em meus escritos anteriores, mencionei que dentro do meu abdômen existe uma esfera (jóia) de luz. Quem leu aquilo deve saber, mas, até então, essa esfera de luz não possuía alma.
No entanto, naquele dia, a alma de um elevado Deus, que [omissão] veio de [omissão], passou a habitar ali. Isto é, a alma desse Deus nasceu neste mundo. A partir de agora, essa alma divina irá gradualmente crescendo e, à medida que se tornar adulta, o brilho da esfera aumentará progressivamente, até que, no futuro, manifestará uma grande e virtuosa potência.
E o que é interessante: no dia seguinte, 16, desde a manhã, não sentia absolutamente nenhum apetite.
Finalmente, perto do meio-dia, comecei a desejar apenas leite. Pedi ao fornecedor da prisão que o trouxesse e bebi um copo. O sabor era excepcional. Naquele momento, pensei: “É claro!”. Como sou um bebê recém-nascido, é natural que queira mamar. Certamente, este é o modelo. Assim, chegou o momento de dar o primeiro passo do grande Plano Divino. Ou seja, a flor cai e o fruto se forma. O ponto central da semente desse fruto alojou-se em meu abdômen. É, verdadeiramente, o maior evento auspicioso desde o início da humanidade. No entanto, o fato de uma obra divina tão importante, inédita e digna de ser celebrada por todos ter ocorrido dentro de uma cela sombria e lúgubre, sem um único subordinado, fez-me refletir profundamente: “Não seria isto uma grande ironia?”. Por este único fato, pode-se compreender quão profundo, sutil e além da compreensão humana é o Plano Divino. [...]
A Realidade dos Espíritos Divinos — Comprovada pela Ciência
Eikō nº 82, publicado em 13 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Recentemente, foi cientificamente comprovado que a luz emitida pelo Ohikari é mais forte que a dos raios X.
Assim, o relatório foi enviado por um fiel, conforme abaixo (omitido nesta edição), e vou explicá-lo brevemente aqui. Isso é, como sempre digo, que a luz emana dos caracteres que escrevo e, ao mesmo tempo, ocorre uma atividade de acordo com o significado dos caracteres, o que foi esclarecido por este fato atual. Numa época como a atual, em que a ciência materialista é suprema, mesmo que se veja um artigo como o acima, seria impossível para qualquer pessoa acreditar nele tal como está.
No entanto, como o fato é um fato, por mais materialista que alguém seja, não poderá negá-lo. Como é de conhecimento geral, o rápido desenvolvimento da nossa Igreja é considerado um alvo de admiração na era moderna.
Por isso, ele tende a ser questionado, mas a maioria apenas o considera misterioso, e são verdadeiramente poucos os que se dispõem a investigar a fundo sua causa, o que sempre lamentamos. A razão do desenvolvimento da nossa Igreja, em primeiro lugar, é o método de curar doenças chamado Johrei, praticado pelos fiéis.
Segundo este, as doenças realmente se curam bem. Não apenas pessoas com doenças graves e difíceis, que não se curam mesmo após receberem todas as terapias, ou que receberam a sentença de morte de um médico, se curam rapidamente, mas também a verdadeira essência das doenças e a realidade da saúde são compreendidas de forma exaustiva. Portanto, ao obter a tranquilidade e a paz espiritual em seu sentido literal, a pessoa se torna alguém que vive com alegria e, por essa razão, converte-se. É claro que há outras razões de fé, mas o fato de as doenças se curarem bem é a causa principal do desenvolvimento da nossa Igreja. Assim, vou explicar o que é o Johrei.
Primeiramente, ao se converter à nossa Igreja, recebe-se um Ohikari e, ao pendurá-lo no pescoço, surge imediatamente o poder de curar doenças. Isso ocorre porque uma luz forte é gerada a partir do Ohikari e irradiada pela palma da mão através do corpo do praticante. Nem é preciso dizer que essa é a luz dos espíritos das divindades, normalmente invisível aos olhos, mas que, ocasionalmente, algumas pessoas veem a olho nu. Essa luz é mais forte que os raios X; para explicar de modo simples, suas partículas são dezenas de vezes menores que as dos raios X e, por isso, ao atravessarem o ar, tornam-se invisíveis. Segundo a lei da matéria, quanto menores as partículas, mais densa é a concentração; quanto mais densa, mais invisível se torna e, proporcionalmente, mais forte ela se torna. Nesse sentido, quando a ciência atingir o ápice do progresso, as partículas da luz divina também serão elucidadas. Isso é a concretização da minha teoria, que sempre defendo, de que a ciência e a religião um dia se unificarão.
Compreendido isso, não será exagero afirmar que a cura de doenças da nossa Igreja é o método científico mais avançado e a medicina do século XXI.
Advertência
Eikō nº 84, publicado em 27 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Meishu-Sama proferiu as seguintes palavras.
Embora se ouça de vez em quando, os praticantes de Johrei dizem aos doentes: "Não consulte médicos", "Não tome injeções", "Não use medicamentos". Isso jamais deve ser dito, pois infringe a lei. Tudo depende da liberdade do doente; não se deve, de forma alguma, restringi-la.
Daisensekai e Sanzensekai
Eikō nº 85, publicado em 1 de janeiro do ano 26 da Era Showa (1951)
No norito da nossa Igreja, há a expressão "grandes mil três mil mundos". Como no budismo se diz "três mil grandes mil mundos", muitos se perguntam por que a ordem é inversa; explicarei aqui. Primeiramente, decifrarei o significado de ambos pelos caracteres.
O caractere "grande" em "grandes mil mundos" significa a totalidade do universo. "Grande" tem o sentido de infinito; em outras palavras, é todo o grande universo. Além disso, o caractere "grande" é composto por cinco traços: cinco é fogo, fogo é espírito, e espírito é céu; portanto, o céu deve estar em posição superior.
Por outro lado, "três mil mundos" refere-se aos três mundos — divino, espiritual e material —, sendo a designação do que resulta quando "grandes mil mundos" se separa em três. O número três é a água, e a água é o corpo. Do ponto de vista dos caracteres, "grande" começa traçando o caractere "um", sendo o início, enquanto "três" ocupa o lugar após o "dois", devendo, portanto, vir abaixo. Ademais, segundo a lei de que o espírito é o senhor e o corpo é o servo, o espírito deve estar em cima e o corpo, em baixo. Outra interpretação: se "grande" é o fogo e "três" é a água, então "grande" é o Mundo do Dia e "três" é o Mundo da Noite. Assim, se o budismo é a noite e o ensinamento da lua, até agora era o Mundo da Noite; portanto, estava correto que "três" viesse em cima. Como a nossa Igreja é a religião do Mundo do Dia, "grandes mil três mil mundos" é o mais adequado.
Quatro Nobres Verdades e o Caminho, a Lei e a Etiqueta
Eikō nº 102, publicado em 2 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
O título acima é, naturalmente, uma expressão budista, mas, como seu significado também se aplica perfeitamente aos dias atuais, passarei a explicá-lo. Kushūmetsudō, lendo-se literalmente os caracteres, significa que o sofrimento se acumula; ou seja, quando há muitas dores, o Caminho se perde. Diz-se que todo ser humano, quando tem sofrimentos em excesso, não só se torna autodestrutivo, mas também, no estilo "a necessidade não tem lei", acaba agindo de forma desviada do Caminho. Costuma-se dizer que há dois tipos de ladrões: os que são naturalmente astutos e os que, pressionados pela pobreza, mesmo sabendo que é errado, agem por desespero.
Da mesma forma, entre as prostitutas também há dois tipos: as que o fazem por gosto, mesmo sem necessidade, e as que, encurraladas pelas circunstâncias, o fazem com relutância.
É explorando essa fraqueza que o tal comunismo faz sua propaganda. Portanto, como ideal político, o mais importante é não criar pessoas necessitadas ou sofredoras. Essa é a medida mais fundamental para reduzir o crime e manter a ordem social. O ditado "quem tem posses constantes tem coração constante" também expressa bem isso. O ideal da nossa Igreja de eliminar a doença, a pobreza e o conflito nada mais é do que isso. Se assim é, e como a saúde é a base primordial de tudo, aumentar o número de pessoas saudáveis é a chave para a solução do problema.
Quanto ao próximo ponto, "Caminho, Lei e Etiqueta", essa expressão também se aplica bem aos tempos modernos.
"Caminho e Lei" referem-se, obviamente, ao Caminho e à Lei. O Caminho é estar em conformidade com o Caminho Perfeito; é por desviar-se do Caminho Perfeito que surgem as desavenças entre as pessoas, a discórdia nos lares e a desordem na sociedade. A Lei não se refere apenas às leis criadas pelos homens; existe também a Lei Divina, que, embora invisível aos olhos, é absolutamente impossível de ser violada. É preciso saber que todas as calamidades que afligem os seres humanos são, invariavelmente, punições por transgredir a Lei Divina. Na verdade, essa punição é mais temível do que as leis humanas e, além disso, é absolutamente impossível escapar dela. Naturalmente, existe também a pena de morte, e as mortes por desastres, doenças etc. são todas mortes punitivas por terem violado a Lei Divina. Assim, tudo possui uma lei. Ou seja, a Lei é o padrão e a ordem de todas as coisas. Para facilitar a compreensão: o que os seres humanos devem fazer e o que devem pensar já está claramente determinado. Por exemplo, o político tem seu papel, o educador tem seu papel, o religioso tem seu papel, o artista tem seu papel; também o funcionário público, o comerciante, o médico, o homem, a mulher — qualquer ser humano — tem regras definidas sobre o que deve e o que não deve fazer. Seguindo essas regras, tudo transcorre harmoniosamente e prospera. O antigo ditado "não ultrapasses a Lei" tem esse significado.
O próximo ponto é a "Etiqueta". Esta é, de fato, a palavra mais adequada às pessoas de hoje. Sobretudo nesse aspecto, houve um grande declínio em relação às pessoas de antigamente.
Encontro muitas pessoas diariamente, mas posso dizer que, entre dez, nem uma sequer conhece verdadeiramente a etiqueta.
No entanto, os senhores fiéis são, sem dúvida, melhores, a ponto de se distinguirem das pessoas comuns, mas ainda vejo pontos insatisfatórios no contato entre os próprios fiéis. Por isso, gostaria que se esforçassem ainda mais para aperfeiçoar esse aspecto. Contudo, na complexa vida social dos dias de hoje, não é possível praticar a cortesia exatamente como se deseja. Portanto, até certo ponto, isso é inevitável. No entanto, o que deve ser observado é que, devido a um equívoco na interpretação da democracia, é comum entre os jovens haver uma forma de pensar que não distingue entre superiores, médios e inferiores, tratando todos como iguais.
Isso é problemático. De fato, o princípio discriminatório do passado, como o sistema de quatro classes (guerreiros, agricultores, artesãos e comerciantes), também estava errado, mas o excesso de igualitarismo mal orientado dos dias de hoje é igualmente errado. O que lamento profundamente é a maneira como a educação escolar é conduzida. Devido ao excesso de liberalismo, ela tende à libertinagem, e com frequência se vê que nem mesmo a distinção entre mestre e discípulo existe. Nesse ponto, os professores também têm muito a considerar. Naturalmente, o estilo militar do passado também era problemático, mas o estilo relaxado e desleixado de hoje também o é. O importante é não ser tendencioso, observar bem o equilíbrio; o ponto crucial é a neutralidade. Nem é preciso dizer que a política educacional também deve ser direcionada para esse ponto. Esse é o significado de "etiqueta"; e, como os antigos já nos ensinaram claramente, nós, pessoas modernas, devemos agir de modo a não nos envergonharmos diante desse ensinamento.
O Significado de Jippou Sekai
Eikō nº 86, publicado em 10 de janeiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Nas escrituras budistas há a expressão "Jippou Sekai" (盡十方世界), e, como deve haver muitas pessoas que também desejam compreendê-la, escreverei a respeito. As direções leste, oeste, sul e norte, somadas às direções intermediárias — nordeste, sudoeste, noroeste e sudeste —, totalizam oito direções.
A essas, acrescentam-se as duas direções do céu e da terra, formando assim o que se chama "mundo das dez direções". Em outras palavras, trata-se das direções tendo a Terra como centro. A esse respeito, recordo-me de que, na era do sistema imperial, a festa de primeiro de janeiro era chamada de "adoração das quatro direções".
Isso, porém, não é completo. O mais adequado seria acrescentar a essas as duas direções do céu e da terra, denominando-se "adoração das seis direções". Parece que não se percebeu todo esse significado, e é de estranhar que se tenha chamado de "adoração das quatro direções".
A Validade da Terapia Sintomática
Eikō nº 114, publicado em 25 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
A medicina moderna é chamada de terapia sintomática, mas não há afirmação mais equivocada do que essa.
Métodos como aplicar gelo para baixar a febre ou anestesiar os nervos para aliviar a dor atacam apenas os sintomas superficiais, isto é, o resultado da doença; por isso, é impossível que haja cura verdadeira. Em toda doença, a causa que deveria se manifestar como sintoma permanece oculta em algum lugar. Segundo esse princípio, os sintomas são periféricos; para curar adequadamente uma doença, é imprescindível descobrir a causa fundamental e removê-la. Por exemplo, mesmo no caso de uma dor de cabeça, há duas causas: a anemia cerebral e a febre. No primeiro caso, uma solidificação ao redor do pescoço comprime os vasos sanguíneos, causando a anemia. No segundo, a febre surge da dissolução dessa solidificação que, ao afetar o cérebro, provoca a dor. Já na apendicite, há sempre uma solidificação na região dos rins, no lado direito das costas. Antes estagnada e solidificada na região do apêndice, ela se dissolve gradualmente com o tempo e se torna subitamente líquida devido à febre; a dor é a tentativa do corpo de promover a excreção pela diarreia. A dor do panarício, que surge nos dedos das mãos ou dos pés, é intensa e causada pelo inchaço quando um veneno violento, solidificado nos gânglios linfáticos do pescoço (direito ou esquerdo), tenta se excretar pela ponta do dedo: acumula-se ali primeiro e rompe a pele para sair. A dor da cãibra estomacal é sentida quando a solidificação existente nas costas se dissolve, acumula-se no estômago e tenta descer para o intestino. Todas as doenças oculares ocorrem quando as toxinas acumuladas no cérebro tentam sair pelos olhos, acumulando-se ali temporariamente. Assim, os sintomas de uma doença têm sempre uma origem fundamental. O efeito extraordinário do Johrei da nossa Igreja, que supera em muito a medicina, deve-se exatamente ao fato de tratar essa causa fundamental. Enquanto a medicina não despertar para este ponto, por mais que avance, a cura completa continuará difícil.
Mesmo Compreendendo, Não Se Compreende
Eikō nº 228, publicado em 30 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Este é, de fato, um título estranho, mas, como não pude deixar de escrevê-lo assim, assim o fiz.
Os fiéis conhecem bem este fato: quando um paciente com doença grave e incurável, abandonado pelos médicos, é milagrosamente curado pelo Johrei da nossa Igreja, médicos e ateus ficam extremamente surpresos e se perguntam se pode existir no mundo algo tão misterioso. Por mais que pensem, não conseguem compreender. Então perguntam ao Mestre que o curou e, ao ouvirem inúmeros exemplos, entendem e concordam. Mesmo que decidam tornar-se fiéis, várias circunstâncias os impedem de se converter imediatamente e, enquanto hesitam, um demônio bondoso, inevitavelmente, usa de todos os argumentos para atrapalhar. Diz ele: "Nesta época de tanto avanço científico, curar-se com algo assim é porque chegou a hora", ou "foi porque o remédio que vinha tomando começou a fazer efeito" — aconselha com palavras hábeis, e a pessoa acaba se deixando levar. Como se costuma dizer, a medicina avançou; não só o Japão, mas também os países mais desenvolvidos adotaram a medicina moderna e estabeleceram sistemas de seguridade social.
Cientistas do mundo inteiro dedicam-se à pesquisa com todas as suas forças. Hospitais magníficos são construídos em todos os lugares, com instalações perfeitas, microscópios, dissecações, análises e o surgimento contínuo de novos medicamentos — os meios de tratamento de doenças alcançaram um desenvolvimento espantoso.
Hoje em dia, um ser humano comum, que não conhece nem a primeira letra da medicina, após apenas três ou cinco dias de treino espiritual, ergue simplesmente a mão e manifesta um poder de cura superior ao da medicina — algo tão fantástico que beira o absurdo, uma história que não poderia existir.
Por isso, dizem: "Cuidado! Se você se tornar prisioneiro dessa superstição anticientífica, será um grande problema." A pessoa pensa "é mesmo" e, aliviada, diz "Kuwabara kuwabara, ah, que perigo!", dando o assunto por encerrado.
No entanto, até hoje, não houve uma única pessoa que tenha se safado ilesa dessa forma.
Quase todas, depois de algum tempo, têm uma recaída ou uma piora ainda maior que a primeira, arrependendo-se e repensando.
"Afinal, a medicina não adianta. Se naquela época eu tivesse seguido o que o Mestre disse, com certeza teria me curado pelo poder de Deus. Ah, que erro terrível cometi!" — e, envergonhadas, voltam a buscar o Johrei. Isso aparece com frequência nos relatos de graças recebidas e mostra claramente o quanto o homem moderno está mergulhado na superstição da medicina; por causa dela, não são poucos os que sofrem e até perdem a vida.
No entanto, aqueles que percebem, mesmo que tarde, ao menos salvam a vida.
Mas há muitos que, agarrados ao tratamento médico até o fim, sofrem intensamente e só percebem quando já estão à beira da morte. Quando chegam a esse ponto, já é tarde demais; por mais que se debatam, não há outro caminho senão o Inferno. Observando o percurso acima, se a pessoa, ao se curar inicialmente, simplesmente acreditasse no fato, não haveria problema algum. Mas, como é seduzida por esses mortos-vivos da superstição que se fazem de bondosos, o cérebro do homem moderno passou a valorizar mais a lógica do que os fatos, tornando-se completamente distorcido. Em suma, como diz o título, não há outra forma senão dizer que, mesmo compreendendo, não se compreende.
A Situação Social Atual
Eikō nº 214, publicado em 24 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Observando atentamente a situação atual da sociedade, há um número excessivo de pontos incompreensíveis.
Vou escrever sobre qual seria a razão disso. Haveria diversas causas, mas a primeira delas é a grande quantidade de incêndios de grande, médio e pequeno porte que ocorrem em várias regiões nos dias de hoje, com prejuízos consideráveis. Qualquer um pensará que deve haver, por trás disso, alguma causa ainda desconhecida para os seres humanos. Além disso, quanto aos acidentes de trânsito — colisões, descarrilamentos, quedas, etc. —, os danos causados a pessoas e animais em cada ocasião também não são nada desprezíveis. Entre os fenômenos mais graves estão as brigas por motivos fúteis, as agressões mútuas, os casos de ferimentos e mortes, etc. A atitude de tratar a vida humana com tamanha leviandade é algo que não se pode explicar pelo senso comum. Enquadra-se nisso também matar alguém facilmente para roubar uma quantia insignificante de dinheiro, como estrangular o motorista de um táxi para roubar apenas mil ou dois mil ienes, tratando a vida alheia como um par de sapatos velhos. O que foi dito acima diz respeito aos homens, mas também entre as mulheres há muitas coisas que não são dignas de admiração.
Entre elas, o que considero mais lastimável é o declínio do senso de castidade. Também não quero defender coisas tão rígidas como na era feudal — talvez o que vemos hoje seja até uma reação a isso — mas, de qualquer forma, não posso deixar de pensar que a situação atual é um exagero, por mais que se pense. Ultimamente, ao andar pela cidade, ver prostitutas caminhando abertamente e, mais ainda, com ar de orgulho, de braços dados com soldados estrangeiros — ainda que se possa argumentar que é inevitável — causa em qualquer um um sentimento de vergonha nacional. Por analogia, o normal é esconder ao máximo as partes sujas do corpo humano. Escrevi o que me veio à mente, mas, afinal, onde reside a causa de tudo isso? Isso, sim, pode ser bem compreendido à luz da nossa Medicina do Espírito Divino.
É que nunca houve época em que os seres humanos usassem tantos medicamentos como hoje. Em outras palavras, as pessoas introduzem grandes quantidades de medicamentos no corpo e, ao mesmo tempo, como a vida cultural moderna exige uso excessivo do cérebro, os venenos chamados medicamentos acumulam-se e solidificam-se justamente nessa região. Esse local fica próximo à nuca e ao bulbo raquidiano; por isso, qualquer pessoa que toque ali certamente perceberá também um estado ligeiramente febril, devido à dissolução dessa substância. Como essa solidificação comprime os vasos sanguíneos do cérebro, ocorre constantemente uma leve anemia cerebral e, ao mesmo tempo, o estado febril afeta o cérebro, tornando sua atividade lenta. Por essa razão, dificilmente existe hoje em dia alguém que não apresente sintomas como cabeça pesada, sensação de peso, letargia, impaciência, dificuldade de concentração, sensação de opressão, pessimismo, etc. Na medicina, isso é chamado de neurastenia. É então que se manifesta a atividade de eliminação da toxina medicamentosa solidificada, isto é, o processo de purificação. Embora essa ação seja a causa de resfriados, diarreia, doenças estomacais, doenças pulmonares, doenças cardíacas, insônia, doenças mentais, disenteria, disenteria epidêmica, etc., a medicina, por não compreender isso, aplica terapias contrárias; por isso, é natural que essas doenças aumentem em vez de diminuir. No entanto, o único lugar onde esse princípio é compreendido de forma completa é a nossa Igreja Messiânica, e o método para curá-lo perfeitamente é a nossa terapia do Johrei. Portanto, as pessoas que apresentam os sintomas acima devem, custe o que custar, abandonar os medicamentos e vir para a nossa Igreja. Com isso, os sofrimentos acima desaparecerão como que limpos, e será possível levar uma vida alegre e radiante.
E, se com isso forem resolvidos os acidentes, crimes, pobreza e conflitos da sociedade, o que mais seria esta religião, senão a que constrói o Paraíso Terrestre?
A Tristeza dos Intelectuais
Eikō nº 89, publicado em 31 de janeiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Em 14 de dezembro do 25º ano da Era Showa (1950), a edição vespertina do jornal "Yomiuri" publicou o seguinte artigo.
A Miséria dos Pintores
Kenichi Nakamura
Um Tema por Dia
Ontem à tarde, recebi a visita da viúva de um escultor.
Ela já tem setenta e cinco ou seis anos.
Durante cerca de trinta anos de viuvez, criou cinco filhos, mas isso não deu em nada.
Seu único filho homem formou-se na escola há cerca de dez anos e trabalhava em um certo jornal, mas faleceu de doença.
A filha mais velha, que era colega de classe de minha esposa e pintava, casou-se com um membro de uma certa associação de pintura ocidental.
Ele, em meio à pobreza extrema, contraiu uma doença incurável e agora está hospitalizado sob a proteção de um assistente social. Talvez pelo cansaço de cuidar dele, a tuberculose que ela já tinha se agravou; ela adoeceu e faleceu dois dias depois da doença do marido. O marido, até agora, nem sabe disso.
A próxima filha também se casou com um pintor. A sogra está acamada há dois ou três anos, e ela também adoeceu dos pulmões. Tem três filhos e está passando necessidade para custear as despesas com estreptomicina.
A terceira filha casou-se com um jovem percussionista, mas também ela parece estar doente.
A filha mais nova, solteira, dá aulas de cerimônia do chá junto com esta senhora idosa para sobreviverem neste mundo difícil, mas, devido ao excesso de fadiga, a cárie óssea que teve no passado parece estar reaparecendo, e ela está de cama.
Esta senhora idosa, com mais de setenta anos, é a única que está saudável — uma pessoa dotada de uma vitalidade extraordinária.
Dizem que são necessários quarenta frascos de estreptomicina para a segunda filha e que, comprando pelo canal oficial, cada frasco custaria trezentos e poucos ienes; mas é difícil de conseguir, e normalmente o preço gira em torno de cem e poucos ienes. Num dia a senhora corre para o hospital de Kiyose; no outro, para outro hospital, sem conseguir arranjar o dinheiro. Há ainda a questão do túmulo da filha mais velha, já falecida. A cada dois dias, precisa levar algum agrado ao hospital do genro, o pintor internado. Precisa cuidar da segunda filha, dos netos da terceira e, ao voltar para casa, da filha mais nova. Se não der aulas particulares de cerimônia do chá, não consegue se sustentar. Dessa forma, esta senhora é, ela própria, uma das que precisam de proteção, e assim por diante.
Ao ler o artigo acima, há algo que não se pode ignorar levianamente, pois exemplos como este são surpreendentemente comuns no mundo de hoje. Provavelmente é algo que não existia para as pessoas do passado — e isso fica claro pelo fato de não vermos tais relatos nem em conversas nem em documentos antigos —, o que torna a situação um problema realmente grave.
Por quê? Porque, comparado ao passado, o avanço da medicina de hoje é incomparável. Além disso, as pessoas do artigo pertencem, antes de tudo, à camada dos intelectuais e, portanto, deveriam ter cultivado plenamente a consciência de higiene. No entanto, mesmo vendo ou ouvindo exemplos como este, as pessoas modernas não sentem a menor dúvida e o consideram algo natural. Desnecessário dizer que isso se deve, provavelmente, ao fato de estarem completamente cegas pela fé cega na medicina moderna, sem terem a menor folga para considerar outras coisas.
Pode-se dizer que perderam totalmente a capacidade de julgamento correto. Não podemos deixar de nos surpreender com o quanto acreditam nisso. No entanto, mesmo que lhes mostremos o fato de que salvamos aqueles que caíram em infortúnios por doenças como as do artigo, mesmo que escrevamos nos jornais, elas não demonstram o menor interesse.
São quase insensíveis. Não importa o que digam: se a nossa Igreja tem o poder de criar lares livres de doença, pobreza e conflito, há aqueles que estão prestes a se afogar e, bem próximos, aqueles que têm a corda para salvá-los. Mesmo que tentemos fazê-los agarrar essa corda rapidamente, há um obstáculo entre os dois. Por isso, a não ser que removamos esse obstáculo, não há como salvá-los. E o que é esse obstáculo? É, como todos sabem, a própria superstição científica mencionada anteriormente.
O Japão é uma Fábrica de Montagem Cultural
Eikō nº 195, publicado em 11 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Embora sejam japoneses, parece que quase ninguém conhece o caráter nacional do Japão e sua missão.
Até antes do fim da guerra, é verdade que pessoas de uma certa facção pregavam teorias nacionalistas egocêntricas; mas o que é de conhecimento geral é que, aproveitando-se dessas teorias, os círculos militares da época as proclamavam insistentemente e as utilizavam como instrumento para incitar o povo.
Que isso se tornou um fator bastante negativo ficou bem claro com a derrota na guerra. Contudo, o que pretendo dizer aqui agora é fundamentalmente diferente disso, por isso peço que leiam com essa disposição. A esse respeito, certa vez vi o método de funcionamento da empresa automobilística Ford, nos Estados Unidos, e fiquei impressionado.
Esse método consiste em criar muitas pequenas empresas especializadas em peças e fazer com que transportem seus produtos para a empresa principal, onde são reunidos. Lá, cada uma dessas peças é montada, e o produto é vendido como um automóvel completo.
Penso que o país que realiza um trabalho exatamente igual a esse é o Japão. Ou seja, é como se ele absorvesse as características de cada país, as montasse e as vendesse para o mundo como uma cultura completa e sintética. Essa é a missão do país chamado Japão, e por isso o Japão não possui uma cultura própria marcante. Para dar um exemplo: a cultura mecânica dos Estados Unidos, a política democrática e o progressismo, é claro; mas também a política conservadora e sólida da Inglaterra e seu socialismo moderado, a bela relação entre o Imperador e o povo; e, além disso, a arte especial e liberalista da França, como a pintura, a literatura e a música; a cultura vigorosa e progressista da Alemanha; a religião e a arte clássica da Itália; a cultura antiga da China, especialmente os caracteres chineses, a literatura chinesa e o confucionismo; o budismo da Índia — enfim, as características culturais de cada país foram todas absorvidas pelo Japão.
Os japoneses de visão curta que veem essas coisas dizem, desde tempos antigos, que o Japão é um país que gosta de imitar, um gênio da imitação, mas isso é porque não conhecem o significado profundo. Por essa razão, têm o mau hábito de, ao verem uma cultura estrangeira notável, imediatamente adorá-la e, ao mesmo tempo, menosprezar o Japão. Essa manifestação fica clara pelo fato de que, após o fim da guerra, pensavam que tudo o que fosse americano era bom.
Para ilustrar isso, tenho mais um bom exemplo. É que o Japão é a origem do sol, é o país do sol. Quando o sol gira os sete raios de luz, eles se tornam uma única cor branca. Se pensarmos no significado disso, certamente concordarão. Aplicando essa ideia, vemos que o Japão atual absorveu as cores de cada país, mas ainda não chegou ao ponto de girá-las. E por que não consegue girá-las? Isso é igual a uma roda: o eixo ainda não está pronto. O eixo é, sem dúvida, o Sol. E quando e onde esse Sol aparecerá? É exatamente, como sempre digo, através da nossa Igreja Messiânica; e isso também é um dos importantes objetivos da cultura do Sol da qual sempre falo. Contudo, hoje, quando a cultura do Sol acaba de nascer, gradualmente, com o amadurecimento do tempo, quando se tornar um eixo completo, começará a girar. Só então se tornará o mundo solar de cor branca, e começará a brilhar a partir do Japão. Isso também é o início do mundo diurno de que falo, e é a manifestação da Luz do Oriente; por isso, compreenderão isso pouco a pouco. Em seguida, há mais uma coisa que quero dizer: existem países que, por não compreenderem o significado acima, tentam tingir o mundo com sua própria cor. Por mais que tentem, no final, isso será apenas trabalho perdido e canseira inútil — por isso peço que reflitam sobre isso.
Imunidade e Resistência
Eikō nº 103, publicado em 9 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
A medicina frequentemente afirma que, ao contrair doenças como sarampo, tifo, disenteria e várias outras doenças contagiosas e se curar completamente, a pessoa torna-se imune e não as contrai novamente.
A razão para isso, segundo os médicos, é o desenvolvimento de resistência contra aquela doença. No entanto, do nosso ponto de vista, isso é um completo equívoco; por isso, escreverei a interpretação baseada na medicina divina. Em primeiro lugar, as doenças contagiosas existem para eliminar as toxinas malignas presentes no sangue humano; são uma ação natural de purificação do sangue, sendo inteiramente uma graça de Deus.
Quando um micróbio invade o corpo, há casos em que a doença contagiosa se manifesta e casos em que não, e isso se deve, como dito anteriormente, à quantidade de toxinas. Naturalmente, aqueles que desenvolvem a doença são os que possuem maior quantidade de toxinas. Uma vez que o micróbio entra na corrente sanguínea, ele imediatamente se alimenta das toxinas, que são seu próprio alimento, e se multiplica a uma velocidade extraordinária. Felizmente, porém, enquanto se multiplica, os micróbios que já cumpriram seu papel vão morrendo um após o outro.
Dessa forma, ao consumirem todas as toxinas, a doença se cura. Como resultado, a pessoa torna-se alguém de sangue purificado, sem toxinas, e não há mais o risco de contrair novamente aquela doença contagiosa. A isso se dá o nome de imunidade. Esta é a verdade dos fatos. Vista a partir do resultado, a explicação médica de que isso se deve ao desenvolvimento de resistência é, provavelmente, uma espécie de teoria imaginativa. Acima de tudo, isso se torna evidente ao observar que, após contrair uma doença contagiosa e se curar, a pessoa invariavelmente tem a saúde melhorada em comparação com antes da doença.
Se este princípio for compreendido profundamente, as doenças contagiosas não são algo a ser temido; pelo contrário, deveriam ser bem-vindas. Portanto, deve-se considerar que o agravamento ou a morte de pacientes com doenças contagiosas se deve à aplicação de terapias contrárias a este princípio.
Ciência e Arte
Eikō nº 154, publicado em 30 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
No mundo de hoje, parece que se pensa que tudo pode ser resolvido pela ciência, mas existem algumas coisas importantes que, de modo algum, podem ser resolvidas por ela.
E, surpreendentemente, parece que as pessoas não se dão conta disso.
O que seria isso? É a arte. Da pintura e das inúmeras obras de arte e artesanato até a literatura, a música, o cinema e o teatro, há um pouco de cientificidade, mas, no geral, é desnecessário dizer que o gênio, a sabedoria, a consciência e o esforço de cada pessoa se combinam e formam a base. No entanto, todos sabem quão necessária é a arte para a sociedade humana.
Se fosse uma sociedade sem arte, seria como estar preso em uma prisão de pedra, insípida e árida. Como exemplo disso, sempre que ando pela cidade, sinto o seguinte: se de ambos os lados não houvesse lojas, residências, prédios, departamentos, árvores nas ruas, nem o verde das árvores nos jardins de cada casa, e se houvesse apenas muros cinzentos como os de uma prisão, estendendo-se em linha reta, provavelmente não suportaríamos andar nem por algumas quadras.
Assim, a beleza das fileiras de casas ricas em cores, os rostos, as roupas e as expressões diferentes de cada pessoa que passa, o modo de andar, a figura marcante dos jovens e moças que exibem a moda, os idosos, e até as pessoas que acabaram de chegar do interior — tudo isso, de alguma forma, nos proporciona interesse.
Como tudo isso se reflete em nossos olhos em constante mudança, podemos andar sem nos cansar. E, mesmo ao deixar a cidade e pegar um trem ou ônibus, as montanhas, rios, árvores e plantas, as paisagens rurais, etc., que entram pelos olhos vindos de fora da janela, já são suficientes para aliviar o tédio. Além disso, as várias mudanças trazidas pelas estações da primavera, verão, outono e inverno enriquecem nosso coração. De fato, o mundo é uma arte criada pela combinação da natureza e do ser humano, e é por isso que vale a pena viver como ser humano. Pensando assim, pode-se compreender que mesmo a ciência é uma parte da arte e desempenha um papel auxiliar. É, portanto, uma constatação demasiado evidente que a arte é algo importante e inseparável da vida. Nesse sentido, a nossa Igreja Messiânica trata e incentiva a arte com um interesse que não se via nas religiões até hoje.
Dito isso, mesmo falando apenas em arte, existem níveis superior, médio e inferior. Mesmo sendo arte, quando é de nível baixo, pode, ao contrário, rebaixar o ser humano e até levá-lo à decadência — sendo necessário, portanto, estar atento a isso.
Assim, é imprescindível que seja uma arte elevada, que, ao mesmo tempo em que proporciona prazer, eleve o sentimento.
No entanto, se perguntarmos se existe de fato uma instituição desse tipo, é de conhecimento geral que, deixando de lado os países estrangeiros, no Japão a situação, nesse aspecto, é realmente pobre. Nesse sentido, a nossa Igreja está atualmente construindo o Paraíso Terrestre e um museu de arte a ele anexo, colocando em prática o que é necessário para suprir essa deficiência. Desde os tempos antigos, diz-se que a religião é a mãe da arte, e essa expressão parece ilustrar bem isso.
A Unificação da Religião, Filosofia e Ciência
Eikō nº 91, publicado em 14 de fevereiro do ano 26 da Era Showa (1951)
O conteúdo desta tese está várias camadas acima do nível atual da religião, da filosofia e da ciência, mas, à medida que se lê, deve-se chegar a uma compreensão profunda. Primeiramente, quanto ao estado atual do mundo científico, como todos sabem, ele avançou até a era atômica, culminando na descoberta do méson pelo Dr. Yukawa. Como é de conhecimento geral, isso representa a vanguarda da física teórica da ciência atômica. No entanto, os estudiosos de todo o mundo envidam esforços extraordinários visando descobertas além disso, e a situação atual é de quase impasse, como quem bate em uma parede sem saber o que fazer. Curiosamente, o mesmo ocorre na filosofia. A mais recente é a chamada filosofia existencialista, mas, por meio dela também, assim como na ciência, a realidade é que se bateu em uma parede e não se consegue avançar.
Por isso, os filósofos recentes estão desviando a ponta da lança da lógica para a palavra "Absoluto", o que é realmente interessante. "Absoluto", nem é preciso dizer, é um sinônimo de Deus; usar a palavra Deus faria com que se adentrasse no campo da religião, então, provavelmente, não têm escolha a não ser dizer dessa forma. Quanto à religião, esta também, como não poderia deixar de ser, chegou a um impasse do qual não há como sair. Isso porque os milagres, que são o verdadeiro domínio da religião, são, na verdade, muito escassos.
Assim, forçosamente, tentam suprir isso com teorias ou buscam dar significado ao seu valor de existência por meio de várias obras sociais, etc. O fato de quase não conseguirem realizar nenhuma atividade eficaz contra as doenças, os crimes e as guerras — os maiores sofrimentos da humanidade — também demonstra bem esse impasse. O que essa realidade estaria sugerindo, afinal? Naturalmente, todas as pessoas instruídas do mundo estão estagnadas sob a mesma concepção.
Chegando a este ponto, estou atualmente escrevendo uma tese para romper todos esses impasses e apresentar uma grande diretriz. Por ora, escreverei apenas o seu conceito. Por exemplo, mesmo na ciência atômica, se der mais um passo, irá irromper no Mundo Inorgânico. De todo modo, este Mundo Inorgânico não pode ser medido por máquinas, sendo, portanto, completamente impossível de apreender.
Nem é preciso dizer que este mundo é precisamente a antessala do Mundo do espírito divino e a origem de todas as coisas. Cientificamente falando, é um mundo constituído por partículas infinitamente pequenas, e essas partículas são também a origem da luz, podendo ser aplicadas como radioatividade. Além disso, essa capacidade radioativa pode manifestar um poder que a humanidade jamais experimentou. Em termos científicos, isso se chama ciência teórica do espírito divino; e, ao mesmo tempo, é também a ciência experimental do espírito divino, assim como a física experimental o é para a ciência. Como manifestação dessa ciência experimental do espírito divino, isso fica evidente a partir de milagres como o fato, relatado recentemente, de raios X não conseguirem atravessar a luz do espírito divino, ou o caso em que, não havendo ninguém, um grande som foi emitido e o muro da casa vizinha, de um descrente, quase desabou.
Portanto, mesmo a luz da bomba atômica, que atualmente é o maior objeto de terror da humanidade, provavelmente seria impossível de atravessar. Se assim for, não seria impossível, de modo algum, trazer uma era sem guerras por meio do poder desses espíritos de divindades. Outro ponto: a origem dos micróbios, considerados pela medicina a única causa de doenças, também pode ser claramente apreendida pela ciência teórica do espírito divino.
Portanto, a realização de um mundo sem doenças não é algo tão difícil. Em suma, como a religião, a filosofia e a ciência chegaram a um passo da antessala do Mundo do espírito divino e ali estagnaram, a era atual se tornou uma era de escuridão e ignorância.
Diante disso, Deus, fazendo-me abrir essa barreira — ou melhor, essa porta de pedra — e guiar para o Mundo da Luz, concedeu, por esse grande amor, o surgimento da nossa Igreja. Poder-se-ia chamar isso de "A Abertura da Porta de Pedra do Mundo".
O Banho Interno
Eikō nº 147, publicado em 12 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Escrevo constantemente sobre os erros da medicina moderna, mas, como há muito tempo se estabeleceu que doença é sinônimo de médico e remédio, mesmo que as pessoas compreendam que a lógica que apresento é verdadeira, a maioria delas não consegue colocá-la em prática com determinação.
Por isso, para essas pessoas, penso em escrever aqui da forma mais clara possível. A doença mais fácil de entender a esse respeito é, sem dúvida, o resfriado.
Assim que se pega um resfriado, a febre surge subitamente, e sobrevêm sofrimentos como tosse, catarro, espirros, coriza, dor de cabeça e dores nas juntas; então a pessoa corre para ser examinada por um médico. No entanto, há um problema nisso. Embora todos pensem que é apenas um resfriado, surge a preocupação de que, se descuidar, não se sabe o que pode acontecer, ou talvez seja o início de uma doença grave. Assim, a pessoa segue as ordens do médico e espera a cura. Há também quem tome aspirina ou decocção de raiz de kudzu, ou remédios caseiros como ovo com saquê aquecido ou carvão de tangerina queimada e, cobrindo-se bem com o futon, fica vermelho e sua bastante. Já as pessoas medrosas e de coração sensível, achando que não podem usar métodos tão caseiros e que seria terrível atrasar o tratamento — pois isso sim seria irremediável —, correm para o médico em quem confiam habitualmente. Lá, fazem várias perguntas ao médico, mas, como a medicina sequer conhece a causa do resfriado, ele não consegue dar uma explicação clara, e a pessoa não fica tranquila. Isso é natural, pois o próprio médico, em seu íntimo, teme que possa ser uma pneumonia; por isso suas palavras são superficiais, do tipo "o mais importante é o repouso, cuide-se bem", o que é extremamente angustiante. Como não há outra alternativa, porém, a pessoa fica apavorada, o dia inteiro grudada no termômetro, o que, aos meus olhos, é deveras ridículo. Como sempre digo, contudo, não há nada tão bom quanto um resfriado. Ele é a limpeza das toxinas acumuladas em alguma parte do corpo. Ou seja: o catarro derretido pela febre, a coriza, o suor, etc., uma vez que saem o suficiente, levam à cura, e a pessoa fica completamente aliviada, com a saúde melhorada.
Em outras palavras, é possível fazer a limpeza interna do corpo de graça.
Não há bênção maior do que essa. Para dar um exemplo, pode-se pensar que o banho é o método de limpeza externa, e o resfriado, o método de limpeza interna. É como remover a sujeira acumulada na pele e, da mesma forma, remover a sujeira acumulada no interior do corpo. O catarro, a secreção nasal e o suor também são, portanto, sujeira. É claro que a pele pode ser lavada com as mãos, então não há problema; mas o interior do abdômen não pode ser lavado assim.
No entanto, a grande natureza é algo digno de gratidão, pois lava e remove essa sujeira através do método chamado resfriado. Como o Deus Criador fez algo tão engenhoso! Se é assim, devemos realmente agradecer ao resfriado. O melhor, portanto, é pegar resfriado sempre que possível — esta é, antes de tudo, a melhor forma de saúde.
É, enfim, um método de saúde criado por Deus. Consequentemente, só de compreender essa lógica, é natural que a preocupação diminua em mais da metade. Pelo contrário, o melhor é não fazer tratamento algum e simplesmente deixar o corpo em paz, pois assim a cura ocorre de forma muito tranquila. Da próxima vez que pegar um resfriado, experimente e verá. Além disso, uma vez purificado o interior do corpo, a pessoa gradualmente para de pegar resfriados. No entanto, é realmente estranho que uma lógica tão simples não tenha sido compreendida até hoje, e penso que não existe ser mais tolo do que o ser humano. Por isso, as pessoas temem o resfriado desnecessariamente e, quando o pegam, gastam dinheiro à toa, deixam de trabalhar, sofrem em vão e, no final, acabam contraindo tuberculose. Dá até vontade de dizer: "Ó criatura digna de pena, teu nome é ser humano!" E não é só isso.
O problema aqui são os remédios. Como dito anteriormente, a medicina interpreta ao contrário o método de limpeza interna, tentando detê-lo, e para isso utiliza substâncias chamadas remédios, que são venenos. Não existe um único remédio correto neste mundo. Se forçarmos a barra, talvez o arroz cozido seja um, pois, enquanto o ser humano vive, não pode passar um dia sem ele. Todos os demais itens hoje valorizados como remédios são, na verdade, venenos, e atrapalham a cura pela força do próprio veneno. Não pode haver erro maior do que este. E por que ocorreu um erro tão grande? Porque o sofrimento da ação de limpeza é aliviado temporariamente pelos remédios, e as pessoas têm a ilusão de que estão curadas. Se é assim, os remédios são, de fato, o fruto proibido.
Há, porém, algo ainda mais grave. A toxina medicamentosa, uma vez que entra no corpo, permanece em sua maior parte e, mesmo depois de anos ou décadas, não é eliminada, solidificando-se em várias partes do corpo.
Então, ocorre a ação de limpeza. Isso é o resfriado. Se deixado em paz, certamente se curaria; mas as pessoas, de propósito, complicam a doença com remédios, criando outras enfermidades ou agravando-a, e até perdem a vida. Fico tão estupefato que não consigo nem falar. Vendo por esse ângulo, a causa das doenças está inteiramente na toxina medicamentosa. Portanto, se o ser humano abandonar os remédios e se esforçar para pegar resfriados sempre que possível, garanto que passará o ano todo sem doenças e calamidades, e terá uma vida longa. Descobri esse erro magnífico da humanidade e, além disso, ensino até mesmo o método de eliminação da toxina medicamentosa chamado Johrei.
Assim, pode-se compreender quão grande é a salvação que minha obra representa.
Vocês hão de concordar que não é mera fanfarronice quando proclamo, com ar de grandeza, a construção do Paraíso Terrestre que prego, onde não haverá doença, pobreza e conflito.
A Surpreendente Inundação de Doentes nos Estados Unidos
Eikō nº 175, publicado em 24 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
O relatório a seguir foi trazido pelo senhor Bunji Tatematsu, seguidor da nossa Igreja, que, após um ano de estudos na Universidade de Notre Dame (de orientação católica) nos Estados Unidos, retornou recentemente ao Japão.
Ele trouxe consigo um registro meticuloso das estatísticas atuais sobre as principais doenças na América, que eu havia solicitado anteriormente. Ao examiná-las, fiquei estupefato, pois elas corroboram minha tese de forma demasiado evidente. Hoje, qualquer japonês imagina que, por se tratar da medicina americana — atualmente tão pujante, a ponto de ter ultrapassado a Alemanha, que até pouco tempo detinha a hegemonia mundial —, certamente estaria obtendo resultados esplêndidos. Eu também pensava assim. No entanto, a realidade frustrou completamente essa expectativa, e não posso deixar de me surpreender com sua condição lastimável. Se essa tendência continuar, não é difícil imaginar que esse estado temeroso aumentará cada vez mais e, em algum momento, a nação como um todo enfrentará uma grande crise. Além disso, os Estados Unidos consideram atualmente uma grande ameaça o armamento da União Soviética — contra o qual toda a nação se esforça com medidas de contenção —, bem como a obstinada ação expansionista do comunismo.
No entanto, não se pode ignorar a gravidade dessa questão da saúde, que é distinta daquela. Penso que ela pode ser até mais importante que o comunismo: é um grande problema que não pode ser negligenciado, nem por um dia sequer. Isso porque, enquanto a ameaça comunista, de certa forma, vem sendo contida pela força da união das nações de ideologia liberal, com esta questão não se pode fazer o mesmo. A razão é que, devido à imaturidade da medicina moderna, nem mesmo a causa se conhece; e, ainda que se descubra, se o método de solução for impossível, a situação é extremamente grave. Longe de ser natural, do meu ponto de vista, por mais inacreditável que pareça, a própria medicina é a causa. Se não nos dermos conta disso, o futuro só poderá seguir um caminho de piora, como se pode ver claramente pelas estatísticas abaixo. O fato é que, com o passar dos anos, todas as doenças aumentam de forma acelerada. Enquanto essa tendência continuar, não hesito em afirmar que, mesmo os Estados Unidos, tão poderosos quanto são hoje, entrarão inevitavelmente em rápido declínio em menos de um século. Ao observar as nações civilizadas do mundo, posso dizer que os Estados Unidos são, em suma, o primeiro exemplo de país que adota o Cristianismo como princípio de sua fundação, onde o povo em geral crê em Deus e a justiça é praticada.
Isso também é a base da prosperidade americana e, sem dúvida, a força motriz que a torna uma grande nação. Se os Estados Unidos são, naturalmente, o rei das nações que mantêm a paz mundial hoje, salvar este país é, antes de tudo, a maior condição para a paz e a felicidade. Nesse sentido, o que mais poderia ser o grande amor de Deus senão fazer com que conheçam, o mais rápido possível, a causa fundamental do aumento das doenças naquele país e ensinar-lhes o método de solução? Pretendo, portanto, seguindo a ordem das estatísticas, esclarecer detalhadamente a causa, os meios de cura e os métodos de prevenção de cada doença, transformando-os em um livreto que distribuirei ao presidente dos Estados Unidos, bem como a especialistas de diversas áreas e a profissionais da medicina. A propósito, gostaria de dizer algo também sobre o Japão. Apesar de a medicina americana ter a realidade acima descrita, estamos erroneamente acreditando que ela é a mais excelente e tentando adotá-la.
Isso é, na verdade, um ponto cego lamentável. Resulta inteiramente de estarmos aprisionados pela ciência materialista; não passa de uma consequência de estarmos deslumbrados com as instalações, a excelência dos equipamentos e o surgimento contínuo de novos medicamentos potentes — que são apenas o aspecto superficial do progresso da medicina americana. Portanto, o Japão está em uma situação tão perigosa quanto os Estados Unidos.
Seria bom, assim, que as autoridades japonesas lessem este texto e rapidamente se dessem conta disso; mas, se continuarem a não despertar do sonho ilusório, o futuro do nosso país também será sombrio. Por fim, gostaria de dizer uma coisa: a lei de ferro segundo a qual, quanto mais a medicina avança, mais os doentes aumentam é algo que os Estados Unidos estão demonstrando atualmente ao mundo inteiro de forma inequívoca.
O Johrei é Eficaz para Tudo
Eikō nº 112, publicado em 11 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Como sempre digo, através do Johrei recebemos bênçãos para diversas coisas, mas o relato de graça* a seguir é um caso raro, por isso acrescentei este texto.
Como o Johrei ajusta a forma do corpo, é ideal para artistas de palco, especialmente dançarinos. Além disso, como as mulheres modernas usam roupas ocidentais com frequência, acho que é extremamente bom para elas. De todo modo, não só a forma física melhora, como o sangue se torna puro, a cor e o brilho do rosto melhoram, a pele adquire viço, e a mente também se torna refrescante, resultando em um olhar radiante. Assim, a pessoa se torna mais fácil de ser querida por todos, alcançando cem por cento de atratividade. Que maravilhoso método de embelezamento não é este? Isso se compreende bem, acima de tudo, ao ver que as mulheres convertidas à nossa Igreja, sem exceção, tornam-se assim.
"Espere um Momento para a Prova" (texto principal omitido)
Como Será o Mundo Daqui em Diante
Eikō nº 206, publicado em 29 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
Não deve haver questão maior do que saber como será o mundo daqui para frente.
Sobre isso, penso em escrever algo de modo geral, mas, primeiramente, tratemos de Stálin, essa figura extraordinária e rara que, de repente, desapareceu. Vou abordar este ponto inicialmente. A teoria do comunismo, que Karl Marx e Engels começaram a defender há cerca de cem anos, na época não passava de uma teoria idealista, que não ultrapassava o âmbito de ser objeto de pesquisa para estudiosos e instrumento de movimentos sociais para algumas pessoas. No entanto, quem a trouxe à realidade mais cedo do que se imaginava foi Lênin, fato que ainda está vivo na memória. Ele rapidamente derrubou o regime Romanov da época e, quando estava prestes a dar continuidade a seu projeto, partiu deste mundo. Quem lhe sucedeu foi Stálin, que, ao longo de mais de trinta anos, construiu um sólido império comunista. Pode-se dizer que seu braço poderoso foi verdadeiramente uma visão grandiosa do século; portanto, independentemente do juízo sobre o bem e o mal, ele ainda deve ser considerado um grande homem na história. No entanto, o que devemos considerar aqui é o futuro da União Soviética após a morte de Stálin, e também o futuro do próprio comunismo. De fato, Malenkov, como sucessor, é sem dúvida uma figura de destaque, mas é evidente que não possui o porte de Stálin, e é provável que a era de ouro de Stálin dificilmente se repita. Dependendo do ponto de vista, não sou o único a pensar que a era gloriosa do comunismo já passou e que ele está gradualmente entrando em declínio. Isso se percebe pelo fato de que, mesmo tendo se passado tão pouco tempo desde sua morte, a política externa tradicional mudou completamente, e uma ofensiva pela paz tem sido fortemente promovida. Deixando isso de lado, passemos agora ao futuro dos Estados Unidos.
É certo que, comparado à época em que Stálin estava vivo, a situação será consideravelmente mais tranquila por um tempo, mas ainda assim não se pode descuidar. Isso porque, embora o armamento soviético não seja ostensivo, é possível perceber, pelas notícias recentes do exterior, que eles estão se empenhando incansavelmente em seu fortalecimento. Diante disso, a política do presidente Eisenhower também é clara, pois ele declarou que manterá o armamento como até agora por um certo período. Nem é preciso dizer, assim, que o caminho para a paz mundial se torna cada vez mais distante. Ao prognosticar o futuro do Japão por meio da revelação divina, vejo que o Japão, num futuro próximo, enfrentará um grande problema quase sem precedentes. No entanto, não posso afirmar isso claramente agora, pois não tenho permissão de Deus. Mas é possível imaginar que isso se tornará o ponto de partida para uma grande transformação mundial, afetando sucessivamente todas as áreas da cultura — religião, política, economia, educação, medicina, entre outras. Também ocorrerá uma grande mudança na União Soviética e, como resultado, surgirá no mundo um novo pensamento. Por fim, o mundo pacífico e feliz tão esperado pela humanidade estará a caminho de se concretizar.
Então, o que é esse novo pensamento? Não é o comunismo, nem o socialismo, nem o capitalismo, nem a democracia.
Não se inclina para a esquerda, nem para a direita, nem é neutro. É o que chamamos, em nosso meio, de pensamento de Izunome, um pensamento cultural elevado que está por surgir. Em breve, esse pensamento liderará o mundo futuro. Isso é a manifestação do profundo Plano Divino e, sendo algo decisivo, quer se goste ou não, certamente se realizará. Ou seja, será construído o Paraíso Terrestre, um mundo eternamente livre de doença, pobreza e conflito, que é o lema da nossa Igreja. No entanto, até que isso aconteça, haverá curvas e desvios, ondas e reviravoltas, e momentos de incerteza sobre o rumo a seguir.
É preciso, portanto, estar preparado para isso com antecedência. Essa preparação consiste, naturalmente, em aprofundar-se na fé. E, por meio dela, qualquer sofrimento se torna mais leve — é aí que se encontra o grande amor de Deus. Em suma, a raiz desta grande era de transição mundial é o surgimento de uma nova era, literalmente, em que o mal perece e o bem prospera. Quem não consegue acreditar nisso é justamente aquele de quem se diz: "Ó criatura digna de pena, teu nome é ateu!"
A Causa do Pecado É o Medicamento
Eikō nº 142, publicado em 6 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Qualquer pessoa que ler este título ficará extremamente surpresa.
Isso porque jamais se poderia imaginar, nem em sonhos, que existisse uma relação entre pecado e medicamentos. No entanto, o fato é que essa relação existe de forma abundante, sendo algo tão misterioso que poderíamos chamá-lo de ideia fantástica e inacreditável.
Passo agora a escrever sobre isso. Como sempre digo, o medicamento é veneno; ao ser introduzido no corpo, ele turva o sangue. Quando o sangue se turva, o espírito se cobre de nuvens espirituais; quando o espírito se cobre de nuvens espirituais, o ser humano sente uma sensação de desconforto. É justamente essa sensação de desconforto o elemento problemático. O que acontece como resultado disso? A pessoa fica impaciente e irritadiça, o que a leva inevitavelmente a conflitos. Acima de tudo, quando o ser humano está de bom humor, mesmo que lhe digam algo um pouco estranho, ele resolve com um sorriso; mas, quando está de mau humor, fica irritado até com coisas insignificantes. Assim, o ser humano, dependendo de seu estado de espírito, pode tornar-se alegre ou sombrio. Ora, esse tal "estado de espírito" tem uma relação profunda até com a sorte e o azar, não podendo ser menosprezado, pois, na vida humana, não há nada tão importante quanto as emoções. Por exemplo: a separação de um casal, as brigas entre pais e filhos ou entre irmãos, as desavenças entre amigos e colegas — em casos graves, isso pode até tornar-se causa de desemprego. É evidente que as emoções influenciam enormemente tudo isso: seja nos órgãos públicos ou nas empresas, ser amado e confiado pelos superiores, o relacionamento com os colegas, o apoio que o comerciante recebe de seus fregueses, o desempenho do técnico, os estudos do aluno — disso todos sabem.
O que foi exposto acima são coisas comuns e corriqueiras, mas, quando isso se desenvolve, torna-se algo grave. A menos que tenha se submetido a um treino espiritual considerável, o ser humano comum busca estímulos na tentativa de dissipar essa sensação de desconforto.
Por isso, o mais comum é o álcool, seguido pelos jogos de azar. A recente popularidade das corridas de bicicleta e do pachinko também se deve a isso. Há aqueles que, quando suas posses aumentam um pouco ou quando adquirem posição e status, buscam estímulos como uma vida luxuosa ou a diversão com mulheres. Isso, naturalmente, exige dinheiro, e então acabam tentando obtê-lo por meios ilícitos. Apropriação indébita, fraude, corrupção — tudo isso ocorre por essa razão. O mais terrível é que, ultimamente, há pessoas que, movidas pelo desejo de uma quantia ínfima de dinheiro, chegam até a cometer assassinatos. Diz-se que por trás de todo crime há uma mulher, mas eu gostaria de afirmar que, por trás disso, há o medicamento. Como exposto acima, ultimamente, para distrair a mente, as pessoas buscam estímulos cada vez mais fortes, e com isso os estabelecimentos de entretenimento de má qualidade aumentam cada vez mais. Além disso, diferentemente do passado, com o desenvolvimento dos meios de transporte, isso se tornou extremamente fácil de fazer. Some-se a isso a abolição do sistema de classes, e a vida séria tornou-se algo tolo — esta é a atual situação do mundo. Acima, escrevi apenas sobre os aspectos claros.
E quanto aos aspectos sombrios? Também estes são graves. Naturalmente, a causa disso é, em sua maior parte, a doença. Como o homem moderno toma medicamentos e aplica injeções de forma indiscriminada, as doenças aumentam cada vez mais, e cresce o número de pessoas com sensação de desconforto. Por essas razões, com as despesas médicas e a redução da renda por ter de se ausentar do trabalho, a situação financeira se torna apertada, levando a pessoa a contrair dívidas e a causar transtornos aos outros. Com isso, o mundo se torna cada vez menos interessante. Ao mesmo tempo, como o tratamento médico das doenças é apenas uma supressão temporária, e não uma cura radical, a doença se prolonga; a pessoa não consegue avançar nem recuar e, no fim, chegando a uma situação desesperadora, acaba roubando coisas alheias; os de espírito mais fraco tentam o suicídio ou o suicídio em família. Tragédias assim enchem os jornais diariamente, sendo especialmente numerosas as causadas pela tuberculose. Analisando dessa forma, a causa dos crimes é a sensação de desconforto do ser humano, e a causa disso, por sua vez, são os agentes químicos — os medicamentos. Se assim for, o significado do título também deve ter ficado claro.
A Dúvida
Eikō nº 96, publicado em 21 de março do ano 26 da Era Showa (1951)
Quando se ouve a palavra "dúvida", ela soa um tanto desagradável, mas, na verdade, não há nada tão valioso quanto ela. Pode-se dizer, sem exagero, que a dúvida é a mãe da civilização. Não seria errado afirmar que dela nascem novas filosofias, lógicas e ciências. As palavras do grande sábio chinês Zhu Xi — "A dúvida é o princípio da fé" — são, de fato, uma máxima eterna.
Por exemplo: por que será que a nova religião chamada Igreja Messiânica se desenvolveu tanto em tão pouco tempo? Como ocorrem milagres tão maravilhosos quanto os que aparecem nos relatos de graça? Por que motivo se está construindo, sem cessar, sob um projeto grandioso e sem precedentes, o chamado modelo do Paraíso Terrestre? Para um observador de fora, dúvidas como essas devem surgir naturalmente.
No entanto, a dúvida por si só não tem significado algum. É por meio dela, sim, que surge em qualquer pessoa a vontade de decifrar esses enigmas — e é isso que é valioso. Por quê? Porque é através dela que se apreende a verdade, e o conhecimento avança e se aperfeiçoa. Deve-se dizer, portanto, que quanto mais dúvidas uma pessoa tem, mais progressista e cheia de potencial ela é.
Contudo, as pessoas de má sorte, mesmo tendo dúvidas, não encontram um lugar onde se ensine a verdade e assim percorrem por toda a vida um caminho de confusão, terminando com a dúvida gerando mais dúvida. A maioria das pessoas é assim. Entre elas, pode haver quem zombe da verdade pregada pela nossa Igreja, tratando-a como nuvens e fumaça que passam diante dos olhos. Essas pessoas são, sem dúvida, extremamente infelizes.
Se aqueles que hoje se converteram à nossa Igreja, foram salvos e estão imersos em alegria e louvor se lembrarem de que também foram, outrora, pessoas cheias de dúvidas, certamente concordarão que não há nada tão excelente quanto a dúvida.
Compreende-se, portanto, que o ser humano não pode ser alguém incapaz de gerar dúvidas e que, ao mesmo tempo, precisa ter a coragem de dar um passo adiante para desvendá-las.
Ah, como é grandiosa a dúvida!
Como é grandiosa a dúvida!
A Religião-Departamento
Eikō nº 97, publicado em 28 de março do ano 26 da Era Showa (1951)
Para ser explicada da forma mais compreensível, a nossa Igreja pode ser chamada de religião-departamento. Este realmente não é um título adequado para uma religião, mas acredito que seja a forma de dizer que mais se encaixa, por isso explicarei seu significado. É algo que sempre defendo: na nossa Igreja estão incluídos, por completo, desde o Cristianismo, o Xintoísmo e o Budismo até o Confucionismo, a filosofia, a ciência e a arte. Entre estes, recebem especial ênfase, no aspecto da ciência, a doença e a saúde, os métodos de cultivo agrícola e, em outro sentido, a arte, etc.
Naturalmente, sendo a nossa Igreja — como o próprio nome indica — uma doutrina que tem por objetivo realizar a grande obra de salvação do mundo, e devendo salvar todas as coisas do universo, é evidente que deve apontar os erros em todos os assuntos humanos e fornecer a mais elevada diretriz.
De fato, o progresso da cultura moderna é admirável, mas não menos admirável é a abundância de seus defeitos. Contudo, embora a superfície seja visível a todos e, portanto, aceitável, o interior dificilmente se vê a olho nu; não há outro método senão corrigi-lo à luz da claridade divina.
Nesse sentido, a nossa Igreja investe contra todos os aspectos da cultura existente, empunha o bisturi para dissecá-los, esclarece sua verdadeira condição e visa à realização de um mundo melhor; assim, pode-se esperar o advento de uma era de cultura do Paraíso. É, aproximadamente, este o significado de religião-departamento.
Diálogo entre Meishu-Sama e o Sr. Tanikawa Tetsuzō (2) — Sobre Ukiyo-e
Eikō nº 212, publicado em 10 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Tanikawa: Desta vez chegou a edição Hōeidō das "Cinquenta e Três Estações do Tōkaidō". O Sr. Kodō Nomura, autor de "Registro de Capturas de Zenigata Heiji", possui uma edição tão boa quanto esta. O Sr. Nomura deve ser o maior colecionador de Hiroshige do Japão. Há várias versões das "Cinquenta e Três Estações", mas a da Hōeidō é a melhor.
Meishu-Sama: Dizem que as "Oito Vistas de Edo", de Hiroshige, são boas.
Tanikawa: Mas, em Hiroshige, o que mais se destaca, sem dúvida, é "Neve, Lua e Flores". Aquela série de três painéis é a melhor. É muito difícil encontrar um conjunto completo dela. Há várias outras famosas, mas, como dizem também os ocidentais, todas as que retratam chuva e neve são excelentes. Por isso, "Neve, Lua e Flores" é uma obra excelente.
(Diante das "Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji", de Hokusai)
Meishu-Sama: Desta série também não há muitos conjuntos completos. Aliás, mais do que expor tudo completo, é melhor expor apenas algumas peças boas. Não é preciso ver as trinta e seis.
Tanikawa: As que eu realmente gosto são só três: "Vento Sul, Céu Limpo", "Chuva ao Pé da Montanha" e a que tem o Fuji grande com nuvens em forma de escamas, a do trovão e a das grandes ondas. Só estas três são boas; as demais não desejo.
Meishu-Sama: Por isso, de nada adianta comprar as que têm gente estranha.
Tanikawa: Há quase trinta anos comecei a colecionar um pouco de pinturas do Monte Fuji, e uma das obras-primas do Fuji é justamente esta "Vento Sul, Céu Limpo". É uma obra mundialmente famosa e realmente excelente. Considero-a a obra-prima máxima entre todas as pinturas de Hokusai. A impressão também é muito boa.
Meishu-Sama: O que acha da qualidade desta peça?
Tanikawa: É uma peça muito boa. Mas as nuvens estão um pouco carregadas demais; falta-lhes um pouco de graça. Há exemplares mais soltos. E o céu também deveria ser mais distante e mais claro — quando a cor do céu é clara, as nuvens ficam realçadas. Este vermelho poderia ser um pouco mais forte. Esta "Chuva ao Pé da Montanha" é uma boa peça. Na Era Taisho (1912-1926), o Sr. Takamizawa fazia reproduções tão bem-feitas — reproduzindo até as manchas e tudo o mais de forma idêntica — que os especialistas não conseguiam mais distingui-las, e por isso passaram a carimbar as reproduções como tais. Entre as posteriores a Harunobu, gosto destas três e do "Neve, Lua e Flores" de Hiroshige. Gosto de tudo o que é anterior a Harunobu. Gosto também de Kiyonobu, Kiyomasa, Sukenobu e outros. Todas as gravuras da época das estampas em preto e branco (sumizuri-e), anteriores às gravuras policromadas, são boas — as de antes ainda das benizuri, feitas em preto e branco e depois pintadas à mão. E gosto também das urushi-e, feitas com laca. Falando em benizuri, penso em Toyonobu; Harunobu já é nishiki-e.
Meishu-Sama: Têm uma pureza muito grande.
Tanikawa: São belas. Depois dele vem Kiyonobu. Utamaro também é bom, mas, como dizer, tornou-se estranhamente decadente.
Meishu-Sama: É vulgar.
Tanikawa: É verdade. Mas, mesmo depois de Harunobu, Sharaku é bom — uma presença realmente singular e misteriosa.
Meishu-Sama: O de Kiyonaga é bom.
Tanikawa: Vêm Sharaku, Utamaro, Kiyonaga. Desta vez chegou também a cerâmica preta (kokutō). É algo misterioso — se Picasso a visse, ficaria surpreso. Como só foi escavada uma vez, sabe-se exatamente quantas peças existem no mundo todo.
(Diante das gravuras de Harunobu)
Tanikawa: As de Harunobu são realmente boas, e a conservação também é excelente. Em ukiyo-e, havia um homem chamado Packard que era um verdadeiro conhecedor.
Meishu-Sama: Já ouvi falar desse nome.
Tanikawa: Esse homem levou consigo boas peças e, como estavam muito bem conservadas — e lá não havia peças assim tão bem conservadas —, dizem que todas acabaram sendo tomadas por falsificações. Este Harunobu é uma peça muito boa, misteriosamente bela. Este fundo vermelho é uma raridade extrema, pois de Harunobu só existem duas com esse fundo. Quando digo "duas", não quero dizer que só existam duas peças, mas sim que só há duas composições: a da mulher tecendo e a da mulher buscando água. A da busca de água estava no museu, por isso o Sr. Kondō dizia que só havia uma. Eu a vi pela primeira vez depois da guerra, numa reunião de chá em Kawasaki — é uma raridade extrema, e a conservação também é boa. Ao todo, quantas peças há?
Meishu-Sama: Acho que são dez.
Tanikawa: Como é uma raridade, lembro-me bem do desenho: naquela época havia dezesseis. Este Harunobu tem bom desenho, boa conservação e, sobretudo, inclui essa raridade de fundo vermelho — é uma peça excelente. Não desejo tanto assim as ukiyo-e de Harunobu em geral, mas só por este me dá água na boca. Se essa "tecelã" aparecer numa exposição de ukiyo-e, eu vou vê-la só por causa dela.
(Diante das gravuras de Toyokuni)
Meishu-Sama: A cor dos quimonos é boa.
Tanikawa: É verdade. Toyokuni tem muita coisa vulgar, mas este Toyokuni é bom e tem bastante força.
Meishu-Sama: É verdade, e o colorido é refinado.
Tanikawa: O senso cromático do ukiyo-e é realmente muito refinado. Gosto desta época em que se imprimia em preto e branco e depois se pintava à mão. Isso era feito displicentemente por um aprendiz ou alguém assim, e é exatamente aí que está o interesse.
Meishu-Sama: Tem um sabor bom.
Tanikawa: Dizem que a primeira tiragem tinha um limite de trezentas cópias e que, se vendesse bem, faziam mais. Todos estes Toyokuni são excelentes. Comparadas a estas, as "Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji", com exceção de algumas peças, ficam inferiores — embora isso seja apenas o meu gosto pessoal. Também acho que não é preciso adquirir tudo daquela série; do ponto de vista artístico, as realmente boas são só algumas poucas. A única peça enviada daqui que está agora na exposição de arte japonesa nos Estados Unidos é a "Yuna" (a hospedeira de banho), não é?
Meishu-Sama: Sim, é isso mesmo.
Tanikawa: A "Yuna" é uma peça boa.
Meishu-Sama: Em ukiyo-e, a "Yuna" parece ser mesmo a melhor.
Tanikawa: Há a "Yuna" e o "Biombo de Hikone". O Biombo de Hikone é uma peça grande, mas, na verdade, a "Yuna" deve ser a número um. O "Biombo de Matsuura" também é famoso, mas fica bem abaixo do Biombo de Hikone.
Meishu-Sama: Quanto à pintura, deve ser mesmo a dos períodos Song e Yuan, não é?
Tanikawa: É verdade. No ano passado também havia, mas o "Hanshan e Shide", de Liang Kai, é bom.
Meishu-Sama: Tem muito sabor, é realmente muito bom.
Tanikawa: É realmente muito bom. De todo modo, não é exagero dizer que Liang Kai é o maior pintor do mundo. Afinal, são mesmo Liang Kai e Muqi.
Meishu-Sama: As obras destes dois são realmente extraordinárias.
Tanikawa: O "Martim-Pescador e a Alvéola", de Muqi, que vi no ano passado, não estava este ano.
Meishu-Sama: Este ano ainda não foi exposto.
Tanikawa: E a "Paisagem", de Ma Yuan, também é muito boa. Ouvi dizer que ela estivera em algum outro lugar, e fiquei feliz ao saber que veio para cá. Foi uma pena que as pinturas de Dunhuang expostas não fossem originais.
Sobre Caligrafias (Bokuseki) e Manuscritos Antigos (Kohitsu)
Tanikawa: Em bokuseki, os de Mokorin e Seisetsu Shōchō são bons. Gosto dos três: Mokorin, Seisetsu Shōchō e Mugaku. Todos os bokuseki são bons, mas gosto destes três e gostaria de tê-los em minha coleção.
Meishu-Sama: Aqui tenho duas peças de Mugaku. E a de Daitō, o que acha?
Tanikawa: A de Daitō é boa. Entre os japoneses, seria Daitō. Mas, ainda assim, os chineses são melhores.
Meishu-Sama: E a de Mujun?
Tanikawa: Mujun também é boa. E a de Daie também é boa. Outro dia, na exposição da Daishi-kai, vi uma peça com a montagem original do período Muromachi ainda intacta. A montagem do Mokorin que vi hoje no museu era um pouco parecida com aquela: nesta, o interior era em brocado dourado (kinran) e a borda em tecido antigo (kodaisha); já a que vi na sala de chá da Daishi-kai tinha o interior em kodaisha e a borda em kinran, e era realmente uma peça excelente. A que vi hoje era equiparável àquela. Acho que é uma montagem do período Muromachi; mesmo que tenha sido restaurada, creio que usaram o tecido original.
Meishu-Sama: E os manuscritos antigos (kohitsu), o que acha?
Tanikawa: Também gosto de kohitsu, mas, no fim das contas, prefiro bokuseki. Em kohitsu, gosto do "Tsugi-shikishi". Mas há obras famosas de que não gosto tanto assim. Só que, entre os kohitsu, o "Rirakujō", de Fujiwara no Sukemasa, creio que não só se compara aos bokuseki, como os supera. E, subindo mais um degrau, entre a poesia japonesa, a de que mais gosto é o "Izu-naishinnō Goganmon", de Tachibana no Hayanari. Até vê-lo, eu achava que o "Kyūsokushō", de Kōbō Daishi, era o melhor, mas depois de ver o "Izu-naishinnō Goganmon", achei que este era o primeiro. E, quanto ao "Fūshinjō", acho que supera até os chineses. Mas, entre os chamados "kirigire" em geral, com exceção do "Tsugi-shikishi", prefiro os bons bokuseki. Entre as peças chinesas, o "Kanshokujō", de Su Dongpo, parece ter ido recentemente para a China — uma pena. Fazia tempo que os chineses estavam de olho nele. Chegou a haver conversa de o museu comprá-lo, mas por causa de impostos o proprietário não o vendeu. Uma pena.
Meishu-Sama: E a de Shunzei, o que acha?
Tanikawa: É boa, mas, afinal, é de uma época mais recente. Shunzei já é do início do período Kamakura, e, de todo modo, quanto mais antiga, melhor. A de Teika, filho de Shunzei, era muito valorizada antigamente, mas, como há muitos fragmentos recortados do diário "Meigetsuki", de Teika, ficou barata. Só o "Ogura-shikishi", mesmo sendo de Teika, ainda é caro hoje em dia. O filho de Teika é Tameie.
Meishu-Sama: E a de Tsurayuki?
Tanikawa: A chamada "de Tsurayuki" é boa.
Meishu-Sama: Gosto muito da caligrafia de Tsurayuki.
Tanikawa: Mas, em termos de interesse, o que é atribuído a Tsurayuki (den-Tsurayuki) tem pouco. "Den-Tsurayuki" é uma questão de saber se é realmente de Tsurayuki ou não — em suma, é só uma atribuição.
Meishu-Sama: É verdade.
Tanikawa: Nesse ponto, o "Rirakujō", de Sukemasa, é interessante. E o "Kojima-gire", de Michikaze, por ser considerado uma cópia, é bom, mas é fraco. Por isso, afinal, é o "Rirakujō" mesmo.
Meishu-Sama: Gosto muito da caligrafia de Saigyō.
Tanikawa: A de Saigyō é boa.
Meishu-Sama: A caligrafia de Kōbō Daishi é hábil, mas tem um certo excesso de artifício.
Tanikawa: Não, a caligrafia verdadeira de Kōbō Daishi é boa; o que tem esse excesso de artifício são as falsificações.
Meishu-Sama: A de Nichiren Shōnin também tem falsificações.
Tanikawa: Não vi muitas, então não conheço bem.
Meishu-Sama: Mas não há ninguém com tantas falsificações quanto Ikkyū.
Tanikawa: Isso tem suas peculiaridades; uma vez que se entende, não há problema.
Meishu-Sama: E, por não ser uma caligrafia tecnicamente hábil, é mais fácil de falsificar, não é? Entre a caligrafia dos imperadores, qual seria a mais hábil?
Tanikawa: A do Imperador Saga. Essa é hábil. Dizem que ele, Kūkai e Tachibana no Hayanari formam os "Três Grandes Calígrafos".
Meishu-Sama: No Shinjuan, do Daitoku-ji, há uma caligrafia do Imperador Go-Daigo.
Tanikawa: A caligrafia do Imperador Go-Daigo se parece muito com a do Mestre Nacional Daitō.
Meishu-Sama: A do Imperador Go-Mizunoo também é hábil.
Tanikawa: É verdade.
Meishu-Sama: Mas, seja em pintura, caligrafia ou escultura, as obras do período Heian são boas. A diferença para o período Kamakura é pequena, mas são completamente diferentes.
Tanikawa: É verdade.
Religião é Milagre
Eikō nº 99, publicado em 11 de abril do ano 26 da Era Showa (1951)
Desde os tempos antigos, os milagres são considerados inerentes à religião — e isso é absolutamente verdadeiro. Não digo isso por autoelogio, mas é provável que, do passado ao presente, nenhuma religião tenha tido tantos milagres quanto a nossa Igreja Messiânica. Explicarei em poucas palavras por que ela possui tantos: o Deus que a governa tem a mais elevada e venerável qualificação divina.
No mundo, há uma tendência a achar que, tratando-se de deuses, não há grande diferença entre eles, e a adorá-los todos por igual. No entanto, mesmo quando se diz simplesmente "deus", há gradações superiores, médias e inferiores: do Deus Supremo, descendo gradualmente, até o Ubusunagami (Deus da Terra Natal), os tengu, os dragões divinos, Inari e outros. É necessário, portanto, reconhecer bem esse ponto. Gostaria de escrever em detalhes sobre a hierarquia dos deuses, mas, se o fizesse, acabaria expondo os deuses de outras religiões, o que não é nada agradável; por discrição, não o farei. Como dito, citarei apenas um exemplo de quão elevada é a qualificação divina do Deus que governa a nossa Igreja.
Não preciso dizer agora quão maravilhoso é o Johrei da nossa Igreja; mas, com o passar dos dias, à medida que ele vai se tornando conhecido no mundo, é natural que isso se torne um grande fator para o seu desenvolvimento. Quanto à cura de doenças por meio desse Johrei, o que todos acham misterioso é isto: quer a pessoa duvide, quer pense que é uma tentativa para ver no que dá, quer julgue impossível curar-se com algo assim, quer não pense nada disso, a cura ocorre bem de qualquer forma. Nas curas de doenças baseadas na fé até hoje, a regra comum era que se devia acreditar desde o início e não duvidar. Por isso, para quem está bem acostumado a essa ideia, não é de admirar que isso pareça misterioso.
Explicarei, então, a razão disso. Primeiramente, dizer a si mesmo que acredite sem ter visto nada é, na verdade, enganar-se. É óbvio que é errado pensar que não se pode acreditar sem antes ver alguma evidência concreta — e isso é algo impossível.
No entanto, esforçar-se para acreditar com afinco tem, sim, algum efeito, se comparado a duvidar — mas esse efeito não vem de Deus; vem inteiramente da força própria. Então, por que esse erro foi considerado natural até hoje? A razão é que não se sabia que o poder daquele deus era insuficiente, e o que se fazia era suprir essa insuficiência com a força humana. Nesse sentido, o fato de, na nossa Igreja, a pessoa se curar mesmo duvidando deve-se ao fato de o poder do Outro ser grande, sem necessidade de acrescentar a força própria. Portanto, se o poder de curar doenças é insuficiente, isso se deve ao baixo grau daquele Buda ou deus.
Além disso, ocorre com frequência algo assim: quando não se obtém a graça como se esperava, o Ministro ou o mais velho invariavelmente diz, como desculpa, que a fé da pessoa ainda é insuficiente. Parece que pensam que a graça é algo que se extrai com o esforço humano, em vez de ser algo concedido por Deus. No entanto, como o Deus verdadeiro é de grande compaixão e de grande misericórdia, e como, uma vez feito o pedido, certamente concederá a graça, é justamente o oposto: se a pessoa se esforçar excessivamente, o Deus verdadeiro se desagradará. Jejuns, abstinência de chá e de sal, banhos de água fria, peregrinações de cem voltas etc. são, sobretudo, o que menos está de acordo com a Vontade Divina. Por quê? Porque o grande amor de Deus não deseja que os humanos sofram. Pensem bem: os humanos são filhos de Deus, e não há pai que se alegre com o sofrimento do filho. Portanto, mesmo que se obtenha alguma graça por meio de práticas ascéticas, esse não é o Deus verdadeiro, mas sim um deus pertencente às Divindades malignas. Acima de tudo, tais graças são sempre temporárias e não duram muito. Já a graça do Deus verdadeiro é tal que, quanto mais se crê, mais as calamidades vão gradualmente diminuindo, e a pessoa alcança o estado de tranquilidade e paz espiritual, tornando-se feliz.
Em suma: forçar a si mesmo a acreditar, a fim de obter graças, é próprio das religiões inferiores. O fato de Deus conceder a graça mesmo que a pessoa duvide ou não acredite é a prova de um Deus de grau elevado.
Diálogo entre Meishu-Sama e o Sr. Tanikawa Tetsuzō (3) — Sobre os Utensílios de Chá
Eikō nº 213, publicado em 17 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Tanikawa: Desta vez, o Museu de Arte de Hakone não tinha a parte de chá, mas eu gostaria de ver também várias tigelas de chá.
Meishu-Sama: Com os utensílios de chá, especificamente, eu não fico satisfeito se não puder tocá-los.
Tanikawa: Além disso, em lugares claros como um museu, elas não funcionam bem. Principalmente as tigelas Gohon, por exemplo, só funcionam num lugar um pouco escuro, como uma sala de chá. A esse respeito, tenho uma história interessante. No ano passado, o Fujiyama de Kōetsu foi exposto no museu e, como eu não ficaria satisfeito sem tocá-lo, fui ao diretor e pedi permissão; ele disse que não podia, porque tinha recebido ordens rígidas do Sr. Sakago. Argumentei então que, na hora de guardá-lo, alguém teria de pegá-lo; esperei até esse momento e fui. Quando cheguei, havia pessoas que, tendo sido recusadas como eu, vinham furtivamente. Foi aí que o virei e o examinei. Depois, no Museu Hakutsuru, há uns seis ou sete anos, durante uma exposição, havia a tigela Bishamondō de Kōetsu, da família Kōnoike, e eu precisava tocá-la de qualquer jeito; fui de manhã, mas me disseram que não dava enquanto houvesse gente, que voltasse depois; esperei três ou quatro horas e me deixaram tocá-la. No fim, é sempre assim, não é?
Esposa de Meishu-Sama: E, no final, é preciso levá-la um pouco aos lábios, não é?
Meishu-Sama: É o prazer de tocar, não é? Eu mirava o Fujiyama, mas de jeito nenhum consegui.
Tanikawa: Entre essas tigelas de chá, as minhas são o Fujiyama e o Amagumo.
Meishu-Sama: Bom, não é? Eu também gosto do Kamiya. E quanto ao Chōjirō, qual você tem?
Tanikawa: O Daikoku. Há três ou quatro anos, quando houve uma grande exposição de cerimônia do chá, ele foi exibido, e, como eu também não ficaria satisfeito sem tocá-lo, fui ao museu de manhã cedo e esperei até o entardecer. Aquela tigela, sendo despretensiosa, tem algo realmente indescritível. É natural e sem nenhum artifício.
Meishu-Sama: Isso é que é verdadeiro, não é?
Tanikawa: Essa é uma peça que rivaliza com o Fujiyama. Em certo sentido, acho que é até superior. Não há tigela com tanta dignidade quanto essa. O Amagumo é mais acessível. Já o Daikoku tem uma dignidade elevada e, ao contrário do Fujiyama, não se acomoda por completo — isso também é indescritível.
Meishu-Sama: Ou seja, não tem nenhum quê desagradável. É requintado.
Tanikawa: Isso mesmo. A boa qualidade das tigelas Gohon também se resume a isso, no final das contas. É uma simplicidade ampla, sem nenhum artifício.
Meishu-Sama: Isso mesmo. A tigela "Ayame" do ano passado foi bastante elogiada, não foi?
Tanikawa: Aquela também é uma boa tigela.
Meishu-Sama: E o Gantori, como é?
Tanikawa: Eu não vi a peça original, então não sei bem, mas parece ter um pequeno defeito.
Meishu-Sama: Você conhece esta?
Tanikawa: Deixe-me ver agora... Tem a marca do Kōetsu, não é?... Este é o Zeze Kōetsu?
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Tanikawa: Eu só a conhecia por fotografia, nunca tinha visto a peça original.
Meishu-Sama: A que aparece no Catálogo de Utensílios Famosos é a pior dela.
Tanikawa: Essa é uma história famosa. Eu já tinha ouvido dizer que o Zeze Kōetsu é completamente diferente dos demais Kōetsu. O acabamento desta borda é indescritível. O pé também é indescritível, mas este acabamento de borda é excelente. É algo complexo. A forma também é boa. Há uma tigela famosa chamada Otogozen, cujo pé é realmente excelente, mas o acabamento da borda era um pouco frouxo. O acabamento de borda desta é melhor. Isso mesmo, eu gostaria de ver a caixa dela. Nunca imaginei que tomaria chá num Zeze Kōetsu. Esta é a caixa de Enshū, não é?
Esposa de Meishu-Sama: O ponto em que está o caractere "fu" dá uma sensação parecida com os pequenos cães (chinkoro) de Sōtatsu, não é?
Tanikawa: Tem um pouco dessa sensação, sim. Esta tigela foi bastante usada, não foi? Numa tigela de chá, dá para saber olhando o pé. Este desgaste no pé é do atrito com o tatame. Se olharmos só a parte de cima, parece uma peça muito nova, mas, olhando o pé, percebe-se que é uma tigela antiga. Esse desgaste é o que se chama de desgaste de tatame e desgaste de mão. Este pé é realmente excelente. O ponto em que a parte de cima incha de forma natural e arredondada também é realmente excelente. Por ser muito natural, ao chegar à borda desenha algo indescritivelmente complexo, e há ainda uma variação realmente natural. Não parece forçado.
Meishu-Sama: É mesmo obra de um mestre, não é? E entre as tigelas Gohon, qual é a sua?
Tanikawa: É o Gohon de Kizaemon, com certeza. E também o Bishamondō.
Meishu-Sama: E o Tsutsugōtsu, como é?
Tanikawa: Por ser tão rachado, há quem se incomode com isso, mas a beleza de sua forma é de primeira classe. Em termos de beleza, temos o Hosokawa Gohon e o Uraku Gohon; em termos de força, é mesmo o Kizaemon. Só que o Kizaemon, por não ser rachado como o Tsutsugōtsu, fica um pouco rígido demais. Talvez alguém ache um pouco desconfortável, mas eu não sinto tanto assim. O interessante é que o Tsutsugōtsu ficou exposto por muito tempo, há cerca de trinta anos, no museu de Kyoto. Naquela época, estava bem empoeirado. Outro dia, porém, fui convidado pelo Sr. Saga e, ao vê-lo, estava muito mais bonito. Isso porque está sendo usado. Uma tigela de chá, se não for usada, morre. Isso vale até para os tinteiros de pedra (suzuri). Mesmo um suzuri de Tankei, se não for usado por muito tempo, dizem que morre. Na China, dizem que, se um suzuri nesse estado for molhado e esfregado todos os dias, depois de uns três anos ele volta à vida. Por isso, a beleza das tigelas Gohon de hoje deve vir justamente do sabor acumulado por terem sido usadas por muitos anos.
Meishu-Sama: Este Zeze Kōetsu também deve ser assim, não é?
Tanikawa: Está transparecendo uma espécie de beleza humana, não é?
Meishu-Sama: É realmente algo sutil.
Esposa de Meishu-Sama: Já que foi feita para se beber chá, se não for usada, morre mesmo, não é?
Tanikawa: Isso mesmo. Ao ser segurada, algo que existe na própria tigela é trazido à tona. Este tipo de cerâmica não tem igual no mundo. É verdade que a cerâmica chinesa também não tem igual, mas, mesmo na China, não existe nada como o Raku. Isto é uma genialidade do Japão.
Meishu-Sama: Isso mesmo. Outro dia eu vi uma peça que pertenceu ao monge que trouxe o chá para o Japão; tinha um nome, mas não me lembro qual.
Tanikawa: Era celadon, ou tenmoku?
Meishu-Sama: Não era nenhum dos dois. Era uma tigela comum de parede fina, algo como o forno de Yuezhou, se falarmos em cerâmica chinesa, com um tom levemente acinzentado. E tinha uma cor parecida com o celadon Juko.
Tanikawa: Então não seria o Mestre Eisai?
Meishu-Sama: Isso mesmo. Eu a vi, e tinha realmente um bom caráter.
Tanikawa: Foi o Mestre Eisai que a trouxe, e foi Myōe — também chamado Myōe — quem a transmitiu, não é?
Vencer o Mal
Eikō nº 100, publicado em 18 de abril do ano 26 da Era Showa (1951)
Desde os tempos antigos, a religião se desenvolveu tendo como base fundamental o princípio da não resistência absoluta. Até mesmo Cristo, fundador daquela grande religião de alcance mundial, disse: "Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda." Além disso, quando o próprio Cristo foi crucificado na colina do Gólgota, havia um ladrão amarrado ao poste ao lado, que lhe disse: "Ei, Jesus. Há pouco você vem murmurando algo, com um rosto triste — deve ser porque odeia quem te fez passar por criminoso, e está amaldiçoando-o." Cristo respondeu: "Não, não é isso. Eu estava orando a Deus, o Pai, pedindo que fossem perdoados os pecados daquele que me caluniou." Diz-se que, ao ouvir isso, o ladrão ficou estupefato — esta é a história famosa. Vendo esses exemplos, percebe-se como Cristo foi uma encarnação de um amor imenso. Também no caso de Buda Shakyamuni, diante das persistentes e variadas obstruções de Devadatta, ele provavelmente as interpretou como parte do treinamento no Caminho do Buda, e parece não ter adotado nenhuma atitude de resistência. Como vimos, se mesmo os dois grandes santos agiam assim, é verdadeiramente claro que muitos dos santos e fundadores que seguiram essa corrente também eram assim. Apenas Nichiren foi contrário; sua ardente vontade de luta era tamanha que chegava a ser considerada excessiva. Basta observar seu famoso slogan — "Nembutsu leva ao inferno, Zen é um demônio, Shingon arruína o país, Ritsu é um inimigo da nação" — para ver quão intensa era sua crença exclusivista, algo com o qual nós mesmos temos dificuldade em concordar.
A partir desses exemplos, certamente o amor de Deus e a compaixão de Buda tocam o coração das pessoas, e isso se torna, nem é preciso dizer, a base da reverência. No entanto, ao avaliar os resultados, não se pode decidir facilmente o que é certo ou errado. Isso porque, mais de dois mil anos após a morte de Buda Shakyamuni e de Cristo, o mal ainda não diminuiu; pelo contrário, vê-se até uma tendência de aumento. Fatos como o homem bom ser atormentado pelo homem mau, e o honesto ser feito de tolo, não diminuíram do passado até o presente, e o progresso da cultura parece não ter absolutamente nenhuma relação com isso. Apenas os meios do mal se tornaram mais engenhosos com esse progresso; quanto à sua essência, não há a menor diferença. Atualmente, no caso das sanções da lei, só a violência deixou de acompanhá-las um pouco; mas, dependendo do caso, pode-se dizer que a gravidade aumentou.
Deixando isso de lado, é preciso pensar bem por que o mal não é erradicado. Nem é preciso dizer que a raiz disso é que o bem perde para o mal. Por causa disso, os maus se dão bem e constantemente tentam atormentar os bons. Acima de tudo, subestimam enormemente os bons. Penso que, em seu íntimo, eles os desprezam completamente, achando: "Pessoas boas são extremamente tolas e certamente são covardes." Por outro lado, os bons também desistem, pensando: "Não podemos vencer os maus de jeito nenhum. Se resistirmos imprudentemente, podemos sofrer problemas inesperados ou ser prejudicados. O melhor é ficarmos quietos, suportarmos e deixarmos passar. Não se sabe o quanto isso é mais vantajoso." Por essas razões, os maus se tornam cada vez mais arrogantes, afiam suas presas venenosas e praticam o mal com ousadia, desde que não sejam pegos pela lei. Esta é a atual condição da sociedade.
O que foi dito acima diz respeito aos indivíduos, mas o que é ainda mais temível é o mal das autoridades e dos jornalistas. Isso se vê também pelo incidente que experimentei recentemente, detalhado no "Registro das Perseguições" — quem o leu deve saber. Trata-se de as autoridades usarem a arma chamada lei a seu bel-prazer para atormentar o povo que não tem armas. De qualquer forma, como é insuportável para o povo ser acusado sem culpa devido ao abuso da lei, ele apela para as emoções das autoridades, esperando que a pena seja um pouco mais leve. Por essa razão, até mesmo os advogados nos aconselham a não ferir os sentimentos do promotor e a causar uma boa impressão. Mesmo ao redigir um relatório, é necessário incluir palavras de súplica e apelo no texto. Vendo isso, percebi como era equivocada a nossa constante suposição de que os magistrados respeitam a lei e julgam com justiça. Pode ser um exagero, mas, observando os métodos dos investigadores, percebi que, além da lei, a própria reputação e as emoções deles atuam de forma relativamente sutil.
Quero falar agora dos senhores jornalistas. Escrevem de forma quase insolente, com base em seu julgamento presunçoso. Não se importam se é verdade ou não e, centrados apenas no interesse sensacionalista, são completamente indiferentes quanto a causar problemas ou danos às pessoas.
Alguém disse: "O jornal é o tirano do século XX", e acho que não está totalmente errado. Embora sempre falem em democracia, o fato de serem, na realidade, violentos na palavra se deve, provavelmente, à ausência de sanções severas contra a palavra. Por essa razão, quando nossa Igreja foi atacada repetidamente por artigos falsos de jornais no passado, fomos frequentemente aconselhados: "Pessoas ditas cultas, não importa o que escrevam, resistir é perda, então é melhor suportar e chorar no travesseiro. Especialmente se contrariar um grande jornal, não se sabe que tipo de tratamento se receberá, então o melhor é ficar quieto."
Acima, escrevi sobre três casos: o dos indivíduos, o das autoridades e o dos jornais. Todos eles são exemplos do mal vencendo o bem. Por essa razão, as vítimas sempre priorizam interesses como suportar, chorar no travesseiro e não querer ter prejuízo, e acabam não resistindo. Assim, esses malignos se tornam cada vez mais arrogantes e não mostram sinais de parar. Mesmo que existam leis, o poder delas como lei fica grandemente reduzido, e o povo é sempre a vítima. É uma sociedade problemática. Se assim for, quando chegará o mundo onde os bons possam viver em paz? É realmente angustiante.
Diante disso, mesmo nós, religiosos, alertamos, como sempre pregamos: "O bem não deve perder para o mal. O bem que perde para o mal não é o verdadeiro bem; não passa de covardia."
Quando se dirigem aos religiosos, especialmente, parecem vê-los de forma diferente das pessoas comuns. Como os religiosos adotam o princípio da não resistência, eles nos menosprezam de antemão, pensando que, por mais que nos maltratem, não haverá grande problema. Aqui reside a fraqueza da religião — ou melhor, é assim que somos considerados: fracos. É claro, portanto, que devemos eliminar essa concepção satânica deles, e, nesse sentido, devemos lutar energicamente contra o mal. Acima de tudo, quando os grandes jornais atacavam nossa Igreja ferozmente no passado, ela nunca temeu e lutou contra esse mal até o fim através de nosso jornal oficial, como vocês devem saber. Por essa razão, mesmo que tentem nos esmagar com grande força, lutaremos resolutamente até que a outra parte reflita. O que mais seria a verdadeira vontade de Deus senão isso?
Como o mal não pode, de forma alguma, prevalecer sobre o bem, é preciso fazê-los perceber que abandonar o mal e mudar para o bem é a melhor estratégia. Esta deve ser a forma de uma religião viva. Pensando nisso em grande escala, fica ainda mais claro: é a mesma lógica dos Estados Unidos que, acreditando hoje que a paz mundial não surgirá a menos que façam as nações agressoras perceber, pela força militar, que o mal não leva ao sucesso, dedicam seu poder nacional para ajudar vários países.
Sustentei este princípio consistentemente até hoje e tenho a convicção de que nunca serei derrotado pela injustiça. Para dar um exemplo, há uma disputa judicial sobre terras que vem se arrastando desde antes, na qual sou réu. Não se surpreendam, mas este ano completa exatamente quatorze anos, e ainda não terminou. A altura dos documentos acumulados é de mais de trinta centímetros, e, cada vez que o juiz muda, ele tem que ler tudo desde o início; por isso os juízes ficam exaustos e recomendam fortemente um acordo. No entanto, como luto fundamentalmente contra a injustiça, coloco os interesses em segundo plano. Se a outra parte reconhecer seu erro e apresentar condições justas, responderei imediatamente; caso contrário, nunca farei um acordo. Falei longamente, mas a conclusão é que o propósito original da religião é encorajar o bem e punir o mal; portanto, nunca se deve perder para o mal, porque, na medida em que o bem vence, o mal diminui, e a sociedade melhora na mesma proporção. Dessa forma, o Paraíso Terrestre nasce.
Um Apelo aos Jornalistas
Eikō nº 215, publicado em 1 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Na noite do dia quatro de junho passado, ao ouvir a transmissão do programa "Janela da Sociedade" da NHK, fiquei surpreso.
Tratava-se de algo relacionado a um crente da nossa Igreja residente em Kyushu, e era uma transmissão fabricada, que distorcia os fatos a ponto de eu pensar que nunca houve um exemplo como este até hoje — cheguei a duvidar dos meus ouvidos. Não importa como se pense, o planejamento desta transmissão é incompreensível e, do ponto de vista da imparcialidade, acredito que não deveria ser permitido. Naturalmente, a maneira como foi transmitida só pode ser interpretada, seja como for que se pense, como uma tentativa de fazer a nossa Igreja parecer um culto maligno e supersticioso, e de atrair a atenção geral. O conteúdo mostrava o crente, protagonista da matéria, como um fanático religioso que não se relaciona com os vizinhos e que, apesar de ter a habilidade de um excelente carpinteiro naval, abandonou sua profissão; e, como resultado de estar absorto na fé, não só a vida não é fácil para ele, como, mesmo tendo sofrido uma calamidade como a desta vez, ainda não caiu em si. Além disso, entrevistaram, com toda a cortesia, o chefe da delegacia de polícia local, fazendo-lhe perguntas minuciosas e repetitivas sobre se havia algum ponto que violasse a lei — o que só pode ser visto como uma intenção de transformar o caso em problema.
A resposta do delegado, porém, foi verdadeiramente justa, esclarecendo ponto por ponto que não havia violação da lei, e certamente não fui o único a me sentir aliviado ao ouvir isso. Ainda assim, mesmo diante de palavras tão rigorosas da autoridade judicial — e apesar de não ser um problema que merecesse ser levantado —, o fato de terem levado o caso a uma transmissão nacional é algo difícil de compreender. Com isso, enganaram os ouvintes em geral, que não conhecem a verdade, e prejudicaram a credibilidade da nossa Igreja, o que é realmente lamentável; fomos completamente transformados em vítimas da transmissão.
Desnecessário dizer que o negócio de radiodifusão é de natureza pública e, embora deva buscar a imparcialidade acima de tudo, a irresponsabilidade de levar o caso à transmissão sem sequer investigar adequadamente a verdade do problema é absolutamente imperdoável. Se isso fosse tolerado, não poderíamos de forma alguma ficar tranquilos; ao mesmo tempo, é inevitável que isso cause ansiedade, medo e indignação em muitas das novas religiões de hoje. Por isso, representando-as, questiono a responsabilidade da emissora. No entanto, como resultado da investigação, a verdade é completamente oposta ao que foi transmitido.
Originalmente, o propósito fundamental da nossa Igreja é valorizar o senso comum, ampliar o relacionamento social, incentivar o trabalho familiar e proporcionar tranquilidade e paz espiritual. As pessoas que veem e ouvem isso sentem grande simpatia e tornam-se crentes por vontade própria, e o número dessas famílias aumenta a cada dia que passa. Acima de tudo, quando alguém se torna crente da nossa Igreja, mesmo as famílias onde antes não faltavam doentes tornam-se saudáveis com todos os membros, rompem os laços com os medicamentos e, como não precisam mais faltar ao trabalho ou ao serviço, são abençoadas economicamente e caminham, passo a passo, em direção à felicidade. As cartas de agradecimento e gratidão por essas coisas sempre se acumulam aos montes sobre a mesa, e são tantas que não cabem nas páginas do semanário 'Eikō' publicado pela nossa Igreja, dando gritos de alegria. Além disso, como é de conhecimento geral, a nossa Igreja está continuamente construindo, em várias regiões, Paraísos Terrestres em grande escala, museus, construções religiosas, etc., e as enormes despesas necessárias para isso são sempre cobertas conforme a necessidade. Como a nossa Igreja proíbe estritamente a exploração e todas as doações são voluntárias, pode-se imaginar a boa situação financeira dos crentes; a causa disso é a sinceridade da gratidão e a renda elevada das pessoas que foram salvas. Mesmo só por este fato, já se pode perceber o erro da transmissão.
Permitam-me escrever aqui um pouco sobre ciência e religião. É evidente que vivemos na era da onipotência da ciência, e os benefícios que ela tem proporcionado à humanidade, por mais que se valorizem, nunca é demais; mas, por outro lado, há muitos problemas que não podem ser resolvidos apenas pela ciência. Isso se refere, naturalmente, ao aspecto espiritual e, uma vez que o papel da religião é salvar esse aspecto, os méritos da religião — que tem proporcionado conforto espiritual desde os tempos antigos até os dias atuais — também não podem ser ignorados. No entanto, os homens modernos, que negligenciaram esse aspecto, confiam demais na ciência, e a ideia de que tudo pode ser resolvido se ela avançar tornou-se dominante. Acredita-se, por exemplo, que até as doenças podem ser curadas pela ciência, mas, ironicamente, a realidade é que sofremos com a enxurrada de doentes em todos os lugares, sem que os seres humanos se libertem da ansiedade em relação a elas. Isto é apenas um exemplo, mas, como se pode ver, a maior parte da civilização atual, por ter caído num dilema que nem a ciência nem a religião conseguem resolver, está envolta em ceticismo.
Quanto às novas religiões, gostaria de dizer que, deixando de lado as religiões estabelecidas, aquelas que surgem como brotos de bambu depois da chuva nos últimos tempos incluem algumas que não são nada admiráveis.
Por isso, quando os intelectuais veem isso, há a suspeita de que, ao ouvir falar de uma nova religião, já a desprezam de antemão, misturando o joio com o trigo. De fato, dependendo da religião, há casos fanáticos e anticientíficos, fora do senso comum, dos quais até nós, como religiosos, muitas vezes franzimos a testa; é natural, portanto, que os senhores jornalistas por vezes adotem um tom zombeteiro. Por causa disso, parece que, ocasionalmente, tratam até mesmo uma religião séria como a nossa Igreja da mesma forma, acreditando que, ao considerá-la uma superstição que obstrui o progresso da cultura e desferir-lhe um golpe, estão contribuindo para esse progresso. Além disso, como a nossa Igreja tem por princípio expor as deficiências da medicina moderna e rejeitá-la e curar doenças pela religião, consideram inaceitável uma religião que prega uma superstição tão anticientífica e, na primeira oportunidade, tentam atacá-la. Foi exatamente nesse momento que encontraram um caso como este, e provavelmente o trataram de forma especial e exagerada, pensando "é agora!". Se for esse o caso, a nossa Igreja é quem realmente levou a pior. Quer tenha sido por isso ou não, todos devem ter notado que em suas palavras havia um tipo estranho de sentimento.
Escreverei aqui o meu ponto de vista. Desnecessário dizer, para começar, que a raiz do sofrimento humano é a doença; mas a ciência moderna, embora possa aliviar o sofrimento, não consegue curar a doença. Não preciso dizer isso, pois os fatos o mostram. Em contrapartida, o poder de cura da nossa Igreja Messiânica é, sem exagero, de cem para um em comparação com a medicina e, embora seja difícil de acreditar, é um poder maravilhoso, sem precedentes na história ou na literatura. De fato, a nossa Igreja está atualmente curando todos os tipos de doenças e criando uma enorme quantidade de famílias saudáveis. Se por acaso houver dúvida, basta investigar e examinar a nossa Igreja uma vez para esclarecê-la imediatamente. Isso se confirma pelo fato de que, em apenas seis anos desde sua fundação, a nossa Igreja já conta, como se vê atualmente, com centenas de milhares de seguidores e, com um desenvolvimento surpreendente a cada dia que passa, sua frente de expansão religiosa está se estendendo para o exterior, começando pelo Havaí e chegando até os Estados Unidos.
Como exposto acima, a nossa Igreja cura, uma após outra, as doenças que a ciência não pode curar, e as pessoas ficam maravilhadas, considerando isso um milagre — é aí que reside a razão do desenvolvimento da nossa Igreja. Deve-se entender que a grande afirmação que é o lema da nossa Igreja, de criar um mundo sem doença, pobreza e conflito, não é um mero slogan.
Por não conhecerem a verdadeira natureza da nossa Igreja como exposto acima, fomos tratados da mesma forma que as novas religiões comuns e sofremos este desastre de transmissão, o que é realmente lamentável. Diante disso, o que peço aos senhores jornalistas do mundo é que estudem suficientemente a verdadeira natureza da nossa Igreja, pois quanto mais cedo isso acontecer, mais cedo muitas pessoas que sofrem serão salvas.
O Sr. Yoshida
Eikō nº 201, publicado em 25 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
Há cerca de vinte anos, eu organizava um encontro chamado "Sociedade do Haikai do Riso", e há um poema que até hoje não consigo esquecer:
"Se bem penso, 'seu idiota' é sobre mim mesmo." Pois bem, sinto que este poema se encaixa perfeitamente no problema atual do Sr. Yoshida.
Isso porque, considerando o motivo direto desta questão, tudo começou com aquela palavra "seu idiota".
A partir dela, desencadeou-se uma confusão que acabou levando à situação atual. Penso que o estado de espírito do senhor agora é exatamente o do poema acima. O que quero dizer aqui é que, se naquela hora tivesse se desculpado prontamente, talvez a situação tivesse se amenizado consideravelmente. Há quem diga que dar tanta importância a uma palavra como "seu idiota" é coisa de criança. Mas, sendo ele o Primeiro-Ministro de um país, ao profanar a sacralidade do parlamento e insultar os representantes do povo, ferindo também o sentimento nacional, é natural que o assunto não pudesse ser resolvido de forma simples, tornando-se um grande problema. Aproveito para dizer mais uma coisa: é fundamental para o ser humano conhecer o tempo e a si mesmo.
Isso porque, assim como uma flor, uma vez que desabrocha, com certeza murchará. Observando o Sr. Yoshida, vê-se claramente que a época da missão de paz foi o pleno desabrochar de sua flor. A partir daquele momento, ele começou a declinar gradualmente, até chegar ao estado atual. Como se sabe, na eleição geral seguinte o número de cadeiras diminuiu, e conflitos internos surgiram um após o outro — sendo desnecessário dizer que sua popularidade entrou em declínio. Quem poderia afirmar, então, que, ao final da próxima eleição geral, seu partido não se tornará o segundo maior? Diante disso, os políticos deveriam, após discernir esse ponto, decidir sobre sua entrada e saída da cena política. Além disso, como se pode ver pela história, mesmo pessoas muito importantes, que por um momento são aclamadas, transformam-se em um sonho de uma manhã de hibisco, e ninguém escapa ao destino de, após a primavera, entrar no verão e, depois, no outono — a estação do declínio.
Quase todos os fins de homens sábios e heroicos desde a antiguidade são assim. Diante disso, penso profundamente que é justamente no momento de maior triunfo que se deve ter o maior cuidado.
O Destino Final do Progresso da Medicina Moderna
Eikō nº 121, publicado em 12 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Vou tentar imaginar e escrever o que aconteceria, no final, se a medicina moderna continuasse a progredir como está.
Caso se compreendesse que a doença é um processo de purificação e que o tratamento médico é a interrupção dessa purificação, isso também não seria algo impossível de prever. No entanto, para quem não sabe disso e lê este texto pela primeira vez, certamente será uma grande surpresa. E, na medida em que a medicina, ao interromper a purificação como vem fazendo atualmente, faz com que as doenças deixem de ocorrer, as pessoas confundem isso com o progresso da medicina; e, como desenvolvem e aperfeiçoam cada vez mais esses métodos, isso se torna um efeito reverso, sendo natural que aumentem apenas pessoas com uma purificação fraca. Ou seja, tornam-se pessoas saudáveis de corpo frágil, e forma-se uma sociedade de indivíduos com saúde passiva. Para tornar essa lógica mais fácil de entender, darei dois exemplos. Descobriu-se recentemente que, ao contrário do que se pensa, não são as crianças de constituição linfática e fraca as mais propensas a contrair tuberculose, mas justamente o oposto. Outro exemplo é que se diz que as doenças infecciosas são menos comuns em pessoas de nações altamente civilizadas e mais frequentes em povos de cultura inferior e nas classes mais baixas. Considerando esses fatos, os primeiros seriam pessoas fracas, incapazes de desenvolver doenças, e os últimos, pessoas saudáveis, capazes de desenvolvê-las. Isso deve parecer uma história muito estranha, mas, sendo este o fato, o que mais se pode dizer? Assim, a medicina está criando abundantemente esses falsos saudáveis.
Pensemos, então, no que acontecerá no fim, se ela continuar avançando desse jeito. Darei mais um exemplo: hoje em dia, quanto mais as pessoas seguem os preceitos da medicina e da higiene, mais fracas elas se tornam — e talvez seja justamente por serem fracas que agem assim. Basta prestar atenção para perceber facilmente que esse tipo de pessoa está aumentando. Com isso, ocorre o fenômeno curioso de que o número de doentes diminui até certo ponto e, ao mesmo tempo, o número de longevos também aumenta. Recentemente, tanto nos Estados Unidos quanto no Japão, dizem que a expectativa de vida da população aumentou, e atribuem isso ao progresso da medicina; mas é porque desconhecem a razão que expus anteriormente. Do nosso ponto de vista, isso é antes motivo de preocupação. Se as coisas continuarem como estão, portanto, aumentará gradualmente, nas nações culturalmente avançadas, o número de pessoas com saúde passiva, e, mais cedo ou mais tarde, isso resultará em consequências graves. Isso não é um juízo pessoal meu — basta olhar para a Inglaterra e a França atualmente para concordar. A falta de vitalidade dos povos desses dois países é notável; absortos apenas em buscar o conforto e a preguiça, seu declínio de caráter nacional é incomparável ao de outrora. Além disso, mesmo nos Estados Unidos, como se pode ver claramente no mundo esportivo recente — no boxe, por exemplo —, os negros são incomparavelmente mais fortes. Ultimamente, em nosso país também, essa tendência começou a aparecer, e é necessário grande cautela.
Escrevi acima sobre a verdadeira face do progresso da medicina moderna. Qual será, então, o destino final das nações culturalmente avançadas? Não é algo trivial. É verdade que o número de doentes diminuirá gradualmente, mas, em compensação, a vitalidade humana declinará, e é inevitável que aumentem os jovens que parecem idosos. Por um tempo, a longevidade também se estenderá; mas, ultrapassado esse ponto, a situação se tornará grave, pois, a partir daí, a vida se tornará gradualmente mais curta. Além disso, essa vida curta será fundamentalmente diferente da de hoje, de modo que não haverá mais caminho para a recuperação, e a maioria da população será composta por pessoas que meramente vivem. É claro que, nessa época, a civilização mecânica também terá se desenvolvido ao extremo, tornando a sociedade mais conveniente — o que servirá como mais um estímulo para essa situação. Como resultado, surgirá uma oportunidade para a ascensão dos povos bárbaros, que estiveram por muito tempo oprimidos, e isso será uma grande crise para as nações culturalmente avançadas. Quando esse momento chegar, porém, já será tarde demais, por mais que todos se apressem. Por isso, é necessário que, desde já, despertem para essa medicina moderna equivocada, e que surja uma verdadeira medicina capaz de criar pessoas com saúde ativa. No entanto, não há razão para pessimismo, pois o grande amor de Deus, para prevenir isso de antemão, revelou-me o princípio da verdadeira medicina e o método de cura das doenças, e atualmente estamos obtendo resultados esplêndidos. Quando, em breve, todos os estudiosos de medicina e o público em geral compreenderem isso amplamente, quão grande será a salvação da humanidade! Como quanto mais cedo se compreender, porém, mais rapidamente se poderá escapar da crise, recomendo insistentemente que todos venham imediatamente a mim e batam à porta da felicidade.
Anatomia do Milagre
Eikō nº 107, publicado em 6 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
O que é um milagre? Em poucas palavras, refere-se a uma situação em que ocorre um fato que, em princípio, não poderia existir. Na verdade, porém, não existe algo que, em princípio, não possa existir; pensar que existe não passa de um equívoco. Dito assim, parece uma história um tanto complicada, mas explicarei o motivo a seguir. O fato de se decidir que algo "não pode existir" já é, em si, uma ilusão baseada em uma noção preconcebida.
Isso porque essa noção se forma ao se observar apenas a superfície, ou seja, o fenômeno em si, e daí se tirar uma conclusão. Naturalmente, como a forma de pensar as coisas até hoje se baseia no senso comum materialista da sociedade, quando algo incomum acontece, parece misterioso — é um fato que se vê claramente, embora não devesse existir. Por exemplo: uma criança que caiu de um penhasco alto e não sofre nada; um carro que colide com uma bicicleta, mas a pessoa não se machuca e, às vezes, o veículo nem sofre um arranhão; alguém que perde um trem, pega o próximo e, assim, escapa de um acidente quando o trem anterior descarrila ou colide; um ladrão que já havia começado a entrar e foge por causa do Johrei; um objeto roubado que retorna logo em seguida; um incêndio que já queimava até a casa vizinha e, ao se fazer o Johrei, muda subitamente de direção, e a casa é salva. É uma experiência constante dos fiéis da nossa Igreja a ocorrência de muitos milagres, grandes e pequenos, como esses. Milagres diversos como os acima, afinal, por que razão ocorrem? Onde se esconde a causa? Como todos devem querer saber, escreverei aqui a respeito.
Desnecessário dizer que a origem dos milagres está, na verdade, no mundo espiritual. No entanto, mesmo entre os milagres, há os que vêm do próprio esforço e os que vêm de uma força externa. Escreverei primeiro sobre os do próprio esforço.
Como sempre digo, o ser humano possui uma "Aura", que é a vestimenta do espírito. Embora invisível às pessoas comuns, ela cobre o corpo como uma névoa branca, na mesma forma do corpo.
Naturalmente, há espessuras diferentes, que dependem da pureza ou impureza da alma; quanto mais pura a alma, mais espessa é a Aura. Nas pessoas comuns, a Aura tem cerca de um a dois sun (aproximadamente 3 a 6 cm) de espessura; nas pessoas virtuosas, de dois a três shaku (aproximadamente 60 a 90 cm); e, nos seres divinos, é infinita.
Em contrapartida, as almas impuras têm uma Aura fina e frágil. Assim, nos casos em que se escapa de um desastre — por exemplo, no instante em que um automóvel está prestes a atropelar uma pessoa —, como o automóvel também tem um espírito, se a Aura da pessoa for espessa, o carro não consegue atingi-la e se desvia para o lado, salvando-a.
No caso de uma queda de um lugar alto, se a Aura for espessa, mesmo que o corpo bata no espírito da terra ou das pedras, o impacto será suave e leve, não causando ferimentos. Além disso, como a casa também tem um espírito, se o chefe da família for uma pessoa virtuosa, a Aura da casa será espessa; assim, em ocasiões como um incêndio, o espírito do fogo é barrado por ela e não se propaga para a casa. O fato de o prédio provisório da nossa Igreja, misteriosamente, não ter queimado durante o grande incêndio de Atami também se deve a isso. Raramente há casos em que a casa acaba queimando, mas isso ocorre porque havia necessidade disso, dentro do Plano Divino de Deus — é algo muito raro. A seguir, escreverei sobre os casos de força externa. Em primeiro lugar, o ser humano possui, ao todo, três espíritos protetores: o subalterno, o guardião e o secundário.
Já escrevi sobre essa relação anteriormente, então vou omiti-la aqui. Dentre esses, o espírito protetor guardião é um espírito selecionado entre os espíritos ancestrais. Ele ajuda em situações de perigo, avisa sobre coisas importantes através de sonhos e, para aqueles que têm uma missão especial, o próprio Deus (geralmente o Ubusunagami, o Deus da Terra Natal) também pode ajudar. Por exemplo, no momento em que um trem está prestes a colidir, Deus, que conhece bem mesmo à distância, para o espírito do trem num instante. Nesse caso, mesmo que esteja a centenas ou milhares de quilômetros de distância, Ele chega ao local numa fração de segundo e salva a pessoa.
Pelo exposto acima, vê-se que os milagres não são, de forma alguma, acidentes ou sorte: eles têm uma razão clara. Se compreendermos isso, deixam de ser algo misterioso ou especial. Para alguém como eu, portanto, é normal que milagres ocorram; ao contrário, acho estranho quando eles não acontecem. Como exemplo disso, quando me deparo com um problema difícil cuja solução demora, fico esperando, pensando que um milagre já deve estar para acontecer — e logo em seguida ele surge, e o problema é resolvido. Acredito que aqueles que têm fé profunda e acumulam virtude têm inúmeras experiências como essa. Se o ser humano pensar no bem, praticar o bem, acumular virtude e se esforçar para tornar sua Aura mais espessa, portanto, nunca sofrerá desastres imprevistos. Além disso, quanto mais espessa a Aura de uma pessoa, mais sentimos uma sensação de calor e afeto ao nos aproximarmos dela, despertando um sentimento de saudade e carinho. Pessoas que atraem os outros são assim; por isso, naturalmente, muitas se reúnem ao seu redor, seus trabalhos progridem bem e elas se desenvolvem.
Para dar mais um exemplo: desde tempos antigos, quando começo a frequentar uma casa, ela certamente prospera. Além disso, as pessoas que se aproximam de mim certamente se desenvolvem e se tornam felizes. Isso ocorre porque recebem, ainda que em parte, a minha Aura.
Superar a Raiva
Eikō nº 106, publicado em 30 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
Recentemente, Deus me ensinou um método para amenizar a raiva, e agora desejo transmitir esta boa nova.
Durante a vida neste mundo, não há sofrimento maior para o ser humano do que a ira. É verdade que existem pessoas que raramente se irritam, mas isso, embora possa parecer uma felicidade, é na verdade uma espécie de anomalia — pode-se dizer que, entre as pessoas comuns, quase não há quem não se irrite. Desde os tempos antigos existem métodos para dominar a raiva, como a arte do Tōkyū-jutsu e outras técnicas de cultivo, mas dificilmente se encontra algo verdadeiramente eficaz. Se apenas reprimirmos a raiva, ainda que escapemos do sofrimento por ela causado, surgirá um novo sofrimento: o da própria repressão. Isso porque, quanto maior o sofrimento da raiva, maior será o sofrimento de reprimi-la, resultando, no fim das contas, em algo equivalente a zero.
O método que Deus me ensinou desta vez, porém, permite eliminar o sentimento de raiva com facilidade. Não é algo maravilhoso? Passo agora a escrevê-lo.
Antes de tudo, o plexo solar é uma parte tão importante do corpo humano que, desde a antiguidade, é chamado de centro do corpo. Costuma-se dizer que o umbigo é o centro, mas ele é apenas o centro do abdômen — o verdadeiro centro da vontade, da coragem, da audácia e da capacidade de decisão. Expressões como "ter um bom ventre", "ter um ventre largo" ou "ter o ventre firme" remetem a esse sentido. Como sempre digo, porém, a testa governa a razão — a sabedoria e a memória; a nuca governa as emoções — a alegria, a raiva, a tristeza e o prazer; e o ventre é como descrevi acima.
Sendo o plexo solar o centro do corpo humano — a cristalização da trindade unificada —, quando surge a raiva, os pensamentos também se concentram nessa região. De fato, quando se está com raiva, sente-se ali algo como um nó ou um caroço, experiência que todos já tiveram. A expressão "ficar com a barriga erguida" significa justamente que um bastão dentro do abdômen se ergue, e a ponta desse bastão atinge o plexo solar.
Dito isso, ao aplicar Johrei no plexo solar durante um acesso de raiva, o caroço logo se dissolve e o peito se abre como se um nó amarrado se desfizesse, trazendo uma sensação indescritivelmente agradável. Aos poucos, o coração se torna mais leve, e a pessoa passa a sentir vergonha de ter se irritado — costuma-se dizer que "a raiva se desfaz", e é exatamente isso. Além disso, como o Johrei pode ser aplicado tanto em si mesmo quanto nos outros, não há nada mais conveniente. Nem é preciso dizer que a raiva é a causa da ruptura da paz não apenas do indivíduo, mas também da família, da harmonia entre as pessoas e, em maior escala, da paz na sociedade e entre as nações. Portanto, este método deve ser considerado uma verdadeira salvação.
A Razão do Desaparecimento dos Grandes Mestres (1)
Eikō nº 190, publicado em 7 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Entre as coisas que, como é notório, mais emudeceram ultimamente estão o mundo das artes cênicas e o mundo das belas-artes.
Escreverei primeiro sobre o mundo das artes cênicas, e o que mais se destaca é o desaparecimento dos atores de kabuki mais importantes. Os grandes mestres da área, evidentemente, e também os atores de destaque, dotados de características próprias e indispensáveis a certas peças — todos se retiraram para sempre dos palcos; mesmo eu, que não sou apreciador do teatro clássico, sinto uma ponta de melancolia. Assim, hoje em dia, atores de idade considerável e arte amadurecida são quase inexistentes.
Restam apenas cerca de três: Kichiemon, Ennosuke e Mitsugoro. Não conheço a região de Kansai, mas acredito que a situação seja semelhante.
Desses três, Mitsugoro já está em idade avançada, e não se sabe por quantos anos mais poderá subir ao palco; Kichiemon também é doentio, e não se sabe quando cairá. Apenas Ennosuke, cujo vigor supera até o de homens robustos, nos dá certa segurança, mas é claro que sozinho não pode dar conta de tudo. Por outro lado, os atores jovens de hoje são de fato numerosos, e não são poucos os que têm futuro; ainda assim, são jovens, e não se pode esperar tão cedo por apresentações imponentes — por isso os apreciadores de teatro são realmente dignos de pena. O kabuki, diferentemente de outras peças, exige atores de idade considerável e presença imponente; sem isso, o palco não se firma e o sabor não aparece, o que é um problema.
Comparando essa situação atual com a da minha juventude, não tenho apenas a sensação de uma era distinta; chego a achá-la estranha. De todo modo, a magnificência dos palcos de kabuki de quando eu tinha cerca de vinte anos é algo que não posso esquecer até hoje. Além dos três grandes nomes — Danjuro, Kikugoro e Sadanji —, havia figuras de destaque como Kataoka, Yaozō, Matsusuke, Kodanji, Danshirō, Tosshi e, entre os jovens, Fukusuke (mais tarde Utaemon), Iekatsu (mais tarde Uzaemon), Somegorō (mais tarde Kōshirō), o segundo Sadanji, Kannyū, e muitos outros — uma verdadeira multidão de talentos. Havia também muitos grandes mestres na área musical. O que não esqueço é a dupla de nagauta, Ichijūrō e Rokuzaemon (mais tarde Kanyū), e aquele grande e imponente Satsuma-bushi, sem nenhum acompanhamento, tendo ao fundo a cortina azul-clara do palco.
Às vezes, lembro-me também da arte de grandes mestres como Tokiwazu Rinshō e Kiyomoto Enju. Quanto aos atores de shinpa, rakugo, kōdan, rōkyoku, shinnai etc., se fosse escrever, não terminaria; por isso, omito-os. Mas, de qualquer forma, o nível dos grandes mestres de antigamente dificilmente se encontra hoje; podem-se contá-los nos dedos.
Descrevi acima a realidade do mundo das artes cênicas porque quero que sirva de premissa ao que direi a seguir. Não é verdadeiramente inexplicável que, quando as pessoas ultrapassam a meia-idade — justamente quando sua arte atinge a maturidade e está prestes a brilhar —, elas partam deste mundo uma após a outra? Qualquer um percebe isso, mas, como a causa é desconhecida, não resta senão lamentar. Não se surpreendam, mas, se eu disser que a causa é a medicina moderna, todos ficarão estupefatos.
Sobre isso, citarei primeiro um exemplo de minha experiência. Foi quando eu morava em Kōjimachi. Trata-se do ator Ichikawa Shōchō, muito popular como onnagata na época; lembro que tinha trinta e poucos anos. Como morava perto da minha casa, vinha ocasionalmente para tratamento — tinha os ombros muito tensos e queria curar isso. Certa vez, durante uma turnê na região de Kansai, contraiu pneumonia e voltou às pressas para Tóquio, pedindo que eu fosse vê-lo. Fui imediatamente e, ao chegar, vi que estava bastante grave. Ao perguntar detalhadamente, soube que a empresa Shochiku enviava um médico todos os dias para tratá-lo com afinco; pensei que aquilo seria um problema. Mesmo assim, não podia recusar de todo, então lhe disse que deveria parar absolutamente com as injeções e os remédios; se não pudesse fazer isso, não teria escolha senão recusar o tratamento. Ele ficou muito perplexo, mas no fim disse que faria como eu pedia; fui tratá-lo todos os dias e, em poucos dias, ele se recuperou completamente.
Segundo ele me contou na época, mesmo para uma doença leve a empresa enviava imediatamente um médico renomado e cuidava dele com gentileza; por isso, até então, ele se sentia seguro.
Pensei: "É exatamente isso", e o adverti indiretamente; mas logo me mudei para Tamagawa (atual Hōzansō) e, talvez por eu ter ficado distante, ele deixou de vir por completo. Alguns anos depois, porém, saiu no jornal a notícia de que o ator havia morrido de doença. Lamentei profundamente, pensando "é como eu temia", e achei que ele realmente não tivera sorte. Acho que já escrevi sobre isso antes, mas é fato que os atores de kabuki que se tornam onnagata morrem cedo, sem exceção.
Os mais antigos devem saber bem disso. No entanto, há também uma causa clara. De todo modo, como usam perucas pesadas o ano inteiro, o pescoço e os ombros ficam muito tensos, e ali ocorrem purificações com frequência, resultando em febre, tosse e expectoração. O médico diagnostica como fase inicial da tuberculose e, por aplicar diligentemente a terapia reversa, eles acabam sucumbindo.
Pelo exposto, compreende-se claramente que a morte prematura dos atores de kabuki se deve inteiramente ao tratamento médico. A empresa, porém, que jamais poderia imaginar tal coisa, confia cada vez mais no tratamento médico, para que não surjam mais pessoas infelizes — o que é realmente assustador. Por outro lado, ainda que se tente esclarecer esse fato, atualmente não há como fazê-lo; não resta senão esperar o momento certo. Mas que mundo terrível se tornou este! Quanto mais penso nisso, mais sinto profundamente a necessidade de romper com a superstição médica o mais rápido possível.
Construir o Paraíso Terrestre
Eikō nº 108, publicado em 13 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
O artigo a seguir foi preparado para a palestra de nossa Igreja realizada no dia 22 do mês passado no Hibiya Public Hall. Como estava previsto que fosse gravada e publicada no jornal Hawaii Herald, entre outros, tomei o cuidado de levar um manuscrito escrito antecipadamente. No entanto, quando chegou a minha vez e subi ao pódio, as palavras fluíram naturalmente, e não pude evitá-lo; acabei falando sem o manuscrito. Assim, embora este manuscrito tenha se tornado desnecessário, não tive coragem de descartá-lo e decidi publicá-lo aqui.
Sou Okada Mokichi, líder da Igreja Messiânica. Farei agora uma palestra de aproximadamente trinta minutos e gostaria de esclarecer de antemão que minha fala conterá apenas coisas que ninguém disse até hoje. Com efeito, se o que eu disser for semelhante ao que os religiosos e as grandes figuras do passado disseram ou escreveram, não haveria necessidade de eu falar. Por essa razão, o conteúdo desta palestra é quase todo diferente dos ensinamentos e teorias anteriores. Não é uma diferença pequena; é uma grande diferença. Para dizer a verdade, porém, não há diferença alguma: são coisas absolutamente naturais. Dizer isso pode parecer um pouco estranho, mas, do meu ponto de vista, há muitas coisas estranhas no mundo de hoje. Ninguém as percebe; e, como essa maioria estranha me vê como a única pessoa que não é estranha, o estranho pareço ser eu. Pode parecer uma explicação complicada, mas, à medida que eu for falando, vocês não poderão deixar de pensar: "De fato, é assim".
Bem, chega de preâmbulos. Vou entrar finalmente no assunto principal. Em primeiro lugar, todos devem pensar que o mundo atual é um mundo civilizado e avançado.
Do meu ponto de vista, porém, metade é civilização e a outra, barbárie. Esta também pode ser uma das minhas opiniões consideradas estranhas. Afinal, o que vem a ser um mundo civilizado? Penso que, em primeiro lugar, está a garantia da segurança da vida humana. Sem essa segurança, não acredito que se possa chamar isso de civilização.
Mais especificamente, um mundo sem guerras e sem doenças é o verdadeiro mundo civilizado. Por quê? Porque esses dois flagelos ameaçam constantemente a vida humana. Ao ouvir isso, vocês dirão: "Seria bom se um mundo tão maravilhoso fosse possível, mas uma história tão fantasiosa é absurda e inacreditável." No entanto, afirmo que é possível. Então, vocês dirão novamente: "Bem, talvez seja possível daqui a alguns milhares ou dezenas de milhares de anos, mas quem diz que é possível em nossa época deve estar com a cabeça perturbada." Isso também é completamente compreensível. Afinal, a humanidade sofreu por milhares de anos desde o início da história, e as pessoas se convenceram de que essa é a condição normal da sociedade humana. Devem pensar, como disse um sábio, que a vida é como uma corda torcida, em que alegria e tristeza se alternam. No entanto, não é só isso: na realidade, o sofrimento é muito maior, o que é problemático. Até mesmo Buda Shakyamuni disse: "Este mundo é uma terra impura da qual se deve ansiar por se afastar, ou uma moradia incendiada, e não se pode escapar dos quatro sofrimentos: nascimento, doença, velhice e morte." Se esses quatro sofrimentos se duplicarem, teremos os oito sofrimentos, não é? Assim, se perguntarmos qual é a causa desse sofrimento, pode-se dizer que está, sem dúvida, na metade da barbárie. Portanto, a menos que essa barbárie seja eliminada, é certo que um mundo bom não virá.
Na prática, porém, não é algo que se faça de uma só vez. Se a civilização for avançando, ainda que pouco a pouco, sobre a barbárie, um dia o verdadeiro mundo civilizado se formará. Até agora, contudo, a humanidade não percebeu isso: as pessoas admiravam apenas a superfície da civilização — encantavam-se com a bela aparência exterior, sem enxergar o corpo coberto de sujeira e fedor que ela envolvia. Estavam completamente iludidas pela forma externa, como se vivessem sob a superstição da civilização. E esses civilizados supersticiosos, que não sabem disso, frequentemente nos chamam de supersticiosos. Por isso, penso em promover uma competição de superstições para ver qual de nós é o supersticioso: o vencedor será a fé correta.
Mesmo que se possa desfrutar da cultura exterior, isso certamente trará felicidade, mas são muito poucos os que recebem esse benefício. Em qualquer país, são apenas um punhado; a grande maioria continua vivendo ansiosa, debatendo-se no fundo do sofrimento. Ao observar essa realidade, a felicidade, que era o objetivo inicial, desaparece e não se encontra em lugar algum. A ideia original era que bastaria fazer a civilização material avançar para que o mundo da felicidade se realizasse; foi nessa expectativa que a humanidade se esforçou com afinco — e essa expectativa foi brilhantemente frustrada.
Mesmo assim, a humanidade — que ainda não percebeu isso — tornou-se prisioneira da civilização científica e segue avançando pelo caminho errado. De fato, tal é o progresso da civilização científica que, se despertássemos alguém que morreu há cem anos e dorme sob o túmulo, e lhe mostrássemos o mundo de hoje, ele desmaiaria de surpresa. Bem, como o morto já está morto, não haveria problema.
De qualquer forma, é possível voar para a América, a milhares de quilômetros, deitado, em menos de um dia; a voz com que falo aqui pode ser ouvida em qualquer lugar da Terra; e foi criada a bomba atômica, capaz de massacrar milhões de pessoas num instante, mas que, usada como ferramenta pacífica, com algo do tamanho da ponta de um dedo, pode manter trens e automóveis funcionando por muitos dias. Diante de coisas tão incrivelmente convenientes e magníficas, é natural que as pessoas se encantem com o progresso da cultura material; mas apenas admirá-las não leva a nada. Elas só têm valor quando as massas podem desfrutar desses benefícios.
No entanto, como está a situação? Não está a maioria, sem exceção, perpetuamente atormentada pelos três grandes sofrimentos da humanidade — o medo da guerra, a ansiedade pela escassez de alimentos e a proliferação de doenças, ou seja, a fome, a doença e a guerra? Isso não é a máxima felicidade para o maior número, mas sim a máxima infelicidade para o maior número. Vejamos, primeiramente, a situação atual do Japão, que nos é mais próxima. Tuberculose, doenças infecciosas, suicídios familiares, suicídios individuais, homicídios, crimes violentos, aumento drástico da criminalidade juvenil, roubos e furtos, corrupção, escândalos, sonegação fiscal etc. — são tantas coisas abomináveis que não se podem descrever em poucas palavras.
Pode-se dizer que é verdadeiramente um Inferno. A causa disso, como mencionei no início, é que ainda resta muita barbárie no interior da civilização. Para despertar dessa confusão, Deus me escolheu e me confiou esta grande missão. Em outras palavras, o caminho que a humanidade percorreu até agora, pensando ser o da felicidade, era na verdade o caminho do Inferno. Atualmente, estou escrevendo uma obra chamada "A Criação da Civilização".
Como já disse, a civilização até agora não é a verdadeira civilização; é uma civilização distorcida. Por mais que tenha progredido, portanto, a felicidade não pode ser obtida. Assim, apresento o plano para criar uma nova e verdadeira civilização, infundindo uma alma na civilização material que progrediu até o presente. Em outras palavras, trata-se de substituir a civilização do mal pela civilização do bem — pode-se dizer que é o projeto para o Paraíso Terrestre.
Depois de concluída, pretendo traduzi-la para o inglês e distribuí-la o mais amplamente possível para universidades de todo o mundo, bem como para círculos acadêmicos e pessoas famosas, e também submetê-la ao comitê de avaliação do Prêmio Nobel. Como os membros do comitê de avaliação também são autoridades da cultura estabelecida, minha teoria, excessivamente avançada, provavelmente não será facilmente aceita. Mas, por ser a verdade absoluta, no final será compreendida. Se assim for, causará grande sensação mundial, é claro, e a civilização moderna sofrerá uma reviravolta de cento e oitenta graus; o mundo ideal, tão esperado por toda a humanidade, estará a caminho da realização. Isso é, naturalmente, o grande Plano Divino de Deus, uma obra sem precedentes, mas acredito, sem sombra de dúvida, que será bem-sucedida. Senhoras e senhores, disse algo tão grandioso; se isso terminar em mera fanfarronice, serei apontado como um grande mentiroso e um charlatão, criticado e enterrado. Se fosse esse o caso, eu recusaria terminantemente um ato suicida tão tolo. Por fim, gostaria de dizer uma última palavra.
Cristo disse: "O Reino dos Céus está próximo", e Buda Shakyamuni profetizou: "A era de Miroku virá". No entanto, esses dois grandes santos não disseram que eles próprios criariam o Paraíso. Mas eu, audaciosamente, declaro que o criarei. E isso não é surpreendente. Por quê? Porque nem Cristo nem Buda Shakyamuni poderiam ter feito profecias irrealizáveis. Se assim fosse, não seriam profecias, mas mentiras e falsidades. Não é possível que os dois grandes santos, venerados por centenas de milhões de seguidores em todo o mundo, tenham dito mentiras. Além disso, como vários fundadores de outras religiões também disseram coisas semelhantes, os seguidores de todas as religiões do mundo, no mesmo sentido em que acreditam em seus fundadores, devem naturalmente acreditar também no grande Plano Divino da construção do Paraíso que estou atualmente realizando. Em suma, a minha missão é corroborar fielmente as profecias de todos os santos. Pelo exposto, nossa Igreja Messiânica não é uma religião.
É algo muito difícil de dizer, mas vocês devem ter compreendido que se trata de uma obra de salvação muito maior do que a religião. Em suma, trata-se de libertar toda a humanidade do sofrimento e conduzi-la a uma vida de alegria. Ensina o que é a verdadeira civilização e, ao mesmo tempo, fornece as diretrizes para a construção do Paraíso Terrestre, onde não haverá doença, pobreza nem conflito.
O Plano Divino
Eikō nº 109, publicado em 20 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
Vou escrever sobre quão profunda, sutil e grandiosa é a nossa Igreja Messiânica; ao ler isto, qualquer crente, seja quem for, ficará tão maravilhado que não conseguirá nem falar. Em primeiro lugar, é preciso saber que o Plano Divino de Deus é algo que, com a sabedoria humana, é absolutamente impossível de se imaginar.
Isso se aplica, por exemplo, ao Paraíso Terrestre que está sendo construído em Atami. Como os senhores membros também observam constantemente, à medida que as obras de terraplanagem avançam, tudo muda a cada observação: não apenas a forma da montanha, a posição das árvores e os locais previstos para as construções, mas também a beleza da paisagem panorâmica que se vê ao longe e a aparência dos arredores. Em especial, o grande número de muros de pedra pode ser considerado, sem exagero, o melhor do Japão. No entanto, as pedras necessárias surgem em quantidade infinita de um único local: por mais que se escave, nunca se esgotam. Em lugar nenhum de Atami há tamanho acúmulo de pedras. É verdadeiramente misterioso, e não há quem não se surpreenda. Só por este fato, não há espaço para dúvidas de que Deus já havia planejado e preparado tudo há dezenas de milhares de anos.
Além disso, ao observar a paisagem que atualmente circunda o Paraíso — a localização das diversas árvores, as formas das montanhas e tudo mais —, a harmonia se manifesta de forma tão bela que se fica em êxtase. E, misteriosamente, as terras necessárias vão sendo adquiridas uma após a outra. Não são terras dispersas: expandem-se ordenadamente, de um vizinho para o outro. O momento também é oportuno; quando a necessidade se torna premente, surge alguém querendo vender. Tudo se desenrola exatamente como planejado. E mais: visito o local de vez em quando para inspecionar e, a cada vez, novos planos surgem naturalmente em minha mente — não há necessidade de pensar; é algo muito fácil.
Aqui, o que é esse grande Plano Divino surpreendente que mencionei no início? Trata-se do significado de Atami, o local de beleza cênica número um do Japão. Como sempre digo, este local reúne todas as condições: beleza das montanhas e águas, clima, fontes termais, excelente acesso etc. Provavelmente não existe em todo o Japão um local de beleza cênica tão completo. Se pensarmos profundamente sobre a razão disso, compreendemos o seguinte: o Criador projetou a Terra sob um plano eterno. Isso se deu provavelmente há milhões ou dezenas de milhões de anos. Ao criar a Terra, Ele determinou que, no futuro, o Japão seria uma terra paradisíaca, como um parque mundial; e, como condições para isso, dotou-o perfeitamente de clima, solo fértil, beleza natural etc., e aguardou o momento. Naturalmente, este local é o nosso Atami; o seguinte, Hakone, também tem esse significado; e o Monte Fuji também deve ser assim. Especialmente em relação a Atami, creio que Ele o destinou como o ideal mais elevado e mais belo. Então, quando o progresso da cultura material atingiu gradualmente um estado adequado para a construção do Paraíso, Ele fez com que eu, esta pessoa, nascesse e, após passar por diversos caminhos, fez com que eu viesse a morar em Atami, e aqui deu início à construção do modelo do Paraíso Terrestre, que é o Seu objetivo.
Eu, em pé no Monte Zuiun, contemplo sempre a paisagem e penso. Certamente, na era mais antiga, quando eu era Deus, planejei e projetei o futuro.
A Ilha de Hatsushima e a de Oshima, que ao longe parecem pedras em um vaso de paisagem; os cinco cabos; a ponta de Manazuru; a cordilheira de Jukkoku-toge; o mar espelhado, que se confunde com um lago; e, especialmente, a beleza das montanhas de Atami — se isso não for a mais elevada arte divina, o que seria? E assim, hoje, no século XX, tendo eu nascido como ser humano, estou realizando o plano exatamente como foi planejado inicialmente; portanto, é natural que tantos milagres como os mencionados anteriormente aconteçam.
Consequentemente, o que estou fazendo não se limita apenas a este pequeno Paraíso Terrestre. Pode-se imaginar que todos os outros diversos empreendimentos também foram preparados desde a criação de todas as coisas.
A respeito disso, escreverei agora sobre mais um assunto importante. Embora seja autoelogio, quando se usa como Ohikari um papel no qual escrevi caracteres, ele manifesta um poder extraordinário de curar doenças. Isso é de conhecimento de todos.
Este Ohikari pode ser escrito à velocidade de quinhentas folhas por hora, ou seja, uma folha a cada sete segundos. Com esta obra feita de papel e tinta, produzida em sete segundos, salvam-se milhares e dezenas de milhares de vidas; portanto, não sei como explicar a grandeza desse poder divino. Isso não ocorre porque eu seja grandioso — deve ser o maravilhoso poder divino do Grande Deus, que concede essa força a mim.
Vencer o próprio mal
Eikō nº 109, publicado em 20 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
Anteriormente, escrevi um artigo intitulado "Vença o Mal", que significava que não se deve perder para os maus. Desta vez, porém, não se trata dos outros, mas de vencer o mal que habita no próprio íntimo. Em todo ser humano, o bem e o mal estão sempre em batalha — é a luta para suprimir aquilo que o budismo chama de desejos mundanos. De todo modo, os desejos humanos são insaciáveis; assim, os servos do mal — "quero dinheiro, quero mulheres, quero poder, quero fama, quero fazer minha vontade" — estão sempre tentando erguer a cabeça, e o servo do bem os reprime: "Não se pode fazer isso, tome cuidado; se o fizer, vou lhe dar uma lição severa." E prossegue: "Faça as pessoas felizes, faça com que todos os outros sejam felizes." O bem e o mal lutam, lutam e lutam incessantemente; essa é a verdadeira condição do ser humano, o rei da criação.
Por essa razão, se o mal vence, cometem-se pecados e gera-se infortúnio; se o bem vence, gera-se felicidade. Isso é perfeitamente claro e parece simples, mas os humanos, mesmo sabendo disso, não conseguem pô-lo em prática — especialmente os que não têm fé. Os crentes, por outro lado, conhecem bem isso, por isso perdem para o mal com muito menos frequência. Na verdade, porém, não é tarefa fácil. É claro que quem induz à prática do mal é o espírito protetor secundário, e quem induz à prática do bem é o espírito protetor guardião. Acima deles, o comandante do bem absoluto é o espírito protetor primordial. Portanto, em última análise, trata-se de aumentar o poder do espírito protetor primordial, e é esse o poder para vencer o mal fundamental. Por isso, o ser humano deve sempre se esforçar para cultivar esse poder, e o único método para tanto é adorar a Deus e aprofundar a fé. Não há outra maneira de se tornar uma pessoa feliz.
O que é o Juízo Final?
Eikō nº 110, publicado em 27 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
O Juízo Final é uma expressão proferida por Cristo. Em que época e sob que forma se manifestaria, porém, ele nada disse — e até hoje isso permanece um mistério. Os cristãos, em especial, há muito tempo tentam decifrar esse enigma, mas parece que ninguém conseguiu resolvê-lo até agora. Isso porque, se surgisse alguém capaz de decifrá-lo, essa pessoa teria de estar no mesmo nível de Cristo ou ser superior a ele. Agora, porém, por meu intermédio, foi possível esclarecer essa verdade suprema, de modo que qualquer um que tome conhecimento disso não poderá deixar de arregalar os olhos de espanto.
Isso é natural, pois fui eu a quem Deus concedeu a missão de estar à frente desse evento no momento do Juízo Final. Ademais, ao observar apenas o caractere "julgamento", imagina-se o significado de "sentença", e as pessoas podem pensar que Deus estará julgando como um tribunal, ou que Enma Daiō aparecerá — mas não é absolutamente nada disso. Então, qual é o significado? Em suma, trata-se de um grande processo de purificação mundial. Venho explicando há tempos que, no mundo espiritual, aquilo que até então era o Mundo da Noite chegou finalmente ao momento de se transformar no Mundo do Dia. A manifestação concreta dessa transformação é o Juízo Final, que, além disso, se aproxima a passos largos.
Como já foi revelado anteriormente, no mundo espiritual, a partir de 15 de junho de 1931, vem ocorrendo gradualmente uma transição para o dia, e, por fim, ocorrerá um processo de purificação decisivo e definitivo. Naturalmente, a sequência desse processo avança em três estágios: o mundo divino, o mundo espiritual e o mundo material. E o momento em que finalmente se tornar pleno dia é, justamente, o Mundo da Luz. Nesse sentido, recentemente, a partir de 15 de junho deste ano, o mundo material — o último estágio mencionado — entrou no momento final de se tornar dia. E é preciso saber que, a partir deste ano, no período de dez anos, está estabelecido que se formarão os alicerces do Mundo da Luz, ou seja, do Paraíso Terrestre. O que escrevi acima é uma visão geral. Embora, do amanhecer ao pleno dia, haja naturalmente um progresso gradual, os senhores fiéis devem saber bem que, com certeza, as mudanças ocorrem passo a passo.
A razão é que, à medida que o mundo espiritual se torna dia, a purificação se intensifica cada vez mais e, com ela, o efeito do Johrei se torna notável. Na prática, dia após dia e mês após mês, a velocidade das curas aumenta e os milagres se multiplicam.
Os senhores fiéis compreenderão bem se compararem a forma como as curas ocorriam há um ou dois anos com a de agora. Assim, à medida que a purificação se fortalece gradualmente, a sociedade humana também acompanha esse movimento, e as mudanças se tornam mais intensas. Uma vez que tudo é exposto à luz, pelo princípio da correspondência, os impuros vão gradualmente declinando, e os puros vão gradualmente prosperando. Isso está em sintonia com o grau de purificação do mundo espiritual, mas, na verdade, encerra um problema grave: quando chega o momento decisivo, por mais que o ser humano se esforce, não conseguirá resistir ao poder da grande natureza.
O bem e o mal serão claramente distinguidos; o mal perecerá, e o bem sobreviverá. De acordo com esse princípio, quanto mais pecados e impurezas uma pessoa tiver, menos conseguirá suportar a grande purificação, e não haverá outro caminho senão despedir-se deste mundo para sempre.
Em contrapartida, o bem pode sobreviver com facilidade. Portanto, não se pode ficar tranquilo a menos que se esteja em um estado capaz de suportar qualquer purificação que venha. Consequentemente, para aqueles com muitos pecados e impurezas, o Juízo Final é algo temível, mas para aqueles com poucos, é antes algo digno de gratidão — pois o que vem após o Juízo Final é o Paraíso neste mundo, e é possível tornar-se um ser que vive em júbilo. A respeito disso, surge a nossa Igreja. Conforme exposto acima, seu objetivo é fazer com que o maior número possível de pessoas consiga atravessar o Julgamento em segurança.
Isso é o grande amor de Deus e também a grande missão que me foi confiada. O Johrei é o método único para isso. Portanto, o Johrei não serve apenas para curar doenças: ele cria pessoas qualificadas para atravessar em segurança o Julgamento que está por vir. Se compreenderem este trabalho, reconhecerão quão grande é a nossa Igreja como a Arca de Noé salvadora do mundo. O fato de o nome da nossa Igreja ser Igreja Messiânica não se deve a outra razão senão a esta. Penso que, com o exposto acima, o significado do Juízo Final foi, em linhas gerais, compreendido.
"Diário de Johrei (Texto Omitido)"
Eikō nº 128, publicado em 31 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Desejo proclamar que só nós podemos afirmar quão magnífica superstição é a medicina moderna, e que se trata de um problema grave que não pode ser deixado de lado nem por um dia. O que agrava ainda mais isso, porém, é que a diferença entre a medicina materialista e a nossa medicina religiosa é tão imensa que não se pode sequer compará-las; não é uma questão de diferença entre a lua e a tartaruga. Apesar disso, as pessoas consideram a medicina como algo verdadeiro e veem a nossa como superstição, de modo que provavelmente não existe história tão incompreensível quanto esta. É verdadeiramente lastimável, e não podemos deixar de chamar tais pessoas de "homens cultos modernos". O exemplo a seguir ilustra bem isso; por isso, acrescentei este texto.
"Diário de Johrei (Texto Omitido)"
O Mundo do Um
Eikō nº 111, publicado em 4 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Ao examinar a civilização moderna, é desnecessário dizer que sua base é a ciência materialista; passarei agora a tratar disso em detalhes.
Primeiramente, o que se deve saber a respeito é a constituição do grande universo. Dito isso, deixando de lado o que não tem relação direta com o ser humano, escreverei apenas os pontos importantes. O chamado universo futuro é composto por três elementos: o sol, a lua e a terra. E esses três elementos são a essência do fogo, da água e da terra, que se manifestam como estes três mundos: o mundo espiritual, o mundo atmosférico e o mundo fenomênico. A realidade é que eles se harmonizam e se integram perfeitamente. No entanto, até os dias de hoje, apenas dois desses três elementos primordiais, o mundo atmosférico e o mundo fenomênico (mundo material), eram conhecidos, e não se sabia da existência do outro, o mundo espiritual — porque a ciência materialista foi totalmente incapaz de apreendê-lo. Portanto, a cultura materialista atual, como a vemos, foi construída pelo progresso apenas desses dois elementos; ou seja, trata-se de uma cultura de apenas dois terços.
Mas, para nossa surpresa, esse um terço do mundo espiritual, que vinha sendo tratado como inexistente, é, na verdade, o centro da força fundamental, mais importante do que a soma dos outros dois. Assim, ignorá-lo torna impossível o surgimento de uma civilização completa. Sobretudo, o fato de a felicidade — único desejo da humanidade — não acompanhar o desenvolvimento dessas duas culturas, apesar de elas terem progredido tanto, demonstra bem isso. Portanto, ao examinar agora a fundo a raiz dessa contradição, descobre-se que há uma razão profunda para isso. Pois, se a humanidade soubesse da existência do mundo espiritual desde o início, a civilização material não teria conseguido atingir um desenvolvimento tão notável como o de hoje. Por quê? Porque foi justamente por ignorar o mundo espiritual que nasceu o pensamento ateísta; desse pensamento surgiu o mal, e, como resultado, houve a luta entre o bem e o mal. A humanidade, atormentada pelo sofrimento, foi forçada a desenvolver a cultura materialista. Se pensarmos profundamente nisso, o que mais poderia ser senão o profundo Plano Divino de Deus? No entanto, quando a cultura material se desenvolveu até certo ponto, surgiu o receio de que, ultrapassado esse ponto, ela pudesse, ao contrário, levar à ruína da própria cultura. Acima de tudo, com a descoberta da bomba atômica — que é, obviamente, uma manifestação disso —, chegou-se a um ponto em que se tornou o tempo celestial para que uma grande transformação tivesse de ser realizada em relação ao progresso da cultura.
Como primeiro passo, a existência do mundo espiritual, que era tido como inexistente, foi amplamente revelada à humanidade. Como se trata, porém, da existência do inexistente, o método para revelá-la é naturalmente impossível para a ciência. Assim, trata-se da manifestação de um poder tão grandioso que a humanidade jamais experimentou: o poder de Deus. No entanto, como o homem moderno está há muito tempo enraizado na visão materialista, convencê-lo acarreta uma dificuldade imensa. Para isso, existe o milagre como o único método praticado pela nossa Igreja — ou seja, o método do Johrei é exatamente isso. Por meio dele, mesmo o mais ferrenho ateu não pode deixar de aceitar imediatamente esse poder. Portanto, quando isso se tornar amplamente conhecido na sociedade humana, a verdadeira civilização mundial estará prestes a nascer, e a cultura moderna será forçada a uma transformação de cento e oitenta graus.
No entanto, há um problema espinhoso que permanece. Como a cultura atual foi construída ao longo de milhares e dezenas de milhares de anos, não se sabe quantos pecados foram cometidos até aqui. O pecado, obviamente, é a impureza do corpo espiritual. Como essa impureza se acumulou, se as coisas continuarem assim, tornar-se-á um obstáculo para a construção do novo mundo. É como quando se constrói uma casa: há lascas de madeira, aparas de plaina e vários outros tipos de poeira e sujeira espalhados. Portanto, uma ação de purificação deve ser realizada, e isso também é inevitável. O Juízo Final de Cristo provavelmente se referia a isso.
Pelo exposto, percebe-se que os inúmeros e maravilhosos milagres manifestados pela nossa Igreja não poderiam ser outra coisa senão o Plano Divino para fazer reconhecer a existência do mundo espiritual. E Deus me incumbiu dessa grande missão.
Erro de Interpretação do Orgulho
Eikō nº 111, publicado em 4 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
No Ofudesaki da religião Oomoto, a soberba e o equívoco são os mais severamente advertidos — e é exatamente isso. Quando se observam os fiéis tendo essa palavra em mente, percebe-se que muitos pontos se encaixam.
A esse respeito, ocorre com frequência o seguinte. No Johrei, no início, quando ainda não se está acostumado, a pessoa pensa: “Será que tenho capacidade para curar a doença de alguém?” e, ao fazê-lo com receio, a cura, surpreendentemente, acontece. A pessoa fica admirada e, ao mesmo tempo, a pessoa curada se alegra profundamente e agradece, dizendo que foi graças a ele. Todos devem ter passado por essa experiência. Com o tempo, a pessoa tende a esquecer que, no início, a cura foi graças a Deus, e alguns começam a pensar: “Talvez eu tenha algo de especial.” Isso, porém, é uma clara soberba, e este é o período mais perigoso, portanto é preciso estar muito atento. Por quê? Porque a forma de pensar se inverte. A razão é que, como sempre alerto, quanto mais se retira a força física, melhor — ou seja, a força é a força humana; portanto, quanto mais se retira a força humana, melhor. Por esse princípio, quando há soberba, a força humana tende a se acrescentar e, acima de tudo, quando isso acontece, a eficácia do Johrei diminui. A esse respeito, costuma-se ouvir: “No início, quando eu estava com medo, as curas eram boas, mas hoje, com a prática, parece que a cura está piorando. Por que será?” Alguns podem ter essa dúvida, mas, se compreenderem a razão acima, concordarão.
Em seguida, vem o equívoco, que tampouco se deve subestimar. É uma forma de pensar sobre a fé, e é fácil cometer erros. Por exemplo, querer investigar o innen (afinidade espiritual) ou as relações das divindades nos mitos e lendas, ou interessar-se por fenômenos de possessão espiritual e querer conhecê-los indiscriminadamente. Quando se fica absorto nessas coisas, o caminho principal acaba sendo negligenciado. É verdade que saber um pouco não é inútil, mas é preciso parar em certo ponto. Por ficar preso a isso, a pessoa, sem perceber, tende a se desviar do caminho principal da fé. A causa disso reside inteiramente na falta de leitura dos Escritos Divinos e, mesmo quando se lê, na falta de prática.
Escrevi sobre dois pontos importantes. Quem os compreender fundamentalmente e for capaz de praticá-los estará seguindo a verdadeira linha da fé.
Miscelânea sobre Arte Oriental (4)
Eikō nº 170, publicado em 20 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Deixemos de lado, por ora, a arte japonesa e passemos à arte chinesa.
Quando se fala em arte chinesa, o que vem à mente em primeiro lugar são, sem dúvida, as cerâmicas e porcelanas; em seguida, os bronzes e, depois, a pintura. Começo, portanto, pelas cerâmicas e porcelanas. Aparentemente, a cerâmica é a forma de arte mais antiga da China, e já há quatro mil anos se produziam peças consideravelmente boas. Entre as que restam até hoje, há uma chamada Anderson (Nota 1), descoberta por um estudioso chamado Anderson, de quem herdou o nome. Felizmente, um grande vaso dessa cerâmica foi adquirido e está exposto no Museu da nossa Igreja; quem o vir entenderá. É quase inacreditável que uma peça tão excelente tenha sido feita numa época tão remota. Acredita-se que o verdadeiro desenvolvimento da cerâmica chinesa tenha começado por volta do período das Seis Dinastias, estendendo-se até a dinastia Tang.
Na dinastia Tang, em especial, produziram-se peças coloridas de qualidade superior. São os chamados “Sancai” (três cores) da dinastia Tang, que têm características marcantes de forma, técnica e combinação de cores — peças verdadeiramente magníficas. Além delas, há as peças de esmalte verde, de coloração azul-esverdeada, também muito agradáveis. No Museu da nossa Igreja, há um queimador de incenso cilíndrico com padrão listrado (Nota 2). Vem, em seguida, o forno de Yuezhou, que apresenta cor cinza-claro amarronzada, grande volume e técnica bastante equilibrada. Um grande vaso com cabeça de galo (Nota 3), feito nesse período inicial, está na entrada da quinta sala do Museu da nossa Igreja e é considerado, em todos os aspectos, uma peça incomparável, sem igual no mundo. Em seguida surgiu o forno de Ruzhou (Nota 4), de cor ferruginosa azulada e técnica de entalhe em baixo-relevo também notável. Um vaso para flores em formato de garrafa de saquê, feito nesse forno, está exposto no Museu da nossa Igreja e é considerado a obra-prima representativa do forno de Ruzhou. A evolução do forno de Ruzhou deu origem ao celadon. Quando se fala em cerâmica chinesa, o celadon é, sem dúvida, o primeiro que vem à mente. As peças do início da dinastia Song são de uma beleza impressionante, tanto na cor quanto na técnica. É admirável que uma arte tão refinada tenha sido criada há oitocentos ou novecentos anos — um verdadeiro enigma. As variedades de celadon, porém, são inúmeras e diversificadas, e acredita-se que provavelmente ninguém seja capaz de identificá-las com absoluta precisão.
Já pedi a estudiosos e especialistas da área que fizessem a identificação, mas as opiniões divergem, tornando impossível uma classificação definitiva — o que demonstra o quanto a tarefa é difícil. De modo geral, os principais tipos são o celadon do forno de Xiuneisi, o do forno de Jiaotan e o do forno de Longquan (que inclui as variedades Kinuta, Tenryuji e Shichikan).
Entre eles, o celadon de Xiuneisi, o de Jiaotan e o Kinuta são considerados os mais elevados. Em casos de difícil determinação, costuma-se classificá-los como celadon de forno oficial. No Museu da nossa Igreja há várias peças de primeira linha, e o grande queimador de incenso de celadon Kinuta, em formato de saia, é considerado por todos o melhor do mundo. Deixando o celadon de lado, passemos ao forno de Jun, da dinastia Song. No Japão, embora o número seja pequeno, são muitas as peças transmitidas — extremamente agradáveis e com um sabor diferente do celadon. A coleção do Sr. Eumorfopoulos, no Museu Britânico, porém, parece superior tanto em quantidade quanto em qualidade. Mas o grande prato existente no Museu da nossa Igreja é considerado uma peça incomparável, sem similar no mundo.
Outra peça de excelência da dinastia Song é o forno de Ding. Há o Ding branco e o Ding preto, sendo este último extremamente raro. O Ding branco consiste principalmente de pratos, sendo as peças tridimensionais muito raras. A garrafa de saquê da terceira sala do Museu da nossa Igreja, no entanto, pode ser considerada de nível mundial. Outra peça, um recipiente para água na sala da boa fortuna (Nota 5), também é rara — existem apenas dois ou três exemplares no Japão.
Como obra-prima da dinastia Song, há também a cerâmica de Julu (também chamada de “Kakiotoshi”) (Nota 6). Embora em pequeno número, o Japão possui as peças de maior qualidade do mundo: o grande vaso com dragão do famoso Museu de Arte Hakutsuru e o grande vaso com flores da coleção de Moritatsu Hosokawa. No Museu da nossa Igreja, há um vaso com padrão de borboletas e peônias. Dessa época, há ainda a porcelana chamada “Yingqing” (porcelana azul e branca), semelhante ao celadon e também muito notável. O prato médio com entalhe de lótus no Museu da nossa Igreja é considerado o melhor do Japão. Acima, escrevi de modo geral sobre as peças centradas na dinastia Song, estendendo-se até a dinastia Yuan.
Na dinastia Ming seguinte, houve um grande e repentino salto. Se o período de florescimento artístico do Japão, que vai da era Heian à era Kamakura, corresponde às dinastias Song e Yuan, pode-se dizer que o período de Ashikaga a Momoyama corresponde à dinastia Ming. A cerâmica chinesa dessa época tem um caráter completamente diverso daquele das dinastias Song e Yuan. Enquanto as obras Song e Yuan eram simples, sóbrias, aristocráticas e elegantes, as obras Ming tornaram-se esplêndidas, luxuosas e populares. Além disso, enquanto as obras Song — como o celadon, o forno de Jun, o forno de Ru e o forno de Ding — eram monocromáticas e centradas na forma e no entalhe, as obras Ming, com formas também mais engenhosas, eram em sua maioria decoradas com pinturas ornamentais e padrões, como o “sometsuke” (azul sob o esmalte) e o “aka-e” (vermelho sobre o esmalte), produzindo continuamente peças de beleza deslumbrante.
O “kinrande” (ouro sobre esmalte), o “gosu akae” (vermelho sobre azul), o “Xuande” (Nota 7) e o “aka-e” da era Wanli são exemplos disso, todos altamente valorizados.
O “kinrande” da era Jiajing, em especial, é o mais elevado. A garrafa de cabaça em “kinrande” e o pequeno vaso quadrado para saquê, chamado “Sensanhe”, existentes no Museu da nossa Igreja, são peças excelentes e raras. Quanto às peças modernas posteriores, como as das eras Tianqi, Kangxi, Yongzheng e Qianlong, também se produziram peças boas, mas, comparadas às anteriores à dinastia Ming, são excessivamente presas à técnica, com uma sensação de superficialidade e falta de atrativos, como é de conhecimento geral.
Em seguida, outra arte chinesa mundialmente apreciada, além da cerâmica, seriam os bronzes. São obras dos períodos Yin (Shang) e Zhou, de cerca de três mil anos atrás, e a excelência de sua técnica é verdadeiramente um milagre. É inconcebível que peças tão magníficas tenham sido criadas numa época tão remota. Ainda mais surpreendente é o fato de que, posteriormente, com o passar do tempo, através das dinastias Qin, Han, Sui, Tang e Song, a técnica foi gradualmente declinando. Isso significa que somente as artes andaram na contramão do progresso da cultura — uma estranheza que todos reconhecem. Os bronzes chineses estão amplamente colecionados em museus e galerias de arte nos Estados Unidos e na Inglaterra. No Japão, os principais acervos devem estar no Museu de Arte Hakutsuru, no Museu de Arte Sumitomo e no Museu de Arte Nezu.
Passando à pintura, as melhores obras chinesas, assim como na cerâmica, são as das dinastias Song e Yuan. As obras desse período são tão excepcionais que se destacam completamente das de outras épocas. Entre elas, na pintura a nanquim, Mokkei, Ryo Kai, Gan Ki e Ba En são particularmente notáveis. As obras-primas de Mokkei, Ryo Kai e Ba En estão no Museu da nossa Igreja, e o leitor deve tê-las visto. Pode-se dizer que as pinturas famosas dessa época são quase divinas em sua técnica, com uma pincelada vigorosa e grandiosa que os pintores japoneses não conseguem igualar. Quanto à pintura colorida, o maior nome do mundo é, sem dúvida, o Imperador Huizong. Em seguida, Sen Shikyo também é famoso. No Japão, a obra-prima do Imperador Huizong é o “Pombo no Pessegueiro”, de posse do Gojo Soshō. Além disso, o “Huan Yewang”, de Sen Shikyo, no Museu de Arte Ohara, também é uma obra famosa. Um fato interessante é que, entre os artistas famosos dessa época, muitos passaram a vida inteira pintando um único tipo de tema.
Entre eles, os mais conhecidos são: as uvas de Nikkon, os retratos de monges de Indara, as codornizes de Rianchu, os peixes de Han Anjin, as garças de Jo Ki e os bambus de Dan Shizui.
Nota 1: Refere-se à cerâmica pintada (cai tao).
Nota 2: Refere-se a um queimador de incenso cilíndrico (tsutsugata ren).
Nota 3: Refere-se a um vaso com galo celestial (tenkei tsubo).
Nota 4: Segundo as teorias acadêmicas atuais, é identificado como o forno de Yaozhou.
Nota 5: Refere-se a um recipiente para água com padrão de lótus (hasu mon fukabachi).
Nota 6: Refere-se à cerâmica do forno de Cizhou.
Nota 7: Refere-se ao azul e branco (qinghua) da era Xuande.
O Médico é um Colaborador da Nossa Igreja
Eikō nº 126, publicado em 17 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Ao ver este título, talvez vocês se surpreendam um pouco.
À medida que o lerem, porém, perceberão que este é, de fato, um raciocínio correto e, por isso, pensarão "de fato" — e, como também é necessário que saibam disso, escrevi-o com determinação. Todos no mundo, sem exceção, sabem disto: a medicina dificilmente cura as doenças. De fato, mesmo que pareça curado por um momento, com o tempo o doente inevitavelmente recai ou se agrava. Nesse ponto, a medicina não tem jeito, pois não compreende a raiz do problema. Por essa razão, quando a doença se torna um pouco mais séria, a cura é praticamente impossível; na maioria dos casos, ela se prolonga e acaba por ameaçar a própria vida. Assim, mesmo a medicina, em que se confia plenamente, se na prática não cura, deveria ser repensada. Como não se encontra outro método, porém, a realidade é que as pessoas apenas se agarram a ela por falta de opção. Por isso, os doentes se perdem em terapias populares e várias outras coisas, mas, dentre elas, quase não há nada que realmente cure. Por fim, recorrem às religiões estabelecidas, mas estas também, de alguma forma, não curam facilmente. No fim das contas, acabam vindo para a nossa Igreja, onde, pela primeira vez, são verdadeiramente salvos, tornam-se saudáveis como antes e podem voltar a trabalhar. Com base nesse fato, portanto, gostaria que refletissem bem sobre o seguinte: a razão pela qual são salvos na nossa Igreja é, acima de tudo, porque a medicina não cura. Se a medicina curasse rapidamente, tudo estaria resolvido, e não haveria um único doente que viesse até nós.
No entanto, há aqui um grande problema do qual ninguém se dá conta. Se as pessoas se tornassem saudáveis apenas com o tratamento médico, os maus não teriam oportunidade de se tornar bons, e o mal na sociedade nunca desapareceria. Os maus continuariam a agir com violência, oprimindo os bons. Ninguém percebe, mas isso é, na verdade, um grande problema. Contudo, se forem salvos pela religião, além de o corpo se tornar saudável, o fundo do coração é purificado, e até os maus se transformam em pessoas boas. Assim, sendo salvos tanto no espírito quanto no corpo, o mundo se torna excelente. Considerando o exposto, quanto mais a medicina for inepta em curar as doenças, maior será o número de pessoas salvas pela religião. A julgar pelos resultados atuais, portanto, a medicina está promovendo o florescimento da religião. Isso não é, de forma alguma, uma ironia; é um fato, e não há o que fazer. Como quase ninguém percebe isso, porém, eu o escrevi. Pode-se considerar ainda o seguinte: assim como a lei se torna necessária porque existem criminosos, o médico se torna necessário porque existem doentes. Ora, se tanto a lei atual quanto o médico atual são ineficazes, então não há como não voltar a atenção para a religião. A manifestação disso não é, mais do que tudo, bem evidenciada pelo desenvolvimento da nossa Igreja? Acredito que, com isso, tenham compreendido o significado do título.
Os Fatos Falam por Si
Eikō nº 92, publicado em 21 de fevereiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Quanto à expressão "Paraíso Terrestre", que é o objetivo da nossa Igreja, é natural que qualquer pessoa moderna não consiga acreditar nela; aliás, do ponto de vista do senso comum, é normal que a maioria não acredite e a considere, no máximo, um sonho diurno.
Isso porque, mesmo observando a história mundial até os dias de hoje, trata-se de uma grande obra que sequer se pode imaginar. Para nós, porém, não se trata de uma questão de acreditar ou não acreditar; estamos demonstrando claramente que isso é de fato realizável. Com efeito, dia após dia, um número incontável de seguidores de nossa Igreja vivencia isso, e trata-se de algo quase absoluto — tão certo quanto o fato de que, quando a primavera chega, as cerejeiras sempre florescem.
A esse respeito, os três exemplos de relatos de gratidão a seguir (omitidos do boletim da nossa Igreja) expressam de forma simples e bela o estado de êxtase religioso de quem foi salvo e, por acreditar que são fáceis de compreender até mesmo para terceiros, foram aqui inseridos.
A Razão do Desaparecimento dos Grandes Mestres (2)
Eikō nº 191, publicado em 14 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Em seguida, escreverei sobre o mundo das artes, especialmente sobre os pintores.
Também neste campo, os chamados pintores famosos quase desapareceram recentemente. Restam apenas os dois grandes mestres, Gyokudo e Taikan. Naturalmente, como ambos já estão em idade avançada, não se pode esperar que durem muito tempo; assim, ao pensar no futuro do mundo da pintura japonesa, a solidão deverá continuar por um tempo. Quanto aos outros pintores famosos, se dissermos a verdade, suas técnicas atingiram um estágio de maturidade cada vez maior, mas, em contrapartida, há uma notável falta de vitalidade, e essa tendência parece ser especialmente acentuada entre os grandes mestres. Entre eles, talvez o único ainda ativo hoje em dia seja o pintor Ryuko. Por isso, mesmo nas exposições recentes, quase não há obras que atraiam fortemente e deixem impressão duradoura. Ao lembrar disso, vem-me à mente o brilho daquela época, logo após o surgimento da Exposição do Instituto de Belas Artes. Nessa época, obras-primas maravilhosas surgiam uma após a outra, a ponto de mal podermos esperar pelo dia da abertura da exposição. Comparar com os dias de hoje é desnecessário; é lamentável demais para que eu me resigne a isso como uma mera mudança dos tempos, e chega a parecer, de certa forma, até estranho. O ponto mais lastimável, porém, é a perda da força do pincel, que é a vida da pintura oriental. É verdade que há algumas pinturas com linhas, mas são linhas extremamente fracas e finas: desenham apenas o contorno com grande cuidado e depois preenchem com tinta; por isso, não têm força nem profundidade. Já as pinturas famosas dos antigos, por outro lado, tanto no sabor quanto na riqueza de volume, têm um encanto indescritível, a ponto de não conseguirmos desviar o olhar por um tempo enquanto as observamos, e até sentirmos uma leve fadiga depois de terminarmos de vê-las. Muitos apreciadores devem sentir o mesmo; isso é, de fato, o aroma e a elevação da arte.
No entanto, mesmo nas pinturas dos pintores famosos de hoje, essa fraqueza é como se estivéssemos vendo a pintura de um doente; e, como se trata de pinturas feitas com pinceladas sobrepostas, é ainda pior. Isso se deve, certamente, ao fato de que a força do pincel não se manifesta como se deseja e, mesmo que se erre o traço, pode-se corrigi-lo com a sobreposição. Creio que é por isso que a pintura a óleo se tornou tão popular recentemente. Ao observar as exposições recentes, nota-se que as pinturas dos grandes mestres e as dos iniciantes não diferem muito; só se percebe a diferença ao ver a assinatura. Isso ocorre, nem é preciso pensar, porque mesmo os grandes mestres, ao imitarem a pintura a óleo, ficam iguais aos iniciantes.
Antigamente, ao contrário, reconhecíamos imediatamente a obra de um grande mestre, pois ela brilhava de forma inconfundível. Por esse ponto de vista, pode-se compreender o verdadeiro valor das pinturas de hoje. Assim, ao terminar de ver uma exposição recente, a decepção, o desânimo, a tristeza e a raiva surgem incontrolavelmente; a expectativa de me divertir se frustra, e acabo recebendo um "presente" de sofrimento.
Pode ser que isso seja uma crítica um tanto severa, mas, pensando no futuro da pintura japonesa, não posso deixar de dizê-lo. Afinal, onde está a causa disso? Como conheço a verdadeira causa, escreverei detalhadamente a seguir. Antes disso, porém, gostaria de comentar algo sobre as pinturas antigas da China — especialmente as das eras Song e Yuan, como pintores e apreciadores bem sabem. Entre elas, as que mais se destacam são, sem dúvida, as de Mokkei e Ryo Kai.
Sobre esses dois, o Sr. Saneatsu Mushanokoji já escreveu anteriormente; quem leu deve saber. Eles são o ápice da pintura oriental — pode-se dizer que têm técnica divina —, e cada vez que as vejo, curvo a cabeça em respeito. Outros nomes incluem Yan Hui, Ma Yuan, Ma Lin, Gao Ranhui e Nikkon, mas todas essas são pinturas a nanquim. Li em algum lugar que, sempre que o famoso Sen no Rikyu realizava uma cerimônia do chá, pendurava caligrafias a nanquim, mas, como pintura, apenas as de Mokkei. O que mais me surpreende ao ver essas pinturas famosas é a robustez e a solidez da força do pincel. Essa força do pincel é peculiar às pinturas Song e Yuan, e tanto japoneses como estrangeiros a admiram sem conseguir conter-se.
No Japão, do estudo dessas pinturas Song e Yuan nasceram os talentos excepcionais do período Muromachi, como Sesshu, Shubun, Kei Shoki, Sesson e Jasoku; pode-se dizer que são os fundadores da pintura japonesa. É inevitável que haja inferioridade em comparação com as pinturas Song e Yuan, mas as pinturas genuinamente japonesas que surgiram posteriormente são dignas de nota especial: as pinturas budistas, a escola Tosa, a escola Rinpa, o Yamato-e, o Ukiyo-e etc. Por si sós, elas enchem de orgulho a arte pictórica japonesa e brilham no mundo, como todos sabem. Em seguida, após a Era Meiji (1868-1912), surgiu um número considerável de grandes mestres, mas, acima de tudo, estão a escola do Instituto de Belas Artes — que, tendo a escola Rinpa como base, incorporou os pontos positivos da pintura ocidental e obteve sucesso — e a escola de Kyoto, centrada no gênio raro Seiho. É certo que esses dois sopraram nova vida no mundo da pintura japonesa, que até então se entregava a um sonho de uma longa noite e permanecia estagnado; seus méritos podem ser altamente avaliados. Depois, devido à influência da guerra, houve um período de silêncio; com a reconstrução do país, porém, ele começou gradualmente a se movimentar, e eu me alegrava com isso. Inesperadamente, porém, se a situação é a que descrevi acima, não posso deixar de sentir grande tristeza. Ah, o templo da beleza da pintura japonesa, construído ao longo de mais de mil anos, agora começa a vacilar. E, se o que se erguerá em seu lugar é o templo do Ocidente, a questão é extremamente grave. É verdade que essa tendência já existia na pintura japonesa havia algum tempo, mas eu a interpretava de forma positiva, como um viveiro para o nascimento de uma nova arte da época. Sem que eu percebesse, porém, fui traído: o que eu pensava ser positivo tornou-se negativo.
Pelo exposto, creio que tenham compreendido em linhas gerais. Então, por que surgiu essa tendência? Há uma grande causa por trás dela. Escreverei a seguir.
Novamente sobre Bergson
Eikō nº 113, publicado em 18 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Já escrevi certa vez sobre Henri Bergson, o famoso filósofo moderno francês. Como senti novamente o desejo de escrever sobre ele, peguei na pena. Quando as pessoas me perguntam várias coisas, ou quando eu mesmo falo sobre algum assunto, são realmente raras as que compreendem o significado de forma simples. Embora a questão seja, na verdade, algo simples e que pareça fácil de entender, é surpreendentemente difícil de compreender. Mesmo sendo pessoas de considerável cultura, os que perguntam não conseguem assentir, de modo que, recorrendo a vários exemplos e a explicações minuciosas, finalmente consigo que entendam. E, a cada vez, o que me vem à mente é a filosofia de Bergson. Se pensarmos por que algo tão simples não é compreendido, encontramos a seguinte razão.
Isso ocorre porque a pessoa não se torna o que Bergson chama de "eu do instante" e, naturalmente, também porque não tem consciência disso. Segundo sua teoria, desde que começa a ter consciência das coisas, todo ser humano ouve diversas informações e é abarrotado de lendas e conhecimentos acadêmicos já estabelecidos. Assim, até se tornar adulto, isso se transforma, em sua mente, em algo como uma barreira. Por isso, mesmo que ouça uma teoria divergente dessa barreira, ela não consegue penetrar em seus pensamentos, pois a barreira a atrapalha. Portanto, se a mente estivesse vazia, a compreensão seria imediata, pois a ideia entraria sem esforço. É por isso que se diz com frequência "torne-se como uma folha em branco", e isso é exatamente verdade. Apesar disso, parece que quase ninguém percebe a existência dessa barreira. Assim, quem ler este texto deve, a partir de agora, tornar-se o "eu do instante". O "eu do instante" refere-se à sensação imediata do momento exato em que se vê ou ouve algo. É um estado em que a barreira não encontra a menor brecha para interferir, exatamente como acontece com uma criança. Muitas vezes, ficamos impressionados com as respostas que uma criança dá ao ouvir a fala de um adulto, e isso se deve justamente à ausência da interferência da barreira. Bergson também chamou isso de "filosofia da intuição". Sem distorcer também esse significado, veja as coisas de forma direta — essa é a maneira correta de observar, algo que acompanha o "eu do instante".
Além disso, em sua filosofia, existe a expressão "fluxo perpétuo de todas as coisas". Considero isso também muito interessante. Significa que todas as coisas e todos os seres estão em movimento, sem uma pausa sequer. Por exemplo, entre o ano passado e este ano, tudo difere em algum aspecto. O mundo e a sociedade são igualmente assim, e os próprios pensamentos e o ambiente de cada um também o são. Mais ainda, há, certamente, diferenças entre o eu de ontem e o eu de agora, e até mesmo entre o eu de cinco minutos atrás e o eu atual.
Se assim é, a antiga expressão "o futuro imediato é trevas" também se refere a isso. Dessa forma, tudo, sem exceção, flui e não cessa, sem parar por um segundo sequer. Portanto, ao aplicar essa verdade ao ser humano, chega-se ao seguinte.
Quando nos deparamos com algo, a maneira de ver e de pensar do ano passado deve ser diferente da de agora. Olhando em termos amplos, não é que o período anterior ao fim da guerra e o posterior sejam completamente diferentes? É algo surpreendente em tão pouco tempo. No entanto, muitas pessoas não conseguem apreender com precisão o presente, porque os métodos de centenas de anos atrás ou as formas de pensar de décadas atrás, transmitidos pelos antepassados de geração em geração, continuam como uma barreira. A isso se dá o nome de feudalismo ou mentalidade antiquada, creio eu. Em suma, embora tudo esteja em fluxo, apenas a própria pessoa permanece estagnada, como água parada. São essas pessoas que acabam sendo deixadas para trás pelo mundo ou que têm um destino infeliz. O fato de as religiões estabelecidas não florescerem também se compreende bem ao se considerar essa verdade.
De acordo com essa verdade, a ação de Kannon é variar e transformar-se incessantemente, sem o menor desvio desse fluxo perpétuo de todas as coisas. O outro nome de Kannon, Ooshin Miroku (Miroku da Ação Livre e Desimpedida), tem esse significado: Ooshin significa responder com o próprio corpo, ou seja, responder de forma livre e desimpedida aos fenômenos do mundo exterior. O nome "Tathagata da Luz Desimpedida" também não significa outra coisa. Para facilitar a compreensão, ao falar com um idoso, deve-se usar uma linguagem adequada a ele; com mulheres e crianças, suave; com pessoas instruídas, científica; com o público em geral, simples e de senso comum. Dessa forma, ao falar com qualquer pessoa, o importante é que o interlocutor compreenda, sinta interesse e ouça com prazer. Se seguirmos essa diretriz na propagação da fé, ela progredirá de forma surpreendentemente bem-sucedida.
Não Sejas Odiado
Eikō nº 113, publicado em 18 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Já escrevi sobre não odiar os outros, mas também não se deve ser odiado. Isso porque, quando se é odiado, inevitavelmente, os maus pensamentos de rancor, ciúme, vingança etc. da outra pessoa vêm por meio do elo espiritual. Isso atrapalha, fazendo com que uma sensação constante de desconforto se apegue a nós, roubando-nos a clareza. Consequentemente, o trabalho não progride bem e a boa sorte é obstruída; portanto, é necessário ter grande cuidado. No entanto, neste mundo, há muitas pessoas que submetem os outros a sofrimentos terríveis e os tornam infelizes sem se importarem, e ainda assim são bem-sucedidas e elogiadas. Aqueles que veem isso, como só enxergam as aparências imediatas, pensam que tal conduta leva ao sucesso e desejam imitá-la. É porque se multiplicam essas pessoas que o mundo não melhora. Observando com um olhar mais demorado, porém, más causas geram maus efeitos: a ruína dos maus, sem uma única exceção, sempre chega.
De acordo com esse princípio, para se viver o ano todo com alegria, ter o trabalho fluindo sem problemas e ver os infortúnios amenizados, é necessário fazer o oposto: alegrar os outros e torná-los felizes. É aquele que pratica isso que deve ser chamado de pessoa sábia. E fazer conhecer essa verdade é também a base fundamental da religião.
Portanto, como sempre digo: "Ó tolo, o teu nome é pessoa má" é uma verdade eterna e imutável.
Conversa em Hakone
Eikō nº 17, publicado em 9 de julho do ano 24 da Era Showa (1949)
O modelo do Paraíso Terrestre, que repetidamente anunciei em Gora, Hakone, está agora próximo da conclusão de sua primeira fase. Todos os que veem este modelo pela primeira vez ficam extremamente surpresos. Na verdade, mesmo aqueles que já o viram várias vezes, passado algum tempo sem vê-lo, não há quem não arregale os olhos diante de tamanha transformação. O Sounkaku, que comporta quase mil pessoas, está quase concluído, e atualmente estão em construção o jardim e a sala de chá.
Quanto à sala de chá, está a cargo do famoso carpinteiro especializado Seibei Kimura, considerado um dos melhores do Japão e que completa oitenta anos neste ano; não há quem, na sua área, não o conheça. Diz-se que o velho Seibei está construindo a obra de sua vida, e entre os que a veem, há quem afirme que, quando estiver pronta, será a melhor da região de Kanto. Planejada desde a primavera do vigésimo primeiro ano de Showa (1946), logo após o fim da guerra, a previsão é que fique finalmente pronta ao final deste ano, o quarto desde o início do planejamento.
Pode haver quem pense que construir algo tão luxuoso em meio à grave escassez de alimentos e moradias que o Japão atual enfrenta é extremamente censurável, mas não o faço por luxo algum; fiz isso porque havia uma profunda reflexão. Isso porque previ que chegaria, inevitavelmente, o dia em que teria de apresentar ao mundo a beleza arquitetônica peculiar ao Japão, como sempre digo.
Como é sabido, os norte-americanos, por exemplo, têm um interesse muito grande pela cerimônia do chá japonesa. A esse respeito, na primavera do vigésimo primeiro ano de Showa (1946), o Comodoro Smith, que então estava na ocupação, e vários outros oficiais superiores manifestaram o desejo de ver a cerimônia do chá, e uma pessoa influente de Atami intermediou, oferecendo a sala de chá da Vila Higashiyama, em Atami, onde eu morava na época. Esses fatos serviram também de estímulo nada pequeno para o meu coração. Pelas razões expostas, a sala de chá que está sendo construída agora tem cerca de vinte e cinco tsubo de área, e o trabalho de Seibei é realmente meticuloso; portanto, desde já, espero que, quando concluída, seja algo digno de atenção.
Naturalmente, como o objetivo é apresentar a cerimônia do chá japonesa aos estrangeiros, um famoso mestre da cerimônia do chá também se mostrou muito entusiasmado, e recentemente foi firmado o compromisso de que ele dará instruções sobre a construção, é claro, e também se esforçará para internacionalizar a cerimônia do chá no futuro.
Quanto ao jardim, em meu planejamento, pretendo criar uma beleza paisagística de um novo estilo, nunca antes visto, e cada árvore, cada arbusto, cada pedra estão sendo dispostos inteiramente sob minhas instruções — porque os jardins até hoje não se adequam à sensibilidade da nova era.
Para começar, quando se fala em jardim no Japão, o primeiro estilo foi criado no início do período Ashikaga, e foi aperfeiçoado na era Toyotomi pelo senhor Kobori Enshu, restando ainda muitos exemplares em Quioto. Em seguida, vieram os jardins do período Tokugawa, que ainda permanecem em várias regiões, no estilo dos grandes jardins de senhores feudais, e a forma do jardim de chá, iniciada por Sen no Rikyu, totalizando dois tipos. Quanto aos jardins de estilo ocidental, são do tipo geométrico de canteiros floridos, e estes também, lamentavelmente, não se ajustam perfeitamente à sensibilidade do homem moderno. Além disso, ao contrário da arquitetura, que mostra considerável progresso, é um fato inegável que os jardins dão a sensação de estarem bastante atrasados.
Diante do exposto, embora não seja um especialista, estou construindo o jardim guiado, digamos, por uma revelação divina — uma espécie de inspiração.
Pode-se dizer que tudo é um milagre. Por exemplo, um local de beleza cênica, que poderia ser considerado o primeiro de Hakone, foi facilmente adquirido. A vista, a topografia e a história são excelentes, é claro; e, especialmente, somente nesta área há uma abundância de rochas enormes e estranhas e de pedras bizarras, cuja localização e posição são perfeitamente adequadas. Além disso, árvores, plantas e flores, tudo o que é necessário, desde o maior ao menor, surge misteriosamente.
Não é preciso preocupação alguma: o paisagismo se completa de forma interessante. Naturalmente, este jardim, juntamente com a sala de chá, tem também o significado de uma política nacional: deleitar os olhos dos estrangeiros e fazê-los compreender a excelência da arte japonesa.
Além do significado acima, o que se espera é elevar o nível de sensibilidade estética dos japoneses, demonstrar que somos um povo pacífico e superior e, é claro, eliminar o mais rapidamente possível a odiosa mácula de país agressor. No entanto, há ainda um outro propósito que almejo: a educação do coração humano através da beleza. De fato, a educação é necessária, e a religião e a moral são indispensáveis, mas, pela experiência até hoje, é muito claro que é difícil elevar o ser humano apenas com elas. Portanto, adoto uma diretriz que tem como objetivo a educação do coração humano através da beleza, algo que quase nunca foi tentado até hoje.
* Sounkaku refere-se ao Nikkōden (Palácio da Luz Solar).
A Superstição Médica dos Médicos
Eikō nº 117, publicado em 15 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
Ao ver este título, talvez se sinta um pouco estranho, mas, à medida que for lendo, certamente vai concordar, pensando: "ah, de fato".
Atualmente, acredita-se que a medicina tenha progredido enormemente e que, se continuar assim, as doenças diminuirão gradualmente na humanidade. Há estudiosos que se dedicam com empenho à pesquisa especializada, e também clínicos que se concentram diretamente no tratamento de pacientes. Não se sabe quantas centenas de milhares de médicos existem hoje no mundo. Só no Japão, diz-se que atualmente existem cerca de setenta mil clínicos. Se somarmos pesquisadores, profissionais de prevenção, clínicos, professores universitários etc., certamente ultrapassará cem mil. Apesar disso, se observarmos o fato de que doenças graves como tuberculose, doenças infecciosas, paralisia infantil, câncer, asma, apendicite, doenças mentais, entre outras, não diminuíram particularmente, e se contarmos as pessoas que sofrem atualmente com doenças, o número será imenso. Os prejuízos causados por essas doenças, somando os setores público e privado, podem chegar a centenas de bilhões de ienes por ano.
Diante disso, não posso deixar de sentir uma profunda ansiedade. Isso porque, como sempre digo, a medicina moderna está fundamentalmente errada. Sem dúvida, ela ilude-se ao considerar o alívio temporário do sofrimento como o objetivo final do tratamento, acreditando que, se apenas aperfeiçoar esse método, encontrará a solução, sem sequer ter tempo para considerar outras possibilidades, continuando seus esforços sem olhar para trás.
O problema é grave, pois não percebem que os próprios meios de alívio do sofrimento, na verdade, agravam a doença ou criam outras enfermidades.
Acima de tudo, cada vez que vejo, através de relatos de graças, a realidade de pessoas que gastam enormes quantias e sofrem com doenças, não suporto a angústia, pois isso demonstra claramente a situação. Tenho tomado todas as medidas legais possíveis até hoje, alertando incessantemente para despertar a medicina desse engano, mas, longe de acordar, o que não é de se admirar. Afinal, estudiosos e especialistas do mundo inteiro, ao longo de séculos, acumularam pesquisas sobre pesquisas, e hoje isso se tornou uma ciência respeitável, ainda que apenas na forma, na qual foram doutrinados. Assim, deixando a lógica de lado, o efeito surpreendente do Johrei da nossa Igreja, que realmente cura doenças, faz com que não apenas os curados, mas também aqueles ao seu redor se maravilhem, ao mesmo tempo que percebem o erro de todos os tratamentos que receberam até então, lamentando e arrependendo-se do dinheiro desperdiçado.
A sociedade atual está repleta de pessoas tão dignas de pena. No entanto, uma vez que essas pessoas infelizes são salvas pela nossa Igreja, libertam-se da preocupação com a doença e tornam-se pessoas que vivem com verdadeira tranquilidade e paz espiritual. Exemplos disso são inúmeros nas publicações da nossa Igreja, não havendo qualquer dúvida. Mesmo essas pessoas, inicialmente, acreditavam absolutamente na medicina moderna e não podiam acreditar em algo como o Johrei, recebendo-o com dúvidas. Isso, os fiéis devem saber.
Pelo exposto, vê-se que não há um olhar para julgar imparcialmente o certo e o errado da medicina moderna, e, por acreditarem supersticiosamente que não há nada superior a ela, rejeitam cegamente qualquer outra coisa, rumando para o Inferno. São pessoas verdadeiramente dignas de compaixão.
Acima de tudo, ouço frequentemente que existem especialistas que, mesmo vendo ou ouvindo sobre os milagres de ressurreição operados pelo Johrei da nossa Igreja, tapam os olhos e fecham os ouvidos. Se assim é, falando sem rodeios, são os próprios médicos que estão caindo na superstição médica. Para nós, essa superstição médica é a questão mais importante a ser combatida, e é somente por meio dessa luta que os sofrimentos da humanidade serão fundamentalmente resolvidos.
Conhecimentos Básicos sobre o Johrei
Eikō nº 84, publicado em 27 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
2. Conhecimentos Básicos sobre o Johrei
(1) Conhecimentos Básicos sobre o Johrei
O Método do Johrei Muda
Desta vez, por meio de uma revelação divina, o método do Johrei será alterado; portanto, a partir de hoje, desejo que procedam conforme essa orientação.
Isso se deve ao fato de que o mundo espiritual mudou enormemente ultimamente, e é natural que se baseie nisso.
Pode-se dizer que, até agora, o método do Johrei envolvia tanto o espiritual quanto o material. Isso porque, ao emitir o espírito pela palma da mão, uma certa dose de força era acrescentada. Como a força é algo material, a potência do espírito diminuía na mesma proporção. Na verdade, sempre foi assim até hoje: quanto mais empenho se colocava, menor era o efeito, e essa era a razão. De agora em diante, porém, isso se tornará ainda mais acentuado; deve-se eliminar completamente a força material e irradiar apenas o espírito.
Explicando em detalhes: a luz dos espíritos de divindades, partindo de mim, passa pelo elo espiritual e detém-se no Ohikari de cada um; e desse Ohikari, essa luz espiritual é irradiada, através da palma da mão, para a parte afetada do doente.
Portanto, daqui para frente, deve-se irradiar o espírito com uma disposição leve e despreocupada, evitando ao máximo aplicar força. Se procederem com este método, a cura será extremamente eficaz, e é certo que se obterá um efeito curativo cinco vezes maior ou mais do que antes. Assim, a obra divina se desenvolverá de forma surpreendente. Portanto, com essa convicção, sem hesitar nem temer, basta agirem conforme eu digo. Isso se deve, nada mais nada menos, à Vontade Divina de que, com a aproximação do tempo decisivo, a salvação da humanidade seja acelerada. Além disso, como os detalhes são difíceis de compreender sem palavras, explicarei quando nos encontrarmos.
O Mundo do Mal
Eikō nº 174, publicado em 17 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Atualmente, todos os povos do mundo, como se sabe, sofrem intensamente com ansiedades de guerra e doenças, problemas ideológicos, dificuldades econômicas e todo tipo de coisas. Aqui, escreverei primeiro sobre um aspecto do Japão atual, começando pela dificuldade econômica, que é uma grande preocupação entre elas. O impasse econômico, tanto no governo quanto na iniciativa privada, nem precisa ser dito que não é novidade, mas a causa disso reside num ponto que quase ninguém percebe: trata-se, como é evidente, da influência do mal. Primeiramente, quanto aos empreendimentos governamentais, a concepção do mal entre os funcionários públicos está causando grandes danos.
O que aconteceria se os senhores funcionários públicos se esforçassem ao máximo para evitar o mal? Considerando que todas as despesas são feitas com impostos, que são o sangue e o suor do povo, não se teria disposição para gastar dinheiro em vão, e também se evitaria o desperdício de tempo de trabalho, aumentando enormemente a eficiência. O número de funcionários provavelmente seria suficiente com metade do atual. Além disso, ao lidar com os assuntos com sinceridade, tudo fluiria suavemente, a aceitação do povo seria boa, e a tendência atual de temer ou desprezar os funcionários públicos desapareceria — é claro que eles seriam profundamente respeitados e tratados com familiaridade. Além disso, como os aspectos obscuros, como os banquetes, desapareceriam, problemas de corrupção não ocorreriam, e poderíamos confiar e delegar a eles com tranquilidade.
Se assim fosse, não haveria necessidade de investigação e supervisão, nem surgiriam questões judiciais, de modo que o quanto isso contribuiria positivamente para a economia nacional seria incalculável. Também individualmente, como não haveria excessos de banquetes e bebidas alcoólicas, nem insalubridade sem sentido, a saúde melhoraria, a vida se tornaria mais abundante e, naturalmente, o lar seria harmonioso. Além disso, como desapareceriam as manobras nos bastidores, que são inerentes aos empreendimentos governamentais, tudo se tornaria extremamente barato, e o benefício neste ponto também seria além do esperado. Se apenas o que foi listado acima pudesse ser realizado, o orçamento do governo seria mais que suficiente com metade do atual, e os impostos seriam drasticamente reduzidos, de modo que o povo ficaria imensamente feliz.
Em seguida, o mesmo se aplica às empresas privadas. O que aconteceria se todos os funcionários se libertassem do espírito do mal? Ao lidar com tudo com sinceridade, não haveria, nas relações externas, despesas com comissões, estratégias de banquetes, verbas de lobby etc., e as barganhas e enganos se tornariam extremamente raros. As transações seriam harmoniosas, não tomariam tempo extra, e os negócios poderiam ser feitos com prazer. Ao mesmo tempo, a produção aumentaria, reduzindo os custos, de modo que os produtos teriam grande saída, especialmente na área de exportação, tornando-se invencíveis no mundo. E o mais feliz de tudo é que o atrito entre capital e trabalho, como o de hoje, desapareceria. Com harmonia, cooperação e um ambiente cordial e alegre, ao se dedicarem à produção com prazer, a eficiência seria extraordinariamente boa. Como resultado, a renda aumentaria enormemente, e as preocupações com a vida desapareceriam por completo.
Se a sociedade se tornasse assim, não seriam necessários guardas de cofre, e quanto aos livros contábeis, as complicações de dupla ou tripla escrituração, como as de hoje, desapareceriam. Também não seria necessário que cinco ou seis fiscais tributários fizessem intervenções desagradáveis diariamente; uma ou duas pessoas, conversando por duas ou três horas, resolveriam o assunto, e o benefício para ambos os lados seria grande. Dessa forma, a eficiência de tudo melhoraria, e o tempo de trabalho não só seria reduzido à metade do atual, como também os lucros seriam maiores, permitindo instalações de lazer adequadas, e o prazer de viver seria incomparável ao de hoje.
Além disso, para os diretores e executivos, o desagrado da obediência fingida e da oposição interna dos funcionários desapareceria, tornando tudo agradável e claro, e a prosperidade do negócio seria garantida. A seguir, observando o aspecto da política, como todos sabem, o mal é praticado de maneiras engenhosas, e são raros os funcionários e membros de partidos que realmente pensam na nação e no povo em primeiro lugar. É verdade que talvez eles também considerem os interesses da nação e do povo, mas os fatos mostram claramente que a concepção egoísta é forte e que, em tudo, o eu e o próprio partido vêm em primeiro lugar. E, quando se trata das opiniões do partido de oposição, eles se opõem a todo custo — é uma oposição puramente pela oposição, e sua feiura é indescritível, mas hoje em dia parece ser algo natural. Além disso, as vaias, os insultos e tumultos contra o partido de oposição no plenário não são apenas deploráveis, mas chegam ao ponto de recorrer à força física, numa cena vergonhosa que parece uma briga de desordeiros.
A propósito, a eleição geral foi marcada para daqui a um mês, e escreverei um pouco sobre isso também. Até hoje, a maioria dos parlamentares não é eleita por eleições justas, mas principalmente por dinheiro e conexões pessoais, por isso há muitos desses maus eleitos, como mencionado anteriormente. Portanto, agora que o povo é soberano, gostaríamos de ver surgirem pessoas das quais não nos envergonhemos. Como desta vez parece que há uma consciência maior, porém, com o discurso de eleições justas, acho que será melhor do que antes.
Deixemos a política por aqui e observemos a sociedade em geral. Como se sabe, atualmente não há lugar onde o mal não exista. Em qualquer lar que se observe, além das brigas entre marido e mulher, há, em geral, disputas entre pais e filhos, entre irmãos, e rivalidades entre colegas e amigos — essa é a regra —, e lares harmoniosos são verdadeiramente raros. Também são histórias comuns as desavenças com parentes e conhecidos e as questões judiciais. Já os recentes casos de assassinato entre parentes próximos, que se tornaram moda, ultrapassam a tristeza e causam medo. Há também furtos em residências vazias, arrastões, roubos qualificados e simples, fraudes, apropriação indébita, furtos em lojas, batedores de carteira, extorsões etc., que enchem as páginas dos jornais diariamente. Basta escrever superficialmente para chegar a tudo isso; portanto, o mal no mundo deve ser como um pântano sem fundo. Em suma, o mundo de hoje é, sem dúvida, o mundo de sofrimento (shaba) pregado por Buda Shakyamuni, mas, como a causa que gera esse sofrimento é inteiramente o mal, não é exagero dizer que a era moderna é uma sociedade composta apenas de vítimas do mal. De fato, não deve haver uma pessoa em cada dez mil que possa viver um único dia com tranquilidade.
Entre essas ansiedades, a maior é, sem dúvida, a doença. Por mais que se tema um ladrão, pode-se preveni-lo com um bom trancamento das portas; a pobreza pode ser resolvida trabalhando com saúde; e, com cuidado suficiente na vida social, pode-se evitar envolver-se em questões judiciais. No entanto, apenas a doença e a guerra são, por enquanto, absolutamente inevitáveis. Mas, examinando profundamente, visto que elas também se originam do mal e que, em última análise, todas as calamidades têm o mal como causa, é claro demais que não há outro meio de removê-las senão a religião. No entanto, não sabemos se os sábios do mundo compreendem isso ou não; o que será que pensam?
Era da Civilização Religiosa
Eikō nº 116, publicado em 8 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
Fundei a Igreja Messiânica e, desde então, tenho me dedicado incansavelmente às atividades religiosas. Nem é preciso dizer que isso se deve ao grande objetivo de alcançar a Salvação da Humanidade. Se fosse apenas isso, porém, as religiões existentes também já o proclamaram, e não haveria necessidade de dizer algo novo agora. Mas, falando francamente, a menos que se remova a visão religiosa convencional impregnada no cérebro das pessoas comuns, a essência da nossa Igreja jamais poderá ser apreendida. Isso porque a nossa Igreja é uma super-religião que transcende em muito o nível de toda a cultura — tanto a religião quanto a ciência existentes até hoje —, sendo difícil até mesmo encontrar um nome adequado.
Se forçarmos uma definição, poderíamos dizer que sou, antes de tudo, o proponente de uma civilização religiosa, que seria criada tendo a religião como eixo central. A esse respeito, a grande obra que estou escrevendo atualmente, sob o título de "A Criação da Civilização", pode ser considerada um projeto para um novo mundo civilizado. Se esta obra for compreendida pelos intelectuais de todo o mundo, a civilização existente será forçada a uma reviravolta de cento e oitenta graus. Portanto, é também um livro de explicações sobre o mundo civilizado de amanhã.
Assim, uma vez que este significado seja esclarecido, o mundo inteiro iniciará seu avanço em direção a este grande objetivo, e isso será apenas uma questão de tempo. Isso porque tanto os intelectuais do Japão quanto os do mundo inteiro não poderão deixar de oferecer sua total simpatia. Como sempre digo, apesar de a cultura atual ter alcançado um progresso tão surpreendente, a felicidade da humanidade não o acompanha — essa é a questão. Na realidade, porém, não é essa a questão; pelo contrário, não estaria toda a humanidade prestes a ser lançada num cadinho de grande infelicidade? Se assim for, a causa de tal tragédia, como se sabe, é que os responsáveis e líderes da civilização cometeram grandes erros até hoje. Portanto, não deveríamos primeiro examinar e dissecar suficientemente este ponto, fazer emergir o erro fundamental e, então, com o espírito de bem comum da humanidade, começar a reconstruir a civilização?
No entanto, ainda que essa lógica possa ser compreendida e ninguém a negue, o essencial é a sua realização. Mesmo com a cultura moderna avançada, a impossibilidade disso é evidente pela experiência até agora. Afinal, desde os tempos antigos, inúmeras pessoas notáveis — religiosos, filósofos e educadores — se esforçaram e se dedicaram a seus ideais, mas a situação atual é que nem mesmo uma perspectiva se vislumbra. Vejam, os métodos utilizados até hoje foram dois: o poder do conhecimento acadêmico e o poder da religião. Como já falei exaustivamente sobre o primeiro, falarei sobre o segundo. Os grandes religiosos que surgiram até hoje foram os três grandes santos: Cristo, Buda e Maomé. Houve também muitos outros grandes religiosos, mas, talvez devido à época, o poder que manifestaram teve limites.
Contudo, naquela época e até os dias de hoje, a maioria da humanidade, por intermédio dessas pessoas, recebeu as bênçãos de Deus e de Buda e foi grandemente salva. Mas não era algo de escala tão grande, que abrangesse toda a humanidade, como a "civilização religiosa" que atualmente proclamo. Se assim é, pode-se imaginar quão grandioso é o escopo do meu objetivo messiânico de salvação.
Como sempre digo, o fundamento da cultura existente é, obviamente, a primazia do aspecto material, com o aspecto espiritual em segundo plano. Em outras palavras, o conhecimento acadêmico foi colocado em primeiro lugar e a religião em segundo. Portanto, acreditou-se firmemente que, apenas fazendo progredir o conhecimento acadêmico, a felicidade da humanidade seria alcançada; e, sem sequer ter tempo para considerar outras coisas, avançou-se como um cavalo de carga. Diante disso, vê-se quão grande foi o erro fundamental em que se caiu. Como resultado, surgiu a civilização atual, que é uma fábrica de infelicidade. Foi aí que apareceu a nossa Igreja Messiânica. A razão do seu surgimento é que uma grande luz começou a brilhar num mundo de completa escuridão e ignorância. Como ela surgiu quando chegou o tempo celestial em que deveria surgir, isso deve ser um grande motivo de alegria para toda a humanidade.
A esse respeito, primeiro é necessário conhecer quem sou eu; então escreverei sobre isso aqui. Afinal, que tipo de ser humano sou eu e por que razão nasci neste mundo? A primeira metade da minha vida foi comum. Assim que me tornei uma pessoa religiosa, porém, tudo mudou completamente. Foi como se algo — não sei o quê, embora invisível aos olhos — me mirasse e lançasse algo como uma esfera. No momento em que percebi, aquela esfera se instalou no centro do meu ventre. Isso foi há cerca de trinta anos. Porém, coisa estranha, aquela esfera parecia ter uma corda que alguém puxava e soltava livremente.
Instantaneamente, fui privado da minha liberdade. Quando tentava fazer algo conforme minha vontade, a tal corda puxava e não me deixava fazê-lo. Quando pensava nisso, via que a corda me puxava para uma direção inesperada, e eu era levado nessa direção. É realmente estranho: eu não passava de um fantoche manipulado por um titereiro. Não é só isso.
A partir de então, passei a compreender várias coisas que antes não sabia. No início, era pouca coisa; com o passar do tempo, porém, tornou-se cada vez mais notável. Antes, eu ouvira dizer que o conhecimento adquirido pelo estudo se chama sabedoria humana, e o conhecimento sem estudo, Sabedoria Divina. Pensei: "Sim, é isto". Certamente é Sabedoria Divina. Quando me deparava com algo, compreendia imediatamente a razão e o resultado, tão depressa que nem tinha tempo de pensar. No entanto, isso se limitava apenas ao necessário, o que é curioso. Recebo várias perguntas dos seguidores, e as respostas saem instantaneamente da minha boca. Nesses momentos, sou ensinado pelas minhas próprias palavras, o que é interessante. Em especial, sobre a saúde humana, que é a questão mais crucial, compreendi tudo de forma completa e exaustiva. Quem leu minhas explicações sobre a medicina certamente concordará imediatamente. Mas não é só isso. Quando observo todos os aspectos da civilização moderna, a medicina me parece algo que apenas engana crianças. Na política, na economia, na educação, é como se estivessem sendo feitas por moleques travessos de nível primário. A única área que considero um pouco melhor é a arte.
Dizer isso pode parecer uma grande presunção, mas eu, que estou em Deus, não posso dizer mentira alguma; por isso, peço aos leitores que considerem isto como a verdade absoluta. Além disso, o mais importante é que me foi concedido o método de exercer o poder invisível e, usando muitos seguidores como instrumentos, estou curando completamente milhares e milhares de doentes. Isso é do conhecimento de todos, e não é exagero dizer que a maravilha dessa cura é tal que, enquanto a medicina tem eficácia de um, a minha tem eficácia de cem.
Além disso, quando faço um plano e tento colocá-lo em prática, preciso de muito dinheiro, mas ele também se reúne naturalmente, nem a mais nem a menos, e as pessoas necessárias aparecem na hora certa. Dessa forma, se o primeiro caso pode ser atribuído à Sabedoria Divina, o segundo pode ser chamado de Poder Divino. Como tudo é assim, sou um ser humano completamente sem precedentes no mundo. Ainda há muitas coisas que gostaria de escrever, mas basta que compreendam que sou uma pessoa extremamente incomum.
Considerando profundamente, com base no exposto, quem sou eu, surge a questão: para que nasci e por que razão sou diferente das pessoas comuns? Vou explicar isso aqui. Atualmente, fundei a religião chamada Igreja Messiânica e me esforço para salvar todas as pessoas e construir um mundo feliz. Além disso, o desenvolvimento da nossa Igreja é excepcionalmente rápido, e nunca houve religião que cure tão bem as doenças como a nossa; pode-se dizer que é um verdadeiro enigma do século. Só por isso, deve haver algo de grandioso por trás.
Acima de tudo, basta ver um único relato de testemunho de graça recebida; ao pensar na gratidão, na emoção e nos sentimentos transbordantes da pessoa salva, não se pode ler sem lágrimas.
Escreverei sobre mim de outro ângulo. Como disse anteriormente, até a meia-idade não havia nada de diferente em mim em relação às pessoas comuns. Por volta do fim da meia-idade, caí numa situação extremamente adversa; o mundo se tornou incompreensível para mim e me tornei prisioneiro de uma dúvida sem fundo. Isso se tornou o motivo para começar a buscar a fé e, como resultado, entrei na religião Oomoto.
Após considerável treino espiritual, alcancei o estado de ver Deus. Diz-se desde a antiguidade que esse estado é inalcançável mesmo com uma vida inteira de esforço; no entanto, alcancei-o com um treino breve, o que também pode ser considerado sem precedentes. A partir de então, renovado de espírito, tomei consciência de minha missão celestial. Os milagres sucederam-se e a dúvida desapareceu por completo. Minha maneira de pensar ampliou-se de forma surpreendente. Ao mesmo tempo, adquiri um coração extremamente pequeno, justamente o oposto — em suma, sou audacioso e tímido ao mesmo tempo. Quanto ao aspecto audacioso, ele se revela em meus empreendimentos e na gestão real. Quanto ao aspecto pequeno, cheguei a sentir tamanho constrangimento para falar em meio a muitas pessoas que eu mesmo estranhava. Ultimamente, acostumei-me bastante e consigo dizer o que penso, mas antes não era nada assim. Além disso, odeio profundamente a injustiça; quanto mais injusto o oponente, mais forte surge em mim a convicção de que devo lutar até o fim e vencer. Exemplo disso é a ação judicial em que estou envolvido, já com catorze anos de duração.
Trata-se de uma questão de terra. A parte contrária, já sem paciência, propôs acordo extrajudicial por três vezes; como não demonstra arrependimento, não aceitei. Hoje, quem mais recomenda o acordo é o próprio juiz, mais preocupado que a parte contrária.
Noutra ocasião, lutei contra um certo grande jornal. Muitos me aconselharam a recuar, dizendo que não se sabe o que pode acontecer quando se enfrenta um grande jornal, mas não dei um passo atrás e lutei por meio do jornal "Hikari" da época. Os leitores devem saber disso. Pela justiça, estou disposto a lutar ainda que tenha o mundo inteiro como oponente.
Acima escrevi sobre meu lado forte. Agora direi algo sobre o lado fraco. Quando alguém me pede algo justo, não posso deixar de ajudar. Ao ver pessoas sofrendo sem culpa, não consigo ficar parado. Diante das injustiças do mundo, não contenho a indignação e faço o possível para corrigi-las quanto antes. Isso se evidencia no fato de que aponto constantemente as falhas da medicina e alerto sem cessar, na tentativa de reduzir, ainda que um pouco, os sofrimentos da humanidade. Desde tempos antigos, tenho prazer em esforçar-me para fazer as pessoas felizes, ajudá-las, desejar-lhes a felicidade, dar-lhes paz de espírito e infundir-lhes esperança — pode-se dizer que isso é quase um hobby. Isso porque consigo refletir bem o coração das pessoas: quando alguém me conta suas dores e angústias, elas se refletem em mim, e eu também sofro.
A digressão acima alongou-se; passemos, porém, ao essencial. Considerados os vários pontos em que difiro das outras pessoas, como expus, minha missão torna-se naturalmente clara. Por isso, avanço hoje com o princípio absoluto da Salvação da Humanidade, do começo ao fim. Meu objetivo final é a criação de uma nova civilização. Em poucas palavras, a nova civilização é espiritual e baseada na religião, ou seja, um grande salto da civilização religiosa em relação à civilização material. É substituir a civilização material, que gera infelicidade, pela civilização religiosa, que gera felicidade; é estabelecer uma religião poderosa que utilize ao máximo a civilização material avançada; é transformar a civilização do mal na civilização do bem. Quando isso for bem-sucedido, este mundo se tornará uma era de ouro completa na Verdade, no Bem e no Belo, e surgirá um mundo celestial inimaginável. No entanto, essa não é uma tarefa fácil.
Isso porque, embora tenha sido o ideal que a humanidade acalentou no coração por muito tempo, nunca apareceu alguém para realizá-lo — o que se devia ao fato de que o tempo ainda não havia chegado. Mas, felizmente, o tempo finalmente chegou, e nasceu um ser humano como eu, que recebeu de Deus um grande poder. Portanto, uma vez compreendido isso, não se pode deixar de acreditar que o surgimento do Paraíso é absolutamente possível. Não tenho a menor intenção de me autopromover; quero apenas fazer conhecer a verdadeira essência de quem sou. Pois quanto mais pessoas acreditarem nisso, mais o grande amor de Deus se expandirá e mais pessoas serão salvas.
Pelo exposto, é fato indubitável que o mundo do mal está na véspera de sua queda e o mundo do bem, em seu amanhecer. Essa grande transformação do mundo foi preparada por Deus há dezenas de milhares de anos; é, por assim dizer, um programa histórico. Ou seja, a profecia de Cristo: "O Reino dos Céus está próximo", e o aviso: "Creia e serás salvo" — o que mais poderiam ser senão isto? Se assim é, este texto, o que mais poderia ser senão o evangelho do Paraíso?
O "Hodo" (A "Medida" ou "Justa Medida")
Eikō nº 116, publicado em 8 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
Certa vez, em determinado lugar, tive a oportunidade de apreciar uma placa caligrafada pelo Mestre Tesshu Yamaoka e fiquei profundamente impressionado. Nela, o caractere "程" (hodo) estava escrito em grande destaque e, ao lado, em letras menores, lia-se: "Em todos os assuntos humanos, a chave reside neste único caractere". Até hoje, essa imagem permanece gravada em meu coração de forma inesquecível. Isso porque, ao longo de décadas, sempre que me deparo com alguma situação, recordo-me do caractere da placa, e ele tem me sido de grande utilidade.
Desde a antiguidade, há inúmeros bons provérbios, mas parece não haver palavra tão admirável quanto esta. Ainda que seja apenas o significado de um único caractere, penso: que força maravilhosa não possui ele? Tomando este caractere "程" como padrão e observando as diversas coisas do mundo, ele se aplica perfeitamente a tudo. Por exemplo, quando algo é insuficiente ou excessivo, quando o pensamento pende para a direita ou para a esquerda, quando alguém se envaidece por ter dinheiro e se encolhe por não tê-lo — enfim, os seres humanos tendem a se desviar para um lado, e isso parece ser, em muitos casos, a causa do fracasso. A advertência dos Analectos de Confúcio sobre a busca do "justo meio" (chuyo) deve ter o mesmo sentido.
Desde a antiguidade, expressões como "seja na medida certa", "a medida é boa" ou "guarde a medida" também se referem a isso, significando, em última análise, a adequação à própria condição.
Se interpretarmos isso sob uma perspectiva religiosa, como sempre digo, a nossa Igreja ensina que, ao unirmos a urdidura e a trama — ou seja, o Shojo e o Daijo —, o centro dessa união se torna a ação de Izunome. Examinado a fundo, isso também é o significado de "程". Portanto, o ser humano deve, em primeiro lugar, guardar a medida. Se apenas a medida for preservada, tudo, sem exceção, fluirá suave e perfeitamente. Ah, é a justa medida! É a justa medida!
A Visão da Medicina Como Pecado
Eikō nº 172, publicado em 3 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Ao ver este título, por se tratar de uma palavra excessivamente inesperada, um terceiro talvez fique estupefato e duvide de minha razão.
No entanto, esta é uma palavra que somente eu posso dizer; nenhuma outra pessoa teria qualificação para dizê-la. Por quê? Porque, no mundo atual, todos os povos, sem exceção, acreditam que a medicina moderna é algo supremo e a ela confiam sua preciosa vida, sem sombra de dúvida. Em meio a isso, se eu, sozinho, considero a medicina algo pecaminoso, certamente desejariam saber a razão. Contudo, para dizer algo tão audacioso, é necessário ter convicção à altura.
Exponho isso agora em detalhes. Primeiramente, trata-se da forma de pensar sobre a doença. Há muitos anos venho apontando todos os defeitos da medicina moderna e, especialmente, dissecando ampla e profundamente a terapia baseada em medicamentos. Como explico de forma categórica, e não de maneira vaga como a medicina, nem é preciso dizer o quanto estou repleto de convicção. De minha parte, não tenho rancor algum contra a medicina, nem um pingo de pensamento maligno. No entanto, como fui incumbido por Deus da grande missão de salvar a humanidade, não posso me preocupar com sentimentos mesquinhos ou interesses próprios. Limito-me a publicar a revelação divina exatamente como ela é e peço que compreendam plenamente este ponto. Além disso, não apenas me foi revelado o defeito da medicina, mas também me foi concedido por Deus um poder de cura sem precedentes, ou seja, o método de irradiação da luz espiritual divina.
Portanto, exerço-o livremente e salvo as massas. Os fatos o demonstram de forma incontestável. Assim, ainda que não o vejam diretamente, se lerem os inúmeros testemunhos publicados nas publicações da nossa Igreja, não restará qualquer dúvida. Falando com franqueza sobre seus efeitos, não é exagero dizer que, enquanto o poder de cura da medicina é um, o da nossa Igreja é cem. E por que podemos obter resultados de cura tão maravilhosos?
É porque identificamos com precisão a causa da doença e, ao mesmo tempo, utilizamos a grandiosa luz do espírito divino, como mencionado acima. Sob esse prisma, a medicina moderna — embora não possa curar as doenças de modo algum — leva as pessoas a crer erroneamente que pode curá-las.
Por essa razão, especialistas do mundo inteiro dedicam todos os seus esforços à descoberta das causas das doenças, ao tratamento e à prevenção. Especialmente na descoberta de novos medicamentos, concentram sua inteligência em pesquisas e descobertas extraordinárias. No entanto, o fato de que todos os seus efeitos são temporários fica evidente pelo surgimento incessante de novos medicamentos, um após o outro. Os médicos que não despertam para isso acreditam, em seu ponto cego, que, se apenas aperfeiçoarem as teorias atuais, poderão resolver tudo. Aos meus olhos, é uma verdadeira pena que continuem com esforços tão inúteis. Como sempre digo, o tratamento médico solidifica as toxinas/impurezas, impedindo que sejam eliminadas; os médicos se iludem ao considerar o alívio temporário do sofrimento como cura. Eles não sabem que o verdadeiro método de cura é dissolver as toxinas/impurezas e promovê-las à excreção. É claro que, mesmo que soubessem, não teriam o método; não há o que fazer. Sobretudo, o tratamento médico moderno, mesmo que pareça curar, não cura; pelo contrário, caminha para uma piora gradual. E, embora os médicos se esforcem ao máximo na tentativa de curar, o resultado é naturalmente o oposto. Além disso, quando fazem prognósticos, raramente eles se confirmam, e, quando os pacientes fazem várias perguntas, não conseguem dar respostas claras, como todos sabem. Coisas como essas, mesmo que eu não as diga, os senhores médicos também devem conhecê-las bem.
Portanto, ouvi certa vez o desabafo de um doutor em medicina, dizendo que, como os tratamentos médicos raramente curam, as previsões falham e os pacientes reclamam, o sofrimento interior deles não é nada fácil. Por outro lado, como não encontram um método seguro para curar as doenças, mesmo insatisfeitos, não podem abandonar a medicina e se agarram a ela; esta é, provavelmente, a situação atual. Há algo que preciso dizer aqui. O número de pacientes que procuram o Johrei da nossa Igreja aumenta a cada ano, atingindo hoje números enormes em todo o país.
Mas, sem exceção, todos os pacientes com doenças graves e de difícil tratamento chegaram a esse estado como resultado do tratamento médico. Do nosso ponto de vista, se desde o início não tivessem feito nada e os tivessem deixado em paz, já estariam curados. No entanto, por terem recebido tratamento médico, foram piorando cada vez mais, tornaram-se casos graves e de difícil tratamento e acabaram levados a um passo da morte. A quantidade de pessoas desse tipo é tão grande que faz arrepiar a pele. Especialmente porque, quanto mais medicamentos a pessoa usava, maior era o grau de piora. Embora se possa dizer que não sabiam, trata-se de um problema gravíssimo. Nós sempre dizemos aos novos pacientes: "Vocês, ao tomarem o veneno chamado medicamento, chegaram a um ponto perigoso e vieram se agarrar à nossa Igreja; portanto, são como suicidas fracassados." Quando dizemos isso, os pacientes arregalam os olhos.
Portanto, uma vez que se compreenda a verdade deste ponto, não se sabe o quanto a medicina tem mais aspectos negativos do que positivos. Assim, creio que o significado do título tenha sido compreendido.
O Pacto com os Fundadores de Cada Religião
Eikō nº 118, publicado em 22 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
Hoje, exatamente um ano após o incidente do ano passado, lembrei-me dele e, por isso, tomei a pena para escrever sobre as várias ocorrências espirituais que se deram comigo durante os quinze dias em que estive detido na cela da Delegacia de Polícia de Ihara, na província de Shizuoka. Afinal, o lugar era o que era; não vinha ninguém, e eu passava o dia inteiro, da manhã à noite, sentado sozinho em uma cela escura de cerca de três tatames, sem fazer nada, numa vida quase de boneco. Pensei que, justamente numa hora como essa, era a ocasião ideal para o trabalho espiritual, e que Deus também assim o havia determinado; então, tentei várias coisas espirituais. Dentre elas, escreverei algumas que considero interessantes.
Primeiramente, evoquei, um após outro, os espíritos dos fundadores de várias religiões e de grandes personagens do passado até os dias atuais, e dialoguei com eles, o que, de certa forma, não me deixou entediado. Dentre eles, escreverei sobre o que ainda recordo e considero digno de nota.
Quem mais frequentemente vinha era a fundadora da religião Oomoto, a Senhora Nao Deguchi. Quando me converti à religião Oomoto, ela já havia falecido e não pude vê-la pessoalmente; os fiéis, é claro, a veneravam como a fundadora e a respeitavam. Seu espírito veio conversar comigo sobre várias coisas; era uma pessoa muito gentil e afetuosa, e senti uma nostalgia como se tivesse encontrado uma mãe amorosa. Ela falava no dialeto de Tamba e, entre outras coisas, disse o seguinte: "Você também passou por muitas dificuldades, mas em breve algo tremendo acontecerá. Por isso, aguente um pouco mais de sofrimento. A Oomoto atual está fazendo apenas coisas de mero sustento. Quando chegar a ocasião, por favor, ajude-os." Diante disso, respondi: "Compreendi, não se preocupe. Farei o possível para cuidar deles."
O espírito do Mestre Onisaburo Deguchi também se apossou de mim; como há muitas histórias difíceis de divulgar, não as escreverei. Apenas registro que, como o espírito do Mestre estava em Yachimata, eu o salvei, conduzindo-o ao Terceiro Paraíso, e ele ficou extremamente grato.
Em seguida, o espírito da fundadora da religião Tenrikyo, a Senhora Miki Nakayama, também se apossou de mim. A Senhora disse: "É motivo de grande alegria que o senhor tenha aparecido no mundo. De agora em diante, farei com que os fiéis da religião Tenrikyo também compreendam bem por meu intermédio. Portanto, peço-lhe que cuide de tudo."
Evoquei ainda várias outras grandes personalidades de diversas áreas. Dentre elas, escreverei sobre as que foram particularmente instrutivas e interessantes. O Venerável Nichiren se apossou de mim e, mostrando-se extremamente grato por eu o ter salvo há alguns anos, disse: "Eu estava caído em tal lugar por um longo tempo, sofrendo muito, mas, graças a você, fui elevado a uma posição confortável, e sou verdadeiramente grato. De agora em diante, farei com que os fiéis da seita Nichiren também compreendam, por isso, gostaria que os salvasse. Peço-lhe encarecidamente que cuide disso."
Em seguida, evoquei o Imperador Meiji. Segundo o Imperador: "Entre os imperadores das várias gerações, há muitos que ainda sofrem no mundo espiritual. Por favor, salve-os." Respondi que o ajudaria plenamente e que ficasse tranquilo; o Imperador ficou extremamente contente.
Depois, evoquei Cristo, mas ele já havia reencarnado três vezes e, então, estava em tal lugar na Itália. O Buda Shakyamuni também já havia reencarnado três vezes e, naquele momento, estava reencarnado em tal lugar na Índia. O que foi interessante foi evocar o espírito de uma pessoa viva — Stalin — e explicar-lhe os vários pontos errados do comunismo. No entanto, ele era realmente obstinado; evoquei-o três vezes, mas ele insistia em não aceitar, e acabei por desistir.
Em seguida, perguntei a um certo Deus sobre a causa do meu incidente na época e outras coisas. Descobri que, na verdade, era um plano de uma grande Divindade maligna, e que muitos Dragões Divinos faziam inúmeras pessoas dançarem conforme sua vontade. Não posso escrever detalhadamente sobre isso agora, mas compreendi que, afinal, era uma das partes do grande Plano Divino de Deus, com um significado profundo. Divulguei um pouco disso após minha libertação, mas pretendo publicar os detalhes quando chegar a ocasião.
A Violência é uma Relíquia da Era Bárbara
Eikō nº 139, publicado em 16 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Mesmo neste mundo civilizado, que tanto progrediu, a violência ainda impera com fúria em todos os aspectos. Entre eles, o maior é, sem dúvida, a guerra; em seguida, vem a revolução pela violência.
No passado, a violência era inerente às revoluções, mas isso se devia ao fato de a cultura ainda não ser tão desenvolvida como hoje. Naquela época, a tirania dos poderosos, por meio de um governo opressor, ignorava os direitos humanos e chegava a ameaçar a própria vida. O povo, sem outro meio senão a violência para derrubar tal situação e criar uma sociedade livre, viu-se obrigado a pegar em armas. No entanto, a era atual é completamente diferente. Mesmo que se tentasse realizar uma revolução hoje, a maioria das nações, com exceção da União Soviética, adotou o princípio da soberania popular e, como a liberdade de expressão é permitida, não há qualquer necessidade de violência. É possível despertar a opinião pública por meios legais e alcançar plenamente os objetivos de forma pacífica. Nesse sentido, trata-se de uma verdadeira dádiva da civilização.
Contudo, ainda hoje existem nações, povos, classes e indivíduos que não conseguem abandonar a violência, o que é problemático. Como sempre digo, o fato de ainda não termos saído do estágio de semicivilização e semibarbárie significa exatamente isso. Visto por esse ângulo, eliminar essa barbárie o mais depressa possível deve ser, sem dúvida, a missão que nos foi confiada como religiosos.
No entanto, existe um aspecto grave dessa barbárie que permanece oculto e do qual ninguém ainda se apercebeu. Refiro-me à terapia cirúrgica na medicina. Atualmente, quando uma doença aparece em alguma parte do corpo humano e não é curada pela clínica geral nem por outros métodos, considera-se adequado recorrer a meios cirúrgicos. Ou seja, extirpa-se a área afetada. Além disso, por considerarem isso uma terapia avançada, trata-se de um problema que não pode ser menosprezado.
Observem: esse método corta a carne, faz sair sangue, raspa os ossos e chega a extrair até órgãos. A agonia causada é indescritível, e a crueldade é tão insuportável de presenciar que nem mesmo os parentes próximos têm permissão para testemunhá-la. Diante disso, sinto profundamente que a barbárie ainda persiste. De fato, se a doença não pudesse ser curada sem esse procedimento, poder-se-ia dizer que é inevitável. Mas, se existisse um método que, sem necessidade de tais procedimentos, pudesse curar completamente a doença sem qualquer sofrimento, provavelmente não haveria benefício maior para a humanidade. E, se essa medicina ideal é a terapia de Johrei da nossa Igreja, somos os únicos que podem afirmá-lo com essa segurança.
Desnecessário dizer que a nossa terapia de Johrei, sem utilizar qualquer substância material e sem tocar absolutamente na área afetada, cura a doença por completo. Se ela proporciona uma recuperação total da saúde, sem sofrimento, sem ferir o corpo e sem preocupação com recaída, não existirá terapia ideal tão maravilhosa quanto esta. Gostaria de perguntar: se isto não é o que se chama de medicina cultural, o que mais seria? Portanto, afirmo sem hesitação que, mais cedo ou mais tarde, a medicina mundial se unificará nessa única terapia.
Como exposto acima, revelei a barbárie da medicina, da qual ninguém até hoje se dera conta. A Vontade Divina é fazer desaparecer toda e qualquer barbárie existente no mundo. Sendo assim, isso também é inevitável. Médicos do mundo inteiro, peço-lhes que leiam este texto e reflitam profundamente.
O Que São as Três Grandes Superstições
Eikō nº 119, publicado em 29 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
Como sempre digo, o objetivo da nossa Igreja é a criação de uma nova civilização. No entanto, se um terceiro observar isso, talvez ache um tanto estranho. Isso porque, pensando que não vivemos mais numa era de barbárie, alguém poderia questionar se não é um pouco descabido falar em criar uma nova civilização agora. Mas, ao ler este texto até o fim, certamente concordará que não é nada disso. Do nosso ponto de vista, o mundo atual é, de fato, uma civilização que progrediu em sua aparência exterior. Contudo, quanto ao seu conteúdo, não se pode, de forma alguma, chamá-lo de verdadeira civilização. Qual a razão disso? É que quase tudo está repleto de erros. Esses erros podem ser resumidos em três grandes itens, que passo a descrever agora.
Primeiro: A Superstição dos Medicamentos
Sobre este ponto, já expliquei com frequência suficiente, e nem precisaria escrever novamente, mas o faço para que terceiros também tomem conhecimento. Hoje em dia, quando alguém adoece, a primeira coisa em que pensa é, naturalmente, em medicamentos. No entanto, não se surpreenda. Na verdade, são justamente eles que enfraquecem a saúde humana, criam doenças e até colocam a vida em risco. Não há nada no mundo tão temível quanto isso. A pergunta que naturalmente deveria surgir é: por que, até hoje, ninguém percebeu algo tão grave? A razão é que todos estavam profundamente mergulhados na superstição dos medicamentos. Portanto, para salvar a humanidade, não há outro caminho senão romper com essa superstição e despertá-la.
Segundo: A Superstição dos Fertilizantes
Este é um ponto que os seguidores da nossa Igreja conhecem bem, e nem seria preciso escrever sobre ele agora. Mas, para os terceiros, escrevo um pouco. A terra original foi dotada por Deus de uma capacidade maravilhosa para que o homem pudesse produzir alimentos. Pode-se dizer que a própria terra é um bem precioso, um verdadeiro bloco de fertilizante. Em que época e por que erro se começou a usar, em seu lugar, substâncias imundas que matam a terra — o verdadeiro fertilizante —, impedem a nutrição do solo, exigem grandes gastos, exploram os agricultores e, ao contrário, contribuem para a redução da produção? Isso é resultado de uma superstição verdadeiramente espantosa. Sobretudo, o fato de o nosso país ter hoje um déficit de vinte milhões de koku de arroz por ano e sofrer anualmente com pragas de insetos tem sua causa inteiramente nos fertilizantes. É algo que venho alertando há muitos anos.
Terceiro: A Superstição das Leis
Este ponto difere um pouco dos dois anteriores. O objetivo da lei, nem é preciso dizer, é prevenir o crime. No entanto, os únicos meios empregados para tal são a mera vigilância e a punição. Sabe-se, porém, que só isso não basta para alcançar o fim almejado. Acima de tudo, o estado atual da sociedade o prova claramente. Isso ocorre porque ninguém percebe o ponto fundamental e essencial. E por que não percebem? Porque, também neste caso, estavam presos a uma espécie de superstição.
Essa superstição consiste em ter ignorado a alma humana, que é a verdadeira causa do crime. O erro foi concentrar-se e esforçar-se apenas nos resultados superficiais, tomando-os como único objeto de atenção. Para erradicar verdadeiramente o crime, é demasiado óbvio que não há outro método senão melhorar a alma humana. E, sendo esse método justamente o poder da religião, os responsáveis devem percebê-lo e, com base nisso, traçar uma política para a extinção do crime. Se compreenderem profundamente o significado disso, antes de tudo devem eles mesmos experimentar a fé. No entanto, dificilmente se pode esperar isso das religiões existentes até hoje. Isso fica claro pelo fato de que, até o presente, a educação e a moral têm sido mais valorizadas do que a religião. Devido a essas circunstâncias, a justiça penal legal foi adotada como o único meio conveniente, o que, de fato, não poderia ser diferente. Em suma, somente quando surgir uma religião verdadeiramente poderosa, que una e transcenda as religiões estabelecidas, a moral, a educação etc., é que surgirá naturalmente uma sociedade ideal, sem crimes.
E, se essa religião for a nossa Igreja Messiânica, o melhor a fazer é estudá-la o mais rápido possível. Certamente descobrirá que minhas palavras não são falsas.
Sem Título
Eikō nº 119, publicado em 29 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
A grande epidemia de disenteria deste ano é conhecida por todos e, se continuar nesse ritmo, o número de casos atingirá uma cifra considerável.
No entanto, a medicina, tratando a disenteria como enfermidade transmitida por micróbios, esforça-se em preveni-la; mas, como atualmente não há outro método além desse, não há o que fazer. Do nosso ponto de vista, porém, isso é extremamente infantil. Isso porque a medicina, de mente voltada apenas para os micróbios, não se interessa pela origem última deles. Em outras palavras, para facilitar a compreensão, é preciso saber que os micróbios que passaram a transmitir doenças são, por assim dizer, descendentes de micróbios, e que o primeiro deles, isto é, o micróbio, também tem um antepassado. Portanto, se fizermos com que o antepassado desse primeiro micróbio não surja ou, caso contrário, se matarmos todos os descendentes antes que se multipliquem em grande número, o problema estará resolvido. Do nosso lado, como compreendemos claramente esses pontos, não apenas não tememos a disenteria, como ela nem sequer é um problema. Isso também porque, mesmo que alguém contraia disenteria, podemos curá-la completamente em dois ou três dias. Quão grande é essa felicidade, que não se pode exprimir em palavras. Os fiéis conhecem bem essas coisas, mas é muito difícil para terceiros compreendê-las; por isso, não escreverei sobre isso aqui.
Os Estados Unidos e a Justiça
Eikō nº 93, publicado em 28 de fevereiro do ano 26 da Era Showa (1951)
No atual cenário de crise mundial, diante da proposta dos Estados Unidos de estigmatizar a China como agressora, os países aliados da Europa, começando pela Inglaterra, não demonstraram posição clara. No entanto, o fato de terem chegado, desta vez, a um resultado conforme o desejo americano é algo realmente digno de louvor. Afinal, para os povos europeus, que experimentaram exaustivamente as calamidades da Segunda Guerra, era natural que hesitassem. Contudo, nem é preciso dizer que, qualquer que seja a estratégia adotada, é absolutamente impossível, a esta altura, fazer a União Soviética desistir de sua ambição de dominar o mundo. Pelo contrário, é fato indubitável que ela intensifica cada vez mais seus armamentos e, à menor brecha, tenta estender suas garras para qualquer lado. Dito isso, mesmo os Estados Unidos, partindo do princípio da liberdade e da democracia, por mais esforços que façam, terão de construir um poderio militar tão imenso que, ou esmagam as ambições soviéticas, ou se veem obrigados a desistir, reconhecendo que não conseguem mais enfrentá-la. É por isso que, agora, arrastando consigo as nações europeias, começaram a se preparar para tal.
Por outro lado, na Ásia, embora o Sr. Nehru, assumindo o papel de líder, tenha tentado resolver a questão coreana até o fim, acabou fracassando. No entanto, a preocupação — semelhante à da Europa — de que a qualquer momento a União Soviética, manipulando a China, possa começar a agitar a Ásia, carente de armamentos, deve ser a mesma em toda parte.
A propósito, os Estados Unidos, sem se importar com a opinião dos outros países, persistem em manter seu propósito inicial. Esse senso de justiça é admirável. É claro que isso se deve, em parte, ao fato de serem respaldados por um imenso poderio militar, mas, acima de tudo, reside no caráter absoluto do senso de justiça tradicional americano. Pergunta-se: o que forma esse senso de justiça? Certamente, provém da fé cristã. Isso se confirma ao vermos que, na recente mensagem ao Congresso, o Presidente Truman enfatiza que a fé é sua aliada e que, nos importantes pronunciamentos do General MacArthur, a palavra "Deus" está sempre presente.
Em contrapartida, quando observamos os discursos do Primeiro-Ministro do Japão, das autoridades e da classe dirigente, não encontramos sequer uma palavra sobre fé ou Deus. Isso é deveras desolador. Portanto, a menos que a classe dirigente do Japão passe a mencionar Deus, a fé e a justiça, mesmo que se chegue a um tratado de paz, é claro que não se pode ficar tranquilo quanto ao seu futuro, pois não se pode afirmar que não surgirão políticos ou ideias que desviem o destino da nação.
Liberdade Religiosa
Eikō nº 121, publicado em 12 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Frequentemente, há casos em que, devido à diferença de religião, pessoas deixam de ser salvas apesar de terem a oportunidade. Isso ocorre porque, em algumas religiões, tocar em outras seitas é extremamente desagradável, sendo considerado grande pecado. Isso é prova de que a religião em questão não tem poder algum; em outras palavras, é uma espécie de feudalismo religioso que restringe a liberdade de crença. Pois, se uma religião é verdadeiramente excelente, não há receio de que surja confusão, mesmo que se entre em contato com qualquer outra; portanto, pode-se ficar tranquilo. Por isso, não apenas acho que se pode ter contato com qualquer religião, mas também espero que se faça um grande estudo delas. Se, como resultado, houver algo superior à nossa Igreja, tudo bem; pode-se converter livremente àquela fé. Isso porque, quanto melhor a religião, maior a possibilidade de salvação, e essa ação é correta; uma divindade correta jamais poderia punir alguém por isso.
No entanto, neste mundo há religiões que ameaçam dizendo que, se alguém se converter a outra seita, será punido com doenças e desastres ou, em casos mais graves, a família inteira se arruinará. Essas religiões são exatamente os cultos malignos.
Originalmente, o coração das divindades corretas é imparcial, e elas concedem aos seres humanos a liberdade de escolha; portanto, se a conversão for feita no sentido correto, Deus se alegrará e jamais punirá. Por exemplo, suponhamos que haja uma esposa bela e talentosa, perfeita, que tenha a confiança de que não existe mulher superior a ela no mundo. Nesse caso, mesmo que o marido vá a qualquer lugar ou se aproxime de qualquer mulher, ela não deveria ter preocupação alguma. É o mesmo sentido de se sentir segura, pensando que, embora haja muitas mulheres no mundo, não há outra igual a si mesma.
Contudo, pode-se dizer que provavelmente não existe uma religião assim no mundo. Se assim for, só por isso já se pode compreender o valor da nossa Igreja. E por que a nossa Igreja tem tanta confiança? É porque, na verdade, Cristo, Buda Shakyamuni e muitos outros santos sabem que, no final, a nossa Igreja surgirá e salvará todas as pessoas, a ponto de terem até profetizado isso. Se assim é, seria de esperar que os seguidores dessas religiões já tivessem percebido isso, mas parece que o tempo ainda não chegou; é lamentável que não seja assim.
Há, porém, algo ainda pior: é que, no Cristianismo, diz-se que, antes de o verdadeiro Messias aparecer, surgirão falsos messias, e que é preciso ter cuidado. Por causa disso, mesmo que o verdadeiro Messias apareça, há o perigo de que, sem crítica, seja julgado como falso. De fato, até hoje houve vários exemplos de falsos messias no mundo, e isso não pode ser evitado, mas é uma história problemática. Sobre isso, o relatório a seguir (omitido) conta bem essa história; portanto, acho que, se alguém se deparar com tal situação no futuro, compreenderá se for bem explicado.
Na verdade, mesmo que alguém, agradecido por ter sido salvo pela nossa Igreja, queira converter-se imediatamente, hesita. No entanto, no mundo espiritual, se for o fundador de uma grande religião, ele certamente ficará muito satisfeito com essa conversão. Por isso, é essencial que essa pessoa hesitante saiba disso. Chegará o tempo em que os seguidores de todas as religiões do mundo se converterão em massa à nossa Igreja. Isso porque, no mundo espiritual, os fundadores de cada religião farão grandes esforços para que seus seguidores entrem na nossa Igreja, desejando que sejam salvos.
Isso também é arrogância
Eikō nº 121, publicado em 12 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Às vezes, há pessoas que, por serem excessivamente zelosas na fé, criticam dizendo que não gostam da maneira de agir do presidente da igreja a que pertencem, dos dirigentes e assim por diante; e, mesmo aconselhando a reformá-la, quando isso não é aceito, ficam extremamente preocupadas. Como vejo isso ocasionalmente, escreverei sobre este assunto.
A maneira de pensar acima, por ter surgido de uma sinceridade completa, não direi que seja má, mas há pontos que exigem grande consideração. Isso porque essa maneira de pensar é própria da fé Shojo. Como a nossa Igreja, conforme sempre digo, é a fé Daijo, ela difere enormemente do pensamento comum. Se não se puder reconhecer esse ponto, não se estará de acordo com a vontade de Deus. Acima de tudo, julgar se aquela pessoa é boa ou má já é, em si, arrogância. Isso porque o bem e o mal dos seres humanos, sem ser Deus, não se pode saber; já escrevi sobre isso antes, e é preciso ter grande cautela.
Se alguém estiver errado ou for uma pessoa má, Deus o julgará apropriadamente; portanto, não há a menor necessidade de preocupação. Assim, não é verdade que as preocupações e os sofrimentos antecipados dos seres humanos decorram de não acreditarem no poder de Deus? Como prova disso, há muitos fatos de pessoas que, por causa de uma fé equivocada, foram julgadas por Deus e, em alguns casos, até perderam a vida; os antigos fiéis devem ter experienciado isso inúmeras vezes. Portanto, antes de criticar o bem e o mal dos outros, deve-se primeiro examinar o bem e o mal dentro do próprio ventre.
E, para quem se torna seguidor da nossa Igreja, é impossível que exista uma pessoa de coração mau. É bem sabido que todos são pessoas sinceras. No entanto, ainda que se trate apenas de sinceridade, há graus, grandes e pequenos, e por isso é preciso cuidado. O que sempre digo — que o bem do Shojo é o mal do Daijo — tem exatamente esse significado. Por mais que haja bondade ou sinceridade, se considerada sob a ótica do Shojo, o resultado se converte em mal. Sendo a nossa Igreja uma grande obra, a maior desde a criação deste mundo — que é salvar toda a humanidade —, deve-se deixar as questões internas da nossa Igreja aos cuidados de Deus. Acima de tudo, é preciso pensar tendo a sociedade, ou melhor, o mundo, como alvo. Em suma, trata-se de não dirigir o olhar para dentro, mas para fora.
Há ainda uma coisa que quero dizer: o Plano Divino de Deus é algo realmente profundo, que de modo algum pode ser compreendido pelos olhos ou pelo cérebro humanos. No Ofudesaki da religião Oomoto, encontram-se escritos como estes: "No interior de Deus há um interior, e como é uma estrutura do interior desse interior, o povo não tem como compreender; o povo que pensa que não entende as coisas do mundo divino, esse sim entendeu", e ainda: "Vocês acham que com uma estrutura tão simplória que esse povo pudesse entender, seria possível realizar a reforma dos três mil mundos?". São palavras verdadeiramente simples e, penso eu, exprimem bem a questão.
Não Há Motivo para Temer a Bomba Atômica
Eikō nº 153, publicado em 23 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
Não é preciso dizer que, no mundo atual, o que se considera mais temível é, sem dúvida, a bomba atômica, pois, contra seu espantoso poder de destruição, não há absolutamente nenhum método de prevenção. No entanto, o progresso incessante da ciência um dia poderá conceber um meio de prevenção; mas, se não se sabe quando isso ocorrerá, a ansiedade da humanidade até lá será imensa, e não haverá sofrimento maior do que esse. Contudo, recebi de Deus o poder de escapar da bomba atômica; como ninguém conseguirá acreditar apenas ao ouvir isso, passarei a explicar com base nos fatos. Em sua origem, o princípio da bomba atômica é um calor incandescente de não se sabe quantas dezenas de milhares de graus.
É por meio desse calor incandescente que todas as substâncias são reduzidas a cinzas num instante; portanto, para preveni-lo, é claro que é necessário um poder superior a esse calor. Mas existirá hoje, na Terra, um poder dessa magnitude? Na verdade, ele existe plenamente. Ao explicá-lo agora, o que primeiro se deve saber é a verdade do corpo espiritual que sempre proclamo. Nem é preciso dizer que a realidade de todas as coisas é formada pelos dois elementos, o espírito e o corpo; mas o ponto importante que se deve conhecer em especial é a força relativa entre o espírito e a matéria. Trata-se do fato de que a força do espírito é muitas vezes, ou centenas de vezes, superior à força do corpo, ou seja, da matéria, numa proporção que nem se pode determinar. Por que isso não foi compreendido até hoje? Porque, como a base da civilização moderna assentou na ciência materialista, não se podia, de forma alguma, acreditar na existência do espírito invisível. Vou explicar isso com o exemplo mais comum: primeiro, o ser humano. A ciência toma como objeto apenas o corpo físico do homem, ignorando o coração invisível, isto é, a vontade e o pensamento.
Na realidade, porém, a força que maneja o corpo físico com total liberdade é a vontade e o pensamento. Pode-se dizer que a força invisível controla a força visível; e, sendo essa força invisível a soberana absoluta, aplicando esse princípio à bomba atômica, compreende-se bem. Isto é, mesmo a bomba atômica, em sua essência, é matéria; é apenas um poder extremo. Portanto, para preveni-la, basta lançar mão de um poder superior, ou seja, de uma força que se poderia chamar de bomba atômica espiritual. Embora se possa pensar que algo tão magnífico como uma bomba atômica espiritual não possa existir hoje, ela existe de fato, e isso é uma grande questão. Essa força é um poder supercientífico que não sofre a ação da bomba atômica, e é a força absoluta emanada dos espíritos de divindades.
Mas por meio de que se manifesta essa força? Ela é o poder divino que se manifesta por intermédio do meu corpo. Isso já foi comprovado de forma concreta, embora em pequena escala, por meio de experimentos feitos até hoje. É um fato que, quando as bombas atômicas caíram sobre Hiroshima e Nagasaki, as pessoas que usavam os Ohikari que eu fiz foram todas salvas. Como estou publicando aqui — omitindo os registros — alguns relatos baseados nos registros dos seguidores da nossa Igreja sobre isso, quem ler, por mais desconfiado que seja, não poderá deixar de acreditar. Como a nossa Igreja sempre afirma, seu propósito é criar um mundo onde não existam doença, pobreza e conflito.
Quanto à doença e à pobreza, ensinamos constantemente a solução, tanto visualmente quanto auditivamente, e a colocamos em prática; portanto, é possível acreditar. Quanto ao conflito, porém, não o explicamos suficientemente até agora. É claro que a maior forma de conflito é a guerra; portanto, se a guerra não for resolvida, a verdadeira paz não se realizará. E este é justamente o método para tornar a bomba atômica impotente. Assim, se esse poder se manifestar na Terra, qualquer outra arma, por mais poderosa que seja, não passará de algo insignificante. Portanto, posso afirmar categoricamente que erradicar a guerra deste mundo não é de modo algum impossível.
A Revolução da Medicina
Eikō nº 129, publicado em 7 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Nem é preciso dizer que, por ordem de Deus, executo dia e noite, com todas as minhas forças, a grande obra da salvação da humanidade.
Contudo, a raiz fundamental para salvar a humanidade é tornar todos os seres humanos saudáveis, tanto em espírito quanto em corpo. Se isso for alcançado, o mundo sem doença, pobreza e conflito que prego certamente se realizará. Como sempre digo, a pobreza também tem por causa a doença, e as disputas individuais, bem como as guerras entre as nações, têm todas, sem exceção, sua causa na doença de cada indivíduo. Quando se fala em doença, porém, não se trata apenas de doenças materiais; existem também as doenças espirituais, e até a causa das guerras reside, obviamente, nessa doença espiritual.
Se assim é, eliminadas as doenças da humanidade e criado um mundo sem doentes, este se tornará, por si só e naturalmente, uma era de paz ideal. Ora, isso pode parecer extremamente simples apenas em palavras, mas é um grande erro pensar que se trata de algo impossível para qualquer pessoa e que não passa de um sonho diurno. Em que consiste, então, esse erro? Em que, sem perceber o grande equívoco existente na medicina moderna, as pessoas acreditam que ela é a única e exclusiva, confiando nela até hoje.
Estou expondo esse equívoco por escrito e demonstrando a sua comprovação; mas, como os seres humanos estão há muito tempo acometidos pela superstição da medicina, não só não conseguem despertar facilmente como, ao contrário, chamam de superstição o nosso caminho. No entanto, tudo tem seu tempo. Esse tempo é justamente aquele em que Deus realizará o acerto de contas do mundo humano; como primeiro passo, Ele começou a exercer um poder divino maravilhoso para eliminar completamente as doenças da humanidade. Naturalmente, sendo este o plano do Deus absoluto, não há dúvida de que se cumprirá de acordo com a Vontade Divina. Se assim é, aqueles que não conseguem acreditar nisso, por mais lamentável que seja, não terão outra escolha senão perecer para sempre. O fato de a nossa Igreja estar manifestando milagres tão esplêndidos e sem precedentes é a maior prova disso; na verdade, não há nisso nada de misterioso ou extraordinário.
Em suma, o primeiro passo de Deus é a reforma da medicina moderna. Isso, porém, é diferente de uma revolução humana; como é da vontade de Deus, é absoluto e, portanto, com certeza será bem-sucedido. Assim, o que devemos fazer é despertar para isso o mais rápido possível, arrepender-nos e orar a Deus. O que mais poderiam ser as palavras de Cristo — "Batei e abrir-se-vos-á, crede e sereis salvos" — senão isto mesmo?
A Expulsão do Mal
Eikō nº 173, publicado em 10 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
No mundo atual, talvez porque o progresso da cultura ainda seja lento, as pessoas consideradas sábias estão, na verdade, quebrando a cabeça com coisas extremamente
Originalmente, é impossível que as doenças sejam curadas, ainda que um pouco, por meio de medicamentos. Por quê? Porque todos os medicamentos são venenos. Tomar veneno e o corpo ficar saudável é tão impossível quanto uma pedra flutuar e uma folha de árvore afundar. Em outras palavras, os medicamentos, que são venenos, apenas suprimem temporariamente a doença e aliviam o sofrimento. Como resultado, a toxina medicamentosa cria doenças, e, enquanto se repete esse jogo interminável de gato e rato, o ser humano vai se enfraquecendo gradualmente. O grande número de doentes de hoje prova bem isso. Portanto, desejando de alguma forma dar a conhecer essa medicina tão absurda e esses medicamentos tão terríveis, nós estamos nos dedicando com esforço, a ponto de desgastar nossos corpos.
As Plantas Estão Vivas
Eikō nº 220, publicado em 5 de agosto do ano 28 da Era Showa (1953)
Gosto de podar as árvores e arbustos do meu jardim, cortando constantemente os galhos e corrigindo suas formas.
Às vezes, porém, sem querer, acabo cortando demais ou fazendo um corte errado. Além disso, ao plantar uma árvore, devido às circunstâncias do local, sou obrigado a plantá-la em um lugar de que não gosto; ou, por conta do ambiente ao redor, tenho de virar o lado de trás da árvore para a frente ou deixá-la de lado.
No começo, isso me incomoda toda vez que a vejo, mas o interessante é que, com o passar do tempo, a própria árvore parece ir corrigindo sua forma aos poucos e, sem que se perceba, acaba se adaptando perfeitamente àquele lugar.
Isso é realmente misterioso e só me faz acreditar que ela está viva.
Sem dúvida, as árvores também possuem uma alma. Nesse ponto, devem ser semelhantes ao ser humano, que se arruma para não parecer deselegante quando é visto por outros.
A esse respeito, ouvi certa vez de um velho mestre jardineiro que, quando as flores não desabrocham como se espera, se você disser à árvore: "Se você não fizer florescer este ano, eu a cortarei", elas certamente florescerão. Eu ainda não testei isso, mas acho que é possível. Dessa forma, se acreditarmos que tudo na grande natureza possui uma alma e agirmos de acordo, não haverá erro. Certa vez, vi em algum lugar a história de um ocidental que, ao tratar com especial amor uma árvore que normalmente leva quinze anos para crescer até a maturidade, conseguiu que ela crescesse na metade do tempo, em sete ou oito anos.
O mesmo se pode dizer do Ikebana. Em todos os cômodos da minha residência, sou eu quem arranja as flores. Mesmo que a forma não me agrade muito, se eu as deixo como estão, no dia seguinte elas apresentam uma forma diferente e melhor do que no dia anterior. Parece que estão realmente vivas. Além disso, nunca forço as flores; procuro arranjá-las o mais naturalmente possível e, como resultado, elas duram mais. Quanto mais se manipulam, mais elas morrem, o que não tem graça. Por isso, quando arranjo as flores, primeiro defino o objetivo, corto de uma só vez e as coloco de uma só vez, e o resultado é realmente bom. Isso também ocorre porque, assim como os seres vivos, quanto mais se manipulam, mais elas enfraquecem. Esse Caminho Perfeito também se aplica aos seres humanos. É semelhante ao fato de que, quanto mais os pais se preocupam e cuidam de todos os detalhes na criação dos filhos, mais frágeis eles se tornam. Como arranjo as flores dessa maneira, as que disponho duram mais que o dobro do normal, o que surpreende a todos.
Como exemplo, no mundo em geral, diz-se que não se deve usar bambu ou folhas de bordo, provavelmente porque não duram muito. No entanto, eu gosto de arranjá-los. Eles duram tranquilamente três ou cinco dias; o bambu chega a durar mais de uma semana, e as folhas de bordo, cerca de duas semanas. Além disso, não faço nenhum tratamento especial nas pontas cortadas de nenhuma flor, deixando-as como estão. No entanto, os mestres de Ikebana, aplicando vários tipos de tratamentos, acabam, ao contrário, encurtando a duração das flores, o que é realmente digno de riso.
Teoria da Medicina Moderna
Eikō nº 105, publicado em 23 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
Antes de tudo, gostaria de esclarecer que, embora este texto seja um tratado sobre medicina, não se trata de algo dogmático, divorciado da realidade. Escrevo baseando-me, acima de tudo, nos fatos; por isso, peço que o leiam com essa disposição. Dito isso, para um terceiro que examine esta tese, ela se apresentará como uma teoria tão surpreendente e inimaginável que será difícil aceitá-la tal como está.
Além disso, como exponho de forma exaustiva, ao longo de todo o texto, o quanto a medicina moderna está equivocada, isso surpreenderá não apenas o público em geral, mas também os especialistas, que dificilmente acreditarão.
Na atualidade, em que se exalta o progresso da medicina, é provável que não exista ninguém em todo o mundo que apresente uma tese como esta. Ainda assim, como os fatos são, até o fim, fatos, não posso deixar de publicá-la. Por quê? Porque, mais cedo ou mais tarde, chegará sem dúvida o momento em que toda a humanidade a conhecerá. Além disso, o fato de eu ter descoberto este evangelho maravilhoso deve ter um significado profundo. O que poderia ser, senão uma graça divina? E quanto mais cedo ele for divulgado, mais o sofrimento da humanidade será aliviado. Pelo exposto, peço aos senhores especialistas que a considerem como uma nova teoria, para referência, até que possam compreendê-la sinceramente. Sobre este assunto, escrevo atualmente uma grande tese sob o título "A Criação da Civilização" e, após concluí-la, pretendo submetê-la não apenas aos círculos acadêmicos mundiais, mas também ao comitê de avaliação do Prêmio Nobel. Provavelmente, será uma bomba atômica para o mundo médico. Com isso, afirmo sem hesitação que se estabelecerá a verdadeira medicina. Em suma, esta obra deve ser entendida como a revelação divina da verdade da medicina, destinada a esta era final.
Agora, passemos finalmente ao texto principal. Primeiramente, apresentarei minha teoria, que será exposta a seguir. Antes de lê-la, peço que eliminem todas as suas ideias preconcebidas e leiam com a mente em branco. Isso porque, se houver qualquer ideia preconcebida, por menor que seja, ela se tornará um obstáculo, gerando antipatia e dificultando a concordância.
Comecemos, portanto, pela conclusão: o método fundamental da medicina moderna, que tenta curar as doenças, é, na verdade, o método que as cria. Desde os tempos antigos, diz-se que a medicina é uma arte benevolente e uma atividade verdadeiramente sagrada; se ela estiver, de fato, trazendo o resultado oposto, não haverá problema mais grave para a humanidade. A propósito, o que é, afinal, uma doença? Segundo a revelação divina, é o nome dado ao sofrimento resultante da ação de eliminação natural das toxinas que os seres humanos possuem, tanto de forma inata quanto adquirida.
A humanidade, porém, não percebeu isso e interpretou a questão de forma contrária; essa é a concepção da medicina estabelecida. Quanto mais se aplica o tratamento médico, mais contrário é o resultado, e o estado da doença piora cada vez mais. De acordo com este princípio, mesmo que se contraia uma doença, se ela for deixada em paz, as toxinas serão eliminadas de forma ordenada, a doença se curará rapidamente e a saúde será promovida. Esta é a verdade. Assim, não há palavras para descrever o equívoco das nações culturalmente avançadas, que sofrem por utilizarem terapias contrárias a este princípio. Acima de tudo, não há prova mais sólida do que os relatos de casos, que atualmente somam de cem a duzentos por mês, publicados no jornal oficial da nossa Igreja. Como minha argumentação se baseia nesses casos, não há um único erro.
Quando alguém adoece, todos, sem exceção, primeiro consultam um médico, mas há doenças que se curam com facilidade e outras que não. É claro que, de qualquer forma, pode-se dizer que quase não existem curas completas ou radicais. Por exemplo, mesmo uma doença como o resfriado, uma vez curada, com o tempo certamente reaparecerá. Provavelmente, mesmo uma doença leve como o resfriado não só não se cura completamente, como também, a cada recaída, o grau de deterioração aumenta gradualmente, e as pessoas infelizes podem evoluir para uma tuberculose inicial. O recente aumento drástico da tuberculose é prova clara disso.
O mais problemático, porém, é quando o resfriado se complica. Lamentar-se por causa de uma doença tão insignificante parece ridículo, e surge a impaciência, mas isso é extremamente prejudicial. Por quê? Porque, quanto mais a pessoa se impacienta, mais remédios usa ou mais compressas erradas aplica. Então, pensa que o médico é incompetente e troca de médico ou de hospital; na verdade, quanto mais troca, mais o grau de deterioração aumenta. Por fim, desistindo, por achar que o tratamento médico não pode curar, experimenta todas as terapias consideradas boas, como a medicina chinesa, as terapias populares, as terapias de fé etc., mas todas são semelhantes, e não há uma única que cure verdadeiramente. Assim, no último momento, finalmente, procuram a nossa Igreja em busca de salvação; esse é o método padrão dos pacientes em geral.
Então, a diferença em relação a todas as terapias anteriores é enorme. De fato, eles se curam verdadeiramente. Não se usam remédios nem máquinas, não se toca no corpo, e eles se curam rapidamente; é algo realmente misterioso. Não se compreende. No entanto, mesmo que não se compreenda, se há cura, está bom. Se são salvos, está bom. Ah, a gratidão e a comoção por finalmente terem encontrado o que buscavam estão repletas na seção de relatos de graças recebidas, e o número de pessoas que se salvam por esse caminho aumenta dia a dia, mês a mês. O que foi dito acima é um relato fiel do caminho da salvação.
Então, por que o tratamento médico produz resultado contrário ao esperado? Como não é preciso dizer, isso se deve aos agentes medicamentosos. Em essência, não existe nenhum remédio. Todos são venenos, e isso é amplamente reconhecido até mesmo pela medicina. Ou seja, utiliza-se o poder do veneno para suprimir temporariamente o sofrimento.
Na realidade, porém, aliviar o sofrimento e curar a doença são coisas fundamentalmente diferentes. A medicina, que desconhece isso, tem a ilusão de que a diminuição do sofrimento significa a cura da doença e tem se dedicado exclusivamente a reduzir o sofrimento, prosseguindo em suas pesquisas. Por isso, os métodos para aliviar o sofrimento progridem cada vez mais, mas a doença, que é o essencial, permanece sem cura.
Foi esse princípio que descobri. O problema, no entanto, é que a toxina medicamentosa residual se torna, por sua vez, a causa da doença. Isso porque a ação de eliminação dessa toxina é a doença. Acima de tudo, é comum observar casos em que, se a doença se prolonga um pouco, não só surgem doenças secundárias, mas estas aumentam gradualmente, chegando a cinco ou seis, tornando-se incontroláveis. Quando isso acontece, o sofrimento do paciente é imenso, resultando, ao final, na perda da vida.
Ao examinar esses pontos com calma, sem nos atermos a ideias preconcebidas, não é lógico que, enquanto a doença inicial não se cura, surjam doenças secundárias? Se a doença estivesse realmente em vias de cura, ela melhoraria gradualmente, e não haveria razão para o aparecimento de outras. O fato de algo tão óbvio passar despercebido deve-se inteiramente ao cativeiro das ideias preconcebidas. Acima de tudo, os fatos o demonstram com clareza. Observem como as pessoas modernas são doentias; dificilmente existe alguém que não tenha uma ou duas enfermidades. Além disso, é evidente o aumento de pessoas propensas à tuberculose e a doenças infecciosas, bem como de neurastênicos e afins. No livro do falecido Dr. Tatsukichi Irisawa, médico renomado de sua época, havia uma passagem como esta: "Se a medicina desaparecesse, os doentes também desapareceriam junto com ela." É uma frase que merece grande reflexão.
Agora, darei mais um exemplo do qual as pessoas geralmente não se dão conta. Como já foi dito, como as doenças não se curam facilmente, as pessoas procuram curá-las por meio de alguma fé. No entanto, em qualquer fé, é certo que não se permite o uso de remédios. Assim, aqueles que estavam imersos em toxinas medicamentosas, ao abandoná-las temporariamente, somado à influência do espírito, melhoram um pouco. Então, o religioso diz que a melhora se deve aos méritos da fé, e o paciente também acredita nisso, sente-se grato e torna-se seu seguidor. Dessa forma, do ponto de vista do resultado, o tratamento médico acaba por desenvolver novas religiões. Mais do que a lógica, a evidência é que as novas religiões, que surgem como brotos de bambu depois da chuva, conseguem, de alguma forma, manter sua existência; isso se deve, provavelmente, a este motivo.
Assim, de acordo com a teoria que expus até agora, sugiro que leiam os relatos de graças recebidas. Verão que não há a menor discrepância entre o que digo e a realidade. Portanto, quando penso em quantas pessoas seriam salvas se isso fosse plenamente reconhecido pelo mundo médico, não posso ficar parado.
O Que se Obtém dos Relatos de Graça
Eikō nº 125, publicado em 10 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Ao se deparar com uma grande quantidade de Relatos de Graça, qualquer pessoa, sem exceção, não poderá deixar de sentir algo verdadeiramente extraordinário.
Provavelmente, isso se deve ao fato de que um poder de salvação como este jamais existiu no mundo até hoje. Assim, escreverei apenas sobre o que diz respeito às doenças neles contidas. Primeiramente, quanto à realidade da chamada medicina moderna: atualmente, todos os doentes estão numa condição psicológica de acreditar piamente que não há nada além da medicina moderna a que possam confiar suas doenças com segurança, a ponto de quase se assemelhar a uma fé. Não é só isso; as autoridades governamentais também decidiram que não há nada superior à medicina moderna, investindo anualmente enormes somas do erário público e incentivando-a ao máximo. Por isso, mesmo que exista algo eficaz fora da medicina, adota-se a política de recomendar que, na medida do possível, não se recorra a ele, sob a justificativa de que não possui cientificidade.
Sendo assim, o povo, acreditando piamente nisso, deveria, ao receber tratamento médico, do ponto de vista da ação psíquica, curar-se em grande medida. No entanto, o fato de a realidade ser surpreendentemente diferente é algo que qualquer um já deve ter experimentado.
Deixando isso de lado, vejamos agora os Relatos de Graça que enchem todas as edições do jornal da nossa Igreja. Observando qualquer um deles, vê-se que, ao adoecer, a pessoa, sem uma única exceção, primeiro recebe atendimento médico. Porém, o resultado é inesperado: de fato, melhora temporariamente, e a pessoa, aliviada, pensa "Ufa, que bom", mas então, como se algo que havia sido reprimido reagisse, a doença invariavelmente reaparece.
Por outro lado, há casos em que, por mais tratamento que receba, não só não há efeito algum desde o início, como a doença vai piorando gradativamente.
Nessa situação, pensando com o senso comum, seria natural que surgissem dúvidas quanto ao tratamento médico, mas a maioria dos pacientes não pensa assim; ao contrário, apegam-se a ele cada vez mais, sem se desvencilhar. Há alguns que, chegando finalmente à beira da morte, começam a duvidar e buscam outras terapias; essas pessoas são das mais afortunadas. Nos casos mais graves, mesmo morrendo, não abrem os olhos, e a família e todos os demais se resignam, dizendo que também era a sua hora. E há casos ainda piores: irmãos morrem um após o outro ainda jovens, e mesmo quando isso se repete com várias pessoas, ainda não abrem os olhos e continuam a confiar no tratamento médico.
A razão é a seguinte: assustados com a primeira morte, tornam-se cada vez mais temerosos da doença e pensam que, se alguém adoecer novamente, não podem se atrasar no tratamento. Ao mesmo tempo, esforçam-se para cuidar da higiene no dia a dia, tomam nutrientes, aplicam injeções e assim por diante, o que acaba, ao contrário, debilitando-os e levando-os a uma morte precoce. De todo modo, como desde os antepassados e desde a infância foram firmemente educados a crer que, para doenças, o melhor é o médico e o remédio, e essa ideia está profundamente impregnada, quando não se curam como esperado, pensam que o diagnóstico do médico estava errado ou que o médico era incompetente, e então trocam de médico ou vão para grandes hospitais. Mas, como não se curam em lugar algum, a doença vai piorando gradualmente. É claro que não percebem isso, e acabam sendo levados a uma situação de completo desespero.
E o pior de tudo são os remédios. Como não podem ficar um dia sequer sem eles, tornam-se, de forma lenta, pacientes de toxina medicamentosa crônica, chegando finalmente a um estado perigoso. São as pessoas mais espertas que, aqui, pela primeira vez, começam a duvidar dos medicamentos. No entanto, como foram alertadas desde o início, conforme descrito, pelo governo e pelos especialistas, de que não se deve confiar em terapias populares ou terapias de fé fora da medicina, hesitam e vacilam bastante. Mas, quando finalmente percebem que, na situação em que se encontram, continuar daquele jeito não adianta, e o próprio médico desiste do caso, é nesse momento que ouvem falar da nossa Igreja e vêm buscar a salvação. No início, todos, com medo e receio, recebem o Johrei cheios de dúvidas. Porém, instantaneamente a situação muda, a doença começa a melhorar, o pessimismo de ontem se transforma em otimismo hoje, e o paciente fica atônito diante de tamanha maravilha. Contudo, como a realidade é que a melhora avança cada vez mais, chega-se a um ponto em que qualquer ateu, por mais convicto que seja, não tem escolha senão render-se. Portanto, a cada vez que lemos os Relatos de Graça, sentimos profundamente o desejo ardente de que a verdade sobre o Johrei da nossa Igreja, como exposto acima, seja conhecida pelo público em geral o mais rápido possível.
Os Jornalistas e a Nossa Igreja
Eikō nº 234, publicado em 11 de novembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Desta vez, ao publicar "Coleção de Milagres da Igreja Messiânica Mundial", solicitei que fosse anunciado primeiramente nos três maiores jornais.
No entanto, embora o Yomiuri o tenha publicado prontamente, o Asahi e o Mainichi, até hoje, após três semanas, ainda não o fizeram. Diante disso, pensei que não se tratava de excesso de anúncios, mas sim de que deveria haver outra razão. Na verdade, eu já previa isso. É que, embora o Mainichi não tivesse agido assim, o Asahi recusou publicar os anúncios dos dois livros anteriores, "Salvando os Estados Unidos" e "A Terapia pela Fé na Tuberculose". Na ocasião, ao perguntar o motivo, o responsável disse que, por haver opiniões divergentes e não se conseguir chegar a uma decisão, a publicação era impossível. Assim, pensei que desta vez poderia ser algo semelhante, e agora o Mainichi também agiu da mesma forma, o que me surpreendeu. Em suma, todos os meus livros são tão extraordinários que são difíceis de serem abordados, e por isso os jornais, com receio, devem estar se esquivando, pensando "quem mexe com o que não é seu, acaba se dando mal".
É uma atitude mesquinha.
No entanto, pensando bem, não deixa de ser compreensível. Afinal, são livros surpreendentes e inéditos, como nunca se ouviu ou viu antes, e que o cérebro dos estudiosos e jornalistas atuais é absolutamente incapaz de compreender. Contudo, quanto mais difícil de compreender, maior é o valor de uma teoria como algo progressista. Além disso, uma vez que há comprovação factual, é claro que não se trata de teoria vazia ou especulação, e não deveria haver a menor margem para dúvidas. Desnecessário dizer que, se fosse algo compreensível para os intelectuais de hoje, estaria dentro dos limites do conhecimento estabelecido e, com certeza, seria algo banal. Para dar um exemplo, mesmo a teoria heliocêntrica de Copérnico e Galileu, no Ocidente, foi de difícil compreensão não apenas para os estudiosos da época, mas também para os religiosos que detinham o poder dominante, sofrendo forte oposição, sendo eles presos e até mesmo expostos a risco de vida. Assim, a angústia dos pioneiros que não são aceitos pelo mundo deve ser a mesma em qualquer época. Falando de algo mais próximo, no Japão, no final do período Edo, tudo o que era ocidental era sumariamente proibido sob o estigma de "cristianismo bárbaro". Também aqueles que, como Sugita Genpaku e Takano Chōei, tentaram aprender secretamente os estudos holandeses, ou mesmo Yoshida Shōin, que, por tentar ter contato com a cultura ocidental, sofreu tamanha perseguição, tudo isso nos faz refletir profundamente. Há uma história interessante sobre isso.
Li certa vez em algum lugar um episódio em que, quando exploradores brancos viajavam pelo interior da África, os nativos, ao encontrarem algo caído no chão, assustaram-se, gritaram e fugiram. Aproximando-se rapidamente do local, os exploradores viram que se tratava de um relógio caído, e não puderam conter o riso. Lembrando-me disso, pensei, talvez com um pouco de exagero, que aquele relógio e "Coleção de Milagres da Igreja Messiânica Mundial" são semelhantes. Dessa forma, tudo o que prego e tudo o que faço ultrapassa em muito o nível da cultura moderna, o que, ao contrário, acaba sendo um ponto negativo. Outro exemplo é o fato de que meus discípulos, que já somam centenas de milhares e continuam aumentando, são capazes de realizar milagres semelhantes aos que Jesus Cristo, adorado como Deus por centenas de milhões de pessoas no mundo, realizou. Só isso já deixaria qualquer um estupefato. No entanto, não se pode rotular isso de heresia ou doutrina falsa. Pois há uma comprovação sólida que o acompanha.
Por outro lado, também não se pode, de imediato, reconhecê-lo como uma grande descoberta. Isso exigiria uma grande dose de coragem. Afinal, o cérebro humano é formado pelo conhecimento sintético de tradições, religiões, teorias científicas etc., acumulados ao longo de centenas e milhares de anos, sendo impossível mudá-lo de repente. Não há outro caminho senão esperar o momento. Contudo, não podemos ficar de braços cruzados. Há uma razão para isso. Trata-se de uma revelação divina surpreendente: a humanidade está prestes a enfrentar uma crise iminente, como se estivesse prestes a cair de um precipício. Para salvá-la, o grande amor de Deus já preparou cordas de salvação em todos os lugares do mundo, e é certo que chegará o momento, mais cedo ou mais tarde, em que a humanidade não terá escolha senão agarrá-las. No entanto, os senhores jornalistas, que desconhecem este fato grave e, mesmo quando informados, não acreditam, acabarão por se arrepender amargamente. E, por ignorarem isso, provavelmente estão recusando o anúncio. Se fosse só isso, ainda vá lá, mas, como consequência, a maioria das pessoas infelizes perde a oportunidade de ser salva, o que é verdadeiramente lamentável.
Isso se deve unicamente ao fato de não conhecerem a verdadeira essência da nossa Igreja e a tratarem como igual às demais novas religiões. É preciso reconhecer que a nossa Igreja é completamente distinta de qualquer outra religião. Por isso, desejo ardentemente que a investiguem e a examinem a fundo. As obras que a nossa Igreja realiza atualmente constituem a criação de uma grande nova civilização, e a magnitude de seus planos é tão imensa que nada consegue igualá-la. Se, por meio disso, toda a humanidade for salva, não seria mais apropriado, neste momento, abandonar a visão estreita do Shojo e, em vez disso, apoiar a nossa Igreja? No entanto, tudo é uma questão de tempo. Quando, no futuro, o público em geral despertar para essa compreensão e ela se tornar opinião pública mundial, já será tarde demais: todos os jornais serão forçados a abordar o assunto às pressas. Se isso ocorrer, preservar a autoridade de um grande jornal, como hoje, tornar-se-á uma piada. Para evitá-lo, seria necessário, desde já, voltar o olhar para uma perspectiva ampla e global. Pode parecer pregar para o convertido, mas a missão do jornal é criar uma opinião pública correta e orientar a sociedade. Se o jornal se limitar a seguir a opinião pública, não escapará à crítica de falta de convicção. A esse respeito, o que me inspira inveja são os Estados Unidos da América.
A mentalidade progressista e liberal de seus intelectuais e da sociedade em geral, mais avançada que as anteriores, é tal que, se algo pode contribuir, ainda que minimamente, para o bem-estar da humanidade, eles o adotam sem hesitação. É a amplitude de uma visão ousada e franca, para a qual não importa se o descobridor é um estudioso, um comerciante, um operário ou um religioso. Não é sem razão que os Estados Unidos, em menos de dois séculos, construíram uma base que lhes permite liderar o mundo. Desejo que o Japão também aprenda com isso, abandone quanto antes seu espírito insular, critique veementemente o que é errado e, ao mesmo tempo, defenda energicamente o que é certo, a partir de uma perspectiva do Daijo, exercendo assim a grande missão do jornalismo. E, no final, quando esta grande obra de salvação do mundo estiver concluída, afirmo sem hesitação que o Japão se tornará um modelo sem precedentes na história da humanidade e será alvo do respeito mundial. É por isso que ouso instar os senhores jornalistas a uma séria reflexão.
Pragmatismo Religioso
Eikō nº 106, publicado em 30 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
O pragmatismo, inicialmente proposto pelo famoso filósofo americano Peirce, tornou-se uma filosofia mundial com William James, a ponto de hoje James ser considerado seu principal representante. Diz-se que a tradução dessa palavra seria algo como "utilitarismo" ou "praticismo", mas penso que "atuísmo" é o termo que realmente se ajusta. Como qualquer pessoa interessada em filosofia já sabe disso, não há necessidade de me alongar; o que desejo abordar agora é o pragmatismo religioso. Já escrevi sobre isso uma vez, mas, como quero aprofundar o assunto, torno a escrever.
À primeira vista, quando se fala em "atuísmo religioso", parece que todas as religiões estabelecidas o praticam. De fato, todos conhecem atividades como a propaganda por meio de escritos, a pregação oral, as orações, os rituais religiosos, a abstinência e as práticas ascéticas. No entanto, é lamentável que isso não se estenda à vida prática, que é o essencial. Portanto, pode-se dizer, sem rodeios, que não passa de uma espécie de cultivo espiritual à parte da vida real. Por outro lado, o pragmatismo filosófico busca incorporar a filosofia à vida real, tornando-a útil, e nesse ponto é verdadeiramente americano. Da mesma forma, eu procuro, mais do que incorporar a religião à vida real, fundi-la a ponto de estabelecer uma relação indissociável entre religião e vida prática. Por isso, ao contrário dos crentes das religiões estabelecidas até hoje, que são dogmáticos, isolados e idealistas, detesto acima de tudo o aspecto ultramundano. É claro que sou como as pessoas comuns e, além disso, esforço-me para eliminar ao máximo o odor de religiosidade, a ponto de a fé precisar estar tão incorporada que, aos olhos dos outros, não se perceba se a pessoa tem ou não fé. Ou seja, trata-se do funcionamento do corpo de resposta (oujin).
Pelo exposto, creio que o significado do atuísmo religioso tenha sido, em grande parte, compreendido.
Sejam Cidadãos do Mundo
Eikō nº 124, publicado em 3 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Os seres humanos, de agora em diante, precisam tornar-se cidadãos do mundo. Há uma história interessante sobre isso. Logo após o fim da guerra, um homem que havia sido militar veio ao meu encontro e, com uma expressão de indignação insuportável, disse: "Por mais que pense, não consigo entender esta rendição; é realmente imperdoável". Enquanto ele, tomado pela fúria, falava, eu, porém, não me sentia nem um pouco inclinado a concordar. Então, parecendo surpreso, ele perguntou: "Mestre, o senhor é japonês?". Respondi-lhe prontamente: "Não sou japonês".
Ele, estupefato e trêmulo, retrucou: "Então, de que país o senhor é?". Eu lhe disse: "Sou, na verdade, um cidadão do mundo". Diante dessas palavras, ele ficou com uma expressão vazia, como se tivesse perdido o ânimo, e pediu que eu explicasse até que ele pudesse compreender o significado. Então, conversei com ele sobre várias coisas, e agora, tomando isso como base, escreverei.
Originalmente, fazer distinções como "japonês" ou "chinês" já é o primeiro erro. Os japoneses daquela época, por terem vencido as duas guerras, a Sino-Japonesa e a Russo-Japonesa, e terem entrado repentinamente para o grupo das potências de primeira classe, ficaram eufóricos. Passaram a pensar e a fazer os outros pensarem que o Japão era um país divino, algo especial, e acabaram por provocar uma guerra como aquela. Por essa razão, desprezavam outros povos como se fossem cães ou gatos, não lhes custava nada matar pessoas de outros países e, ao seu bel-prazer, devastaram outras nações, até que, por fim, tiveram a triste experiência de uma derrota como a de hoje. Enquanto houver um pensamento como "desde que o meu país esteja bem, os outros países podem ir para o inferno", jamais se poderá esperar a paz mundial. Isso se pode compreender até mesmo tomando como exemplo apenas o Japão. Se a encararmos como uma disputa entre províncias, algo interno ao Japão, trata-se, por assim dizer, de uma briga entre irmãos, e certamente se resolveria com facilidade. Basta estender esse Caminho Perfeito para o âmbito mundial. É o que expressa o famoso poema do Imperador Meiji: "No mundo onde todos os mares são irmãos, por que se levantam ondas e se agitam tumultos?". É exatamente isso. Se todos adotassem esse pensamento, a paz mundial se estabeleceria a partir de amanhã. Se toda a humanidade tivesse um sentimento tão amplo quanto esse, todos os países do mundo seriam como uma só família; não haveria como surgirem guerras, não é mesmo?
Por esse princípio, ainda hoje as pessoas falam em "pelo bem de não sei o quê", "ideologia disso ou daquilo", formam grupos de companheiros, tratam os outros como inimigos, ou então falam em "política nacional", "alma nacional", "pelo bem da nação", "país divino", e esses pensamentos egoístas não apenas desviam o próprio país, mas também se tornam um obstáculo para a paz mundial. Portanto, nesta ocasião, ao menos todos os japoneses, tomando o tratado de paz atual como marco, devem tornar-se cidadãos do mundo, superar o pensamento Shojo até aqui e adotar o pensamento Daijo. Este é o pensamento mais avançado para o mundo futuro, e o mundo necessita desse tipo de ser humano. Mudando de assunto, o mesmo se aplica à religião. Formar facções, dizendo "religião tal", "seita tal", "escola tal", já é algo ultrapassado. No entanto, não é por orgulho: a nossa Igreja é assim. A nossa Igreja não tem o menor pensamento mesquinho de dizer "não toquem" em relação a outras religiões. Pelo contrário, alegra-se com o contato. Porque a nossa Igreja é uma causa de paz que harmoniza toda a humanidade e faz do mundo uma só família. Nesse sentido, a nossa Igreja considera qualquer religião como companheira e procura avançar amigavelmente, de mãos dadas.
Teoria do Efeito Reverso
Eikō nº 124, publicado em 3 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Observando as pessoas em geral, percebe-se que, quando se esforçam ou agem com boas intenções, não obtêm os resultados esperados. Isso ocorre porque ignoram completamente o efeito reverso, ou, em outras palavras, porque não discernem a lógica que transcende a lógica comum. Agora, explicarei isso. Se, ao ler esta explicação, for possível compreender essa lógica, haverá, inesperadamente, muitas ocasiões em que se obterá vantagem.
Primeiramente, darei alguns exemplos disso. Algo muito comum naqueles que são considerados mestres pelos seguidores é que, quando há o pensamento de querer parecer mais valioso ou ser visto como grande, as pessoas percebem a intenção oculta e, ao contrário, ela não parece nada grandiosa. Portanto, aqueles que mantêm uma atitude modesta e se contentam com uma posição inferior, ao contrário, parecem grandiosos. Há também pessoas que gostam de contar suas próprias histórias de glória, mas isso não é agradável de ouvir; quem ouve sente-se incomodado, e também não se deve ostentar. Falar apenas a verdade dos fatos é o que causa a melhor impressão, e, em qualquer assunto, falar de forma reservada faz a pessoa parecer mais refinada. Além disso, ao ajudar alguém, deve-se evitar uma forma de falar que pareça impor uma dívida de gratidão, pois isso, ao contrário, diminui o valor do favor.
O que foi dito acima é apenas uma pequena parte do assunto, mas, como em tudo existe o efeito reverso, se pensarmos bem nesse ponto, os resultados serão inesperadamente bons. Certa vez, uma pessoa que eu não queria encontrar veio falar comigo repetidamente por intermédio de outros; sem alternativa, encontrei-me com ela. Essa pessoa perguntou: "Que tipo de divindade é a Igreja Messiânica?" Como respondi que não sabia, ela então perguntou: "O Senhor Meishu-Sama deve saber tudo sobre o futuro do mundo, não é?" Respondi que, como não sou uma divindade, não sabia absolutamente nada. Parecendo decepcionada, ela nunca mais voltou.
Há também casos de terrenos que eu queria comprar e a outra parte queria vender. Quando eu perguntava, eles se aproveitavam e pediam um preço alto. Então, eu os deixava de lado por um tempo. A outra parte, preocupada, vinha perguntar. Quando eu dizia que não precisava mais, eles acreditavam nisso e ofereciam um preço muito baixo. Antigamente, muitas pessoas vinham tentando me enganar para que eu lhes desse dinheiro. Nesses casos, antes que a outra parte dissesse algo, eu mesmo dizia que estava com dificuldades financeiras e perguntava se eles conheciam algum lugar onde eu pudesse pedir dinheiro emprestado. Então, a outra parte ia embora em silêncio. Além disso, quando acho que uma pessoa será útil no futuro, trato-a propositalmente com frieza. Então, essa pessoa, ao contrário, se esforça ao máximo e faz um bom trabalho. Considero essas pessoas excelentes e as emprego em posições importantes. Ainda há muitos outros exemplos, mas compreender esse princípio do efeito reverso é de grande utilidade.
Lendo os Relatos de Graças
Eikō nº 151, publicado em 9 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
Quem lê os relatos de graças abundantemente publicados em todas as edições do jornal da nossa Igreja provavelmente compreenderá bem: pessoas que, ao enfrentar perigos, tiveram a vida salva por um triz; lares sombrios que se tornaram alegres; rendas que aumentaram; coisas que passaram a fluir sem problemas; em todos os aspectos, recebendo a proteção de Deus e tornando-se, passo a passo, uma família do Paraíso. Isso é exatamente o que o nome "Igreja Messiânica" sugere, e nem é preciso mencionar que ela está salvando o mundo. No entanto, gostaria de escrever com franqueza, conforme sinto, sobre o que há de mais importante entre as diversas graças: a doença.
Sem uma única exceção, todos confiam inicialmente na terapia e se apegam aos médicos até o fim; mas, contrariando as expectativas, a doença gradualmente piora. Isso se manifesta com clareza em qualquer enfermidade, e se as pessoas comuns lessem isto, provavelmente se surpreenderiam com o inesperado. No entanto, quando, por alguma circunstância, abandonam a terapia, o fato é que, inesperadamente, ainda que aos poucos, há uma melhora. Por outro lado, quanto mais o médico aplica com grande zelo os mais modernos tratamentos, por todos os meios, não só a doença piora cada vez mais, como também vão surgindo, uma a uma, complicações inesperadas, até que, finalmente, a pessoa fica com cinco ou seis doenças, não sabendo mais o que fazer, e o próprio médico, sem ter mais como tratar, acaba jogando a toalha.
No entanto, na maioria dos casos, o médico afirma na primeira consulta, com toda a convicção: "Sua doença é leve, vai sarar logo" ou "Em algumas semanas, com certeza melhorará". O paciente acredita piamente, mas o resultado é justamente o oposto, e a dúvida se instala. Então, a pessoa passa a receber tratamento em vários lugares — vai a um hospital, depois a outro médico —, mas não sara de jeito nenhum. Pelo contrário, só piora, e é aí que perde a esperança. Não são poucos os que, no auge do desespero, chegam a pensar em suicídio. Além disso, já gastaram uma grande quantia em despesas de tratamento, ficando também financeiramente sem saída, o que só aumenta o desespero. Leio constantemente relatos desse tipo de trajetória e, como não se trata de invenção, mas do estado de espírito da pessoa naquele momento, retratado com sinceridade, sempre que leio, não consigo conter as lágrimas, vez após vez.
Como exposto acima, é evidente demais que a chamada medicina não só não tem capacidade de curar as doenças, como constitui um método que as agrava. Diante disso, seria de esperar que os senhores médicos se dessem conta, mas não há nenhum sinal disso. De fato, quando se aplica um tratamento, há uma melhora temporária, e por isso se conclui precipitadamente que o paciente está curado. A verdade, porém, é que essa melhora nunca dura muito. Inevitavelmente, surge uma reação, a doença reaparece e piora ainda mais do que no início. Apesar disso, não perceberem isso é, pensando bem, incompreensível. Só posso crer que estejam acometidos por uma superstição profundamente enraizada.
Essa lógica se aplica também aos novos medicamentos para tuberculose que, ultimamente, têm surgido sem parar. Como todos sabem, esses remédios que nascem e desaparecem, desaparecem e nascem são sempre aclamados no início; com o tempo, porém, vêm à tona seus defeitos: ou não têm efeito algum, ou, quando têm, são bons para um lado e ruins para outro. Assim, repete-se a mesma história o ano inteiro, e isso também pode ser considerado um dos mistérios. Na verdade, porém, não há mistério nenhum; é algo natural. Isso porque o efeito inicial não é um efeito de cura, mas apenas de alívio do sofrimento; além disso, ao se acrescentar a toxina medicamentosa para interromper a purificação, ocorre o oposto — a recaída. Então, a dúvida recai sobre o remédio, e ele acaba sendo considerado inútil. Só por esse fato já se percebe que o efeito dos medicamentos é temporário e que não podem curar radicalmente; entende-se também a causa do surgimento incessante de novos remédios.
Se é assim, não seria justamente o cérebro dos estudiosos da medicina moderna — que não conseguem compreender uma lógica tão simples e clara — um objeto de estudo? Não tenho a intenção de falar mal da medicina, mas não posso ficar de braços cruzados vendo a confusão da medicina e a infelicidade dos pacientes sem despertá-los para esta verdade. O médico deseja curar a doença do paciente, e o paciente confia absolutamente na medicina, chegando a confiar-lhe a própria vida. No entanto, na realidade, isso agrava a doença e reduz a vida a zero — não é algo que se possa chamar apenas de ignorância. O que gostaria que considerassem especialmente é o seguinte: se Deus existe, diante da humanidade que sofre e se angustia sem despertar para essa situação trágica, será que o grande amor de Deus permaneceria em silêncio para sempre?
Como se diz desde os tempos antigos, se o ser humano é filho de Deus, é natural que Ele estenda a mão da salvação. Dito isso, tudo tem o seu tempo. Também me foi revelado que, no Plano Divino de Deus para o mundo, nada pode ser feito até que o momento chegue.
Felizmente, esse momento finalmente chegou, e Deus me escolheu, a mim, confiando-me essa grande missão. Portanto, recebi a revelação da origem da patologia e também me foi concedido o poder de curar as doenças. Assim, este texto expôs corajosamente as falhas da medicina; contudo, uma vez compreendida a razão acima, não deve haver qualquer dúvida.
Eu e a Doença
Eikō nº 80, publicado em 29 de novembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Na manhã do dia vinte e nove de outubro, assim que despertei, senti o corpo todo mole e não tive ânimo para me levantar.
Ao tocar o corpo com a mão, percebi que estava com febre considerável, e a região do baixo-ventre era a mais quente. Na noite anterior, ao deitar, já havia achado que algo estava estranho; com certeza, aquilo havia começado desde então. Não havia nenhuma outra anormalidade, mas as fezes eram líquidas e apresentavam coloração avermelhada. Pensei: "Ah, é uma disenteria leve." Se fosse disenteria, curaria em meio dia ou um dia, então fiquei tranquilo. Por isso, deixei o futon estendido e fiquei descansando. Perto do meio-dia, melhorei bastante e comi cerca de metade do meu almoço habitual. Para recuperar as forças, servi um pouco de vinho em um pequeno copo e bebi apenas um. No entanto, uma ou duas horas depois, passei a me sentir mal novamente, e até senti uma leve dor abdominal. Da tarde para a noite, a situação se tornou cada vez mais desagradável. Naturalmente, apliquei Johrei em mim mesmo várias vezes e, como à noite consegui até assistir a um filme, não era algo grave; mas, se fosse disenteria, já deveria estar quase completamente curado. Estranhei não estar melhorando muito quando, de repente, percebi: tratava-se de uma intoxicação por vinho. Era um vinho de fabricação japonesa antiga e famoso — por pena, omitirei o nome —, do tipo doce e tinto, e era por isso que as fezes estavam vermelhas. Refletindo melhor, lembrei que na noite anterior havia bebido o dobro do habitual, e essa foi a causa. Como mencionei anteriormente, desde a manhã do início dos sintomas eu vinha melhorando um pouco com o auto-Johrei, mas piorou novamente com aquele copo ao meio-dia, o que agora fazia sentido. É curioso como, quando se descobre a causa, mais da metade do sofrimento diminui; é realmente uma questão de nervos. No dia seguinte, dia trinta, fui a Tóquio, mas estava tão cansado que não havia jeito. Forcei-me e, apoiando-me em uma bengala, fui ver a Nitten, em Ueno; isso, ao contrário, me fez sentir melhor, e a partir do dia seguinte voltei praticamente ao normal.
Esta é uma doença leve e comum, que nem valeria a pena escrever, mas há duas razões pelas quais devo fazê-lo. A primeira é a intoxicação por vinho. As pessoas em geral devem pensar que é impossível intoxicar-se com um vinho que se bebe até como remédio; os fatos, porém, são como relatei, e é preciso muita atenção. A causa deve ser a quantidade excessiva de conservantes ou, se não, a presença de alguma outra substância tóxica. Há mais de vinte anos, eu já me intoxicara com esse mesmo vinho e, por muito tempo, deixei de bebê-lo. No ano passado, comecei a experimentá-lo aos poucos e, como não senti nada de anormal, fiquei tranquilo e aumentei gradualmente a quantidade, o que resultou nesta intoxicação. A segunda razão é o fato de eu ter ficado tranquilo ao pensar que era disenteria, como mencionei.
Se uma pessoa comum visse isso, ficaria muito surpresa, pois as pessoas em geral fazem um grande alvoroço quando se fala em disenteria. No entanto, se compreendermos a verdadeira essência da doença, ela não é nem um pouco assustadora. Qualquer um pode chegar a esse estado. Eu também tenho febre de vez em quando; nesses casos, assim que a febre surge, já fico tranquilo, levanto-me de um salto e começo a trabalhar normalmente. Naturalmente, seja diarreia, dor de cabeça, resfriado ou qualquer outra enfermidade, tudo não passa de um processo de purificação e, como é certo que a cura completa virá, não há a menor preocupação. Além disso, como as toxinas estão diminuindo, chego a ficar feliz e a celebrar o futuro. Por isso, não me importo nem um pouco com micróbios. Mesmo que eu seja infectado, eles purificam o sangue, e sou grato por isso. Ironicamente, desde que compreendi esse princípio, nunca mais fui infectado.
Isso não se aplica apenas a mim. Somando minha família, subordinados e parentes próximos, só aqueles ao meu redor já somam dezenas de pessoas, e todas, sem exceção, agem da mesma forma que eu. Quase não há quem fique de cama por doença. Quando, raramente, alguém pega um resfriado ou tem uma diarreia, aplica Johrei em si mesmo ou pede a um amigo e, dormindo por um ou dois dias, fica curado. O que escrevi acima não é teoria, mas a pura verdade.
Se alguém conhecer a verdadeira essência da doença, despertar para o princípio da saúde e acreditar em Deus, qualquer um pode alcançar esse estado. Escrevi este texto porque quero que se saiba como vivemos, dia após dia, com grande tranquilidade e alegria.
A Calamidade dos Tufões
Eikō nº 230, publicado em 14 de outubro do ano 28 da Era Showa (1953)
Como é sabido, provavelmente não há memória de um ano em que tufões tão terríveis tenham surgido um após o outro como neste ano. E, se convertêssemos em valores os danos causados por essas catástrofes — pessoas e animais, campos, estradas, diques, pontes, navios, etc. —, não se poderia sequer estimar a quantia alcançada. Lamentavelmente, porém, quanto às medidas contra esses tufões, tanto o governo quanto as autoridades locais vêm empregando diligentemente, há muito tempo, todos os recursos possíveis, como se fosse um evento anual. Mas, em toda parte, as finanças estão exauridas como um entardecer de outono, e é muito difícil executar os planos conforme o previsto — a situação é de total impotência, sem que se possa fazer absolutamente nada.
Diante disso, a ansiedade em relação aos inúmeros tufões que certamente virão no futuro é tamanha que só de pensar já se fica aterrorizado.
Tudo isso se deve ao fato de a verdadeira natureza dos tufões ser completamente desconhecida, e escrevo isto aqui para esclarecer sua causa fundamental. Desnecessário dizer que essa causa é fruto da superstição científica, pela qual se procura resolver tudo com métodos materialistas. Enquanto essa forma de pensar estiver desviada da causa fundamental, não passará de um paliativo temporário.
Por essa razão, a menos que se recorra ao método espiritualista — o conhecimento da verdadeira causa —, uma solução permanente é impossível. Afinal, o que é o método espiritualista? É conhecer a verdadeira causa geradora dos tufões e estabelecer medidas adequadas a ela. Como tenho dito repetidamente, os tufões não são desastres naturais, mas sim desastres causados pelo homem, devido a uma ignorância tão espantosa que o homem os cria e sofre com eles. Dizer isso surpreenderá as pessoas modernas; por isso escrevo detalhadamente, para abrir os olhos do público em geral.
Em primeiro lugar, este mundo é composto de duas partes — a matéria visível e o espírito invisível —, à maneira da palma e do dorso da mão; pode-se pensar que a superfície, a palma, é o corpo, e o verso é o espírito. Ou seja, superfície e verso estão unidos como um só. E, como é lei de todas as coisas que o espírito é o principal e o corpo o secundário, tudo o que ocorre no mundo material surge primeiro no mundo espiritual e depois se transfere para o mundo material. Logo, é natural que os tufões também surjam primeiro no mundo espiritual; basta não criar essa causa geradora — não há outro método além deste. No entanto, os seres humanos que ignoram essa verdade tomam como objeto apenas o aspecto material, que é o resultado. Isso é exatamente igual à terapia sintomática da medicina: um efeito apenas temporário. E qual é a causa espiritual? É o obscurecimento do mundo espiritual. Quando essas nuvens espirituais ultrapassam um certo limite, ocorre aqui um mecanismo de purificação natural.
Isso é o tufão. Portanto, basta não criar essas nuvens espirituais; para isso, deve-se prestar atenção aos pensamentos e às palavras dos seres humanos. Os pensamentos que pertencem ao mal — ódio, inveja, despeito, rancor, ciúme e desigualdade — refletem-se no mundo espiritual, tornando-se causa de irregularidades climáticas e obscurecendo a primeira dimensão. As palavras e as ações que pertencem ao mal — calúnia, difamação, engano, lamentação, baixeza e todos os tipos de pecados —, por sua vez, obscurecem a segunda dimensão. Isso é eliminado pela ocorrência do mecanismo de purificação natural chamado tufão. Há também a contaminação do solo por fertilizantes, como adubo humano e adubo químico — causas puramente materiais —, e por produtos químicos para prevenção de pragas e doenças; para purificar isso, a natureza os lava com água por meio de grandes chuvas.
Desse modo, como tudo é criado pela ignorância humana, é natural que, conhecendo isso e não criando as causas, o problema se resolva, transformando grandes calamidades em pequenas e pequenas calamidades em nenhuma. Essa é a verdade do universo; portanto, afirmo categoricamente que não há efeito fundamental senão seguir isso.
Considerações Filosóficas sobre a Medicina Moderna
Eikō nº 161, publicado em 18 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Tenho apontado constantemente os pontos obscuros da medicina moderna; aqui, porém, gostaria de criticá-la de uma perspectiva filosófica, que não se apoia nem na ciência nem na religião.
A esse respeito, primeiramente, quanto à entidade do ser humano. Ao nascer, toda pessoa chora, bebe o leite dos pais e, à medida que cresce, passa a ingerir alimentos sólidos. Graças às bênçãos do ar, da água e do sol, torna-se um adulto independente; então manifesta suas características e habilidades inatas e vem a integrar a estrutura social. É desnecessário dizer, mas poucos agem conscientemente; a maioria, inconscientemente, assume seus respectivos papéis. Refletindo bem, vemos que somos tão decididamente subordinados que não podemos deixar de pensar que fomos ordenados por algo invisível — a isso os seres humanos dão o nome de destino. No entanto, são pouquíssimos os que se satisfazem com esse destino; a maioria sente insatisfação e tenta rebelar-se contra ele. Mas o destino é realmente irônico: quanto mais se lhe resiste, mais se sofre seu contra-ataque, caindo na infelicidade. Ao contrário, ser obediente ao destino acaba trazendo mais felicidade, como se percebe bem quando se observa com atenção. Assim, ao nos aprofundarmos nesse assunto, não podemos deixar de acreditar que alguém segura as rédeas do destino e o manipula com total liberdade. E esse alguém é o governante deste mundo, ou seja, o Absoluto. Não podemos deixar de crer nisso. No entanto, deixando de lado o Absoluto mencionado, existe outra coisa que influencia o destino humano, algo que todos podem compreender facilmente.
O que é isso? É a doença. Ela é um elemento terrivelmente problemático, uma existência tirânica que abala incessantemente a vida única do ser humano. Fica evidente, portanto, que as chaves do destino estão nas mãos do Absoluto — ou seja, Deus — e também da doença. Aliás, desde os tempos antigos existe a expressão “deus da doença”, o que mostra que não se trata de algo totalmente sem relação. Diante disso, se ao menos pudéssemos conquistar a doença, metade do destino humano estaria resolvida.
Mas será que existe neste mundo um poder capaz de conquistar a doença? É claro que, até agora, esse poder não existia; mas hoje, no século XX, ele surgiu — o que é uma grande questão. Trata-se, como todos sabem, do nascimento da nossa Igreja Messiânica, e a chave para a felicidade de que falo está seguramente em nossas mãos. Portanto, à medida que a nossa Igreja se espalha pelo mundo, os doentes diminuirão gradualmente e, como resultado, é natural que a longevidade humana ultrapasse os cem anos. No entanto, observando os fatos atuais, as pessoas dizem que hoje se chega aos sessenta ou setenta anos graças ao avanço da medicina, mas isso é uma visão extremamente limitada e absurda. Isso porque, mesmo há mais de dois mil anos, quando a medicina não existia, como revelam os registros históricos, a longevidade acima de cem anos parece ter sido comum.
E, naquela época, não havia absolutamente nenhum medicamento, o que deve parecer extremamente incompreensível aos homens modernos. Refletindo bem: se a medicina, criada pelo médico-santo Hipócrates há mais de dois mil anos, chegou a esse ponto de avanço e ainda assim se encontra como descrevi, não é preciso gastar palavras para afirmar que deve haver um grande erro em algum lugar.
Além disso, se observarmos a situação atual, extremamente preocupante — o número de doenças aumenta a cada ano e a ameaça das doenças infecciosas se intensifica cada vez mais —, a gravidade é incomparável à dos antigos. Apesar disso, o sonho ilusório da fé na medicina está longe de se dissipar; ao contrário, avança cada vez mais cegamente, de modo que não há palavras para descrever tal ignorância.
Por essa razão, as pessoas em geral concluem que as doenças não se curam facilmente e que, por mais que a medicina avance, é difícil resolver o problema das doenças. No entanto, acreditam vagamente que, se a medicina for aprimorada, o problema será resolvido. Mesmo os especialistas, acreditando nisso, dedicam-se com entusiasmo ao estudo e à pesquisa e, como resultado, criam novos medicamentos e novas terapias um após o outro. Mas, como a raiz está fundamentalmente equivocada, os efeitos são todos temporários e, com o tempo, tornam-se inúteis. Exemplos disso aparecem constantemente, a ponto de nos cansarmos. Portanto, entre os especialistas, os que têm consciência nutrem dúvidas sobre o avanço da medicina e, ao conhecerem nosso método do Johrei, parece que há um número considerável de pessoas que pensam em se converter.
No entanto, como estão envolvidos o prestígio do título e também a insegurança econômica, parece que não conseguem decidir-se facilmente. Para salvar o mundo atual — tão iludido, miserável e trágico como descrevi —, o Deus Supremo, por meio da nossa Igreja Messiânica, está prestes a revelar a verdade da medicina a toda a humanidade.
Religião Celestial e Religião Infernal
Eikō nº 127, publicado em 24 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Quando se fala em religiões mundanas, acredita-se que seus fiéis recebem grandes benefícios, tanto espirituais quanto físicos; alcançam tranquilidade e paz de espírito, formam lares fel
Essa pessoa provavelmente também não ignora isso, mas, devido ao intenso sofrimento físico, talvez nem tenha serenidade para pensar em tais coisas. Em suma, o espírito é salvo, mas o corpo não. Pode-se dizer que metade é salva, e a outra metade não. Portanto, ser verdadeiramente salvo significa sê-lo tanto no espírito quanto no corpo. É provável que não exista no mundo uma religião assim. Dessa forma, as pessoas se tornam fiéis das religiões estabelecidas pensando que, ao menos, querem ser salvas pela metade. Isso está muito distante do Paraíso; é, afinal, apenas uma salvação infernal.
Acima de tudo, é evidente que as grandes religiões de hoje quase todas administram hospitais. E, o que é pior, a sociedade aprova isso, considerando-o um belo trabalho religioso. Isso nada mais é do que declarar que a religião não tem absolutamente nenhum poder de cura. A rigor, a religião deveria ser uma existência metafísica, superior à ciência; mas, desse jeito, está se tornando inferior a ela. Em suma, a religião perdeu sua própria vida. Em contrapartida, vejam os resultados da cura de doenças, característica marcante da nossa Igreja. Na realidade, estamos curando, um após outro, pacientes que a ciência não consegue tratar de forma alguma. O que mais se poderia chamar de religião viva, senão isso?
Em segundo lugar, a nossa Igreja incentiva enormemente a arte. Embora existam muitas religiões estabelecidas, é improvável que haja outra que dê tanta importância à arte quanto a nossa. Isso porque, como sempre digo, o Paraíso é o mundo da arte. Ou seja, como a arte é a Beleza dentro da Verdade, do Bem e do Belo, ela é algo da mais alta importância. Nem é preciso dizer que a influência da Beleza sobre o ser humano não pode ser subestimada.
Isso porque a Beleza alegra o coração e, inconscientemente, eleva o caráter e cultiva o pensamento de amor à paz. Isso se compreende bem observando a grande natureza. Em primeiro lugar, está a beleza das paisagens montanhosas e aquáticas.
A beleza das paisagens que admiramos em viagens pelas quatro estações lava e purifica as impurezas do cotidiano, restaura a vitalidade, nutre um espírito claro e alegre e ainda enriquece nosso conhecimento histórico.
Além disso, em qualquer cidade ou vila, a vegetação verde, as cores das flores, o canto dos pássaros, as borboletas dançando nos campos primaveris, a atmosfera melancólica dos insetos do outono — todas as coisas que alegram o ser humano estão repletas na Terra.
Ao erguer os olhos para o céu, o brilho do sol, da lua e das estrelas convida o coração humano a um reino de mistério eterno. Se assim é, o que mais seria tudo isso senão a manifestação da profunda Vontade Divina?
Além disso, no que diz respeito à comida e à bebida, sem mencionar as dádivas das montanhas e do mar, quantas são as coisas que alegram o paladar humano! Mas quero falar especialmente da beleza inerente ao próprio ser humano: as formas dançantes, a beleza das vozes que cantam, a harmonia dos atletas, a beleza do corpo feminino e, naturalmente, a pintura e a escultura, habilidades inatas ao ser humano, além das diversas artes e ofícios, da arquitetura, da beleza dos jardins — enumerá-los seria interminável. Este mundo está verdadeiramente repleto da beleza da natureza e do ser humano. Ao observar tudo isso, só se pode pensar em onde reside a Vontade Divina. Sem dúvida, parece que tudo isso não é senão a preparação dos elementos para a construção do futuro Paraíso.
Nesse sentido, estou atualmente construindo o Paraíso Terrestre como um modelo disso. Este conceito é uma síntese harmoniosa de toda a beleza natural e artificial, e provavelmente será uma obra de arte inovadora e sem precedentes, que ninguém jamais tentou até hoje. Com isso, pretendo que todos despertem para a Vontade Divina, aprofundem a alegria da vida e contribuam grandemente para a elevação do caráter. Portanto, pode-se perceber que a nossa Igreja é, de fato, uma religião paradisíaca.
No entanto, as religiões estabelecidas sempre foram extremamente indiferentes a essa noção de Beleza. Pelo contrário, tiveram a ilusão de que negar a Beleza era algo inerente à própria religião. A maioria dos fiéis religiosos, quanto mais devotos, mais se contentam com roupas e alimentos simples, vivem em cabanas de palha e se satisfazem com o mínimo para sobreviver. Isso não é de forma alguma a Verdade, o Bem e o Belo; talvez se possa dizer que é a Verdade, o Bem e o Feio. Quando se entra na casa de tais fiéis, sente-se uma umidade e uma melancolia, uma verdadeira sensação de Inferno, como é de conhecimento geral. Gostaríamos de chamar isso de "Inferno da fé". Como eles veem o nosso lado com essa mentalidade, é impossível que nos compreendam. Afinal, vendo com olhos infernais, parece que os métodos da nossa Igreja estão errados. No entanto, essa própria forma de ver é que é uma superstição terrível. Portanto, quero destruir essa superstição, despertá-los e fazê-los reconhecer que a religião paradisíaca é a verdadeira religião.
Vendo por esse ângulo, o problema reside no estado atual do mundo. Isso porque não apenas a superstição científica, mas também a superstição religiosa se somam para criar o Inferno. É preciso fazer com que compreendam plenamente esse ponto cego. Para isso, é necessário o surgimento de uma super-religião, que está além da religião, ou seja, uma religião paradisíaca. E afirmo claramente que essa é a nossa Igreja Messiânica. A razão é que, até agora, era o Mundo da Noite, mas, finalmente, está prestes a ocorrer a transição para o Mundo do Dia. Saibam que a nossa Igreja Messiânica nasceu agora com a grande missão de criar o Paraíso.
O Orgulho do Japão
Eikō nº 241, publicado em 1 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Como é de conhecimento geral, pode-se dizer que, infelizmente, desde os tempos antigos, quase nada houve no Japão que pudesse ser motivo de orgulho mundial.
Se forçarmos a busca, entre as coisas criadas pelo homem, talvez se encontre algo como a cultura da beleza, a exemplo da pintura e da escultura. Desnecessário dizer que, mesmo em relação à religião, à ciência e a outras culturas intangíveis, nada houve que superasse o estrangeiro. Isso provavelmente se tornou a causa da imitação característica dos japoneses e também de seu complexo de inferioridade. Contudo, é de se alegrar! A Medicina do Espírito Divino, que criei por meio da revelação divina, é algo grandioso, provavelmente nunca visto antes na história registrada, e não será exagero dizer que este é o primeiro motivo de orgulho mundial nascido no Japão. Portanto, quando a verdade disso for compreendida, o mundo inteiro ficará estupefato.
E quão maravilhosa é esta descoberta? Afirmo que, motivada por ela, a civilização mundial dará uma guinada de cento e oitenta graus, e uma nova civilização nascerá. Por conseguinte, quando isso acontecer, os japoneses, surpreendidos como se fosse a primeira vez, serão envolvidos num turbilhão de grande alegria, a ponto de não saberem onde pisam, dançando e batendo palmas. Afinal, isso é a realização do sonho de que a doença — a maior preocupação que toda a humanidade desejava e ansiava há milhares de anos — será banida, e a longevidade humana ultrapassará facilmente os cem anos.
Dessa forma, penso que, por ser um evangelho demasiado inovador e inesperado, talvez seja necessário um tempo considerável até que se possa acreditar plenamente nele, ficando estupefato.
De todo modo, mais cedo ou mais tarde, essa verdade certamente se tornará conhecida do público em geral. Quando isso acontecer, parece-me evidente que, em primeiro lugar, os japoneses ficarão atônitos. Em seguida, quando finalmente se tornar conhecida no mundo, é natural que qualquer povo, não importa o que tenha que sacrificar, se lance a ela. Como resultado, hoje, ao chegarmos à segunda metade do século XX, a história do mundo será reescrita, e o Japão será venerado como o salvador do mundo. Além disso, como as profecias de inúmeros santos, começando por Buda e Cristo, terão se concretizado aqui, a alegria dos fiéis desses ensinamentos também será imensa. Como consequência, o mundo de sofrimento se transformará numa terra de alegria e felicidade, e o mundo ideal da humanidade dará o primeiro passo para sua realização. E isso não é um mero sonho. Vendo a realidade avançar concretamente, podemos ter absoluta certeza.
Uma Força Que Nenhuma Outra Religião Possui
Eikō nº 128, publicado em 31 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Conforme o título indica, a nossa Igreja possui uma força que não se vê em nenhuma outra religião, e vou escrever sobre ela agora. O ponto que a torna especial é o aspecto econômico. Falando das religiões em geral, desde os tempos antigos as despesas para manter e administrar uma determinada seita ou organização são, obviamente, cobertas por doações de todos os fiéis, e em alguns santuários xintoístas e templos budistas há também oferendas em dinheiro dos visitantes. Isso é particularmente verdadeiro nas novas religiões: como a administração ativa predomina, os gastos com diversas coisas, a começar pelos prédios, acabam sendo surpreendentemente altos, e é preciso arcar com eles, mesmo que à força. Dependendo da religião, quando um fiel se torna um pouco mais dedicado, é constantemente pressionado a fazer doações, empobrecendo ano após ano; é comum ver até mesmo fiéis antigos que se tornam como "bagaço de cana". Isso parece ser uma das causas para que as pessoas desconfiem ou evitem as novas religiões. Como sempre digo, mesmo que sejam salvos espiritualmente, não estão sendo salvos materialmente.
No entanto, na nossa Igreja, como sua premissa é criar um mundo sem doença, pobreza e conflito, é necessário resolver não apenas a saúde, mas também a pobreza. Neste ponto, Deus concede uma grande bênção. Antes de tudo, quando alguém se torna seguidor da nossa Igreja, mesmo aqueles que inicialmente sofriam com a pobreza vão melhorando gradualmente e, após um ou dois anos, as preocupações com dinheiro desaparecem completamente. É claro que há uma base sólida para isso. Isso porque, ao se converter, desde aquele mesmo dia, a pessoa recebe o poder de curar as doenças dos outros. Assim, qualquer pessoa, após alguns meses de conversão, pode curar completamente pacientes de quem os doutores já haviam desistido, ou que haviam recebido sentença de morte. Tendo recebido tão grande benefício, a pessoa sente que precisa agradecer e faz doações para a sede da nossa Igreja como forma de agradecimento a Deus. Portanto, na nossa Igreja, é possível realizar uma administração em grande escala, algo que outras religiões jamais poderiam imitar, atraindo a atenção do mundo.
Como resultado, jornais e revistas frequentemente publicam números absurdos, dizendo que a Igreja Messiânica tem uma renda enorme ou que possui tais e tais propriedades; mas, pelas razões expostas, pode-se dizer que é inevitável que seja vista dessa forma.
Outra força que não se vê em nenhum outro lugar é que, ao se tornar seguidor da nossa Igreja, a preocupação com doenças desaparece. E não apenas para os seguidores da nossa Igreja: até mesmo os membros de sua família, se adoecerem, podem ser curados facilmente com o Johrei que qualquer um pode realizar. Assim, médicos e medicamentos se tornam desnecessários, e não há quem sofra de doenças prolongadas. A bênção que isso traz para o aspecto econômico e para o espírito é imensa. Como quase não há pessoas que faltem ao trabalho por doença, o benefício em termos de eficiência é enorme. Certamente, por mais vasto que seja o mundo, não deve existir uma religião ou organização como esta.
E há ainda mais: não há pessoas que cometam injustiças. Como nada há de complicado, não dá trabalho algum, e o ambiente é agradável — uma bênção indescritível em palavras ou por escrito. E, como tudo é feito pelos próprios fiéis, eles se empenham com sinceridade para não fazer nada inútil ou prejudicial, de modo que tudo prossegue simples e tranquilo. Nas obras de construção civil, por exemplo, mais da metade são voluntários. Cada um, levando o próprio alimento e sem receber salário, trabalha com sinceridade e entusiasmo; o aumento da eficiência é surpreendente, e pode-se dizer que o serviço fica rápido e bem-feito. Aliás, mesmo os trabalhadores contratados no início acabam se tornando fiéis com o tempo, de modo que hoje se pode dizer que todos são fiéis. Acima de tudo, a rapidez com que as construções de nossa Igreja progridem e a excelência do resultado final admiram todos quantos as veem.
Assim, não há necessidade alguma de supervisores de trabalho, como se vê no mundo. De vez em quando, eu mesmo dou algumas instruções; mas, como há quase total liberdade, ninguém quer ficar ocioso ou fazer corpo mole. É claro que esses pontos também se encontram em outras religiões; porém, como escrevi antes, a força peculiar de nossa Igreja reside no fato de que os fiéis, enquanto realizam atividades religiosas, quase nunca adoecem e, como não há pessoas desonestas, podemos confiar neles com tranquilidade. Compreende-se, assim, por que nossa Igreja tem mostrado desenvolvimento sem precedentes. A esse respeito, penso sempre na grande quantidade de elementos malignos em todas as classes da sociedade atual.
Portanto, o que aconteceria se todos os funcionários públicos, empregados de empresas, trabalhadores e todos os demais empregados se tornassem seguidores da Igreja Messiânica? Certamente alcançariam uma capacidade maravilhosa e uma felicidade inimaginável, e não há dúvida de que o Japão se tornaria uma nação modelo para o mundo — posso garantir isso com toda a certeza.
O Feudalismo Científico
Eikō nº 149, publicado em 26 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Ultimamente, o público em geral parece ter percebido quão maravilhosos são os efeitos do Johrei de nossa Igreja, incomparáveis aos da medicina moderna.
No entanto, de tempos em tempos surgem dificuldades imprevistas ligadas a isso, e é sobre elas que gostaria de escrever. Por mais que se diga que o Johrei possui efeitos extraordinários, é claro, até pelo senso comum, que não é possível curar cem por cento das pessoas. Infelizmente, de vez em quando, algumas pessoas morrem. Quando isso ocorre, os que normalmente se opõem a nós tratam de fazer disso um problema, como se dissessem: “Bem, não foi o que dissemos?”
Aproveitando-se da ocasião, como se estivessem à espera dela, publicam o caso nos jornais, como todos sabem.
Quanto aos médicos, mesmo em meu círculo de conhecimento ouço com frequência histórias de pessoas que morrem subitamente devido a uma única injeção, de pacientes que, aceitos para tratamento desde o início, pioram gradualmente até falecer, e de mortes decorrentes de erros cirúrgicos.
Ainda assim, ninguém vê nessas situações algo de anormal; não há quem as questione ou condene.
Às vezes, parentes próximos, tomados de indignação, chegam a pensar em processar; mas diz-se que, mesmo quando o processo acontece, é muito difícil o caso se resolver de forma satisfatória, restando quase sempre sofrer em silêncio e resignar-se.
Assim, em uma avaliação justa, o número de fracassos da medicina é incomparavelmente maior que o do Johrei; não seria exagero dizer que a proporção é de um para dez. Mesmo assim, a medicina é verdadeiramente privilegiada nesse ponto. Como é de conhecimento geral, recebe forte proteção governamental do início ao fim; o resultado não se torna problema, e os médicos realizam seus tratamentos como bem entendem. Conosco ocorre o contrário: por mais notáveis que sejam os efeitos, são frequentemente tomados como meras curas psicológicas; se ocorre o menor fracasso, somos alvo das críticas e ataques já mencionados.
A isso deveríamos chamar o extremo da superstição médica. Naturalmente, não é algo que começou hoje; há inúmeros exemplos desde os tempos antigos, e é provavelmente o sofrimento inerente ao destino dos pioneiros. Por que, então, tamanha injustiça persiste mesmo nesta sociedade avançada? Pensando bem, a razão deve ser a seguinte.
Antes de tudo, quanto à postura fundamental do Estado moderno: como sua condição básica está alicerçada na ciência materialista, há falta de discernimento, que leva a tratar quase tudo o que não seja ciência como superstição e a excluí-lo por isso. No entanto, por mais avançada que a ciência possa ser, ela não é onipotente. É certo que existem muitas coisas que a ciência não pode resolver. Apesar disso, é estranho que não se volte o olhar para esse ponto. A atitude de depositar expectativas quase cegas apenas no progresso da ciência deve-se, como sempre digo, ao fato de estarem completamente cativos da superstição científica. Em razão dessa superstição, é incalculável a extensão dos desastres infligidos à humanidade. O exemplo mais notável são os próprios erros da medicina. Contudo, a superstição profundamente enraizada não percebe isso: considera a medicina o único caminho e, por mais eficaz no tratamento de doenças ou útil à sociedade que qualquer outra coisa seja, recusa-se a olhar para ela. Em suma, pode-se dizer que o Japão atual vive um completo “feudalismo científico”. Isso, porém, não deixa de ter sua razão de ser. Antes do advento da era científica como a de hoje, a superstição era desenfreada e causava muitos danos à sociedade, como a própria história demonstra. A ciência contribuiu consideravelmente para eliminar esses males; sem que se percebesse, porém, a adoração à ciência foi longe demais, a ponto de ocupar até a alma humana. Como resultado, embora as pessoas continuem a crer na ciência como algo supremo, diante do fato de que a medicina não cura as doenças, tornam-se céticas, abandonam-na e, buscando ao menos alguma paz de espírito, recorrem a todas as religiões estabelecidas.
Não encontrando satisfação nem mesmo aí, acabam voltando a atenção para as novas religiões e vêm até nós. Usei a expressão “feudalismo científico”. Darei um exemplo disso.
Trata-se do pensamento de lealdade ao imperador e amor à pátria que vigorava antes do fim da guerra. Naquela época, isso era considerado a mais alta moral. Se alguém ousasse defender os direitos do povo, por exemplo, era imediatamente lançado na prisão — algo que ainda está fresco em nossa memória. De modo semelhante, as pessoas de hoje veneram a ciência como se fosse a mais alta moral. Por isso, odeiam e atacam a minha doutrina, assim como odiavam e atacavam a defesa dos direitos do povo naquela época. Para decidir, então, qual é superior — a medicina ou o Johrei —, tenho uma boa ideia.
Trata-se de uma comparação, de um exame dos efeitos: reunir um grande número de doentes por um método adequado e dividi-los em dois grupos para realizar um experimento. Com base nos resultados, ficará claro qual grupo se cura e qual não se cura. Basta então que o Estado adote o método que cura. Não pode haver julgamento mais justo que esse. Se, como resultado, o Johrei se mostrar superior, a medicina naturalmente não terá escolha senão recuar. Como consequência, o Japão se tornará, evidentemente, um país livre de doenças. Além disso, os países do mundo inteiro, ao verem esse fato, imediatamente simpatizarão, e seus governos o adotarão, realizando assim um mundo sem doenças. Com isso, o Japão se tornará alvo da veneração mundial, e chegará uma era em que todas as pessoas celebrarão a sua virtude. Esta é, precisamente, a grande missão de salvar a humanidade que Deus me confiou.
A Doença Cura-se Facilmente
Eikō nº 219, publicado em 29 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Este homem, que sofria de tuberculose havia cerca de dez anos, ficou surpreso ao ser curado em aproximadamente uma semana; converteu-se e, a partir de então, recebeu o poder de curar várias pessoas doentes.
Um milagre como este dificilmente poderia ser acreditado. Se observarmos o processo de cura desse paciente e os fatos ocorridos depois que ele recebeu o poder de curar, não há como não nos maravilhar. Trata-se, na verdade, de um milagre jamais visto desde o início da humanidade — um grande enigma do século XX. Por isso, vê-se que a medicina está fadada a uma revolução inevitável, ainda que contra a vontade. De nosso ponto de vista, a própria ideia de sofrer de uma doença chega a ser quase ridícula. Senhores médicos, o que pensam ao ver este relato? Se ainda assim não conseguirem acreditar, penso que não há outra forma de descrevê-lo senão como insensibilidade aos fatos.
“Enquanto duvidava, a tuberculose foi curada; convertendo-se, recebeu proteção gradativamente...” (omissão do restante do texto)
Uma Espécie de Pecado
Eikō nº 129, publicado em 7 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Como sempre digo, estou constantemente em luta contra as Divindades malignas. Como manifestação concreta disso, apesar de me dedicar com todas as minhas forças — pela escrita, pela palavra e por atividades espirituais — a salvar as pessoas que sofrem e a conduzir aquelas que estão afundadas na infelicidade para uma situação de felicidade, há pessoas que parecem não suportar este meu trabalho e se sentem irritadas com ele. Essas pessoas parecem estar sempre empenhadas em, de alguma forma, obstruir meu trabalho e acabar comigo. Por isso, invariavelmente desgostam de religião e, especialmente quando se trata de novas religiões, parecem nutrir uma aversão inata. Assim, de modo quase emocional e histérico, pensam: “Não existe coisa alguma como deuses, budas ou o mundo espiritual; neste mundo terreno, há apenas ar e nada mais.
Portanto, os que falam de deuses ou de religião são pessoas condenáveis que, usando isso como pretexto, enganam os outros e tiram vantagens fáceis. Por isso, devemos combatê-los com veemência.” Estão profundamente convencidas disso. No entanto, o que as leva a pensar assim não é, na verdade, a sua própria mente, mas sim o fato de estarem possuídas por Divindades malignas, que as induzem a esse pensamento.
Como os materialistas não acreditam nisso de forma alguma, são manipulados com empenho conforme a vontade das Divindades malignas, acabando por se opor ao bem. Em suma, isso é precisamente a batalha entre Deus e as Divindades malignas. Não se trata, claro, de algo que começou agora; vem de tempos antigos — como no caso de Devadatta em relação a Buda Shakyamuni e de Satanás em relação a Cristo — e perdura há mais de dois mil anos. Portanto, não é um problema apenas meu.
Dito isso, não há necessidade de me alongar agora no assunto; mas, se não fizermos com que as pessoas compreendam bem essa razão, elas se tornarão, inconscientemente, prisioneiras das Divindades malignas e, pensando estar fazendo o bem, acabarão servindo como instrumentos delas. Por isso, deve-se dizer que são pessoas realmente dignas de pena.
As Divindades malignas praticam o mal contra mim
Pelo exposto, percebe-se que a astúcia dessas Divindades malignas não deve ser subestimada.
Elas miram sempre as pessoas no poder de cada época, apossando-se delas, criando lógicas engenhosas e enlouquecendo-lhes o pensamento. Por exemplo, mesmo em relação a uma religião correta, enganam de forma realmente hábil, dizendo: “Aquela religião é um culto maligno; portanto, precisamos combatê-la. O indivíduo que a criou é condenável; portanto, temos de eliminá-lo.” E são extremamente obstinadas. Pôncio Pilatos, que crucificou Cristo, é um exemplo disso.
Quanto mais forte o poder do bem que salva o mundo, mais as Divindades malignas também exibem sua força, com poder equivalente. Eu mesmo, atualmente, sou alvo da inimizade do mundo das Divindades malignas. Elas se esforçam e se angustiam para, de algum modo, praticar o mal contra mim, mas nenhuma consegue se apossar de mim — isso porque, acima de tudo, temem a luz. Assim, diante dos seguidores de fé forte, não encontram brechas e nada podem fazer. Já nos seguidores vacilantes aproveitam qualquer pequena brecha para se apossar deles e tentar fazê-los cair da fé. Mesmo em relação àqueles que estão prestes a se converter, criam todo tipo de obstáculo para impedi-los. Os seguidores com um pouco de experiência devem compreender bem essas coisas.
O Incidente como Oportunidade
No caso de terceiros que não são seguidores, as Divindades malignas exercem possessão espiritual com facilidade e os manipulam com total liberdade. Para tanto, as autoridades da época e os jornalistas são os mais eficazes, e o incidente do ano passado foi uma manifestação disso. No entanto, não se pode dizer que tenham agido apenas por má intenção.
Tendo o incidente do ano passado como oportunidade, fez-se uma grande limpeza na Igreja Messiânica, e os elementos impuros que praticavam o mal foram varridos. Desde então, a Igreja se tornou extremamente límpida e passou a seguir um caminho sólido. Embora na época eu tenha ficado irritado, hoje posso até agradecer por isso. Muitos jornalistas também ajudaram naquela ocasião, de modo que podemos considerar isso, igualmente, como um bom augúrio.
O único aspecto lamentável é que, apesar de tantos relatos de graças recebidas, há pessoas que, mesmo sofrendo de doenças graves e perigosas, com a própria vida em risco, ao serem apresentadas à nossa Igreja, deixam-se enganar pelas notícias falsas que costumam sair em jornais e revistas. Enquanto hesitam, vacilam e perdem tempo, acabam morrendo. Não são poucas essas pessoas. Por outro lado, há também as que, na mesma situação, tomam a decisão e se agarram à fé, sendo salvas. Estas frequentemente se indignam, dizendo: “Por que os jornais e revistas falam tão mal de uma religião tão magnífica? Fui enganado por eles, o que me fez sofrer desnecessariamente e gastar dinheiro à toa.” Isso se deve inteiramente ao fato de terem caído no plano das Divindades malignas. Dessa forma, a ação dos jornalistas que, com isso, levam à morte pessoas que deveriam ser salvas equivale, em termos de resultado, a cometer um assassinato em massa com a ponta da caneta. Assim, o assassinato de uma pessoa por outra é algo pequeno; não se pode imaginar quão grande é o pecado dessa outra ação. Não gostaria de escrever sobre coisas tão desagradáveis, mas, para corrigir os jornalistas de má índole, pensei que não entenderiam a menos que eu fosse tão incisivo. Por isso escrevi. E, acima de tudo, como meu objetivo é salvar muitas vidas, isso também é inevitável.
Deus e a Lente de Vidro
Eikō nº 225, publicado em 9 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
A raiz fundamental do erro da medicina que venho apontando reside, acima de tudo, no fato de terem colocado a medicina no campo da ciência. Originalmente, o princípio constitutivo de tudo o que existe é que o ser humano e tudo o que não é humano são fundamentalmente distintos em sua essência. Isso porque o ser humano é, desde o início, o rei e o governante da Terra, enquanto todas as demais substâncias estão inteiramente subordinadas a ele, movidas conforme sua livre vontade, protegendo o corpo humano e desempenhando cada uma das funções necessárias à sobrevivência humana. Em termos simples, é a diferença entre o senhor e o servo.
Com base nesse princípio, é natural que todas as coisas não humanas possam ser transformadas e desenvolvidas ao bel-prazer pela ciência criada pelo ser humano — e foi assim que se constituiu a magnífica civilização dos dias atuais. Além disso, recentemente, com descobertas surpreendentes como a ciência atômica, os seres humanos que testemunham essas realidades acabaram por se tornar completamente inclinados à ciência, rotulando de anticientífico tudo o que não pode ser percebido pelos cinco sentidos. Para os humanos de hoje, isso se tornou uma palavra de apelo irresistível, com a qual aniquilam tudo, e converteu-se num conceito social geral. Essa forma de pensar é especialmente comum entre os intelectuais, a ponto de ser marca registrada das pessoas cultas. Embora a forma seja diferente, não há diferença alguma entre eles e os seguidores de cultos malignos e supersticiosos. Como resultado, a ciência invadiu até mesmo a questão da vida humana, que não pertence ao seu campo. Sendo a medicina esse campo, pode-se dizer que se trata de uma verdadeira usurpação.
Se a medicina é uma invasora cultural desse tipo, é óbvio que não se trata de uma medicina verdadeira, e tentar desvendar o mistério da vida com uma não-medicina dessas é como procurar peixe em árvore. Nesse sentido, em relação ao erro da medicina, estou abrindo os olhos deles com fatos e ensinando a verdadeira medicina, e esta é a intenção de Deus.
Ou seja: não há poder na Terra, exceto o poder de Deus, capaz de curar as doenças. Para aprofundar um pouco mais: o que a medicina atual considera como causa das doenças são, obviamente, os micróbios. Como é de conhecimento geral, a medicina alcançou um progresso marcante desde a descoberta dos micróbios. No entanto, apesar da longa experiência posterior, os resultados são inesperadamente insatisfatórios. Ainda assim, é um delírio, semelhante ao dos seguidores de cultos malignos, que, uma vez que acreditam em algo, não veem nem mesmo os efeitos contrários. E, como dito, acreditam firmemente que todas as causas das doenças são micróbios e que, se conseguirem matá-los, todas as doenças estarão resolvidas — dedicando-se exclusivamente a isso.
Assim, a lente de vidro chamada microscópio, por deter a chave da medicina, torna-se superior ao próprio Deus, que controla livremente a vida humana. Diante disso, a situação do “senhor de todos os seres” é realmente lastimável. Quando se observa a religião com esse tipo de raciocínio, é natural que se negue a existência de Deus. E, com isso, fica igualmente claro o quanto é natural que a medicina corte e mutile o precioso corpo humano de forma indiscriminada. Nesse sentido, a obra de salvação que realizo atualmente é, justamente, o conflito entre Deus e a lente de vidro. Quem vencerá, deixo ao julgamento do leitor.
Em seguida, o importante é que, atualmente, o limite de visualização do microscópio é de duzentas mil vezes. Com isso, o alvo são os micróbios cujo tamanho se situa dentro desse limite, e dedicam-se exclusivamente a métodos para matá-los. Na realidade, porém, esse limite não é de duzentas mil vezes; talvez chegue a um milhão ou até dez milhões de vezes. Ou, quem sabe, pode-se inferir que seja infinito, para além disso. Assim como o espaço infinito é infinitamente grande, o seu oposto, por exemplo, é infinitamente pequeno. Se assim for, conclui-se que mesmo os micróbios patogênicos devem ser infinitamente pequenos. Portanto, para matá-los, o poder finito criado pela ciência é insuficiente; é inevitável que a causa infinita das doenças seja combatida por um poder infinito. O poder infinito é, obviamente, o poder de Deus, a luz de Deus. O órgão que exerce essa luz de forma livre e desimpedida é o ser humano especial, e esse ser humano sou eu. Isso pode ser visto, acima de tudo, pela capacidade real de cura que demonstro atualmente, e, diante da tendência de que o número de pessoas que acreditam nisso aumenta cada vez mais, não deve haver qualquer dúvida. Embora me seja doloroso dizer isso, é de conhecimento de todos que, desde os tempos antigos até hoje, não houve uma única pessoa que possuísse um poder tão sobre-humano quanto este.
A união entre Deus e o homem, mencionada desde a antiguidade, é exatamente isto. Portanto, como se pode entender ao ler esta obra, o que ela expõe é a dissecação dos espíritos de divindades, a origem fundamental da vida humana, a revelação da verdade profunda e ilimitada (Mukyoku) que nem mesmo os três grandes santos — Cristo, Buda e Maomé — nem qualquer outro santo conseguiu expor, e é também o evangelho do Paraíso.
O Problema do BCG
Eikō nº 130, publicado em 14 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Ultimamente, o problema da BCG ganhou grande repercussão, sendo amplamente debatido pelos órgãos de imprensa; mesmo entre os médicos, as opiniões se dividem entre prós e contras, e o assunto parece longe de se resolver.
A origem deste problema está no fato de que, recentemente, o Dr. Myers, professor da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, publicou na edição de 18 de agosto do Jornal da Associação Médica Americana uma tese defendendo que a BCG é prejudicial e inútil. Nessa mesma ocasião, no Japão, o Dr. Taro Takemi publicou, na edição de abril da revista Bungei Shunju, um artigo intitulado “Eliminem a estratégia de erradicação da tuberculose”, no qual expressou dúvidas sobre a eficácia da BCG e opinou que não é correto obrigar sua aplicação por lei. Estimulado por esses fatos, ou talvez não, o Ministro da Saúde Hashimoto declarou recentemente que a eficácia da vacina ainda apresenta pontos incertos e que seria melhor suspender a vacinação até que se confirme plenamente sua eficácia. Isso gerou de súbito uma grande onda de controvérsias que, envolvendo também questões políticas, parece ter se tornado um problema complicado. De minha parte, gostaria de acrescentar algumas críticas a esse respeito.
Embora não seja algo que precise ser dito de novo, minha tese é que não apenas a BCG, mas qualquer medicamento tem efeito temporário e, com o tempo, inevitavelmente surgirão danos colaterais. O problema atual é um exemplo disso. É claro que nós compreendemos bem isso, mas os cientistas provavelmente o considerariam extremamente incompreensível. Isso porque esta vacina não é algo que se começou a usar recentemente; já é usada amplamente há vinte ou trinta anos e, até agora, nada de anormal havia ocorrido. No entanto, surgiu este problema inesperado. Se fôssemos estudiosos, deveríamos, antes de tudo, investigar a fundo a sua causa, mas isso também seria impossível. Por quê? Porque essa causa não pertence ao campo da ciência. A prova disso é que este problema surgiu porque a causa ainda não foi determinada. A verdadeira causa é de natureza espiritual e, portanto, não pode ser compreendida pelo conhecimento científico. Assim, mesmo que os cientistas lessem a explicação que aqui escrevo, provavelmente a considerariam, no mínimo, uma teoria excêntrica ou um dogma supersticioso. Do nosso ponto de vista, porém, são essas pessoas que estão caindo numa magnífica superstição científica. Esclarecerei agora a verdadeira causa.
É a seguinte: como já escrevi anteriormente, o longo período do Mundo da Noite está finalmente se transformando no Mundo do Dia. Por isso, no mundo espiritual, o Elemento Fogo, que é a essência do sol, tem aumentado, e o poder de purificação torna-se mais intenso a cada dia. Consequentemente, aquilo que antes era possível consolidar com medicamentos hoje já não é possível. Essa é a causa do problema atual. Com o passar do tempo, a consolidação tornar-se-á cada vez mais difícil. Chegará o dia em que os próprios médicos começarão a duvidar de todos os medicamentos e, por fim, compreenderão claramente o terrível perigo dos danos colaterais. Isso resultará num recomeço da medicina. Só então, pela primeira vez, os olhos se voltarão para outros aspectos. Como consequência, compreender-se-á o verdadeiro valor da terapia de Johrei da nossa Igreja como a verdadeira medicina, e isso se tornará uma grande reforma na medicina. Em breve, causará uma enorme sensação no mundo médico internacional; é apenas uma questão de tempo. O que é, então, este problema atual, senão um indício da aproximação desse momento?
O mau é um doente
Eikō nº 131, publicado em 21 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Ao ver este título, todos certamente ficarão intrigados. Por quê? Porque, mesmo entre os maus, há muitos que aparentam saúde — aliás, são eles que, em sua maioria, têm essa aparência. Isso, porém, se deve a uma observação superficial; em seu conteúdo, ou seja, no plano espiritual, eles são doentes graves. Isso porque, como sempre digo, o mau é a pessoa possuída por um espírito maligno que reprime o espírito protetor primordial, expulsa o espírito protetor guardião e, em suma, ocupa a maior parte do espírito dessa pessoa — de modo que o próprio espírito maligno se torna o protagonista, fazendo-se passar por ela e passando a agir de forma arbitrária e caprichosa.
Nem é preciso dizer que esse espírito maligno são os espíritos de raposa, cão-guaxinim, deus dragão e outros espíritos animais; portanto, suas ações pouco diferem das dos animais. Consequentemente, praticam com indiferença atos de crueldade e impiedade que um ser humano jamais seria capaz de realizar; ao contrário, chegam a se divertir com isso. Percebe-se, assim, o quão desumanos eles são, e como isso é inconcebível para o senso comum.
Dito isso, como ensino, todo ser humano já nasce possuído por um espírito protetor secundário, ou seja, um espírito animal. Isso, porém, é inevitável para a sobrevivência humana, pois o desejo do corpo físico é necessário, e Deus o permite. No caso dos maus, porém, há duas situações: ou novos espíritos animais se apossam, ou o espírito protetor secundário já existente manifesta sua natureza animal. Por que isso acontece? Porque surgem nuvens espirituais na alma dessa pessoa e, à medida que se tornam densas, espíritos animais correspondentes a elas se apossam. Uma vez apossados, como dito, o Espírito Primordial do ser humano é derrotado, e o espírito animal passa a agir conforme a própria vontade, tornando-se ativo. Portanto, o mau tem como causa as nuvens espirituais; na proporção dessas nuvens espirituais, o sangue também se turva, de modo que, mais cedo ou mais tarde, ocorrerá inevitavelmente uma violenta ação purificadora.
Nesse caso, surgem sofrimentos proporcionais ao grau das nuvens espirituais. Isso se torna causa de calamidades imprevistas, doenças e outras infelicidades. É interessante notar que se costuma dizer que, quando um grande mau sente um lampejo de arrependimento, por menor que seja, e lhe surge um coração budista, logo suas más ações são descobertas e ele é preso.
Isso ocorre porque, de fato, a purificação se manifestou.
O ditado "Quando o mal floresce, vence o céu; quando o céu se define, vence o homem" também tem esse significado.
Em suma, é a lei natural segundo a qual, quando as nuvens espirituais se acumulam no coração humano, este acaba purificado pelo sofrimento.
Diante disso, do nosso ponto de vista, a causa de alguém se tornar mau são as nuvens espirituais; trata-se de um verdadeiro doente. Naturalmente, quanto maior o mau, mais violenta é a purificação e maior o sofrimento — torna-se um grande doente, nem é preciso dizer.
Mas o surgimento de nuvens espirituais na alma ocorre porque falta força, ou seja, luz, ao espírito protetor primordial. Para escapar disso, é necessário recorrer à religião. Assim, se a pessoa ingressa na fé e sempre se apoia em Deus, a luz de Deus se infunde em sua alma através do elo espiritual e, à medida que a luz aumenta, as nuvens espirituais diminuem. Com isso, os espíritos animais sofrem: os que estão de passagem fogem imediatamente, e o espírito protetor secundário que já estava presente se encolhe, tornando-se incapaz de praticar o mal.
Considerando este princípio, uma pessoa que não está alinhada com Deus corre o perigo de, a qualquer momento e por qualquer motivo, tornar-se má. Pode-se dizer, portanto, que os descrentes são pessoas perigosas. Pelo exposto, percebe-se que a sociedade moderna está cheia dessas pessoas perigosas — o mal social, de fato, nunca diminui em razão desse princípio. Assim, por mais boa que uma pessoa seja atualmente, enquanto for descrente não é uma pessoa verdadeiramente boa; é, no máximo, uma pessoa boa com a natureza de um mau. Por isso, não se pode confiar absolutamente em um descrente. O antigo ditado "Ao ver uma pessoa, considere-a um ladrão" provavelmente se referia justamente aos descrentes. No entanto, mesmo uma lógica tão simples quanto essa escapa completamente às pessoas importantes e às autoridades governamentais de hoje.
Por isso, negam a religião e tentam eliminar o mal apoiando-se apenas nas leis. Percebe-se o quão equivocados estão.
A Religião da Arte
Eikō nº 107, publicado em 6 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
Como é de conhecimento geral, desde os tempos antigos pensava-se que a arte não tinha muita relação com a religião.
No Japão, porém, o início da arte veio primeiramente da arte budista. Esta consistia em pinturas, esculturas e tecidos extremamente simples, além de instrumentos musicais — a flauta shō, o hichiriki, o mokugyo e o gongo — e da melodia vocal da recitação de sutras. Pode-se dizer, portanto, que era algo ainda primitivo.
Posteriormente, com a importação das artes da China e da Coreia, os japoneses, estimulados por elas, passaram por um período inicial de imitação e, em seguida, criaram algo original e peculiar ao Japão.
Já na era moderna, com a importação da cultura ocidental, sua arte também entrou no país. Especialmente após a Era Meiji, a arte europeia e americana começou a afluir em ritmo avassalador. Atualmente, o mundo artístico japonês vive uma situação em que as obras notáveis de todo o mundo são absorvidas, digeridas e tornadas próprias, enquanto uma arte sintética vem sendo continuamente criada. Por isso, talvez se possa dizer que o Japão é um "departamento de cultura". A propósito, quanto à nossa Igreja Messiânica, não deve haver outra religião que valorize a arte tanto quanto a nossa.
Na verdade, nunca se viu algo assim desde os tempos antigos. Isso porque o Paraíso Terrestre, objetivo final da nossa Igreja, é o mundo da arte. Evidentemente, se o Paraíso Terrestre é um mundo onde não existem doença, pobreza e conflito, e um mundo completo na Verdade, no Bem e no Belo, então os seres humanos seguirão a verdade, amarão o bem, odiarão o mal, e todas as coisas serão embelezadas.
Nesse sentido, não apenas as pessoas passarão inevitavelmente a apreciar a arte, mas a própria arte se tornará a vida, desenvolvendo-se enormemente. Em outras palavras, será o mundo da arte.
Por essa razão, tenho o maior interesse pela arte e pretendo incentivá-la grandemente no futuro. Como primeiro passo, o que estou construindo agora é o modelo do Paraíso Terrestre em Atami. Quando este se concretizar, certamente atrairá a atenção da sociedade e será admirado como nunca antes. Não: é inevitável que se torne algo de repercussão mundial. Por isso, atualmente estou conduzindo os planos com base nessa diretriz.
Entregar-se
Eikō nº 132, publicado em 28 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Sempre ensino que devemos nos entregar, ou seja, confiar plenamente em Deus e não nos preocupar nem nos angustiar, aconteça o que acontecer. Dito assim, parece muito simples, mas, na verdade, não é tão fácil quanto aparenta. Mesmo eu, quando chego a esse estado, esforço-me bastante para me entregar, mas, inevitavelmente, a preocupação teima em erguer a cabeça. Pode-se dizer, dessa forma, que num mundo tão ruim como o de hoje isso é quase impossível. No entanto, aqueles que conhecem Deus são muito diferentes: quando surge uma preocupação, o simples fato de percebê-la rapidamente já traz um grande alívio. Mas há um ponto importante que ninguém percebe, e vou escrever sobre ele.
Do ponto de vista espiritual, o próprio pensamento de se preocupar é um tipo de apego — o apego à preocupação. Esse apego é algo traiçoeiro, que exerce influência negativa sobre tudo. Quando se fala apenas em apego, porém, pensa-se em apegos esperançosos — querer progredir na carreira, querer dinheiro, querer luxo, querer que tudo saia como se deseja — e, por outro lado, em apegos de má índole, como achar alguém inaceitável, arrogante ou odioso, ou querer fazê-lo passar por uma situação difícil. O que quero dizer não são esses apegos óbvios, mas aqueles que quase ninguém percebe.
Então, o que são eles? São apegos como as preocupações atuais, as antecipadas e as posteriores, etc. No caso dos fiéis, ainda que Deus queira conceder Sua proteção divina, esses apegos interferem espiritualmente; quanto mais fortes, mais a proteção divina se enfraquece, e por isso as coisas não saem como se deseja.
Como exemplo, quando uma pessoa deseja ardentemente algo, isso nunca chega às suas mãos; mas, quando ela desiste, pensando que não há mais jeito, de repente a coisa aparece — todos devem ter experimentado isso.
Da mesma forma, quando se pensa "quero me tornar assim" ou "quero fazer aquilo", parece que vai se realizar, mas não se realiza; quando se esquece completamente, porém, de repente as coisas se tornam como se deseja.
O mesmo ocorre com o Johrei: quanto mais se pensa "quero curar este paciente a todo custo", pior é a cura. Mas, quando se faz o Johrei sem ter isso em mente, de forma despretensiosa, ou quando se pensa "não sei se vai curar ou não, mas vamos tentar", o paciente, surpreendentemente, cura-se com facilidade.
Além disso, com pacientes graves, quando a família e as pessoas próximas estão todas unidas no desejo de curá-lo, muitas vezes parece que ele vai se curar, mas não se cura e acaba morrendo. O contrário também acontece: pacientes que não se importam com a vida ou a morte, e cujos parentes próximos também não se preocupam muito, muitas vezes se curam com facilidade e rapidez.
Há também casos em que o próprio paciente deseja fortemente salvar-se, e os parentes próximos também desejam salvá-lo, mas o estado de saúde piora cada vez mais; quando todos desistem, pensando que não há mais jeito, a partir daí ele melhora rapidamente e se salva.
É interessante notar que pessoas que insistem, dizendo "como vou morrer de uma doença dessas? Vou me curar com minha força de vontade", geralmente morrem — o que também se
Este é outro assunto, mas o mesmo ocorre com frequência nas relações entre homens e mulheres. Quando uma das partes se torna muito ardente, a outra se enfada; é realmente irônico, mas isso também acontece porque o apego esfria o coração da outra pessoa.
Assim, muitas coisas neste mundo se dão de maneira verdadeiramente irônica; parece algo muito complicado, mas também é interessante. Pelo exposto, é preciso saber que o apego está na causa da maioria das coisas que não saem bem. O que costumo dizer, “visar o efeito inverso”, também tem esse significado; ou seja, é a ironia da ironia, e essa é, na verdade, a verdade.
O Paraíso é o Mundo da Beleza
Eikō nº 112, publicado em 11 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Os fiéis da nossa Igreja sabem bem que o objetivo de Deus é criar um mundo ideal, completo na Verdade, no Bem e no Belo.
Sendo assim, o objetivo do lado oposto, o dos demônios malignos, é, como não poderia deixar de ser, a falsidade, a maldade e a feiura. Interpretando isso: a falsidade é, obviamente, literal, e a maldade também não necessita de explicação, mas o que desejo destacar aqui é o termo “feiura”. No mundo, isso é frequentemente compreendido de forma equivocada.
Refiro-me aos casos em que a feiura está associada à verdade e ao bem. Há quem, diante disso, chegue a tomá-la como objeto de admiração. Para explicar com clareza: desde a antiguidade, não são poucos os que, vestindo roupas simples, alimentando-se com parcimônia, morando em cabanas de palha e vivendo com o mínimo, pensam no bem dos outros e da sociedade e praticam boas ações. Quando as circunstâncias os obrigam a viver assim, é de fato inevitável. Mas considero desagradável que, mesmo sem necessidade, escolham deliberadamente tal estilo de vida. Até hoje, muitos religiosos, como meio de disciplina, praticaram especialmente uma vida de ascetismo. Acreditam que esse é um método admirável, e o mundo, ao vê-los, também os tem por grandes. Mas, na verdade, essa forma de pensar não é correta. Por quê? Porque deixa de lado o elemento essencial, a beleza — trata-se, em outras palavras, de “verdade, bem e feiura”. Nesse sentido, o vestuário, a alimentação e a moradia do ser humano devem ser tão belos quanto possível, desde que não ultrapassem sua condição, e isso está de acordo com a vontade de Deus. Além disso, a beleza não é uma satisfação apenas para si mesma; como também deleita os olhos dos outros, pode ser considerada uma espécie de boa ação. Antes de mais nada, quanto mais elevado o grau de civilização da sociedade, mais todas as coisas devem se tornar belas — o que é natural. Pensem bem: na era primitiva quase não havia beleza alguma, não é verdade? Por esse ângulo, pode-se dizer que o progresso da cultura é, em certo aspecto, o progresso da beleza.
Naturalmente, no caso individual, até os homens devem preservar uma beleza adequada, para proporcionar prazer a quem os vê. Mais ainda, as mulheres devem se esforçar para serem mais belas. Dizer isso a elas pode até parecer uma intromissão desnecessária, mas essa é a lógica. O mesmo vale para o interior de uma casa: é preciso estar atento às teias de aranha no teto, varrer e limpar bem o chão para que não haja um único grão de poeira, guardar logo o que incomoda a vista e dispor móveis e utensílios com ordem e capricho. Assim, é natural que tanto os familiares quanto as visitas sintam conforto e respeito, e que o valor de quem ali vive aumente.
Quanto ao exterior da casa, não é preciso gastar muito; basta não negligenciar os reparos e manter tudo limpo. Isso não só proporcionará prazer às pessoas que passam, como também terá influência positiva na política nacional de turismo. A esse respeito, conta-se o exemplo da Suíça: talvez por ser um país pequeno, suas cidades e parques são tão bem cuidados que não há um único grão de poeira, o que é realmente muito agradável. Diz-se ainda que o grande número de turistas naquele país se deve, em boa parte, a isso.
Podemos tomar isso como exemplo e lição, pois é referência de grande valia. Diante do exposto, nós, japoneses de hoje, precisamos cultivar imensamente o senso de beleza. Isso trará influência positiva inimaginável, começando pelo indivíduo e chegando, em maior escala, até a sociedade e a nação. Mas não é só: um ambiente belo também embeleza o coração das pessoas na sociedade, e os crimes e as coisas abomináveis certamente diminuirão muito. Só esse fato já contribuirá para a causa do Paraíso Terrestre. Por fim, falo de mim mesmo. Desde jovem, sempre gostei das coisas belas. Mesmo na pobreza, plantava flores num pequeno terreno vazio, pintava quadros quando tinha tempo livre, visitava museus e exposições sempre que possível, alegrava-me com as flores da primavera e apreciava as folhas de outono. Agora, graças a Deus, minha vida se tornou naturalmente mais próspera; posso desfrutar da beleza como desejo e, ao mesmo tempo, isso ajuda a Obra Divina. Para quem não sabe disso, minha vida pode parecer luxuosa, mas não há como evitar. Como sempre digo, ao falar dos fundadores de religiões do passado, compara-se com aqueles que, na pobreza, praticaram austeridades e difundiram seus ensinamentos. Minha vida é tão diferente que deve parecer estranha. Na verdade, aquele período era o Mundo da Noite; por isso, até a religião foi difundida enquanto se vivia no Inferno. Agora, porém, com a mudança de era e o mundo se tornando o Mundo do Dia, a salvação ocorre enquanto se habita no Paraíso, que é o oposto. É preciso refletir profundamente sobre esse ponto.
Por último, quero falar do comunismo. Diz-se que seu objetivo também é construir o Paraíso Terrestre. Deixando de lado outras questões, o fato é que os comunistas, em especial, têm um senso de beleza fraco. Enquanto o comunismo não incorporar a beleza, percebe-se que não é algo verdadeiro.
Sobre a possessão espiritual
Eikō nº 133, publicado em 5 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Embora eu esteja sempre alertando para o perigo da possessão espiritual, ainda há quem não a abandone. É preciso interromper isso terminantemente. Explicarei em detalhes por que é prejudicial. Cerca de oitenta a noventa por cento das possessões espirituais são de espíritos de raposa; destes, noventa e nove por cento são malignos. Enganar os seres humanos é inato para eles; não só não se importam em induzi-los ao mal, como acham isso extremamente divertido. Os mais evoluídos entre eles, ao se apossarem de alguém, dizem ser este ou aquele deus, ou um Tathagata, um Bodhisattva, um Deus Dragão etc., fazendo a própria pessoa acreditar nisso e procurar convencer os outros. A pessoa acaba completamente convencida, é tratada como um deus vivo, venerada por muitos e entregue a todos os prazeres do luxo. Essa é a natureza fundamental dos espíritos de raposa. Entre eles, os que já alcançaram certa evolução possuem poderes sobrenaturais consideráveis: assim que se apossam de alguém, sabem tudo o que essa pessoa pensa e, com base nisso, tramam várias coisas. Se uma pessoa deseja, por exemplo, ser respeitada pelos outros como um deus, o espírito se apossa dela sem que ela perceba e age conforme suas expectativas. A pessoa passa a dizer que é a reencarnação de um deus ilustre; o mais comum é usurpar o nome de Amaterasu Ōmikami. Todos conhecem esse caso. Além disso, com extrema habilidade, o espírito procura criar um vínculo de innen com pessoas que a vítima considera importantes, ou ainda realiza pequenos milagres, fazendo com que muitos homens e mulheres devotos se deixem enganar. Essa é uma história comum no mundo; os deuses populares que surgem aqui e ali são todos desse tipo. Naturalmente, são espíritos de raposa com certa habilidade, e as pessoas ingênuas do mundo acabam enganadas.
Há também pessoas que desejam dinheiro desmedidamente. O espírito de raposa, sabendo disso, ao se apossar, usa de astúcia maligna para que a pessoa consiga dinheiro com facilidade. Isso, claro, acontece sem escolher meios; geralmente leva a pessoa a cometer crimes. Às vezes funciona por um tempo, mas no fim acaba em fracasso, e há até quem tenha problemas com a polícia. Aos que desejam uma mulher, o espírito faz a pessoa aproximar-se dela com habilidade, usando palavras doces e artifícios para conquistá-la, às vezes até com violência. É uma história perigosa. Sendo, em sua origem, espíritos de animais, não há neles nem bem nem mal: querem apenas usar os seres humanos como ferramentas para dançar livremente a seu bel-prazer; é algo simples assim. A raposa, assim, é um passo mais esperta que o ser humano. É uma situação lastimável para o “senhor da criação”.
Compreendido isso, o ser humano não deveria se vangloriar tanto. Além dos espíritos de raposa, há possessões por espíritos de tanuki, deuses dragões, tengus malignos etc., que enganam os humanos. Entre eles, o mais temível é o deus dragão maligno. Os deuses dragões, em geral, possuem força incomumente poderosa e também inteligência; portanto, manipulam os humanos livremente e, dependendo do caso, podem feri-los ou até tirar-lhes a vida com a maior facilidade. No incidente do ano passado, muitos dragões malignos atuaram, como já escrevi. Nesses casos, são extremamente cruéis, sem sangue nem lágrimas. Diferentemente dos espíritos de raposa, os deuses dragões são intelectuais e usam sua astúcia maligna, manipulando os humanos também ideologicamente. São responsáveis por boa parte dos crimes graves cometidos com indiferença sob o pretexto de uma ideologia qualquer, espalhando malefícios pela sociedade. Já os espíritos de tanuki e de tengu não são tão problemáticos.
Os tengus, porém, possuem forte poder espiritual, e muitos são eruditos. Assim, os ambiciosos entre eles capturam esses humanos, fazem-nos dançar, ganham fama no mundo, sobem na vida e se vangloriam muito. Por essa razão, a possessão por espíritos de tengu é comum, desde a antiguidade, entre monges zen, estudiosos e fundadores de religiões, mas raríssimos são os que perduram. Já escrevi várias coisas sobre a possessão espiritual, mas o que é preciso entender bem é que, mesmo quando se fala genericamente em “divindades malignas”, elas não agem de forma individualizada para fazer o mal. Por trás delas há um chefe que as manipula, e ele é a existência mais temível. O poder desse chefe é tal que a maioria dos deuses não consegue sequer enfrentá-lo. No entanto, esse chefe das divindades malignas está constantemente, às ocultas e às claras, obstruindo o nosso trabalho. Nossa Igreja, em especial, é uma grande ameaça para as divindades malignas; portanto, do lado delas, o chefe dos chefes se opõe a nós.
Esta é, de fato, a grande batalha entre o bem e o mal. Contudo, há um ponto importante a observar: a negligência dos seguidores da nossa Igreja que pensam "estou sob forte proteção, estou seguro, divindades malignas não podem me possuir facilmente". Esse pensamento cria uma brecha; as divindades malignas, aproveitando a oportunidade, apossam-se da pessoa. Quanto mais fervoroso for o seguidor das práticas de Shojo, mais fácil se torna a possessão espiritual — o que é péssimo. Por isso, vivo alertando contra a fé em Shojo. Afinal, ao se apossar, a divindade maligna atribui ao bem de Shojo uma lógica aparentemente plausível e o expande, enganando com habilidade. A maioria das pessoas acredita piamente que aquilo é o bem e se dedica com empenho. Mas, como a raiz fundamental está errada, quanto mais se faz, pior o resultado, gerando ansiedade. Quando isso acontece, a pessoa já não ouve conselhos alheios, cai cada vez mais fundo na armadilha e, sem conseguir avançar nem recuar, acaba fracassando. Se essas pessoas despertarem cedo, ainda bem; se não, ficam sem saber o que é o quê e acabam perdendo a graça. Assim se pode entender quão terrível é o bem de Shojo. Por isso sempre digo: "O bem de Shojo é o mal de Daijo." O ponto que melhor permite compreender isso é que as pessoas do bem de Shojo invariavelmente se desviam da normalidade — este é o alvo desses espíritos. Portanto, se julgarmos tudo à luz do senso comum, não haverá erro. O ponto fraco das divindades malignas é justamente o senso comum; por isso sempre enfatizo sua importância. Exemplos disso abundam no mundo: fés que consideram boas as palavras e ações excêntricas, ideologias semelhantes, religiões de possessão espiritual divina — tudo isso é desse tipo. É comum vermos e ouvirmos falar de casos que causam problemas e agitam a sociedade.
Essa lógica também pode ser bem compreendida do ponto de vista espiritual. Afinal, raposas e tanukis são espíritos de animais, portanto inferiores aos humanos. Consequentemente, se alguém os adora, como a morada dos animais é na terra, essa pessoa fica abaixo da terra. No mundo espiritual, está caída no Reino Animal e, como tudo no mundo espiritual se reflete no mundo material, encontra-se caída no Inferno. Naturalmente, o mesmo ocorre com a possessão espiritual: ao se tornar receptáculo de um animal, a pessoa também cai no Reino Animal e acaba em situação de infortúnio.
No entanto, nem todos os espíritos de raposa são maus. Raramente existem raposas boas — raposas que se arrependeram e são brancas. Todas as raposas brancas tornam-se servas do Ubusunagami (Deus da Terra Natal), dedicam-se ao serviço divino e são bastante úteis. Isso porque as raposas, espiritualmente, possuem várias características; assim como são poderosas para o mal, também o são para o bem, realizando um bom trabalho.
Contudo, há exceções também na possessão por divindades. Quando o espírito ancestral ou o espírito protetor guardião precisa comunicar algo importante ao ser humano, pode ocorrer uma possessão espiritual temporária. Dura apenas um breve instante, diz as palavras necessárias e nunca vai além disso. Aproveito para ensinar um método de distinguir o correto do maligno.
Nas palavras corretas relacionadas a Deus nunca há desperdício: comunicam o ponto vital das coisas de forma simples e clara. Um espírito maligno, portanto, sempre tenderá a dizer coisas desnecessárias. Falar sem parar, de forma ininterrupta — como costuma acontecer — é certamente sinal de um espírito de raposa. Há também casos, porém, em que o espírito protetor guardião tenta se comunicar por palavras; como os espíritos de raposa são hábeis tanto em possuir humanos quanto em falar, ele pode usar um deles para isso. Nesses casos, o espírito de raposa fala coisas desnecessárias e acaba revelando sua verdadeira natureza; por isso é preciso muita atenção.
A Palha na Agricultura Natural
Eikō nº 83, publicado em 20 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Desta vez, observando muitos relatos sobre o método da agricultura natural, percebo uma tendência a depender excessivamente da palha. Para ser franco, mesmo sem utilizar palha, não há diferença no aumento da colheita. Apenas quando o solo esfria, como em regiões frias, utiliza-se a palha para aquecê-lo. Além disso, a palha deve ser cortada o mais finamente possível, pois, se for longa, prejudica o crescimento das raízes. Parece que ainda há quem, sem conseguir livrar-se completamente da antiga superstição dos fertilizantes, pense que a palha contém componentes fertilizantes — mas isso não é verdade de forma alguma. Como sempre digo, o solo em si é como um aglomerado de fertilizantes; basta, portanto, valorizá-lo e fazer com que suas funções se manifestem plenamente.
Toda a Infelicidade Vem da Doença
Eikō nº 134, publicado em 12 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
É quase desnecessário dizer que o maior desejo do ser humano é a felicidade.
Sendo a felicidade o oposto da infelicidade, para se tornar uma pessoa feliz é necessário eliminar a infelicidade — isso também é evidente. Assim, o primeiro passo é compreender a própria entidade da infelicidade. De onde, então, vem a infelicidade? Pelo pensamento comum, dir-se-ia que é por causa de uma atitude mental equivocada, ou de más ações, ou de ambas, ou ainda por ter nascido com má sorte. Isso também existe, de fato, em certa medida. O que é mais concreto e mais evidente do que isso, porém, é sem dúvida a doença. E, surpreendentemente, a causa da doença é a toxina medicamentosa. Assim, do ponto de vista do resultado, são os medicamentos que criam a infelicidade humana. Não é algo assombroso? Se essa razão, por mais inacreditável que pareça, for absolutamente verdadeira, é natural que, enquanto o ser humano não a compreender, jamais possa escapar da infelicidade. No entanto, como é de conhecimento geral, até agora as pessoas pensavam exatamente o contrário, acreditando que os medicamentos eram o que havia de mais necessário para manter a saúde humana — esse é o equívoco. Por mais erros que existam no mundo, dificilmente haverá um tão grande quanto este. Como exemplo de que a causa da infelicidade é a doença, vejamos os suicídios em família, tão comuns ultimamente: na maioria dos casos, alguém da família adoeceu, consumiu todo o dinheiro, caiu no fundo da miséria e já não consegue viver. Não apenas a discórdia no lar, mas também todo tipo de conflito e disputa judicial tem como causa, pode-se dizer, o dinheiro — e a causa disso, por sua vez, é a doença. É verdade que, entre as pessoas, há algumas que brigam por causa do Ga (ego) inato, mas a maioria briga por causa da pobreza. Entre os suicidas também há casos de desilusão amorosa, mas a grande maioria tem como causa o sofrimento da doença e a pobreza que o acompanha. E tudo isso tem como causa a doença física. No entanto, não se deve esquecer que existe também a doença espiritual, que é, obviamente, o pensamento insalubre. Segundo minha longa experiência, contudo, mesmo as pessoas que aparentam ser saudáveis sempre têm algum defeito físico — e é isso que gera pensamentos maus. É fato conhecido que há muitos tuberculosos entre os comunistas. Isso, em grande escala, torna-se causa de guerras e revoltas sociais; em pequena escala, de conflitos individuais, disputas familiares, amores impuros etc.
Portanto, os sacrifícios e prejuízos que a sociedade e a nação sofrem por causa disso são, sem dúvida, imensos. Sobretudo, mesmo no Japão de hoje, se investigarmos bem as pessoas socialmente infelizes, veremos que, na maioria dos casos, a causa é a última guerra. A influência da guerra não se restringe apenas aos que estiveram diretamente envolvidos nela; atinge também o povo em geral. Isso fica claro por problemas como a inflação, que hoje é a maior fonte de sofrimento, a falta de alimentos, a escassez de energia elétrica, o controle de natalidade devido à redução do território nacional etc. O surpreendente, porém, é que a guerra não aflige apenas os derrotados: os vitoriosos também têm sofrimentos consideráveis. Vejamos a Inglaterra: até hoje ela clama pela falta de alimentos. Diz-se que, durante uma semana, cada pessoa tem direito a um ovo e que, mesmo depois da formação do gabinete Churchill, o que antes supria a falta de carne bovina com presunto, recentemente teve de reduzir até mesmo o presunto. Pode-se imaginar o resto. Acima, escrevi de modo geral sobre a doença física e a doença espiritual.
Em suma, não deve haver espaço para contestar que a causa de toda a infelicidade humana é a doença. Sendo assim, mesmo o mundo sem doença, pobreza e conflito — objetivo da nossa Igreja — não tem, como condição fundamental, outra saída senão a solução da doença. Ou seja, se a doença desaparecesse completamente da humanidade, só com isso o Paraíso Terrestre se realizaria. Não é por outra razão que a nossa Igreja concentra todos os seus esforços no tratamento das doenças. A sociedade moderna, porém, que desconhece a verdadeira causa, confia numa medicina extremamente imperfeita e tenta reduzir as doenças. Por isso, longe de alcançar o resultado esperado, está, ao contrário, criando doenças tanto no espírito quanto no corpo, como se vê pelo exposto acima. Do nosso ponto de vista, portanto, a medicina moderna gasta enormes quantias de dinheiro e acumula esforços inúteis; pode-se dizer que sua ignorância é verdadeiramente temível. Em contrapartida, a nossa Igreja também está envidando todos os esforços para esclarecer essa questão. Como se trata, porém, de uma superstição profundamente enraizada há muito tempo, rompê-la não é tarefa fácil, evidentemente. Felizmente, no entanto, Deus me escolheu, um simples ser humano, e, ao mesmo tempo em que revelou claramente a raiz da doença, concedeu também o método de cura. Portanto, aqueles que desejam se libertar da infelicidade devem buscar refúgio na nossa Igreja o mais rápido possível. Afirmo, sem hesitação, que certamente ficarão satisfeitos.
O Materialismo Cria Pessoas Más
Eikō nº 155, publicado em 7 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Este título pode parecer um tanto severo, mas, sendo um fato, não há como evitá-lo.
Digo isso porque, do nosso ponto de vista, o materialismo, ou seja, o ateísmo, pode ser considerado o pensamento mais perigoso que existe. Falando sem rodeios: se realmente não houvesse Deus neste mundo, eu mesmo poderia, sem que ninguém soubesse, enganar habilmente as pessoas, ganhar dinheiro, fazer tudo o que quisesse, viver no mais absoluto luxo e, além disso, alcançar uma posição considerável. No entanto, uma vez que tomei conhecimento da existência de Deus, é absolutamente impossível agir dessa forma. Devo, na medida do possível, trilhar o caminho mais reto e tornar-me uma pessoa que almeja a felicidade do próximo. Se não for assim, jamais alcançarei a felicidade e não poderei levar uma vida que valha a pena ser vivida. Isto não é questão de lógica nem de outra coisa qualquer.
Como se pode ver claramente ao observar a história desde os tempos antigos, são inúmeros os exemplos de pessoas que, mesmo prosperando temporariamente pelo mal, não conseguiram manter-se por muito tempo e, no final, acabaram destruídas. Alguém poderia perceber isso, mas, aparentemente, muitos não o fazem, e a sociedade continua repleta de crimes. Crimes hediondos como roubos, fraudes e assassinatos, além de casos de corrupção envolvendo pessoas em posições de destaque, perturbações da ordem pública nas ruas e inúmeros crimes de menor porte — todos eles, sem exceção, nascem do pensamento ateu. Pode-se dizer, portanto, que esse pensamento é a própria matriz que gera o crime.
Consequentemente, se quisermos eliminar o crime da sociedade, é mais que evidente que não há outro método senão erradicar, antes de tudo, esse pensamento ateu. No entanto, os intelectuais, as autoridades e os educadores de hoje, ao contrário, caíram no equívoco de considerar o pensamento teísta uma superstição. Seguem confiando na repressão pela lei, na educação, em sermões e em outras medidas para obter resultados; mas, por mais ardentemente que se esforcem, é natural que não se possa esperar efeito algum. As páginas policiais dos jornais são, dia após dia, a prova mais clara disso. Diante disso, para purificar a sociedade não há outro caminho senão propagar amplamente o pensamento teísta.
Contudo, o que é lamentável é que, no Japão de hoje, quanto mais elevada a classe intelectual, maior o número de ateus.
O ateísmo chega mesmo a ser considerado uma qualificação para intelectuais e jornalistas, e os que mais o proclamam são vistos como pessoas progressistas. Por isso, a menos que essa situação se inverta completamente — a ponto de os ateus serem tidos como pessoas antiquadas e os teístas como intelectuais à frente de seu tempo —, não se poderá construir uma sociedade agradável e luminosa.
Como Conhecer a Própria Doença
Eikō nº 125, publicado em 10 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
A doença, como sempre digo, é o sofrimento causado pela excreção, quando as toxinas solidificadas em alguma parte do corpo se dissolvem por meio da febre.
O método para conhecer a doença é, portanto, tocar o próprio corpo. Passar a mão do alto da cabeça até a ponta dos pés é a melhor maneira de compreendê-la com clareza. Certamente haverá um ou dois pontos com febre, e é ali que se encontra a doença. Basta, então, que a própria pessoa ou alguém aplique o Johrei nesse local.
Há, porém, casos como este: pessoas que receberam muitas injeções fortes, como no tratamento da tuberculose, têm a purificação temporariamente suspensa. Assim, mesmo que apalpem todo o corpo e não encontrem febre alguma, ficam tranquilas; mas, inevitavelmente, um dia a febre surgirá.
Quanto mais rápido isso acontecer, melhor. Se houver suspeita de tal situação, portanto, basta deixar como está por algum tempo; certamente ocorrerá a febre da purificação, e então se poderá examinar. Diante disso, mesmo sem a preocupação com termômetros e outros recursos complicados, o autodiagnóstico feito apenas com a palma da mão, de forma extremamente simples, como descrito acima, é o mais preciso. Não seria este, então, um método de diagnóstico verdadeiramente avançado?
A Medicina Cria Tragédias
Eikō nº 140, publicado em 23 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Aponto constantemente os pontos cegos da medicina moderna e faço alertas a respeito, mas ninguém se dá conta do quão terrível é a situação das vítimas dos tratamentos médicos — e isso é um grande problema.
O exemplo a seguir é quase insuportável de ler. O autor deste relatório de gratidão* é alguém que, após retornar da Sibéria, onde estivera a serviço militar, contraiu uma doença leve ao voltar ao país. A causa residia, naturalmente, na toxina medicamentosa das várias injeções recebidas quando partiu do Japão; mas, sem saber disso, o médico aplicou todos os tratamentos possíveis. Como a doença só piorava gradualmente, o paciente, cheio de dúvidas, trocou de médicos e de hospitais; porém, mesmo submetendo-se a todos os tratamentos disponíveis — cirurgias, injeções e medicamentos usuais — e gastando todo o dinheiro que tinha, só piorava cada vez mais. Chegou ao ponto de, em desespero, planejar o suicídio de toda a família, tamanho o sofrimento que se pode imaginar.
Se um médico lesse este texto, o que pensaria, de fato? Provavelmente nem sequer imaginaria que se trata do resultado dos tratamentos que eles próprios realizam; mas fatos vivos como este são incontestáveis. Se assim é, trata-se realmente de um problema verdadeiramente alarmante. E, se uma pessoa comum lesse isto, seria natural que não conseguisse conter a indignação; mas provavelmente não haverá uma única pessoa que pense assim. Por quê? Porque a fé cega na medicina moderna as deixou inteiramente cegas. Assim, tento destruir essa superstição e fazê-las despertar; mas elas, ao contrário, consideram o meu lado uma superstição — e o problema é grave. A realidade, no entanto, é que vítimas de tratamentos médicos como as deste exemplo estão por toda parte, e não se sabe quantas dezenas ou centenas de milhares chegam a totalizar em todo o país. Se assim é, que mundo miserável não seria este? Sem reservas, é algo mais terrível do que a própria guerra. De fato, como todos conhecem o horror da guerra, o mundo inteiro se esforça para preveni-la; mas, neste caso, pelo contrário, acreditam piamente que se trata de algo bom, de modo que o problema não é nada simples. O seguidor que escreveu este relatório foi, no fim, completamente salvo pela nossa Igreja — e tudo terminou bem; mas, se não a conhecesse, com certeza, a esta altura, toda a família já teria ido para o outro mundo e estaria sofrendo no Inferno. Sendo assim, até quando continuarão esses erros da medicina? Não há mais, porém, motivo para preocupação, pois chegou o momento em que o Grande Amor de Deus dará uma solução definitiva para isso. Peço, portanto, que considerem este texto como o primeiro passo desse alerta, e também como um exemplo concreto dele.
"Isto Sim é a Salvação: O Horror da Medicina que Experimentei em Minha Própria Pele" (omissão do restante do texto)
O Johrei Através da Leitura
Eikō nº 184, publicado em 26 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Ao ver este título, talvez não se faça ideia do que se trata; mas, ao ler a explicação a seguir, certamente se compreenderá e se concordará. Isso ocorre porque, ao ler os textos que escrevo, recebe-se o Johrei pelos olhos. E por que isso acontece? Porque tudo o que se escreve reflete exatamente o pensamento e a vontade de quem escreve.
É preciso compreender bem este ponto. Numa perspectiva espiritual, o espírito de quem escreve, por meio dos tipos gráficos, comunica-se com o espírito de quem lê. Nesse sentido, como os textos que escrevo são a própria Vontade Divina, o espírito da pessoa se purifica. A leitura, dessa forma, é algo que torna a alma do leitor boa ou má; por isso, é natural que a personalidade do escritor exerça enorme influência sobre o leitor.
Consequentemente, o mesmo vale para obras como romances ou artigos de jornal, e desejo que tanto os escritores quanto os jornalistas reflitam profundamente sobre este ponto. Dito isso, não quero dizer que sermões rígidos e formais sejam bons. É claro que, a menos que seja verdadeiramente interessante, um texto não será lido com prazer e, portanto, não será útil; é desnecessário dizer que o essencial é ter um fascínio tal que a pessoa não consiga deixar de ler, achando-o interessante.
Ao observar a literatura atual, porém, a maioria parece ter como único propósito o "vender a qualquer custo", visando apenas à fama, à venda e à adaptação para o cinema, por meio de um mero entretenimento superficial. Não passam de meras sequências de caracteres que nada deixam após a leitura. Tais escritores não são romancistas, são "vendedores de romances". São como um corpo sem ossos: ainda que se tornem famosos por um tempo, um dia desaparecerão, como todos sabem. E, ao contemplar a sociedade atual, a quantidade de defeitos sociais é surpreendente.
Se esses defeitos forem tomados como tema central, portanto, o material para abordá-los é inesgotável. Gosto de filmes e os assisto com frequência; quando, por acaso, me deparo com um filme assim, sinto-me profundamente interessado e alegre, como se tivesse encontrado um velho conhecido, e tenho vontade de curvar a cabeça em agradecimento a seu autor ou produtor. Além disso, tais obras certamente se tornam populares, são reconhecidas pela sociedade, e tanto as livrarias quanto as empresas cinematográficas lucram — uma vantagem dupla. Escrevi isto conforme me veio à mente.
Por que o mal é exposto?
Eikō nº 136, publicado em 26 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Na edição anterior, sob o título "Ateísmo e Superstição", escrevi detalhadamente sobre o problema da corrupção dos funcionários públicos; creio, portanto, que já tenham compreendido o assunto em linhas gerais. Em suma, a raiz disso está na psicologia daquele que comete a injustiça: obviamente, o pensamento ateu de que, desde que não seja descoberto aos olhos das pessoas, qualquer maldade, por pior que seja, pode ser ocultada até o fim.
Aprofundarei, portanto, ainda mais esta questão. Se o mundo fosse, de fato, como esse pensamento supõe, e o mal jamais fosse descoberto, não haveria vantagem maior: seria mais lucrativo cometer o máximo de maldades possível para obter ganhos. Nem é preciso dizer que a maioria das pessoas que hoje pratica o mal pensa dessa maneira.
No entanto, por mais habilmente que se proceda, há este mistério: inevitavelmente, um dia, tudo é exposto. Se assim é, não há razão para que eles próprios não percebam isso. Contudo, por não compreenderem claramente a causa fundamental, acredito que sua verdadeira disposição seja não conseguir abandonar as más ações.
Esclarecerei, portanto, a razão pela qual o mal é sempre exposto. Em primeiro lugar, o ponto mais crucial é que, embora se possa enganar os olhos dos outros, não se pode enganar os próprios olhos. Por mais que se tente esconder dos outros, como nós mesmos sabemos perfeitamente, já estamos expostos diante de nós mesmos. Além disso, o pensamento geral das pessoas é que cada um é um ser independente, membro da sociedade e, não havendo nenhuma outra ligação especial, não há problema em fazer tudo conforme a própria vontade. Acreditam, portanto, que basta agir habilmente apenas em benefício próprio e naquilo que traz lucro, considerando isso a maneira inteligente de viver nos dias de hoje. Consequentemente, ainda que de vez em quando ouçam de superiores ou de religiosos discursos sobre altruísmo e moralidade, e até aparentem estar impressionados na superfície, no íntimo pensam: "Que bobagem tola! Isso não passa de conversa fiada de covardes ou de rezas vazias de supersticiosos".
De fato, presas às aparências e espiritualmente vazias, pode-se dizer que seu valor como ser humano também é zero.
Acima, descrevi francamente o pensamento da maioria das pessoas modernas. Sem exceção, elas fracassam. Como dito, ainda que o mal não seja conhecido pelos outros, nós mesmos o conhecemos.
Isso porque existe um lugar terrível onde tudo o que uma pessoa guarda no íntimo — não importa o que seja — é conhecido com clareza, como se fosse visto na palma da mão. Onde fica esse lugar terrível? No mundo espiritual. No mundo material, corresponde a algo como uma procuradoria, o chamado “tribunal do Enma”. Infelizmente, porém, os humanos presos ao pensamento materialista não conseguem acreditar nisso. Mesmo que ocasionalmente ouçam falar, negam, dizendo “isso não existe”, e não dão a menor atenção. Esse pensamento é a própria fonte geradora do mal. Por essa razão, se quisermos erradicar o mal, afirmo categoricamente que não há outro método eficaz senão ensinar e fazer com que acreditem nisso. Então, por que o tribunal do Enma sabe de tudo? Porque a alma humana e aquele tribunal estão ligados por aquilo que se chama “elo espiritual” — algo como as ondas de rádio do mundo material, que conecta cada pessoa individualmente —, e tudo é registrado no tribunal do Enma sem a menor falha. Lá, um escrivão anota tudo em um livro e, de acordo com a gravidade das más ações, aplica punições proporcionais, expondo-as por meio de meios verdadeiramente engenhosos para então aplicar a punição no mundo material. Se alguém compreendesse isso do fundo do coração, ficaria tão aterrorizado que não seria capaz de cometer nem mesmo uma pequena maldade. Naturalmente, o oposto também é verdade: se alguém pratica o bem, recebe recompensas proporcionais. Esta é a verdadeira realidade dos dois mundos, o material e o espiritual. Este mundo, portanto, foi criado por Deus de forma ideal.
Sendo esta a verdade absoluta, não há solução fundamental senão acreditar nela. Nos dias de hoje, porém, tanto o governo quanto os intelectuais não compreendem essas questões espirituais; pelo contrário, chegam a pensar que informar o público sobre isso é algo anticultural. É realmente preocupante. Por essa razão, o meu trabalho, que se esforça para fazer as pessoas compreenderem isso, é tachado de superstição e encarado com desconfiança. Mas, falando francamente, são eles próprios que estão muito mais imersos em superstições. A maior prova disso é que, apesar de todo esse esforço, crimes como a corrupção não diminuem nem um pouco — pelo contrário, vê-se até uma tendência de aumento. Isso porque tentam prevenir os crimes que aparecem na superfície com remendos superficiais, como um emplastro, erguendo redes legais das quais é fácil escapar ou barreiras de fiscalização que qualquer um pode romper, errando por completo o ponto vital.
Gostaria de dizer que essa tolice é indescritível. E, ainda assim, consideram-se uma nação cultural e se orgulham disso.
É algo tão infantil que se poderia dizer que o momento atual é uma era de barbárie cultural.
Ábaco e Eficiência
Eikō nº 136, publicado em 26 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Observando os japoneses de hoje, sinto que ignoram o ábaco (soroban) e são demasiadamente indiferentes à eficiência. Quero alertá-los sobre isso agora. Esses dois pontos, é claro, estão intimamente relacionados, por isso os escrevo juntos. Mas, quando digo “ábaco”, não me refiro apenas às questões financeiras: o conceito também se aplica amplamente a outras áreas e é surpreendentemente importante. Se prestarmos atenção a isso, ganharemos muito na vida social.
Nesse ponto, os japoneses são surpreendentemente descuidados: têm pouca noção de tempo, falta de planejamento e, pode-se dizer, quase todos agem de forma improvisada. Como resultado, ignorar o ábaco gera muitos desperdícios, o que também afeta a eficiência, causando perdas maiores do que se imagina. Por isso o trabalho se torna desinteressante, a pessoa tende a se impacientar, e esse descontentamento também afeta a eficiência. Sem que se perceba, acumula-se um grande prejuízo.
Nesse aspecto, vejamos os Estados Unidos. Provavelmente não há povo que use tanto o ábaco quanto os americanos. Mesmo na guerra, por exemplo, eles utilizam ao máximo a força mecânica para evitar perdas de vidas humanas. Na recente Guerra da Coreia, comparando as baixas humanas entre inimigo e aliados, a diferença é impressionante: enquanto o inimigo sofreu mais de um milhão de baixas, o lado aliado teve menos de cem mil. Na Guerra do Pacífico, os japoneses, em contraste, lançavam-se com seus aviões contra os navios inimigos (ataques kamikaze) e treinavam com lanças de bambu, tratando a vida humana com grande desprezo. Já os Estados Unidos, o que fizeram? Alguns poucos engenheiros pilotam um avião e, com uma única bomba atômica, destroem uma cidade inteira. Não há comparação.
Isso se deve inteiramente à diferença entre usar ou não o ábaco, e devemos refletir seriamente sobre esse ponto. Parece que os japoneses ainda carregam resquícios do antigo espírito samurai, e ainda há uma forte tendência a desprezar o ábaco. Nem é preciso pensar em quão desvantajoso isso é para os tempos atuais e futuros. Além disso, entre os japoneses, ainda há a tendência de estarem excessivamente presos a conceitos vazios como “honra”, “orgulho teimoso” e “aparência”. O prejuízo que isso causa à nação e ao indivíduo deve ser considerável.
Escreverei aqui um pouco sobre mim mesmo. Diferente do que se espera de um religioso, tenho o princípio de não esquecer o ábaco. Quem observar minha maneira de fazer as coisas entenderá bem. Tanto para as taxas do curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu) quanto para o próprio Ohikari e as várias taxas de associação, procuro estabelecer valores fixos. Com isso, quem paga não tem o incômodo de ter que adivinhar a vontade, algo comum em religiões, e fica mais à vontade. Apenas como exceção, aceito doações voluntárias, mas minha política é não coagir ninguém a dá-las. Essa maneira de fazer as coisas provavelmente não é vista com frequência nas religiões até hoje, e não preciso dizer o quanto isso se tornou um fator poderoso para o desenvolvimento desta Igreja.
Mesmo assim, é claro que um ábaco muito detalhado é trabalhoso, então procuro não perder de vista os ganhos e as perdas numa perspectiva ampla. Dizem muitas vezes que meu modo de trabalhar é “estilo americano”, e eu também penso assim, pois dou a maior importância ao ábaco e à eficiência. Na minha vida diária, estabeleço um plano geral para o dia e, quando ocorre algo imprevisto, procuro compensá-lo com o trabalho seguinte, tomando cuidado para não me desviar muito do planejado. Dessa forma, mesmo um trabalho que uma pessoa comum levaria um dia inteiro para fazer, eu o resolvo em cerca de uma hora. Meu trabalho é tão rápido que meus subordinados, que me ajudam, ficam sempre atônitos e chegam a dar gritos de desespero. Dizem, desanimados: “Meishu-Sama é uma pessoa especial, não podemos imitá-lo de jeito nenhum.” Mas essa maneira de pensar está muito errada. É claro que não se pode chegar ao meu nível, mas, dependendo do empenho da pessoa, é possível obter resultados surpreendentes. Deve-se agir com a determinação de que “se agir com firmeza, até os deuses e demônios se afastam”.
O Valor Inventivo do Johrei
Eikō nº 123, publicado em 26 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Nem é preciso dizer que a palavra “Johrei” nunca existiu na história até os dias de hoje.
É claro que os seguidores conhecem profundamente o seu significado; em linhas gerais, porém, o ser humano é constituído pela união do espírito invisível e do corpo visível, e a causa da doença reside no surgimento de nuvens espirituais no espírito, que se refletem no corpo. Se essas nuvens forem removidas, portanto, todas as doenças serão curadas. Isso não é mera lógica. Na verdade, centenas de milhares dos meus seguidores já curaram inúmeras pessoas que sofriam de doenças — não se sabe quantos milhões —, com efeitos tão surpreendentes que não se comparam aos da medicina. Por isso, afirmar que esta é uma grande descoberta mundial não é, de forma alguma, um exagero. Na história da humanidade houve, até hoje, inúmeras grandes invenções e descobertas, mas nunca houve, nem é preciso dizer, nada que pudesse ser comparado a esta.
Afinal, o valor desta descoberta diz respeito à própria vida humana, e não há nada mais importante do que isso. Se fosse possível eliminar completamente as doenças que os seres humanos mais temeram até hoje, isso, é claro, não seria apenas um sonho impossível, mas algo que se poderia chamar de pura fantasia. Se, por hipótese, a verdadeira medicina tivesse surgido até hoje, a partir desse momento as doenças teriam diminuído gradualmente entre a humanidade, e a expectativa de vida humana já deveria ter ultrapassado a média de cem anos.
Qual é, porém, a realidade? Ainda hoje a humanidade se encontra na situação de não conseguir se libertar dos grilhões do maior sofrimento, que são as doenças.
E, apesar de se depararem com esse fato incontestável, os estudiosos do mundo inteiro, impotentes, continuam absortos em suas pesquisas, dedicando-se exclusivamente à medicina moderna — tendenciosamente materialista e científica — como se fosse a única verdade. Do nosso ponto de vista, podemos dizer que seus esforços ardentes não passam de trabalho inútil. E o que mais lamento é que, se essa descoberta e invenção tivesse sido anunciada pelos círculos científicos, teria instantaneamente causado uma grande sensação no mundo acadêmico, revolucionando a medicina de uma só vez; sem dúvida, toda a humanidade a teria como grande objeto de admiração, como salvador do mundo. Contudo, inesperadamente, por ser uma descoberta e invenção minha, de um religioso, deparo-me com uma grande dificuldade para fazê-la ser reconhecida.
Isso pode ser compreendido observando, por exemplo, os intelectuais do Japão atual: mesmo que lessem este artigo, não só não acreditariam facilmente, como, muito provavelmente, o descartariam de imediato como mera superstição. Mais ainda: mesmo que vejam ou ouçam falar dos resultados da cura pelo Johrei, ou mesmo que ouçam diretamente de pessoas que o experimentaram, não darão a menor importância, fazendo ouvidos de mercador. Essa atitude obstinada deve-se justamente ao fato de estarem prisioneiros da superstição científica, a tal ponto que se tornou absolutamente impossível salvá-los. A causa, é claro, é que estão convictos de que tudo o que é invisível, como religião ou Deus, é superstição. Como resultado, concluem que mesmo uma grande invenção ou descoberta não pode surgir de ninguém além dos cientistas. Essa convicção arraigada não difere em nada da dos adeptos de cultos malignos e superstições. Romper essa fortaleza inabalável da superstição é, portanto, a única condição para salvar a humanidade. Dito isso, mais cedo ou mais tarde, até eles, inevitavelmente, se renderão às nossas fileiras num súbito despertar; é apenas uma questão de tempo.
Isso se evidencia pelo fato de que, atualmente, pessoas verdadeiramente despertas e aquelas que estão prestes a despertar aumentam a cada dia e a cada mês.
Nós, com um entusiasmo ardente, avançamos para fazê-los despertar dessa grande ilusão o mais rápido possível e realizar uma sociedade sem doenças. Com base no exposto, faço soar um grande alerta contra essa teimosa ideologia que, por ser materialista, é cegamente acreditada e, por ser idealista, fecha os olhos para a verdade.
A Superstição da Mentira
Eikō nº 120, publicado em 5 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Existem vários tipos de superstição, mas há uma da qual as pessoas dificilmente se dão conta: a superstição de mentir. Trata-se da superstição de que, mesmo mentindo, as coisas darão certo — e os seres humanos de hoje realmente mentem com frequência. A maioria das pessoas já se acostumou a tal ponto que, inconscientemente, mentem sem se importar; a mentira se incorporou a elas, e nem percebem. Quando subordinados agem assim, sempre os chamo a atenção, mas o próprio interessado dificilmente compreende, e muitos nem sequer conseguem distinguir a mentira da verdade. Quando explico bem, então, finalmente entendem que se trata de uma mentira e se desculpam. Assim, a mentira se tornou algo tão natural para os seres humanos de hoje que fica difícil perceber o limite entre ela e a verdade. Essas, porém, são mentiras pequenas, que não valem a pena discutir; o problema não é esse, mas o fato de haver muitas pessoas que mentem de forma consciente e planejada, mentiras que não se pode ignorar. Vou escrever sobre isso agora.
Em primeiro lugar, no plano mais amplo, estão as mentiras dos políticos. Mesmo sem muita convicção, afirmam com grande eloquência que realizarão tais políticas ou estabelecerão tais planos; no final, porém, tudo acaba em nada, e não raro são cobrados por isso. Também é comum que os parlamentares não cumpram as promessas feitas aos eleitores e encarem isso como algo natural. Há, ainda, muitos educadores que, embora digam coisas grandiosas com a boca, agem de forma totalmente oposta; e o fato de as notícias de jornal conterem muitas mentiras também se tornou uma espécie de senso comum. As propagandas exageradas, é claro, enquadram-se nisso. O problema mais complicado, contudo, são os impostos de hoje: nesse caso, entre quem cobra e quem é cobrado há uma competição para ver quem mente mais, e a situação é extremamente complexa e desagradável. Os médicos, por sua vez, mesmo sabendo que não vão curar, dizem que vão curar; isso provavelmente ocorre porque, se não mentissem, não conseguiriam ganhar o pão. Diz-se que “a mentira é um recurso”, e os monges também mentem com frequência, o que me faz pensar se isso é realmente aceitável. Desde os tempos antigos fala-se em “barganha” nos negócios, e as mentiras dos comerciantes também são algo tremendo, mas são consideradas mentiras “permitidas por decreto imperial”. Mesmo escrevendo de forma resumida, já se percebe isso: podemos dizer que o mundo está realmente tomado por mentiras. Em especial, diz-se que os japoneses mentem muito, e isso é reconhecido mundialmente — mas não é algo que lhes traga boa fama. No entanto, mesmo falando apenas em mentira, há aquelas que não causam grandes danos e as de má índole. Entre estas últimas, há um tipo realmente problemático: as mentiras dos funcionários públicos que julgam os crimes. Casos como o Incidente de Mitaka, que recentemente agitou os jornais, em que todos os condenados à morte, exceto um, foram inocentados; ou o de dois prisioneiros condenados à prisão perpétua por homicídio que, após três anos, viram surgir o verdadeiro culpado, que se apresentou espontaneamente; ou ainda, no Caso Daizō de Osaka, em que duas pessoas, contra as quais o promotor havia pedido cinco anos de prisão, foram inocentadas — são histórias comuns ultimamente.
Todas essas pessoas são vítimas das mentiras dos promotores. Ao ouvir isso, vocês devem pensar que um promotor não mentiria tanto assim; mas, pela minha experiência, isso acontece sim. Desde a época do incidente do ano passado até o atual julgamento, o empenho deles em criar um crime por meio de mentiras é algo extraordinário. Cada vez que vejo isso, pergunto-me profundamente: com que propósito se esforçam tanto para incriminar pessoas inocentes? É realmente algo incompreensível e inexplicável. Considerando a própria função do promotor, é justo que se incriminem os criminosos; mas incriminar pessoas inocentes é absolutamente inacreditável. Os fatos, porém, são fatos, e não há o que fazer; a questão é que isso simplesmente não é muito conhecido do público. No início, de fato, deve ser muito difícil distinguir se alguém é culpado ou inocente; mas, se investigarmos um pouco, a menos que seja um crime violento e hediondo, deve ser possível saber, em linhas gerais, se é preto ou branco. Por quê? Porque o próprio ato de se esforçar ao máximo para incriminar alguém já é uma boa prova de que essa pessoa é inocente.
Desviei-me do assunto; mas, no fundo, a razão pela qual as pessoas querem mentir é que pensam que, mesmo mentindo, não serão descobertas. Isso, na verdade, é um pensamento ingênuo. Se não houvesse Deus no mundo, de fato, isso seria verdade; e quanto mais habilmente se mentisse, mais inteligente a pessoa seria considerada. A realidade, no entanto, é muito diferente. Por quê? Porque Deus existe de forma inquestionável. Por mais que se tente enganar, isso é apenas temporário; a verdade certamente virá à tona. Assim, quando a mentira é descoberta, a pessoa acaba se envergonhando, perde a confiança, sofre sanções e, no final, o resultado é o oposto do objetivo inicial — sem dúvida, um grande prejuízo líquido. É apenas porque Deus é invisível que as pessoas pensam que Ele não existe — tal como as pessoas da era primitiva, que, por não verem o ar, pensavam que ele não existia. Nesse ponto, o nível dessas pessoas equivale ao das pessoas daquela época. Que seres humanos “cultos” mais lamentáveis! Se alguém compreende essa verdade, é natural que, por mais brilhante que seja o seu trabalho, ele não adiante nada. Especialmente aqueles que ocupam cargos sagrados, como o de julgar o bem e o mal das pessoas, precisam prestar muita atenção a esse ponto. Por isso, essas pessoas, ao julgarem os outros, acabam sendo julgadas pelo próprio Deus. Se algo tão óbvio assim não pode ser acreditado, é porque a pessoa está completamente imersa na superstição de mentir. O que mais desejamos, portanto, é que todos os magistrados que julgam as pessoas se tornem crentes de uma religião correta e conheçam a existência de Deus. Acima de tudo, o fato de os juízes americanos serem dotados de sensibilidade humana e de seus julgamentos serem relativamente justos se deve, sem sombra de dúvida, ao grande número de cristãos naquele país.
A Religião que Mostra Deus
Eikō nº 138, publicado em 9 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Frequentemente, ao se procurar levar à fé alguém que não tem religião, essa pessoa diz: “Como pode haver deuses e budas neste mundo? Se realmente existem, quero muito que me mostrem” — e, adotando ares de pessoa culta e civilizada, recusa-se terminantemente a dar ouvidos, dizendo que não quer saber de superstição. Essa é, em geral, a atitude das pessoas comuns; os mais extremados nisso são, justamente, os chamados intelectuais. Ainda assim, não se pode condená-los de forma alguma, pois, de fato, não estão de todo errados. Isso porque, observando as muitas religiões existentes no mundo, vê-se que são excessivamente anticientíficas; as que não cheiram a superstição são, na verdade, raríssimas. Por isso, muitas religiões não conseguem mostrar claramente a existência real dos deuses e budas — parece que existem, parece que não existem, e são extremamente pouco confiáveis. Sendo assim, penso que também não é sem razão que tantas pessoas sejam indiferentes à fé.
Ora, no caso de nossa Igreja Messiânica, a existência real de Deus é mostrada com clareza aos olhos de qualquer pessoa. Uma vez que se entra em contato com nossa Igreja, invariavelmente se fica surpreso ao conhecer a existência real de Deus. A melhor prova disso são os inúmeros relatos de graças recebidas de nossa Igreja. O lamentável, porém, é que, mesmo lendo esses relatos ou ouvindo-os diretamente dos fiéis, são realmente poucos os que conseguem aceitá-los tal como são. Isso se deve inteiramente ao fato de se enxergar através das lentes coloridas formadas pelo tipo de fé de nível baixo mencionado acima — o que, por um lado, é compreensível; para nossa Igreja, porém, é extremamente lamentável. A esse respeito, como sempre digo, nossa Igreja não é uma religião: é uma superreligião, uma grande obra de salvação.
E o que os novos fiéis costumam dizer é o seguinte: ao verem pela primeira vez as publicações de nossa Igreja, acham tudo tão distante dos ensinamentos religiosos e das teorias científicas conhecidas até então que só conseguem achar estranho, sem conseguir se convencer a crer. Mas, pensando em experimentar mesmo com dúvidas, recebem o Johrei; e, como este consiste apenas em estender a mão, ficam atônitos — não há como algo tão simples e ingênuo curar o que a medicina moderna, tão avançada, não consegue curar — e decidem parar. No dia seguinte, porém, sentem-se, de alguma forma, melhor e mais leves, o que os deixa perplexos. Ainda assim, pensando que talvez estejam sendo enganados, decidem ter um pouco mais de paciência; ao fazê-lo, melhoram rapidamente, a ponto de ficarem mais confusos ainda do que alegres. Isso é o que dizem, unanimemente, os que já passaram por essa experiência.
Como se vê, nossa Igreja apresenta benefícios tão notáveis e sem precedentes nesta vida que os intelectuais que ouvem esses relatos chegam a dizer — de forma absurda e invertida — que se trata de superstição justamente por isso. Isso também constitui um grande obstáculo; mas há, entre eles, pessoas de mente equilibrada que, reconhecendo que o fato é fato, ingressam na fé com sinceridade — e não são poucas as que se tornam pessoas felizes. Assim, dado que nossa doutrina manifesta milagres sem paralelo em qualquer outra parte e mostra a existência real de Deus de forma palpável, mesmo a pessoa mais teimosa, mesmo a mais fascinada pela cultura científica, acaba por se render.
Noventa e Nove por Cento e Um por Cento
Eikō nº 138, publicado em 9 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Como mencionei no artigo anterior, a causa da guerra é o próprio mal inerente ao ser humano; quanto à natureza desse mal, como já escrevi, ela é a manifestação da vontade do espírito animal — o que também se evidencia ao observarmos que suas ações são animalescas. Por “animais” entende-se, naturalmente, em primeiro lugar as feras; depois, as aves; e, raramente, insetos e peixes.
Foi assim que Deus criou o ser humano, com todos eles, a partir da necessidade de governar os desejos corporais dos seres humanos; é o chamado mal necessário. No entanto, esse espírito animal está ligado, por um elo espiritual, ao líder do mundo das divindades malignas, sendo assim manipulado livre e arbitrariamente conforme a vontade desse líder. Além disso, há hierarquias também no mundo das divindades malignas, e elas exercem possessão espiritual sobre os seres humanos conforme o nível espiritual de cada indivíduo.
Dessa forma, existem classes que vão das superiores às inferiores, numa organização semelhante à do mundo das divindades corretas.
Assim, desde a era primitiva até os dias de hoje, o bem e o mal têm se confrontado ao longo de dezenas ou centenas de milhares de anos. Naturalmente, durante esse período, como o poder das divindades malignas era mais forte, as divindades corretas tendiam a ser oprimidas. No entanto, a história prova bem que, no final, o mal foi derrotado e o bem venceu. Isso porque, se as divindades malignas tivessem vencido, o mundo teria sido destruído, e o mundo que vemos hoje não poderia existir. A razão disso é que, até hoje, o tempo favoreceu o mal até certo ponto; ou seja, era o Mundo da Noite. A noite, evidentemente, é a própria escuridão; e, como não havia luz suficiente para controlar o mal, isso era inevitável.
Como vimos, no mundo de até então o mal alcançava seus objetivos e se sustentava por um período considerável. Diante disso, os seres humanos se iludiam, acreditando que o êxito pelo mal era o caminho mais rápido, e por isso lhe surgiam seguidores. O mal espalhou-se amplamente, infectou a todos e acabou por se tornar o senso comum da vida no mundo. No entanto, como a história demonstra, ainda que o mal pareça triunfar temporariamente, seu fracasso é inevitável.
A maioria das pessoas, porém, permanecia indiferente a isso. Pode-se dizer, portanto, que a história não passa do registro dessa alternância contínua entre o sucesso e o fracasso do mal. Na Era da Noite, como vimos, o poder do mal era forte, e não foram poucas as pessoas boas que se tornaram suas vítimas. Isso foi especialmente comum entre os religiosos, e a maior vítima foi Cristo. Quanto a mim, se tivesse nascido naquela época, não sei que sofrimento teria enfrentado. Mas, como sempre digo, a noite terminou e demos um passo no período do alvorecer; por isso as coisas vêm sendo resolvidas de forma mais branda, e o progresso ocorre conforme o planejado.
Convém notar, a propósito, que os planos e ações das divindades malignas não se limitam a guerras e violência. Elas avançaram em todas as áreas, com planos extremamente sutis e de longo alcance. Entre esses, o maior êxito foi a ciência materialista — sua arma mais poderosa. Por meio dela, concederam benefícios notáveis a toda a humanidade e, ao mesmo tempo, fizeram com que ela depositasse sua confiança nelas, com o objetivo final de assumir o poder absoluto. E o alvo disso é, acima de tudo, o controle da vida dos seres humanos. Nesse sentido, a medicina moderna foi desenvolvida: procura curar as doenças por métodos inteiramente materiais. Aparentemente, parece curar; na realidade, porém, não é assim. Ainda assim, a inteligência delas é extremamente engenhosa e emprega todos os meios e esforços possíveis. Naturalmente, isso inclui máquinas, radiação, novos medicamentos, cirurgias etc., além de uma teorização minuciosa da patologia. Até hoje, porém, ninguém foi capaz de perceber sua verdadeira natureza. Assim, por exemplo, se alguém pergunta pela causa de uma doença, a resposta é evasiva, incapaz de dar uma explicação precisa, e recorre a formulações extremamente ambíguas. Se perguntamos pelo prognóstico, a resposta é hesitante, e nenhuma afirmação definitiva é possível. E, quando se faz uma afirmação, em oito ou nove entre dez casos ela se revela errada — experiência constante para os próprios médicos.
A questão seguinte é a dos alimentos. Também aqui, os chamados fertilizantes químicos foram criados com base científica, à semelhança da medicina. De início, mostraram um efeito temporário, iludiram os seres humanos e assim se espalharam por todas as nações, como vemos hoje. Isso, porém, será explicado em detalhes em outro item.
Vem, depois, a guerra. Como já foi dito, os ambiciosos hábeis de cada época, sacrificando inúmeras vidas humanas, tentaram conquistar a hegemonia. Mas só realizaram o sonho de um sucesso temporário; fracassaram inevitavelmente ao final e restaram como meras anedotas na história.
Fizemos acima um exame geral do mal. Por ele se torna claro que chegou o momento de Deus acertar as contas com a cultura materialista. Agora que os objetivos das divindades malignas estão a um passo de se cumprir, Deus, por meu intermédio, revela a verdade.
Se pensarmos profundamente nisso, a grandiosa estratégia divina, profunda e sutil, é verdadeiramente insondável. Visto por outro ângulo: o poder de Deus é completo — cem por cento —, enquanto o das divindades malignas é de noventa e nove por cento. Deus tem, portanto, uma vantagem de um por cento. Com essa Força de um por cento, Ele pode inverter a situação. Essa força é a esfera (jóia) que realiza os desejos. Por isso, como sempre digo, a cultura moderna será substituída até o limite de noventa e nove por cento, e esse momento é o “fim do mundo” do qual Cristo falou. É inevitável, portanto, que neste momento ocorra no mundo espiritual uma grande reviravolta, que abala os céus e a terra. Aqueles que conseguirem acreditar nisso tornar-se-ão pessoas de felicidade eterna.
E, como o único elemento do plano delas é a ciência moderna, uma revolução na medicina também ocorrerá naturalmente. O que deve substituí-la é o método do Johrei de nossa Igreja. Nem é preciso dizer muito mais: vários médicos, mesmo depois de muito esforço, não conseguiam curar um paciente à beira da morte, enquanto uma pessoa comum — que nem sequer conhece o “a” da medicina, mas que recebeu o poder de curar após apenas alguns dias de treinamento — foi capaz de curá-lo. Com esse poder, portanto, não será tarefa difícil dissolver os pontos errôneos da cultura moderna, acumulados ao longo de dezenas de séculos.
Chegando a este ponto, o véu da noite é rasgado e derrubado, e o sol resplandecente se levanta. Esse período do alvorecer é agora. Se, como disse Cristo, “bem-aventurados os que creem”, então os que não creem não terão outra escolha senão o destino da destruição.
Coisas que Devem Ser Muito Observadas
Eikō nº 156, publicado em 14 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Se os caracteres que escrevo forem tratados com descuido, certamente haverá uma advertência; por isso, quero que tenham cuidado. Isso não se limita ao Ohikari; todos os caracteres são assim. Se colocarmos outros objetos sobre eles, espiritualmente será uma grande falta de respeito, e certamente haverá uma advertência. Isso se dá porque em cada caractere habitam espíritos de divindades. Se não houvesse um poder dessa magnitude, não seria possível salvar as inúmeras pessoas; em outras palavras, meus caracteres estão vivos e devem ser tratados com essa consciência. A história de graça a seguir é algo que Deus mostrou para ilustrar esse fato. Advertência do Espírito Ancestral — Irritação com a placa mortuária sobre a caixa do Ohikari (omissão do restante do texto)
Força Absoluta
Eikō nº 139, publicado em 16 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
A fonte da atividade de todos os fenômenos do universo é, nem é preciso dizer, o poder de Deus. Todo o fluxo de geração e transformação é manifestação do poder, e mover todos os seres, ou fazê-los permanecer em repouso, é naturalmente também obra do poder. Desde os seres humanos e todos os animais até os micróbios, tudo nasce pelo poder e perece pelo poder. Em suma, o poder é o governante infinito e absoluto. Se continuasse escrevendo assim, não teria fim; por isso paro por aqui. Mas, em última análise, o próprio universo é poder.
Pretendo, portanto, escrever sobre o poder a partir de vários ângulos. Primeiramente, decifremos o que é o poder pelo espírito da palavra: “chi” é sangue e espírito, e “kara” é vazio, corpo e matéria.
Sendo assim, o poder nasce da união do espírito e do corpo. Além disso, se interpretarmos o espírito da palavra “pessoa” (hito), o “hi” de “hito” é espírito; portanto, o espírito se fixa no corpo, ou seja, “hi” se fixa (“to”maru). Como visto acima, o poder é a unificação do espírito e do corpo. Quanto ao caractere: a forma do caractere “poder” (chikara) primeiro traça uma linha vertical (o fio da urdidura), depois uma linha horizontal (o fio da trama), cruzando-as; em seguida, a partir da extremidade da linha horizontal, traça uma linha ligeiramente inclinada, cuja ponta se levanta. Ou seja, ao se entrelaçarem a urdidura e a trama, surge a atividade, que começa a girar em avanço para a esquerda e recuo para a direita. Essa é a atividade do poder.
Portanto, como sempre digo, percebe-se que tanto o espírito da palavra quanto o caractere foram inteiramente criados por Deus. Passemos agora ao aspecto prático. Em sentido amplo, isso se refere às duas grandes ideologias do mundo: o pensamento espiritualista e o pensamento materialista, o princípio do espírito e o princípio da matéria, a cultura espiritualista e a cultura materialista. É mais fácil compreendê-lo sob uma perspectiva religiosa, e assim faremos. Sua manifestação são o budismo e o cristianismo, as duas grandes religiões do mundo. Como frequentemente digo, o primeiro é a urdidura oriental e o espírito; o segundo, a trama ocidental e a matéria. No mundo até agora, porém, como urdidura e trama estavam separadas, o verdadeiro poder não pôde surgir.
A maior prova disso é que, não tendo sido alcançada a unificação mundial, a humanidade não foi salva. Vejamos primeiro a história. Desde que, atravessada a era primitiva, surgiu gradualmente uma vida propriamente humana, veio primeiro a adoração ao sol, depois a dos objetos naturais, depois a dos objetos artificiais, até que enfim se chegou à adoração do ser humano. A partir dessa época, religiões primitivas começaram a surgir em várias regiões. Em seguida, na era da cultura primitiva, nasceram o budismo, o islamismo e, depois, o cristianismo. Como os dois primeiros têm, naturalmente, a urdidura como raiz, o verdadeiro poder não emerge; e o cristianismo, por ter a trama como raiz, tampouco pôde fazê-lo surgir. Como resultado, o primeiro grupo pendeu para a urdidura e, embora não se possa dizer que tenha fracassado, o budismo hoje apenas mantém sua forma no Japão, e o islamismo se mantém apenas tradicionalmente em uma parte da Ásia.
O cristianismo, por sua vez, por ser a trama, embora tenha se espalhado pela maior parte do mundo, longe de realizar o Paraíso almejado, ainda vê o Inferno permanecer em grande parte nos dias de hoje — pode-se dizer que também foi um fracasso.
Como vimos acima, nem é preciso dizer que o objetivo de todas as principais religiões, até os dias de hoje, era a realização de um mundo ideal.
No entanto, ao considerarmos o estado atual de confusão e estagnação do mundo, com seu aspecto desolador, vemos quão distante isso está da previsão inicial e somos forçados a admitir que o sonho da realização permanece distante. Não se pode negar que a razão disso reside inteiramente na insuficiência de poder; e essa insuficiência, como exposto no início, deve-se ao fato de que urdidura e trama não estavam entrelaçadas. Isso, porém, também foi uma questão de tempo, e pode-se dizer que foi inevitável dentro do Plano Divino.
Se eu explicar aqui a minha missão, creio que o significado acima se tornará ainda mais claro. Atualmente, o centro do trabalho que realizo é a prática do Johrei. Os fiéis já sabem disso até demais, mas, ao colocar no peito, como Ohikari, uma folha de papel que escrevi, é concedido o poder de curar completamente até mesmo doenças graves e difíceis que os médicos abandonaram. Deste Ohikari não sei quantas centenas de milhares de folhas já emiti até hoje, mas, por mais que aumente em quantidade, seu poder não se altera. Além disso, não se trata apenas de doenças: o caráter é melhorado, a personalidade é elevada, e perigos iminentes são evitados. Através de inúmeros milagres que ocorrem diariamente, o número de pessoas que vivem em júbilo aumenta, e é misterioso que este poder seja exatamente o poder emanado do Ohikari. Não pretendo me vangloriar, mas, como os fatos são fatos, não haverá problema em divulgá-los. Escusado será dizer que nunca houve, na história, alguém que tenha exercido um poder tão absoluto. Esses inúmeros milagres estão registrados nos relatos de graças, portanto, não há motivo para dúvida. Sendo assim, este poder é o que nasceu do entrelaçamento da urdidura e da trama e, em termos budistas, é o Poder Kannon, o poder da sabedoria maravilhosa; em termos cristãos, é o poder do Messias. E, embora este poder seja atualmente predominantemente espiritual, um dia se manifestará como poder material. Naquela ocasião, naturalmente, surgirá a verdadeira cultura, na qual a cultura espiritual do Oriente e a cultura material do Ocidente, que são o objetivo de Deus, estarão unidas. Isso é a Vontade Divina, e será a realização da grandiosa obra de salvação do mundo, a primeira desde a criação do mundo.
A Cultura que Gera Felicidade
Eikō nº 149, publicado em 26 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Como sempre digo, para resumir os desejos humanos em uma palavra, é evidente que se busca a felicidade. Perseguindo esse objetivo, há milhares de anos a humanidade tem se esforçado continuamente e, por fim, construiu a deslumbrante cultura material dos dias atuais. Pode-se dizer, portanto, que, do ponto de vista materialista, o plano foi bem-sucedido conforme o previsto. No entanto, quantas pessoas nos dias de hoje pensam: "Eu sou verdadeiramente feliz"? Provavelmente é difícil encontrar uma em cada cem. Vejam: o medo da guerra, o medo da doença e o medo da pobreza — esses três grandes sofrimentos — persistem e não se afastam; não é essa a condição normal do ser humano? Se assim é, a situação atual está longe de ser feliz. No mínimo, o desejo máximo que todos nutrem, com todas as forças, é que o mundo se torne um lugar onde se possa viver com um pouco mais de tranquilidade. Transformar este mundo e criar um mundo verdadeiramente feliz é o objetivo da nossa Igreja e, havendo a possibilidade de realizá-lo de forma magnífica, trata-se de uma salvação sem precedentes.
Para isso, antes de tudo, é necessário apontar os erros da cultura até agora e ensinar o verdadeiro caminho. Uma cultura que apenas embeleza a superfície, como a de até agora, uma cultura apenas de forma, não serve; é imprescindível que o conteúdo também se torne bom. Em outras palavras, ao contrário de uma sociedade sem falsidade, numa sociedade como a atual — corrompida e confusa, onde há muitas pessoas más que se fazem passar por boas —, a felicidade não tem como existir. Para dizer de forma mais clara, a verdadeira aparência do mundo de hoje é provavelmente "sete partes de mal, três partes de bem". As três partes referem-se, obviamente, à retidão, à bondade e ao amor, mas, com a proporção de sete para três, é natural que o bem seja derrotado. De fato, o mal está tão predominante e o bem tão oprimido que a infelicidade e as calamidades são geradas uma após a outra, sendo este realmente um mundo de sofrimento. O que não se pode deixar de considerar aqui, porém, é que existe uma grande quantidade de mal que, embora seja chamado de mal, não é facilmente julgado como tal. Isso porque o mal moderno tornou-se intelectual; não são poucas as pessoas que, usando habilmente a máscara do bem, praticam o mal com vigor. Mas o que é ainda pior são aquelas que, acreditando erroneamente que o mal é o bem, agem com todo o empenho. Para resolver a doença, que é a maior preocupação humana, em primeiro lugar, não apenas os estudiosos que arriscam a vida na pesquisa, mas também todas as pessoas envolvidas na medicina em todo o mundo, acreditando sinceramente que estão praticando o bem para ajudar os outros, estão, na verdade, praticando o mal, e ninguém percebe isso.
É algo que sempre tenho alertado. Há, além disso, a grande maioria das pessoas ligadas à agricultura que, acreditando ser bom aplicar fertilizantes artificiais nas plantações, não percebem que, na verdade, isso causa más colheitas. Há também muitas que, acreditando que o ideal comunista trará a máxima felicidade para a grande maioria da classe trabalhadora, lutam sacrificando tudo.
Pessoas como essas, do ponto de vista do resultado, agem por ignorância, acreditando que o mal é o bem e praticando o mal; a intensidade de seu ardor, além disso, é algo à parte, sendo extremamente eficaz.
Ao examinar as causas desses inúmeros casos, percebe-se que é necessária a Sabedoria Sagrada para discernir a verdade, distinguindo o certo do errado e o bem do mal. Isso porque, mesmo sendo algo errado, com o passar de longos anos as teorias médicas se fixam, tornam-se tradicionais e acabam se transformando em superstições. E por que a verdade não foi descoberta? Simplesmente porque o tempo não havia chegado; o tempo é o governante absoluto. Então Deus me escolheu, revelou todos os erros e, além disso, concedeu-me a Sabedoria Sagrada, ou melhor, a Sabedoria Divina. Portanto, o que não pode ser compreendido nem mesmo pela Sabedoria Sagrada, eu posso compreender.
Devo dizer aqui mais uma coisa: o "tempo" a que me refiro é aquele em que o poder do mal, que era de sete, diminui gradualmente, e o poder do bem, que era de três, torna-se quatro, depois cinco, e depois sete. É o significado de que a noite, como sempre proclamo, está terminando e o dia está chegando. Quem compreender isso terá alcançado a verdadeira felicidade.
Não Julgueis
Eikō nº 157, publicado em 21 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Escrevo agora sobre este assunto porque, mesmo entre os fiéis, há quem se engane sem perceber. Creio já ter escrito sobre isso antes, mas, como ainda ouço falar do tema de vez em quando, volto a tratá-lo. Há pessoas que criticam, dizendo que fulano é bom ou mau e, indo mais longe, chegam a afirmar que fulano está possuído por divindades malignas e que é preciso tomar cuidado. Isso, porém, é um grande engano.
Na verdade, quem chama o outro de possuído por divindade maligna é que está, ele próprio, possuído por divindades malignas. Por quê? Porque o ser humano não pode discernir o bem e o mal, o certo e o errado de outra pessoa. Esse discernimento pertence à esfera de Deus. Portanto, quem age assim está, na condição de ser humano, invadindo a posição de Deus, o que é um orgulho e um desvio imperdoáveis.
Consequentemente, não há erro em considerar tal pessoa como possuída por divindades malignas, e é preciso ter grande cuidado com ela. Naturalmente, isso ocorre porque essa pessoa não crê verdadeiramente em Deus. Há quem, com ar sério, diga que a fé de fulano está errada, ou que os métodos de tal igreja são maus e precisam ser reformados. No entanto, se entre os fiéis houver alguém verdadeiramente mau, Deus o julgará com exatidão; basta, portanto, deixar isso a cargo de Deus, sem que seja necessária a menor preocupação humana.
Quem não consegue crer nisso crê mais no poder humano do que no poder de Deus, e não haveria orgulho e equívoco maiores do que esse.
Dessa forma, a nossa Igreja Messiânica é inteiramente governada pelo Deus Supremo. Quanto às pessoas que erram, Deus, a princípio, as adverte para que despertem, mas, se mesmo assim não despertam, muitas vezes chega a tirar-lhes a vida. Os fiéis mais antigos devem conhecer bem os exemplos disso ocorridos até agora.
Portanto, é bom observar bem o preceito "Não julgueis" e, em vez disso, julgar constantemente a si mesmo. Quem age assim é quem verdadeiramente compreende Deus.
Sobre o Câncer
Eikō nº 158, publicado em 28 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Na edição anterior, na correspondência do senhor Bunji Tatematsu, um seguidor nos Estados Unidos, foi dito que a doença que os americanos mais temem atualmente é o câncer.
Portanto, escreverei sobre a causa dessa doença. A causa é extremamente simples: trata-se do acúmulo de toxinas da carne. Isso pode ser compreendido pelo fato de que essa doença não ocorre em jovens, manifestando-se apenas após a meia-idade. Consequentemente, para escapar dela, basta ingerir muitas hortaliças. Já escrevi sobre isso anteriormente, mas, para o ser humano, o ideal é uma proporção de aproximadamente metade de carne e metade de hortaliças. A razão é que a carne é um alimento de natureza yang, enquanto as hortaliças são de natureza yin. Portanto, se houver desequilíbrio, isso contrariará o Caminho Perfeito da natureza. Assim, caso alguém venha a contrair câncer, se mudar imediatamente para uma dieta baseada em hortaliças, ainda que demore, certamente se curará.
No entanto, há algo que deve ser observado: se, ao contrair a doença, a pessoa utilizar medicamentos ou fizer terapias como a de rádio, isso, ao contrário, tornará a doença incurável — portanto, não se deve aceitar tais tratamentos. Assim, se não fizer nenhum tratamento, a doença se curará, não havendo motivo para preocupação.
Aproveito para escrever também sobre outras doenças. Nos Estados Unidos, além do câncer, a paralisia infantil também tem causado problemas há tempos. Trata-se de uma falsa paralisia infantil, cuja causa é o acúmulo de toxinas medicamentosas, provenientes de injeções e afins, que se fixam nas pernas. Para curá-la, não há outro meio senão o Johrei, mas atualmente isso é impossível nos Estados Unidos. Portanto, se for deixada ao natural, a cura ocorrerá, ainda que pouco a pouco, pela purificação natural — não há outra alternativa além dessa. No entanto, por desconhecerem esse princípio, as pessoas agravam o quadro com tratamentos médicos, e a doença se torna incurável para o resto da vida. Em seguida, há a tuberculose. Desta vez, publicarei o livro "Terapia pela Fé na Tuberculose" e o distribuirei também nos Estados Unidos. Aqueles que o lerem serão salvos. Felizmente, como os americanos são progressistas e não se apegam excessivamente a teorias antigas, é provável que o reconheçam com surpreendente rapidez.
Prolongamento da Vida
Eikō nº 142, publicado em 6 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Analisando o relatório mencionado*, desde a antiguidade diz-se que a duração da vida humana é, em geral, predeterminada.
Esta pessoa, tendo chegado ao fim de sua vida, morreu uma vez e foi para o mundo espiritual. Contudo, graças à sua fé, pôde ir até o Paraíso e contemplar o seu estado. E, pela própria fé e pela sinceridade das pessoas ao seu redor, recebeu de Deus a dádiva da vida. Exemplos como este são comuns entre os fiéis da nossa Igreja. Por meio disso, compreende-se claramente que o Deus Soberano da nossa Igreja possui o poder de dispor da vida com total liberdade. É claro que isso não é algo inexistente em outras religiões, mas é evidente que não pode haver um poder de salvação tão notável quanto o da nossa Igreja.
"Muito obrigado" (restante do texto omitido)
Por Que os Grandes Mestres Desapareceram (Parte 3)
Eikō nº 192, publicado em 21 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Ao examinar as causas acima, é inegável que a força física dos pintores enfraqueceu.
A isso se soma a questão econômica — no geral, creio que sejam essas as duas razões. Começarei pela primeira causa. Os pintores ocidentais, descendentes de povos carnívoros há gerações, podem até sentir-se bem assim, mas os japoneses são diferentes. Nem é preciso dizer que somos, afinal, um povo cujos ancestrais eram, em sua maioria, vegetarianos. Ademais, o consumo de carne não era tão acentuado até as eras Meiji e Taisho; a partir do início da Era Showa (1926-1989), porém, aumentou enormemente.
Especialmente após o fim da guerra, impulsionado ainda pelo complexo de inferioridade do povo, o consumo de carne cresceu, e o hábito de beber leite também se tornou comum, como é de conhecimento geral. Gostaria de relatar aqui minha própria experiência com o vegetarianismo.
Aos dezoito anos, a tuberculose de que sofria havia mais de um ano foi-se agravando gradualmente e, por fim, cheguei a receber uma sentença de morte de um médico renomado. Desesperado e angustiado, a indagar se não haveria algum método, soube, por meio de um acontecimento fortuito, dos benefícios do vegetarianismo. Ao adotar uma dieta estritamente vegetariana por três meses, a doença melhorou visivelmente, e fiquei mais saudável do que antes de adoecer. Naquela época, o que percebi em meu próprio corpo foi um notável aumento da perseverança. Ademais, como naquela época pintava por hobby, pude notar a diferença na força do pincel: antes as linhas tremiam e eu não conseguia desenhar como queria; depois, passei a fazê-lo de uma só vez, exatamente como imaginava. Pensei, então, que o vegetarianismo é extremamente necessário também para os artistas. Por essa razão, creio que a dificuldade dos pintores de hoje em traçar as linhas como desejam e a falta de força de suas obras residem justamente nesse ponto.
Afinal, quando um pintor começa a ganhar alguma fama, sua vida se torna mais confortável, sua alimentação tende a ser mais carnívora e ele passa a se preocupar mais com a higiene. Assim, até por uma doença leve, que antes seria ignorada, logo procura um médico. O tratamento médico é um método que enfraquece a saúde e, como os médicos insistem em cuidados excessivos, a pessoa segue essa orientação, tornando-se frágil e doentia, vivendo o ano todo com medo e perdendo a vitalidade. Isso se reflete em suas obras — ao ver as pinturas desses artistas, percebe-se que são realmente frágeis e sem força. Portanto, não é de estranhar que, ao se tornarem famosos, morram prematuramente. A razão está exatamente aqui. Em contraste com isso, estão as pinturas antigas da China e do Japão.
Tanto as pinturas quanto as caligrafias que ainda hoje são valorizadas como obras-primas foram, em sua maioria, feitas por monges zen. A disciplina dessas pessoas era o vegetarianismo absoluto, e elas praticavam austeridades rigorosas dia e noite. Assim, seu caráter se lapidava e, como seu poder espiritual também se fortalecia, isso se refletia claramente em suas obras. Talvez por observar essas obras sabendo disso, sinto uma admiração ainda maior por sua sensibilidade elevada e forte. Além disso, ao contemplar grandes obras, como os mandalas das pinturas budistas, fico sempre surpreso com a extraordinária perseverança de seus autores.
Em segundo lugar, quanto à questão econômica: na sociedade de hoje, não se pode mais ficar absorto na pintura com a mesma tranquilidade dos homens do passado. Se descuidarmos, podemos passar fome, e essa preocupação não é pequena. Outra diferença em relação ao passado é a ausência de mecenas. Antigamente, grandes senhores feudais, com dinheiro e tempo de sobra, apoiavam os artistas, contentando-se desde que produzissem obras-primas. Era natural, portanto, que surgissem boas obras. Não é preciso dizer que isso foi um grande incentivo para a arte japonesa. Nesse ponto, acho que devemos ser muito gratos aos grandes senhores feudais. Ainda após a Era Meiji (1868-1912), surgiu o Instituto de Belas Artes, que se tornou referência no cenário artístico japonês, como todos sabem. Por trás dele, havia também excelentes mecenas: os senhores Moritatsu Hosokawa e Tomitaro Hara. No entanto, o senhor Hara faleceu, e o senhor Hosokawa, devido às mudanças dos tempos, não pôde mais fazer o mesmo, o que é inevitável. Depois disso, pessoas assim não surgiram mais, o que também pode ser uma das causas do declínio da pintura japonesa nos últimos tempos. Além disso, ambos não apenas ofereciam suporte financeiro, mas também criticavam e orientavam com notável discernimento, o que contribuiu significativamente para que obras-primas fossem criadas naquela época.
Não é sem razão que isso aconteceu. Acredito que, com o exposto acima, tenham compreendido em linhas gerais; por isso, encerro aqui.
(Nº 192, 21 de janeiro de 1953)
Eu Trato os Artistas com Distinção
Recebo de braços abertos pintores, artesãos e, enfim, todas as pessoas ligadas às artes e às artes performáticas, procurando encontrá-las pessoalmente sempre que possível.
Em contrapartida, não tenho muita vontade de encontrar, por mais importantes que sejam socialmente, aqueles que não se encaixam nessa categoria.
Isso não se deve a um capricho meu. A razão é que não vejo sentido nisso e não me sinto inclinado a fazê-lo. No passado, um certo jornal, cujo proprietário era ministro de Estado em exercício na época, pediu para me encontrar duas vezes.
Uma vez, quando eu estava em Gora, ele veio até Miyanoshita e solicitou uma audiência; mesmo assim, como não queria vê-lo, recusei educadamente. É que não posso fazer nada contra minha própria falta de vontade.
Quanto a isso, há também a seguinte razão.
Desde jovem, gosto de peças teatrais e de várias formas de entretenimento, e assisti a muitas delas. Ultimamente, como os seguidores sabem, por falta de tempo e também por gosto pessoal, tenho o hábito de assistir a filmes em dias alternados. Sempre que o faço, penso nos autores, diretores, atores e em todas as pessoas envolvidas naquela peça ou filme. Embora seja por motivos profissionais, eles se dedicam com entusiasmo, criam obras interessantes e nos proporcionam grande prazer, e sou grato por isso. O mesmo se aplica ao rádio. Além disso, quando vejo obras de arte excelentes, antigas ou modernas, sinto-me agradecido, e a gratidão surge naturalmente pelo esforço e pela dedicação do autor que me proporciona esse prazer. Especialmente diante de obras de artistas excepcionalmente famosos, sinto-me tocado e tomado por uma profunda reverência. Naturalmente, pessoas assim são insubstituíveis, e por isso as considero ainda mais valiosas.
Por outro lado, existem muitas pessoas notáveis entre políticos, empresários e estudiosos, mas nunca encontrei algo positivamente digno de gratidão da parte deles. Tampouco encontro entre eles figuras que eu considere insubstituíveis. Tenho a impressão de que qualquer um poderia substituí-las. Além disso, é justamente entre essas pessoas que — não sei como é no exterior, mas no Japão — há muitas que não gostam de religião. Não gostar de religião significa, no mínimo, que não as considero pessoas verdadeiramente boas de coração. É verdade que elas podem estar fazendo o bem, mas isso provém de um cálculo pessoal, e por isso não sinto respeito. Mesmo que seja uma pessoa boa, se conhecer a Deus, sua bondade é a verdadeira bondade. Por isso, sinto prazer em encontrá-la e desejo manter um relacionamento contínuo.
Apetite e Cérebro
Eikō nº 135, publicado em 19 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Recentemente, notei que meu apetite havia diminuído visivelmente.
Pensando que deveria haver alguma causa para isso, examinei todo o meu corpo com a mão e, para minha surpresa, descobri quatro ou cinco caroços duros como osso na parte posterior da cabeça.
Já achava que aquela região estava um pouco estranha, mas, como não sentia nenhuma dor especial, tinha deixado como estava. Resolvi, então, tentar dissolver esses caroços e, cerca de dois meses atrás, comecei a aplicar Johrei. À medida que eles foram se tornando gradualmente mais macios e baixos, a condição da minha cabeça também melhorou muito. Inesperadamente, meu apetite aumentou dia após dia e, recentemente, em comparação com o início, já está confortavelmente o dobro — o que me deixa muito feliz. Dessa forma, descobri que a causa da falta de apetite estava na parte posterior da cabeça. Portanto, acho que seria bom que os senhores fiéis também experimentassem.
O Cultivo Natural Também se Aplica às Flores
Eikō nº 209, publicado em 20 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
A foto à direita (nota abaixo) mostra uma das minhas tulipas, entre as cerca de duzentas que cultivei desta vez em meu jardim, das quais apenas quatro produziram ramos. Fotografei uma dessas quatro tulipas. Sempre gostei muito de tulipas e as cultivo com frequência, mas foi a primeira vez que vi um ramo brotar, e fiquei surpreso. Naturalmente, nunca tinha visto nem ouvido falar disso antes.
Além disso, a flor era duas vezes maior que o normal, e a cor era extremamente boa, um vermelho tão vívido que parecia gotejar água — por isso a achei rara. Esta flor foi plantada por um seguidor no ano retrasado; no ano passado, era uma flor comum, mas neste ano, de repente, desabrochou uma flor como a da foto. Isso se deve, certamente, ao fato de que, no ano passado, ainda restava veneno de adubo no bulbo; neste ano, sendo o segundo, o veneno de adubo diminuiu consideravelmente.
Portanto, estou desde já na expectativa de que, no próximo ano, com certeza desabrocharão flores ainda melhores. Ademais, mesmo sem usar composto natural, apenas com terra obtivemos este resultado, o que mostra que o poder do Cultivo Natural é igualmente eficaz para as plantas floríferas. Por meio disso, percebe-se que o veneno de adubo das sementes se elimina rapidamente, enquanto o da terra demora mais. Assim, em campos de arroz, por exemplo, é melhor trocar a terra que tem muito veneno de adubo.
Então, medi as dimensões e...
A Febre Leve
Eikō nº 120, publicado em 5 de setembro do 26º ano da Era Showa (1951)
Quanto a este estado ligeiramente febril, provavelmente não existe uma única pessoa moderna que não o tenha.
A diferença reside apenas em estar ou não consciente dele. No entanto, esse estado ligeiramente febril exerce, surpreendentemente, grande influência sobre o corpo humano. Vou escrever sobre isso agora. Primeiramente, ocorrem tontura e peso na cabeça; a força de concentração mental escasseia, a mente se dispersa, a memória diminui, falta perseverança, surge desânimo em relação a tudo, o corpo fica sempre pesado e lasso, e a pessoa tende a querer deitar-se. Além disso, o apetite é fraco, há muitas preferências e aversões, a pessoa prefere alimentos com bastante água, deseja bebidas, o temperamento se torna irritadiço, o espírito fica oprimido e o mundo se torna desinteressante, levando a pensar nas coisas de forma pessimista. A histeria segue o mesmo padrão: tudo se torna negativo, a pessoa prefere dias chuvosos a dias de sol, é propensa a resfriados, o nariz entope, ocorrem zumbidos no ouvido e é fácil ter inflamação das amígdalas. Além disso, ao andar depressa ou subir ladeiras, a pessoa fica sem fôlego e as pernas ficam pesadas. Só de escrever resumidamente já se vê isso; portanto, não se pode subestimar esse estado.
Sendo tudo assim, o relacionamento com os amigos também não é bom.
A pessoa não se relaciona harmoniosamente com os outros; em casa, a convivência entre marido e mulher é ruim, e não há bom entendimento com pais, filhos e irmãos. Sempre quer impor a própria opinião, justifica as próprias ações com lógica e age de forma egoísta e arbitrária. Nesse caso, o "liberalismo" é o pretexto mais conveniente. Por essas razões, o lar se torna desinteressante, e é inevitável que ocorram coisas desagradáveis. A recente abundância de filhos e filhas que fogem de casa talvez se deva também a isso. Nos casos mais graves, a pessoa chega a cair num destino trágico, como o suicídio coletivo de uma família, e isso também pode ter a mesma causa.
Não é só isso. Quando se observa esse fenômeno do ponto de vista social, vê-se que muitos tendem a impor as próprias razões egoístas, faltando harmonia; mesmo em questões insignificantes, logo partem para a discussão ou querem brigar por coisas que poderiam ser resolvidas sem conflito. Isso também se deve, provavelmente, ao excesso de vontade própria. O fenômeno parece frequente na política. Além disso, quando um grupo discute um problema, há muita confusão e alvoroço, e leva-se muito tempo para chegar a um consenso. No entanto, as pessoas parecem não perceber a causa — ou melhor, não se interessam muito por ela. Mas ainda há mais.
Se a sociedade se torna barulhenta e problemática como descrito, as pessoas têm mais coisas ruins do que boas para sentir e procuram distrair-se com algo. É aí que entra o álcool. O fato de as vendas de bebidas alcoólicas não diminuírem, por mais que os preços subam, talvez se deva a isso. Além disso, para escapar do sofrimento, as pessoas buscam prazeres de forte estímulo. Os jovens correm para boates, salões de dança, casas de pachinko ou para direções estranhas. Os mais velhos, por sua vez, aqueles com um pouco de folga financeira, buscam consolo em amantes ou no mundo das geishas e prostitutas. Todos esses entretenimentos insalubres estarem tão em voga é o retrato atual da sociedade. Assim, se a causa fundamental de todos os aspectos do mal reside inteiramente nesse estado ligeiramente febril, então não há nada mais temível do que ele.
No entanto, não é só isso. Quando, por causa desse estado, a pessoa se submete a um exame de saúde, o problema se complica, pois esse estado é facilmente observado no estágio inicial da tuberculose. Uma vez diagnosticado dessa forma, inicia-se o repouso absoluto e aplicam-se várias terapias contrárias; a maioria das pessoas, após sofrer por anos, acaba partindo para o outro mundo. Felizmente, as que se curam e conseguem retomar o trabalho como antes são, provavelmente, menos de uma em cem. Portanto, sob qualquer ponto de vista, é claro que é necessário livrar o corpo desse estado ligeiramente febril.
Então, onde está a sua causa? Deve-se inteiramente às toxinas medicamentosas existentes no corpo humano, que formam acúmulos endurecidos em várias partes e provocam um lento processo de purificação. Para curá-lo de forma absoluta, não há outro meio senão o Johrei. Portanto, à medida que aumentam os seguidores da nossa Igreja, todas as coisas desagradáveis descritas anteriormente desaparecerão. Se isso acontecer, não se formará uma sociedade verdadeiramente agradável e fácil de viver? Esta é exatamente a forma do Paraíso Terrestre.
Medicina e Johrei
Eikō nº 142, publicado em 6 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Tenho escrito e explicado constantemente, de viva voz, que a nossa Igreja é fundamentalmente diferente das religiões convencionais, e provavelmente os seguidores estão divulgando esse significado ao mundo.
No entanto, o mundo é vasto, e não é fácil que isso se torne de conhecimento geral. As pessoas instruídas, em especial, recusam-se a acreditar. Têm o hábito de julgar todas as religiões de forma genérica; mesmo ao se depararem com a nossa Igreja, essa noção preconcebida atua como obstáculo e torna impossível compreender sua verdadeira natureza.
Então, em que ponto ela difere? Como o mundo sabe, o que a nossa Igreja mais enfatiza é a cura de doenças. Como o público em geral interpreta isso? Provavelmente assim: "Como a cura é feita através da fé, primeiro se dá uma sugestão adequada ao paciente. Dizem-lhe: 'Sua doença não pode ser curada por médicos ou remédios. Se você orar a Deus, certamente será curado. Originalmente, a doença é devida a pecados e impurezas, portanto, eu pedirei perdão a Deus em seu lugar, então não se preocupe.' Ao ouvir isso, a ovelha desgarrada engole tudo, agradece e acredita." Acreditam que a cura ocorre pela ação desse processo mental, limitado a certos tipos de doença. Por exemplo, doenças mentais como a neurastenia, ou doenças externas como nevralgias, reumatismo e nódulos no pescoço e nos ombros, são vistas como algo semelhante à massagem ou à acupressão terapêutica. Portanto, acreditam que doenças internas, como as do pulmão, do coração e do estômago, são incuráveis por esse método, e que, para essas doenças graves, não há alternativa senão confiar na medicina moderna avançada.
Este é, provavelmente, o pensamento da maioria das pessoas. No entanto, do nosso ponto de vista, isso é um grande erro; na verdade, é o oposto. Vou explicar em detalhes. O método de cura da nossa Igreja é, obviamente, o Johrei, que não toca o corpo do paciente de forma alguma; apenas ergue a palma da mão a alguns shaku (cerca de 60 cm a 1 metro) de distância. Quem vê isso decide imediatamente: "Como é que uma doença pode ser curada com isso? Isso é um absurdo, um insulto à inteligência. Deve ser pura superstição." No entanto, é com isso que doenças graves e difíceis são curadas uma após a outra, o que é verdadeiramente misterioso e maravilhoso. Não seria exagero dizer que, enquanto o efeito curativo da medicina é um, o do Johrei é cem. Além disso, enquanto a medicina se divide em especialidades como cirurgia, clínica médica, neurologia, ginecologia, pediatria etc., nós curamos todas as doenças, sejam mentais ou orgânicas, com um único método: o Johrei.
E hoje, quando as pessoas em geral adoecem — exceto os seguidores —, dificilmente alguém nos procura desde o início. A primeira coisa que fazem é ir ao médico, pois isso é senso comum. Quando a doença se complica um pouco e não melhora como esperado, trocam de médico ou recorrem a especialistas e grandes hospitais. Se ainda assim não se curam, o passo seguinte, após muita hesitação, é apelar para terapias populares ou para a fé em religiões convencionais. Quando nem isso funciona e a doença só piora, não sabem mais o que fazer, ficando literalmente sem saída. É nesse momento, quando estão dispostos a agarrar-se a qualquer palha, que ouvem falar da nossa Igreja.
Mas, como já se queimaram com várias outras crenças e trazem gravados na mente os avisos de jornais e revistas para não caírem em charlatanices e religiões fraudulentas, hesitam a princípio. Impulsionados, no entanto, pela recomendação entusiástica de alguém e pelo sofrimento insuportável da doença, tomam a decisão e, cheios de dúvidas, a maioria vem para experimentar. Quando finalmente chegam, veem uma placa com o grande nome "Igreja Messiânica Mundial, filial tal, centro tal", mas a casa é uma residência modesta, típica de um assalariado, e ficam desapontados. Mesmo assim, pensando que seria uma pena ter vindo até ali e voltar, decidem entrar pela pequena porta de gradil. Lá dentro, nova decepção: uma sala velha de dois ou três cômodos, no máximo, e o "mestre" é o próprio dono da casa, que também atende na entrada. Seguem as instruções, sentam-se sobre uma almofada fina e, quando finalmente veem o rosto do mestre, a decepção é ainda maior. Como a maioria é de assalariados, pequenos comerciantes, agricultores ou ex-operários, a linguagem não é a de pessoas instruídas e, além disso, dizem coisas estranhas que eles nunca ouviram antes. Falam disparates como "remédio é veneno", "médicos criam doenças", e o paciente fica atônito, sem entender nada. Então, quando chega a hora do Johrei, o mestre não usa nenhum tipo de aparelho; apenas ergue a palma da mão no ar. O paciente, educado desde a infância a acreditar que as doenças se curam com remédios e aparelhos, e para quem o espaço não passa de ar vazio, acha que uma simples palma da mão erguida no ar poder curar doenças graves é algo tão supercientífico que parece truque de raposa; nem quer pensar em influência mental. Pelo contrário, sua dúvida só aumenta. Em contraste, vejamos como é a medicina. Nos países civilizados avançados, incluindo o Japão, a medicina recebe apoio e incentivo nacional, e até a educação universitária a valoriza enormemente. Há centenas de anos, cientistas do mundo inteiro dedicam-se a pesquisas exaustivas, e o progresso se torna cada vez mais minucioso e detalhado. Por isso, as pessoas estão firmemente convencidas de que não há cura para as doenças senão por meio de médicos e remédios. Desse ponto de vista mental, a medicina é cem por cento mais vantajosa. Além disso, os grandes hospitais têm construções imponentes, como grandes edifícios ou hotéis, instalações internas completas e placas com nomes de doutores famosos em suas especialidades, que brilham como deuses nas paredes das salas de espera, enquanto os anjos de branco se movimentam apressadamente, para lá e para cá, pelos longos corredores semelhantes a ruas. Só de ver isso, qualquer pessoa fica impressionada e exclama, com admiração do fundo do coração: "Realmente, a medicina progrediu! Com isso, não há doença que não possa ser curada." E assim acreditam plenamente. Acima, comparei a grandiosidade da medicina com a pobreza do nosso lado.
No entanto, vejam só! O efeito curativo, como escrevi no início, é completamente o oposto. Pacientes desenganados pela medicina são curados um após o outro. Não há outra palavra para descrever isso senão "milagre do século XX". Diante disso, devemos considerar o seguinte: se a medicina realmente curasse as doenças, o problema estaria resolvido, e não haveria tolos que confiassem suas preciosas vidas a terapias populares ou terapias de fé, sem base científica e inseguras. No entanto, a realidade é que as terapias não médicas continuam prosperando. Especialmente no caso da nossa Igreja, devido ao efeito do Johrei e à precisão de tudo, o número de pessoas que, acreditando de todo o coração e encontrando paz, se afastam dos medicamentos aumenta dia a dia e mês a mês. Diante disso, os senhores médicos também não terão escolha senão refletir profundamente. E o ponto principal deste artigo é fazer saber que a terapia pela fé não tem absolutamente nada a ver com influência mental.
A Superstição Médica Americana
Eikō nº 159, publicado em 4 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
A correspondência do Sr. Bunji Tatematsu, crente da nossa Igreja, enviada dos Estados Unidos, foi lida com grande interesse. Por ela, percebe-se que a superstição médica lá não difere muito da do Japão; pode-se até pensar que a superstição medicamentosa é ainda mais acentuada do que em nosso país. De fato, o avanço da cultura material nos Estados Unidos é tão esplêndido que atualmente domina o mundo, algo realmente admirável. No entanto, no aspecto espiritual, pode-se dizer que ainda é um território completamente inexplorado.
Isso não é de estranhar; falando sem rodeios, trata-se, afinal, de um país que é a própria expressão da cultura materialista. Portanto, é evidente que um mundo de paz e felicidade — o lema desse país — jamais se realizará, por mais tempo que passe. Diante disso, sinto profundamente a necessidade de difundir a nossa Igreja também nos Estados Unidos o quanto antes, e fazê-los despertar para a verdade.
E isso porque, do ponto de vista da salvação de toda a humanidade, acredito que difundir nossa Igreja nos Estados Unidos seja a ação mais eficaz. Naturalmente, como objetivo atual da Igreja, devemos salvar os japoneses, que constituem nossa base, mas também será necessário propagar amplamente a doutrina nos Estados Unidos. Como já disse em outra ocasião, os Estados Unidos são o centro da Cultura Horizontal, e o Japão, o centro da Cultura Vertical. Assim, por meio das atividades da nossa Igreja, surgirá uma verdadeira cultura em forma de cruz, unindo a vertical e a horizontal. Percebe-se que esse momento já está próximo. O Plano Divino de Deus também está direcionado para isso e, a partir de agora, tornar-se-á gradualmente mais evidente.
Não há Superstições na Igreja Messiânica
Eikō nº 143, publicado em 13 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
A maneira de pensar das pessoas em geral parece ser a de que, quando se fala em uma nova religião, elas a veem como superstição. Mas será que isso não é realmente estranho? Se essa visão fosse correta, as religiões estabelecidas não teriam superstição alguma. No entanto, pensando bem, mesmo as inúmeras religiões estabelecidas que hoje constroem base sólida foram, sem exceção, tratadas como cultos malignos e supersticiosos em seu início. Em primeiro lugar, o Cristianismo foi, como se sabe, vaiado pela população da época, e podemos compreender isso pelo fato de o fundador, Cristo, ter desaparecido como orvalho na cruz. No Japão também, pessoas como Honen, Shinran, Nichiren e o fundador da Tenrikyo foram tratados como fundadores de seitas heréticas; é de conhecimento geral que foram repetidamente presos e exilados em ilhas distantes, e alguns chegaram a correr perigo de vida.
No entanto, eles ainda brilham intensamente. Como se pode ver, em qualquer época mal-entendidos e sofrimentos são inerentes às novas religiões. Por essa razão, mesmo os homens modernos, especialmente os jornalistas, mal tomam contato com uma nova religião e já a rotulam de farsa maligna.
Essa leviandade é inadmissível. Mais cedo ou mais tarde, essas pessoas ficarão sem saída, e será justo que passem vergonha.
Diante disso, quem pode afirmar que, entre as novas religiões hoje alvo de críticas da sociedade, não surgirá no futuro algo superior às religiões estabelecidas atuais? É um enorme autoelogio, mas a nossa Igreja, por exemplo, está no centro de elogios e críticas, atraindo a atenção da sociedade; acredito que, mais cedo ou mais tarde, surgirá grande número de pessoas que se arrependerão. Talvez isso se deva ao fato de as teorias que defendemos estarem tão distantes do nível das religiões estabelecidas e da cultura moderna que não podem ser facilmente compreendidas. Desde os tempos antigos há inúmeros exemplos. Mesmo no campo da ciência, aqueles que propunham novas teorias eram tratados como hereges pela classe dominante da época e sofriam severamente, como é de conhecimento geral. As teorias heliocêntricas de Copérnico e Galileu são bons exemplos.
Além disso, as teorias defendidas pela nossa Igreja são tão inovadoras e sem precedentes na história que, aos olhos da cultura estabelecida, é natural que pareçam totalmente inacreditáveis — talvez como os padres cristãos do final do período Edo.
Falando francamente, porém, sobre minha visão da cultura moderna — não se surpreendam —, a maior parte dela está imersa em superstições terríveis.
Em linhas gerais, posso classificá-las em três grandes superstições: a médica, a dos fertilizantes e a do ateísmo. Como as duas primeiras já foram explicadas com frequência, omito-as aqui. Quanto à terceira, a superstição do ateísmo, já a abordei consideravelmente, mas ainda há pontos insuficientemente ditos; por isso, escreverei sobre ela.
Trata-se, obviamente, do pensamento ateu de que Deus não existe neste mundo. Por isso, inversamente, os ateus é que consideram os teístas supersticiosos — uma superstição às avessas. Se examinarmos com o coração sereno todos os fenômenos da natureza, é impossível não perceber a existência real de Deus. Hoje, porém, são pouquíssimos os dispostos a investigar até esse ponto, pois, educados materialistamente desde o nascimento, tornaram-se completamente ateus. Assemelham-se ao homem primitivo que, por não ver o ar, dizia que ele não existia. Quão primitivo é esse modo de pensar! Portanto, romper com essa superstição do ateísmo e reeducar as pessoas é a questão mais urgente. Não há outra maneira de realizar um verdadeiro mundo civilizado.
Há ainda as superstições seculares, que as pessoas de hoje relativamente desprezam.
Ou seja, crenças como as do calendário — "Taian", "Extinção do Budismo", "Senpu" —, que parecem ridículas e, no entanto, estão surpreendentemente enraizadas no coração das pessoas. Há também os dias propícios e adversos, o feng shui das casas, as direções, a compatibilidade etc. Poder-se-ia supor que tais superstições existem apenas no Oriente, mas não é assim; o Ocidente também não fica atrás. A sexta-feira 13 é um exemplo; dizem que hotéis e hospitais chegam a omitir o número 13 em seus quartos. A origem está na Paixão de Cristo. O interessante é que, quanto mais cientificamente avançado é um país, mais superstições parece ter.
Diz-se que, entre os países civilizados, a Alemanha é o que tem o maior número de superstições. Isso parece completamente ilógico, mas, na verdade, é lógico, como explicarei a seguir.
Primeiramente, na sociedade moderna, quanto mais culta a pessoa, mais acredita que, agindo de forma científica e racional, tudo correrá bem.
Curiosamente, porém, a realidade não é bem essa; com frequência os resultados contrariam as expectativas. Diante de uma doença, por exemplo, ainda que a pessoa se interne logo em um hospital famoso, com médicos renomados, e gaste sem limites com o que há de mais moderno na medicina, não raro não se cura e até morre. Em contrapartida, o filho de um rico, que gasta à vontade e segue rigorosamente as ordens do médico, torna-se criança fraca e doentia, enquanto o filho de um pobre, que não recebe cuidados especiais, permanece saudável e forte. Além disso, é comum sobrevirem calamidades inesperadas, como acidentes de trânsito; por mais cuidado que se tome, não há como evitar doenças ou desastres repentinos. O mundo é assim, e o futuro é, de fato, inteiramente incerto. Do mesmo modo, há pessoas más que parecem boas e pessoas boas que parecem más. Às vezes confiamos descuidadamente em alguém e sofremos consequências terríveis; outras, os que julgávamos inúteis revelam-se surpreendentemente úteis. É também coisa comum no mundo: uma pessoa que poupa com diligência e se alegra com sua caderneta de poupança vê, de uma só vez, o suor e o sangue de anos desaparecerem quando um familiar adoece e precisa ser hospitalizado — exatamente como diz o ditado: "cem dias de sermão são desfeitos por um peido".
Pensando bem, o ser humano realmente respira em meio à ansiedade. Por isso, o governo também se empenha com ardor em várias leis de prevenção de desastres, como seguros e indenizações. Embora isso seja melhor que nada, como todos sabem, não é, de forma alguma, solução fundamental.
Como vimos, num mundo em que não se pode ter paz de espírito nem por um instante, é claro que só a ciência não pode trazer tranquilidade. É da natureza humana buscar algo mais em que se apoiar. As pessoas recorrem, então, às tradições antigas e às crenças comuns que possam, ainda que minimamente, acalmar a ansiedade. Isso decorre da desconfiança na ciência e é inevitável. Portanto, não é errado afirmar que a ciência cria superstições. No entanto, quando alguém se torna seguidor da nossa Igreja, a ansiedade desaparece de verdade.
Os relatos de graças o demonstram abundantemente; quem os ler compreenderá. No mundo atual, ninguém deve ter tanta sensação de segurança quanto os seguidores da nossa Igreja. Isso não significa que não haja infortúnios — não existe no mundo quem esteja completamente livre de pecados e impurezas. Mas, ainda que um infortúnio ocorra, sua causa é claramente compreendida; e, como ele é uma purificação, há a alegria de saber que, uma vez concluído, a felicidade aumentará. Chega a surgir até um sentimento de gratidão, e a pessoa acaba por se tornar alguém sem ansiedade. Ao procurar uma casa, por exemplo, com a proteção de Deus encontra exatamente a que se desejava; se não a encontra, é sinal de que ainda é cedo e é preciso esperar. De todo modo, é comum ocorrer o milagre de receber uma casa melhor que a esperada. Quando tudo se passa assim, a pessoa habita literalmente em estado de tranquilidade e paz espiritual, e não há razão para que surja dúvida alguma. Ou seja, como diz o título, entende-se que a nossa Igreja não tem superstições.
A Cirurgia é Bárbara?
Eikō nº 143, publicado em 13 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Recentemente, a cirurgia tem se tornado muito popular. Estudiosos da medicina nos Estados Unidos chegam a afirmar que seu aprimoramento é a condição máxima da medicina. Sem dúvida, também no Japão há médicos que pensam assim. A meu ver, porém, isso é um grande equívoco, e é o que passo a expor. Como sempre digo, a doença é o sofrimento causado pela eliminação de toxinas que formaram um acúmulo endurecido em alguma parte do corpo. A visão da medicina, em contrapartida, é superficial: pensa que, se as toxinas atualmente existentes forem removidas pela cirurgia, a cura estará completa. Se fossem apenas essas toxinas, tudo bem; mas, na maioria dos casos, há "tropas de reforço". Ainda que desapareçam temporariamente, novas toxinas se acumulam em seguida. Observando os casos frequentes, fica claro que a pessoa, mesmo curada temporariamente pela cirurgia, volta a piorar e necessita de uma segunda, terceira e até mais intervenções.
Na apendicite, por exemplo, removido o apêndice vermiforme, a pessoa de fato não terá mais apendicite. As toxinas de reforço, porém, acumulam-se no peritônio ou nos rins, criando uma segunda e uma terceira causa de doença. Do mesmo modo, extraído um dos rins — direito ou esquerdo — por doença renal, é raro que a cura se complete apenas com isso; na maioria dos casos, a doença reaparece no rim restante. Quanto à cirurgia do câncer de estômago, a mais comum, diz-se que a remoção completa é rara; quase sempre resta uma parte que se espalha e, segundo se afirma, recidiva com facilidade.
Por essas razões, ainda que a cirurgia seja bem-sucedida por sorte, é quase impossível voltar ao estado de saúde original. Depois de uma cirurgia de apendicite, a pessoa perde a força abdominal; depois da extração de um rim, torna-se franzina; depois da cirurgia de câncer de estômago, não consegue se alimentar satisfatoriamente e vê-se obrigada a repartir alimentos moles em várias refeições. Torna-se, por assim dizer, uma deficiente interna; por isso, a cirurgia não pode ser considerada um verdadeiro método terapêutico. Além disso, como sempre digo, ela consiste em brandir o bisturi e retalhar o corpo humano — um método extremamente bárbaro.
O método do Johrei da nossa Igreja, por outro lado, elimina apenas as toxinas acumuladas e endurecidas, restaurando o corpo ao seu estado original. Pode-se dizer que essa é, sim, a medicina cultural mais avançada.
Esmagando os Maus
Eikō nº 144, publicado em 20 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Quem ler este título provavelmente o achará bastante estranho; escrevo assim, porém, por julgá-lo o mais adequado. O que isso significa exatamente? Simplesmente que há pessoas demais neste mundo empenhadas em me enganar ou ludibriar. Como sou religioso e aparento ser uma boa pessoa — não é que aparente: sou de fato uma boa pessoa —, e tenho aparência de Buda, tratam-me com desdém. Tais indivíduos são versados em astúcia e malícia e tramam planos terríveis. Há também, por outro lado, pessoas de posição social que agem com agressividade descarada. Esses tipos, desde o início, procuram me engolir como uma jiboia engole a presa. Nesses casos, primeiro deixo que me engulam e, aos poucos, vou tecendo uma estratégia. Não se trata, contudo, de um método particularmente diferente; é algo extremamente simples e comum. Por isso mesmo, eles não percebem, ficam eufóricos, abusam da confiança e se lançam sobre mim. Eu, no entanto, seguro firmemente apenas o ponto vital — o mais importante — e, depois, deixo que ajam conforme sua vontade. Tentam várias coisas, mas, como não conseguem o que desejam, parecem prestes a desistir; não desistem com facilidade. Pelo contrário, ficam à espera, pensando: “O Okada já deve estar em apuros, já deve estar prestes a propor um acordo.” Eu, do meu lado, permaneço perfeitamente calmo, deixo tudo como está e finjo que nada acontece. A outra parte, então, não tem o que fazer: gasta todo o dinheiro em manobras, vê-se cada vez mais em desvantagem e, quanto mais se desespera, pior fica — até acabar se dando mal.
Isso acontece com frequência. Há também os espertalhões que, com métodos engenhosos, tentam extrair dinheiro de mim, armam estratégias e, insistentemente, se aproximam com um pretexto ou outro.
Em suma, pensam que a Igreja Messiânica tem dinheiro e que o Mestre da nossa Igreja, sendo por assim dizer um deus vivo, deve ser ingênuo quanto às coisas do mundo. Acham portanto que, mais cedo ou mais tarde, ele certamente fornecerá uma quantia considerável. Subestimam ainda a situação, supondo que, mesmo que eu sofra um pequeno prejuízo, desistirei por achar problemático e não recorrerei à Justiça. No entanto, como as intenções da outra parte me são perfeitamente claras, supero-a em astúcia, aplicando uma contraestratégia. Assim, ela vê os próprios planos frustrados, fica sem ação nem saída e, no fim, só obtém trabalho e cansaço, sem lucro algum.
Não sinto a menor pena. Ao escrever isso, talvez pensem que Meishu-Sama, de modo pouco condizente com um religioso, parece verdadeiramente impiedoso. Mas, do ponto de vista de Deus, é correto. A vontade do Deus do Futuro é que Ele ajudará o bem incondicionalmente, mas não perdoará o mal, nem que seja a menor parte. É este também o significado do que sempre digo: é preciso vencer o mal. Há também uma expressão comum: “aquele sujeito é matreiro.” No entanto, por trás dessa frase há um sentido negativo; seu oposto significa “aquele sujeito é uma boa pessoa, mas não serve para nada.” Visto por esse ângulo, parece que os maus são, por definição, os que são “matreiros”. Mas, na verdade, considero-me uma pessoa duas vezes mais “matreira” do que esses tais. Esse é o verdadeiro homem bom, e sem ele não é possível melhorar este mundo mau. Por essa razão, minha política é esmagar, um por um, todos os maus que existem no mundo. É assim que acredito que deve ser a postura de um religioso vivo.
Miscelânea sobre Arte Oriental (2)
Eikō nº 167, publicado em 30 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
À parte desses, no período Momoyama, nasceu um artífice sem igual em sua época, o famoso Hon’ami Koetsu. Seu gênio para a beleza era original e inigualável em tudo o que tocava, e entre suas obras estavam os lacados com pó de ouro (maki-e), a cerâmica Raku, a caligrafia e a pintura, ainda que não em grande quantidade. Seu design inovador e a escolha dos temas, nem é preciso dizer, maravilhavam as pessoas da época. Foi sob a influência desse Koetsu que surgiu o renomado Sotatsu. Esse homem rompeu brilhantemente com as tradições de todas as escolas existentes até então e criou uma magnífica arte pictórica como a que vemos hoje, sendo, portanto, um grande benfeitor para o mundo da pintura japonesa. Mais de cem anos depois, surgiu o renomado Korin. Ele seguiu com admiração o estilo de Sotatsu e o aperfeiçoou ainda mais; por isso, Sotatsu pode ser considerado, por assim dizer, a mãe que deu à luz Korin.
Aqui, é necessário acrescentar uma palavra sobre Korin. Pois até Matisse e Picasso, tão discutidos hoje em dia, têm sua origem em Korin. Penso que Korin foi reconhecido mundialmente por volta de meados do século XIX. Quem o descobriu primeiro foi um pintor francês. Assim que este pintor viu pela primeira vez as pinturas de Korin, arregalou subitamente os olhos de espanto. Isso porque, até então, na Europa, o estilo de beleza renascentista, que perdurava por longos anos, desenvolvido ao extremo, atingira, sobretudo na pintura, o ápice do realismo e chegara a um beco sem saída, sem mais para onde ir. Dá para imaginar, pois naquela época havia quem dissesse que era melhor colorir fotografias. Foi então que Korin apareceu como um raio em céu azul. Seu estilo pictórico, ao contrário dos métodos anteriores, minuciosos e detalhados, omitia tudo de forma extremamente ousada e, no entanto, expressava a própria essência do objeto de modo mais esplêndido que o realismo. Ao ver aquilo, o mundo da pintura francesa, naturalmente, exultou como diante do advento de um salvador; instantaneamente, houve uma reviravolta de cento e oitenta graus, dando origem ao Impressionismo e ao Pós-Impressionismo. A partir desse ponto, após várias transformações, chegou-se enfim ao estado atual da pintura. Portanto, a contribuição de Korin é tão grandiosa que não há palavras para expressá-la. Na época, havia um livro considerado uma estrela no mundo editorial francês, cujo título — embora tenha esquecido o nome do autor — era “Korin, que Move o Mundo”. De fato, tendo movido o mundo inteiro cem e poucos anos após sua morte, creio que Korin, comparado a Shakespeare na Inglaterra, não lhe seja inferior — antes, superior.
Isso porque as realizações de Korin não se limitaram apenas ao mundo da pintura, mas provocaram uma grande revolução em todas as áreas da sociedade. O primeiro estilo a surgir foi a Art Nouveau, que gradualmente revolucionou o design em escala mundial.
Trata-se da simplificação de toda a beleza. A mudança mais notável ocorreu na arquitetura. O primeiro movimento a surgir foi a Secessão, que, após várias transformações, desembocou no estilo de Le Corbusier, hoje dominante no mundo da arquitetura. Como exposto acima, toda a arquitetura mundial, móveis, utensílios, vestuário, arte comercial etc. — tudo transformou o estilo renascentista em um sonho do passado.
Escrevi de forma resumida sobre as realizações de Korin, mas penso o seguinte: entre os japoneses, como a primeira pessoa a mover o mundo culturalmente, não há outro senão Korin. O que mais seria ele senão uma pirâmide mundial nascida no Japão? O mesmo se aplica ao atual mundo da pintura japonesa. Foi também Korin quem revolucionou de uma só vez a pintura japonesa, que até então era apegada aos velhos moldes das escolas Kano, Shijo e Nanshu. Há uma história sobre isso. Foi há cerca de trinta e poucos anos, quando me encontrei pessoalmente com o mestre Okakura Tenshin. O mestre disse: “Criei agora o Instituto de Belas Artes, e sua intenção é fazer reviver Korin nos tempos modernos”, mostrando sua determinação.
Em vista disso, a pintura japonesa atual tem Korin como base, com o acréscimo da pintura ocidental. Como isso se tornaria longo demais, encerro aqui a história de Korin e passo ao próximo tópico. Escreverei então um resumo da história da pintura japonesa. Em primeiro lugar, é de conhecimento geral que a pintura japonesa foi transmitida da China.
E, segundo a história da pintura, o local de origem da pintura oriental é Dunhuang, na China, próximo ao Tibete. Essa região era, há mais de mil anos, uma cidade com a cultura mais desenvolvida. O Sr. Otani Kozui, ao que parece, gostava muito dela; permaneceu ali por muito tempo e realizou extensas pesquisas e investigações, cujos registros já vi. Vi também muitas fotografias anexadas, que revelam que a arquitetura, os costumes etc. eram bastante avançados para a época. A época era a dinastia Tang; a partir do período das Cinco Dinastias, a pintura começou a progredir e, já na dinastia Song do Norte, atingiu forma completa como pintura oriental, com o surgimento sucessivo de mestres famosos e gênios. As famosas pinturas das dinastias Song e Yuan, tão valorizadas hoje, são obras dessa época. Curiosamente, a maioria dos pintores famosos de então eram monges zen. Mokkei e Ryo Kai, os grandes mestres da pintura a nanquim, também eram monges zen, e as obras desses dois grandes nomes estão expostas no museu; portanto, devem tê-las visto. Como vimos, a pintura nascida na China foi introduzida no Japão a partir do período Ashikaga.
É verdade que um pouco já havia entrado antes, na era Nara; mas foram Ashikaga Yoshimitsu e Yoshimasa que conheceram as famosas pinturas das dinastias Song e Yuan, como descrito. Por isso, a maioria das famosas pinturas Song e Yuan existentes hoje no Japão passaram pelo crivo do clã Ashikaga, e as particularmente excelentes, como “Tesouros de Higashiyama”, têm um selo especial, sendo facilmente identificáveis. Quem desempenhava a função de lidar com essas famosas pinturas era Soami. Naturalmente, Geiami e Noami também parecem ter se envolvido, e foi sob essa influência que nasceu a pintura a nanquim do período Higashiyama. Além deles, temos Shubun, Jasoku e Kei Shoki como pintores que estudaram a pintura chinesa da época e, um pouco mais tarde, Sesshu. Não há dúvida de que esses homens foram os fundadores da pintura japonesa. Portanto, pode-se dizer que o fundador da escola Kano foi Sesshu.
O Destino Mutável Pode Ser Criado Livremente
Eikō nº 145, publicado em 27 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde os tempos antigos, os seres humanos têm o hábito de se resignar, pensando que, seja para o bem ou para o mal, as coisas são devidas ao destino mutável e não há o que fazer — e, como todos sabem, consideram o destino mutável algo inevitável. No entanto, desejo ensinar que o destino mutável pode ser mudado livremente por qualquer pessoa. Isso porque, originalmente, o destino mutável é algo que o próprio ser humano cria; compreendida essa verdade, este mundo não é motivo para pessimismo, mas sim para grande otimismo.
Nem é preciso dizer que ninguém quer ter um destino mutável infeliz, e que todos desejam, de alguma forma, agarrar a boa sorte; isso é natural. Apesar de ser um desejo comum a todos os seres humanos, que se esforçam com empenho, suando sangue e arriscando a própria vida, quantas pessoas conseguem, de fato, agarrar a boa sorte? Pode-se dizer que, no mínimo, é difícil encontrar uma em cem. Se assim é, a questão passa a ser o que fazer para ser uma pessoa feliz, e o resultado final de tanta hesitação é partir para o outro mundo. Não é esta uma vida angustiante? Como disse o Buda Shakyamuni, este é realmente um mundo de impermanência. No entanto, de vez em quando, não deixa de haver, entre dez mil pessoas, uma que realmente agarra a boa sorte. Ao ver tal pessoa, as pessoas do mundo não conseguem se resignar completamente e passam a perseguir sonhos, e não falta quem, por isso, desperte para a verdade de que o mundo está bom como está. Se existisse um método para realmente agarrar a boa sorte, não haveria nada melhor do que isso.
É porque ninguém compreende isso que acaba criando um destino instável e infeliz. Em outras palavras, a própria pessoa constrói uma prisão, entra nela e sofre. De fato, o mundo está repleto de pessoas tão tolas e dignas de compaixão. Então, o que fazer para se tornar uma pessoa de sorte? A resposta é clara: basta semear sementes do bem, conforme as palavras antigas "causa boa, efeito bom; causa má, efeito mau". A semente do mal é a ideia egoísta de fazer os outros sofrerem, causar-lhes danos e, desde que se esteja bem, deixar que os outros fiquem como estiverem. A semente do bem é a ideia do Amor Altruísta, de fazer os outros felizes e trazer-lhes benefícios. Dito assim, parece extremamente simples, mas é muito difícil, e por isso a vida humana é algo complicado. Então, o que fazer? É criar um coração que acredite no Caminho Perfeito acima e seja capaz de guardá-lo, pois, uma vez assim, a pessoa o colocará em prática mesmo sem querer. Para isso, não há outro caminho senão a fé, mas é preciso notar aqui que, mesmo sendo simplesmente "fé", existem muitas variedades, e nem é preciso dizer que é necessário selecionar cuidadosamente. A propósito, não é autoelogio, mas a nossa Igreja Messiânica é a fé que melhor se adequa a essas condições. Portanto, recomendo que as pessoas que sofrem com a infelicidade se convertam o mais rápido possível.
Elimine o Espírito de Dependência
Eikō nº 145, publicado em 27 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Observando atentamente a situação do Japão, dificilmente haverá povo com um espírito de dependência tão forte quanto o japonês atual. Mesmo aquele consultor do Secretário de Estado norte-americano Dulles, que visitou recentemente o Japão, advertiu, entre as palavras que deixou ao partir, que o Japão está agora sofrendo de "inflação de investimento" — e isso é exatamente assim; em outras palavras, poder-se-ia chamar de inflação de endividamento. Como ele disse, nunca houve uma época em que as dívidas fossem tão numerosas e graves como hoje. Acima de tudo, o excesso de empréstimos dos bancos é a prova disso. Excesso de empréstimos significa, naturalmente, que o valor dos empréstimos supera o dos depósitos, e diz-se que isso afeta a credibilidade da economia nacional de forma nada comum. Isto é algo que todos sabem, mas, no Japão, ao planejar e iniciar qualquer empreendimento, seja grande ou pequeno, quase sempre se conta com empréstimos. Provavelmente, hoje em dia, os japoneses que não têm dívidas são tão raros quanto estrelas da manhã.
Na verdade, mesmo entre os agricultores, o número de hipotecas agrícolas aumenta a cada ano. E, quando se trata de projetos um pouco maiores, vê-se por toda parte pessoas que, contando com empréstimos de bancos e também do governo, de cooperativas de crédito municipais, de órgãos públicos etc., correm para cá e para lá. Por causa disso, os gastos desnecessários com despesas de lobby, juros e outros itens devem atingir somas surpreendentemente enormes, e é evidente que, mesmo em negócios bastante lucrativos, no final, as contas não fecham.
Vejam: a atual escassez de dinheiro, a emissão excessiva de hipotecas, os problemas de corrupção etc. têm, em sua maioria, essa política de endividamento como causa raiz. Se assim é, para reerguer a economia japonesa e se libertar das dificuldades atuais, como a crise financeira e a falta de fluidez nas transações, deve-se considerar seriamente este ponto. Ou seja, deve-se ser extremamente cauteloso, contraindo dívidas somente após ter uma previsão segura de que se poderá pagá-las integralmente até o vencimento e de que se obterá lucro suficiente para que, mesmo pagando tais e tais juros, o saldo seja amplamente positivo. Dessa forma, atualmente, não há quem não esteja atormentado por dívidas em qualquer área, e o impacto negativo que isso causa no mundo econômico é surpreendentemente grande — e, se, de repente, alguma mudança provocar um caos econômico, será terrível.
Gostaria de escrever um pouco sobre mim aqui: mesmo o Paraíso Terrestre de Hakone e Atami, que estou construindo atualmente, provavelmente não tem precedentes em sua magnitude. Acho que dificilmente alguém que o veja pela primeira vez deixará de exclamar com admiração. Pensando como o mundo em geral, a nossa Igreja, fundada há apenas alguns anos, como poderia construir algo tão extraordinário? As pessoas certamente não conseguirão entender, mas, na verdade, não estou passando por tantas dificuldades assim. Normalmente, não seria impossível receber ajuda de bancos ou órgãos públicos, mas minha política é absolutamente não fazer isso; pretendo realizar tudo com minhas próprias forças. Por isso, percebo claramente que tudo é o plano de Deus, mas, considerando que eu mesmo, no início, estava apreensivo, não posso deixar de achar isso misterioso. Afinal, a escala se expande cada vez mais, de uma forma que eu nem imaginava, não sendo nada além de um milagre.
Em breve, o museu de arte ficará pronto. Quanto às obras de arte a serem expostas, itens de nível de tesouro nacional ou peças famosas são, naturalmente, difíceis de adquirir, e sei que não se consegue comprá-los com pouco dinheiro. No entanto, como são necessários até certo ponto, estou pensando em dar um jeito, mas estou tranquilo, confiante de que Deus providenciará tudo da melhor forma. Antes, sinto até uma espécie de interesse otimista. Dessa forma, não estou em posição de dizer "abandonem a dependência", mas, nesse ponto, como o outro lado é Deus, diferente dos humanos, estou bastante otimista.
Fragmentos Médicos (13) – O Ponto Vital do Johrei
Eikō nº 145, publicado em 27 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Como sempre alerto a respeito do Johrei, quando o ponto vital não é atingido, o esforço se torna grande e o efeito, pequeno. Isso vale para qualquer doença, mas, nos últimos tempos, as doenças da cabeça são particularmente frequentes.
A causa está ao redor do pescoço, ou seja, há uma solidificação em um dos gânglios linfáticos, do lado direito ou esquerdo, que está consideravelmente inchado. Na maioria dos casos, é possível perceber apenas olhando, mas certamente há também uma febre considerável, e, ao tocar, é possível perceber bem. Outro ponto é que a região da medula oblonga, também de um dos lados, direito ou esquerdo, está inchada. Apenas olhando, percebe-se que um dos lados está mais elevado; ao tocar, percebe-se ainda melhor, e há também um estado ligeiramente febril. Portanto, ao aplicar o Johrei nessa região, certamente haverá efeito. Pessoas assim sentem constantemente peso na cabeça e uma sensação de turvação. O que é particularmente surpreendente é que, mesmo pessoas com problemas nos braços ou pernas, muitas vezes se curam com o Johrei nessa região, o que é realmente misterioso.
Além disso, há outro fato interessante. A causa de doenças relacionadas ao ânus, como as hemorróidas, reside quase sempre em uma concentração de toxinas na nuca; portanto, ao aplicar o Johrei nesse local, elas se curam bem. Além disso, dependendo do tipo de problema dentário, a causa pode estar no fato de que os antissépticos usados na cirurgia de apendicite se tornam tóxicos e tentam sair pela gengiva; assim, ao aplicar o Johrei na região do apêndice, é evidente que se cura bem. Em seguida, no caso do panarício, aplica-se Johrei na região dos gânglios linfáticos do mesmo lado; no caso da gangrena, há um caroço na virilha do mesmo lado e, aplicando-se Johrei nesse local, certamente se cura.
Dessa forma, o sofrimento causado pelas doenças tem sua origem e seu ponto vital. Portanto, é necessário descobri-los. A medicina, que não conhece isso, tenta tratar apenas o local do sofrimento, por isso não cura facilmente; e, mesmo que cure, é algo temporário, não uma cura verdadeira. Desejo, portanto, ensinar-lhes o significado do que foi exposto acima.
Milagre e Religião
Eikō nº 146, publicado em 5 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Nem é preciso dizer, mas milagre refere-se a algo que não deveria ser possível, que não se enquadra na lógica mensurável pelo senso comum, resumindo-se a uma única palavra: mistério. Então, quando surgiram os milagres? Considerando o que ficou registrado, o maior exemplo é, sem dúvida, o milagre de Cristo. Isso é tão amplamente conhecido que dispensa explicações, portanto, vou omiti-lo. O milagre mais notável em nosso país foi, provavelmente, a perseguição de Tatsunokuchi sofrida pelo Venerável Nichiren.
Além disso, parece que houve milagres consideráveis dos fundadores de religiões como Tenrikyo, religião Oomoto, Konkokyo e Hitonomichi (a atual religião PL), e outros milagres menores ocorreram em vários lugares, como aqueles que sabem, sabem. No entanto, curiosamente, nas religiões antigas e bem estabelecidas, quase não há milagres.
Mas é provável que mesmo essas religiões tenham tido milagres consideráveis enquanto seus fundadores estavam vivos; com o passar do tempo, porém, desapareceram completamente. Por essa razão, as pessoas sensatas dos grupos religiosos estabelecidos, para garantir sua própria sobrevivência, precisaram encontrar algo de valor que substituísse os milagres.
Disso resultaram formas acadêmicas como a filosofia religiosa, a ciência religiosa e a teologia.
Desnecessário dizer que o cerne disso é desprezar as graças recebidas nessa vida, considerando a salvação espiritual como correta, e, além disso, acrescentando as formas tradicionais de cada seita, essas religiões têm mantido a vida do templo de qualquer maneira.
No entanto, as pessoas de coração e as massas cultas não se contentam com isso, mas também não há uma fé que atenda às suas esperanças, de modo que, naturalmente, o número de descrentes aumentou, como se vê hoje. Então, o que as pessoas buscam ardentemente como fé atualmente? Em primeiro lugar, deve ser algo novo, que tenha descartado as velhas vestes, que tenha o respaldo dos fatos, sem teorias vazias, e que, acima de tudo, tenha como premissa a teoria intelectual.
A propósito, existem algumas religiões que estão prosperando atualmente: o Fudōson de Narita, Toyokawa, Fushimi Inari, Konpira Gongen, uma certa escola do Nichiren-shu, etc.
De fato, essas religiões podem estar sendo úteis até certo ponto na sociedade, mas, afinal, são crenças focadas em benefícios materiais, de nível muito baixo, sem qualquer atrativo para pessoas com considerável educação ou para a camada jovem — sendo, olhando imparcialmente, uma existência que apenas satisfaz uma parte do povo comum. Se assim é, atualmente existem apenas dois tipos: a religião teórica do primeiro tipo e a fé em benefícios materiais do segundo tipo. Quão desolador não é o mundo religioso do Japão atual? Então, o que essa situação atual sugere? Desnecessário dizer que é o surgimento de uma nova religião ideal como a mencionada anteriormente. Então, se for uma religião que se encaixa perfeitamente nas demandas da era moderna, pode ser presunçoso, mas não há outra senão a nossa Igreja Messiânica. Aqui, escreverei sobre a singularidade da nossa Igreja. Na nossa Igreja, além de novas interpretações da filosofia, ciência, teologia etc. nunca antes desenvolvidas por outros como teoria religiosa, ela aponta as falhas da cultura moderna, ensina como deve ser a nova cultura e mostra as diretrizes para a criação de um novo mundo civilizado, podendo ser chamada, antes, de uma religião que transcende a religião.
Acima de tudo, quando se entra na nossa Igreja e a examina em detalhes, ficará admirado com a veracidade de suas palavras. Além disso, uma grande característica da nossa Igreja é a abundância de milagres.
Quem se torna crente entenderá, mas provavelmente não há precedente na história de uma religião com tantos milagres quanto a nossa Igreja. Naturalmente, como milagre significa graça recebida nessa vida, não há dúvida de que é possível criar o mundo sem doença, pobreza e conflito, que é o lema da nossa Igreja. Escrevi de forma bastante ousada acima, mas o primeiro passo é entrar em contato com ela.
Obra Social e Obra Religiosa
Eikō nº 146, publicado em 5 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Observando o mundo de hoje, parece que não se percebe que muitos confundem obras sociais com obras religiosas. É claro que há uma razão para isso, e vou escrevê-la agora. Atualmente, começando pelo Cristianismo e, mais recentemente, também as religiões estabelecidas do Japão, todas as que alcançaram um porte considerável administram hospitais. Pode-se dizer que isso ocorre porque, de fato, as doenças não são curadas pela fé, e não há outro jeito, mas, na verdade, não é bem assim. Se a fé curasse as doenças melhor do que a medicina, é óbvio que não haveria necessidade alguma de construir hospitais, não é mesmo?
Dito isso, falando sem rodeios, isso significa declarar que a medicina é superior à fé, e que a ciência está acima da religião. Se assim é, seria melhor desfazer-se do deus ou buda que se vinha adorando até então e, em seu lugar, colocar a fotografia de um médico no altar e adorá-lo de manhã e à noite.
Afinal, o médico é o pai da vida. No entanto, a nossa Igreja declara claramente que, por mais que cresça, jamais construirá hospitais.
Essa afirmação certamente surpreenderá as pessoas modernas quando a ouvirem, mas, escusado será dizer, isso se deve ao fato de o poder de cura da nossa Igreja ser decididamente superior ao da medicina. Por essa razão, falo sempre em uma revolução médica. Outra coisa que quero dizer é que atualmente existem várias instituições, como orfanatos, asilos e obras de caridade para os pobres.
Na minha opinião, isso nada mais é do que uma caridade superficial, um mero paliativo. Por quê? Porque o surgimento de pessoas infelizes em diversas situações tem uma causa fundamental em algum lugar da sociedade. Não seria o caminho correto descobrir essa causa e nela intervir cirurgicamente? Lamentavelmente, porém, isso não é compreendido e, sem alternativa, continuam-se adotando métodos paliativos que apenas tratam os sintomas. A nossa Igreja, por sua vez, conhece a causa de todas essas infelicidades e, por isso, expande sua rede de salvação. É por essa razão que o Paraíso Terrestre será construído no futuro; essa também é a missão da nossa Igreja. Portanto, não adotamos meios tolos, como tentar estancar um fluxo temporário. Afinal, também não há necessidade disso. Como há pessoas que, desconhecendo os fatos acima, perguntam por que a nossa Igreja é indiferente às obras sociais, apresento aqui minha explicação.
O Ajuste do Desenvolvimento por Deus
Eikō nº 147, publicado em 12 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Eis o que todos os fiéis pensam: não deve existir religião tão maravilhosa quanto a Igreja Messiânica. Doenças graves e incuráveis, que nem a medicina mais avançada consegue curar, são curadas uma após a outra, e diversos milagres gratos continuam a se manifestar. A família inteira é salva e se torna o Paraíso. Como nunca vi nem ouvi falar de uma religião tão grandiosa, o desejo ardente de todos, penso eu, é fazer com que o maior número possível de pessoas compreenda e alcance o mesmo estado de tranquilidade e paz espiritual que eles próprios experimentam. Entre esses, há alguns que, por pensarem demais, não conseguem ficar quietos e recomendam a fé com grande entusiasmo a parentes, conhecidos e amigos.
No entanto, poucos são os que aceitam acreditar prontamente. Por isso, muitos parecem se preocupar, pensando se a falha está na sua maneira de explicar, se não estão correspondendo à vontade de Deus, ou se é devido ao excesso de pecados e impurezas em si mesmos. Ouço com frequência que há líderes de filiais que, angustiados, pensam que deve haver uma causa para o desenvolvimento não ocorrer como desejam e querem descobri-la. Isso é compreensível, mas vou escrever sobre minha experiência a respeito. Quando comecei este trabalho, no início, não era uma religião, mas uma terapia popular.
Por isso, mesmo hoje, quando afirmo que a medicina está errada e que os remédios são venenos, não só ninguém leva a sério, como chegam a duvidar da minha própria sanidade mental. Quanto mais naquela época: se eu dissesse descuidadamente algo que parecesse crítica ao tratamento médico, era imediatamente convocado pela polícia, o que era perigoso e não havia como evitar. Foi superando todos esses tipos de dificuldades que consegui, de alguma forma, abrir caminho; isso se tornou a base do desenvolvimento atual. Se pensarmos bem, portanto, em qualquer profissão é raro alguém se tornar um profissional completo em três ou cinco anos. Em qualquer ofício, é comum levar pelo menos dez anos; isso deveria ser bem compreendido observando o mundo. No entanto, ao se tornar fiel da nossa Igreja, em menos de um ano a pessoa já se torna um excelente mestre. Provavelmente não existe graça tão maravilhosa quanto esta. Também sobre isso se deve refletir bem. E, como a nossa Igreja visa construir o Paraíso Terrestre, antes de tudo, a própria família deve se tornar o Paraíso.
Para isso, primeiro, o coração de cada um deve tornar-se o Paraíso. O Paraíso do coração é um estado em que não há sofrimento no coração. Com efeito, a impaciência é um sofrimento, e a angústia de que as coisas não saiam como se quer também é o Inferno. Assim, é preciso, ao menos, libertar-se do sofrimento. O melhor método é anulá-lo pela gratidão. Em outras palavras, é não criar o Inferno dentro do coração. A esse respeito, o que se deve ter em mente é que todas as religiões convencionais consideram o sofrimento da fé como algo bom. Há até religiões que buscam deliberadamente o sofrimento. Mesmo o Cristianismo, grande religião mundial, se olharmos sua história, foi praticamente fundado através de dificuldades. Como essa noção está na mente das pessoas em geral, mesmo depois de se tornarem fiéis da nossa Igreja, ela persiste e não se desapega completamente. O que ficou dito acima se deve ao fato de que, até agora, o mundo era o Mundo da Noite, ou seja, o mundo do Inferno.
Por isso, mesmo que alguém se tornasse um excelente crente, não conseguia libertar-se dos sofrimentos do Inferno. Contudo, agora que a noite finalmente chega ao fim e o mundo está prestes a tornar-se o Mundo do Dia — e é a nossa Igreja que, como guia, construirá o Paraíso — devemos, como dito anteriormente, construir o Paraíso dentro do coração, evitando criar o Inferno em qualquer circunstância.
Johrei é Terapia Científica (Parte Final)
Eikō nº 247, publicado em 10 de fevereiro do ano 29 da Era Showa (1954)
A essência do sol, sobre a qual escrevi anteriormente, é, evidentemente, o espírito do sol — nem é preciso dizer.
No entanto, perguntar-se-á por que razão ela não se manifestou na Terra até os dias de hoje. Há uma grande e misteriosa razão para isso, que passarei a explicar em detalhes. Como já foi dito, o ser humano é constituído por dois elementos: espírito e corpo. Da mesma forma, a Terra, embora seja o mundo material, também é constituída por dois aspectos: o mundo espiritual e o mundo material.
E esse mundo espiritual, por sua vez, compõe-se de dois elementos. Um é o mundo da energia espiritual; o outro, o mundo atmosférico. A essência do primeiro tem o fogo como senhor e a água como serva; a do segundo, a água como senhora e o fogo como servo. Isto é, o yang e o yin. De acordo com este princípio, é a Terra que é nutrida por meio da união harmoniosa da essência do sol e da essência da lua — e é assim que todas as coisas existem.
É como se o pai e a mãe cooperassem para criar o filho. Dessa forma, o que nasce da trindade do sol, da lua e da terra é a força da natureza, e é por meio dela que todos os seres são gerados, transformados e nutridos. Esta é a verdadeira face do universo. E, sendo o ser humano o rei que ocupa o centro de tudo isso, ele é a existência de mais alto grau, com exceção de Deus. Por essa razão, todas as coisas existem para o ser humano e não são nada além daquilo que o nutre.
O que foi exposto acima é a relação entre o ser humano e o universo.
No entanto, uma grande e surpreendente transformação se aproxima. Trata-se de um prodígio sem precedentes na história. Se eu disser que o mundo até hoje foi o Mundo da Noite, mas que agora está prestes a converter-se no Mundo do Dia, e que o período do alvorecer é o presente, provavelmente ninguém conseguirá fazer a menor ideia do que se trata. Então, dirão: "O dia e a noite não existem apenas dentro de um único dia? Ligar isso a eras é um absurdo dos mais descabidos", e darão uma risada. Não é sem razão. Se eu mesmo não conhecesse a verdade, certamente pensaria da mesma forma. No entanto, uma vez que obtive esse conhecimento por meio da revelação divina, não posso deixar de acreditar. Além disso, como isso é a verdade, se lerem bem este texto, certamente chegarão à compreensão. Como exposto acima, os dois elementos — o mundo da energia espiritual, onde o fogo é senhor e a água é serva, e o mundo atmosférico, onde a água é senhora e o fogo é servo — fundem-se em harmonia para constituir a grande atmosfera que envolve a Terra.
O que percebemos com os cinco sentidos como o dia e a noite de um dia é, por assim dizer, o dia e a noite materiais. É preciso saber que, separadamente disso, existem um dia e uma noite espirituais, que transcendem o tempo. Este é o significado mais importante e o grande mistério do universo. Isto é, é como se o dia e a noite do mundo material fossem expandidos ao infinito. É como o espaço: o ser humano não o percebe, mas ele flui e se transforma de forma regular.
Além disso, ele se divide em grande, médio e pequeno, como em períodos de dez anos, mil anos, dez mil anos. Um desses ciclos é composto pela soma de três, seis e nove, totalizando dezoito; esta é a verdadeira forma do universo. A teoria de que o mundo de Miroku virá após 5.670.000.000 anos, pregada por Shakyamuni, se tomada ao pé da letra, é longa demais e, na prática, sem sentido. Isso nada mais é do que uma sugestão dos números acima. Voltando ao assunto anterior, o Mundo da Noite até agora foi governado pela lua. A lua é água e corpo; por isso a cultura material se desenvolveu. Em contrapartida, o Mundo do Dia é governado pelo sol. O sol é fogo (espírito) e é espiritual. Além disso, se distinguirmos isso em bem e mal, o corpo torna-se o mal e o espírito torna-se o bem. Esta é a verdade. Assim, o mundo até agora foi aquele em que o mal era senhor e o bem era servo.
Desta vez, ele se converterá em um mundo civilizado onde o bem é senhor e o mal é servo. Em outras palavras, foi por causa do mal como senhor e do bem como servo que nasceu o Inferno atual. Se isso continuasse por muito tempo, levaria, evidentemente, à ruína da humanidade. A descoberta da bomba atômica não é nada mais do que uma sugestão disso. Dessa forma, a profundidade do Plano Divino de Deus está além do alcance da sabedoria humana. Pelo que foi exposto acima, vocês devem ter compreendido aproximadamente os movimentos futuros do mundo. O "fim do mundo" e a profecia de que "O Reino dos Céus está próximo", ditas por Cristo, são isto.
A erradicação da doença, da pobreza e do conflito, que eu prego, é a condição fundamental para isso. E a base disso é a eliminação da doença. Por isso, Deus me deu esta chave, e atualmente tenho como objetivo principal a solução da doença.
Considerando o exposto acima, este grande Plano Divino é uma obra-prima inédita e grandiosa. Como resultado, a civilização será revolucionada e, evidentemente, nascerá uma Segunda Era. Esta é uma teoria demasiado surpreendente, e apenas com a leitura deste livro será difícil compreendê-la, ficando-se atônito. No entanto, os fatos são, acima de tudo, fatos, e, como o tempo se aproxima, espero que despertem para isso o mais rápido possível.
Há aqui um assunto igualmente importante: o acúmulo de impurezas e pecados cometidos ao longo de muitos anos, no curso do desenvolvimento da cultura material, devido ao princípio do mal como senhor e do bem como servo. No ser humano, isso se expressa, materialmente, como toxina medicamentosa e, espiritualmente, como nuvens espirituais causadas pelo mal. Com o aumento do Elemento Fogo no mundo espiritual, o processo de purificação também se torna mais vigoroso e, por fim, ocorrerá o acerto de contas definitivo. Se isso for também o Juízo Final de que Cristo falou, então teremos de superar esta crise. Se falharmos, qualquer um estará condenado à destruição eterna. Não sou eu que estou dizendo isso agora: já foi profetizado por inúmeros santos e sábios há milhares de anos. Acreditar ou não é uma questão de escolha de cada um. No entanto, como estou manifestando milagres como prova em que se pode acreditar, não deveria haver qualquer dúvida.
Fragmentos Médicos (14) – A Palavra "Lutar Contra a Doença"
Eikō nº 147, publicado em 12 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Não há expressão mais equivocada do que essa, pois ela considera a doença um inimigo. Se houver, ainda que um pouco, esse tipo de sentimento, a cura dificilmente ocorre. Os seguidores deveriam saber bem: a doença é o mais elevado método de saúde. É algo pelo qual se deve sentir imensa gratidão e, ao mesmo tempo, algo que deve ser bem-vindo. Portanto, quanto mais o ser humano se dispuser a contrair doenças, mais saudável se tornará e deixará de contraí-las. Recentemente, em meio a relatos de graças recebidas, notei que, mesmo tratando-se de um seguidor, foi empregada a expressão "lutar contra a doença", e foi por isso que escrevi estas palavras.
Fragmentos Médicos (15) – O Ponto Cego da Medicina
Eikō nº 148, publicado em 19 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Frequentemente, vemos em jornais, no rádio e em outros meios de comunicação grande alarde sobre o surgimento de um novo medicamento maravilhoso ou sobre como uma nova técnica cirúrgica curou uma doença incurável.
No entanto, todos esses são efeitos temporários, não uma cura radical; portanto, com o passar do tempo, ocorrerá inevitavelmente uma recaída ou a doença se manifestará sob outra forma. Afinal, a medicina moderna, como sempre digo, por desconhecer a raiz, trata apenas a superfície; por isso, os seres humanos de hoje são dignos de pena. Diante disso, desejo ardentemente que a verdadeira medicina que praticamos seja conhecida por toda a humanidade o mais rápido possível.
Peço Mais uma Vez a Consideração dos Jornalistas
Eikō nº 249, publicado em 24 de fevereiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Isto talvez não se aplique às religiões em geral, mas, pelo menos no caso da nossa Igreja, não posso deixar de dizê-lo.
Refiro-me à maneira como estudiosos e jornalistas veem a religião: criticam-na, quase sem exceção, sob a ótica da ciência. No entanto, pensando bem, não deve haver nada tão ilógico quanto isso. Por quê? Porque a ciência vê as coisas com base em uma concepção materialista, ao passo que a religião deve vê-las com base em uma concepção espiritualista. Em outras palavras, a ciência pertence ao campo da ciência material, e a religião, ao campo da ciência espiritual. Isto é: enquanto a primeira está de pé no chão, observando a superfície das telhas do telhado, a religião, por assim dizer, está sobre o telhado olhando para baixo, em direção ao chão. Até hoje, não se deram conta dessa inversão de posições. Nesse sentido, o que é ridículo é que os estudiosos da religião discutem a religião a partir de uma perspectiva acadêmica.
Pensem bem: se isso fosse válido, o estudioso estaria num nível superior ao do fundador daquela religião. Nesse caso, se um estudioso desses fundasse uma escola e se tornasse um deus vivo, não haveria dúvida de que teria sucesso. Aliás, creio que o mesmo se pode dizer das novas religiões, já que a maioria delas se baseia nas religiões estabelecidas. No entanto, deixando isso de lado, quando estudiosos e jornalistas criticam as novas religiões hoje em dia, sua visão é deveras superficial e rasa.
Por exemplo, dizem que as graças recebidas nesta vida, especialmente a cura de doenças, são de baixo nível, ou que o objetivo é ganhar dinheiro, mas não tocam, nem com um dedo, na teoria religiosa, que é o essencial. Não é estranho? Sobre isso, apresentarei meu ponto de vista. Não conheço outras religiões; mas, pelo menos no que diz respeito à nossa Igreja Messiânica, ela não está num nível tão baixo que possa ser compreendida pelo conhecimento acadêmico moderno. Quero dizer em alto e bom som que ela é uma super-religião cultural de nível elevado, totalmente inimaginável, e uma grande obra de salvação.
Nem é preciso dizer que, por mais engenhosas que sejam as teorias e os sermões das religiões estabelecidas, os fatos mostram que só com isso não é possível salvar o ser humano. Para dar um exemplo: suponhamos que, diante de um paciente que sofre, façamos com que ele ouça incontáveis vezes, à beira do travesseiro, pregações e escrituras sagradas, por mais valiosas que sejam. Isso, de fato, lhe trará consolo ao coração, mas é evidente que não poderá curar a doença em si. Portanto, se a doença for certamente curada, a saúde restaurada, a pessoa salva da pobreza e a família tornada feliz, então, como diz o ditado "havendo propriedade estável, há coração estável", naturalmente as injustiças e a imoralidade também diminuirão e, consequentemente, a sociedade se tornará melhor. Acredito que esta é a verdadeira forma da religião. O que mais poderia haver?
Nesse sentido, infelizmente, nem Shakyamuni nem Cristo conseguiram salvar todas as pessoas de suas doenças. Por isso, mesmo após mais de dois mil anos, a humanidade continua a sofrer com a doença, a pobreza e o conflito. Se assim é, quando poderá o ser humano libertar-se dessas algemas? Provavelmente, não se pode prever. Se é esse o caso, a situação é realmente lastimável. Diante disso, entre os inúmeros santos e sábios que surgiram no mundo até hoje, não houve um sequer que tivesse verdadeiro poder de salvação. Por essa razão, foi inevitável que a religião estabelecesse como princípio a pregação da resignação, e isso é compreensível. No entanto, oh! Que maravilha! Eu recebi de Deus o poder de realizar este mundo de paz e felicidade verdadeiras, que parece um sonho. Isso não é presunção nem nada do tipo. Na realidade, estou salvando as pessoas que sofrem com a infelicidade, e esta é a obra de salvação da nossa Igreja. Pelo exposto, vocês devem ter compreendido que tipo de ser eu sou.
Quando se observa a sociedade atual de uma perspectiva ampla, vê-se que a civilização moderna está, na verdade, caindo num grande erro. Darei agora dois ou três exemplos disso. Tanto o problema da alimentação, a maior preocupação no Japão atual, quanto o problema das doenças, uma preocupação mundial, o demonstram. Além disso, em ambos os casos, o progresso chegou a um beco sem saída e, longe de qualquer resolução, o fosso só se aprofunda cada vez mais. Como obtive, por meio de revelação divina, o conhecimento do método de solução fundamental para esses problemas, estou agora divulgando-o não só no Japão, mas em todo o mundo. Naturalmente, meu objetivo principal é despertar os olhos da classe dirigente mundial e fazê-la compreender o que é a nova civilização. Em outras palavras, é elevar a capacidade acadêmica de um aluno de escola primária ao nível de uma universidade. Nesse sentido, o que prego é demasiadamente transcendente, e tanto estudiosos quanto jornalistas não conseguem compreendê-lo facilmente.
Pelo contrário, parece que chegam a sentir uma espécie de medo. Isso porque, a rigor, o mais natural seria louvar e celebrar grandemente; mas, na realidade, há quem critique sem qualquer análise crítica e quem evite tocar no assunto. Como manifestação disso, os três grandes jornais do Japão se recusaram, de comum acordo, a publicar anúncios dos dois livros que publiquei recentemente: "Terapia pela Fé na Tuberculose" e "Milagres da Igreja Messiânica Mundial".
Quando perguntei o motivo, eles se esquivaram; e a dificuldade em não poder dizer a verdade é algo que ouvi de pessoas ligadas à nossa Igreja. Isso significa que, no Japão atual, não há liberdade de expressão.
E, se os opressores dessa liberdade são os grandes jornais, é quase inacreditável; provavelmente não há exemplo disso em nenhum país civilizado do mundo. No entanto, talvez não seja sem razão. Afinal, minha doutrina transcende em muito a ciência moderna; é como mostrar um avião na era das riquixás. Além disso, desde os tempos antigos, sempre que se anunciava uma invenção, uma descoberta ou uma nova teoria revolucionária capaz de derrubar o conhecimento estabelecido, sem exceção, ela sofria mal-entendidos e perseguições por parte dos sábios da época, como a história demonstra. Aqui reside a angústia dos pioneiros. Entre os intelectuais japoneses, isso é ainda mais acentuado. Por exemplo, estão convictos de que nunca mais surgirá um ser humano superior a grandes santos como Cristo e Shakyamuni, hoje venerados como grandes figuras mundiais. Outro ponto é a ilusão de que no Japão não surgem pessoas superiores aos estrangeiros. Enquanto esse sentimento estiver impregnado no espírito nacional, é natural que eu e o meu trabalho não sejamos reconhecidos. Por isso, tanto as minhas palavras quanto a minha obra são negadas de antemão, e parece que nem sequer cogitam investigá-las ou examiná-las.
Essa tendência é especialmente forte entre os jornalistas. A rigor, seria de esperar que examinassem imediatamente o certo e o errado, o bem e o mal, da minha obra sagrada, tão revolucionária e grandiosa que não tem paralelo nem no exterior; mas isso não acontece de forma alguma. Penso o seguinte: se, como resultado de uma pesquisa, houvesse algum ponto duvidoso, reconhecido como algo negativo para a sociedade, seria natural atacá-lo com veemência e eliminá-lo. Por outro lado, se fosse uma doutrina correta e benéfica para a sociedade e para a humanidade, não deveriam dar-lhe grande apoio? A atitude de manter tudo indefinidamente numa situação ambígua — seja por medo, como mencionado anteriormente, seja por uma postura de "deixar em paz o deus que não se toca, para não atrair maldição" e de evitar problemas — é difícil de compreender. Escrevi o que me veio à mente. Em suma, desejo apenas que os jornalistas cumpram seu dever natural, e não tenho qualquer outra intenção além disso. É por essa razão que peço, mais uma vez, a vossa consideração.
Será que os Médicos São Mesmo Irresponsáveis?
Eikō nº 114, publicado em 25 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Frequentemente, nos relatos de graças, ouve-se falar da irresponsabilidade dos médicos, mas, sempre que vejo isso, algo me incomoda.
Isso porque, falando com base na realidade, é absolutamente impossível existir tamanha irresponsabilidade num médico que tem sob sua responsabilidade a preciosa vida humana.
De fato, qualquer médico, seja ele quem for, naturalmente se empenha com todas as forças, dedicando o coração e utilizando todos os meios ao seu alcance para curar o paciente o mais rápido possível e salvá-lo.
Por essa razão, quando, por acaso, a doença não melhora como o paciente esperava, ou o médico não vem quando chamado, ou, mesmo vindo fazer o exame, não fala nada muito claro, o paciente acaba pensando que o médico é irresponsável.
Sendo assim, quem merece compaixão é, na verdade, o médico. Além disso, ouve-se com frequência que o médico diz coisas como "Isso é uma doença leve, vai sarar logo." O paciente e sua família, sentindo-se aliviados com essa perspectiva, veem-se, contrariando a expectativa, diante de uma doença que não sara facilmente, que se torna mais grave ou, às vezes, resulta em um desfecho infeliz.
Não são raras as ocasiões em que, tomadas pela tristeza e pelo desespero, as pessoas acabam guardando rancor ou dirigindo críticas ao médico. Há também casos em que, mesmo não sendo grave a doença, o paciente morre logo após receber uma injeção. Há ainda o caso do recém-nascido submetido a injeções ou cirurgias, que chora e grita de dor de um modo que os pais mal conseguem suportar; estes, no entanto, suportam tudo com o único desejo de curá-lo e, após tanto sofrimento, veem a criança morrer.
Nesses momentos, os pais chegam a odiar o médico, pensando: "Se ele não tinha chance de viver mesmo, teria sido melhor não o ter feito passar por todo esse sofrimento desnecessário."
Deve haver muitos outros exemplos, mas, em suma, o médico, mesmo se esforçando seriamente com dedicação, não consegue curar o paciente.
Por isso, na realidade, os médicos parecem ser alvo de queixas mais frequentemente do que de gratidão por parte das famílias dos pacientes.
Assim, nós mesmos compreendemos que eles devem se sentir realmente frustrados. Como se percebe pelos exemplos acima, entre as diversas profissões, não deve haver hoje nenhuma tão ingrata quanto a de médico. No entanto, existe uma causa grave em um ponto que ninguém percebe. Essa causa, como sempre dizemos, é que a medicina moderna, embora pareça curar, na realidade não cura. Contudo, até hoje, como ninguém percebeu esse ponto, todos foram educados a acreditar que a medicina está progredindo e que, com isso, as doenças serão gradualmente curadas. Os próprios médicos acreditam piamente nisso. Já escrevi certa vez um artigo intitulado “Médicos Enganados pela Medicina”, e ainda hoje os fatos provam que essa minha tese não está errada. Ou seja, pode-se dizer que os médicos são supersticiosos em relação à medicina. E, mais ainda, as autoridades, o público em geral e até mesmo os estudiosos, que são a origem de tudo, todos acreditam piamente nas teorias da medicina estabelecida e pensam que, se apenas a fizerem progredir, as doenças serão curadas.
Essa superstição médica é a maior superstição do mundo inteiro. Enquanto não a destruirmos, um mundo sem doenças não passará de um sonho diurno. No entanto, os que pensam como nós é que são chamados de supersticiosos. É preciso dizer que isso é uma total inversão dos fatos, e das mais graves. Acima de tudo, basta comparar os efeitos curativos da medicina com os do nosso lado para que os fatos o comprovem claramente. O que almejamos aqui é que as pessoas despertem desse sonho ilusório o mais rápido possível. Quanto mais cedo isso acontecer, mais cedo a humanidade será salva.
Fragmentos Médicos (16) – Culpa dos Nervos
Eikō nº 149, publicado em 26 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
É bem conhecido que os médicos dizem com frequência: “A sua doença não é grave; o sofrimento é culpa dos nervos.” No entanto, se refletirmos bem sobre essa afirmação, chegaremos à seguinte conclusão.
Se uma pessoa sofre mesmo sem ter uma doença que cause tal dor, então seus nervos estão doentes. Ou seja, trata-se de um estado anormal dos nervos — e não seria justamente essa a responsabilidade do médico: curá-lo? De vez em quando nos deparamos com pacientes assim. Há pessoas que dizem: “O médico afirma que não há nada de errado, mas eu sofro tanto que não consigo suportar”, e outras que, mesmo ouvindo “a sua doença já está curada”, insistem: “Ainda estou sofrendo.”
O Japão é Civilizado ou Bárbaro?
Eikō nº 159, publicado em 4 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Quem ler este título talvez duvide da minha razão.
Isso porque, ainda que o Japão tenha perdido a guerra, é certo que continua a fazer parte do grupo dos países civilizados. Existem vários países na Terra, mas, pensando bem, o Japão conseguiu livrar-se do termo “não desenvolvido”; a verdade, porém, é que o termo “bárbaro” permanece como está. Acima de tudo, ao observar o estado atual da sociedade, sinto profundamente que há coisas excessivamente bárbaras.
A sociedade está repleta de ansiedade: pessoas usam a violência em grupo para agitá-la, ameaçam umas às outras, brigam, disputam armas e ferem-se mutuamente. Mesmo os estudantes das mais altas instituições de ensino, que deveriam ser os futuros líderes da civilização, juntam-se a esses grupos e causam tumulto — o que é realmente lastimável. Nas ruas das cidades, há casos de estrangulamento de motoristas, espancamentos que deixam pessoas inconscientes para roubar pequenas quantias de dinheiro, assassinatos por motivos fúteis e, às vezes, ferimentos e mortes entre pais e filhos, ou entre irmãos. O estado atual da sociedade é tão bárbaro que não passa um dia sem que os jornais estampem uma ou duas notícias dessa espécie. E a lista é interminável: roubos, estupros, furtos, incêndios criminosos, brigas, ferimentos e mortes.
Fico tentado a duvidar se este é realmente o mundo civilizado. Penso que seria mais adequado chamá-lo de sociedade próxima dos animais. Assim, parece que os homens modernos ainda não sabem o que é realmente a civilização. De fato, a civilização moderna tornou-se extremamente conveniente graças ao desenvolvimento das máquinas, e a organização e os mecanismos sociais passaram a ser estruturados de forma científica e engenhosa. Aos olhos de quem vê, isso parece um progresso surpreendente, e a maioria das pessoas provavelmente pensa que esta é a forma da civilização, derramando lágrimas de admiração. No entanto, o que elas não sabem é que, do nosso ponto de vista, isso é apenas a superfície da civilização; não podemos deixar de pensar que, no interior, longe de ser civilização, a barbárie ainda permanece em grande escala. Para tornar isso mais fácil de entender, escreverei em ordem histórica.
Desde a era primitiva, a humanidade passou pelas eras não desenvolvida e bárbara; sem dúvida, a civilização nasceu em seguida, com o desenvolvimento da religião e do conhecimento.
Ao mesmo tempo, seria de esperar que a barbárie também diminuísse, mas a verdade é que ela não diminuiu. Portanto, ainda que a expressão soe estranha, seria mais apropriado chamar a era atual de “era cultural bárbara”. Consequentemente, a verdadeira era civilizada é o mundo que está por vir — precisamente o mundo de paz e felicidade que toda a humanidade espera. Felizmente, essa era já está próxima, pois a nossa Igreja Messiânica nasceu com a missão de criá-la, como se pode bem compreender observando as obras que ela realiza atualmente. Como primeiro passo, aponta e expõe os inúmeros erros que se escondem por trás da civilização e ensina o que é a verdadeira civilização. Portanto, para fazê-los acreditar nisso, Deus faz com que Eu realize milagres abundantemente, levando-os a crer na existência de Deus. Vendo isso, compreende-se que a nossa Igreja não é uma religião comum, como se poderia pensar com conceitos pré-estabelecidos, mas sim a criadora de um mundo civilizado completamente novo e a responsável pelo grande Plano Divino de Deus neste período de grande virada na história mundial.
Fragmentos Médicos (17) – Disenteria
Eikō nº 150, publicado em 2 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
A disenteria parece ter grande tendência a se alastrar também este ano, e as autoridades aparentam estar muito preocupadas. Como a medicina desconhece a verdadeira causa dessa doença, elas alertam com empenho que é preciso fazer algo; mas seus métodos são tão ineficazes quanto aplicar colírio do segundo andar: ensinam medidas passivas, como lavar as mãos ao voltar de saídas, lavá-las antes das refeições, manter-se o mais limpo possível e ter cuidado com os alimentos e as refeições.
Do nosso ponto de vista, isso não passa de completo absurdo. Portanto, penso em ensinar a verdadeira causa dessa doença.
Quando se introduzem medicamentos no corpo, o sangue se turva devido à toxina medicamentosa. Como as pessoas modernas usam o cérebro em excesso, esse sangue tóxico se acumula e se solidifica no cérebro. Ocorre então um processo de purificação: o sangue tóxico, liquefazendo-se juntamente com a febre, desce, concentra-se nos intestinos e sai pelo ânus. Portanto, se for deixado em paz, cura-se naturalmente; o prognóstico é que o cérebro se torna lúcido e a saúde melhora — algo realmente excelente, sem qualquer perigo para a vida.
No entanto, como desconhecem esse princípio, ao baixarem a febre ou resfriarem o cérebro com gelo, obstruem a purificação e chegam a pôr a vida em perigo.
Registro de Conversa entre Meishu-Sama e o Sr. Musei (I)
Eikō nº 98, publicado em 4 de abril do ano 26 da Era Showa (1951)
6. Registro de Conversa — Meishu-Sama e o Sr. Musei (Primeira Parte)
No dia vinte e um, quarto dia do Culto Especial da Primavera, Meishu-Sama dedicou cerca de uma hora a ouvir, com atenção e grande interesse, a narração do Sr. Tokugawa Musei sobre a passagem “Miyamoto Musashi, o Dojo do Templo Hōzōin”, baseada na obra original do Sr. Eiji Yoshikawa. Terminada a narração, na presença de Sua Esposa e atendendo ao pedido do próprio Sr. Musei, Ele gentilmente lhe concedeu uma conversa direta. Segue-se um resumo dessa conversa.
Sr. Musei: Muito prazer...
Meishu-Sama: Não, é muito bom. O seu tem um sabor diferente do dos narradores de kōdan.
Sr. Musei: Quanto ao meu, penso que talvez não agrade muito às mulheres...
Esposa: Não, entende-se muito bem...
Meishu-Sama: O Sr. Yoshikawa também é crente antigo e tem muita afinidade com o senhor; é realmente muito bom.
Sr. Musei: É como uma espécie de confronto com o autor original: se o original e o intérprete estiverem em pé de igualdade, está bem; se o intérprete não alcançar o original, é uma derrota.
Meishu-Sama: O senhor está superior; o Sr. Yoshikawa deve estar contente.
Sr. Musei: Outro dia, o Sr. Yoshikawa disse que construiu um salão de reuniões em Okutama e pediu que eu fosse conversar com ele, pois, segundo disse, nunca tinha ouvido diretamente as minhas narrações. Respondi que sim, e assim fomos. No encontro de grandes artistas realizado na Mitsukoshi, estavam presentes o Sr. Bunraku, do rakugo; como a Sra. Nikiyoshi, do kouta, não pôde comparecer, foi em seu lugar a Sra. Koume; do manzai, os já conhecidos Regal Senta e Mankichi; e eu. O Sr. Yoshikawa ficou muito contente e disse que, ao narrar Musashi, eu deveria fazê-lo livremente, à minha maneira, sem pedir licença a cada vez. O encontro de grandes artistas da Mitsukoshi reúne apenas pessoas que possuem uma arte genuína e tradicional, tendo alcançado, por meio de um treinamento verdadeiro, o nível de grande artista. Só eu tenho algo de fraudulento nisso...
Meishu-Sama: É justamente aí que está o bom. Quando alguém se torna um profissional comercial, não presta. Eu faço tudo à maneira de um amador, completamente diferente dos especialistas. Se for a Hakone e observar o jardim de pedras, entenderá: dizem que, quando um especialista o vê, fica tão desanimado que chega a querer abandonar a profissão — porque as pedras ali usadas estão viradas ao contrário, de cabeça para baixo, de um jeito que normalmente não se poderia usar. E, ainda assim, fica extraordinariamente bom.
Sr. Musei: É porque nenhuma delas está presa a um molde, não é? No mundo, o molde não é tudo... Deve haver coisas boas justamente por não se prenderem a um molde.
Meishu-Sama: Tudo o que se prende a um molde acaba morrendo. Eu pratico caligrafia; certa vez, quando disse que gostaria de aprendê-la, um calígrafo me disse: "O senhor deveria parar de aprender a escrever os caracteres da forma comum. Nós nos esforçamos tanto para adquirir o molde quanto, depois, para saber como rompê-lo. Não importa que os caracteres saiam um pouco diferentes, ou que os pontos e traços fiquem em excesso ou em falta — o que é valioso é deixar transparecer a individualidade." Bem, há pontos nisso que a lógica não explica.
Sr. Musei: Por exemplo, o rakugo "Nedoko", que o Sr. Bunraku apresentou hoje, foi repetido inúmeras vezes, lapidado e aperfeiçoado até se tornar uma obra acabada; já a minha narração é algo grosseiro e inacabado — penso mais na questão de fundo da história...
Meishu-Sama: É muito boa; no fim, é uma questão de alma. Ou seja, o senhor transmite a alma de Musashi. Por mais habilidoso que seja, um narrador profissional comum só tem a forma, sem alma, por isso causa uma impressão diferente. Eu não considero Musashi um simples homem de artes marciais — porque ele também pintava, e realmente era muito bom nisso.
Sr. Musei: Não é pouca coisa mesmo. Outro dia, o Sr. Yoshikawa me deu de presente um kakemono com um pássaro pintado por Musashi. No início, ele parecia relutante em deixar que se narrasse algo escrito por ele mesmo, talvez por receio de que o original fosse de algum modo desvirtuado; mas, ultimamente, ele próprio diz que gostaria que eu narrasse livremente tudo o que escreve. Quanto ao quadro pintado por Musashi, ele disse que não era só dele, que eu também deveria possuir uma peça, e trouxe-o de propósito para mim. É realmente uma bela pintura. Tem classe.
Meishu-Sama: Sim, eu também a vi outro dia, é realmente muito boa. Quando algo alcança certo nível, é sempre assim.
Sr. Musei: Dizem que, aos olhos de um profissional, ela até parece estranha, mas que é um quadro que um profissional não conseguiria pintar.
Meishu-Sama: Não haverá muitas falsificações também?
Sr. Musei: Sim, parece que há muitas.
Meishu-Sama: Mas, tratando-se de quadros famosos, há sempre muitas falsificações. E, às vezes, a falsificação chega a ser melhor do que a obra original.
Esposa: Na Mitsukoshi, a reprodução impressa estava muito bem-feita.
Sr. Musei: Mesmo nas pinturas a nanquim, o nível é muito elevado.
Esposa: Aquilo era uma reprodução impressa; creio que era da edição da Kōgeisha.
Sr. Musei: É verdade. Aquelas pinturas a nanquim, realmente, não se sabe se são falsas ou originais. Outro dia recebi de presente uma obra de Issa; como foi de graça, pensei logo que fosse falsa, mas, ao mostrá-la a um antiquário acostumado a lidar com obras de Issa, ele disse que era original. Não é de se esperar que uma obra original seja dada de graça — mas, olhando bem, percebi que era uma reprodução impressa; foi vendo-a à luz do dia que consegui perceber isso.
Meishu-Sama: Em casa também tenho duas obras de Issa — creio que eram um corvo-marinho ou algo assim. Mostrarei ao senhor no outono, em Hakone.
Sr. Musei: Terei muito prazer em vê-las.
Meishu-Sama: Parece que Musashi aprendeu bastante com Takuan, não é mesmo?
Sr. Musei: Ah, a época até coincide, mas... Não seria estranho escrever isso, porém não há lenda de que Musashi tenha tido contato com Takuan. De todo modo, penso que Musashi teria se tornado grande mesmo sem Takuan.
Força
Eikō nº 151, publicado em 9 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
Como as pessoas no mundo não conhecem profundamente a força, escreverei aqui sobre ela. Em termos de definição científica, trata-se do princípio de que quanto mais visível e tangível é uma força, mais fraca ela é; e quanto mais invisível, mais forte. Ou seja, a primeira tem limites, como tantos cavalos de potência ou tantos quilogramas, mas a segunda é infinita. Em outras palavras, os pensamentos e a vontade dos seres humanos possuem uma força terrível, embora invisível aos olhos. Como todos sabem, a força de um grande homem pode, sozinha, mover o mundo.
A explicação acima refere-se apenas aos seres humanos. O que se estende a partir disso é a força de Deus, que também é possível explicar cientificamente, através do que a ciência chama de teoria das partículas. Segundo ela, o espírito do homem é uma partícula elementar, e o espírito de Deus é uma partícula sutil. Naturalmente, mesmo em Deus, quanto mais elevada é a sua qualificação divina, maior é o grau de sutileza de suas partículas e, ao mesmo tempo, mais rarefeitas elas se tornam. Deve-se compreender que, mesmo do ponto de vista dinâmico, as partículas elementares têm força mais fraca, e as partículas sutis têm força mais forte.
Com base nesse princípio, os termos usados na religião xintoísta para se referir à divindade de mais alto grau — "sublime do sublime" ou "sublime e misterioso" — são expressões que descrevem exatamente isso. Segundo esse mesmo princípio, o poder divino que me foi concedido é o espírito de divindade de mais alto grau, podendo ser chamado de força absoluta. Desde os tempos antigos, nunca houve ninguém que tenha exercido plenamente essa força. Quanto a Cristo, embora seja difícil de dizer, os fatos mostram claramente que ele era relativamente fraco: os milagres que realizou eram apenas para si mesmo, e ele não pôde compartilhá-los com seus discípulos. Quanto aos outros santos, seus feitos demonstram que todos possuíam forças limitadas.
Aqui, escreverei um pouco sobre mim. A magnitude e a intensidade da força que exerço podem ser chamadas de infinitas e absolutas. A força que atualmente utilizo é apenas uma parte do que posso exercer, mas, ainda assim, aqueles que a conhecem ficam maravilhados. Naturalmente, os seguidores, mesmo entre os mais devotos, só conseguem compreender uma fração dela. Desnecessário dizer que, um dia, chegarei a exercê-la plenamente; nessa ocasião, as pessoas ficarão boquiabertas. É necessário, portanto, que, desde já, apertem bem o cinto. Além disso, apenas com a força que atualmente manifesto, já crio pessoas que curam doenças, ensino métodos de aumento da produção agrícola, realizo milagres que fazem compreender a existência de Deus e, ainda, construo o Paraíso Terrestre e museus em grande escala. Tudo isso é apenas uma pequena amostra. Com o tempo, isso se expandirá gradualmente e, um dia, construirei o Paraíso mundialmente. O poder divino pleno, portanto, está por vir.
Por tais razões, gostaria de informar com mais detalhes, mas, mesmo que eu falasse agora, vocês certamente não poderiam acreditar, e também há mistérios envolvidos; por isso, apenas uma pequena parte será revelada conforme a ocasião e o progresso. Em resumo, trata-se de construir o mundo conforme descrito na Oração Zengen-Sandji. Gostaria de dizer especialmente uma coisa: a maior das contendas, a guerra entre nações, também tenho o poder de eliminá-la de uma só vez quando chegar a hora. Portanto, quero que fiquem tranquilos.
Uma Reunião que Transcende Religião e Ciência
Eikō nº 227, publicado em 23 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Sobre este magnífico milagre, que foi apresentado como "Super Milagre" na edição nº 218 de Eikō, o próprio Meishu-Sama expressou o desejo de "torná-lo amplamente conhecido no mundo".
Graças aos esforços do Dr. Okada Michikazu, seis doutores em medicina foram convidados, e uma troca de opiniões foi realizada. Naquele dia (15 de agosto), às três horas da tarde, após uma saudação do Presidente Okusa, primeiramente houve, por parte dos médicos, a coleta de informações sobre a situação no momento do início da doença.
Em seguida, ocorreu uma sessão de perguntas e respostas entre eles e o lado da Igreja, tocando gradualmente nos pontos vitais.
Meishu-Sama fez sua aparição às três horas e quarenta minutos da tarde. Após a apresentação dos resultados do diagnóstico por cada médico, Meishu-Sama nos concedeu Suas palavras.
A seguir, apresentamos, por meio de estenografia, as palavras de Meishu-Sama na ocasião e os resultados do diagnóstico de cada médico.
Naquele dia, estavam presentes dois repórteres do jornal Sangyō Keizai Shimbun e um repórter do jornal Hōchi Shimbun.
(Resultados do diagnóstico omitidos)
As Palavras
Gostaria de dizer algumas palavras. Embora eu seja um religioso, convidar médicos e mostrar-lhes que algo tão misterioso aconteceu transcende significados como medicina ou religião. Meu desejo é fazer com que o mundo inteiro saiba que este fato existe. E, com isso, desejo oferecê-lo como um material de estudo, não apenas para estudiosos, mas para aqueles que se interessam por tais assuntos. O ponto central desta questão reside em saber se aquilo que havia desaparecido completamente se regenerou, ou se uma função importante, que estava temporariamente recolhida, reapareceu.
Contudo, do meu ponto de vista, isto é, sem dúvida, uma regeneração. Ora, o fato de algo que desapareceu se regenerar contraria a lógica, e é aí que surge o milagre, pois milagre é a ocorrência de algo que não deveria ser possível. No entanto, a expressão "algo que não deveria ser possível" surge porque, ainda não tendo descoberto que é possível, as pessoas tendem a concluir que é impossível. Penso, portanto, que a ciência ainda não progrediu o suficiente para explicar plenamente que isto é algo possível. Acredito que, quando a ciência avançar mais, chegará ao ponto de considerar isto algo natural, como deveria ser. Em meu entendimento, isto é algo natural, e não há nada de estranho no fato de algo que desapareceu completamente voltar a surgir como antes.
No entanto, apenas dizer isso não é, de forma alguma, algo que se possa acreditar. Por isso, estou escrevendo atualmente um livro intitulado O Livro da Revolução Médica, no qual explico detalhadamente tais pontos de forma fundamental. Mas sei que, mesmo que eu fale sobre isso de repente, é absolutamente impossível compreender. Não farei, portanto, essa explicação agora. A razão é que, para desvendar um mistério de tal magnitude, é necessário um conhecimento prévio considerável. Assim, é totalmente impossível para o homem moderno compreender isso com o cérebro da ciência moderna. Pode parecer estranho falar em conhecimento prévio, mas é preciso explicar seguindo uma ordem, até um ponto em que se possa compreender aproximadamente. Ainda assim, embora haja diferenças de grau entre as pessoas, são raríssimas aquelas que conseguem compreender tudo.
Acho que a maioria consegue entender o geral, pensando "ah, é algo assim, não é?". Pode parecer uma afirmação pretensiosa, mas é certo que, quando a ciência se desenvolver mais, chegará a esse ponto.
Assim como, mesmo que se explicasse sobre a bomba atômica antes de lançá-la, ninguém a compreenderia, é exatamente a mesma coisa. O que digo pretende explicar algo que está além da física teórica. Atualmente, o Dr. Yukawa* explica a teoria da matéria, que surgiu a partir da descoberta do méson. Mas há um estágio seguinte à teoria da matéria, e eu escrevi tudo isso. Se explicarmos o âmago mais profundo, obtido ao se impulsionar a ciência atual, não será tão misterioso que testículos e pênis, uma vez removidos, se regenerem como antes. Como o que digo pode parecer uma tola e grandiosa fanfarronice, não gosto muito de falar sobre isso. No entanto, falei porque acho que, ao lerem o livro posteriormente, isso servirá como uma dica útil para entenderem que "o que ele diz é sobre isto". Quando falo em revolução médica, não sou eu quem revoluciona, mas sim que o caminho está avançando para um estágio em que deve ser revolucionado. Isso é o verdadeiro progresso da cultura, e é natural que assim seja.
Fragmentos Médicos (18) – Sem Título (I)
Eikō nº 151, publicado em 9 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
Recentemente, em uma transmissão dos Estados Unidos pelo rádio, foi noticiado que a doença de um paciente de cinquenta anos, com febre altíssima de quarenta e três graus, foi curada, sendo algo raro no mundo.
No entanto, já curei completamente um paciente de cerca de quarenta anos que, devido a uma febre ainda mais alta — também acima de quarenta e três graus —, fazia o termômetro quebrar repetidas vezes, causando dificuldades até mesmo no hospital. Esse caso supera o exemplo dos Estados Unidos. Para nós, portanto, isso não é problema, pois ocorrem todos os dias casos ainda mais extraordinários. Houve também uma transmissão sobre uma cegueira de oito anos que, por acaso, foi curada, sendo considerada algo extremamente raro.
Dizia-se que a causa era a cegueira resultante do contato com ácido sulfúrico. No entanto, não se trata de uma doença; esse tipo de dano acidental, se deixado de lado, com o passar dos anos, cura-se naturalmente. Considerar isso algo raro mostra, na verdade, o completo subdesenvolvimento da medicina.
Fragmentos Médicos (19) – Médicos Confiáveis
Eikō nº 152, publicado em 16 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
Frequentemente, nas respostas a perguntas sobre doenças no rádio, em jornais, revistas etc., ouve-se a expressão "consulte um médico de confiança", mas penso que essa é uma afirmação estranha.
Se isso fosse correto, significaria que existem médicos em quem não se pode confiar. Nesse caso, uma vez que alguém se tornou médico com a devida autorização legal, se houver médicos indignos de confiança, existem medidas como aplicar sanções rigorosas ou, dependendo do caso, cassar a licença; portanto, não deveria haver nenhum médico atualmente em exercício que não seja digno de confiança. Se assim for, essa resposta está equivocada. Ademais, com base em que critério se pode saber se há ou não confiança?
Provavelmente, na prática, isso é impossível; e, se for esse o caso, penso que essa também é uma resposta estranha. Outro ponto é que a pessoa que faz esse tipo de pergunta provavelmente o faz por desespero, depois de consultar vários médicos sem obter cura; portanto, uma resposta como "consulte uma vez um especialista" só pode ser considerada um insulto à inteligência das pessoas.
Incêndio e Johrei
Eikō nº 144, publicado em 20 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
É comum ouvirmos relatos de graças sobre incêndios que, mesmo queimando até as casas vizinhas, mudavam de direção repentinamente e eram controlados ao se realizar o Johrei. Qual seria a razão disso? A explicação é a seguinte: um incêndio é um processo de purificação pelo fogo. Quando a impureza se acumula em um objeto material, seu espírito também fica com nuvens espirituais, tornando mais fácil que o fogo se propague para ele. Ao realizar o Johrei, essas nuvens espirituais desaparecem, eliminando o material que deveria ser queimado, e o fogo muda naturalmente de direção. Para eliminar os incêndios, portanto, o mais importante é não deixar que o espírito dos objetos materiais fique encoberto por nuvens espirituais. Não há outra maneira de eliminar radicalmente os incêndios além desta. Sendo assim, o melhor é, primeiramente, consagrar Komyo-Nyorai e purificar o mundo espiritual da família. No entanto, como se vê nos dias de hoje, há muitos incêndios em várias regiões.
Por mais que se construa, muito se perde em incêndios, e por isso, na atual crise habitacional, a situação nunca se resolve. Ademais, os incêndios não causam apenas danos materiais, mas também enormes danos espirituais, e não são poucos os prejuízos, como a paralisação do trabalho e das atividades necessárias para a recuperação. As autoridades também estão se esforçando ao máximo, mas não conseguem obter os resultados desejados justamente porque desconhecem essa raiz espiritual. Para que se alcance um dia sem incêndios, portanto, o ideal seria que a maioria das pessoas se tornasse seguidora da nossa Igreja, mas isso provavelmente não é possível.
Por enquanto, não há outro recurso senão adotar medidas materiais de prevenção contra incêndios; talvez não haja alternativa além de aguardar o momento certo. Contudo, acredito que, de uma forma ou de outra, Deus fará algo a respeito.
3. O Significado do Museu de Arte
Eikō nº 160, publicado em 11 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Até a Conclusão do Museu
A Terra Divina, que vinha sendo construída há algum tempo, finalmente está prestes a ser concluída, e não posso conter minha alegria.
Ao mesmo tempo, o que certamente se destaca com um brilho incomparável é o Museu de Arte.
Como se pode ver, ele ficou pronto mais rapidamente do que se imaginava, restando apenas os preparativos internos; bastará dispor as peças em seu interior para que esteja oficialmente concluído. E toda a Terra Divina será finalizada em uma data auspiciosa; e assim, escolhendo o próximo dia 15 de junho, realizaremos a cerimônia de inauguração do Museu de Arte juntamente com a celebração da conclusão da Terra Divina.
Gostaria, portanto, de escrever um pouco sobre o Museu de Arte. Desde o início e até hoje, não houve no Japão um único museu de arte permanentemente aberto ao público em geral. Somente por breves períodos, na primavera e no outono, algumas obras eram exibidas a pessoas especiais, de modo que seu significado como valor cultural para a sociedade era deveras superficial. Ademais, as peças expostas concentravam-se em um âmbito restrito: arte chinesa, arte budista, objetos relacionados à cerimônia do chá e pinturas ocidentais. No entanto, o atual Museu de Arte de Hakone, embora de pequena escala, abrange a totalidade da arte oriental e, além disso, procurei selecionar, na medida do possível, obras primorosas de cada época.
Não se trata de autoelogio; pode-se dizer que é um museu de arte sem igual no mundo. Se assim for, do ponto de vista nacional, ele contribuirá consideravelmente para elevar a posição cultural do Japão.
Com franqueza, obras públicas como esta seriam difíceis de realizar por indivíduos ou organizações religiosas; deveriam ser empreendidas pelo Estado. Contudo, dadas as atuais circunstâncias econômicas, isso também seria impossível.
Pode-se dizer, portanto, que meu projeto do museu de arte veio em uma ocasião oportuna. E, mesmo que se tentasse construir algo que apenas ostentasse o nome de "museu", não seria tarefa fácil arcar com os custos de construção, com o esforço e com os recursos financeiros necessários para colecionar as obras de arte a serem expostas. Além disso, como se trata de uma nova Igreja Messiânica, fundada há pouco tempo, e como todos sabem, houve imensa incompreensão por parte das autoridades, bem como perseguições e pressões decorrentes de mal-entendidos da sociedade — o que tornava as dificuldades extraordinárias. Tendo superado tudo isso, foi possível, ainda assim, construir conforme o planejado. Ao refletir sobre isso, parece-me algo que transcende a capacidade humana. Pensando nisso, percebe-se quão profunda é a proteção divina, e sinto uma gratidão e uma comoção indescritíveis.
Tanto a arquitetura quanto as instalações deste museu foram inteiramente projetadas por mim, sem recorrer a especialistas. Isso porque eu tinha confiança e também porque desejo criar algo com um novo conceito que sirva de modelo para os museus de arte que, no futuro, certamente surgirão não apenas no Japão, mas em todo o mundo. Nesse sentido, é claro que dediquei atenção especial até aos mínimos detalhes, e, por isso mesmo, desejo sinceramente ouvir a crítica de todos. Quanto às obras de arte, também me esforcei para colecionar peças genuinamente japonesas e, quanto ao critério de seleção, priorizei as obras-primas de artistas renomados de cada época. Um museu de arte que tem a arte japonesa como foco principal, como este, não existe nem mesmo no Japão, sua terra natal, quanto mais no exterior. Não seria exagero dizer, portanto, que, atualmente, é o melhor do mundo. Aqui, descreverei brevemente a história desde o início, mas ela é repleta de milagres do começo ao fim, e é demasiado evidente que não se trata de obra humana.
O Início do Projeto
Quanto a este projeto, até cerca de dois ou três anos após o fim da guerra, sendo eu um amante da arte, dentro das possibilidades financeiras, ia comprando peças que me agradavam, uma a uma, e me divertia com elas. Felizmente, naquela época, em meio à confusão do pós-guerra, consegui adquirir itens de boa qualidade a preços baixos. Hoje, ao refletir, compreendo claramente que isso também foi Vontade Divina.
Nesse ínterim, foi no final do 25º ano da Era Showa (1950): ficou decidida a transferência da "Casa dos Pássaros", que ficava em um canto da Terra Divina (a casa que, na época, servia de sede do Taiseikai), e no local restou um terreno vazio de cerca de 150 a 160 tsubo. Pensando em construir algo adequado ali, o que me veio à mente foi a construção de um museu de arte. É verdade que é um pouco pequeno para um museu, mas a localização e o ambiente são perfeitos — pensei, e decidi em meu coração. No entanto, por menor que fosse, um museu de arte não se conseguiria erguer com uma quantia módica de dinheiro. E, por outro lado, não havia perspectiva de se conseguir uma quantia tão grande tão cedo.
Assim, pensei: "Pelo menos, se eu preparar o terreno, chegará o momento em que poderei construí-lo." E comecei a prepará-lo. Isso ficou quase pronto no verão do ano passado. Quando vi aquilo, o desejo de construir o museu o mais rápido possível tornou-se irresistível. Consultei imediatamente o Sr. Abe, que disse: "Então, vou verificar." Após investigar, a perspectiva não era de todo impossível. Acreditando que Deus, de algum modo, proveria tudo, comecei os preparativos em outubro daquele ano. No mês seguinte, novembro, começaram a chegar quantias de dinheiro que superavam minhas expectativas, e as ofertas continuavam a fluir. Mais uma vez, fiquei simplesmente maravilhado com a esplêndida proteção divina. Dessa forma, até hoje, o dinheiro necessário foi arrecadado na medida exata, sem sobras nem faltas, e a obra progrediu com mais sucesso do que o esperado. Assim, desde o planejamento até a conclusão, foram apenas oito meses e meio. Para um edifício desta natureza, ter sido concluído com tamanha rapidez é algo que, certamente, não tem precedentes nem no Japão nem no mundo, pois, desde o início, foi uma sucessão de milagres: as coisas que eu desejava vinham até mim sem que eu precisasse pedir, e o dinheiro necessário era arrecadado com precisão graças ao fervor e à sinceridade dos seguidores.
Do ponto de vista do senso comum, um museu como este exigiria considerável tempo, esforço e dedicação, mas, como relatei, foi construído com surpreendente facilidade e rapidez, quase com prazer. Verdadeiramente, as obras de Deus são inimagináveis. A esse respeito, como é de conhecimento geral, todos os inúmeros museus de arte construídos até hoje, sem exceção, foram erguidos por grandes figuras que, por meio de lutas solitárias e árduas, acumularam imensas fortunas em uma geração, tornando-se heróis em histórias de sucesso. Eles colecionaram obras de arte ao longo de décadas e construíram museus para proteger seus bens e satisfazer sua vaidade, exibindo-os apenas a um círculo limitado de pessoas. Isso difere fundamentalmente de minha intenção. Sempre acreditei profundamente que as obras de arte do mundo não devem ser monopolizadas; o verdadeiro propósito da arte é mostrá-las ao maior número possível de pessoas, proporcionar-lhes prazer e elevar o caráter humano. Isso contribui enormemente para o desenvolvimento da cultura e é a verdadeira vida da arte.
O Aspecto Místico
Aqui, gostaria de escrever um pouco sobre o aspecto místico. Outro dia, fui a Nara e refleti profundamente sobre a obra imortal e imperecível do Príncipe Shotoku. Como todos sabem, a introdução do budismo no Japão ocorreu no 13º ano do reinado do Imperador Kinmei. No início, como acontece com as novas religiões de hoje, a frente de expansão religiosa não prosperava e estava estagnada, devido à incompreensão das autoridades da época e à perseguição do xintoísmo. No terceiro ano do reinado do Imperador Bidatsu, o Príncipe nasceu. Ao crescer, revelou-se um gênio raro, um santo que se poderia chamar de encarnação da compaixão. Assim que conheceu o budismo, sentiu que aquela era a missão de salvação que Buda lhe havia confiado e fez o grande voto de propagá-lo.
Como método, considerou que a arte budista seria a mais eficaz. Escolheu Nara como local sagrado e ali construiu um templo de sete salões, o Horyu-ji. Pode-se dizer que ele foi um modelo do Paraíso Terrestre para a época. Não foi só isso: a grande sabedoria do Príncipe não se limitava ao budismo; abrangia a política, a economia, a educação e todas as áreas. Sua Sabedoria Sagrada, livre e sem obstáculos, que a tudo alcançava, tornou-o objeto de reverência e temor; o povo chegou a adorá-lo como a encarnação de Kannon de Mil Braços. Assim, o budismo conquistou todo o país. Por tudo isso, não há dúvida de que o verdadeiro fundador do budismo no Japão foi o próprio Príncipe. Dessa época em diante, por várias centenas de anos, estendeu-se a chamada era do budismo primitivo.
Posteriormente, grandes mestres e sábios como Dengyo, Kobo, Honen, Shinran e Nichiren surgiram sucessivamente, cada um fundando sua própria escola, até os dias de hoje, como todos sabem.
Como se pode ver, o quanto o budismo floresceu no período de Nara é evidente até mesmo pela construção do Grande Buda no Templo Todai-ji. O fato de terem erguido uma obra-prima tão colossal numa época em que a cultura ainda era primitiva demonstra, mais do que qualquer palavra, quão intensa era a fé.
Minha Posição
Aqui, devo falar de mim. Se amei a arte desde cedo e cheguei a construir este museu, foi porque considerei isso o mais adequado para o desenvolvimento da religião.
Ao mesmo tempo, quando se vê que prego a verdade em todas as áreas — não apenas na medicina e na agricultura, mas também na política, na economia, na educação e na arte —, rompendo a ignorância e apresentando os princípios orientadores para a criação de uma nova cultura, compreende-se que toda a minha obra é uma expansão mundial da obra do Príncipe.
A única diferença é que o Príncipe nasceu em classe nobre, enquanto eu nasci em classe humilde. Essa diferença também se aceita, se a tomarmos como o significado do descenso de Miroku (Maitreya). Outro ponto que desejo mencionar é que o Príncipe se devotou a Shakyamuni e dedicou-se à propagação do budismo. Eu, porém, considero Shakyamuni inferior a mim. Digo isso porque Shakyamuni, há 2.600 anos, já desempenhou um papel preparatório para a minha grande obra de salvação mundial.
Pelo exposto, creio que se tenha compreendido, em linhas gerais, minha relação com o Príncipe e também o motivo por que dedico tanta energia à arte. No entanto, um ponto importante ainda precisa ser esclarecido: quando o Paraíso Terrestre — objetivo principal do Deus Supremo, onde não haverá doença, pobreza nem conflito — for estabelecido, ele se tornará um mundo onde a arte reinará suprema.
Fragmentos Médicos (20) – Se Não Houvesse Toxicidade Medicamentosa, Viveríamos Mais de Cem Anos
Eikō nº 155, publicado em 7 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Os seguidores sabem bem que a toxina medicamentosa é a causa de todas as doenças; a saúde humana, por sua vez, tem como condição a eliminação dessa toxina.
Em suma, o objetivo do Johrei é reduzir a toxina medicamentosa. Como a saúde se recupera à medida que a toxina medicamentosa diminui, se o ser humano ficar completamente livre dela, ninguém morrerá de doença; a morte natural — como a árvore que, ao completar sua idade, seca — será a passagem para o outro mundo. Sendo assim, não há a menor dúvida de que qualquer pessoa pode viver mais de cem anos.
Fragmentos Médicos (21) – O Equívoco sobre a Constipação
Eikō nº 156, publicado em 14 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Com frequência, a medicina diz que a constipação é prejudicial à saúde e, dependendo da doença, atribui-lhe a causa.
Isso ocorre porque a verdadeira causa da doença não é compreendida.
No entanto, a constipação não afeta a saúde em nada; pode-se ficar tranquilo. Já escrevi sobre isso antes, mas o ridículo é que, para algumas doenças infantis, a causa é atribuída à constipação, alegando-se uma autointoxicação. Isso é realmente absurdo, não tem limites. Provavelmente, isso se deve à crença de que as fezes transbordam e se espalham por todo o corpo, mas isso nunca acontece. Sem evacuação, as fezes apenas endurecem gradualmente dentro do saco fecal. Por essa razão, as pessoas forçam a evacuação com laxantes ou lavagem intestinal, o que é ainda pior — pois leva à degeneração da função evacuatória, tornando a pessoa um constipado crônico.
Registro de Conversa entre Meishu-Sama e o Sr. Musei (II)
Eikō nº 99, publicado em 11 de abril do ano 26 da Era Showa (1951)
Meishu-Sama: De fato, ele não é um mero artista marcial; possui algo espiritualmente nobre.
Sr. Musei: Bem, atualmente estou fazendo entrevistas para a revista Shūkan Asahi. A primeira foi com o Sr. Tokugawa Yoshichika; a segunda, com a atriz Todoroki Yukiko; a terceira, com Hasegawa Shin; a quarta, com Ōno Banboku; a quinta, com o Sr. Kyokudō Nanryō, de Osaka; a sexta, que terminei ontem, foi com a Sra. Teruha. A próxima será com o botânico Sr. Makino Tomitarō. Que tal fazer uma vez com o senhor? Como princípio meu, não pretendo, de forma alguma, fazer nada que magoe a outra parte. Seria imperdoável se a minha mediação resultasse em algo negativo.
Meishu-Sama: Ah, vamos fazer isso... O senhor é do tipo peculiar.
Sr. Musei: "Peculiar" é elogio demais para mim — isso vale para o senhor também... (risos)
Meishu-Sama: Eu gosto desse tipo de pessoa. Quem não tem nada de especial não é interessante. Quando há alguma peculiaridade, fica interessante. Ou seja, uma pessoa equilibrada, não é?...
Sr. Musei: O senhor vai pregar sobre esse equilíbrio? (risos)
Meishu-Sama: É difícil explicar isso.
Sr. Musei: Posso ajudar? (risos)
Meishu-Sama: O senhor tem alguma relação com os Tokugawa?
Sr. Musei: Não, nenhuma relação. Por isso, no diálogo do Shūkan Asahi, somos apresentados como "os dois Tokugawa, o novo e o antigo", e acabo sendo eu o falso. Sim, uma vez realmente virei o falso. No ano retrasado, quando fizemos um concurso de talentos escondidos na emissora, o Sr. Tokugawa ficou de tocar a flauta de acompanhamento, mas, sem shamisen, não teria graça. Disseram que a Sra. Ichimaru serviria, mas, como era um concurso de talentos escondidos, tínhamos de fazer algo fora da nossa especialidade. Devem ter pensado que, se era a flauta do Musei, o meu shamisen soaria melhor, e acabei aceitando. Pois bem, no dia, na emissora, apareceu um Tokugawa diferente... (risos) Foi aí que eu virei o falso.
Meishu-Sama: O que significa "Musei"?
Sr. Musei: Bem, o meu nome verdadeiro é Fukuhara Toshio. Como meu mestre era Shimizu Reizan, adotei o nome Fukuhara Reisen e me apresentava no Segundo Fukuhōkan, em Shiba, com um salário mensal de dez ienes; mas a situação ficou insustentável e fugi para Osaka. A Nikkatsu ficou muito irritada, mas entrei no Cinema Aoi, em Akasaka. O gerente de lá disse que "Fukuhara Reisen" não servia e que, por conveniência temporária, eu deveria usar um nome falso. Consultei todos a respeito; o pessoal do camarim e do escritório, meio de brincadeira, como era "Aoi", sugeriu "Tokugawa"; e, como "Sei" (voz) era comum na época, chegamos a "Tokugawa Sei", mas não conseguíamos achar um "Mu" (sonho) que combinasse. Por um momento quase me deram o nome "Dokusōmaru"; no final, porém, como a minha voz parecia a de um sonho, sugeriram "Musei" (Voz de Sonho) — "Tokugawa Musei", que tal? Não foi um nome que eu mesmo escolhi. E, no fim, acabou sendo até melhor assim.
Meishu-Sama: É verdade. A mim também chamam de "Senhor Luz", mas isso também não fui eu quem inventei. Foi o pessoal dos jornais que deu esse nome — creio que foi o Jornal de Shizuoka...
Sr. Musei: Esse nome soa melhor mesmo.
Meishu-Sama: E combina muito bem, também.
Sr. Musei: Os impressionistas franceses, por exemplo, também não escolheram o nome eles mesmos (a ideia deles era que a verdadeira pintura não consiste em simplesmente copiar as coisas tal como são, mas em formar antes uma impressão na mente e depois levá-la ao pincel). Por isso, davam títulos como "Impressão disto", "Impressão daquilo" — impressão de um gato, impressão do sol, e assim por diante. Foi algum jornal que escreveu "impressionistas" e, no fim, eles próprios passaram a se considerar assim.
Meishu-Sama: Isso é o mais natural e o melhor. Afinal, é uma questão de sensação...
Sr. Musei: Eu penso que, se a ciência progredir um pouco mais, talvez seja possível medir algo como o espírito. O que acha?
Meishu-Sama: Isso é possível.
Sr. Musei: Algo como a radioatividade, medida pelo contador Geiger...
Meishu-Sama: Ou seja, chegará o dia em que se poderá medir com máquinas. Estou escrevendo uma tese sobre isso agora. Dizem que a física atômica atual está num impasse na teoria dos mésons. O Dr. Yukawa previu o méson, que depois foi encontrado por acaso em fotografias de raios cósmicos e confirmado; mas, se formos além disso, as máquinas não conseguem mais medir. Indo bem mais adiante, chega-se a Deus. Mais cedo ou mais tarde, isso será comprovado pelo avanço da ciência; mas, atualmente, entre o ponto extremo desse méson e Deus há um vazio, porque a mente dos cientistas ainda não chegou até lá, e por isso não compreendem. Eu explico isso cientificamente e dou a isso o nome de "ciência teórica do espírito divino"; quem ler isso não deixará de compreender. Como "ciência experimental do espírito divino", fazendo assim (ergue a mão), a doença já melhora imediatamente. Até a apendicite se cura muito bem. Isso é a ciência experimental do espírito divino.
Sr. Musei: É verdade. Por exemplo, quando um eletricista morre eletrocutado, às vezes sai uma descarga elétrica dos dedos. Fechando os olhos e fazendo assim (aproxima os dedos dos olhos), dá para sentir. Quando estou com dor de estômago, coloco a mão sobre o abdômen e, depois de um tempo, muitas vezes melhora. Sem dúvida, sai algo muito bom da mão. Poderíamos chamar de energia espiritual, talvez.
Esposa: É por isso que se diz "a mão é o remédio" (te-ate).
Meishu-Sama: Explicar isso é realmente muito difícil.
Sr. Musei: Muito obrigado.
* (Sr. Yukawa) Dr. Yukawa Hideki
Fragmentos Médicos (22) – Termômetro
Eikō nº 158, publicado em 28 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Hoje em dia, é difícil encontrar quem não dependa do termômetro.
No entanto, para os seguidores da Igreja Messiânica, ele se torna completamente desnecessário — o que se pode considerar um mistério insondável. A febre dissolve as toxinas, causa das doenças; portanto, é algo verdadeiramente benéfico. Quanto mais alta a febre, mais rapidamente a doença se cura. Se a considerarmos algo temível, o termômetro se faz necessário; mas, se a considerarmos algo valioso, não há necessidade de medi-la. Só por esse ponto já é possível compreender quanta felicidade os seguidores da nossa Igreja podem alcançar.
A Medicina é Superstição?
Eikō nº 235, publicado em 18 de novembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Vamos tentar explicar, do modo mais simples, se a medicina é ou não superstição.
O que isso significa? Deixando de lado o que se passa no exterior, em nosso país todos os métodos de tratamento de doenças — sejam quais forem — resumem-se, como todos sabem, à terapia médica e a muitas terapias populares não médicas, como orações, encantamentos e curas pela fé. Somadas todas elas, o número provavelmente supera o de médicos. Além disso, considerando que cada uma dessas práticas prospera consideravelmente, é improvável que diminuam no futuro; antes, devem aumentar. Diante disso, deveríamos refletir sobre o que isso significa.
Falando francamente, a medicina não progrediu tanto quanto o público imagina. Se tivesse progredido verdadeiramente, por que as massas abandonariam a medicina — louvada e incentivada tanto pela nação quanto pelos intelectuais — para recorrer a terapias não médicas envoltas em nuvens de dúvida? Nem é preciso dizer que, ao adoecer, as pessoas, sem exceção, consultam imediatamente um médico. No entanto, ao lado dos casos que se curam com facilidade, há outros em que, por mais dinheiro que se gaste e por mais que o médico se esforce no tratamento, a doença não só não melhora como esperado, mas piora a tal ponto que o próprio médico se vê obrigado a desistir, declarando não haver mais esperança de cura. Quando isso acontece, é natural que o paciente, movido pelo desejo desesperado de se salvar, busque todo tipo de terapia, pois, para o ser humano, não há nada mais precioso do que a vida. No entanto, nessa hora, as pessoas ao redor, em uníssono, dizem que, apesar de existir uma medicina tão avançada, confiar a vida a novas religiões ou coisas do tipo, que são criticadas pela sociedade, é certamente superstição.
Brandindo esse argumento do senso comum, tentam impedi-lo a todo custo, como se fosse uma regra. Mas o paciente, que já conhece bem tudo isso, naturalmente não lhes dá ouvidos.
Há inúmeros exemplos disso nos relatos de graças.
Em suma, a chave do problema é que, se a medicina curasse completamente as doenças, não haveria necessidade de mais nada. No entanto, é justamente porque a medicina não consegue curar de jeito nenhum que, como último recurso, as pessoas são forçadas a buscar outras terapias. Isso é, antes, algo digno de compaixão. Ignorando esse fato tão claro, porém, as pessoas criticam e obstruem as terapias de fé. Não se pode deixar de pensar que estão deliberadamente fechando os olhos para a realidade. Se não for isso, só se pode concluir que se tornaram vítimas da superstição médica, fanáticos cegos. Além disso, penso que os próprios médicos deveriam ser gratos se um paciente de quem desistiram for salvo por nossas mãos. Diante de tais fatos, de nada adianta bater o tambor dizendo para confiarem na medicina; é inevitável que as pessoas busquem o caminho que realmente cura. Em outras palavras, a razão é que a terapia médica é extremamente deficiente. Se a medicina curasse completamente, nem um único paciente procuraria terapeutas não médicos, mesmo que ninguém dissesse nada. Quando vejo pessoas criticando sem compreender uma verdade tão simples, fico tentado a duvidar da inteligência delas.
Como vimos, mesmo nesta era de tanto progresso, não são poucas as incoerências que causam danos à sociedade como um todo — por isso, vivemos, de fato, num mundo de trevas e ignorância. O que foi dito acima é o senso comum. Em contrapartida, temos a terapia de Johrei da nossa Igreja Messiânica. Os fiéis já a conhecem bem, mas, para aqueles que ainda não a conhecem, digo uma palavra: se a pessoa conseguir reconhecer que a medicina, longe de ser impotente, é na verdade uma existência negativa ainda pior, como mencionado anteriormente, ela se libertará da preocupação com as doenças e alcançará a verdadeira tranquilidade e paz espiritual. Em seguida, há outro fato surpreendente que o público em geral não percebe: a cura pelas terapias sem medicamentos, ou seja, pelas terapias de fé ou populares, deve-se menos ao efeito dessas terapias e mais ao fato de terem interrompido o uso dos medicamentos que estavam agravando a doença. Por isso, pode parecer irônico, mas, considerando os resultados, pode-se dizer que a prosperidade das terapias de fé e populares se deve, em certa medida, à própria medicina.
Fragmentos Médicos (23) – Dor de Dente
Eikō nº 159, publicado em 4 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Hoje, quanto à dor de dente, qual seria a causa mais comum? Quando se preenche a cavidade de uma cárie com cimento ou amálgama, é obrigatório usar antissépticos, mas é justamente isso que é prejudicial.
Isso porque, com o passar do tempo, o antisséptico se decompõe e se transforma em um tipo de toxina. Essa toxina, na tentativa de ser eliminada, penetra na raiz do dente, perfura o osso e rompe a carne para sair. Os dentistas chamam essa dor intensa de periodontite apical.
Sendo assim, se não se utilizasse absolutamente nenhum antisséptico, não importa o que se colocasse no dente, ele jamais doeria. Portanto, não se trata de um antisséptico, mas sim de um "aumentador de toxinas". Gostaria de levar isso ao conhecimento dos dentistas em geral, mas, acima de tudo, bastaria que eles experimentassem para compreender bem.
O que é a Mola Hidatiforme?
Eikō nº 177, publicado em 8 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Entre as gestações anormais frequentemente mencionadas desde os tempos antigos, há uma chamada mola hidatiforme, que é extremamente temida.
Já falei sobre isso anteriormente, mas o relato a seguir* demonstra vividamente esse fato e serve como grande referência. Em suma, a causa são os óvulos de rã, que se ligam formando algo semelhante a um cacho de uvas. Isso ocorre porque, ao se matar uma rã grávida ou destruir seus óvulos na água, o espírito dela se vinga. De fato, quando se trata de óvulos grandes de rã, eles se assemelham a uvas italianas penduradas, sendo algo realmente repugnante. Por meio disso, percebe-se que há casos que a medicina puramente materialista jamais conseguirá resolver.
"Salva de uma doença incurável de doze anos e também escapando do perigo de uma gravidez molar (restante do texto omitido)"
O Japão é Civilizado ou Bárbaro?
Eikō nº 201, publicado em 25 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
Ao ver este título, talvez se pense que ele é um tanto estranho, mas, como não havia outra forma de denominá-lo, escrevi-o assim. Primeiramente, falemos sobre o significado do que se chama civilização. Sem necessidade de muita reflexão, as condições para isso são várias, mas, acima de tudo, a primeira é a garantia da segurança da vida humana e, junto com isso, o pensamento de negação da violência. A segunda é que a racionalidade seja praticada em toda a sociedade e nação como um todo. Passo a escrever sobre esses pontos a seguir.
Como dito acima, enquanto não houver uma sensação de segurança para a vida humana, é desnecessário dizer que a palavra "civilização" não pode existir. Ou seja, trata-se de um mundo onde não se adoece durante toda a vida e onde não há guerras. É somente quando um mundo humano como este se realiza que se pode desfrutar dos benefícios da civilização e obter a felicidade, que é o maior desejo da humanidade. Portanto, o fato de a nossa Igreja Messiânica ter como princípio criar seres humanos que não adoecem não se explica senão por esse significado. Por isso mesmo, a humanidade, desde antes da era cristã, tem dedicado a máxima atenção às doenças. Com a chegada dos tempos modernos, a medicina ocidental foi criada e alcançou progresso e desenvolvimento surpreendentes. Como é sabido por todos, os seres humanos acreditaram ser este o único método para resolver as doenças, e as nações do mundo adotaram essa medicina, chegando aos dias de hoje. No entanto, como sempre digo, esse progresso da medicina é apenas superficial, sem quase nenhum efeito real, e os fatos mostram isso claramente. Olhem: a atual proliferação de doentes por toda parte não o demonstra claramente? A situação atual, que sempre clama por medidas contra doenças como tuberculose, hemorragia cerebral, câncer, doenças mentais, paralisia infantil e também várias doenças contagiosas, mostra bem isso. Diante disso, o que se deve considerar é como era a saúde dos seres humanos na era primitiva e bárbara, quando não existia medicina.
Se eu tentar interpretar isso com as teorias médicas atuais, chegar-se-ia ao seguinte: naquela época, como não havia absolutamente nada de medicina ou higiene, as pessoas seriam facilmente atacadas por doenças e morreriam umas após as outras; além disso, como também desconheciam a nutrição, sofreriam de desnutrição; seus corpos se enfraqueceriam e não suportariam trabalhos pesados ou árduos; e, como não havia meios de transporte, mesmo que quisessem ir a lugares distantes, se cansariam rapidamente; portanto, nem se poderia pensar em desbravar terras.
A conclusão seria que, graças ao surgimento dos tratamentos médicos e dos medicamentos, esses corpos humanos frágeis tornaram-se saudáveis como os de hoje e que, naturalmente, se a medicina for ainda mais aprimorada, a saúde aumentará; além disso, com o avanço das técnicas cirúrgicas, a maioria das doenças pode ser resolvida removendo-se os órgãos doentes um após o outro, trazendo tranquilidade. Se assim for, a lógica seria que o Criador é um ser tolo, que criou coisas desnecessárias como o apêndice, dois rins quando um só bastaria e coisas inúteis como as amígdalas e adenoides, e que nós, humanos inteligentes, removemos esses perigos. No entanto, esses humanos arrogantes, na verdade, foram criados pelo Criador, e o Criador certamente franziria o cenho, pensando: "Que criatura terrivelmente ímpia". Só de pensar nisso, já se pode compreender o nível do cérebro dos estudiosos.
Além disso, temendo os micróbios, eles se dedicam fanaticamente à desinfecção e à eliminação de micróbios; grandes hospitais são construídos em todos os lugares, e inúmeras camas são preparadas; os gastos, o trabalho e o tempo consumidos para isso são imensos, e os impostos para isso também atingiriam valores enormes. Contudo, se isso se concretizasse, seria de fato um mundo ideal do ponto de vista médico; pensemos, porém, em como estariam as doenças. Sobre isso, consideremos primeiro a saúde dos homens antigos. Como se pode ver pela história, lendas e documentos a respeito, a força física dos seres humanos daquela época era incomparavelmente mais robusta que a dos homens modernos, algo que se pode imaginar também por meio de inúmeros artefatos. Considerando esses fatos, não deve estar errada a minha teoria, que sempre afirmo, de que a medicina enfraquece os seres humanos e cria doenças. Se assim for, embora a medicina moderna pareça ter progredido, na verdade ela aumenta o sofrimento humano, e percebe-se que é uma existência contrária à civilização.
Em seguida, falemos sobre a guerra. Ao criticá-la, gostaria de deixar claro que ela é, precisamente, um magnífico resquício da era bárbara, e a coisa mais maligna. Isso porque, originalmente, o homem primitivo era o que mais se aproximava dos animais, sendo, em suma, semi-feras e semi-humanos. No entanto, examinando bem o homem civilizado moderno, descobre-se que, interiormente, não há grande diferença. De fato, a aparência externa é verdadeiramente cultural, e não se vê um átomo de barbárie, mas, como dito anteriormente, a natureza animal e bárbara permanece em grande parte no fundo do coração, e a consciência de luta é vigorosa. Mesmo as duas grandes potências atualmente em confronto, os Estados Unidos e a União Soviética, são como um tigre e um leão se encarando, mostrando os dentes, prestes a se atracar. A única diferença é que, como convém a humanos, tudo é feito de forma inteligente e calculada; eles possuem armas avançadas, elaboram estratégias sob uma organização de grupo e apenas aguardam o momento oportuno. Além disso, o que é pior do que nos animais é que, no caso do tigre ou do leão, a disputa se resolve com a vida de um único indivíduo, mas com os humanos não é assim: mantendo um único líder em segurança, eles decidem a vitória ou a derrota sacrificando dezenas ou centenas de milhares de vidas humanas. Tanto o lado vencedor quanto o perdedor constroem montanhas de mortos. Considerando o resultado, portanto, o grau de barbárie é maior no lado humano.
Em seguida, questiona-se o quanto de racionalidade existe na sociedade atual. De fato, superficialmente, cada nação possui constituições, organizações político-econômicas, estruturas sociais, etc., que foram elaboradas com o máximo da erudição e inteligência humana, sem deixar a desejar. No entanto, a natureza bárbara dos seres humanos que as operam se manifesta em toda parte. Isso porque, uma vez que se retira a máscara, a quantidade de irracionalidade é surpreendente. Por exemplo, na política, como se pode ver pela situação daquela Dieta, há uma quantidade de insultos e gritaria que não se pode suportar, algo que não se esperaria de uma reunião de pessoas que deveriam ter um nível mais elevado que o das pessoas comuns, parecendo antes uma reunião de desordeiros de uma feira. Dito isso, esse sistema parlamentar é, em si, racional e bem elaborado em todos os aspectos, mas é a barbárie que o destrói. Além disso, os membros dos partidos políticos parecem colocar os próprios interesses em primeiro lugar, os interesses do partido em segundo, e os interesses do povo em terceiro. É problemático que essas pessoas se orgulhem de serem a elite da nação. O mesmo se aplica às eleições. De fato, as leis e regulamentações são extremamente rigorosas, penetrando nos mínimos detalhes, mas isso também é apenas superficial; na realidade, o que se considera esperto é escapar pelas malhas da lei. E isso também se aplica ao Japão, que se vangloria de ter se tornado um Estado democrático.
Quando se olha para o conteúdo, é surpreendentemente diferente; a situação em que os funcionários públicos sempre se aproveitam de suas posições e não se importam nem um pouco com a violação dos direitos humanos, como se pode ver constantemente nos jornais, é algo cujo caráter antidemocrático é inimaginável para terceiros. Para isso, não há palavra mais adequada do que "civilização exterior, barbárie interior". Além disso, os problemas de suborno e corrupção são de conhecimento geral, e estes também devem ser apenas a ponta do iceberg.
Escrevi de forma despretensiosa, apenas o que me veio à mente, e já é o suficiente; o restante pode ser inferido. Considerando tudo isso em conjunto, como disse no início, a situação atual do mundo é uma civilização apenas na aparência externa, enquanto interiormente ainda resta muita barbárie. Acredito, portanto, que as palavras do título não estão de forma alguma erradas.
Fragmentos Médicos (24) – Gordura e Obesidade
Eikō nº 160, publicado em 11 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
No mundo, costuma-se usar a expressão "gordura que engorda", mas isso é um equívoco.
Antes de tudo, se fosse a gordura que engordasse, os comedores de carne seriam gordos e os vegetarianos seriam magros, mas, na realidade, ocorre com frequência o oposto. As pessoas que engordam por verdadeira saúde são muito raras; quase sempre é devido à atrofia dos rins e às toxinas medicamentosas, e são justamente essas pessoas que sentem o corpo pesado e não conseguem trabalhar o suficiente. Além disso, entre os intoxicados por medicamentos da medicina chinesa, há muitos gordinhos, e o que se chama popularmente de "inchaço azulado" é um exemplo disso. No primeiro caso, trata-se de rins atrofiados, onde o processamento da urina é deficiente, causando edemas. Recentemente, o aumento de garotas gordas entre as estudantes também se deve ao fato de que, diferentemente dos meninos, elas sentem preguiça de ir ao banheiro durante as aulas. Assim, a urina transborda ao redor dos rins, solidifica-se e comprime os rins, e o excesso de urina não eliminada se espalha por todo o corpo, fazendo com que a pessoa engorde gradualmente. A isso chamamos de "obesidade por urina". Embora essas pessoas pareçam fortes, são surpreendentemente frágeis e propensas a doenças. Já no segundo caso, as toxinas medicamentosas se dissolvem aos poucos e se acumulam por todo o corpo, e esse tipo de ganho de peso é frequentemente localizado e irregular, sendo, portanto, fácil de identificar.
O Museu Democrático
Eikō nº 216, publicado em 8 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Recentemente, o Sr. Major H. Shaw, dos Estados Unidos, após visitar o Museu de Hakone, manifestou-se profundamente impressionado e, ao ser questionado, revelou uma impressão típica de um americano. Além disso, como se trata de algo a que os japoneses em geral não dão muita atenção, escrevo aqui. O Sr. Shaw disse: "Este museu oferece o significado mais novo no Japão. Isso porque, até agora, as obras de arte no Japão eram guardadas a sete chaves pela classe privilegiada e tratadas como objetos de apreciação pessoal. No entanto, reunir tantos itens valiosos como estes e abri-los ao público sem hesitação, proporcionando alegria ao povo, significa romper o monopólio da arte e abrir as portas para a sua democratização. Por isso, estou profundamente impressionado e respeito esta iniciativa."
Ao ouvir isso, senti uma alegria genuína, pois ele expressou, sem artifícios, exatamente o que eu pensava.
Sobre a Epidemia de Disenteria
Eikō nº 162, publicado em 25 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Segundo noticiam os jornais, as autoridades estão alertando que, neste ano, o número de casos de disenteria atingirá níveis sem precedentes.
Afinal, no vigésimo terceiro ano de Showa (1948), houve cerca de quinze mil casos; no ano seguinte, vigésimo quarto ano (1949), trinta mil; no vigésimo quinto ano (1950), cinquenta mil; e no ano passado (1951), cem mil, aumentando aproximadamente o dobro a cada ano.
Mesmo pela estimativa das autoridades, portanto, este ano ultrapassará os duzentos mil casos, não sendo o temor infundado. Por isso, há toda sorte de preocupação quanto aos métodos de prevenção, e recentemente os jornais noticiam relatos de que surgiram medicamentos específicos de efeito notável — o que, do nosso ponto de vista, é algo duvidoso.
Além disso, dão toda sorte de orientações trabalhosas para o dia a dia, como lavar as mãos antes das refeições, não comer alimentos crus, não comer fora de casa e, ao sentir diarreia, consultar imediatamente um médico. Se não há como pensar em nada além desses métodos negativos, isso demonstra quão carente a medicina atual está de medidas eficazes contra esta doença. Diante dessa pobre realidade da medicina, será impossível conter a onda da futura epidemia.
Por isso, aqui, desejo ensinar a causa fundamental por meio da medicina da revelação divina. Os não crentes dificilmente acreditarão, mas, como esta é a verdade, escrevo independentemente de crerem ou não. Como disse resumidamente outro dia, esta doença, do ponto de vista material, é uma ação de eliminação do sangue tóxico acumulado no cérebro. Quanto à sua causa, os homens modernos ingerem remédios indiscriminadamente, de modo que as toxinas medicamentosas se acumulam no corpo, turvando o sangue. A maioria das pessoas possui muito sangue turvo. Além disso, os homens modernos usam muito a cabeça, de modo que o sangue turvo se acumula nessa região. Ou seja, quanto mais se usam os nervos, mais o sangue turvo se acumula, pois este é um princípio do corpo humano. Acima de tudo, basta tocar a nuca e a medula oblonga para perceber imediatamente: nessas partes há sempre uma solidificação e um estado ligeiramente febril, sendo raro encontrar alguém que não os tenha.
Quando aí ocorre o processo de purificação, essa solidificação começa a dissolver-se rapidamente com a febre, desce e, uma vez estagnada no abdômen, logo é excretada como fezes diarreicas. Isso é a disenteria; portanto, é uma ação de eliminação de toxinas realmente excelente, um método natural de saúde. Como prova, pessoas que sofrem de males crônicos como dor de cabeça, peso na cabeça e sensação de turvação certamente melhoram, e o cérebro se torna mais lúcido. No entanto, a medicina, que desconhece isso, interpreta a diarreia como algo ruim e tenta detê-la, de modo que, temporariamente, o sangue turvo se solidifica de novo e tudo volta ao estado anterior, fazendo parecer que foi curada.
Mas, na verdade, o sangue turvo remanescente ou se solidifica ou se torna a causa de outras doenças, de modo que, mais cedo ou mais tarde, a recaída ou outra doença maligna é inevitável. O exposto é o aspecto material. A seguir, escreverei sobre o aspecto espiritual.
Como venho explicando desde antes, no mundo espiritual, à medida que se faz a transição do Mundo da Noite para o Mundo do Dia, torna-se gradualmente mais claro e o Elemento Fogo também aumenta, de modo que a purificação se torna cada vez mais intensa. Sua manifestação é a epidemia de disenteria sem precedentes como a deste ano, e ainda não terminará com algo tão brando assim, portanto é preciso estar preparado. O mesmo se aplica à tuberculose. Se, como recentemente, continuarem a surgir novos medicamentos de efeito notável na interrupção da purificação, de fato, o sangue turvo se solidificará temporariamente, o paciente terá uma melhora passageira e a taxa de mortalidade diminuirá.
Mas, posteriormente, ocorrerá inevitavelmente uma purificação violenta, dando início a uma era de proliferação da tuberculose maligna, e inúmeras pessoas morrerão em pouco tempo. Assim, juntamente com a disenteria e outras doenças contagiosas, é certo que surgirá uma era de terror sem precedentes. Atualmente, estou alertando por escrito e oralmente, mas, na verdade, desejo ardentemente que esta profecia não se concretize. Contudo, isso será provavelmente impossível. Quando esse momento chegar, por mais que as pessoas despertem tardiamente e venham buscar salvação, já será tarde demais. Portanto, aqueles que prezam a vida devem converter-se o mais rápido possível à nossa Igreja e, não importa que era de terror venha, devem construir uma convicção e uma constituição física que não se abalem com nada.
Não há outro método além deste. Isto é, na verdade, algo muito mais grave do que a bomba atômica. O terror da bomba atômica atinge apenas os envolvidos na guerra, mas isto é um processo de purificação que abrange toda a humanidade, de modo que ninguém pode escapar. O que mais poderia ser o "fim do mundo" dito por Cristo, senão isto?
Fragmentos Médicos (25) – A Palavra "Tratamento"
Eikō nº 161, publicado em 18 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Pode-se estranhar ao ouvir que a medicina é totalmente incapaz de tratar as doenças; mas é a verdade, e não há como negá-la. Então, quem cura de fato? É o nosso próprio corpo. Se fosse possível curar-se com a medicina, não haveria necessidade de cirurgia. Em outras palavras, como a medicina não consegue curar a parte doente, vê-se forçada a removê-la. Quando há dor, do mesmo modo, como não pode eliminá-la, anestesia os nervos que a sentem, para que não a percebam. Assim, quando ocorre um ferimento, é o próprio ser humano que estanca a hemorragia e regenera a pele e a carne feridas. A medicina afirma que o tratamento médico auxilia nessa reparação; na realidade, porém, ele atrapalha, retardando a cura. Por essa razão, a terapia e o tratamento convencionais são considerados sem sentido.
Meu Modo de Pensar
Eikō nº 162, publicado em 25 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
Tenho o hábito de refletir profundamente sobre tudo. Por exemplo, suponhamos que alguém elabore um plano. A maioria das pessoas, desejando realizá-lo o mais rápido possível, não consegue ficar quieta; além disso, confia excessivamente no destino, pensando que, uma vez iniciado, de alguma forma dará certo. No entanto, quando se começa a executá-lo, as coisas não saem como esperado e, na maioria das vezes, ocorre um fracasso, como o bico do cruzado que não se encaixa.
Isso acontece porque se considera apenas a possibilidade de sucesso, sem pensar na possibilidade de fracasso, o que é extremamente perigoso. Eu, ao contrário, parto do princípio de prever o fracasso desde o início. Como já elaboro antecipadamente um plano de como me reerguer caso fracasse, mesmo que isso ocorra, não sofro grande abalo. Aguardo um pouco o momento e, assim, longe de ser algo fatal, posso me recuperar facilmente.
O mesmo se aplica ao dinheiro. Eu o organizo em três etapas. Se o primeiro montante de dinheiro que uso não for suficiente, uso o segundo; se ainda assim não bastar, uso o terceiro. Procedendo dessa forma, não há receio de sofrer um grande prejuízo. Como preparo tudo minuciosamente e procedo com a máxima cautela, posso parecer moroso a quem vê de fora; mas, como não há fracassos, o progresso é surpreendentemente rápido.
Com isso, economizam-se gastos desnecessários, tempo e esforço, resultando em lucros inesperados do ponto de vista dos cálculos.
Como todos sabem, elaboro e executo planos bastante ousados, um após o outro, mas faço isso sem ansiedade, com um sentimento de leveza e fluidez. Mesmo com todos os preparativos já completos desde o início, como descrito acima, não começo imediatamente, mas aguardo calmamente o momento.
Então, a boa oportunidade certamente surge, e é nessa hora que me lanço com toda a força, procurando, ao máximo, não me apressar. O ser humano jamais deve se apressar. Quando se apressa, inevitavelmente surgem ações forçadas e, quando surgem ações forçadas, é o fim. Observando os fracassados do mundo, vemos que, sem exceção, a pressa e as ações forçadas são a causa. Lembro-me sempre, a esse respeito, da época da Guerra do Pacífico. No início, as coisas iam bem, num crescendo, e as pessoas ficaram eufóricas, surgindo a arrogância.
Mesmo quando a situação mudou bastante e as circunstâncias se deterioraram, teimaram, com um "não vou me render", acumulando ações forçadas sobre ações forçadas, resultando naquele fim miserável. Naquela época, pensei que, uma vez que a pressa havia surgido, já era o fim, mas, como não podia dizer isso às pessoas, suportei em silêncio.
Por isso, pensei com verdadeiro pesar que, se tivessem considerado a possibilidade de derrota desde o início, as coisas teriam sido um pouco diferentes. É desnecessário dizer que a causa foi inteiramente a falta de visão dos responsáveis.
Sendo assim, quando me observam, às vezes pareço extremamente rápido e direto e, outras vezes, ao contrário, muito calmo e tranquilo, de modo que, provavelmente, não conseguem me avaliar. Isso se deve, é claro, à forte proteção de Deus, mas tudo o que faço e realizo progride com tanta rapidez que não há quem não se surpreenda. Pode-se compreender bem isso observando a velocidade de desenvolvimento incomum da nossa Igreja. O próximo ponto a que quero chamar a atenção é que o ser humano deve fazer uma mudança de espírito. Há pessoas que se agarram teimosamente a um único trabalho, mas, para essas pessoas, a eficiência não aumenta, porque, mesmo quando se cansam ou se aborrecem, elas suportam, e isso não é bom. Nesses momentos, o melhor é fazer uma mudança, mesmo que seja para uma diversão. Ouço frequentemente histórias de artistas que, quando não estão com disposição, nunca pegam no pincel, e penso que é realmente verdade; em certo sentido, ser um pouco egoísta acaba aumentando a eficiência. Nesse sentido, não gosto de me fixar em um trabalho, mas sim de mudar de um para outro. Fazendo isso, o ânimo fica bom, o trabalho se torna interessante e o funcionamento do cérebro também melhora. No entanto, dependendo da situação de cada um, isso nem sempre é possível.
Ensinei apenas que, compreendendo bem esse princípio e agindo com flexibilidade de acordo com as circunstâncias, a vantagem é considerável.
Os Micróbios São uma Dádiva
Eikō nº 115, publicado em 1 de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
Não sei quanto aos seguidores; mas quem ler este título, se for um terceiro, ficará estupefato e talvez duvide da minha sanidade mental.
No entanto, como isto é a verdade, a mais elevada ciência espiritual, se lerem com atenção e pensarem profundamente, não poderão deixar de pensar: "De fato, é assim". Embora se fale genericamente em micróbios, aqui me refiro àqueles relacionados a doenças. Examinar a fundo a questão de por que esses micróbios existem e causam danos aos seres humanos é certamente o problema mais importante para a cultura atual. É claro que os especialistas também estão sempre se esforçando em pesquisas sobre isso, mas, com o atual nível da ciência, ainda não se conseguiu compreender a verdadeira essência dos micróbios.
Não é só isso. Mesmo no caso de problemas como a tuberculose e as doenças contagiosas, que estão bem diante de nossos olhos, apesar de os envolvidos dedicarem corpo e alma, não se vê nenhum resultado digno de nota. Isso ocorre porque o ponto de vista está fundamentalmente errado. Na medicina, pensa-se apenas que basta prevenir o contágio através da eliminação de micróbios, etc. É, por assim dizer, a visão baseada em resultados que sempre menciono, ocupando-se apenas da casca externa. No entanto, a causa está no âmago; portanto, enquanto não se perceber esse ponto, por mais que se gaste uma fortuna e se faça um esforço imenso, não passará de trabalho inútil. Sem rodeios, pode-se dizer que a atual medicina dos micróbios ainda está na sua infância, e não se tem ideia de quando será realmente útil. Agora, escreverei o que pretendo dizer. Em primeiro lugar, esta Terra é o mundo dos seres humanos, e o ser humano é o protagonista.
Portanto, tudo o que existe é apenas o necessário para o ser humano; não há nada que seja desnecessário. Consequentemente, mesmo as doenças e os micróbios que são seus agentes patogênicos são todos extremamente necessários. No entanto, a humanidade os evita como coisas inúteis e nocivas, dedicando-se apenas a exterminá-los. Isso ocorre precisamente porque não se compreende o fundamento. Por isso, se a própria essência dos micróbios for compreendida, não haverá nada tão útil para a saúde humana quanto eles. Dito isso, a dificuldade em explicar isto é que, comparado às teorias científicas de até hoje, é algo tão surpreendente que, para compreender este princípio, é preciso ler com a mente completamente aberta, como uma folha em branco, e com muita atenção. E a causa das doenças que defendo é, como sempre digo, que nos seres humanos se acumulam constantemente toxinas, ou seja, sangue turvo. Como isso atrapalha as atividades se não for eliminado, surge um processo de purificação natural para eliminar o sangue turvo e purificar o sangue.
O sofrimento nesse momento é a doença. Pode-se dizer, portanto, que a doença é uma ação de limpeza interna do corpo. Por exemplo, todos os seres humanos, quando a sujeira se acumula na pele, que é a parte externa, têm o método de limpeza chamado banho. Da mesma forma, a sujeira também se acumula nos cinco órgãos e seis vísceras, que são o interior, e a ação de limpeza disso é o que se chama de doença. Se assim for, Deus realmente criou as coisas de forma engenhosa. Isso não é mentira alguma. Quando se fica doente, não ocorrem ações de eliminação de impurezas como catarro, muco nasal, remela, saliva, suor noturno, diarreia, inchaços, eczemas, etc.?
Uma vez eliminado tudo isso, o corpo fica completamente limpo e a saúde aumenta. No entanto, por mais estranho que pareça, ao contrário do banho, as pessoas se esforçam ao máximo para impedir essa excelente limpeza, que não custa um centavo, e evitar que ela ocorra.
Se isso é a medicina, não seria isto um erro tolo e absurdo? Por mais que se aponte algum erro, provavelmente não há erro maior do que este. Devido a esse erro, portanto, corpos saudáveis são enfraquecidos e corpos que poderiam viver muito tempo morrem precocemente.
E, longe de se importarem, as pessoas ainda são gratas por isso. As pessoas cultas de hoje são verdadeiramente "pobres criaturas, vosso nome é 'homem culto'". No entanto, há algo ainda mais problemático: no esforço para não eliminar as impurezas, elas usam essas mesmas impurezas, o que, ao contrário, resulta no aumento delas. Se este Caminho Perfeito for compreendido, portanto, saber-se-á que não há nada tão excelente quanto a doença. Assim, chegamos finalmente à teoria dos micróbios. As impurezas do corpo humano são, obviamente, a turvação do sangue.
Como fazer para eliminar essa turvação? Deus criou um método deveras interessante. Ele faz a limpeza por meio de minúsculos insetos invisíveis a olho nu, chamados micróbios. Então, Deus fez com que esses insetos proliferassem; ou seja, Ele criou a fonte da geração dos micróbios. Sobre isso, há detalhes na seção de ciência do meu livro A Criação da Civilização; por isso, omito-os aqui. De todo modo, esses micro-organismos chamados micróbios, primeiramente, penetram no sangue da pessoa que possui sangue turvo e desempenham o papel de transformar o sangue turvo em sangue purificado. Por que isso acontece? É que o sangue turvo contém impurezas que não deveriam estar no sangue. O interessante é que essas partículas microscópicas de impurezas são, na verdade, o alimento dos micróbios. Portanto, os micróbios, enquanto se alimentam delas, reproduzem-se com uma força extraordinária. Aqueles que se alimentaram o suficiente saem do corpo misturados às excreções. Assim, a turvação diminui gradualmente, até que o sangue se purifica. A febre que ocorre nesse processo é para dissolver o sangue turvo em líquido e facilitar a alimentação dos micróbios, que têm dificuldade de se alimentar quando o sangue turvo está muito concentrado. Se este princípio for compreendido, portanto, os micróbios são, na verdade, agentes de limpeza que purificam o interior do corpo humano, sendo algo que deve ser grandemente bem-vindo.
A questão, então, é como se forma o sangue turvo. Essa formação se dá de maneira extremamente racional, de acordo com o princípio da correspondência universal. Ou seja, o ser humano deve ter consciência do papel que lhe foi designado por Deus e cumpri-lo corretamente. No entanto, muitos seres humanos tendem a cometer injustiças e erros; como resultado, o espírito acumula nuvens espirituais e, quando isso acontece, o sangue se turva. Esse processo está na origem da doença e do sofrimento — em outras palavras, é um castigo pelos erros. Se assim não fosse, os seres humanos não apenas deixariam de cumprir seus papéis, como também causariam danos ao mundo. Por essa razão, Deus, sem alternativa, estabeleceu as coisas dessa maneira. Se os seres humanos agirem corretamente, portanto, não se tornarão portadores de sangue turvo; os micróbios não proliferarão e as doenças desaparecerão deste mundo. Sendo essa a verdade, os micróbios patogênicos são criados pelos próprios seres humanos, que deles sofrem. Escrevi este texto para ensinar que não há história mais tola do que essa.
Fragmentos Médicos (26) – A Palavra "Nervo"
Eikō nº 162, publicado em 25 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
É comum ouvir médicos dizerem: "Sua dor e seu sofrimento são devidos aos nervos; não há doença alguma." No entanto, gostaria que refletissem um pouco sobre este ponto: se não há doença, mas existe dor e sofrimento, não seria esta uma história realmente estranha?
Se, como dizem os médicos, sente-se dor e sofrimento mesmo não havendo doença, então esses nervos estão, de fato, doentes. Gostaria de afirmar, portanto, que curar isso é a verdadeira medicina.
Sobre o Melhor Cultivo de Arroz do Japão
Eikō nº 210, publicado em 27 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
A maioria das pessoas deve saber que o jornal Asahi Shimbun realiza anualmente o concurso do Melhor Cultivo de Arroz do Japão. Neste ano, o primeiro lugar foi de seis koku, um to, três shō e dois gō, e o agricultor foi Yoshinori Ōkawa, da província de Kagawa. Certo dia, um membro da nossa Igreja foi visitá-lo especialmente para perguntar detalhadamente e, segundo esse membro, o agricultor disse: "Usei uma quantidade enorme de fertilizantes químicos e forcei o resultado, por isso foi apenas para este ano; no ano que vem não será possível." Ao ouvir isso, o membro ficou desapontado, pois ficou claro que aquele bom resultado não passava de algo voltado para o concurso. Se isso não tiver relação com o aumento contínuo da produção, não terá significado algum.
Seria mais adequado, portanto, realizar um concurso baseado na média da colheita de, no mínimo, três a cinco anos. Só assim seria benéfico para a política nacional. E é exatamente isso que o método da agricultura natural da nossa Igreja representa: a colheita aumenta ano após ano, e essa é a sua força. Além disso, no ano passado, o primeiro lugar alcançado pelo nosso método da agricultura natural foi de sete koku e dois to; este ano, portanto, espera-se, sem dúvida, um resultado ainda maior. Certamente quebrará o recorde, por isso pretendo, este ano, inscrever-me no concurso do mesmo jornal.
O Significado da Terra Divina
Eikō nº 70, publicado em 20 de setembro do ano 25 da Era Showa (1950)
É preciso compreender que esta Terra Divina, agora praticamente concluída com exceção do museu, possui um significado profundo e grandioso.
Isso porque a intenção do Deus que criou o Japão é torná-lo o parque do mundo. Compreende-se bem isso, acima de tudo, observando a natureza do Japão. Diz-se que o Japão possui características que não se veem em nenhum outro país do mundo — como a beleza das paisagens naturais, das montanhas e das águas e, naturalmente, a grande variedade de espécies de plantas —, e os conhecedores do exterior o afirmam por unanimidade. Nesse sentido, se todo o Japão é um parque, Hakone seria o parque dos parques. Desnecessário dizer que sua localização é verdadeiramente ideal. Hakone está situada no centro do Japão. Tem, nas proximidades, o Monte Fuji, que pode ser chamado de montanha mundialmente famosa, e está localizada entre Kanto e Kansai, o que a torna inigualável em conveniência de transporte — primeira condição para um local pitoresco.
Conta ainda com fontes termais e um grande lago, e as montanhas não são nem muito altas nem muito baixas; não há lugares escarpados ou de difícil acesso; pelo contrário, suas formas são suaves, belas e fáceis de se aproximar.
Os riachos também são bons e, embora pequenas, há cachoeiras — reúnem-se todas as condições para um local de beleza cênica. Deixando de lado essas explicações, o lugar é simplesmente agradável e aprazível. Eu, desde sempre, gosto de fontes termais e não há praticamente nenhuma fonte termal na região de Kanto que eu não tenha explorado, mas, acima de tudo, pensei que não havia lugar superior a Hakone e, por isso, escolhi este local. Foi a realização de um desejo de várias décadas, e finalmente estabeleci residência em Gora. Foi a partir daí que, de alguma forma, o modelo do Paraíso Terrestre pôde ser construído hoje. Pelo significado mencionado acima, o parque do mundo é o Japão, e o parque do Japão é Hakone.
Ademais, como Gora está situada na posição com a melhor vista de toda Hakone, pode-se dizer que é o parque dentro de Hakone. Curiosamente, a Terra Divina era originalmente o Parque do Japão, e atualmente a área abaixo dela é um parque de estilo ocidental. Por isso, mesmo observando por este ângulo, percebe-se que Deus já havia preparado isso há muito tempo. Embora seja uma explicação simplificada, acredito que, pela descrição acima, pode-se compreender que a Terra Divina é fruto do profundo e sutil Plano Divino de Deus.
Nesse sentido, esta cerimônia, que celebra o dia de hoje como um passo para a construção do Paraíso Terrestre, pode ser considerada, sem exagero, um evento de alegria mundial.
Diálogo de Meishu-Sama com o Casal Raymond Cartier
Eikō nº 164, publicado em 9 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
(Sr. Raymond Cartier, redator-chefe da revista Paris Match, França)
22 de junho de 1952. A sala de recepção do Shinzansō (dentro da Terra Divina), preparada para a audiência daquele dia, causava uma sensação grandiosa, como a ponte de um navio que se projeta sobre o mar de árvores do desfiladeiro de Hakone. Às duas horas da tarde, estavam todos reunidos, aguardando em completo silêncio por alguns minutos: o casal Raymond Cartier, redator-chefe da maior revista da França, Paris Match; a Srta. Tatsuko Tazuke (crente), que se encarregava da interpretação como funcionária do Departamento de Informação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores; e, entre outros, um acompanhante, o Secretário Abe, o diretor permanente Kihara, o Sr. Chōsei Nagamura, presidente da Igreja Média, e dois jornalistas. Meishu-Sama, vestindo um simples haori, apareceu, cumprimentou a todos, e todos se sentaram. Uma atmosfera envolvida em luz serena parecia pairar no ar. A seguir, transmitiremos aos fiéis o teor do diálogo, conforme a taquigrafia.
Meu objetivo é a construção do Paraíso Terrestre
Sr. Cartier: Estou muito grato por ter vindo especialmente, apesar de sua agenda ocupada. Tenho esperança de que, ao encontrá-lo e ouvir várias coisas, nós também possamos melhorar um pouco. O que lamento especialmente é não poder conversar diretamente.
Meishu-Sama: Sim... Um dia saiu no jornal que, na França, alguém estuda muito a arte japonesa. Seria este senhor...?
Srta. Tazuke: Este senhor é redator-chefe da maior revista da França; esteve percorrendo o Sudeste Asiático e o mundo inteiro para inspecionar o pós-guerra e encerra a viagem no Japão, antes de retornar ao seu país. Tem grande interesse pela arte.
Sr. Cartier: Quero ver com meus próprios olhos a situação internacional, o que aconteceu em cada país, e depois divulgar isso. O Japão, em particular, mudou muito, e ouvi na Índia que "o Japão mudou religiosamente".
Meishu-Sama: Gostaria de falar um pouco sobre o meu objetivo. Faço isso com o propósito de criar uma obra de arte ideal, unindo a beleza natural e a beleza artificial. Não se trata apenas de arte — a arte é a beleza artificial, algo feito pelo ser humano. O resto é a beleza natural. Por isso, construí, no centro da paisagem mais bela de Hakone, o jardim que estão vendo. Isto é um Paraíso Terrestre em pequena escala. O Paraíso Terrestre é algo assim, um reino artístico.
Sr. Cartier: Ainda não visitei o museu de arte, mas, em termos de beleza natural, nunca vi algo tão belo.
Meishu-Sama: Em outras palavras, sou um religioso, mas penso que a arte é o que a religião mais necessita. Não se trata de salvar por meio de práticas ascéticas e sofrimento, como se fazia até agora, mas, ao contrário, de salvar por meio do prazer.
Como a Igreja Messiânica se desenvolveu
Sr. Cartier: De todo modo, o senhor está propagando um ensinamento, e parece ter muitos seguidores. Será que o ensinamento se espalhará tão rápido quanto o senhor deseja? Ainda não tão depressa quanto imagina...
Meishu-Sama: Não, está se desenvolvendo mais rápido do que eu esperava.
Sr. Cartier: Apenas dentro do Japão? Ou também fora dele...?
Meishu-Sama: Meu alvo é o mundo inteiro. Ultimamente está se espalhando aos poucos dos Estados Unidos até o Havaí — no Havaí, por enquanto, só entre japoneses —, mas o que eu almejo são as pessoas de todos os países do mundo. Penso em fazer com que, entre todos, os países de cultura mais elevada compreendam primeiro. Assim, os países de cultura menos desenvolvida compreenderão naturalmente depois. É por isso que, de agora em diante, vou me dedicar à divulgação em lugares de cultura elevada, como os Estados Unidos, a França e a Inglaterra.
Sr. Cartier: Até alcançar esse objetivo, que método o senhor está adotando agora...?
Meishu-Sama: O que mais impulsiona o meu desenvolvimento atual é que, de qualquer forma, a rapidez desse desenvolvimento não tem precedentes na história religiosa. Começou em agosto do vigésimo segundo ano da Era Showa (1947); portanto, contando três, quatro, cinco, seis, sete, em agosto deste ano completam-se cinco anos desde o início. Em cinco anos, já temos mais de trezentos mil seguidores, e continuamos a nos desenvolver dia após dia, mês após mês. O motivo é a cura das doenças.
Sr. Cartier: O senhor tem discípulos capazes de curar doenças também na América...?
Meishu-Sama: Tenho.
Sr. Cartier: Americanos...?
Meishu-Sama: Também há americanos.
Sr. Cartier: Esses americanos aprenderam a curar vindo até aqui...?
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Sr. Cartier: Curar doenças é um poder que Deus lhe concedeu — ou...?
Meishu-Sama: É Deus. Deus existe, e é Ele quem cura as doenças. Se, por exemplo, alguém está com dor de cabeça e eu faço assim (o Johrei), a pessoa se cura.
Sr. Cartier: Isso vale para todos os discípulos também...?
Meishu-Sama: Sim. Por isso, dou aos discípulos o Ohikari. Quando se coloca o Ohikari no pescoço, do meu corpo passa para ele um elo espiritual — uma conexão de luz — que, embora invisível, emana do corpo da pessoa como uma espécie de luz, e é assim que a doença se cura. Muitas pessoas conseguem ver essa luz.
Sr. Cartier: Seria possível ver esse Ohikari?
Meishu-Sama: Vou mostrar a vocês. (O Secretário Abe abre o Ohikari e o mostra.)
Sr. Cartier: Tendo esse poder de curar, o senhor também seria capaz, por exemplo, de causar dor de cabeça em alguém?
Meishu-Sama: Não posso. Isso é, do início ao fim, o bem — causar dor é o mal, é sofrimento. Porém, há casos em que a dor é sentida temporariamente para que seja eliminada; isso é o processo de purificação.
Sr. Cartier: Que tipo de treinamento seria necessário para receber o Ohikari e poder curar as pessoas...?
Meishu-Sama: Não é necessário treinamento algum. Basta ouvir os ensinamentos por três ou cinco dias — a isso chamamos curso (aula) de preparação para receber o Ohikari, o kyoshu — e, ao colocar o Ohikari, a cura já acontece.
Sr. Cartier: Então é preciso ter certeza absoluta da revelação divina...?
Meishu-Sama: Não é preciso ter certeza nenhuma. Pode-se duvidar desde o início, pode-se duvidar até o fim. Não duvidar desde o começo seria, isso sim, enganar a si mesmo. Dizer a alguém para acreditar em algo em que não se pode acreditar é que seria autoengano. Não se trata de força própria: é o poder de Deus que é concedido.
Sr. Cartier: Então, é o senhor quem julga se a pessoa está pronta e decide se ela pode receber o Ohikari...?
Meishu-Sama: De modo algum.
Sr. Cartier: E de que forma o senhor recebe a revelação divina...?
Meishu-Sama: Não é preciso nada tão complicado quanto uma "revelação". Quando Deus quer fazer algo, eu simplesmente sei, diretamente.
Sr. Cartier: Sem forma nenhuma...?
Meishu-Sama: Eu sinto. Está se referindo a algo relacionado a doenças?
Sr. Cartier: Não, refiro-me a quando Deus desceu sobre o senhor — de que forma isso aconteceu...?
Meishu-Sama: A primeira vez, foi Deus quem entrou em mim — chama-se possessão divina (kamigakari). Depois, com o tempo, Deus passou a habitar aqui (aponta o abdômen). Em japonês, chama-se isso de Unidade Deus-homem (shinjin gōitsu): Deus e o homem tornam-se um só.
Transformar o mundo em Paraíso
Sr. Cartier: Está tudo bem enquanto o senhor estiver presente, mas, se um dia não estiver mais aqui, o que ficará depois...?
Meishu-Sama: Se eu desaparecer, não haverá necessidade de nada — porque, enquanto eu estiver vivo, farei com que o mundo não precise mais disso.
Sr. Cartier: Seria algo assim: no Cristianismo, Cristo morreu, mas a Igreja permaneceu; aqui, ao contrário, o senhor fará tudo em vida, de modo que, depois, não haja necessidade de uma igreja ou de um ensinamento para dar continuidade...?
Meishu-Sama: Não é necessário. O motivo é este: vou eliminar os doentes do mundo inteiro — vou eliminar a doença do mundo. Eliminar a doença significa que, ao desaparecer a doença, desaparecem também os maus — pois todos os maus são, na verdade, doentes. Desaparecidos os maus, deixa de haver necessidade de religião.
Sr. Cartier: Então, ainda em vida, o senhor eliminará a doença do mundo...?
Meishu-Sama: Isso mesmo. A doença tem uma causa. Até agora, a humanidade errou justamente quanto a essa causa. Por isso, sou eu quem vai revelá-la. Estou escrevendo um livro sobre isso agora, e o distribuirei para o mundo inteiro.
Sr. Cartier: Se as doenças desaparecerem, a morte se tornará algo muito distante...?
Meishu-Sama: Isso mesmo. Todos os seres humanos viverão mais de cem anos.
Até mesmo os discípulos reproduzem os milagres de Cristo
Sr. Cartier: Cristo, Maomé, Buda — figuras assim vieram ao mundo recebendo uma espécie de missão divina...?
Meishu-Sama: Sem dúvida, mas essas pessoas receberam de Deus um poder pequeno — eram fracas. Entre os meus discípulos, porém, há muitos que manifestam milagres da mesma ordem que os de Cristo. Por isso, a minha Igreja Messiânica não é uma religião comum: a religião não é capaz de salvar a humanidade. A religião foi apenas uma ponte, até que a humanidade pudesse ser salva — até a minha chegada.
Sr. Cartier: Na Bíblia está escrito que Cristo ressuscitou ao terceiro dia após a morte, e os fiéis creem firmemente nisso. Para que os católicos aceitassem algo assim vindo do senhor, seria preciso mostrar-lhes, com os próprios olhos, a ressurreição de um fiel — sem isso, não acreditariam. O senhor seria capaz de algo assim...?
Meishu-Sama: Os meus discípulos conseguem fazer isso muito bem. Há discípulos que já trouxeram mortos de volta à vida. Portanto, se vocês também se tornarem meus discípulos, poderão fazer coisas da mesma ordem que as de Cristo.
Sr. Cartier: Ou seja, o senhor tem o poder de trazer de volta à vida quem já morreu...?
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Sr. Cartier: Os discípulos também...?
Meishu-Sama: Também conseguem.
Sr. Cartier: E, como Cristo, o senhor tem o poder de multiplicar o alimento quando falta, ou de tornar a terra mais fértil...?
Meishu-Sama: Também é possível. Há muitos casos assim.
O espírito de Cristo age sobre os católicos
Sr. Cartier: Quanto a mim, tenho grande esperança de que isso se espalhe pelo mundo inteiro...?
Meishu-Sama: Sem dúvida, assim será. E os católicos, um dia, se tornarão seguidores da Igreja Messiânica. E quem fará isso acontecer? Será Cristo. É o espírito de Cristo que fará com que todos se tornem seguidores da Igreja Messiânica.
Sr. Cartier: Por alguma revelação ou algo assim, o senhor sabe que os católicos certamente seguirão esse caminho...?
Meishu-Sama: Não é isso. Mesmo que eu não faça nenhum esforço nesse sentido, eles próprios serão levados, inevitavelmente, a se voltar para mim, porque Cristo agirá a partir do mundo espiritual. Tanto Cristo quanto Buda esperaram, até agora, pelo meu nascimento. Cristo e Buda são profetas: Cristo profetizou que o Reino dos Céus estava próximo, mas não disse que ele próprio o construiria; Buda também disse que viria a era de Miroku, mas não disse que ele próprio a realizaria.
Sr. Cartier: Os cristãos creem que não há nada superior ao seu próprio Deus...?
Meishu-Sama: Isso não é verdade. Existe o Pai Celestial. O que eu faço é obra do Pai Celestial.
Sobre a vinda do Messias
Sr. Cartier: Diz-se que Cristo é o Messias...?
Meishu-Sama: Não sou o Messias.
Sr. Cartier: É o que se costuma dizer; mas, então, em que posição entrarão os católicos? Um segundo Messias... Os judeus, por exemplo, ainda pensam que o Messias não veio. Quanto a essa vinda...?
Meishu-Sama: Isso é algo que não posso explicar em detalhes. Se eu dissesse claramente que sou a vinda do Messias, ou o próprio Cristo, as pessoas viriam correndo em massa e eu não conseguiria trabalhar. Agora ainda tenho muito trabalho a fazer, e muito a escrever — a minha Bíblia. Até que ela esteja pronta, não vou falar abertamente sobre isso. Por isso, deixo o assunto velado. É nesse sentido.
Sr. Cartier: Perdoe-me, mas gostaria de fotografar o seu leque, se possível...?
Meishu-Sama: Pode ser. (Meishu-Sama ergue o leque, e é fotografado de frente.)
Sra. Cartier: Vamos publicar com o título "O leque que cura o sofrimento do mundo".
Sr. Cartier: Quando a sua Bíblia ficará pronta...?
Meishu-Sama: Vejamos... deve ficar pronta mais ou menos no ano que vem. É o livro chamado "A Criação da Civilização".
Sr. Cartier: Quando estiver pronto, gostaria que nos enviassem o mais rápido possível.
Meishu-Sama: Além disso, tenho várias publicações já existentes; vou lhes dar todas. Entre elas há registros de discípulos meus que fizeram coisas semelhantes às de Cristo — leiam-nos.
Sr. Cartier: Em inglês...?
Meishu-Sama: Não, em japonês.
Sr. Cartier: Estou muito grato. Agradeço de coração.
Meishu-Sama: O senhor vai ver o museu de arte? E deixe-me dizer uma coisa: o que construí aqui é apenas um pequeníssimo modelo do Paraíso que hei de construir no mundo inteiro. É nesse sentido.
Durante todo o diálogo, reinou uma atmosfera harmoniosa, e as piadas ocasionais arrancavam gargalhadas. O que achei particularmente interessante foi quando a Sra. Cartier, de repente, propôs a Meishu-Sama: "Gostaria de publicar com o título 'O leque que cura o sofrimento do mundo', então permita-me fotografar o seu leque." Fiquei impressionado com sua inteligência, pois era um título realmente original. Em resposta, Meishu-Sama, com naturalidade, disse "Ah, está bem", e, inclinando-se ligeiramente, ergueu o leque, e o flash brilhou. Foi um momento verdadeiramente despretensioso, como água corrente.
Terminado o diálogo, Meishu-Sama retirou-se, e o grupo apressou-se em direção ao museu de arte. Lá, Meishu-Sama apareceu novamente e pessoalmente os guiou.
Diante das famosas pinturas e vasos antigos e modernos, dispostos em uma sala tão grande que causava admiração — a ponto de quase parecerem apertados —, não era de admirar que exclamassem de espanto; mas o foco de sua dúvida era, provavelmente, como tantas coisas assim haviam sido reunidas. Por fim, perguntaram: "Como o senhor conseguiu reunir tudo isso?" Meishu-Sama respondeu, sem hesitar: "É um milagre."
"É realmente algo espantoso. De fato, é um milagre", disse o Sr. Cartier, profundamente emocionado. Meishu-Sama continuou: "Eu também penso assim. Pessoas que estavam à beira da morte se curam, ficam profundamente gratas e me oferecem dinheiro. É assim que estas peças vêm a existir — porque a vida foi salva." O Sr. Cartier assentiu, compreensivo. E, com muito humor, disse: "Considerando que nós mesmos viemos até aqui, isso também pode ser visto como um pequeno milagre..." Ao que Meishu-Sama respondeu, rindo bastante: "Claro que sim!"
Quando a Sra. Cartier, olhando para o local onde as peças de chá estavam dispostas, apontou e disse "Esta parece ser a melhor", Meishu-Sama também elogiou seu bom gosto: "Dentre estas, esta é realmente a melhor. É uma obra-prima." A Sra. Cartier, absorta na contemplação dessas várias peças famosas, ficou tão maravilhada que perguntou, bastante preocupada: "Não há risco de roubo?" Meishu-Sama respondeu despreocupadamente: "Não me preocupo com nada disso." A Sra. Cartier, com ar brincalhão, disse: "Então, se não há preocupação, penso em entrar esta noite e levar aquela tigela de chá." Meishu-Sama, rindo, respondeu: "Tente pegar para ver — Deus vai apertar bem forte." Foi um momento verdadeiramente agradável.
Doença e Sofrimento
Eikō nº 226, publicado em 16 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Quando uma pessoa contrai uma doença, a consciência de tê-la contraído é sofrimento.
Pode-se dizer que doença é, em si, sofrimento.
No entanto, há vários tipos de sofrimento. A medicina, até hoje, considerou a doença e o sofrimento como uma coisa só. Por isso, supunha-se que aliviar o sofrimento equivaleria a aliviar a doença na mesma proporção. Esse raciocínio está fundamentalmente errado. Explico: tomemos como exemplo o resfriado, o mais comum. Suponhamos que surja febre. Como a cabeça dói, resfriá-la com gelo traz algum alívio, mas isso não significa que a doença tenha diminuído; o que diminuiu foi o sofrimento. Aí está o erro fundamental: doença e sofrimento são coisas distintas; na verdade, quanto mais se alivia o sofrimento, mais a doença se agrava.
As pessoas modernas que leem esta teoria certamente ficarão estupefatas. No entanto, esta é a verdade absoluta, incontestável, e a verdadeira medicina só pode nascer desse fundamento. Pelo que será exposto a seguir, qualquer pessoa, por mais que se esforce, não poderá deixar de concordar com todo o coração nem levantar uma única objeção.
Os antigos diziam que não há pessoa sem presunção e sem feridas, e essa é uma comparação realmente interessante. Na verdade, pode-se afirmar que não existe uma única pessoa que não possua toxinas inatas. Além disso, a quantidade de toxinas acumuladas é surpreendentemente grande. Essas toxinas são transformações de medicamentos, e por isso as chamamos de toxinas medicamentosas. Explicarei em outro tópico essas toxinas em detalhe; de qualquer forma, as toxinas acumuladas de que falei depositam-se em várias partes do corpo pela atividade do metabolismo e, com o tempo, gradualmente se solidificam.
As toxinas acumulam-se nas regiões onde o sistema nervoso é mais utilizado; portanto, sobretudo na metade superior do corpo, especialmente do pescoço para cima. Começando pelo cérebro, olhos, nariz, boca, ouvidos, garganta — essas partes quase não descansam enquanto a pessoa está acordada. E o órgão que mais utiliza o sistema nervoso é provavelmente o cérebro. Por isso, as toxinas de todo o corpo movem-se continuamente para se acumular no cérebro, concentrando-se principalmente ao redor do pescoço. Isso se deve ao fato de os nervos dos olhos, nariz, boca, ouvidos etc. terem origem no cérebro. É exatamente por isso que a maioria das pessoas tem nódulos ou caroços ao redor do pescoço e rigidez nos ombros.
No entanto, quando as toxinas que se solidificaram gradualmente, como descrito acima, atingem o auge, inevitavelmente prejudicam a saúde; inicia-se então um processo de eliminação, também chamado de processo de purificação. A ação purificadora do Criador é extremamente engenhosa. Primeiro, ocorre a febre (explicarei essa febre em detalhe em outro tópico). Essa febre derrete os caroços. Isto é, as toxinas que se derreteram e se tornaram líquidas, no instante em que entram nos pulmões, são excretadas pela garganta, sem um instante de intervalo. Isso é o catarro. Pode-se considerar que a tosse é a ação de bombeamento que expele o catarro. As toxinas da região da nuca até a medula oblonga, por sua vez, tornam-se secreção nasal e saem pelo nariz e pela boca; a ação de bombeamento correspondente é o espirro. Isso fica claro pelo fato de que, após a tosse, sai catarro, e após o espirro, sai secreção nasal. Além disso, as toxinas do pescoço para baixo são excretadas em forma líquida: é o suor noturno. Quanto à dor de cabeça, as toxinas liquefeitas tentam ser excretadas buscando alguma abertura e estimulam os nervos; isso é a dor. Essas toxinas fluem em direção aos pulmões e saem como catarro. Sobretudo, quando fazemos Johrei no cérebro, instantaneamente surgem tosse e catarro, e a dor de cabeça diminui.
Quanto às dores nas articulações, como os seres humanos dobram constantemente braços e pernas, as toxinas se solidificam nas articulações, e a purificação disso é a dor. Como expus acima, a doença humana é a limpeza da sujeira acumulada. Portanto, na verdade, não há nada tão valioso quanto um resfriado; pode-se dizer também que não há nada tão valioso quanto a doença. De acordo com esse princípio, a causa da má saúde é o acúmulo de sujeira, e a pessoa se purifica e recupera a saúde por meio da ação de limpeza chamada doença. Por isso, o sofrimento da doença é um sofrimento valioso, pois é, por assim dizer, uma ação de limpeza. Se for deixado como está, sem impedimento, não haverá sofrimento intenso.
No entanto, a medicina interpreta o sofrimento da doença de forma negativa e procura detê-lo. Em outras palavras, ao tentar impedir que aquilo que deveria sair naturalmente saia, faz a natureza entrar em conflito com a força humana, e o sofrimento aumenta. A medicina de hoje, que confundiu esse método de supressão da natureza com cura e assim evoluiu, mostra o quanto estava errada. Como expliquei acima, quando as toxinas se solidificam em algum lugar, ocorre o processo de purificação, mas isso exige uma condição: a força de atividade para excretar as toxinas, isto é, o poder de purificação. Esse poder exige um corpo com certo nível de saúde, um metabolismo vigoroso. A medicina, interpretando tudo ao contrário, tenta interromper a purificação. Para isso, é preciso enfraquecer o metabolismo, ou seja, enfraquecer a saúde. O único recurso para tanto são os medicamentos. Os medicamentos são, na origem, substâncias venenosas; é justamente por serem venenos que produzem efeito. Pode parecer estranho, mas, ao tomar veneno, o corpo enfraquece; na medida em que enfraquece, a purificação também enfraquece, e o sofrimento diminui na mesma proporção. A medicina estabelecida confundiu isso e concluiu que os medicamentos curam a doença. Não só os medicamentos: todas as terapias seguem o mesmo princípio. Se há febre, resfria-se com gelo; com o gelo, procura-se solidificar novamente as toxinas que estavam prestes a se dissolver; o repouso absoluto, por interromper o movimento, é o melhor para enfraquecer. Mesmo uma pessoa saudável que fique em repouso absoluto por vários meses terá o estômago enfraquecido, o apetite diminuído e, por não usar os membros, emagrecerá e definhará, tornando-se um grande doente. Imagine-se, então, o que ocorreria com quem já está doente. Quanto às compressas, são também um método de enfraquecimento. O corpo humano, além de respirar pela boca, respira por toda a superfície da pele, através dos capilares; as compressas interrompem essa respiração. Sobretudo, quando se aplica uma compressa, a febre diminui e o sofrimento local é aliviado, porque a purificação é interrompida apenas na área da compressa.
Como exposto acima, todos os métodos praticados pela medicina apenas enfraquecem o corpo humano, interrompem a purificação e, assim, aliviam o sofrimento — chegando ao estado atual. Portanto, não têm absolutamente nenhum significado no sentido de curar a doença. Falando sem reservas, a medicina, ao tentar aliviar o sofrimento, na verdade agrava a doença. Isto é, o espírito deseja curar, mas os atos impedem a cura. Ah, que erro terrível, não é?
(# data desconhecida) Um contra um não funciona
Desde os tempos antigos, começando por Cristo, muitos santos apareceram, realizaram milagres para a salvação da humanidade e deixaram grandes feitos, que até hoje brilham intensamente na história religiosa. No que diz respeito à cura de doenças, porém, é fato que exerceram essa capacidade um a um. E, como já disse, não é possível salvar um grande número de doentes dessa maneira. O próprio Cristo realizou milagres admiráveis — abriu os olhos dos cegos, fez os coxos se levantarem de imediato, expulsou demônios que possuíam pessoas com doenças espirituais e as curou. No entanto, como era uma salvação um a um, pode-se dizer que era inevitável que não despertasse tanta atenção do público na época.
E esses mesmos milagres são um fato que dezenas de milhares de seguidores da nossa Igreja realizam diariamente na realidade; além disso, não se sabe quantas dezenas de milhares de pessoas se tornarão capazes de curar com o passar do tempo. Se assim for, gradualmente um grande número de pessoas será salvo, e pode-se prever que isso se tornará um grande problema mundial no futuro. Como dito acima, a terapia de doenças da nossa Igreja é, sem dúvida, uma medicina maravilhosa, mas nosso objetivo final é construir um mundo ideal, o Paraíso; portanto, apenas a saúde física não é suficiente.
É necessário que, junto com a saúde física, haja também saúde espiritual. Isto é, criar o ser humano completo, com a unificação do espírito e da carne. É com o aumento desses seres humanos completos que o Paraíso Terrestre será formado. Chegou, enfim, o tempo do Céu, e a nossa Igreja surgiu como a religião da direção do nordeste (ushitora); isso pode ser compreendido até mesmo pelo que foi exposto acima.
A maior prova disso está no fato de que, ao se converter à nossa Igreja, qualquer pessoa pode manifestar imediatamente uma capacidade milagrosa de cura.
(# data desconhecida) Seres Humanos Feitos de Blocos de Veneno
Costumo dizer que os humanos modernos são blocos de veneno. Vocês podem achar uma maneira muito dura de falar, mas, como é um fato, não há o que fazer.
Como todos os seguidores sabem, hoje qualquer pessoa está completamente transformada em um bloco de veneno devido a dois tipos de toxinas medicamentosas: as congênitas, herdadas dos ancestrais, e as adquiridas após o nascimento.
Digo isso porque, pela minha experiência de lidar com milhares e milhares de pessoas em mais de vinte anos até hoje, não há uma única pessoa que não seja assim.
Pode-se dizer que são todos, sem exceção, blocos de veneno em forma humana. É claro que, por meio do Johrei, essas toxinas podem ser facilmente dissolvidas e eliminadas, e as doenças podem melhorar a ponto de não ameaçarem a vida; mas eliminar todas as toxinas medicamentosas é algo difícil, ainda que se leve uma vida inteira. Sendo assim, os blocos de veneno em forma humana de hoje andam por aí arrogantes, com suas lógicas presunçosas; para nós, isso é extremamente ridículo, e é natural que não tenham sabedoria.
E, como sempre defendo, é uma lei: essas toxinas se acumulam e se solidificam principalmente nos locais onde os humanos usam o sistema nervoso. Portanto, como os humanos modernos usam muito o cérebro, elas se solidificam do pescoço aos ombros. Qualquer pessoa, ao apalpar essa região, encontrará certamente solidificações ou nódulos de tamanhos variados; é fácil de entender. A ação purificadora desses blocos é a doença. Se forem deixados como estão, as toxinas são excretadas suavemente e a pessoa se cura; mas a medicina ignorante, com medicamentos e outros meios, procura deter a excreção e solidificar as toxinas.
Além disso, se novas toxinas medicamentosas forem adicionadas por causa disso, os blocos aumentam na mesma proporção, e a pessoa se torna cada vez mais um bloco de veneno, o que torna a purificação mais propensa a ocorrer — e é por isso que há tantos doentes como hoje. Ademais, como o cérebro é o mais atingido, o número de pessoas com a mente fraca só aumenta, como se vê atualmente, e quase não há quem não sofra de dores de cabeça, peso na cabeça, sensação de nebulosidade, irritabilidade, tonturas etc. Como resultado, o discernimento torna-se lento, a pessoa não consegue nem distinguir o certo do errado, falta-lhe senso comum, a inteligência declina, há embotamento e insensibilidade, e tudo é resolvido superficialmente; isso pode ser bem compreendido observando a si mesmo. Portanto, é surpreendente a quantidade de coisas desagradáveis — doenças, crimes, pobreza, conflitos etc. — e a sociedade é como um quadro do Inferno.
E o que quero salientar especialmente é o baixo nível das pessoas instruídas. O que dizem está cheio de contradições e inconsistências, sem convicção nem firmeza, sem lógica; é apenas uma enumeração de palavras impressas. Pode-se dizer que a maior parte disso é apenas para ganhar dinheiro com manuscritos, e raramente se encontra algo que permaneça na memória, mesmo na leitura dos editoriais de hoje.
Darei alguns exemplos entre eles. Primeiro, os religiosos: o que pregam é como vestir roupas novas em doutrinas antiquadas de centenas ou milhares de anos atrás, sem nenhuma novidade. É claro que é praticamente impossível que isso cause comoção nas pessoas. Quanto aos políticos, diante de problemas que uma mente comum resolveria em cerca de trinta minutos, reúnem-se em grande número e, em vez de deliberarem por alguns dias, levam meses ou anos sem chegar a conclusão alguma; vendo isso, percebe-se como é fraca a mente deles. Como exemplo, a própria questão do rearmamento, que é realmente simples e clara quanto à sua aprovação ou não, eles a discutem e debatem sem concluir até hoje. Isso também é compreensível, pois se deve à falta de líderes sábios e confiáveis, o que é um problema. Sobre isso, costumo dizer a meus subordinados que, em reuniões ou conferências, se a discussão passar de trinta minutos, é melhor desistir. Quando parece que não vai se resolver, muitas vezes uso meu estilo individualista e resolvo tudo com uma palavra. É por isso que a nossa Igreja conduz tudo com rapidez.
Em seguida, o mundo econômico: também tem a mente fraca demais. Como é de conhecimento geral, o que atormenta os líderes do governo e do mundo financeiro, bem como os industriais e comerciantes do Japão, são as dívidas. Provavelmente não há país no mundo com uma inflação de dívidas como o Japão. A maior causa disso é que o equilíbrio entre lucro e juros é péssimo, e a capacidade de julgar o auge e o declínio dos negócios, bem como a previsão das tendências mundiais e dos movimentos da economia nacional, é muito deficiente. Isso tudo se deve, é claro, ao embotamento da mente, mas também porque o sofrimento com as dívidas agrava o quadro. Ainda há muitas outras coisas, mas com isso já é possível entender aproximadamente. No entanto, quero acrescentar mais uma coisa: a grande quantidade de problemas desagradáveis que hoje afligem todos os aspectos da sociedade.
Além de acidentes de trânsito, incêndios, desastres em minas, assassinatos, suicídios, suicídios em parceria, litígios etc., há também, no campo, inundações, pragas e doenças agrícolas etc. Em suma, tudo isso é resultado da falta de clareza mental, e a causa disso são as toxinas medicamentosas. Sinto profundamente que, de qualquer forma, é preciso levar as pessoas a despertarem para isso. Falando sem rodeios, a sociedade atual parece ser apenas um amontoado, uma fervilhante multidão de seres humanos feitos de blocos de veneno que se empurram e se esfregam. Ao pensar nisso, só posso imaginar o quanto deve ser grande a obra de Deus para purificar tudo isso.
A Grande Revolução na Agricultura: O Aumento de 50% na Produção de Arroz em Cinco Anos é Certo
Eikō nº 141, publicado em 30 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
A Grande Revolução Agrícola — Aumento de Cinquenta por Cento na Produção de Arroz em Cinco Anos é Certo
(I)
Há mais de dez anos, descobri e venho defendendo o chamado método de cultivo natural, que não utiliza fertilizantes químicos nem humanos, mas apenas fertilizantes naturais, para obter grandes colheitas. Naquela época, por mais que tentasse convencer e fazer os agricultores acreditarem, poucos me ouviam e, apesar de meus grandes esforços, as coisas não saíam como eu queria. Desde o início, porém, minha convicção era a de que, por ser esta a verdade absoluta, um dia chegaria o momento em que todos compreenderiam. Pensava também que, sem isso, os agricultores nunca seriam salvos, e que o método teria importância fundamental para o destino do país. Por isso, perseverei sem me curvar até os dias de hoje.
Agora, feliz ou infelizmente, a situação se tornou tão grave quanto eu temia, e sinto profundamente que não apenas os agricultores, mas também o povo japonês em geral, precisam compreender isso. Além disso, o futuro deste cultivo natural finalmente começa a mostrar sinais de luz e, considerando que o momento chegou, estou realizando esta grande campanha de divulgação.
O que foi favorável a este método agrícola foi o fato de eu ser religioso. Assim, embora os crentes considerassem a teoria estranha, muitos, mesmo assim, acreditaram e a colocaram em prática. Dessa forma, os efeitos foram compreendidos relativamente cedo, e simpatizantes foram surgindo aos poucos. Recentemente, mesmo os agricultores comuns, que não são crentes, começaram a prestar atenção.
Além disso, como consta em outra seção [omissão], o técnico do Ministério da Agricultura e Florestas, Sr. Sadao Kanezaki, após vários anos de estudo entusiasmado, do ponto de vista técnico de sua função, finalmente reconheceu e anunciou resultados surpreendentes, o que me enche de alegria. A razão é que, como este método de cultivo surgiu de uma religião, ele tende a ser visto como superstição, mas acredito que o anúncio do referido técnico terá grande força para dissipar essa impressão.
Nem é preciso dizer que a maior preocupação do Japão atualmente é, acima de tudo, a escassez de alimentos básicos. Após a guerra, este território se tornou menor, enquanto a população só aumenta, já chegando a oitenta e quatro milhões, o que torna o problema urgente. Além disso, neste ano, o déficit é de mais de vinte milhões de koku, e é apenas por meio da importação de vários países que se consegue manter uma estabilidade precária. O valor dessas importações chega a centenas de bilhões de ienes, tornando a situação extremamente grave do ponto de vista da economia nacional. Enquanto não se encontrar essa solução, o futuro do nosso país é realmente desolador. E, dependendo da situação mundial, não se sabe quando nem que tipo de situação pode surgir. Portanto, é imprescindível garantir uma quantidade absoluta de alimentos para toda a população.
O governo e os agricultores estão usando todos os meios e métodos possíveis, mas não apenas não conseguem o que desejam, como também a produção apresenta tendência de queda. Este ano, por exemplo, houve uma redução de cerca de três milhões de koku em relação ao ano passado; as perspectivas de controle da produção são baixas, e a população tende a aumentar mais de um milhão por ano. Para resolver esta grande crise, a menos que ocorra algum milagre revolucionário, não há como.
Por que o nosso país não consegue obter uma produção de arroz suficiente para alimentar toda a sua população? Esta é a razão fundamental que quero apontar: o método agrícola atual tem um grande defeito. Esse defeito são os fertilizantes artificiais, como os químicos e humanos, e ninguém percebeu isso. Por que esse erro tão grande não foi percebido até hoje? Porque, ao longo do tempo, caímos inconscientemente em uma espécie de superstição dos fertilizantes. No entanto, uma vez que descobri isso, senti profundamente que era necessário despertar desse sonho ilusório e realizar uma grande revolução no método agrícola, e por isso iniciei este movimento.
Agora, descreverei em detalhes o princípio e o método dessa prática agrícola, que permite obter grandes colheitas apenas com composto natural. Antes disso, porém, falarei do efeito desse método de cultivo natural.
Se esse método for mantido por cinco anos, será fácil obter um aumento de cinquenta por cento na produção em todo o país. Diante de tal afirmação, provavelmente ninguém conseguirá acreditar. Considerando a produção normal atual de sessenta e três milhões de koku, um aumento de cinquenta por cento resultaria em noventa e quatro milhões e quinhentos mil koku. Assim, mesmo que os japoneses comessem até se fartar, ainda haveria um excedente de dez milhões de koku e, desta vez, teríamos de exportar. Não apenas isso: não haveria necessidade de gastos com fertilizantes, os danos causados por pragas seriam reduzidos a uma fração, os danos causados por ventos e inundações seriam reduzidos a menos da metade, e a mão de obra também seria reduzida pela metade. É realmente um método agrícola surpreendente.
O exposto acima se refere apenas ao arroz, mas este método de cultivo natural é o mesmo para as culturas agrícolas em geral. Descreverei brevemente algumas delas.
Primeiramente, é claro que qualquer hortaliça apresenta resultados magníficos. Por exemplo, a batata-doce produz tubérculos incrivelmente grandes, sendo comum um único tubérculo pesar quinhentos ou seiscentos momme, de modo que a colheita total é certamente mais que o dobro daquela obtida com fertilizante. Os grãos de feijão são maiores e a quantidade aumenta, sendo fácil obter uma colheita cerca de três vezes maior. O nabo também é branco, de textura fina e pegajoso, sem fibras, e extremamente saboroso. As verduras têm boa cor, não são atacadas por insetos, são macias e extremamente saborosas. Além disso, milho, abóbora, melancia e todas as hortaliças que se possa nomear são bons. Deixarei de lado os detalhes, mas é algo que está além da imaginação.
O que merece menção especial é o sabor maravilhoso dos produtos cultivados naturalmente. Uma vez que se experimenta o sabor do arroz, do trigo ou das hortaliças, não se tem mais vontade de comer os produtos cultivados com fertilizantes. Eu mesmo como apenas produtos sem fertilizante e, felizmente, o número de cultivadores sem fertilizante está aumentando cada vez mais, de modo que atualmente recebo mais do que posso comer.
Quanto às frutas, após a abolição dos fertilizantes artificiais, a colheita aumenta a cada ano, a qualidade melhora, a renda aumenta, e todos são gratos. Quanto às flores, elas são grandes, de cores vivas e bonitas e, quando usadas em ikebana, são apreciadas por durarem mais.
Em segundo lugar, no cultivo natural, as pragas diminuem drasticamente. Originalmente, as pragas surgem dos fertilizantes artificiais; portanto, é certo que, se os abolirmos, elas não surgirão. No entanto, atualmente, para eliminar as pragas, usam-se intensamente inseticidas e antissépticos, mas, na verdade, essas substâncias se infiltram no solo e se tornam a causa do surgimento das pragas, o que é uma ignorância lamentável.
Além disso, como tem acontecido ultimamente, quase todos os anos sofremos com ventos e inundações, mas, com o cultivo natural, os danos são realmente menores. A razão é que, quando as culturas absorvem fertilizantes artificiais, elas se tornam surpreendentemente fracas. Descobri o motivo: quando as culturas absorvem fertilizante humano ou químico, o fertilizante se torna tóxico, e esse veneno se torna alimento para as pragas, que se reproduzem. Ademais, dependendo do fertilizante, há microrganismos que surgem do próprio fertilizante, alimentam-se das culturas e se reproduzem. Se surgirem nas raízes, devoram as radículas, enfraquecendo-as. Essas são também as causas de folhas murchas, caules quebrados, queda de flores, frutos imaturos e murchamento da batata. Além das radículas, vários outros microrganismos surgem, mas, se a própria cultura for saudável, ela tem o poder de eliminá-los. No entanto, como a planta se torna frágil devido aos fertilizantes,
Outra característica, tanto do arroz quanto das hortaliças, é que as folhas são curtas. Como os agricultores também sabem, para todas as culturas, quanto mais baixa a altura e menor o crescimento das folhas, mais frutos se produzem. Em contraste, as culturas com fertilizante são mais altas e têm folhas maiores, parecendo bonitas, mas a produção é surpreendentemente baixa.
Em seguida, os bichos-da-seda: se forem criados com folhas de amoreira sem fertilizante, tornam-se muito saudáveis; a qualidade do fio produzido é resistente, o brilho é bom, é extremamente superior e, é claro, a produção aumenta. Isso também se deve ao fato de não ocorrerem doenças nos bichos-da-seda.
Como visto acima, em todas as culturas, o cultivo sem fertilizante é incomparavelmente mais vantajoso do que o cultivo com fertilizante.
O que é necessário saber a respeito é, em primeiro lugar, a capacidade do solo. Originalmente, o solo foi criado pelo Criador de todas as coisas para produzir culturas a fim de alimentar os seres humanos e os animais. Portanto, a essência do solo em si contém nutrientes em abundância; pode-se dizer que é um bloco de fertilizante. Até hoje, isso não era conhecido, e pensava-se erroneamente que o fertilizante era o alimento das culturas. O resultado da aplicação de vários fertilizantes artificiais foi, inesperadamente, enfraquecer a força original do solo. Costuma-se dizer que o solo japonês é ácido, e a razão é exatamente essa. Então, que erro surpreendente não é esse?
Para aumentar a produção das culturas, portanto, é necessário fortalecer ao máximo a força do próprio solo. Como fazer isso? Mantendo o solo o mais puro possível, sem misturar nenhuma impureza além do composto natural. Só com isso já se podem obter resultados magníficos, algo que a mente atual dificilmente pode acreditar.
Com base nessa verdade, o princípio fundamental do cultivo natural é o respeito absoluto pela natureza — e é a própria natureza que nos ensina isso. Observando a geração e o desenvolvimento de todas as coisas no universo, vemos que não há uma única coisa que não dependa do poder da grande natureza, ou seja, dos três elementos primordiais — fogo, água e terra — como o sol, a lua e a terra. É claro que as culturas agrícolas também são assim. Portanto, melhorando a exposição ao sol, fornecendo água em abundância e tornando o solo mais puro, as culturas serão produzidas em quantidade mais que suficiente para as necessidades humanas.
Vejam: há abundância de ervas secas e folhas caídas sobre a terra — e, a cada outono, elas não cobrem o solo? Isso se dá inteiramente para tornar a terra fértil, e a natureza nos ensina a usá-las como fertilizante. Os agricultores pensam que o composto natural contém nutrientes fertilizantes, mas não é esse o caso. O efeito original do composto natural é evitar que a terra seque, aquecê-la e evitar que se compacte. Isto é, ele absorve a umidade, absorve o calor e impede a compactação do solo.
Com base nesse princípio, o fertilizante para o arroz deve ser a palha picada o mais fino possível e bem misturada à terra. Isso é natural, pois a palha é produto do arroz e tem o efeito de aquecer as raízes. Para as hortaliças, são boas as ervas secas e as folhas caídas. Perto dali certamente há uma floresta; ao ver folhas caídas e grama seca, entende-se que se deve usá-las.
Além disso, o centro da Terra é uma enorme massa de fogo que irradia constantemente o calor terrestre, ou seja, o espírito da terra. Isso é o nitrogênio, e este nitrogênio é exatamente o fertilizante dado por Deus: penetra na superfície terrestre, atinge uma certa altura e ali se acumula; depois, pela chuva, desce ao solo e nele se infiltra. Esse é o fertilizante natural de nitrogênio que desce do céu e, naturalmente, também em quantidade, é exatamente o suficiente — nem mais, nem menos.
Então, por que se começou a usar fertilizante de nitrogênio? Há uma razão. Durante a Primeira Guerra Mundial, na Alemanha, devido à escassez de alimentos, foi necessário aumentar a produção rapidamente. Descobriu-se então a extração de nitrogênio do ar e, ao utilizá-lo, a produção aumentou enormemente. Desde então, a prática difundiu-se mundialmente; mas isso foi um efeito temporário, que de modo algum dura por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, sobrevém o excesso de nitrogênio, a terra enfraquece e a produção diminui — e essa razão ainda não é compreendida. Em suma, pode-se dizer que é o mesmo que o vício em entorpecentes.
Aqui há algo que se deve observar: mesmo ao mudar para o cultivo natural, a quantidade de toxinas de fertilizante que permanece no solo do arrozal e nas sementes exerce enorme influência. Por exemplo, mesmo neste cultivo, há arrozais que, desde o primeiro ano, têm aumento de cerca de 10% na colheita; outros, no primeiro e segundo anos, apresentam redução de 10 a 20% e só no terceiro ano registram aumento de 10 a 20%, alcançando gradualmente o resultado esperado. Portanto, de modo geral, pode-se considerar, sem erro, que no primeiro ano a colheita é igual à convencional; no segundo, 10% maior; no terceiro, 20%; no quarto, 30 a 40%; e, a partir do quinto, 50% maior. Se o resultado for excessivamente ruim, é porque ainda resta grande quantidade de fertilizante artificial, e pode-se obter alívio temporário com a adição de terra de outro local.
Há ainda outro ponto importante. Uma vez que o arroz absorve fertilizantes químicos como o sulfato de amônio, mesmo que a toxina esteja em quantidade ínfima, os seres humanos a ingerem três vezes ao dia. É natural, portanto, que tais substâncias causem danos ao corpo humano, ainda que de modo inconsciente. Não se pode dizer que o aumento da taxa de doenças nas pessoas modernas não tenha também essa causa.
Por fim, vou listar resumidamente os benefícios econômicos do cultivo natural:
(1) Não há necessidade de gastar com fertilizantes.
(2) O trabalho é reduzido à metade.
(3) A colheita aumenta enormemente.
(4) O peso aumenta, não encolhe no cozimento e é saboroso.
(5) Os danos causados por insetos quase desaparecem.
(6) O problema das lombrigas e outros parasitas, que atualmente são a maior fonte de preocupação, também é completamente resolvido.
Pelo exposto, percebe-se quão revolucionário é este método de cultivo e que grande evangelho ele representa. Com sua prática, não apenas o problema alimentar do Japão será resolvido de uma só vez, mas também, tendo isso como motivação, todos os outros problemas — especialmente a saúde humana — receberão naturalmente influências positivas. Se este método de cultivo se espalhar por todo o Japão, não há dúvida de que a reconstrução do país será acelerada, e chegará o dia em que ele será admirado pelo mundo inteiro como uma nação de alta cultura.
Nesse sentido, é meu desejo que, com esta edição especial, o maior número possível de japoneses o leia.
Por fim, quero deixar claro que não tenho a menor intenção de usar isso para propaganda religiosa. Isso porque mesmo os descrentes, se o praticarem, poderão obter os bons resultados acima mencionados.
(2)
Observando os resultados do ano passado, agora relatados de várias regiões, é lamentável que, por ser ainda cedo, alguns não tenham chegado até a colheita; mas, de modo geral, já se pode ter uma boa ideia, e por isso escreverei minhas impressões a respeito. Antes de tudo, como o método da agricultura natural nega os fertilizantes que até agora eram tidos como a própria vida das plantações, no início os agricultores sofreram críticas e ataques inesperados, a começar pelas próprias famílias e vizinhos da aldeia, tornando-se alvo de zombaria. O fato de terem perseverado em silêncio, suportando tudo com lágrimas de sangue, ao ler os relatos, chega a me emocionar até as lágrimas. Sinto profundamente que isso só é possível por causa da fé; mas, considerando que se trata de pessoas que, por gerações, estavam completamente imersas na superstição dos fertilizantes, não é de estranhar que se opusessem. A esse respeito, penso que, mesmo hoje, ao longo da história, invenções e descobertas que trouxeram grandes contribuições à humanidade foram, sem exceção, recebidas no início com incompreensão e perseguição, e os inúmeros relatos de quem perseverou em meio a grandes dificuldades não podem deixar de comover nossa alma.
Sendo assim, embora soubesse que este método da agricultura natural enfrentaria, por algum tempo, considerável oposição, eu já estava preparado; pensava, porém, que, como de fato produz resultados extraordinários, seria apenas uma questão de perseverar até certo momento. E, como eu esperava, o fato de finalmente ter chamado a atenção de vários setores fica bem claro pelos relatos agora reunidos. No início, porém, as circunstâncias ao redor eram desfavoráveis, e mesmo os próprios praticantes não tinham plena confiança: poucos começaram com determinação e convicção; a maioria iniciou timidamente, como uma experiência. Além disso, como tanto a terra quanto as sementes ainda continham bastante veneno de adubo, no primeiro ano as folhas amareleciam e os caules ficavam tão finos que parecia que as plantas morreriam; ao ver isso, os agricultores, ansiosos e aflitos, só podiam rezar a Deus. Mas, na época da colheita, o resultado era surpreendentemente bom, e todos diziam sentir-se aliviados — é superando essa fase difícil que se conquista a coroa da vitória. Para dizer a verdade, eu gostaria de ter esperado quatro ou cinco anos de cultivo contínuo para publicar relatos de várias regiões com um aumento de cerca de cinquenta por cento, mas a situação atual não permite esperar tanto; além disso, penso que os resultados já obtidos até agora bastam para demonstrar claramente a eficácia deste cultivo. Por isso, decidi publicar desde já esta edição especial, para que tanto os agricultores quanto o público em geral tomem conhecimento o quanto antes.
Nesse sentido, para que a informação chegue tanto pelos olhos quanto pelos ouvidos, esta edição especial será amplamente distribuída a cada ministro, aos parlamentares, aos principais jornais, às estações experimentais agrícolas de todo o país, às associações agrícolas e aos demais envolvidos com a agricultura. Assim que os preparativos estiverem concluídos, pretendemos realizar palestras itinerantes por todo o país, partindo da sede. Por isso, espero que tanto os seguidores das áreas rurais quanto os seguidores em geral divulguem amplamente este método e o recomendem a outros.
Além disso, segundo os jornais recentes, o próprio governo, ao que parece, chegou ao limite de sua paciência e pretende, a partir deste ano, investir uma quantia enorme de recursos e adotar todas as medidas possíveis para executar um plano de aumento de três milhões de koku ao ano. Isso é louvável, mas, se continuarem a usar fertilizantes químicos e humanos como até agora, mesmo com outras melhorias agrícolas e diversos métodos, esse aumento de três milhões de koku não passará de um sonho. Segundo minha previsão, na melhor das hipóteses o resultado será apenas o de um ano comum; no pior dos casos, é possível até que a produção diminua, como aconteceu no ano passado. Por isso, desejo, de qualquer forma, despertar as pessoas da superstição dos fertilizantes e fazê-las adotar o quanto antes a agricultura natural. Mas, mesmo que isso seja compreendido e posto em prática, é evidente que não seria possível converter todo o Japão de uma só vez; assim, com toda a cautela, bastaria executar um plano de dez anos, convertendo dez por cento da área a cada ano. Dessa forma, não haveria risco algum de redução da produção: no primeiro e segundo anos, a colheita seria equivalente à média habitual; passados três anos, a produção começaria a aumentar gradualmente; e, por volta do quinto ou sexto ano, garanto que o aumento será de cinquenta por cento ou mais.
Aqui, há algo que desejo dizer especialmente, algo um pouco difícil de compreender para quem não é seguidor: o arroz, alimento básico do ser humano, foi originalmente criado por Deus para alimentar a humanidade; portanto, por mais que a população aumente, a quantidade necessária deveria sempre ser produzida. No entanto, o fato de faltarem hoje cerca de vinte milhões de koku por ano se deve inteiramente ao método agrícola equivocado, ou seja, ao uso de fertilizantes artificiais. Se, como descrevi acima, a produção aumentar cinquenta por cento ou mais, o que aconteceria com a economia japonesa? O nome pouco honroso de "reino do endividamento" se inverteria, e chegaria, sem dúvida, a época em que o povo celebraria a fartura e a paz, como diz o antigo provérbio que descreve o povo "batendo no ventre cheio e batucando no chão de contentamento". Dizer isso pode parecer bom demais para ser verdade, a ponto de gerar dúvidas, mas eu não digo nada sem fundamento. Como consta também nos relatos de resultados, à medida que o veneno de adubo desaparece pelo cultivo natural, as espigas de arroz se multiplicam: de um único caule brotam vários ramos, e em cada ramo nascem grãos, de modo que, no mínimo, trezentos a quinhentos grãos por caule é algo certo. Além disso, sem danos de pragas e com uma redução drástica dos danos causados por ventos e inundações, o Japão se tornará digno do antigo nome de "terra fértil dos juncais abundantes e das espigas viçosas". Diante de tudo isso, afirmo sem hesitação que, mesmo que a população do Japão chegue a cem milhões, duzentos milhões ou trezentos milhões, será perfeitamente possível alimentá-la com a mesma área de terras cultivadas de hoje.
Em seguida, há mais uma coisa que quero dizer. Trata-se da palavra "Johrei", que aparece diversas vezes nos relatos. Isso pode ser difícil de compreender para quem não é seguidor, mas, seja compreendido ou não, escreverei resumidamente a respeito. Em suma, o Johrei é o método para eliminar o veneno de adubo. Como se trata de algo que produz um efeito tão extraordinário apenas ao se estender a mão, é totalmente incompreensível para uma mente presa ao pensamento materialista. Mas, como isso é, precisamente, a essência da nossa Igreja, deixarei os detalhes de lado aqui e vamos primeiro analisar a natureza do solo. O solo, na verdade, é constituído por dois elementos: espírito e corpo. O corpo é o próprio solo material, e o espírito, embora invisível, é a essência fundamental do solo — pode-se dizer que o corpo é a superfície e o espírito, o verso. Ora, como o fertilizante é uma toxina, ele enfraquece o corpo do solo, e isso se reflete no espírito, nublando-o. Isso porque a lei de todas as coisas é que o espírito governa e o corpo obedece; assim, pode-se dizer que o Johrei é o método de eliminação do veneno de adubo. Ou seja, ao se realizar o Johrei, uma espécie de poderosa onda de Luz é irradiada da palma da mão, dissipando as nuvens espirituais, o que se reflete no corpo material, reduzindo o veneno de adubo. Esta é a verdade, e a ciência, que desconhece este princípio, trata apenas do corpo, que é só metade da questão — é, portanto, um saber parcial e incompleto. Foi por causa dessa ciência incompleta e desse pensamento tradicional que se enfraqueceu o solo com fertilizantes. Descobri este princípio, e foi assim que nasceu o método da agricultura natural; esta é, portanto, a verdadeira ciência, uma grande descoberta mundial. Não é de se admirar, portanto, que se possa obter um aumento de produção tão revolucionário.
Por fim, há algo a que se deve atentar. O aumento de cinquenta por cento em cinco anos que defendo tem como padrão campos que receberam uma quantidade normal de fertilizante artificial, já que, nesse prazo de cerca de cinco anos, o fertilizante se dissipa por completo. Ocorre, porém, que, nos últimos anos, para aumentar a colheita, os agricultores de todo o país passaram a usar grandes quantidades de fertilizantes químicos, como o sulfato de amônio; assim, mesmo mudando hoje para a agricultura natural, levará mais tempo para que o veneno de adubo desapareça por completo, devendo-se contar com mais de cinco anos. Como também consta nos relatos, mesmo praticando o cultivo natural, há uma diferença considerável nos resultados, o que se deve justamente à quantidade de veneno de adubo residual — algo que se pode perceber facilmente: enquanto a espiga, ao brotar, ainda apresenta uma coloração amarelada, é sinal de que ainda há veneno de adubo; à medida que este desaparece, a espiga passa a nascer verde desde o início. É para isso, portanto, que se aplica o Johrei; e, depois de mais de cinco anos, quando o veneno de adubo tiver desaparecido por completo, deixará de haver necessidade do Johrei. Quanto à troca de terra, a melhora temporária nos resultados se deve simplesmente ao fato de se introduzir solo livre de veneno de adubo — algo que, só por si, já deveria evidenciar o dano causado por esse veneno, mas que não é percebido justamente por estarem completamente presos à superstição dos fertilizantes.
O Milagre da Coleção de Obras de Arte
Eikō nº 218, publicado em 22 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
As obras de arte expostas no Museu de Hakone são de tal magnitude que qualquer pessoa com um olhar apurado não pode deixar de se surpreender.
Não há como deixar de pensar que é verdadeiramente misterioso que obras tão valiosas, e tão difíceis de adquirir, tenham se reunido em tamanha quantidade. Eu mesmo me admiro de como, em tão pouco tempo, tantas peças desse calibre se reuniram, e por preços relativamente baixos. Há também algo curioso: com frequência, peças que eu desejava ardentemente, mas que eu já havia perdido a esperança de adquirir por parecerem impossíveis de obter, acabam chegando até mim de repente, por acaso. E, como vêm de fontes totalmente inesperadas, a surpresa é ainda maior.
Quanto mais penso nisso, mais tudo me parece repleto de milagres, a ponto de dizer que é algo maravilhoso e misterioso, impossível de prever. E isso não se limita ao Japão: até obras de arte antigas da Europa estão se reunindo aqui. Ao investigar a fundo, soube que são peças valiosas, difíceis de adquirir mesmo na Europa. Afinal, qual seria a razão para milagres tão surpreendentes como os que acabei de mencionar? Há uma razão clara para isso, e vou expô-la a seguir.
Atualmente, no mundo espiritual, tanto no Oriente quanto no Ocidente, à medida que o surgimento da nossa Igreja se torna cada vez mais conhecido, muitos espíritos compreenderam que, sem ela, não há salvação eterna. Por isso, o mundo espiritual está em grande alvoroço, e os espíritos que em vida foram pessoas ilustres começaram a agir, competindo entre si para conquistar méritos, movidos pelo desejo de superar com segurança o julgamento que se aproxima e de alcançar uma posição feliz na era de Miroku que virá. Naturalmente, os espíritos de uma mesma família ou linhagem também anseiam que seus descendentes no mundo material atravessem com segurança essa grande provação e alcancem a felicidade.
Por essa razão, os artistas selecionam e oferecem as obras-primas entre aquelas que criaram, e os espíritos de pessoas ilustres e de ricos escolhem, entre as peças que amavam e possuíam em vida, as mais valiosas, enviando-as até mim por meio de pessoas adequadas. Assim, sem que eu tenha o menor trabalho, elas se reúnem naturalmente — até quando as deixo de lado — e, em um curto período, tantas peças excelentes se acumularam que até os antiquários sempre dizem que é um mistério, um verdadeiro mistério.
Além disso, depois do fim da guerra, devido à desvalorização da moeda e aos impostos sobre a propriedade, a nobreza e os ricos foram forçados a se desfazer de suas coleções, e peças valiosas que, em circunstâncias normais, jamais seriam colocadas à venda, começaram a aparecer uma após a outra. Olhando para trás, pude adquiri-las por preços tão baixos que chega a ser inacreditável — o que me faz compreender claramente que tudo isso foi obra do próprio Deus.
A Causa dos Acidentes
Eikō nº 165, publicado em 16 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Ultimamente, a começar pelos acidentes de trânsito, uma grande quantidade de acidentes de todo tipo tem ocorrido, e as autoridades vêm alertando constantemente sobre isso; mas, sem que ninguém dê a devida atenção, o número não faz senão aumentar ano após ano, o que é preocupante. Ainda que se pergunte o que fazer, a causa continua completamente desconhecida no momento, de modo que não resta outro recurso além de recomendar cautela.
Por isso, exponho aqui, segundo minha própria interpretação, onde está a verdadeira causa: trata-se de um problema dos nervos do homem moderno. Ou seja, isso se origina do fato de os nervos não funcionarem de forma aguçada. Mesmo diante do perigo, falta rapidez na ação que deveria ser tomada naquele instante para evitá-lo; e, como até um atraso de uma fração de segundo se torna causa direta do desastre, não há outro meio senão corrigir isso.
A esse respeito, o que sempre penso é que os jovens de hoje não têm agilidade alguma. Muitos deles são mais lentos em suas ações do que eu, que já completo setenta anos este ano. Eu mesmo considero minhas ações comuns, mas eles sempre dizem que sou rápido. Então, onde estaria, afinal, a causa dessa lentidão mental?
A resposta é que o homem moderno, seja com injeções, seja com remédios, deseja usar medicamentos indiscriminadamente. Além disso, até as bebidas alcoólicas contêm conservantes e outros tipos de medicamentos, e, na agricultura, usam-se fertilizantes químicos e pesticidas; assim, quanto às colheitas que os absorvem, ao longo do tempo, uma quantidade considerável de toxina medicamentosa se acumula no corpo humano.
Pode-se dizer, então, que o ser humano de hoje está praticamente encharcado de remédios; e, como a vida se torna cada vez mais complexa, o uso da mente também se torna mais pesado, fazendo com que a toxina medicamentosa naturalmente se concentre e se solidifique na cabeça. Como reação a isso, ocorre constantemente um fraco processo de purificação, de modo que a maioria das pessoas sente a cabeça quente, uma espécie de excitação, peso e dor de cabeça constantes, e uma sensação de atordoamento. Assim, entre os seres humanos de hoje, provavelmente quase ninguém tem a cabeça verdadeiramente limpa e lúcida. Isso não é causa apenas de acidentes; está também na origem dos casos de violência e homicídio que frequentemente aparecem nos jornais ultimamente.
Pensando bem, a causa fundamental dos acidentes é, sem dúvida, o remédio; portanto, enquanto os medicamentos não desaparecerem desta sociedade, os acidentes não deixarão de aumentar, muito menos diminuirão. Ah, como é temível o medicamento!
O Sino de Alerta para a Salvação do Mundo
Eikō nº 165, publicado em 16 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Venho sempre proclamando que a causa de todas as doenças são os medicamentos.
No entanto, o público em geral, que desconhece isso, acredita piamente que, ao contrair uma doença, ela será curada com remédios. Especialistas de diversos países, acreditando que a cura é possível desde que se descubra um bom medicamento, dedicam-se à pesquisa e se esforçam para descobrir novas drogas. Contudo, nesta era de onipotência farmacêutica, a minha tese é de que, longe de curar as doenças, os medicamentos, na verdade, as criam. Isso não pode deixar de ser surpreendente, mas, como é a verdade, peço que leiam este texto de mente aberta, livre de preconceitos. Se, como dito acima, as doenças são criadas pelos medicamentos e, além disso, os remédios que tentam curá-las apenas agravam o problema, não haverá questão mais grave do que esta.
Reitero: quando se contrai uma doença, recorre-se inevitavelmente ao medicamento e, ainda que de forma temporária, o sofrimento é aliviado. As pessoas confundem esse alívio com o processo de cura, e foi assim que a medicina atual se estabeleceu. Se o paciente compreender esse fato e refletir sobre seu estado atual e seu histórico, sem se prender a nenhuma ideia preconcebida, entenderá isso com clareza.
Desejo acrescentar ainda uma coisa: o dano dos medicamentos não se limita às doenças — é também causa de toda sorte de infortúnios. No caso recente do suicídio da Sra. Shigeko, esposa do escritor Fusao Hayashi, por exemplo, embora o envolvimento do marido com outras mulheres fosse uma das causas, a causa principal foi o agravamento de sua neurastenia — mal que também tem na toxina medicamentosa a sua origem. Diz-se, sobretudo, que a Sra. Shigeko sofria de insônia grave, a ponto de os soníferos não fazerem mais efeito — sinal de que estava gravemente viciada neles. Dizem também que detestava ser hospitalizada, provavelmente por causa de uma internação anterior, na qual o uso de medicamentos fortes lhe causara sofrimento e a deixara receosa. Desse modo, os efeitos colaterais dos medicamentos geram inúmeras tragédias. Por tudo isso, compreende-se que a maior parte do sofrimento humano é causada pela toxina medicamentosa.
Para citar um exemplo simples, o sofrimento de um resfriado, bem como as dores, coceiras e desconfortos de outras doenças, têm sempre os medicamentos como causa. Se os medicamentos desaparecessem do mundo, é claro que o sofrimento das doenças seria eliminado, e grande parte dos infortúnios também desapareceria. Somente então a sociedade se tornará pacífica e luminosa, o ódio e os conflitos cessarão, e até mesmo a ameaça da guerra será resolvida. Será então que, pela primeira vez, surgirá o mundo de tranquilidade e paz espiritual tão aguardado pela humanidade. Numa sociedade assim, os seres humanos, saudáveis e tranquilos, poderão trabalhar; não haverá pobreza, e seus corações se enriquecerão, passando a desfrutar a vida.
Como resultado, hospitais, indústrias farmacêuticas, médicos, enfermeiras e todas as profissões relacionadas às doenças se tornarão desnecessárias.
O benefício para a sociedade como um todo será imenso, para além de qualquer previsão. Ademais, com o pensamento mais sadio, os crimes diminuirão drasticamente, e coisas desagradáveis como polícia, tribunais e prisões desaparecerão. Na agricultura, uma vez conhecido o dano dos medicamentos e abandonado o seu uso, não haverá mais pragas; os adubos químicos e os fertilizantes humanos serão completamente abolidos, e a colheita aumentará em tal proporção que não se saberá mensurá-la. Chegar-se-á, assim, a uma era de prosperidade e contentamento, que se tornará, em verdade, o Paraíso Terrestre, tanto no nome quanto na realidade.
Acima, escrevi sem rodeios sobre o dano dos medicamentos. É verdadeiramente incompreensível que a humanidade, durante milhares de anos, não tenha percebido um dano tão terrível. Isso se deveu inteiramente ao fato de que o tempo ainda não havia chegado — e fui eu, finalmente, quem o descobriu. Quando esse conhecimento se espalhar por toda a humanidade, quão maravilhosa será a aclamação! Trata-se de uma grande virada na cultura, de um milagre sem precedentes e, acima de tudo, da prova mais evidente de que o Paraíso Terrestre, livre de doença, pobreza e conflito, está próximo. Para isso, o primeiro passo fundamental é fazer conhecer o dano dos medicamentos — e é por isso que publico este texto como um alarme.
Fragmentos Médicos (27) – Crianças com Desenvolvimento Atrasado
Eikō nº 165, publicado em 16 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Dizem que, ultimamente, aumentou muito o número de crianças pequenas com desenvolvimento deficiente; como a causa é desconhecida, até os médicos estão perplexos. Basta ouvir as respostas que dão, por exemplo, em programas de rádio, para perceber que apenas dissimulam com explicações confusas e sem sentido, dadas em desespero.
Qual seria, então, a verdadeira causa? É a seguinte: trata-se, evidentemente, da toxina medicamentosa. Afinal, em se tratando de recém-nascidos, o veneno atua com muita força, afetando o desenvolvimento. As injeções, em particular, são prejudiciais — fato que a minha longa experiência também evidencia. Quando a criança, mesmo depois de nascer, tem a cabeça bamba, apresenta atraso na inteligência ou não consegue andar, pode-se considerar, sem exceção, que a causa é a injeção. É o que sempre desejo ensinar aos médicos, nem que seja somente isso.
Pena dos Farmacêuticos
Eikō nº 165, publicado em 16 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Ultimamente, ouço falar, de vez em quando, que os donos de farmácias, por meio de cartas e outros expedientes, estariam criticando a nossa Igreja e adotando uma atitude de obstrução junto às autoridades.
No entanto, não considero isso de todo irracional. Afinal, pregamos que a causa das doenças está nos medicamentos; é natural, portanto, que nos odeiem, e sempre sentimos pena deles. Contudo, como o princípio fundamental da nossa Igreja é criar um mundo sem doenças, para alcançar esse objetivo é necessário esclarecer a raiz do problema. É, por assim dizer, o caso de "matar um inseto pequeno para salvar um inseto grande".
Sobre isso, quero deixar claro que, tanto para os médicos quanto para os donos de farmácias, a missão não deve ser apenas ganhar dinheiro — nem é preciso dizer que o objetivo principal é salvar vidas humanas. Se for para salvar a vida de uma pessoa, ainda que isso lhes traga algum prejuízo, é natural e também inevitável que se concorde.
No entanto, se pensarmos mais profundamente, o próprio fato de precisarem obstruir a nossa Igreja, a ponto de os donos de farmácias se sentirem afetados, já demonstra o quanto é notável o nosso efeito. Se assim é, por mais que a ele se oponham, essa oposição será temporária e, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja vencerá. E, se os medicamentos vencerem a nossa Igreja, então é porque a nossa Igreja terá perdido — e não haverá problema algum nisso. Não seria, portanto, mais adequado deixar o julgamento para a natureza? É por isso que ouso esperar que considerem o que aqui exponho.
Amor Daijo
Eikō nº 166, publicado em 23 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Ao falar simplesmente de amor, é preciso ter bem presente que existe a distinção entre o amor Shojo e o amor Daijo. O mais extremo dos amores Shojo é, sem dúvida, o amor egoísta; em seguida vêm, pela ordem, o amor aos parentes de sangue, aos amigos, ao grupo, à classe, à nação e ao próprio povo. Todos esses são, sem exceção, amores Shojo e, por mais ardentes que sejam, acabam por ser, no fim das contas, um mal — pois, quanto mais forte esse amor, mais conflito ele gera.
E o que seria, então, o amor Daijo? É justamente o amor à humanidade, o amor ao mundo, o amor de Deus. Por essa razão, por mais elaborados que sejam os argumentos apresentados, o amor Shojo é um amor limitado e, por isso, perigoso. A própria causa da guerra está nisso. Assim, se quisermos eliminar totalmente a guerra da humanidade, é necessário que esse amor ao mundo se espalhe por toda parte e se torne o pensamento comum de todos — não há outro caminho possível para a extinção total da guerra.
Por essa mesma razão, deve-se compreender que todo e qualquer conflito tem, em sua raiz, o amor Shojo. Mas o que é inexplicável é que até mesmo as religiões que pregam o amor têm, quase sempre, conflitos dentro de sua própria congregação. É verdade que hoje não há conflitos religiosos de grande escala como antigamente; mas é fato histórico bem conhecido que, na Europa antiga, houve as Cruzadas e outras guerras religiosas e que, também no Japão, havia outrora os chamados monges-guerreiros, que pegavam em armas para lutar. Sendo assim, uma religião em que há conflito já perdeu por completo a sua qualificação como religião. Nesse sentido, se uma religião é verdadeiramente autêntica, deve necessariamente pregar o amor ao mundo, e esse amor deve ser também colocado em prática — essa é a verdadeira forma da religião Daijo. Nossa Igreja Messiânica salva a humanidade tendo justamente esse amor Daijo como princípio fundamental, e é por isso que traz consigo o nome do mundo.
Fragmentos Médicos (28) – Quando entra sujeira no olho
Eikō nº 166, publicado em 23 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Frequentemente, um cisco entra no olho ou este é ferido por algo; se for deixado como está, certamente se curará naturalmente, sem que haja qualquer necessidade de preocupação.
No entanto, as pessoas comuns, que desconhecem isso, vão imediatamente ao médico, e o médico, tão desinformado quanto elas, aplica colírios. Com isso, a toxina medicamentosa penetra até por um pequeno ferimento, impede a cura, e muitas acabam sofrendo por longo tempo com terríveis doenças oculares originadas dessa causa. Ademais, quando o sabão penetra nos olhos, estes ardem e ficam vermelhos temporariamente, mas isso também se curaria facilmente se fosse deixado como está. Ao receber tratamento médico, porém, as pessoas acabam por criar deliberadamente uma doença ocular e, em casos raros, há até quem perca a visão — o que é realmente assustador.
Diante disso, é evidente como a terapia médica está causando infelicidade; mas, ainda que esse fato seja divulgado atualmente, quase não haverá quem acredite. Pode-se dizer, portanto, que o mundo de hoje é inteiramente um rebanho de cordeiros dignos de compaixão.
Ao Observar as Exposições (I)
Eikō nº 70, publicado em 20 de setembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Após longo período, fui observar duas exposições que se realizam em Ueno.
Uma é a Exposição do Instituto de Arte do Japão (1); a outra, a Exposição da Nikakai (2). Escolhi-as por considerar que ambas representam a pintura oriental e ocidental do Japão atual. Escreverei aqui, com franqueza, as impressões que tive ao observá-las.
Já vi muitas exposições até hoje, mas nunca fui tomado por uma sensação tão estranha como desta vez. A decepção e a tristeza obscureceram-me o coração. No Japão, já não existe pintura, nem pintura a óleo; a arte da beleza parece não poder mais ser vista. Por mais que se olhe com benevolência, a impressão deixada pelas pinturas vistas hoje é o próprio desespero, acompanhado de uma estranha sensação de confusão.
Havia algumas obras que se assemelhavam a pinturas, mas a maioria não passava de pinturas grotescas e extremamente estranhas.
Primeiramente, registro minhas impressões sobre a Exposição do Instituto de Arte do Japão. Recordando o passado, todos sabem que, desde a sua fundação, o Instituto se distanciou decididamente do cenário artístico da época, abriu um território novo e único e carregou a honra de ser pioneiro do seu tempo. Naturalmente, o grupo de pintores que não se satisfazia com as formas antigas correu para o Instituto, como mulheres que seguem a moda, e, sem perceber, acabou por alcançá-lo. Dali surgiu um núcleo puro e proeminente e, como espécie de liderança central, alguns dos seus integrantes se tornaram pintores famosos. No entanto, curiosamente, à medida que o grande mestre envelheceu, o avanço do Instituto se tornou lento, e essa estagnação fez com que o grupo de pintores que o admirava passasse a vaguear sem rumo.
Observando o Cenário Artístico de Quioto
Aqui, observemos o cenário artístico de Quioto da época.
Naquela época, Takeuchi Seihō reinava no cenário artístico de Quioto, exercendo a autoridade de um grande mestre — formando, por assim dizer, um país rival a oeste, em oposição ao grande mestre do leste. Naturalmente, os pintores talentosos da escola de Quioto seguiram Seihō, assim como os de Tóquio. Com sua morte, porém, o cenário assumiu um aspecto solitário, como se uma luz se houvesse apagado na noite escura. Havia, então, dois gênios — Hashimoto Kansetsu e Tomita Keisen — que, sem imitá-lo, desenvolviam técnicas próprias; mas ambos faleceram justamente quando estavam prestes a alçar voo, perda que se lamenta sem medida.
Hoje, porém, ao olhar para o cenário artístico do leste e do oeste, é triste dizer que quase não se encontram pintores com potencial para o futuro. Com boa vontade, citaríamos, em Tóquio, Kokei, Yukihiko, Seison, Ryūshi e Yuki; no oeste, Heihachirō e Inshō, talvez. Esses artistas alcançaram um nível elevado, mas ainda lhes falta força real para liderar o cenário. Diante disso, não há como evitar certa apreensão — e nosso desejo de apreciação também tende a se afastar da pintura moderna.
Resta apenas Gyokudō. Na técnica, não fica nada a dever a Taikan ou Seihō; mas, de personalidade calma e despretensiosa, sem ambição alguma, vive recluso em Okutama, alheio ao mundo, desfrutando sozinho de sua arte. Isso é digno de admiração para a época. Desejo apenas que passe o resto da vida em paz, como um tesouro nacional.
Vê-se, portanto, que a solidão da pintura japonesa atual não é apenas impressão minha — o assunto merece exame mais aprofundado. O grande Taikan, talvez pela idade avançada, perdeu o vigor de outrora; Seihō já se foi. Se assim é, a menos que surja um mestre à altura desses dois grandes nomes, o beco sem saída do cenário artístico japonês é inevitável. Chegados a esse ponto, somos forçados a buscar um novo rumo — e a própria época já se move nessa direção.
Trata-se de buscar vitalidade na pintura ocidental. No entanto, isso não passa de autossatisfação temporária, que aniquila a vida da pintura japonesa.
Obras Recentes
Observem as obras recentes: elas apenas usam pigmentos japoneses como substitutos do óleo. É matar-se para continuar vivo. Para os pintores de nível inferior, isso pode bastar como autossatisfação; mas os de nível superior não podem seguir modas superficiais — e também não podem ficar indiferentes, sob pena de serem tachados de retrógrados. Presos nesse dilema, deixam transparecer a crise nas obras, e não há como evitá-lo. Para garantir a existência do Instituto de Arte do Japão, a participação do grande mestre e do trio de maiores talentos é indispensável; contudo, a superficialidade transparece nas obras, e a falta de vitalidade é imensa. Não podemos deixar de sentir uma tristeza vaga.
Como se comenta por aí: terá Taikan envelhecido? Ao ver a pintura de Naruto do mestre nesta mostra, não se pode negar que sim. Não há novidade alguma: as mesmas rochas negras pintadas com tinta preta chinesa de sempre, as mesmas ondas em verde-malaquita e pigmento mineral.
A água corre para um nível mais baixo, formando dois redemoinhos; por mais que se olhe, causa estranheza. Pensei que poderia haver mais engenhosidade. Não somos os únicos a achar que esse tipo de pintura, há alguns anos, era muito superior. Quanto à pintura da mulher e do vaso do Sr. Kokei, se não houvesse assinatura, eu a teria ignorado.
A imagem do grande mestre Taikan pintada pelo Sr. Yukihiko não tem méritos nem deméritos; a carpa do Sr. Seison é medíocre.
A Pintura que Chamou Minha Atenção
Nesta Exposição do Instituto de Arte do Japão, apenas uma pintura, de qualquer forma, chamou-me a atenção: "Flores em Vaso", da Sra. Ogura Yuki. Três gardênias duplas como ponto focal, em um vaso de gosu-akae (porcelana de pintura azul e vermelha), com duas ou três outras flores arranjadas ao redor; a composição e as cores merecem elogios.
Admirável, sobretudo, é a sutileza com que esfuma o espaço em branco com tinta clara, para destacar a natureza-morta.
Estas são as impressões que tive ao observar.
1 (Exposição do Instituto de Arte do Japão) Exposição do Instituto de Arte do Japão 2 (Exposição da Nikakai) Exposição da Nikakai
(Revista Eikō, nº 70, 20 de setembro de 1950)
Ao Observar as Exposições (II)
Eikō nº 71, publicado em 27 de setembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Ao visitar em seguida a Exposição da Nikakai, fiquei estupefato. Meu cérebro tornou-se um tumulto de indignação, pessimismo e confusão.
Não se trata de buscar a beleza — a beleza simplesmente não existe ali, apenas a feiura. Até o ato de observar me é doloroso. Que carma é este, vir a um lugar tão distante, neste calor, apenas para sofrer? Indignei-me ao ver aquelas pinturas, algo verdadeiramente estranho neste mundo, pensei. Cheguei a imaginar que, se a pintura a óleo de hoje continuar assim, será melhor nunca mais vê-la. Falando sem reservas, aquilo não é pintura. Beleza e arte ali absolutamente não existem; há apenas planos materiais extremamente estranhos. A pintura do futuro é a expressão da natureza — não deveria haver nada além de embelezá-la e torná-la mais atraente pela arte. Nus femininos como cadáveres, figuras em grupo como fantasmas: são exatamente pinturas do Inferno. Não bastasse isso, um emaranhado de linhas geométricas e uma dança caótica de cores venenosas. É a falta de vergonha de exibi-las com orgulho como se fossem pinturas.
Não posso deixar de lamentar o desperdício de tintas e telas. Tentei compreender a psicologia desses autores, tão estranha, mas não consegui; meu cérebro impacientou-se. Cheguei a pensar que aquilo é uma espécie de pecado.
Minha mente começou a se alterar; não suportei continuar observando. Saí rapidamente do salão. Olhei o céu do início do outono em Ueno e suspirei aliviado, como quem fora salvo.
Refleti profundamente sobre a pintura a óleo atual que acabara de ver. De qualquer forma, é um exagero: entraram em um labirinto e ainda não perceberam. Buscaram demais uma sensação nova — são pacientes graves de um sadismo da consciência estética. Deve ser doença contagiosa contraída de gente como Picasso, na França. Quanto a nós, se fosse algo como Matisse, Rouault ou Bonnard, ainda poderíamos entender; mas, tratando-se de Picasso, somos seres sem afinidade alguma. Absortos apenas na expressão da individualidade, terminaram assim — são fantasmas da individualidade, ou, em outras palavras, mortos-vivos da subjetividade. E os mortos-vivos da subjetividade não são exclusividade dos pintores de hoje; existem em toda parte, mas entre os pintores o caso é especialmente grave. Segundo nosso pobre estudo, desde as dinastias Song e Yuan da China, passando pelo período Muromachi do Japão, até os dias de hoje, os pintores considerados grandes mestres, sem exceção, nunca se desviaram da objetividade. Há, sim, uma subjetividade rigorosa, mas envolvida pela objetividade — a subjetividade é como o osso do ser humano; é a carne e a pele que o envolvem que dão a beleza da objetividade.
A pintura a óleo de hoje, porém, não tem pele nem carne: é apenas osso exposto. Beleza e arte, ali, são inexistentes.
A menos que compreendam esse significado, acabarão perecendo em breve — é por saber disso que lhes ofereço estas palavras sinceras.
Em seguida, no caminho de volta, visitei a Exposição Seiryū (*). Como era de esperar de um verdadeiro templo da arte de salão, grandes pinturas se alinham até não caber mais espaço. Falando sem reservas, todas estão estagnadas, quase sem vestígio de progresso. Em uma palavra, são excessivamente ruidosas: falam demais, são um jazz de cores, verdadeiramente ofuscante. Estão pintadas em excesso, sem ressonância nem serenidade — é puro exibicionismo. A originalidade, de fato, também tem seu valor; entendo a intenção de extrair beleza do que normalmente passa despercebido, mas ignorar as convenções da pintura não faz sentido. A agonia de tentar fazer pintura do que não é pintura não deixa de irritar quem observa. A obra "O Incêndio do Kinkaku", do Mestre Ryūshi, é, no máximo, inócua. Deixe-me dizer uma palavra ao mestre: a condição absoluta da pintura é a elegância, é a altura — e é exatamente essa falta que não se pode deixar de sentir ao observar a Exposição Seiryū.
Outro ponto: ainda estão presos à arte de salão. O que é isso senão heresia? Se o caso é fazer o ser humano apreciar a beleza, isso é absolutamente inseparável da decoração de interiores; se só é possível apreciá-la em exposições, o valor da arte fica reduzido à metade. Isso é precisamente o fantasma do apego — dito de forma mais incisiva, não passa de egoísmo do artista.
Estas palavras sinceras e sem reservas nascem, justamente, do pensar em vocês.
Em resumo, o que quero dizer, por fim, a todos os pintores do mundo é que sua arte pictórica se chocou contra uma parede, e não há mais o que fazer: a menos que saiam dela, o terrível destino da autodestruição apenas se aproxima. Aos pintores ocidentais, em particular, quero dizer o seguinte: há mesquinhez em tentar atrair espectadores com o tamanho da tela, o peso das pedras ou o efeito da dança. O que é isso senão o gemido de pintores boicotados pela própria humanidade?
*(Exposição Seiryū) Exposição da Sociedade Seiryū
O Nascimento de um Novo Mundo
Eikō nº 167, publicado em 30 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
A minha Igreja Messiânica não é uma religião; a religião é apenas uma parte da Igreja Messiânica, como sempre tenho afirmado. Então, qual denominação seria a mais adequada? Penso que o nome "Projeto de Construção do Novo Mundo" se encaixa.
No entanto, isso soa como placa de empresa de construção civil; por enquanto, portanto, não há outra escolha senão chamá-la de Igreja Messiânica. O plano da nossa Igreja é fazer com que a ciência materialista atual e a ciência espiritualista caminhem paralelamente, visando ao progresso e ao desenvolvimento da cultura.
Como todos sabem, a cultura científica tem corrido em velocidade extraordinária e continua a correr, enquanto a religião — a cultura espiritualista — é como a tartaruga diante da lebre. Nascida há milhares e centenas de anos, em uma época em que a cultura ainda era primitiva, ela quase não progrediu, e por isso deve ter acabado gerando uma diferença de mil léguas.
Como resultado, hoje apenas a ciência é exaltada, e o lado espiritual tornou-se tão distante que nem sequer é visto. Por fim, o espírito passou a ser ignorado, e a ciência, considerada a totalidade da cultura. A humanidade se ajoelha diante do rei da ciência e se contenta em ser sua escrava; esta é a situação atual do mundo. Até a vida humana, o que há de mais precioso, não está sendo confiantemente entregue às mãos da ciência? No entanto, embora a ciência, de fato, não possa garantir a segurança da vida, as pessoas não percebem e continuam a confiar nela de forma unilateral; essa é a forma de pensar do homem moderno.
Por isso, Deus, compadecendo-se dessa ilusão e dessa confusão, está agora, por meu intermédio, ensinando a verdade: que a vida não pertence à matéria, que a vida, embora invisível, é uma existência inquestionável e está sob o domínio de Deus. E a prova está nos fatos — aqueles que a medicina materialista considerava incuráveis estão sendo curados, um após outro, pelo poder divino.
Esta é a maior prova de todas. Cabe perguntar, então, por que um problema tão grave, ligado à própria vida, permaneceu obscuro até hoje. Mas também isso não é sem razão: foi necessário que a cultura científica progredisse até certo ponto — faz parte do Plano Divino, um fenômeno temporário de um período de transição. Em contrapartida, Deus, ao mesmo tempo em que corrige esse excesso, torna claros os campos da ciência materialista e da ciência espiritualista.
Com isso, as ciências materialista e espiritualista avançarão e se desenvolverão em harmonia, e então um verdadeiro mundo civilizado nascerá. Em suma, o velho mundo atual chega ao fim aqui, e um novo mundo será construído; portanto, pode-se dizer que o meu trabalho é o de parteira desse novo mundo.
Fragmentos Médicos (29) – Doenças da cabeça
Eikō nº 167, publicado em 30 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Tenho dito que, para as doenças da cabeça, deve-se aplicar o Johrei tendo como ponto principal a região ao redor do pescoço, a medula oblonga e a nuca.
No entanto, ultimamente há muitas pessoas cuja purificação vem se manifestando na região da testa, da fronte e das têmporas; por isso, é melhor aplicar bem o Johrei nessas áreas. Ao colocarmos a palma da mão sobre o lado direito, nesse momento, perceberemos imediatamente a presença de febre. Assim, se a testa de uma pessoa estiver fria, pode-se considerar, sem erro, que a cabeça está em boas condições.
Ao Observar a Exposição de Picasso
Eikō nº 135, publicado em 19 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Recentemente, fui a Tóquio e, por coincidência, soube que uma exposição de Picasso estava sendo realizada na loja Takashimaya.
Aproveitei a oportunidade para visitá-la e agora escrevo minhas impressões. Ao percorrer a exposição, fiquei estupefato. Por se tratar de Picasso, um mestre reconhecido mundialmente como grande figura, imaginei que certamente haveria algo magnífico; sua reputação era imensa, e todos os críticos japoneses contemporâneos que escrevem em jornais o elogiavam unanimemente. Criei, por isso, uma expectativa considerável e, com essa disposição, examinei as obras com atenção.
No entanto, quanto mais olhava, mais sentia que não as compreendia. Sendo assim, escreverei minha opinião sincera. Em primeiro lugar, surge a dúvida: será que isso pode ser chamado de pintura? Onde está a beleza? Onde está a qualidade? Existirá ao menos uma pessoa que, ao colocar isso em sua sala de estar, possa verdadeiramente apreciá-lo? Quanto mais penso, mais me perco. Falando com franqueza, perguntei a mim mesmo: onde está a vida pictórica naquelas cores venenosas e geométricas, em desenhos que parecem feitos por crianças?
No entanto, por ser obra de um mestre da estatura de Picasso, deve haver algo em algum lugar. Qual seria sua intenção? Tentei, com o propósito de investigar a psicologia do autor, fitar fixamente as obras, mas o resultado foi igual a zero. Quanto às figuras humanas — com seus olhos, narizes, bocas, troncos e membros grotescos, distorcidos e despedaçados —, talvez seja uma expressão cruel, mas não creio ser o único a achar que se assemelham a corpos arremessados por atropelamento, ou a mortos por uma bomba atômica.
Na verdade, considero dignas de pena as multidões obrigadas a contemplar aquilo.
Provavelmente todos que veem essas pinturas pensam: "Esta é a famosa pintura de Picasso, certamente uma obra-prima mundial" — mas não entendem nada. Acreditam apenas que deve ser algo magnífico, sem conseguir discernir se a pintura é boa ou ruim; para a maioria, é como "pérolas aos porcos". Talvez não haja, hoje, ninguém no Japão que fale de forma tão direta — acredito que sou o único.
Deixando a pintura de lado, passemos à cerâmica. Embora um pouco excêntrica, possui uma sensibilidade dinâmica e aguda da época, bem expressa, com pontos que não podem ser descartados; cheguei mesmo a pensar que as obras dos novos ceramistas japoneses de hoje são superiores. Então, por que as obras de Picasso são hoje alvo de aclamação mundial?
Há uma razão sólida para isso. Para explicá-la, preciso primeiro falar sobre a educação moderna. Como ocorre em todos os países hoje, a educação relacionada às artes é extremamente negligenciada. No ensino fundamental, os alunos fazem apenas desenhos simples, trabalhos em argila e brinquedos de madeira; a partir do ensino médio, ensina-se algo como esboços ao estilo ocidental. Quanto às obras para apreciar, provavelmente se limitam a pinturas de fim de ano ou do próprio professor. Depois de sair da escola, a menos que a pessoa tenha um forte interesse artístico, o contato geral com a arte se resume a ilustrações em jornais e revistas, ou a pinturas penduradas na sala de estar ou no tokonoma de conhecidos. Além disso, uma ou duas vezes por ano, as pessoas vão a exposições por causa de críticas em jornais ou convites de amigos — pode-se dizer que quase não possuem conhecimento artístico no verdadeiro sentido.
Mesmo para especialistas e entusiastas que lidam com arte, não há no Japão de hoje instituições satisfatórias para atender a esse desejo. Se alguém quisesse ver pinturas excelentes, antigas ou modernas, seria impossível — ao passo que um japonês que deseje ver obras-primas ocidentais pode ir ao exterior, onde existem museus de arte completos, e apreciá-las sem restrições. Assim, a situação atual é que só se pode ver uma pequena parte da arte oriental, isto é, as obras-primas da China e do Japão. É certo que existem museus e galerias particulares, mas são quase insignificantes; os museus são, em sua maioria, históricos e arqueológicos e, do ponto de vista da arte em si, realmente pobres. Quando estrangeiros que desejam ver a arte antiga do Japão vão a um museu, imagino que a maioria se decepciona, pensando: "Isso é arte oriental?" E, como os mesmos objetos ficam expostos o ano todo, mesmo os japoneses, a menos que sejam muito dedicados, raramente os visitam. É verdade que os museus são ricos em arte budista, com muitas peças magníficas, mas, no que diz respeito a pinturas e outras obras capazes de despertar o interesse e a compreensão do público em geral, são extremamente insatisfatórios.
Assim, não há como despertar o pensamento artístico das massas. Diante de uma arte antiga que, como um livro didático, faz franzir a testa — por mais histórica que seja —, não se sente vontade de apreciá-la com prazer, e o número de pessoas que se aproximam da arte nunca aumentará. Se assim é, é preciso refletir seriamente sobre isso. No entanto, como a arte antiga é também um orgulho nacional, é claro que devemos respeitá-la e tomar as medidas adequadas para sua preservação.
Há também as galerias particulares — as várias exposições realizadas em Ueno, na primavera e no outono, para apresentar arte. Olhando apenas para as pinturas, a pintura ocidental japonesa é muito numerosa, mas parece ainda não ter saído da imitação do Ocidente, havendo poucas que mereçam atenção. Por outro lado, a pintura japonesa também está em um beco sem saída, e pode-se dizer que a maior parte das tendências não passa de pinturas a óleo feitas com pigmentos japoneses. Os grandes mestres, por serem quem são, não podem mais seguir a moda, mas também não podem permanecer no antigo estilo sob pena de não serem reconhecidos — caindo, assim, em um dilema que se reflete claramente em suas pinturas. Até o ano passado, eu não perdia as exposições de outono, mas este ano não tive vontade de ir e acabei não indo, porque já não sinto desejo de vê-las. Acima, escrevi livremente minhas impressões sobre o estado atual da arte.
Diante disso, pode-se dizer que, como os japoneses de hoje não receberam uma educação artística adequada, seu poder de discernimento é quase nulo. Por isso, as pessoas pensam: "Se os outros dizem que é bom, deve ser bom", "os jornais estão elogiando muito, então deve ser algo magnífico", "se eu não for ver isso, ficarei fora de moda" — e vão em massa, como se fosse uma obrigação, tal como acontece com a lista dos dez melhores filmes: um mero fenômeno de popularidade. Nesse sentido, Matisse e Picasso são figuras extremamente favorecidas na era moderna. A educação artística, considerada a maior deficiência da educação moderna, deve, por isso, ser grandemente incentivada daqui para frente.
Isso também contribuirá para o cultivo do pensamento pacífico. O pensamento artístico é um ideal comum a todo o mundo e, no futuro, o intercâmbio internacional de obras de arte será intensamente promovido — o que terá também um efeito considerável na prevenção do pensamento comunista. Assim, acredito que devemos promover vigorosamente a educação artística na sociedade e elevar o gosto artístico das massas. Se esse gosto, que até hoje parecia propriedade exclusiva dos privilegiados, puder ser amplamente compartilhado pelo povo, isso também será uma excelente obra social — servirá de estímulo aos criadores e criará uma sociedade com capacidade crítica correta em relação às obras, de modo que o mundo da arte certamente alcançará um desenvolvimento saudável. Quando isso acontecer, será inevitável que surjam no Japão obras-primas de classe mundial.
A esse respeito, lamento que obras de artistas vivos como Matisse e Picasso sejam tão aclamadas quando chegam ao Japão. Pensando nisso, anseio ardentemente pelo dia em que obras de artistas japoneses sejam expostas na América e na Europa e celebradas com igual entusiasmo. Por fim, escreverei um pouco sobre mim: estou construindo os museus de arte de Hakone e Atami. O de Hakone está previsto para ficar pronto até o verão do próximo ano.
Como mencionei, o objetivo é suprir as deficiências da educação artística e cultivar amplamente o pensamento artístico entre os japoneses. Por isso, planejo expor obras compreensíveis para o público em geral e, ao mesmo tempo, reunir as peças excelentes que os especialistas mais desejam ver. A base, naturalmente, será a arte oriental, com obras-primas de grandes mestres de todas as épocas, antigas e modernas, selecionadas para enriquecer ao máximo o conteúdo.
Inicialmente, o público-alvo são os japoneses, mas, no futuro, pretendo transformá-lo em um grande museu de arte do qual o mundo possa se orgulhar — um símbolo de admiração para especialistas, entusiastas e o público em geral de todos os países.
Fragmentos Médicos (30) – Bacilo da disenteria
Eikō nº 168, publicado em 6 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
O que sempre me parece incompreensível é que, ultimamente, com a disenteria se alastrando e surgindo pacientes em toda parte, as autoridades se desdobrem para investigar a cadeia de contágio — isso, para mim, não faz sentido algum. Se a causa dessa doença fosse contagiar a todos sem exceção, descobrir a cadeia de transmissão não seria fácil, é claro, e além de certo ponto seria mesmo impossível.
Suponhamos, por exemplo, que houvesse bactérias na água de um rio: para rastreá-las por completo, seria necessário examinar todos os moradores das margens, com custos imensos e um enorme número de pessoas envolvidas. E, mesmo que, depois de tudo isso, se encontrasse o primeiro paciente, ele certamente teria sido infectado por alguém — seria preciso então descobrir quem foi essa pessoa anterior, e quem veio antes dela, e assim por diante, sem limite. Portanto, isso não seria viável na prática e não passaria de puro absurdo.
Agora, revelarei a verdade sobre isso: de fato, a bactéria da disenteria se transmite, sim, mas a bactéria do primeiro paciente surgiu naturalmente da própria pessoa. Como sempre digo, esta doença é um processo de purificação pelo qual ocorre a excreção do sangue tóxico da cabeça, sendo, portanto, algo extremamente benéfico para a saúde. Assim, mesmo que se deixe a natureza agir, a pessoa certamente se curará, e não há absolutamente nenhum risco de vida.
Minha Formação em Arte
Eikō nº 40, publicado em 20 de fevereiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Neste verão, finalmente o museu de arte da Terra Divina de Hakone será concluído.
Gostaria de escrever um pouco sobre os milagres relacionados a isso. Como sempre digo, desde jovem eu apreciava arte, mas como um entusiasta comum, apenas para contemplar e me divertir. Sem dinheiro, naturalmente, não podia comprar; contentava-me em ir a museus, exposições e lojas de departamento. Após o fim da guerra, porém, à medida que meu trabalho se tornava cada vez mais religioso, passei a ter renda considerável e, aproveitando a confusão do pós-guerra, foi possível comprar coisas muito boas por preços baixos.
Aproveitei a oportunidade e comprei, sim, mas apenas certo tipo de objeto, pois meu olho, naquela época, só sabia avaliar determinadas coisas: principalmente pinturas de Korin e Sotatsu, cerâmicas de Ninsei, Kenzan e Nabeshima e, além disso, alguns trabalhos em laca (maki-e) — esta, aliás, eu havia estudado na juventude e até produzido algumas peças. Assim, à medida que os objetos se acumulavam pouco a pouco, se fosse para construir o Paraíso Terrestre — o mundo da Verdade, do Bem e do Belo, lema da nossa Igreja —, a beleza seria indispensável, nem é preciso dizer.
De fato, a Verdade e o Bem são espirituais, e nesse caso tudo bem; mas a Beleza é material e, para manifestar-se concretamente, é preciso que a beleza artificial acompanhe a natural. Pensei, então, que seria necessário construir um museu de arte. Foi então que, na primavera do 19º ano da Era Showa (1944), ao me mudar para Hakone, havia um terreno adequado ao lado; mal o adquiri, encontrei em Atami outro terreno ideal, que também comprei.
Assim, sucessivamente, a área se expandiu até chegar à concepção magnífica que hoje se vê — manifestação do profundo e grandioso plano de Deus, que se vai realizando passo a passo. O projeto cresceu em escala e, com a conclusão do último museu em Hakone, chegará a um marco importante. Vou escrever sobre algumas coisas interessantes a esse respeito: como mencionei, eu só entendia de certos tipos de arte. Então Deus, para me abrir os olhos, proporcionou-me uma verdadeira educação artística.
Nos primeiros um ou dois anos, concentrei-me na escola Rimpa e na cerâmica japonesa — os tipos Ninsei, Kenzan e Nabeshima. À medida que diversos catálogos e livros ilustrados chegavam às minhas mãos, eu via as peças, ouvia as explicações de especialistas e, quando comecei a compreender de modo geral, no ano seguinte passei para a pintura moderna, a pintura Yamato-e e os ukiyo-e. No ano seguinte a esse, foi a vez da pintura a nanquim do período Higashiyama, das caligrafias antigas (kohitsu), das caligrafias zen (bokuseki) e das pinturas das dinastias Song e Yuan. No ano seguinte, que foi o ano passado, dediquei-me às cerâmicas da China e da Coreia e às pinturas budistas. E, já neste ano, logo no início da primavera, diversos documentos e catálogos sobre estátuas budistas começaram a chegar, trazendo também estátuas budistas do período inicial do Japão.
Foi então que pensei: "Este é o tema deste ano". E o interessante é que, pela experiência que tenho até agora, levo cerca de um ano para me "formar" em cada categoria — o que uma pessoa comum levaria vinte ou trinta anos para aprender, eu consigo em cerca de um ano, a ponto de aqueles que me ensinaram inicialmente acabarem aprendendo comigo. É realmente misterioso.
Assim, quem observar as peças que serão expostas no museu perceberá que abrangem uma gama realmente ampla, algo que, creio, não tem paralelo nem no Japão nem no mundo. Há ainda um fato inesperado, do qual poucos se dão conta: não existe um único museu de arte japonesa no Japão. Isso fica claro ao observar os museus existentes no país. Tomemos, por exemplo, o Museu Nacional de Tóquio (1): há, de fato, belas peças de arte budista, mas, falando com franqueza, o resto é realmente pobre. O recém-inaugurado Museu de Arte Bridgestone é de pintura ocidental; o Museu de Arte Okura Shukokan, de arte chinesa; o Museu de Arte Nezu, de utensílios de chá e bronzes chineses; o Museu Nacional de Kyoto, de arte de templos; o Museu Yurinkan, de arte chinesa; o Museu de Arte Sumitomo (2), de bronzes chineses; o Museu de Arte Hakutsuru, em Osaka, de cerâmica e bronzes chineses; e o Museu de Arte Ohara, em Okayama, de arte ocidental.
Sendo assim, não é lamentável que, mesmo sendo japonês, não se possa ver a arte japonesa? Considerando esse ponto, pretendo que o Museu de Hakone se concentre na arte genuinamente japonesa, para satisfazer a todos. Embora ainda seja de pequena escala, fará com que os visitantes redescubram a excelência dos japoneses na arte, ao mesmo tempo que surpreenderá, e não pouco, os olhos dos estrangeiros — desempenhando, portanto, um grande papel também na política nacional de turismo.
1 (Museu Nacional) Museu Nacional de Tóquio 2 (Museu de Arte Sumitomo) Refere-se ao Museu Sen-oku Hakuko-kan
A Pintura Japonesa Agora Prestes a Desaparecer
Eikō nº 178, publicado em 15 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Após visitar a Exposição do Instituto de Arte do Japão e a Exposição Seiryu, atualmente em andamento, não pude deixar de escrever minhas impressões, que aqui registro.
Ao lado, realizavam-se a Exposição Nika e a Exposição Kodo (*). Observando com atenção, porém, vi que não eram pintadas a óleo, mas com tintas japonesas. Pensando "Afinal, é a Exposição do Instituto de Arte do Japão?", senti uma inquietação inexplicável — cheguei a cogitar se os pintores ocidentais não teriam começado a usar tintas japonesas.
Ao entrar na terceira sala, porém, deparei-me com uma pintura do Mestre Taikan. Compreendi, então, que era de fato a Exposição do Instituto de Arte do Japão e, ao mesmo tempo, uma solidão indescritível tomou conta de mim. Se fosse uma exposição qualquer, ainda vá lá; mas esta tem uma história considerável e é, afinal, a grande referência da pintura japonesa contemporânea.
Quarenta anos atrás, o Mestre Tenshin Okakura, com a ambição de reviver a arte de Korin nos tempos modernos, selecionou Taikan, Shunso, Kanzan e Buzan como os Quatro Reis Celestiais e lançou uma bomba no mundo da pintura japonesa, que até então não conseguia se libertar das amarras da tradição. A intenção ousada e perspicaz do Mestre Tenshin foi verdadeiramente revolucionária e, como era de se esperar, o mundo da pintura começou a se mover.
O que devemos considerar profundamente aqui é que os americanos quase não têm o hábito antiquário de achar que as pinturas novas são ruins e as antigas, boas — apreciam as antigas com um olhar justo e imparcial. Nesse ponto, também concordo plenamente: para mim, tampouco importa se a obra é nova ou antiga, apenas se está bem-feita e me agrada. Na realidade, porém, as pinturas antigas são muito superiores, e as novas, tão inferiores que não se pode sequer compará-las. A esse respeito, ouvi dizer que colecionadores do Japão disputam as obras dos grandes mestres franceses contemporâneos mesmo a preços altíssimos; e as pinturas a óleo japonesas enviadas recentemente para a Exposição Internacional da França tiveram uma recepção inesperadamente ruim, precisamente porque a pintura a óleo japonesa não atingiu o padrão mundial.
No entanto, quando se trata da pintura japonesa — arte do mais alto nível do mundo, exclusiva do Japão —, não seria sensato concentrar nela o maior esforço? Talvez por não perceberem isso, os pintores japoneses de hoje estão inteiramente absortos na imitação da pintura a óleo; por mais bem-feita que seja, ela não passará, no fim das contas, de uma imitação. Não deveriam, portanto, mudar de ideia o quanto antes e avançar decididamente pela via única da pintura japonesa? O objetivo, claro, deve ser criar obras-primas que superem as pinturas antigas. Se as apresentarem com orgulho no grande palco mundial, posso afirmar que o resultado será os próprios pintores estrangeiros seguindo a pintura japonesa e incorporando suas características às pinturas a óleo.
Nesse ponto, gostaria que se lembrassem de algo: a própria pintura a óleo que tanto admiram hoje foi inspirada, em sua raiz, por Korin do Japão. Quando o estilo renascentista da primeira metade do século XIX se desenvolveu ao extremo e o realismo na pintura chegou a um beco sem saída, foi Korin quem, de repente, surpreendeu a todos, revolucionando de imediato o mundo da pintura a óleo da época. Ao vermos a grandeza desses nossos antepassados, a incompetência dos pintores de hoje é verdadeiramente lastimável.
Outro dia, a Sra. David, alta funcionária da UNESCO da França, visitou o museu. O que mais lhe agradou foi uma famosa pintura ukiyo-e a mão livre de uma "yuna" (mulher de banho público) do período Momoyama; impressionada, disse que gostaria de fazer uma reprodução e apresentar a excelência da cultura japonesa às filiais da UNESCO em todo o mundo. Veio, por meio do Ministério da Cultura do Japão e do nosso Ministério das Relações Exteriores, um pedido formal, que aceitei prontamente — atualmente, estou mandando produzi-la na empresa Otsuka Kogei-sha. O que lamento, em ocasiões como esta, é que a pintura moderna não é considerada de forma alguma.
Escrevi de forma desordenada, conforme me vinha à mente, mas, em suma, a pintura japonesa está agora diante de uma crise de vida ou morte. Desejo ardentemente que se libertem dela o quanto antes. E o que me surpreendeu, ao visitar a Exposição do Instituto de Arte do Japão desta vez, foi o seguinte: até agora, somente o Mestre Taikan, sem se curvar às tendências da época, mantinha-se firme em sua posição de liderança — mas a pintura dele desta vez, o que é? Incorpora um estilo de pintura ocidental extremamente superficial. Ao vê-la, não pude conter as lágrimas que aqueciam meus olhos.
Por fim, algo que devo registrar é minha visão da pintura do Oriente e do Ocidente, de uma perspectiva ampla. Penso que a pintura japonesa é a verdadeira arte, e que a pintura ocidental não pode ser chamada de arte — e a própria forma como são tratadas já o demonstra. A pintura japonesa é feita para ser apreciada como pintura, no tokonoma, e trocada conforme a estação; a pintura ocidental, em contraste, é simplesmente pendurada na parede, em qualquer lugar, sem necessidade de ser trocada. Para ser honesto, pode-se dizer que é, no máximo, um móvel de alta qualidade. Além disso, a pintura oriental é "desenhada", enquanto a pintura ocidental é "pintada em camadas" — por isso, na pintura oriental, o pincel é usado com vigor, de uma só vez, e é aí que reside a pulsação da vida. Isso pode ser entendido pela comparação com a caligrafia: ela é viva porque é escrita de um só traço, enquanto as letras feitas por um fabricante de lanternas são letras mortas. Por essa razão, sempre digo que a pintura japonesa é arte, mas a pintura ocidental está entre a arte e o artesanato.
Então, por que a pintura japonesa se corrompeu como está hoje? Não seria a raiz, afinal, a ilusão de confundir arte e ciência? Penso que isso pode ser resultado de terem se deixado iludir pelo maravilhoso progresso científico, com a adoração ao Ocidente estendendo-se até as belas-artes. Ao contrário disso, porém, os intelectuais dos países ocidentais estão, cada vez mais, nutrindo um anseio pela arte oriental.
Escrevi longamente, mas, de qualquer forma, peço que, pelo menos nas belas-artes, abandonem a adoração ao Ocidente e voltem a estudar e reconhecer, tanto quanto possível, a arte antiga do Japão, da China e da Coreia. Nesse ponto, há um fato: pessoas de todas as classes vêm ao Museu de Hakone, mas, curiosamente, os pintores quase não vêm. Refletindo sobre isso, compreendi o motivo — para aqueles que, como os pintores modernos, anseiam pela pintura a óleo, talvez seja melhor não ver pinturas antigas. Não posso, por isso, deixar de sentir uma grande tristeza. Enquanto não despertarem para isso, acabarão sendo abandonados não só pelos estrangeiros, mas também pelos próprios japoneses, e a decadência da pintura japonesa será apenas uma questão de tempo.
* (Exposição Kodo) Exposição da Associação de Arte Kodo.
A Construção do Paraíso e a Expulsão do Mal
Eikō nº 169, publicado em 13 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Para transformar este mundo — que é o objetivo de Deus — em um Paraíso, existe uma condição fundamental. Qual é essa condição? É o próprio mal que a maioria da humanidade hoje abriga profundamente no coração. Por mais incompreensível que possa parecer, no entanto, é natural, pelo senso comum das pessoas, que não se goste do mal e que se tema extremamente o contato com ele. Desde os tempos antigos, aliás, o mal tem sido repreendido pela ética, pela moral e por outros meios, e a educação também tem isso como objetivo principal.
Em outras religiões, a premissa de seus ensinamentos é incentivar o bem e rejeitar o mal. Observando a sociedade, vemos pais repreendendo filhos, maridos repreendendo esposas, esposas repreendendo maridos, e superiores fazendo o mesmo com seus subordinados. As leis também impõem punições para evitar que o mal seja cometido. No entanto, apesar de todos esses esforços, não se sabe quantas vezes mais pessoas más do que boas existem neste mundo.
Falando estritamente, provavelmente nove em cada dez pessoas são más, e talvez haja apenas uma pessoa boa — ou nenhuma. Contudo, mesmo dentro do que chamamos "pessoa má", existem vários graus, do maior ao menor: primeiro, o mal que vem do coração, isto é, o mal cometido conscientemente; segundo, o mal cometido inconscientemente, sem saber; terceiro, o mal cometido por necessidade; quarto, o mal cometido por se acreditar que o mal é o bem.
Explicando brevemente cada um: o primeiro está fora de questão e dispensa explicação; o segundo é o mais comum e geral; o terceiro, por decorrer da falta de intelecto ou razão, não chega a ser um problema; já o quarto, por ser cometido com a convicção de que se está fazendo o bem, é praticado de forma aberta e com ardor — e, por isso mesmo, seu veneno é maior.
Voltarei a isso em detalhes mais adiante. Passemos agora a uma visão do mundo do mal a partir da perspectiva do bem. Como é de conhecimento geral, ao observarmos amplamente o mundo atual, o mal predomina em muito, a ponto de podermos chamá-lo, sem exagero, de um mundo do mal. Desde os tempos antigos, há inúmeros exemplos de pessoas boas atormentadas por pessoas más, mas nunca se ouviu falar do contrário.
As pessoas más, assim, têm muitos aliados, enquanto as boas têm poucos. Enquanto as más escapam das malhas da lei e agem com ousadia, dominando o mundo, as boas se encolhem e vivem entre o medo e o tremor — esta é a condição social atual. É por isso que, por serem fracas, as pessoas boas são constantemente perseguidas e atormentadas pelas más, que são fortes. A democracia nasceu como reação a essa injustiça, algo que também surgiu naturalmente. O Japão, devido ao longo pensamento feudal, permaneceu por muito tempo uma sociedade em que os fortes oprimem os fracos; felizmente, com a ajuda de países estrangeiros, tornou-se a democracia que é hoje — mais do que algo que "surgiu" espontaneamente, talvez seja melhor dizer que foi um resultado natural. Apenas este caso, por mais raro que seja, é um exemplo em que o bem obteve vitória sobre o mal.
No entanto, deixando de lado os países estrangeiros, não creio ser o único a notar que, no Japão, a democracia atual ainda é superficial, e que em muitos aspectos restam resquícios do feudalismo.
Vale a pena examinar também a relação entre o mal e a cultura. Onde estaria, afinal, o princípio gerador daquilo que chamamos de cultura? Nos tempos antigos, na era da barbárie e da incultura, os fortes oprimiam os fracos, roubavam-lhes a liberdade e praticavam saques, assassinatos e outras violências a seu bel-prazer. Como resultado, os fracos, para se proteger, elaboraram vários métodos de defesa: criaram armas, construíram cercas, facilitaram o transporte e, tanto em grupo quanto individualmente, concentraram todo tipo de engenhosidade e esforço.
Isso, sem dúvida, contribuiu para o avanço da inteligência humana. Mais tarde, para garantir a segurança, firmaram-se acordos coletivos que talvez tenham sido a origem dos tratados internacionais de hoje; e, socialmente, para conter o mal, criaram-se as leis, cuja codificação resultou nas leis atuais. Na realidade, porém, medidas tão brandas foram absolutamente incapazes de eliminar o mal dos seres humanos. Por isso, desde os tempos primitivos, a luta do bem contra o mal para contê-lo jamais cessou. Que mundo infeliz foi o da humanidade! Todos sabem o quanto a grande maioria das pessoas boas foi sacrificada por causa disso — e foi para salvar essas pessoas de suas aflições que, de tempos em tempos, surgiram os grandes líderes religiosos.
Isso porque, enquanto os fracos eram constantemente atormentados pelos fortes e tinham pouca força para se defender, esses líderes, ao menos espiritualmente, tentavam eliminar sua ansiedade e dar-lhes esperança. Ao mesmo tempo, pregavam aos maus a lei de causa e efeito, tentando fazê-los arrepender-se.
Isso teve algum efeito, mas não foi capaz de mudar a tendência geral. Por outro lado, no plano materialista, para prevenir a infelicidade causada pelo mal, desenvolveu-se o conhecimento e formou-se a cultura material, na tentativa de alcançar esse objetivo por meio do progresso. Essa cultura, porém, avançou além do esperado e, longe de prevenir o mal — que era o objetivo inicial —, acabou sendo utilizada por ele, que passou a exercer uma crueldade cada vez maior, em escala cada vez maior. Isso se tornou a causa de guerras em larga escala e, por fim, até um monstro tão aterrorizante quanto a bomba atômica foi criado. Pode-se dizer, assim, que chegamos a uma era em que a guerra já não é mais possível: falando sem rodeios, foi o mal que desenvolveu a cultura material, e foi o mal que criou uma era em que a própria guerra se tornou inviável — uma história verdadeiramente irônica.
É claro que, na base de tudo isso, está o profundo Plano Divino de Deus, algo que se pode perceber com clareza. Naturalmente, tanto os que militam no campo da cultura espiritual quanto os da cultura material almejam um mundo ideal de paz e felicidade. Esse anseio, porém, permanece apenas um ideal, sem correspondência na realidade; por isso os sábios seguem envoltos em nuvens de dúvida, diante de um muro — esta é a situação atual.
Alguns buscam a resposta na religião; outros, na filosofia, tentando decifrar esse enigma; mas a maioria está convencida de que a solução só virá com o progresso da ciência.
No entanto, mesmo assim, não há perspectiva segura, e a humanidade segue sofrendo sem solução. Diante disso, pretendo explicar minuciosamente, a partir de agora, o que realmente acontecerá com o futuro do mundo. Se, como foi dito, o mal é a causa fundamental da infelicidade humana, surge a pergunta: por que Deus criou o mal? Essa é a questão que mais tem atormentado o coração humano até hoje. Deus, porém, finalmente revelou a verdade a respeito, e é essa verdade que aqui publico.
Em primeiro lugar, vejamos por que o mal foi necessário até hoje. A razão é surpreendente: foi pelo conflito entre o mal e o bem que a cultura material progrediu e se desenvolveu como vemos hoje — algo que parecia inimaginável, mas que é, de fato, a verdade. Tomemos a guerra: por ceifar muitas vidas humanas e ser extremamente trágica, é o que os seres humanos mais temem; e, para escapar dessa calamidade, concentraram o máximo de sua inteligência e engenhosidade. Nem é preciso dizer o quanto isso acelerou o progresso da cultura — a história mostra com clareza o extraordinário desenvolvimento cultural tanto nos países vencedores quanto nos vencidos depois de uma guerra.
No entanto, se a guerra chega ao extremo e se prolonga, a nação não tem escolha senão a ruína, e a cultura é destruída junto com ela. Por isso, Deus a detém em determinado ponto e faz retornar a paz original — e é assim, alternando-se guerra e paz, que se desenha a história mundial. Observando a sociedade, vemos o mesmo padrão: criminosos e forças de repressão estão sempre em uma competição de inteligência.
As desavenças entre indivíduos também têm sua causa na luta entre o bem e o mal, e a resolução desses conflitos pode ser entendida como um fator que promove o avanço da inteligência humana. Se, portanto, a cultura progride pelo atrito entre o bem e o mal, o mal também foi, até hoje, extremamente necessário. É preciso saber, porém, que essa necessidade não é infinita — tem um limite.
Explicarei isso aos poucos, mas o ponto crucial é o objetivo do Deus Supremo, o Governante deste mundo — filosoficamente falando, o Absoluto e, em seguida, a Vontade do Universo. O fim do mundo profetizado por Cristo e pelos fundadores de outras religiões era, na verdade, o fim do mundo do mal; o que viria a seguir seria o mundo ideal: o Paraíso Terrestre, onde não há doença, pobreza nem conflito; o mundo da Verdade, do Bem e do Belo; o mundo de Miroku. Os nomes são diferentes, mas o significado é um só.
Para criar um mundo tão maravilhoso, é necessário um preparo à altura — a provisão completa, tanto espiritual quanto material, das condições suficientes para formá-lo. Para isso, o Plano Divino de Deus priorizou o aspecto material, pois o espiritual não requer tempo e pode ser elevado de uma só vez, ao passo que o material exige, evidentemente, muito mais tempo. Além disso, como primeira condição, Deus fez com que a realidade dos deuses e budas fosse ignorada, concentrando o espírito humano no aspecto material — e o que nasceu desse movimento foi o ateísmo, pois, para que o mal pudesse existir, o ateísmo era o mais fundamental dos requisitos.
Assim, o mal, ganhando ímpeto, atormentou cada vez mais o bem, prolongou a luta e fez a humanidade cair no fundo do sofrimento — humanidade que, sempre tentando erguer-se, se debatia. Isso, sem dúvida, tornou-se uma grande força motriz para o progresso da cultura; trágico, mas inevitável. Por tudo isso, creio que o significado fundamental do bem e do mal já tenha sido compreendido.
Como foi dito, chegou o tempo em que o mal não é mais necessário — e esse tempo é hoje. Trata-se, portanto, de uma questão nada fácil. No entanto, isso não é suposição nem desejo, mas realidade.
Acredite-se ou não, essa realidade já está quase à vista dos olhos humanos: é o notável progresso da ciência atômica. Se uma guerra começar agora, portanto, não será mais uma guerra, mas uma destruição total, a ruína da própria humanidade. Isso, no entanto, é também, na verdade, o freio do mal — e devemos, por isso, alegrar-nos com ele. Como resultado, a cultura que até hoje foi utilizada pelo mal se transformará, tornando-se livre para servir ao bem, e é aí que se abrirá a fase para o nascimento do tão esperado Paraíso Terrestre.
Fragmentos Médicos (31) – Sem título (2)
Eikō nº 169, publicado em 13 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Os fiéis conhecem bem este fenômeno: depois que um paciente de tuberculose melhora e retoma plena atividade, é frequente ocorrer uma Repurificação.
No entanto, à medida que o mundo espiritual gradualmente se ilumina, o processo de purificação torna-se mais intenso, e será necessário, a partir de agora, mudar o método. Explico: primeiro, o Johrei deve ser administrado cerca de uma vez por semana, e o paciente deve permanecer em repouso tanto quanto possível — não é preciso, porém, ficar imóvel como um boneco de vitrine, como na terapia convencional. Basta alternar entre deitar-se e levantar-se, aguardando até que a febre desapareça; depois de estar completamente sem febre, deve-se passar gradualmente a movimentos que não a provoquem. Assim, embora demore mais tempo, o método não falha, e é possível curar-se com tranquilidade.
Crítica à Civilização (1) – A Transição das Culturas Antiga e Nova
Eikō nº 68, publicado em 6 de setembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Em primeiro lugar, a cultura moderna, comparada à era primitiva de milhares de anos atrás, alcançou e continua alcançando um progresso e um desenvolvimento surpreendentes — não é necessário repeti-lo agora. No entanto, o quanto a humanidade se esforçou e lutou para chegar a este ponto está bem narrado pela história: uma luta árdua e desoladora contra calamidades naturais, guerras, doenças e assim por diante.
Por trás desse objetivo de progresso e desenvolvimento estava, sem dúvida, a intenção de tornar este mundo um lugar de paz perpétua e de maior felicidade para todos. No entanto, para realizar esse ideal, acreditou-se que bastaria fazer a cultura material progredir e se desenvolver, tornando a ciência materialista a única via — e avançou-se sem olhar para os lados. Todos sabem que, a cada nova descoberta ou invenção, a humanidade a louvava e celebrava, acreditando estar promovendo seu bem-estar e imaginando aproximar-se passo a passo do ideal, na perseguição do sonho da felicidade.
No entanto, o progresso da ciência chegou, por fim, à descoberta da fissão do núcleo atômico. Essa grande descoberta, que na verdade deveria ser grandemente abençoada, foi, contra todas as expectativas, uma descoberta terrivelmente assustadora.
Os Dois Lados, Bom e Mau, da Bomba Atômica
O caminho que se acreditava ser o do Paraíso era, na verdade, o caminho do Inferno. Criou-se uma matéria capaz de tirar, num instante, a vida de centenas de milhares de pessoas.
Houve, provavelmente, na história, algum evento que tenha frustrado tanto as expectativas humanas? Não é uma ironia que, uma vez que a humanidade — em especial as nações culturalmente mais avançadas — provocou esse tremor, tenha surgido o grande problema de, de qualquer forma, precisar escapar dessa mesma ameaça? No entanto, recuando um pouco e pensando bem, essa matéria em si não é nada temível — é, pelo contrário, uma maravilhosa bênção, que deveria servir à felicidade. O medo surge porque ela é usada como ferramenta de guerra; se fosse usada para a paz, seria, como já disse, uma grande descoberta para a humanidade. E a raiz do seu uso para a guerra é o mal, assim como a raiz do seu uso para a paz é o bem.
Se assim for, dependendo de ser usada para o bem ou para o mal, ela pode tornar-se Buda ou demônio — bastaria, nesse sentido, que o ser humano que a manuseia fosse bom. Evidentemente, porém, não é tão simples assim. Portanto, do ponto de vista prático, transformar o mal em bem é, nem é preciso dizer, a nobre missão da religião.
O Fim do Mundo e o Paraíso
A religião, a moral, a educação, as leis e outras instituições que até hoje desempenharam esse papel obtiveram, sim, certo mérito; mas, contrariamente ao esperado, o bem continua sendo oprimido pela proliferação do mal — e a própria preocupação de que a matéria atômica seja usada para o mal, como mencionei, bem o demonstra.
Aqui é preciso pensar ainda mais a fundo, sob outro ângulo. Se o ato de destruição pela bomba atômica fosse permitido, o destino de extinção da humanidade certamente se cumpriria. Sendo assim, não seria possível que o Criador — que fez todas as coisas e conduziu a cultura até este ponto — o tolerasse em silêncio. Se argumentarmos dessa forma, o que mais seria o fim do mundo profetizado por Cristo, senão isso?
E, se fosse apenas essa a profecia, à humanidade restaria somente esperar pela extinção. Mas Cristo também disse: "O Reino dos Céus está próximo". É isso: essas duas grandes profecias, juntas, apontam para o futuro do mundo — o que significa que tanto o fim do mundo quanto o surgimento do Paraíso hão de ocorrer. Ele profetizou, ainda, a segunda vinda de Cristo e o surgimento do Messias. E há mais algo que não se pode deixar de considerar: para escapar de vez da destruição atômica, como já disse, é necessário transformar o mal em bem — e que outro poder seria esse, senão o poder do Messias?
No entanto, mesmo que ocorra essa grande transformação entre o bem e o mal, certamente haverá muitos malfeitores que não se tornarão bons; para essas pessoas sem perspectiva, não haverá outro caminho senão o acerto de contas. A isso Cristo chamou de Juízo Final. Vendo tudo isso, deve-se saber que a transformação do bem e do mal, a destruição e a construção, a transição entre a cultura antiga e a nova, estão prestes a chegar.
A Concepção da Nova Cultura
E a concepção da nova cultura já está suficientemente preparada. Isso não é obra da sabedoria ou do poder humano — é algo que Deus vem preparando há dezenas de milhares de anos. E não apenas no plano espiritual: também por meio de fenômenos materiais eu o vejo de forma concreta, e por isso garanto, sem hesitação, que não há erro algum nisso.
Vendo a Nitten
Eikō nº 236, publicado em 25 de novembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Fui observar a Nitten deste ano e, como de costume, escreverei um pouco sobre minhas impressões.
Ao entrar no primeiro salão e dar uma olhada, senti que algo estava diferente do habitual. Normalmente, este salão é de pinturas japonesas, mas este ano havia apenas pinturas ocidentais. Intrigado, perguntei a um acompanhante, que me disse: "Isto é tudo pintura japonesa". Fiquei surpreso e, esfregando os olhos, observei com mais atenção. De fato, eram todas pinturas ocidentais feitas com tintas japonesas, e fiquei duplamente espantado. Enquanto as observava em sequência, pensei que as pinturas japonesas das exposições já haviam desaparecido no ano passado. A nossa querida pintura japonesa, que se orgulhava de uma tradição milenar, ali encontrou seu fim. Ao pensar nisso, sinto que não posso deixar de derramar uma lágrima. Por isso, refleti profundamente: afinal, o que teria acontecido? É realmente estranho, e não sou o único a pensar que deve haver alguma razão para isso.
Naquele momento, o que me veio à mente foi o estado atual do mundo. Pode haver outras causas, mas, acima de tudo, deve-se à noção comum de adoração ao Ocidente entre os japoneses. Para citar um exemplo rápido, mesmo o jazz, que está na moda entre os jovens atualmente, ou a maquiagem, os penteados e as roupas das mulheres jovens, impressionam pela forte influência americana. Além disso, ao olhar os anúncios de jornal — sobretudo os de cosméticos e medicamentos —, sempre se destacam as palavras "América" e afins. A infiltração da cultura americana é avassaladora. Essa onda deve ter chegado também ao campo das belas-artes. É claro que, na pintura, a influência é francesa, mas a ideia de adoração ao Ocidente não muda. A esse respeito, revisitei a história da pintura no Oriente e no Ocidente, começando pela pintura japonesa inicial do período Higashiyama. Naquela época, as pinturas chinesas das dinastias Song e Yuan eram importadas ativamente, e a escola Kano nasceu a partir de sugestões delas.
Entre os pintores famosos da época estavam Sesshu, Shubun, Kei Shoki e Dasoku, estendendo-se a Soami, Geiami, Noami, Motonobu e Sesson. Já ao entrar no período Momoyama, surgiram mestres famosos como Yusho, Tohaku, Togan, Sanraku, Eitoku e Tanyu.
No entanto, há um fato que merece destaque especial. Foram Sotatsu e Koetsu que, rompendo brilhantemente com a pintura japonesa que até então não conseguia dar um passo além da tradição chinesa, criaram uma pintura revolucionária que expressava a sensibilidade única do Japão. Mais de cem anos depois, na era Genroku, surgiram os dois irmãos Korin e Kenzan, que, seguindo essa corrente, produziram uma arte ainda mais grandiosa e inovadora. Curiosamente, na Europa também ocorreu um evento que se encaixava perfeitamente com isso. Desde a Idade Média, a arte da pintura avançou cada vez mais, atingindo o auge do realismo, e o estilo renascentista acompanhou esse ritmo. No entanto, quando a pintura e o design chegaram a um beco sem saída e não havia mais o que fazer, surgiu subitamente o tal Korin. Suas pinturas eram completamente opostas às anteriores: ousadas e simples, omitindo tudo; sua técnica, que expressava a essência dos objetos sem deixar nada a desejar, não podia deixar de surpreender quem as via. Com isso, como se tivesse encontrado uma luz na escuridão, abriram-se os olhos e ocorreu uma reviravolta de cento e oitenta graus — nem é preciso dizer. A partir desse momento, um caminho promissor se abriu, e pode-se dizer que Korin, que salvou a cena artística europeia, é um grande orgulho para os japoneses.
Posteriormente, com o estímulo das gravuras ukiyo-e de Sharaku, Utamaro, Hokusai e Hiroshige, o mundo da pintura europeia, revivido por esses ventos orientais, começou a avançar vigorosamente, e o que nasceu disso foram o Impressionismo anterior e posterior. Foi também nessa época que gênios como Cézanne, Van Gogh, Gauguin e Renoir surgiram um após o outro, e a pintura moderna foi construída.
Ao considerar a história da pintura no Oriente e no Ocidente, pensei o seguinte: a atual tendência indesejável de imitar o Ocidente certamente chegará a um beco sem saída, e acredito que se pode esperar que, nesse momento, um gênio surpreendente apareça para romper essa casca. Se considerarmos, portanto, a atual febre de adoração à pintura ocidental como parte desse processo, não há necessidade de ser pessimista.
Em seguida, a escultura. Pode-se dizer que não foge à regra. Quanto às artes e ofícios, para ser franco, estão num nível que não se pode suportar ver. Afinal, não se contentam com as velhas tradições, mas, por outro lado, não conseguem imitar o Ocidente, devido às restrições dos costumes e hábitos japoneses e também às questões de materiais. Dito isso, reconhece-se uma vontade vigorosa de criar algo novo, mas os vestígios de ansiedade e sofrimento por isso transparecem, tornando a situação desinteressante. No entanto, como essas artes e ofícios, em sua essência, acompanham o progresso da pintura, por enquanto não há outro caminho senão seguir como estão. Escrevi o que me veio à mente.
Nossa Igreja e a Obra Social
Eikō nº 171, publicado em 27 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Frequentemente, há quem pergunte à nossa Igreja se a Igreja Messiânica é relativamente indiferente às obras de assistência social, e qual seria a razão para isso. Considero esta uma pergunta realmente estranha. Vou explicá-la em detalhes agora. Em sua essência, a religião e a assistência social são coisas que se assemelham, mas são diferentes. Isso porque a religião é uma salvação espiritual, enquanto a assistência social é uma salvação material. Dito isso, olhando para a realidade atual, quando uma religião se torna um pouco maior, quase todas elas administram obras de assistência social, a ponto de isso se tornar senso comum. Não é de se admirar que a nossa Igreja seja vista dessa forma. No entanto, pensando bem, por mais admirável que seja uma religião, se ela não tiver o poder essencial de salvação religiosa, não terá outro significado senão realizar a assistência social como um recurso de segunda linha. Em outras palavras, cobre-se a impotência religiosa através da assistência social. Mas, mesmo dizendo isso, se a sociedade atual produz uma abundância de pessoas infelizes que necessitam de socorro, é claro que, independentemente da lógica, é preciso salvá-las em grande quantidade e com urgência. Desse ponto de vista, como é mais eficaz ter a religião como pano de fundo, pode-se dizer que é bom. No entanto, a nossa Igreja é fundamentalmente diferente dessas religiões. Vou explicar esse ponto em detalhes. O que é isso?
A diretriz da nossa Igreja é deixar a salvação superficial, como a assistência social, a cargo de outras instituições, e a própria Igreja realizar a salvação que somente ela pode oferecer. Assim como, para o controle de criminosos, a polícia e as prisões são indispensáveis, a assistência social teria um significado semelhante. Ou seja, é uma medida que tem como alvo os resultados manifestados, não passando, por assim dizer, de um mero curativo. Portanto, a menos que se remonte à causa fundamental do crime e se elimine a raiz, não se chegará a uma verdadeira solução. No entanto, seja porque não se conhece essa origem, seja porque, mesmo conhecendo-a, o método é uma religião que se despreza, algo além do material, o que se faz é apenas repetir as mesmas medidas de sempre. E qual seria esse método? Não é necessário dizer: é a troca da alma humana. É transformar o elemento maligno em elemento benigno. Recentemente, mesmo na medicina, costuma-se dizer que, depois que a doença se manifesta, já é tarde; o ideal é tomar medidas antes do aparecimento da doença, ou seja, a medicina preventiva. No entanto, a nossa Igreja pode livremente realizar a troca da alma, isto é, tornar a alma boa. Esse é o método do Johrei da nossa Igreja. Acima de tudo, se alguém ler os relatos de gratidão no jornal Eikō Shimbun, uma publicação exclusiva da nossa Igreja, compreenderá mais da metade. Cada edição está repleta de inúmeros milagres de pessoas salvas de doenças, desastres e pobreza, e tudo o que se lê é de causar admiração. Além disso, como esses relatos aumentam gradualmente a cada dia e a cada mês, recentemente estamos enfrentando dificuldades com a falta de espaço no jornal. É claro que todos esses relatos são registros dos membros da nossa Igreja, e seus sentimentos de gratidão e comoção são tão intensos que não podem ser lidos sem lágrimas. Entre eles, não são poucos os que refletem, dizendo que, se não tivessem conhecido a nossa Igreja, com certeza estariam agora sob os cuidados da assistência social. Isso não é medicina preventiva, é religião preventiva. E o nosso ideal é criar uma sociedade onde não haja necessidade de assistência social. Acredito que somente quando isso for realizado é que teremos um verdadeiro mundo civilizado. E, de acordo com os escritos de Meishu-Sama, isso certamente se realizará, portanto, pode-se perceber quão grandioso isso é.
Como exposto acima, se a sociedade é tão infeliz a ponto de necessitar enormemente de assistência social, é porque deve haver uma grande falha em algum lugar da cultura moderna. E qual seria essa falha? Pode haver várias, mas, acima de tudo, o governo e os intelectuais fazem ouvidos moucos à salvação que contribui de forma surpreendente para o bem-estar social, como faz a nossa Igreja.
É claro que eles devem estar cientes disso, mas suponho que seja por uma razão insignificante: o fato de se tratar de uma religião. Esse é o ponto cego fundamental. Só pelo fato de pacientes abandonados pelos médicos estarem se curando um após o outro, qualquer pessoa de consciência não deveria ficar parada.
No entanto, eles descartam isso como sendo apenas um efeito psicológico e nem sequer se dispõem a estudar o assunto. Não há palavras para expressar o que dizer. Aproveitando a oportunidade, gostaria também de dizer uma palavra sobre o museu que a nossa Igreja construiu recentemente.
O museu é, sem dúvida, uma magnífica obra de assistência social. Até hoje, as magníficas obras de arte, que poderiam ser chamadas de orgulho do Japão, criadas com esforço por artistas famosos e mestres do passado, não podiam ser vistas pelo público em geral. Apenas as obras relacionadas ao budismo podiam ser apreciadas indo a museus ou templos em Quioto, Nara, etc. Fora isso, obras de arte valiosas de nível de tesouro nacional eram mantidas em segredo, no recesso dos lares de nobres e ricos, e mostradas apenas a pessoas muito próximas. Em outras palavras, era um monopólio da arte. No entanto, na era atual do Japão democrático, isso não deveria mais ser permitido. Nesse sentido, pensei que era necessário um museu onde qualquer pessoa pudesse ver e apreciar livremente as obras, quebrando esse mau hábito. Era um desejo de longos anos, mas, como exigia custos imensos e muitas condições difíceis, não era uma tarefa fácil. Isso fica claro pelo fato de que, mesmo o governo, que parecia ter planos semelhantes desde antes, ainda não colocou a mão na massa. E, para indivíduos ou grupos, seria ainda mais difícil. Por outro lado, não seria viável como empreendimento comercial, então também não haveria perspectiva. No entanto, felizmente, por eu ser religioso, pude contar com a grande ajuda voluntária de muitos seguidores e, de alguma forma, consegui realizar o projeto, e não consigo conter minha alegria. É claro que isso pode suprir, ainda que em parte, as deficiências do país. Ao mesmo tempo, por ser uma das obras de assistência social mais necessárias atualmente, a sociedade não terá escolha a não ser reconhecê-lo. E outro ponto importante é que, tanto pela localização quanto pelo ambiente, o Museu de Arte da nossa Igreja é ideal. Acredito que poderá contribuir consideravelmente para apresentar a excelência da cultura japonesa também aos turistas estrangeiros, que deverão aumentar daqui em diante.
Aviso aos profissionais da medicina
Eikō nº 115, publicado em 1º de agosto do ano 26 da Era Showa (1951)
Considerai este fato. No dia oito de julho passado, na edição vespertina do jornal Yomiuri, sob o título "A Mania das Injeções", foi publicado um artigo do Sr. Masamune Hakuchō, que dizia o seguinte: "O tratamento por injeção parece estar cada vez mais na moda.
Eu nunca tomei injeções nem para a saúde nem para tratar doenças. Outro dia, como seria aplicada a vacina preventiva contra a febre tifoide, a prefeitura distribuiu avisos. Neles, havia uma restrição: apenas pessoas nascidas entre tais e tais anos, sendo excluídos os maiores de sessenta anos. Não entendi a razão: seria porque os idosos não correm risco de contrair a doença? Ou porque a injeção não teria efeito neles? Ou ainda, seria porque os idosos, como não têm valor, são simplesmente ignorados?
O aviso também dizia que os que não tomassem a injeção seriam multados em três mil ienes. A negligência com os idosos não me incomodou, mas a questão da multa não me saía da cabeça. Considera-se que a vacina preventiva contra o tifo tem eficácia comprovada e que é natural prevenir a doença não apenas em benefício próprio, mas também pelo bem público. Quem, por falta de consciência, negligencia essa medida deve ser punido. Ainda assim, essa atitude coercitiva causa desconforto nas pessoas. Tenho um senso de moral pública tão forte que considero natural proibir fumar no trem ou urinar na rua, e punir quem o faz. Por que, então, senti que era estranho forçar a vacina contra o tifo, ameaçando até com multa? Não seria porque, no fundo, penso secretamente que não se sabe ao certo se uma injeção preventiva como essa realmente funciona?
Não seria porque duvido, secretamente, que seja correto forçar algo de eficácia incerta? Será que isso se deve à minha ignorância? Mas, mesmo que seja por ignorância, neste mundo é extremamente comum que pessoas imponham aos outros, sem entender algo, aquilo que estes não desejam fazer. Assim tem sido em todos os tempos, no Oriente e no Ocidente; assim a vida humana tem sido administrada. Se não fosse assim, a ordem social não poderia ser mantida. Se não surgisse um poderoso que unificasse coercitivamente as ações e o pensamento dos homens, o mundo humano não se sustentaria. Os poderosos feudais, os poderosos populares e até as massas populares oprimindo os outros: tudo isso é extremamente comum. Dizem que, com o desenvolvimento de novos métodos de tratamento por injeção, várias doenças foram contidas e a taxa de mortalidade diminuiu notavelmente.
"No entanto, o que antes era considerado doença incurável não se recupera completamente; as pessoas ficam num estado de nem viver nem morrer, e o aumento daquelas cuja vida é prolongada dessa forma parece ser a realidade atual do Japão. Por mais que a terapia avance, não creio que surja o elixir da imortalidade que o Primeiro Imperador da China, Qin Shihuang, buscava. Se uma tal 'Injeção da Imortalidade' fosse criada e o mundo se enchesse de velhos decrépitos incapazes de trabalhar, a vida da humanidade não se sustentaria. No entanto, se, com as injeções de novos medicamentos, o número de pessoas que nem morrem nem vivem se tornar excessivo, a vida da humanidade também se tornará insustentável, assemelhando-se ao resultado da invenção do elixir da imortalidade." (Membro da Academia de Artes)
Ao ler o texto acima, fiquei verdadeiramente surpreso: ele parece corroborar a teoria que defendo.
Escreverei um pouco a respeito. Como os seguidores bem sabem, a doença é um processo de purificação para eliminar as toxinas acumuladas no corpo. Essa ação purificadora é tanto mais intensa quanto mais vigorosa for a força física da pessoa. Por isso, se o objetivo fosse meramente evitar o surgimento de doenças, bastaria enfraquecer essa força física. O método para tanto é introduzir medicamentos no corpo. Como sempre digo, os medicamentos são, na verdade, venenos. Logo, é natural que, quanto mais se introduz no corpo, mais ele se enfraqueça. A injeção da medicina moderna é uma aplicação desse princípio. Assim como diz o Sr. Masamune, é fato que, ultimamente, as pessoas não adoecem, mas também não morrem; e o número das que perdem vitalidade e vigor aumenta gradualmente. Notícias recentes dão conta de que a expectativa de vida dos japoneses aumentou, o que deve ocorrer exatamente por essa razão. No entanto, isso não acontece apenas com os japoneses. Os ingleses e os franceses também apresentam essa tendência. O resultado desse ódio à guerra e dessa preferência pela conciliação e pela facilidade em tudo pode ser visto na atitude de ambos os povos em relação à China, e também no caso do Irã.
É verdade que a diminuição da taxa de crescimento populacional é um dos fatores; de qualquer forma, a falta de vigor de ambos os povos parece indicar um destino de declínio, como se já tivessem passado do auge.
A essas pessoas de corpo debilitado que não adoecem, chamo de “saúde aparente”. Se os japoneses não despertarem agora, seu futuro é preocupante. Em contraste, em nosso caminho não introduzimos toxinas medicamentosas e criamos pessoas livres de doenças. Compreendereis, portanto, que este é o verdadeiro método de saúde.
Religião e Obstáculos
Eikō nº 172, publicado em 3 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde os tempos antigos, a perseguição é considerada inerente à religião; a maior de todas foi, sem dúvida, o martírio de Cristo. Além desse, são famosos os casos de Devadatta, que perseguiu Shakyamuni; no Japão, as perseguições sofridas por Honen, Shinran e Nichiren são de conhecimento geral. Em tempos mais próximos, a Igreja Tenrikyo, a religião Oomoto e a religião Hitonomichi também passaram por isso. Nossa Igreja, não sendo exceção, já foi alvo de repressão inúmeras vezes, ocupando as manchetes dos jornais, o que lhe conferia o nada honroso trono de religião nova mais perseguida. O interessante é que, quanto maior o potencial futuro e o valor de uma religião, mais forte é a perseguição — numa relação diretamente proporcional. Vou escrever sobre a razão disso. Nem é preciso dizer que a religião segue as ordens das divindades corretas no mundo espiritual. Segundo a lei pela qual o espiritual é o senhor e o material, o servo, elas realizam, de acordo com a vontade do Deus Supremo, a salvação adequada ao tempo, ao lugar e ao povo.
O Cristianismo, o Budismo e o Islamismo são os maiores exemplos disso. Naturalmente, o propósito fundamental da religião é ensinar o bem e transformar a sociedade humana num Paraíso, o que parece excelente do ponto de vista humano. Para as Divindades malignas, porém, isso é exatamente o oposto, pois seu objetivo é criar seres humanos maus e construir uma sociedade infernal repleta de sofrimento, em constante luta contra as divindades corretas.
Essa é a verdadeira realidade do mundo espiritual, refletida diretamente no mundo material e resultando no Inferno que vemos. É claro que, contra um bem pequeno, interfere uma Divindade maligna menor; contra um bem grande, uma Divindade maligna maior.
Por essa razão, mesmo a nossa Igreja Messiânica é constantemente perseguida pelos líderes do mundo das Divindades malignas. Afinal, trata-se de uma religião tão grandiosa como não se viu desde o início da história, o que causa grande pânico no mundo das Divindades malignas. Compreendo isso em todos os detalhes, e os fiéis também devem estar percebendo indícios disso, por meio de possessões por divindades em várias regiões. Os mais ativos atualmente são os líderes do Dragão Vermelho e do Dragão Negro, que, utilizando seus numerosos seguidores, perseguem de forma concertada — algo insuportável. Há nessa luta algo de sangrento e emocionante. Gostaria de escrever sobre ela de forma nua e crua, mas, por enquanto, Deus me proibiu, infelizmente. Pretendo revelar tudo quando chegar a hora. No entanto, por mais que os líderes das Divindades malignas tentem interferir em grande escala, do nosso lado está o Deus Supremo, que exerce o Poder Adamantino. Portanto, ainda que possamos ser derrotados temporariamente, venceremos no fim; não há motivo para preocupação. Mas o sofrimento até a vitória é considerável. Contudo, como se vê, apesar de toda a perseguição, desenvolvemo-nos de forma constante. O que se deve saber aqui é a característica das Divindades malignas: a persistência surpreendente. Não importa quantas vezes falhem; nunca se cansam nem desistem. Vêm sempre com uma artimanha nova, recorrendo a toda sorte de estratagemas. Nesse ponto, a imaginação humana é insuficiente para compreendê-las. Além disso, sua psicologia maligna, impiedosa e cruel, é indescritível. Essa é a natureza essencial das Divindades malignas, e não há o que fazer. E, como as mais poderosas dessas entidades malignas escolhem possuir pessoas de posição social elevada, intelectuais e jornalistas, se compreenderem essa verdade, ficarão estupefatos.
Embora uma luta tão intensa entre essas terríveis entidades malignas e o Deus que as supera esteja sempre em curso, como pertence ao invisível mundo espiritual, ninguém pode sabê-la. Assim, a humanidade, que se considera a mais elevada das criaturas, é manipulada como fantoches. Naturalmente, eu, que estou diretamente envolvido, compreendo bem isso. Por isso, há coisas assustadoras, interessantes e também divertidas. Ninguém além de mim pode compreender esse estado de espírito. A batalha entre o bem e o mal na atual Obra Divina é uma grande peça de teatro, com infinitas mudanças e ilusões, como nunca houve desde os tempos antigos. Só podemos chamá-la de mistério. E a grande questão ligada a isso é a grande transformação da Terra. Isso porque, dos tempos antigos até hoje, a luta entre Deus e as entidades malignas pertencia ao Mundo da Noite. Quando Deus era derrotado, levava um tempo considerável para se recuperar. No entanto, como os fiéis sabem, esse tempo encurtou drasticamente recentemente. E agora, na transição para o Mundo do Dia, o poder das Divindades malignas enfraquece gradualmente. Por isso, a recuperação é tão rápida que, em alguns casos, chega a ser um fator positivo, como demonstram os fatos. O incidente de maio do ano retrasado foi um golpe que, a princípio, julguei fatal. O mundo achou que não nos reergueríamos. No entanto, passados apenas dois anos, o progresso do Paraíso Terrestre em Hakone e Atami e a expansão da força da Igreja são um desenvolvimento que ninguém poderia prever. Portanto, se aquele incidente não tivesse ocorrido, o desenvolvimento seria várias vezes maior. Isso prova que o poder de Deus se tornou extremamente forte. De qualquer forma, estamos chegando ao ponto culminante. Certamente chegará o momento em que seremos solicitados pelo mundo inteiro. Afinal, trata-se de uma façanha sem precedentes: salvar toda a humanidade. Penso que talvez essa perseguição seja algo natural.
O Pecado da Boa Intenção
Eikō nº 187, publicado em 17 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Ao ver este título, talvez se pense que se trata de uma ironia; mas, como não havia título adequado, coloquei-o desta forma.
Então, qual é o seu significado? Refere-se aos médicos de hoje. Pensando bem, percebe-se que é uma profissão que realmente não compensa. De fato, os próprios médicos acreditam que a medicina fez um progresso maravilhoso; mas, na realidade, a causa das doenças não é absolutamente compreendida. Quando um paciente pergunta sobre a causa ou o prognóstico, o médico não consegue dar uma resposta que o satisfaça; e compreendo bem que vivem sempre em apuros. Isso fica evidente, sobretudo, nas perguntas e respostas sobre doenças que aparecem no rádio e nos jornais. Os próprios médicos devem saber que a maioria delas não passa de respostas extremamente vagas e evasivas. Além disso, quanto ao tratamento, raramente as coisas evoluem como o médico diz. Na maioria dos casos, o prognóstico se revela errado, a doença piora, surgem complicações e, não raro, o paciente de quem o médico se encarregou acaba perdendo a vida. A angústia de ter de inventar desculpas a cada vez é algo que se pode imaginar perfeitamente.
Há ainda casos em que erros em cirurgias ou injeções produzem resultados infelizes e inimagináveis, levando-o a ser odiado ou a quase responder a processos judiciais. Esses também devem ser sofrimentos imensos. E mais: mesmo no meio da noite, se for chamado, não pode deixar de ir. Dependendo da doença, a dor não cessa facilmente, e parece haver situações de grande dificuldade. De qualquer modo, como o tratamento médico é uma contenção temporária, quando essa contenção falha, conforme a doença, veem-se frequentemente em apuros. Ouve-se dizer ainda que, ultimamente, com a ofensiva dos impostos, a situação financeira também tem sido bastante difícil.
Escrevi tudo isso de forma resumida. Em suma, embora ainda extremamente imatura, a medicina é superestimada além de seu valor real, e é isso que gera vários tipos de tragicomédias. O que é cômico é que, embora os jornais e o rádio vivam publicando perguntas e respostas sobre doenças, diante de questões um pouco mais complicadas a resposta é: "Consulte um especialista para a sua doença".
Não há nada mais absurdo. Quem pergunta já consultou vários especialistas, não se curou e, por isso, vê-se obrigado a perguntar. Como isso é evidente, creio que o respondente não possa deixar de perceber; no entanto, dar uma resposta séria a tal pergunta parece zombaria, e se o questionador se satisfaz com ela, mostra o quanto está preso à superstição médica.
Ouve-se também com frequência o conselho de "consultar um médico correto" ou "receber um tratamento correto". Se tais palavras forem tomadas como verdade, então existem médicos incorretos e tratamentos incorretos. Nesse caso, como distinguir o certo do errado em ambos? Chego a desejar que me ensinem o método dessa distinção. Por exemplo, o que é um médico correto? São as credenciais acadêmicas, a experiência, o título ou a consciência? Provavelmente é impossível distingui-lo. Quanto ao tratamento, é igualmente impossível que um paciente leigo saiba discernir o certo do errado. Sendo assim, essa resposta não passa de uma espécie de evasiva. Não pretendo, contudo, censurá-la; antes, sinto pena. Pois, como sempre digo, a medicina moderna é incapaz de curar as doenças e também de compreender a patologia. Apesar de não entender absolutamente nada, julgar que progrediu é pura ilusão. Se alguém ler este texto com a mente vazia, creio que não deixará de percebê-lo. Pelo exposto, a medicina moderna é um enigma surpreendente do século e, para falar sem reservas, não se pode negar que seja um pecado da boa intenção.
Portanto, os senhores médicos de hoje, ao praticarem o que julgam ser uma arte benevolente, na verdade fazem o oposto. Por isso nós, que lutamos dia e noite para que despertem para isso o quanto antes e para expulsar as doenças do mundo, aqui estamos.
A Cultura do ☉
Eikō nº 173, publicado em 10 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Para explicar este título, escreverei primeiro sobre o significado do símbolo ☉. Como se vê, ☉ é um círculo com um ponto (‧) no centro.
Isso, por si só, não teria grande significado; no entanto, não há forma mais misteriosa e grandiosa do que essa figura ☉. O que ela significa? Este círculo encerra o seguinte sentido.
Em suma, todas as formas de todos os fenômenos do universo são circulares. Em primeiro lugar, a Terra, o Sol e a Lua assim são; quanto ao espírito humano, ao se deslocar para outro lugar, assume a forma de círculo. A "alma ígnea" (hitodama) o exemplifica bem, e mesmo Deus, quando se move, torna-se um círculo. No caso de Deus, porém, Ele se torna uma esfera de luz; no dos humanos, não há luz, apenas uma massa nebulosa branca ou amarela — o amarelo é masculino, o branco, feminino. Isso corresponde, respectivamente, ao Sol e à Lua.
Deixemos de lado, por ora, essas explicações e escrevamos sobre o essencial. Naturalmente, este mundo também é um círculo, mas, sendo apenas um círculo, seu interior é vazio. Em termos humanos, equivaleria a não ter alma. Por isso, se colocarmos nesse centro um ponto (‧), isto é, a alma, ele se torna um ser humano vivo, capaz de agir. Assim, ☉ é a forma de um recipiente vazio que recebeu uma alma. É a isso que se refere a palavra "nyūkon" (insuflar a alma), frequentemente usada pelos artistas desde a antiguidade. Segundo esse princípio, o mundo, até agora, não possuía o ponto (‧), ou seja, a alma — e foi por isso que escrevi anteriormente "cultura exterior". Esse princípio se manifesta, sobretudo, em todos os aspectos da cultura. Como sempre digo, a terapia sintomática das doenças é um exemplo: aliviar dores e coceiras paralisando-as com injeções externas, aplicar pomadas, resfriar a febre com gelo ou interromper a purificação com medicamentos, evitando assim o sofrimento temporário.
Como não se toca no centro, a cura é naturalmente impossível e a doença certamente reaparecerá com o tempo. Ou seja, não passa de um adiamento da doença. A causa da doença também está no ponto (‧), mas isso não se compreendia até agora. O mesmo vale para os crimes.
Atualmente, não há outro meio para corrigir e prevenir senão punir com o sofrimento das penas. Sendo isso, de forma idêntica à medicina, uma terapia sintomática, geralmente quem comete um crime tende a cometê-lo duas, três vezes, e há até os que o cometem dezenas de vezes. Nos casos mais graves, há pessoas que passam, durante toda a vida, mais tempo na prisão do que em liberdade. A causa disso também é a ausência do ponto (‧), ou seja, da alma. O mesmo se dá com as guerras: se um lado fortalece o armamento, o outro, vendo que não há chance de vitória, cessa temporariamente o conflito. Isso não passa de uma medida de adiamento, e o fato de que, mais cedo ou mais tarde, a guerra recomeçará é uma verdade clara na história. Sob esse ângulo, compreende-se bem que a cultura, até agora, era apenas um círculo sem o ponto (‧).
Assim, costumo falar sempre dos "noventa e nove por cento" e do "um por cento". Quando o ponto (‧) entra no círculo, esse um por cento transforma os noventa e nove por cento. Em outras palavras, o poder do um por cento do bem faz sucumbir os noventa e nove por cento do mal. É exatamente como quando todo o círculo está prestes a ser pintado de preto: a força de um único ponto (‧) apaga o preto e torna tudo branco. Em termos mundiais, isso significa colocar o conteúdo real em uma civilização vazia, ou seja, inserir a alma. Com isso, a civilização que, até então, era apenas forma e, como um cadáver, estava morta, é vivificada. Isto é o nascimento de um Novo Mundo.
Fragmentos Médicos (32) – Em montes de lixo, nascem vermes
Eikō nº 173, publicado em 10 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
De vez em quando perguntam-me por que surgem parasitas no ventre humano. Existem vários tipos, como lombrigas, ancilóstomos e oxiúros, e a isso respondo: "Em suma, os vermes surgem no ventre humano porque o interior do abdômen se torna semelhante a um depósito de lixo." Ao ouvir isso, todos coçam a cabeça e esboçam um sorriso amarelo, o que é bastante curioso. Mas é a verdade, e não há o que fazer. E o que é, afinal, esse lixo? Justamente o antigo acúmulo de toxinas medicamentosas. Quando se aplica Johrei sobre ele, os vermes enfraquecem e saem, e a pessoa se cura, pois desaparece o material que os faz surgir.
A Matriz da Corrupção
Eikō nº 250, publicado em 3 de março do ano 29 da Era Showa (1954)
Como é de conhecimento geral, a interminável sucessão de casos de corrupção, que surgem um após o outro como se puxasse um fio de batata-doce, tem deixado a todos profundamente desgostosos.
Acredito que jamais houve exemplo anterior de tantos escândalos de corrupção se sobrepondo ao mesmo tempo. Naturalmente, a justiça, com seu julgamento rigoroso, acabará por esclarecer o certo e o errado, mas a importância deste problema está em que não se pode resolvê-lo apenas com isso. Deixando de lado os casos atuais, esses escândalos, que desde tempos antigos se tornaram quase um evento anual, não podem ser resolvidos de forma fundamental apenas com o julgamento do que vem à tona. Portanto, é imperativo erradicá-los completa e radicalmente. É exatamente como as larvas que nascem num depósito de lixo: a solução fundamental é limpar o depósito, e não há outra. Certamente a população também anseia por isso. O problema é que não se conhece o ponto vital, que é a causa disso.
Então, qual seria esse ponto vital? Trata-se justamente da crença em Deus, que os intelectuais mais detestam. Na verdade, o problema da corrupção tem sua matriz geradora no ateísmo — o oposto da crença em Deus —, e é por isso que é um problema tão difícil de lidar. Desnecessário dizer que o ateísmo é uma forma de pensar reprovável, segundo a qual, mesmo que se cometa um ato desonesto, está tudo bem desde que não seja descoberto pelos olhos das pessoas. Hoje, à medida que a inteligência humana avança, isso se torna cada vez mais sofisticado, chegando a ser considerado a primeira condição para o sucesso na vida. É estranho que, ao aplicar isso na prática, as coisas não funcionem assim. Por quê? Porque, embora possa parecer que funciona por um tempo, mais cedo ou mais tarde a máscara cai, como vemos claramente pelos acontecimentos atuais.
No entanto, essas pessoas provavelmente entendem isso até certo ponto, mas, estando firmemente convencidas, no íntimo, de que não há Deus neste mundo, não o compreendem do fundo do coração. Por isso, mesmo diante de resultados como os de agora, quantas pessoas seriam capazes de se arrepender sinceramente? É duvidoso. A maioria provavelmente pensará que o erro esteve na maneira de agir, que faltou inteligência, e que na próxima oportunidade agirá com ainda mais habilidade para não ser pega de jeito nenhum. Essa é, provavelmente, a forma natural de pensar de um ateu. Portanto, para reformar completamente essa índole enraizada, é imprescindível cultivar a crença em Deus por meio da religião. Não há outro método eficaz além desse.
Além disso, enquanto ateus como os descritos acima estiverem no comando, tanto no mundo oficial quanto no empresarial, a situação é como um lago antigo e imundo, onde detritos e sujeira se acumulam em águas podres. Por mais que se remexa, não importa onde, borbulha um gás metano insuportável — e é o que se vê no desenrolar dos casos atuais. Portanto, o que se descobriu até agora pode ser apenas a ponta do iceberg, mas o prejuízo causado à nação e o transtorno para o povo não devem ser pequenos. Menos ainda se pode subestimar o impacto sobre o pensamento do povo. Nem é preciso dizer que as pessoas das classes superiores cometem, em segredo, atos tão perversos e se entregam ao luxo, e que o dinheiro que os partidos e os políticos espalham como água vem todo dos impostos gerados pelo sangue e suor do povo — se assim for, as pessoas de bem acabarão odiando trabalhar honestamente. Por isso, por mais que as autoridades digam coisas bonitas, o povo pensará: "Não serei mais enganado!", transformando o respeito anterior em desprezo, enfraquecendo o senso de nação e afrouxando a estrutura social. Creio que o impacto negativo disso sobre o destino do país seja incalculável.
Diante do exposto, a raiz deste problema, como escrevi no início, é o ateísmo. A chave para a solução está, portanto, acima de tudo, na erradicação desse pensamento. Para isso, é necessário, antes de mais nada, que a atividade dos religiosos leve as pessoas a reconhecer a existência de Deus, incutindo-lhes a firme convicção de que, ainda que se possam enganar os olhos dos homens, não se podem enganar os olhos de Deus.
Se assim for, ainda que se quisesse, não haveria como ocorrerem casos de corrupção. Os protagonistas dos casos atuais são todos pessoas ilustres, de educação superior, com posição, prestígio e inteligência inquestionáveis. A questão é: por que fizeram algo assim? Se isso se deve ao ateísmo, fica claro que educação, conhecimento e senso moral são coisas distintas. E, como foram pessoas tão notáveis que planejaram tudo com o máximo de astúcia, parecia impossível que fossem descobertos. No entanto, uma pequena brecha, uma fresta, foi se alastrando e se transformou num grande problema. Não importa como se veja, só pode ser considerado um julgamento de Deus. Aqui, outro ponto importante: o Japão se orgulha de ser um Estado de Direito, mas, pensando bem, isso é um erro tremendo.
Por quê? Porque, se o controle for feito apenas pela lei, quem conseguir burlá-la habilmente escapa da punição, e quanto mais malvado, mais vantagem leva. Dessa forma, ao se reprimir com uma jaula chamada lei, os seres humanos são tratados como animais, e a situação do “senhor de todos os seres”, o ápice da criação, é lamentável ao extremo. Se isso fosse uma nação civilizada, a cultura choraria. Costumo dizer que a era atual é uma era de semicivilização e semibarbárie, e duvido que haja alguém que possa negar isso. Um exemplo: suponhamos que uma nota de dinheiro caia diante de seus olhos. Se ninguém estiver olhando, uma pessoa comum a colocaria no bolso. Mas quem jamais a colocaria é justamente quem acredita na existência de Deus. Ora, o papel de criar tais pessoas é da religião. No entanto, as autoridades e os jornalistas são extremamente frios em relação a isso, tratando a religião como objeto inútil e inconveniente, ou até mesmo como superstição charlatã, afastando o povo dela. Essa atitude é realmente incompreensível. Ela acaba sendo uma aliada do ateísmo e uma causa poderosa para o surgimento de casos de corrupção. No sentido exposto acima, espera-se que os governantes, neste momento, abram os olhos do coração, iluminem-se e ajam com sabedoria.
Caso contrário, este problema odioso jamais será erradicado, por mais que o tempo passe, e nem é preciso dizer o quanto isso prejudicará o progresso da nação. E, se aqueles que lerem isto o ignorarem, como de costume, fazendo ouvidos de mercador, quem poderá dizer que não chegará o dia em que se arrependerão amargamente? Embora o Estado hoje se esforce para desenvolver a inteligência e melhorar o coração das pessoas, promovendo a educação e outras instituições, enquanto o ateísmo — que é o ponto vital — não for erradicado, será como tentar encher uma cesta de bambu com água. É natural que o conhecimento adquirido com tanto esforço seja usado mais para o mal do que para o bem, e as consequências disso são incalculáveis. A tendência de que, com o avanço da cultura, aumentem os criminosos de colarinho branco é a prova disso. É por isso que ouso alertar os sábios do mundo.
Um Bom Exemplo de Dieta Vegetariana
Eikō nº 174, publicado em 17 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Há pouco tempo, o venerável Gyōin Hashimoto — abade do templo Yakushi-ji, em Nara, e superior geral da seita Hossō — veio nos visitar, guiado pelo mestre Kankyūan, chefe da escola Mushanokōji da cerimônia do chá. Conversamos por várias horas, e a conversa fluiu tão bem que parecíamos amigos de longa data havia dez anos; ao anoitecer, acabamos jantando juntos. Para minha surpresa, ele segue uma dieta estritamente vegetariana, a tal ponto que foi preciso preparar-lhe um prato à parte, sem sequer usar flocos de bonito seco (katsuobushi) — o que mostra o quão rigoroso é o seu vegetarianismo. Do ponto de vista de um nutricionista, sem dúvida, isso seria considerado uma dieta gravemente deficiente em nutrientes.
No entanto, a realidade é exatamente o oposto: apesar de ter mais de sessenta anos, o venerável exibia uma pele viçosa e saudável, um corpo bem constituído, uma compleição notavelmente sadia, e transmitia uma impressão agradabilíssima, como nunca tinha visto em ninguém. Além disso, sua mente era extremamente lúcida e sua memória excelente — fiz-lhe diversas perguntas sobre arte budista, e suas respostas precisas me deixaram verdadeiramente impressionado. Diante disso, pude constatar profundamente o quanto uma dieta vegetariana é boa para a saúde. E, é claro, ele nunca havia adoecido desde que nasceu e nem sequer conhecia o sabor de remédios, o que confirma plenamente a minha tese. Em contrapartida, as pessoas modernas, mesmo se alimentando fartamente de coisas nutritivas, têm má cor de pele e uma lentidão mental indescritível — não há palavras para essa ignorância.
Fragmentos Médicos (33) – Tudo que tem nome de remédio é entorpecente
Eikō nº 174, publicado em 17 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Atualmente, as pessoas em geral pensam que os entorpecentes são algo extremamente temível, mas, na verdade, vou escrever sobre o sentido em que todas as substâncias com nome de remédio são entorpecentes. Como todos sabem, quando se usa um entorpecente pela primeira vez, o cérebro se torna lúcido e surge uma sensação de prazer; gradualmente, adquire-se o vício — isso é a intoxicação. Na realidade, porém, todos os remédios são da mesma natureza; a única diferença em relação aos entorpecentes é que estes fazem efeito imediatamente, enquanto os outros remédios não agem assim, mas, por assim dizer, apenas têm duração mais prolongada — é só essa a diferença. Seja no resfriado, seja na tuberculose, na doença do estômago, na doença do coração, em qualquer coisa, a lógica é uma só. Portanto, pode-se dizer que a maioria das pessoas modernas sofre de uma intoxicação leve por entorpecentes e, por isso, adoece com facilidade.
Algo interessante é que, ultimamente, ouve-se com frequência a seguinte história: “Aquele remédio antes fazia muito efeito, mas ultimamente não faz mais efeito, e estou preocupado.” Isso se deve inteiramente ao aumento de pacientes intoxicados por remédios, só que eles não percebem. Se não fosse assim, não é possível que o corpo das pessoas tenha se tornado diferente do que era antes; portanto, pode-se dizer que isso revela completamente um ponto cego da medicina.
5. A Situação Mundial
Reflexão sobre o pacifismo
Eikō nº 184, publicado em 26 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Recentemente, duas conferências de paz promovidas por organizações civis foram realizadas, tendo como centro o Japão.
É um fato que merece destaque.
Uma delas foi uma reunião de influentes líderes budistas da Ásia, realizada em Tóquio; a outra foi a Conferência Mundial pela Paz Federal, realizada em Hiroshima, uma reunião de importantes figuras do cristianismo.
Desnecessário dizer que ambas foram reuniões de pessoas que almejam a paz, e parece que discursos e métodos de ação também estiveram na pauta. São, sem dúvida, empreendimentos significativos, e não nos furtamos a manifestar nossa concordância. No entanto, há algo que gostaria de escrever a respeito.
Refiro-me não apenas às conferências mencionadas, mas também à UNESCO, organização influente no movimento pela paz. Diferentemente das primeiras, de cunho religioso, a UNESCO é um movimento prático pela paz mundial baseado na ciência e na moral. Isso é, por si só, muito louvável. Contudo, o que devemos considerar profundamente é que esse movimento não tem absolutamente nenhuma relação com os países situados atrás da Cortina de Ferro. É claro que, sendo isso impossível, não há o que fazer. No entanto, como atualmente o movimento pela paz se restringe apenas aos países fora da Cortina de Ferro, mesmo que obtenha sucesso como desejado, sabemos que o objetivo almejado não poderá ser alcançado. Por quê? Porque o resultado seria o oposto, levando a uma situação terrível. Para isso, observemos primeiro a situação mundial atual. Acima de tudo, a raiz do problema é o conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética. Além disso, ambos os países estão se dedicando ao máximo para fortalecer seus preparativos bélicos. Se isso continuar, não há dúvida de que, no final, chegaremos à pior das situações. Se assim for, é desnecessário dizer que a fusão dessas duas grandes forças é o caminho para a paz duradoura, e que não há absolutamente nenhuma outra alternativa.
E, se, infelizmente, uma terceira guerra mundial tivesse início, como todas as nações do mundo pertenceriam a um dos dois lados, seriam inevitavelmente arrastadas para o conflito. Não importa quão pequeno seja o país, a neutralidade seria impossível. Apenas imaginar isso já nos faz arrepiar a pele. É exatamente por isso que existe a necessidade de movimentos pela paz. No entanto, há um ponto grave que não podemos deixar de notar aqui. Qual seria? É que, à medida que a atmosfera de paz se torna mais densa em todos os países fora da Cortina de Ferro, devido a esses movimentos, naturalmente o aspecto dos preparativos bélicos se tornará negligenciado. Por outro lado, como os países dentro da Cortina de Ferro, que são os oponentes, poderão fortalecer seus armamentos à vontade, no momento crucial, os países fora da Cortina de Ferro certamente serão pisoteados, sem chance alguma de resistência. Se assim for, peço que considerem o que aconteceria então. Provavelmente, os ideais dos defensores da paz se desvaneceriam num instante, e não se sabe que tragédia poderia surgir. A respeito disso, de acordo com notícias recentes do exterior, parece que uma certa seita dentro do cristianismo não leva em consideração a vitória ou a derrota, afirma ser absolutamente contra os preparativos bélicos e, por ser intransigente, não se consegue chegar a um acordo. De fato, isso também não está errado. Certamente, do ponto de vista do caminho da fé, é o correto. No entanto, se, por acaso, o país fosse destruído, o que aconteceria? É claro que não se poderia continuar na fé. Portanto, um pacifismo tão extremo como esse é, na verdade, uma doutrina de derrota na guerra e também uma doutrina de suicídio.
Apesar de dizer isso, não decido qual dos dois lados é certo ou errado. Por quê? Porque a agitação e a crise mundial como as de hoje não são nada além do profundo Plano Divino de Deus. Como sempre digo, os mecanismos de Deus não são algo tão simples que possam ser julgados pela sabedoria ou pela lógica humana. Em seu âmago, há um âmago ainda mais profundo, algo verdadeiramente insondável. Além disso, mesmo que se compreendesse e se tentasse explicar, seria inútil, pois o cérebro humano não seria capaz de entender. Uma passagem do Ofudesaki da religião Oomoto diz: “A obra é feita grão a grão; observai o resultado final.” Sempre penso que esta frase é verdadeiramente apropriada.
Um Exemplo de Mal-entendido
Eikō nº 222, publicado em 19 de agosto do ano 28 da Era Showa (1953)
O relato de graça* a seguir é um exemplo comum, mas, como Deus ensinou por meio dele um significado importante, acrescentei este texto.
Em suma, significa: "Confie em Deus. Não confie no homem." Pois, como se recebe o poder do Johrei, é natural que a própria doença se cure. Pense bem: já que lhe foi concedido o poder de curar a doença dos outros, não há razão para não poder curar a sua própria; essa convicção é o essencial. Também aqui, se a lógica for violada, certamente não haverá graça alguma; portanto, deve-se cuidar para que nada fuja à lógica. Caso contrário, o resultado será muito trabalho e nenhum proveito, apenas sofrimento desnecessário. Em suma, o essencial é a convicção, e nesse ponto se deve gravar profundamente no coração.
"Fui salvo de uma apendicite (texto omitido)"
6. Liberdade de Fé
Eikō nº 177, publicado em 8 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
A liberdade de crença existe desde a promulgação da nova Constituição; portanto, não há necessidade de discuti-la.
No entanto, o que desejo abordar é a liberdade inerente à própria fé.
Existem inúmeras religiões, grandes, médias e pequenas, em todo o mundo. Sem exceção, cada uma afirma ser a mais elevada e considera as outras inferiores. É de conhecimento geral. Por essa razão, elas alertam veementemente seus seguidores para que não tenham contato com outras religiões. Dizem que as outras são cultos malignos, que a punição do deus desta religião é temível, ou que não se pode ser salvo se houver um coração dividido.
Algumas religiões são bastante severas nesse aspecto. Há pregadores que, para impedir a deserção, chegam a ameaçar com coisas aterrorizantes: se alguém ousar mudar de religião, sofrerá uma grande calamidade, contrairá uma doença grave, perderá a vida ou, em casos extremos, toda a sua família morrerá. Isso é precisamente o estratagema habitual dos cultos malignos. É claro que, do ponto de vista do senso comum, tais ameaças são absurdas.
No entanto, os próprios seguidores, surpreendentemente, acreditam nelas e não conseguem decidir sair. Mas essa situação não se restringe às religiões novas e recém-criadas. É incompreensível que mesmo religiões antigas e respeitáveis, com frequência, apresentem características semelhantes.
Refletindo bem, percebe-se que o pensamento livre não se limita às esferas política e social. Na religião, os grilhões feudais parecem persistir. Como exposto acima, desejo defender a liberdade em matéria de religião. Restringir a vontade dos fiéis em benefício da conveniência da organização religiosa é absolutamente inaceitável. E, para piorar, o método empregado é a intimidação verbal. Nesse ponto, trata-se de uma coerção religiosa imperdoável.
Como exemplo, ouvi o seguinte relato: uma pessoa que praticara a fé com grande empenho por longo tempo via que em sua casa nunca faltavam doentes e não conseguia se libertar do sofrimento da pobreza. Por isso, foi ficando desgostosa da fé e tentou abandoná-la. No entanto, o pregador lhe disse coisas terríveis e ela, sem saber o que fazer, veio pedir meu conselho. Eu lhe disse claramente que aquela religião era, sem dúvida, um culto maligno e que deveria abandoná-la o mais rápido possível. Parece que religiões desse tipo são bastante comuns no mundo.
Então, qual a razão disso? Certamente, uma das causas é o estratagema desesperado de não querer perder fiéis, mas há outras razões. Desde tempos antigos, quando uma religião floresce, é comum surgirem imitações. Até mesmo na nossa Igreja, isso aconteceu algumas vezes, e sempre que ocorre, digo: "Assim como acontece com cosméticos e outros produtos, quando algo se torna popular, surgem falsificações. O fato de surgirem falsificações é a prova de que a religião foi reconhecida pelo mundo. Portanto, não seria algo até mesmo bom?" E dou risada.
Embora a forma seja diferente, algo semelhante parece ocorrer no Cristianismo. Ele adverte: "Cuidado, pois surgirão falsos cristos e falsos messias." Isso tem aspectos bons e ruins. O lado ruim é que, se um verdadeiro salvador aparecer, as pessoas podem confundi-lo com uma imitação e deixar de ser salvas. O problema mais grave, no entanto, é o grande número de pessoas profundamente convencidas de que a religião em que acreditam é a mais elevada e que dedicam a ela uma fé ardente.
Como realmente acreditam nisso, essas pessoas sentem-se espiritualmente salvas e, portanto, satisfeitas. Mas isso não é verdade. Por quê? Porque a verdadeira felicidade só é alcançada quando se é salvo também no aspecto material e, com o corpo espiritual completo, se torna habitante do Paraíso. No entanto, parecem numerosos os crentes cegos que ignoram isso. Mesmo praticando a fé com empenho, há inúmeras pessoas que não se libertam da infelicidade.
A esse respeito, gostaria de chamar a atenção para mais um ponto. A razão pela qual se teme o contato com outras religiões é, provavelmente, o receio de que exista uma religião superior à sua. Isso ocorre porque a própria religião tem pontos fracos — e isso merece grande atenção. Não quero parecer presunçoso, mas, a esse respeito, a nossa Igreja Messiânica é verdadeiramente livre.
Os fiéis sabem bem disso, mas digo que se deve ter amplo contato com qualquer outra religião. É claro que estudá-las é excelente, pois amplia os horizontes e o conhecimento. Se, como resultado, existir uma religião superior à Igreja Messiânica, não há problema algum em mudar para ela a qualquer momento. Isso nunca será considerado um pecado. Pois, se o deus verdadeiro existir, desde que a pessoa seja salva e alcance a felicidade, isso já é o suficiente.
Prova Científica da Transição para o Mundo Diurno
Eikō nº 179, publicado em 22 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Recentemente, ouvi pelo rádio, durante o noticiário escolar, que um estudioso chamado Hallman, da Suécia, publicou uma pesquisa interessante. Trata-se de um relato verdadeiramente surpreendente: comparando a temperatura da Terra de cinquenta anos atrás com a de hoje, constatou-se que a atual está cerca de dez graus mais alta. Pois, se o aquecimento continuar nessa proporção, considerando-se dez vezes esse valor, em quinhentos anos a temperatura teria aumentado cem graus — uma história difícil de acreditar. No entanto, o que não se pode deixar de considerar é que, se tal mudança tivesse ocorrido em uma era mais antiga, já haveria um calor abrasador de cento e poucos graus, e a humanidade teria sido completamente exterminada. Mas, como não há registros que indiquem algo assim, é uma história que, de todo modo, não se pode explicar completamente. Pensando assim, não há outra alternativa senão considerar que essa mudança começou a ocorrer há algumas décadas. Caso contrário, a lógica não se encaixa.
Isso tem um significado profundo em relação ao que sempre proclamo: a transição do Mundo da Noite para o Mundo do Dia. No Japão, isso começou por volta do início da Era Meiji e, progredindo gradualmente, chegou ao dia 15 de junho do sexto ano da Era Showa (1931). A partir desse dia, o mundo espiritual da Terra entrou, enfim, em seu período do alvorecer. Na véspera, subi com mais de trinta discípulos até o famoso templo montanhoso chamado Kenkonzan Nippon-ji, no Monte Nokogiri, em Bōshū, onde passamos a noite. Na madrugada do dia seguinte, 15 de junho, às cinco horas da manhã, subimos ao topo e realizamos uma cerimônia xintoísta. Os fiéis devem ter lido em meus escritos anteriores que, depois disso, vários milagres relacionados ocorreram. O relato do aumento da temperatura mencionado anteriormente é a prova científica desses eventos.
No entanto, podem ficar tranquilos, pois o aquecimento não continuará nessa mesma proporção daqui para a frente. Isso porque ele se limitará a um certo grau. Como visto acima, é possível compreender o quanto o Elemento Fogo aumentou e a purificação se intensificou nos tempos recentes. É claro que, mesmo sendo o Elemento Fogo, ele é essencialmente espiritual; podem pensar, então, que não possui calor material. No entanto, possui um certo grau de calor material, e a maior prova disso é o meu Johrei. Quando realizo Johrei por dez a vinte minutos em centenas de fiéis, é comum que alguns fiquem tão aquecidos a ponto de se encharcarem de suor. Além disso, no inverno, costumam me dizer que meu quarto é quente quando nele entram. O aumento do Elemento Fogo, porém, não se limita às doenças; influencia todos os aspectos. Portanto, quando isso atingir o clímax mundial, será o fim do mundo. Há também um grande mistério nisso, mas, como ainda é cedo, pretendo revelá-lo em outra ocasião.
Miscelânea sobre Arte Oriental (3)
Eikō nº 168, publicado em 6 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
No entanto, antes disso, durante o período Heian, quando a poesia waka florescia, acredita-se que a pintura Yamato-e tenha nascido sob a influência da escrita kana, tão graciosa quanto a poesia waka. É claro que essa técnica de pintura originou-se da pintura colorida chinesa, mas o mestre mais renomado dessa escola foi Fujiwara no Nobuzane. Considerando que um de seus cartões de poesia vale hoje mais de um milhão de ienes, pode-se imaginar sua excelência. Além disso, surgiram as pinturas satíricas do monge Toba Sojo Kakuyu, que podem ser consideradas o início dos mangás. O progresso da pintura Yamato-e continuou do período Fujiwara ao Kamakura, produzindo muitos emakimono (rolos de pintura) que retratavam principalmente temas ligados às origens de divindades e budas.
Hoje em dia, os bons exemplares desses rolos de pintura daquela época são extremamente valorizados, e seus preços surpreendem. Um certo rolo de pintura que desejo atualmente custa seis milhões de ienes por três volumes; não posso pagá-lo e apenas fico a contemplá-lo. Diz-se que os americanos, em particular, apreciam os emakimono e estão à espreita, como tigres, à procura de peças de excelência.
O rolo do Sutra de Causa e Efeito da Era Tenpyo (*1), existente em nosso Museu, foi criado há mil e duzentos anos. Apesar de ser a pintura japonesa mais antiga, diante da vivacidade de suas cores, ainda hoje não se compreende a excelência de seus pigmentos.
Além disso, a partir da pintura Yamato-e, surgiu a escola Tosa. Seus grandes mestres foram Mitsuoki e Matabei (Katsumochi); depois surgiu Hishikawa Moronobu, que iniciou aqui o ukiyo-e. Posteriormente, mestres famosos como Utamaro, Harunobu e Choshun sucederam-se, chegando até os tempos modernos, como é bem conhecido.
Algo surpreendente na pintura japonesa são as pinturas budistas. Embora provavelmente tenham obtido inspiração das pinturas budistas da dinastia Song chinesa, o Japão também criou obras com características próprias e únicas. Pode-se dizer que são até superiores às chinesas. Em nosso Museu, embora em pequeno número, pretendemos exibir obras de valor estético. Como essas pinturas budistas apresentam poucas das deteriorações e manchas comuns, elas têm uma beleza agradável aos olhos. Aqui, não posso deixar de mencionar alguns pintores do final do período Muromachi: Kaiho Yusho, Hasegawa Tohaku e Kano Sanraku. O biombo de Yusho em nosso Museu é tido como uma obra-prima do artista. Na escola Kano, surgiram muitos mestres famosos como Motonobu, Naonobu, Tsunenobu, Tanyu e Sesson, mas, com o último grande mestre, Gahō, a popularidade mudou em relação ao passado. É claro que a única causa deve ser a mudança dos tempos. Deixando a pintura de lado, escreverei um pouco sobre a caligrafia. O kana é, sem dúvida, a primeira forma de caligrafia japonesa a considerar. Entre os mestres, os mais excelentes são os do período Heian: Tsurayuki, Tōfū, Saigyo, Sari no Kyō, Shunzei, Minamoto no Shitagō e Yukinari; do período Kamakura: Teika, Príncipe Munetaka e Yoshitsune, entre outros; e, entre as mulheres, Murasaki Shikibu, Kodai no Kimi, entre outras. Essas obras de caligrafia antiga têm uma elegância única do Japão, e seu aroma refinado não admite comparação. Em seguida, vêm as bokuseki (caligrafia de mestres zen). No Japão, o primeiro é Kobo Daishi, seguido pelo fundador do templo Daitoku-ji, Mestre Nacional Daito, e depois, da linhagem, Ikkyu, Takuan, Seigan, Kōgetsu, Gyokushitsu e Kokei. Além desses, há o fundador do templo Engaku-ji em Kamakura, Mestre Zen Mugaku, e, numa linhagem diferente, o Mestre Nacional Muso. Entre os modernos, Ryokan é o popular; e, como calígrafo famoso, penso em Nukina Kaioku, entre outros.
Deixando a caligrafia por aqui, passemos agora à cerâmica japonesa. A cerâmica japonesa, assim como a pintura, certamente foi transmitida da China, mas a maior parte recebeu influência chinesa. Isso se aplica às peças com pintura vermelha (aka-e), às com esmalte azul (sometsuke) e aos celadons (seiji). São conhecidas cerâmicas como Kakiemon, Imari e Kutani, mas os pratos de Nabeshima, tanto no design quanto nas cores, são provavelmente únicos do Japão. Outros itens de caráter distinto são a cerâmica de Satsuma e a de Banko. À parte, há a cerâmica de Owari, que começou a ser produzida no período Kamakura, inspirada na cerâmica coreana antiga. São quase todas tigelas de chá, muito valorizadas e apreciadas pelos praticantes da cerimônia do chá. Consequentemente, seus preços são surpreendentemente altos. Quanto aos tipos, temos Ko-Seto, Ki-Seto, Shino, Karatsu (*2) e Oribe. Estas são chamadas de cerâmica de Owari e também de cerâmica rústica (sabimono). Entre outras cerâmicas rústicas, há a de Bizen e a de Shigaraki, que, é claro, são em sua maioria utensílios para o chá e possuem um sabor difícil de abandonar. E, entre as tigelas de chá, não se pode ignorar as obras de Chojiro, o fundador da cerâmica Raku. Ele, é claro, inspirou-se na cerâmica da dinastia Li (Coreia) e criou a cerâmica Raku, algo único do Japão. Gozou da estima de Sen no Rikyu e produziu muitas peças famosas. Posteriormente, o terceiro Nonko, o quarto Ichinyu e o quinto Sonyu se tornaram famosos. Portanto, Chojiro permanecerá para sempre como um nome famoso entre os ceramistas japoneses.
Aqui, devo escrever sobre ceramistas japoneses que em nada ficam atrás dos chineses. Sem dúvida, são dois: Ninsei e Kenzan. Primeiro, escreverei sobre Ninsei. Era natural de Kyoto, no início do período Tokugawa. Seu nome verdadeiro era Nonomura Seiemon, mas, como morava na vila de Ninna-ji, era comumente chamado de Ninsei, e assim se tornou famoso. O traço particularmente notável nele é que, enquanto toda a cerâmica japonesa tinha a China ou a Coreia antiga como modelo, apenas ele era diferente, sendo original. Seu design, padrões, formas e cores expressam muito bem a sensibilidade japonesa. Além disso, sua elegância e alto refinamento são tais que a cerâmica chinesa dificilmente consegue igualar, sendo verdadeiramente um orgulho do Japão. Ao ver isso, sempre penso que ele é o Korin entre os ceramistas japoneses. Em seguida, vem Kenzan.
Como é sabido, Kenzan era irmão mais novo de Korin. Essa pessoa também era talentosa em múltiplas artes, possuindo habilidade notável também na pintura, e, como a cerâmica acompanhava a pintura, acho isso raro.
Kenzan tem um sabor diferente do de Ninsei; se Ninsei é como um cortesão, Kenzan é como um rústico. É claro que, mesmo na pintura, não possui a fineza e a minúcia de Korin ou Sotatsu, mas tem um encanto ingênuo indescritível.
É o que penso. Acredito que, graças a esses dois grandes mestres, a cerâmica japonesa, mesmo em comparação com a chinesa, não fica em desvantagem. A seguir, escreverei um pouco sobre a arte budista. Esta também foi transmitida da China — a pintura da dinastia Tang e a escultura das Seis Dinastias — desde o período Suiko, há cerca de mil e trezentos anos.
É claro que gostaria de dizer que a arte budista, tanto na pintura quanto na escultura, se desenvolveu em harmonia, mas tenho dúvidas quanto a essa palavra "desenvolvimento". Isso porque as obras mais antigas são, na verdade, superiores. De fato, em termos de técnica, o período Kamakura foi o mais desenvolvido, mas tanto na pintura quanto na escultura, o período Fujiwara é superior, e o período Nara é ainda superior ao período Fujiwara, o que é realmente misterioso. No início, a escultura era quase toda em bronze dourado ou laca seca, mudando gradualmente para a escultura em madeira. O famoso Kannon de Baekje do templo Horyu-ji, o Yakushi Nyorai principal do templo Yakushi-ji e o Juichimen Kannon do templo Hokke-ji são obras-primas indescritíveis. Portanto, deixando de lado as pinturas budistas, pode-se dizer que a escultura de imagens budistas está no mais alto nível mundial. Será verdadeiramente uma das coisas das quais o Japão deve se orgulhar, uma obra de arte mundial.
*1 (Sutra de Causa e Efeito da Era Tenpyo) Refere-se ao Sutra de Causa e Efeito Ilustrado da Era Tenpyo.
*2 (Karatsu) Refere-se ao Karatsu de Mino.
Bernard Shaw
Eikō nº 78, publicado em 15 de novembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Bernard Shaw, que recentemente faleceu, era respeitado não apenas como um literato de renome mundial, mas como um grande homem de estatura mundial, e eu, desde jovem, gostava muito dele.
Por essa razão, gostaria de escrever sobre as várias memórias que tenho do velho Shaw. Quando o criticam, a maioria das pessoas diz apenas que ele era um cínico e rico em epigramas. É claro que isso também é um aspecto peculiar dele, mas sempre lamento que as pessoas o vejam apenas por esse julgamento e não enxerguem o resto dele. Do meu ponto de vista, acho que dificilmente existirá alguém como ele, que, ao observar as coisas, consegue captar com precisão a verdade e expressá-la de forma direta e incisiva. Ele emitia epigramas simples e extremamente afiados, envoltos em ironia e humor. Cada um era uma palavra certeira. Isso é próprio de um grande homem religioso. Agora, escreverei brevemente o que permanece em minha memória. Em seus romances, há um famoso intitulado "O Discípulo do Diabo". Assisti a essa peça e, realmente, foi muito interessante e tocou meu coração. A história é a seguinte: em uma pequena cidade da Inglaterra, havia um pastor. Certa vez, durante a ausência do pastor, um policial apareceu. Ele viera para levar o pastor à delegacia por alguma acusação, mas, como ele não estava, contou o ocorrido à esposa do pastor, que estava em casa. A esposa ficou extremamente surpresa e amedrontada, sem saber o que fazer. No entanto, havia um homem que chegara um pouco antes, um jovem delinquente de má reputação na cidade, a ponto de ser chamado de "Discípulo do Diabo", o que já dá para imaginar. Não suportando ver a esposa tremendo diante do policial, o Discípulo do Diabo, não se sabe o que pensou, de repente se apresentou ao policial, dizendo: "Fui eu quem cometeu esse crime; levem-me". O policial, conhecendo a fama do rapaz, pensou que não poderia ser diferente e, sem qualquer dúvida, o levou para a delegacia.
"O Discípulo do Diabo" que toca o coração
Pouco depois, o próprio pastor voltou para casa. Quando a esposa lhe contou o ocorrido, ele empalideceu visivelmente, e seu estado de angústia mental era claramente perceptível. É que ele, que passava dias e noites pensando em como escapar daquela acusação, sentiu um remorso avassalador por sua própria covardia. Como se zombasse daquela alma mesquinha, quem se sacrificou, oferecendo o próprio corpo, foi justamente o Discípulo do Diabo. Diante da coragem sublime, quase de um santo, e da manifestação de amor daquele homem, nem mesmo o pastor pôde conter o sentimento de vergonha. Ele pensou: "Sendo eu um apóstolo sagrado de Deus, não seria inferior ao Discípulo do Diabo?" Assim, creio que ele se confessou à esposa e, em seguida, correu para a delegacia para esclarecer os fatos e ajudar o Discípulo do Diabo. Como a culpa era leve, o rapaz foi imediatamente libertado e voltou para casa são e salvo. Acho que o pastor, então, agradeceu e elogiou o Discípulo do Diabo. Na época, fiquei profundamente impressionado com isso, e ainda me lembro.
Uma peça satírica pacifista
A seguir, há o romance "Armas e Homens", também chamado de "O Soldado de Chocolate".
Essa obra foi escrita após a Primeira Guerra Mundial.
Era uma peça satírica pacifista sobre um soldado que, enquanto estava aquartelado em uma vila, além de cumprir seus deveres militares, tratava as crianças da vila com carinho, sempre levando chocolate de presente e passando os dias despreocupadamente. Lembro-me de que ela lançava epigramas bastante contundentes sobre a validade ou não da guerra. Em seguida, há o romance "O Século XX", que também descrevia o pensamento da época na Inglaterra do pós-guerra. O protagonista dessa peça era um coronel reformado do exército, uma figura feudal e conservadora, que poderia ser considerado um representante do conservadorismo inglês. O pensamento desse protagonista era como o topete (chonmage) que ainda existia na Era Meiji (1868-1912) no Japão. Ele era teimoso e obstinado, impondo seu dogmatismo, o que atormentava os membros da família. O lar era realmente sombrio, mas os familiares, às escondidas, zombavam dele, mostrando a língua. Os filhos, de vez em quando, tentavam convencer o pai com novas teorias, mas ele não entendia. No meio disso, surgiam vários problemas, e o pai, gradualmente, foi se amolecendo e, por fim, acabou se rendendo. Como já se passaram muitos anos, posso estar um pouco enganado em alguns detalhes, mas a essência era essa.
Deixando os romances de lado, vou escrever sobre dois ou três de seus ensaios e epigramas.
Um grande literato de honestidade ímpar
Sua opinião sobre a comédia era a seguinte: a comédia, claro, tem por objetivo fazer rir, mas há um truque para provocar o riso: a desilusão. Por exemplo, se alguém aparece montado a cavalo, com roupas elegantes e uma bela barba, todo imponente, e então, numa mudança de cena, surge montado completamente nu, a desilusão nos arranca uma gargalhada involuntária. Assim, ele despia impiedosamente a pele das ornamentações, das intimidações e das tradições do mundo, expondo-as nuas e cruas. Esse era, segundo ele, o segredo da comédia. De fato, sua ironia e seus epigramas também tinham essa visão como centro. Em suma, não media palavras: despia tudo. Era uma honestidade pura em toda a sua plenitude. E sua personalidade não era diferente. Acredito que nunca houve um literato tão honesto quanto ele. Por isso, sua ironia não era ironia pela ironia: era a exposição da realidade, como descrita acima, que se tornava ironia. Houve também um episódio assim. Certa vez, durante uma palestra diante de uma plateia, disse de repente: "Com a cabeça que vocês têm hoje, não conseguirão entender o significado do que vou dizer". Dizem que o auditório explodiu em gargalhadas. Aí reside seu estranho charme. Normalmente, um insulto desses deveria enfurecer a plateia; aconteceu o contrário. Isso mostra claramente o quanto ele era amado pelo público. Houve também outro episódio. Uma famosa escritora lhe disse: "Se uma pessoa com uma mente brilhante como a sua se casasse com alguém como eu, que filho inteligente e maravilhoso não nasceria?". Ao que ele respondeu na hora: "Não, não é bem assim. O filho de alguém de rosto estranho como eu e uma pessoa de cabeça medíocre como você provavelmente não serviria para nada". Depois, o epigrama que achei mais interessante foi este: o amor, segundo ele, é uma necessidade dada por Deus para a preservação da espécie. Não é algo realmente revigorante? E dificilmente haverá alguém tão cheio de confiança quanto ele. Dizem que sempre afirmava: "De fato, Shakespeare é considerado o maior da Inglaterra, mas, para ser sincero, eu sou maior do que ele". Isso não era, creio, uma tentativa de se exibir ou de se vangloriar; era apenas a expressão honesta do que pensava. Palavras que poderiam ser vistas como delírios de grandeza, quando saíam de sua boca, não tinham odor desagradável algum e eram recebidas com prazer. Aí reside sua grandeza. Em seus últimos anos, mesmo diante de vários problemas que surgiam na Inglaterra, os intelectuais ouviam sua opinião e a tomavam como referência. Isso mostra quão grande era sua presença. Ele também deve ser contado entre os grandes homens do século XX.
Diálogo entre Meishu-Sama e o Sr. Tsunezumi Tamesato
Eikō nº 179, publicado em 22 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
(Com o Sr. Tsunezumi Tamesato, Vice-Chefe do Departamento de Ciência do Jornal Yomiuri Shimbun)
Sob o vento de outono, no dia 4 de outubro, na sala de recepção do Shinzan-sō, em Hakone — Quais são as angústias do homem moderno?
Sr. Tamesato: Sou vice-chefe do Departamento de Ciência; apesar do nome, fui orientado a tratar não apenas das ciências naturais, mas também dos aspectos da filosofia e da religião como ciências do espírito. No momento, não há muito espaço no jornal, mas, quando houver, pretendo criar algo como uma seção religiosa. Há também essa demanda dos leitores, e a sociedade vem seguindo essa tendência... Desejava encontrá-lo para cumprimentá-lo pessoalmente; felizmente, o Mestre Ōishi, da Federação das Novas Religiões, é meu antigo colega de faculdade, então pedi-lhe esse favor e vim visitá-lo.
Sr. Ōishi: Como o senhor sabe, até agora os jornais têm escrito mal sobre as novas religiões sem investigar muito. O objetivo é que pessoas como estas se encontrem com os fundadores das seitas, conversem com franqueza, compreendam-nos de verdade e orientem os jornalistas que atuam na linha de frente.
Meishu-Sama: Isso é bom.
Sr. Tamesato: A orientação dos repórteres também é importante, mas os jovens jornalistas não têm compreensão nem interesse por religião, então acho que não vai ser tão fácil quanto o Sr. Ōishi diz...
Meishu-Sama: Nós também não temos muito interesse na chamada religião. Pode soar estranho um religioso dizer isso, mas a ciência também não resolve. Sobretudo os jovens de hoje, que aprendem ciência na escola e, ao entrar na sociedade, percebem que ela não basta; como as coisas não seguem exatamente a lógica, surge inevitavelmente o desejo por algo mais profundo e grandioso. Assim, quando se fala em religião, muita gente sente que as religiões existentes até agora estão tão distantes da realidade que não consegue se motivar. Por outro lado, também não se pode admirar o marxismo, de modo que deve ser enorme o número de pessoas vagando sem rumo. Mesmo assim, é preciso ter algum objetivo — só que as religiões estabelecidas estão tão cristalizadas que não despertam interesse; além disso, seu conteúdo fundamental já é conhecido; mesmo estudando-as, a lógica está bem construída, mas não se consegue dedicar-lhes o coração nem depositar grandes expectativas. Surgem, então, as novas religiões — cada uma tem algo que as religiões estabelecidas não têm. Claro que, se fossem iguais às antigas, não teriam potencial de desenvolvimento algum; mas que ideal viria a se tornar essa força do futuro, isso sim é difícil de dizer. Eu, por mim, tenho grande confiança. Mas, de modo geral, as novas religiões vêm sendo desprezadas há muito tempo; por mais que se diga "é assim", não é fácil que as pessoas se lancem ou aceitem de imediato, e a época também está nessa situação. De minha parte, tenho confiança de que posso salvá-las, e é por isso que me dedico com todo o empenho. Hoje é a era da proliferação das novas religiões, mas isso, no fim, se organizará sozinho — é uma questão de tempo. Só o que é verdadeiramente bom há de permanecer.
Qual é o Plano de Deus do 1%?
Sr. Tamesato: Meishu-Sama, venho me perguntando há muito tempo: a verdade, ou o ensinamento correto, não deveria ser algo único no mundo?
Meishu-Sama: Sem dúvida. A verdade é uma coisa só.
Sr. Tamesato: Mas, sendo assim, surge uma certa confusão: se fosse como no exterior, onde basta o cristianismo, a religião seria mais simples...
Meishu-Sama: É verdade. Não há lugar com tantas religiões quanto o Japão — essa é justamente a sua característica. O Japão tem a missão de reunir tudo o que existe no mundo e, a partir disso, criar uma nova cultura. Por isso tem o maior número de religiões, e também de tudo o mais: arte, literatura, belas-artes, artes cênicas, vestuário, alimentação e habitação. Isso porque é do Japão que sairá aquilo que reúne tudo. A verdade, portanto, se estende a tudo. O comunismo ou o capitalismo não são a verdade. O que contém ambos e é regido pela moral suprema, isso sim é a verdade. Assim, também na religião, no Japão certamente há de surgir algo que reúna todas as religiões do mundo.
E a verdadeira cultura tem a religião como centro — da religião nascem a filosofia e, depois, a ciência. Por isso a cultura americana tem o cristianismo como centro: primeiro os puritanos foram para a América, e foi assim que a colonizaram. E, justamente por ter a religião como centro, a cultura americana tem uma universalidade muito grande no mundo... Em contrapartida, o comunismo vem se impondo com insistência, mas também é necessário, pois com a sua ajuda, ao final, acaba nascendo aquilo que é verdadeiro. E Deus, no fim, criou tanto o bem quanto o mal e os faz lutar entre si para gerar o que é realmente bom. Até agora foi a era do desenvolvimento da cultura materialista, que nasceu da luta entre o bem e o mal — a ciência atômica, os aviões, tudo isso. Por isso o mal também era necessário. Esse é o ponto de vista do Deus Supremo, que criou tanto o bem quanto o mal. Mas as religiões, até agora, só conheciam o deus do lado do bem — e somente com o deus do lado do bem não se constrói a cultura material; ela não se desenvolve. Essa forma de proceder, contudo, não é infinita: há um momento certo para ela. À medida que a cultura material se desenvolve demais, o mal passa a utilizá-la, e aos poucos chega-se a uma era em que a humanidade corre o risco de ser destruída. Não é mesmo? Se o mal usasse a bomba atômica, a humanidade seria aniquilada. Por isso chega o momento de conter o mal — e isso não vale apenas para a guerra, mas para todos os campos. Por isso, de minha parte, falo em "noventa e nove por cento e um por cento": até noventa e nove por cento o mal vence, mas no um por cento restante a mão vira por completo — ou seja, é a força do 1%. A força do 1% não é uma força do plano material; é uma força espiritual invisível. É com ela que o mal é repelido e, doravante, o lado do bem passará a prevalecer. O mal não desaparecerá por completo, mas o bem vencerá. E essa época é justamente agora. Por isso, o que Cristo chamou de "o fim dos tempos" ou o "juízo final" significa o fim do mundo em que o mal, até então, vinha vencendo. É exatamente isso que estou escrevendo por completo agora: uma obra chamada "A Criação da Civilização". Pretendo distribuí-la pelo mundo todo, é claro, e também apresentá-la ao comitê do Prêmio Nobel, para que homens de letras de todos os países a leiam e a critiquem.
O que é "Salvando os Estados Unidos"?
Sr. Tamesato: O que me impressionou, ouvindo o senhor falar no Nikkōden (Palácio da Luz Solar), foi o ensaio intitulado "Salvando os Estados Unidos". E, ouvindo também sobre os assuntos de arte, senti que o senhor escreve de forma extremamente clara e direta — nós, jornalistas, também pensamos assim: dizer exatamente o que se pensa, sem usar palavras difíceis, sem cair na vulgaridade. Isso ficou muito evidente.
Meishu-Sama: De qualquer forma, minha teoria é extremamente ousada e surpreende quem não está acostumado; mas, na prática, as coisas vão se encaixando, e assim se compreende. No fim, trata-se de escrever uma verdade elevada da forma mais acessível possível ao público em geral, o que dá bastante trabalho. Meu objetivo é salvar toda a humanidade — não apenas o Japão. Dizer que quero "salvar os Estados Unidos" pode parecer que não conheço meu próprio tamanho, mas, se quero salvar toda a humanidade, salvar os Estados Unidos — a nação mais poderosa — é o caminho mais eficaz. Além disso, os Estados Unidos são um país que precisa ser salvo de qualquer forma, por terem a religião como fundamento e por manterem a paz por meio dela. Já o comunismo, esse não posso salvar — tem por base o ateísmo, é completamente o oposto, não há o que fazer. Os Estados Unidos estão hoje gravemente doentes, e o número de doentes cresce ano após ano. Fiquei surpreso ao ver as estatísticas — vou publicá-las na íntegra.
Sr. Tamesato: Isso vale também para os tipos de doença?
Meishu-Sama: Os tipos também vêm aumentando cada vez mais. E a causa das doenças é justamente o remédio; dizer que o remédio provoca doença é simplesmente uma questão de física e química. O que estou escrevendo agora é sobre a espiritologia teórica, e o que a compro
Meishu-Sama: Esse traço deve ser uma das razões importantes que fizeram os Estados Unidos se desenvolverem. De qualquer forma, sem se prender à tradição — se é bom, é bom, seja japonês, seja chinês, o que é bom é bom — esse cosmopolitismo tão amplo é realmente uma virtude. Os japoneses não têm quase nada disso. É mesmo aquela mentalidade de país insular, não é?
Sr. Ōishi: Quando alguém se torna bom, logo o atacam, não é mesmo?
É possível fazer o Johrei sem acreditar nele?
Sr. Tamesato: E outra coisa: Deus cria os maus, mas não os salva?
Meishu-Sama: Não, Ele os salva. Deus cria os maus e depois os salva. Há uma necessidade real de salvá-los. Porque, no fundo, o que é sujo precisa ser limpo. E isso, mesmo do ponto de vista espiritual, é algo realmente interessante — estou escrevendo sobre isso agora, mas não é algo que se explique facilmente em poucas palavras.
Sr. Tamesato: Por exemplo, há casos em que uma pessoa má morre sendo má até o fim — nesse caso, ela não é salva?
Meishu-Sama: Isso acontece porque a pessoa não acredita no mundo espiritual. É necessário compreender o mundo espiritual — sem isso, não se resolve o problema. Eu, no início, dediquei-me intensamente à pesquisa do mundo espiritual, e considero esse, aliás, o verdadeiro ponto de partida. Por isso é preciso compreender a essência do que é o espírito. O senhor deve ter visto há pouco: quando uma pessoa doente sente dor de cabeça, basta fazer assim (Johrei) que ela melhora. Há pouco, durante a reunião, o senhor deve ter visto que eu estava fazendo isso em todos. Há muitos casos em que a doença se cura dessa forma. Normalmente eu faço de modo diferente, mas nas festividades, como há muita gente, leva tempo e dá trabalho. Ainda assim, as pessoas insistem em pedir, então eu faço, e os casos de cura são muitos. Em geral não há nada no espaço entre as mãos, mas há pessoas que sentem muito calor. Fazendo assim (Johrei), muitos até suam. E há quem sinta um alívio repentino, quem sinta algo como uma corrente elétrica formigando — varia de pessoa para pessoa. De qualquer forma, todos melhoram muito com isso. E o que é isso? Isso é o espírito — algo invisível. Já expliquei, de forma científica e teórica, por que a doença se cura fazendo assim (Johrei), mas a base do meu trabalho é curar doenças. Curando a doença, todos os problemas se resolvem — inclusive os de pensamento. Curar a doença significa, no fundo, tornar-se uma pessoa de pensamento saudável. Não ser saudável significa que o espírito da pessoa está doente. O ser humano não é feito só de corpo. A ciência, nesse ponto, é bastante tola: como esse elemento existe no ser humano, o fato de o homem viver, agir e ter pensamentos não se deve apenas à matéria — há algo mais. Só porque não se vê, dizem que não existe. É como explicar o ar para alguém de uma era que ainda não o conhece, e essa pessoa dizer que ele não existe. Por isso, fazer as pessoas acreditarem na existência do espírito é a base da salvação. Basta curar esse espírito. Assim, a doença do corpo se cura sozinha. Por isso, do nosso lado, a transfusão de sangue é algo de que rimos — isto (o Johrei) é a transfusão de sangue. Não, é mais do que transfusão de sangue. Por quê? Porque uma pessoa à beira da morte por hemorragia, fazendo assim (com a mão levantada), volta a viver.
Sr. Tamesato: Sendo assim, quem faz o Ohikari pode ser qualquer pessoa?
Meishu-Sama: Quem faz pode ser qualquer um. Seja o Kuma, seja o Hachi, basta ser humano.
Sr. Tamesato: Por exemplo, eu também poderia fazer assim?
Meishu-Sama: Sim. Cura até os casos de que os médicos já desistiram.
Sr. Tamesato: Mas eu não precisaria acreditar no mundo espiritual?
Meishu-Sama: Não, não é preciso. E é justamente aí que está o valor disso. Não há absolutamente nenhum esforço próprio envolvido. Quando a pessoa se empenha com todas as forças, isso é que seria um esforço próprio se somando. Por isso a força humana é desnecessária — não é preciso. Uma criança de seis ou sete anos consegue curar os pais fazendo isso (Johrei) — e isso é algo extraordinário.
Virá um mundo sem doenças nem desgraças?
Sr. Tamesato: O Ohikari vai até algum lugar e depois volta?
Meishu-Sama: Não, nada disso. Ele simplesmente atravessa. Há uma esfera (jóia) de luz no meu ventre, e é dela que a luz sai — por isso é infinita.
Sr. Tamesato: Essa esfera, só o senhor a possui?
Meishu-Sama: Sim.
Sr. Tamesato: Sendo assim, se, digamos, daqui a cem anos o senhor for para o mundo espiritual, ela deixaria de existir, não é...
Meishu-Sama: Mas, do mundo espiritual, ela sai igualmente — na verdade, sai ainda melhor. Porque, com o corpo, ela se torna um obstáculo.
Sr. Tamesato: Então a igreja também pode ficar tranquila quanto a isso.
Meishu-Sama: E, quando chegar essa época, as doenças também vão diminuir bastante. Como o número de doentes vai cair, quase não haverá mais necessidade disso. A causa das doenças é o remédio; então, se retirarmos o remédio do corpo, a doença não ocorre. É a ação de expelir o remédio que causa a doença. Mesmo fazendo isto (Johrei), não se consegue retirar tudo de uma vez — em geral, leva de vinte a trinta anos para retirar por completo. Do modo comum, não se sabe quantas dezenas de anos levaria. Por isso, fazer assim (Johrei) é um método de retirar o remédio. Sem saber disso, hoje todo mundo toma remédio, e isso é perigoso. Assim, o remédio está criando doentes; mas, por outro lado, o remédio também tem sua necessidade, e foi Deus quem o criou. Vou escrever tudo isso na próxima obra, "A Criação da Civilização" — por favor, leiam. Só de ouvir uma vez, dificilmente se compreende bem.
A beleza eleva o nível da alma
Sr. Tamesato: Que relação há entre a beleza e os ensinamentos de Meishu-Sama?
Meishu-Sama: Em suma, basta elevar o nível da alma humana. No fundo, o nível da civilização ainda é baixo, e é preciso ir elevando-o aos poucos. Para isso, prega-se o ensinamento pelo ouvido; além disso, ao captar a beleza pelos olhos, o nível da alma se eleva. E, fazendo a pessoa ler letras e também textos escritos — por meio de todas essas coisas variadas, eleva-se a alma humana. Por isso, a beleza é absolutamente necessária. Mas a beleza que existe hoje, em muitos casos, rebaixa a alma. É que o ser humano também precisa de prazer; no entanto, quando esse prazer recebido pelos olhos rebaixa demais a alma, isso é um problema. Por isso, é indispensável haver algo que eleve essa alma — isso é necessário. Assim, à medida que a civilização do mundo for se desenvolvendo, isso vai progredir e se enriquecer bastante. Hoje já se percebe bem essa tendência. Nos Estados Unidos, e também na Europa, os museus de arte estão se multiplicando em várias regiões. Na prática, as instituições de arte estão se tornando comuns. Até as obras dos grandes mestres franceses podem ser vistas por qualquer japonês. Por isso, agora, vai haver uma exposição de arte japonesa nos Estados Unidos, e eu também vou expor algumas peças — e, dessa forma, essa relação por meio da arte vai se aprofundando. Lá, os museus de arte estão muito desenvolvidos, e as pessoas estão ficando bem mais interessadas em arte.
Sr. Tamesato: Eu, confesso, tenho um pouco de interesse pela pintura a óleo ocidental e por Matisse, mas por Picasso, nenhum.
Meishu-Sama: Aquilo é um exagero completo.
Sr. Tamesato: Já a pintura japonesa, às vezes acho boa, tem algo de refrescante...
Meishu-Sama: Eu também penso assim. Se as pessoas comuns não conseguem olhar e sentir prazer, não há propósito na arte. De qualquer forma, o propósito da arte é que o maior número possível de pessoas possa desfrutar dela. Não serve se apenas quem tem "olho treinado" consegue entender. Tanto quem tem o olho treinado quanto quem não tem devem conseguir compreender — não precisa ser algo tão profundo, mas, em todo caso, a pessoa precisa sentir que é bonito; senão, não serve. Já a pintura de Picasso, é preciso pensar para entender — e, mesmo pensando, não se entende. Por isso ouvi dizer que, na França, já circula a teoria de que Picasso é louco. Esse tipo de coisa não vai durar muito. Sobre a pintura de Picasso, já escrevi um ensaio há algum tempo e publiquei no jornal.
Sr. Tamesato: Bem, muito obrigado pelo seu tempo, apesar de estar tão ocupado.
O Processo de Purificação
Eikō nº 93, publicado em 28 de fevereiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Nossa Igreja chama a cura das doenças de processo de purificação, e o relato a seguir* ilustra bem esse princípio; sua leitura será, portanto, de grande valia como referência.
Por meio disso, fica extremamente claro que a causa das doenças é o acúmulo de impurezas e que a cura completa se dá pela eliminação dessas impurezas. Consequentemente, uma terapia que tenha o poder de eliminar as impurezas é a verdadeira medicina; caso contrário, não pode ser considerada medicina. Portanto, somente quando se avança até esse ponto é que se pode ter a verdadeira medicina que salva todas as pessoas.
"Salva de uma longa enfermidade (omissão do restante do texto)"
Impasse
Eikō nº 180, publicado em 29 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Não são apenas as pessoas comuns; os próprios fiéis também costumam usar com frequência a palavra "impasse" (yukizumari). Mas isso se deve a não compreenderem a verdadeira face das coisas: tudo se desenvolve justamente porque há impasse — ou seja, não se trata, na realidade, de um impasse. É exatamente como parar um instante para descansar porque não se aguenta correr sem parar para respirar — é, por assim dizer, um nó (fushi). Basta observar o bambu para entender: ele cresce e forma um nó, cresce e forma outro nó, e é justamente por isso que cresce forte; se crescesse apenas, sem formar nós, jamais se tornaria aquele bambu tão resistente. Por isso, quanto menos nós tem o bambu, mais fraco ele é; quanto mais nós tem, mais forte é. Assim, a natureza ensina tudo isso; por isso, observando atentamente a grande natureza em qualquer questão, geralmente se pode compreender as coisas.
O que escrevi acima foi sobre o impasse natural; mas o problema é que não são poucas as pessoas que criam impasses de forma artificial, e isso se deve justamente à falta de Sabedoria Sagrada — porque não conseguem prever que, agindo assim, algo se tornará assim. São precisamente essas pessoas que esbarram numa parede e ficam completamente travadas, sem poder avançar nem recuar. Por isso, quem ler isto deve guardá-lo bem no fundo do coração e, ao se deparar com um impasse, olhar para trás e refletir com calma — assim, deverá compreender. Basta, com isso, perceber em que ponto algo saiu errado; o ser humano deve sempre, continuamente, polir sua sabedoria e, para isso, ler os Escritos Divinos o quanto possível.
Religião e Hospital
Eikō nº 181, publicado em 5 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Como sou frequentemente questionado sobre este assunto, escreverei aqui em detalhes. De fato, é de conhecimento geral que a maioria das religiões atualmente famosas — pode-se dizer quase todas — administram hospitais ou planejam construí-los. No entanto, a nossa Igreja Messiânica é a única que não constrói hospitais, e certamente há muitas pessoas no mundo que estranham esse fato. Mas há uma grande razão para isso: o Johrei da nossa Igreja é incomparavelmente superior à terapia médica, não havendo necessidade de hospitais. Sempre digo que a religião deve ocupar posição superior à da ciência, e é nisso que reside seu nobre valor. Se for, porém, apenas formalidade sem substância, não passará de imposição de meras ideias. Nossa Igreja, contudo, não precisa de ideias vazias; avança sempre com base na realidade concreta. Com isso quero especialmente dizer que, se a ciência tiver mais poder que a religião para salvar vidas humanas, a religião se tornará naturalmente inferior à ciência, e não se poderá censurar o ateísmo. Nesse caso, a religião não teria escolha senão contentar-se com teorias, sermões e orações, distanciando-se da vida real, e os intelectuais inevitavelmente a tratariam como objeto inútil.
A meu ver, a culpa é inteiramente da própria religião. No entanto, há uma grande razão oculta onde ninguém a conhece, e é sobre ela que agora escreverei.
Antes de tudo, é preciso explicar espiritualmente a raiz da questão; peço, pois, que leiam com essa disposição. Afinal, acredita-se que muitas religiões que ainda mantêm vitalidade hoje, começando pelo Cristianismo, realizaram, na época de sua fundação, considerável número de curas de doenças e, em maior ou menor grau, milagres. Sem isso, não se teriam desenvolvido nem subsistido até hoje. Pelo que sei, mesmo entre as novas religiões — a Tenrikyo, surgida na era Tenpo, e as do início das eras Meiji, Taisho e Showa —, ouço com frequência que, desde a fundação, curaram considerável número de doenças. Hoje, porém, todas essas religiões, sem exceção, constroem hospitais. Embora se atribua isso aos tempos, a verdade é que as doenças deixaram de ser curadas. É impossível que os próprios envolvidos não o percebam; contudo, sem conhecer a causa e sem alternativa, provavelmente se viram obrigados a construir hospitais. Sobre isso escreverei em detalhes. Como sempre digo, o mundo permaneceu na Era da Noite por longo período; por tratar-se de algo do mundo espiritual, porém, os homens não o compreendiam.
Chegou, enfim, o momento de transição entre a noite e o dia. O alvorecer no mundo espiritual, como já escrevi, teve como marco o dia 15 de junho de 1931; desde então, o mundo vem se convertendo gradualmente em mundo diurno. Manifestação disso é que, desde aquela época, as doenças foram, pouco a pouco, deixando de ser curadas em cada religião. Qual a razão disso? Todas as religiões até hoje ofereciam a salvação da Era da Noite, sob a proteção do deus da lua. Como a luz da lua é fraca diante das doenças, difícil era obter efeitos além de certo limite. Com o advento da nossa Igreja Messiânica, porém, a situação mudou de repente. Pois a nossa Igreja é a religião do dia, sob a proteção do deus do sol. A luz solar equivale a sessenta vezes a da lua, e seu efeito é tão imenso que jamais houve, na história, arte de cura semelhante.
Ademais, quando o sol nasce, a luz da lua vai desaparecendo. Por isso, o poder de cura da nossa Igreja se fortalece com o passar dos anos; ultimamente, os milagres se sucedem, e relatos de curas quase semelhantes às de Cristo chegam em abundância. Não há dúvida, portanto, de que o mundo espiritual se tornou diurno, o Elemento Fogo aumentou e o poder de purificação se fortaleceu. Essa influência, ademais, não se limita às religiões; estendeu-se à própria terapia médica. Ultimamente, os médicos se queixam com frequência de que remédios antes muito eficazes já não fazem efeito algum. Compreendo bem o fenômeno. Sendo a terapia médica um método de solidificar as toxinas prestes a serem excretadas, é natural que, à medida que o Elemento Fogo aumenta, os remédios já não consigam solidificá-las, pois o poder de dissolução se torna mais forte. Daí o efeito temporário de aumentar ainda mais a toxicidade. É por isso que, como se vê ultimamente, novos medicamentos surgem em série. Mas, à medida que a purificação se intensifica, chegará o momento em que nenhum remédio fará efeito, levando a medicina a um impasse e, naturalmente, a uma grande crise. É então que, pela primeira vez, será necessário curvar-se diante do Johrei da nossa Igreja, e o mesmo ocorrerá com os hospitais de cada religião. Não há, portanto, erro em profetizá-lo desde já.
O Princípio da Correspondência
Eikō nº 181, publicado em 5 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
De modo geral, a verdade, para ser compreendida de forma simples, é o princípio da correspondência. Esse princípio significa que todas as coisas, em sua totalidade, são racionais, apresentam equilíbrio e não contêm falha alguma. Por isso, a vida humana deve ter por lema a harmonia e a adaptação natural. No que diz respeito a vestuário, alimentação e habitação: no vestir, usam-se roupas finas no verão e roupas acolchoadas no inverno. Na alimentação, deve-se procurar consumir, tanto quanto possível, os produtos da própria região: cereais, hortaliças, carnes de animais e aves, etc. Devem-se comer em maior quantidade os alimentos produzidos em abundância na estação e na região; em quantidade mediana, os de produção mediana; em pouca quantidade, os escassos. Isso é o natural. O arroz e o trigo, por exemplo, não têm sabor doce ou picante, mas possuem um sabor indescritível que não cansa, ainda que consumidos o ano inteiro. Por isso, devem ser consumidos em maior quantidade. Alimentos de sabor forte — extremamente doces, salgados, amargos, azedos ou picantes —, por serem muito estimulantes, devem ser consumidos em pequenas quantidades.
Essa é a forma perfeita de alimentação. Quem a ignora, acreditando em teorias superficiais nascidas de estudos de mesa — "isto é nutritivo", "aquilo é medicinal", "isto é bom porque contém ferro", "aquilo tem proteína" —, acaba comendo o que não gosta e deixando de comer o que deseja, supondo que isso seja adequado à higiene. Tolice completa. Esse modo de pensar é, na verdade, extremamente anti-higiênico e problemático. Naturalmente, o mesmo vale para os medicamentos. A estreptomicina, tão em moda ultimamente, tem como matéria-prima o musgo. Não há absurdo maior. O musgo serve, no máximo, de alimento para peixes de rio ou de adorno em jardins; qualquer pessoa de senso comum deveria entender que não é algo para ser ingerido por seres humanos. É óbvio, portanto, que pôr no estômago algo tão ilógico só pode ser veneno, e não remédio.
Quanto à habitação, as questões econômicas nem sempre permitem total liberdade; ainda assim, o homem moderno se preocupa em excesso com a qualidade do ar, se é bom ou ruim. Ar melhor, claro, é preferível; mas mesmo o ar ruim não afeta tanto a saúde. Também aí reside o primitivismo da medicina, que leva as pessoas a supor que o ar influi fortemente na saúde. Se o ar tivesse tamanha influência, seria de esperar que não houvesse tuberculose no campo; ultimamente, porém, sua incidência parece não diferir muito da das cidades. Os citadinos temem a poeira exageradamente, mas ela tampouco é tão prejudicial. Ainda que se inale quantidade considerável, no dia seguinte ela se transforma em catarro e é totalmente eliminada; não há por que preocupar-se tanto. Diz-se também que o gás carbônico exalado pelos seres humanos é tóxico; na prática, porém, as mulheres que trabalham em cinemas lotados, por exemplo, não parecem ter saúde pior que a das pessoas comuns.
Escrevi acima de modo geral, mas creio que o verdadeiramente prejudicial é o efeito nervoso de temer a qualidade do ar, o perigo dos micróbios, a qualidade dos alimentos — temores que a medicina nos incute ao nos informar sobre tais coisas. Esse efeito é muito mais nocivo à saúde. A tal ponto a higiene preventiva moderna é minuciosa que as pessoas vivem aterrorizadas; pode-se dizer que a maioria dos citadinos sofre de uma "fobia da vida". Lembramo-nos, então, de como as pessoas do passado eram mais tranquilas. Nesse aspecto, nós somos verdadeiramente felizes. Afinal, compreendemos o âmago da medicina e da higiene; por isso não temos a menor ansiedade como a acima referida e alcançamos a verdadeira tranquilidade e paz espiritual.
A Luz do Oriente
Eikō nº 182, publicado em 12 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Há cerca de dois mil anos, segundo creio, surgiu num canto da Europa a expressão "a luz do Oriente". Ela se espalhou pouco a pouco e hoje não há quem, no mundo inteiro, não a conheça. Até hoje, contudo, seu verdadeiro sentido não foi compreendido, permanecendo um enigma. Pretendo, pois, revelá-lo. O que seria, então, "a luz do Oriente"?
Em suma, era uma profecia a meu respeito. Ao saberem disso, todos se surpreenderão; e, tratando-se de terceiros, dificilmente acreditarão de imediato. Por isso, apresentarei exemplos concretos e evidentes para esclarecê-lo. Para tanto, falarei primeiro do lugar onde nasci e da trajetória de meus deslocamentos posteriores. Nasci na antiga cidade de Tóquio, distrito de Asakusa, região de Hashiba-machi. Explico esse local do seguinte modo. O Japão, nem é preciso dizer, situa-se no extremo leste do globo terrestre.
A capital do leste do Japão é Tóquio; o leste de Tóquio, Asakusa; o leste de Asakusa, a supracitada Hashiba-machi. Como a leste de Hashiba-machi corre o rio Sumida, esse lugar é verdadeiramente o ponto final do leste: do ponto de vista do mundo inteiro, a extremidade mais oriental.
Foi ali que nasci e dei meu primeiro choro. Aos oito anos, mudei-me de Hashiba para uma região a oeste, chamada Senzoku-machi. Depois de concluir o ensino primário, mudei-me para Naniwa-machi, no distrito de Nihonbashi; em seguida, para Tsukiji-machi, no distrito de Kyobashi; depois, para Daigo-machi, no então distrito de Ebara; para Oomori; para Hirakawa-cho, no distrito de Kojimachi; para Tamagawa, onde hoje se encontra o Hozan-so; e então, num grande salto, para Hakone e Atami.
Agora mudei-me para Quioto, totalizando dez mudanças. Exceto a de Kojimachi, todas as nove mudanças foram para o oeste. Naturalmente, continuarei a deslocar-me cada vez mais para o oeste e, sem dúvida, irei da China até as proximidades da Europa.
Foi para isso que nasceu o mestre Nichiren. Ao concluir o treino espiritual básico, tomou uma decisão firme e dedicou-se à propagação do Sutra de Lótus, consolidando uma determinação inabalável. Primeiro, dirigiu-se à sua terra natal, Awa, subiu ao Monte Kiyosumi, próximo ao mar, e, no instante exato em que o sol estava prestes a nascer, voltou-se para o céu oriental e entoou em alta voz o título “Namu Myoho Renge Kyo”. A partir daí, ergueu o Sutra de Lótus, bradou ao mundo e louvou sem cessar os méritos do Sutra de Lótus. Depois, enfrentou todas as adversidades e perseguições e, por fim, estabeleceu uma escola tão inabalável como a de hoje. Sua trajetória nos inspira profundo respeito. Essa grande obra do mestre foi, na verdade, a primeira pedra da “luz do Oriente”. Em sentido espiritual, pode-se dizer que foi um lampejo tênue, no instante imediatamente anterior ao nascer do sol, na extremidade leste do mundo espiritual, que até então jazia nas trevas. Naturalmente, era invisível aos olhos humanos, mas, como passo do grande Plano Divino, foi sem dúvida um importante ato divino. Passados seiscentos e poucos anos, na madrugada de 15 de junho do sexto ano da Era Showa (1931), acompanhado por mais de trinta pessoas, subi ao topo do Monte Kenkon, no templo Nippon-ji, em Awa. Voltando-me para o céu oriental, recitei o norito e realizei algo misterioso. Ainda não posso revelar o que foi, mas esse ato foi o Plano Divino que marcou a fronteira entre a noite e o dia. Curiosamente, o Monte Kiyosumi se localiza a leste do Monte Kenkon, a uma distância que se pode apontar com o dedo, sendo montanhas irmãs.
Além disso, o fato de o templo se chamar Nippon-ji também sugere o mistério acima mencionado. Escrevi acima sobre o innen (afinidade espiritual) relacionado ao budismo. O confucionismo, a moral, os estudos chineses, a medicina chinesa, etc. — toda a cultura inicial do Japão veio da China e da Coreia. Assim como, na era moderna, a cultura ocidental foi importada, também a maior parte da cultura japonesa veio do oeste para o leste.
Dessa forma, desde o início, não havia absolutamente nada que tivesse nascido no leste, exceto a escola Nichiren. Outro ponto a considerar é: se as culturas surgidas no oeste tivessem criado um mundo ideal de paz e felicidade, não haveria o que dizer. No entanto, a realidade é exatamente o oposto. De fato, hoje, materialmente, tornou-se um mundo de civilização esplêndida, mas a felicidade essencial do ser humano não foi obtida em absoluto. Pelo contrário, creio que todos pensam que dificilmente será obtida no futuro. Por essa razão, os seres humanos de hoje não têm nenhuma esperança no fundo do coração.
Mesmo vivendo ao sabor dos dias, carregam uma ansiedade colada a si, e a maioria partilha o anseio incessante por uma luz de esperança no fundo do coração. O centro desse desejo era, na verdade, a “luz do Oriente”.
Como escrevi acima, o fundamento da cultura foi um movimento inverso. Podemos compreender bem essa razão ao observar a verdadeira realidade da grande natureza: o sol e a lua nascem no leste, movem-se para o oeste e se põem. Sendo esta a verdade, aquilo que nasce no leste é a própria verdade eterna. Portanto, posso afirmar, sem erro, que aqueles que acreditam nisso e o praticam obterão a verdadeira felicidade. Em suma, o que se pretende é purificar de uma só vez a água turva que, até hoje, avançou do oeste para o leste, empurrá-la de volta para o oeste e criar um mundo de cristal límpido e transparente.
A felicidade dos fiéis da nossa Igreja
Eikō nº 188, publicado em 24 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Os benefícios recebidos pelos fiéis da nossa Igreja são tão imensos e maravilhosos que, inevitavelmente, todos acabamos por nos habituar a eles e por esquecê-los.
Embora não seja necessário escrever sobre isso agora, ainda há vários pontos dos quais talvez não nos tenhamos dado conta; por isso escrevo aqui. Hoje, na vida humana, o que há de mais temível? Não creio que exista nada tão temível quanto a doença. Por essa razão, provavelmente não há uma única pessoa que não dependa de médicos e medicamentos.
Basta, por exemplo, um simples resfriado: surgem febre, cansaço e falta de apetite. Além desses sintomas gerais, a pessoa se preocupa: “Ah, estou com azia, será que meu estômago não está bem?”. Se tem um pouco de dor abdominal ou diarreia, inclina a cabeça pensando se o intestino não se rompeu como vidro ou louça. Se, ao andar um pouco mais apressado, sente falta de ar ou palpitações, preocupa-se com o coração. Se tem dor de cabeça, peso na cabeça ou tontura, aflige-se pensando em doença cerebral. Se, sem motivo de tristeza, lágrimas escorrem dos olhos ou estes se cansam, fica ansioso com a possibilidade de uma doença ocular. Se o nariz entope, pensa em sinusite; se o olfato está fraco, em rinite hipertrófica; se a garganta dói e surge febre, em amigdalite; se o pescoço e os ombros ficam tensos, teme um resfriado iminente; se o movimento das pernas não está como deseja, talvez a medula espinhal esteja mal. Se, ao andar um pouco, as pernas ficam pesadas, preocupa-se com beribéri. Por outro lado, se o ânus dói ou há prolapso retal, franze a testa diante da suspeita de hemorroidas. Se, ao urinar, sente ardência na uretra ou a urina está turva, pensa que pode ser tuberculose renal. Assim, só de escrever superficialmente já se vê a dimensão disso; se fosse entrar em detalhes, não haveria limite.
Dessa forma, a ansiedade neurótica do ser humano de hoje em relação à doença atingiu um extremo. E há mais: a preocupação com os micróbios. Ao pegar um resfriado e ficar se arrastando, a pessoa começa a ter tosse e catarro quase diariamente, e fica ansiosa: “Será que não é o estágio inicial de uma doença pulmonar?”. Pensando assim, lembra-se de ter visitado, outro dia, um amigo com tuberculose no hospital — será que não foi contaminada naquela hora? Se não foi isso, recorda-se de algum irmão, mãe ou pai que morreu de tuberculose, e imagina que talvez seja hereditário. Pensa em marcar uma consulta, pois adiar seria grave, mas reflete: “Espere, isso também merece ser pensado. Se, no fim, eu receber o estigma da tuberculose, não poderei mais trabalhar nem manter meu emprego. E, assim, como vou viver? Além disso, se isso acontecer, quem me garante que não vou contaminar minha esposa e meus filhos? Ah, estou numa situação terrível!”. Com essas e outras preocupações, a pessoa mal consegue dormir à noite e acaba aprisionada na depressão. E, como todos fazem, começa a vasculhar livros sobre tuberculose e a lê-los compulsivamente. No entanto, embora esteja escrito que a tuberculose tem cura, isso é apenas aparência: na realidade, a explicação científica é tão minuciosa e detalhada que não se pode deixar de sentir medo. De qualquer forma, como o homem moderno acredita incondicionalmente em tudo que é científico, quanto mais lê, mais a preocupação aumenta. Por outro lado, ainda que haja cura, não se sabe quantos anos ela levará. E, além disso, com a exigência de repouso absoluto durante esse período, nada se pode fazer. Por um curto período, é possível contar com economias, seguro-doença e afins, mas a preocupação com o que virá depois é imensa e não abandona a pessoa.
Além disso, os custos médicos são consideráveis; assim, a menos que se tenha grande folga financeira, a preocupação com a doença se multiplica para a maioria das pessoas, tornando-se um sofrimento duplo que acelera a piora do quadro.
No entanto, não é só a tuberculose. Há também, como tem ocorrido nos últimos tempos, uma epidemia de diversas doenças contagiosas. Se, por acaso, ocorre uma diarreia violenta, a pessoa se preocupa: “Será que não é o início de disenteria?”. Se a febre persiste sem que se tenha pegado um resfriado, será que não é tifo? Especialmente com as crianças: se estão sem energia, bocejando ou com sono, será disenteria epidêmica? Encefalite japonesa? Se surge uma tosse forte e persistente, será coqueluche? Se a garganta chia, difteria? Se o andar está um pouco estranho, poliomielite ou cárie óssea na coluna? Se a criança está distraída, deficiência intelectual? Se não engorda, diátese linfática? Se os olhos estão irritados, tracoma? Há ainda hérnia, preferências alimentares, crises de irritação, entre tantas outras — a lista é interminável. As mulheres, por sua vez, sofrem muito hoje com irregularidades menstruais, dismenorreia, leucorreia, anteversão ou retroversão do útero, histeria, etc. Além disso, na gravidez são comuns enjoos matinais, nefrite gestacional, gravidez ectópica, apresentação pélvica e parto prematuro. Para as pessoas em geral, há enjoo em viagens de barco ou carro, insônia, zumbido, congestão nasal, miopia, astigmatismo, constipação, má digestão, além de outras doenças que nem têm nome, o que já é problemático por si só. Assim, hoje em dia dificilmente existe alguém que, em maior ou menor grau, não tenha algum tipo de doença. Não seria exagero dizer que não há uma única pessoa na face da Terra com os quatro membros e os cinco órgãos perfeitamente saudáveis. Será, então, que esse é o estado normal do ser humano? Precisamos refletir profundamente sobre isso. Se o Criador de todas as coisas, ou seja, Deus Todo-Poderoso, tivesse criado uma criatura tão imperfeita, é absolutamente óbvio que isso não faria sentido. No entanto, se a humanidade se tornou como hoje, cheia de pessoas frágeis como objetos quebrados, deve haver algum grande erro nisso.
Desde os tempos antigos diz-se, além disso, que o ser humano tem quatrocentas e quatro doenças; hoje, porém, esse número parece ter aumentado para mais de mil, o que é realmente misterioso e incompreensível. E, ainda assim, a medicina se orgulha de ter avançado — o que dá vontade de dizer que algo está errado com a sua cabeça. A causa disso é que a medicina moderna tem uma grande falha: desconhece por completo a verdadeira causa das doenças e ignora a terapia adequada, o que é surpreendente. Então, o que é, afinal, a doença? A resposta é extremamente simples: é o sofrimento decorrente da ação de eliminação das substâncias tóxicas que não deveriam estar no corpo. E, como essas substâncias tóxicas vêm justamente dos medicamentos, não há nada mais benéfico do que a doença. Uma vez que se compreenda isso profundamente, não só se deixa de temer a doença, como, ao contrário, passa-se a considerar ótimo pegar um resfriado, ótimo ter diarreia, e os micróbios algo pelo qual se deve ser grato. Na verdade, a cada doença a saúde aumenta, até que, por fim, a pessoa se torna saudável a ponto de não adoecer, ainda que os micróbios a invadam. Se é assim, não seria uma história maravilhosa? Acima de tudo, os fatos o comprovam bem. Quando alguém se torna fiel da nossa Igreja, como dito anteriormente, as doenças diminuem gradualmente e a pessoa se torna mais saudável a cada ano. Raramente alguém morre; quando isso acontece, é porque a pessoa acumulou tantas toxinas medicamentosas que a eliminação leva tempo, e ela sucumbe por fraqueza. Mas isso é extremamente raro; segundo as estatísticas disponíveis até o momento, o resultado é esplêndido: de cada cem pacientes com tuberculose, noventa e três se curam completamente, e apenas sete não conseguem. Diante disso, não há necessidade de dizer muito mais sobre quão feliz se torna quem se faz fiel da nossa Igreja.
Aviso
Eikō nº 182, publicado em 12 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Quando uma pessoa é milagrosamente salva pelo Johrei, o médico que presencia o fato frequentemente se surpreende, inclina a cabeça, suspira e pergunta como ocorreu a cura.
No entanto, parece haver alguns fiéis que, diante disso, não respondem com franqueza e honestidade. Isso é um erro grave e uma blasfêmia contra Deus.
Se o objetivo dos fiéis é, com todas as suas forças, salvar o maior número possível de doentes, divulgar ao maior número de pessoas o maravilhoso efeito curativo do Johrei da nossa Igreja está de acordo com a Vontade Divina. Para isso, não há nada mais eficaz do que fazer com que os médicos o compreendam. Contudo, por não entenderem isso a fundo, talvez alguns prefiram manter segredo — o que é um erro imperdoável. Já que Deus concede uma graça tão grande, o mais importante é fazer com que os médicos a compreendam. Se a maioria deles entender, o problema das doenças estará resolvido por si só. Portanto, gravem bem este ponto em seus corações e, doravante, prossigam diligentemente segundo essa diretriz.
A Salvação do Sol
Eikō nº 183, publicado em 19 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
As pessoas hoje consideradas intelectuais têm o hábito quase invariável de olhar com preconceito para qualquer nova religião desde o início. Decidem que, afinal, são religiões surgidas recentemente, que aproveitam a ocasião para inventar uma doutrina engenhosa e enganar o povo comum para encher os próprios bolsos, e que o líder deve estar se pavoneando como um fundador. Por isso, mesmo que os fiéis adoeçam, não os deixam consultar um médico e, além disso, têm seus suados ganhos, obtidos com o suor do próprio sangue, arrancados — e ainda assim se sentem gratos por isso. Parece que pensam algo como "que mundo complicado". De fato, se isso fosse verdade, seria mesmo assim, e nós, mesmo sendo religiosos, não hesitaríamos em concordar.
No entanto, também não acho que essa visão esteja totalmente errada, porque, com exceção de duas ou três, entre as novas religiões há muitas que não são dignas de admiração. Vemos com frequência, por exemplo, grupos que leem sutras em voz alta e batem sinos, tambores, blocos de madeira rítmica, sem se importar de incomodar os vizinhos, e se sentem bem.
Isso é uma espécie de crime de poluição sonora. Ademais, em meio a uma multidão que os observa, muitos fiéis cantam canções estranhas enquanto dançam e rodopiam com passos esquisitos, sem qualquer cerimônia, como se estivessem num estado de sonho e embriaguez. Não sou o único a sentir-me mal ao ver isso; penso que essas práticas também são questionáveis do ponto de vista social. Por outro lado, vejo com frequência pessoas que, por serem tão fervorosas na fé, tornam-se egoístas, desprezam não só outras religiões e pessoas sem fé, mas também evitam até o convívio social comum. Há ainda religiões que, levadas ao extremo, criam pessoas que gostam de ser possuídas por divindades. É de se considerar que, nessas, os aspectos negativos superam os positivos. Existem também as inofensivas, é verdade. É comum ver líderes autoproclamados que deixam o cabelo crescer, usam roupas estranhas e se pavoneiam como se fossem deuses vivos. Isso é realmente cheio de pretensão, e o fato de haver pessoas que acreditam em tais "deuses vivos" mostra como o mundo é vasto.
Desde os tempos antigos, certos tipos de fé vêm acompanhados de práticas ascéticas, como purificações em água fria no inverno, jejuns em montanhas isoladas e banhos em cascatas, e os praticantes ficam absortos nessas práticas. O próprio praticante deve, de fato, sentir-se muito satisfeito, mas nós, pessoas comuns, não entendemos absolutamente essa mentalidade; ao contrário, sentimos pena. Escrevi de modo geral o que foi dito acima, mas, em suma, essa superstição de considerar métodos que se afastam do mundo como a essência da religião também é problemática. Ao ver tudo isso, eu, embora seja um religioso, acho realmente desagradáveis as religiões que valorizam as práticas ascéticas, e sempre digo isso às pessoas. Como visto acima, as crenças de baixo nível estão disseminadas hoje em dia, por isso é natural que, mesmo quem não é intelectual, não deixe de sentir desprezo por elas.
No entanto, não é por me gabar, mas a nossa Igreja Messiânica é completamente diferente dessas crenças. Temos como lema, em primeiro lugar, prezar o bom senso; não diferir em nada, na vida e nas ações, das pessoas comuns; buscar a harmonia com qualquer pessoa e nunca faltar com a cordialidade.
Quem compreender essa verdade, mesmo sem se tornar membro da nossa Igreja, sentirá vontade de se aproximar dela com tranquilidade. No entanto, por não conhecerem essa verdade, muitos nos confundem levianamente com aquelas crenças sem senso comum mencionadas anteriormente, o que é realmente lamentável. Portanto, os obstáculos ao desenvolvimento da nossa Igreja não são os ateus nem os supersticiosos da ciência; são, antes, as novas religiões indesejáveis como as mencionadas. E, como não se trata de uma obstrução consciente, é ainda mais difícil de lidar. Essa é, sem dúvida, a situação peculiar do mundo religioso do Japão. Isso porque, na Europa e na América, todos os países têm, em geral, o cristianismo como religião única e, como o desenvolvimento cultural foi mais rápido que no Japão, a visão sobre a religião é relativamente justa e racional, o que é muito bom. No Japão, porém, existem o budismo, o xintoísmo, o cristianismo, e cada um deles se divide em várias escolas, criando uma verdadeira confusão entre o certo e o errado.
Por isso é realmente difícil de lidar. Mas, como sempre digo, a nossa Igreja Messiânica não é uma religião, e sim uma super-religião. É uma obra de salvação como nunca houve desde o início da história; portanto, tudo nela é diferente. Como qualquer um pode ver pelos métodos inovadores da nossa Igreja, não é de admirar que a mentalidade das religiões tradicionais não consiga compreendê-la facilmente. No entanto, uma vez que se começa a entender, não há exceção: a pessoa percebe que "era isto que eu procurava", e uma alegria genuína brota do fundo do coração. Acima de tudo, o próprio ritmo de desenvolvimento da nossa Igreja mostra que ela cresceu enormemente em apenas alguns anos. A esse respeito, quero chamar a atenção para o fato de que, embora existam duas ou três novas religiões que também se desenvolveram extraordinariamente nos últimos anos, elas são fundamentalmente diferentes da nossa: baseiam-se em religiões já estabelecidas e reuniram um grande número de fiéis desses grupos. A nossa Igreja, em contraste, é inteiramente original do começo ao fim.
Desejo, portanto, que este ponto seja plenamente reconhecido. E, como dito anteriormente, as religiões extremamente insensatas têm, obviamente, sua base na fé Shojo, por isso são rígidas e sem liberdade. No entanto, embora o público em geral pense que a liberdade é algo distante da religião, também aqui, assim como no mundo material, se a liberdade não for uma liberdade democrática, não será possível guiar as massas populares no futuro.
Para explicar de forma mais clara: as religiões até hoje são de nível Shojo, e por isso, assim como cada país do mundo tem suas próprias cores, as religiões também as têm.
Consequentemente, o que pregam é centrado em si mesmas e carece de universalidade, e por isso é natural que o alcance da sua salvação seja estreito. Além disso, a fé Shojo tem preceitos severos, e estar amarrado a eles e sofrer é considerado prática. Isso equivale a rejeitar o amor de Deus, e é algo digno de pena. A isso chamo de "Inferno da fé". A nossa Igreja, por outro lado, é o oposto: como quase não tem preceitos, é extremamente livre, e considera o desfrutar da vida como uma graça divina.
Pode-se dizer que esta é, sim, uma fé do Paraíso. Como visto acima, a nossa Igreja, de caráter Daijo, inclui tudo o que é necessário ao ser humano: religião, filosofia, política, economia, educação, arte, medicina, etc.
Assim como o sol controla todas as cores e é, ele mesmo, de uma só cor, o branco, a nossa Igreja é a religião do dia, a salvação do sol.
Seres Humanos como Micróbios
Eikō nº 183, publicado em 19 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
O que o homem moderno mais teme são, provavelmente, os micróbios patogênicos.
No entanto, se perguntarmos por que surgem os chamados micróbios, não podemos deixar de nos surpreender: eles não apenas são absolutamente necessários à saúde humana, mas também é o próprio homem quem os cria. Quem ler com atenção o que se segue certamente concordará, pensando "de fato, é assim". Em primeiro lugar, todas as coisas existentes neste mundo são, sem exceção, necessárias ao homem e, ao mesmo tempo, criadas por ele; esta é a lei da natureza.
Contudo, embora o conhecimento até hoje não tenha compreendido isso, o homem, com sua sabedoria superficial e presunção, contentou-se em criar justificativas lógicas para esse fato. Esta verdade não se aplica apenas às doenças, mas também às pragas das plantações e aos crimes na sociedade; por isso, escreverei de forma exaustiva sobre a verdadeira natureza dessas coisas.
Primeiramente, sobre o surgimento dos micróbios: como resultado de o homem cometer pecados devido a pensamentos equivocados, essa impureza se acumula, tornando-se, espiritualmente, nuvens espirituais e, materialmente, sangue turvo. Para a necessária purificação disso, surgem os micróbios, que transformam o sangue turvo em sangue purificado. Assim, os micróbios brotam como agentes encarregados de dissolver a turvação e, como existem vários tipos dela, nascem os micróbios adequados a cada uma — os "faxineiros" correspondentes.
Portanto, como escrevi antes, quando a sujeira se acumula, surge um processo de purificação; a natureza resolve tudo de forma perfeita. Assim, se o homem quisesse erradicar os micróbios do mundo, não haveria outro caminho senão purificar o mundo a ponto de não haver mais necessidade deles; esta é a raiz da questão. É lamentável, porém, que, por não conhecerem essa verdade, os homens deixem de lado os próprios pecados, tratem os micróbios como vilões e se esforcem apenas por matá-los. Ora, essa verdade também se aplica aos fertilizantes.
Isso porque, nos últimos anos, as pragas vêm aumentando a cada ano. Isso também ocorre porque os pesticidas e os chamados fertilizantes sujam a terra, fazendo com que as pragas, como "faxineiras", brotem; portanto, essas pragas são, em última análise, criadas pelo próprio homem. Além disso, o aumento da variedade de pragas nos últimos anos deve-se ao aumento dos tipos de fertilizantes. E por que o homem começou a usar fertilizantes? Porque, ao usar pesticidas e os chamados fertilizantes, a produção aumenta enormemente no início, o que o fascina. Como resultado, ele caiu na superstição do fertilizante, tratando-o como a única solução, e, mesmo atormentado por pragas como hoje, não se dá conta disso. Como se viu, o homem, enganado por resultados temporários, vê o solo enfraquecer, as sementes adoecerem por intoxicação, as pragas aumentarem descontroladamente e a colheita diminuir; é realmente algo tolo. Por isso, na situação atual, em que mal se evita a fome graças ao arroz importado, até mesmo o país de "Toyoashihara no Mizuho", a Terra de Abundantes Colheitas de Juncos e Espigas, tornou-se algo deplorável. Vê-se assim, em meio ao desespero, as pessoas debatendo-se com medidas equivocadas, como a melhoria das terras agrícolas, a troca e consolidação de terras, a seleção de sementes, inseticidas, a questão da importação e exportação de fertilizantes, a ponto de ser difícil de assistir. O governo, além disso, com planos plurianuais para o aumento da produção de alimentos básicos, gasta enormes quantias, mas, apesar do grande alarde, os resultados continuam os mesmos; quando dá certo, é apenas uma colheita mediana.
Em seguida, como se sabe, os crimes também aumentaram enormemente nos últimos anos, e autoridades e especialistas não fazem mais do que suspirar. Mas isso também ocorre porque aumenta o número de pessoas que são "lixo" e "impureza"; e, para que a natureza as limpe, tornam-se necessários os "homens-micróbio". Como estes existem em abundância, a natureza os incumbe da limpeza. Por ser um método que causa sofrimento e danos às pessoas, é comum ouvir queixas egoístas como: "Não entendo por que, mesmo andando pelo caminho reto, fico tão infeliz" ou "Não deveria ser necessário sofrer tanto com doenças". Isso acontece porque não compreendem a verdade fundamental; se Deus visse isso, certamente daria um sorriso amargo.
E o interessante é que o próprio método de limpar os "homens-micróbio" acaba, inevitavelmente, criando novos pecados; para limpá-los, outros "homens-micróbio" se tornam necessários, num jogo de "cobra comendo cobra", e o mundo se transforma num esgoto. No entanto, finalmente chegou o tempo, e Deus revelou isso de forma fundamental neste artigo. Peço, portanto, que o leiam com os olhos bem abertos, pois esta é, de fato, a primeira maneira de reduzir os "homens-micróbio".
Diálogo entre Meishu-Sama e o Sr. Tetsuzō Tanikawa (Conclusão) – Sobre Cerâmica Chinesa
Eikō nº 214, publicado em 24 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Sr. Tanikawa: Como da vez passada, o vaso com cabeça de galo da cerâmica de Yuezhou, logo à direita de quem entra na quinta sala, é uma peça excelente. Este ano, assim como no ano passado, estava exposto no mesmo lugar; é mesmo uma obra-prima da cerâmica de Yuezhou. É sempre agradável de se ver, não importa quando.
Meishu-Sama: Além disso, por ser grande, é ainda melhor.
Sr. Tanikawa: É grande, robusto e verdadeiramente imponente.
Meishu-Sama: Uma versão menor daquela também existe nos Estados Unidos.
Sr. Tanikawa: Quanto à cerâmica de Jiaotan, já se sabe a procedência de cada peça — isso já foi discutido várias vezes. Nela, temos o queimador de incenso do Sr. Iwasaki e a tigela do Sr. Yokogawa.
Meishu-Sama: Deve ser isso mesmo.
Sr. Tanikawa: Como o estudo da cerâmica Ge da dinastia Song do Sul só se tornou possível há pouco, a pesquisa sobre a cerâmica de Jiaotan ainda não estava completa. Por falar nisso, aquela cerâmica Ge de base em forma de hakama que surgiu recentemente é excelente. Ainda não vi o queimador de incenso do Sr. Iwasaki, mas, pela fotografia colorida, a cor é muito parecida com a que vi antes. Gostaria de pegá-lo nas mãos uma vez, para examiná-lo.
Esposa de Meishu-Sama: Afinal, quando se trata de uma peça verdadeiramente célebre no mundo...
Sr. Tanikawa: Pois é. Mas, mesmo com a chamada Coleção Yokogawa, que possui uma quantidade considerável, não há tantas peças verdadeiramente célebres no mundo.
Meishu-Sama: Nesse sentido, não seria o Hakutsuru?
Sr. Tanikawa: Nunca fiz uma comparação concreta, mas talvez seja mesmo o caso.
Meishu-Sama: Deve ser. Há duas ou três peças lá que eu gostaria muito de ter, mas não se decidem a vendê-las.
Sr. Tanikawa: E as peças boas, nesse caso, são escuras, não é?
Esposa de Meishu-Sama: Deve ser mesmo obra de um grande artesão.
Sr. Tanikawa: É porque são fornos oficiais (guan yao).
Meishu-Sama: Devem se esforçar ao máximo para agradar o soberano.
Sr. Tanikawa: Hoje em dia, o que se conhece como cerâmica de Jiaotan é o "cong" do Fugusai, a peça do Sr. Iwasaki e a da Coleção Yokogawa.
Meishu-Sama: O que é esse "cong"?
Sr. Tanikawa: É aquilo que no Japão costumamos chamar de "suporte de varetas de cálculo" (sangi-te).
Meishu-Sama: Ah, aquele modelo de suporte de varetas de cálculo é uma bela peça.
Sr. Tanikawa: Antigamente, muitas peças de celadon Kinuta — ou seja, da cerâmica de Longquan — vinham para o Japão, mas não se sabia que aquele "cong" doado pelo Fugusai era uma peça ainda mais valiosa do que o celadon Kinuta. Estava na posse da família Date, que, ao que consta, o usava como jarra de água. Um homem chamado Sherman Lee, que veio ao Japão a serviço do governo, viu o "cong" doado pelo Fugusai — esse homem costuma estalar a língua quando gosta muito de uma peça — e, estalando-a, disse que, embora exista algo parecido na Coleção David, esta era muito superior; que, se a levasse para Nova York, poderia pedir o preço que quisesse, quarenta ou até cinquenta mil dólares.
Meishu-Sama: Na Coleção David há uma peça com uma rachadura muito grande. O que é aquilo?
Sr. Tanikawa: Há bastantes peças que foram tesouros da corte do primeiro imperador Qing, mas, quanto a essas, há algumas dúvidas. Por isso, ali há muitos tipos de peças classificadas como cerâmica Ge da dinastia Song do Sul. Há uma variedade considerável de peças de tom amarelado.
Meishu-Sama: Mas o celadon não é algo bastante difícil de entender?
Sr. Tanikawa: É difícil, sim. Eu também mexo com cerâmica há uns trinta anos, mas só entendi o verdadeiro encanto do celadon nos últimos cinco ou seis anos. É difícil, e por isso não se compreende facilmente.
Meishu-Sama: Eu também gosto de celadon, mas as dúvidas vão surgindo, uma atrás da outra.
Sr. Tanikawa: Mas, pensando bem agora, não é à toa que os chineses o valorizavam tanto — é realmente o ápice da cerâmica.
Meishu-Sama: É isso mesmo. Tem dignidade. Aquela tigela exposta no museu é muito elogiada.
Sr. Tanikawa: É a de Xiuneisi, não é? Aquela é excelente.
Meishu-Sama: O celadon de base em forma de hakama que veio no ano passado também é uma boa peça, não é?
Sr. Tanikawa: Era mesmo uma boa peça. Do que antigamente se chamava Kinuta, aos poucos, com a pesquisa, passou-se a distinguir a cerâmica de Xiuneisi; é um pouco esbranquiçada e tem uma dignidade realmente elevada.
Meishu-Sama: Pois é. O trabalho, também, seja na forma, seja no acabamento fino e preciso da parede, é realmente excelente.
Sr. Tanikawa: É verdade.
Meishu-Sama: Da última vez que fui a Nagoya, mostraram-me um vaso com alças em forma de fênix; a cor era boa, mas o trabalho era ruim — em suma, uma peça de mau gosto. Além disso, uma das alças estava quebrada e parecia ter sido refeita.
Sr. Tanikawa: Nunca peguei essa peça nas mãos para examinar, mas é realmente imponente.
Meishu-Sama: É mesmo. Tem boa aparência.
Esposa de Meishu-Sama: A peônia em relevo do Hakutsuru também é muito boa, não é?
Sr. Tanikawa: Eu, no entanto, prefiro as peças sem decoração a essas tão ornamentadas.
Meishu-Sama: Mas a peônia em relevo do Hakutsuru era muito boa. Essa é um pouco diferente, tem uma força extraordinária.
Sr. Tanikawa: É mesmo? Não me lembro bem, mas o que geralmente se diz é que são muito ornamentadas.
Meishu-Sama: É isso, são ornamentadas. Mas a do Hakutsuru é extremamente aguda — essa força é indescritível. E o dragão na cerâmica de Cizhou do Hakutsuru, o que acha?
Sr. Tanikawa: Aquela é boa. Parece que teve grande prestígio até nos Estados Unidos. Por muito tempo só a vi em fotografia e achei que não fosse grande coisa, mas, vendo as duas peças reais lado a lado, a do dragão é superior. O dragão é masculino, e a peça do Sr. Hosokawa é feminina — até na força, são diferentes.
Esposa de Meishu-Sama: O vaso com cabeça de galo em sancai também é bom, não é?
Meishu-Sama: É bom. Em sancai, deve ser o melhor do Japão.
Sr. Tanikawa: Mas, mesmo havendo o vaso com cabeça de galo em sancai e várias outras peças, acho que a cerâmica de Yuezhou que está no Museu de Arte de Hakone é a de primeira categoria. Aquela força é extraordinária.
Meishu-Sama: É isso mesmo. E, pela pátina e pela antiguidade, também é excelente.
Sobre Jades e Bronzes
Sr. Tanikawa: O senhor ainda não comprou jades, não é? Eu, atualmente, estou interessado em jades, mas, quando se trata de jades e bronzes, se não forem de antes da dinastia Han, são fracos e não prestam. Ao ver peças dos Três Reinos e da dinastia Han misturadas com as das dinastias Yin e Zhou, vou perdendo o interesse aos poucos. Na cerâmica, as peças da dinastia Han são fortes e boas, mas jades e bronzes só prestam até a dinastia Han — as posteriores a ela são completamente sem valor. Havia também bronzes no período dos Reinos Combatentes, mas as peças posteriores à dinastia Han se tornam fracas.
Meishu-Sama: De fato, quando se trata de bronzes, depois da dinastia Han eles não prestam mesmo. O que acho estranho é como, já na dinastia Zhou, foi possível produzir peças tão magníficas como os bronzes de Zhou.
Sr. Tanikawa: O mesmo vale para as dinastias Yin e Shang, anteriores a ela. Mesmo as peças de Yin são magníficas.
Meishu-Sama: São mesmo magníficas. Por isso, até a cerâmica reproduz os bronzes. A cultura das dinastias Yin e Zhou é realmente extraordinária.
Sr. Tanikawa: Isso também nos interessa muitíssimo. Afinal, os bronzes são utensílios rituais ligados à religião antiga; depois da dinastia Han, o budismo se estabeleceu. Por isso, na China, distingue-se o período anterior à chegada do budismo do posterior. O budismo floresceu no tempo da dinastia Wei do Norte.
Meishu-Sama: Então é por isso que há boas imagens de Buda da dinastia Wei.
Sr. Tanikawa: Corresponde ao período Asuka no Japão. E o período Nara corresponde, em geral, à dinastia Tang. Mesmo no Japão, as peças do período Asuka são fortes.
Sobre Imagens de Buda
Meishu-Sama: E quanto à arte budista?
Sr. Tanikawa: Gosto de tudo. Das três imagens de Buda em bronze dourado que o senhor adquiriu recentemente, as duas que não são a do Sr. Koizumi são as melhores. Quando as vi, estavam classificadas como do período Hakuhō, mas achei as do período Asuka mais belas. As do período Asuka têm um rosto mais rústico, mas são boas peças — dos ombros às costas, têm força. A imagem de Buda de Koizumi Sanjin é bem inferior. E, entre as quarenta e oito imagens de Buda da quinta sala, há algumas com esse mesmo tipo de rosto rústico.
Meishu-Sama: Entre as quarenta e oito imagens de Buda, qual é a melhor?
Sr. Tanikawa: Sem ver o catálogo, não consigo dizer de memória, mas cada uma tem seu valor. No início, estranhei as que tinham linhas muito cerradas, ou as mais rústicas, mas, ao final, cada uma tem seu mérito. Chamam-nas de imagens em bronze dourado, mas, ao que consta, há uma delas esculpida em madeira.
Meishu-Sama: As imagens em bronze dourado do período Suiko e as do período Hakuhō são completamente diferentes, não são?
Sr. Tanikawa: Mas o senhor possui peças de tantas áreas diferentes — isso é notável. Acho também que colecionar apenas um tipo de objeto é um desvio para quem coleciona. Acredito que há algo em comum entre todas as coisas.
Meishu-Sama: É isso mesmo.
Sr. Tanikawa: Acho que peguei um resfriado hoje — estava até meio melancólico dentro do trem —, mas, quando vejo obras de arte, não sinto cansaço nenhum.
Meishu-Sama: Eu também tenho vários afazeres, mas esse tipo de momento é sempre especial para mim.
Sr. Tanikawa: Comigo ocorre o mesmo. Mesmo tendo outros compromissos, ir a uma loja de antiguidades é sempre diferente. Muito obrigado por me mostrar tantas peças. Ainda há, no museu, algumas peças expostas que gostaria de ver com calma, por isso voltarei a visitá-lo.
Todos: Muito obrigado pelo seu tempo.
O Homem Moderno Carrega uma Bomba
Eikō nº 184, publicado em 26 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Ao ler este título, talvez se pense que é um pouco assustador demais, mas, na verdade, trata-se de uma explicação honesta, sem qualquer artifício; peço, portanto, que a leiam com essa disposição. Os seguidores já sabem bem disso, mas, se examinarmos as pessoas da era moderna que, de alguma forma, trabalham com aparência saudável, veremos que, sem exceção, seus corpos estão repletos de toxinas medicamentosas por todos os lados.
Quando, por acaso, uma parte dessas toxinas começa a se dissolver, isso é considerado doença, e a pessoa imediatamente consulta um médico. O médico, após examiná-la, diz que é grave, que por enquanto não é nada demais, mas que, dependendo do caso, pode ser o início de uma doença grave — e trata logo de solidificar as toxinas novamente. Os métodos para essa solidificação são vários, a começar pelos medicamentos. E assim, acreditam que os métodos que solidificam bem são terapias avançadas; é um mundo terrível.
Dessa forma, os seres humanos de hoje acumulam toxinas à vontade e as solidificam cuidadosamente, de modo que parecem pessoas saudáveis, com uma aparência de "falsa robustez" — mas, na verdade, isso é perigoso. Antigamente, eu costumava rir, dizendo que um amontoado de pus, cheio de lógica, estava se vangloriando. É claro que, ainda hoje, isso não só continua assim, como está piorando cada vez mais. Acima de tudo, não há ninguém tão suscetível a doenças quanto as pessoas de hoje; por isso há uma infinidade de advertências: "Cuidado com a higiene!", "Não pegue um resfriado!", "Não exagere na comida e na bebida!", "Tenha uma alimentação nutritiva!", "Não se resfrie!", "Não se canse!", "Durma o suficiente!", "Lave as mãos!", "Faça gargarejo!" e assim por diante. É como se tratassem o corpo humano como um objeto frágil. Sem rodeios, pode-se dizer que é uma espécie de era de terror. Se as coisas continuassem assim, estaria tudo bem, mas há algo que não permite que isso prossiga: a mudança no mundo espiritual. Essa mudança significa que as toxinas gradualmente não conseguem mais se solidificar; por mais modernos que sejam os tratamentos médicos ou os novos medicamentos, a força de dissolução se torna mais forte, e os seres humanos cairão um após o outro — o que é mais claro do que a luz do dia. Mesmo lendo isto, porém, a maioria das pessoas talvez pense: "Será que uma bobagem dessas é possível? Isso já é exagero demais". Mas Cristo já profetizou isso há dois mil anos. Isso é exatamente o "fim do mundo", como descrito anteriormente.
Aqueles que não quiserem acreditar nisso podem não acreditar; mas, quando chegar o momento final da agonia, por mais que se mordam de arrependimento, dizendo: "Ah, que tolo fui, mesmo tendo sido avisado daquela forma!", já será tarde demais. Portanto, se quiserem se salvar, que seja agora. O que se deve fazer, então? Não é algo tão difícil. Em suma: se as toxinas se dissolverem de uma só vez, a vida corre perigo; se forem dissolvidas gradualmente, a pessoa se salva. Este é o método do Johrei da nossa Igreja, mas, por ser extremamente simples, há quem tenha dificuldade em acreditar — e é justamente por isso que ele tem tanto valor. No entanto, como a purificação do mundo espiritual se intensifica a cada dia, chegará o momento em que nem mesmo a medicina conseguirá solidificar as toxinas. Por isso, é preciso despertar o mais rápido possível e vir para a nossa Igreja. Em suma, o que foi dito acima pode ser resumido numa frase: o homem moderno está, na verdade, carregando uma bomba de toxinas.
Meishu-Sama e a Literatura: O Objetivo da Igreja Messiânica é a Mais Alta Cultura
Eikō nº 183, publicado em 19 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
(Trecho de um diálogo com um literato)
No dia doze de outubro, o Sr. H, um escritor emergente, veio nos visitar como repórter especial de certa revista. Durante mais de uma hora, Meishu-Sama derramou revelações divinas extremamente valiosas sobre literatura, arte e outros temas. O Sr. H, incapaz de conter a admiração, declarou que uma vida nova havia sido infundida em sua escrita, e retirou-se. Eu também tive a honra de estar presente e, mais uma vez, pude vislumbrar um aspecto do magnífico plano de Meishu-Sama, sentindo o coração vibrar de emoção. Das anotações taquigráficas daquele momento, selecionei apenas o que se relacionava com a literatura, e desejo compartilhar esta bênção e esta alegria com todos vocês.
Sr. H: O senhor é um grande apreciador de arte. Chegou a frequentar alguma escola de belas-artes?
Meishu-Sama: Sim. Gosto muito de arte, e foi assim que, aos poucos, à medida que me dedicava à religião, percebi que, afinal, havia uma relação entre as duas coisas.
Sr. H: E quanto à literatura? O senhor escreve textos muito bons — foi tudo escrito pelo senhor mesmo?
Meishu-Sama: Escrevo tudo eu mesmo. Por isso não tenho descanso, de tão ocupado que fico.
Sr. H: Nem mesmo um profissional conseguiria escrever tanto assim.
Meishu-Sama: É mesmo? Veja bem, procuro escrever sobre religião da forma mais compreensível possível, e há partes difíceis nisso. Se fosse apenas escrever o que se vê e o que se sente, seria simples... Mas escrever coisas profundas de maneira bem simples exige um grande esforço.
Sr. H: Se os literatos também pudessem contar com o empenho do senhor, como líder de uma escola religiosa, todos ganhariam uma vida nova.
Meishu-Sama: Por isso é que me dedico tanto à literatura quanto às artes.
Sr. H: Sendo assim, eu gostaria de trazer aqui cinco ou dez literatos, para que o senhor lhes incutisse esse espírito.
Meishu-Sama: O maior defeito da literatura japonesa é a pequena escala e a falta de convicção. É um "vender por vender". O nível é extremamente baixo — basta que venda e dê lucro. Falta-lhe a espinha dorsal de tomar uma posição e atacar os defeitos da sociedade ou da política, de mover as coisas por convicção. De modo geral, a literatura japonesa é muito inferior à ocidental nesse ponto.
Sr. H: O que me deixou muito feliz foi ver um religioso compreender tão bem a arte. Parece ser regra que os religiosos tenham pouco interesse pela arte.
Meishu-Sama: Muitos deles são como pedra e madeira — quero dizer, ficam com um "cheiro de deus" e perdem a sensibilidade.
Sr. H: Pode parecer que estou puxando a brasa para a minha sardinha, mas não acha que, mesmo que uma nação pereça, a arte e a religião permanecem?
Meishu-Sama: Sem dúvida. Como não tenho tempo disponível, não consigo ler tudo, e sacio essa sede apenas com filmes. Assisto a um filme a cada duas noites, sem falta — tanto estrangeiros quanto japoneses —, e acredito que o cinema terá um papel muito importante no futuro.
Sr. H: A Igreja Messiânica é uma religião com um caráter cultural muito forte. Não conheço muito de religião, mas a maioria delas parece não ter esse caráter cultural.
Meishu-Sama: É isso mesmo. Pode soar estranho eu dizer isto, mas não tenho interesse pela religião [em si]. O objetivo da Igreja Messiânica é a mais alta cultura. Ela deveria, isso sim, ter autoridade para guiar a cultura. Ora, o grande erro atual é que a religião se adapta aos tempos, colocando-se por conta própria num nível inferior ao da cultura, ao da ciência. Por isso a maioria das religiões constrói hospitais. A minha, porém, não constrói. Se eu construísse um hospital, isso significaria que minha religião está abaixo da ciência. Mas a minha está acima da ciência, por isso não construo hospitais. Ou seja, a religião é a ciência mais elevada. A religião é a ciência espiritual. A ciência de hoje é a ciência materialista — ambas podem ser chamadas de ciência; a diferença está apenas em seguir pelo caminho material ou pelo caminho espiritual. Uma tem por objeto o que é visível; a minha, o que é invisível. Por isso, até as doenças são curadas muito melhor do que pelos médicos. Houve um caso de uma cegueira de quatro anos que se curou em cinco minutos — isso não fica nada a dever aos milagres de Cristo. Meus discípulos estão no nível de Cristo. Recentemente mandei investigar os doentes nos Estados Unidos, e, pelo relatório, a situação por lá é grave: atualmente há dezessete milhões de pessoas sob cuidados médicos, o que representa mais de dez por cento da população total. Isso porque os Estados Unidos estão fazendo algo muito errado, e por isso o número de doentes aumenta — e é sobre isso que estou escrevendo, com o título "Salvando os Estados Unidos". Pretendo traduzi-lo e distribuí-lo ao presidente americano, aos intelectuais, ao meio médico e aos hospitais. No Japão, também o publicarei com anúncios em jornal.
Sr. H: O senhor também pretende, ao mesmo tempo, fazer obra missionária no exterior?
Meishu-Sama: Claro que sim. Chama-se Igreja Messiânica Mundial justamente porque abrange o mundo inteiro; assim, salvar os países estrangeiros equivale, no fundo, a salvar os japoneses. Isso porque os japoneses só valorizam aquilo que vem de fora. Por isso estou planejando fazer propaganda nos Estados Unidos — não voltada para os japoneses, mas para os próprios americanos. Os japoneses têm, eles mesmos, um complexo de inferioridade muito forte. Eu penso o contrário: acredito que o verdadeiro japonês é o mais excelente, que sua natureza inata é magnífica. Se fosse dos Estados Unidos que viesse um método para salvar o Japão, tudo bem; mas, sendo o japonês quem vai salvar os Estados Unidos, isso por si só já deve curar bastante o complexo de inferioridade dos japoneses. Por isso escrevi detalhadamente sobre os erros da medicina americana, citando exemplos concretos, e acho que isso causará bastante sensação.
Sr. H: Voltando um pouco, quando escrevo um romance, às vezes sinto algo como inspiração — uma espécie de sabedoria que depois não consigo mais reproduzir. Por isso, para mim, a melhor hora para trabalhar é a madrugada. Quando todos estão dormindo, em silêncio, sinto como se estivesse trabalhando a sós com Deus.
Meishu-Sama: No meu caso também, o horário em que consigo escrever as melhores coisas é entre meia-noite e duas da manhã.
Sr. H: Nesse sentido, os escritores conhecem bem a Deus, não é?
Meishu-Sama: Ou seja, os escritores já chegam bastante perto do alto. Seria ótimo se os escritores japoneses subissem mais um degrau, mas todos acabam parando no meio do caminho. As obras-primas imortais de escritores ocidentais, como Victor Hugo ou Tolstói, têm um poder de influência enorme sobre a humanidade. Isso não existe nos romances japoneses — há apenas meras descrições psicológicas de amor, romances autobiográficos (shishōsetsu), ou puro entretenimento; em suma, falta algo sobre-humano. Gostaria, por exemplo, que escrevessem obras-primas com figuras sobre-humanas, como um Jean Valjean.
Sr. H: A razão fundamental pela qual me dedico à literatura é esta — corrija-me se eu estiver errado: acredito que a literatura consiste em extrair a beleza do mundo. Considero que minha missão é extrair, de todos os fenômenos da natureza, os três elementos — beleza, amor e luz — e expressá-los.
Meishu-Sama: Isso é muito bom.
Sr. H: E foi por defender essa ideia que me afastei da corrente principal da literatura; mas, para sobreviver, às vezes não tive escolha senão escrever literatura erótica e coisas do tipo.
Meishu-Sama: Não há problema em escrever qualquer coisa, mas isso sozinho não basta. É preciso, em algum momento, deixar uma grande obra — e essa obra deve ser de beleza espiritual. Mesmo entre os romances populares, o "Miyamoto Musashi", escrito pelo Sr. Yoshikawa Eiji, chegou bastante longe nesse sentido.
Sr. H: Aquilo é bem religioso, não é? Miyamoto Musashi é, no fundo, um homem religioso.
Meishu-Sama: Miyamoto Musashi é grandioso. E por que é grandioso? Porque sabia pintar muito bem. Não existem muitas pinturas de Miyamoto Musashi no Japão — ele é um nome extremamente célebre. O fato de um homem de espada ter tamanha habilidade com o pincel mostra que não era uma pessoa comum.
Sr. H: Então é natural que Sasaki Kojirō tenha perdido para ele — Sasaki Kojirō não chegava a esse nível.
Meishu-Sama: Isso mesmo. Faltava-lhe altura. A altura é que faz a diferença. Tanto na espada quanto no pincel existem níveis, e o que importa é alcançar essa altura. Por isso, mesmo em jardins ou em arquitetura, eu construo sempre o que há de melhor — porque meu nível está acima.
Sr. H: Para concluir, pode-se dizer que o senhor chegou a esse ponto por meio de uma disciplina extremamente rigorosa. No seu caso, que tipo de disciplina conduziu a esses momentos de inspiração?
Meishu-Sama: Para isso, pratiquei muita disciplina. E esse tipo de disciplina é coisa rara.
Sr. H: Muito obrigado pelo seu tempo.
Feudalismo Médico
Eikō nº 227, publicado em 23 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Falar em "feudalismo da medicina" é empregar uma expressão completamente nova, e talvez ninguém faça ideia do que ela significa; mas não creio que haja alguém que, ao ler isto, não pense: "realmente, é verdade".
Com efeito, como hoje se sabe, não apenas a variedade de doenças é imensa, mas também o número de doentes é muito grande. Na maioria dos casos, são enfermidades crônicas ou graves e de difícil tratamento; raros são os que se curam completamente, como os próprios médicos bem sabem. Apesar de se esforçarem ao máximo, com os métodos mais modernos, para tratar os pacientes da forma mais rápida e eficaz possível, não conseguem curá-los como desejam. No momento do primeiro diagnóstico, o médico prevê que a cura levará algumas semanas ou meses e comunica isso ao paciente; mas é quase certo que nenhum caso se tenha curado exatamente dentro do prazo previsto.
Isso ocorre porque, embora este medicamento ou este método seja teoricamente concebido para curar e aplicado exatamente como prescrito, a dificuldade de curar é algo que pacientes e médicos experimentam constantemente.
Assim, embora a cura pareça ocorrer temporariamente de acordo com a teoria, isso não dura muito. Mais cedo ou mais tarde, a doença inevitavelmente recai ou se transforma em outra enfermidade. Os médicos, que acumulam inúmeras experiências com isso, certamente compreendem. Não é difícil imaginar, portanto, que também eles alimentem dúvidas e estranheza diante desse fato. Isso se deve exatamente ao fato de a medicina não ter progredido tanto quanto os médicos acreditam; pensar que ela progride não passa de ilusão. Por isso, eles vivem constantemente imprensados entre a teoria e a prática e, embora sejam respeitados pela sociedade — que desconhece essa realidade — e ocupem uma posição social sólida, a angústia e o sofrimento em seus corações não devem ser pequenos.
No entanto, creio que eles se apoiam apenas numa tênue esperança, uma espécie de autoconsolação: um dia, com o progresso da medicina, chegará o momento da solução. Ao ler esta teoria, portanto, se o véu de dúvidas que os envolvia for removido, é natural que fiquem estupefatos e despertem, com o brilho da verdade revelando os erros como a luz do dia. Mas é justamente essa ilusão que se torna um grande obstáculo ao progresso da civilização; por mais que a ciência tenha avançado, a felicidade da humanidade não aumenta — e eles não percebem isso. Por essa razão, nem sequer examinam a minha teoria: decidem de antemão que, por ser uma teoria de um religioso, é anticientífica, contraria as teorias da ciência moderna, que avança a passos largos, e recusam-se a considerá-la. Em outras palavras, por estarem usando os óculos escuros da superstição científica, não conseguem ver com clareza. O que seriam esses óculos escuros? É o fato de que o pensamento fundamental dos médicos coloca a vida humana, desde o início, no mesmo nível das outras coisas, acreditando que as doenças podem ser resolvidas pela ciência.
No entanto, o que aprendi pela revelação divina é que, de fato, tudo o que não é humano pode ser assim; mas somente o ser humano é fundamentalmente diferente, e isso está fora do domínio da ciência. Por exemplo, os gostos e as preferências humanas, as emoções de alegria, raiva, tristeza e prazer, o amor, e também a inteligência, a arte, o misticismo, o amor à humanidade e outros pensamentos elevados são coisas que os outros animais não possuem de forma alguma.
Só por isso já se percebe a diferença entre os seres humanos e os outros animais. Assim, a grande falha da ciência é ignorar a singularidade humana e tratar os homens como se fossem animais.
Como isso se tornou o princípio fundamental da medicina, os médicos se fecharam nos limites da ciência e não puderam ver o outro mundo. Visto por outro ângulo: se o nível humano for considerado a linha do horizonte, tudo abaixo dela é o mundo material, e tudo acima é o mundo humano — e esta é a lei do universo. Por conseguinte, tudo o que está abaixo da linha do horizonte está sob o controle humano, mas o que está acima é o oposto. É natural, portanto, que seja impossível controlar a vida humana livremente com a ciência criada pelo homem, como evidencia o fato de não se poder evitar doenças nem prolongar a vida à vontade. Se assim é, tentar curar as doenças humanas com meios humanos é uma inversão, uma rebelião dos inferiores contra os superiores, uma violação da posição divina. Por isso, por mais que os estudiosos do mundo inteiro se esforcem, tentar lidar com a vida humana não passa de trabalho inútil. A medicina atual, sem perceber isso, corre desenfreadamente por um caminho equivocado, e sua ignorância é verdadeiramente digna de pena. Penso que os médicos de hoje são, na verdade, escravos da ciência, e sua psicologia é a mesma dos seguidores de cultos malignos e das superstições. Além disso, na era feudal, o bushido era considerado a mais alta moral, e matar em nome do senhor não era apenas permitido — os assassinos em massa eram louvados e honrados, o que, do ponto de vista atual, não pode ser chamado de outra coisa senão barbárie.
Em outras palavras, o crime era abertamente incentivado. Se aplicarmos isso à medicina, entenderemos ainda melhor. Pelo exposto, fica claro que considerar a ciência como o método supremo para curar doenças era uma crença cega, incapaz de se libertar da casca estreita do feudalismo.
No entanto, descobri que existe, na verdade, um mundo maravilhoso e desconhecido, e que nele reside a verdadeira terapia, capaz de curar completamente as doenças. Para anunciar esta grande boa-nova a todos os povos do mundo, apresento esta teoria como premissa, dirigindo-me a todos os médicos do mundo.
Fragmentos Médicos (35) – O que são os nervos
Eikō nº 185, publicado em 3 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Quando não conseguem identificar a causa de uma doença, os médicos costumam resolver a situação dizendo: "O sofrimento do senhor é devido aos seus nervos". Pensando bem, porém, acredito que não existe afirmação mais absurda do que essa. Se alguém sofre por causa dos nervos, sem que haja qualquer outra causa, então são justamente esses nervos que estão doentes. Sendo assim, a terapia dos nervos não seria a verdadeira medicina? Sabendo disso ou não, os médicos continuam dizendo a mesma coisa, o que é de fato surpreendente. Mesmo diante de uma lógica tão incoerente, as pessoas não a percebem e ainda se sentem gratas. Os homens modernos são realmente dignos de pena.
O que foi dito acima pode soar um pouco desagradável aos ouvidos dos médicos, mas, por considerá-lo a verdadeira lógica, escrevi estas palavras.
Sobre o Turismo no Japão
Eikō nº 218, publicado em 22 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
No dia 2 de maio passado, ouvi no rádio as impressões de um grupo de turistas de origem japonesa vindos dos Estados Unidos.
Entre os comentários unânimes, destacavam-se: as paisagens do Japão são maravilhosas, mas a estrutura dos banheiros é ruim; não há toalhas nos banheiros das pousadas; nos trens e em outros locais, os homens são indelicados — mesmo quando há assentos vazios, apressam-se a ocupá-los, sem ceder lugar a idosos ou mulheres — cena que não se vê nos Estados Unidos; e, com exceção de Quioto, as ruas das outras cidades são estreitas e esburacadas. Gostaria de escrever algumas considerações que me ocorreram a respeito disso. Tenho o plano de construir museus de arte em vários lugares — depois do Museu de Arte de Hakone, o Museu de Arte de Atami e, em seguida, o Museu de Arte de Quioto — e, junto com isso, também construir jardins típicos do Japão.
O objetivo disso, naturalmente, é alegrar os japoneses e, ao mesmo tempo, contribuir para a política nacional de atração de turistas estrangeiros. Como é de conhecimento geral, as paisagens do Japão são magníficas e mundialmente reconhecidas; com o futuro desenvolvimento dos meios de transporte, o número de turistas estrangeiros certamente aumentará ainda mais. Por isso, acredito que, não importa o custo, esses defeitos mencionados devem ser rapidamente corrigidos. A esse respeito, também para nós: mesmo que nos esforcemos para construir um magnífico modelo do Paraíso Terrestre, se as demais condições não estiverem presentes, seria extremamente lamentável.
Por isso, desejo ardentemente que todos, tanto do governo quanto do povo, se empenhem nesse ponto.
Tranquilidade e Paz Espiritual
Eikō nº 186, publicado em 10 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Costuma-se ouvir a expressão "tranquilidade e paz espiritual", mas as pessoas em geral pensam que ela se limita ao aspecto espiritual. Essa forma de pensar, no entanto, é um grande equívoco. A verdadeira tranquilidade e paz espiritual deve vir acompanhada também de aspectos materiais. Basta pensar: se houver ao menos uma das três calamidades — doença, pobreza e conflito —, onde haverá tranquilidade? Só quando se tem a confiança de que, durante toda a vida, não se preocupará com doenças, não se tornará pobre e não causará conflitos é que se pode alcançar a verdadeira tranquilidade e paz espiritual. No mundo atual, porém, conseguir essas três condições ao mesmo tempo é algo que só pode ser um sonho. Pode-se dizer que, provavelmente, não existe uma única pessoa assim em todo o mundo.
Primeiramente, como se vê claramente na sociedade, nada acontece como desejamos. Coisas desagradáveis surgem uma após a outra. Coisas boas raramente acontecem. Este mundo é, verdadeiramente, o próprio Inferno. Comecemos pela saúde: não se sabe quando se será acometido por uma doença. Mesmo ao pegar um simples resfriado, às vezes a cura vem facilmente, outras vezes não; pode até agravar-se ou tornar-se o prenúncio de uma doença grave. Portanto, não se pode ficar tranquilo pensando que é apenas um resfriado. Além disso, como diz a medicina, os micróbios pululam por toda parte, de modo que não se sabe quando uma doença contagiosa ou o bacilo da tuberculose pode nos atingir. Por isso, as autoridades insistem ruidosamente na medicina e na higiene, dando inúmeras advertências, quase enfadonhas, como: mantenha-se limpo, não coma nem beba em excesso, faça gargarejo ao voltar de saídas, lave as mãos antes das refeições, tenha cuidado com os alimentos. Se acreditarmos em tudo isso, a vida na sociedade moderna é como estar no meio de um turbilhão de medo.
É claro que tanto a pobreza quanto os conflitos têm, em sua maioria, questões financeiras como causa; e, como a causa disso são as doenças, nem é preciso dizer que, a menos que nos tornemos pessoas verdadeiramente saudáveis, livres de doenças e calamidades, a paz absoluta é impossível. As pessoas devem pensar que isso é algo impossível de se conseguir. Mas, se fosse perfeitamente possível, não seria uma grande bênção? E, como é certamente possível, isso é algo extraordinário. Foi para isso que surgiu a nossa Igreja Messiânica, e afirmo que, fora dela, isso jamais será encontrado no mundo.
Visitando o Mestre Meishu-Sama para Conversar
Eikō nº 186, publicado em 10 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
No dia 25 de outubro passado, o Sr. Hioki, conselheiro da editora Bungei Shunjū — a principal revista literária do nosso país —, e o Sr. Kondō Toshiya, vice-chefe de redação da mesma editora, vieram nos visitar, pois a revista desejava publicar um diálogo entre o Sr. Hioki e Meishu-Sama. Sobre o Sr. Hioki não é preciso apresentá-lo: é um homem de vasto conhecimento, querido pelas crianças no rádio pelo carinhoso apelido de "Tio Sabe-Tudo". Seu perfil é justamente o tipo que Meishu-Sama costuma chamar de "doutor que já passou por dificuldades". O diálogo deste dia ocorreu na sala de recepção do Hekiun-sō, com a presença também do Sr. Matsui Seikun, conselheiro da nossa Igreja. A conversa entre Meishu-Sama e o "Doutor Sabe-Tudo" estendeu-se por duas longas horas, em meio a risadas incessantes. A seguir, publicamos uma parte da conversa deste dia.
Meus discípulos realizam até milagres como os de Cristo
Sr. Hioki: Gostaria de perguntar sobre várias coisas que há muito considero misteriosas a respeito da Igreja Messiânica. Antes de mais nada, qual foi a razão pela qual o senhor mudou o nome de "Kannon-kyō" para "Igreja Messiânica"?
Meishu-Sama: Como meu objetivo é salvar toda a humanidade, sempre pensei que o nome também precisava ser mundial — isto é, porque "Kannon" se limitava apenas ao Oriente. Além disso, gosto muito do nome "Messias". Mas achei que, se usássemos apenas a leitura fonética "Meshiya-kyō", isso poderia gerar mal-entendidos, então pus essa leitura fonética sobre os caracteres chineses de "Salvação do Mundo" [Kyūsei]. Mudei quando senti que finalmente havia chegado a hora.
Sr. Kondō: Parece que o senhor também está fazendo várias coisas na área rural, como aumentar a produção de alimentos... Afinal, é a "Meshiya-kyō" [que soa como "casa de arroz"]. (Risos)
Meishu-Sama: De qualquer forma, cultivando sem usar absolutamente nenhum fertilizante, um aumento de 50% na produção de arroz não é nada demais. Além disso, o produto fica saboroso e cresce grande. O fundamental é não usar fertilizante e aproveitar ao máximo as propriedades do próprio solo.
Sr. Kondō: Mesmo em terra baldia, funciona?
Meishu-Sama: É justamente por usar fertilizante que a terra se torna baldia. O solo ácido também é causado pelo fertilizante. O fertilizante é exatamente como uma droga: quando se usa uma droga, a pessoa se sente bem por um tempo, não é? Da mesma forma, usando fertilizante, é bom por um tempo — uns três a cinco anos.
Sr. Kondō: Então o senhor nega completamente tanto o fertilizante quanto as drogas?
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Sr. Kondō: Os fiéis da Igreja Messiânica curam suas doenças sem usar remédio algum?
Meishu-Sama: Porque todo remédio é veneno. O veneno suprime os sintomas da doença. Por isso, quanto mais remédio a pessoa toma, mais difícil fica de curar a doença. Mesmo na tuberculose pulmonar, noventa e três em cada cem pessoas se curam, mas os sete restantes não vão bem — e é justamente essas sete pessoas que mais tomaram remédio.
Sr. Hioki: No mundo em geral, quando uma ou duas pessoas em dezenas de milhares cometem um erro, faz-se um escândalo enorme; os médicos, porém, matam muito mais gente do que isso.
Meishu-Sama: Por isso, coisas como "a cirurgia do coração foi bem-sucedida" ou "transplantaram o olho de um morto e a pessoa ficou curada" são, do nosso ponto de vista, uma espécie de embuste infantil — o recurso de sempre para fazer as pessoas acreditarem na medicina. Outro dia, houve o caso de um certo pintor cujos olhos, ruins havia quatro anos, se curaram em cinco minutos. Por isso, meus discípulos realizam todos os dias milagres do porte dos de Cristo.
Sr. Kondō: Então os farmacêuticos e os médicos devem ver a Igreja Messiânica como concorrente comercial — e devem estar em apuros.
Meishu-Sama: Por isso ando pensando para onde os médicos vão. Mais cedo ou mais tarde, farmácias e médicos vão desaparecer do mundo inteiro, então a questão de como socorrê-los é um problema difícil.
Sr. Kondō: E a família do senhor, atualmente?
Meishu-Sama: Tenho seis filhos. Alguns casaram e saíram de casa, outros trouxeram esposas para casa, e já tenho vários netos.
Sr. Kondō: Eles não têm relação com a sua religião?
Meishu-Sama: Alguns têm, outros não. Isso também deixo a critério da vontade de cada um.
Sr. Kondō: Na casa dos seus filhos, quando adoecem, eles recorrem a médicos?
Meishu-Sama: De jeito nenhum vão ao médico. Se algum deles tomasse remédio, eu cortaria os laços entre pai e filho.
Em breve construirei o maior museu de arte da América
Sr. Hioki: Mudando de assunto: não é comum ouvir falar de um religioso construindo um museu de arte. No seu caso, qual foi a motivação?
Meishu-Sama: Talvez isso não possa ser chamado propriamente de motivação, mas os seres humanos estão sempre reencarnando, e eu já nasci, uma vez, como o Príncipe Shōtoku. Foi justamente o Príncipe Shōtoku quem difundiu o budismo no Japão, e o fez através da arte. Só que, naquela época, foi apenas no Japão; agora digo que farei algo semelhante ao que o Príncipe Shōtoku fez, mas em escala mundial. O museu de Hakone é o primeiro passo disso. Há dois ou três dias, veio me visitar um japonês que mora há muito tempo nos Estados Unidos, e ele me disse: "Por que não leva as obras de arte que tenho lá para fazer uma exposição itinerante?" Eu respondi: "Em breve vou construir um museu de arte também nos Estados Unidos." Já pesquisei bastante os museus de arte que existem hoje nos Estados Unidos, mas, do meu ponto de vista, são museus só de nome. Pretendo construir o melhor museu da América.
Sr. Hioki: As pessoas ficam intrigadas com o fato de o senhor ter acumulado uma fortuna tão grande em tão pouco tempo — qual seria, por assim dizer, o segredo para ganhar dinheiro?
Meishu-Sama: O mais fundamental é a cura das doenças. Pessoas que iam piorando cada vez mais, mesmo tratadas em grandes hospitais por médicos renomados, e que chegavam à beira da morte, são salvas pelos meus discípulos — e a gratidão delas é imensa. Por isso, seja lá o que a organização religiosa for fazer, elas sentem vontade de contribuir com dinheiro. E eu sempre digo que não se deve fazer nada de caráter explorador. As pessoas que recebem essas bênçãos mal podem esperar para contribuir. O museu de arte custou cerca de cinquenta milhões de ienes; começamos a conversar sobre ele em novembro do ano passado e ficou pronto em junho deste ano — tudo isso foi possível só com essas contribuições.
Sr. Hioki: É como se a Casa da Moeda existisse só para a Igreja Messiânica. (Risos)
Sr. Kondō: Antes das eleições, os deputados não vinham pedir dinheiro emprestado? Ouço com frequência que o Sr. Yoshida e o Sr. Hatoyama, do Partido Liberal, andavam em grandes apuros financeiros, precisando de dinheiro para formar suas facções, e que ambos pediam empréstimos.
Meishu-Sama: Não vêm, não.
Sr. Hioki: Se eu fosse deputado, talvez eu viesse pedir.
Meishu-Sama: De qualquer forma, tenho a grande missão de salvar o mundo, e por isso ando sempre apertado com dinheiro, vivendo no aperto o ano todo. Além disso, daqui a dois anos, vou construir em Atami um museu de arte maior do que o de Hakone, e para isso tenho muita coisa a comprar, então o aperto financeiro é grande. Em compensação, não tenho o sofrimento de ser cobrado por dívidas. E acontece também o seguinte: recentemente, os americanos estão querendo muito comprar antiguidades japonesas — dizem "se o senhor não comprar isto, vamos vender para os Estados Unidos", então sou obrigado a segurar essas peças de qualquer jeito. Só este mês já apareceu uma imagem de Buda magnífica nessa situação.
Sr. Matsui: O Sr. Kanamori Tokujirō (diretor da Biblioteca Nacional da Dieta) ficou muito grato.
Meishu-Sama: Por isso é preciso muito dinheiro para comprar essas obras de arte. E também tenho vários outros empreendimentos que administro.
Secretário Abe: Curiosamente, o dinheiro necessário sempre aparece.
Sr. Matsui: Há três deputados que saíram das fileiras dos fiéis da Igreja Messiânica, mas a eles não demos dinheiro algum — receberam o Johrei de Meishu-Sama, e dizem que, com isso, a eleição já estava garantida. (Risos)
Meishu-Sama: Por isso, todos os que vêm até mim acabam tendo mais sorte.
Sr. Hioki: Kondō, será que a gente também devia vir aqui?
Meishu-Sama: O Sr. Tokugawa Musei também parece ter melhorado bastante desde que passou a frequentar este lugar. Assim, o dinheiro vai se juntando, mas o dinheiro que sai também é enorme.
Sr. Kondō: A Receita Federal deve ficar de olho, não é?
Meishu-Sama: Mas, como somos uma pessoa jurídica religiosa, isso ajuda bastante nesse ponto. No início, quando ainda éramos uma religião recém-fundada, a Receita não nos entendia direito e ficava de olho em nós, mas depois que construímos o museu de arte, parece que perceberam do que se tratava, e hoje não há problema nenhum. Além disso, o museu de arte é muito bem visto pelos setores relacionados.
Sr. Hioki: Porque é uma contribuição à cultura, não é?
Meishu-Sama: Os museus dizem que, por falta de orçamento, não conseguem comprar obras de arte valiosas que estão escoando para o exterior. Então, como nós compramos e preservamos essas peças, dizem que isso realmente beneficia a nação. Por isso, até o Comitê de Proteção aos Bens Culturais nos dá facilidades e apoio.
"Salvando os Estados Unidos" vai dar o que falar
Sr. Hioki: Além disso, o fato de o povo, nesta época, sentir-se atraído por várias religiões novas mostra que as religiões tradicionais do Japão perderam seu apelo fundamental, e também que o povo está sofrendo e se sentindo solitário.
Meishu-Sama: Sem dúvida, é isso mesmo.
Sr. Hioki: Por isso, é um erro simplesmente rotular tudo isso como religião maligna e supersticiosa. Afinal, tanto o Honganji quanto a Tenrikyō sofreram, no início, todo tipo de perseguição religiosa; o mesmo se deu com a seita Nichiren e com o cristianismo.
Meishu-Sama: Perseguição é algo inseparável da religião. Quem mais sofreu perseguição foi Cristo — ele chegou a perder a própria vida. E, no entanto, foi o seu ensinamento que mais se espalhou pelo mundo. Por isso, quanto mais dura a perseguição, maior o valor.
Sr. Hioki: A psicologia humana é curiosa: no meu ramo também, quando um livro é criticado, ele vende mais. Falar mal, de certa forma, vira propaganda — e fica gravado na memória das pessoas.
Meishu-Sama: Isso se vê até no caso daquele livro de Chatterley. Há um livro que pretendo publicar em breve, e tenho certeza de que vai dar o que falar. Se der o que falar, é lucro certo — vai vender bem. Deve ficar pronto no mês que vem: chama-se "Salvando os Estados Unidos".
Sr. Hioki: Ah, dessa vez é o contrário, não é?
Meishu-Sama: Os doentes americanos são um caso sério. Segundo as estatísticas, atualmente há de dezessete a dezoito milhões de pessoas em tratamento médico (mais de dez por cento de toda a população americana). Vou escrever detalhadamente sobre qual é a causa da doença que mais aflige os Estados Unidos e como curá-la, e pretendo distribuir isso ao presidente, às classes cultas, aos grandes hospitais e aos médicos. Estou traduzindo agora; a versão em japonês deve ficar pronta em breve.
Sr. Hioki: Realmente, não adianta nada se não encontrarmos as pessoas pessoalmente para conversar sobre as coisas.
Meishu-Sama: "Ver uma vez vale mais que ouvir cem vezes", não é mesmo?
Sr. Hioki: É verdade. Ainda bem que vim.
Meishu-Sama: Eu também acho que o mais importante é que vocês, que são líderes de opinião, conheçam essas coisas.
Sr. Hioki: Não, não, imagine...
O quadro pintado depois de comer bife
Sr. Kondō: A arte que o senhor coleciona é principalmente arte antiga, ou também arte moderna?
Meishu-Sama: Faço as duas coisas, mas a arte contemporânea não presta. Por isso acabo sempre voltando para a arte antiga.
Sr. Hioki: É que falta algo espiritual, não é? É só técnica de superfície.
Meishu-Sama: Os quadros dos pintores de hoje não têm força no pincel. Isso porque o modo de vida cotidiano dos artistas de hoje é diferente. A força vem muito da alimentação. Quem come bife e bebe leite não consegue gerar essa força — e, sem outra saída, acaba fazendo uma pintura que é só tinta espalhada na superfície. É isso que se vê hoje em dia.
Sr. Kondō: E as pinturas antigas estrangeiras, o que acha?
Meishu-Sama: Também há boas pinturas a óleo — há coisas maravilhosas, por exemplo, na Itália. Mas minha opinião pessoal é que a pintura ocidental não é bem arte, e sim algo entre a arte e o artesanato — sem rodeios, é mobília de luxo. Já a pintura japonesa, ou a pintura oriental em geral, é algo que se aprecia de verdade — trocando-se as obras conforme a estação, é assim que realmente se aprecia a arte. Já no Ocidente, a mesma obra fica pendurada o ano todo; ouvi dizer que há gente que passa a vida inteira com o mesmo quadro pendurado.
Sr. Hioki: Aquela grandiosidade de artistas como Sōtatsu é mais força espiritual do que técnica, não é? Isso não existe mais na pintura de hoje. Soube que o senhor tem, em especial, o "Daruma" de Miyamoto Musashi e o "Martim-pescador" de Muqi — essas são obras célebres, não são?
Meishu-Sama: Os pintores da dinastia Song eram, em sua maioria, monges — e monge é aquele que se recolhe às montanhas, come verduras e arroz de cevada, e se disciplina espiritualmente. É esse tipo de gente que pinta, por isso é completamente diferente. Em suma, sem uma dieta vegetariana e sem disciplina, não se consegue.
Sr. Hioki: Não é a técnica de pintar, é o espírito combativo, o vigor interior, não é?
Meishu-Sama: Isso mesmo. Miyamoto Musashi também trocou a espada pelo pincel. Diante da pintura de Miyamoto Musashi, eu me curvo.
Sr. Hioki: Muitos artistas de hoje têm quadros caros em vida, mas que perdem valor depois que morrem, não é?
Meishu-Sama: Não, há alguns cujo valor já cai enquanto ainda estão vivos. No caso de Yokoyama Taikan, eu compro as obras de até uns dois ou três anos atrás, mas as de agora não prestam mais — deve ser por causa do alcoolismo.
O amor é difícil de limitar
Sr. Hioki: Bem, para terminar, gostaria de ouvir a sua visão sobre o amor, mestre — se o senhor puder falar um pouco sobre isso...
Sr. Kondō: Em Atami deve haver toda sorte de exemplos por aí, então talvez valha começar por isso.
Meishu-Sama: Mas hoje em dia já sou um velho, sabe. De qualquer forma, o amor é algo muito bom — é como uma grande compaixão, ou uma bênção, que Deus concedeu aos seres humanos, algo assim. Só que, se o amor for mantido dentro de um certo limite, tudo bem; é quando se ultrapassa esse limite que nascem as tragédias. Por isso, contanto que não se perca a medida, o amor deve ser vivido plenamente. (Rindo bastante) Mas, quem consegue se conter dentro do limite, talvez não esteja vivendo um amor verdadeiro. (Risos gerais)
Sr. Hioki: Isso é bem verdade.
Meishu-Sama: Quando eu era jovem, cheguei ao auge do amor — cheguei a cogitar um suicídio a dois — e, naquele momento, havia um outro "eu" que pensava: "então é esse o estado de espírito de quem comete um shinjū". Pensei: "eu já vivi essa experiência, e isso me basta" — e foi minha própria razão que resolveu tudo com firmeza. Naquele momento, pensei: "eu sou mesmo extraordinário". Uma pessoa comum não conseguiria fazer isso — pensei que só eu seria capaz disso.
Sr. Hioki: Então, no fim das contas, não foi um desengano amoroso, mas sim uma vitória do amor, não é?
Meishu-Sama: Até então, eu achava que quem se matava por amor era um tolo, mas percebi que eu estava enganado o tempo todo — não dá para chamar isso de tolice. Compreendi claramente que, se continuasse por aquele caminho, seria perigoso. Ou seja, cheguei ao fundo da filosofia do amor.
Sr. Hioki e Sr. Kondō: Bem, muito obrigado por tanto tempo e por tudo.
Terapia Médica e Terapia pela Fé
Eikō nº 186, publicado em 10 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Hoje em dia, os senhores médicos, sem exceção, e também as pessoas da classe intelectual, invariavelmente interpretam da seguinte maneira o fato de as doenças serem curadas pela fé.
Em geral, diz-se que a doença vem do espírito e que, como a ação mental tem uma influência surpreendentemente grande, quando se tenta curar uma doença pela fé, os líderes religiosos exageram os benefícios dos deuses e budas e, com palavras hábeis, fazem o paciente acreditar que certamente será curado. Como a pessoa está desesperada — pois nem a medicina nem qualquer outra terapia conseguiu curá-la até então —, ela acaba acreditando piamente, e só por isso já melhora mentalmente; não se trata, evidentemente, de um benefício dos deuses ou budas. Essa é a visão deles. Por isso, por mais que ouçam que os milagres de cura da nossa Igreja são maravilhosos, descartam tudo com essa interpretação, o que é frustrante. A cada vez que isso acontece, ultrapassamos a indignação e ficamos simplesmente estupefatos. É compreensível que pensem assim, pois a maioria das terapias pela fé até hoje tem sido exatamente isso. No entanto, a cura de doenças pela nossa Igreja é fundamentalmente diferente delas.
Vou escrever detalhadamente sobre isso a partir de agora, mas, primeiramente, a maioria das pessoas que vêm pedir tratamento à nossa Igreja, é claro, duvida desde o início. Afinal, não apenas os jornais e revistas, mas também a maior parte da sociedade, especialmente os intelectuais, estão convictos, pode-se dizer, de que as doenças são curadas com medicamentos. Acreditam piamente na medicina, que teve um progresso admirável como o de hoje, e pensam que não há outra forma de curar doenças além dessa. Além disso, com os novos medicamentos descobertos recentemente nos Estados Unidos, e também com máquinas sofisticadas e a precisão das cirurgias, as pessoas se entregam tranquilamente a esses recursos. Nessa situação, será que a cura de doenças por essa nova religião sequer é levada em consideração? Se alguém confiar nisso, pode acabar em uma situação terrível — dizem várias pessoas, para quem isso não passa de superstição — e o paciente acaba acreditando, perdendo até mesmo a oportunidade de buscar a cura religiosa. No entanto, a doença, sem piedade, piora cada vez mais, e, no fim, a pessoa é levada a um passo da morte. Como resultado, aqueles que se desiludiram com a medicina acabam se agarrando à nossa Igreja, mas essas pessoas são extremamente sortudas; a maioria, presa à medicina, acaba falecendo, o que é realmente lamentável. Dessa forma, a doença não se cura, o dinheiro é gasto sem limites, e o sofrimento só aumenta. No auge da angústia e da aflição, a pessoa ouve falar da nossa Igreja, mas, num mundo tão avançado cientificamente como o de hoje, pensa que não é possível existir algo tão misterioso, e não dá a menor atenção. No entanto, como não há outra saída, a maioria vem com a disposição de, já que vai ser enganada mesmo, tentar uma vez. Pode-se dizer que quase não há quem acredite desde o início. Se é assim, não há o mínimo de expectativa mental. Quando chegam, veem um senhor de aparência nada impressionante, sem nenhum conhecimento de medicina, que não usa remédios nem máquinas, não toca no corpo, apenas ergue a mão no espaço. Ficam estupefatos e não conseguem acreditar que uma doença tão grave, que nem grandes hospitais ou doutores famosos conseguiram curar, possa ser curada com um método tão simples. Mas, como já vieram, não podem voltar atrás, então pensam: "Bem, vou tentar só uma vez". Quando recebem o tratamento, eis que, para sua surpresa, sentem imediatamente um bem-estar como nunca tiveram desde o início da doença, e o sofrimento diminui, deixando-os cada vez mais confusos. Mas, estejam entendendo ou não, desde que melhorem, está bom. Assim, por mais teimosa ou ateia que a pessoa seja, ela abaixa a cabeça de uma vez, fazendo uma reviravolta de cento e oitenta graus.
Esse é o caminho percorrido pela maioria das pessoas.
Analisando cuidadosamente os fatos acima, onde está o apelo mental no método de tratamento da nossa Igreja? Em contrapartida, como está a medicina? Não seria, antes, incomparavelmente superior do ponto de vista mental? Primeiramente, as autoridades, os órgãos de imprensa, a educação escolar, etc., enfatizam vigorosamente o progresso da medicina, dizendo que não há nada superior a ela, e alertam ao máximo que, ao ficar doente, a pessoa deve consultar um médico o mais rápido possível, sem demora, e seguir suas instruções, pois esse é o método correto, e jamais se deve desviar para outras terapias. Além disso, com grandes hospitais, doutores famosos, instalações completas, máquinas sofisticadas e novos medicamentos, é realmente um tratamento completo. Só de ver isso, é natural pensar que qualquer doença pode ser curada, e entregar-se tranquilamente aos cuidados médicos é o senso comum de hoje. Dessa forma, há quem acredite na medicina, mas não há uma única pessoa que duvide dela.
Pelo exposto, enquanto a confiança na medicina é de cem por cento, a confiança em nós é menor que zero. Apesar disso, o resultado é que os doentes que não se curam com a medicina, ao virem para o nosso lado, curam-se imediatamente. Pode-se dizer que a diferença no poder de cura é como a diferença entre a lua e a tartaruga. Falando com justiça sobre esse fato, podemos afirmar que a medicina moderna é que é superstição, e a nossa medicina é que é a fé correta. Em outras palavras, se dissermos que a escolha é entre acreditar na medicina e perder a vida, ou não acreditar e ser salvo, provavelmente não haverá quem, ao ler isto, não fique estupefato. Como se pode ver historicamente, a transição dos tempos faz com que até mesmo a verdade de ontem se torne o Princípio Inverso de hoje, portanto não se pode dizer que seja algo surpreendente. O fato de um Caminho Perfeito tão claro como este não ter sido compreendido até hoje deve-se inteiramente ao fato de as pessoas estarem possuídas pelos fantasmas do passado, e também ao fato de que ninguém surgiu para descobri-lo. Além disso, há muitas pessoas no mundo que dizem: "Se as doenças fossem curadas desse jeito, não precisaríamos de médicos nem de remédios". Exatamente: somos obrigados a responder que, se médicos e remédios desaparecessem, não haveria mais doentes no mundo. Como exposto acima, a medicina moderna é a maior superstição mundial, e, para eliminar as doenças da humanidade, antes de tudo é preciso destruir essa superstição.
A medicina é ciência?
Eikō nº 186, publicado em 10 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Sempre digo que a medicina moderna ainda é algo imaturo, e tentarei escrever sobre isso com o máximo de detalhes possível.
Primeiramente, a forma de pensar da medicina moderna considera que todos os agentes patogênicos são micróbios, e suas variedades vêm aumentando através de diversas pesquisas. Diz-se que houve grande progresso também nos métodos de cultivo e nas rotas de infecção, mas esses são progressos periféricos — amplos, porém superficiais. Para se conhecer verdadeiramente a essência dos micróbios, é necessário, ao contrário, alcançar um ponto que, embora restrito, seja profundo; é justamente essa pesquisa da profundidade que constitui a raiz. Não creio que isso tenha passado despercebido; mas, mesmo quando se nota, ao chegar à fase de colocá-lo em prática, falta o método — razão pela qual, até hoje, o progresso neste ponto foi impossível. Qual seria a razão disso? O problema está no microscópio.
De fato, com os microscópios disponíveis até hoje, é possível ver apenas os micróbios; os vírus, que estão além deles, não podem ser vistos. Sabe-se com certeza, por meio de experimentos, que os vírus existem, mas o que vem depois deles é justamente o problema. Na realidade, a medicina microbiológica atual chegou a um beco sem saída e não consegue avançar. Se assim é, descobrir camadas ainda mais profundas que os vírus é essa a raiz. Nem é preciso dizer que, sem chegar até lá, é impossível conhecer a essência dos micróbios. Eu, porém, através da medicina da revelação divina, alcancei esse ponto e compreendi a essência dos micróbios; pode-se dizer, portanto, que o problema dos micróbios patogênicos já está resolvido. Evidentemente, não se trata de raciocínio nem de teoria: é um fato que produz efeitos vigorosos no presente. Essa é a prática chamada Johrei, algo peculiar à nossa Igreja. Ao ver essa realidade, qualquer pessoa, por mais dúvidas que tenha, não pode deixar de curvar a cabeça imediatamente. Então, por que há um efeito tão grande? Porque é possível eliminar o X, equivalente ao nada, que é a fonte geradora dos micróbios mencionados. Em suma, descobriu-se o método de eliminar a causa primordial das doenças; se isso não é a verdadeira medicina, o que seria? Além disso, como pode ser comprovado tanto pela teoria quanto pela prática, trata-se da verdadeira ciência. Por isso, como sempre proclamo, a medicina moderna não é ciência, mas sim um produto do raciocínio e uma superstição.
O que é a terapia médica?
Eikō nº 185, publicado em 3 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Sobre este assunto tenho informado constantemente, por escrito e oralmente, e parece que já o disse à exaustão; mas sinto que ainda é insuficiente, por isso escrevo aqui.
Como as pessoas em geral estão imersas na superstição da medicina, há demasiados doentes, e é impossível ficar apenas observando. No entanto, como essa superstição se solidificou ao longo de muitos e muitos anos, não é fácil dissolvê-la. Por isso tenho explicado por todos os ângulos, como quem diz "ainda não basta, ainda não basta"; e acredito que não há como não entender, pois pretendi que o texto fosse tão exaustivo que, com essa disposição, peço que o leiam. Entre os seguidores pode haver quem entenda imediatamente apenas pelo título; mas, para que as pessoas em geral compreendam, isto servirá também como referência para a forma de explicar. Peço, portanto, que o apreciem profundamente.
Em primeiro lugar, quando uma pessoa contrai alguma doença, imediatamente consulta um médico. Este lhe dá dois ou três tipos de remédios e, atualmente, na maioria dos casos, aplica uma injeção, e a pessoa melhora um pouco. Acreditando que isso a curará, ela vai ao médico todos os dias, ou o médico vem até ela, mas, na realidade, oito ou nove em cada dez pessoas não se curam como esperam. Mesmo que, por sorte, se curem temporariamente, depois de um tempo a doença certamente reaparece, como todos sabem.
Naturalmente, isso é apenas uma supressão temporária com o veneno chamado remédio, e não uma cura verdadeira, como sempre digo.
Como dito acima, o médico também deve saber muito bem que o tratamento é temporário e não cura completamente. No entanto, mesmo sabendo disso, a medicina moderna nada pode fazer; ele provavelmente apenas se resigna, pensando que é assim mesmo. Imaginemos, então, o que se passa no íntimo do médico: deve ser mais ou menos assim: "As doenças são realmente algo incompreensível. Mas a medicina foi construída pelos estudiosos e mestres do passado, através de exaustivas pesquisas com dissecações, análises e máquinas, portanto não há outra escolha senão acreditar nela. Se nem mesmo uma medicina tão avançada cura, então, com paciência, os estudiosos do mundo todo devem cooperar e, mesmo que seja aos poucos, se houver progresso, um dia, certamente, uma medicina perfeita será criada." Pensando assim, eles apenas esperam o tempo passar, de forma vaga — essa é, provavelmente, a situação real. É uma história realmente angustiante.
Mas, se fosse só isso, ainda poderíamos suportar. No entanto, quando pensamos em quantos doentes surgirão até lá, e não apenas no sofrimento deles, mas também no sacrifício de vidas, mais e mais nos apavoramos.
Quanto à patologia atual, acredita-se que a doença é causada pela invasão de micróbios pela boca, nariz ou pele e pela sua proliferação. Esta é uma forma de pensar realmente simplista. Pergunto então: por que, mesmo quando os micróbios invadem, há pessoas que desenvolvem a doença e outras que não? O médico provavelmente responderá com o lugar-comum de que é porque o corpo é fraco e sucumbe aos micróbios. No entanto, recentemente descobriu-se que o oposto é verdadeiro. Isso se comprova pelo fato de que crianças linfáticas raramente contraem tuberculose, enquanto as crianças saudáveis a contraem. Só isso já mostra que a medicina não entende absolutamente nada. Esse é um exemplo pequeno. Como exemplo maior: quanto mais a medicina avança, mais aumentam os tipos de doenças, e todos os lugares estão cheios de doentes. Acima de tudo, como se vê pelos anúncios de remédios nos jornais, publicam-se anúncios enormes porque há tantos doentes que compensa. Portanto, se os remédios fossem realmente eficazes, o número de doentes diminuiria gradualmente, até que os anunciantes de remédios desaparecessem, os médicos perdessem o sustento e os hospitais fechassem.
No entanto, a realidade não é o oposto? Se assim for, somos forçados a refletir profundamente. A esse respeito, há muito tempo venho escrevendo sobre os pontos cegos da medicina e o terror dos danos causados pelos remédios. Se isso estiver errado, os especialistas da área deveriam se indignar e vir me refutar, mas, até hoje, não houve uma única pessoa que o tenha feito. Vendo isso, é provável que concordem com minha opinião. Eu, embora seja um religioso e tenha como lema o amor à humanidade, não gostaria de proferir palavras que gerem calúnias ou deixem pessoas desempregadas. No entanto, escrevo porque não posso deixar de fazê-lo, diante de uma realidade tão trágica e pensando na minha missão, ordenada por Deus.
Fragmentos Médicos (36) – Paliativo
Eikō nº 187, publicado em 17 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde os tempos antigos existe a expressão "acalmar" em relação às doenças, mas ela não me parece muito adequada.
Interpretada literalmente, significa "aplicar um acalento"; mas, se a doença fosse curada apenas com um acalento, ela seria algo tão insignificante quanto um vento. Dito isso, não se pode considerar que os tratamentos médicos atuais — remédios, injeções e várias terapias materiais — sejam, obviamente, um "acalmar". Imaginando um pouco, no entanto, acredito que o sentido seja o de aliviar temporariamente, acariciando ou esfregando, fazendo-o tomar o remédio e aliviando-o. Do meu ponto de vista, essa maneira de aliviar temporariamente é, na verdade, um método que não cura a doença, mas sim a agrava, e que também a torna crônica. Por isso, penso que essa expressão deveria ser abolida.
Como Eliminar o Crime
Eikō nº 114, publicado em 25 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Entre os numerosos crimes que têm ocorrido recentemente, o mais hediondo é aquele em que, para roubar uma quantia insignificante de dinheiro, tirar a vida de uma pessoa parece mais simples do que matar um cão. Ao observar tais indivíduos, ficamos estupefatos com uma temeridade que, pelo senso comum, é absolutamente inconcebível. Do ponto de vista comum, que mundo terrível não é este? Ademais, embora a vítima seja digna de pena, eles não consideram de forma alguma o lamento dos familiares enlutados. Ao mesmo tempo, se forem capturados, a pena de morte é certa e, mesmo no melhor dos casos, a prisão perpétua seria inevitável; esse pressentimento deveria, necessariamente, surgir. De qualquer forma, sendo jovens, perderiam a oportunidade de experimentar os prazeres do mundo e desperdiçariam a vida inteira. Parece que tal pensamento deveria ocorrer, mas não é o que acontece, e essa psicologia é verdadeiramente incompreensível. De fato, suas ações nada mais são do que seguir seus instintos, buscando um prazer momentâneo e efêmero. Se o objetivo é o prazer de um breve instante e, para isso, pagam um preço dezenas ou centenas de vezes maior, por mais que se pense, não é possível considerá-los seres humanos. Vistas por esse ângulo, pode-se pensar que essas ações não têm explicação lógica, mas, na verdade, há uma razão para elas.
Do ponto de vista espiritual, compreende-se muito bem. Como também é ensinado na nossa Igreja, o ser humano possui três espíritos protetores: o espírito protetor primordial, concedido por Deus; o espírito protetor guardião, escolhido entre os espíritos ancestrais; e o espírito protetor secundário, voltado para os desejos carnais. Naturalmente, o espírito protetor primordial é a fonte da consciência, e o espírito protetor guardião é o que aconselha o bem. Quando o espírito protetor secundário ocupa o espírito, o espírito animal passa a dominar. Assim, embora a forma seja humana, a pessoa se torna igual a uma fera. Sendo uma fera, portanto, não pode haver compaixão nem sentimento, e ela exibe crueldade do começo ao fim. Essa é a causa fundamental dos crimes violentos. Por isso, é realmente perigoso que o ser humano não se torne uma alma imune ao domínio da fera. Assim que é tomado por algum impulso, surgem desejos perversos, e ele se torna um criminoso. O que se deve fazer, então? Para isso não há outro meio senão o poder da religião. Por que é necessário recorrer à religião? Como dito anteriormente, porque o ser humano é dominado pela fera, ou seja, pelo espírito protetor secundário. Sendo assim, o que se deve fazer é enfraquecer o poder de domínio desse espírito protetor secundário. Em termos simples, é fortalecer o poder do bem em relação ao mal — ou seja, é o espírito protetor secundário que deve se tornar o dominado. Afirmo que não há absolutamente nenhum outro método de solução além deste.
Antes de tudo, se a pessoa ingressar na fé, adorar e orar a Deus, a luz de Deus é infundida na alma através do elo espiritual que liga Deus e o ser humano. À medida que a luz da alma aumenta, o espírito protetor secundário se atrofia, e seu poder de controlar o ser humano enfraquece. Para dar um exemplo: não é verdade que, no coração de qualquer ser humano, o bem e o mal estão constantemente em luta? Isso se deve ao princípio acima exposto. Portanto, por mais que se aperfeiçoem as leis e se reforce a fiscalização, isso apenas reprime de forma externa e passiva. É melhor do que nada, mas, como não toca a causa fundamental, o efeito é superficial — e é assim que nasce o atual estado de maldade no mundo.
É incompreensível que, mesmo diante de algo tão evidente, o governo e os educadores ainda não tenham percebido isso.
Vejam: hoje em dia fala-se muito que os crimes violentos são numerosos, que a delinquência juvenil aumenta vertiginosamente, e só se fazem lamentações. Quando finalmente têm uma ideia, o máximo que surge é algo como "vamos reviver o ensino de moral" ou "vamos reformar a política educacional" — nada além de uma sabedoria mofada. Do meu ponto de vista, não há como não sentir pena. Pode ser uma forma irônica de dizer, mas é como se alguém, ao tentar tirar água com uma peneira, visse que a água vaza demais e, pensando que isso não pode continuar, resolvesse tornar a malha da peneira mais fina. Apresento este texto como uma proposta aos senhores líderes da sociedade.
Teoria do Instinto e Teoria do Ascetismo
Eikō nº 188, publicado em 24 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Segundo a famosa teoria do instinto de Nietzsche, o renomado filósofo alemão, "todo ser humano, desde o nascimento, possui vários instintos, que são como um destino inevitável, e, naturalmente, é quase impossível reprimi-los artificialmente". De fato, até certo ponto é possível concordar; mas, se a explicação se limita a isso, acaba-se por permitir a imoralidade, o que a torna uma espécie de pensamento perigoso. Uma pessoa de inteligência considerável pode, portanto, tratá-la como uma teoria acadêmica; do ponto de vista de nós, religiosos, porém, é uma teoria absolutamente inaceitável. No entanto, existe uma teoria completamente oposta a essa, a qual, ademais, vem sendo praticada desde os tempos antigos.
Trata-se de certa vertente presente nas religiões: a visão do instinto como pecado. Em razão disso, caem em um ascetismo extremo, interpretando o sofrimento como prática sagrada e considerando-o caminho de treinamento espiritual e disciplina. Vistas do nosso ponto de vista, não podemos concordar; além disso, religiões desse tipo não se harmonizam com a sociedade, refugiando-se na autocomplacência (fechando-se na própria opinião). Como exemplos representativos dessa fé, podemos citar o maometismo (também chamado de islamismo), o bramanismo da Índia e os puritanos do cristianismo.
No Japão não se vê muito disso, mas ainda subsistem alguns traços semelhantes. Ao colocarmos lado a lado essas duas posições opostas, não podemos dar a vitória a nenhuma delas.
Isso, naturalmente, porque ambas são excessivamente tendenciosas para um lado. A esse respeito, Deus já mostrou um padrão rigoroso. E, embora esse erro pareça fácil de entender, curiosamente os homens do mundo tendem a menosprezá-lo e parecem não compreendê-lo. Em suma, trata-se da teoria do Caminho do Meio, pregada por Confúcio. Tenho falado constantemente sobre isso sob todos os aspectos, e os seguidores devem conhecê-lo bem; mas, na prática, ainda se aplica o outro dito de Confúcio: "Dizer é fácil, fazer é difícil". Isso, porém, é, na verdade, o caminho autêntico da fé, e é também a iluminação pregada por Shakyamuni. Tentarei, então, explicar esse princípio da forma mais simples possível. Tomando um exemplo bem comum: como se pode ver pelo clima das quatro estações, todos os seres humanos detestam o frio intenso e o calor extremo.
No entanto, o clima da primavera e do outono, que não é nem frio nem quente e alcança um equilíbrio, é o mais agradável, e é natural que seja apreciado. Desde os tempos antigos, existe, nessa estação, o Higan, um importante evento do budismo. Isso ocorre porque o clima representa a verdadeira forma da Terra Pura do Paraíso. Mas, deixando isso de lado, o que quero dizer agora diz respeito à conduta na vida social. Também nisso, e em todas as coisas, é preciso evitar os extremos. No entanto, o ser humano tende a se inclinar para a direita ou para a esquerda. Isso não é bom, e pode-se dizer que a causa do fracasso está, na maioria das vezes, aqui. Dito isso, há coisas que precisam ser decididas, e aí reside a dificuldade de fazer essa seleção e ajuste. E, se formos mais a fundo, como a mente que pensa em não decidir já está decidindo, não se pode decidir, nem se pode deixar de decidir, mas também não se pode ficar num meio-termo. Parece algo realmente vago e ambíguo, mas, na verdade, esta é uma lei rigorosa, e é aqui que reside o interesse do mundo. Em suma, basta alcançar o estado de adaptação livre e desimpedida; o essencial é não se apegar a nada. O outro nome de Kanzeon-Bosatsu, "Mugeko Nyorai" (Tathagata da Luz Desimpedida), também expressa isso.
E o mesmo se aplica às questões políticas e ideológicas de hoje. Os erros surgem porque se decide de antemão, como "direita" ou "esquerda", "capitalismo" ou "comunismo". Por quê? Porque, ao decidir, limita-se, e o conflito com os outros é inevitável. É por isso que, hoje em dia, até as questões mais triviais acabam gerando inevitavelmente algum tipo de conflito, e tudo vira uma completa confusão. Do mesmo modo, observando o mundo, as relações internacionais estão em constante turbulência. É verdade que, até hoje, o mundo, por causa disso, conheceu o desenvolvimento da cultura material, e isso foi inevitável; mas, a partir de agora, como a situação se inverterá, é crucial mudar o pensamento. Isso porque agora chegou o momento em que a verdadeira era da civilização está prestes a surgir. Ou seja, basta avançar tendo como padrão o clima do Higan; esta é também a verdadeira essência da nossa Igreja Messiânica.
Advertência aos Profissionais da Medicina
Eikō nº 257, publicado em 21 de abril do ano 29 da Era Showa (1954)
À medida que a Igreja Messiânica for gradualmente se desenvolvendo, aqueles que sentirão a maior ameaça serão, sem dúvida, os médicos e os vendedores de medicamentos.
Não sei se é por isso, mas ultimamente, ainda que não seja visível, ouço boatos de que os vendedores de medicamentos estão se esforçando para encontrar contramedidas e realizando reuniões secretas, o que me parece bastante plausível.
Já havia refletido consideravelmente sobre isso desde antes; mas, por outro lado, como uma grande virtude acompanha pequenos males, se esta é uma grande obra sagrada de salvar toda a humanidade do sofrimento das doenças, penso que é inevitável que os envolvidos sofram algum sacrifício. Até agora, as coisas têm transcorrido sem maiores problemas, mas eu já previa que chegaria um momento como este. Afinal, à medida que as pessoas salvas pela nossa Igreja aumentam dia após dia, mês após mês, isso gradualmente atrai a atenção do mundo, e é natural que o impacto sobre os profissionais da medicina não seja pequeno. E, como sempre digo, a medicina atual, que se diz avançada, longe de representar progresso, na verdade cria doenças e as agrava.
Os medicamentos também são substâncias tóxicas; seu efeito sobre as doenças é temporário e, no final, não passam de elementos que criam e agravam enfermidades. Portanto, se isso se tornar de conhecimento geral, mesmo que a contragosto, a questão inevitavelmente se converterá em problema. No entanto, como atualmente as pessoas não compreendem isso e, ao contrário, consideram os medicamentos indispensáveis à saúde e até os promovem, trata-se de um problema verdadeiramente grave. Escreverei aqui, em resumo, o caminho percorrido desde o início até esta grande descoberta. Foi há cerca de vinte e poucos anos. Como resultado de meus esforços e dedicação para superar minha fraqueza física inata, pude, por experiência própria, conhecer o erro fundamental dos remédios e da medicina. Considerando isso um problema de suma importância, continuei a pesquisar com ardor. Quando, por acaso, entrei numa vida de fé, compreendi a essência da patologia, da saúde e da cura das doenças, e também me foi concedido o poder de curar. Assim, adquiri uma convicção inabalável e, com grande determinação, tenho avançado para dar a conhecer isso amplamente ao mundo. Como previsto, porém, à medida que a notícia se espalha gradualmente, inúmeras pessoas estão sendo salvas, e pode-se dizer que já é quase certo que isso se tornará um problema mundial. Como exposto acima, até hoje tenho me esforçado, por todos os meios, para fazer com que as pessoas compreendam a confusão da medicina e os males dos venenos dos medicamentos.
No entanto, os homens modernos estão presos à superstição dos medicamentos e da terapia há tanto tempo que a dificuldade é imensa. Mas, por mais obstinados que sejam, sei que, como a verdade é, em última análise, a verdade, eles acabarão por se render. Atualmente, inúmeras pessoas com doenças graves e incuráveis são salvas a cada dia, e as cartas de agradecimento e gratidão das pessoas salvas já ultrapassam duzentas por mês, número que continua aumentando dia após dia, mês após mês. Diante dessa tendência, o dia em que isso se tornará de conhecimento geral na sociedade não deve estar tão distante.
Como é evidente que, nessa ocasião, os senhores profissionais da terapia entrarão em pânico, é necessário que, antes que isso aconteça, mudem seu pensamento o mais rápido possível. Ouço dizer que os envolvidos, talvez prevendo isso, têm tomado medidas em segredo, mas isso se deve à dificuldade de enfrentar a situação abertamente. Para dizer a verdade, deveriam apresentar provas de que, neste hospital, com esta terapia, com este medicamento, a cura completa foi alcançada; mas, como isso é impossível, o problema é extremamente grave. Além disso, trata-se de uma questão grave, que envolve vidas humanas. E, uma vez que surgiu uma terapia verdadeiramente revolucionária como a descrita acima, o colapso da medicina estabelecida não passará de uma questão de tempo. Chegando a este ponto, portanto, não há outro caminho senão, de uma perspectiva do Daijo, lidar com a situação da melhor maneira possível. Além disso, esta grande obra de salvação do mundo é uma manifestação da Vontade Divina; portanto, é natural que não haja como escapar dela. Assim, os envolvidos devem tomar uma grande decisão o mais rápido possível.
Se assim não o fizerem, é claro como a luz do dia que, num futuro próximo, enfrentarão uma situação de extrema gravidade.
Unificação de Deus e do Homem
Eikō nº 155, publicado em 7 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde a antiguidade existe a expressão "unidade entre Deus e o homem"; mas, na realidade, penso que até hoje jamais existiu alguém que fosse verdadeiramente assim. É certo que os três grandes santos — Buda, Cristo e Maomé — pareciam encarnar essa unidade entre Deus e o homem; na verdade, porém, eram transmissores da Vontade Divina, ou, para dizer com mais clareza, intermediários de Deus. Por essa razão, as pessoas do mundo não sabiam distinguir a verdadeira unidade entre Deus e o homem do intermediário de Deus. Ou seja, o intermediário de Deus age por possessão de divindades ou por ordem de Deus e, por isso, ora sempre a Deus ou a Buda, buscando sua proteção.
Contudo, eu não faço nada disso. Como os seguidores também sabem, não oro a Deus nem busco sua orientação. Basta-me executar o que penso por mim mesmo, o que é extremamente simples. Como isso não tem precedentes até hoje, talvez pareça estranho; escreverei aqui apenas os pontos que não causam problemas. Como sempre digo, em meu ventre existe uma esfera (jóia) de luz. Por ser ela a alma de uma divindade suprema, todas as minhas palavras e ações são movidas livre e espontaneamente pela própria divindade, que se utiliza de mim.
Em outras palavras, não há distinção entre Deus e o homem, e esta é a verdadeira união do divino e do humano. Portanto, o espírito divino que reside em mim possui a mais elevada posição divina; como não existe divindade superior a esta no mundo, não há sentido em curvar-me a outras divindades. Acima de tudo, os milagres que os seguidores manifestam diariamente comprovam isso.
Quanto a esses milagres, ocorrem constantemente feitos superiores aos que Cristo manifestou, e mesmo meus discípulos não são inferiores a Cristo em nada.
Assim, só por esse fato, minha qualificação divina deve ser imaginável. Há ainda uma coisa que devo dizer: todos os santos até hoje profetizaram que um mundo paradisíaco se realizaria no futuro, mas não disseram que eles próprios o construiriam. Isso se deve inteiramente ao fato de sua qualificação divina ser baixa e seu poder, insuficiente.
Faço a grande declaração de que eu mesmo construirei o Paraíso Terrestre, onde não haverá doença, pobreza e conflito, exatamente pela razão acima. Portanto, de agora em diante, realizarei inúmeros feitos surpreendentes do Plano Divino, sem precedentes, para que possam observá-los bem.
Coisas que de modo algum podem ser consideradas obras humanas surgirão uma após a outra.
Fragmentos Médicos (37) – Preparações de ferro
Eikō nº 190, publicado em 7 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Costuma-se dizer que o espinafre contém ferro, ou que determinado alimento é bom porque tem ferro — mas também essa é uma história estranha.
No corpo humano, esses componentes metálicos, quando muito, causam dano, não trazem benefício algum. Sempre que surge esse assunto, costumo dizer: se o ferro fosse realmente benéfico, ferver pregos e beber o coado seria extremamente bom — e dou boas risadas. No entanto, parece que ultimamente existe uma terapia que consiste em ingerir ferro em pó. Se continuarmos assim, talvez chegue o dia em que se considere bom ingerir pólvora. Falando claramente: o propósito de Deus ao criar o ferro foi utilizá-lo para fins como navios, trilhos e outras necessidades de transporte, materiais de construção, objetos cortantes, utensílios domésticos etc. É um Caminho Perfeito por demais claro que ele não é algo para ser colocado no interior do ser humano. Assim, se tudo for julgado pelo senso comum, naturalmente se compreenderá a finalidade de cada coisa — e esta é a verdade.
O Significado da Construção do Museu de Arte
Eikō nº 164, publicado em 9 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Eu sou Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica.
Hoje, apesar de vossas muitas ocupações, agradeço profundamente a honra de vossa ilustre presença. A razão pela qual, especialmente nesta ocasião, solicito vossa visita antes da abertura oficial é ouvir a crítica de todos vós, que sois conhecedores de arte, e também expor brevemente minha opinião. O ideal próprio da religião é construir o mundo da Verdade, do Bem e do Belo. A Verdade e o Bem são coisas espirituais; o Belo, porém, manifesta-se pela forma, elevando a alma humana por meio dos olhos. Como é de vosso conhecimento, a arte religiosa floresceu de modo extraordinário tanto no Ocidente, da Grécia e Roma antigas à Idade Média, quanto no Japão, do Príncipe Shotoku ao período Kamakura. É, portanto, inegável que a religião foi a matriz de todas as artes — pintura, escultura, música. Contudo, ao chegar aos tempos modernos, isso se enfraqueceu gradualmente: religião e arte se separaram, e a isso se somou a influência da ciência moderna. Ouve-se, assim, constantemente a voz do declínio religioso.
Por essa razão, penso que, de qualquer forma, a religião e a arte devem avançar como as duas rodas de uma carruagem. A propósito, gostaria de dizer uma palavra sobre a característica do país chamado Japão.
Por natureza, cada nação da Terra possui seu próprio pensamento e cultura, assim como cada ser humano possui os seus. Qual é, então, a característica do Japão? É contribuir para a elevação da cultura, alegrando toda a humanidade por meio do Belo. Basta observar a beleza excepcional das paisagens japonesas, a grande variedade de flores e plantas, o aguçado senso estético dos japoneses e a excelência de suas técnicas artesanais para bem compreendê-lo.
No entanto, por ignorar essa verdade fundamental, o Japão concebeu a ambição extremamente imprudente da guerra e, como resultado, chegou a experimentar a tristeza de uma derrota como aquela. E, além disso, ter-lhe sido retirada até mesmo a arma, para que não voltasse a causar guerras, foi sem dúvida uma ação de Deus para fazer os japoneses despertarem para sua verdadeira missão. Contudo, recentemente muito se fala em rearmamento, mas isso é meramente um meio de defesa e, é claro, não tem significado além disso. Diante do exposto, o caminho que o Japão deve seguir no futuro torna-se naturalmente claro. Ou seja, acreditando que, ao estabelecer isso como objetivo, a paz eterna e a prosperidade certamente virão, eu, que há tempos compreendi esta verdade, tenho avançado, ainda que com poucas forças, seguindo esse pensamento.
Como método concreto para isso, planejei primeiro construir um pequeno paraíso do Belo para mostrá-lo ao mundo. Como locais adequados a essa condição, destacam-se, acima de tudo, Hakone e Atami, que, além da conveniência de transporte e da beleza natural, possuem fontes termais e clima e ar agradáveis, não havendo objeção alguma.
Assim, selecionando pontos de beleza cênica particularmente notáveis nessas duas localidades, para criar um reino artístico ideal que una a beleza natural e a artificial, o que finalmente se concretizou são este Paraíso Terrestre e, também, o museu de arte. A esse respeito, como é de vosso conhecimento, até hoje não existia no Japão um único museu de arte japonesa. Havia o Museu de Arte Chinesa, o Museu de Arte Ocidental e a arte religiosa em museus, mas a situação era tal que, mesmo sendo japonês, não se podia apreciar a arte japonesa.
Suponhamos que um estrangeiro viesse ao Japão com o desejo de ver algo peculiarmente japonês: era impossível satisfazê-lo. Não seria essa uma grande deficiência para o Japão, um país de arte? Portanto, se este museu de arte agora puder, ainda que minimamente, suprir essa deficiência, considero uma felicidade além das minhas expectativas. Gostaria ainda que soubessem de outra coisa. Desde os tempos antigos, o Japão possuía abundantes obras de arte magníficas, das quais podia orgulhar-se perante o mundo; porém, até o fim da guerra, elas estavam profundamente escondidas e esquecidas nos lares da nobreza e dos ricos, quase nunca expostas aos olhos do povo.
Isso se devia, provavelmente, ao pensamento feudal monopolista. Hoje, com o país se tornando uma nação democrática, isso se tornou, naturalmente, um sonho do passado. E a própria razão de ser das obras de arte é, originalmente, mostrá-las ao máximo ao povo, fazê-lo alegrar-se e, inconscientemente, elevar o espírito humano. Se assim for, o primeiro passo é romper o pensamento monopolista e libertar a arte. Felizmente, por ocasião da grande transformação nacional do pós-guerra, um grande número de tesouros culturais até então secretamente guardados foi liberado no mercado — não é preciso dizer o quanto isso contribuiu para a construção do nosso museu de arte. E, embora este museu de arte seja de pequena escala, minha política é construí-lo como um modelo para os museus de arte, nacionais e estrangeiros, que provavelmente surgirão no futuro.
Ele é fruto do meu esforço do começo ao fim; naturalmente, o jardim também é inteiramente de meu planejamento, incluindo cada árvore e cada grama. Assim, como obra de um amador, deve haver muitos defeitos; mas, se puder servir de alguma referência, ficarei satisfeito. Quanto a possíveis ataques aéreos, incêndios, roubos etc. no futuro, procurei considerar suficientemente o ambiente e as instalações, de modo que também será útil para a preservação de tesouros nacionais. Acredito que, com o exposto, tenhais compreendido em linhas gerais.
Em suma, não tenho outra intenção senão o desejo de realizar o Japão como o país do Belo que por natureza ele é, como o paraíso do mundo. Tenho ainda planos de construir, num futuro próximo, em Atami e em Quioto, um Paraíso Terrestre e um museu de arte a ele anexo. Peço-vos, portanto, encarecidamente que continueis a nos apoiar. Isto serve como minha saudação.
Não Julgueis
Eikō nº 208, publicado em 13 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
Sempre digo isso aos seguidores, mas parece que ainda há quem fique a avaliar se determinada pessoa é boa ou má, se ela se torna ou não um obstáculo espiritual. A existência de tais pessoas, ainda que poucas, prova que o ensinamento não está sendo suficientemente internalizado. E, como repito sempre, julgar o bem e o mal dos outros é, do início ao fim, usurpar o lugar de Deus — um grande erro; por isso, quero que tenham muita cautela quanto a isso. Afinal, como seres humanos, não temos a menor possibilidade de compreender verdadeiramente o bem e o mal alheios; pensar que se pode compreendê-los é, na realidade, subir, sem perceber, ao pico da arrogância. Consequentemente, essas pessoas são, na verdade, a prova de que sequer entraram no portal da fé. Além disso, o Plano Divino não é algo tão superficial a ponto de ser compreendido pela mente humana; este ponto também precisa ficar bem claro. Afinal, trata-se de um empreendimento tão extraordinário — salvar os três mil mundos —, algo inédito desde os tempos antigos; sem uma disposição de espírito muito ampla, não se pode sequer fazer ideia do que isso significa.
Em outras palavras, para a fé Shojo, é como espiar o céu através do buraco de um nó na madeira. Repito isso até ficar com os ouvidos cheios de calos: não se pode seguir a fé Shojo; só através da fé Daijo é possível compreender a vontade de Deus. Mas isso parece difícil, e é preocupante que ainda existam pessoas equivocadas quanto a isso. No entanto, basta observar a sociedade em geral para ver que tudo, em todos os aspectos, é Shojo — e, no Japão em particular, isso parece ainda mais extremo. Mesmo entre grupos religiosos formam-se facções internas, e cenas vergonhosas de disputas de poder às vezes enchem os jornais; o interior de partidos políticos, órgãos governamentais, empresas etc. também não foge à regra, o que naturalmente prejudica a eficiência e o desenvolvimento dos negócios.
Contudo, é precisamente por ser um mundo tão equivocado que Deus está realizando a retificação. E, examinando-se a raiz dessas coisas, tudo se deve ao fato de serem Shojo; portanto, sem que se adote o princípio Daijo, uma sociedade clara e generosa jamais poderá se realizar.
Apesar disso, por que será? Se, mesmo sendo seguidor da nossa Igreja, ainda restar algum pensamento Shojo, igual ao do mundo comum, quero que isso seja percebido rapidamente, para que mudem de pensamento e se tornem verdadeiros seguidores da Igreja Messiânica. Caso contrário, à medida que a purificação se intensifica, o julgamento de Deus também se torna mais severo; quando a situação se agravar, mesmo que se arrependam mordendo o umbigo, não haverá mais tempo; portanto, quero dizer que, se vão se arrepender, que seja agora. No Ofudesaki da religião Oomoto, a frase "Arrogância e equívoco são a causa de grandes ferimentos" aparece repetidas vezes, e é exatamente isso que se dá aqui. Também a frase de Cristo "Não julgueis" é igualmente verdadeira.
Em suma, o importante é julgar o próprio bem e mal, e não o dos outros; é mais correto ser indiferente às questões alheias. No entanto, o que ainda me surpreende é o seguinte: "Aquela pessoa está fazendo coisas pouco admiráveis, mas será que Meishu-Sama não percebe? Ou, mesmo percebendo, estará deixando passar por misericórdia? Ou talvez, por ser difícil de dizer, esteja deixando como está? Se for assim, penso que devo, em lugar de Meishu-Sama, dar um aviso." Pensar assim é um grande erro; para mim, é mesmo desagradável. Isso porque penso: será que estou sendo visto como alguém tão ingênuo? Pensem bem: se fosse esse o caso, seria possível realizar algo tão grandioso como salvar toda a humanidade e vencer lutando contra o grande chefe dos espíritos malignos? Não seria possível. Portanto, essas pessoas tão gentis, do meu ponto de vista, não são apenas grandes ingênuas; parecem-me bebês. É a "ingenuidade de ver com brandura aquilo que não é brando", que escrevi anteriormente.
E, como os seguidores sabem, atualmente não há uma única pessoa que não possua toxinas. Isso é verdade materialmente, mas espiritualmente também o é; não há uma única pessoa sem defeitos. É precisamente por isso que Deus salva através da purificação. Além disso, como diz o famoso ditado "Se pensar bem, o idiota sou eu", também se pode dizer "Se pensar bem, o ingênuo sou eu".
Aproveito para acrescentar mais uma coisa: sei perfeitamente o que é necessário no coração de cada um. Apenas não coloco isso em palavras; por isso, as pessoas se preocupam, pensando que Meishu-Sama não sabe. Mas eu estou ciente de tudo e apenas me calo, deixando tudo nas mãos de Deus. É que Deus remove as pessoas que não têm perspectiva alguma; quanto às de má índole, chega a recolher-lhes a vida para resolver a questão. Já houve algumas pessoas assim no passado, e os antigos devem saber bem disso. Dessa forma, deixando todas as coisas nas mãos de Deus, estou sempre tranquilo, com o coração como a primavera. E, do meu ponto de vista, pode-se dizer que quase todas as pessoas do mundo são ingênuas. Mesmo os gênios mundiais e as grandes figuras do Japão, lamento dizer, considero-os bons moços ingênuos. Entre eles, o mais ingênuo é o homem mau. É interessante que Kitamura, fundador da religião dançante, diga que, ao ver o rosto de alguém, vê larvas; a forma de dizer é vulgar, mas acho que é correta. O assunto se desviou bastante; então paro por aqui.
Zombando da medicina moderna
Eikō nº 191, publicado em 14 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Como é de conhecimento geral, o Dr. Waksman, que recentemente ganhou o Prêmio Nobel pela descoberta da estreptomicina, veio dos Estados Unidos ao Japão e, por intermédio do jornal Yomiuri Shimbun, realizou uma palestra pública, sendo recebido com entusiasmo por especialistas e muitos intelectuais. Li o discurso daquela ocasião nas páginas do Yomiuri e, deixando de lado os detalhes, escreverei seu princípio fundamental, que é mais ou menos o seguinte: dizem que o medicamento milagroso é uma substância antibacteriana, com efeito considerável para enfraquecer e reduzir o bacilo da tuberculose, e que, por isso, atenua a força da doença, aliviando vários sintomas por certo período — razão pela qual se tornou um alvoroço, uma descoberta mundial, como se vê hoje.
No entanto, posso garantir que ela não tem efeito de cura completa. Apesar disso, nos últimos anos, os especialistas se regozijam, dizendo que a taxa de mortalidade de pacientes no Japão diminuiu drasticamente. Do meu ponto de vista, isso não é o problema.
Como sempre digo, tratando-se da medicina moderna, que é extremamente infantil, é claro que ela não toca na raiz da tuberculose; e, sendo um medicamento criado apenas a partir de estudos periféricos, é evidente que seu efeito é apenas temporário. A prova mais clara disso é que, embora a taxa de mortalidade tenha diminuído, a taxa de incidência não diminuiu nem um pouco. Como resultado, só aumenta o número de pessoas pálidas, que nem morrem nem se curam por completo — desnecessário dizer que isso traz mais prejuízo do que benefício para a nação e para a sociedade. Se as novas drogas realmente curassem as doenças, aumentassem o número de pessoas saudáveis e cheias de vitalidade e fizessem também diminuir a taxa de incidência, eu, mesmo sendo quem sou, não hesitaria em levantar as duas mãos para expressar minha concordância. Mas, como a realidade é a que foi descrita, é preciso reconhecer esse ponto cego.
Ainda assim, acho realmente lamentável que, com um efeito tão incerto, as pessoas valorizem isso como se tivessem arrancado a cabeça de um demônio — e não apenas o próprio descobridor, mas até outros estudiosos o elogiam. Isso ocorre porque não compreendem a verdade; assim, diante de um pequeno efeito, ficam imediatamente nas nuvens, e isso se torna até uma moda mundial. O mesmo aconteceu com a hidrazida: o ímpeto inicial desapareceu em algum lugar e, ultimamente, parece que as vendas estão aquém do esperado, e os fabricantes andam aos gritos. Além disso, o que deve ser notado é que, mesmo que a mortalidade por tuberculose tenha diminuído, outras doenças aumentaram por causa disso. Recentemente, vi em um jornal uma reportagem dizendo que, na França e em outros países europeus, embora a tuberculose tenha diminuído, o câncer (o falso câncer) e outras doenças aumentaram. Isso também deve ser levado a sério. Considerando o exposto, se a tuberculose, mesmo suprimida por certo período com medicamentos, corre o risco de se transformar em outra doença, o saldo é zero. O fato de que, mesmo dizendo que a medicina progrediu, o número de doentes não diminuiu em nada é prova clara disso. E, falando com franqueza sobre a causa disso, a medicina ainda não progrediu tanto: permanece presa apenas aos germes, com a ideia simplista de que basta matá-los. Escreverei agora o princípio fundamental que se opõe a isso: os germes são, na verdade, um produto resultante, não a causa original. Ou seja, primeiro se forma um foco de germes em uma parte do corpo (sobre esse foco, consulte minha obra "Terapia pela Fé na Tuberculose", onde explico em detalhes); desse foco surgem as larvas dos germes, que gradualmente se desenvolvem e, ao se tornarem adultos, são os germes visíveis ao microscópio. Portanto, para erradicar a tuberculose, é necessário destruir esse foco — essa é a raiz do problema. Como não se compreende até esse ponto, pensa-se que qualquer droga capaz de matar os germes já é boa e, como se vê ultimamente, novas drogas são descobertas uma após a outra. Para mim, isso não passa de trabalho inútil. Por outro lado, com o Johrei da nossa Igreja, a tuberculose é certamente curada por completo. E, após a cura completa, a pessoa se torna mais saudável do que antes da doença, justamente porque isso extermina por completo a fonte de origem dos germes. Pelo exposto, creio que se tenha compreendido que o princípio de cura de doenças que criei e o seu método constituem a mais elevada ciência.
No entanto, por se tratar da teoria de um religioso, as pessoas não a examinam e a julgam de imediato como não científica.
Isso se deve ao fato de estarem completamente presas à superstição da ciência, e sinto profundamente que é necessário romper com essa superstição o mais rápido possível.
Fragmentos Médicos (38) – Constituição Física
Eikō nº 191, publicado em 14 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Os médicos frequentemente usam a constituição física como justificativa, o que, à primeira vista, parece plausível, mas, na verdade, não passa de uma espécie de subterfúgio.
É verdade que os seres humanos possuem algo como uma constituição física, mas ela quase não tem relação com as doenças. Isso pode ser afirmado com base em nossa própria experiência: na realidade, a constituição física é a diferença que resulta do tipo de toxina medicamentosa que o paciente acumula no corpo e da quantidade dessa toxina. Como a medicina não compreende isso, trata a questão rotulando-a de "constituição física". A prova disso é que, no caso do Johrei, pela razão acima mencionada, há apenas diferenças na rapidez ou lentidão da cura.
Um Indivíduo, Cem Pessoas
Eikō nº 192, publicado em 21 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Quando um seguidor da nossa Igreja, com empenho, consegue fazer um novo seguidor por meio do Johrei e do espírito da palavra, e pensa "ufa, finalmente", isso equivale apenas a puxar a aldraba e fazê-lo entrar pelo portão; não se pode ficar tranquilo de modo algum. É indispensável conduzi-lo até o santuário interior e mostrar-lhe a parte essencial do interior da casa; só então se pode dizer que ele se tornou um verdadeiro seguidor. Quem já tem experiência compreende bem isso; o que quero dizer é o seguinte: se uma pessoa tem força para fazer um seguidor firme, fazer cem seguidores não é, de modo algum, uma tarefa difícil.
Se cada um desses cem fizer mais cem seguidores, eles aumentarão como na multiplicação dos ratos e, é claro, acabarão atingindo números surpreendentes.
Ao ouvir isso, talvez não se pense que as coisas possam avançar tão suavemente e sem obstáculos. Isso ocorre porque se pensa com base nas religiões existentes até agora. No entanto, a nossa Igreja Messiânica é completamente diferente. Por quê? Porque, em termos de poder, é uma religião tão elevada que não se pode comparar com as religiões de hoje. Isso vale especialmente para o método do Johrei, peculiar à nossa Igreja: os resultados da cura de doenças por esse método são de uma excelência difícil de acreditar, algo que se compreende imediatamente ao entrar em contato com a nossa Igreja. De fato, até hoje existem várias formas de cura de doenças pela fé, mas todas se baseiam apenas em dois aspectos: a graça indireta dos deuses e budas, e o esforço próprio. Além disso, mesmo os deuses e budas têm uma qualificação inferior à de segunda categoria, de modo que não puderam manifestar um poder acima de certo nível. Já o Deus Soberano da nossa Igreja, sendo o Deus Supremo, exerce um poder absoluto. Acima de tudo, isso pode ser entendido pelo fato de que, embora todas as religiões construam hospitais, somente a nossa Igreja não o faz.
Ademais, na nossa Igreja quase não há doutrinas ou métodos criados há centenas ou milhares de anos; ao contrário, apontam-se os seus erros. Dessa forma, tudo é novo e, ao contrário das religiões estabelecidas, indiferentes à ciência e à cultura, a nossa Igreja também as critica amplamente, expõe suas falhas e mostra um elevado padrão cultural.
Portanto, se houver alguém que critique a nossa Igreja por uma razão ou outra, é porque essa pessoa ainda não teve contato com ela.
Ainda entre as peculiaridades que não permitem que outras a sigam estão o fato de ser tão repleta de milagres que poderia ser confundida com fanfarronice e a grande escala desses milagres. E eles vêm sendo realizados de forma sólida, obtendo resultados surpreendentes. Naturalmente, tanto as pessoas interessadas em religião quanto terceiros têm gradualmente passado a notar isso nos últimos tempos.
Como visto acima, embora a nossa Igreja seja uma religião, a religião é apenas uma parte dela; já hoje ela obtém resultados magníficos principalmente na terapia, na agricultura e na arte. Naturalmente, no futuro pretende realizar empreendimentos inovadores também em outras áreas da cultura. Em suma, trata-se de substituir a equivocada cultura infernal pela verdadeira cultura do Paraíso. Sendo uma religião com um poder tão inédito, não seria nada estranho que um seguidor se multiplicasse em cem.
Fragmentos Médicos (39) – A Palavra "Irresponsabilidade do Médico"
Eikō nº 192, publicado em 21 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Como se ouve com frequência nos relatos de graças, há pessoas que se indignam e acusam os médicos de irresponsabilidade.
Isso é compreensível, pois desconhecem a verdadeira situação; os fatos, porém, são os seguintes. Os médicos, com consciência, tratam com empenho na tentativa de curar, mas, como a doença não se cura como esperado, não têm escolha senão tornar-se frios e acabam dizendo coisas pessimistas. O paciente, por sua vez, acreditando no que lhe foi dito no início — que ficaria completamente curado em algumas semanas, ou que, internando-se, certamente se curaria —, vê o progresso ser totalmente diferente, gasta com despesas médicas além do previsto, piora gradualmente e, por fim, tem a própria vida em perigo. Ao recorrer novamente ao médico, este, mesmo tendo empregado todos os métodos com tanto empenho e sem sucesso, já não entende mais o que está acontecendo e não consegue dar uma resposta satisfatória.
Ouvimos constantemente fatos como esses. Mas, afinal, onde está a causa? Como sempre digo, a medicina moderna, embora pareça ter avançado enormemente, na realidade está longe disso. Por isso, os médicos é que são verdadeiramente dignos de pena.
A Socialização da Arte
Eikō nº 168, publicado em 6 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Escreverei agora sobre o significado fundamental da construção do Museu de Arte que realizei.
Como sempre digo, o objetivo da nossa Igreja é criar um mundo pleno na Verdade, no Bem e no Belo. Para simbolizar o Belo, criei uma obra de arte que combina a beleza natural com a artificial — algo que ninguém jamais tentara. Quanto ao propósito disso: deixando de lado os países estrangeiros, o Japão possui, até hoje, inúmeras obras de arte tão magníficas quanto as de qualquer outra nação. No entanto, até agora elas permaneceram nas mãos de uma classe privilegiada, guardadas em segredo no interior de suas residências, sem nunca serem oferecidas ao público. Na prática, apenas um número restrito de pessoas podia vê-las, em ocasiões específicas. Em suma, tratava-se de um monopólio da arte, e essa era a mentalidade feudal dos japoneses até então. Há muito tempo eu sentia profundo pesar por essa questão e pensava em como romper esse mau hábito e promover a socialização da arte.
Ou seja, tratava-se de libertar a arte e proporcionar alegria ao povo em geral. Acreditava que era assim que se poderia dar vida à arte, e sempre me empenhei nesse sentido. Por ser religioso e por contar com os esforços dedicados dos seguidores, foi possível concluir o projeto em período relativamente curto. Assim, meu desejo de longos anos se realizou, e não consigo conter a alegria.
Atualmente, há museus de arte particulares em várias regiões, mas os motivos de sua construção são completamente diferentes dos meus objetivos. Foram criados por pessoas ricas ou por famílias influentes que, movidas pelo dinheiro, colecionaram inúmeras obras de arte para satisfazer os próprios gostos, proteger seus bens e alimentar sua vaidade. Para garantir a manutenção e a segurança futuras, essas coleções foram organizadas sob a forma de pessoas jurídicas. De acordo com a lei, tais instituições são obrigadas a expor suas coleções ao público por um certo número de dias por ano, mas o fazem apenas por curtos períodos na primavera e no outono, de maneira meramente formal. Deve-se dizer, portanto, que seu significado social é extremamente limitado.
Em contraste, o Museu de Arte da nossa Igreja, devido às condições climáticas de Hakone, fecha apenas nos três meses de dezembro, janeiro e fevereiro, permanecendo aberto durante todo o restante do ano. Isso oferece a conveniência de poder ser visitado a qualquer momento em que se deseje. Desse ponto de vista, já é algo ideal. Além disso, as peças expostas no Museu de Arte da nossa Igreja são tesouros raros e obras-primas que os interessados em arte desejam ver ao menos uma vez, e estão dispostas de forma tão densa que mal há espaço. A satisfação dessas pessoas certamente será imensa. Como a taxa de entrada é relativamente baixa, acredito ainda que podemos contribuir consideravelmente para o bem-estar social. Não só isso: mesmo os artistas contemporâneos que desejam ver obras de referência encontram nos museus, como bem sabem, principalmente objetos históricos e arqueológicos, em sua maioria arte budista. Quanto a outros museus particulares, predominam a arte chinesa e a arte ocidental. Portanto, não existia, no verdadeiro sentido, um museu de arte japonesa. Do ponto de vista da preservação de importantes bens culturais, que tendem a se dispersar e a se perder, este museu também poderá dar uma grande contribuição.
Recentemente, o Sr. Asano*, diretor do Museu Nacional, e o Sr. Fujikawa, diretor-geral do Departamento de Administração do Comitê de Proteção dos Bens Culturais, visitaram o museu e comentaram que um museu como este atende plenamente às condições de que o país mais necessita atualmente. Disseram que concordam plenamente e que pretendem apoiá-lo, pedindo que eu me empenhasse ao máximo nesse sentido.
Com isso, senti-me grandemente encorajado. Por fim, gostaria de destacar especialmente que, no futuro, muitos turistas estrangeiros continuarão a visitar o Japão, e é improvável que haja algum estrangeiro que passe por Hakone sem visitá-lo.
Portanto, certamente visitarão o Museu de Arte da nossa Igreja. Desse ponto de vista, acredito que isso contribuirá, ainda que pouco, para elevar o status da cultura japonesa. A esse respeito, o famoso Dr. Warner e outros estrangeiros influentes têm enviado continuamente pedidos de visita. Assim, acredito que não demorará muito para que o museu se torne conhecido no exterior e passe a ser um dos grandes símbolos do Japão. Para corresponder a isso, atualmente estou me dedicando inteiramente ao aprimoramento de todos os aspectos do museu.
* (Sr. Asano, diretor do Museu Nacional) Sr. Asano Nagatake, diretor do Museu Nacional de Tóquio.
―――――――――・――――――――――
Se a doença for curada, está bom
Eikō nº 200, publicado em 18 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
Hoje em dia, as pessoas da classe intelectual costumam dizer o seguinte: a cura de doenças pela religião está errada. A religião é uma salvação espiritual, e a doença é algo que, por definição, cabe ao médico tratar. Por isso, dizem que a cura de doenças pela religião invade o domínio da ciência e não é interessante. Ouvindo isso de relance, parece extremamente razoável; mas, pensando bem, há pontos que não podemos admirar. Isso porque, se a religião não invadisse o domínio da ciência, ela não poderia salvar todas as pessoas, já que a medicina não consegue curar as doenças. Portanto, isso também é inevitável. Gostaria que refletissem sobre o quanto a medicina moderna é impotente. Por outro lado, as religiões estabelecidas também quase não têm poder de curar doenças. A prova disso é clara ao vermos que, atualmente, com exceção da nossa Igreja, todas as religiões, sem exceção, administram hospitais. Isto é, a forma de ser da religião de hoje é tentar, no mínimo, dar um conforto espiritual, e essa noção parece ter se tornado o futuro da religião. Por isso, quando, por acaso, veem uma religião como a nossa, que tem a cura de doenças como missão, parece-lhes que algo está errado. Como exposto acima, o erro está em pensar a medicina e a religião como coisas separadas. O essencial é: se a doença é bem curada, não importa qual dos dois seja, não é mesmo? Aqueles que fecham os olhos para esse fato e insistem nas críticas é que, presos à visão do Shojo, impedem o progresso da cultura.
Desde o princípio, o verdadeiro propósito da religião é salvar da infelicidade e conceder a felicidade; não é nada além disso. Para isso, de qualquer forma, só o espírito não adianta: é preciso salvar também o corpo. Somente quando espírito e carne se tornam saudáveis é que se tem a verdadeira salvação. No entanto, como até hoje não surgiu uma religião com tal poder, inevitavelmente, como meio secundário, deixaram o sofrimento da doença como estava e tentaram salvar apenas o espírito. Esse método consistia em fazer com que as pessoas se desapegassem da vida, ensinando-lhes a resignação e fazendo-as abrir os olhos para a iluminação, e isso se tornou o ideal da religião. Foi, portanto, apenas uma salvação pela metade, somente pelo lado espiritual. O método da nossa Igreja, porém, é completamente diferente. Como salva também o corpo, a cura da doença é o primeiro passo. E o efeito de cura da nossa Igreja é tão maravilhoso que não se compara ao da medicina; as pessoas recuperam a saúde, obtêm literalmente a tranquilidade e a paz espiritual e se tornam pessoas que vivem em júbilo. Por essa razão, chamam a nossa Igreja de especialista em cura de doenças, mas eu me satisfaço com isso, pois acredito que é a verdadeira salvação. Nem é preciso dizer que, uma vez que a pessoa se torna saudável, todas as causas da infelicidade desaparecem. Portanto, por mais que uma religião tenha tudo aperfeiçoado em outros aspectos, se não for capaz de resolver a questão crucial da doença, penso que ela não tem qualificação como religião. Frequentemente ouço histórias de fiéis de algumas religiões que, mesmo sofrendo de doenças, se sentem satisfeitos dizendo que foram salvos. Isso é, antes, uma tristeza. De fato, para a própria pessoa pode até estar bom, mas o sofrimento espiritual e econômico da família e dos parentes próximos é imenso, e o doente, que vê essa situação diariamente, de manhã e à noite, jamais poderá obter uma satisfação genuína. Se assim é, então não se trata de uma salvação verdadeira.
Aqui, escreverei sobre o significado fundamental disso. Gostaria que refletissem bem sobre o seguinte: afinal, o ser humano foi criado pela ciência ou por Deus? É claro que nem mesmo os estudiosos pensam que foi criado pela ciência, e não deve haver objeção de que foi criado por Deus. Se o ser humano fosse algo criado pela ciência, os danos poderiam ser reparados pela própria ciência. Mas, se foi criado por Deus, é óbvio que não há outro método de reparo senão depender de Deus. Por que isso não foi compreendido até agora? Também se pode explicar de forma simples: trata-se apenas do fato de que a ciência é visível, mas Deus é invisível — um ponto de vista extremamente superficial. Por essa razão, as pessoas não conseguem acreditar na lógica de que doenças que a ciência não cura possam ser curadas pela religião. Para nós, porém, é o contrário: se a ciência curasse as doenças, isso sim seria um grande milagre; se é a religião que as cura, é algo natural, sem nada de estranho nisso.
Para tornar isso ainda mais fácil de entender: se a medicina realmente curasse as doenças, então, pelo menos a família dos médicos deveria ser mais saudável que a das pessoas comuns, e os próprios médicos deveriam viver excepcionalmente mais. No entanto, o fato é que eles não diferem em nada das pessoas comuns. Gostaria de perguntar qual é a razão disso. Além disso, se os medicamentos curassem as doenças, não se saberia nem calcular a quantidade que já entrou no corpo humano desde a época dos antepassados. E, com os novos medicamentos surgindo um após o outro como hoje em dia — administrados não só por via oral, mas até por injeção —, os doentes já deveriam ter desaparecido, e médicos e farmacêuticos, sem ter o que comer, já teriam fechado os seus negócios. No entanto, qual é a realidade? Os doentes aumentam cada vez mais, queixam-se de que há muitos vilarejos sem médicos, os hospitais estão lotados, os sanatórios não têm leitos suficientes, e a seção de anúncios dos jornais tem mais propagandas de remédios do que qualquer outra coisa. Diante desse fato irônico, não haveria o que dizer. Portanto, como defendo em minha teoria, está comprovado pelos próprios fatos que os medicamentos criam as doenças.
Acima, discorri sobre a medicina e a religião. O problema é que, se a doença for curada pelo tratamento médico, está bom. Se assim fosse, este problema nem sequer teria surgido.
―――――――――・――――――――――
As Doenças Contagiosas Não São de Temer
Eikō nº 164, publicado em 9 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
A partir de agora, com a chegada do verão, várias doenças contagiosas surgirão uma após a outra, e as autoridades, em grande alvoroço, se esforçarão ao máximo com métodos de prevenção e diversas providências.
Do nosso ponto de vista, porém, isso é deveras lamentável. A medicina não conhece a raiz do problema; mas, se a raiz for compreendida, não apenas não há motivo para preocupação, como, ao contrário, contrair uma doença contagiosa aumenta a saúde. A maior prova disso é que, uma vez curada a doença contagiosa, não só ela não se manifesta por um tempo, como, dependendo do tipo de doença, a pessoa adquire imunidade para o resto da vida, e a saúde se torna ainda melhor. Dizer isso pode ser inacreditável para as pessoas modernas, mas, como é a verdade, não há o que fazer. Explicarei, portanto, detalhadamente a razão. Ao ler isto, qualquer um certamente concordará. Em primeiro lugar, as chamadas doenças contagiosas são o processo de purificação mais rápido que existe, e não há nada tão benéfico quanto elas.
Isso porque o sangue dos seres humanos de hoje está extremamente turvo. A causa disso, como sempre digo, é a introdução indiscriminada de medicamentos no corpo. Os medicamentos são, originalmente, venenos, e esses venenos, absorvidos pelo sangue, tornam a pessoa portadora de sangue turvo. Ora, os portadores de sangue turvo são frágeis e propensos a doenças, e é aqui que a natureza desencadeia uma ação purificadora para eliminar essa turvação. O corpo humano é realmente bem feito. E o interessante é que, como mecanismo para dissolver essa turvação, surgem micróbios — micro-organismos que realizam esse trabalho. Isto é, os micróbios se reproduzem alimentando-se das partículas dessa turvação. São, portanto, as impurezas do sangue turvo que servem de alimento aos micróbios; não se trata de uma ação de proliferação de micróbios, mas de uma ação de eliminação de venenos. A ocorrência do processo de purificação, como dito acima, não se limita aos seres humanos.
Manifesta-se da mesma forma em relação a todas as coisas sobre a terra, sendo este o princípio de todas as coisas. Ou seja, as chuvas torrenciais, os raios e o fogo são atividades de purificação do espaço; a guerra, os incêndios e as inundações são, evidentemente, também isso. Portanto, se o sangue do corpo humano se turva, a purificação ocorre como uma função fisiológica natural. Assim, para não contrair doenças contagiosas, basta não turvar o sangue. Como fazer, então, para se tornar portador de sangue purificado? É extremamente simples: basta não usar medicamentos. Isso porque tudo o que o ser humano necessita para viver é produzido pela natureza. Os cinco cereais, as hortaliças, os peixes, as aves, a carne dos animais, a água etc. são isso. Se a pessoa se alimentar dessas coisas, jamais deveria contrair doenças. Acima de tudo, o fato de todas essas coisas terem sabor nos ensina que elas próprias são aquilo que deve ser ingerido. Por que será que as pessoas se enganaram tanto a ponto de tomar remédios amargos ou ingerir coisas sem gosto, chamando-as de nutrientes? Compreender-se-á quão contrário isso é à natureza. Não só isso: interpretam a magnífica ação purificadora de forma negativa e a suprimem temporariamente com substâncias venenosas chamadas medicamentos. Esse método é a terapia médica; não deve haver engano maior do que este. Se alguém compreender o princípio acima, as doenças contagiosas não apenas deixarão de ser temíveis, como se tornarão necessárias para a saúde.
O Johrei da nossa Igreja, por sua vez, é o poder divino que dissolve a turvação do sangue, a qual é o alimento dos micróbios. Portanto, uma vez que não há mais alimento para os micróbios, mesmo que haja contágio, eles não conseguem se reproduzir e, naturalmente, morrem. Compreender-se-á que este é o método fundamental de prevenção de doenças contagiosas.
Fragmentos Médicos (40) – A Palavra "Efeito"
Eikō nº 193, publicado em 28 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Os médicos costumam dizer que este medicamento ou esta terapia tem efeito, mas essa expressão parece transmitir apenas a ideia de um alívio temporário do sofrimento. Dizer, de forma direta e em uma única frase, que "esta terapia certamente curará" — é essa palavra que ressoa com força e traz tranquilidade. Essa é a maneira correta de falar, repleta de convicção; mas, infelizmente, a medicina ainda não evoluiu a ponto de poder afirmar isso, o que é compreensível. Atrevo-me a fazer esta sugestão aos senhores médicos.
A Grande Era do Terror Está por Vir
Eikō nº 194, publicado em 4 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Ao ver este título, certamente todos se assustarão. Os seguidores talvez não, mas quem o vê pela primeira vez deve pensar assim. Sobre este assunto, venho explicando constantemente sob todos os aspectos; contudo, como o momento parece estar bastante próximo, decidi escrever de forma exaustiva aqui. Naturalmente, o processo de purificação no mundo espiritual torna-se mais forte a cada dia que passa, e, num futuro próximo, a sociedade em geral também passará por uma grande transformação. A respeito disso, comecei recentemente a escrever uma obra intitulada "A Revolução Médica", justamente por sentir com tanta força essa necessidade.
Os seguidores devem saber bem, mas hoje em dia a quantidade de toxinas medicamentosas que qualquer pessoa acumula é surpreendente, e, quanto mais se compreende isso, mais verdadeiramente assustador parece. Dito isso, observando o mundo atual, há muitas pessoas que trabalham arduamente aparentando perfeita saúde; olhando superficialmente, é absolutamente impossível imaginar que um tempo tão terrível esteja por vir. Por essa razão, é claro que os não seguidores não vão acreditar, mas mesmo entre os seguidores, os que têm fé mais recente, por exemplo, ficarão intrigados e dificilmente acreditarão. Contudo, falando a verdade, quanto mais saudável uma pessoa parece, mais perigosa ela é. Isso porque, embora possua grande quantidade de toxinas medicamentosas, elas estão extremamente bem consolidadas. Portanto, quando chegar o momento decisivo, devemos considerar que são justamente essas pessoas que sofrerão a purificação de uma só vez e serão as primeiras a ser postas na mira.
Venho defendendo, há mais de vinte anos, que as toxinas medicamentosas são a causa das doenças. No início, a maioria das pessoas dificilmente acreditava, mas, quanto mais tempo alguém é seguidor, mais se convence disso. Isso não é sem razão: afinal, o ditado "doença, médico e remédio" está tão arraigado quanto um provérbio transmitido de geração em geração, a ponto de praticamente não haver quem mude de entendimento de uma hora para outra. Ainda assim, ultimamente parece que o entendimento tem se tornado mais rápido e, por consequência, o olhar dirigido a nós mudou. Como a purificação se torna cada vez mais intensa, é natural que o número de pessoas que compreendem aumente ainda mais. Isso porque o método de consolidação da medicina se tornará, dia após dia, incapaz de endurecer. Em contrapartida, como o Johrei é um método de dissolver, ocorre o oposto — em suma, a época está a favor do Johrei.
Dessa forma, os doentes aumentarão cada vez mais, surgirão muitos tipos de doenças até então inexistentes, e os médicos não saberão o que fazer — é natural que fiquem completamente sem saída. Além disso, os medicamentos orais e as injeções que antes faziam efeito imediato não só deixarão de fazer efeito, como terão efeito contrário. Virá uma era de terror em que, assim que o médico aplicar o tratamento, a condição do paciente se agravará, ou ele morrerá. Quando isso acontecer, desde o governo e os especialistas até o povo em geral compreenderão o verdadeiro valor da medicina e serão forçados a boicotar o tratamento médico, o que será um grande problema. Só então eles não terão escolha senão curvar-se diante dos ensinamentos da Igreja Messiânica e, ao mesmo tempo, reconhecerão que, naquela época, consideraram a doutrina algo muito estranho e a criticaram, mas que, na verdade, lamentam profundamente. Será então que seus olhos finalmente se abrirão.
Além disso, quando isso acontecer, como a vida não tem preço, é claro que intelectuais e jornalistas virão em massa buscar salvação. Mas, quando isso ocorrer, sendo tudo de uma vez, não conseguiremos atender a todos. Salvaremos na medida em que as circunstâncias permitirem, mas não será possível salvar a todos. Portanto, é lamentável, mas aqueles que ficarem de fora não terão alternativa senão resignar-se, pensando que é consequência de seus próprios atos. No Ofudesaki da religião Oomoto, há uma passagem como esta: "Quando chegar o momento decisivo e vierem se agarrar a Deus, já será tarde demais. Para o povo que sempre ouviu as palavras de Deus com indiferença, Deus não se importará, e não haverá mais o que fazer. A fé repentina não será a tempo." São palavras que penetram como uma bala. Isso é exatamente o que estou querendo dizer agora. Além disso, no Ofudesaki está escrito: "A reforma que agora se realizará é para mostrar claramente se Deus existe ou não neste mundo. Portanto, se compreenderem que Deus existe, nenhum povo poderá deixar de se salvar." Que sentimento pungente, que penetra até os ossos, não é?
Aqui há algo de que quase ninguém se dá conta e, por ser algo relacionado a outras religiões, não estou muito disposto a falar sobre isso; mas, como o momento se aproxima e é para a salvação da humanidade, não posso deixar de dizê-lo.
É que, quando finalmente chegar o Juízo Final, as religiões não servirão de nada.
Isso porque a maioria dos fundadores e iniciadores dessas religiões não só já não têm poder para salvar o mundo, como eles próprios e seus seguidores precisam ser salvos.
Por isso, ultimamente, eles vêm até mim, um após outro, para fazer súplicas — e isso, por si só, já deixa claro esse ponto. Se o mundo atual continuasse como está, todas as religiões teriam sua utilidade correspondente. No entanto, tratando-se de uma situação sem precedentes, como a grande transformação mundial, a cultura estabelecida não pode evitar um destino de colapso. Ao mesmo tempo, chega a era da unificação de todas as religiões, e todas elas se unirão em um só corpo, cooperando, centradas na nossa Igreja, não apenas na salvação da humanidade, mas também na construção do Paraíso Terrestre.
Agora, há algo que preciso dizer. Em última análise, chegará o momento em que será preciso escolher entre dois caminhos: perecer voltando as costas à nossa Igreja, ou ser salvo apoiando-se nela. Devemos, portanto, estar preparados desde já. Esta será, provavelmente, a questão para toda a humanidade no futuro.
Algo Além da Religião
Eikō nº 194, publicado em 4 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Isto é algo que sempre digo: a nossa Igreja Messiânica não é uma religião; é algo superior a uma religião. Religião, como se lê nos caracteres, é o ensinamento do fundador da seita e, portanto, sem exceção, consiste em sermões. Ou seja, prega-se com a boca e ensina-se com a pena; é o que são os sutras e a Bíblia. Até agora, de todo modo, salvavam-se pessoas com esses métodos e, para dizer a verdade, a religião não tinha nada além de ensinar e aconselhar — e isso era suficiente. Contudo, no mundo complexo de hoje, os métodos antigos não se adequam mais à época. Por essa razão, a nossa Igreja Messiânica é a religião que nasceu com a missão de salvar a era e liderar todos os povos. O primeiro ponto é a cura de doenças, mas até hoje não houve religião que manifestasse tamanho poder de cura, e tampouco há exemplo de religião que tenha construído museus de arte ou realizado melhorias na agricultura.
Dessa forma, tudo o que é necessário ao ser humano — literatura, arte, política, economia, filosofia, ciência etc. — está incluído, sendo ensinado e praticado de modo fundamental.
Por essa razão, o sermão é apenas uma parte da nossa Igreja e, além disso, o que nela se prega contém muitas coisas nunca antes vistas, por isso peço especial atenção a este ponto. Assim, o Plano Divino da nossa Igreja pode ser resumido em uma palavra: é um empreendimento cultural de alto nível. O problema, porém, é que o homem moderno sequer tem o conceito de uma cultura tão elevada, sendo difícil compreendê-la.
Entre esses fatos, o mais notável é que, apenas cobrindo o local com a palma da mão, doenças incuráveis são curadas e, sem aplicar fertilizante, colhe-se uma quantidade maior de produtos de qualidade superior do que antes. Além disso, em um piscar de olhos, obras de arte magníficas são concluídas e museus são construídos. Há quem, apesar de ser japonês, chegue ao ponto de publicar um livro com a pretensão audaciosa de "Salvando os Estados Unidos". Quanto ao Templo Messiânico de Atami, que será construído em breve, sua arquitetura será a de um templo de novo estilo religioso, algo inédito no mundo. Provavelmente, quando concluído, deixará os arquitetos do mundo boquiabertos. Além disso, como se sabe, estão sendo realizadas construções nas duas regiões de mais notável beleza cênica do Japão, Hakone e Atami, e agora está prevista a construção do Paraíso Terrestre em uma área de aproximadamente vinte mil tsubo em Sagano, tendo como centro o Lago Hirosawa, de beleza cênica excepcional em Quioto. Escrevi de modo resumido como acima, mas, daqui em diante, não se sabe quais maravilhosos Planos Divinos ainda serão realizados mundialmente; por isso, quero que estejam preparados para não se surpreenderem. Pode ser um pouco exagerado, mas, de todo modo, como um Deus onipotente, o maior do mundo, está concedendo proteção divina nos bastidores, quero que acreditem que não se trata de bravata.
Fragmentos Médicos (41) – Sem Título (4)
Eikō nº 194, publicado em 4 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
O método de implante da hipófise bovina, que recentemente se tornou popular, promete rejuvenescimento, crescimento de cabelo em calvos, aumento de altura, desaparecimento de rugas, fim do cansaço — enfim, uma enxurrada de benefícios tão bons que parecem um sonho. Em consequência, os médicos especialistas nisso se multiplicaram como brotos de bambu depois da chuva.
Diz-se que, somente na cidade de Tóquio, já são mais de duzentos e poucos locais, o que não podemos deixar de estranhar. Isso se tornou um problema para a associação médica, que vem realizando reuniões para discutir medidas, mas parece enfrentar dificuldades, pois não se chega facilmente a uma conclusão. Do nosso ponto de vista, porém, é uma questão extremamente simples, e podemos chegar a uma conclusão imediatamente; por isso, vou escrevê-la.
Como sempre digo, os métodos da medicina produzem apenas efeitos temporários, semelhantes aos da anfetamina, que aparenta ter grande eficácia. Assim, pode-se considerar que o efeito desse método da glândula pituitária também durará, no máximo, alguns meses ou, talvez, um ano. Depois disso, a pessoa não apenas voltará ao estado anterior, mas, como se trata de algo estranho que não deveria ser introduzido no corpo, isso se tornará causa de desgraça, acarretando doenças problemáticas e fazendo-a sofrer bastante. Há cerca de dez anos, existiu algo chamado "cirurgia de rejuvenescimento", que ficou na moda por um tempo, mas desapareceu como fumaça; deve haver muitas pessoas que se lembram disso. Pode-se considerar que o método atual é a mesma coisa, com a mesma origem, mas com variações. Afirmo, sem receio de errar, que em um ou dois anos a pessoa se tornará como um fantasma.
Fragmentos Médicos (42) – Bocejo
Eikō nº 195, publicado em 11 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Ao receberem Johrei com frequência, algumas pessoas bocejam. Isso é algo extremamente bom. No espírito da palavra, "bocejo" (akubi) significa "espírito maligno" (akurei); portanto, quando as toxinas se dissolvem, são apenas esses espíritos que saem primeiro, o que é magnífico. Há também pessoas que, de modo semelhante, arrotam com frequência, e isso segue o mesmo princípio do caso anterior.
Novamente sobre o Problema da BCG
Eikō nº 135, publicado em 19 de dezembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Em relação ao problema da BCG, atualmente debatido com tanto alarde em diversos setores, o jornal Jiji Shinpo, em sua edição de 19 de novembro passado, publicou o artigo que transcrevo a seguir.
Ao lê-lo, percebe-se que se trata de um apelo de uma comunidade rural que, tendo sofrido terríveis danos em razão da vacinação com BCG, pede que a vacinação seja interrompida. Ouvimos falar de casos como este de tempos em tempos. No entanto, a tendência recente do mundo médico parece ter se inclinado para a opinião de que a vacinação é inofensiva e deve ser continuada, o que, do meu ponto de vista, é verdadeiramente incompreensível. Digo isso porque chego a pensar que eles estão fechando os olhos para os relatos de danos, como se não quisessem vê-los. E a razão que apresentam para considerar a vacina eficaz baseia-se em estatísticas que mostram que a taxa de incidência da doença é muito menor nas regiões vacinadas do que naquelas em que não houve vacinação. O erro da medicina, porém, está em decidir com base apenas nos fatos que aparecem na superfície.
É claro que, como a medicina não compreende a causa fundamental, não há o que fazer; mas eu a compreendo bem, e é por isso que escrevo aqui. Como sempre digo, o surgimento da tuberculose é a ocorrência de uma purificação. Portanto, é algo bom, pois se cura radicalmente por meio dela. A medicina, contudo, interpreta isso de forma inversa e usa a BCG para tentar interromper essa purificação. É natural, assim, que o número de doentes diminua. Como se trata de uma supressão temporária, porém, mesmo que haja uma redução inicial, se a vacinação for continuada ano após ano, a ação antitóxica natural se manifesta, o efeito gradualmente se enfraquece e, além disso, soma-se a purificação da toxina medicamentosa da própria BCG. Consequentemente, chegará inevitavelmente uma era de aumento drástico de pacientes com tuberculose de tipo extremamente maligno, o que é mais claro que a luz do sol. Só de pensar nisso, ficamos com arrepios. Ah, o ponto cego da medicina é algo verdadeiramente irremediável.
Espírito da Lei e Técnica Jurídica
Eikō nº 122, publicado em 19 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Na sociedade moderna, adota-se como princípio coibir os criminosos por meio de leis e penas, a fim de evitar a reincidência. Se a religião for completamente ignorada, não há outro método senão este, o que é inevitável. No entanto, os fatos comprovam claramente que, mesmo assim, é impossível alcançar o objetivo apenas com isso. De fato, ainda que se fale em crime, este não passa do resultado que se manifesta na superfície; é necessário, portanto, atuar sobre a motivação interior, que é a raiz do problema. Em outras palavras, trata-se da vontade e da alma que levam ao cometimento do crime. Assim, se além da prevenção legal do crime não erradicarmos a motivação criminosa por outros meios, jamais se alcançará uma sociedade livre de criminosos. Sendo assim, atualmente, os malfeitores se esforçam apenas para não serem pegos pela lei.
E isso não se restringe aos desocupados e desordeiros. Mesmo pessoas com considerável nível de educação, ou pertencentes à classe média ou superior, agem da mesma forma. Apenas pensam em não cair nas malhas da lei e, com isso, praticam injustiças e iniquidades com indiferença. Se assim é, essa mentalidade é deveras terrível, e é preciso fazer algo a respeito. Sobre isso, com base em minha experiência, gostaria de escrever algo a respeito. Por dezenas de anos, até hoje, estive envolvido em inúmeros processos judiciais.
Ainda agora tenho alguns casos em andamento. Como todos os meus oponentes são maus, e eu, em nome da justiça, não posso perder para o mal, prossigo até o fim e, até hoje, nunca perdi uma vez sequer. Por essa razão, aprendi com inúmeras experiências que eles, sem exceção, se apoiam apenas no aspecto técnico da lei. Eu, por outro lado, como me oponho pautado pelo espírito da lei, geralmente perco na primeira instância, mas, a partir da segunda instância, sempre venço. Se não for assim, a outra parte se curva e propõe um acordo. O problema, porém, é que muitos juízes dão mais peso a esse aspecto técnico, o que parece ser mais comum entre os jovens e inexperientes. Em contrapartida, o aspecto espiritual parece ser mais valorizado pelos juízes experientes e idosos. Aqui, gostaria que as autoridades do Ministério Público refletissem profundamente sobre o seguinte: se derem prioridade ao aspecto técnico, inevitavelmente as pessoas só pensarão em burlar a lei de forma engenhosa, e os crimes não diminuirão.
Em contrapartida, se derem prioridade ao espírito, a técnica jurídica tornar-se-á secundária, e a ênfase recairá sobre o aspecto espiritual. Se as pessoas perceberem que é naturalmente mais vantajoso não cometer crimes, isso estará de acordo com o verdadeiro propósito da lei, e os males sociais certamente diminuirão. Atrevo-me a oferecer este texto às autoridades.
Algo Além da Religião e da Ciência
Eikō nº 197, publicado em 25 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Ao examinarmos cuidadosamente a civilização moderna, encontramos diversos defeitos, e o mais fundamental deles é a forma de pensar sobre a ciência. Como é de conhecimento geral, todas as pessoas, com exceção dos religiosos, tornaram-se completamente adeptas do princípio da supremacia científica, acreditando piamente que qualquer problema pode ser resolvido pela ciência. No entanto, há muitas coisas que a ciência não pode resolver, mas, para uma mente voltada unicamente para a ciência, nada além dela é visível. Isso ocorre porque não se percebe que o nível atual da cultura é excessivamente baixo; e essa própria percepção é completamente invisível para os humanos ofuscados pela ciência. Procurarei, assim, escrever uma crítica à civilização da forma mais compreensível possível, a partir de uma visão ampla.
Como dito acima, é senso comum que a maioria das pessoas busca na religião aquilo que a ciência não pode resolver. No entanto, mesmo na religião há não poucas coisas que não podem ser resolvidas, e a maioria dos seres humanos permanece presa ao delírio de recorrer, ainda assim, à ciência. Dito de forma franca, tanto a ciência quanto a religião possuem certo poder, mas o problema está no fato de que, apenas com elas, não se pode resolver tudo. Entre esses problemas, os três maiores seriam a guerra, a doença e o crime. Como é de conhecimento geral, há milhares de anos a humanidade tem dedicado sua inteligência e seus esforços a resolver essas questões, mas, até hoje, não se vislumbra sequer o alvorecer de uma solução. Considerando isso, a menos que surja um "X" superior à ciência e à religião atuais, não há perspectiva de solução.
Caso contrário, por mais que o mundo humano se esforce, será que o mundo de ilusão continuará para sempre como está? De modo algum. O que acontece é que esse "X" já apareceu e está irradiando luz. Não se surpreendam: é a nossa Igreja Messiânica. Esta é, verdadeiramente, a Luz do Oriente tão aguardada pela humanidade. Isso porque, em nossa Igreja Messiânica, com um poder de curar doenças sem paralelo no mundo atual, já estamos salvando inúmeras pessoas infelizes.
Aqueles que se tornam crentes de nossa Igreja passam a ser, naturalmente, pessoas saudáveis e incapazes de cometer crimes, e adquirem o poder de exterminar até mesmo a guerra. Para demonstrar isso de forma concreta, estamos apresentando fatos no presente. É claro que, em breve, isso atrairá a atenção do mundo inteiro. Este poder é algo que jamais apareceu na Terra até hoje; é, como diz o título, algo superior à ciência e à religião. Além disso, tanto a ciência quanto a religião estão incluídas como partes dele, sendo utilizadas conforme a necessidade.
Sendo assim, nossa Igreja Messiânica é algo tão misterioso e grandioso que, com o conhecimento atual, é impossível compreendê-la plenamente. Se tivéssemos de dar-lhe um nome, poderíamos chamá-la de "Poder Salvífico". Portanto, à medida que avançarmos na obra de salvar toda a humanidade exercendo este Poder Salvífico, que o futuro seja observado com atenção.
Os Escravos do Túmulo
Eikō nº 209, publicado em 20 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
Aqueles que veem este título provavelmente o acharão bastante peculiar, mas, ao lerem com atenção, compreenderão: “De fato, faz sentido”. Isso porque se refere às pessoas que, prezando e venerando ideias antigas e culturas mofadas como se fossem tesouros preciosos, não conseguem se desvencilhar delas. Como se sabe, o ser humano tem grande dificuldade em se libertar das tradições e costumes que seus antepassados preservaram ao longo das gerações. A essas pessoas quero chamar de escravas do túmulo. Na atualidade, que avança a passos largos, os fatos mostram claramente que os possuidores de tais ideias se tornam atrasados em relação à época.
Um grande exemplo disso é a atual situação dos Estados Unidos e da Inglaterra. Desnecessário dizer que a prosperidade e a pujança da força nacional dos Estados Unidos, que hoje lideram o mundo, podem ser consideradas uma verdadeira visão grandiosa do século. A causa disso é o espírito de progresso e a iniciativa superior de seu povo, a disposição de adotar sem hesitação tudo o que seja novo e superior ao que existia antes. Em contraste, a Inglaterra sofre com seu arraigado pensamento conservador, do qual até se orgulha. Olhando para Londres, a beleza clássica é, de fato, admirável, mas, por outro lado, a falta de beleza urbana da nova era mostra bem a realidade da Inglaterra moderna. Consequentemente, quando se pensa na glória e prosperidade da nação inglesa de apenas meio século atrás, tem-se a sensação de que se passaram eras. Dominar os sete mares do mundo, possuir inúmeras colônias e obter rendas imensas sem trabalhar era algo realmente grandioso. Certamente, não são apenas os ingleses que não conseguem conter a sensação de contraste entre o passado e o presente.
Como se pode ver pelos dois exemplos acima, a diferença entre um país dominado pelo túmulo e outro que não o é mostra-se extremamente clara. Quanto a outros países, no Ocidente, Egito, Grécia, Pérsia, Espanha, Portugal; no Oriente, Índia, China, Coreia, entre outros — todos seguiram o mesmo destino. A causa é que, sem despertar do sonho de sua era de glória, esse próprio sonho se tornou um obstáculo para a ideia de progresso, levando-os, por fim, ao enfraquecimento que se vê hoje.
A história, como vimos, nos mostra quão prejudicial é essa noção de escravidão ao túmulo. E a religião não é exceção. O exemplo mais notável é o budismo. A Índia, berço do budismo, tem hoje cerca de trezentas a quatrocentas mil pessoas dessa fé, o que representa uma em cada mil pessoas, estando, na prática, quase extinto.
Na China, diz-se que quase não há vestígios do budismo, e é apenas no Japão que ele ainda se mantém, ainda que precariamente. Depois, há o cristianismo. Seu auge ocorreu por volta da Idade Média, quando chegou a deter até o poder de julgamento — o que permite imaginar o resto. Sob a influência da cultura científica, hoje não passa de uma existência formal, como é amplamente sabido.
Diante dos fatos acima, é desnecessário dizer que todas as culturas estão em constante transformação com o fluxo do tempo. A teoria do fluxo universal de Bergson deve ser isso. Como visto, a lei da evolução fica clara ao observarmos o processo histórico da decadência do velho e do surgimento do novo.
Nesse sentido, é quando nasce um pensamento valioso, capaz de guiar uma nova era, que a civilização avança. Para isso, é necessária uma religião historicamente grande. Sendo assim, afirmo que a nossa Igreja Messiânica é a que melhor se ajusta a isso. É claro que a comprovação factual é fundamental, mas, acima de tudo, estão as obras de salvação em múltiplas frentes que esta Igreja atualmente realiza. Deixarei de enumerá-las uma a uma, mas quem as vir com os próprios olhos entenderá imediatamente.
Isso porque todas elas são coisas que ninguém jamais ousou fazer. Sobre isso, costumo dizer às pessoas: “O que outros já fizeram, que seja deixado aos especialistas. Eu pretendo abrir novos horizontes culturais que ninguém sequer sonhou, e acredito que essa seja minha missão celestial.” É claro que, como fundamento, avanço sob o princípio de não ser dominado pelo túmulo, como indica o título.
Se o Mal Desaparecesse deste Mundo
Eikō nº 197, publicado em 25 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Se investigarmos a fundo a causa de toda a infelicidade humana, nem é preciso dizer que ela reside inteiramente no mal. Diante disso, imaginei e escrevi sob a hipótese de que o mal desaparecesse deste mundo. Em primeiro lugar, não haveria doentes; todos seriam agraciados com a saúde, e ninguém precisaria faltar ao trabalho. Como sempre digo, a causa do surgimento dos doentes está no erro da medicina, que é, por assim dizer, um pecado cometido com boas intenções. Do ponto de vista do resultado, portanto, também pertence ao mal. De fato, desde os tempos antigos, diz-se que a medicina é uma arte benevolente, e acreditava-se que era uma obra de bondade admirável, que salvava vidas humanas. No entanto, isso não passa de uma grande ilusão. Consequentemente, se isso for claramente compreendido e corrigido, é natural que surja um mundo sem doenças.
Como os seres humanos poderiam trabalhar com entusiasmo o ano todo, a pobreza e as disputas desapareceriam, e não há dúvida de que teríamos lares felizes e uma sociedade pacífica. Dito isso, parece uma história boa demais para ser verdade, como ser acariciado na bochecha com um bolinho de arroz doce. Há, porém, um problema: até que isso aconteça, ainda que temporariamente, todas as instalações e máquinas relacionadas a doenças se tornarão desnecessárias. Em termos de pessoal, médicos, enfermeiras e, começando pelos envolvidos na indústria farmacêutica, todos os trabalhadores de diversas áreas ficariam desempregados. Essa solução, portanto, não é um problema fácil. Considerando, no entanto, os benefícios eternos que esse resultado trará para a nação e seu povo, não se pode deixar de suportar isso de qualquer forma.
Quando chegar esse dia, se a humanidade não tiver mais preocupações com doenças, todas as complicações atuais, como “não pegue um resfriado”, “não esfrie”, “cuidado com a comida”, “a nutrição é essencial”, “faça gargarejo ao voltar de sair”, “lave as mãos antes das refeições”, “preste atenção à higiene”, “previna os micróbios”, desaparecerão completamente.
Os seres humanos, sem qualquer preocupação, poderão viver de forma descontraída, mesmo entre muitas pessoas, em lugares com ar ruim ou com roupas leves, com total indiferença, e de maneira muito alegre. Esta é, de fato, a vida de uma pessoa verdadeiramente livre. Além disso, só de eliminar as despesas médicas do orçamento mensal, não se pode imaginar o quanto a vida se tornaria mais fácil. Também não seria necessário trancar as portas de cada casa.
Mesmo ao pegar um trem ou bonde, não haveria preocupação com batedores de carteira ou furtos, tornando a viagem extremamente tranquila. Se alguém viesse pedir dinheiro emprestado, como certamente seria devolvido, emprestaríamos de bom grado, desde que houvesse folga — o que seria agradável para ambas as partes, é claro. Em qualquer transação, não seriam necessários documentos assinados ou recibos, economizando papelada, e não haveria espaço para reclamações ou disputas judiciais. Como toda a família estaria saudável, os bens materiais seriam abundantes, o lar seria repleto de harmonia e alegria, e passeios em família seriam uma grande diversão. O marido, por sua vez, não beberia em excesso nem passaria a noite fora; a esposa, então, não teria preocupações, e as brigas familiares desapareceriam como um sonho do passado. Ademais, as crianças imitariam os pais e, mesmo sem serem ensinadas, praticariam a piedade filial. Nesse estado, nem a democracia, nem o pensamento feudal, nem nada disso teria a menor importância.
Isso porque as pessoas se esqueceriam de tais complicações. Quanto à polícia e aos tribunais, provavelmente um décimo do que temos hoje seria suficiente. Afinal, embora o mal não desapareça tão rapidamente, ainda surgiriam algumas disputas e criminosos, mas em quantidade incomparavelmente menor do que hoje, e a maioria seria resolvida com delitos leves. Além disso, policiais e juízes julgariam com extrema imparcialidade, sem se deixar levar pela aparência ou pelas emoções como ocorre hoje, e, como os réus também não mentiriam nem distorceriam os fatos, não haveria necessidade de advogados. O processo seria, obviamente, simples e rápido, e não haveria suborno ou corrupção. Assim, funcionários públicos, empregados de empresas, professores etc. não teriam nada que os pesasse na consciência, seriam sempre alegres, a eficiência no trabalho aumentaria e as tarefas seriam concluídas em uma fração do tempo atual.
A maior felicidade aqui é o fim das guerras. A guerra é, de fato, o maior dos males. Se ela desaparecesse, as mudanças positivas em todos os aspectos do mundo seriam tão grandes que se tornariam inimagináveis.
Em primeiro lugar, o fardo econômico de cada nação seria reduzido a uma fração do atual e, quer queira quer não, os seres humanos se tornariam felizes e a sociedade se tornaria um lugar mais habitável, é claro.
Acima, escrevi sobre um mundo sem o mal. Ainda há algumas coisas que deixei de escrever; vou fazê-lo agora. Antes de tudo, todo o esforço seria reduzido a uma fração. Na sociedade de hoje, ninguém percebe o desperdício de esforço causado pelo mal, mas, na verdade, ele deve ser imenso. Portanto, mesmo que o mal se reduzisse em dez por cento, a nação já se beneficiaria. Como o orçamento do governo deste ano é de 996 bilhões de ienes, uma redução de apenas dez por cento significaria um acréscimo de cerca de 100 bilhões de ienes. Com essa proporção, os impostos também seriam reduzidos, livrando-nos do inferno fiscal. Além disso, se a redução chegasse a vinte e depois a trinta por cento, haveria dinheiro e bens em abundância, e os seres humanos precisariam trabalhar metade ou menos do que hoje.
Assim, bastaria trabalhar três horas por dia. O tempo restante poderia ser dedicado aos próprios hobbies ou estudos. Aqui, pela primeira vez, a vida humana teria um propósito e, literalmente, tornar-se-ia um mundo de “bater na barriga e bater no chão” (paz e prosperidade). Além disso, em todos os lugares surgiriam construções magníficas e grandiosas. O desenvolvimento de teatros suntuosos e de todo tipo de instalação de entretenimento seria natural, assim como paraísos de flores desabrochando, grandes parques nacionais e jardins botânicos que integram paisagens naturais, e jardins privados especiais que surgiriam uns após os outros.
Ruas em estilo semi-parque seriam construídas por toda parte e, juntamente com o desenvolvimento dos meios de transporte, o prazer das viagens humanas seria muitas vezes maior do que hoje.
Templos de arte magníficos seriam erguidos em competição entre as nações, e a luz da cultura se espalharia pela terra. Assim, para promover a saúde e a beleza física e para satisfazer o espírito de competição, os esportes se tornariam cada vez mais populares, e grandes campos seriam instalados em toda parte. Se o mundo se tornasse como descrito acima, os seres humanos não seriam tratados mecanicamente como hoje, mas trabalhariam de acordo com sua própria consciência, o que se tornaria, antes, um prazer. Além disso, na alimentação, o progresso seria notável. Juntamente com a abundância de alimentos e o avanço da culinária, a dieta do povo em geral seria melhorada de forma incomparável com a atual.
Apenas escrevendo de forma superficial, já é isso. Quem ler isto pode pensar: “De fato, se assim fosse, seria maravilhoso, mas isso é apenas um sonho, não há possibilidade de se tornar realidade; não passa de um banquete pintado”. No entanto, afirmo que isso é possível. Para tanto, como dito anteriormente, a condição fundamental é a erradicação do mal; logo, o problema depende disso. E é justamente isso o Juízo Final, que está prestes a chegar agora. Por meio dele, o mal será completamente expulso. Até que isso aconteça, porém, há uma grande barreira. É superando essa barreira que nos tornaremos verdadeiramente felizes. A nossa Igreja Messiânica surgiu como essa salvação. Portanto, a nossa Igreja é a chave que abre o portal para a felicidade.
O Absurdo da Medicina
Eikō nº 197, publicado em 25 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Não tenho a intenção de falar mal da medicina, mas é lamentável que seus diagnósticos sejam tão absurdos e que ela sequer conheça os métodos de cura.
As pessoas confiam suas preciosas vidas a essa medicina extremamente primitiva e, além disso, são obrigadas a pagar caro por tratamentos. No fim, seu estado piora em relação ao início, ficam sem saída e se preparam para morrer. Não há palavras para descrever isso. Diante da triste realidade de que muitos, ignorando a verdadeira situação da medicina, tornam-se vítimas dela, não posso de forma alguma ficar em silêncio e apenas observar. O fato de ter conseguido enxergar a verdadeira essência da medicina, no entanto, deve-se à imensa Sabedoria Divina.
Só de pensar nisso, portanto, pode-se compreender a grandeza da Igreja Messiânica. Como critiquei duramente a medicina acima, alguns leitores talvez se sintam desconfortáveis.
No entanto, ao lerem o relato de graça* a seguir, certamente concordarão: “Planejei o suicídio, mas, após ser considerado incurável em oito hospitais, fui salvo do sofrimento em apenas dez dias (o restante do texto foi omitido).”
A verdadeira face da medicina
Eikō nº 195, publicado em 11 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Quão primitiva e quão terrível é a medicina moderna, como tenho alertado constantemente.
O relato de graça* a seguir comprova bem isso. Ao lê-lo, compreenderão claramente quão grave é esse erro e como, em decorrência da cirurgia, surgem diversas doenças secundárias que acabam levando a pessoa ao limiar da morte. Exemplos como este são tão numerosos que, somente no Japão, hoje em dia, não se saberia dizer se chegam a dezenas ou a centenas de milhares. No entanto, as autoridades, os especialistas e a classe intelectual não têm a menor ideia disso: acreditam piamente tratar-se da medicina mais avançada e chegam até a incentivá-la. Por isso, imagino como Deus-Sama deve estar entristecido. É perfeitamente compreensível que Kannon-Sama também seja chamada de Bodhisattva da Grande Misericórdia.
“O grande poder do Johrei que fez flores desabrocharem em uma árvore seca (texto principal omitido)”
A Razão pela Qual as Obras de Arte se Acumulam
Eikō nº 177, publicado em 8 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Quem visitou o Museu de Hakone compreenderá: ali se encontram reunidas em abundância obras que dificilmente se consegue adquirir, e quase não há quem não se surpreenda.
Escreverei aqui o percurso desde o início. Comecei a comprar logo após o fim da guerra. Afinal, o Japão passava por uma transformação social sem precedentes e, como todos sabem, as classes privilegiadas — nobres, ricos, daimyos e zaibatsu — sofreram uma queda repentina, a ponto de se poder dizer que caíram por completo. Com isso, viram-se rapidamente em dificuldades econômicas e não tiveram outra escolha senão se desfazer das pinturas, caligrafias e antiguidades que, herdadas de seus antepassados, haviam guardado com zelo. Consequentemente, objetos raros e obras-primas apareceram em grande quantidade, e os preços também eram baixos.
Além disso, taxados com um imposto exorbitante sobre a propriedade, encontraram-se em uma situação desesperadora em que precisavam se desfazer desses bens, vendendo-os em prantos. Fiquei tão penalizado que não pude conter a compaixão. Por outro lado, se não vendessem, não conseguiriam se manter, de modo que, ao comprar, eu também sentia um certo desejo de ajudá-los. Por essa razão, não regateava: comprava praticamente pelo preço pedido — embora, é claro, refreasse os lucros excessivos dos antiquários gananciosos. Dessa forma, aos poucos, fui reunindo as peças. Mas, como sempre digo, desde jovem eu gostava de arte; quanto ao conhecimento para avaliar, porém, é claro que eu não havia superado o nível de um amador e, como também não tinha experiência em compras, não conhecia o mercado. Comprava apenas aquilo que, ao ver, me agradava. No entanto, essa abordagem parece ter acertado, pois não houve nenhuma compra errada — a ponto de eu poder dizer que todas foram acertadas.
Pessoas com conhecimento especializado que visitaram o museu o elogiam, não por mero cumprimento. Dizem que, em qualquer museu que já tenham visto, há sempre uma quantidade considerável de peças duvidosas, mas que, neste, não há nenhuma — é uma coleção de obras-primas. O Sr. Priest, diretor do Departamento de Arte Oriental do Metropolitan Museum de Nova York, que veio recentemente, também elogiou e louvou especialmente esse ponto. Enquanto isso, as peças foram se acumulando consideravelmente, e eu também fui adquirindo, gradualmente, um olhar mais apurado. Comecei a pensar que, mais cedo ou mais tarde, precisaria construir um museu. Isso foi há cerca de três anos, fato que jamais esquecerei. A partir de então, misteriosamente, começaram a surgir, além das minhas expectativas, peças que se adequavam a esse propósito, e ficou claro que o próprio Deus havia começado a concentrar Seu poder na construção do museu. Os milagres relacionados a isso são tantos que não posso escrevê-los um a um; escreverei apenas os mais notáveis.
Foi no início. Um antiquário especializado em laca maki-e trazia, uma após a outra, peças dessa laca de qualidade tão superior que cheguei a achar estranho. Fiquei surpreso, e o próprio antiquário também disse que era realmente misterioso. Além disso, as peças, que já eram de época, eram de uma qualidade excepcional e foram adquiridas por preços surpreendentemente baixos. Para se ter uma ideia, comparando com os preços de hoje, a diferença é de, no mínimo, várias vezes. As peças de laca maki-e que estão agora expostas no museu são essas, e uma coleção desse porte foi reunida em apenas cerca de seis meses. Em particular, duas das atualmente expostas são obras do raro mestre Shirayama Shōsai; ainda tenho algumas peças guardadas e pretendo expô-las mais cedo ou mais tarde. Afinal, as obras desse artista hoje em dia quase não aparecem à venda, o que mostra como são raras e como seus possuidores as prezam e delas não se desfazem.
Ademais, o que eu sempre gostei foram as obras da escola Rinpa e as cerâmicas de Ninsei. Com o passar do tempo, essas peças só se tornavam mais caras e ultimamente quase desapareceram do mercado.
Dizem que os interessados suspiram de frustração. No entanto, na confusão logo após o fim da guerra, os preços estavam extremamente baixos, e consegui adquirir uma quantidade considerável, o que mostra claramente que tudo foi obra do poder de Deus. Dessa forma, as peças que eu realmente desejava, as que eram indispensáveis para o museu, certamente conseguia adquirir. A cada vez, os antiquários diziam que era estranho, que era um milagre. A respeito disso, aconteceu o seguinte. Eu desejava obter a famosa série “As Cinquenta e Três Estações da Tōkaidō”, de Hiroshige, em sua primeira edição. Quando um antiquário especializado em gravuras veio e me mostrou obras de Hiroshige, eu lhe disse que compraria a série das Cinquenta e Três Estações da primeira edição a qualquer momento. No dia seguinte, ele a trouxe, e fiquei surpreso. Então ele disse: “Não há coisa mais estranha. Ontem, quando cheguei em casa, uma pessoa trouxe exatamente a peça sobre a qual o senhor havia falado, e fiquei estupefato. Há quarenta anos eu estava de olho nela, mas ontem, quando cheguei em casa, a pessoa veio vendê-la. Por mais que pense, não consigo entender.” Naturalmente, fiquei emocionado com tamanho milagre. Olhando com atenção, vi que era uma peça que pertencera a um certo grande daimyo famoso, que a guardava como um tesouro de família, pois havia sido feita por seu ancestral. Fiquei duplamente surpreso com o magnífico álbum de gravuras.
Além disso, o preço era extremamente baixo. Quanto às cerâmicas chinesas, em seguida: eu não tinha nenhum interesse nem conhecimento para avaliá-las, mas pensei que, para um museu, eram absolutamente necessárias. Pouco tempo depois, começaram a surgir de todos os lados. As que estão agora expostas são essas e, como foram reunidas em cerca de um ano, todos que sabem disso não acreditam.
Ademais, no início, eu não tinha nenhum olhar para avaliá-las e as selecionava com base nas explicações dos antiquários e no meu sexto sentido. Hoje, os especialistas admiram como foi possível reunir tantas peças boas assim. Dessa forma, como sempre, a grandeza da proteção divina é indescritível. Ainda há várias outras histórias, mas peço que imaginem o restante.
Aqui, escreverei qual é a razão desse milagre. É que, no mundo espiritual, os espíritos dos autores, é claro, e também das pessoas que apreciaram aquelas peças ou que tiveram relação com elas desejam ardentemente realçar o valor dessas obras e, seguindo uma ordem adequada, fazem com que elas cheguem às minhas mãos. Por quê? Porque, por meio desse mérito, eles são salvos e elevam seu nível hierárquico. Nem é preciso dizer que o fato de um museu deste porte ter sido criado em tão pouco tempo se deve inteiramente a essa razão. Pensem bem: se um museu que, até hoje, um zaibatsu ou um magnata levaria uma vida inteira para, finalmente, conseguir construir, foi erguido num piscar de olhos, qualquer um perceberá que isso não é obra humana.
O Herói da Paz
Eikō nº 199, publicado em 11 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
Hoje em dia, ao simplesmente ouvir a palavra “herói”, é natural que todos sintam um certo sentimento de adoração. No entanto, não sou o único a sentir algo que não se pode explicar completamente. Isso porque surge uma ponta de melancolia. Nem é preciso pensar muito: como se pode ver pelos feitos históricos dos heróis, por trás de sua atuação brilhante no palco da história, eles sacrificaram as massas de sua época em prol de seus próprios interesses e infligiram danos terríveis, cuja culpa não pode ser apagada. Dito isso, por outro lado, há aspectos pelos quais devemos ser gratos. Refiro-me a como os roteiros que eles criaram, vistos hoje na literatura, no teatro, no cinema etc., nos proporcionam tanto prazer.
Deixando isso de lado, parece que no mundo há uma confusão entre heróis e grandes homens.
Por exemplo, os três grandes santos — Cristo, Buda e Maomé — são, de fato, grandes homens, mas não são heróis. Compreende-se isso facilmente ao considerar suas realizações. Nem é preciso dizer que, como santos, procuraram salvar espiritualmente a humanidade até o fim. No entanto, quando comparamos isso com a ciência, vemos que a criação da esplêndida cultura de hoje é, sem dúvida, fruto da ciência. Mas isso é apenas o que aparece na superfície; não se pode ignorar a atividade dos religiosos em outra esfera. Talvez por ser algo invisível, contudo, essa atividade não despertou muito interesse. Muito pelo contrário, houve o equívoco de considerar ambas as coisas opostas, e não se sabe quanta infelicidade isso causou à humanidade. Na verdade, assim como a matéria e o espírito, a superfície e o interior, o yang e o yin, ambas as coisas se complementaram, e a civilização progrediu e se desenvolveu como vemos hoje. Naturalmente, isso fazia parte do Plano Divino de Deus Supremo. Do ponto de vista humano, o lado material foi mérito dos heróis e estudiosos, enquanto o lado espiritual foi mérito dos santos religiosos. No entanto, embora a civilização tenha se desenvolvido até aqui como descrito, não se pode mais esperar nada além disso; trata-se de um beco sem saída para a civilização.
De fato, o aumento constante da infelicidade e da ansiedade da humanidade mostra que não se tem a menor ideia de quando se realizará o mundo de paz e felicidade, ideal da humanidade.
Portanto, nem é preciso dizer que é absolutamente necessário construir uma civilização de nível ainda mais elevado, mediante um grande salto da civilização atual. Felizmente, esse momento chegou. Deus fez com que eu, esta pessoa, conhecesse claramente os fundamentos últimos e, ao mesmo tempo, me concedeu um grande poder; agora, estou dedicado à sua execução. Ao dizer isso, talvez se surpreendam com o que parecerá exagero presunçoso, e possam pensar que é autoelogio; mas, como é a verdade, não há como negar. Sobretudo, se observarem atentamente a futura transformação do mundo e o meu trabalho que a acompanha, perceberão que minhas palavras não são falsas. Voltando ao assunto: o que quero dizer brevemente sobre ciência e religião é que, até hoje, a religião tem sido de natureza Shojo em seus fundamentos.
Ou seja, os ensinamentos de qualquer fundador não eram tão profundos. Havia, como se vê, muitas ilusões, e não se alcançava a verdadeira tranquilidade nem a paz espiritual. Isso era inevitável diante das circunstâncias da época; mas fui informado, desde o Deus Supremo até os fundamentos infinitos e absolutos. Não me é permitido, porém, explicar isso agora; por isso, escrevo apenas até certo ponto.
A esse respeito, como se vê em todas as religiões estabelecidas, os métodos de salvação são basicamente dois: as escrituras sagradas, através de caracteres, e a pregação, através de palavras.
Além disso, os principais são o desenvolvimento de montanhas e terras, e restam, como legado, construções, objetos de arte religiosa etc. Examinando isso a fundo, penso que não têm força para liderar o mundo futuro. Aqui, preciso escrever sobre mim. Como é sabido, atualmente, embora em pequena escala, escolhi como locais sagrados três lugares de beleza cênica no Japão — Hakone, Atami e Quioto — e estou construindo um modelo do Paraíso Terrestre.
O conceito inclui um paraíso que harmoniza as características do Japão e do exterior, um grande jardim que reúne a beleza das montanhas e das águas, um templo das belas-artes e construções arquitetônicas que rompem os modelos religiosos. Dedico-me, ainda, a uma revolução esclarecedora na medicina e na agricultura.
Por meio de inúmeros milagres surpreendentes, estou fazendo com que todos reconheçam a existência de Deus, ampliando a frente religiosa por métodos nunca antes tentados. Naturalmente, tudo isso são coisas que nunca existiram em religião alguma — e esta é a importante base fundamental do Plano Divino para um mundo completo na Verdade, no Bem e no Belo.
O próximo ponto que quero abordar são os diversos empreendimentos construtivos da nossa Igreja no futuro. O projeto, até o final, já está completo em minha mente, apenas aguardando o momento. Dito isso, conforme o tempo avança, é claro que se concretizará gradualmente; mas será algo de uma escala inimaginável — por assim dizer, a criação de um novo mundo civilizacional. Por isso, a nossa Igreja não é uma religião, e nem mesmo se pode dar-lhe um nome adequado. Até hoje, tudo tem ocorrido conforme as revelações divinas, e eu mesmo me surpreendo com sua precisão. Como se pode ver pela história da nossa Igreja, ela foi iniciada como religião em agosto de 1947 (Showa 22) e, em apenas seis anos, apresenta um desenvolvimento tão magnífico quanto o que vemos hoje.
Durante esse período, apesar da opressão das autoridades, da incompreensão dos jornalistas e de vários tipos de obstáculos, o resultado é o que se vê. Isso não parece obra humana. Naturalmente, no futuro também avançará certamente conforme o programa estabelecido por Deus, e em breve as cortinas do grande drama divino, tendo o mundo como palco, serão abertas.
Só de pensar nisso, sinto um imenso interesse. Além disso, milagres surpreendentes continuarão a surgir, e cenas emocionantes, de fazer o sangue ferver nas veias, se desenrolarão. Portanto, aguardem com os olhos bem abertos. Em suma, considero que sou um herói da paz.
Satisfação e Insatisfação
Eikō nº 200, publicado em 18 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
É desnecessário dizer que todo ser humano deseja alcançar um estado de satisfação; mas a vida é assim: não a obtemos como gostaríamos — e, dependendo de como se pensa a respeito, isso também tem seu lado interessante. Se pensarmos bem, porém, o motivo do progresso da cultura está justamente no coração insatisfeito do ser humano, de modo que o mundo não é algo que se possa interpretar de maneira simples. Ou seja, é justamente por haver insatisfação que se pode progredir, reformar e avançar. Por outro lado, se a insatisfação for excessiva, isso também se torna um problema: pode, por exemplo, tornar-se causa de conflitos, ou até mesmo levar à ruína pessoal.
Individualmente, com frequência torna-se causa de perigos: discórdia familiar, desavenças com amigos e conhecidos, brigas e discussões, desespero, ou até mesmo envolvimento com a polícia. Socialmente, pode levar à formação de grupos de pensamento radical, evoluir para coquetéis molotov e ações de destruição, e até causar guerras civis — não podendo, portanto, ser menosprezado. Por outro lado, ao contrário do que foi dito, as pessoas consideradas "boas figuras" ou "ingênuas" parecem não ter muitas insatisfações e estar sempre satisfeitas; no entanto, justamente essas pessoas, por não terem capacidade, tornam-se uma presença negativa.
Se assim é, nem a satisfação é boa, nem a insatisfação é boa, e não se sabe qual dos dois é melhor.
Mas isso não é algo tão difícil. Em suma, o que não se deve é tender a um extremo; basta combinar bem os dois lados.
Dito isso, é fácil falar, mas, na prática, é algo bastante difícil — e talvez aí resida a essência da vida. O importante é ter a flexibilidade de não se fixar em nenhum dos dois diante das infinitas transformações; e, se na raiz de tudo isso houver sinceridade, essa pessoa será útil ao mundo, terá sucesso e poderá conquistar boa sorte.
Os Anúncios de Remédios nos Jornais
Eikō nº 136, publicado em 25 de novembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Toda vez que vejo os jornais, não consigo evitar que meu coração se escureça.
Como é sabido, os anúncios de medicamentos nos jornais de hoje parecem ter aumentado notavelmente. Desnecessário dizer que se apregoa enorme progresso dos medicamentos; os especialistas, por meio de órgãos de opinião, alardeiam a eficácia de remédios como penicilina, estreptomicina, terramicina, PAS e tantos outros, fazendo o público engolir tudo isso, esvaziar os bolsos e sair comprando avidamente. Por isso, as vendas vão muito bem, e os negociantes de medicamentos devem estar radiantes; mas, do nosso ponto de vista, isso é verdadeiramente assustador. É como jogar fora um dinheiro precioso para comprar a semente da doença. Embora se diga que é por ignorância, é tão lastimável que não podemos ficar apenas observando. O que é pior, porém, é que, como quem vende também acredita que está fazendo o bem e ainda ganha dinheiro com isso, age com grande arrogância, parecendo muito satisfeito — mas só consigo pensar que é extremamente perigoso. É claro que todos esses medicamentos não passam de narcóticos e paliativos temporários: não curam verdadeiramente e, portanto, após algum tempo, a doença certamente reaparecerá. Além disso, à medida que são suprimidas pelos medicamentos, as doenças pioram gradualmente e acabam se tornando crônicas, como é abundantemente mencionado em várias histórias edificantes. Desejando, portanto, fazer com que o maior número possível de pessoas compreenda essa tragédia, estou constantemente me esforçando ao máximo; mas, afinal, é uma superstição profundamente enraizada, e não é nada fácil.
O governo e as pessoas envolvidas nisso, por sua vez, têm a ilusão de que, por meio disso, podem manter a saúde da nação. Como não se conhecem os terríveis males e venenos desses medicamentos, criam-se grandes e imponentes empresas farmacêuticas, com a cooperação dos médicos e o auxílio do governo.
Não é de admirar que tenha surgido a atual era de transbordamento de doentes; a sua tolice é incomensurável. Sendo esta a situação da civilização atual, romper essa ilusão e ignorância deve ser a base para salvar o mundo.
Vou dar um exemplo do Japão que se assemelha muito a isso. Como é sabido, desde a era feudal até pouco antes da Grande Guerra da Ásia Oriental, a lealdade ao imperador e o amor à pátria eram considerados a mais alta moral, e a maioria dos assassinos era venerada como heróis. Ao mesmo tempo, os samurais e a classe militar, como indivíduos, aperfeiçoavam suas técnicas de assassinato ao longo da vida e, uma vez surgida uma emergência, sob o belo nome de "servir à causa pública com retidão e coragem", sacrificavam suas vidas sem hesitação. Isso era louvado como a coragem do espírito do bushido e considerado até mesmo uma honra para toda a família e o clã. Visto de hoje, é uma tolice inimaginável. Com a derrota na guerra, houve uma reviravolta, e hoje o país se tornou uma nação onde o povo é soberano.
Ao olharmos para aquela época, ficamos estupefatos com aquele pensamento bárbaro. No entanto, chegou enfim o tempo do Céu, e uma transformação semelhante está prestes a ocorrer também no campo da cultura.
A primeira condição para isso é, justamente, essa terrível ilusão e ignorância: até hoje, no século XX, tenta-se curar doenças usando venenos chamados medicamentos, criando doenças e sofrendo com isso. Portanto, pôr um ponto final nessa ilusão e ignorância é a grande missão que me foi ordenada por Deus.
Sobre a Saúde das Crianças
Eikō nº 95, publicado em 14 de março do ano 26 da Era Showa (1951)
A saúde das crianças de hoje é extremamente precária.
Observando as crianças de hoje, vê-se a palidez da pele; muitas são frágeis e fracas, o que é verdadeiramente angustiante. Essa tendência, antes restrita às crianças da cidade, começa a surgir também no campo. Numa vila da província de Nagano, o exame de saúde em alunos do ensino fundamental apontou oitenta e um suspeitos de tuberculose entre cem crianças, e desde então relatos assim aparecem esporadicamente nos jornais. Diante disso, quem não se sente tomado de estranheza? Ora, a medicina atual avançou a ponto de alcançar até as áreas rurais; no entanto, dizem que a causa desse quadro é completamente desconhecida — o que torna o problema grave. Gostaria, portanto, de expor, à luz da nossa medicina natural, a verdadeira causa, que, penso eu, só pode ser atribuída à medicina e à higiene equivocadas e à nutrição inadequada.
A razão é que, ultimamente, as pessoas passaram a considerar as crianças japonesas e ocidentais como iguais e a imaginar que criá-las ao estilo ocidental é superior em todos os aspectos. Grave erro, pois japoneses e ocidentais são fundamentalmente diferentes. Antes, essa equivocada criação parecia circunscrita às cidades; agora, porém, chegou também ao campo, provavelmente porque este adotou o mesmo estilo urbano. O erro consiste em ignorar a natureza, desprezar o leite materno à maneira ocidental, dar leite de vaca em excesso, proteger demais as crianças, administrar remédios em excesso e aplicar injeções inadequadas. Por mais que isso pareça lógico em teoria, na prática enfraquece o corpo. E por quê? Porque os ocidentais, desde seus ancestrais, foram criados assim — para eles, não há problema; mas os japoneses são diferentes, e uma mudança tão abrupta é prejudicial. É inevitável que as crianças japonesas se adaptem melhor ao método tradicional de criação de antigamente. Se não for possível segui-lo integralmente, o melhor é fazer a transição gradual. Acima de tudo, basta olhar os fatos para compreender: as crianças de algumas décadas atrás, quando a medicina não era tão avançada, pareciam muito mais saudáveis que as de hoje. Para referência, escreverei o verdadeiro método de criação das crianças. Primeiramente, a mãe deve trabalhar o máximo possível até o mês do parto.
Quanto à criança, deve-se amamentá-la com o leite materno; o leite de vaca, limitar apenas aos casos em que não há alternativa. Não se deve temer que ela pegue um resfriado — deve-se deixá-la o mais natural possível, à vontade, sem interferências, sem cinta abdominal e, na medida do possível, sem remédios. Em suma, basta reconhecer plenamente a verdade de que o ser humano, uma vez nascido neste mundo, está naturalmente constituído para crescer saudável. Os fatos mostram com clareza que, quanto mais se protege uma criança, mais fraca ela se torna. O importante é não se deixar levar pelas modas da época, considerar os métodos de criação herdados dos ancestrais e, sobre essa base, incorporar os avanços da nova era, adotando apenas o que é realmente bom, não o que se sustenta apenas na lógica. Neste ponto, peço encarecidamente a devida consideração, não apenas das autoridades, mas também dos senhores especialistas.
O Mundo Semi-Civilizado e Semi-Selvagem
Eikō nº 256, publicado em 14 de abril do ano 29 da Era Showa (1954)
Todos provavelmente pensam que vivemos no mais avançado mundo civilizado; mas, examinando bem o seu conteúdo, as falhas são excessivamente numerosas — basta ver os jornais de cada dia, repletos de notícias sobre criminosos e pessoas infelizes.
Visto imparcialmente, é fato incontestável que as coisas más superam em muito as boas. Observemos o recente escândalo de corrupção que se tornou um grande problema: assim que as autoridades investigativas começaram a puxar o fio, a situação se alastrou de tal maneira que não se sabe até onde se expandirá. O caso atual talvez seja apenas a ponta do iceberg; se investigassem a fundo, quantas pessoas no mundo político e no mundo financeiro estariam ilesas? Quase se pode dizer que não sobraria ninguém.
Refletindo bem, deparamo-nos com algo surpreendente: todos os envolvidos nesse caso são, sem exceção, pessoas cultas, de educação superior. Por esse prisma, poderíamos supor que a educação superior desenvolve a inteligência, torna o homem culto e, portanto, os crimes diminuiriam. Diante dos fatos atuais, porém, só nos resta ficar estupefatos. Se é assim, somos forçados a dizer que algo é verdadeiramente incompreensível. Por isso denominei esta era "semi-civilizada e semi-selvagem", como no título, e provavelmente ninguém poderá negar diante de tais fatos.
Então, o que fazer diante dessa situação? A resposta não é nada difícil; é extremamente simples: despertar para a educação com ênfase unilateral no materialismo — como sempre tenho afirmado — e promover o florescimento da educação espiritualista. Em termos mais claros, trata-se de romper com a ilusão de acreditar apenas na forma e não acreditar no que é sem forma; o único método para isso é fazer com que as pessoas reconheçam a existência de Deus pelo poder da religião.
Uma vez compreendido isso pela classe dirigente e espalhado por toda a nação, a mentalidade equivocada de que "não há problema em cometer crimes, desde que não sejam descobertos" será corrigida. Consequentemente, os crimes se tornarão impossíveis, e é óbvio que o mundo se tornará um lugar brilhante e bom. No entanto, parece que não compreendem esse princípio tão simples e claro e continuam a criar e impor redes e jaulas de leis cada vez mais rigorosas. Isso equivale a tratar os seres humanos como animais, e é natural que não haja efeito algum. Se nem mesmo com essas jaulas de leis é possível manter a ordem social, seria de esperar que percebessem onde está a causa — mas, por incrível que pareça, não percebem. A sociedade continua sendo um agrupamento de humanos semi-humanos e semi-feras. Nesse sentido, já é demasiado evidente que a educação materialista não consegue remover a natureza animal do ser humano. A educação até hoje, em seus resultados, não passou de um avanço na técnica de ocultar e disfarçar essa natureza animal. Assim sendo, não se tem a menor ideia de quando se poderá construir uma verdadeira sociedade civilizada. Para resolver isso, é imprescindível extrair a natureza animal da alma humana; não há outro método fundamental. Isso é a religião. No entanto, é estranho que, quanto mais educação superior se recebe, mais se passa a detestar a religião.
Não seria esta uma grande falha da civilização? A causa é justamente a natureza animal que reside no âmago do ser humano e repele a religião, pois o mal não aprecia o bem. Se assim é, pode-se dizer que a educação moderna está criando um mal intelectual. Mas já chegou o tempo em que isso não pode mais ser tolerado. E isso se deve ao advento da nossa Igreja. Por quê? Porque ela pode tornar a existência de Deus visível aos olhos e apreensível pelas mãos. Ao ouvir isso, dirão que algo tão maravilhoso não pode existir; na verdade, porém, é possível fazê-lo sem dificuldade. Isso porque, ao entrar em contato com a nossa Igreja, é possível captar instantaneamente os espíritos de divindades — e isso é um milagre. A maior prova é que a nossa Igreja manifesta infinitos milagres surpreendentes, e foi justamente por isso que o grande Plano Divino de Deus foi iniciado: para corrigir esta civilização desequilibrada, semi-civilizada e semi-selvagem, e construir um verdadeiro mundo civilizado onde materialismo e espiritualismo caminhem juntos.
A Verdadeira Natureza da Medicina
Eikō nº 197, publicado em 25 de fevereiro do ano 28 da Era Showa (1953)
O fato de que, quanto mais se aplica o tratamento médico, mais a condição do paciente se agrava é constantemente revelado pelos relatos de graças recebidas; portanto, não há necessidade de escrever novamente sobre isso agora.
Da mesma forma, também dispenso repetir os efeitos surpreendentes do Johrei. No entanto, ao ler um relato de graça como o que se segue, não se pode simplesmente ficar em silêncio — e é por isso que escrevo. Essa pessoa, que confiava profundamente na medicina e, apesar das dificuldades financeiras, perseverou pacientemente no tratamento conforme as orientações do médico, viu sua condição piorar cada vez mais, sendo levada a uma situação desesperadora, de extremo aperto. E o sofrimento por que passou até chegar a esse ponto é de tal ordem que, quanto mais se lê, mais se sente compaixão indescritível. A causa reside no erro da medicina, de modo que, ao ler, não se pode conter a indignação que surge. O que torna a questão problemática é que, apesar de causar tamanho sofrimento, o médico não percebe absolutamente nada e, com boa intenção, esforça-se desesperadamente para curar o paciente. Por isso, a solução é extremamente difícil. Nós, porém, que conhecemos esta verdade, devemos, de qualquer forma, despertar as pessoas para a cegueira da medicina. Como primeiro passo, publiquei recentemente o livro Salvando os Estados Unidos*.
"A fístula da parótida, que nem a penicilina cura, cicatrizou (restante do texto omitido)."
Vinte Anos de Dívida
Eikō nº 217, publicado em 15 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Sofri com dívidas por mais de vinte anos, do oitavo ano da Era Taisho (1919) ao décimo sexto ano da Era Showa (1941). Não, fui obrigado a sofrer. Nunca esquecerei: no oitavo ano de Taisho, aos trinta e oito anos de idade, quando os planos de casamento com minha atual esposa já estavam acertados e, logo depois de escolhermos um dia auspicioso, três oficiais de justiça — aquela gente tão desagradável — irromperam de repente em minha casa, pela primeira vez em minha vida.
Eles me apresentaram uns papéis estranhos e me mandaram lê-los; como eu nunca tivera tal experiência, só conseguia revirar os olhos. Enquanto isso, percorriam os cômodos, colando pequenos papéis nos móveis mais valiosos. Pediram que eu lesse um papel do tamanho de meio papel de carta, no qual estavam escritos minuciosamente os motivos da apreensão; colaram-no na lateral do armário e foram embora em seguida. Olhando bem, havia vários artigos legais, mas o que me deixou estupefato foi a cláusula que dizia que os objetos apreendidos não poderiam ser movidos livremente e que, se os papéis colados fossem rasgados, a pessoa seria processada com base em tal e tal artigo do Código Penal.
O problema é que o pequeno papel estava colado entre a gaveta do armário e a divisória — evidentemente, para impedir que a abríssemos. Mas, como não podíamos abri-la, não conseguíamos tirar as roupas, o que era um grande incômodo. Depois de muito pensar, consegui remover com habilidade apenas a parte da divisória, e a gaveta, ainda com o papel colado, pôde ser aberta de algum jeito; respirei aliviado. E por que passei por isso? A razão é a seguinte. Como já escrevi antes, eu havia prosperado como comerciante de miudezas, acumulando uma fortuna de mais de cem mil ienes partindo do nada, o que me deixou muito arrogante. Pensando em realizar meu antigo sonho de fundar um jornal, investiguei a fundo e descobri que, na época, era necessário ter um milhão de ienes. Decidi, então, conseguir esse milhão de alguma forma e me aventurei em vários negócios para ganhar dinheiro. Foi quando me tornei íntimo de um tal senhor Yoshikawa, um velho astuto e experimentado. Naquela época, invejado pelos comerciantes de boa sorte, eu via o mundo com demasiada ingenuidade. Seguindo o conselho desse tal Yoshikawa e aproveitando o auge da febre das ações após a Primeira Guerra Europeia, comecei um negócio de financiamento para corretores de ações. Como os bancos me emprestavam dinheiro com base no meu crédito, usando cheques pré-datados, eu podia cobrar juros diários de cinco sen dos tomadores de empréstimo, o que era irresistível. Era um lucro sem investir um centavo, e acabei acumulando mais de cem mil ienes em dinheiro e cheques. No entanto, o banco com o qual eu negociava, um tal Banco Armazém, faliu de repente. Yoshikawa manteve isso em segredo e descontou os cheques no mercado de agiotagem, o que foi um desastre. Por causa disso, os juros altos se acumularam, deixando-me sem saída, e ele (Yoshikawa) acabou se ajoelhando diante de mim, batendo a cabeça no chão. Para mim, foi um verdadeiro raio em céu azul. Sem alternativa, como medida temporária, pedi ao banco que recusasse o pagamento de todos os cheques, o que enfureceu os agiotas. Imediatamente, como descrevi antes, eles tomaram medidas de apreensão e, além disso, entraram com uma queixa-crime contra mim por fraude. Fui convocado ao gabinete do promotor e espremido como um limão. Então, implorei a vários agiotas e finalmente consegui um acordo por oitenta mil ienes, cerca de dois terços da dívida, sendo metade em dinheiro e metade em prestações mensais. Mas foi aí que começou o sofrimento de pagar essa dívida.
Por causa desse incidente, o casamento planejado tornou-se impossível. Quando contei tudo abertamente, a outra parte, em vez de se escandalizar, elogiou-me, dizendo que eu era alguém raro e admirável por ter dito a verdade sobre algo que normalmente deveria ser mantido em segredo, e insistiu para que eu realizasse o casamento. Pensei que o mundo era realmente uma coisa estranha, e ainda me lembro disso. Devido a essa dívida, meus negócios também se tornaram difíceis. Transformei a loja em uma sociedade anônima e, por um tempo, consegui uma certa estabilidade. Mas, nunca esquecerei, veio o pânico econômico de março do ano seguinte, o nono ano da Era Taisho (1920). A queda dos preços das mercadorias e os calotes foram o segundo golpe. E, pior ainda, veio o Grande Terremoto de Kanto, em primeiro de setembro do décimo segundo ano de Taisho (1923).
Minha loja, que ficava em Kyobashi, e todas as mercadorias foram completamente queimadas, e todo o dinheiro que eu havia emprestado se tornou incobrável. Por um momento, pensei que tudo estava perdido, mas, de alguma forma, consegui continuar com o negócio. Com tudo isso, porém, acabei detestando profundamente ganhar dinheiro e busquei na religião um caminho para viver. Pesquisei várias religiões, mas não encontrei nenhuma que me agradasse. A que mais me atraiu foi a religião Oomoto, e me converti imediatamente. Como já escrevi sobre o que se seguiu, vou omitir e falar apenas sobre as dívidas. Devido a tudo isso, uma vez que parei de ganhar dinheiro, o pagamento das dívidas tornou-se impossível, e os agiotas vinham, um após o outro, fazer apreensões. Como as doações recebidas pela cura de doenças por meio da fé eram irrisórias, reduzi ao extremo as despesas de vida, suportando uma vida mínima, e fui pagando aos poucos, mas as coisas não avançavam como eu gostaria. Nesse ínterim, felizmente, o trabalho foi se desenvolvendo gradualmente e a renda aumentou consideravelmente, até que finalmente quitei todas as dívidas no décimo sexto ano de Showa. Calculando, sofri com dívidas por exatamente vinte e dois anos. Até então, carregava um fardo pesado, que de repente se tornou leve, e me senti aliviado.
O que quero dizer especialmente aqui é que, enquanto não me via livre das dívidas, meu coração estava cheio do desejo de ter dinheiro, tanto dormindo quanto acordado. Mas, à medida que minha fé se aprofundava, compreendi que o dinheiro é algo que Deus concede e, com todas as dívidas pagas, meu coração se tornou tranquilo. Ironicamente, a partir de então, o dinheiro começou a entrar de uma forma que eu jamais imaginara, aumentando a cada ano. Pensei profundamente que o dinheiro não vem enquanto a pessoa pensa "quero, quero", mas sim quando se esquece dele. Em suma, essa é a filosofia da dívida que adquiri com minha experiência de mais de vinte anos. Pode ser que achem estranho um religioso como eu escrever tais coisas, mas escrevi porque acredito que pode servir de alguma referência.
O Que É Uma Nova Religião?
Eikō nº 203, publicado em 8 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
Recentemente, é de fato louvável que o termo "nova religião" tenha se tornado tema de conversa em diversos setores da sociedade, e que jornais e revistas também tenham passado a tratá-lo com considerável importância. No entanto, observando-se isso atentamente, percebe-se que se trata apenas de chamá-las de novas religiões de modo vago, por serem religiões que surgiram recentemente, e quanto ao seu conteúdo, parece haver quase total desinteresse. E é verdadeiramente lamentável que até mesmo as pessoas envolvidas com essas novas religiões sejam assim. Sobre isso, o que desejo dizer é que, mesmo que a fachada seja de uma nova religião, se o conteúdo não a acompanha, isso não faz sentido. Isso porque não se pode chamar de nova religião aquilo que se limita a modificar, segundo a visão pessoal de cada um, ou a dar um novo verniz aos ensinamentos de fundadores antigos, a documentos e a doutrinas já repetidas há muito tempo e conhecidas por todos.
Além disso, quando se trata de edifícios, formas e tudo o mais permanecendo como no passado, e ainda se prega um retorno aos ensinamentos do fundador, isso acaba apenas se distanciando da época, e não posso deixar de achar estranho que não haja quem desconfie disso.
Afinal, se considerarmos que as pessoas de hoje, que receberam educação superior e têm a inteligência desenvolvida, são o público-alvo, mesmo que se tente fazê-las venerar escrituras mofadas, é improvável que elas as aceitem.
Isso é ainda mais verdadeiro, especialmente entre os jovens. Dessa forma, pode-se dizer que a maioria dos fiéis das religiões estabelecidas atualmente está apenas sendo arrastada pela tradição e pelo conceito. Por outro lado, os fiéis das novas religiões são diferentes; certamente são pessoas que buscaram algo novo e ingressaram, o que é bom, mas, ainda assim, parece que o número de verdadeiros fiéis inabaláveis é consideravelmente pequeno.
Se assim é, para fazer o homem moderno acreditar do fundo do coração, pode-se dizer que é praticamente impossível, a menos que haja uma lógica coerente, acompanhada por graças recebidas nessa vida que sejam inquestionáveis.
Portanto, é claro que os seguidores religiosos que apenas perseguem modismos são temporários e não duram muito. Em seguida, o que quero dizer é que o homem moderno também não é desprovido de fé. Acontece que, do ponto de vista da sensibilidade moderna, não há muitas religiões em que se possa acreditar; se houvesse, certamente se acreditaria, como posso confirmar por minha própria experiência.
Pode-se até dizer que a maioria das pessoas está em busca de uma religião assim. No entanto, como essa religião não é encontrada, elas se tornam, sem alternativa, pessoas sem fé. E, diante disso, a ciência, de qualquer forma, satisfaz as necessidades humanas de forma rápida e visível, sendo natural que se dependa dela — o que não se pode evitar. Por isso, acho que não se pode culpar os descrentes. Mas aqui há um problema: com frequência, há coisas que nem mesmo a ciência, em que se confia tanto, consegue resolver, e, por outro lado, a religião também não consegue resolver. As pessoas caem em um dilema e, além disso, não conseguem ver perspectivas para o futuro. Assim, entre os intelectuais, alguns caem no ceticismo, outros perdem a esperança, passam a viver um dia após o outro ou caem no desespero, e aqueles que têm condições financeiras buscam o prazer. Esse é, provavelmente, o estado atual da sociedade. Há mais uma coisa que quero dizer: decidiu-se que não surgirá mais ninguém superior aos grandes gênios religiosos históricos que apareceram até agora, e essa forma de pensar também está acelerando o desespero. Entre eles, há pessoas que, meio resignadas e meio desligadas da realidade, estudam e contemplam doutrinas antiquadas, e o mundo do pensamento atual está completamente caótico, sem saber para onde se dirigir.
No entanto, foi a nossa Igreja Messiânica que surgiu subitamente, rompendo essa escuridão da ignorância. E, de forma extremamente ousada, ela tem aplicado uma grande marreta em todos os setores da cultura estabelecida, expondo um a um os seus erros, ensinando o verdadeiro modo de ser da civilização e demonstrando, passo a passo, seu poder de realização. Portanto, para ser justo, isso deve ser considerado o espanto do século XX. E a raiz disso, como sempre digo, é que até hoje o mundo era a noite, e apenas a luz da lua era a única fonte de luz. Mas, com o surgimento da luz do sol, todas as coisas desnecessárias e prejudiciais que não se podiam ver até então foram claramente reveladas. Desde os tempos antigos, a "luz do Oriente" se refere a isso, e, com o passar do tempo, o sol subirá gradualmente ao zênite e iluminará o mundo inteiro. Atualmente, estamos no período do alvorecer.
Por essa razão, todas as teorias que prego são apenas aquelas que ninguém conhecia até hoje, causando admiração, e há até quem as interprete erroneamente. Afinal, como o longo Mundo da Noite continuou, para os olhos acostumados a ele, a cultura do dia que surgiu subitamente é algo que causa perplexidade, o que não é de se estranhar. Mas aqui há um problema: uma vez que o mundo se tornou o dia, Deus é obrigado a preservar o que é útil da cultura da noite e a descartar o que é inútil. Além disso, como a luz do sol é sessenta vezes mais intensa que a luz da lua, as doenças que até hoje eram desconhecidas e consideradas incuráveis são resolvidas sem dificuldade. Isso fica claro também pelo fato de que o Johrei da nossa Igreja tem demonstrado isso dia após dia.
Para explicar de forma mais compreensível: assim como a lua perde seu brilho com o surgimento do sol resplandecente, haverá uma grande transformação da civilização. Portanto, pode-se entender quão grandiosa é a missão da nossa Igreja, que assume essa responsabilidade.
Meu Texto e Outros Assuntos
Eikō nº 238, publicado em 9 de dezembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Acredito que ninguém tenha percebido isto, mas provavelmente não existem textos tão difíceis quanto os meus. Pode-se dizer que não há precedente desde a invenção da escrita. Isso porque a minha doutrina é algo extremamente misterioso, que ninguém, em toda a história, antiga ou moderna, jamais proclamou.
Ela disseca e critica as obras deixadas por todos os grandes homens e sábios, a começar pelos dois grandes santos, Buda e Cristo, que por tanto tempo a humanidade reverenciou, admirou e teve como centro de veneração, chegando até mesmo a comentar suas escrituras sagradas com ousadia e franqueza.
Por isso, ao ler, diante de uma doutrina tão extraordinária e inesperada, a pessoa provavelmente sentirá não compreensão, mas repulsa.
Por essa razão, também considerei plenamente este ponto e procurei expor a doutrina de modo a evitar ao máximo os mal-entendidos, para que qualquer pessoa pudesse compreendê-la.
Outro ponto importante é que coloco a ciência moderna — na qual todos depositam absoluta confiança hoje em dia — na mesa de dissecação e, brandindo um bisturi afiado, a disseco e a critico impiedosamente com base na realidade.
Portanto, será extremamente difícil para a atual intelectualidade, especialmente os jornalistas, aceitá-la tal como está. Mas isso não é sem razão. Afinal, pode ser presunção de minha parte, mas acredito que o que exponho supera em muito o nível da ciência atual; é, por assim dizer, a ciência do século XXI em diante. Em termos claros, é como se, caminhando para o oeste, de repente virássemos os pés para o leste; é como alertar que aquilo que até então se pensava ser diamante e se tratava como objeto precioso era, na verdade, uma conta de vidro. Quase tudo isso é a destruição de conceitos estabelecidos.
Em outras palavras, é como abandonar o apego a roupas velhas e trocá-las por novas. Dito de outro modo, como estamos demolindo a fortaleza da ciência que até agora se mantinha, a dificuldade disso não é nada comum.
Como o alvo são todas as pessoas, devemos explicar de modo que todos — sem distinção entre jovens e velhos, homens e mulheres, pensamentos antigos e novos, estudiosos, intelectuais e povo em geral — possam compreender, sem que reste espaço para dúvidas. Entre todas, a mais difícil é a questão do teísmo em relação aos ateístas. Eles são totalmente inclinados à ciência e partem do princípio de que não se deve acreditar no que não se vê; portanto, não dão a menor importância à teoria da existência de Deus e, pelo contrário, a recebem com sarcasmo. Afinal, como desde a infância foram imbuídos, até a exaustão, do pensamento ateu, reverter essa concepção é a mais difícil das dificuldades. Por isso, é evidente que não há outro meio senão milagres extraordinários. Quanto à religião, como se diz que ela já perdeu sua razão de ser, minha doutrina, vinda de mim, que sou religioso, deve parecer extremamente incompreensível. Como visto, todas as minhas doutrinas são inesperadas e nunca antes proclamadas por ninguém.
Por isso, ao escrever este texto, não posso ser nem demasiado rígido nem demasiado suave; o importante é que, enquanto a pessoa é levada pelo interesse, sem que perceba, as cordas do coração sejam tocadas e ela mesma chegue à compreensão. Ou seja, é preciso responder adequadamente a cada um: ao estudioso, com teoria acadêmica; ao agricultor, com praticidade; ao artista, com sensibilidade; ao público em geral, com senso comum. No entanto, a capacidade de superar por completo essa dificuldade foi-me concedida por Deus.
Trata-se da Sabedoria Divina, que permite conhecer sem estudar; por meio dela pude apreender a verdade de todas as coisas existentes neste mundo, e isso se tornou o nutriente do cérebro. Há alguns anos, por exemplo, publico semanalmente o jornal Eikō e, mensalmente, a revista Tijotengoku; além disso, publico, cerca de uma vez por ano, outras obras. A esse respeito, ocorreu o seguinte: cerca de um ano após o lançamento do jornal Eikō, certo jornalista disse: "Pela minha experiência, quando se chega a mais de cinquenta edições de artigos de jornal, qualquer um, mais cedo ou mais tarde, chega a um ponto morto e não consegue mais escrever. No entanto, o senhor continua sem que isso aconteça, o que é estranho. Nunca vi algo assim." Hoje, o Eikō já está na edição de número duzentos e trinta e sete, e o Tijotengoku na edição de número cinquenta e cinco, e ambos continuam como sempre; se aquele jornalista soubesse, ficaria boquiaberto. Mais do que isso, como os textos surgem uns após os outros, às vezes tenho de organizar os manuscritos que se acumulam. Além disso, quando escrevo, nunca preciso de livros de referência. Basta pegar o papel e as ideias surgem infinitamente. Só por isso já se pode entender o que é a Sabedoria Divina.
E, como os seguidores sabem, as diversas coisas que planejo e oriento para o desenvolvimento religioso — bem como a construção do modelo do Paraíso Terrestre, do museu de arte etc., para não mencionar os novos projetos e designs que surgem uns após os outros —, tudo se realiza apenas com minhas ordens. Por isso, não tenho de pensar nem de me preocupar. Ainda assim, às vezes há coisas que não me vêm à mente; nesses casos, considero que é cedo demais e desisto, esperando o momento oportuno. Dessa forma, tudo segue naturalmente. Assim, meu coração está sempre em paz, como se estivesse percorrendo o Grande Caminho, amplo e plano. Como meu trabalho é tão variado que não parece obra humana, muitas pessoas me perguntam: "Meishu-Sama, o senhor deve estar muito ocupado, não?", "Deve estar cansado, não?". Na verdade, isso até me deixa sem resposta. E, desde os tempos antigos, as pessoas que realizam grandes feitos são tão ocupadas que não têm um minuto de folga, e os fundadores de religiões famosas, por exemplo, passam por sofrimentos e dificuldades, sendo as práticas ascéticas quase uma marca registrada.
No entanto, comigo é completamente diferente; sempre me dedico à obra divina com alegria e tranquilidade. Sobre isso, também tenho algo a dizer. Nas religiões até hoje, o fundador descia ao Inferno e, sofrendo, erguia e salvava as pessoas; eu, ao contrário, primeiro subo ao Paraíso e, puxando para cima as pessoas infelizes, as salvo — e o mesmo se aplica aos seguidores.
Isso porque se trata de uma religião do Paraíso. Uma religião tão revolucionária como esta surgiu pela primeira vez; por isso, antes, era frequentemente mal compreendida. Hoje, porém, parece já bastante compreendida, e eu me sinto satisfeito.
Cirurgia do Coração
Eikō nº 203, publicado em 8 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
Recentemente, ouvi pelo rádio que o Dr. Sakakibara, renomado cirurgião e diretor da Faculdade de Medicina Feminina, obteve sucesso em uma cirurgia de válvula cardíaca. O relato dizia que, das quatro válvulas do coração, ele conseguiu remover apenas a que estava doente. Essa cirurgia, aparentemente bem-sucedida pouco antes nos Estados Unidos, serviu de inspiração para o Dr. Sakakibara empunhar o bisturi, sendo este o primeiro caso de sucesso no Japão. Do nosso ponto de vista, porém, isso não merece grande consideração. Por quê? Porque, com o nosso Johrei, isso se cura facilmente, sem necessidade de cirurgia tão invasiva. Nesse paciente, as toxinas se solidificaram na borda de uma das válvulas, e essa pressão estava causando obstrução na atividade cardíaca. Bastaria, então, dissolver e eliminar essas toxinas solidificadas para que a cura se concretizasse, sem, é claro, tocar no corpo físico, e com apenas duas ou três sessões de Johrei. Ademais, algo a que se deve atentar nesta cirurgia é que, mesmo que a remoção seja completamente bem-sucedida, isso jamais significará uma cura radical.
Ainda que pareça curado temporariamente, em no máximo alguns anos a doença certamente reaparecerá. Isso porque a solidificação ocorrerá inevitavelmente em uma das três válvulas restantes, já que a quantidade de toxinas em qualquer pessoa é extraordinariamente maior do que se imagina. Ademais, os antissépticos usados na cirurgia, como sempre digo, são venenos extremamente potentes. Assim, o processo de eliminação dessa intoxicação se transforma em uma doença maligna e, além da recidiva da doença valvular, outros sofrimentos se somam, tornando a situação do paciente lastimável.
Diante disso, cabe perguntar: e se, desde o início, não se fizer nem a cirurgia nem o Johrei? No estado normal da vida de uma pessoa comum, podem surgir, de vez em quando, sintomas leves, como um estado ligeiramente febril, tosse leve, aumento das palpitações e falta de ar.
Se a pessoa não se preocupar e deixar como está, as toxinas se dissolverão naturalmente, pouco a pouco, sendo eliminadas pela tosse e pelo catarro. Embora demore mais tempo, a cura será completa. Realizar uma cirurgia desnecessária como essa, criando doenças adicionais, é uma demonstração de ignorância que merece compaixão.
Sobre os Dentes das Crianças
Eikō nº 200, publicado em 18 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
No dia 3 de março passado, saiu na edição de Shizuoka do jornal Yomiuri a seguinte notícia, que me deixou perplexo.
Ultimamente, muito se tem falado sobre a higiene dentária das crianças; mas, se a realidade é esta, todos ficarão surpresos com o inesperado; por isso, explicarei o motivo.
A medicina pensa como se os dentes fossem algo separado do corpo, mas isso é um grande equívoco: dentes ruins significam que a saúde também é ruim. De nada adianta, portanto, tentar fortalecer apenas os dentes. Se quiser fortalecer os dentes, é preciso tornar o corpo saudável.
Segundo este princípio, quero que entendam que os dentes ruins das crianças significam que a saúde delas é, na mesma proporção, ruim. O Caminho Perfeito, no ponto mais fácil de entender, é que, à medida que envelhecemos, os dentes enfraquecem e caem porque o corpo físico também se torna assim. Assim, a medicina, ao ver as doenças de modo local, esquecendo o todo, não consegue obter o efeito esperado por essa razão.
Muitas Crianças com Cáries entre os Novos Alunos
Apenas uma em Vinte Tem Dentes Saudáveis
Neste período, estão sendo realizados exames físicos dos novos alunos do ano letivo de 1953 em várias escolas primárias da cidade de Shizuoka.
De modo geral, o físico melhorou em relação ao ano passado, mas ainda está longe de retornar ao estado anterior à guerra.
O que está particularmente ruim são os dentes; é lamentável que apenas uma em cada vinte pessoas não tenha cáries.
Um médico, suspirando, concluiu que isso se deve ao fato de que, durante a guerra, as mães não puderam ingerir doces suficientes, tornando a constituição das crianças frágil em relação ao açúcar, e também porque o hábito de escovar os dentes não está tão difundido quanto se imagina.
Sobre a Gravação de Rua "A Situação Social Atual"
Eikō nº 123, publicado em 26 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Hoje, durante a transmissão, ouvi a gravação de rua intitulada "A Situação Social Atual".
Nela, as pessoas expressavam suas insatisfações e esperanças em relação à situação social atual, dizendo coisas como "a causa está nisto" ou "este defeito social é problemático". O ponto em que todos concordavam era que a política é ruim, a educação é ruim, ou que a culpa é dos males sociais. Não houve, porém, uma única pessoa que dissesse que a causa era a falta de fé, o que me decepcionou profundamente. Por meio disso, pude compreender claramente como as pessoas de hoje são indiferentes à fé. Contudo, pode-se dizer que os diversos sofrimentos mencionados por todos têm sua raiz quase inteiramente na falta de fé.
São problemas que, a partir do momento em que a pessoa se torna crente, podem ser resolvidos sem dificuldade. Mas, como não percebem isso, este é um mundo digno de pena, e nunca conseguem se libertar do sofrimento. A razão pela qual há tantos incrédulos é, sem dúvida, o fato de não conseguirem confiar nas religiões estabelecidas, o que provavelmente se deve a serem demasiadamente impotentes. Se assim for, não se pode culpar apenas o povo. Não há, portanto, outro caminho senão restaurar e elevar a credibilidade da religião.
Dito isso, trata-se também de uma tarefa imensa. A condição para ela é demonstrar que os que têm fé recebem muito mais graças e são mais amplamente contemplados pela felicidade do que os que não têm; é por aí que se pode acreditar na existência de Deus. O problema é que, quanto mais destacada a pessoa, mais ela despreza as graças desta vida, tratando-as como manifestação de religiosidade inferior. Naturalmente, assim não se consegue ter fé; e não se pode calcular quantas pessoas infelizes elas estão gerando, nem o quanto estão bloqueando a felicidade do povo com sua superstição materialista. No entanto, nada é mais sublime do que as graças recebidas nesta vida. Elas são a própria exibição de milagres, e não há método melhor. Nesse aspecto, nenhuma religião tem tantos milagres quanto a nossa Igreja — não preciso dizer mais.
Escrevi isto conforme me veio à mente ao ouvir a transmissão.
Não Há Liberdade de Expressão para os Jornalistas
Eikō nº 148, publicado em 19 de março do ano 27 da Era Showa (1952)
Ao ler este título, muitos provavelmente inclinarão a cabeça com estranheza; mas, como é verdade, peço que leiam o que segue.
Costuma-se dizer que a premissa da imprensa é não elogiar facções políticas ou religiões: se alguém elogia ainda que levemente, logo surge a suspeita: “Aquele sujeito deve ter algum interesse. Certamente recebeu algo.” De fato, assim pensando, compreende-se. Mas, quando artigos sobre a nossa Igreja aparecem de vez em quando em jornais e revistas, quase sempre são escritos dessa forma. Em suma, por mais que haja algo de bom em nosso lado, não há como elogiá-lo como tal. Pode-se, então, dizer que o que é ruim é ruim, mas não se pode dizer que o que é bom é bom; e isso é problemático. É estranho: falar mal do que é ruim é permitido, e falar mal do que é bom também, sem problema algum; somente a difamação é livre, sem restrições. Se não se pode dizer que o que é bom é bom, não há absolutamente liberdade de expressão.
Por isso, se alguém elogia a nossa Igreja, é visto com desconfiança: “Aquele sujeito certamente recebeu algo” — e não se pode agir descuidadamente. Mesmo que não seja esse o caso, não adianta: “Aquele sujeito se deixou contaminar pela Igreja Messiânica, já era, não tem jeito, vamos demiti-lo.” A pessoa torna-se imediatamente um desempregado — profissão deveras digna de pena. É claro, portanto, que os que gostam de falar mal se saem bem, mas os que veem as coisas com imparcialidade não conseguem prosseguir. Ao observar artigos sobre religião, eles são sempre escritos com desdém, com metade de zombaria, como se menosprezassem as pessoas; isso se tornou um costume social. Mesmo quando são bastante severos, ninguém se importa nem os repreende; e foi por se sentir à vontade e se desviar que o Sr. X foi processado por difamação de reputação. Por essas razões, não é de admirar que, sem conhecer o conteúdo da nossa Igreja e ignorando os bastidores dos artigos de jornal, as pessoas, ao verem reportagens em jornais e revistas, acreditem firmemente que a nossa Igreja é um culto maligno e charlatão. Dito isso, é fato que entre as novas religiões há muitas realmente suspeitas; também se pode dizer que é inevitável que sejam vistas no mesmo plano que estas. Aproveito o ensejo para escrever agora sobre mais um ponto relacionado a isso.
É que, quanto mais alta a posição social de uma pessoa, mais cautelosa ela se torna. Entre os seguidores da nossa Igreja há também ministros, doutores e escritores famosos; mas eles parecem querer manter segredo, e nós também procuramos guardá-lo. No entanto, ouve-se com frequência que, quando se pensa que a pessoa deixou de crer, descobre-se, inesperadamente, que ela pratica com ardor nos bastidores. Outro dia, soube de um homem que foi várias vezes ministro de Estado, personalidade tão notável que ainda hoje é comentada no mundo político — mas este é um caso um pouco diferente. Essa pessoa, que há alguns anos era tão fervorosa que toda a família se convertera, de repente parou de vir. Recentemente, porém, descobriu-se que ela entrara na nossa Igreja na época da terapia de purificação e a abandonara depois que a Igreja se tornou uma organização religiosa. Compreendeu-se, com isso, que, para um homem do mundo político, tornar-se seguidor de uma nova religião deve causar grande impacto em sua reputação. O exemplo acima é um caso, mas parece haver muitas pessoas assim. Isso também mostra como é fraca a credibilidade social das novas religiões. Considerando que, apesar de todos esses obstáculos diversos, a nossa Igreja continua a se desenvolver, como se vê dia após dia e mês após mês, pode-se compreender quão grandioso é o seu poder.
Fragmentos Médicos (43) – Nutrição Reversa
Eikō nº 207, publicado em 6 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
Embora se possa dizer que decorre da ignorância da medicina, é problemático o fato de se ter passado a usar, em nome da nutrição, uma quantidade excessiva de vitaminas.
Como sempre digo, sejam vitaminas ou qualquer outro suplemento nutricional, quanto mais se ingere, mais se enfraquece a força física. Isso ocorre porque as funções do corpo são constituídas de modo a fabricar por si mesmas tudo o que é necessário em termos de nutrição. Se ingerimos suplementos, portanto, não sobra espaço para essas funções atuarem, sendo natural que se degenerem. Gasta-se assim muito dinheiro em coisas que nem sequer são saborosas, prejudicando a própria saúde; a tolice disso é algo que nem se pode comentar.
Nesse sentido, como o Criador fornece adequadamente alimentos suficientes para nutrir o ser humano, basta alimentar-se apreciando o sabor para obter nutrição suficiente. Se uma ciência equivocada como a Ciência da Nutrição deixasse de existir, não se sabe o quanto a humanidade seria beneficiada.
A Racionalidade da Fé e a Repurificação
Eikō nº 210, publicado em 27 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
Em primeiro lugar, não se deve esquecer que a raiz da fé está nos dois caracteres “racional” (gōri). Por mais plausível que uma doutrina seja do ponto de vista da fé, se não estiver de acordo com o Caminho Perfeito, não se pode dizer que seja uma fé verdadeira.
Nesse sentido, Deus protege, em qualquer medida, o que está de acordo com a lógica (rikutsu); mas não protege, por mais que seja adorado, o que não está de acordo com ela. Este ponto é o mais crucial, e o significado da Repurificação não é outro senão este.
Pacientes de tuberculose que não se curavam mesmo após receberem todo tipo de terapia, inclusive tratamentos médicos diversos, curam-se subitamente pelo Johrei e, alegres, convertem-se à fé. Passado algum tempo, porém, muitos experimentam com frequência a Repurificação. Qual seria a razão? Naturalmente, o fato de não estar de acordo com a lógica. Isto é: se uma doença abandonada pelos médicos foi curada graças a Deus, significa que se recebeu de Deus uma vida que não se tinha; portanto, por mais que se agradeça, nunca é suficiente. No entanto, há quem, com o tempo, acabe esquecendo a emoção daquela época e pense que, já que está curado, está tudo resolvido. Se assim for, ainda que não seja como antes da conversão, o estilo de vida torna-se pouco admirável. Se, mesmo assim, nada acontecesse, seria ótimo; mas não é bem assim que funciona. Isso porque, devido à grande quantidade de toxinas medicamentosas introduzidas no corpo por longo período, à medida que a saúde se recupera, ocorre uma ação de eliminação das toxinas acumuladas.
Isto é a Repurificação. No entanto, como sempre digo, o que foi dito acima é apenas o aspecto material; na verdade, no aspecto espiritual há questões mais importantes que as materiais. Sobre isso, até agora quase nada se havia dito, mas chegou o momento em que não é mais possível evitar; por isso escrevo a sua raiz.
Então, por que não se falou sobre isso até agora? Porque havia o receio de causar mal-entendidos entre os antigos e os novos membros, e por isso se evitava ao máximo falar. No entanto, como a purificação se torna gradualmente mais intensa, o número de pessoas em Repurificação também aumentará; por isso, esclareço este ponto aqui.
Em primeiro lugar, todas as coisas do mundo movem-se segundo o princípio da correspondência (sōō no ri) e são feitas para estar de acordo com o Caminho Perfeito. Isso é especialmente notável na fé.
Aquilo que o Buda Shakyamuni disse — “todo ser vivo que nasce um dia perece, todo aquele que se encontra um dia se separa” — resume isso em uma frase; e a lei de causa e efeito, ou a retribuição de causa e efeito, não tem outro significado senão este.
Como se pode entender por isso, se um paciente gravemente enfermo, que estava resignado à morte e em desespero, se cura completamente, é natural que, deixando tudo de lado, ele se esforce ao máximo para retribuir a graça a Deus. Isso é o racional. Se ele se esquecer disso, porém, é como receber o benefício e não retribuir — uma enorme ingratidão.
Para explicar essa lógica de forma mais fácil: se o valor da vida for dez, com uma gratidão de dez o saldo é zero. Mas, se a gratidão for maior que dez, o excedente torna-se positivo, e Deus concede bênçãos múltiplas vezes maiores que esse excedente. Por outro lado, se a gratidão for cinco, o saldo é negativo em cinco, gerando uma dívida para com Deus.
Se essa dívida for paga o mais rápido possível, tudo bem; mas, se for negligenciada, os juros aumentam e a dívida cresce. Nesse ponto, não há diferença alguma em relação ao mundo material; isso também é o princípio da correspondência. Quando a dívida se acumula e ultrapassa certo limite, chegam cobranças e penhoras do Tribunal Divino. Isso é a Repurificação. Ao percebê-lo, portanto, pede-se desculpas sinceramente e, ao mesmo tempo, paga-se o total do principal e dos juros; é natural que se seja salvo. No entanto, há pessoas que cometem um terrível equívoco. Elas pensam que a cura pela fé foi, afinal, temporária, e que não foi uma cura verdadeira, começando a duvidar. Nesse momento, as pessoas ao redor, como se dissessem “bem que eu avisei”, insistem em recomendar tratamentos médicos, e a pessoa acaba se deixando levar e vai ao médico. Quando se chega a esse ponto, é o fim. É experiência comum que, em dez entre dez casos, o caminho é de agravamento, levando finalmente ao outro mundo. Onde está, então, a causa disso? No mundo espiritual, os maus espíritos estão à espreita das brechas no coração humano e, ao menor descuido, imediatamente exercem possessão espiritual sobre a pessoa, arruinando-a.
É preciso prestar atenção redobrada a este ponto. E, ao oferecer a sinceridade da gratidão, mesmo que seja em dinheiro, não importa se é muito ou pouco; basta que seja o máximo dentro das possibilidades de cada um. Deus sabe de tudo; portanto, mesmo sem esforço excessivo, Ele perdoa e, além disso, se a pessoa salvar o maior número possível de pessoas e fizer discípulos, melhor ainda. O essencial é a prática. Se tudo estiver de acordo com a lógica dessa maneira, a Repurificação não deveria ocorrer em primeiro lugar; mesmo que ocorra, será leve, nunca algo que envolva risco de vida. Mudando de assunto: entre as muitas religiões do mundo, há aquelas que, antes mesmo de se receber a graça, dizem coisas como “se você fizer esta doação, será salvo”, cobrando adiantado pela gratidão.
Isso é um ato fraudulento; portanto, não pode haver benefício algum. A culpa é inteiramente do pensamento equivocado do ministrante. Na nossa Igreja Messiânica, por outro lado, basta oferecer uma gratidão proporcional após receber a graça — o que é extremamente lógico. No entanto, se alguém negligenciar isso, o erro é totalmente da pessoa, e é natural que receba uma advertência.
Mesmo assim, se a pessoa não percebe, a própria vida lhe é tirada. A irracionalidade (fugōri) jamais é perdoada. Outro ponto crucial é que o propósito de Deus ao conceder a vida é fazer com que a pessoa trabalhe na Obra Divina. Se a pessoa compreender isso e praticar, sua saúde melhorará cada vez mais e a felicidade será concedida em abundância. Mas, se ela trair isso, estará rejeitando por si mesma a salvação que lhe foi concedida.
O Havaí, inundado de doentes
Eikō nº 211, publicado em 3 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
O primeiro passo para a expansão da nossa Igreja no exterior foi o Havaí. Como já se sabe, há cerca de dois meses, os dois missionários, Higuchi e Anbi, começaram a atuar tendo o local como base. Conforme consta em uma comunicação recente (omitida), os resultados estão superando as expectativas, o que é motivo de verdadeira alegria. E, como também mencionado no texto (omitido), a saúde das pessoas que vivem no Havaí está em um estado tão deplorável que chega a parecer até pior do que a dos japoneses. Não é preciso dizer que isso se deve à medicina equivocada.
Eu já imaginava que, como a cultura local é em grande parte ao estilo americano, o número de vítimas da medicina certamente seria grande, mas não pensei que fosse a tal ponto, e fiquei estarrecido. Ao pensar no que teria acontecido se não houvesse a salvação da nossa Igreja, portanto, não posso deixar de me arrepiar. Acima de tudo, quando se conhece o grande poder de Deus através do surgimento da nossa Igreja, é como se caísse uma chuva benéfica após uma longa seca. A voz do povo clamando por salvação ergue-se tumultuosa e se espalha com a força de um fogo que queima a campina. Essa situação é verdadeiramente magnífica. Por isso, os dois companheiros que trabalham ativamente dia e noite estão dando gritos de alegria.
Se continuarmos nesse ritmo, surge a expectativa de que, num futuro próximo, todo o Havaí possa se tornar o primeiro Paraíso Terrestre do mundo. O que se pode inferir a partir desse fato é a situação atual dos Estados Unidos. Sem dúvida, acredito que a quantidade de doentes seja semelhante à do Havaí, ou talvez até maior.
E, conforme o planejado, em breve, tendo Los Angeles como base, a porta da salvação para a América também se estenderá. Quando isso começar, os resultados também superarão as expectativas. A esse respeito, publiquei recentemente o livro "Salvando os Estados Unidos". Ao compilá-lo, senti uma pressa que achei estranha, e ele ficou pronto em cerca de um mês. Nunca antes uma obra havia sido concluída tão rapidamente. Refletindo sobre isso agora, só posso pensar que foi Deus quem estava com muita pressa. Por isso, a crise de saúde nos Estados Unidos provavelmente não tolera nem um dia de atraso. Do ponto de vista humano, porém, por mais que nos apressemos, existem obstáculos consideráveis — as leis e as questões religiosas da América —, e acredito que levará um tempo considerável até que a mensagem chegue aos ouvidos de todos os americanos.
Isso também é inevitável. De qualquer forma, como se sabe, a América ostenta hoje o progresso da medicina, com métodos materialistas e diversas instalações, tudo feito com o máximo esmero. Especialmente nos últimos tempos, com o surgimento contínuo de novos medicamentos e o avanço das técnicas terapêuticas, não é difícil imaginar que a saúde dos americanos se deteriora a uma velocidade impressionante.
Por outro lado, o mundo espiritual se torna mais luminoso a cada dia e, à medida que a purificação se intensifica, a crise se aproxima a cada instante. No final, a situação se tornará irremediável, e surgirá uma era de grande terror, com inúmeras pessoas sucumbindo às doenças. Isso é certo. Se eu disser isso hoje, no entanto, as pessoas provavelmente duvidarão do meu juízo, mas eu, com convicção, estou alertando desde já. Se minhas palavras se concretizarem, portanto, o que sobrevirá não será comparável a uma terceira guerra mundial. Chegará o momento em que se pensará que o fim do mundo, do qual Cristo falou, finalmente chegou. Aqui, também quero alertar os japoneses: quando esse momento chegar, não se pode ver essa grande catástrofe como um incêndio na margem oposta.
Isso porque, embora não tanto quanto os Estados Unidos, o Japão também não escapará de danos consideráveis. Seria necessário estar preparado com antecedência. Felizmente, porém, a nossa Igreja, que prevê isso, está preparando centenas de milhares de guerreiros da salvação para nos livrar dessa grande calamidade. Podemos, portanto, fortalecer nosso ânimo. Assim, o número de pessoas que serão salvas será incomparavelmente maior do que nos Estados Unidos. Nesse ponto, o Japão é extremamente abençoado. No entanto, até agora, por não conhecerem a vinda de uma grande catástrofe como a descrita acima nem a verdadeira essência da nossa Igreja, que carrega a grande missão de salvação, as pessoas que desprezam a nossa Igreja, considerando-a uma nova religião comum, ou aquelas que são pegas por essa visão errônea são verdadeiramente cordeirinhos dignos de pena.
E, atualmente, essas pessoas são numerosas entre a intelectualidade.
Essas pessoas são realmente dignas de compaixão. Quem ler este texto, portanto, deve vir rapidamente para a nossa Igreja e acreditar com sinceridade, a fim de escapar da grande crise que está por vir. Mesmo que eu diga isso hoje, provavelmente será interpretado apenas como uma ameaça para propagar a fé. Mas a nossa Igreja não tem a menor necessidade de fazer isso. Por quê? Porque a cura de doenças pela nossa Igreja é incomparavelmente mais magnífica do que a medicina, e a situação atual é de um desenvolvimento cada vez maior.
A Impotência da Medicina
Eikō nº 201, publicado em 25 de março do ano 28 da Era Showa (1953)
O que desejo destacar sobre o paciente desta história de gratidão é a extrema impotência da medicina.
Dizem que as injeções fabricadas no Japão não fazem efeito, e que não há outro remédio senão os medicamentos injetáveis americanos. Quando se pergunta se isso o curará, não há garantia alguma. É apenas isso, e não há o que fazer. Diante disso, não podemos deixar de nos surpreender com tamanha precariedade da medicina. Por esse fato, pode-se compreender o grau do progresso médico. Trata-se, sendo assim, de um problema real. Certamente os médicos também têm consciência disso, mas, se falarem descuidadamente, logo perderão o sustento; por isso, provavelmente estão apenas enganando as pessoas com meias palavras. Contudo, posso compreender esse sofrimento espiritual.
"Uma forte sensação de peso na cabeça, como se estivesse sendo pressionada por uma grande pedra, foi curada em um curto período de tempo (o restante do texto foi omitido)."
O Terror da Toxina Medicamentosa
Eikō nº 173, publicado em 10 de setembro do ano 27 da Era Showa (1952)
É uma afirmação que sempre defendo: a causa de todas as doenças são os medicamentos. Se aprofundarmos um pouco mais essa questão, com essa premissa sempre em mente, compreenderemos claramente. Por exemplo, ao analisar uma doença, devemos considerar: "Foi por causa de qual medicamento?", "Foi por causa de qual injeção?", "Foi por ter aplicado alguma substância?" ou "Foi por ter feito alguma lavagem?". Mesmo no caso de uma apendicite, devemos pensar: "Quando e qual medicamento foi tomado?" ou "Qual antisséptico foi utilizado?". Nem é preciso dizer que isso ocorre porque a toxina medicamentosa se transforma em pus e se solidifica na região do apêndice. Da mesma forma, quanto às doenças do estômago, devemos questionar: "Qual medicamento foi tomado e por quantos anos?". As nevralgias, os reumatismos, os tumores, os panarícios, as gangrenas etc. são todos assim. Dores de cabeça, problemas nos olhos, no nariz, nos ouvidos, dores de dente, periodontite, amigdalite, rouquidão — tudo, absolutamente tudo, tem sua causa nos medicamentos. É sempre possível, portanto, identificar a causa. No caso de uma criança que nunca usou medicamentos, a causa é, obviamente, a toxina medicamentosa herdada dos pais. Se pensarmos com essa convicção, compreenderemos imediatamente.
Isso é algo quase inimaginável, o que torna a situação aterrorizante. No entanto, uma vez que se adquire a nossa Medicina do Espírito Divino e se compreende que a causa fundamental é a toxina medicamentosa, a pessoa se liberta da preocupação com as doenças. Pode parecer um tanto surpreendente, mas é muito comum que uma dor de dente tenha como causa uma cirurgia de apêndice. E os antissépticos utilizados em todas as cirurgias são, com frequência, a causa de diversos tipos de dores. Portanto, quando houver uma dor intensa ou persistente em alguma parte do corpo, se a pessoa se lembrar de alguma cirurgia passada, certamente concordará com isso. Além disso, ficarão surpresos ao saber que a causa da periodontite é o excesso de urina não eliminada — decorrente da atrofia dos rins —, que sobe para a parte superior do corpo. Há inúmeros outros exemplos, por isso paro por aqui. Em suma, basta saber que a causa de todas as dez mil doenças é a toxina medicamentosa. Somente com esse conhecimento, a pessoa já alcança a tranquilidade e a paz espiritual.
A Religião que Cria Pessoas de Sorte
Eikō nº 212, publicado em 10 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
O que é, afinal, a nossa Igreja? Não é nada mais, nada menos, do que aquilo que surgiu pelo amor de Deus para conduzir as pessoas infelizes à felicidade. Como é sabido, todos os que vivem neste mundo, por mais que se esforcem para se tornarem afortunados, dificilmente conseguem como desejam. Aqueles que se tornam felizes ao longo de toda uma vida são tão raros quanto um pelo entre nove bois; a maioria das pessoas, longe de encontrar a felicidade, é visitada pela infelicidade uma vez após a outra. Mesmo que se estudem as teorias aprendidas na escola, que se leiam os ensinamentos morais, as biografias de grandes homens ou os livros a eles relacionados, e que se tente colocá-los em prática, raramente são úteis. De fato, a lógica é muito bem elaborada e causa admiração, mas, na prática, todos já devem ter constatado que as coisas não seguem a lógica.
Para ser direto: se agirmos com honestidade e retidão, somos vistos como ingênuos ou simplórios; se mudarmos de direção e fizermos algo estranho, perdemos a confiança; se agirmos de forma desonesta, esbarramos na lei. Assim, não se sabe o que fazer. Por isso, as pessoas um tanto espertas acham que o melhor é parecer honestas, agir desonestamente por trás, limpar a boca e fazer cara de paisagem, fingindo indiferença. Essa é a chamada filosofia de sobrevivência no mundo, e as pessoas de hoje se tornaram, aos borbotões, seguidoras dela. Como esses campeões são os que sobem na vida, é natural que a maioria queira imitá-los. Essa é provavelmente a razão pela qual os males sociais não diminuem. Por ser um mundo assim, diz-se que os honestos são os tolos que levam desvantagem. Quanto mais honesta uma pessoa, portanto, mais é considerada antiquada e inflexível, e aqueles que pregam a justiça são evitados pelos outros, não são levados em conta e, frequentemente, tornam-se párias da sociedade.
Vivendo em um mundo assim, empunhar sempre a bandeira da justiça exige um esforço fora do comum. As pessoas comuns devem achar isso um absurdo; os religiosos, com suas frases feitas, provavelmente me veem como um excêntrico sem coragem e sem ambição. Não foi à toa que, no passado, fui tratado com desprezo e curiosidade em jornais e revistas, levado a tribunais e alvo de inúmeras perseguições. Para lutar contra o mal, eu escrevia com ousadia — e isso, além de atrair represálias, despertava a inveja pelo rápido desenvolvimento, como uma árvore grande que sofre mais com o vento. Apesar de todas essas pressões, a força com que tenho trilhado, passo a passo, o caminho do desenvolvimento parece ter feito com que, recentemente, passássemos a ser vistos com outros olhos.
A situação se acalmou consideravelmente, e fico muito feliz por ter se tornado mais fácil agir. Tendo Deus como meu apoio, não importa que tipo de ataque eu sofra: não me abalo. A razão é que a nossa Igreja possui uma grande arma, que não se via nas religiões anteriores, e vou escrever sobre ela. Observando os métodos de todas as religiões até hoje, vê-se que elas se dividem, em linhas gerais, em duas categorias.
A primeira é a fé que avança empunhando a bandeira da justiça de frente; seu representante por excelência é a seita Nichiren, e foi por isso que Nichiren sofreu as perseguições religiosas pelas quais ficou conhecido. Esse foi um infortúnio: durante a vida do fundador, a religião não prosperou muito, e levaram-se centenas de anos para atingir o florescimento que vemos hoje. Se temessem as perseguições e seguissem o caminho seguro, ainda que se expandissem, isso demoraria muito — ou desapareceriam; aí reside a dificuldade. Felizmente, hoje, com a liberdade religiosa garantida ao povo, ao contrário do Japão antes do fim da guerra, somos grandemente favorecidos e escapamos de perseguições fatais. Para cumprir minha grande diretriz — a justiça — avanço em direção ao objetivo do bem, eliminando o mal passo a passo. Em seguida, escreverei sobre a felicidade humana, questão central: a raiz que gera a felicidade é, obviamente, o bem.
Mas, para que o bem prevaleça, é necessário ter força para vencer o mal — o que é óbvio. Como as religiões estabelecidas não tinham essa força suficiente, a verdadeira felicidade não pôde ser alcançada. Assim, a teoria da iluminação do budismo surgiu para atender à exigência do povo de obter, ao menos, paz de espírito, abandonando os bens materiais. No cristianismo, fez-se com que as pessoas se resignassem por meio do espírito de expiação, seguindo o exemplo de Cristo. Aquela passagem "se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra" era também um espírito de derrota diante do mal, sem resistência.
Como visto acima, todas as religiões estabelecidas eram incapazes de vencer o mal materialmente; por isso, o que inventaram foi a teoria da negação das graças recebidas nessa vida. Diziam: "As religiões que colocam as graças recebidas nessa vida em primeiro lugar são inferiores; a religião voltada à salvação espiritual é que é a superior." Não era sem razão que pregavam isso, mas não passava de um expediente para uma determinada época. Vou dar alguns exemplos. Muitas vezes, pessoas que sofrem de doenças por muito tempo se dizem satisfeitas por terem sido salvas, mas isso é apenas forçar o coração a se resignar, uma espécie de autoengano. A verdadeira satisfação do coração só é obtida quando a doença é completamente curada. Além disso, desde os tempos antigos, por mais fervorosa que fosse a fé, havia muitas famílias que não eram abençoadas materialmente e em que a infelicidade não cessava. Como resultado, criou-se a ilusão de que apenas a salvação espiritual era o verdadeiro caminho da religião.
A nossa Igreja Messiânica, no entanto, salva tanto espiritual quanto materialmente — pode-se dizer que salva até mais do que isso. O fato de estar construindo, como se vê atualmente, o Paraíso Terrestre, museus de arte etc., em várias regiões, tudo isso em apenas alguns anos, é graças às doações dos fiéis. Além disso, a nossa Igreja detesta a exploração e tem como princípio as doações espontâneas. Ainda assim, para administrar empreendimentos de tão grande escala, seria necessário um fundo imenso, e o fato de ele se acumular é verdadeiramente um milagre. Isso mostra que os fiéis estão com as finanças folgadas. E não se trata de algo temporário: aumenta cada vez mais, por isso nunca tive preocupações financeiras. O próximo ponto que quero abordar é a época. Na época em que surgiram as religiões antigas, a fé Shojo era suficiente, e os fundadores podiam se contentar com uma vida simples; hoje em dia, porém, não é mais assim. Uma vez que tudo se tornou mundial, para salvar toda a humanidade é necessário um empreendimento de proporções surpreendentes. Quanto maior a escala, maior o número de pessoas que serão salvas. Se alguém conhecer o grande plano da nossa Igreja como descrito acima, não poderá deixar de reconsiderá-la.
O que é o Juízo Final?
Eikō nº 213, publicado em 17 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Passarei agora a escrever sobre o Juízo Final. Sua essência é, nem é preciso dizer, o grande acerto de contas mundial, um processo de purificação das impurezas e dos pecados que se acumularam por um longo período. Aquilo que é excessivamente sujo e não tem mais jeito, portanto, não tem outra saída senão ser eliminado da face da Terra para sempre — e é por isso que é terrível.
Dessa forma, o que for útil no futuro será naturalmente preservado, enquanto o que não tiver utilidade será inevitavelmente descartado.
Isso é extremamente simples de dizer, mas, para os seres humanos, essa ameaça é uma grande catástrofe sem precedentes na história, impossível de expressar plenamente por escrito ou em palavras. Em suma, a essência é a separação entre o bem e o mal: os justos serão inocentados, os maus serão considerados culpados, realizando-se um julgamento definitivo. Todos os seres humanos que hoje estão na Terra encontram-se, portanto, em um destino equivalente ao de animais diante do julgamento — questão de grande importância. E, infelizmente, o número dos que serão perdoados é extremamente pequeno; a maioria será formada pelos que não serão salvos. Embora essa proporção não possa ser expressa em números, pode-se considerar que é aproximadamente essa a situação.
Naturalmente, os japoneses também não são exceção. Aqueles que desejam ser salvos devem, nesta oportunidade, mudar urgentemente seu modo de pensar. Isso é exatamente o que foi claramente profetizado desde os tempos antigos por vários santos, como porta-vozes de Deus; pode-se dizer que o momento chegou. E eles não disseram que toda a humanidade seria salva. Apenas foi dito que, pelo grande amor de Deus, dever-se-ia salvar o maior número possível de pessoas, e foi com essa missão que nasceu a nossa Igreja Messiânica. Essa compreensão é, acima de tudo, fundamental. Se, como dito acima, o número dos que não serão salvos é maior do que o dos que serão salvos, os fiéis devem ter isso bem em mente, pois, ao tentar curar e salvar os doentes, é necessário fazer essa distinção. De fato, o desejo de salvar a todos, sem deixar ninguém de fora, é imenso, mas, à medida que o tempo avança, como foi dito, naturalmente se tornará evidente quem será salvo e quem não será. Como isso é da Vontade Divina, nada se pode fazer contra. As pessoas que rejeitam o Johrei, não dão ouvidos às palavras ou as interpretam ao contrário já estão destinadas, portanto, ao lado dos que não serão salvos. Por mais que se tente fazê-las compreender, é inútil; ao contrário, os que deveriam ser salvos acabam negligenciados, sendo necessário ter cuidado. Além disso, há pessoas que, mesmo recebendo a graça e tendo uma doença grave curada, ficam inicialmente agradecidas, mas, com o passar do tempo, esquecem-se ou se desviam.
Essas pessoas já tiveram seu vínculo cortado e se voltaram para o caminho da ruína; o melhor é abandoná-las. Como se pode perceber pelo exposto, daqui em diante, ao tentar converter alguém, quem a aceita com sinceridade, tudo bem; para aqueles que não o fazem, não há outra escolha senão resignar-se, considerando-os seres sem vínculo. Nesse sentido, à medida que nos aproximamos do fim, todos os fiéis devem, em primeiro lugar, discernir entre o bem e o mal.
Sobre a Racionalidade da Fé
Eikō nº 213, publicado em 17 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Acredito que, pelo que foi exposto nesta coluna recentemente, já tenham compreendido o princípio da lógica na fé.
No entanto, como surgiu uma nova pergunta relacionada a isso, feita por um certo presidente de Igreja Média, gostaria de escrever sobre o assunto. Trata-se de um membro que se converteu há cerca de dois anos. A motivação para a conversão foi a cura de uma infiltração pulmonar de sua esposa.
Porém, em fevereiro deste ano, quando seu filho de dois anos contraiu pneumonia, ele consultou um certo Chefe de Filial. Este disse que iria curá-lo e, a partir de então, passou a aplicar Johrei com afinco. A recuperação, no entanto, não progredia como esperado e, finalmente, a criança chegou a um estado crítico. Foi então que, há alguns dias, recebi um pedido de socorro por telefone. A partir desse momento, a criança melhorou consideravelmente, mas a mãe ainda estava preocupada. Assim, ela se agarrou ao presidente da Igreja Média, pedindo conselhos sobre o que fazer dali em diante, e veio até mim com a criança no colo. Minha resposta foi a seguinte: "Uma doença como a pneumonia não leva tanto tempo para se curar. Com certeza há algo errado. Existem duas causas para isso. Uma delas é um grande equívoco, mas, por ser de natureza pessoal, vou mantê-la em segredo. A outra, porém, é mais grave, e, pensando que o presidente da Igreja Média também deveria ouvir, expliquei detalhadamente." O pai e a mãe da criança se converteram há um ou dois anos. Assim, para uma pneumonia do próprio filho, bastaria que o pai ou a mãe aplicassem o Johrei, e isso seria suficiente para a cura. No entanto, eles inverteram essa lógica: sem aplicar o Johrei adequadamente, incomodaram o Chefe de Filial. Isso está fora da Lógica. Além disso, o Chefe de Filial, por sua vez, foi diversas vezes aplicar o Johrei. Ambos estão completamente equivocados. A função primordial de um Chefe de Filial é desenvolver novos membros. Os que já são membros, por terem recebido a permissão de Deus para a cura das doenças, devem aplicar o Johrei por si mesmos nas doenças de suas famílias. Se dependerem do Chefe de Filial, estarão atrapalhando as atividades deste. O Chefe de Filial, além disso, deveria ter ensinado esse significado. O fato de não ter percebido isso só me leva a pensar que ele está muito distraído. Em casos especiais, no entanto, pode-se pedir permissão a Deus e aplicar um pouco de Johrei, mas não mais do que isso. Em suma, tudo o que não está de acordo com a Lógica não permite que se receba a Graça.
Os presidentes de Igreja Média, Chefes de Filial, Ministros e Oficiais devem, portanto, compreender bem suas respectivas posições e responsabilidades e ter o cuidado de não agir de forma ilógica. Se nos esforçarmos diariamente para ler os Escritos Divinos e polir o Chieshōkaku (Inteligência da Percepção Verdadeira), perceberemos isso em qualquer situação. A esse respeito, não devemos esquecer a distinção entre Daijo e Shojo.
Tudo deve ter como prioridade o desenvolvimento da Obra Divina; as questões pessoais vêm em segundo ou terceiro lugar. Agindo assim, tudo transcorre harmoniosamente. Ou seja, quem considera os interesses do todo e age de forma lógica pode receber a Graça em qualquer medida. Se houver, por menor que seja, algo que atrapalhe a Obra Divina, é natural que as coisas não saiam como desejado. Afinal, trata-se de uma obra grandiosa — salvar toda a humanidade — e Deus está com muita pressa. Devemos, portanto, refletir bem sobre esse ponto.
Como Encarar Este Fato
Eikō nº 211, publicado em 3 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Sempre afirmo que não é exagero dizer que, em comparação com o da medicina, o poder de cura do Johrei é de cem para um.
Por isso, quem ler isto dificilmente conseguirá acreditar. Como se trata, acima de tudo, de um fato, peço que leiam com essa disposição. Se ainda houver alguém que, mesmo lendo, não consiga acreditar, essa pessoa, lamentavelmente, não terá outra escolha senão ir uma vez ao outro mundo e renascer.
"Salvo das 'cavernas em ambos os pulmões' por causa das quais recebi a sentença de morte de um médico (omissão do restante do texto)"
Sobre o Paraíso Terrestre
Eikō nº 137, publicado em 1º de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Observando a situação atual do mundo, como se percebe até pelos jornais e pelo rádio de cada dia, não será verdade que os dias de hoje têm uma quantidade excessiva de coisas ruins?
Como todos sabem, deixando a guerra de lado, basta enumerar superficialmente: corrupção de funcionários públicos, assassinatos, roubos e furtos, golpes, furtos em lojas, suicídios, suicídios em família, problemas de tuberculose e doenças contagiosas, escassez de arroz, dificuldades habitacionais, aperto financeiro, sofrimento com impostos etc. As coisas boas são tão raras quanto estrelas ao amanhecer.
Diante disso, surge a pergunta: por que a sociedade chegou a esse ponto? É verdade que pode haver várias causas, mas, em suma, trata-se da decadência da moral e de um notável rebaixamento do nível humano. Em razão disso, ultimamente intelectuais e educadores têm se interessado por esse ponto. Embora existam também causas como o excesso do pensamento liberal do pós-guerra, parece que, por enquanto, não há outro caminho senão restaurar e revitalizar a educação, a moral, a ética etc., e estão em consulta sobre isso.
No entanto, é de estranhar que, nessa situação, o Japão jamais recorra à religião. Mas talvez isso não seja sem motivo. Afinal, as religiões antigas são demasiado impotentes e, por outro lado, mesmo as novas religiões, em sua maioria, parecem charlatanices ou superstições. Por essas razões, como todos sabem, é impossível encontrar uma solução fundamental.
Contudo, estou levando adiante um plano concreto para contribuir com a solução desse problema por um ângulo diferente. Trata-se, em primeiro lugar, do entretenimento geral. É claro que as massas, em qualquer época, necessitam de entretenimento, mas, na sociedade de hoje, há uma quantidade excessiva de coisas vulgares e grosseiras. É verdade que teatro, cinema, esportes, Go, xadrez, Mahjong, pachinko etc. são bons, mas acredito ser também muito necessário um entretenimento de nível ainda mais elevado do que esses.
Nesse sentido, refiro-me aos modelos do Paraíso Terrestre que a nossa Igreja está construindo atualmente em Hakone e Atami. Como já escrevi diversas vezes, será construído um paraíso ideal de grande escala, unindo a beleza natural e a artificial. Além disso, é algo tão magnífico que, até hoje, provavelmente ninguém no mundo jamais concebeu um plano dessa magnitude. Não é autoelogio: mesmo no estágio atual, com menos da metade do planejado concluída, quem ali põe os pés, embriagado por uma atmosfera tão distante do mundo infernal e vulgar, esquece-se de tudo, sente-se como se estivesse nas nuvens e todos o elogiam entusiasticamente.
A parte de Hakone está próxima da conclusão, mas, por ser de pequena escala, escreverei aqui sobre Atami, que está em plena construção.
De qualquer forma, num jardim ondulado de aproximadamente trinta mil tsubo, estão sendo plantadas árvores floridas, como ameixeiras, cerejeiras e azaleias, além de árvores verdes; prepara-se também a construção de canteiros com flores diversas. Na primavera, a beleza será de tirar o fôlego e, contemplando a paisagem da vasta Baía de Sagami ao longe, como todos sabem, não será exagero chamá-lo de um grande jardim de delícias ideal. Além disso, como a localização deste Paraíso Terrestre é a melhor de Atami e, para realçar ainda mais sua beleza, será construído um museu de arte exemplar, é inevitável que, quando concluído, torne-se objeto de admiração tanto das pessoas do país quanto das do exterior.
Quem uma vez visitar este Paraíso, portanto, terá a alma e a consciência, poluídas pelo ar do mundo, lavadas e purificadas; a alma ressequida ganhará umidade e, naturalmente, se tornará mais viva, aumentando a eficiência no trabalho.
Além disso, o senso moral natural também se elevará. Assim, o efeito será uma contribuição fora do comum para o coração da sociedade.
O Motivo da Morte Precoce dos Esportistas
Eikō nº 193, publicado em 28 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
O que mais causa perplexidade no mundo atualmente é o fato de os atletas, de modo geral, morrerem precocemente. Considerando que são filiados a associações esportivas e que se aperfeiçoam e treinam constantemente no campo da educação física, é natural que essa realidade suscite dúvidas. Em especial, é de conhecimento geral a alta incidência de tuberculose entre eles; e, como a medicina também parece completamente perdida, sem solução para o problema, escreverei aqui a causa fundamental. Como isso se baseia também em minha experiência, quero que acreditem: é absolutamente correto.
Primeiramente, ao observar o físico, percebe-se invariavelmente um acúmulo de toxinas em alguma parte localizada, seja à direita, seja à esquerda. A razão é que, durante a prática de exercícios, a postura é fixa e a força se concentra em um único ponto. É nesse ponto que as toxinas se acumulam e se solidificam. Como sempre digo, isso nada mais é do que o princípio de que as toxinas se dirigem para as áreas onde se faz uso dos nervos.
Quando ocorre um processo de purificação nesse acúmulo, ele se dissolve através da febre, surgindo tosse e expectoração, e o médico diagnostica tuberculose. Se fosse deixado em paz, certamente se curaria; mas a aplicação de vários métodos para interromper a purificação agrava gradualmente o quadro, culminando, por fim, em um desfecho irreversível — uma situação realmente problemática.
Considerando este ponto, ardo no desejo de dissipar o quanto antes a névoa da confusão da medicina moderna e estabelecer a verdadeira medicina.
Diálogo entre Meishu-Sama e o Sr. Tanikawa Tetsuzō (1) — Sobre Religião e Arte
Eikō nº 211, publicado em 3 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
No dia 26 de abril, o Sr. Tanikawa Tetsuzō, diretor da Faculdade de Letras da Universidade Hosei e crítico de arte, visitou-nos, e Meishu-Sama, com grande cordialidade, dignou-se a conversar com ele. Nesse dia, o Sr. Tanikawa passou pelo Museu de Arte de Hakone, inaugurado em 21 de abril, apreciou diversas obras e chegou ao Hekiun-sō às cinco e meia da tarde. Logo em seguida, Meishu-Sama apareceu com Sua Esposa, e a conversa imediatamente floresceu em torno da arte. Durante cerca de duas horas e meia, Meishu-Sama mostrou-se excepcionalmente radiante. A seguir, transmitiremos o que se passou nessa ocasião. A propósito, o Sr. Tanikawa Tetsuzō foi quem proferiu o discurso de felicitações quando, no ano passado, por ocasião da inauguração do museu, foi convidado como pessoa ilustre. Além do Sr. Tanikawa, estavam presentes o Sr. Konishi Motoo, diretor do departamento de negócios do jornal Hōchi, apresentado na edição nº 193 da revista Eikō; o Sr. Kosaka Kaichirō, funcionário da redação; e mais um fotógrafo, totalizando três pessoas que nos acompanharam.
Sr. Kosaka: Atrasamo-nos uma hora e meia em relação ao horário combinado porque passamos uma hora e meia a mais apreciando as obras de arte. Como tínhamos o compromisso, eu queria ir logo, mas o Professor Tanikawa simplesmente não se mexia.
Sr. Tanikawa: Realmente, sem dedicar um dia inteiro, não se consegue ver tudo.
Meishu-Sama: Deve ser assim. Por isso, há quem diga que ali há obras em excesso. Dizem que são tantas que a pessoa acaba cansada, não há jeito.
Sr. Tanikawa: É verdade. Por isso, quando vou ao Museu de Ueno, decido ver apenas duas ou três salas. Se tentasse ver tudo, não daria conta. Nesse aspecto, o Museu de Arte Bridgestone e o Museu de Arte Moderna têm poucas salas e poucas peças expostas, por isso acabamos indo com frequência.
Meishu-Sama: Além disso, aquele lugar é conveniente.
Sr. Tanikawa: Sim. Desde que fui convidado para a inauguração no ano passado, trouxe minha esposa umas duas vezes. Naquela época, o jardineiro ainda trabalhava; hoje, porém, está tudo completo.
Meishu-Sama: Além disso, o anexo também ficou pronto. Nele, a partir de 1º de junho, será realizada uma exposição de ukiyo-e.
Sr. Tanikawa: Esse anexo será usado apenas para exposições de ukiyo-e daqui em diante?
Meishu-Sama: Não é bem assim; será usado para fins especiais.
Sobre religião e arte
Sr. Kosaka: No carro, a caminho daqui, o Professor Tanikawa disse: "O fato de uma organização religiosa estar realizando este empreendimento é um fenômeno dos novos tempos. É algo histórico em toda a trajetória do Japão até hoje. A nação precisa aprofundar sua compreensão sobre isso." Nós também concordamos. Acho que é um empreendimento excelente. As organizações religiosas atuais constroem universidades ou jardins de infância, mas isso qualquer um faz. Já os empreendimentos que o senhor está realizando aqui — só a coleção já é algo extraordinário.
Meishu-Sama: Penso assim: religião e arte não devem se separar. Afinal, o objetivo da religião é construir o Paraíso, e para isso é preciso atuar intensamente no campo da arte. Portanto, quando chegar a era sem guerras, a arte se tornará o centro. No passado, o Príncipe Shōtoku também fez bastante nesse sentido: como fundador que difundiu o budismo no Japão, propagou-o tendo a arte budista como principal método. Assim, à semelhança do que o Príncipe Shōtoku fez ao iniciar o budismo no Japão, estou construindo algo de alcance mundial, no sentido de tornar universal aquilo que ele começou. Penso que é especialmente necessário fazer o mundo reconhecer amplamente a profundidade do senso estético dos japoneses. O museu de Hakone foi uma experiência, mas parece que ficou apresentável. Agora, penso em construir um em Atami.
Sr. Tanikawa: Mas aquele museu é realmente notável. Acho especialmente significativo o senhor tê-lo construído num lugar como Hakone. Muitos estrangeiros vão a Hakone, e creio que expor obras de boa qualidade, como as daquele museu, tem grande significado justamente num lugar onde costumam ser expostos apenas souvenirs baratos para eles.
Meishu-Sama: Em seguida, pretendo também construir em Kyoto um museu especializado em arte budista.
Sr. Tanikawa: Em Atami e também em Kyoto? Isso é realmente grandioso. Gostaria que o senhor levasse isso adiante com todo o empenho.
Sua Esposa: Mas isso não vai poder ser feito hoje (em Kyoto) imediatamente, não é mesmo? (Risos gerais)
Meishu-Sama: A escultura budista japonesa é a melhor do mundo, algo de que devemos nos orgulhar diante de todos os povos.
Sr. Tanikawa: É verdade.
Meishu-Sama: Mas, de qualquer forma, o que mais me aflige é o dinheiro. Com isso, passo o ano inteiro experimentando tanto a alegria quanto o sofrimento.
Sr. Tanikawa: Mas hoje não deve haver muitos outros lugares que possam comprar tanto quanto o senhor. Afinal, até os museus têm verbas de aquisição muito reduzidas.
Meishu-Sama: Por isso, acabo forçando a barra. Frequentemente, se eu não comprar, a obra acaba indo para a América, e preciso impedir isso. Acho que esse mérito para com a nação deveria ser bem mais reconhecido.
Sr. Tanikawa: Concordo.
Sr. Kosaka: E ainda querem cobrar imposto sobre isso, é insuportável.
Meishu-Sama: Por isso é que mantenho tudo sob uma fundação (instituição jurídica sem fins lucrativos). Assim, a organização religiosa faz a aquisição e depois doa à fundação.
Sr. Konishi: O que o Professor Tanikawa passou mais tempo observando no museu foram as imagens de Buda. Havia uma com um boi dentro, e ele tirou o boi para fora, viu e pediu que tirassem fotografias. Isso foi o que levou mais tempo, três horas. Nós, com as pernas doloridas, os três fugimos dali.
Sr. Kosaka: Mesmo assim, ele diz que ainda faltou tempo, o que é surpreendente. Hoje, um estrangeiro veio com a esposa, e acho isso muito bom. De qualquer forma, é ótimo que pessoas do mundo inteiro venham e vejam obras de arte como aquelas. Talvez isso se torne famoso primeiro no exterior. No entanto, penso que, se não houver explicações para os estrangeiros, será difícil para eles compreenderem.
Meishu-Sama: Estou pensando aos poucos também nessa questão dos guias explicadores.
Secretário: Para a próxima exposição de ukiyo-e, haverá explicações escritas pelo Sr. Kondō Ichitarō.
O Paraíso é o Mundo da Arte
Eikō nº 72, publicado em 4 de outubro do ano 25 da Era Showa (1950)
Constantemente afirmo que o Paraíso é o mundo da arte, mas apenas isso é demasiado conceitual.
De fato, é muito bom que as belas-artes, a literatura, as artes cênicas etc. se enriqueçam, como dito acima, mas, a rigor, todas as artes devem estar presentes. Mais do que isso, se não forem transformadas em arte, não se pode dizer que seja o verdadeiro Paraíso.
Mesmo a cura de doenças pelo método do Johrei, que eu preconizo, é, na verdade, uma magnífica arte da vida. Por quê? Porque a essência do que se chama arte deve atender às condições da Verdade, do Bem e do Belo. Antes de tudo, o doente não possui a Verdade. Isso porque a verdade é que o ser humano deve ser saudável, e prejudicar a saúde já não é a forma original do ser humano. Suponhamos, por exemplo, que exista um utensílio. Se houver um dano em alguma parte desse utensílio, ele não poderá cumprir sua finalidade. Se a água vazar, se tombar ao ser colocado, se quebrar ao ser usado, não há verdade como utensílio. É preciso, portanto, repará-lo de alguma forma para que sirva. Com o ser humano, é semelhante; se, devido a uma doença, ele não puder funcionar como ser humano, torna-se uma existência inútil, por isso se faz o reparo. Isso é o Johrei da nossa Igreja. Quanto ao Bem, em seguida: se o ser humano não possui o Bem e pratica apenas o mal, este também não é um verdadeiro ser humano, é um animal.
Tal ser humano causa danos à sociedade, portanto, não é apenas desnecessário, mas deve-se, antes, negar-lhe a existência. Contudo, isso é realizado por Deus, que detém o poder de vida e de morte.
Como resultado, há aqueles que fracassam, sofrem com doenças, caem no fundo da pobreza, e alguns chegam até a perder a vida. É inteiramente o julgamento de Deus. No entanto, mesmo tratando-se do mal, há o mal praticado conscientemente e o mal praticado inconscientemente; sofrimentos proporcionais a essa diferença sobrevêm. Nesse ponto, é verdadeiramente justo. Por fim, o Belo: como é algo tão evidente que dispensa explicação, omito-me, mas, como é claro pelo exposto acima, a própria concretização da Verdade, do Bem e do Belo é a condição fundamental para transformar este mundo no Paraíso.
Curar as doenças e reformar os métodos agrícolas são, portanto, naturalmente, arte.
A primeira, como dito anteriormente, é a arte da vida; a segunda é a arte da agricultura. A isso se soma o fato de construirmos o modelo do Paraíso Terrestre, que é a arte do Belo, e, pela união desses três elementos, constrói-se o mundo luminoso da trindade da Verdade, do Bem e do Belo. Isto é, precisamente, a concretização do Paraíso Terrestre, o mundo de Miroku.
Um Mundo Sem Doenças
Eikō nº 215, publicado em 1 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Os fiéis já sabem bem que a nossa Igreja tem como lema criar um mundo sem doenças, mas o relato de gratidão a seguir comprova isso com precisão; por ser um relato muito alegre, resolvi publicá-lo.
Se, como neste relato, o número de pessoas saudáveis sem o uso de medicamentos aumentar gradualmente, o surgimento de um mundo sem doenças não será algo difícil. Se assim for, essa é a condição fundamental para o Paraíso Terrestre. Compreenderão, portanto, que minha afirmação de construir um Paraíso Terrestre onde não existam doença, pobreza e conflito não é de modo algum um exagero ou fanfarronice, mas sim uma palavra extremamente segura e verdadeira.
"Família sem medicamentos é homenageada pela Associação de Seguro Saúde (texto final omitido)"
Não Atrapalhem o Meu Trabalho (Parte 1)
Eikō nº 131, publicado em 21 de novembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Os seguidores conhecem bem o empreendimento no qual estou atualmente concentrando todo o meu corpo e alma.
Ultimamente, parece que o número de pessoas esclarecidas que o compreendem aumentou consideravelmente, o que é louvável, mas ainda há quem o interprete erroneamente. Por isso, escrevo um pouco para essas pessoas. Naturalmente, elas também desconhecem a verdadeira essência da nossa Igreja, sendo influenciadas por boatos mundanos ou informações distorcidas dos meios de comunicação. Entre elas, pode haver também aqueles que, por natureza, têm aversão à religião, sendo ateus inflexíveis. Por outro lado, por mais incrível que pareça, há quem, talvez por gostar do mal, sinta-se irritado pelo fato de a religião pregar o bem. No entanto, acredito que, excetuando-se os comunistas, não haja uma única pessoa que se oponha à melhoria deste país, o Japão, onde nascemos.
Assim, o objetivo deste texto que ora escrevo é abordar, excluindo completamente questões religiosas como Deus ou a fé, os aspectos que podem ser compreendidos até mesmo por pessoas comuns. Trata-se do modelo do Paraíso Terrestre que estou atualmente construindo em Hakone e Atami. Como o projeto em Hakone é de pequena escala, escreverei aqui apenas sobre o de Atami. Meu plano inicial é criar uma grande obra de arte, sem igual no mundo, que una a beleza natural e a artificial. É consenso, dessa forma, que o Japão é o país de paisagem mais rica do mundo.
De fato, nunca estive no exterior, mas, por diversos aspectos, assim me parece.
Como sempre digo, o Japão é um parque mundial criado por Deus desde o início sob Seu propósito divino. E, felizmente, por ter nascido e viver atualmente neste país, tudo é, obviamente, muito conveniente. Ao investigar qual ponto do Japão melhor se adequava a essas condições, descobri que, acima de tudo, era Hakone e Atami. Quando procurei terras em Hakone e Atami, encontrei, miraculosamente, terrenos e uma casa para morar exatamente como desejava, e os adquiri com facilidade. Após o fim da guerra, tudo correu bem, tanto em Hakone quanto em Atami, e as áreas necessárias foram sendo adquiridas uma após a outra. Atualmente, ambas já atingem quase vinte a trinta mil tsubo, podendo-se dizer que, em termos de extensão, são suficientes. Em Hakone, porém, as montanhas são íngremes e as rochas se sobrepõem, sendo inadequadas para um projeto de grande escala. Já em Atami, as montanhas não são altas e há muita terra, permitindo a realização de planos em grande escala com liberdade.
É por isso que atualmente estou construindo em Atami. O que torna este local dotado de todas as condições é, antes de tudo, a vista magnífica. É opinião unânime de quem o vê que, provavelmente, não exista lugar igual em todo o Japão.
Além disso, o acesso é extremamente conveniente, estando, como se sabe, quase no meio do caminho entre Kanto e Kansai, permitindo fácil locomoção tanto do leste quanto do oeste.
Outras características incluem o inverno ameno, a abundância de fontes termais, o verde que envolve as montanhas ao redor, o mar espelhado da Baía de Sagami, as belas curvas formadas ao longe, à direita, por cinco cabos, e as duas ou três pequenas ilhas na ponta de Manazuru, à esquerda, que também são interessantes. Em dias claros, vê-se a linha da Península de Miura, flutuando como um sonho no horizonte; e, mais ao fundo, uma linha que parece estar deitada longamente na névoa é a Península de Boso, cuja famosa Serra de Nokogiri, com suas curvas irregulares e misteriosas, atrai o olhar. Diante dos olhos, está a Ilha de Hatsushima, com a postura de uma pedra de bonkei, e, à sua direita, avista-se a Ilha de Oshima, com suas linhas suaves, que não combinam com sua famosa erupção.
Este ponto, que abarca toda a paisagem deslumbrante descrita acima, é o Mirante Central de Zuiunkyo. Tanto pela localização quanto pela altura da montanha, é o mais adequado para a contemplação de toda a paisagem.
Quem ali se coloca sente-se como se estivesse no Paraíso deste mundo, sendo um local que todos exaltam.
É, verdadeiramente, uma terra sagrada preparada por Deus na época da Criação do Céu e da Terra; o que mais poderia ser, senão uma grande obra de arte divina? Além disso, fica a apenas quinze minutos a pé e cinco minutos de carro da estação, e a estrada é uma ladeira suave, tornando o acesso muito conveniente. Adquiri este terreno pela primeira vez no ano de Showa 21 (1946); faz, portanto, exatamente cinco anos este ano. Até agora, cerca de cinquenta a cem pessoas trabalham diariamente com empenho, seguindo meu projeto, e a previsão é que apenas a topografia fique praticamente concluída até o final do ano. Quanto às árvores floridas a serem plantadas, o principal serão duas mil azaleias de vinte espécies, mil cerejeiras e quinhentos umezeiros.
Além disso, plantarei o maior número possível de espécies de árvores floridas, para que as flores nunca cessem, uma após a outra.
Pode-se dizer que será, antes de tudo, um paraíso ideal. Então, finalmente, a partir da próxima primavera, darei início às construções.
Primeiramente, sobre um terreno de mil e trezentos tsubo, construirei o Templo Messiânico, com oitocentos tsubo e um pavimento. Será, naturalmente, de concreto armado, e o estilo terá como base o de Le Corbusier, da França, que atualmente domina o mundo da arquitetura. A ele, acrescentarei minhas próprias ideias, resultando em uma forma inovadora e marcante. Quando estiver concluído, provavelmente atrairá a atenção mundial como uma obra arquitetônica religiosa. De fato, o estilo de Le Corbusier se adequa perfeitamente à sensibilidade da época, mas carece de solenidade. É bom para uso prático, como em prédios públicos, apartamentos e residências, mas, para uma construção religiosa, sinto que não é apropriado. Por outro lado, não quero adotar algo como as relíquias clássicas dos antigos. Deve ser algo que expresse plenamente a sensibilidade da época e, ao mesmo tempo, inovar na decoração interna e em outros aspectos, de modo a harmonizar-se com ela.
Sobre a Caligrafia
Eikō nº 111, publicado em 4 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
O Sr. Egawa, que sempre anima as páginas do nosso jornal com suas observações peculiares e textos leves, escreveu recentemente um artigo de opinião intitulado "Sobre a Caligrafia e a Religião".
Ao vê-lo, também me senti estimulado e resolvi escrever, deixando fluir o que me viesse à mente. Como se diz desde os tempos antigos, a caligrafia é, por natureza, a expressão da personalidade de uma pessoa através do pincel.
Por isso, são veneradas as obras escritas por grandes homens, altos sacerdotes e sábios. É interessante notar a relação indissociável entre a cerimônia do chá e a caligrafia. A esse respeito, li certa vez um relato sobre a cerimônia do chá de Rikyu. Segundo esse relato, Rikyu apreciava as inscrições a tinta (bokuseki) e, durante as cerimônias, sempre as pendurava no tokonoma. Às vezes havia também pinturas, mas, ao que parece, estas se limitavam às de Mokkei. As inscrições a tinta eram, sem dúvida, obras de altos sacerdotes chineses do período que vai do final da dinastia Song à dinastia Yuan. Entre elas, há também as escritas por aqueles que se naturalizaram no Japão, e as obras de monges zen japoneses também são veneradas. Os mais famosos são, primeiramente, o fundador do Daitoku-ji, o Mestre Nacional Daito; o fundador do Engaku-ji, o Mestre Zen Mugaku; e também o Mestre Nacional Muso, Soen. Entre os chineses e monges naturalizados, citam-se Engo, Bujun, Mokorin, Seisetsu, Kido, Gottan, Daie, Kisoseki, Jinyo, Ondanko, entre outros.
Dentre esses, meus preferidos são Daicho, Bujun e Sogen. Ao contemplar essas inscrições, fico impressionado, é claro, com os caracteres habilidosos; mas, mesmo diante daqueles que não são tão hábeis, sinto-me tocado por uma espécie de nobreza sublime e inviolável. Deve ser, sem dúvida, a elevação que emana da personalidade dessas pessoas. Em seguida, vêm as caligrafias dos sucessivos mestres zen do Daitoku-ji, que têm significado diferente e também um encanto do qual é difícil desvencilhar-se.
As caligrafias de Ikkyu, em especial, são realmente ingênuas e rudes, mas não estão nem um pouco presas à forma, não apresentam o menor traço do vício de querer escrever de maneira elevada e expressam perfeitamente a personalidade inocente e sem artifícios de Ikkyu. É curioso que existam muitas falsificações de Ikkyu; percebe-se, porém, que são falsas justamente porque os caracteres são demasiadamente hábeis. As caligrafias de Takuan também são muito boas.
São caracteres consideravelmente hábeis e, além disso, vigorosos. No fato de não haver qualquer ostentação de quem alcançou a iluminação, vislumbra-se a estatura do mestre zen. Além desses, há também obras dignas de nota de Seigan, Kogetsu e Oshin.
Entre os guerreiros, creio que os caracteres de Kusunoki Masashige são extremamente hábeis, e os de Hideyoshi e Ieyasu também são notáveis. Outro dia, vi em certo lugar uma caligrafia de Kūkai. A letra é muito boa, com bastante suavidade, mas pensei que não era tão extraordinária quanto se diz. Chegando aos tempos modernos, a caligrafia de Yamaoka Tesshu também é interessante. Seu estilo livre e desenfreado pode ser bem avaliado. A caligrafia de Iwaya Ichiroku também possui um encanto do qual é difícil desvencilhar-se; mas, acima de tudo, está Ryokan, não é mesmo? Seu estilo leve e despretensioso, que transcende o mundano, chega a ser encantador de se ver.
Quanto aos caracteres de Nukina Kaioku, um calígrafo, sua escrita é primorosa. Certa vez, vi um biombo de seis painéis escrito por Kaioku. Cada painel continha uma linha de caracteres; era uma caligrafia verdadeiramente magnífica, que me deixou admirado.
A seguir, escreverei um pouco sobre o aspecto das obras-primas antigas. O que mais aprecio é Ki no Tsurayuki. É, obviamente, escrito em Man'yōgana, mas possui uma elegância e um sabor realmente indescritíveis, a ponto de me fazer curvar a cabeça. Em seguida, vêm Tōfū (Ono no Michikaze, calígrafo da era Heian) e Saigyō, que também são bons. São as caligrafias dessas três pessoas que mais aprecio. Além desses, há Yukinari, Teika, Sari, Ryōkei, Toshinari, Kintō, Toshimoto e o Príncipe Munetaka, cada um com seus méritos. Entre as mulheres, Ko no Ōkimi e Murasaki Shikibu também são notáveis. Entre as pessoas de hoje, a caligrafia do Sr. Onoe Saishū é boa, e também aprecio seus poemas (waka). Por ora, encerro aqui.
Os Japoneses Não Têm Desejo
Eikō nº 76, publicado em 1 de novembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Se eu dissesse que não existe um povo tão desapegado quanto os japoneses, certamente o leitor se surpreenderia. No entanto, é um fato incontestável; não há o que fazer. Apenas a maioria das pessoas não se dá conta disso. Passo a escrever sobre o assunto agora.
Para dar um exemplo, os japoneses de hoje não se preocupam muito com a questão da confiança. Dizem com toda a calma, por exemplo, coisas que um dia inevitavelmente serão descobertas, ou mentiras óbvias.
Nos casos mais graves, contam mentiras que são descobertas imediatamente. Acima de tudo, há muitas pessoas que, mesmo marcando um horário, não o cumprem. Isso também é uma mentira clara, mas coisas desse tipo são consideradas tão corriqueiras quanto o arroz e o chá do dia a dia, e ninguém estranha. Além disso, ao comprar algo, tanto o vendedor quanto o comprador estão sempre contando mentiras. É claro que, se o vendedor for muito honesto, não terá lucro; até certo ponto, isso é inevitável. Mas as mentiras são excessivas. No fim, não só perdem a confiança como, principalmente, perdem tempo e se envolvem em trabalho complicado nas transações, tornando a situação insustentável.
Como o vendedor aumenta o preço, o comprador pechincha; como o comprador pechincha, o vendedor aumenta o preço — é um jogo de gato e rato. Quando se trata de negócios um pouco maiores, é preciso passar horas, ou até um dia inteiro, discutindo. Há casos que levam dias, dezenas de dias, ou até meses. O desperdício e a perda de ambas as partes, portanto, devem ser imensos.
Dar meu próprio exemplo me causa um pouco de vergonha, mas minha política ao fazer compras é quase nunca pechinchar. Apenas quando o preço é excessivamente alto, a ponto de ser abusivo, ou quando sinto que estão se aproveitando de mim, pechincho por necessidade — mas isso raramente acontece. Por que faço assim? Porque, se eu pechinchar, da próxima vez o vendedor certamente aumentará o preço; então eu pechincharei novamente, caindo no mesmo jogo de gato e rato, o que só gera trabalho e sentimentos desagradáveis. Os exemplos acima são sobre compra e venda, mas o mesmo se aplica a funcionários públicos e de empresas. Essas pessoas, querendo progredir rapidamente na carreira, gostam de exibir seus méritos, vangloriar-se e fazer com que os outros se sintam em dívida. Pensam que isso é inteligente, mas, na verdade, os superiores têm olhos perspicazes e percebem tudo. Pensam: "Esse sujeito só quer mostrar uma boa aparência; um tipo desses certamente não é leal de coração", e acabam não sendo confiáveis. Além disso, empresários, mesmo sem dinheiro, gostam de aparentar que o têm, fazem os outros acreditar que possuem grandes conexões ou divulgam seus negócios como se fossem extremamente lucrativos.
Essas estratégias podem até funcionar por um tempo, mas jamais levam ao sucesso. Também é comum no mundo que, ao se tratar de casamento por intermédio de um casamenteiro, se elogie a pessoa muito além da realidade, como se fosse natural.
Mesmo que esses arranjos funcionem, cedo ou tarde — antes ou depois do casamento — acabam em fracasso, causando sofrimento não só aos envolvidos, mas também fazendo com que o intermediário e o casamenteiro percam a confiança. Outro exemplo comum é o dos remédios e cosméticos amplamente anunciados, que vendem muito por um tempo, mas, como sua eficácia não corresponde à propaganda, acabam não vendendo mais. Se fosse dar exemplos como esses, não teria fim.
Em suma, em tudo, a confiança é o mais importante. Sem confiança, não há nada. Por mais que se façam bem outras coisas, de nada adianta. É como tentar encher uma peneira com água. No entanto, surpreendentemente poucas pessoas parecem perceber isso. Dessa forma, mesmo que se seja muito ganancioso e se ache ter agido com esperteza, o resultado é a perda de confiança; todo o esforço é em vão, um trabalho que só cansa. Essas pessoas, no fundo, não têm desejo. Se alguém não mente e age com seriedade, portanto, torna-se uma pessoa de quem se pode dizer: "Se é o que ele diz, não há erro. Essa pessoa é absolutamente confiável." Quando se chega a esse ponto, é natural que se ganhe dinheiro, se tenha sucesso e se seja respeitado e amado pelos outros. Sendo assim, essa pessoa é justamente a que tem desejo verdadeiramente profundo. Por isso, sempre digo: o ser humano deve ser muito ganancioso, mas não de forma temporária; deve tornar-se ganancioso de forma permanente.
O General MacArthur
Eikō nº 102, publicado em 2 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
Quanto à recente destituição do General Douglas MacArthur, todos os jornais escreveram seus comentários, mas, ao examinar qualquer um deles, percebe-se que falta o ponto essencial. Sinto, por isso, que não posso deixar de escrever; e aqui o farei.
Dispensa comentários: por ocasião do retorno do General MacArthur ao seu país, o sentimento dos japoneses — que, tomados de admiração e respeito, acorreram em massa para despedir-se dele — é algo que todos podem imaginar. Provavelmente nunca antes houve, mesmo entre os japoneses, exemplo de uma pessoa tão sinceramente amada e respeitada por toda a nação. É, verdadeiramente, uma pessoa misteriosa.
Quanto a mim, também surgiu um sentimento que nunca experimentara antes. Ao ouvir a notícia da destituição do General, fiquei surpreso e, ao mesmo tempo, não pude evitar que meus olhos se aquecessem. Um exemplo assim jamais ocorrera. Senti uma solidão no coração, como se estivesse me despedindo de um irmão ou pai, ou de um mestre. A propósito, pus-me a refletir sobre por que esse sentimento misterioso surge.
Este é o ponto que desejo enfatizar: é raríssimo existir alguém com um amor tão grande e um senso de justiça tão forte quanto os do General. Além disso, embora seja militar, sua gentileza e refinamento não deixam de cativar as pessoas. Pode-se dizer que possui a dignidade de um antigo samurai, sem nenhum traço da arrogância de quem se faz de herói; é verdadeiramente igualitário e liberal. Se continuasse a enumerar suas qualidades, não teria fim. Mas qual seria a causa desses aspectos positivos? Acredito que seja, sem dúvida, a manifestação de um senso de justiça nascido da fé. Isso porque o General é um cristão fervoroso, e a palavra "Deus" nas mensagens que ele ocasionalmente divulga bem o atesta.
É uma solidão como se eu tivesse perdido algo em que me apoiar. Provém, creio eu, daquela firme convicção de justiça do General, que pisa no que é correto e não teme. É porque ele não considera apenas os interesses dos Estados Unidos, mas trata o Japão com amor pela humanidade e imparcialidade, sem o tratar como nação derrotada. Isso já se expressava bem em suas primeiras palavras ao desembarcar no Japão após o fim da guerra. Voltando agora o olhar para os políticos japoneses: embora existam entre eles pessoas consideravelmente notáveis, o que mais lhes falta é, acima de tudo, o espírito religioso, o senso de justiça e a imparcialidade.
Em especial, a imparcialidade não se vê. Há uma tendência a priorizar os interesses dos próprios partidos em detrimento dos interesses do povo. Isso se manifesta na mesquinhez de se considerar a bondade ou maldade de uma política como questão secundária e de se opor a tudo o que o partido opositor diz, sem questionar o certo ou o errado. Acredito que essa seja atualmente a maior praga no mundo político. Como forma de homenagear o legado deixado pelo General, desejo, portanto, ardentemente que, nesta ocasião, os políticos japoneses também despertem firmemente para essa realidade; e atrevo-me a apresentar esta crítica amarga.
Miscelânea sobre Arte Oriental (1)
Eikō nº 166, publicado em 23 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Até agora, quando se fala em crítica de arte, a maioria dos textos é escrita por estudiosos. São, de fato, elucidativos e profundos, mas há não poucos pontos que considero desnecessários para o público em geral.
Por isso, muitas vezes não consigo suportar ler até o fim.
Assim, escrevi este texto com a intenção de que seja interessante sob um ponto de vista geral e que, ao menos, permita adquirir um olhar básico para a apreciação. Se puder servir de referência para aqueles que desejam adentrar o mundo da arte, será uma felicidade.
Quanto à arte, começarei escrevendo sobre a situação atual do Japão e do exterior. No que se refere ao exterior, os países que hoje possuem instalações dignas de museus de arte são, sem dúvida, os Estados Unidos e a Inglaterra.
Escreverei, portanto, sobre a situação atual desses dois países. Ambos dedicam esforços à arte oriental, mas, quando se diz arte oriental, quase toda ela é arte chinesa, com a cerâmica e a porcelana como centro, seguidas pelos bronzes e pela pintura moderna, nessa ordem. Primeiramente, sobre a Inglaterra.
Os colecionadores mundialmente famosos nesse país são, provavelmente, os Srs. Eumorfopoulos e David. As coleções do Sr. Eumorfopoulos já decoram o Museu Britânico há bastante tempo, e sua quantidade era considerável. Contudo, após a Primeira Guerra Mundial, talvez por questões econômicas, infelizmente, ele se desfez de uma parte considerável.
É claro que a maior parte foi para os Estados Unidos, mas, curiosamente, uma pequena parte veio também para o Japão, e hoje pertence a um certo senhor. Assim, embora tenha diminuído um pouco, parece que ainda resta uma quantidade razoável. Quanto ao Sr. David, ouvi dizer que seu museu ainda não foi aberto.
Enquanto o Sr. Eumorfopoulos possui muitas peças antigas, desde as dinastias Tang e Song, o Sr. David parece ter mais peças modernas, a partir da dinastia Ming. O Sr. Eumorfopoulos possui uma quantidade considerável de bronzes excelentes, desde o período Zhou até as dinastias Han e Song, e também muitas pinturas, embora as das dinastias Song e Yuan sejam poucas, sendo a maioria posterior a Ming, das épocas de Kangxi e Qianlong. Quanto ao Sr. David, como seus bronzes e pinturas não aparecem em catálogos, provavelmente não são muitos. Na Inglaterra, no entanto, há pessoas que possuem coleções particulares consideráveis. Entre elas, o que achei curioso foi uma certa senhora que aprecia a cerâmica de Ninsei do Japão e possui algumas peças. É fato, portanto, que na Inglaterra não há muita arte japonesa. Em contrapartida, nos Estados Unidos, como convém a um país rico, há muitos museus de arte magníficos e uma grande variedade de peças.
Os mais famosos estão em grandes cidades como Washington, Boston, Nova York, São Francisco e Los Angeles, mas há museus de vários tamanhos em cada cidade. Entre eles, um pequeno museu particularmente notável é a Freer Gallery, um museu particular de renome mundial. Lá há bronzes esplêndidos, que já vi em catálogos. O que mais se destaca nos Estados Unidos, contudo, é o Museu de Boston, que, segundo consta, possui uma quantidade especialmente grande de arte japonesa. Afinal, na Era Meiji (1868-1912) o Sr. Okakura Tenshin tornou-se conselheiro do museu e colecionou peças de qualidade considerável; posteriormente, o Sr. Tomita Kojiro também adquiriu obras-primas da arte japonesa. Pode-se imaginar a qualidade desse acervo. Há alguns anos, vi várias fotografias de biombos do Museu de Washington. Havia muitas obras de Korin e Sotatsu. As obras de arte japonesa antiga que estão no exterior são em menor número do que eu imaginava. Apenas as gravuras, ao contrário, são consideradas superiores e mais numerosas do que as existentes no Japão. O museu particularmente famoso por suas gravuras é o Museu de Boston. Além disso, França e Alemanha também possuem algumas, mas diz-se que apenas as obras de Sharaku são abundantes na Alemanha. Sobre por que as gravuras são tão numerosas no exterior, penso o seguinte: quando os estrangeiros vieram ao Japão a partir da Era Meiji, a primeira coisa que lhes chamou a atenção foram as gravuras.
Eram baratas e fáceis de transportar, então as levaram como lembrança. Essa é a razão pela qual alcançaram a posição que têm hoje. Eu, no entanto, não gosto muito de gravuras. Desde o início, colecionei apenas pinturas a pincel, e por isso consegui adquirir peças boas e baratas. Isso porque, como as gravuras eram apreciadas pelos estrangeiros, os japoneses, que gostam de imitar, passaram a valorizá-las, negligenciando as pinturas a pincel.
Além disso, quando os estrangeiros começaram a vir, os japoneses guardavam cuidadosamente as pinturas a pincel, que não chamaram a atenção deles. Isso foi uma sorte inesperada. Em seguida, como arte peculiar ao nosso país, está certamente o artesanato em laca (maki-e). Assim como ocorreu com as pinturas ukiyo-e a pincel, não houve oportunidade de chamar a atenção dos estrangeiros, e elas acabaram não sendo vendidas.
Por isso, parece que, inesperadamente, não há muitas no exterior. A seguir, explicarei um pouco sobre o maki-e. Essa técnica, sem dúvida, foi inspirada e aperfeiçoada a partir da "pintura a ouro" (miaojin) da China antiga. No Japão, já na era Nara, produziam-se peças consideráveis. Os sutras decorados do período Heian que restam hoje, por exemplo, são magníficos exemplos de maki-e polido (togidashi maki-e), o que é surpreendente. A partir do período Heian, a técnica evoluiu gradualmente e, no período Kamakura, peças de qualidade excepcional foram produzidas, marcando uma era. Ainda hoje, muitas obras-primas da época sobrevivem, deleitando nossos olhos. Em seguida, do período Momoyama ao período Edo, houve um avanço ainda maior na técnica. Além disso, como o maki-e era o mais adequado para grandes utensílios, os grandes senhores feudais competiam para encomendar peças de qualidade. Os magníficos maki-e em relevo (taka maki-e), reluzentes em ouro, foram quase todos produzidos no auge do período Edo. Os principais tipos incluem estantes para livros, estojos para papel de carta e tinta, estojos para tinta e suporte para pincéis, estojos para incenso e utensílios para incenso.
* (David) Sir Percival David
A Cura Certa da Tuberculose
Eikō nº 216, publicado em 8 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
Em relação à tuberculose, quanto mais se aplica a terapia, pior ela se torna e, ao contrário, quanto mais se recebe o Johrei, mais ela melhora.
A seguinte história de gratidão* é uma ilustração realmente clara disso. Basta ler este único caso para que mesmo a pessoa mais cheia de dúvidas não possa deixar de se render. No entanto, ainda há quem não acredite mesmo diante disso, o que nos faz espantar com a profundidade da superstição em relação à medicina. Diante deste fato, gostaria de saber o que pensam os envolvidos na área médica, mas, sob o pretexto de que não é científico, provavelmente não darão a mínima atenção. Acredito que haja também razões científicas para isso, mas suponho que, no íntimo, sintam uma espécie de ameaça.
Quero que saibam, no entanto, que se aproxima uma época em que, por mais que queiram, não haverá mais o que fazer.
"Tive a cura de uma infiltração pulmonar (omissão do restante do texto)"
Tratado de Jikan sobre a Pintura
Eikō nº 103, publicado em 9 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
Ao observar profundamente o mundo das artes plásticas da atualidade, especialmente o da pintura, não posso deixar de suspirar.
Parece que os próprios pintores não compreendem absolutamente qual deveria ser a verdadeira forma da pintura. É claro que há vários pontos que gostaria de mencionar, mas, dentre eles, escreverei aqui sobre um assunto que, embora seja o mais importante, é surpreendentemente negligenciado.
Primeiramente, trata-se da missão própria da pintura. A pintura, em sua essência, não serve apenas para o entretenimento do próprio pintor. Se fosse apenas para isso, não haveria diferença alguma em relação a uma criança brincando com um brinquedo. Pode-se dizer, portanto, que um pintor assim é uma existência inútil, não passando de um parasita. Consequentemente, todo pintor deve ter plena consciência de para que nasceu e do que deve fazer. Sobre isso, penso da seguinte forma: primeiramente, qual é o significado da existência do pintor?
É alegrar os olhos do maior número possível de pessoas e, ao mesmo tempo, elevar a alma do observador por meio dos olhos. Elevar o coração a algo mais elevado, melhor e mais belo — essa é a verdadeira arte da pintura. De fato, a expressão da individualidade, a liberdade do impulso criativo e a escolha do tema são importantes, mas, se ultrapassarem essa linha, não terão significado algum. No entanto, ao observar as pinturas recentes, vejo nelas um desvio que não se pode mais tolerar em silêncio. São coisas deveras grotescas ao extremo, a ponto de pessoas sensatas franzirem as sobrancelhas; mesmo olhando com olhos benevolentes, não se encontra beleza alguma — são a própria feiúra — e, mais do que causar desconforto, chegam a despertar indignação.
A intenção daqueles que pintam tais quadros com entusiasmo é, mais do que expressar a individualidade, impor sua visão subjetiva. Ainda que expostas, tais pinturas, longe de elevar a alma do observador, produzem o efeito contrário. Cada vez que vejo tais quadros, sinto-me encolher diante do desperdício da tela e das tintas.
Não creio que isso aconteça apenas comigo. É claro que tais obras não podem ser vendidas, e ouço frequentemente que os próprios pintores são afligidos pela pobreza econômica. Nesse caso, considerando que não contribuem em nada para o mundo e ainda sofrem por si mesmos — um total negativo —, seria de esperar que percebessem algo, mas parece que não pensam nisso nem um pouco. Se é assim, só posso considerá-los uma espécie de doente mental. Para que vivem esses pintores? Provavelmente nem eles mesmos sabem. É verdadeiramente uma existência vazia e digna de pena. Se não despertarem e não se colocarem nos trilhos agora, ninguém mais os procurará, e restará apenas o caminho da ruína.
O que foi dito acima diz respeito à pintura ocidental, e parece uma opinião comum, pois ouço frequentemente críticas a esse respeito. No entanto, quero dizer algo de que ninguém parece ter se dado conta: a verdadeira vida da pintura reside, em essência, na dignidade e na elevação. Ora, a pintura oriental contém isso em grande medida, mas, quanto à pintura ocidental, pode-se dizer que ela é não apenas escassa, mas quase inexistente. É verdade que a pintura ocidental tem um caráter popular e, se sua natureza é inseparável da vida das massas, não há como evitar. No entanto, a pintura ocidental deveria ter um sabor próprio e peculiar. Nas pinturas recentes, contudo, já não se trata de saber se o nível é alto ou baixo: a vida da beleza se perdeu há muito tempo, e elas não passam de cascas vazias. A sensação que se tem dessas pinturas é a própria feiúra, e pode-se dizer que não são nada além de desconforto, aversão, raiva e decepção. Por mais que se pense, essa espécie de pintor é um tipo de degenerado mental. Por isso, cada vez que vejo uma exposição desse tipo, penso que, se fosse uma exposição de pacientes de um hospital psiquiátrico, seria exatamente assim. Em seguida, quero dizer algo também a respeito da pintura japonesa.
Pode-se dizer que a recente perda de dignidade também a atinge; mas, desde a origem, a característica da pintura oriental é a dignidade. Sempre que admiro as famosas pinturas da China e do Japão, impressiona-me sua elevação e, naturalmente, curvo a cabeça. Diante dessa essência da pintura oriental, os pintores japoneses de hoje se mostram quase indiferentes. Ela é preservada apenas por poucos mestres idosos; quanto aos jovens pintores, há até forte tendência a seguir a pintura ocidental. Deve-se dizer que é verdadeiramente perigoso. Quanto a esse ponto, penso que é preciso fazê-los despertar agora, e não posso deixar de me preocupar com o futuro.
Aqui, gostaria de falar sobre o verdadeiro significado do que se chama arte, não me limitando à pintura japonesa ou ocidental, mas abrangendo todas as artes. Não é preciso dizer que isso significa, é claro, aprofundar a inteligência humana e, através dos olhos, transmitir a alma do autor ao observador, guiando-a para um estado elevado.
Se servir apenas para alegrar os olhos, equivale a um circo ou a uma stripper; não é arte. É claro que isso também se pode dizer dos artistas plásticos, dos literatos, dos músicos, do teatro, da dança e de outros artistas.
Por meio da arte, deve-se apelar ao coração das massas, extraindo, ainda que um pouco, a natureza animal inerente ao ser humano, enriquecendo a natureza cultural. Se não há outra razão de ser para a arte além desta, então, acima de tudo, está a sua objetividade. Quanto mais objetividade, maior o valor artístico. Por mais que se ache maravilhoso apenas para si mesmo, se não tiver validade para o mundo, não passa de papel-moeda inconversível. A chamada expressão da individualidade deles não é algo ruim, mas, por si só, constitui uma espécie de fascismo que impõe uma visão subjetiva. De todo modo, a arte deve ser algo que se desfruta junto com as massas. Observem bem as obras dos chamados grandes mestres do passado.
Quão amplo é o alcance de sua arte! Como encantam e fascinam tanto os conhecedores quanto as massas! Sua técnica divina, ainda hoje, salta aos olhos vividamente.
O próximo ponto a abordar é a literatura japonesa atual. Falando sem rodeios, seu nível é excessivamente baixo. Os escritores se dedicam a agradar as massas, montam na onda da moda vulgar e, se são aclamados como escritores populares, já se dão por satisfeitos. Não há ideal algum. Basta que dê lucro quando transformado em filme, e isso transparece claramente nas obras. Durante a leitura ou ao assistir, diz-se apenas que foi interessante, mas nada fica. É como um alimento que tem apenas sabor, mas nenhum nutriente. É um espetáculo que satisfaz o interesse momentâneo. Não sou o único a me preocupar que uma arte tão extremamente vulgar não esteja rebaixando o caráter das massas e até se tornando um foco de crimes. Dito isso, de vez em quando há obras que expõem defeitos da sociedade, levantam problemas ou expressam a convicção do autor; mas as japonesas são muito superficiais e mesquinhas. Não se encontra nada que realmente abale a alma do leitor. A razão, penso eu, é que falta, acima de tudo, sentimento religioso na classe dos literatos japoneses. Por outro lado, vejam as obras de grandes escritores como Shakespeare, Tolstói, Hugo, Ibsen e Bernard Shaw.
De fato, tanto pela magnitude da escala quanto pela crítica aguçada da civilização, pelo pensamento revolucionário e pelo senso de justiça religiosa que transparece, essas obras se aproximam da alma do leitor. Conquistam a alma das massas não apenas em sua época, mas até os dias de hoje. Esse poder, o que mais poderia ser senão a elevação da arte?
O que escrevi acima foi ao sabor das ideias que me vieram à mente. Se esta minha teoria for aceita, ainda que em parte, pelos senhores artistas, ficarei satisfeito.
Era da Superstição
Eikō nº 221, publicado em 12 de agosto do ano 28 da Era Showa (1953)
Se dissermos que vivemos na era da superstição, os intelectuais farão cara de estranheza.
Muitos pensarão que a Igreja Messiânica, religião recém-surgida, está usando títulos hábeis como "Salvando os Estados Unidos", "Terapia pela Fé na Tuberculose" e "Livro Explicativo do Método da Agricultura Natural" para estimular o desejo de leitura do público em geral e que, ao mesmo tempo em que faz propaganda, tenta vender muito — considerando isso uma estratégia bastante astuta. Ouvimos boatos dispersos a esse respeito. No entanto, quem ler esses escritos do início ao fim perceberá que estava completamente enganado. Mas, como são teorias tão audaciosas, a princípio se fica confuso, sem saber o que é o quê. Se pensarmos com calma, contudo, não há nenhum ponto que fuja à Lógica; além disso, há até evidências práticas que as comprovam, de modo que não se pode deixar de concordar, pensando "de fato".
Por essa razão, a rigor, os estudiosos da medicina e da agricultura certamente pensariam em refutar e interpelar de alguma forma, e eu também espero por isso. Mas, até hoje, não se vê nenhum sinal disso; embora não seja despeito meu, sinto um certo desânimo. No início, temia que isso pudesse se tornar um problema; mas parece que não há essa possibilidade. Sinceramente, se isso se tornasse um problema, seria ótimo. Pois, se assim fosse, os escritos certamente venderiam muito; quanto mais vendessem, mais leitores teriam e, portanto, mais pessoas seriam salvas. Os escritos publicados até agora tratam de saúde e alimentação, porque esses dois aspectos são os mais importantes na vida humana. Se esses dois grandes problemas forem resolvidos, o restante são apenas questões derivadas, que naturalmente se resolverão, é claro. Além do exposto, pretendo publicar escritos sobre vários outros problemas no futuro; mas, deixando isso de lado, gostaria de discutir aqui esses dois grandes problemas.
Primeiramente, se fizermos uma crítica justa da era atual, creio que podemos dizer que ela é uma terrível era de superstição. Uma delas é, sem dúvida, a medicina — mas uma superstição tão grande como esta nunca existiu desde o início do mundo. Ou seja, seja o anúncio de novas teorias, novas drogas, a cirurgia ou outros tratamentos por agentes físicos, tudo não passa de superstição. Isso é natural, pois, afinal, a causa fundamental da doença não é conhecida; trata-se de uma busca totalmente às cegas, do início ao fim. No entanto, as pessoas têm a ilusão de que isso é progresso, o que é realmente lamentável. É natural, portanto, que as doenças não se curem. Em outras palavras, o tratamento médico apenas parece curar, mas na realidade não cura nada. As pessoas simplesmente não percebem isso. Preocupam-se apenas com os sintomas e tentam curar somente os sintomas, sem compreender a raiz que deveria gerá-los.
É como quando as folhas de uma árvore murcham: há uma anormalidade na raiz. Não se compreende isso porque a raiz está escondida sob a terra e não é visível; pensando que ela não existe, as pessoas se dedicam apenas ao estudo das folhas. Essa ignorância é digna de pena e não passa de superstição — não é verdade?
O Japão é o País da Madeira
Eikō nº 203, publicado em 8 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
Como isso não é muito conhecido das pessoas, escreverei de forma geral. O fato é que o Japão é, por si só, o país do espírito, e os países estrangeiros, o país do corpo. Sobre isso, apresentarei vários pontos que observei. O primeiro é a arquitetura. No Japão, há muitas construções de madeira; no exterior, predominam a pedra natural e o cimento, que se pode chamar de pedra artificial, chegando até a existir pedras imitadas.
O mesmo se dá com os instrumentos musicais. O koto, o shamisen, a flauta etc. têm a madeira e o bambu como elementos principais, enquanto no exterior predominam os metais. Quanto à voz, a dos japoneses se assemelha ao canto dos pássaros, e a dos estrangeiros, ao som dos animais. Isso também se reflete no fato de os japoneses dormirem e viverem sobre tatames feitos de grama, enquanto os estrangeiros estendem pedra, cimento e tapetes de pelo de animais sobre o chão. Dessa forma, o Japão é o país do espírito (ki), pois o espírito (ki) é o espírito (rei), enquanto o exterior é o corpo (mi), o corpo físico (tai).
Além disso, o espírito (ki) é o fogo, é o yang; portanto, é o princípio masculino. Em contrapartida, o corpo (tai) é a água, é o yin; portanto, é o princípio feminino. Por esse significado, desde os tempos antigos, no Japão os homens são mais dominadores e as mulheres, mais dóceis. Além disso, por mais estranho que pareça, o fato de a alimentação básica dos japoneses ser o arroz, cujo formato é o dos órgãos genitais masculinos, e a dos estrangeiros ser o trigo, cujo formato é o dos órgãos genitais femininos, também se compreende por isso.
Ainda há muitos outros exemplos, mas somente com estes já se pode entender aproximadamente.
À medida que isto se torna a era de Miroku, no entanto, ambos os lados se aproximam e, unindo a urdidura e a trama, tornam-se Izunome. Compreendendo isso, ao observar o mundo atual com esse olhar, tudo se torna evidente. Isso se manifesta no fato de o Japão estar adotando ativamente a cultura material americana e de os Estados Unidos, por sua vez, terem começado recentemente a adotar amplamente a cultura japonesa. Ou seja, é a fusão das culturas oriental e ocidental. Desse ponto de vista, embora os seres humanos não percebam, pode-se compreender que o Plano Divino de Deus avança passo a passo.
Prefácio — Criação da Civilização
Eikō nº 170, publicado em 20 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Esta obra é uma grande escritura sagrada, como nunca houve desde o início da história. Em suma, pode-se dizer que é o projeto do mundo da nova civilização, o evangelho do Paraíso e, ainda, a Bíblia do século XX. Isto é, a civilização atual não é a verdadeira civilização; é uma civilização provisória até que a nova civilização nasça.
O "fim do mundo" mencionado na Bíblia refere-se ao fim deste mundo de civilização provisória. A profecia de que "o evangelho do Paraíso será pregado em todo o mundo, e então virá o fim" também deve se referir a esta obra. E, assim como a Bíblia compila os ensinamentos de Cristo, esta obra é a revelação direta de Jeová, o Pai Celestial, de quem Cristo tantas vezes falou.
Cristo também disse o seguinte: "O Reino dos Céus está próximo; arrependei-vos." Mas o próprio Cristo não disse que construiria o Paraíso. Eu, por minha vez, não digo que o Reino dos Céus está próximo.
Digo que o Paraíso já chegou. Estou, neste momento, empenhado nos preparativos fundamentais para o Paraíso e, embora ainda em pequena escala, venho manifestando diariamente forças e milagres surpreendentes, que deixam as pessoas maravilhadas.
À medida que esse Plano Divino em forma de modelo se desenvolve gradualmente, abre-se, por outro lado, em escala mundial, o pano para o acerto de contas da velha civilização. Esse é o início do Juízo Final, cujo eixo é a separação entre o bem e o mal — ou seja, entra-se na fase em que o mal perece e o bem prospera.
É incalculável quantas vítimas surgirão por causa disso. Mas o grande amor de Deus, para reduzi-las ao mínimo, faz deste primeiro grito de salvação a razão de ser desta publicação. Dito isso, mesmo no mundo da velha civilização Deus separará o bem do mal e o certo do errado: os que são bons e úteis serão preservados, e os que são maus e sem esperança acabarão por perecer eternamente.
Como exposto acima, uma vez concluído o Juízo Final, é natural que se siga a ordem do projeto do novo mundo. Mas a reconstrução de toda a cultura nesse período de transição será algo sem precedentes e sem paralelo — desnecessário dizer que isso corrige os erros da velha civilização e, ao mesmo tempo, indica as diretrizes para a nova. Há, porém, algo lamentável nisso: refere-se às impurezas e aos pecados que a humanidade acumulou ao longo de milhares de anos, e é natural que se siga esse grande processo de purificação.
Passarei a explicar isso em detalhes. Felizmente, aqueles que lerem esta obra terão a corda da salvação diante dos olhos — que a agarrem, portanto, sem qualquer hesitação. Em nome de Deus, advirto a humanidade com antecedência e a exorto ao arrependimento. O que mais poderia ser isso senão o grande amor de Deus? Uma vez que se tome conhecimento disso, deve-se, sem demora, não apenas mudar o pensamento, mas também preparar o coração.
Ao final do Julgamento, é certo que os pecadores profundos perecerão e os de pecados leves serão salvos. Assim, os que nisso creem obterão a vida eterna e, ao mesmo tempo, permanecerão no futuro como habitantes do Paraíso Terrestre. Que, por meio desta obra, se compreenda plenamente a profundidade do Plano Divino de Deus Supremo e a imensidão de sua escala, bem como o quão bárbaro e rudimentar foi, até hoje, o padrão da civilização — chegando-se, assim, a uma convicção firme.
A medicina começou a adotar minha teoria?
Eikō nº 224, publicado em 2 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
No jornal Jiji Shinpo de 9 de junho passado, havia um artigo relatando as palavras do Professor Kei Nishida, da Faculdade de Medicina da Universidade Keio, que defendia exatamente a mesma teoria que venho pregando sobre os nutrientes.
Fiquei verdadeiramente feliz com isso. No que se refere aos medicamentos, embora ainda houvesse muitos pontos insatisfatórios, percebi que, diferentemente das teorias anteriores, ela se aproximava consideravelmente da minha. Se a medicina, ainda que aos poucos, vier a compreender e a concordar comigo dessa forma, considero isso uma felicidade além das minhas expectativas. Acrescento estas palavras e, em seguida, transcrevo o artigo na íntegra.
Cuidado com o diagnóstico amador de novos medicamentos hormonais, que podem perder o efeito no momento crucial
— Atualmente, ao folhear jornais e revistas, o que mais chama a atenção, mesmo para quem não está doente, são os anúncios de medicamentos.
No entanto, é perigoso aplicar em casa, com base no chamado “diagnóstico amador”, os efeitos proclamados nesses anúncios a supostas indicações, usando esses remédios de forma simplificada. No caso de antibióticos como penicilina, estreptomicina e aureomicina, e de outros novos medicamentos, o uso inadequado pode levar as bactérias patogênicas a adquirir resistência, fazendo o remédio perder o efeito no momento crucial ou causando resultados inesperados. O corpo humano possui, além disso, uma capacidade de adaptação: se uma pessoa continua tomando um determinado tipo de vitamina por um longo período, e esta é fornecida constantemente em forma pura, o esforço do corpo para digerir e absorver os nutrientes dos alimentos torna-se desnecessário, levando ao enfraquecimento gradual da função dos órgãos.
O mesmo se pode dizer dos hormônios. O uso indiscriminado de hormônios enfraquece cada vez mais a capacidade de secreção interna do corpo; e é fácil imaginar, mesmo sem argumentos acadêmicos, que, passado o efeito do medicamento, o resultado pode ser pior do que antes. Isso se aplica a qualquer medicamento: deve-se usá-lo sob orientação médica quando surgirem sintomas claros de deficiência e interrompê-lo assim que a cura for alcançada. Para fins de prevenção, o mais adequado é não depender de medicamentos, mas estimular o trabalho dos próprios órgãos para promover a digestão, a absorção ou a secreção, começando pela atenção à alimentação.
Muitas pessoas ainda parecem pensar que, quando se trata de medicamentos, basta suprimir os sintomas visíveis — antitérmicos para a febre, analgésicos para a dor de cabeça — para estar curado. Isso é um erro. Por natureza, quando ocorre uma anormalidade em alguma parte do corpo, este luta contra ela manifestando febre, dor ou outras formas, e cada sintoma tem uma razão de ser. Suprimir cegamente esses sintomas, sem verificar a causa, pode, ao contrário, agravar o quadro da doença — o que é natural. A menos que a causa seja absolutamente desconhecida ou que seja necessário agir antes de investigá-la para evitar febre alta ou dores que ponham a vida em risco, o mais adequado é que o medicamento seja sempre direcionado à causa. Para tanto, o ideal é seguir primeiro as orientações do médico e esforçar-se para agir sem cometer erros.
Sou um Cientista Religioso
Eikō nº 255, publicado em 7 de abril do ano 29 da Era Showa (1954)
Pode parecer estranho que eu, um religioso, me autointitule cientista; mas quem ler isto até o fim certamente pensará: “De fato, é assim.”
Isso porque, como sempre digo, a ciência moderna ainda está muito atrasada e não chegou a merecer o nome de ciência. Vou explicar isso em detalhes. Primeiramente, o foco principal da ciência atual é, sem dúvida, a descoberta e a investigação das partículas, o que se deve, obviamente, ao avanço dos microscópios. Como resultado, o progresso na compreensão das partículas minúsculas é surpreendente, avançando sem parar na escala dos milésimos, décimos de milésimos e milionésimos, capturando até o extremo do infinitesimal — e atualmente estamos prestes a adentrar o mundo infinito.
A palavra “essência” (sei), recentemente proposta, provavelmente se refere a esse mundo infinito. É claro que a compreensão desse mundo infinito não se deu por operações científicas, mas por uma hipótese deduzida da investigação das teorias científicas — pois, sem ela, chegar-se-ia a um beco sem saída. Mas é exatamente esse o mundo espiritual que defendo. A ciência, portanto, chegou finalmente a este ponto; e, para ser honesto, a mesma ciência que por muito tempo negou o espírito acabou derrotada.
Dito isso, se essa “essência” é o espírito e a energia vital (ki), e se for possível capturá-la com certeza, a ciência dará um salto para uma posição elevada e, ao mesmo tempo, um passo à frente no ideal de busca da verdade.
Ao fazer isso, porém, como a ciência passará a ter o espírito como objeto, a forma de pensar que até agora tinha a matéria como objeto tornar-se-á uma ciência preliminar, e a ciência do espírito surgirá no palco mundial como ciência posterior. Assim, a ciência sofrerá uma reviravolta de cento e oitenta graus e não poderá deixar de se unir à religião.
Para explicar de modo mais claro: traça-se uma linha no centro do mundo da ciência — abaixo dela fica a ciência da matéria; acima, a ciência do espírito. Essa é a visão vertical. Pela visão horizontal, a primeira é a aparência externa; a segunda, o conteúdo interno. Em outras palavras, a ciência do ser ascendeu à ciência do não-ser, o que é realmente digno de louvor.
Há, no entanto, um problema difícil: apenas capturar o mundo espiritual não adianta — é imprescindível compreender sua essência e torná-la útil à humanidade. A ciência da matéria não tem meios para isso; para lidar com o espírito, não há outro caminho senão usar o próprio espírito. Do meu ponto de vista, contudo, posso superar essa dificuldade sem esforço. Na verdade, já a superei — é um fato que estou pondo em prática agora, com resultados surpreendentes.
Isto é, estou resolvendo os problemas do espírito com o próprio espírito. Desnecessário dizer que o tratamento de doenças é um exemplo disso. Em resumo: como todas as causas de doença são impurezas acumuladas no espírito do paciente, eliminadas elas, a cura é certa.
Isso decorre da lei segundo a qual “o espírito é o senhor, e o corpo, o servo”. Como método, irradia-se um espírito especial — que se pode chamar de bomba atômica espiritual — para queimar completamente as impurezas. Esse método é a operação científica de alto nível chamada Johrei. E não se limita à medicina: por resolver até mesmo o que todas as ciências e religiões consideravam impossível, o que mais seria isso senão uma superciência?
Explico isso também por outro ângulo. Como todos sabem, a teoria estabelecida na medicina é que todas as causas de doença são os micróbios. A descoberta deles foi um marco, e a medicina moderna alcançou um progresso revolucionário. Mas isso é apenas um avanço da ciência da matéria — um progresso parcial. Matar os micróbios não toca a raiz do problema; do meu ponto de vista, é como tirar água com uma peneira.
Isso porque os micróbios são o resultado — eles próprios se desenvolvem a partir de larvas, e essas larvas são os chamados vírus. Recentemente, ouvi dizer que os estudiosos debatem se os vírus são substâncias inorgânicas ou orgânicas, o que é realmente ridículo: são partículas intermediárias em transição do inorgânico para o orgânico, não podendo ser classificados como uma coisa nem outra. O essencial, portanto, é o local de origem dessa substância inorgânica, que é o mundo espiritual. Se isso for compreendido, não haverá mais necessidade de microscópios. Como exposto acima, a ciência da matéria é, até hoje, uma ciência inferior; é natural que seja impossível resolver com ciência tão inferior os problemas da vida humana, que é elevada — isso seria uma inversão de papéis.
Como prova, é evidente que doenças incuráveis pela medicina são facilmente curadas por meio do Johrei. Em outras palavras, pode-se dizer que a ciência do espírito é o santuário interior da ciência da matéria. Aqui, vou aprofundar-me exaustivamente no que é o mundo espiritual. Em primeiro lugar, a essência do mundo espiritual é composta pelos três elementos: Sol, Lua e Terra.
São o oxigênio, o hidrogênio e o nitrogênio da ciência, e a combinação do Elemento Fogo, Elemento Água e Elemento Terra, como dizemos em nossa escola. Desses três elementos primordiais, a Terra é a substância básica da matéria; o Sol, a essência do espírito; e a Lua, a essência do ar. A atmosfera é controlada por esses dois, Sol e Lua, e preenche o espaço terrestre. No entanto, embora o Elemento Fogo seja o mais poderoso, por ser rarefeito, a ciência da matéria não conseguiu capturá-lo.
Por isso, até hoje se conhecem o calor e a luz, mas a essência como energia (sei) era desconhecida. Consequentemente, a ciência tinha apenas o Elemento Água e o Elemento Terra como objetos de estudo, resultando na atual cultura da água e da terra — o que tem sido uma grande falha da civilização.
Preciso agora escrever sobre uma grande e surpreendente mudança mundial. Como dito, o mundo é composto pelos três elementos primordiais: Sol, Lua e Terra. A alternância do Sol e da Lua cria o dia e a noite, mas isso é um fenômeno visto pelo lado material; existe também, separadamente, o dia e a noite no aspecto espiritual. A ciência da matéria, é claro, não tem como compreender isso; a ciência do espírito, porém, o compreende bem.
Então, o que é essa mudança? É uma grande e surpreendente transformação mundial, algo que a humanidade jamais sonhou e que está prestes a começar agora — uma mudança histórica que expande o dia e a noite. Para compreendê-la, não há outro meio senão uma consideração temporal: no mundo espiritual, a alternância de dia e noite dura dez, cem, mil ou dez mil anos. Assim como a substância real da Terra é composta pelos três elementos primordiais — fogo, água e terra —, tudo no universo tem o número três como base; esta é a lei de ferro do universo. Mesmo o dia e a noite seguem ciclos de três anos, trinta anos, trezentos anos, três mil anos. É claro que, conforme a natureza e o porte (grande, médio, pequeno) da matéria, há alguma diferença de velocidade na transposição do espírito para a matéria, mas a essência flui com precisão.
Surpreendentemente, o período de transição de três mil anos é o presente, e agora estamos em seu alvorecer. Já escrevi sobre isso antes, mas até a data e a hora estão claras: é o dia 15 de junho de 1931. A partir desse momento, o mundo tornou-se dia. Até certo período, porém, trata-se de uma mudança no mundo espiritual, que gradualmente se transpõe para o mundo material e que, eventualmente, se tornará compreensível de forma concreta. Gostaria de explicar mais profundamente, mas isso se tornaria religioso, de modo que omito aqui — basta acreditar que o acima exposto é absoluto.
O fato de o mundo espiritual se tornar dia significa um aumento do Elemento Fogo, que, ainda que lentamente, também se transpõe para o mundo material.
Isso significa que o mundo anterior, onde a água era o senhor e o fogo, o servo, inverter-se-á, passando o fogo a ser o senhor e a água, o servo. A ciência da matéria não compreende isso, mas aqueles com percepção espiritual podem compreendê-lo plenamente. Com isso, todos os problemas que até agora não tinham solução serão claramente resolvidos. Pelo exposto, faço a ciência atual, que é inferior, dar um salto, elevando-a a uma ciência superior, e crio uma verdadeira civilização.
A Palavra Purificação
Eikō nº 157, publicado em 21 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Nossa Igreja denomina a doença de "purificação", e penso que não existe palavra tão boa quanto esta.
Isso não é mentira, mas verdade. Em primeiro lugar, a sensação que essa palavra transmite é extremamente agradável; em contrapartida, não há palavra tão desagradável quanto "doença" ou "enfermidade". No entanto, pensando bem, creio que essa outra palavra também não esteja de todo errada. Isso porque, como as pessoas ignoram que a doença é algo benéfico, preocupam-se desnecessariamente — ou seja, é provável que adoeçam a mente, isto é, que se preocupem. A esse respeito, quando ouço os fiéis conversando entre si, expressões como "Graças a Deus, finalmente ocorreu a purificação", "Graças à purificação, ultimamente minha condição física melhorou bastante" ou "A purificação é realmente algo pelo qual devemos ser gratos" são, de fato, palavras muito agradáveis.
Outro ponto é o nome "hospital".
Também considero esse nome extremamente ruim, mas, falando com base na realidade, acho que não está de todo errado. Por quê? Porque, provavelmente, é um lugar onde as pessoas permanecem doentes, sem se curar. Se nós, por nossa vez, construíssemos algo semelhante e lhe déssemos um nome, "casa de purificação" (jo-in) seria o mais adequado. No entanto, quando os seres humanos deixarem de usar medicamentos, restarão apenas doenças leves, que se curam facilmente em casa, de modo que não haverá mais necessidade de construir tais lugares.
Observando a Exposição (Parte 1)
Eikō nº 150, publicado em 2 de abril do ano 27 da Era Showa (1952)
Recentemente, fui ao Mitsukoshi visitar a exposição citada no título deste artigo, que se tornou muito comentada, e aqui escreverei as impressões que tive.
Como se trata, afinal, de objetos das eras Asuka, Hakuhô e Tenpyô, de mil e duzentos a mil e trezentos anos atrás, só podemos nos admirar e nos surpreender com o fato de que, naquela época, já fossem capazes de criar obras tão magníficas. Sempre que vejo coisas assim, penso que a arte parece, de fato, estar fora do âmbito do progresso. É verdade que outras coisas, com o avanço da cultura, passaram por transformações notáveis; mas, no que diz respeito à arte, ocorre o contrário: pode-se dizer que quase não há progresso. As obras de hoje também têm, sem dúvida, um certo frescor; mas, para ser honesto, a opinião geral no mundo é que são decididamente inferiores às obras antigas.
Originalmente, a arte japonesa começou com a arte budista, e as primeiras obras foram criadas por volta da era Suiko, há mais de mil e trezentos anos. Acredita-se que, no início, fossem imitações das imagens de Buda da China; mas a arte budista chinesa atingiu o auge na era Wei do Norte, há cerca de mil e quinhentos anos, quando também se produziram muitas obras de excelente qualidade — são os chamados "Budas das Seis Dinastias". Posteriormente, na era Tang, elas foram gradualmente introduzidas em nosso país juntamente com outras culturas e, justamente nessa época, por ser o período de florescimento do budismo, nasceu a arte budista peculiar ao Japão. Aliada, além disso, à grande virtude do incomparável grande homem, o Príncipe Shôtoku, e ao seu talento inato para a beleza, essa arte fez desabrochar a esplêndida flor da cultura budista.
A arquitetura do Templo Hôryûji e as obras de arte a ele associadas são exemplos disso; posteriormente, houve a construção do Templo Tôdaiji e do Grande Buda, que ainda hoje brilham intensamente na história da cultura antiga de nosso país. A partir daí, na ordem Asuka, Hakuhô, Tenpyô, Kônin, Fujiwara e Kamakura, a arte se desenvolveu gradualmente; mas, ao observar qualquer uma dessas obras, penso que são superiores às da China, país de origem. E as primeiras obras criadas aprendendo com a China são os Budas de bronze dourado da era Suiko, que também são melhores que os Budas das Seis Dinastias.
Depois, a arte progrediu para a laca seca e, em seguida, para a escultura em madeira. Na exposição do Mitsukoshi desta vez, a maioria das obras era de laca seca daquela época. Antes de visitá-la, pensava que, por serem tesouros de templos, as principais obras seriam imagens de Buda, como Kannon, Amida, Shaka, Yakushi e Miroku; para minha surpresa, porém, quase não havia essas imagens de Buda. No entanto, o famoso "Ashura" era realmente impressionante.
Pelo nome "Ashura", eu imaginava uma figura demoníaca e assustadora; inesperadamente, porém, era a figura de uma donzela de dezessete ou dezoito anos, o que me surpreendeu duplamente. Pensando bem, deve ser uma representação simbólica de Ashura, que se arrependeu e se tornou Buda. Além disso, os Oito Grandes Budas, especialmente o tengu corvo e várias figuras de crianças, eram obras de laca seca de considerável renome. Essas eram as principais; as demais não pareciam ter grande valor digno de nota. Talvez por este templo também ter uma relação profunda com o clã Fujiwara, havia muitas armaduras, capacetes e espadas, o que não me pareceu muito próprio de um templo; mas o que não se pode ignorar é uma caixa de laca com desenho em relevo, com padrão de flores e plantas sobre fundo de casca de pêra.
Tanto o acabamento quanto o estilo da época eram realmente muito bons.
Deixando de lado a exposição, escreverei um pouco sobre a escultura budista de nosso país.
Quanto aos Budas de bronze dourado, acho natural que as obras criadas no início, nas eras Suiko e Hakuhô, sejam as mais excelentes e valorizadas como "Budas Suiko". Essas obras têm um sabor diferente das chinesas, e a alta qualidade espiritual é provavelmente peculiar ao Japão. Mesmo por isso, não seria exagero dizer que o senso estético dos japoneses é, de fato, o melhor do mundo. Recentemente, isso vem sendo reconhecido também no exterior, segundo ouvi de um conhecido ligado às artes que voltou de uma viagem ao Ocidente — e isso me deu ânimo.
Em seguida, quanto à escultura em madeira, há obras magníficas do período Tenpyô e arredores. A famosa "Kannon de Kudara" do Templo Hôryûji é uma obra daquela época e, como já tem reputação consolidada, não há necessidade de mencioná-la agora. Depois, nas eras Kônin e Fujiwara, também foram criadas obras consideravelmente boas; mas, sem dúvida, o período Kamakura é o auge. Ao entrar nessa era, a escultura em madeira atingiu um florescimento extraordinário, com o surgimento de inúmeros artistas famosos e mestres, a começar por Unkei, e a produção de obras em grande quantidade, que ainda hoje podem ser vistas em toda parte.
Depois disso, a partir do período Ashikaga, quase não se produziram mais obras dignas de nota. Apenas no período Tokugawa houve considerável imitação da escultura Kamakura. E, após a Era Meiji (1868-1912), parece que não surgiram pessoas que pudessem ser consideradas famosas; no entanto, uma pessoa ainda viva, o Sr. Satō Gengen — que se chamou primeiro Asayama, depois Seizō — é um artista raro nos tempos antigos e modernos, e eu aprecio suas obras.
Algumas de suas peças serão expostas no Museu de Arte de Hakone, e quem as vir entenderá. E o que sempre penso é que, deixando de lado outras coisas, na escultura em madeira pode-se dizer que o Japão é o melhor do mundo.
É impressionante como, especialmente na escultura de imagens de Buda, obras magníficas foram criadas em tempos tão remotos.
Ao pensar nisso, tenho o desejo de, um dia, selecionar apenas as obras excelentes, reuni-las em um só local e mostrá-las a pessoas do mundo inteiro. Se assim fizesse, tornar-se-ia mundialmente conhecido o quanto a cultura japonesa tem sido superior desde os tempos antigos. Por essa razão, pretendo, um dia, realizar uma grande exposição de arte budista por minha conta. Quem a visse descobriria que, desde os tempos antigos, existiram vários Rodin no Japão.
O Modo de Pensar da Medicina
Eikō nº 123, publicado em 26 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Vou expor o erro fundamental da medicina moderna, que reside na superficialidade de seu pensamento.
Apresentarei aqui dois ou três exemplos. Quando há deficiência de vitaminas, por exemplo, a abordagem é supri-las. No entanto, o fato de haver deficiência de vitaminas significa, em princípio, que há um mau funcionamento na capacidade interna do corpo de produzi-las; bastaria, portanto, eliminar esse mau funcionamento. Mas, infelizmente, a medicina não consegue descobrir essa falha e se vê obrigada a administrar vitaminas pela boca. E o curioso é que os seres humanos de épocas que nem sequer conheciam as vitaminas pareciam muito mais saudáveis do que os homens modernos.
Outro exemplo, como sempre digo, é a diarreia. Ela é uma ação de excreção de impurezas; portanto, uma limpeza do interior do abdômen, extremamente benéfica para a saúde. No entanto, a medicina a interrompe, impedindo a eliminação. Dificilmente haveria erro tão grande quanto esse. O mais ridículo é que, em relação à diarreia, costuma-se dizer que "o estômago estragou". Do nosso ponto de vista, não há tolice maior: sempre digo, rindo alto, que o intestino humano não é feito de louça ou vidro; portanto, não há como "estragar".
Da mesma forma, a medicina tenta interromper a excreção de impurezas como tosse, catarro, secreção nasal, suor etc. Se surge febre, resfriam com gelo; se o apêndice dói, cortam-no e o removem. A dor no apêndice tem uma causa; bastaria removê-la, mas, como não conseguem, cortam-no. A justificativa é pobre: dizem que o apêndice é um órgão desnecessário no corpo humano e que é mais seguro não tê-lo. Fico estupefato. O Deus que criou o ser humano deve estar boquiaberto e rindo amargamente. O mesmo ocorre com os rins: quando estão ruins, são extirpados.
Vendo isso, pode-se dizer que a maneira de pensar sobre as doenças é surpreendentemente simplória e violenta. E isso, ao que parece, é o progresso da medicina. Não é muito diferente de, em vez de corrigir uma pessoa má, jogá-la fora por ser um estorvo. Não será esta uma forma verdadeiramente inculta? Certa vez, escrevi em um artigo que a terapia da medicina moderna é extremamente bárbara. Fui imediatamente chamado à polícia, severamente repreendido e, por fim, multado. Pensei, então, que não apenas a medicina é bárbara, mas também a administração judicial o é.
Para explicar com mais clareza: resfriar o corpo quando surge febre equivale a bater em uma pessoa irritada para acalmá-la à força. Interromper o catarro, a secreção nasal, o suor e a diarreia é o mesmo que pregar a tampa de uma lixeira, impedindo que a limpeza seja feita. No entanto, o público em geral, venerando esse procedimento como medicina avançada, confia-lhe a própria vida — o que me deixa boquiaberto. Como expus acima, critiquei a medicina moderna sem reservas. Acredito que, ao ler isto, as pessoas compreenderão um pouco. É antes lamentável que seja necessário falar com tanta dureza.
Por fim, apresento minha conclusão. Em suma, o pensamento médico até hoje se concentrou apenas em suprimir os resultados que aparecem na superfície, estudando somente essa camada, sem perceber a necessidade de cavar um pouco mais fundo. Em consequência, sem conseguir captar a verdadeira causa, a medicina segue por um caminho equivocado. Se tudo tem uma causa e um efeito, desejo que os estudiosos da medicina moderna, de algum modo, despertem e reconsiderem seu pensamento.
Os medicamentos são ciência?
Eikō nº 254, publicado em 31 de março do ano 29 da Era Showa (1954)
Costuma-se dizer por aí que tal remédio é eficaz, que tal outro não é; do nosso ponto de vista, isso é deveras cômico.
Por que razão? Não se admirem. O fato de um remédio fazer efeito e o de uma doença se curar são coisas aparentemente semelhantes, mas essencialmente diferentes.
Explico: o remédio fazer efeito significa apenas aliviar temporariamente o sofrimento; não é a doença em si que se cura. Este é o ponto crucial, e quero que compreendam bem. É que, originalmente, o pensamento médico interpretava a doença e o sofrimento como um todo inseparável, acreditando que, se o sofrimento cessasse, a doença também estaria curada; não se fazia distinção entre doença e sofrimento. Portanto, por mais que a medicina tenha avançado, é natural que as doenças não se curem. Ora, eu descobri esse princípio — e não é exagero afirmar, sem reservas, que se trata de uma descoberta sem precedentes na história mundial.
Escreverei aqui, resumidamente, sobre a patologia. A doença é o sofrimento que surge quando ocorre o processo natural de purificação, destinado a eliminar o acúmulo de toxinas medicamentosas; ou seja, primeiro vem a manifestação da doença, e o sofrimento a acompanha. A medicina, iludida, pensou o contrário: que o sofrimento vinha primeiro e a doença o acompanhava — uma inversão do principal e do acessório. Por meio desse Princípio Inverso, suprime-se o sofrimento com medicamentos. Foi desse pensamento que nasceu o tratamento médico.
O que é ainda mais problemático é que tampouco se sabia que os medicamentos se tornam tóxicos e se transformam em agentes patogênicos — um duplo prejuízo. Acreditar que isso seja o progresso da medicina é tolice inadmissível. Justamente por ignorarem esse fato, ouvimos com frequência que os clínicos, entre outros, por não conseguirem curar conforme a teoria, carregam sempre suas dúvidas; compreende-se perfeitamente. Como prova, basta ver os anúncios de remédios em jornais e outros meios: nunca está escrito que curam. Dizem que são eficazes para tal e tal doença, que aliviam o sofrimento, que melhoram, que dão energia, que têm efeito poderoso, que aumentam o sangue e a carne, que são bons para a prevenção etc. — o que demonstra claramente o que digo. Além disso, a razão pela qual os medicamentos aliviam o sofrimento não pode ser explicada cientificamente; é apenas que, tomando-se determinado remédio, ele faz efeito.
Isso é exatamente o mesmo que os homens da era primitiva, que se curavam com talismãs e encantamentos. Sobretudo, quando se tenta criar um novo medicamento, normalmente deveria surgir primeiro a ciência teórica, para depois passar à experimental; mas parece que não é assim: a maioria é descoberta ao acaso ou por experimentos baseados em deduções, e não se ouviu falar de outro método. Como exemplo do primeiro caso, um certo estudioso inglês, durante um experimento alheio à medicina, descobriu acidentalmente que um tipo de musgo era a famosa penicilina. Como exemplo do segundo caso, o famoso Salvarsan, descoberto conjuntamente pelo alemão Ehrlich e pelo japonês Dr. Hata, só foi completado após seiscentas e seis experiências — um acerto ao acaso obtido por uma tática de perseverança, sem nenhuma relação com a ciência.
Além disso, quanto a todos os micróbios patogênicos, apesar de décadas de pesquisas, o fato é que até hoje não surgiu um agente definitivo capaz de eliminá-los. Também ouvi recentemente que mesmo os antibióticos, descobertos há pouco e dos quais tanto se orgulham, tiveram excelente reputação no início, mas ultimamente se reconheceram efeitos contrários e as pesquisas foram retomadas. Vendo esses exemplos, não importa a doença: ainda não existe um único medicamento com efeito definitivo; é por isso que novos medicamentos surgem um após o outro. Portanto, tentar curar doenças com medicamentos tão incertos deveria ser considerado, antes, uma aventura. A medicina também considera a experimentação animal seu único método, mas isso tampouco tem qualquer fundamento científico; baseia-se em mera dedução e suposição, visa a um acerto ao acaso, na esperança de que talvez o remédio seja eficaz — como se percebe pelo fato de que, quando não funciona, tentam repetidas vezes. Por isso, ouve-se com frequência que, ainda que se matem milhares de animais de uma única espécie, não se obtém sucesso.
Não sou cientista, mas a verdadeira ciência não é algo tão vago e incerto; deve ser algo pesquisado com base em fundamentos seguros e racionais, que apreende a verdade, e cujo efeito seja definitivo e permanente. E o que vemos? Se, depois de algum tempo, torna-se ineficaz e novos medicamentos surgem um após o outro, onde está a teoria científica? É exatamente como os artigos da moda: os medicamentos também têm suas modas, são uma espécie de mercadoria. Tratando-se de algo tão importante, relacionado à vida humana, não deveria ser permitido. Além disso, como a maioria é lançada no mercado após experimentos de curto prazo, a ausência de efeito pode constituir ato fraudulento. É frequente que aquilo que, no lançamento de um novo medicamento, é venerado como um salvador do mundo, desapareça sem deixar vestígios; não se pode evitar a crítica de leviandade. O público que se torna vítima disso é, na verdade, uma espécie de prejudicado, usado como fonte de lucro pelos vendedores de medicamentos. É por isso que ouso alertar os responsáveis.
Eu me Gabo
Eikō nº 127, publicado em 24 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Ao dizer isso, talvez pareça algo terrível, como se eu estivesse possuído de arrogância; peço, porém, que primeiro acalmem o coração e leiam o que se segue. Trata-se do meu encargo e do meu trabalho. Meu objetivo, escusado dizer, consiste em três coisas: eliminar do mundo os doentes, eliminar a pobreza e eliminar os criminosos. Isso, contudo, não é simples invocação vazia; os resultados reais já vêm se manifestando passo a passo, de modo que, se acharem que é mentira, peço que antes de tudo investiguem e verifiquem na prática. Se for mentira, poderei me desculpar e fugir; mas, se for verdade, serão vocês que terão de se desculpar — e, quanto a isso, não há necessidade de fugir, pois fugir seria perder tudo.
Ora, se todas essas três coisas se realizassem por completo, seria excelente; mas peço que imaginem o que aconteceria ainda que apenas uma ou duas delas diminuíssem. Antes de tudo, as pessoas sentiriam um verdadeiro sentido para a vida, e o mundo se tornaria, de alguma forma, agradável e cheio de alegria incontrolável. A família inteira estaria com saúde, livre de remédios; o sustento se tornaria mais fácil; pensamentos estranhos nem sequer surgiriam; e as preocupações desapareceriam como levadas pelo vento. Tornando-se, assim, habitantes de um mundo completamente diferente do atual — que outra coisa seria isso senão uma vida humana digna do Paraíso?
Talvez pensem que algo assim, parecido com um sonho, não possa realizar-se de fato; mas é justamente porque é possível que é extraordinário — e, sendo assim, por que não haveria de me gabar um pouco? Esperem, porém: esqueci de mencionar um ponto essencial. À maneira ocidental, poder-se-ia dizer que foi Jeová, o Deus, quem me escolheu e me emprestou este poder maravilhoso, para que eu o usasse à vontade. Agora devem ter compreendido.
Quatro Milhões de Pacientes com Tuberculose Atualmente
Eikō nº 227, publicado em 23 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Certa vez, escrevi algo a respeito.
Sempre que vejo relatórios estatísticos afirmando que o número de pacientes com tuberculose no Japão era de um milhão e meio há vinte anos, de um milhão e meio há dez anos e de um milhão e meio hoje, fico estupefato com tamanha inverossimilhança. No entanto, desta vez, conforme a notícia de jornal abaixo (omitida na revista), foi divulgado que há quatro milhões de pacientes, o que representa um aumento de aproximadamente duas a três vezes. Ainda assim, pela minha estimativa, esse número parece pequeno; penso que seria razoável considerar, no mínimo, o dobro disso. De qualquer forma, chegará o momento em que se saberá com maior precisão e, nessa ocasião, todos ficarão surpresos, como se fosse algo inédito. Em determinado período, aliás, o número aumentará de forma rápida e drástica — isso porque, à medida que a purificação se torna cada vez mais intensa, o surgimento sucessivo de novos medicamentos, como os atuais, acelera o processo devido às toxinas medicamentosas.
Publicado no "Jornal Shinsei Minpo" em 24 de junho.
"Pacientes com Tuberculose Chegam a Quatro Milhões – Estimativa Nacional Supera Previsões"
Observando a Exposição (Parte 2)
Eikō nº 156, publicado em 14 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
Desta vez, para fins de pesquisa e estudo da arte budista japonesa, dirigi-me à região de Nara e percorri, um após outro, templos famosos, obtendo grandes aprendizados.
Agora, escreverei aqui minhas impressões. As obras datam de períodos que vão das eras Suiko, Asuka, Hakuhô e Tenpyô — há cerca de mil e duzentos ou trezentos anos — até as eras Kônin e Fujiwara. Fiquei tão impressionado que quase diria: todas as obras que vi eram esplêndidas. Foi verdadeiramente surpreendente constatar que, numa época tão remota, existem tantas obras que mesmo os artistas de hoje considerariam extremamente difíceis de realizar.
Entre elas, o destaque absoluto são, sem dúvida, as peças do Templo Hôryûji. Inúmeras estátuas de bronze dourado, esculturas em madeira, laca seca, estátuas de argila e, naturalmente, desde os santuários portáteis (zushi) até os utensílios budistas — tudo apresenta qualidade tão superior que se pode dizer que supera decisivamente os equivalentes de outros templos. Especialmente a famosa Kannon de Kudara (Kudara Kannon) me inspira profunda reverência sempre que a vejo. Dizem que os famosos murais recentemente concluídos ainda não estão abertos ao público em geral; mas, como já os vi antes, posso imaginá-los, e mesmo olhando apenas as fotografias atualmente expostas, consigo evocá-los.
Além do mencionado Templo Hôryûji, o que mais me causou admiração inexprimível foi, sem dúvida, a imagem principal do Templo Yakushiji. Para apreciá-la, mais vale ver a obra real do que gastar miríades de palavras — é verdadeiramente uma técnica divina, que transcende as palavras. Provavelmente nem os maiores nomes da atualidade conseguiriam realizar uma fração disso. Como as obras de todos os outros templos que visitei são, quase todas, obras-primas, omitirei os detalhes de cada uma. Não é exagero, porém, afirmar que o Japão ocupa a posição número um do mundo na escultura em madeira — algo que percebo mais uma vez.
Os templos que visitei desta vez foram o Tôdaiji, o Yakushiji, o Hokkeji, o Hôryûji, o Museu Nacional de Nara e, um pouco mais distante, o Salão Fênix (Hôôdô) do Byôdôin, em Uji, e o Templo Ishiyamaji. As imagens budistas abrigadas no Salão Fênix eram obras-primas magníficas, representativas do período Fujiwara. Diante delas, ocorreu-me imaginar quanto seria benéfico e quão gratos ficariam, tanto japoneses quanto estrangeiros, se todas essas inúmeras obras de arte budista antiga fossem reunidas em um só local, onde pudessem ser apreciadas com facilidade. Ao mesmo tempo, creio que isso permitiria reconhecer plenamente como o povo japonês é culturalmente notável desde a antiguidade. Nesse sentido, já anseio por, no futuro, construir um grande museu em Kyoto e realizar concretamente esse ideal.
O que escrevi acima é um resumo geral desta viagem. Gostaria ainda de dizer uma palavra sobre a escultura budista do período Kamakura. Depois de um relativo estado de estagnação que se seguiu ao período Nara, a escultura budista reviveu subitamente nessa época, apresentando um aspecto esplendoroso. Naturalmente, grandes mestres e artistas famosos surgiram em sucessão; Unkei e Kaikei contam-se entre esses nomes ilustres. A diferença em relação às obras do período Nara é que, no período Kamakura, quase todas são em madeira, e houve grande progresso na pintura colorida, juntamente com o início do uso de recortes de ouro (kirikane) nos padrões.
Essa técnica tornou-se extremamente popular, e muitas dessas obras existem ainda hoje. A habilidade técnica refinada é digna de admiração. Sempre me espanto com o fato de que, naquela época, foram criados objetos de tamanha fineza e engenhosidade. Uma obra-prima que pode ser considerada o auge desse padrão de kirikane será exposta no Museu de Arte de Hakone; quem a vir certamente se surpreenderá.
Com isso, encerro, em linhas gerais, este relato de observação da arte budista desta vez. Originalmente, parece que não havia muitas obras-primas da escultura japonesa além das relacionadas ao budismo. A única exceção famosa é Hidari Jingorô, sobre quem existem inúmeras lendas interessantes, mas pode-se dizer que quase nenhuma de suas obras é acessível ao olhar do público em geral — a única existente seria talvez o "Gato Dormindo" do Santuário Tôshôgû, em Nikkô.
No entanto, há uma pessoa que gostaria de recomendar aqui. Trata-se de um escultor vivo chamado Satô Gengen. Esse homem primeiro se chamou Asayama, depois Seizô, e Gengen é seu terceiro nome — uma raridade nesse aspecto. Acredito que tenha atualmente oitenta e três ou quatro anos, e o considero um mestre raro desde os tempos antigos. Pretendo expor no museu algumas obras que aprecio e considero obras-primas deste homem; quem as vir certamente entenderá o motivo.
A Causa Principal do Desenvolvimento da Nossa Igreja
Eikō nº 228, publicado em 30 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Foi em agosto do vigésimo segundo ano da Era Showa (1947) que a nossa Igreja Messiânica, como pessoa jurídica religiosa, iniciou abertamente suas atividades. Até então, como se sabe, a opressão das autoridades era intensa, e por isso atuávamos sob o nome de Terapia de Purificação do Japão, praticando as terapias populares como um negócio. No entanto, como a cura das doenças não se efetivava sem fé, para algumas pessoas fazíamos venerar a imagem de Kannon-Sama que eu havia desenhado. Esse culto, por ser uma crença existente desde os tempos antigos, era considerado inofensivo; tamanha era a aversão das autoridades às novas religiões. Felizmente, porém, o mundo tornou-se democrático, e a liberdade religiosa foi permitida.
Assim, pudemos finalmente atuar abertamente como organização religiosa. Naquela época, o número de pessoas que podiam ser consideradas seguidores era, provavelmente, entre duzentas e trezentas pessoas. Como se sabe, completam-se seis anos neste mês de agosto.
Não se admirem, mas atualmente o número de seguidores chega a centenas de milhares, e o número de ministros é de 3.242. Contamos com 4 Igrejas Grandes, 88 Igrejas Médias e 524 filiais. A força da nossa Igreja, além disso, expande-se cada vez mais dia a dia, mês a mês. Desde a primavera deste ano, expandimo-nos para o Havaí e, desde o verão, para os Estados Unidos. No Havaí, o número de seguidores ultrapassou mil pessoas em apenas meio ano, um grande sucesso.
Recentemente, adquirimos terrenos e edifícios (no valor de 50 mil dólares) como uma sede bastante digna. Pessoas nativas entusiastas tornaram-se líderes de filiais, e o número destas, já espalhado por vários lugares, continua a crescer. Nos Estados Unidos, logo após uma filial ter sido estabelecida em Los Angeles, em agosto, recebemos há poucos dias um relatório de que o número de praticantes do curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu) aumenta a cada dia; o relatório acrescentava que já se vislumbram sinais de um desenvolvimento tão grande que é impossível prever o futuro.
Em seguida, o Paraíso Terrestre de Hakone também foi concluído. O museu de arte, finalizado no ano passado, enriquece-se cada vez mais e, gradualmente, tornou-se conhecido em todo o país. Neste verão, em particular, o número de visitantes foi várias vezes maior que o do ano passado — o museu tornou-se especialmente conhecido entre os estrangeiros, e todos os dias, sem falta, várias pessoas o visitam. Acredito que, se continuarmos assim, não estará longe o dia em que se tornará uma atração famosa em todo o Japão. Há alguns anos, ademais, adquirimos cerca de 10.000 tsubo de terra na posição central mais importante de Hakone, em Gora.
Estamos planejando construir ali, no futuro, a Sede Central. A construção do Paraíso Terrestre de Atami, atualmente em obras, juntamente com o Templo Messiânico, o Pavilhão Keikan, o museu de arte etc., também progride passo a passo. Quanto ao Paraíso Terrestre de Saga, em Quioto, apenas o terreno foi adquirido, e está previsto que, em algum momento, a construção será realizada. Observando esse magnífico desenvolvimento em várias frentes, é impossível pensar que seja obra humana. Até eu mesmo fico simplesmente admirado com o progresso — em escala maior do que a prevista — e com sua velocidade, e provavelmente não há exemplo disso na história religiosa mundial.
Então, qual é a causa disso? É justamente a terapia de Johrei, peculiar à nossa Igreja, e a abundância de milagres. Pessoas com doenças graves e difíceis, abandonadas pelos médicos e resignadas à morte, recuperam-se subitamente, tornam-se saudáveis e recebem até a vida de volta. Sua gratidão e comoção não são comuns; sentindo-se obrigadas a retribuir de alguma forma, oferecem dinheiro em primeiro lugar. Como a política da nossa Igreja proíbe a exploração, trata-se sempre de uma oferta voluntária. Como essas pessoas são em número muito grande, o montante também se torna considerável, e é assim que várias construções, como as mencionadas acima, são erguidas sucessivamente.
Por meio disso, pode-se imaginar quão surpreendentes são as bênçãos da nossa Igreja. Como tudo são milagres, diz-se que nunca houve uma religião com tantos milagres quanto a nossa Igreja. Ou seja, o progresso se dá na sequência de grandes bênçãos, milagres e desenvolvimento. No entanto, isso é apenas no Japão. Quando a frente de expansão religiosa se estender aos Estados Unidos e a outros países, o ímpeto desse desenvolvimento será absolutamente inimaginável. Quando se chegar a esse ponto, tornando-se uma grande religião mundial como esperado, creio que o dia em que toda a humanidade será salva não estará tão distante. Ao pensar nisso, não posso deixar de sentir o sangue ferver e a carne vibrar.
A Era Mundial do Topete
Eikō nº 155, publicado em 7 de maio do ano 27 da Era Showa (1952)
O homem moderno desfruta dos benefícios da cultura contemporânea e, em todos os aspectos, mal pode imaginar quanta segurança e comodidade obteve em sua vida. No entanto, o problema é que ele não percebe que, em âmbitos quase inimagináveis, oculta-se uma grande causa de ansiedade. Se todos compreendessem essa verdade, despertariam com grande espanto; nasceria então uma verdadeira civilização, e a humanidade desfrutaria de felicidade infinita. Pois bem, o que seria essa ansiedade? Acima de tudo, diz respeito ao campo da medicina e da higiene.
Atualmente, todos os países são atormentados pela tuberculose, por várias doenças contagiosas e por outras enfermidades. Por causa disso, mesmo na vida cotidiana, há uma infinidade de incômodos: dizem que tal alimento é nutritivo e contém vitaminas, portanto é preciso comê-lo; que tal outro é de difícil digestão e, por isso, prejudica o estômago; que comer demais é veneno; que, mesmo sem muita vontade de comer algo, por ser remédio, deve-se ingeri-lo; que tal coisa contém ferro e, portanto, é boa.
Em suma, a confiança cega na medicina é tamanha que não há o que fazer. E isso não se restringe ao povo; o governo também age da mesma forma, chegando a incentivar constantemente tais práticas. Diante dessa situação, do nosso ponto de vista, só nos resta espantar-nos com tamanha tolice. Como sempre digo, se alguém ingere alimentos ricos em vitaminas, a capacidade do corpo de produzi-las degenera; se consome nutrientes em excesso, o corpo enfraquece pelo efeito contrário; se come alimentos de fácil digestão ou mastiga muito bem, a atividade do estômago se torna lenta, causando doenças estomacais.
Dessa forma, fazem exatamente o oposto em tudo. Quando alguém volta para casa, dizem: "Lave as mãos, faça gargarejo!" Esse incômodo também é uma das aflições e, além de não ter significado algum, acaba por tornar a pessoa nervosa e apenas debilitar sua saúde. Também dizem que sentir frio causa resfriado, então é preciso tomar cuidado; que o frio prejudica o corpo — e assim as pessoas vivem constantemente amedrontadas.
É claro que não conseguem sequer sonhar com a verdade de que o resfriado que pregamos é o meio de escapar de todas as doenças e o principal método de saúde para o ser humano. Mesmo quando, ocasionalmente, falamos sobre isso, quase não há quem acredite.
As mulheres, por sua vez, enrolam várias camadas de tecido ao redor do abdômen e da cintura — o que é incômodo, deselegante e atrapalha bastante os movimentos —, mas ainda assim consideram isso bom. Também na criação dos filhos, tratam-nos com tanto cuidado como se fossem objetos frágeis; ao menor sinal de doença, correm ao médico e os enchem de toxinas medicamentosas.
O que é surpreendente é que, ultimamente, até mesmo bebês recém-nascidos recebem injeções de forma indiscriminada, sendo debilitados dessa maneira. Sob o pretexto de prevenção, além disso, aplicam-se vários tipos de injeções, enchendo as crianças de toxinas medicamentosas desde a mais tenra infância.
Isso é insuportável. Mais cedo ou mais tarde, ocorrerá um processo de purificação; é natural que ele se torne a causa de várias doenças — o recente aumento da tuberculose infantil, da asma infantil, da paralisia infantil, entre outras, é uma clara evidência disso. Dessa forma, mesmo na criação dos filhos, as preocupações superam as alegrias. Que mundo lamentável, não é? A razão para isso é que as pessoas estão completamente intoxicadas pela cultura científica, a ponto de não compreenderem o óbvio. Isso porque o pensamento científico considera que fazer tudo artificialmente é o método mais avançado, ignorando a natureza. A questão é que não se distingue entre o que, por sua natureza, a ciência pode resolver e o que só a natureza pode resolver. Falando sem rodeios, não seria exagero dizer que vivemos atualmente em uma era de barbárie cultural.
Para despertar essa humanidade da obscuridade cultural, tenho me esforçado incessantemente, pela escrita e pela palavra. No entanto, como se trata de uma superstição mundial profundamente enraizada há muito tempo, não é tarefa fácil. É exatamente como salvar os adeptos do coque (chonmage) da época da Restauração. Hoje, essa situação se expandiu mundialmente, tornando as coisas ainda mais difíceis.
A Medicina Moderna como Superstição Mundial
Eikō nº 159, publicado em 4 de junho do ano 27 da Era Showa (1952)
É frequente vermos em jornais, no rádio etc. reportagens sobre como a paralisia infantil foi curada com um pulmão de aço, como uma criança à beira da morte certa foi salva pela transfusão de sangue dos pais, como um cego recuperou a visão por meio do transplante de córnea de um falecido, ou como uma cirurgia cardíaca foi bem-sucedida.
Essas notícias são tratadas como furos jornalísticos, como se a medicina tivesse avançado. No entanto, do nosso ponto de vista, isso apenas nos faz lamentar a inferioridade da medicina. Por quê? Porque, mesmo quando há cura, ela depende de métodos cruéis e arriscados, que tentam a sorte em meio ao perigo. Isso não pode ser chamado de método seguro. Além disso, a cura alcançada é temporária e nunca radical; portanto, mais cedo ou mais tarde, surgirão problemas ou certamente haverá recaída.
Em contraste, de acordo com o Johrei da nossa Igreja, doenças desse tipo não só são curadas com simplicidade, como também não exigem tais procedimentos, não causam sofrimento e permitem a cura completa com tranquilidade, sem o receio de recaída. A diferença é tão grande que não há comparação possível. Consequentemente, o espanto dos que se curam completamente pela nossa Igreja é imenso. Ao mesmo tempo, eles adquirem uma convicção absoluta, passam por uma transformação de cento e oitenta graus e abandonam a medicina. Naturalmente, mesmo quando alguém adoece, basta o Johrei para resolver o problema — e, mais do que isso, qualquer membro da família pode praticá-lo, bastando que se torne crente.
Não há bênção maior do que esta. Mesmo no meio da noite, em caso de emergência, podemos atender. A sensação de segurança é tão grande que não pode ser expressa em palavras. No entanto, por mais que divulguemos essa terapia de fé tão avançada, seja por escrito ou oralmente, o público em geral não consegue acreditar facilmente. Isso mostra o quão profundamente a superstição médica está enraizada. Naturalmente, o governo e os especialistas também são assim, e nem sequer olham para nós. É uma situação problemática.
Imaginemos o que se passa em suas mentes: “Como pode existir uma coisa tão absurda? Deve ser uma das artimanhas engenhosas de uma religião surgida no pós-guerra. Não tem nenhum fundamento científico. Não passa de superstição.” Eles decidem isso. Essa atitude, do nosso ponto de vista, não é nada além de uma superstição terrível.
Como vimos, os jornalistas que divulgam amplamente os pequenos feitos da medicina são, afinal, aliados dos supersticiosos. Por mais que divulguemos os efeitos milagrosos de nossa parte, é como jogar pérolas aos porcos. Gostaríamos de dizer que eles ultrapassaram a superstição e são bárbaros ignorantes. No entanto, como a questão diz respeito à vida humana, gostaríamos de abrir seus olhos de alguma forma, mas, como dito, não é uma tarefa nada fácil. Contudo, quando chegar a hora, Deus exercerá Seu poder absoluto. Nessa ocasião, nem é preciso dizer que Ele abrirá os olhos de todas as pessoas.
O que será do mundo
Eikō nº 67, publicado em 30 de agosto do ano 25 da Era Showa (1950)
Com a questão da Coreia como estopim, a situação mundial mudou completamente. Isso já era algo que todos vinham imaginando há muito tempo: a longa guerra fria finalmente se tornou uma guerra quente. Essa é a realidade diante de nossos olhos. Quem poderia ter previsto que uma guerra, que só poderia ser vista como o estopim da Terceira Guerra Mundial, começaria em nosso país vizinho? Já não se pode mais tratar isso como um incêndio na margem oposta, e é claro que a situação chegou a um ponto em que não podemos mais ignorá-la. No entanto, o Japão de hoje é uma nação indefesa, que nada pode fazer. Não há outro método senão a ajuda espiritual, como disse o Primeiro-Ministro Yoshida. Contudo, dependendo da evolução futura, pode haver uma reviravolta a qualquer momento e em qualquer situação, e devemos estar preparados para isso.
Além disso, não há dúvida de que, com o poder militar dos Estados Unidos, mesmo o exército comunista será empurrado de volta para a linha do paralelo 38, mas não se pode pensar que a guerra terminará aí. De acordo com recentes telegramas do exterior, há relatos de que o exército comunista chinês está preparando um reforço de cento e cinquenta mil homens, e regiões como Indochina (Nota 1), Irã, Iraque, Iugoslávia, Bulgária, Turquia, Grécia, Alemanha Oriental e Ocidental, entre outras, também carregam o perigo de uma erupção a qualquer momento. Por natureza, a guerra é uma força do momento que não pode ser controlada pela lógica ou pelo cálculo. Como se sabe pela experiência das duas grandes guerras, uma vez iniciada, ela não se acalma até que se chegue a um ponto de colisão. Além disso, é inevitável que, no final, a guerra futura se torne um confronto de bombas atômicas e de hidrogênio. Quando isso acontecer, já não será guerra, será destruição. Mesmo que não leve à ruína do mundo, sua calamidade será tão terrível que nem se pode imaginar.
No entanto, por que a humanidade, mesmo conhecendo plenamente esses eventos terríveis e lastimáveis, não consegue detê-los? Para servir de referência a essa questão, escrevo aqui a nossa visão como religiosos. A Bíblia diz: “João realizou o batismo de água; Cristo realizará o batismo de fogo.” O batismo de água de João já deve ter se cumprido com o famoso dilúvio de Noé.
No entanto, o batismo de fogo ainda não se manifestou, e, junto com isso, está prometida a segunda vinda de Cristo. O batismo de fogo é, naturalmente, o processo de purificação nas duas dimensões: espírito e corpo. A purificação do espírito é o método de tratamento de doenças que praticamos atualmente, isto é, eliminar as nuvens espirituais pelo fogo; este também é um aspecto do batismo de fogo. Quanto à bomba de hidrogênio, dizem que ela atinge uma temperatura altíssima de cinquenta mil graus, e por isso consumirá tudo até as cinzas. Este é o batismo de fogo para o corpo, ou seja, para a matéria. Se, como acima, o batismo de fogo do espírito e do corpo ocorrer em escala mundial, será um grande terror e a maior ação purificadora da história da humanidade. Dessa forma, toda a impureza existente na Terra será varrida, e, nesta terra que será como se tivesse sido limpa, o que será construído resplandecentemente, senão o Paraíso?
No entanto, isso é apenas uma profecia. Nós, seres humanos, devemos nos tornar pessoas que, mesmo encontrando este batismo de fogo, não serão queimadas, não perecerão e sobreviverão. Mas essa felicidade é realmente possível? Afirmamos que sim, é possível. Por quê? Porque a queima ocorre devido às nuvens espirituais, ou seja, à impureza. Se nos tornarmos um corpo puro, sem impureza, não haverá razão para sermos queimados.
O método para se tornar um corpo tão puro é justamente agarrar-se ao poder de salvação absoluta que deve aparecer no final. É por isso que aqui faço este alerta.
Nota 1: Antiga posse francesa (atuais Vietnã, Camboja e Laos).
Fama e Sentimentos
Eikō nº 232, publicado em 28 de outubro do ano 28 da Era Showa (1953)
Como todos sabem, o fato de a reputação de alguém ser boa ou má está, surpreendentemente, relacionado ao destino dessa pessoa. É quase incalculável o quanto expressões como “aquela pessoa é confiável porque tem boa reputação” ou “tome cuidado com fulano, porque tem má reputação” podem influenciar o destino de alguém. Naturalmente, não há nada melhor do que ter boa reputação, mas, como isso também está profundamente relacionado à questão da fé, vou escrever a respeito. Isso porque as divindades malignas são as que mais se aproveitam disso, e a nossa Igreja tem sido visada nesse sentido até agora — servem-se, como método, dos meios de comunicação ou espalham boatos maldosos para prejudicar a nossa reputação.
Por causa disso, o desenvolvimento da nossa Igreja sofre não poucas influências negativas, de modo que não se pode, de forma alguma, baixar a guarda quanto a isso. Em especial, cada indivíduo deve ter grande cuidado. Afinal, o ser humano é dominado pelos sentimentos, e mesmo algo pequeno que fira os sentimentos de alguém acaba sendo, surpreendentemente, prejudicial; por isso, o importante é não impor a própria vontade. Ou seja, é preciso ter a generosidade de concordar com o que a outra pessoa diz, mesmo que ela esteja um pouco equivocada. Além disso, em qualquer situação, em vez de querer vencer, é melhor ceder — “perder é vencer” é uma boa expressão. Eu sempre sigo essa orientação, e o resultado acaba sendo, pelo contrário, positivo.
No entanto, embora eu diga apenas “ceder”, há também, ocasionalmente, circunstâncias em que não se pode ceder — mas isso é exceção e raramente ocorre. Via de regra, em oito ou nove de cada dez vezes, ceder é o que compensa. As palavras que Cristo proferiu pouco antes de ser pregado na cruz, “Eu venci o mundo”, devem ter ensinado justamente esta verdade. Também pela minha longa experiência, foi cedendo e cedendo que cheguei até onde estou hoje. Contudo, todo ser humano está cheio do desejo de vencer e pensa que não pode ceder — mas o certo é pensar exatamente o contrário.
O Experimento da Terapia do Johrei
Eikō nº 232, publicado em 28 de outubro do ano 28 da Era Showa (1953)
Como todos os fiéis sabem, publiquei recentemente dois livros, “Salvando os Estados Unidos” e “Terapia pela Fé na Tuberculose”, e, há vários anos, venho apontando as deficiências da medicina moderna por meio das revistas “Eikō Shimbun” e Tijotengoku, expondo com bastante ousadia a verdade de que a medicina cria doenças.
Distribuo esses escritos para que sejam lidos o máximo possível, não apenas pelos fiéis, mas também pelas autoridades e pessoas de outras áreas. Por isso, creio que, em medida considerável, tenham chegado aos olhos dos envolvidos na área médica. No entanto, o que significa o fato de que, até agora, não houve qualquer repercussão? Minha expectativa era a de que as autoridades e a associação médica, não podendo ignorar isso, certamente viriam me interrogar ou exigir explicações. Contudo, como nada disso aconteceu, talvez seja despeito meu, mas sinto-me um tanto decepcionado — na verdade, eu desejava que isso ocorresse, pois pensei que, assim, a verdade se tornaria conhecida rapidamente no mundo.
Nem é preciso dizer que um problema tão grande quanto este é, obviamente, algo inédito na história da humanidade. Afinal, surgiu uma solução para a maior angústia humana: eliminar as doenças da humanidade e permitir que se complete a longevidade natural. Não pode haver boa nova mais grandiosa do que esta. É, de fato, a realização de um sonho. Portanto, fazer compreender um problema tão grande é difícil por meios comuns e ordinários; não há outro caminho senão convencer pelos fatos.
O método que pensei foi o seguinte. O primeiro passo seria convidar-me para realizar um experimento. Nesse caso, escolher um grande hospital de referência, como o da Universidade Imperial, e lá, seguindo as indicações dos médicos, questionar exaustivamente cada paciente. Em resposta, explicarei minuciosamente, tanto na teoria quanto na prática, de modo a convencer plenamente. Ao mesmo tempo, diante dos médicos, curarei um a um os pacientes de seus sofrimentos, apenas erguendo a mão, demonstrando a eficácia excepcional da terapia Johrei. Esta é uma proposta verdadeiramente audaciosa, mas faço-a, naturalmente, porque tenho absoluta confiança nela.
Assim, se, por meio do método de etapas acima, houver pleno reconhecimento, passaremos à segunda etapa. No caso do experimento acima, se houver a menor discrepância entre minhas palavras e os fatos, assumirei toda a responsabilidade e aceitarei punição severa. Ainda que eu seja enterrado a ponto de não mais poder me levantar, resignar-me-ei, considerando-o inevitável. Mas nem é preciso dizer que jamais cometeria um ato suicida tão evidente. Portanto, ao ver este texto e minhas muitas publicações anteriores, os responsáveis não poderão deixar de iniciar imediatamente uma investigação e um estudo. Ao mesmo tempo, se partirem para o método de etapas mencionado e o resultado for como digo, então a nação deveria assumi-lo como um grande problema.
Se assim for, haverá primeiro uma revisão das leis, questão que naturalmente chegará ao parlamento. Outra questão importante, e igualmente espinhosa, é a medida para lidar com os envolvidos na área médica. Seria preferível um método de transição gradual, a fim de que o menor número possível de vítimas seja gerado. Portanto, é de se considerar que será necessário um período considerável até a conclusão. Escrevi o que me veio à mente; mas, por se tratar de um problema grave e sem precedentes na história da civilização, mesmo as autoridades dificilmente tomarão essa decisão.
No entanto, esse problema, mais cedo ou mais tarde, certamente chegará a esse ponto; por isso penso que quanto mais cedo, melhor. Por quê? Porque, quando isso for implementado, a vida do povo será salva e, por extensão, o impacto na sorte da nação será imenso. Deve-se agir, portanto, com o máximo de cautela e adotá-lo o mais rápido possível. Contudo, ainda que se saiba disso, ainda que haja hesitação e adiamento, o tempo não permitirá. Isso porque o número de apoiadores de nossa terapia aumenta rapidamente a cada dia. Considerando o futuro, não pode haver demora. O essencial é buscar a felicidade da nação e do povo, mesmo sacrificando interesses pessoais. Se esse objetivo for alcançado sem obstáculos, teremos um Japão sem doenças e a prosperidade da nação será certa. O mundo, por sua vez, certamente seguirá este exemplo. Assim, o Japão será reverenciado como o salvador do mundo, as manchas do povo japonês serão removidas, e o Japão, radiante, se tornará um símbolo de paz. É por isso que ouso apelar aos sábios do mundo.
(Eikō nº 239, 16 de dezembro do ano 28 da Era Showa (1953))
Torna-se Doutor em Três Dias
Isto não é autoelogio, mas não há palavras capazes de expressar a grandeza do poder divino que atualmente exerço. É que, dos tempos antigos até hoje, jamais houve, na história da humanidade, experiência de poder tão sobre-humano.
Os fiéis sabem bem disso; escreverei aqui, portanto, tendo em vista os não-crentes. Pessoas que, devido a doenças incuráveis de longo tempo, tentaram tratamentos médicos e todos os tipos de terapias existentes no mundo, além de várias crenças, mas não se curaram — e sua condição piorou cada vez mais. Quando estavam em situação sem saída, ouviram falar de nossa Igreja e, ao receberem imediatamente o Johrei, ficaram estupefatos com o efeito maravilhoso que jamais imaginaram. Ao saberem, além disso, que não apenas eles mesmos, mas também, caso se convertam, poderão curar as doenças dos outros, decidem se converter a qualquer custo.
No entanto, surpreendem-se pela segunda vez: com apenas três dias do curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu), já podem curar as doenças dos outros. Assim, quando encontram um doente, a princípio ficam tomados de medo e receio e, ao realizarem a aplicação ainda timidamente, para sua surpresa, o doente vem agradecer, dizendo: "Graças a você, melhorei deste jeito". Diante de tamanho mistério, quem curou fica mais surpreso do que quem foi curado. Ao pensar que, logo após a conversão, possuem tal poder, ficam felizes e sentem-se como em um sonho. Então, lendo os Escritos Divinos e perguntando ao Mestre, gradualmente compreendem e, pela primeira vez, conhecem o verdadeiro valor da Igreja Messiânica.
A partir daí, curam várias pessoas, sua fé se fortalece e tornam-se fiéis de pleno direito.
O que gostaria que considerassem bem aqui é o caso dos doutores em medicina de hoje. Para se tornar doutor, são necessários, no mínimo, dez anos ou mais de tempo e mais de um milhão em dinheiro. Apesar de tamanho sacrifício, os doutores formados abandonaram como incuráveis doenças difíceis que um doutor recém-formado, ainda "verde", com apenas três dias de treino, cura instantaneamente. Não deve haver no mundo história tão ilógica quanto esta. No entanto, os fatos são fatos. Se alguém acha que é mentira, que tenha a coragem de desmascarar a verdade.
É isso que desejo. Certa vez, ouvi de um médico algo assim: "Se todos os cidadãos se tornassem médicos, não haveria necessidade de higiene, cuidados com a saúde ou métodos de saúde, e assim a saúde pública estaria resolvida." Na época, pensei que fosse verdade — mas isso se devia ao fato de eu, então, considerar a medicina algo excelente. Hoje, sabendo que é uma medicina invertida, está claro que não funciona. Ainda que fosse o caso, como mencionei, formar um médico exige muito dinheiro e tempo, sendo praticamente impossível. No entanto, nosso método do Johrei, como dito, permite que, em três dias, alguém se torne um médico renomado superior a um doutor. Não deve existir medicina tão simples e grandiosa, e isso é um enorme ganho para a economia nacional. Só pode ser considerado um sonho. Portanto, se todos os cidadãos aprendessem o método do Johrei, seria natural que chegasse o dia em que não haveria doenças no Japão, e a prosperidade da nação seria esplêndida. Como resultado, o Japão se tornaria a primeira nação cultural modelo do mundo, e é mais claro que a luz do dia que todos os países o imitariam.
Senhores, não é este um empreendimento verdadeiramente grandioso?
Religião Viva
Eikō nº 233, publicado em 4 de novembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Pode parecer estranho dizer que, também na religião, existem uma religião viva e uma religião morta, mas é o que vou escrever agora. Religião viva é a que está em consonância com a vida real; religião morta é o oposto disso. Ora, entre as inúmeras religiões existentes no mundo, as que se ajustam perfeitamente à vida real são, se não totalmente inexistentes, extremamente raras. É verdade que todos os ensinamentos, sem exceção, são muito bem elaborados; mas, no que diz respeito ao poder de transformar as pessoas, lamentavelmente não se pode esperar muito.
Na época em que os fundadores as estabeleceram, há centenas ou milhares de anos, essas religiões certamente estavam em consonância com as condições sociais de então e possuíam grande poder de transformação; mas, com o passar dos anos e o fluir do tempo, sua força foi gradualmente diminuindo, até chegar ao estado atual — como todos sabem. Isso também é um curso natural das coisas, e não há o que fazer a respeito; não é algo exclusivo da religião — acontece com todas as coisas —, apenas a religião ficou para trás e chegou por último a esse estado.
No entanto, durante esse tempo, também surgiram, em todos os países, diversas novas religiões adequadas à sua época; mas raramente aparece alguma com força suficiente para superar as anteriores, de modo que costumam desaparecer mais cedo ou mais tarde. Entre elas, as que surgiram na era moderna e ainda mantêm considerável influência são, talvez, apenas o Nichiren-shū e o Tenrikyō.
O que ficou dito acima é, em linhas gerais, a transição das religiões; mas o que quero expor agora é como deve ser a religião no mundo contemporâneo. Como se sabe, o desenvolvimento da cultura científica a partir do século XVIII tornou-se uma grande ameaça para a religião, e é fato inegável que isso conduziu ao estado de declínio que hoje presenciamos. Dessa forma, a ciência tomou conta, à vontade, do coração das pessoas, a ponto de, hoje, ninguém se satisfazer se a palavra "ciência" não estiver presente. Ainda seria bom se fosse só isso; mas isso também gerou o pensamento ateísta, e a decadência moral não conhece limites; a sociedade e a nação mergulharam na confusão, e o mundo se tornou, tal como vemos hoje, um verdadeiro inferno na terra.
Mesmo as religiões antigas, que mantêm até hoje como princípio os ensinamentos de seus fundadores, de centenas ou milhares de anos atrás, esforçam-se para converter as pessoas com doutrinas elaboradas ao longo de muito tempo; mas, justamente por estarem tão distantes de sua época, não têm força de transformação e, para dizer a verdade, tornaram-se meras relíquias que perderam todo o realismo. É certo que, em sua época, foram, sem dúvida, muito valorizadas como belas obras de arte; mas, hoje, seu valor se reduz ao de um bem cultural importante. Ora, entre as novas religiões, há as que exibem respeitosamente esses bens culturais importantes e os utilizam para atrair pessoas; mas isso também não passará de uma vida útil limitada a determinado período. De qualquer forma, a religião foi ultrapassada pelo esplendoroso progresso da cultura e deixada muito para trás. É como, na era de hoje, de aviões, automóveis e ciência sem fio, trazer à tona uma carroça de boi ou um palanquim — de nada serviria.
Aqui, mais uma vez, ainda que pareça autoelogio, devo dizer: nossa Igreja, como se sabe, respeita a história como história, mas não se prende a ela; avança segundo sua própria orientação, conforme o mandamento divino. E, com o vigor de uma religião recém-nascida, corre em suas veias o sangue jovem; no trabalho que hoje realiza — para além da revolução na medicina e na agricultura —, aponta as falhas de toda a cultura e tem como espírito orientador o ideal de uma nova cultura. Uma das concretizações disso é a construção de modelos do Paraíso Terrestre e de museus — construção que é, precisamente, a linha de frente dessa obra; e o propósito disso é, sem dúvida, ser um lugar sagrado de repouso para almas maculadas e cansadas e, ao mesmo tempo, servir como antídoto contra o entretenimento extremamente vulgar dos dias de hoje, elevando o caráter humano.
O Plano Divino de nossa Igreja, tal como descrito acima, contribui naturalmente, no plano individual, para a saúde, o alívio da pobreza e a sadia formação do pensamento; e, em maior escala, visa construir uma sociedade luminosa e livre de ansiedade. É motivo de grande alegria que isso, ultimamente, tenha passado a ser reconhecido também entre os entendidos, tornando-se cada vez mais objeto de atenção. Ainda que hoje seja em pequena escala, quando um dia se expandir mundialmente, nascerá do Japão a concepção de um mundo ideal, pacífico e feliz — e afirmo com convicção que isso não é, de forma alguma, um sonho. Vendo tudo isso, o que seria nossa Igreja senão a verdadeira forma de uma religião realmente viva? Lamento apenas que os olhos da sociedade, ao observar as novas religiões hoje, sejam, infelizmente, extremamente frios e desdenhosos — especialmente entre os intelectuais —, a ponto de haver, mesmo entre os que se aproximam de nossa Igreja, uma tendência a agir com receio do que os outros possam pensar; isso é, verdadeiramente, lamentável.
Mas isso também não é sem razão. Afinal, as religiões antigas, ainda que tenham grande número de fiéis, são compostas majoritariamente por pessoas de pouca instrução. Entre as novas religiões, há muitas com comportamentos e discursos tão extravagantes que fazem desviar o olhar, e com forte componente supersticioso — chegando a haver casos que, mesmo a um olhar de bom senso, causam certo desconforto. Penso que isso também é passageiro, mas gostaria de pedir aos responsáveis por essas religiões que reflitam. Por outro lado, há também estudiosos da religião que apenas requentam os ensinamentos de antigos santos, sábios e fundadores, vestindo-os com roupagem nova para se adequarem à época; à primeira vista, parecem progressistas e costumam agradar aos intelectuais, mas é questionável até que ponto servem de fato à vida real. A esse respeito, lembro-me do famoso filósofo americano William James e de seu pragmatismo — traduzido como “filosofia da ação” —, que eu gostaria de substituir por uma “religião da ação”.
Os Temíveis Medicamentos da Medicina Chinesa
Eikō nº 207, publicado em 6 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
Quando falo às pessoas em geral sobre o terrível perigo das toxinas medicamentosas, quem me ouve pensa que elas se limitam aos remédios ocidentais e chega a quase não considerar os medicamentos da medicina chinesa como remédios.
No entanto, isso é um grande engano. Na verdade, as toxinas medicamentosas são ainda mais frequentes nos medicamentos da medicina chinesa.
De fato, como remédio em si, são mais fracos do que os ocidentais, mas, de qualquer forma, a quantidade dos medicamentos chineses é extremamente grande. Desde os tempos antigos, as pessoas fervem uma chaleira cheia desses medicamentos e os tomam diariamente como remédio habitual; há até quem os tome no lugar do chá. Por isso, a quantidade ingerida deve ser dezenas ou centenas de vezes maior do que a dos remédios ocidentais. Além disso, há uma variedade considerável de tipos.
Entre eles, segundo minha experiência, o mais violentamente tóxico é o Gennoshoko. Em quem toma muito desse remédio, a toxina se mostra realmente obstinada durante o processo de purificação; ainda que se remova, volta a se acumular depois, levando à morte por exaustão. É algo verdadeiramente terrível. Em seguida, o Doku-dami também possui uma toxina bastante forte.
Em primeiro lugar, quem toma muito desses dois remédios precisa ter cuidado redobrado. Os demais remédios, fora esses, são em geral seguros, mas há um medicamento chinês, cujo nome não sei, preto como carvão e que parece um caramelo. Já houve quem o tomasse, e essa intoxicação também é persistente e de difícil cura. Sobretudo, o grau de intoxicação por medicamentos chineses é melhor identificado pela cor do rosto.
Quanto mais a pessoa os toma, mais pálido e esverdeado fica seu rosto; é o que comumente se chama de “inchaço azulado”. As mulheres, além disso, são mais numerosas entre os intoxicados por medicamentos chineses, e aquelas que pertenciam ao mundo das flores e salgueiros (prostituição) parecem ser especialmente frequentes. Isso provavelmente se deve ao fato de que, desde os tempos antigos, esses remédios são considerados eficazes para doenças femininas. Há também um remédio em pílulas, o Kiōgan, eficaz para a constipação. Já tratei de uma pessoa que tomou esse remédio diariamente por mais de vinte anos; ela desenvolveu tuberculose renal e foi abandonada pelos médicos. De qualquer forma, a toxina era tão excessiva que, no fim, não foi possível salvá-la, conforme minha experiência.
Isso é algo que todos sabem, mas o fato de haver muitos chineses com o rosto amarelo-esverdeado provavelmente se deve à intoxicação por medicamentos chineses.
A Grande Revolução do Método Agrícola Japonês
— Sem fertilizantes, um aumento de 10% a 50% na produção já a partir do primeiro ano —
Eikō nº 245, publicado em 27 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Quero exclamar: “O Japão foi salvo!” A razão é que nasceu, para o problema atualmente mais grave em nosso país, o grande evangelho da alta produtividade na cultura do arroz. Como é de conhecimento geral, após o fim da guerra, nosso território nacional foi reduzido a três quartos, e a tendência de aumento populacional, apesar das medidas de controle de natalidade, continua sendo de mais de um milhão por ano, não sendo permitido, de forma alguma, o otimismo. Se assim é, não haverá hoje problema mais urgente do que este.
Digo isto porque, embora o Estado destine anualmente enormes orçamentos e, além da melhoria das terras agrícolas, estabeleça todos os métodos e instalações possíveis, e tanto o governo quanto o povo se esforcem ao máximo, a situação é tal que, longe de alcançar os resultados esperados, mal se consegue manter a produção de um ano normal. Com a sucessão de calamidades como tufões, geadas, danos causados por insetos e outras no ano passado, tivemos ainda uma colheita tão ruim como aquela. Ao pensar no futuro da agricultura do nosso país, não há como não sentir profunda apreensão.
É claro que, diferentemente do passado, hoje existe o caminho da importação de arroz e trigo do exterior, mas isso também é um paliativo temporário, e é óbvio que não pode continuar por muito tempo. Isso porque, como nos anos recentes o desequilíbrio comercial é severo — hoje em dia até se fala em crise econômica —, chegamos a um ponto em que medidas emergenciais precisam ser tomadas. O governo, por isso, parece estar tomando providências para adotar uma política de deflação bastante ousada, o que talvez seja natural. A situação, dessa forma, chegou a um estágio nada fácil.
No entanto, a chave para a solução desse problema é, acima de tudo, o aumento da produção de arroz. Falando francamente, nem é preciso dizer que se trata de assegurar a quantidade absoluta suficiente para alimentar toda a população; mas, no momento, a realização de uma esperança tão sonhadora seria, sem dúvida, impossível. Não se surpreenda, contudo: nasceu um método agrícola inovador que deve superar essa crise, e esse método é o da agricultura natural. Se, segundo esse método, é possível não apenas aumentar a produção na quantidade necessária, mas também obter uma colheita ainda maior, talvez pareça bom demais para ser verdade e, ao contrário, seja difícil de acreditar. Os fatos, porém, são fatos, e atualmente, em todo o país, obtêm-se resultados surpreendentes.
No ano passado, por exemplo, enquanto em toda parte ecoavam lamentos pela queda da produção, somente os praticantes do método da agricultura natural, sem uma única redução, brilhavam com a alegria do aumento da produção. Vendo isso, os agricultores vizinhos que até então estavam indecisos não se contiveram e, às pressas, em várias regiões, sucederam-se novos adeptos. Portanto, acredito que não há mais dúvida de que, como prevejo, em poucos anos a maior parte do Japão terá migrado para esse método agrícola.
Sobre isso, há três anos venho publicando uma edição especial a cada primavera, usando os resultados do ano anterior como dados. Mas, à medida que o número de praticantes aumentava gradualmente, os relatos também aumentavam, e com as antigas oito páginas tornou-se impossível lidar com tudo. Por isso, desta vez, além de melhorar os tipos de letra, acrescentei quatro páginas, totalizando doze. Feliz ou infelizmente, diante da grande quebra de safra em todo o país como a do ano passado, este método agrícola, ao contrário, resultou em um grande aumento generalizado da produção. Considerando isso uma excelente oportunidade dada por Deus, aproveitou-se para atuar ativamente em um movimento de grande escala para conquistar membros. Por essa razão, já está preparada a impressão de um milhão de cópias adicionais, e espera-se que os senhores membros também se empenhem nessa diretriz.
Princípio do Método da Agricultura Natural
Explicar este princípio de modo a fazê-lo compreender por completo é impossível com o cérebro da ciência estabelecida. Portanto, pretendo explicá-lo com a ciência idealista que conheci através da revelação divina. Assim, pode ser que, no início, seja consideravelmente difícil de entender; mas, à medida que se ler e refletir atentamente, certamente se compreenderá. Se não for esse o caso, é porque se está preso à superstição científica — basta perceber isso. E o que eu explico é a verdade absoluta, demonstrada, acima de tudo, pelos fatos. Portanto, seguindo este princípio, é certo que haverá um aumento
Agora, vou aplicar o bisturi da ciência do espírito divino na essência do solo, mas, antes disso, é preciso conhecer o significado original do solo. Originalmente, quando o Criador primordial fez o ser humano, Ele criou o solo para produzir alimentos suficientes para nutrir o ser humano. Portanto, se nele se semeia a semente, ela brota, e gradualmente se desenvolve em caule, folhas, flores e frutos, chegando alegremente ao outono da colheita. Se assim é, o solo que produz este arroz não é, na verdade, um técnico maravilhoso? Não deveria ser altamente valorizado? Naturalmente, isto é o poder da natureza, portanto, o estudo disso deveria ser, sem dúvida, a tarefa da ciência. No entanto, a ciência cometeu um erro terrível: o erro foi confiar demais no poder humano, em vez do poder da natureza.
Então, o que é este poder da natureza? É o X, ou seja, o poder da natureza, gerado pela fusão do sol, da lua e da terra, isto é, do Elemento Fogo, do Elemento Água e do Elemento Terra. E, como todos sabem, o centro desta Terra é uma massa de fogo, que é a fonte da geração do calor terrestre. O espírito deste calor terrestre, atravessando a crosta terrestre, preenche o espaço até a estratosfera. Este espírito também tem dois aspectos: espírito e corpo. O corpo é o que a ciência chama de nitrogênio, e o espírito é ainda não descoberto. Junto com isso, o espírito irradiado do sol é o Elemento Fogo, que também tem espírito e corpo; o corpo é a luz e o calor, e o espírito é ainda não descoberto. O espírito irradiado da lua, além disso, é o Elemento Água; o corpo é toda a água, e o espírito é ainda não descoberto. Dessa forma, o que nasce da fusão e unificação dos espíritos ainda não descobertos desses três é o X. É por meio disso que todas as coisas são geradas, cultivadas e transformadas. Este X é o não-ser que é ser, e também a raiz da força vital de todas as coisas. Portanto, mesmo o crescimento das culturas agrícolas se dá por essa força, e esta força é o fertilizante infinito. Somente reconhecendo isso, amando o solo e respeitando o solo é que seu desempenho é surpreendentemente fortalecido. Este é o verdadeiro método agrícola, e não pode haver outro método agrícola senão este. Portanto, ao praticar este método, o problema é fundamentalmente resolvido.
Aqui, há mais um ponto importante. É que os seres humanos até hoje pensavam que a vontade/pensamento, como a razão e a emoção, existia apenas nos animais. No entanto, se ouvirem que, surpreendentemente, isso também existe nas substâncias inorgânicas, ficarão boquiabertos. Naturalmente, o solo e as plantações são iguais. Portanto, ao respeitar o solo e amar o solo, o desempenho do próprio solo é plenamente manifestado. Para isso, acima de tudo, é não poluir o solo e torná-lo mais puro. Com isso, nem é preciso dizer que o solo sente alegria e se torna ativo. A diferença da vontade/pensamento em relação aos animais é que, enquanto os animais são livres e ativos, o solo e as plantas são não-livres e estáticos. Portanto, se, em relação ao arroz também, com um sentimento de gratidão, desejar-se uma colheita abundante, o coração se comunica e a graça certamente virá. Foi por não conhecerem esta verdade, e por descartarem como inexistente tudo o que é invisível e intocável, que houve uma grande falha na ciência.
Aspectos Técnicos deste Método, entre Outros
O princípio deste método agrícola provavelmente foi compreendido, mas escreverei alguns pontos que devem ser conhecidos ao praticá-lo. Como também se vê nos numerosos relatos em outra seção (omitidos na revista), no início, sem exceção, as mudas são finas, de cor amarelada, realmente fracas, causando pessimismo. Além disso, sofrem desprezo e zombaria das pessoas vizinhas e familiares, e até recebem conselhos, não sendo de se estranhar que surja dúvida. No entanto, como há uma base de fé, se suportarem rangendo os dentes, quando esse período passar, gradualmente se recuperam e, aliviados, suspiram. Na época da colheita, além disso, surpreendentemente, há até um certo aumento na produção, e então, com espanto e alegria, renascem. Este fato não tem uma única exceção.
Explicando isto, é assim: o fato de serem fracas no início é, naturalmente, devido à toxina do fertilizante. É exatamente como um viciado em entorpecentes ou um bêbado: logo após parar, perdem temporariamente a energia e ficam atordoados. Quando isso passa, gradualmente voltam ao normal e, a partir daí, melhoram ano após ano. Após alguns anos, as mudas já estão verdes desde o início. Isto é a prova de que o fertilizante acabou. Quando se chega a este ponto, é garantido; não há dúvida de que se obterão mais de 10 sacas (俵, hyō) por tan. Só por isso se pode ver o quão terrível é a toxina do fertilizante.
E o que é particularmente importante é o cultivo contínuo. Quanto mais se continua a cultivar um mesmo tipo, como arroz, mais o solo desenvolve um desempenho adequado a ele, tornando-se gradualmente vigoroso. Vendo isso, o desempenho do solo é realmente algo misterioso e maravilhoso, e isto é o X. Portanto, se purificarmos o solo o máximo possível e fizermos do cultivo contínuo uma regra, a colheita aumentará ano após ano, e mais de 20 sacas por tan não é, de forma alguma, um sonho. No entanto, o que se vê? Totalmente ao contrário, dedicam-se apenas a poluir o solo, pagando um alto preço. Não há palavras para descrever isso. Sobre este ponto, o que se aprendeu com a quebra de safra do ano passado foi que, quanto mais fertilizante foi aplicado, pior foi o resultado. Parece que alguns despertaram um pouco, mas com algo assim, ainda há um longo caminho pela frente.
Em seguida, sobre os aspectos técnicos: como se sabe, as atuais plantações de arroz, devido aos fertilizantes de longos anos, têm a superfície como uma parede de toxinas de fertilizantes. Portanto, é preciso romper isso e fazer a inversão do solo. No entanto, não pode ser nem muito profundo nem muito raso — dependendo do terreno, cerca de um shaku (aproximadamente 30 cm) é o ideal. Se, nessa ocasião, usar-se terra pura, melhor ainda, pois isso aumenta a quantidade de terra pura e neutraliza a toxina do fertilizante. O espaçamento entre as plantas, além disso, também deve ser de cerca de um shaku, e parece que plantar duas ou três mudas por cova é o ideal. No entanto, os aspectos técnicos dependem do clima e das condições do terreno, portanto, deve-se ajustar adequadamente.
Em seguida, é melhor parar de usar palha. Acima de tudo, nunca se deve introduzir corpos estranhos ao organismo que não sejam o solo. Então, por que se usou palha? Há uma razão para isso. Diz-se que, quando o Japão estava ocupado, havia uma cláusula nas regras das forças de ocupação que dizia que se deveria aplicar fertilizante nas culturas agrícolas. Aproveitando-se disso, um sujeito que, na época, usava o nome de cultivo sem fertilizantes como isca, tentava extorquir dinheiro, e parecia haver por trás também a intenção de, se possível, destruir a nossa Igreja e conquistar seguidores. Como era perigoso, mudei para "método da agricultura natural" e fiz com que usassem palha como fertilizante.
Em seguida, gostaria de chamar a atenção para duas ou três coisas. Ainda há palavras como "Johrei" ou "proteção divina" nos relatórios, mas, como já foi dito na edição especial do ano passado que não se deve ter um cheiro religioso, peço que prestem bastante atenção a partir de agora. Isto porque, se o aumento da produção só for possível para quem se converter, isso prejudicará a disseminação. Falando com base nos fatos, além disso, mesmo sem fé, se apenas se eliminar o fertilizante, é certo que haverá um aumento de 50% ou 100% na produção. O essencial é salvar o Japão de hoje o mais rápido possível.
Mais uma coisa que quero dizer é que este método agrícola não se limita ao aumento da produção de arroz. Há este benefício maravilhoso: ouvi recentemente de um especialista que a quantidade de eletricidade usada atualmente para fabricar sulfato de amônio é de pouco menos da metade do total do Japão. Se isso fosse interrompido, a eletricidade atual seria suficiente e ainda sobraria. Fiquei surpreso. Se assim for, quando todos os agricultores implementarem este método agrícola, as importações de arroz cessarão, não serão necessários fertilizantes, o trabalho dos agricultores será reduzido à metade e haverá excesso de eletricidade. O benefício que isso trará para toda a economia nacional será incalculável. Só por isso, posso garantir, sem medo de errar, que o Japão se tornará, de um salto, a nação mais pacífica e próspera do mundo.
Finalmente, há mais uma coisa surpreendente: é que, nem é preciso dizer, o dano da toxina do fertilizante não afeta apenas as plantações.
(Foto: à esquerda, arroz integral de cultivo natural; à direita, arroz integral cultivado com fertilizante)
O corpo humano também é igual. Ouço dizer que, nos últimos anos, os parasitas aumentaram drasticamente, especialmente nas áreas rurais. Isso provavelmente se deve ao fato de que as pessoas da cidade comem mais pão, enquanto os agricultores comem mais arroz. Há um exemplo adequado para isso: o relato (omitido na revista) e a foto estão publicados acima. Quem vir isso ficará horrorizado. Portanto, mesmo por este aspecto, pode-se compreender bem os danos e venenos do cultivo com fertilizantes.
Uma Religião que Não Pregue a Resignação
Eikō nº 235, publicado em 18 de novembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Pode-se dizer que, até hoje, todas as religiões, sem exceção, têm como fundamento último o ensinamento da resignação. Se analisarmos isso, veremos que a raiz da resignação reside no fato de ser absolutamente impossível resolver os diversos sofrimentos que enfrentamos. Assim, aquilo que atende ao desejo de, ao menos espiritualmente, escapar desse sofrimento é, justamente, um tipo de expediente de fuga chamado resignação — em outras palavras, isso se deve à total inexistência de métodos capazes de resolver tais sofrimentos. Para dar um exemplo, mesmo no caso de doenças e calamidades, como não podem ser resolvidas pela lógica humana nem pelo esforço, antigamente as pessoas buscavam auxílio na religião. Contudo, como isso também não funcionava, pregava-se a resignação. No entanto, com o advento dos tempos modernos, a ciência surgiu e demonstrou um poder extraordinário, levando o ser humano a acreditar que, por meio dela, seria possível resolver os problemas sem precisar se resignar.
Contudo, a realidade é bem diferente do que se esperava. De fato, a ciência satisfez os desejos humanos até certo ponto no aspecto material, mas, gradualmente, tem-se tornado evidente que, no que diz respeito às questões mais profundas e fundamentais, embora pareça possível resolvê-las, na verdade, há inúmeras situações em que isso é impossível. Pode-se dizer que vivemos atualmente uma era de dúvida.
A medicina é superstição?
Eikō nº 128, publicado em 31 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
A Medicina Atual
A medicina de hoje, falando-se com franqueza, não é uma medicina que cura as doenças, é uma medicina que se pensa que cura.
Ou melhor, é uma medicina que faz pensar que cura, e nada mais do que isso. De fato, os médicos se esforçam para descobrir uma medicina que cure as doenças, usando o corpo humano como material de pesquisa, mas a realidade é que não conseguem como desejam. Dizendo isso, como não há outra maneira de pensar, eles se agarram a este método como se fosse o único. Na expectativa de que, se continuarem assim, algum dia a medicina que verdadeiramente cura as doenças venha a avançar, centenas de milhares de especialistas em todo o mundo se fecham em laboratórios de pesquisa e, como mencionado anteriormente, usam como material de pesquisa não apenas os seres humanos, mas também camundongos e cobaias.
E quando a doença se agrava um pouco, insistem em que o paciente se interne a torto e a direito. Se ele pergunta: "Se eu internar, ficarei curado?", não podem garantir. Justificam-se: diante daquele quadro clínico, não há outro método senão a internação. Se refletirmos bem nessas palavras, porém, quando não há perspectiva de cura, fica claro que o objetivo não é outro senão usar o paciente como material de pesquisa. Em outras palavras, o paciente paga uma alta taxa de internação para servir de material de pesquisa e ainda oferece a própria vida sem hesitar; é realmente uma história edificante. A história a seguir é muito semelhante a isso, então vou escrevê-la.
Foi em 14 de agosto do 20º ano da Era Showa (1945), véspera do fim da guerra. Sua Majestade, o Imperador, convocou o então Ministro do Exército, o Sr. Anami, e perguntou: "Você acha que venceremos esta guerra?". O Ministro do Exército respondeu: "Não, não há perspectiva de vitória". Sua Majestade disse então: "Se é uma guerra sem perspectiva de vitória, não seria melhor pará-la?". O Ministro do Exército respondeu: "Não, não podemos pará-la". Conta-se que Sua Majestade, espantado, ordenou: "Está bem, retire-se". No dia seguinte, 15 de agosto, aconteceu o que todos sabem, e naquela noite o Ministro do Exército cometeu seppuku, como é de conhecimento geral. Naturalmente, pode-se imaginar que a causa foi a razão acima.
É exatamente o que se vê na situação descrita antes, e o mesmo se poderia dizer das palavras do médico ao indicar a internação. A única diferença é que, ao ouvirem "não podemos garantir, mas interne-se", muitos, ainda que estranhem, internam-se — por pura resignação, ao que parece. Há casos ainda piores: mesmo quando o médico admite que não sabe se a operação curará, há pacientes que insistem em operar e, à força, conseguem internar-se e ser operados. É claro que não dá certo — afinal, na maioria dos casos, nem quando o médico garante dá certo. Além disso, o paciente que se submete a uma cirurgia assina sempre um documento declarando que não reclamará, aconteça o que acontecer. Isso também é perigoso; no fim das contas, é uma aposta de tudo ou nada.
Diante do exposto, a cirurgia merece reflexão cuidadosa. Percebe-se, pelo que foi dito, que a medicina atual ainda não avançou o bastante para merecer confiança.
No entanto, como sempre digo, de nosso lado não há perigo algum: em oito ou nove entre dez casos, a cura é certa. Por isso, escrevi a verdade tal como é. Mas as pessoas do mundo, que não sabem disso, rotulam a medicina religiosa de nossa Igreja de superstição charlatã, e muitas desperdiçam suas preciosas vidas. Não há palavras para expressar o que sinto diante disso.
Advertência aos profissionais da medicina
Eikō nº 171, publicado em 27 de agosto do ano 27 da Era Showa (1952)
Nossa Igreja tem demonstrado, pela teoria e pela prática, o quanto a medicina moderna é equivocada. Mais de dez anos se passaram desde que começamos essa divulgação; portanto, a maioria dos senhores médicos provavelmente já tem conhecimento disso.
O que desejo ressaltar, no entanto, é que a teoria de nossa Igreja, ano após ano, brilha com intensidade crescente. A tese central — a medicina cria doenças e os medicamentos tornam-se causa das enfermidades — consolida-se gradualmente como verdade inquestionável. Sobretudo, os relatos de graças abundantemente publicados no jornal Eikō, órgão de divulgação de nossa Igreja, são todos cartas de agradecimento de membros. Esse só fato dispensa maiores comentários. Cada relato é de uma vítima do tratamento médico; não há quase nenhum caso positivo — todos, sem exceção, são terrivelmente negativos. Foi por isso, claro, que essas pessoas buscaram nossa Igreja e foram salvas. De qualquer forma, observar a trajetória daqueles que, depois de gastar enormes quantias com despesas médicas e receber tratamento extremamente dedicado, só pioraram até chegar a um beco sem saída evidencia como o tratamento médico agravou a doença, criou enfermidades secundárias e como os medicamentos causaram danos e venenos.
Que, por tanto tempo, ninguém em todo o mundo tenha percebido erro tão profundo da medicina é algo que só se pode descrever como grande mistério. Apesar de os especialistas de todos os países dedicarem o mais vivo entusiasmo às pesquisas, e de as autoridades governamentais envidarem todos os esforços, seguindo as instruções dos médicos em todas as instalações, a enxurrada de doentes não dá sinais de parar; os lamentos são constantes, como todos sabem. Se é assim, mais claro que a luz do dia está que essa medicina equivocada será inevitavelmente levada à ruína, mais cedo ou mais tarde — e esse momento se aproxima.
A razão é que, por meu intermédio, a verdadeira causa das doenças foi descoberta e, ao mesmo tempo, nasceu um método que, sem máquinas, medicamentos ou qualquer tipo de material, é capaz de curar completamente qualquer doença. As pessoas curadas de doenças graves e difíceis por essa terapia despertaram para a verdade sobre a doença e a saúde, libertaram-se de toda ansiedade em relação às doenças e tornaram-se perfeitamente saudáveis. Desse estado de alegria, ao olharem para a sociedade e verem quantos são prejudicados e sofrem com a medicina, não conseguem se conter. Com a firme determinação de salvar o maior número possível de pessoas, dedicam-se a difundir essa terapia, e multiplicam-se a cada dia.
Se esses experientes continuarem a aumentar como fogo em campo seco, não pararão enquanto não consumirem completamente a medicina mundial. Como isso é absoluto, todos os envolvidos com a medicina no mundo inteiro deveriam refletir e se preparar desde já. Caso contrário, é fácil prever o pânico que os tomará ao se depararem com a grande crise que se aproxima. Não o digo para assustar; digo porque é definitivo. Preocupado com isso, deixo este aviso com sinceridade e antecedência: embora eu esteja empenhado na sagrada obra de salvar a humanidade e transmitir o grande amor de Deus, não desejo criar nenhum infeliz.
Ainda que eu o diga, um terceiro certamente achará impossível acreditar. É como alguém que, sem provar, já não gosta de um alimento, ou como quem não tem afinidade com nossa Igreja por nunca ter tido contato com ela. Acima de tudo, peço que, com grande discernimento, investiguem e estudem a realidade do tratamento de doenças por nossa Igreja. Se constatarem que não há a menor falsidade em minhas palavras, deem uma guinada de cento e oitenta graus. De todo modo, em futuro próximo, chegada a oportunidade para o declínio da medicina moderna, surgirá em seu lugar a era do florescimento da Medicina do Espírito Divino. Sabei que isso é natural e inevitável.
Beethoven
Eikō nº 214, publicado em 24 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Recentemente, assisti a um filme alemão intitulado "Eroica", produzido pela Wien-Film, que retrata a trajetória do grande mestre da música, Beethoven, da meia-idade até seus últimos anos.
É uma obra-prima dos tempos atuais, tão envolvente que não se consegue desviar o olhar do início ao fim. O ator que interpreta o protagonista tem atuação magnífica e condigna. Sobretudo as cenas comoventes após a perda da audição apertaram meu coração. Ao assisti-lo, porém, refleti profundamente sobre a causa dessa enfermidade. Trata-se de toxinas acumuladas na cabeça: pela profissão, ele concentrava os nervos nos ouvidos por longos períodos, fazendo com que as toxinas se acumulassem e endurecessem gradualmente entre o tímpano e o nervo auditivo. Segundo o Johrei, é enfermidade que se cura com facilidade. Contudo, que pena! Por causa da grande diferença de época e de país, esse grande artista, justamente quando estava prestes a alcançar o ápice, encerrou o capítulo de sua vida.
É uma lástima. Ao pensar nas obras-primas que poderia ter criado se vivesse mais alguns anos, sinto profundo e reiterado pesar. No futuro, naturalmente, ainda poderá haver grandes gênios e pessoas ilustres que partam deste mundo na metade do caminho. Por isso, anseio sinceramente que a terapia dos espíritos de divindades de nossa Igreja Messiânica seja conhecida em todo o mundo o mais depressa possível.
Reconheçam a Vontade Divina
Eikō nº 237, publicado em 2 de dezembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Já escrevi sobre isso antes: o ser humano do futuro nasceu originalmente com a missão de construir o mundo ideal, que é o propósito de Deus. Agindo de acordo com esse propósito, poderá sempre trabalhar com alegria, sem doenças e sem desastres — essa é a verdade imortal.
No entanto, em virtude das toxinas medicamentosas herdadas dos ancestrais e das que, após o nascimento, a pessoa ingere por desconhecer a verdade, ela pode contrair doenças — isso é inevitável. Para Deus, contudo, seria uma perda que uma pessoa útil não pudesse trabalhar por causa de uma doença; por isso é natural que Ele a cure prontamente, e não há motivo para preocupação. Quem não sabe disso, porém, usa venenos chamados remédios para suprimir as doenças, o que está totalmente fora da verdade; assim, a cura não tem como ocorrer tranquilamente.
Isso não se aplica apenas às doenças: todos os outros desastres são semelhantes, pois tudo é processo de purificação. Ainda que seja a mesma ação purificadora, sua manifestação difere naturalmente conforme a causa.
Por exemplo, os pecados e impurezas ligados a dinheiro e bens materiais — roubo, apropriação indébita, causar prejuízo a outros, fazer luxos incompatíveis com a posição social — expiam-se também por meio de dinheiro e bens. Vemos com frequência, no mundo, filhos devassos de ricos que gastam como água a fortuna deixada pelos pais; isso também serve para eliminar os pecados e impurezas dos pais e ancestrais. Os espíritos ancestrais, para que sua linhagem não se extinga e desejando cada vez mais a prosperidade da família, escolhem um dos descendentes para essa purificação.
Nesse caso, por mais que se aconselhe a pessoa, é o mesmo que pregar no deserto. Suponhamos dois irmãos: o mais velho, um filho pródigo incontrolável; o mais novo, honesto e correto. À primeira vista, o mais velho parece mau e mancha o nome dos ancestrais; mas, do ponto de vista do Daijo, é o contrário — porque, no que diz respeito a eliminar os pecados e impurezas dos ancestrais, é ele quem presta maior serviço. Assim, o bem e o mal não podem ser determinados pelo pensamento humano.
Da mesma forma, ser vítima de incêndio, ser roubado por um ladrão, cair em golpe, perder dinheiro tentando lucrar com ações, corridas de cavalos ou bicicletas, fracassar nos negócios ou gastar dinheiro com doenças — todos os pecados materiais são purificados por meio da matéria. Por isso, ainda que se possa escapar às leis humanas, as leis de Deus são absolutas: não há o que fazer. A purificação ocorre, assim, sempre segundo esse princípio de correspondência.
Há também o sofrimento que se experimenta depois de entrar na fé: quanto mais fervorosa a pessoa se torna, mais sofre. Por isso, as pessoas de fé superficial acabam se perdendo em dúvidas — mas é exatamente aí que está o momento crucial.
Qual é a razão disso? Diante do fervor da pessoa, Deus deseja conceder-lhe sem demora os benefícios materiais; mas, como ainda há impurezas, é necessário purificá-las primeiro — purificação semelhante à lavagem de um recipiente. Se a pessoa perseverar sem se desviar nem um pouco, assim que essa purificação terminar, poderá receber uma graça tão maravilhosa quanto jamais imaginou.
Vou contar minha própria experiência a esse respeito. Durante vinte anos, sofri com dívidas; por mais que me desesperasse para pagá-las, nada adiantava, e acabei desistindo. Foi somente no décimo sexto ano da Era Showa (1941) que finalmente consegui quitar tudo, e pensei: “Ufa, que alívio!” No ano seguinte, o décimo sétimo ano (1942), comecei a receber uma quantia de dinheiro que nem imaginava, e fiquei surpreso com a profundidade da Vontade Divina.
Diz-se também no mundo que “incêndio traz prosperidade” — isto é, depois da purificação, a sorte melhora. O mesmo se aplica ao grande incêndio de Atami: comparando a situação anterior ao incêndio com a de hoje, a diferença é abismal.
Assim, as coisas boas são obviamente maravilhosas, mas as coisas ruins também concorrem para a purificação; e, uma vez concluída, é certo que a situação melhorará. Por isso, não importa para que lado a situação se incline: tudo é maravilhoso. Se considerarmos que a ausência de doenças é maravilhosa e que a própria doença também o é, alcançamos o verdadeiro estado de paz e contentamento (anshin ryūmei).
Isso, porém, vale apenas para os que têm fé. Para os que não a têm, é o oposto: o sofrimento gera mais sofrimento; quanto mais a pessoa se desespera, pior fica e, por fim, acaba afundando no abismo do inferno. Por esse princípio, o segredo da felicidade humana está em compreender este Caminho Perfeito.
Meus Textos e Outras Coisas
Sobre Meus Nomes
Eikō nº 121, publicado em 12 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Recentemente, o Sr. Yūji Hongō escreveu, de um ponto de vista psicológico, a respeito do termo “discípulo”, que às vezes uso ao me referir aos crentes. Achei o comentário interessante e por isso escreverei um pouco sobre o assunto. Atualmente, desempenho principalmente a função de Komyo-Nyorai — posição equivalente à de Shaka-Nyorai e Amida-Nyorai — e peço que considerem que emprego esse termo no mesmo sentido dos “Dez Grandes Discípulos” que Shaka-Nyorai costumava mencionar. Além disso, como é fácil confundir os que se dedicam exclusivamente ao Johrei com os crentes comuns, essa forma de falar torna tudo mais claro.
Como o senhor observou, antigamente fui chamado de Grão-Mestre; mas, naquela época, tratava-se de uma prática de Bodhisattva como Kanzeon-Bosatsu, e por isso o termo era adequado.
Depois de me tornar Nyorai, porém, mudei para o nome de Meishu. Ademais, “Jikan” significa que eu mesmo exerço a função de Kannon, e foi por essa razão que também me dei o nome de waka “Meimaro”. O nascimento de Sua Alteza Imperial, o Príncipe Herdeiro, ocorreu em 23 de dezembro de 1933 — data que também é o dia e o mês do meu próprio nascimento, por isso não a esqueço. Foi justamente nesse 23 de dezembro de 1933 que, por recomendação dos crentes, realizei pela primeira vez uma comemoração de nascimento. Por essa razão, e para homenagear o anúncio do nome de Sua Alteza como Akihito, dei a mim mesmo, naquela época, o nome de “Meimaro”.
Além disso, uso também, num tom mais humorístico, o nome “Meigarasu Aho”, que também tem sua origem. No início da Era Meiji (1868-1912) havia, em Osaka, um mestre de kanku (gênero de poesia encadeada humorística, também chamado kanmuritsuke) chamado “Asanebō Kōraku”, muito reconhecido à época. Seu sucessor de segunda geração foi o mestre Onisaburo Deguchi, da religião Oomoto, que, sob o nome de “Asanebō Kanraku”, incentivava ativamente os crentes a compor kanku. Tornei-me seu discípulo e, como gostava muito disso, esforcei-me bastante — como resultado, recebi o nome de “Asanebō Kigetsu”, de terceira geração.
Depois disso, como também se sabe pela “Fonte do Riso”, tornei-me selecionador e, por um tempo, incentivei ativamente dezenas de discípulos a compor kanku. Naquela época, porém, eu dormia muito pela manhã e desejava tornar-me uma pessoa que acordasse cedo. Foi então que mudei para o nome atual, “Meigarasu Aho”. Curiosamente, depois disso passei a acordar cedo, hábito que mantenho até hoje — prova de que não se pode subestimar o maravilhoso poder do espírito da palavra.
Assim, Deus me dá nomes adequados à minha posição espiritual e à natureza do meu trabalho a cada momento; por isso, penso que, daqui em diante, esse nome poderá mudar ou não. Pensando bem, porém, o espírito da palavra “Meishu” é praticamente equivalente ao de “Messias” — de modo que talvez eu venha a receber, um dia, o próprio nome de “Messias”.
Sarampo Não é Nada
Eikō nº 205, publicado em 22 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
Jornais e rádio noticiam que, neste ano, o sarampo parece que vai se alastrar bastante; para a saúde, porém, isso é uma boa notícia.
Por quê? Porque essa doença é o processo de excreção do sangue tóxico que a pessoa possui desde o nascimento — ou seja, uma purificação — e, mesmo que se deixe como está, certamente se cura. A própria medicina reconhece isso, mas teme apenas as doenças secundárias, como pneumonia e otite média. Isso ocorre, porém, porque, quando se fazem compressas ou se usam medicamentos, a purificação é interrompida, e o veneno, sem ser totalmente eliminado, permanece no corpo. Por isso, quando o sarampo aparecer, basta não fazer compressas para que a cura seja certa. Além disso, quando sobrevém a pneumonia, a respiração se torna muito ofegante e parece dolorosa, o que assusta as pessoas ao redor — mas isso não é nada demais.
Se deixado como está, o sarampo se cura completamente em cerca de dois ou três dias. Isso porque as bolinhas do sarampo também surgem nos pulmões; como o volume pulmonar diminui na mesma proporção, a respiração precisa se tornar mais frequente. A otite média, por sua vez, é o sofrimento causado pelo veneno do sarampo, que se acumula naquela região e tenta ser eliminado; por isso, também se cura em dois ou três dias, sem que haja motivo para preocupação. Quando tratada pelo Johrei, aliás, essa doença ultrapassa o pico em dois ou três dias a partir do início e já se encaminha para a recuperação.
A Verdadeira Religião Daijo
Eikō nº 242, publicado em 6 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
É de conhecimento geral que existem, na religião, o Daijo e o Shojo; mas as explicações dadas até hoje por religiosos e estudiosos a esse respeito são, em sua maioria, extremamente vagas e descuidadas, e pode-se dizer que quase nenhuma toca a verdade última. Por isso, pretendo escrever aqui, de forma definitiva, sobre o tema. Antes disso, porém, é preciso compreender como se apresentam todas as religiões do mundo: desde os tempos antigos, cada uma tem por base o que seu fundador ensinou, com seu próprio método de conversão e sua própria forma — trata-se, por assim dizer, de uma divisão em cores diferentes.
Para falar diretamente: isso vale tanto para o budismo e o cristianismo, como religiões de alcance mundial, quanto para o Xintoísmo e o budismo no Japão; e, mais ainda, dentro de cada uma dessas seitas e escolas há também subdivisões, cada uma com sua própria coloração. Refletindo sobre isso, sinto que há aí uma irracionalidade fundamental. Isso porque, se o amor mútuo entre os seres humanos e o espírito de paz e cooperação constituem a própria essência vital da religião, o objetivo deveria ser um só — não seria natural, então, que também os meios e métodos não se dividissem em cores diferentes?
Se, no entanto, estão assim separadas umas das outras, o pensamento da humanidade naturalmente acompanha essa divisão, o que também se torna causa de confusão social. E, como a força das pessoas que estão do lado do bem — a religião — fica dispersa, torna-se impossível fazer frente ao poder das divindades malignas. Isso se confirma pelos próprios fatos: é sempre o lado oposto à religião, o lado do mal, que costuma vencer. É verdade que Deus é perfeito, e as divindades malignas alcançam apenas noventa e nove por cento dessa perfeição, de modo que, no final, é claro que Deus vence; mas, até lá, o sofrimento do lado do bem não é pequeno.
A esse respeito, tive, por experiência própria, muitas ocasiões assim: as divindades malignas, com seu poder pujante, quase detêm o controle, mantendo os olhos sempre fixos em nós, prontas para atacar à menor brecha. Chego a pensar que as antigas tradições de Satanás contra Cristo e de Devadatta contra Shaka Buda ainda permanecem inalteradas até hoje.
Vendo as coisas dessa forma, a religião precisa ter um poder superior ao das divindades malignas; sem isso, não se pode chegar a um mundo feliz em que o bem prevaleça. Somente quando isso acontecer é que todas as religiões convergirão numa só, o mundo se unirá como um só bloco e se realizará, então, um mundo feliz e livre de inquietação. Isso não é tarefa fácil — mas também não é impossível, pois o Paraíso Terrestre, objetivo do Deus Supremo, já está se aproximando. Sua base fundamental é, naturalmente, abandonar o Shojo e fazer do espírito Daijo a condição essencial: trata-se de um movimento supracultural que abrange absolutamente tudo sobre a face da Terra — religião, ciência, política, economia, arte — e que, para seu papel de liderança, exige o surgimento de um gigante dotado de poder e sabedoria sobre-humanos.
A Saúde é Tudo
Eikō nº 182, publicado em 12 de novembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Saúde, naturalmente, refere-se ao ser humano livre de doenças.
A respeito disso, o que considero intrigante é que estudiosos da religião e jornalistas defendam a tese de que, como as religiões dedicadas à cura de doenças têm como base as graças recebidas nesta vida, elas não seriam religiões superiores. Não pode haver engano maior do que esse. Desnecessário dizer que, para o ser humano que nasce e vive em sociedade, não há nada que atrapalhe e cause sofrimento tanto quanto a doença. E, ao examinarmos as causas das infelicidades e tragédias que ocorrem na sociedade atual, verificamos que, invariavelmente, a raiz de tudo é a doença — assim como se diz que por trás de um crime há uma mulher, pode-se dizer que por trás de uma tragédia há uma doença.
Assim, é absolutamente certo que, na proporção direta em que aumenta o número de pessoas saudáveis e livres de doenças, diminui o número de pessoas infelizes. Isso é uma questão individual, mas, do ponto de vista da nação e da sociedade, não pode haver fator mais negativo. Em última análise, a doença é a causa de tudo: quando se fala no mundo sem doença, pobreza e conflito, que é o lema da nossa Igreja, é evidente que, se a doença for resolvida, a pobreza e o conflito também o serão.
Isso é tão claro que dispensa maiores explicações. Mas, ao falarmos em doença, não nos referimos apenas ao corpo: a doença espiritual é, no mundo de hoje, o problema mais significativo.
Tomemos como exemplo a guerra. É evidente que aqueles que a iniciam e aqueles que a previnem são completamente opostos, assim como diferem os instigadores da guerra e o povo arrastado para ela. Em suma, os grandes líderes que tentam promover uma guerra são os piores. Examinando-lhes o íntimo, veremos o seguinte: movidos por ambição excessiva, mesmo depois de alcançar um sucesso que satisfaria uma pessoa comum, conservam uma capacidade e uma confiança extraordinárias, que os impedem de se conter, e acabam alimentando uma ambição desmedida e absurda. Como atestam os feitos de inúmeros heróis e grandes homens da história, chegam a conseguir o que querem por um tempo, mas, no final, sempre fracassam. Ao tentarem realizar as próprias ambições, sacrificam um grande número de pessoas, sendo verdadeiramente impiedosos.
Para uma pessoa comum, a simples ideia de sacrificar tantas vidas e produzir inúmeras pessoas infelizes já bastaria para fazê-la tremer diante de tamanho crime; esses líderes, porém, permanecem indiferentes. Isso ocorre porque, por mais heróis que sejam, há uma falha em seu espírito — são, de certo modo, anormais mentais. Da mesma forma, aqueles que só pensam em si mesmos, não se importam com os outros, são egoístas ao extremo e desprovidos de amor ou compaixão também apresentam, de algum modo, essa falha espiritual.
Algo interessante que aprendi em minha longa experiência é que pessoas com falhas no espírito invariavelmente também apresentam falhas no corpo. Há, porém, pessoas — heróis ou vilões — extremamente saudáveis; isso ocorre porque, embora possuam grande quantidade de toxinas, estas se acham solidamente consolidadas. Diante disso, seja pela religião, pela ciência, pela filosofia, pela educação ou por qualquer outro meio, o que importa é conseguir eliminar a doença do ser humano.
Contudo, como poder capaz de curar verdadeiramente a doença, não existe absolutamente nada além da Luz Espiritual, com o símbolo do círculo, que possuo.
Religião e Conhecimento Acadêmico
Eikō nº 243, publicado em 13 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
É algo que normalmente passa despercebido, mas vemos com frequência, nas seções de cultura e arte dos jornais, artigos em que estudiosos discutem religião. Pensando bem, porém, trata-se de uma situação estranha: o estudo acadêmico pertence à ciência material, enquanto a religião pertence à ciência espiritual — uma inversão, portanto, do que é fundamental. Ainda assim, a sociedade atual não estranha em nada essa inversão, e ela parece ser tratada como algo natural.
A razão para isso, em suma, não é outra senão a impotência da religião atual. Embora a forma atual da religião pareça digna de respeito apenas com base na tradição, na forma e na lógica, ela quase não possui, como se sabe, conteúdo capaz de satisfazer os conhecedores no que se refere à vida prática. Sob esse ponto de vista, se o estudo acadêmico tem mais valor prático do que a religião, é natural que as pessoas deem mais importância a ele do que a ela.
Afinal, numa sociedade tão complexa e marcada por competição feroz pela sobrevivência, as pessoas, naturalmente, só se voltarão para algo de valor prático extremamente poderoso — a mera salvação espiritual é sem sentido. Considerando esse fato, não se poderia censurar precipitadamente os artigos de jornal mencionados. Falando sem reservas: se existisse uma religião com poder para salvar aquilo que o estudo acadêmico não pode salvar, seria natural que fosse tratada como superior a ele; mas a verdade é que, no momento, praticamente não existe religião assim.
Não se trata de autoelogio, mas, honestamente, creio não ser exagero dizer que a nossa Igreja Messiânica é exatamente essa religião.
O Motivo do Aumento da Longevidade Humana
Eikō nº 234, publicado em 11 de novembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Diz-se que, nos últimos tempos, a longevidade humana aumentou, e atribui-se essa causa ao avanço da medicina; vou escrever, porém, sobre como isso é um grande equívoco.
O que está por trás disso, em suma, é a relação entre os medicamentos da medicina chinesa e os ocidentais. Os japoneses de outrora tinham vida curta porque usavam medicamentos da medicina chinesa que, como todos sabem, só fazem efeito quando tomados em quantidade extremamente grande. Nos últimos tempos, porém, esses medicamentos quase desapareceram de cena, e o termo "medicamentos comuns" passou a designar os ocidentais. Estes, embora não difiram muito dos chineses como substância tóxica, são usados em quantidade extremamente pequena, de modo que o dano também é pequeno — e esta é uma das razões para o aumento da longevidade.
Como se pode perceber também historicamente, mesmo no Japão antigo as pessoas comuns viviam mais de cem anos; mas, por volta do ano 1128 da era Kōki (aproximadamente 468 d.C.), na época do Imperador Yūryaku, os medicamentos da medicina chinesa chegaram junto com a cultura chinesa e, a partir de então, começaram a surgir pessoas que realmente pareciam doentes, enquanto a duração da vida se encurtava gradualmente.
Outra razão é que, com o avanço recente da farmacologia, a força da toxina medicamentosa para interromper a purificação tornou-se maior; em contrapartida, o modo como os efeitos colaterais se manifestam foi adiado — o que amenizou consideravelmente o atrito entre a purificação e sua interrupção. Soma-se a isso o fato de que os componentes dos medicamentos recentes são completamente diferentes dos de antes: a descoberta dos antibióticos teve grande efeito nesse sentido.
É que, como médicos e pessoas experientes sabem bem, por mais eficaz que seja um medicamento, se continuarmos a usá-lo por muito tempo o corpo se torna imune e ele gradualmente perde o efeito.
Ao trocar de medicamento, ele volta a funcionar bem por um tempo; mas, se continuarmos com os antibióticos, é claro que, mais cedo ou mais tarde, voltaremos à estaca zero.
Dessa forma, como a eficácia dos medicamentos tem um limite, mesmo quando há cura não se pode ficar tranquilo, pois não se trata de uma cura radical. Acima de tudo, hoje em dia há um número muito grande de pessoas que, mesmo doentes, seguem trabalhando de alguma forma. Isso se deve, como mencionado, ao fato de que a supressão temporária das doenças se prolongou mais do que antes, dando às pessoas a ilusão de que isso era um progresso.
Por isso, aumenta o número de jovens com uma saúde passiva, semelhante à dos idosos, enquanto diminuem gradualmente os seres humanos cheios de vitalidade — como se vê, nos últimos tempos, entre os povos da Inglaterra, da França etc. As autoridades do nosso país, porém, desconhecendo essa verdade, incentivam desmedidamente a medicina e a higiene, sempre alertando para não se esforçar demais, para se cuidar etc. Percebe-se, com isso, que a saúde, na verdade, vem se deteriorando.
Nova Religião e a Idade do Mundo
Eikō nº 244, publicado em 20 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Atualmente, a sociedade em geral chama vagamente de "nova religião" aquelas que surgiram recentemente. É natural que assim seja, mas o que devemos considerar é o conteúdo: mesmo que a forma seja nova, a menos que o conteúdo a acompanhe, não se pode dizer que seja uma nova religião no verdadeiro sentido — e, em geral, as pessoas parecem não perceber muito esse ponto.
Gostaria de examinar isso à luz dos fatos. Em primeiro lugar, mesmo as chamadas novas religiões de hoje, na realidade, em sua maioria, são construídas sobre doutrinas criadas há centenas ou milhares de anos, com a adição de sabedoria humana; falando com rigor, portanto, não são novas religiões. Classificando-as grosseiramente, pertencem ou ao xintoísmo ou ao budismo; como algo que não pende para nenhum dos dois lados, parece não haver quase nenhuma além da nossa Igreja Messiânica. Com efeito, como os próprios fiéis sabem, a nossa Igreja inclui os ensinamentos do xintoísmo, do confucionismo e do budismo, mas apenas até certo ponto.
Possui, acima de tudo, uma base própria, ao mesmo tempo ampla e profunda, livre e desimpedida — uma religião como esta provavelmente nunca existiu antes. E sua essência transcende o nível de todas as religiões, filosofias e ciências.
Não sei se é presunção minha, mas creio que ela é como o Monte Fuji, que se ergue elevado e supera de longe todas as outras montanhas — por isso, é natural que não possa ser facilmente apreendida pelos conceitos da cultura estabelecida. Em outras palavras, pode-se dizer que é a ciência mais avançada do futuro, que deu um salto decisivo além do século XX.
Por essa razão, não havia como nomeá-la; e, como também seria problemático ficar sem nome, provisoriamente a chamamos de Igreja Messiânica.
Farei aqui, primeiramente, uma crítica geral às religiões atuais. Como é sabido, em qualquer religião, não apenas o fundador ou o patriarca, mas também seus sucessores, suportaram todas as formas de práticas ascéticas, lutaram, esforçaram-se e superaram crises para salvar as aflições de todos os seres. Embora tenham alcançado certo grau de mérito, foi difícil ir além disso, e por isso nada podem fazer diante do Inferno de hoje. Não é preciso nem perguntar onde estava a causa: faltava-lhes poder, e também não havia chegado o tempo certo. De fato, até hoje, o Deus Supremo apressou o desenvolvimento da cultura material e deixou a cultura espiritual para depois — e a razão fundamental para isso era que o mundo ainda era jovem em idade.
Agora, porém, chegando finalmente à segunda metade do século XX, a humanidade, como um jovem de vinte anos, tornou-se adulta. É neste momento que Deus, pela manifestação de Seu verdadeiro poder, estabelecerá um mundo civilizado com corpos espirituais completos — a renovação e a unificação de tudo: o falso torna-se verdadeiro, o mau torna-se justo, o ilusório torna-se real, a discórdia torna-se harmonia, o feio torna-se belo. Fui eu quem foi escolhido como seu guia, atuando como representante de Deus, e, como uma das manifestações disso, exerço agora um poder sobre-humano.
Como exemplo, por meio de apenas três dias de curso (aula) de preparação para receber o Ohikari (kyoshu), estou dando a cada pessoa o poder de manifestar milagres semelhantes aos de Cristo. O número desses discípulos já chega a centenas de milhares, e continua aumentando cada vez mais, como se pode ver. Como exposto acima, a flecha do Deus Supremo já foi disparada do arco — estamos prestes a abrir as cortinas do grande drama da renovação mundial.
Em breve, cenas de tirar o fôlego, que farão o sangue ferver e a carne saltar, se desenrolarão diante de todos. A humanidade será envolvida num turbilhão de medo, tremor, comoção e interesse, e começará uma dança caótica de alegria e tristeza entre pessoas de toda sorte. Tudo isso se desenrolará conforme o tema traçado por Deus desde o princípio — e a magnitude e a multiplicidade dessa escala superam a imaginação.
Eu, como seu diretor de cena, exercerei a partir de agora uma atividade livre e desimpedida, com mil transformações, manifestando grandes milagres. Como exemplo, ao colocar no peito um pedaço de papel com caracteres de luz, escritos em apenas sete segundos, posso manifestar milagres semelhantes aos de Cristo, salvando dezenas e centenas de milhares de doentes. Além disso, a luz espiritual alcança em um instante até mesmo a América e a Europa, a milhares de quilômetros de distância, com uma velocidade impossível de calcular cientificamente. Assim, em última análise, a civilização moderna sofrerá uma reviravolta de cento e oitenta graus, e será aqui estabelecida a base do Paraíso Terrestre.
No entanto, é cedo para nos alegrarmos com essa leitura. Por quê? Porque antes é preciso superar o grande obstáculo a que Cristo chamou de "O Juízo Final". Mas o grande amor de Deus, para que haja o menor número possível de vítimas, faz com que eu, como Seu representante, me encarregue dessa salvação.
A Vitória do Método da Agricultura Natural
Eikō nº 163, publicado em 2 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
Desta vez, ao ler o relato de uma reunião sobre os resultados do método da agricultura natural entre os seguidores da região de Sado, na província de Niigata, senti uma agradável sensação nunca antes experimentada.
Isso se deve ao fato de que, desde o primeiro ano de conversão ao método da agricultura natural, não houve uma única pessoa cuja colheita tenha diminuído: o relato mostra que todos, já a partir do primeiro ano, foram aumentando gradualmente a produção no segundo e no terceiro ano. Além disso, eram apenas pessoas que seguiram bem as minhas instruções — o que demonstra claramente que é possível aumentar a produção mesmo sem a prática do Johrei.
Não quero dizer, com isso, que os demais seguidores não estejam seguindo minhas orientações; mas muitos parecem incapazes de se libertar por completo das superstições relacionadas a fertilizantes, cultivadas havia muito tempo, e acabam menosprezando minhas palavras. Ao misturar um pouco de suas próprias ideias, terminam por afetar os resultados na mesma proporção. Por exemplo, mesmo eu tendo dito para cortar a palha bem fina nos arrozais, há quem a corte muito comprida; ou, embora pelo costume local se chame “composto natural”, há quem queira misturar fezes humanas ou de cavalo. É comum, inclusive, que até os próprios orientadores misturem algo de suas ideias pessoais. Como parece haver ainda quem não utilize o composto natural puro tal como descrito, peço que prestem bastante atenção.
Dito isso, na verdade, no método da agricultura natural não há necessidade de orientadores — pois basta refletir bem sobre minhas palavras para compreendê-las suficientemente.
Muitas pessoas menos rigorosas tendem a se interessar pelos aspectos técnicos; mas, no caso específico do método da agricultura natural, não há grande necessidade de dar importância à técnica.
Basta pensar com senso comum: a base e o princípio fundamental de tudo isso é que basta eliminar rapidamente a toxicidade dos fertilizantes para que o solo manifeste sua própria capacidade.
O Segredo da Boa Sorte
Eikō nº 246, publicado em 3 de fevereiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Já escrevi sobre este assunto anteriormente, mas, ao observar a sociedade atual e ver um número excessivo de pessoas infelizes, resolvi tratá-lo agora de forma ainda mais aprofundada. Desnecessário dizer que, desde os tempos antigos, não há problema mais incômodo do que a sorte e o azar do ser humano — para qualquer pessoa, do nascimento até a morte, é inevitável não conseguir se libertar desse pensamento. Isso porque, no mundo, aquilo que mais se deseja compreender é, em geral, o que mais se mostra difícil de entender; se houvesse algum entendimento, nada seria mais maravilhoso.
Felizmente, porém, compreendi com clareza a raiz fundamental dessa questão. E, tendo confirmado isso também pela experiência prática, sem encontrar nenhum erro, exponho-a aqui com convicção.
Como todos sabem, não há nada tão vago e intangível quanto a sorte, no sentido genérico da palavra. E, como não se pode fazer nada a respeito por conta própria, não há outro jeito senão entregar-se ao destino — é isso que se pode chamar de sorte. Alguém disse: "A vida é um grande jogo de azar", e é bem verdade: mesmo as pessoas mais notáveis, em geral, acabam se resignando, sem conseguir uma iluminação completa sobre o assunto — talvez seja isso o que se possa chamar de destino predeterminado humano.
É também a partir do desejo ardente de, de alguma forma, agarrar a boa sorte que as pessoas agem; por causa disso, esgotam uma inteligência que não possuem, e a vida acaba sendo uma contínua labuta de desejos e ambições. Não há nada tão irônico quanto a sorte: quanto mais se tenta agarrá-la, mais ela escapa. Um provérbio ocidental diz que "a oportunidade da sorte é como uma franja na testa: se não for agarrada no instante em que passa, está perdida" — e é exatamente assim. Pela minha longa experiência, sinto-me como se fosse constantemente provocado por essa tal sorte.
Parece que vou agarrá-la facilmente, mas não consigo: ela fica pendurada diante dos olhos e, quando estendo a mão, escorrega e foge. Quanto mais a persigo, mais rápida é a fuga — é algo realmente muito difícil de lidar. No entanto, eu agarrei firmemente essa tal sorte.
Ao explicar isso, porém, há um ponto delicado: para os crentes, vá lá, mas, para as pessoas comuns, há aspectos bastante difíceis de compreender. Isso porque, ao observar as coisas, elas veem apenas a superfície, não o conteúdo — ou melhor, não conseguem vê-lo. No caso da sorte, porém, a causa está justamente no conteúdo; sem compreender isso, ela jamais poderá ser agarrada. A razão é que, quando o ser humano move o corpo físico, não é o corpo em si que se move, mas o coração — que está no conteúdo —, e é ele quem o move; a boa sorte, da mesma forma, depende essencialmente do conteúdo.
Vou explicar essa razão em detalhe. Expandindo o princípio acima, chega-se ao seguinte: a superfície é o mundo material, e o conteúdo é o mundo espiritual, um mundo invisível do espaço.
Esta é a organização deste grande mundo, feita assim pelo Criador. Assim como o coração move o corpo, o mundo espiritual move o mundo material; e, como tudo tem o mundo espiritual como principal e o mundo material como subordinado, basta que a sorte do espírito se abra no mundo espiritual para que isso se reflita diretamente no corpo, tornando a pessoa, naturalmente, uma pessoa de sorte.
Vou escrever agora com mais detalhes sobre o mundo espiritual. Ele possui um sistema de classes mais rigoroso e justo do que o mundo material, composto por cento e oitenta camadas divididas em três planos de sessenta camadas cada: o alto é o Paraíso, o baixo é o Inferno, e o meio é chamado de Mundo Intermediário, correspondente ao mundo material. Sei que, ao ouvir algo assim, as pessoas de hoje dificilmente acreditarão de imediato; mas fui informado detalhadamente por Deus e, além disso, por meio de uma longa experiência prática da relação entre o mundo espiritual e o mundo material, pude conhecer isso até o fundo do fundo — por isso não há erro algum.
Acima de tudo, são inúmeras as pessoas que, acreditando neste princípio e colocando-o em prática, agarraram a boa sorte até hoje — e eu mesmo sou uma delas, como se pode ver imediatamente observando de forma realista quão feliz é a minha situação.
Avançando um passo, vou explicar as camadas mencionadas. Como dito, se o corpo humano está no mundo material e o espírito no mundo espiritual, este deve estar em algum ponto entre as cento e oitenta camadas — como um registro. Esse registro, porém, não é fixo: move-se constantemente para cima e para baixo e, como o destino mutável o acompanha, o ser humano deve esforçar-se para subir o máximo possível. A parte inferior, desnecessário dizer, é o mundo do Inferno — um mundo de doenças, pobreza e conflitos, de demônios e monstros, uma procissão de cem demônios, trevas e ignorância, onde todo tipo de sofrimento se agita em turbilhão. Em contraste, quanto mais se sobe, melhor se torna, até chegar ao Paraíso, a Terra Pura, ideal de paz, luz, saúde, riqueza e harmonia; o meio é um nível mediano.
Se, como vimos, o registro do mundo espiritual se reflete no corpo e se torna o destino mutável, fica claro que a elevação da posição do espírito é a raiz fundamental da boa sorte. É comum vermos, pelos próprios fatos, pessoas que, tendo sucesso no mundo e sendo invejadas, sentem-se muito bem e imaginam que isso durará para sempre — mas que, sem que se saiba como, acabam fracassando, caindo e voltando à estaca zero. Isso ocorre porque não conhecem este princípio e confiam demais apenas no esforço humano; além disso, ao atormentar os outros e forçar as coisas, mesmo que aparentemente tenham sucesso, seu espírito cai no Inferno, e, pela lei de que o espírito é o principal e o corpo é o subordinado, o destino mutável segue exatamente esse rumo.
O espírito também tem peso, como a matéria: se é pesado, cai no Inferno; se é leve, sobe ao Paraíso. Desde os tempos antigos, fala-se do "fardo do pecado" — e é exatamente isso: as más ações tornam o espírito com nuvens espirituais e pesado, enquanto as boas ações o tornam leve e o fazem subir.
O segredo da boa sorte, portanto, é que o ser humano se abstenha do mal, não cometa pecados, pratique o bem tanto quanto possível e torne seu espírito leve. Sendo esta a verdade, afirmo categoricamente que não há outro método além deste. Compreende-se bem a lógica, mas, na prática, é algo bastante difícil. Existe, porém, um caminho que torna isso possível com facilidade: é justamente a fé. Por isso, quem deseja obter a boa sorte deve, antes de qualquer coisa, entrar na fé.
Johrei é a Terapia Científica (Primeira Parte)
Eikō nº 243, publicado em 13 de janeiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Há muito tempo, ouço frequentemente dos seguidores que, ao atenderem novos pacientes, estes perguntam sobre o princípio do Johrei.
Atendendo ao desejo de que eu explicasse o assunto de forma simples e fácil de entender, resolvi escrever a respeito. Isso porque não é sem razão que as pessoas se surpreendem e querem saber o motivo ao verem doenças que não se curam nem com os tratamentos médicos convencionais se curarem de forma rápida e quase banal ao receberem o Johrei. É claro que, mesmo para quem já pratica o Johrei, deve ter havido uma época em que passou por essa mesma surpresa. Até agora, por ser cedo demais, eu não havia explicado o assunto de forma muito aprofundada — por isso escrevo detalhadamente aqui.
Desde os tempos antigos, está estabelecido que as doenças se curam com médicos e remédios. Além disso, os homens de hoje se tornaram completamente adeptos do cientificismo, que não acredita em nada que não seja a própria ciência; por isso, é natural que sofram para compreender o Johrei e queiram perguntar a respeito. O ponto mais crucial aqui é a relação entre a medicina e a ciência, que é preciso compreender primeiro. É desnecessário dizer que praticamente tudo pode ser resolvido pela ciência — mas, no que diz respeito à medicina, não só isso não é verdade, como o equívoco é enorme, pois existe uma diferença fundamental entre o ser humano e tudo o que não é humano.
Vou explicar isso em detalhe. Em primeiro lugar, o ser humano é o ser vivo mais elevado entre todas as coisas do universo, possuindo algo verdadeiramente misterioso e sublime que a sabedoria humana não pode mensurar.
Como a ciência desconhece completamente esses pontos profundos, ela trata o ser humano como um mero animal, tendo como objeto apenas o corpo físico, que é matéria. Interpreta, assim, a doença como deterioração do corpo físico e tenta repará-la com substâncias materiais, como medicamentos e máquinas — um pensamento extremamente simplista — a realidade, porém, não é algo tão simples. No ser humano, além do corpo físico, existe um ser espiritual chamado força vital, mais importante que o próprio corpo, com o qual mantém uma relação íntima e indissociável que permite ao ser humano viver e agir.
Como o espírito é algo quase como o nada, porém, ele nunca foi descoberto pela ciência materialista, que por isso se dedicou apenas ao estudo do corpo físico — o que se vê claramente, por exemplo, na dissecação de cadáveres. Por mais que se diga que a ciência progrediu, tratando-se apenas do progresso de um dos dois lados, pode-se dizer que, por mais que se esforce, no final não passa de trabalho inútil. Como exposto, o ser humano é constituído por dois aspectos, espírito e corpo, sendo o espírito o principal e o corpo o secundário.
Esta é a lei de todas as coisas. Quanto à doença, o processo é o seguinte: as toxinas retidas no corpo transferem-se para o espírito, tornando-se nuvens espirituais. Surge então um processo de purificação natural e, à medida que essas nuvens se dissolvem, transferem-se novamente para o corpo, onde as toxinas são dissolvidas e eliminadas — e é a esse sofrimento que se dá o nome de doença. Em outras palavras, o primeiro processo é a trama da união entre espírito e corpo; o segundo, a urdidura em que o espírito é o principal e o corpo, o secundário. É fundamental compreender bem este princípio.
O que é, afinal, a essência das nuvens espirituais? É o surgimento de uma parte opaca no espírito, que originalmente é incolor e transparente. Como essa é a verdadeira causa da doença, eliminá-la é o que certamente cura a doença — e este método é o Johrei. Johrei, como as próprias letras indicam, é o meio de purificar as nuvens espirituais; esta é a verdadeira terapia.
Consequentemente, deve-se saber que todas as outras terapias são, na verdade, não-terapias. O exposto acima é o princípio fundamental da causa e do tratamento da doença: em suma, como a doença é o sintoma manifestado externamente e sua causa está nas nuvens espirituais internas, a eliminação destas é o verdadeiro método de cura.
Por não conhecer esse princípio, porém, a medicina considera que basta eliminar os sintomas manifestados. Por isso, mesmo quando há efeito, ele é temporário, e a recaída é certa — algo que os próprios médicos devem constatar com frequência.
Agora, avançando um pouco mais, tentemos explicar cientificamente o princípio fundamental do Johrei.
Por conveniência, seguindo as equações da ciência, examinaremos o assunto sob os dois aspectos da ciência teórica e da ciência experimental, pois este é, no momento, o método mais correto. O que são, afinal, as nuvens espirituais? São precisamente aquilo que os medicamentos tornaram tóxico, e sua essência é o Elemento Água impuro — isto é, o Elemento Água com partículas venenosas nele misturadas. Se essas partículas forem destruídas, o Elemento Água volta a ser puro, e a causa da doença é erradicada. Para isso, é necessário um calor extremamente alto, capaz de queimar por completo essas partículas venenosas — um calor tão intenso que nunca existira antes na Terra.
Felizmente, foi descoberto um fato muito conveniente para esta explicação: a chamada bomba atômica. Como todos sabem, o calor intenso da bomba atômica também era algo totalmente inexistente até então, descoberto pela primeira vez no século XX. Neste ponto, há grande semelhança — mais do que coincidência acidental, é, obviamente, uma expressão da Vontade Divina. A única diferença é que o calor da bomba atômica é o calor do corpo, enquanto o do Johrei é o calor do espírito; por isso, sua potência é incomparavelmente maior. O calor do corpo tem limites, mas o calor espiritual é tão intenso que não os tem, e por isso a ciência não pôde descobri-lo — e, mesmo que pudesse, não seria capaz de criá-lo artificialmente. Também sob esse aspecto, portanto, seu desempenho é incomparável ao da bomba atômica. Talvez, no futuro, quando a ciência tiver avançado muitas vezes mais do que hoje, isso possa ser descoberto, mas por ora é algo desconhecido.
Então, o que é essa essência? É a essência do sol, o espírito da luz e do calor, ao qual chamo de Elemento Fogo. Quando esse Elemento Fogo é irradiado sobre o Elemento Água impuro, apenas as partículas venenosas nele contidas são instantaneamente queimadas — ou seja, é queimada a própria causa da doença. Isso porque, diferentemente das impurezas materiais, as impurezas espirituais só podem ser queimadas pelo calor espiritual. Como método para isso, escrevo também o caractere "luz" num pedaço de papel, que distribuo aos interessados.
Quando a pessoa coloca esse papel no peito como Ohikari, o Elemento Fogo, constantemente irradiado pelo sol, flui através de mim até o Ohikari e é irradiado pela palma da mão dessa pessoa. Assim como o sol é a estação transmissora, eu sou a estação repetidora, e o praticante pode ser visto como o receptor. Com isso, as partículas venenosas são completamente destruídas, tornam-se Elemento Água puro e são absorvidas pelos fluidos corporais — e assim a doença se cura por completo.
Para explicar de forma ainda mais simples: se você direcionar a mão para a parte dolorida, a dor desaparece imediatamente, porque as nuvens espirituais daquela área se dissolvem num piscar de olhos e se refletem no corpo. Além disso, como as partículas venenosas são a origem de todos os germes — do bacilo da tuberculose aos demais germes infecciosos —, destruí-las por completo é, sem dúvida, a terapia ideal para a cura de todas as doenças.
Pelo exposto, creio que já se entendeu o essencial. Resumindo grosseiramente: o tratamento médico é um método de solidificar as toxinas que estão se dissolvendo, enquanto o Johrei é um método de dissolvê-las e eliminá-las ainda mais. O primeiro, portanto, é um método de preservação da doença, e o segundo, um método de sua eliminação. Olhando com imparcialidade, o que cura é ciência, e o que não cura é não-ciência — por isso digo que a medicina é não-ciência.
Basta observar as próprias explicações da medicina para entender bem isso: são minuciosas e detalhadas, mas, por serem superficiais e periféricas, sem tocar no fundamental, os próprios médicos devem reconhecer que não correspondem à realidade. É como estudar os galhos e as folhas de uma árvore prestes a morrer sem saber que a causa está na raiz.
Creio que, com isso, já se compreendeu em linhas gerais a patologia e a medicina. Em suma, a medicina moderna, por desconhecer o fundamental, é uma ciência inferior, sem racionalidade; em contraste, a terapia Johrei é uma ciência superior e racional, a ciência do futuro. Prova disso é que, quando se observa o efeito surpreendente do Johrei com a mentalidade da ciência inferior, admira-se isso como um milagre — mas, na verdade, não é milagre nenhum: é natural, pois há uma razão para a cura, e por isso ela ocorre.
O que todos certamente desejam saber, a esse respeito, é por que um poder tão maravilhoso como a essência do sol cura as doenças de todas as pessoas por meio de um ser humano como eu. Isso é verdadeiramente um enigma do século. Para explicá-lo, porém, será necessário revelar um mistério profundo — o que deixarei para uma próxima oportunidade.
Sobre a Morte de um Herói
Eikō nº 101, publicado em 25 de abril do ano 26 da Era Showa (1951)
Sempre considerei algo incompreensível o cérebro dos fabricantes de guerra. Isso não começou hoje, mas vem de tempos muito antigos: refiro-me ao estado psicológico de quem, para satisfazer as próprias ambições, não se importa em sacrificar a vida da maioria das pessoas. Pense bem: mesmo quando se mata uma única pessoa, não só se é acusado do crime de homicídio, como o próprio criminoso é constantemente atormentado pela consciência e sofre de remorso — como se vê com frequência nas palavras de confissão dos assassinos.
Esses, ainda que assassinos, são os de melhor índole; já os criminosos extremamente perversos, mesmo matando várias pessoas, dificilmente sentem remorso. Diz-se que "quando o mal é intenso, vence o céu": por um tempo, eles vivem no mundo de forma ostentosa. Mas, quando chega o momento da decadência — consequência do próprio mal — e são capturados e chamados a prestar contas de seus crimes, tremem diante do terror do mal e despertam. Junto com lágrimas de arrependimento, há até quem deixe palavras edificantes; ouve-se isso com frequência.
Raramente, há também indivíduos vis que, não apenas não sentem o menor remorso, mas, proferindo palavras de ódio, desaparecem como orvalho no cadafalso; estes são exceções.
Quando se trata de guerra, porém, a escala é outra. Os líderes, mesmo sem matar diretamente, promovem assassinatos em massa usando dezenas ou centenas de milhares de subordinados como suas mãos — e não apenas matam o inimigo, mas também os seus próprios aliados. Essa conduta cruel é, para um ser humano, algo absolutamente insuportável, que só pode ser descrito como obra de demônios malignos ou feras selvagens, algo que definitivamente não cabe em palavras.
Isso não significa, porém, que todo assassinato em grupo seja errado: se alguém ameaça com força militar os cidadãos de uma nação que deseja viver em paz, impedi-lo é legítima defesa perfeitamente válida — pois, se o ataque não for contido rapidamente, o dano só aumentará.
É claro, portanto, que isso não constitui crime algum. Deve-se dizer, acima de tudo, que os líderes que, por suas próprias ambições, sacrificam a vida da maioria sem olhar para trás possuem, de fato, um cérebro incompreensível — e é evidente que, enquanto esse cérebro não for transformado, a paz mundial jamais poderá se realizar.
Nesse sentido, as atividades de várias organizações pacifistas e grupos religiosos no mundo atual são, naturalmente, louváveis; mas, para atingir a raiz do problema, não há outro caminho senão extrair essa crueldade do cérebro dos líderes de hoje. Diante disso, muitos dirão que é quase impossível, e o que vem à mente de todos é a religião. Mas o fato de que as religiões até hoje não bastaram já está comprovado; é necessário, portanto, que surja algo X, uma religião revolucionária superior a todas elas. Creio que não sou o único a pensar assim.
Prefácio ao Livreto Explicativo da Agricultura Natural de Aumento Extraordinário da Produção
Eikō nº 79, publicado em 22 de novembro do ano 25 da Era Showa (1950)
Este pequeno livro explica um método de solução absolutamente vantajoso para o problema do arroz, que atualmente é considerado a maior preocupação do nosso país.
Como todos sabem, hoje não se colhe quantidade suficiente para alimentar a nossa população, havendo um déficit anual de mais de vinte milhões de koku.
Trata-se, portanto, de um problema grave. A causa disso é o uso de fertilizantes químicos e orgânicos (esterco humano), um fato tão inesperado que nem em sonhos se poderia imaginar. Pode-se afirmar que, enquanto não se despertar para isso, o aumento da produção será impossível. Este livro, porém, detalha o princípio de que, ao mudarmos para o nosso método da agricultura natural, poderemos obter um resultado inovador: um aumento de 50% na produção em cinco anos. Para comprovar isso, também estão incluídos dezenas de relatos de experimentos escritos pelos próprios agricultores, de modo que não deve haver margem para dúvidas.
Além disso, este método agrícola não requer nem um centavo de gasto com fertilizantes, economiza mão de obra, reduz os danos causados por tufões e inundações, e diminui drasticamente os danos causados por pragas — produzindo, assim, múltiplos efeitos. A implementação deste método, portanto, não apenas eliminará os problemas econômicos dos agricultores, como também trará benefícios incalculáveis para o país como um todo, que podem chegar a centenas de bilhões de ienes por ano. Não há palavras para descrever quão grande é esta descoberta, quase inacreditável, e que grande evangelho ela representa para a situação urgente em que se encontra a nação.
Para atingir este objetivo, realizaremos naturalmente uma grande campanha de divulgação e, para garantir sua completa difusão, fundamos agora a Associação para a Divulgação do Método da Agricultura Natural. Estabeleceremos, inicialmente, uma filial em cada vila e planejamos promover sua difusão por meio de uma ação coletiva. Pedimos, portanto, que todos compreendam plenamente este propósito, associem-se e iniciem a implementação o quanto antes. Todos os artigos publicados a seguir são uma coletânea das edições especiais de agricultura do jornal semanal "Eikō", publicado pela nossa Igreja, dos anos retrasado, passado e deste ano.
(Abril do 28º ano da Era Showa, 1953) A Vitória do método da agricultura natural (O Grande Poder do Solo) Em suma, o princípio do método da agricultura natural é fazer com que o grande poder do solo se manifeste.
Até hoje, os seres humanos não conheciam a verdadeira essência do solo; ou melhor, não lhes foi dado conhecê-la.
Esse desconhecimento levou ao uso de fertilizantes e, sem que se dessem conta, tornou-se impossível prescindir deles.
Isso se tornou uma completa superstição. Sobretudo no início, por mais que eu pregasse o cultivo sem fertilizantes, não havia quem me desse ouvidos; era recebido com um sorriso de escárnio. Aos poucos, porém, essa prática foi sendo reconhecida e, nos últimos anos, o número de agricultores naturais tem aumentado a cada ano, obtendo-se por toda parte resultados surpreendentes nas colheitas. Contudo, por enquanto, isso ainda não ultrapassou o círculo dos crentes; gradualmente, porém, em várias regiões, começam a surgir simpatizantes mesmo entre os não crentes, e o número de praticantes desse cultivo cresce com notável rapidez e força. Prevê-se que não esteja distante o dia em que isso se espalhe por todo o Japão. Assim, a divulgação deste método agrícola pode ser chamada, em essência, de um movimento para quebrar a superstição dos fertilizantes. E, como não se utiliza absolutamente nenhum fertilizante orgânico (esterco humano) ou químico, cultivando-se apenas com composto natural, este método é chamado, como o próprio nome indica, de método da agricultura natural.
Naturalmente, as folhas secas e as ervas secas, matéria-prima do composto natural, são produzidas pela própria natureza. Em contraste, os fertilizantes químicos e os orgânicos (esterco humano), bem como o esterco de cavalo, o esterco de galinha, o resíduo de peixe, as cinzas de madeira etc., não caíram do céu nem brotaram da terra: foram transportados pelo ser humano.
Portanto, nem é preciso dizer que são antinaturais. Em síntese, não há nada, entre todos os fenômenos do universo, que não receba os benefícios da grande natureza. Isto é, tudo é gerado, formado e nutrido pelos três elementos primordiais: Fogo, Água e Terra. Em termos científicos, os três elementos primordiais são: o oxigênio do Fogo, o hidrogênio da Água e o nitrogênio da Terra. Nenhuma cultura agrícola escapa a esses três elementos primordiais. Deus criou as coisas desta forma para que os cinco cereais e as hortaliças, sustento da vida humana, fossem produzidos em quantidade suficiente, sem falta nem excesso. Isso se compreende bem ao considerarmos este Caminho Perfeito. Não é possível que Deus, tendo feito nascer os seres humanos, não lhes dê alimento suficiente para sustentar suas vidas. Se um país não consegue colher alimento suficiente para a sua população, é porque há algo em desacordo com as leis da natureza criadas por Deus.
Se assim é, enquanto não se der conta disso, a solução do problema alimentar é algo inimaginável.
Os seres humanos que ignoraram as leis da grande natureza acima descritas chegaram aos dias de hoje considerando os fertilizantes artificiais como a única solução. Portanto, é antes natural que sofram com a escassez de alimentos. Pode-se dizer que é a retribuição por terem sido completamente cegos para as leis da natureza. Além disso, a teoria acadêmica do materialismo científico acelerou ainda mais essa tendência, levando-nos por fim à atual era de dificuldades alimentares. Nesse sentido, pode-se dizer que o método agrícola atual não é um progresso; na verdade, é um retrocesso. Consequentemente, uma vez que o método agrícola que respeita a natureza é a verdade, ainda que a colheita seja ruim, considerando um koku por pessoa por ano, se a população do nosso país é de 83 milhões de pessoas, 83 milhões de koku devem ser produzidos.
Ainda que um martelo erre o golpe na terra, este princípio não pode falhar. O fundamento do método da agricultura natural que prego é este princípio. O esgotamento e a exaustão dos agricultores, devido à atual escassez de alimentos no Japão, podem ser resolvidos sem dificuldade assim que for implementado. Deus, que vê este erro, não pode deixá-lo como está. É por Sua vontade de benevolência e grande amor que, por meu intermédio, faz conhecer amplamente ao mundo o princípio do método da agricultura natural. Portanto, todos devem despertar para isso o mais rápido possível e adotar este método da agricultura natural.
Desta forma, os agricultores serão completamente salvos. Como afirmei anteriormente, se os três elementos primordiais – Fogo, Água e Terra – são a força motriz que faz crescer as culturas agrícolas, então, se melhorarmos a exposição ao sol, fornecermos água em abundância e cultivarmos em solo puro, é certo que poderemos obter resultados grandiosos nunca antes vistos. Não sei quando, mas os seres humanos cometeram um erro terrível. Esse erro foi o uso de fertilizantes.
Eles simplesmente não conheciam a verdadeira essência do solo.
O Princípio do método da agricultura natural
Em suma, o princípio do método da agricultura natural é fazer com que o grande poder do solo se manifeste. Até hoje, os seres humanos não conheciam a verdadeira essência do solo; ou melhor, não lhes foi permitido conhecê-la. Esse desconhecimento levou ao uso de fertilizantes e, sem que se dessem conta, tornou-se impossível prescindir deles. Isso se tornou uma completa superstição. Sobretudo no início, por mais que eu pregasse o cultivo sem fertilizantes, não havia quem me desse ouvidos; era recebido com um sorriso de escárnio. Aos poucos, porém, essa prática foi sendo reconhecida e, nos últimos anos, o número de agricultores naturais tem aumentado a cada ano, obtendo-se por toda parte resultados surpreendentes nas colheitas. Contudo, por enquanto, isso ainda não ultrapassou o círculo dos crentes; gradualmente, porém, em várias regiões, começam a surgir simpatizantes mesmo entre os não crentes, e o número de praticantes do Método Absoluto cresce com notável rapidez e força. Prevê-se que não esteja distante o dia em que isso se espalhe por todo o Japão. Assim, a divulgação do Método Agrícola Absoluto pode ser chamada, em essência, de um movimento para quebrar a superstição dos fertilizantes.
E, como não se utiliza absolutamente nenhum fertilizante orgânico (esterco humano) ou químico, cultivando-se apenas com composto natural, este método é chamado, como o próprio nome indica, de método da agricultura natural. Naturalmente, as folhas secas e as ervas secas, matéria-prima do composto natural, são produzidas pela própria natureza. Em contraste, os fertilizantes químicos e os orgânicos (esterco humano), bem como o esterco de cavalo, o esterco de galinha, o resíduo de peixe, as cinzas de madeira etc., não caíram do céu nem brotaram da terra: foram transportados pelo ser humano.
Portanto, nem é preciso dizer que são antinaturais. Em síntese, não há nada, entre todos os fenômenos do universo, que não receba os benefícios da grande natureza. Isto é, tudo é gerado, formado e nutrido pelos três elementos primordiais: Fogo, Água e Terra. Em termos científicos, os três elementos primordiais são: o oxigênio do Fogo, o Elemento Água da Água e o nitrogênio da Terra. Nenhuma cultura agrícola escapa a esses três elementos primordiais. Deus criou as coisas desta forma para que os cinco cereais e as hortaliças, sustento da vida humana, fossem produzidos em quantidade suficiente, sem falta nem excesso.
Isso se compreende bem ao considerarmos este Caminho Perfeito. Não é possível que Deus, tendo feito nascer os seres humanos, não lhes dê alimento suficiente para sustentar suas vidas. Se um país não consegue colher alimento suficiente para a sua população, é porque há algo em desacordo com as leis da natureza criadas por Deus.
Se assim é, enquanto não se der conta disso, a solução do problema alimentar é algo inimaginável. Os seres humanos que ignoraram as leis da grande natureza acima descritas chegaram aos dias de hoje considerando os fertilizantes artificiais como a única solução. Portanto, é antes natural que sofram com a escassez de alimentos. Pode-se dizer que é a retribuição por terem sido completamente ignorantes das leis da natureza. Além disso, a teoria acadêmica do materialismo científico acelerou ainda mais essa tendência, levando-nos por fim à atual era de dificuldades alimentares. Nesse sentido, pode-se dizer que o método agrícola atual não é um progresso; na verdade, é um retrocesso. Consequentemente, uma vez que o método agrícola que respeita a natureza é a verdade, ainda que a colheita seja ruim, considerando um koku por pessoa por ano, se a população do nosso país é de 83 milhões de pessoas, 83 milhões de koku devem ser produzidos. Assim como um martelo pode errar o golpe na terra, este princípio não pode falhar.
O fundamento do método da agricultura natural que prego é este princípio. O esgotamento e a exaustão dos agricultores, devido à atual escassez de alimentos no Japão, podem ser resolvidos sem dificuldade assim que for implementado. Deus, que vê este erro, não pode abandoná-lo. É por Sua vontade de benevolência e grande amor que, por meu intermédio, faz conhecer amplamente ao mundo o princípio do método da agricultura natural. Portanto, todos devem despertar para isso o mais rápido possível e adotar este método agrícola.
Desta forma, os agricultores serão completamente salvos. Como afirmei anteriormente, se os três elementos primordiais – Fogo, Água e Terra – são a força motriz que faz crescer as culturas agrícolas, então, se melhorarmos a exposição ao sol, fornecermos água em abundância e cultivarmos em solo puro, é certo que poderemos obter resultados grandiosos nunca antes vistos. Não sei quando, mas os seres humanos cometeram um erro terrível. Esse erro foi o uso de fertilizantes. Eles simplesmente não conheciam a verdadeira essência do solo.
O Efeito Reverso dos Fertilizantes
De fato, se aplicarmos fertilizantes, há um efeito considerável por um tempo, mas, se continuarmos por muito tempo, ocorre gradualmente um efeito reverso.
Isto é, a capacidade inata que a cultura tem de absorver os nutrientes do solo diminui e, sem que se dê conta, ela se transforma, passando a ter de usar o fertilizante como nutriente. Isso pode ser melhor compreendido se compararmos ao vício em entorpecentes nos seres humanos. Quando uma pessoa usa entorpecentes pela primeira vez, sente uma sensação de prazer temporário e sua mente se torna mais clara, de modo que não consegue esquecer essa sensação, caindo gradualmente num vício profundo, do qual não consegue mais se livrar. Quando se chega a esse ponto, se o efeito do entorpecente passa, a pessoa fica atordoada ou sente fortes dores, tornando-se incapaz de fazer qualquer coisa. Por fim, não consegue mais suportar e, mesmo sabendo que é ruim, acaba usando; não consegue mais se afastar do entorpecente e chega ao ponto de roubar para conseguir a droga. Esses exemplos aparecem constantemente nos jornais, mostrando o quão terrível isso é. Se aplicarmos este princípio à agricultura, entenderemos imediatamente. Pode-se dizer que, atualmente, todo o solo do Japão está sofrendo de uma grave doença de vício em entorpecentes, ou melhor, de vício em fertilizantes. No entanto, como os agricultores há muito se tornaram crentes cegos nos fertilizantes, é difícil despertarem. Ocasionalmente, ouvem a nossa pregação e abandonam os fertilizantes artificiais, ou seja, adotam o método da agricultura natural. Nos primeiros meses, o resultado não é bom, e os agricultores que veem isso concluem precipitadamente que, afinal, é preciso usar fertilizantes como antes, e muitos acabam desistindo.
No entanto, como o Método Agrícola Absoluto tem a fé como base, aqueles que o praticam seguem exatamente o que eu digo, sem qualquer dúvida.
Por isso, conseguem compreender facilmente o verdadeiro valor do método da agricultura natural. Vou descrever o processo. Primeiramente, quando as mudas são transferidas do viveiro para o campo do Método Absoluto, durante um tempo a cor das folhas é ruim, os caules são finos e a aparência é muito inferior à dos outros campos. Os agricultores vizinhos, ao verem isso, zombam, e os próprios praticantes do Método Absoluto sentem apreensão, preocupando-se se isso realmente dará certo, a ponto de orarem a Deus e ficarem ansiosos. No entanto, após dois ou três meses, começa a mostrar alguma recuperação e, na época da floração, melhora consideravelmente, aliviando um pouco a preocupação. Finalmente, pouco antes da colheita, o crescimento se torna igual ou superior ao normal, e eles gradualmente suspiram aliviados. Quando chega a fase da colheita, para sua surpresa, a quantidade é muito maior do que o esperado, a qualidade é boa, há brilho, a aderência é forte e o sabor é excelente. Pode-se dizer que a maioria é de primeira ou segunda classe, e quase não há terceira classe ou inferior. Além disso, o peso é de 5 a 10 por cento maior do que o do arroz com fertilizantes. Particularmente interessante é que, como o arroz tem substância, em vez de encolher ao cozinhar, ele rende de 20 a 30 por cento a mais. Quando transformado em arroz cozido, sacia por mais tempo, e com cerca de 30 por cento a menos se obtém a mesma sensação de saciedade de sempre. Portanto, do ponto de vista econômico, é extremamente vantajoso. Consequentemente, se todos os japoneses comessem o nosso arroz cultivado naturalmente, o resultado seria um aumento de 30 por cento, e mesmo com o nível atual de produção, não haveria necessidade de arroz importado. Isso mostra o quão maravilhoso é para a economia nacional. A Superstição dos Fertilizantes: agora, vou explicar o processo descrito acima.
A razão pela qual a aparência é ruim durante os primeiros dois ou três meses é que tanto as sementes quanto o campo ainda contêm resíduos tóxicos de fertilizantes.
Com o passar do tempo, tanto o solo quanto o arroz vão se livrando gradualmente desses resíduos tóxicos, recuperando sua capacidade inata e melhorando progressivamente. Acredito que os agricultores também não tenham como não entender esse princípio. Por exemplo, após uma rega ou uma chuva forte, até os campos de má qualidade melhoram um pouco. Isso se deve inteiramente ao fato de que o excesso de resíduos tóxicos de fertilizantes foi lavado e reduzido. Além disso, quando o crescimento das culturas está um pouco ruim, os agricultores fazem a "troca de solo" (aplicação de solo novo). Quando isso melhora um pouco, interpretam que, como o solo teve seus nutrientes absorvidos pelas culturas por muitos anos, esgotou-se, e que, adicionando solo novo, ele melhora. Isso é um erro. Na verdade, o solo se deteriorou e se tornou pobre devido aos resíduos tóxicos de fertilizantes acumulados ano após ano. Isso mostra o quão presos os agricultores estão à superstição dos fertilizantes.
O Efeito do Composto Natural
Agora, vou explicar a implementação da adubação natural.
Para o cultivo de arroz, a palha de arroz deve ser cortada o mais finamente possível e bem misturada ao solo. Isso é para aquecer o solo. Nos campos de cultivo seco, as folhas secas e as ervas secas devem ser decompostas até o ponto em que talos e folhas fiquem macios, e então bem misturadas ao solo. A razão é que, se o solo estiver compactado, as raízes das plantas, especialmente as pontas das raízes, encontrarão resistência ao se estenderem, crescendo mal. Portanto, evita-se que o solo fique compactado. A esse respeito, ouve-se frequentemente dizer ultimamente que é bom arejar as raízes. No entanto, não é o ar que é bom para as raízes; o fato de o ar conseguir chegar à base das raízes significa apenas que o solo não está compactado. A interpretação dos estudiosos da agricultura sobre isso também está errada. Portanto, idealmente, para culturas de raízes superficiais, basta misturar o composto natural de folhas e ervas ao solo do campo.
Para culturas de raízes profundas, é bom criar uma camada de composto natural de folhas de árvores a cerca de trinta centímetros abaixo da superfície do solo do campo, pois o solo se aquece. No entanto, a espessura dessa camada deve ser ajustada de acordo com o tipo de cultura de raiz profunda, pois há várias espécies. As pessoas em geral pensam que o composto natural também contém nutrientes fertilizantes, mas não é o caso. O efeito do composto natural é: primeiro, evitar a compactação do solo; segundo, aquecer o solo; terceiro, quando o solo próximo às raízes das culturas seca, se uma quantidade considerável de composto natural for espalhada, ele retém a umidade, prevenindo o ressecamento.
Esses são os três efeitos do composto natural. Como se pode ver pelo exposto, o fundamento do método da agricultura natural é fazer o próprio solo viver. Fazer o solo viver significa manter o solo puro, sem usar impurezas como fertilizantes artificiais. Dessa forma, como o solo não contém elementos espiritualmente impuros, pode exercer plenamente sua capacidade inata. Além disso, é interessante notar que os agricultores falam em "descansar a terra", mas isso também está errado. Quanto mais se cultiva, melhor o solo se torna. É o mesmo que acontece com os seres humanos: quanto mais trabalham, mais saudáveis ficam; descansar enfraquece. Nesse ponto, a interpretação dos agricultores é inversa. Eles pensam que, quanto mais se cultiva continuamente, mais nutrientes são absorvidos, e por isso deixam os campos em pousio. Tudo isso está completamente errado. Devido a esse erro, consideram a monocultura imprópria e mudam de local todos os anos. Isso também está fora de questão e é tolo a ponto de dar pena.
Monocultura e Colheitas Abundantes
Portanto, no Método Agrícola Absoluto, a monocultura é aprovada.
Um exemplo que estou praticando atualmente é o do milho que plantei este ano, já em monocultura há sete anos. Apesar de ser cultivado em solo misturado com pedrinhas em Gōra, Hakone, que é provavelmente um dos piores solos possíveis, a produção deste ano foi magnífica: as espigas estavam cheias e uniformes, as barreiras (sabugos) eram mais longas que o normal, o sabor era doce e macio, e a qualidade era excelente. Por que a monocultura é boa? Porque o solo, de acordo com o tipo de cultura, desenvolve naturalmente a capacidade de se adaptar a ela. Isso também pode ser bem compreendido com uma analogia humana. Se uma pessoa trabalha materialmente, seus músculos se desenvolvem; um escritor que usa constantemente o cérebro o desenvolve. É o mesmo princípio pelo qual uma pessoa que muda constantemente de profissão ou de residência não obtém sucesso. Isso mostra o quão errados estávamos até hoje.
O Evangelho para a Indústria Sericícola
Por fim, há algo que quero dizer.
Se criarmos bichos-da-seda com folhas de amoreira cultivadas sem fertilizantes, os bichos-da-seda não adoecem, a qualidade do fio é extremamente resistente, o brilho é bom e, além disso, o aumento da produção é certo. Se isso for implementado em todo o país, causará uma grande revolução no mundo da sericicultura, e os benefícios para a economia nacional serão, sem dúvida, incalculáveis.
Novamente, a Matriz da Corrupção
Eikō nº 251, publicado em 10 de março do ano 29 da Era Showa (1954)
Sob este título, escrevi várias coisas na edição anterior, mas, como ainda há pontos que não foram suficientemente abordados, penso em escrever novamente.
É que, ao observar as críticas que os jornalistas fazem atualmente a este problema em diversos jornais, vejo que, embora escrevam argumentos aparentemente lógicos, estes são, na verdade, superficiais e comuns, sem apresentar nenhuma novidade. O que dizem continua sendo, como sempre, coisas como "é preciso reformar este ponto na legislação", "é preciso tornar as penalidades mais severas" ou "é porque as eleições custam muito dinheiro".
Todas essas opiniões são equivocadas, e não há uma única proposta com efeito realmente seguro. Afinal, partindo de uma concepção materialista, talvez não haja mesmo outra forma de pensar; mas o fato de que repetir tais medidas inúmeras vezes é inútil já foi comprovado pela experiência. Acima de tudo, por serem métodos que ignoram o pensamento ateu — que é justamente o ponto crucial —, são, lamentavelmente, apenas esforços inúteis.
Aprofundando-me um pouco mais neste problema, para explicá-lo com clareza: este escândalo é exatamente como se a inteligência dos animais tivesse avançado e, ao tentarem romper a jaula da lei, fossem descobertos pelo guarda, tornando-se, por fim, um grande problema. Diante disso, os jornalistas, pensando "isto é grave", aconselharam e chamaram a atenção, ensinando maneiras de construir uma jaula ainda mais resistente do que antes, difícil de destruir. Não é isso, exatamente, o que são os comentários dos jornais de hoje? Refletindo sobre tudo isso, não será uma grande vergonha para uma nação cultural?
Naturalmente, como já disse, a raiz do problema está completamente mal compreendida: a causa não é a jaula, mas sim o instinto animal de tentar rompê-la. Se essa capacidade for eliminada, é natural que a pessoa se torne um verdadeiro ser humano, que já não precisa de jaula — e é este o papel da religião. Quem ler o que foi dito pode se indignar, achando que é uma forma cruel de falar; mas, sendo isto a verdade, ninguém poderá negá-lo. Em suma, o cerne do problema está na alma humana; portanto, é essa elevação [da alma] que é a verdadeira solução, e não há outra.
Escreverei agora mais uma analogia. Comparando a concepção teísta e a concepção ateísta, não há questão mais clara do que a de saber qual delas corrompe o mundo político. Lamentavelmente, porém, como a maioria da classe dirigente do Japão é composta por ateus, é inevitável que os problemas de corrupção e os males sociais não cessem. Tomemos como exemplo os Estados Unidos.
Embora ocorram ocasionalmente incidentes desse tipo naquele país, todos sabem que são raros o bastante, em comparação com o Japão, para não chegarem a ser um problema. A severidade da crítica social é, ali, também característica marcante — e algo realmente invejável. A causa disso é o cristianismo dos Estados Unidos. A propósito, mesmo os correspondentes de diversas empresas americanas que ultimamente me visitam de vez em quando, quando a conversa toca em questões de fé, fazem perguntas e dão opiniões surpreendentemente pertinentes; a compreensão que têm da fé e o sentimento de devoção a Deus são impressionantes, e sempre me sinto inspirado por eles.
Observando a transparência do mundo político americano e a confiança do povo em seus políticos, não posso deixar de reconhecer isso. Comparado a tudo isso, o Japão está, no mínimo, meio século atrasado em relação aos Estados Unidos — não à toa, o General MacArthur certa vez descreveu o Japão como uma criança de doze anos. Sendo assim, com a devida licença, penso que os senhores jornalistas japoneses também precisam se empenhar muito mais; basta ver o tom dos editoriais japoneses sobre este escândalo, em que não há uma única palavra sobre Deus.
Se este problema tivesse ocorrido nos Estados Unidos, não sei que tremenda opinião pública se teria levantado. Por tudo isso, percebe-se não apenas o baixo nível da cultura japonesa, mas também que a concepção ateísta dos jornalistas, em particular, é uma grande causa desse problema.
Acima de tudo, como se pode ver na sociedade atual, a corrupção de funcionários públicos, os males sociais em geral, a podridão do mundo político, as disputas faccionais, os atritos entre capital e trabalho, as ideologias perigosas, as dificuldades econômicas, a ansiedade pela vida, etc., são inumeráveis.
Se tudo tem uma causa e um efeito, é desnecessário dizer que a causa disso é o pensamento ateu. Mas é preciso saber que existe também uma causa para essa causa: não há, no Japão, uma religião com força suficiente para conduzir o pensamento ateu em direção ao pensamento teísta. Nesse ponto, os Estados Unidos têm a vantagem de contar com o cristianismo como religião única, enquanto o Japão, com suas oito ou nove seitas e tamanha variedade, não tem paralelo no mundo — o que se deve ao fato de não ter surgido ali uma religião grandiosa o suficiente para liderar toda a nação.
Pergunta-se, então: uma religião tão magnífica não surgirá daqui em diante? Digo que não é nada disso: é a super-religião que está prestes a surgir agora. Que os senhores jornalistas abram, portanto, seus olhos perspicazes e a descubram — e verão que ela talvez seja até superior ao cristianismo.
Os escândalos também são um processo de purificação
Eikō nº 252, publicado em 17 de março do ano 29 da Era Showa (1954)
Como indica o título, o atual problema de corrupção, assim como as doenças, é um tipo de processo de purificação.
Como sabem os fiéis, a causa das doenças é que, quando as toxinas medicamentosas acumuladas atingem certo nível, ocorre um processo de purificação — o sofrimento da excreção dessas impurezas. Para eliminar a doença, portanto, é necessário remover sua causa, as toxinas medicamentosas, e, ao mesmo tempo, evitar a entrada de novas toxinas. A mesma lógica se aplica ao problema da corrupção: o processo judicial é o sofrimento da excreção das impurezas acumuladas nos réus. A única diferença é que a doença é um sofrimento físico, e o incidente, um sofrimento espiritual.
Já escrevi sobre isso em linhas gerais; gostaria agora de analisar a questão por outro ângulo. Não apenas neste caso, mas em todos os escândalos de corrupção, erradicá-los não é nada difícil — é, na verdade, extremamente simples. Havendo determinação de fazê-lo daqui em diante, o efeito será, obviamente, de cem por cento. Mas, como disse Confúcio, "falar é fácil, agir é difícil", e, na prática, não é nada fácil.
Em suma, o ponto crucial é saber se Deus existe ou não neste mundo. Gostaria que refletissem profundamente sobre o seguinte: se Deus não existisse, seria vantajoso agir de forma desonesta — ainda que isso causasse danos à nação ou fizesse sofrer as pessoas, desde que não se fosse pego pela lei, valeria a pena ir até o limite. Ou seja, com a concepção egoísta de que, contanto que a própria pessoa esteja bem, os outros que se virem; ela ganha dinheiro e sobe na vida. Hoje em dia, esse tipo de pessoa está por toda parte e chega a ser considerado esperto — por isso o mundo se tornou problemático. As pessoas sérias, em contrapartida, que defendem coisas tidas como antiquadas — a justiça, a moral —, mesmo diante de oportunidades de lucro ou ascensão, sentem medo e não agem, sendo vistas como tolas ou covardes.
Assim, acabam perdendo até as boas oportunidades que surgem, permanecem sempre relegadas a posições inferiores e não conseguem ter uma vida decente. As pessoas consideradas importantes ou bem-sucedidas hoje, por outro lado, costumam ser astutas e hábeis; por isso, destacam-se rapidamente e alcançam posição de prestígio. Vendo isso, os ambiciosos julgam-se igualmente capazes e passam a imitá-los. No incidente atual, por isso, quanto mais se investiga, mais casos aparecem — revelando quantas pessoas desse tipo existem de fato.
Gostaria que considerassem o seguinte: por mais engenhosa que seja a artimanha, a falsidade não deixa de ser falsidade e, mais cedo ou mais tarde, será exposta. Isso porque, como já escrevi, ainda que se possam enganar os olhos dos homens, os olhos de Deus não podem ser enganados — e é justamente isso que os ateus não percebem.
Imaginemos o que eles pensam: "Achei que tinha feito tudo com muita habilidade, mas desta vez falhei. Até agora, escapei de situações muito perigosas e tinha grande confiança, mas finalmente não deu certo. É realmente uma pena, mas não há o que fazer; vou me esforçar para que ao menos a pena deste caso seja amenizada de alguma forma e, se der certo, seria uma sorte inesperada tudo acabar em nada." Mas as coisas não são tão fáceis assim. Por quê? Porque os olhos de Deus brilham com rigor.
Por outro lado, a situação do lado da oposição também deve ser complicada: pensando que finalmente chegou a hora, tramam toda sorte de estratégias para derrubar o gabinete, numa disputa de inteligência entre os dois lados. O que quero dizer aqui é que chegou a hora de pôr fim a essas mentiras e de se arrepender sinceramente, colocando a nação e o povo em primeiro lugar — porque Deus está do lado da justiça. Ao ler isto, as pessoas podem até concordar; mas quantas serão capazes de mudar de imediato? É duvidoso.
Isto, porém, não é um sermão: são os próprios fatos que o demonstram. Por mais que se tenham esforçado, no final, como neste caso, tudo se tornou bolhas de água — um trabalho árduo em vão. Perdem ainda a credibilidade social, o trabalho se torna difícil e, por um tempo, ficam sem ação, sem poder fazer nada além de esperar o momento oportuno. É claro que não escaparão da acusação; em breve virão julgamentos, coleta de provas, debates e assim por diante. Só com honorários de advogados e despesas diversas, os gastos serão consideráveis — e, sem renda, imagino o sofrimento. Casos desse tipo, ademais, costumam prolongar-se de modo inesperado, provavelmente por vários anos; durante esse tempo, os dias serão sombrios, e sei bem, por experiência própria, como isso é insuportável.
Tudo isso é um castigo divino para os ateus, e não resta outra saída senão resignar-se — é somente ao chegar a esse ponto que a maioria das pessoas desperta. Isso está na lei da causalidade: se, desde o início, agirmos com fé em Deus, tudo correrá bem, não haverá sofrimento e poderemos ter sucesso com alegria. Assim, o mundo estará em paz, a confiança da sociedade será grande e a posição social também melhorará. Mesmo do ponto de vista puramente materialista, sem qualquer fé, posso afirmar que os benefícios são imensuráveis.
A esse respeito, lembro-me dos políticos de minha juventude. Naquele tempo, havia alguns homens justos que, sem considerar os próprios interesses, defendiam com firmeza a justiça pelo bem da nação e eram, naturalmente, muito respeitados pela sociedade.
Entre eles estavam o Sr. Shimada Saburo, presidente do jornal Mainichi Shimbun; o Sr. Tanaka Shozo, famoso pelo problema da poluição causada pelo minério de cobre em Ashio; e o Sr. Ozaki Yukio, o "deputado eterno". Eram poucos, mas sua contribuição para purificar a atmosfera do parlamento é inesquecível até hoje. No cenário político atual, porém, pode-se dizer que quase não há mais pessoas assim: a maioria é esperta e flexível, muitos são mestres em equilibrismo e em nadar nas águas do governo, e a pobreza do mundo político é reconhecida por todos. O que mais falta hoje, portanto, são homens de fibra, capazes de seguir em frente mesmo diante de dez milhões de pessoas — e são justamente eles que, por serem amados por Deus, recebem forte proteção e não podem falhar.
Nesse ponto, as religiões do passado também têm sua parcela de culpa, pois consideram a honestidade e a justiça algo que cada um deve proteger apenas para si — uma espécie de amor egoísta. Como resultado, parecem fazer vista grossa às injustiças e iniquidades da nação e da sociedade, adotando uma postura de não resistência a tudo. Nisso, a meu ver, estão muito enganadas: é justamente por causa desse pensamento passivo que os males sociais nunca diminuem e o Paraíso Terrestre — ideal da religião — jamais poderá se realizar.
Eu, ao contrário, desde o passado, nunca me curvei ao mal e lutei muito contra ele. Embora às vezes tenha sido derrotado temporariamente, no fim sempre venci. Não posso revelar os nomes, mas lutei contra pessoas famosas, com poder e autoridade, e nunca fui derrotado — sempre defendi a justiça e, como Deus é bom e justo, Ele estava ao meu lado. Meu passado é, portanto, uma história de luta contra o mal e também de vitória.
As pessoas em geral, porém, sobretudo os religiosos, tendem a não gostar de resistir ao mal e acabam por tolerá-lo — o que é, por assim dizer, um pecado de boa intenção. Dessa forma, o mundo não pode melhorar: os maus tornam-se cada vez mais arrogantes, e os bons, oprimidos, não conseguem se levantar. Mas, no fim, pelo julgamento perfeitamente justo e imparcial de Deus, o mal certamente receberá o severo chicote do amor. Espero, por isso, que se arrependam o quanto antes.
Um Novo Patriotismo
Eikō nº 185, publicado em 3 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Não deve haver palavra tão universal quanto "patriotismo".
Provavelmente não há país que não a considere um princípio sagrado. No Japão, até o fim da guerra, um patriotismo vigoroso, como não se via em outros países, impregnava toda a nação. A causa disso era, naturalmente, também o sistema imperial: todos recordamos claramente que o imperador era tido como símbolo do povo e vener
Passaram, então, a proclamar slogans absurdos como "Hakkō Ichiu" (os oito cantos do mundo sob um mesmo teto), na crença de que, contanto que o próprio país estivesse bem, os demais que se danassem. Isso era tido como lealdade ao imperador e amor à pátria, e o povo avançava como um cavalo de batalha cego. A raiz desse mal terrível já estava incubada desde aquela época.
Considerando o exposto, para ser adequado a cada época e servir de base aos grandes planos centenários de uma nação, o patriotismo precisa estar fundamentado nos conceitos de bem e mal, certo e errado. Escreverei, pois, sobre o que seria o patriotismo adequado à nova era: em termos simples, trata-se de mudar a mentalidade anterior do Japão, de "Shojo" (veículo menor, egoísta) para a de "Daijo" (veículo maior, altruísta). Essa é a base. Em uma palavra, é o amor internacional, o amor à humanidade — é por amar o Japão que se ama o mundo, pois, hoje em dia, tudo se tornou internacional, e o isolamento ou a autossuficiência são sonhos do passado.
O patriotismo do futuro pode, assim, exprimir-se concretamente do seguinte modo: naturalmente, a segurança da vida dos noventa milhões de compatriotas é a prioridade máxima, mas, além disso, o Japão deve ser uma nação de retidão moral e justiça, merecedora do respeito do mundo.
A esse respeito, há o problema do rearmamento, amplamente debatido: há muito tempo opiniões a favor e contra se confrontam, sem que se chegue a uma solução, o que é preocupante. Do meu ponto de vista, porém, não é um problema tão difícil — basta pensar na questão prática para compreendê-lo de imediato. A resposta é: "Se houver garantia absoluta de que nenhum país invadirá o Japão, o rearmamento deve ser interrompido.
Caso contrário, é necessário um rearmamento proporcional à capacidade nacional." Só com esta frase, creio que já se pode compreender a questão.
O Museu de Arte da Técnica Divina
Eikō nº 207, publicado em 6 de maio do ano 28 da Era Showa (1953)
Aqui escreverei sobre a trajetória do Museu de Arte de Hakone até os dias de hoje, quando é considerado o primeiro do Japão.
Ao ler isto, certamente se compreenderá que não se trata de obra humana. Por quê? Porque tudo se realizou por uma sucessão de milagres, um após o outro — e o que mais impressiona é a velocidade. Por mais vasto que seja o mundo, provavelmente não há exemplo de um museu como o de Hakone, erguido com tanta rapidez e capaz de reunir, em tão curto período, tão abundante acervo de obras de arte de alto nível. Como é sabido, todos quantos o visitam, sem exceção e não por mero elogio, exclamam palavras de admiração. Se isto não é obra divina, o que seria?
Ainda não conheço o exterior, mas, entre os museus de todo o nosso país — excetuando-se os públicos —, todas as coleções particulares foram formadas ao longo de toda uma vida por pessoas de famílias poderosas ou abastadas que amavam a arte. O nosso Museu de Arte de Hakone, porém, foi concluído em apenas alguns anos após o planejamento. Não é uma maravilha extraordinária?
Isso ocorre porque, depois do fim da guerra, as peças foram se reunindo de forma natural e gradual, ou foram emprestadas — jamais foram objetos que procurei por vontade própria. Basta confiar em Deus, e até a própria variedade das peças se compõe dessa maneira. Além disso, as peças que desejo são adquiridas a preços relativamente baixos, e há também objetos doados por seguidores — interessante notar que estes também costumam ser exatamente os itens necessários.
Dessa forma, as peças se reuniram perfeitamente, na quantidade exata para serem expostas no museu — por mais que se pense a respeito, não é possível considerar isso obra humana. Tudo, do início ao fim, transcorreu bem, como se Deus estivesse agindo através de mim, exatamente conforme Sua vontade; por isso, para mim, é algo tranquilo. Se não fosse assim, não seria possível que tudo tivesse corrido de forma tão suave e rápida.
Quanto ao plano deste ano, como se verá, é bastante diferente do ano passado. Entre as novidades, antiguidades estrangeiras — do Egito, da Pérsia, da Índia e da China antiga — reuniram-se em tal quantidade que já não cabem numa única sala. Devo dizer, porém, que no início jamais sonhei em colecionar esse tipo de objeto; a bem da verdade, eu nada conhecia sobre antiguidades ocidentais.
Logo no início da primavera deste ano, porém, elas começaram a se acumular rapidamente. Por serem pouco conhecidas no Japão, pude adquiri-las com facilidade e a preços relativamente baixos, o que muito me alegrou. Ao mesmo tempo, à medida que fui compreendendo mais sobre elas, percebi que possuem um grande encanto e um valor do qual é difícil desapegar-se — e não posso deixar de admirar, mais uma vez, a profunda vontade de Deus.
Ademais, parece que este tipo de peça ainda não foi colecionado em lugar algum do país, nem mesmo nos museus; o Museu de Arte de Hakone, portanto, tomou a dianteira.
Está prevista, em seguida, uma exposição de ukiyo-e no anexo recém-construído, a partir de primeiro de junho. E isto também é misterioso: refiro-me ao que ocorreu no outono passado, quando visitei a exposição de ukiyo-e no Museu Municipal de Arte de Quioto. Até então eu não tinha grande interesse por ukiyo-e, mas, ao vê-los, percebi que não eram algo desprezível. Na mesma ocasião, tive a sorte de ser apresentado ao Sr. Kondo Ichitaro, especialista em ukiyo-e do Museu Nacional de Tóquio e responsável por aquela exposição.
Ouvindo suas explicações, obtive uma noção geral do assunto; depois, orientado por outra pessoa, adquiri certo nível de conhecimento. E, sem que eu as procurasse, começaram a surgir ukiyo-e de boa qualidade, difíceis de obter. Pensei então: "Ah, com certeza é vontade de Deus que eu realize uma exposição de ukiyo-e." Como o museu era pequeno demais para isso, logo me ocorreu construir um anexo — e, quando este ficou pronto, compreendi o motivo: com sua construção, a paisagem ao redor se destacou ainda mais.
Por tudo o que foi exposto, percebe-se que o Plano Divino de Deus, profundo e sutil em todos os aspectos, é verdadeiramente insondável. Meu coração está constantemente repleto de gratidão. Quanto mais penso, mais me convenço de que Deus é, de fato, Deus. Diante de Seu Plano Divino, que não possui a menor falha, só me resta a mais profunda admiração.
(2) Superstição dos Medicamentos
Eikō nº 229, publicado em 7 de outubro do ano 28 da Era Showa (1953)
Ao ver este título, provavelmente pensarão que é bastante estranho, mas não há outra forma de dizê-lo, por isso o coloquei; em outras palavras, trata-se de uma suprema tolice.
Portanto, ao lerem isto, peço que abandonem todas as ideias preconcebidas e leiam como se estivessem em um estado de absoluta pureza, como uma folha em branco.
Penso, aliás, que a situação piora ainda mais quanto mais intelectual a pessoa for. É como se uma joia que, durante muito tempo, se valorizou como diamante fosse, na verdade, um mero fragmento de pedra — algo tão insignificante que, ao descobrirem a verdade, as pessoas ficariam estupefatas.
Deixo o preâmbulo por aqui e passo ao texto principal, que trata da relação entre a doença e os medicamentos. Hoje em dia, qualquer pessoa que contraia uma doença recorre a medicamentos; provavelmente não há uma única pessoa que, nessa ocasião, deixe de tomar algum tipo de remédio. Isso ocorre, é claro, porque se pensa que o remédio cura — uma ideia que, desde tempos muito antigos, tornou-se até senso comum entre os seres humanos.
Sobre isso, escreverei a seguir algo surpreendente, em que ninguém jamais pensou até hoje.
Se lido com atenção, tudo isto se compreende de forma extremamente simples; não há nada de difícil, mas a superstição de longos anos atrapalha, fazendo parecer que se entende quando, na verdade, não se entende. Tentarei, então, explicar de uma forma bem comum: imaginemos uma pessoa que, até então, gozava de excelente saúde e trabalhava ativamente porque tomava o máximo possível de remédios. Se, por acaso, suas condições financeiras piorassem a ponto de não poder mais comprá-los, e ela fosse forçada a interromper o uso — ou seja, o remédio acabou —
— então, cessado o remédio que mantinha sua saúde até aquele momento, a doença surgiria. Mesmo que precisasse fazer um grande esforço financeiro, como a vida não tem preço, ela conseguiria o dinheiro, compraria o remédio e voltaria a tomá-lo.
Ficaria boa de imediato e, aliviada, daria um suspiro de descanso — exatamente como alguém que, por ter pulado uma ou duas refeições, sentiu fome e fraqueza e, ao voltar a comer, recupera logo as forças e retoma o trabalho.
Só com isto, todos experimentarão uma sensação estranha, como se tivessem entendido e, ao mesmo tempo, não. Ainda assim, é exatamente o que todas as pessoas do mundo fazem hoje em dia, sem perceber, acreditando que é normal. Por outro lado, há quem se vanglorie de ser saudável justamente por não tomar remédios — o que também é estranho: ser saudável sem remédio contradiz totalmente a ideia inicial de que se é saudável porque se toma remédio.
Há ainda outros casos: pessoas que, mesmo tomando remédios o ano todo, estão sempre doentes. Isso também é estranho. Se os remédios curassem as doenças, quanto mais remédio se tomasse, mais saudável se ficaria — e seria natural, então, parar em um momento adequado. Por que, aliás, alguém haveria de gastar tanto dinheiro, de bom grado, para tomar algo tão desagradável?
Outra história incompreensível é que, no mundo, existem dois tipos de pessoas: um que é saudável e não toma remédios e que, por não tomá-los, permanece saudável; outro que é fraco e toma remédios e que, por tomá-los, permanece fraco.
Este último tipo, na verdade, é provavelmente de longe o mais numeroso — e, sendo assim, é claro que nenhuma das duas interpretações acima se sustenta. Por quê? Porque, se fosse possível explicá-las, a medicina já teria resolvido o problema das doenças há muito tempo. Para nós, porém, a explicação não apresenta a menor dificuldade: os doentes que a medicina não cura vão se curando uns após os outros, e esta é a melhor prova disso.
A explicação, na verdade, é simples e clara: os medicamentos criam as doenças e, ao pararmos de tomá-los, elas se curam. É só isso. Como se percebe pelo exposto, o mundo de hoje está imerso na superstição de que os medicamentos curam as doenças.
As pessoas gastam muito dinheiro para criar doenças, agravá-las, sofrer e, por fim, até perder a vida — e, não bastasse não perceberem isso, ainda ficam satisfeitas. Isso não é mera tolice: vai muito além dela, é indescritível em palavras. É provável que, como nunca tenha havido tamanha tolice desde os tempos antigos, não exista sequer uma palavra para nomeá-la. Por isso, pensando que "suprema tolice" (chōbaka) soaria mal aos ouvidos, escrevi "suprema insensatez" (chōgu).
É por essa razão que, para fazer as pessoas compreenderem a ignorância da medicina, uma escrita comum dificilmente seria capaz de quebrar a cabeça dura e emperrada da superstição.
Por isso, pensando sempre "ainda não basta? ainda não basta?", crio novos termos e desfiro golpes de punho de ferro capazes de abrir os olhos das pessoas, para salvá-las. Que este texto seja compreendido dessa forma.
Sobre a Devoção à Imagem da Luz Divina
Eikō nº 255, publicado em 7 de abril do ano 29 da Era Showa (1954)
Isto raramente acontece; mas, como pode ocorrer de vez em quando, chamo a atenção para este ponto. Por exemplo: quando a esposa se converte primeiro e, em seu excesso de zelo, instala a Imagem da Luz Divina antes que o marido ou os filhos tenham compreendido a fé. Há até Ministros que consideram isso aceitável, mas é um grande erro. Como já disse em outra ocasião, o correto é que toda a família entre na fé, ou que se espere até haver compreensão suficiente para que a Imagem da Luz Divina seja instalada de bom grado por todos. Se não for esse o caso, e havendo ao menos um opositor na família, deve-se esperar mais um tempo.
Provavelmente essa pressa nasce da ansiedade de fazer com que a pessoa se converta rapidamente, de algum modo, e da crença de que isso a levaria a compreender mais cedo. Mas essa é uma forma de pensar humana; para Deus, a questão é outra. O ritmo — mais rápido ou mais lento — da conversão de cada um depende da leveza ou gravidade de seus pecados, de seu innen (afinidade espiritual), de sua missão, e assim por diante; basta confiar tudo a Deus.
A propósito, o presidente de uma determinada Igreja Média consultou-me recentemente sobre um caso assim. Uma senhora, membro da igreja, procurou-o muito preocupada porque o marido não a compreendia de forma alguma. Certa noite, ele voltou para casa embriagado e, não se sabe o que lhe deu na cabeça, quebrou de repente a Imagem da Luz Divina e começou a atirar fora, uma após outra, todas as coisas relacionadas a Deus. Ela se assustou e, por mais que implorasse, ele não a ouviu. Disse ela: "Cometi uma falta imperdoável. Peço-lhe que interceda junto a Meishu-Sama para que nos perdoe por esta grosseria." O presidente da igreja, então, perguntou-me o que deveria fazer.
Respondi da seguinte forma: isso aconteceu porque ela se esqueceu do que sempre digo — que, havendo ao menos um opositor, jamais se deve instalar a Imagem da Luz Divina. Se não percebeu isso, é porque sua leitura dos Escritos Divinos ainda é insuficiente. O que mais se deve compreender é que o fundamento da fé é a livre vontade da pessoa: o essencial é que surja uma fé que não se possa conter. Tentar, por qualquer meio, fazer alguém compreender à força só produz o efeito contrário, atrasando ainda mais o momento da conversão.
O que mais se precisa saber a esse respeito é que, nas coisas do mundo, nem sempre dois vezes dois são quatro. Deve-se compreender que existe uma lógica além da lógica — como dois vezes dois serem seis, ou dois vezes três serem sete —, e isso é especialmente verdadeiro no campo da fé. Em outras palavras, tudo deve ser julgado pelos resultados.
Como esta é a prática de Kannon — capaz de mil mudanças e dez mil transformações, livre e sem obstáculos —, se esse princípio for bem gravado no fundo do coração e se agirmos de acordo com ele, certamente tudo correrá bem.
―――――――――・――――――――――
Superciência
Eikō nº 222, publicado em 19 de agosto do ano 28 da Era Showa (1953)
Outro dia, ouvi no rádio a gravação de uma mesa-redonda com o Dr. Yukawa, recém-retornado ao Japão. Segundo ela, até mesmo a ciência vem se aproximando consideravelmente da minha teoria — o que me causa imensa alegria. Na discussão, foi apresentada uma nova teoria chamada "teoria da propriedade da matéria", em contraste com a "teoria das partículas elementares": as partículas elementares seriam partículas visíveis, enquanto a teoria da propriedade da matéria trataria de átomos invisíveis — a primeira, portanto, é física experimental, e a segunda, física teórica.
Isso corresponde exatamente ao que venho defendendo: a primeira é o corpo, e a segunda, o espírito.
Se assim for, pode-se dizer que, finalmente, também a ciência está se alinhando ao nosso lado. Quando os físicos teóricos propõem uma nova teoria, geralmente partem da imaginação, do raciocínio e de hipóteses, para só depois passar à experimentação.
O caso do Dr. Yukawa também foi assim. Sua descoberta inicial, o méson (partícula elementar), foi felizmente confirmada por acaso durante um experimento de um cientista americano que fotografava raios cósmicos — contribuição que, como é sabido, lhe rendeu o Prêmio Nobel. A teoria que deu um passo adiante, porém, é a referida teoria da propriedade da matéria, que parece ser hoje o foco principal dessa pesquisa. Creio, contudo, que, até ser confirmada por experimentos, ela ainda passará por consideráveis reviravoltas e poderá até esbarrar em dificuldades inesperadas — pois não é fácil que os microscópios atuais se desenvolvam a tal ponto.
Por outro lado, mesmo que essa partícula da propriedade da matéria fosse hipoteticamente capturada por experimentos, isso por si só não teria nenhum significado: o essencial é o quanto ela poderá contribuir para o bem-estar da humanidade. Há, porém, um ponto crucial que a ciência sequer pode imaginar a esse respeito: se avançar além do estado atual, acabará adentrando o próprio domínio do espírito, que sempre defendemos — e o domínio do espírito é, naturalmente, a religião. Assim, inevitavelmente, a ciência se afastará de seu próprio campo e se subordinará à religião.
Pode-se dizer, portanto, que a ciência materialista atual atingiu o ápice de seu progresso e está a um passo de se chocar contra uma parede. Para romper essa parede, seria talvez necessário multiplicar a capacidade dos microscópios várias vezes, dezenas ou centenas de vezes mais do que hoje — o que é impossível.
Ainda que fosse possível, não se poderia sequer estimar quantos séculos seriam necessários. Diante disso, é forçoso concluir que, seja na ciência, na filosofia ou nas religiões estabelecidas, qualquer progresso além do atual será extremamente difícil. Chegou, portanto, o momento de finalmente surgir um "X" que transcenda o nível da cultura atual — e é por meio desse grande salto do "X" que se superará a grande crise da civilização, num beco sem saída, fazendo surgir uma civilização nova e surpreendente.
Essa é a minha missão. Aprofundemo-nos, em seguida, um pouco mais na teoria das partículas elementares e na teoria das partículas materiais. As partículas elementares que defendo são como corpúsculos minúsculos que constituem a matéria e representam a união entre matéria e espírito: a primeira é o yin (partícula negativa), e a segunda, o yang (partícula positiva). Essa é a base fundamental de toda a matéria, ponto que a ciência, até hoje, não havia descoberto.
Por que, então, alguém tão pouco erudito como eu pôde descobrir uma teoria científica tão elevada? Naturalmente, porque o Deus Supremo me ensinou conforme a necessidade. Assim, compreendi uma verdade universal que ninguém na história jamais conheceu e, ao mesmo tempo, recebi o poder de demonstrá-la de forma experimental e científica — conforme consta no apêndice deste livro, o Relatório de Curas de Doenças (omitido nesta revista), naturalmente enviado por muitos fiéis de diversas regiões. Gostaria de dizer, ainda, que, seja pela religião, seja pela ciência, se for possível salvar a vida humana — o bem mais precioso —, não haverá evangelho maior do que este.
Explicarei agora esse princípio com mais detalhes. Desnecessário dizer que o ser humano é o ápice de todos os seres vivos, o rei e o governante da Terra; tudo o que existe entre o Céu e a Terra existe para o ser humano — em primeiro lugar, para manter sua vida; em segundo, para auxiliar a missão de cada indivíduo. Assim, o corpo humano é constituído de modo a tornar a força vital mais vigorosa e a permitir que se possa agir com saúde. Sendo assim, uma vez que surgiu algo chamado doença, que ocasionalmente prejudica a saúde e ameaça a vida, é natural que haja uma ação para eliminá-la — não havendo nada de estranho nisso.
Nem é preciso dizer: por mais favoráveis que sejam as outras condições, sem saúde o ser humano não pode cumprir sua missão.
Nesse sentido, seja a ciência, seja a religião, ou qualquer outra coisa — desde que resolva a doença, será a verdadeira ciência e também a verdadeira religião. Tanto a religião quanto a ciência atuais, porém, lamentavelmente não possuem essa capacidade; por isso, é evidente que nenhuma delas é, ainda, a verdadeira ciência ou a verdadeira religião. Dito isso, é demasiado claro, honestamente, que a civilização até hoje foi algo provisório, e não a civilização verdadeira.
―――――――――・――――――――――
Estado do Caminho
Eikō nº 90, publicado em 7 de fevereiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Escusado será dizer que o nosso Japão é um Estado de Direito. Na verdade, todos os países que se consideram civilizados no mundo são Estados de Direito, sem uma única exceção. Contudo, falando com franqueza, o método de governar por meio de um Estado de Direito, ou seja, por uma Constituição, não pode ser considerado ideal. Os próprios fatos o comprovam claramente: basta observar como a história mostra ser difícil eliminar o crime apenas com o poder da lei. Naturalmente, sendo impossível erradicar por completo o mal do ser humano, talvez seja inevitável que essa realidade persista. Diante desses pontos, é evidente que, sem a religião, não é possível uma verdadeira solução.
No entanto, se a religião sozinha não basta para atender às necessidades urgentes, é preciso, como outro método, antes de tudo, fazer com que se conheça o Caminho. Isto é, o Caminho é o Caminho Perfeito e a razão. É verdade que isso também é uma moral oriental existente desde os tempos antigos, mas a nova moral que pretendo defender agora é algo mais avançado. Começo a falar sobre isso porque, ultimamente, a decadência do senso moral social tornou-se excessivamente grave.
A delinquência juvenil, é claro, e o aumento drástico de vários tipos de crime são insuportáveis aos olhos. Recentemente, mesmo entre os intelectuais, vêm gradualmente se dando conta disso, e várias discussões surgiram, como "revivamos a educação moral" ou "criemos algo que substitua o Édito Imperial sobre a Educação". Isso é sinal de que estão começando a prestar atenção a esse aspecto — um fenômeno digno de alegria.
E a causa disso, escusado dizer, é provavelmente o fato de que, após o fim da guerra, o povo em geral perdeu seu ponto de apoio e ficou desorientado, levando, por fim, ao aumento de pessoas sem rumo, como as de hoje. Até o fim da guerra, em todas as escolas, a educação moral e o Édito Imperial sobre a Educação eram a base e, além disso, ideias como a lealdade e a piedade filial, vindas desde os tempos antigos, estavam enraizadas no fundo do coração. Por essa razão, não se pode negar que, aos olhos de hoje, a sociedade daquela época era consideravelmente mais séria. No entanto, não podemos simplesmente reviver hoje essa moral antiga; será preciso criar, de alguma forma, um novo espírito de época. É verdade que, como algo concedido ao nosso povo após o fim da guerra, existe a democracia, e devemos ser gratos pelo quanto ela nos libertou das amarras do pensamento feudal. Contudo, lamentavelmente, não se pode negar que seu excesso se tornou o foco da atual confusão social. Se assim é, o mais necessário é descartar o que há de mal nas correntes de pensamento antigas e novas, adotar apenas seus aspectos positivos e criar um novo senso de moral adequado aos tempos — um novo espírito de Yamato, à semelhança da cavalheirice inglesa.
Esse é o conceito fundamental chamado Caminho, como mencionado anteriormente, e devemos promovê-lo amplamente tanto na educação quanto na sociedade. Se, dessa forma, pudermos reduzir, ainda que um pouco, o mal social, será motivo de grande alegria. O Caminho, isto é, o Caminho Perfeito, para explicá-lo de forma compreensível, é algo que permeia tudo — é, por assim dizer, o guia absoluto da conduta humana na vida. Isso porque, se o ser humano seguir o Caminho, não haverá desgraças nem fracassos: tudo transcorrerá harmoniosamente, a confiança aumentará, ele será respeitado e amado pelas pessoas e, naturalmente, alcançará uma situação de paz e plenitude. À medida que tais indivíduos e famílias aumentam, não é preciso dizer que sua influência contribuirá para a gradual diminuição do mal social.
Nesse sentido, se, como nos dias de hoje, dependermos apenas da lei, aumentarão os chamados espertalhões que pensam "basta não ser pego pela lei", e os insolentes agirão desenfreadamente. Eu sempre digo: Deus, em outras palavras, é o Caminho Perfeito. Isto é, adorar a Deus é adorar o Caminho Perfeito. Portanto, o ser humano que segue o Caminho Perfeito e é governado por ele é o verdadeiro homem civilizado. Apresento este texto aos intelectuais do mundo.
Pessoas Agradáveis
Eikō nº 257, publicado em 21 de abril do ano 29 da Era Showa (1954)
Talvez não exista palavra de sonoridade tão agradável quanto "boa impressão". No entanto, pensando bem, ela tem importância surpreendente na vida social, pois se relaciona imensamente não apenas com o destino individual, mas também com a sociedade como um todo. Por exemplo, quando alguém convive com uma pessoa de boa impressão, acaba por se tornar agradável também; e, se isso se espalhar de um para outro, naturalmente se formará uma sociedade harmoniosa. Assim, problemas indesejáveis, sobretudo as disputas, diminuirão, e os crimes também se reduzirão, dando origem a um Paraíso espiritual. Além disso, isso não custa um centavo, não dá trabalho e pode ser feito na hora — não há história mais maravilhosa do que essa. Dito assim, parece extremamente simples, mas todos sabem que, na realidade, as coisas não são tão fáceis.
Isso porque a mera aparência externa não resolve: é preciso que a sinceridade do coração transpareça, e isso depende inteiramente da disposição interior de cada um. Em outras palavras, a raiz de tudo é o espírito do Amor Altruísta. A esse respeito, falarei um pouco de mim. Desde jovem, por mais estranho que pareça, raramente fui odiado ou alvo de rancor, onde quer que estivesse. Ao contrário, sempre fui acolhido e admirado. Refletindo sobre o motivo, encontro algo que considero a razão principal. O quê? É que, em tudo, coloco meu próprio benefício e minha satisfação em segundo plano, empenhando-me apenas em fazer com que os outros fiquem satisfeitos e felizes. Isso não vem de preceitos morais ou religiosos; simplesmente acontece de forma natural — é a minha natureza, uma espécie de hobby. Por isso, muitas vezes me disseram que tenho uma índole vantajosa, e talvez seja mesmo verdade. Naturalmente, isso se intensificou ainda mais depois que me tornei religioso. Assim, quando vejo alguém sofrendo de uma doença, sinto-me inquieto, incapaz de ficar parado, e penso que preciso curá-lo de qualquer forma. Quando pratico o Johrei e a pessoa se cura e se alegra, essa alegria passa para mim, e eu também fico feliz. Por causa disso, no passado, causei muitos problemas e sofri bastante.
Explicando melhor: quando via que já não havia mais jeito, bastaria desistir logo, mas, comovido pelos apelos dos doentes e de seus familiares, eu acabava esquecendo meus próprios interesses e ficava obcecado — ia a lugares distantes várias vezes, perdia tempo, gastava dinheiro e, no final, sem obter resultados, causava decepção, sendo odiado e ouvindo queixas com frequência. Nessas ocasiões, eu me culpava, pensando que precisava ser mais insensível. Essa minha natureza também serviu de auxílio para a construção do Paraíso Terrestre e do Museu de Belas Artes, e acredito que foi Deus quem me deu essa índole.
Por exemplo, ao contemplar uma bela obra de arte ou uma paisagem magnífica, sinto que não tem graça apreciá-la sozinho, e minha consciência me incomoda, surgindo então o desejo de mostrá-la e fazer com que o maior número possível de pessoas a aprecie e se alegre. Assim, minha maior satisfação não está em me divertir sozinho, mas em me alegrar e me divertir vendo os outros se alegrarem e se divertirem.
―――――――・――――――――――
As Virtudes do Resfriado
Eikō nº 193, publicado em 28 de janeiro do ano 28 da Era Showa (1953)
Atualmente, por toda parte, os resfriados estão na moda.
Ali se ouve "cof, cof", aqui se ouve "cof, cof"; tanto nas cidades quanto no campo, é um inferno de barulho de tosse. E, como se não bastasse, vê-se a enxurrada daquelas máscaras, com as pessoas usando uns apetrechos estranhos, como se fossem máquinas de sufocar humanos ou instrumentos de calar a boca. Deve ser muito incômodo, imagino, mas os senhores pensam estar prevenindo o resfriado, então o que se pode dizer? Afinal, essa gente dita "civilizada", que não consegue ficar tranquila a menos que até o ar seja passado por um filtro de seda, é, aos meus olhos, uma existência verdadeiramente lastimável. Desse jeito, nem mesmo os belos rostos de homens e mulheres bonitos podem ser mostrados; ficam apenas piscando os olhos, numa aparência que mais parece um peixe-sapo que subiu em terra firme. Diante disso, eu, este humilde servo, penso em escrever de modo que qualquer pessoa, por mais obtusa que seja, entenda de uma vez por todas o que está por trás da moda dos resfriados.
Primeiramente, observemos esta terra: de ponta a ponta, está coberta de poeira e sujeira. Mesmo quando sopra um ventinho vagabundo, como que um neto de uma baixa pressão, a poeira levanta e não se consegue abrir nem os olhos nem a boca. No entanto, isso pode ser limpo com um regador ou lavando as ruas pavimentadas. Quanto à sujeira dentro de casa, a esposa ou a empregada, arregaçando as saias, dá conta com o trabalho agitado de vassoura e espanador. E nós, seres humanos, ao acordar, lavamos o rosto e, se sacudirmos a caspa da cabeça, ficamos revigorados; se tirarmos a sujeira do corpo com um banho, ficamos refrescados. Tudo isso são coisas extremamente óbvias, que qualquer um conhece.
No entanto, passo agora a escrever sobre um erro terrível, oculto num ponto em que ninguém repara. Não se trata de outra coisa: por mais que o mundo tenha se desenvolvido e a sabedoria humana tenha avançado, é uma negligência lastimável não se ter notado a sujeira que se acumula o ano todo dentro do corpo, que é a parte mais essencial. Mas alguém dirá: "Isso é impossível! O ser humano está coberto por uma lona de borracha natural chamada pele, que o esconde e protege; portanto, estamos seguros."
De fato, isso também é razoável, mas peço que reflitam com cuidado: mesmo dentro do corpo, é estranho que sujeira se acumule o ano todo? Perguntar "por quê?" já é falta de senso. As coisas que os humanos comem e bebem contêm venenos e, mais problemático ainda, há o terrível veneno chamado remédio — é exatamente isso que eu sempre digo. Há também o veneno das fezes e o veneno da urina, que se acumulam. A sujeira dentro do ventre dos seres humanos é como um depósito de lixo, um pântano ou um tanque de fertilizante. Acima de tudo, é preciso abandonar a presunção. Como prova, não se vê surgirem lombrigas, oxiúros, ancilóstomos e tantos outros bichos? Se eu disser isso, vocês vão se calar na hora. E Deus também não é descuidado: Ele realiza para os humanos a grande limpeza que eles mesmos fazem nas duas estações, primavera e outono. Mas a limpeza de Deus não é debaixo da varanda; é por todo o interior do corpo humano. A essa limpeza dá-se o nome de resfriado. Portanto, não há nada mais abençoado e digno de gratidão do que um resfriado. Graças a essa limpeza, o interior do corpo fica limpo e a saúde aumenta. Entenderam? Pois então, como é que se enganam tanto? Tentar impedir uma limpeza tão benéfica é exatamente o que, atualmente, o governo e os médicos, todos juntos, estão fazendo. A estupidez disso é de tal ordem que fico estupefato, sem palavras. Isso se deve inteiramente à superstição da medicina, o que é realmente problemático.
Portanto, ao ouvirem esta minha teoria, ficarão tão surpresos que, de tão inesperada, poderão cair de costas. Por isso, vou expô-la agora com clareza. Primeiramente, todos sabem que as pessoas resfriadas se queixam e se lamentam, dizendo coisas como "este resfriado é de natureza ruim, diferente do normal, não sara facilmente, é um problema"; mas essa dificuldade de sarar se deve justamente a não saberem que o resfriado é a limpeza do corpo. Como estão atrapalhando a limpeza, ela não se completa. Por isso, quem pegar um resfriado não deve aplicar nenhum tratamento; se o deixar em paz, certamente sarará. Pode ficar de cama, ou, se quiser levantar, pode levantar; se quiser trabalhar, pode trabalhar. Em suma, se agir livremente, sarará perfeitamente, sem nenhuma preocupação. Se não sarar, é porque estão impedindo a limpeza com remédios ou tratamentos. Mesmo que eu fale uma verdade tão maravilhosa, os humanos de hoje não a compreenderão imediatamente. Afinal, são todos pessoas que há muito tempo se tornaram prisioneiras da superstição médica. Pelo contrário, alguns reagirão com arrogância, dizendo: "O quê? Existe uma história tão absurda assim? Os tais da Igreja Messiânica estão dizendo disparates anticientíficos e antiquados, enganando as pessoas. Isso é imperdoável. Podem até enganar os bons homens e mulheres ingênuos com essa conversa mole, mas nós, intelectuais, não caímos nessa."
No entanto, são essas pessoas — que, todos os dias, num contínuo "cof, cof", com os olhos vermelhos de febre, fitando o céu, a cabeça latejando apoiada no travesseiro, neste frio, empacotadas em gelo, tremendo, encolhidas, tontas, gemendo "un, un" — que compreenderão profundamente o terror da superstição médica. Entre elas, algumas, diante da atual dificuldade de moradia, pensam: "Ah, que trabalho! Melhor dar adeus a este mundo e me mudar para o tal 'outro mundo'."
Deixemos as brincadeiras de lado por enquanto e voltemos ao assunto principal. Ora, se o resfriado é justamente a limpeza da sujeira acumulada dentro do corpo humano, a maior prova, mais forte do que qualquer argumento, é que a tosse e o espirro são a vassoura e o espanador; o catarro e o ranho são a poeira; e a água suja do banho pode ser considerada o suor. As dores de cabeça e no corpo são para soltar a poeira, como se fossem golpes de uma vara. Só com isso, não se pode deixar de pensar: "Ah, sim, entendo!"
No entanto, as pessoas atrapalham essa limpeza tão benéfica tomando injeções, antitérmicos, antitussígenos, compressas, inalações, decocção de raiz de kudzu, carvão de umeboshi, saquê com ovo, e ficam debaixo das cobertas, como se estivessem enroladas numa esteira, suportando imóveis um sofrimento ridículo ao extremo. Sem precisar passar por esse sofrimento desnecessário, se desde o início deixassem o resfriado em paz, toda a sujeira do ventre sairia completamente, e não só ficariam leves como quem lavou o traseiro num rio de águas claras, como também sarariam sem gastar um centavo nem precisar de enfermagem, e depois a saúde aumentaria. Não há história mais digna de gratidão do que essa. No entanto, o problema é que, por terem impedido a limpeza, uma grande quantidade de sujeira permanece. Então, da próxima vez, começa de uma só vez uma grande limpeza. É esta a pneumonia que todos temem. A pneumonia é, com certeza, algo criado pelos próprios seres humanos. E há mais, muito mais: o fato de todos dizerem que o resfriado atual é de natureza ruim e não sara como se espera é justamente porque os remédios de hoje evoluíram, e a força do veneno que suprime a limpeza se tornou mais forte. Em outras palavras, evoluíram justamente os métodos para impedir que a poeira, já prestes a sair, de fato saísse. Por isso, a sujeira se solidifica dentro dos pulmões. Quando o médico vê esse caroço, diz: "Isto é grave: é o estágio inicial da tuberculose."
Então o coitado fica pálido de susto, as bochechas caem, só os olhos brilham — e ele inicia o treinamento para se tornar um cadáver vivo. É realmente lastimável a situação dos humanos de hoje, semelhante à de insetos, cães ou gatos, ou de rãs e sapos. É um mundo tão deplorável que, ainda que alguém grite como quem pisa num pântano, não há quem se importe. Agora, quem leu até aqui e tem boa cabeça certamente entenderá o ponto. Imediatamente lançará ao mar do oeste a superstição médica e entrará no portão da felicidade da Igreja Messiânica, exibindo um sorriso que há anos não esboçava. Essas pessoas certamente aumentarão cada vez mais. Afinal, os habitantes do Paraíso que foram salvos pela nossa Igreja não só não se importam nem um pouco com a moda dos resfriados, como acham isso ótimo. Graças a ela, podem fazer a limpeza sem gastar um centavo. Essa gratidão e essa alegria penetram no corpo. Comparando com o mundo comum, não é questão de lua comparada a tartaruga, nem de diamante comparado a vidro. Provavelmente não há, em lugar algum do mundo, boa nova tão grande assim. Escrevi tudo o que me veio à mente e sinto como se eu mesmo tivesse feito a limpeza do ventre. Pela primeira vez em muito tempo, sinto-me aliviado.
Diálogo com Meishu-Sama (1)
Eikō nº 266, publicado em 21 de julho do ano 29 da Era Showa (1954)
Correspondente da Ásia Scene em Tóquio, Sr. Dick Nakamura; Locutor da Rádio Tóquio, Sr. Terumasa Mayama.
No último dia 15 de abril, a pedido de leitores da revista em língua inglesa "Ásia Scene", publicada no Japão, que desejavam uma investigação sobre o livro do fundador, Salvando a América, e seu artigo, A Bomba Atômica Não é Temível, o correspondente da Ásia Scene em Tóquio, Sr. Dick Nakamura, juntamente com o locutor da Rádio Tóquio, Sr. Terumasa Mayama, e o produtor, Sr. Akiyasu Gokami, vieram visitar-nos. A audiência deste dia ocorreu na sala de visitas do Hekiunso. Aguardávamos ansiosamente quando, às duas horas da tarde, Meishu-Sama fez a sua aparição, visivelmente de excelente humor, e conversou conosco por aproximadamente duas horas. A seguir, transmitimos o teor do diálogo ocorrido na ocasião. Registramos, ainda, que ele foi publicado na edição de maio da Ásia Scene sob o título "O Deus Vivo de Atami", e uma parte foi transmitida no programa "Rádio Esboço" da Rádio Tóquio em 20 de abril.
Sr. Nakamura: A respeito do livro que o Fundador escreveu, "Salvando a América", os leitores americanos pediram que informássemos o conteúdo e a situação; por isso, vim me encontrar com o Fundador e ouvir o que ele tem a dizer. A Rádio Tóquio também está trabalhando conosco...
Meishu-Sama: Compreendo. Mas, quanto à rádio, o que eu digo é tão diferente do comum que talvez não sirva para ser transmitido.
Sr. Gokami: Mas, do meu lado, como se trata do programa "Rádio Esboço", fazemos algo como "apresentar várias coisas sob vários ângulos". Então, no final, mesmo que as pessoas em geral não entendam, apresentamos o assunto tal como ele é. Por isso, de nossa parte, deixamos de lado qualquer crítica.
Sr. Gokami: Dessa forma, acho que faremos perguntas que talvez pareçam repetitivas...
Sr. Nakamura: Do meu lado também, ouvirei sem cerimônia.
Meishu-Sama: Assim é melhor. Para mim também, dessa forma é mais fácil conversar.
Sr. Nakamura: Não vim aqui simplesmente porque se trata de uma nova religião. Se fosse apenas uma nova religião comum, eu me encontraria com os dirigentes e, com isso, já montaria a matéria. Mas achei que esta não era uma simples nova religião, e por isso pensei que só entenderia encontrando a própria fonte.
Meishu-Sama: É isso mesmo. De modo geral, a religião não salva verdadeiramente. Se a religião salvasse, o mundo inteiro já deveria estar salvo pelo Cristianismo ou pelo Budismo, e já deveria ser um mundo de Paraíso. No entanto, o fato de que ainda hoje não cessam a doença, a pobreza e a guerra mostra que, com isso, não se salva. Porém, se essas religiões não existissem, o mundo seria ainda pior, e não se sabe até que ponto se tornaria bárbaro. Por isso, pode-se dizer o quanto elas contribuíram até agora, mas não vai além disso. É por isso que eu atuo com um poder que está acima da religião.
Qual é a fonte de energia da atividade?
Sr. Mayama: Ouvi dizer que o senhor foi de automóvel até Kyoto ontem ou anteontem; não ficou cansado?
Meishu-Sama: Fui de carro só na ida, mas não fiquei muito cansado.
Sr. Mayama: Essa fonte de energia, de onde ela vem?
Meishu-Sama: É a vida natural. O meu método de cuidar da saúde é um pouco diferente.
Sr. Mayama: Por exemplo, como assim?
Meishu-Sama: Considero que o corpo é tanto melhor quanto mais é exigido. Por isso, eu me esforço o máximo possível. Assim, ele se fortalece naturalmente.
Sr. Mayama: Nós dizemos que se esforçar demais encurta a vida.
Meishu-Sama: Essa é a teoria da medicina moderna. Mas, na verdade, quanto mais se exige do corpo, melhor. Os esportistas se esforçam bastante e, ao contrário, isso os torna mais saudáveis. Sigo esse princípio e mantenho essa diretriz até o fim. Durmo cada vez menos e, por isso, incentivo a privação de sono. Quanto à comida, o princípio é comer o que se quer, na quantidade que se quer. Portanto, vitamina e caloria não são necessárias.
Sr. Mayama: Todos os senhores também têm uma cor de rosto muito boa.
Meishu-Sama: Isso mesmo. Este é o verdadeiro método de saúde. Por não conhecê-lo, as pessoas erram e enfraquecem. O caso mais grave de todos é o dos Estados Unidos; por isso, pensei em fazer os americanos entenderem e escrevi "Salvando a América".
Sr. Mayama: E qual foi o motivo dessa descoberta, ou melhor, de onde ela veio?
Meishu-Sama: A primeira vez foi quando curei a mim mesmo de uma doença pulmonar. Naquela época, eu seguia à risca o que os médicos diziam e ingeria grande quantidade de nutrientes e alimentos fortificantes. Pensando em fazer algo a respeito, refleti bastante. Como praticava pintura naquela época, olhei livros de medicina chinesa e vi que havia toda sorte de raízes, ervas e cascas que serviam de remédio para uma coisa ou outra. Se essas coisas eram remédio, decerto deviam ser necessárias. Até então eu considerava as hortaliças ruins e só comia coisas de origem animal... Resolvi experimentar isso e, para minha surpresa, funcionou muito bem: em cerca de três meses, fiquei completamente saudável. Foi então que comecei a duvidar da medicina ocidental.
Sr. Mayama: Então foi esse o motivo de "não contrariar a natureza".
Meishu-Sama: Isso mesmo. Foi então que, entrando na religião Oomoto, vim a conhecer o que é Deus e o que é o espírito. O espírito é algo que, além da matéria, embora invisível, existe verdadeiramente; e vim a saber que ele é a causa de todas as coisas.
Assim, a doença também tem sua causa no espírito: quando o espírito tem nuvens espirituais, o sangue se turva. O sangue turvo se torna toxina, e a ação de eliminá-la é a doença — foi isso que compreendi. Por isso, removendo as nuvens espirituais, que são a raiz de tudo, a doença também se cura. Mais do que ter pesquisado o método de remover essas nuvens espirituais, fui ensinado por Deus.
Sr. Mayama: Isso é um pouco difícil de entender para nós.
Meishu-Sama: É mesmo. Por isso, o que eu quero dizer... não, para falar a verdade, é algo tão diferente que chega a ser difícil de imaginar. Por exemplo, se os senhores tiverem dor em algum lugar, digamos apendicite, enquanto faço assim (erguendo a mão), a dor vai diminuindo aos poucos até curar. Entre nós, mesmo a apendicite normalmente se cura por completo em vinte ou trinta minutos. Como a causa é a toxina, ao dissolvê-la ela sai como diarreia, e a pessoa se cura.
Sr. Mayama: Isso não tem fundamento científico?
Meishu-Sama: Isto é uma ciência superior. A ciência de hoje é uma ciência de nível baixo. Por exemplo, quanto aos micróbios, hoje só se tenta matá-los. É verdade que os micróbios são o agente da doença. Mas de onde vieram? Fala-se em contágio — de B para A, de C para B, e assim por diante —, mas, no fim das contas, de onde veio a origem? Não foi apenas aquela pessoa que surgiu de repente do nada. Sem apurar isso, faz-se um alvoroço só com o resultado, que são os micróbios, e tenta-se matá-los. É preciso fazer com que o filho da causa não nasça, e foi isso que percebi. E a causa da causa são as nuvens espirituais. Pelo calor do corpo e por várias condições, elas vão ficando cada vez mais densas até se solidificarem. É princípio da matéria que tudo se solidifica ao ficar denso. Quando se solidifica até certo ponto, surge ali espontaneamente uma espécie de bactéria. Essa bactéria é um mineral vegetal que, ao evoluir pouco a pouco, passa de inorgânico a orgânico — esse é o filho do micróbio. Por isso, matar o micróbio é lidar com o resultado; remover as nuvens espirituais é o fundamental. Assim, tratando a doença pulmonar, por exemplo, ela se cura, porque se consegue curar a raiz da doença.
Sr. Mayama: No nosso modo de pensar, cirurgias e coisas assim, passando por dor e gastando muito dinheiro — se curar, ótimo, mas se não curar...
Meishu-Sama: Não, não cura. Porque isso não é ciência alguma. Como acabei de dizer, o método científico é remover as nuvens espirituais, que são a raiz.
Sr. Mayama: Então é uma terapia extremamente simples.
Meishu-Sama: Isso mesmo. Está de acordo com a razão. Por isso, nós não tememos nem mesmo a disenteria. Ao contrário, procuramos até pegar disenteria. Não há nada tão bom quanto isso.
Sr. Mayama: Quando o senhor levanta a mão assim, há contato físico?
Meishu-Sama: Não, pode estar a qualquer distância. Esta luz é extremamente forte — mais forte até que a bomba atômica.
Sr. Mayama: Sendo assim, a radioatividade, que hoje é um problema tão discutido, não seria prejudicial?
Meishu-Sama: Não, há dano. Quem tem de morrer, morre; mas, se for deixado em paz, quem pode ser salvo se cura.
Sr. Mayama: Isso quer dizer que só o Fundador pode fazer isso, e outras pessoas não servem?
Meishu-Sama: Não, deixando por conta da natureza, cura-se. O corpo humano tem esse poder de se curar. Por exemplo, fala-se muito se há muita ou pouca vitamina, mas a medicina pensa que o nutriente está só na comida e ignora o órgão que o produz. Por isso, para nós, qualquer alimento serve — pode ser só folhas de verdura, ou só mingau de arroz. Há uma história: Ogyū Sorai morou de aluguel na casa de um vendedor de tofu e estudou durante dois anos comendo só okara; algo assim os nutricionistas de hoje não conseguiriam explicar com a teoria deles. A medicina não sabe que é a função do interior do abdômen que produz o nutriente.
Existe remédio no mundo?
Sr. Mayama: Mas dizem que os remédios combinam ou não com a constituição de cada um...
Meishu-Sama: De modo geral, não existe no mundo um único remédio de verdade. Tudo o que se chama de remédio é veneno. Como eu digo, a doença é um processo de purificação: é a ação de eliminar aquilo que não deveria estar dentro do corpo. A dor e a febre servem para essa eliminação; a febre é a ação de dissolver. A esse sofrimento é que se chama doença. A doença, portanto, é uma espécie de limpeza do corpo, e é algo bom. É por isso que digo que devemos agradecer à doença.
Sr. Mayama: Então o senhor está dizendo para ficarmos doentes de vez em quando...
Meishu-Sama: Não é de vez em quando. É melhor pegar bastante. Por isso, digo para pegarem resfriado o máximo que puderem. É por isso que os nossos fiéis dizem: "Graças a Deus, finalmente peguei um resfriado." Basta pegar resfriado que a tuberculose não aparece. É porque impedem o resfriado que a pessoa acaba tendo tuberculose. Não é mesmo? O resfriado é a limpeza da toxina; quando a limpeza começa, quanto mais se deixa limpar, mais toxina se retira — a limpeza se completa. Hoje em dia, param essa limpeza e solidificam a toxina. Por isso, o médico não diz que cura; diz que "consolida".
Sr. Nakamura: Falando nisso, as pessoas que receberam a radiação da bomba atômica...
Meishu-Sama: A bomba atômica, mesmo sem fazer nada, cura se deixada em paz.
Sr. Mayama: Cura mesmo?
Meishu-Sama: Cura. As pessoas morrem porque a medicina faz toda sorte de coisas. Por isso, a medicina é uma existência nociva e inútil.
Sr. Mayama: Sendo assim, a Igreja Messiânica defende a rejeição da medicina?
Meishu-Sama: Não é isso; é mais forte que isso — é a tese da abolição absoluta. Se a medicina deixasse de existir, não se sabe quão feliz a humanidade se tornaria.
Sr. Nakamura: Quanto às doenças internas, deixando-as de lado; mas e no caso das doenças cirúrgicas?
Meishu-Sama: Mesmo assim, a causa é que essa pessoa tem nuvens espirituais. Até um ferimento se cura logo. Isso se pode entender lendo o jornal que publicamos. Explicar é bem trabalhoso, porque, se os senhores tivessem uma mente comum, seria fácil; mas estão enrijecidos pela superstição científica e pela superstição médica.
Sr. Mayama: Não... mas...
Meishu-Sama: Então, os senhores conseguiriam aceitar de imediato o que eu digo? Não deve ser assim tão fácil. Mesmo aceitando, hão de surgir dúvidas, e há de parecer misterioso e estranho, sem que se possa evitar.
Eu crio "pessoas" que salvam pessoas
Sr. Mayama: Esse gesto de erguer a mão assim, que basta fazer para curar — como o senhor veio a saber disso? Foi uma revelação divina, uma inspiração?
Meishu-Sama: Claro que sim. No começo, pensava vagamente que Deus me dava uma espécie de energia espiritual e que ela saía por aqui, mas com o tempo isso foi ficando claro. Deus foi me ensinando por meio de várias coisas. Hoje, embora isso possa causar mal-entendido, eu mesmo não sei se sou Deus ou um humano. Todos os dias só acontecem milagres, coisas misteriosas.
Sr. Mayama: Sendo assim, no dia a dia não há nada de especial, e é só quando se senta diante de um doente que uma espécie de força espiritual sutil enche o corpo? Ou é assim o tempo todo?
Meishu-Sama: No início era mais ou menos assim. Mas, há alguns anos, descobri que há uma esfera (jóia) de luz no meu abdômen. Há pessoas que a veem. E, quando faço assim, ela (a esfera de luz) sai através da mão. Isso acontece quando sou eu que faço; quando os discípulos fazem, também fazem assim, e há muitas pessoas que veem a luz saindo daqui (da palma da mão).
Sr. Mayama: E como é essa luz?
Meishu-Sama: Há branca, amarela, dourada. São principalmente as crianças que a veem.
Sr. Nakamura: Ou seja, os de coração puro.
Meishu-Sama: Isso mesmo. Ou seja, por terem a mente vazia (mushin), por não terem essa consciência subjacente, conseguem acreditar mais facilmente. Há uma criança de doze anos que continua vendo até hoje.
Sr. Mayama: Então, fazer esse gesto não funciona para nós?
Meishu-Sama: Serve para qualquer um. Se não fosse assim, não poderia haver fiéis.
Sr. Mayama: Então todos os senhores já alcançaram esse nível?
Meishu-Sama: Não é uma questão de nível; basta usar o Ohikari, que torna qualquer um capaz disso. Por isso, parece bom demais para ser verdade.
Sr. Mayama: De fato. Para nós é um pouco difícil de acreditar. Sendo assim, quanto aos pacientes da bomba atômica internados no Hospital da Universidade de Tóquio, pelos quais toda a nação está preocupada e gastando muita verba — ouvindo essa história, o senhor não pensa em ir até lá e experimentar aplicar as mãos pessoalmente?
Meishu-Sama: Tenho algo mais importante a fazer; salvar pessoas individualmente seria um desperdício. Em vez disso, agora estou formando as pessoas que, no futuro, salvarão dezenas de milhares.
Sr. Mayama: Mas há pessoas que estão em grande dificuldade agora; não pensa nelas?
Meishu-Sama: Penso, sim. Quero ajudá-las. Mas, ainda assim, se as circunstâncias não permitirem, não há o que fazer. Ou seja, meu trabalho é formar as "pessoas" que salvarão essas pessoas.
Diálogo com Meishu-Sama (2) Meu 'Hikari' (Luz)
Eikō nº 267, publicado em 28 de julho do ano 29 da Era Showa (1954)
Sr. Mayama: Qual é o fundamento científico do Ohikari de que falávamos há pouco?
Meishu-Sama: Ao escrever o caractere "Hikari" (Luz), a luz entra dentro dele.
Sr. Mayama: Isso é algo que só o Fundador pode fazer...
Meishu-Sama: Isso mesmo. Recebi de Deus exatamente essa capacidade.
Sr. Mayama: E esse Deus é...
Meishu-Sama: Chama-se Deus Supremo; é o mais alto de todos os deuses. Recentemente, houve o caso de uma pessoa possuída por Cristo, que foi salva por meio deste Deus.
Sr. Nakamura: O caractere "Hikari"...
(Meishu-Sama mostra o Ohikari)
Meishu-Sama: Escrevo cada um destes em seis segundos. Por isso, é muitíssimo rápido. No instante em que se coloca isto no peito, já se pode curar a doença.
Sr. Mayama: Sendo assim, Deus está sempre habitando no corpo do Fundador?
Meishu-Sama: Isso mesmo. Ele está aqui.
Sr. Mayama: Esse "Hikari" do Fundador é algo que, no mundo inteiro, só o Fundador possui?
Meishu-Sama: Isso mesmo. Nunca existiu antes. É a primeira vez desde o início da humanidade.
Sr. Mayama: Mas, quando o Fundador partir, o que será da Igreja Messiânica depois?
Meishu-Sama: Continuarei atuando a partir do mundo espiritual, por isso não haverá problema nenhum.
Sr. Mayama: Mas não haverá mais ninguém para escrever o caractere "Hikari"...
Meishu-Sama: Quando chegar essa época, não haverá mais pessoas impuras; por isso, não será mais necessário.
Sr. Mayama: Então, até lá, o Fundador continuará vivo?
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Stálin está caído no Inferno
Sr. Mayama: Na conversa de há pouco, o senhor disse ter se encontrado com Cristo; é possível saber se quem fala é realmente Cristo?
Meishu-Sama: Sei bem. Ele próprio se identifica ao vir.
Sr. Mayama: No caso de estrangeiros, não há o problema do idioma?
Meishu-Sama: Isso se transforma em japonês. No mundo espiritual há um encarregado da tradução; é igual ao mundo material.
Sr. Mayama: Então qualquer um pode falar assim. Já se encontrou com personagens históricos?
Meishu-Sama: Sim, já. Mas, se não houver necessidade, eles não se manifestam.
Sr. Nakamura: Esses espíritos vêm porque é o Fundador quem os chama?
Meishu-Sama: Isso mesmo. Porque eu os ajudei.
Sr. Mayama: Além de Cristo, encontrou-se com vários outros?
Meishu-Sama: Sim. Há uma história interessante. Stálin havia caído no fundo mais profundo do Inferno e estava sofrendo muito. Mas, segundo o que ouvi há pouco, ele finalmente subiu um pouco desse fundo do Inferno.
Sr. Mayama: Que espécie de arrependimento o levou a isso?
Meishu-Sama: Ele disse que até então estivera errado, que fizera coisas muito más. Por isso caiu no fundo mais profundo do Inferno. Esse fundo do Inferno é o que o Cristianismo chama de Purgatório, o que o Budismo chama de Inferno mais profundo e o que o Xintoísmo chama de Reino do Fundo da Raiz — um lugar completamente escuro, sem luz nem calor; é algo terrível. Qualquer um se arrepende ali. Já salvei várias vezes espíritos que estavam nesse Inferno. Pensei que Stálin seria difícil. Isso aconteceu quando, há quatro ou cinco anos, estive detido em Shizuoka: chamei todos esses espíritos. Chama-se "espírito vivo" — é possível chamar pessoas que ainda estão vivas. Assim, chamei Stálin e falei várias coisas sobre o erro do comunismo, mas não adiantou de jeito nenhum. Mao Tsé-Tung, por exemplo, ouviu com docilidade.
Sr. Mayama: Mao Tsé-Tung ainda está vivo, não está? Ou já morreu?
Meishu-Sama: É um mistério.
Sr. Mayama: Já morreu? Há esse boato...
Meishu-Sama: Corre perigo.
Sr. Mayama: Não pode afirmar com certeza se está vivo ou morto?
Meishu-Sama: Não posso afirmar com certeza.
Sr. Mayama: Não se encontrou com Hideki Tōjō, de tempos de guerra?
Meishu-Sama: Sobre Tōjō em si não falo, mas há um sentido muito profundo nisso. Não posso dizer agora, mas, de qualquer forma, o bem e o mal são coisas que o ser humano não pode compreender. Ou seja, como todo o mundo é governado pelo Plano Divino, tanto a guerra quanto a paz surgem inteiramente dele.
A corrupção é uma ação de purificação
Sr. Mayama: Creio que o senhor sabe pelos jornais que a corrupção política enche as páginas todos os dias; o que acha disso?
Meishu-Sama: Isso é uma ação de purificação. Ao fazer coisas más, coisas erradas, acumulam-se nuvens espirituais; por isso ocorre essa purificação. É igual à doença.
Sr. Mayama: Sendo assim, é algo inevitável?
Meishu-Sama: Sem dúvida. É como uma dívida que se contraiu e precisa ser paga; foi a própria pessoa que a criou. Pagar uma dívida traz sofrimento, e é por isso que se sofre. Mas esta fé permite pagá-la sem sofrimento.
Sr. Mayama: O mundo político japonês de hoje, que está sendo purificado, vai se curar?
Meishu-Sama: Vai se curar. Mas não há outro método para essa cura além da Igreja Messiânica.
Sr. Mayama: A Igreja Messiânica está tomando alguma medida com essa finalidade?
Meishu-Sama: O número de fiéis está crescendo no Japão, o que já é uma manifestação disso. Mas essas pessoas importantes são sensíveis no aspecto físico, porém extremamente insensíveis no aspecto espiritual. Por isso, demoram a compreender. Isso ocorre porque, em suma, as pessoas que estudaram ou que se tornaram importantes na sociedade estão presas a uma superstição científica muito arraigada; por isso, o raciocínio delas é o oposto do senso comum.
Como se libertar da pobreza
Sr. Mayama: Há várias questões, mas, deixando de lado a doença, como se dá a salvação da pobreza?
Meishu-Sama: Antes disso, dizendo algo ainda mais fundamental: o ser humano é constituído tanto de espírito quanto de corpo. Mas não se reconhece esse espírito. A medicina pesquisa tendo o corpo como base. No entanto, do nosso lado, dizemos que o espírito é o principal e o corpo é o secundário. Ou seja, o centro de cada ser humano é a alma, e a alma pertence ao mundo espiritual, enquanto o corpo pertence ao mundo material. Esse mundo espiritual é, como o mundo material, dividido em camadas — há cento e oitenta camadas, e a alma pertence a uma delas. Por exemplo, se está no Inferno, há só pobreza, conflito e coisas más e detestáveis; à medida que se sobe, vai melhorando gradualmente, e o Mundo Intermediário, no centro, é um lugar médio, onde há tanto coisas boas quanto ruins. Passando disso, chega-se ao Paraíso, onde predominam as coisas boas — só correm coisas boas. Assim, quando o ser humano tem nuvens espirituais, por causa do pecado desce ao Inferno de baixo e recebe toda a influência do Inferno. Por isso, sofrer de pobreza também é resultado dessa influência das camadas inferiores — porque o registro está embaixo. Então, se elevarmos esse registro, essas coisas detestáveis diminuem, e a pobreza e todo tipo de sofrimento desaparecem de vez. Assim, elevando o registro, ainda que não se queira, só vêm coisas boas, e as más não vêm mais. É assim que as coisas funcionam, não há como evitar. A pobreza é a mesma coisa. As pessoas de hoje estão todas no Inferno, por isso é preciso ir elevando-as pouco a pouco. Assim, os fiéis da Igreja Messiânica deixam de passar por pobreza.
Sr. Mayama: Então nenhum fiel da Igreja Messiânica tem doença nem passa por pobreza?
Meishu-Sama: No início ainda há, mas, à medida que os anos passam, isso vai acontecendo.
Sr. Mayama: E de que maneira se dá essa elevação?
Meishu-Sama: Basta que o pecado da alma diminua. Ou seja, fala-se do "peso do pecado"; tirando esse pecado, ela fica mais leve e sobe.
Sr. Mayama: E o que se deve fazer para retirar esse pecado?
Meishu-Sama: É por meio do Johrei e também lendo os meus escritos, porque deles sai luz. Dos tipos impressos do jornal que publicamos também sai luz, e há pessoas que a veem.
Sr. Mayama: Sendo assim, nós, por ora, não seremos salvos da pobreza.
Meishu-Sama: Depende do senhor. Se quiser ser salvo, basta tornar-se fiel; assim, irá melhorando cada vez mais. Mas o senhor deve estar pensando que digo coisas boas para levá-lo à fé. Pense o que pensar, dizer "acredite" seria mentira. Experimente, como quem se deixa enganar; se sentir "ah, é isso mesmo", ótimo; se não sentir, pode jogar fora o Ohikari.
Sr. Mayama: Eu também gostaria de ser salvo... mas será que isso é porque tenho muitos pecados?
Meishu-Sama: O que se torna pecado é fazer os outros sofrerem; querer ser feliz, porém, é um desejo legítimo. Maltratar os outros pensando apenas em si mesmo não é bom, mas querer que os outros melhorem e que eu também melhore é bom. É o princípio da coexistência.
Sr. Mayama: Creio que, em nosso caso, não temos grandes preocupações financeiras...
Meishu-Sama: Não é assim. Estou construindo agora o que chamamos de Paraíso Terrestre, e todo esse dinheiro é doado pelos fiéis. E não são os que já têm dinheiro que doam; eles oferecem o dinheiro que ganharam depois de se tornarem fiéis.
Sr. Mayama: Ah, é mesmo? Então a própria Igreja Messiânica também já saiu da pobreza.
Meishu-Sama: Bem, pode-se dizer que sim.
Sr. Mayama: Quando somos perseguidos pela pobreza, como nós, acabamos por não pensar muito nas coisas; será que isso também se deve à pobreza?
Meishu-Sama: Mas a pobreza também é necessária, sabe.
Sr. Nakamura: Tenho uma dúvida: o Fundador está dizendo "que calor, que calor" desde há pouco, mas nós não sentimos tanto assim...
Meishu-Sama: Isso tem a ver com a luz.
Sr. Nakamura: Será que, no nosso caso, isso também tem a ver com a pobreza?... Falando em apego ao dinheiro, o ser humano de hoje parece ter algo de instintivo nisso.
Meishu-Sama: Não há problema em ter apego; o que importa é o meio. O dinheiro é uma coisa boa — não há nada tão útil quanto ele —, portanto pode-se ganhar quanto puder. Só é preciso ganhá-lo por meios corretos; o meio incorreto é que não presta.
Sr. Mayama: Qualquer tipo de trabalho serve?
Meishu-Sama: Mesmo assim, o que se torna pecado não presta.
O amor é bom, mas não se deve criar pecado
Sr. Mayama: Mudando um pouco para um assunto mais leve, sobre o amor...
Meishu-Sama: De minha parte, digo que o amor é uma graça dada por Deus; portanto, que se ame bastante.
Sr. Nakamura: O próprio Fundador já viveu isso?
Meishu-Sama: Bastante.
Sr. Nakamura: Então o Fundador também era humano.
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Sr. Mayama: É bom ouvir também esse tipo de coisa... nos serve de aprendizado.
Meishu-Sama: Pode-se amar bastante, mas não se deve criar pecado.
Sr. Mayama: O Fundador nunca criou pecado nesse sentido?
Meishu-Sama: Algum, talvez tenha criado, mas nada grave...
Sr. Mayama: Então parece que a única coisa "de Fundador" que temos em comum é estarmos vivendo um amor.
Meishu-Sama: Pode parecer que estou me justificando, mas isso não foi em vão. Foi algo bastante necessário para conhecer os bastidores da sociedade. Por isso, foi Deus quem me fez viver isso.
Sr. Mayama: Nessas ocasiões, Deus nunca disse "isso não pode"?
Meishu-Sama: Isso também aconteceu. Foi depois de eu entrar na fé; chegou um ponto em que não dava mais, e entendi que aquilo era um teste de Deus. Pensei que Ele estava testando se eu tinha ardor suficiente na fé, que eu precisava passar naquele teste, e por isso parei de uma vez.
Sr. Mayama: Mas isso não seria contrariar a natureza?
Meishu-Sama: Torna-se isso, mas eu tenho uma missão especial; por isso, acho que é algo que uma pessoa comum não poderia fazer.
Sr. Nakamura: Esta é a primeira vez que encontro um fundador de religião, e o senhor é diferente do que imaginávamos. É uma pessoa muito simples e próxima do povo.
Meishu-Sama: É mesmo. Este é o verdadeiro jeito de ser de um religioso.
Sr. Nakamura: Eu imaginava algo como usar meias tabi brancas... Falando em meias tabi brancas, penso em Shigeru Yoshida; mas o nome do Fundador, Okada Mokichi, tem o nome "Shigeru Yoshida" encaixado no meio dele — estou procurando alguma ligação com isso. De qualquer forma, imaginávamos que, se não uma cortina de ferro, ao menos uma espécie de cortina de bambu haveria ao redor do senhor...
Meishu-Sama: Eu não gosto desse tipo de coisa. Fazendo isso, eu mesmo ficaria sem nenhum sossego. Por isso, é bem melhor e mais tranquilo viver como uma pessoa comum. Também não há necessidade de se dar ares.
Sr. Nakamura: Então é diferente da Igreja de Itō, de Hozen. O Itō tem muito mais jeito de fundador.
Meishu-Sama: Ultimamente, talvez se possa dizer que virou a "Igreja de Moriwaki"...
Sr. Nakamura: Parece que, ao chegar a certo ponto, qualquer um vira uma espécie de fundador. Quem vai para os Estados Unidos e volta, todos acabam virando fundador...
O que salvará o mundo daqui em diante
Sr. Mayama: Mudando de assunto: mesmo alguém que cometeu um roubo com assassinato, por pior que seja, pode, tornando-se fiel, superar isso?
Meishu-Sama: Pois bem: é justamente por ser mau que há necessidade de salvá-lo; se fosse uma pessoa boa, não haveria necessidade de salvação. Por isso, quanto mais forte for o mal, maior é a necessidade de salvar. Aquilo que Shinran disse — "até o homem bom é salvo, quanto mais o homem mau" — expressa exatamente essa ideia. Se interpretarmos ao pé da letra, soa estranho, mas o sentido é que até o mau é salvo, e por isso é o mau quem mais precisa ser salvo. Assim, o Johrei pode curar a doença sem distinção entre bons e maus.
Sr. Mayama: O Johrei purifica a alma?
Meishu-Sama: Dizer "alma" não é bem exato. A alma é o centro do espírito. O espírito é o corpo inteiro.
Sr. Mayama: Há também esse tipo de pensamento em outras religiões?
Meishu-Sama: Há, até certo ponto, mas nenhuma tão radical quanto a Igreja Messiânica.
Sr. Mayama: Há também casos como o de Jikōson e outros; o que o senhor pensa sobre eles?
Meishu-Sama: Aquilo, à sua maneira, está certo. Mas é diferente do que fazemos. No estágio em que a época esteve até agora, esse tipo de salvação era necessário. Mas, daqui em diante, só a Igreja Messiânica serve. Isso também tem a ver com a época.
Sr. Mayama: Então o ideal seria que toda a humanidade se tornasse fiel da Igreja Messiânica.
Meishu-Sama: Bem, pode-se dizer que sim.
Sr. Mayama: O senhor reconhece o valor das outras religiões até agora, mas diz que, daqui em diante, só a Igreja Messiânica serve — que estágio levou a isso?
Meishu-Sama: Não é que algo tenha levado a isso; é o propósito de Deus, o modo como Deus conduz as coisas, que é assim. É como uma criança que cresce: criança, jovem, idoso — o pensamento muda conforme a idade. Da mesma forma, o mundo cresceu bastante. E, à medida que cresce, surgem as coisas apropriadas a cada fase.
Sr. Mayama: Sendo assim, creio que os fundadores das outras religiões também devem sentir os ensinamentos e a inspiração de Deus; mas, se a vontade de Deus está agora concentrada na Igreja Messiânica, será que os outros fundadores não pensam que a religião deles já chegou ao fim?
Meishu-Sama: Isso eu não sei. Um dia hão de compreender, mas é uma questão de tempo.
Sr. Mayama: Não seria possível conversar com esses outros fundadores por meio do espírito?
Meishu-Sama: Mesmo que de meu lado sim, do lado deles...
Sr. Mayama: É como um telefone, então.
Meishu-Sama: Isso mesmo. É que, do outro lado, o telefone está sempre desligado...
Sr. Mayama: Foi uma conversa muito interessante. Nunca tinha ouvido nada parecido.
Diálogo com Meishu-Sama (fim) O medo da bomba de hidrogênio vem do pensamento do mal
Eikō nº 268, publicado em 4 de agosto do ano 29 da Era Showa (1954)
Sr. Gokami: Atualmente, fala-se muito da bomba atômica e da bomba de hidrogênio, que ameaçam a paz...
Meishu-Sama: Isso é uma coisa boa. Porque a bomba de hidrogênio é algo de que não se pode escapar pela ciência. Além disso, tentam insistentemente realizar conferências e acordos internacionais, mas, mesmo que se concretizem, são coisas temporárias, não algo fundamental. O fundamental, então, é a alma humana. Outro dia, Eisenhower disse que a bomba de hidrogênio em si não é perigosa, que o perigo está no propósito de seu uso — e é exatamente isso. Por isso, o problema surge quando se usa aquilo como arma de guerra, para destruir muita gente e muitas coisas, em benefício de um país.
Sr. Gokami: Mas não é justamente para lá que as coisas estão caminhando agora?
Meishu-Sama: Isso é porque não existe uma força correta que controle o mal. É resultado disso. Por isso, é preciso que o ser humano desenvolva a força para conter o mal. Se isso acontecer, não será mais possível fazer coisas más e erradas, e não haverá mais motivo para temer a bomba de hidrogênio. Ao contrário, se aquilo for aplicado a empreendimentos pacíficos, tornar-se-á uma força imensa. Porque, no fundo, trata-se do calor do sol, e uma pequena quantidade já tem força para mover automóveis ou trens; se for usada para isso, será algo extraordinário. Mas, no final, é isso que vai acontecer.
Sr. Mayama: Como líder da Igreja Messiânica Mundial, que esforços o senhor tem feito para que isso contribua para a finalidade da paz?
Meishu-Sama: O mais essencial é eliminar o mal do ser humano. Não é possível eliminá-lo por completo do homem, mas é possível contê-lo. Basta que o mal seja quatro e o bem seja seis. Se assim for, não se usará mais aquilo como meio de destruição e matança.
Um Ohikari para Ike
Sr. Mayama: E que método o senhor emprega para isso?
Meishu-Sama: No fundamento, basta dar a luz à humanidade. Assim, o bem vencerá o mal, e o ser humano não conseguirá mais cometer o pecado de fazer os outros sofrerem. Isso pode ser difícil de acreditar, mas o primeiro a usar o Ohikari da Igreja Messiânica será o presidente dos Estados Unidos. Por isso, digo que, em breve, farei o presidente dos Estados Unidos usar o Ohikari.
Sr. Mayama: Esse é o meio mais rápido?
Meishu-Sama: Isso mesmo. Assim, por exemplo, como Malenkov tem sempre em mente o presidente dos Estados Unidos como seu alvo, ao pensar nisso constantemente, os pensamentos de Malenkov fluem pelo elo espiritual até o presidente — e, de fato, estão fluindo. Então, a luz que está no presidente vai, por esse mesmo elo, até Malenkov, e as nuvens espirituais de Malenkov vão diminuindo pouco a pouco. Desse modo, Malenkov passa a pensar que dominar o mundo pelo comunismo é um erro, que o certo é todos desfrutarem juntos da felicidade em coexistência. E, quando isso acontece, está tudo bem.
Sr. Mayama: Aplicar em Malenkov seria problemático?
Meishu-Sama: Malenkov não vai usar agora; não daria em nada. É mais rápido fazer com que o presidente dos Estados Unidos use.
Sr. Mayama: Eisenhower usaria, então?
Meishu-Sama: Eisenhower usaria. De qualquer forma, os Estados Unidos são um país que ama a justiça, um país que ama a religião. Mas o comunismo detesta a religião, é contrário a ela; por isso, não há como usarem um Ohikari. É por isso que meu propósito fundamental é expandir e desenvolver amplamente a Igreja Messiânica nos Estados Unidos.
Sr. Nakamura: Nós também pensamos em várias coisas, mas nunca nos ocorreu fazer Ike usar um Ohikari...
Meishu-Sama: Naturalmente. Se a intenção é salvar o mundo, esse é o primeiro passo.
Sr. Nakamura: E fazer o senhor Yoshida usar, o que acha?
Meishu-Sama: Isso seria bom. Mas é difícil que ele chegue a esse estado de espírito.
Sr. Mayama: E o que se deve fazer?
Meishu-Sama: Isso não é algo com que eu deva me preocupar. É Deus quem está cuidando disso.
Sr. Mayama: E o ser humano poderia influenciar a vontade de Deus?
Meishu-Sama: Isso não pode. Eu mesmo sou um instrumento de Deus. É o ser humano que é usado por Deus.
Se salvarmos a América, o Japão também será salvo
Sr. Nakamura: O fato de o Fundador ter escrito o livro "Salvando a América" gerou muitas cartas de nossos leitores nos Estados Unidos. Por isso, como sucursal de Tóquio, quisemos encontrá-lo para fazer várias perguntas... Nós também lemos o livro; o objetivo principal é salvar a saúde?
Meishu-Sama: Isso mesmo. É tornar os americanos saudáveis.
Sr. Nakamura: Isso chega a significar também salvar os Estados Unidos, o próprio corpo da nação?
Meishu-Sama: A estrutura da nação será tratada por eles; isso não tem relação comigo. O que eu faço é melhorar a saúde.
Sr. Nakamura: E quanto a dar o Ohikari ao presidente, seria para salvar a saúde dele?
Meishu-Sama: Não é isso. O presidente está empreendendo diversas ações pela paz mundial, e o Ohikari se torna uma força para ele. Seu forte senso de justiça gera uma espécie de poder para defender a justiça no mundo. Em outras palavras, dou-lhe a força espiritual necessária para que a vontade do presidente se realize como ele deseja. Pois é Deus quem, por meu intermédio, faz com que o trabalho do presidente prossiga bem.
Sr. Nakamura: Mas o senhor não acha que, antes de salvar os Estados Unidos, seria preciso salvar primeiro os japoneses?
Meishu-Sama: É que os japoneses são apaixonados por tudo o que vem de fora. Diretamente do Japão não funciona; mas, se vier dos Estados Unidos, eles se apaixonam na hora.
Sr. Nakamura: Como os japoneses veneram tudo o que vem do exterior, salvar primeiro os Estados Unidos fará com que isso retorne dos Estados Unidos para cá, e assim o Japão será salvo, inevitavelmente.
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Sr. Nakamura: Em termos mais contundentes, isso seria uma estratégia de gestão.
Meishu-Sama: Isso mesmo. É um dos meios.
Sr. Nakamura: Mas, mesmo sendo um meio, o que importa é que as pessoas sejam salvas, não é? É uma questão de resultado.
Meishu-Sama: Isso mesmo. É uma questão de resultado.
Tudo está na vontade de Deus
Sr. Nakamura: O Fundador não pensa em ir aos Estados Unidos?
Meishu-Sama: Se o presidente me convidar, eu vou.
Sr. Nakamura: Voltando ao que se disse antes: parece uma contradição, mas eu disse que seria um desperdício o Fundador ir tratar pessoalmente os pacientes da bomba atômica...
Meishu-Sama: Não é questão de desperdício. Agora não posso salvar as pessoas uma a uma; meu trabalho é formar aqueles que salvarão.
Sr. Nakamura: E ir apenas por um instante, mesmo que fossem dez ou vinte minutos?
Meishu-Sama: Esse tipo de ação também depende de Deus. Se eu tentar ir a algum lugar aonde não devo, Deus me impede.
Sr. Nakamura: Então, e se fosse outra pessoa, como o Kanchō ou o senhor Abe?
Meishu-Sama: É assim: quando Deus decide salvar determinada pessoa, de nosso lado surge a necessidade de alguém ir até lá. Porque é Deus quem faz tudo...
Sr. Nakamura: Então, para nós, a ordem de "salvar" ainda não chegou.
Meishu-Sama: Isso mesmo.
Sr. Nakamura: Então o Fundador e todos os fiéis da Igreja Messiânica estão sob o comando direto de Deus.
Meishu-Sama: Isso mesmo. Nós somos os atores.
Sr. Nakamura: Sendo assim, fala-se em direitos humanos, mas, diante de Deus, é preciso anular esses direitos?
Meishu-Sama: Não, diante de Deus eles simplesmente não existem. Deus é absoluto; se Ele decidir "este é um obstáculo" e der um pequeno toque, já está terminado. O ser humano é algo realmente lamentável.
Sr. Nakamura: Se o próprio presidente dos Estados Unidos não tiver mais o que fazer, bastaria chamar o Fundador para que a paz se resolvesse?
Meishu-Sama: Mas não seria tão simples assim. Se isso acontecesse, eu estaria em circunstâncias que me dessem tempo suficiente para ir aos Estados Unidos. Deus nunca age de modo forçado; por isso, só irei quando todas essas condições estiverem reunidas. Como agora elas não estão, não é possível.
Sr. Nakamura: Se publicássemos isso em nossa empresa e, por causa disso, viesse um convite do presidente, o senhor iria?
Meishu-Sama: Mas Deus está acima de sua empresa. E, quanto ao presidente, seria impensável que ele convidasse um tal de Okada, de quem nem sequer conhece o nome.
Sr. Nakamura: Então nos receber também foi obra de Deus?
Meishu-Sama: Sem dúvida. Do lado de Deus, os senhores estão cumprindo um papel maravilhoso.
Sr. Nakamura: Bem, talvez nossas modestas cabeças não consigam expressar isso bem no papel... Por fim, o Fundador está satisfeito com sua própria vida atual?
Meishu-Sama: Sinto imensa gratidão. Devo ser o homem mais afortunado do mundo. Afinal, receber a gratidão de tantas pessoas é, de fato, uma sensação muito boa.
Sr. Nakamura: Hoje foi, para nós, uma experiência sem precedentes. Sei que o Fundador está muito ocupado, mas gostaríamos de aprender um pouco mais e de vir aqui de vez em quando.
Meishu-Sama: De qualquer forma, o melhor de tudo é que vocês, jornalistas, compreendam isso. Se pessoas como vocês compreenderem, o Paraíso Terrestre se realizará bem depressa. Em todo caso, as pessoas de hoje acreditam mais no que vocês escrevem do que no que dizem os religiosos, e isso é excelente.
Sr. Nakamura: Muito obrigado por todo esse tempo. Vou continuar estudando, e gostaria de voltar a pedir sua colaboração no futuro.
Meishu-Sama: Sim, claro.
Aviso aos Fiéis!
Eikō nº 279, publicado em 20 de outubro do ano 29 da Era Showa (1954)
Entre os fiéis de nossa Igreja, há quem profira, a respeito do Johrei, palavras que parecem negar a necessidade de consultar médicos, tomar remédios, aplicar injeções etc.
Isso é um equívoco quanto ao propósito fundamental de nossa Igreja e acarreta mal-entendidos na sociedade, resultando, sem dúvida, em danos à própria Igreja. Portanto, é necessário prestar muita atenção a esse ponto e jamais negar o tratamento médico. É por isso que, mais uma vez, exorto à cautela. Gostaria de expor minha opinião sobre o assunto.
Em primeiro lugar, nossa Igreja Messiânica é reconhecida como entidade religiosa, protegida pelas leis nacionais; tendo a liberdade religiosa garantida, é natural que devamos respeitar a lei. Creio que todos compreendem que devemos nos abster rigorosamente de qualquer ato que infrinja a lei do exercício da medicina. No entanto, o método do Johrei de nossa Igreja baseia-se em um princípio de cura completamente diferente da medicina moderna.
Portanto, se o ato de escrever ou falar sobre os fatos como eles são for interpretado com má-fé, isso será considerado uma negação da medicina. Alguns podem sentir aí uma aparente contradição com o parágrafo anterior, mas não é o caso.
Isso se deve ao grande milagre do método do Johrei de nossa Igreja, que não admite comparação. Primeiramente, está a manifestação do poder de ressuscitar pacientes em estado grave que foram abandonados pelos médicos. Além disso, qualquer pessoa pode fazê-lo após a conversão; mesmo duvidando, a cura ocorre; a pregação doutrinária vem em segundo ou terceiro plano; ele penetra diretamente na alma humana, permitindo a correção dos erros e a mudança para o bem; e quanto mais se salvam as pessoas, maior é o poder divino que se recebe. Não importa quão distante ou remoto seja o local, pode-se receber o auspicioso milagre. É desnecessário argumentar que esta é a fonte e a manifestação de um poder e virtude infinitos e absolutos.
Portanto, ao transmitir a alguém o princípio do Johrei de nossa Igreja ou questões sobre patologia e clínica, não há necessidade de impor, ignorando a vontade da outra parte, nem de coagir. Pelo contrário, foi-nos ensinado que repetir insistentemente, embora pareça zelo, é, na verdade, uma blasfêmia contra a Vontade Divina.
Em segundo lugar, outro ponto importante é que, à medida que o período final se aproxima, o julgamento entre os que serão salvos e os que não serão torna-se mais severo. Aqueles que não compreendem quando ouvem a pregação de nossa Igreja, que desviam os olhos dos fatos, ou que não entendem mesmo vendo os Escritos Divinos, são pessoas cuja hora ainda não chegou ou que já estão destinadas à perdição. Assim, por mais que se esforce para salvá-los, não passará de esforço vão; além disso, isso atrasará a salvação daqueles que devem ser salvos. Também contra esse ponto fomos severamente advertidos. Portanto, ao refletir sobre os casos em que surgem problemas, é evidente que todos são resultado de uma fé do tipo Shojo e que há neles uma violação dos ensinamentos acima mencionados.
A fé do tipo Shojo tem como princípio fundamental o poder próprio. Assim, por mais que se seja um fiel de nossa Igreja — ou, melhor, justamente por sê-lo —, pode-se dizer que não há proteção divina nesse caso. Devemos gravar ainda mais profundamente que, não importa o que aconteça no futuro, se mantivermos o coração humilde, guardarmos o amor de Deus em nosso peito e avançarmos recebendo a Sabedoria Sagrada — o discernimento entre o certo e o errado, o bem e o mal —, não há nada no mundo a temer.
A Terceira Guerra Pode Ser Evitada
Eikō nº 126, publicado em 17 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
Nem é preciso dizer que, atualmente, o que mais ameaça toda a humanidade é, sem dúvida, a Terceira Guerra Mundial. Como todos sabem, os intelectuais, não só no Japão, mas no mundo inteiro, cada qual de sua posição, vêm concentrando toda a sua inteligência em debates escritos e orais para preveni-la. No entanto, por alguma razão, quando se trata dos religiosos, é realmente preocupante que não haja ninguém que faça qualquer pronunciamento a respeito.
Em primeiro lugar, gostaria que refletissem sobre qual é, afinal, o propósito da religião. É evidente, dispensa dizer, que se trata de realizar um mundo de paz, sem guerras. Se assim é, diante da crise atual, em que a Terceira Guerra é inevitável, não seria incompreensível que os religiosos não conseguissem dar um passo sequer ou permanecessem em total silêncio? De fato, sendo religiosos, a menos que haja uma ordem do governo, e considerando que, devido à idade, não podem pegar em armas, não deveriam os religiosos, como religiosos, assumir um papel na prevenção da guerra, utilizando meios pacíficos condizentes com sua posição?
Nesse sentido, pretendo escrever sobre a causa do surgimento da guerra, sua prevenção — ou melhor, a possibilidade de eliminar completamente a guerra da humanidade — e seu princípio. Para tornar isso o mais claro possível, escreverei sobre a doença e a saúde.
Como sempre digo, a doença é o sofrimento que surge quando nuvens espirituais se acumulam no espírito humano e sua ação de eliminação se reflete no corpo físico.
Portanto, qualquer sofrimento humano tem sua causa inteiramente nas nuvens espirituais, ou seja, na ação de eliminação da impureza, em termos materiais.
Assim, para escapar desse sofrimento, é natural que não haja outra solução senão não acumular impurezas e, ao mesmo tempo, eliminar as já acumuladas. Com base nesse princípio, os sofrimentos coletivos — inundações, incêndios, terremotos, revoltas sociais etc. — são todos processos de purificação, não doenças.
Se assim é, a forma ampliada disso é, sem dúvida, a guerra. Portanto, para evitar a guerra, é demasiado claro que não há outro método senão eliminar as nuvens espirituais de cada indivíduo humano. Se, por acaso, a Terceira Guerra Mundial ocorrer, será unicamente porque o número de humanos com nuvens espirituais aumentou excessivamente, a ponto de se tornar uma situação irremediável.
Provavelmente, não será exagero dizer que quase todo o mundo está atualmente repleto de humanos impuros.
Então, por que os humanos impuros aumentaram dessa forma? Isso se deve ao acúmulo de pecados provenientes do mal, e a causa fundamental disso é terem recebido uma educação que ignora a existência de Deus. Essa educação é a materialista, e somente corrigindo essa concepção se pode resolver o problema.
E por que isso aconteceu? Porque a educação materialista obscureceu profundamente a alma humana; é, antes, um resultado natural. Aqui, o que se deve saber é que, na lei de todas as coisas, onde quer que haja acúmulo de impurezas, ocorre inevitavelmente uma ação purificadora natural.
Por exemplo, quando uma doença infecciosa se alastra, se a causa direta é o surgimento de micróbios patogênicos, qual é a causa disso?
É porque surgiram humanos que necessitam de purificação, uma ocorrência natural baseada no princípio da correspondência. Esse princípio, no entanto, é comum a todas as coisas.
Isto é, todas as substâncias materiais existentes na Terra — qualquer grande cidade, qualquer construção, tudo o que pode ser chamado de matéria —, sendo em sua maioria criadas pelo mal, são, por assim dizer, massas de pecado. Portanto, estão fadadas a um acerto de contas em algum momento.
Se assim é, todas as moléculas de impureza existentes na Terra — tanto nos humanos quanto na matéria — serão purificadas de uma só vez.
Isso é a grande guerra. Como se trata de uma lei inflexível do universo, não há como evitá-la.
Nesse sentido, para escapar da Terceira Guerra Mundial, é evidente que tudo na Terra — começando pelos humanos — deve ser purificado a ponto de não ser mais necessária a ocorrência desse grande processo de purificação.
Então, existe um método para purificar tudo dessa forma? Respondo que sim. Essa é a missão da nossa Igreja Messiânica, e foi para isso que ela nasceu.
Mudando a forma de explicar, o mundo é um conjunto de indivíduos. Portanto, basta que cada um se torne uma pessoa excelente, a ponto de não necessitar de purificação.
Uma pessoa excelente é, naturalmente, um ser humano sem impurezas, tanto no espírito quanto no corpo.
Quero que saibam: o poder de criar tais seres humanos, mesmo considerando a vastidão do mundo, não existe em lugar algum senão na nossa Igreja Messiânica. Isso não é lógica; pode-se compreender observando o método do Johrei que ela pratica atualmente.
O quanto é extraordinário o efeito desse método pode ser constatado pelo fato incontável de que doenças graves, incuráveis pela medicina materialista, estão sendo completamente curadas uma após a outra, e pessoas sentenciadas à morte estão renascendo.
Diante disso, não há necessidade de dizer muito mais. O que é essa realidade sem precedentes, senão a indicação de que chegou o momento de toda a humanidade ser salva e de surgir o Paraíso Terrestre? Se a nossa Igreja Messiânica se espalhar por todo o mundo, a purificação por meio da guerra não será mais necessária e, portanto, a guerra certamente não ocorrerá. Assim se realizará a tão esperada era de paz para a humanidade. Com isso, acredito que tenham compreendido em linhas gerais.
Em suma, afirmo sem hesitação: o meio de prevenir a Terceira Guerra Mundial não existe em parte alguma senão na nossa Igreja Messiânica. Portanto, se, por acaso, isso não se concretizar a tempo, a eclosão da Terceira Guerra Mundial será um destino inevitável, e todos devem estar preparados para ela.
A Parte do Paraíso
Eikō nº 137, publicado em 1 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Tenho escrito sucessivamente a Parte da Ciência e a Parte da Religião; agora escreverei a última, a Parte do Paraíso. No entanto, esta dissertação é inédita no verdadeiro sentido da palavra e, por constituir a base fundamental do projeto de um mundo civilizado, peço que a leiam com essa disposição.
Contudo, quem a ler pela primeira vez provavelmente a considerará apenas uma teoria idealista, excessivamente distante da realidade; mas não é nada disso. À medida que a leitura avançar, compreenderão que ela possui uma viabilidade sólida.
Em primeiro lugar, como condição fundamental para a construção do Paraíso Terrestre — que é o propósito de Deus Supremo —, é necessário, acima de tudo, expressar a verdadeira realidade da grande natureza tal como ela é.
Isso porque, como sempre digo, a constituição de tudo no universo tem como fundamento o Sol, a Lua e a Terra, e a essência destes é o fogo, a água e a terra. Assim, pelo poder dessa trindade, todas as coisas são geradas e cultivadas, e o mundo prossegue em seu desenvolvimento infinito.
No entanto, o mundo espiritual, até os dias de hoje — como frequentemente explico —, era a noite, e por isso o Sol estava oculto. Ou seja, a ordem era Lua, Terra, Sol. Evidentemente, essa não é a ordem correta; portanto, no mundo até então faltava harmonia em tudo, reinava a mais completa desordem, resultando no Inferno que vemos atualmente.
Isso se deu porque, como expliquei anteriormente a respeito do bem e do mal, era necessário o atrito entre ambos, não passando de uma Vontade Divina profundíssima. Também escrevi que, durante esse período, a religião amenizou a situação apenas em parte; as palavras de resignação de Buda Shakyamuni sobre este mundo de sofrimento (shaba), bem como a redenção e o amor ao próximo de Cristo, não tinham outro significado senão esse.
Quanto à transição do Mundo da Noite para o Mundo do Dia que venho proclamando: a ordem correta, como princípio original do universo, é a dos três planos — Sol, Lua, Terra —, mas isso não se deu assim até hoje pelo motivo já mencionado. Desta vez, isso finalmente se concretizará em sua forma completa. Pode-se dizer que o mundo passará por uma reviravolta de cento e oitenta graus, uma mudança verdadeiramente colossal e sem precedentes.
Portanto, é natural que a forma atual da cultura também se transforme completamente. Como diretriz geral, uma vez que tudo assumirá a forma da grande natureza, conforme descrito, todos os mecanismos também se tornarão três planos, que se dividirão em seis e, novamente, em nove. Ou seja: três, seis, nove. Se abreviarmos isso, torna-se Miroku. O mundo do Paraíso Terrestre, o mundo de Miroku, é isto. Expliquemos, então, sucessivamente, que tipo de mundo é concretamente o mundo de Miroku.
A Verdadeira Realidade do Mundo de Miroku
Primeiramente, explicarei isso sob o ponto de vista internacional. As fronteiras nacionais de cada país do mundo permanecerão como estão atualmente, mas, na prática, será como se tivessem sido abolidas. Ou seja, uma vez que o poder em relação aos países vizinhos se torna igual, as invasões não apenas deixarão de existir por completo, como também a necessidade de invasão desaparecerá.
Aqui, escreverei um pouco sobre a invasão. Até hoje, houve dois tipos de invasão: a inevitável e a não inevitável. No primeiro caso, por exemplo, quando a população de um país aumenta cada vez mais, tornando o território insuficiente, e é necessário buscar uma saída para o excesso populacional, se nenhum país aceitar isso de bom grado, a ação torna-se inevitável por qualquer meio. É aí que se recorre à guerra.
No mundo de Miroku, porém, tais circunstâncias jamais ocorrerão. Isso porque existem, no mundo, vastas terras selvagens e muitos países de população escassa.
Mesmo que haja uma nação com território pequeno e população excessiva, como o Japão, o problema será resolvido com simplicidade. Haverá um Parlamento Mundial, e qualquer questão será cuidadosamente deliberada e aprovada.
Naturalmente, como não existirá absolutamente o egoísmo centrado no próprio país, como o de hoje, qualquer projeto de lei, sendo correto, será estabelecido harmoniosamente.
Ainda que sejam dezenas de milhares de pessoas por ano, o excesso populacional será distribuído de forma justa entre as nações, sem espaço para disputas.
Este é o Parlamento Mundial do mundo de Miroku. Cada país ainda terá seu próprio parlamento, mas, diferentemente de agora, a qualidade dos parlamentares será excelente; eles abandonarão as noções egoístas e resolverão tudo com amor mundial e humanitário.
Portanto, não haverá mais cenas de debates acalorados e gritaria como nas assembleias atuais; tudo será resolvido de imediato, em ambiente harmonioso, apenas com explicações, de modo que o tempo gasto será inferior a um décimo do atual.
Por essa razão, as sessões legislativas ocorrerão cerca de uma vez a cada três meses, e cada sessão durará cerca de quinze dias, talvez apenas três dias.
Isso também tem sua razão: o número de leis se tornará extremamente reduzido. Nem é preciso dizer que as leis são desnecessárias para as pessoas boas, sendo necessárias apenas para as más. Em um mundo onde não existem pessoas más, é natural que assim seja.
Se observarmos o parlamento atual tendo em mente este parlamento ideal, o que pensaríamos? Sem rodeios, poderíamos dizer que é um palco de reunião de bárbaros civilizados.
Aqui, escreverei sobre o Parlamento Mundial por outro ângulo.
A ideia de um Estado Mundial, recentemente defendida nos Estados Unidos, é exatamente isso; o surgimento dessa teoria talvez seja um indício de que o mundo de Miroku está próximo.
Podemos considerar o Parlamento Mundial como uma ampliação do parlamento atual para o âmbito global.
Naturalmente, a figura central, o líder máximo, será como um presidente mundial, ou seja, surgirá um Presidente Mundial. Seu mandato será de três anos. Os membros da comissão de seleção serão escolhidos entre os parlamentares de cada país do mundo, e eles elegerão o presidente. Esses parlamentares serão distribuídos de acordo com a população de cada país. São esses os parlamentares mundiais.
Quanto ao segundo tipo de invasão, o não inevitável, nessa época os países do mundo já não terão forças armadas, tornando a guerra impossível.
Como já mencionado, uma vez que tudo poderá ser resolvido de forma racional e pacífica, e o controle populacional será possível, não há necessidade de escrever mais sobre isso.
A Religião que Mostra Deus
Eikō nº 176, publicado em 1 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Embora não seja algo que tenha começado agora, quando um teísta tenta explicar a existência de Deus a um terceiro, por mais exemplos que apresente, é difícil convencê-lo facilmente.
Isso é algo que todos já devem ter experimentado, e não se limita apenas à nossa Igreja; dificilmente há exceção em qualquer outra religião.
No entanto, sem querer me gabar, a nossa Igreja Messiânica é capaz de mostrar Deus de forma concreta, e acredito que não haja exemplo similar no mundo.
Isso pode ser claramente percebido pelos relatos de graças da nossa Igreja, e também é evidente pelas experiências dos fiéis.
Os pacientes que vêm receber Johrei pela primeira vez — dez em cada dez, por assim dizer — estão repletos de dúvidas, o que é compreensível. Afinal, eles já tentaram todos os tipos de terapia existentes no mundo, começando pela medicina, e não obtiveram cura.
Desiludidos repetidas vezes, acabaram por concluir que não existe mais terapia que realmente cure neste mundo.
Por isso, angustiados, caem no fundo do poço do pessimismo. No entanto, não suportando o sofrimento real, sentem um forte desejo de se agarrar a algo, de não querer morrer. É nesse momento que ouvem falar da nossa Igreja e são incentivados com entusiasmo. Assim, vêm receber Johrei com a disposição de quem, em desespero, tenta agarrar-se a um fio de esperança, pensando algo como: "vou me deixar enganar mais uma vez".
Ao chegarem, veem que se trata apenas de erguer a palma da mão, algo sem nenhum artifício especial. Muitos se arrependem, pensando: "Não é possível que uma doença tão grave se cure com algo assim. Ah, que ridículo, não deveria ter vindo." Não são poucos os que se sentem assim. Frequentemente, essas mesmas pessoas, depois de curadas, vêm se desculpar, dizendo: "Naquela hora, pensei aquilo, e realmente me desculpo." De todo modo, como é um método nunca antes visto nem ouvido e que produz efeitos extraordinários, só resta surpreender-nos. Além disso, quando muitas religiões curam doenças, é quase uma regra afirmar que não se pode duvidar desde o início e que sem fé não há benefício. Como isso se tornou senso comum, quando, por acaso, ouvem falar da nossa Igreja e escutam que se deve duvidar bastante no início e não acreditar de forma alguma antes de ver o benefício real, ficam perplexos com tamanha diferença. No entanto, há quem ache aquilo interessante, pensando: "Esta sim é a verdadeira religião. Só alguém com muita confiança poderia dizer algo tão ousado." E, ao contrário, acabam acreditando. Ao receber o Johrei, surpreendem-se uma segunda vez.
Até então, nenhum tratamento havia produzido efeito tão grande; agora, a melhora é notável. "Ah, com isso estou salvo. Deus realmente existe neste mundo. Pensar que não existia foi um erro terrível. Que grato! Fui verdadeiramente salvo." Dizem isso extasiados, sem saber onde pisam, mergulhados em alegria. Percebe-se, então, como é errado dizer que se deve acreditar antes de receber o benefício, pois isso equivale a ordenar que se finja a própria fé. Isso é o poder do esforço próprio. O poder do verdadeiro Deus, porém, é o poder da graça alheia, que permite receber o benefício com facilidade. Cabe atentar ainda que os benefícios podem ser grandes ou pequenos, sendo crucial saber discerni-los. Há, porém, quem se empolgue imediatamente com um pequeno benefício mundano, e isso exige grande atenção. Pois somente quando se compreende claramente que uma doença grave, abandonada pelos médicos, foi curada e que se recebeu a vida de Deus é que se tem uma fé segura, à qual se pode dedicar todo o corpo e a alma. Há também graus superiores, médios e inferiores entre os deuses. Com deuses menores, recebem-se benefícios menores; com deuses maiores, recebem-se maiores benefícios. Esta é a lei da correspondência; portanto, deve-se ter plena consciência desse ponto. Pelo exposto, creio que tenha ficado claro que a nossa Igreja Messiânica é uma religião que mostra Deus.
A Angústia do Pioneiro
Eikō nº 202, publicado em 1 de abril do ano 28 da Era Showa (1953)
Ultimamente, não sei se devido à popularidade das novas religiões, mas, ao observar as críticas de estudiosos e jornalistas na imprensa e no rádio, parece que a nossa Igreja é o principal alvo. Por isso, penso em escrever um pouco sobre o ponto de vista da nossa Igreja. O que mais me incomoda é que, sem examinar minimamente a verdadeira natureza da nossa Igreja, escrevem e falam baseados em juízos próprios, frutos da mera imaginação, o que é o cúmulo da irresponsabilidade. O conteúdo é tão equivocado que chega a ser espantoso, sendo extremamente incômodo para nós. Entre esses equívocos, destaca-se o fato de tratarem a nossa Igreja como se fosse igual às novas religiões em geral. Assim, ao ler tais artigos, chego até a ter a ilusão de que se trata de críticas a outras religiões.
Isso porque, como sempre digo, a nossa Igreja é fundamentalmente diferente das outras novas religiões, podendo-se dizer que quase não há pontos em comum. Não apenas isso: difere enormemente de qualquer religião que tenha existido desde os tempos antigos, e é justamente nisso que reside o verdadeiro valor da nossa Igreja.
O que quero dizer é que não apenas não gosto de fazer o que outros já fizeram, como também acho que não há grande necessidade disso. No entanto, como se pode ver pela história, são as realizações dos pioneiros e precursores de cada época que merecem respeito e valor, e pode-se dizer que essas pessoas são a força motriz que impulsiona a cultura. Não é por outra razão que apresento inovações criativas em todas as áreas. Dito isso, também é preciso melhorar e fazer avançar as culturas já estabelecidas e, naturalmente, as pessoas encarregadas disso também são necessárias. Como o número dessas pessoas é muito grande, isso já resolveria bem esse aspecto; no entanto, os primeiros a contribuir para novas invenções, descobertas e saltos culturais são realmente raros, provavelmente contáveis em um século. E, curiosamente, essas pessoas, sem exceção, são temporariamente postas no centro de mal-entendidos, alvo de flechas de críticas; em casos extremos, algumas chegam a ter a vida ameaçada. A razão é que, em qualquer época, há muitos conservadores teimosos que não gostam do progresso e, além disso, esse tipo de pessoa ocupa o eixo central da sociedade. Por isso, como já escrevi várias vezes, avancei suportando muita perseguição e opressão desde tempos antigos. De fato, antes do fim da guerra, a incompreensão das autoridades era extrema, e as chamadas novas religiões eram tratadas de forma especial, sem poder sequer dar um passo à frente. Naquela época, o maior problema era ser acusado do crime de lesa-majestade. De fato, basta lembrar a calamidade das mais de dez prisões sofridas pelo fundador da religião Tenrikyo, bem como os casos do mestre sagrado (Seishi) da religião Oomoto, Onisaburo Deguchi, e do fundador da religião Hitonomichi, Miki Tokuharu — que, além de sofrerem o longo tormento da vida na prisão por causa do crime de lesa-majestade, faleceram ambos pouco depois de finalmente saírem da prisão —, para se perceber quão cruelmente foram tratados.
No caso de Deguchi, ele ficou preso por sete anos e, quando saiu, já tinha mais de setenta anos. Felizmente, porém, o mundo tornou-se um governo do povo, a liberdade religiosa foi permitida, e eu também pude finalmente ver a luz do dia após uma longa vida de resignação, podendo realizar atividades religiosas.
Voltando ao assunto, como escrevi no início, o que faço é, pode-se dizer, totalmente fora dos padrões convencionais. Por isso, para pessoas de mentalidade antiga ou excessivamente tímidas, é natural que não entendam. Há até quem desconfie. Um exemplo recente disso ocorreu a respeito do anúncio "Salvando a América". Quando tentei publicá-lo em todos os grandes jornais, um deles se recusou terminantemente. Ao perguntar o motivo, disseram: "Aquela doutrina é uma teoria demasiado avançada, por isso tememos e não aceitamos." Isso mostra bem a situação. Basta ver como a teoria heliocêntrica, defendida por Copérnico e Galileu, sofreu forte repressão das autoridades da época, que os lançaram na prisão, para perceber que a dificuldade de aceitação dos precursores religiosos e culturais é a mesma no Oriente e no Ocidente. Portanto, é incalculável o quanto essas cabeças antiquadas obstruem o avanço da cultura. Nesse ponto, apenas os Estados Unidos são diferentes: lá não se prendem a conceitos pré-estabelecidos, julgam de forma justa e, se o resultado prático for superior ao anterior, adotam-no imediatamente, ignorando completamente costumes e tradições. Não é preciso dizer que o notável desenvolvimento alcançado pelos Estados Unidos até hoje se deve a esse ponto. Diz-se que o Japão está trinta anos atrasado em relação à cultura americana atual, o que também ilustra bem essa questão. Acima de tudo, como minha teoria é a verdade, ao utilizá-la ficará imediatamente claro o quanto ela é benéfica para a nação e para o povo. Acontece apenas que minha teoria está muito à frente do seu tempo. O que lamento é que, quanto maior o atraso, maior o número de vítimas. Em outras palavras, do ponto de vista do resultado, aqueles que deveriam ser salvos não o são e, como consequência, acabam cometendo pecados por boa intenção. Gostaria de pedir a consideração dos senhores jornalistas do mundo sobre este ponto.
O Valor do Ser Humano é o Senso de Justiça
Eikō nº 125, publicado em 10 de outubro do ano 26 da Era Showa (1951)
De um modo geral, ao se tentar determinar o valor de um ser humano, o critério mais infalível é o grau do senso de justiça. Estabelecer o padrão de que "esta pessoa não faria algo errado, esta pessoa é digna de confiança, pode-se confiar-lhe qualquer coisa com tranquilidade" é o mais preciso. Pode-se dizer que realmente não há método melhor do que este. Em outras palavras, o senso de justiça é o esqueleto do ser humano. Uma pessoa sem senso de justiça é como uma água-viva sem ossos: é perigosa e não se pode ficar tranquilo a seu respeito. Portanto, o ser humano deve, diante de qualquer situação, primeiro fazer o julgamento entre o certo e o errado. Se a outra parte estiver errada, não se deve curvar nem um pouco, mas sim enfrentá-la com retidão. Se alguém atravessar o mundo com essa diretriz, poderá passar por dificuldades temporárias, mas, no final, certamente as coisas se encaminharão como se deseja; portanto, não há motivo para preocupação.
Afinal de contas, falando do mundo de hoje, há pessoas más em excesso; se descuidarmos, imediatamente somos enganados ou usados por elas, fazendo-nos passar por situações terríveis. É realmente um mundo em que não se pode descuidar nem por um instante. Por isso, as pessoas de coração fraco vivem sempre apreensivas, mas isso se deve justamente à falta de um senso de justiça firme e inabalável. A maior prova disso é o que se vê também na minha longa experiência. Escreverei isso como referência. Antes de me tornar um religioso, quando eu era um empresário, fui muitas vezes enganado por pessoas más e passei por situações terríveis.
No entanto, felizmente, por ter nascido com um senso de justiça excepcionalmente forte, lutei contra qualquer adversidade, deixando de lado até mesmo questões de ganho ou perda. Esforcei-me com a diretriz de perseverar na justiça até o fim, e por isso passei por muitas desvantagens, mas elas foram temporárias; sem que eu percebesse, a situação melhorava e, por fim, a outra parte cedia e se rendia. Como resultado, eu recuperava a desvantagem inicial e ainda obtinha um lucro mais do que suficiente. Por essas razões, eu sempre tinha três ou quatro processos judiciais em andamento, e alguns deles continuam até hoje. Houve uma época em que eu estava em dificuldades financeiras, passando por apuros, enquanto a outra parte, valendo-se de dinheiro e posição, me atormentava implacavelmente. Mas, com o passar do tempo, a situação se desenvolveu a meu favor, e a outra parte se viu em apuros. Darei alguns exemplos. Na época em que eu era atacadista de miudezas, criei um produto de nova invenção, obtive patentes exclusivas em dez países do mundo e, ao lançá-lo, ele fez grande sucesso, a ponto de eu firmar um contrato especial com a Mitsukoshi e o produto se tornar moda na época.
Então, a associação de varejistas de miudezas de Tóquio fez uma exigência extremamente egoísta. Eles pediram que, dos dois tipos de produtos, eu vendesse apenas um para eles e o outro para a Mitsukoshi. Como isso significaria pisar na Mitsukoshi, eu não aceitei. A associação, então, valendo-se da força do grande número, tentou me fazer obedecer, e todos os varejistas de Tóquio se uniram e fizeram um boicote contra mim. Mesmo assim, eu não cedi, e por um tempo sofri um grande golpe e passei por dificuldades. Mas, suportando aquilo com paciência, dois anos depois, finalmente a associação veio se curvar a mim, e chegamos a um acordo de compromisso. Outro caso interessante foi quando houve uma injustiça por parte da Mitsukoshi em uma transação.
Protestei, decidindo suspender as negociações. O funcionário da Mitsukoshi — grande empresa — ficou surpreso e disse que, provavelmente, até então, mesmo diante de injustiças, os atacadistas parceiros costumavam suportar, mas que nunca tinha visto alguém como eu, que se manifestava com tanta firmeza.
No final, como eu insistia com razão, a Mitsukoshi veio a entender-se comigo e o problema foi resolvido.
Depois disso, tornei-me religioso e, como registra a "Coleção Jikan", percorri um caminho de ondas e reviravoltas, passando inúmeras vezes por situações perigosas.
Naquela época, as autoridades adotavam uma política de repressão a qualquer nova religião e, além disso, o patrono máximo era a facção militar, o que tornava a situação insustentável; realmente sofri muito. Hoje, porém, a facção militar teve aquele destino, o que prova que, afinal, a justiça venceu. Por tais experiências, vê-se que, até agora, o mundo é um lugar onde o mal prevalece; o bem, ainda que perca temporariamente, se perseverar, certamente vence. No fim das contas, o melhor para o ser humano é pisar no caminho da retidão sem temor e avançar com retidão e dignidade; essa é a forma mais agradável, e isso é a verdade. São esses seres humanos que se tornam pilares da sociedade e baluartes contra os males sociais, gerando assim uma sociedade saudável.
Pois Deus certamente está ao lado daqueles que são justos.
Senso de Justiça
Eikō nº 240, publicado em 23 de dezembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Afirmar isso agora é por demais óbvio; no entanto, como esse óbvio vem sendo surpreendentemente negligenciado nos dias atuais, não posso deixar de escrever. Ao observar todos os aspectos da sociedade atual, vê-se que quase ninguém possui senso de justiça; o pensamento de todos assenta inteiramente no interesse próprio. Por isso, quando alguém, por acaso, menciona a justiça, não é apenas tratado como antiquado: chega a ser desprezado. No entanto, será que as coisas caminham como se deseja? Pelo contrário: o resultado é inesperadamente oposto, com mais fracassos e calamidades. Apesar de repetirem isso, consideram como o estado normal deste mundo efêmero, não estranham em nada e passam os dias inconscientemente — esta é a situação atual da sociedade. Contudo, quando observamos isso do nosso ponto de vista, a causa é clara; apenas as pessoas comuns não a percebem.
Qual é, então, essa causa? É precisamente a carência do chamado senso de justiça que desejo apontar. Muitas pessoas, constantemente tomadas por pensamentos malignos, têm a alma obscurecida e, por isso, não conseguem enxergar. Tenho observado atentamente, por longo tempo, a sorte e o azar de todos os tipos de pessoas e sei bem que não há erro nisso. E qual é a raiz da insuficiência do senso de justiça? É que, embora invisível aos olhos, o chamado mundo espiritual existe plenamente. Nesse mundo espiritual existem as leis de Deus, que, diferentemente das leis humanas, são rigorosas, justas e imparciais, julgando as ações humanas sem o menor favoritismo. Lamentavelmente, porém, os seres humanos não compreendem isso e, mesmo quando ouvem, não conseguem acreditar; assim, inconscientemente, criam as próprias causas da infelicidade. Por essa razão, a maioria das pessoas na sociedade empenha-se constantemente em dizer belas palavras, mostrar apenas a aparência exterior e fazer com que os outros as avaliem acima do próprio valor.
Porém, como disse acima, os olhos de Deus brilham e penetram até o fundo do ventre, e a sorte ou o azar de uma pessoa são determinados como se fossem postos numa balança que pesa o bem e o mal de cada um; portanto, não há como escapar. No entanto, esse Caminho Perfeito tão claro, para não falar do povo comum de baixa instrução, não é compreendido nem mesmo pelas grandes autoridades com educação, posição e reputação, precisamente porque veem apenas a superfície do mundo material e ignoram o mundo espiritual, que é a essência interior. Por isso, valem-se da pouca sabedoria que possuem, iludem o mundo e se empenham apenas em enganar os outros, certos de que isso é inteligência — pode-se dizer que são dignos de pena. Como prova, o resultado é sempre o contrário: não percebem que as coisas não vão bem; e, como esse modo de pensar se estende de cima a baixo, aumenta o número de criminosos e intensifica-se a ansiedade social. Hoje em dia, portanto, na sociedade, mesmo quando se tenta fazer algo, entram espíritos malignos, sobrevêm fracassos e, na maioria das vezes, o resultado é apenas cansaço e prejuízo; há até quem acabe virando notícia de jornal ou se envolvendo em processos judiciais. Considero essas pessoas uma "tribo de tolos sábios" e esforço-me por despertá-las de algum modo.
Para isso, não há outro meio senão fazê-las reconhecer a realidade de Deus — o que é extremamente difícil. Pois, como se sabe, quanto mais se pertence à classe dos líderes atuais, mais se considera o pensamento ateu como qualificação de pessoa culta; para fazê-los compreender verdadeiramente, é necessário, de todo modo, criar oportunidades e mostrar milagres. Por essa razão, estou exercendo o poder que Deus me deu e manifestando milagres surpreendentes; e alegra-me que, recentemente, isso pareça estar gradualmente se tornando conhecido na sociedade. Se aprofundarmos ainda mais o princípio acima, chegamos a isto: a própria justiça é Deus, e o próprio mal é o demônio; Deus é justiça, o mal é demônio. Além disso, é fundamental que Deus ame a felicidade e o demônio ame a infelicidade; por isso, a felicidade ou a infelicidade depende da maneira de pensar de cada ser humano. Portanto, compreender essa verdade do fundo do ventre é a raiz de tudo. Com base no princípio acima, é absolutamente impossível alcançar a felicidade sem ter o senso de justiça como fundamento.
Por isso, não há nada mais prejudicial do que o mal. Costumo dizer sempre: "Ó tolos, vosso nome é malfeitores." Se compreenderem esse princípio, desde agora mesmo se tornarão imediatamente aceleradores na estrada da boa sorte. Há, porém, uma condição: mesmo quando se fala em justiça, existem dois tipos. Um é a pequena justiça, que tem por objetivo principal o benefício individual; a justiça média, que tem por objetivo a sociedade e a nação; e a grande justiça, que tem por objetivo toda a humanidade. Contudo, a pequena e a média não são a verdadeira justiça, mas falsas justiças; somente a grande justiça é a verdadeira. A piedade filial para com os pais e a lealdade para com o soberano, quando analisadas a fundo, são, acima de tudo, egoístas e, portanto, falsas justiças. Quanto à guerra recente, o Japão foi derrotado porque se tratava de uma falsa justiça, que visava apenas o benefício do próprio Japão; a menos que seja a grande justiça, cujo objetivo é o benefício do mundo inteiro, é impossível trazer a glória eterna. Esta é a verdade. Naturalmente, o mesmo se aplica à religião. Grandes religiões como o budismo e o cristianismo declinaram porque, embora parecessem grande justiça, tinham na verdade certas falhas — e isso não foi compreendido até agora. Quanto à nossa Igreja Messiânica, como sabem os fiéis, seu lema é o Paraíso Terrestre, onde não há doença, pobreza nem conflito.
Como tem por objetivo principal o benefício de toda a humanidade, ela é a verdadeira praticante da grande justiça.
Teoria da Harmonia
Eikō nº 176, publicado em 1 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde tempos antigos muito se fala em harmonia; ouvindo apenas essa palavra, pode-se pensar que se trata de algo bom, quase evidente por si mesmo. Mas há um ponto que não se deve aceitar sem reflexão. Com efeito, se não está de todo errada, essa maneira de pensar é superficial. Ao aprofundar a questão, chegamos ao seguinte: antes de tudo, tudo neste vasto universo está, sem exceção, em harmonia — não há sequer a menor desarmonia. Portanto, o que parece desarmônico aos olhos humanos é mera aparência superficial. A desarmonia é algo criado pelo próprio ser humano, e sua causa reside em contrariar a natureza. Ou seja, do ponto de vista da Grande Natureza, aquilo que surge como desarmonia pela oposição à natureza é, na verdade, a verdadeira harmonia — e essa é a verdade estrita e imparcial. Nesse sentido, basta o ser humano obedecer às leis do céu e da terra para que tudo se harmonize e avance sem percalços.
Como vimos, se a grande harmonia da natureza consiste em que a desarmonia nasce de criarmos desarmonia e a harmonia nasce de criarmos harmonia, então o ser humano, ao conhecer isso profundamente, tornar-se-á, por isso, um ser feliz. A melhor prova é que a desarmonia de agora pode, com o tempo, converter-se em harmonia; e a harmonia em que nos sentimos seguros pode, sem que o percebamos, romper-se e tornar-se desarmonia — essa é a verdadeira face das coisas neste mundo, e merece ser bem ponderada. Em outras palavras, é preciso compreender que a desarmonia é a visão própria de Shojo, e a harmonia, a visão própria de Daijo.
Consideração Espiritual sobre os Tufões
Eikō nº 219, publicado em 29 de julho do ano 28 da Era Showa (1953)
A grande inundação causada pelo tufão em Kyushu desta vez foi extremamente trágica, como jornais e rádio já relataram em detalhes; por isso, omito-a aqui. O que todos certamente desejam saber, porém, é a causa de fenômenos como os tufões. Como a ciência atual não tem a menor ideia, escrevo eu. Afinal, como sempre digo, a ciência é um modo de ver as coisas extremamente superficial e raso; como não toca a raiz interna, por mais que avance, é-lhe impossível compreender. Ora, embora se trate de tufões, assim como as doenças humanas, isso em si não é campo da ciência: pertence ao campo do espiritual. Se é assim, seria de esperar que a religião pudesse compreender; mas ainda não surgiu religião suficientemente elevada para tanto — não há outro jeito. Por isso, exponho aqui a verdadeira causa que Deus me ensinou. Como já escrevi, é lei que, neste mundo, em todos os fenômenos da natureza, à medida que a impureza se acumula sem cessar, ocorre um processo de purificação que os limpa.
Portanto, tanto no mundo espiritual quanto no material, a impureza acumula-se continuamente e, quando ultrapassa certo limite, surge a ação purificadora. Os tufões são exatamente isso: varrem com o vento, lavam e purificam com a chuva, queimam com o sol. Pela mesma razão, o fato de, como agora, mais de um milhão de hectares de arrozais e plantações terem ficado submersos deve-se inteiramente a estar o solo completamente contaminado pelo veneno dos fertilizantes, tanto humanos quanto químicos. Se o solo não fosse lavado e purificado, isso afetaria as colheitas, reduzindo a produção e gerando o receio de uma crise de fome.
Quando se chega a esse ponto, as divindades encarregadas da purificação iniciam sua atividade. Quanto às casas destruídas e arrastadas, isso se deve ao fato de o espírito desses objetos estar repleto de impureza.
Já que estou neste assunto, escreverei também sobre os incêndios. Como se sabe, também eles aumentam ano após ano, e os prejuízos que acarretam ao país não podem ser menosprezados. São igualmente purificações, pois os pecados e as impurezas se acumulam em cada construção. Isso ocorre porque, hoje em dia, em qualquer casa, o dinheiro gasto na compra do terreno, na construção etc. está contaminado; além disso, no uso dela, cometem-se erros, grandes ou pequenos. Até certo ponto, na vida moderna, isso é inevitável. Se alguém for devoto dos deuses e budas ou acumular virtudes consideráveis, a impureza será eliminada na mesma medida, o que seria bom. Mas tais pessoas são raríssimas; a maioria acumula pecados à vontade. Portanto, é inevitável que tenham de ser purificadas pelo fogo, e essa é a causa dos incêndios. O fato de haver muitos incêndios revela quão numerosos são os descrentes e os malfeitores.
As florestas e as montanhas também pegam fogo com frequência, e nem é preciso dizer que isso se deve à impureza das intenções injustas e dos pensamentos malignos contidos no custo de aquisição e nos propósitos envolvidos. Como exposto acima, uma vez que o homem moderno não crê em Deus, não possui conhecimento espiritual e valoriza apenas a matéria, é natural que haja muitas calamidades.
Isso é a rigorosa lei divina, e não há outro jeito. Como não percebem isso e tentam prevenir apenas com meios superficiais, que não são fundamentais, no fim das contas é como empilhar pedras no leito seco do rio Sai. Portanto, a conclusão é que, além de fazer o melhor que o ser humano pode, deve-se colocar Deus em primeiro lugar e não acumular pecados e impurezas. É preciso compreender que não há outro método infalível além deste.
Veneno Medicamentoso
Eikō nº 227, publicado em 23 de setembro do ano 28 da Era Showa (1953)
Isso pode parecer estranho a quem ouve pela primeira vez, mas, se pensarmos com base nos fatos, deveria ficar claro.
Isso porque, para criar um novo medicamento, não há um fundamento científico preciso; parte-se apenas da suposição de que ele talvez seja eficaz para determinada doença ou sintoma. Primeiramente, testa-se em camundongos, cobaias, macacos etc. Se o resultado parecer promissor, passa-se a testar em seres humanos. O ideal seria que isso fosse feito por um longo período, mas, como demandaria tempo, na maioria dos casos a decisão sobre a viabilidade é tomada com base nos resultados de algumas semanas ou meses. Se for considerado satisfatório, aplica-se imediatamente em humanos e, quando se julga que não há problemas, finalmente se anuncia. Essa é, em linhas gerais, a sequência. Quando chega a hora do anúncio, os grandes jornais o noticiam com grande destaque, e o público em geral admira e agradece, pensando que a medicina realmente avançou. É algo realmente ingênuo. No entanto, observando os fatos, mesmo que um medicamento tenha efeito por alguns meses, o problema está adiante, pois, inevitavelmente, surge a intoxicação medicamentosa, e o efeito tão arduamente obtido acaba se anulando na maioria dos casos. No máximo, em poucos anos, o medicamento se torna ineficaz, como se pode verificar por inúmeros exemplos passados. Afinal, o fato de novos medicamentos surgirem e desaparecerem um após o outro é a prova mais evidente disso. Portanto, não haverá erro em considerar que qualquer um dos medicamentos específicos para tuberculose atualmente populares tem vida útil de, no máximo, alguns anos. Diante disso, pensar que os medicamentos curam doenças é uma ilusão; eles apenas engordam os bolsos dos farmacêuticos. Enquanto não se despertar para isso, pode-se dizer que o avanço da medicina é algo superficial. Como é de conhecimento geral, os medicamentos recentes são como artigos da moda: causam furor por um tempo, mas, depois de algum tempo, tornam-se inúteis. Isso é fácil de perceber.
A Toxina Medicamentosa
Eikō nº 88, publicado em 24 de janeiro do ano 26 da Era Showa (1951)
Nossa Igreja adverte constantemente sobre a toxina medicamentosa, e a seguinte reportagem de jornal comprova bem isso; por isso, vamos publicá-la aqui.
(Edição de 6 de dezembro do ano 25 da Era Showa (1950), publicada no jornal Asahi Shimbun)
Aquele remédio, esperem! — Enfermeira erra na preparação do "remédio"
(De Chiba) Por volta das oito horas da manhã do dia 5, Iwami Matsugorō, presidente da assembleia da vila de Yashisumi, distrito de Kaijō, província de Chiba, partiu com quatorze vereadores da vila, via as termas de Yugawara, para inspecionar clínicas na província de Shizuoka. Ao sair, levou consigo um remédio para espasmos estomacais preparado pela enfermeira Suzuki Kiyoko, da clínica de Yoshimura.
Esse medicamento para espasmos estomacais, porém, era uma combinação de Brovarina, Enzana e Morfina, que deveria ser diluída cem vezes para ser ingerida; por engano, foi diluída apenas dez vezes e entregue ao Sr. Iwami. A enfermeira Suzuki, percebendo o equívoco depois e sabendo que a ingestão daquela forma causaria morte instantânea, apressou-se e, pouco depois das seis da tarde do mesmo dia, comunicou o fato à delegacia do distrito de Kaisō.
A salvo antes de ingerir o remédio — busca emergencial dá certo
(De Yokohama) A busca emergencial pelo paradeiro do presidente da assembleia Iwami e de sua comitiva de vereadores, com o aviso "esperem antes de tomar aquele remédio", foi transmitida às 18h30 do dia 5, da sede da Polícia Nacional de Chiba, através da sede da província de Kanagawa, para a delegacia da vila de Yugawara.
A delegacia de Yugawara imediatamente entrou em contato por telefone, em série, com a associação de hotéis e com o posto de informações da estação, causando grande alvoroço com a pergunta: "não haveria por aqui um hóspede com sotaque de Chiba?"
A associação de hotéis, surpresa, enviou comunicações para todas as direções. Dez minutos depois, a comitiva de vereadores foi encontrada relaxando em uma fonte termal no hotel Kamada, em Yugawara. O policial Inamasu, da delegacia, chamou imediatamente o presidente da assembleia, Sr. Iwami, ao telefone e informou que o medicamento trazido era um veneno potente que causaria morte instantânea com uma dose, e todos ficaram a salvo.
Pelo exposto, fica claro que o medicamento é, originalmente, uma substância tóxica; é apenas a quantidade que o torna remédio ou veneno. Ou seja, como neste exemplo, se essa droga for diluída dez vezes, torna-se dose letal; se for cem vezes, produz efeito, ainda que temporário. E quanto ao fato de ser eficaz para espasmos estomacais, qual a razão? Em primeiro lugar, o espasmo estomacal é, obviamente, um processo de purificação, mas a causa reside, ainda assim, no resultado do uso de medicamentos.
Ao examinar um paciente com espasmo estomacal, nota-se ligeiro estado febril na região afetada; observando as costas do estômago, encontra-se sempre uma solidificação semelhante a uma tábua, e essa região também se apresenta ligeiramente febril. No tratamento, porém, como a dor é no estômago, aplica-se Johrei pela frente, o que é um pouco equivocado. Por isso, mesmo havendo algum alívio, a dor não desaparece completamente, pois a verdadeira causa está nas costas. Se aplicarmos Johrei na região das costas correspondente ao estômago, a dor desaparece por completo. Isso pode parecer um pouco estranho, mas há uma grande razão para tal: quando o ser humano sente um leve desconforto no estômago, logo deseja tomar um medicamento.
Ao tomar o medicamento e deitar-se de costas, a droga se infiltra, desce pelo saco gástrico e se solidifica nas costas. Além disso, à medida que essa quantidade aumenta gradualmente, a solidificação nas costas cresce progressivamente. Quando atinge certo ponto, desencadeia-se o processo de purificação: dissolvida pelo estado ligeiramente febril, a droga liquefeita retorna ao estômago. Nesse momento, a droga se transmuta em uma toxina violenta. Quando essa toxina entra no estômago, este imediatamente se põe em movimento para excretá-la para o exterior. Isso estimula os nervos, causando dores intensas. Por fim, a dor desce gradualmente, passa pelos intestinos, transforma-se em diarreia e é excretada, o que é evidente.
No caso do espasmo estomacal, tomar o medicamento adequado alivia a dor porque esse medicamento anestesia o estômago, interrompendo temporariamente a purificação e a excreção.
Por meio disso, compreende-se que não se trata de um medicamento, mas sim de um antídoto para o veneno, e que o efeito medicinal não passa de um método de alívio da dor pela interrupção temporária da purificação.
Espíritos Ancestrais e a Doença
Eikō nº 104, publicado em 16 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
Que a causa da doença reside, por vezes, na interferência do espírito ancestral, compreende-se claramente pelo relatório abaixo transcrito: "A disenteria bacilar grave foi curada com algumas sessões de Johrei" (o restante do texto foi omitido). Atualmente, no mundo espiritual, os espíritos ancestrais de cada família vão gradualmente compreendendo que, exceto a nossa Igreja, não existe religião que verdadeiramente salve. Por isso, pensam em agarrar-se à nossa Igreja de qualquer maneira, empregando os mais diversos meios. Para isso, precisam primeiro salvar a família de seus próprios descendentes. Assim, apossando-se de algum dos descendentes, fazem-no adoecer. Nesses casos, na maioria das vezes, utilizam-se das crianças. O exemplo acima se enquadra nisso. O fato de uma criança, cuja vida já corria perigo, ter recuperado subitamente a vitalidade e melhorado apenas por terem dito que a levariam à nossa Igreja ocorre porque o espírito ancestral, tendo alcançado seu objetivo, sente-se aliviado. A partir daí, deseja curar rapidamente a doença e passa a agir nesse sentido.
Em Louvor à Doença
Eikō nº 112, publicado em 11 de julho do ano 26 da Era Showa (1951)
Atualmente, costuma-se usar a palavra "luta contra a doença" como postura mental diante dela, mas, do nosso ponto de vista, não há expressão mais equivocada.
Embora isso se deva ao total desconhecimento da causa fundamental da doença, diríamos que o mais adequado seria "amar a doença". Isso porque, segundo a nossa Igreja, a doença é algo que se deve amar, algo pelo qual se deve ser grato e algo a que se deve agradecer. Na medicina, porém, uma vez contraída a doença, ela é encarada de forma negativa, e as pessoas se preocupam como se um demônio maligno tivesse entrado no corpo. É comum usarem a expressão "demônio da doença", e deve ser nesse sentido. Além disso, a própria expressão "luta contra a doença" também parece significar que, como um inimigo invadiu o corpo, o corpo aliado trava uma grande batalha. É realmente uma história absurda. Por outro lado, em nossa Doutrina, entendemos que toxinas tendem a se acumular constantemente no corpo humano.
Quando ultrapassam certo limite, prejudicam as atividades. Então, para eliminar essas toxinas, ocorre uma ação natural, que as purifica até um nível que não atrapalhe o funcionamento do corpo. Dessa forma, o corpo se torna saudável. No entanto, essa eliminação de toxinas é acompanhada de algum sofrimento. E a esse sofrimento é que se deu o nome de "doença". Portanto, não há nada tão benéfico quanto a doença. Compreende-se perfeitamente que foi Deus quem a criou justamente para preservar a saúde dos seres humanos.
Ademais, observando os sintomas durante a doença, como a saída de catarro e muco, suores noturnos, diarreia, vômitos, dores e coceiras, percebe-se que as impurezas estão saindo sob diversas formas.
Por isso, se, neste momento, considerarmos o sofrimento como algo pelo qual ser gratos e tivermos um pouco de paciência, a situação se resolve com relativa facilidade. Em seguida, com o interior do corpo completamente limpo, a saúde melhora cada vez mais. Como vimos acima, para o ser humano não há nada tão benéfico; assim, ao adoecer, deveria alegrar-se e celebrar grandemente.
Por isso, em nossa Doutrina, saudamos e damos boas-vindas até mesmo a um resfriado, à tuberculose ou a uma doença contagiosa, dizendo: "Por favor, venham à vontade!". Talvez por pensarmos assim, ironicamente, a "senhora doença" não vem nos visitar facilmente, o que nos causa uma ligeira solidão. Mas, como essa também é uma solidão alegre, pode-se dizer que é igualmente motivo de gratidão. Dessa forma, a felicidade que estamos recebendo é algo que as pessoas comuns provavelmente não conseguem imaginar. Portanto, o desejo constante de ensinar essa graça tão extraordinária ao maior número possível de pessoas deve ser o pensamento comum às centenas de milhares de seguidores da nossa Igreja. Contudo, o que dizer da sociedade em geral? As pessoas vivem o ano todo com medo de pegar um resfriado, afirmam que a tuberculose é assustadora, que uma doença contagiosa é terrível; mandam gargarejar ao voltar da rua, lavar as mãos, fazem recomendações incômodas, obrigam a usar máscaras... É realmente uma situação extremamente irritante.
O governo, por sua vez, gasta dezenas de bilhões desnecessariamente todos os anos e faz um grande alvoroço. Os médicos, por seu lado, andam o tempo todo com expressão séria e os olhos fixos no microscópio. Para nós, essa situação não é digna de pena; é simplesmente ridícula e absurda. Dessa maneira, a diferença entre nós e o mundo vai muito além da diferença entre um cágado e a lua.
É uma diferença tão grande que não encontramos palavras para descrevê-la. Diante disso, cabe pensar que, se a essência da nossa Igreja fosse compreendida pelo público em geral, com certeza todos entrariam para ela, um após o outro.
Não haveria erro, mesmo dando garantia total, em afirmar que, mais cedo ou mais tarde, todos os japoneses se tornarão seguidores da nossa Igreja. Quando esse dia chegar, não será apenas o ideal de um mundo sem doença, pobreza e conflito — lema da nossa Igreja —, mas o Japão o realizará concretamente. E, vendo isso, as pessoas de todos os países do mundo pensarão: "Isto é grave!" e todas se converterão. Nem é preciso dizer que, chegando a esse ponto, finalmente se concretizará o advento do Paraíso Terrestre. Aguardando ansiosamente por esse dia, entregues a Deus, não deveríamos prosseguir com perseverança?
―――――――――・――――――――――
Por ser religião
Eikō nº 104, publicado em 16 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
Sempre me pergunto, com espanto: segundo a terapia de cura que criei, qualquer doença realmente se cura muito bem.
Custa-me dizê-lo, mas provavelmente se trata de uma terapia maravilhosa, como jamais houve na história da humanidade. Por quê? Porque, por meio dela, é possível salvar pacientes que os médicos já haviam abandonado, tornar uma pessoa livre de doenças e desastres por toda a vida e, ouso dizer, não é impossível desfrutar de longevidade superior a cem anos.
Além disso, doenças como a tuberculose, hoje as mais temidas, podem ser completamente curadas em dez de cada dez pessoas, desde que não se tenha introduzido muitos medicamentos no organismo.
Assim, não há a menor necessidade de temer o bacilo da tuberculose. Afinal, mesmo que haja infecção, ela se cura sem dificuldade. Quanto a várias doenças contagiosas, como sabemos que se trata de um processo de purificação necessário à saúde, nós as recebemos com alegria. Disenteria, disenteria epidêmica, tifo, encefalite, difteria, varíola, sarampo: todas se curam completamente em poucos dias, desde que nenhum tratamento seja aplicado.
O que quero destacar especialmente é isto: se eu disser que acolhemos o resfriado, o homem moderno se surpreenderá. No entanto, do nosso ponto de vista, o resfriado é uma ação de limpeza do corpo; portanto, quanto mais se pega, mais purificado fica o sangue e mais a saúde aumenta. É por isso, aliás, que hoje há tantas doenças, a começar pela tuberculose: teme-se o resfriado e procura-se evitá-lo. Se alguém conhecer a nossa terapia, compreenderá que a doença é uma ação purificadora e, portanto, algo bom; compreenderá também que a cura é certa. Naturalmente, micróbios e afins deixam de ser problema. Exigências incômodas como "desinfete!", "faça gargarejo!", "lave as mãos!" tornam-se totalmente desnecessárias, e a vida fica realmente tranquila.
Uma felicidade e uma sensação de segurança tão grandes não são, de modo algum, expressáveis por palavras escritas ou faladas. No entanto, ainda que se conte uma história tão valiosa, o homem moderno, que vive apavorado com as doenças, sequer consegue imaginá-la; deve ter a impressão de estar ouvindo uma história de outro mundo.
Mesmo quando ouvem ou veem uma terapia tão nova e surpreendente, ela quase não penetra no homem moderno, em especial nos intelectuais. Eles passam por ela, mas ela não se fixa em suas mentes. Do nosso ponto de vista, isso é realmente difícil de compreender; em suma, não há outra explicação senão que é por ser religião.
Contudo, quando se divulga que foi possível transplantar o coração de um cachorro para um ser humano, que, arrancando os olhos de um morto e transplantando sua retina para um vivo, um cego passou a enxergar, que se descobriu um novo medicamento ou que tal terapia obteve sucesso, os jornais vez ou outra publicam isso em grandes manchetes. Do nosso ponto de vista, isso não passa de crianças alegrando-se por terem conseguido fazer alguma coisa. Ao dizer isso, talvez pensem: "Esse tal de Jikan está, como sempre, fazendo afirmações grandiosas e descarriladas", ou, ao contrário, talvez duvidem de nossa sanidade mental. Mas é que o cérebro deles, aprisionado pela cultura estabelecida, deve estar completamente fossilizado.
Acima de tudo, o que quero dizer é que gostaria que examinassem a fundo se isto é, de fato, descarrilamento, loucura ou fanfarronice. Penso que neles deveria despertar essa vontade de examinar, mas até hoje isso não ocorreu. De nossa parte, naturalmente, estamos sempre dispostos a apresentar, à vontade, quantas provas forem necessárias, até que se convençam de coração. No entanto, que permaneçam em silêncio e não adotem essa atitude deve-se, precisamente, ao fato de ser religião.
Mais uma coisa que quero dizer: acredito que, ainda que se extraísse apenas um item dos artigos de nossa nova terapia, ele teria valor suficiente para um Prêmio Nobel. Mais ainda: se conhecessem toda a teoria e as provas, os jurados, longe de conceder o Prêmio Nobel, ficariam tão estupefatos que lhes seria impossível emitir um julgamento. Por quê? Porque seria como se, para quem se maravilhava com a luz elétrica na escuridão da noite, amanhecesse e se encontrasse com a luz do sol. Assim, uma descoberta tão grande, ao contrário da bomba atômica, que tem o poder de destruir a humanidade, poderia ser chamada, sem exagero, de uma bomba atômica com o poder de reviver a humanidade. No entanto, mesmo lendo este texto, dificilmente se comoverão. Como sempre, a maioria dos intelectuais desviará o olhar e não se interessará. Desnecessário dizer que é por ser religião. Ah! É precisamente por ser uma descoberta grandiosa demais que sinto profundamente a extrema dificuldade de esclarecê-la.
―――――――――・――――――――――
Um Recado aos Intelectuais do Mundo
Eikō nº 220, publicado em 5 de agosto do ano 28 da Era Showa (1953)
Não há uma única pessoa neste mundo que não precise da vida (exceto aqueles que cometem suicídio).
No entanto, se essa vida tão preciosa fosse salva e a doença — causa desse risco — fosse curada, nenhum problema restaria por resolver. Apesar disso, todos dirão: "É impossível que exista neste mundo um método de cura tão extraordinário; portanto, não adianta dizer coisas tão absurdas". Naturalmente, o esforço da ciência também não tem outro objetivo senão este, mas, até hoje, isso se mostrou completamente impossível.
No entanto, se esse método de solução fosse descoberto, essa seria a grande questão do século XX, e se soubessem que o descobridor é a nossa Igreja Messiânica, todos se surpreenderiam e seriam incapazes de acreditar. Os fatos o comprovam. O fato de pacientes com doenças graves e incuráveis, abandonados pela medicina, curarem-se completa e facilmente, mesmo duvidando ou não acreditando, é um efeito terapêutico maravilhoso, como jamais existiu em toda a história; é verdadeiramente a materialização de um sonho. Há até quem duvide justamente por causa dessa eficácia extraordinária, o que não é de se estranhar. Afinal, as pessoas modernas são educadas, desde a infância, a acreditar que as doenças se curam com médicos e remédios, e isso se tornou senso comum. Por isso, é provável que a nossa terapia do Johrei esteja na mesma situação da bomba atômica antes de ser detonada: por mais que se explicasse, não se conseguia compreendê-la. É por essa razão que, entre os intelectuais de mentalidade mais antiquada, a obstinação em não conseguir acreditar — mesmo quando se lhes explica e se lhes mostram os fatos diante dos olhos — é totalmente incompreensível.
Não é só isso. Mesmo os médicos especialistas, ao testemunharem que um paciente por eles abandonado era salvo milagrosamente pelo Johrei, apenas inclinam a cabeça e suspiram, adotando uma atitude robótica, sem sequer tentar estudá-lo a sério. Provavelmente não há, em toda a história da humanidade, exemplo de superstição tão grande quanto esta. Mas há ainda outra estranheza semelhante: a dos estudiosos da religião entre os intelectuais. Eles dizem: "Originalmente, é errado a religião curar doenças. A religião é, por princípio, a salvação espiritual; a salvação material é da alçada dos médicos". À primeira vista, isso parece razoável. Mas, se recuarmos um passo e pensarmos, chegaremos ao seguinte: se a medicina realmente curasse as doenças, não haveria problema. A realidade, porém, é que, por mais que se confie nela, que se consultem doutores e grandes hospitais e que se sigam os tratamentos mais modernos conforme as instruções, a doença não só não se cura como, ao contrário, piora cada vez mais, chegando a pôr a vida em perigo. É por isso que, desistindo do tratamento médico, as pessoas vêm até nós. Ao receberem o Johrei, curam-se imediatamente de modo milagroso, ficam surpresas e se convertem. Assim, as pessoas que ouvem falar disso vêm umas após as outras. Isso é natural e não há nada de estranho nisso. O extraordinário desenvolvimento da nossa Igreja testemunha bem esse fato.
Se formos descrever isso ao estilo dos Anais de Primavera e Outono, o desenvolvimento da nova religião — pelo menos o da nossa Igreja — deve-se inteiramente à impotência da medicina. Portanto, do ponto de vista do resultado, é a própria medicina que está promovendo o desenvolvimento da nova religião. Se a medicina curasse as doenças que não curamos, por que os pacientes escolheriam vir até nós, que estamos envoltos em suspeitas por parte da sociedade? Assim, tanto a medicina quanto a religião têm o mesmo objetivo — remover a infelicidade humana e proporcionar tranquilidade e paz espiritual — e, como a saúde é a base fundamental disso, não importa quais outras condições existam: todas não passarão de zero. Nesse sentido, por mais valiosos que sejam os sutras, os sermões ou as teorias eruditas, só com eles não é possível obter a felicidade. Que sejam meros consolos espirituais torna-se evidente ao observarmos as religiões estabelecidas de hoje, a maioria das quais está em declínio constante. Enquanto isso não for percebido, não há como negar que seu destino é apenas a ruína total.
Percebendo ou não, os estudiosos da religião, quando abrem a boca, criticam as graças recebidas nesta vida como inferiores e julgam superior uma religião baseada numa sucessão de caracteres que só podem ser lidos franzindo a testa. Isso, porém, não passa de passatempo distante da realidade, ou de reza pela autopreservação. Se pudesse salvar alguém, não salvaria as massas, mas sim uma minoria de ociosos que não se preocupam com o que comer, ou imortais urbanos.
Enquanto vocês escrevem esses manuscritos, a realidade é que as massas sofrem de doenças, padecem de pobreza, temem a ansiedade social que as oprime e correm para todos os lados. Diante disso, ainda que se reeditem doutrinas de centenas ou milhares de anos atrás, pergunto: de que isso adianta?
Acima, escrevi o que me veio à mente, mas espero que compreendam que isso é fruto de minha grande preocupação com o mundo. Aqui, quero reiterar: seja a medicina, a religião ou qualquer outra coisa, o importante é curar a doença, a maior preocupação do ser humano. Só isso. Lembro-me de que, há alguns anos, o primeiro prêmio do concurso de slogans patrocinado pelo jornal Mainichi foi a frase “Primeiro, a saúde”. Com isso, não é preciso dizer muito mais.
―――――――――・――――――――――
Concentração de Toxinas por Cinquenta Anos
Eikō nº 107, publicado em 6 de junho do ano 26 da Era Showa (1951)
Aos dezoito anos, sofri de pleurisia.
Na ocasião, perfuraram meu flanco e drenaram cerca de duzentos gramas de água. Recentemente, porém, descobri que o antisséptico usado então e o remédio tomado quando a doença reapareceu, um ano após a cura temporária — ao todo, a toxina medicamentosa dessas duas ocasiões — havia se solidificado num ponto entre as costas e a axila.
Decidi, então, dissolver essa concentração aplicando Johrei em mim mesmo. No início, estava bastante endurecida, mas foi se dissolvendo aos poucos, tornando-se gradualmente mais macia. Cada vez que uma parte se dissolvia, eu tinha diarreia invariavelmente. Não sinto muita dor, mas é tão preciso quanto um carimbo, o que é interessante. Percebe-se, assim, que uma concentração de toxinas não desaparece, por mais anos que passem. Este ano completo sessenta e oito anos de idade, o que significa que essa concentração permaneceu solidificada por exatamente cinquenta anos, sem ser eliminada. Se eu não conhecesse o Johrei, seria, portanto, um “convidado que nunca mais retorna” para o outro mundo, por toda a vida.
À medida que a concentração de toxinas se dissolve e é eliminada sob a forma de diarreia, sinto-me muito melhor, como descrevi acima. Durante muito tempo não percebi isso e achava que era um estado normal. Agora que notei, porém, surgiu uma sensação de bem-estar inimaginável, o que me deixa verdadeiramente feliz. Sinto que, com isso, minha vida se estenderá por mais vinte ou trinta anos. Além disso, minha cabeça ficou muito mais clara, e escrevo meus manuscritos melhor do que antes.
Compreende-se, assim, que, quando não se conhece o Johrei, a toxina medicamentosa não desaparece por toda a vida. Os locais que causam a diarreia, como sempre digo, são quase sempre a cabeça e as costas. Há dois casos: ou a concentração de toxinas nessas partes se dissolve e se acumula no abdômen, causando diarreia; ou a diarreia se deve à intoxicação por alimentos ou bebidas. Especialmente na purificação pela cabeça, sai muito sangue. Quando esse sangue sai pelo ânus, chama-se hemorragia por hemorroidas; quando sai após se acumular temporariamente no abdômen, é a disenteria. Assim, a função natural da bactéria da disenteria é fazer com que o sangue tóxico seja eliminado rapidamente. Portanto, se alguém contrai disenteria e é deixado em paz, o sangue tóxico é eliminado naturalmente e a pessoa se cura. A medicina, porém, que desconhece isso, tenta impedir a eliminação com um ou outro remédio, agravando o quadro. Quando penso em como os seres humanos seriam salvos se a medicina conhecesse esse princípio, sinto imensa frustração.
―――――――――・――――――――――
Fragmentos Médicos (34) – Sem título (3)
Eikō nº 176, publicado em 1 de outubro do ano 27 da Era Showa (1952)
Desde os tempos antigos, costuma-se dizer que não existe pessoa sem vaidade e sem feridas, e essa afirmação não é totalmente desprovida de sentido.
Ela se refere, sem dúvida, às toxinas medicamentosas, e hoje em dia não há uma única pessoa que não as possua. Cada um as tem, aliás, em quantidade inimaginável. Uma vez contraída a doença, elas são eliminadas por hemoptise, escarro com sangue, escarro, secreção nasal, suor, febre, inchaços, hemorragia por hemorroidas, leucorreia, vômito, diarreia, vários tipos de eczema etc. Ainda assim, a quantidade é surpreendentemente grande. Mesmo os que recebem Johrei pensam: “Se saiu até este ponto, já está praticamente purificado”, e ficam tranquilos; enganam-se, porém: não é tão fácil assim, e nem metade foi eliminada. Eu mesmo ainda tenho uma quantidade considerável de toxinas medicamentosas da época da pleurisia e da tuberculose pulmonar, de cinquenta anos atrás, e dos medicamentos dentários que usei diariamente por cerca de um ano, há mais de trinta anos. Por isso, faço Johrei em mim mesmo todos os dias, e isso, com o passar do tempo, vai diminuindo gradualmente, tornando-me mais saudável, o que me traz alegria. Se até eu estou assim, as pessoas em geral devem compreender por analogia, e acredito que isso sirva como grande referência.
―――――――――・――――――――――
O Horror da Medicina
Eikō nº 213, publicado em 17 de junho do ano 28 da Era Showa (1953)
Embora seja algo que raramente aconteça, arrepia a pele ao ler o relato de graça a seguir.
A condição deste paciente, sem dúvida, foi criada por toxinas medicamentosas, e ele certamente sofria de uma doença crônica no estômago.
Contudo, quando, ao final, foi realizada a cirurgia, o estômago não apresentava anormalidade alguma; tratava-se, na verdade, de apendicite crônica. Surpreende também a leviandade desse diagnóstico, que provavelmente se deve ao fato de os métodos de diagnóstico da medicina serem extremamente primitivos. É algo realmente de causar espanto. Examinando com calma o percurso deste paciente desde o início, fica claro que ele foi feito vítima da medicina equivocada; do ponto de vista do resultado, portanto, pode-se dizer que foi um assassinato por boa intenção. Não se quer usar tais palavras, mas, sendo um fato que força a dizê-las, provavelmente não há quem leia isto sem derramar lágrimas.
Ah, digna de lamento é a superstição da ciência.
“A Falta de Confiabilidade dos Médicos — O Marido Salvo no Mundo Espiritual” (texto principal omitido)
―――――――――・――――――――――
Fé e Greve
Eikō nº 187, publicado em 17 de dezembro do ano 27 da Era Showa (1952)
Atualmente, o que mais ameaça as massas populares são provavelmente a greve dos trabalhadores do carvão e a greve dos trabalhadores da indústria elétrica.
Para resolver isso, o governo, sem dúvida, e também a Comissão Central de Relações Trabalhistas, estão se esforçando ao máximo, elaborando diversas medidas para superar a crise.
No entanto, ambas as partes estão inesperadamente intransigentes e não avançam facilmente para uma solução. Mesmo tendo a primeira ultrapassado cinquenta dias, e a segunda, setenta, não se vislumbra qualquer raio de esperança, o que é um problema grave. Diz-se que o prejuízo direto que a nação sofre com isso chega a vários bilhões por dia; se somarmos os prejuízos indiretos, o número deve atingir um valor impressionante.
Nem é preciso pensar muito para descobrir a causa disso: os trabalhadores querem salários um pouco maiores, e os empresários querem pagar um pouco menos. Nem é preciso dizer que foi o conflito entre a ganância de ambos os lados que resultou nisso. Com isso, a grande maioria do povo está sendo sacrificada e sofre. Diante desse fato, eles fecham os olhos; pode-se dizer, portanto, que isso é antes imperdoável. Em suma, trata-se de uma forma de pensar baseada unicamente no egoísmo — a de que, se eu estiver bem, não importa o sofrimento dos outros. Se assim for, mesmo que este problema seja resolvido mais cedo ou mais tarde, é certo que voltará a ocorrer em algum momento. Portanto, o desejo de todos deve ser acabar com um problema tão detestável o mais rápido possível. Pergunta-se, então, se existe uma medida radical para isso. Quero declarar que existe, e grande. O que é? É, naturalmente, o cultivo do espírito de fé, e afirmo que absolutamente não há outra coisa além disso. No entanto, hoje em dia, diante de qualquer problema, as pessoas se empenham apenas em medidas alheias à fé. Isso, portanto, está completamente fora do alvo; mesmo que surta efeito, é como um emplastro temporário, e é claro que o problema reaparecerá mais cedo ou mais tarde, exatamente como na medicina. Por isso, tanto o governo quanto os jornalistas e aqueles que estão nas classes dirigentes não consideram a fé algo relevante e tentam resolver tudo apenas com métodos materialistas. Não há palavras para descrever tamanha ignorância. Suponhamos, então, que a maioria dos trabalhadores e empresários se tornasse, como digo, pessoas de fé correta.
Gostaria que considerassem o que aconteceria então. Naturalmente, o princípio fundamental da fé é o altruísmo absoluto. Os trabalhadores, portanto, se dedicariam ao trabalho com sinceridade, pensando no lucro dos empresários, e, ao mesmo tempo, os empresários também pensariam no bem-estar dos trabalhadores tanto quanto possível. Assim, seria colhido o fruto da coexistência e prosperidade mútua, e os benefícios que ambos receberiam iriam além do esperado. Naturalmente, podendo trabalhar com alegria, a eficiência aumentaria, os custos diminuiriam, os negócios prosperariam e as exportações também se intensificariam. Por consequência, a economia nacional melhoraria enormemente, os impostos diminuiriam e a vida se tornaria mais fácil, sem dúvida. Doenças e crimes também diminuiriam, e tudo melhoraria em todas as direções. A reconstrução do Japão seria algo extremamente fácil.
Como resultado, é inevitável que o país seja venerado como nação pacífica exemplar por todos os países do mundo. Algo como o sonho descrito acima não é nada difícil; ao contrário, é fácil, como se pode perceber pelo simples bom senso. Ademais, essa raiz fundamental se realiza apenas com a disposição do coração; o essencial é a prática. Se assim for, esta teoria não seria uma maravilhosa boa nova? Então, por que algo tão simples não foi compreendido até hoje? É devido à natureza selvagem inerente ao coração humano. De qualquer forma, a humanidade se vangloria dizendo que se tornou civilizada, mas isso é apenas aparência; o conteúdo é como descrito acima, por isso as lutas não cessam. Essa natureza selvagem, nem é preciso dizer, é a natureza animal — aquela característica de uma fera que, para arrancar um pedaço de carne, mostra os dentes, range as presas e briga. Pode ser uma expressão exagerada, mas o ser humano moderno ainda possui um pouco dessa natureza animal, escondida sob a superfície da cultura.
Há um ditado antigo que diz “rosto humano, coração de fera”, e mesmo hoje, na era da civilização, isso permanece inalterado. Portanto, para eliminar verdadeiramente as greves desta sociedade, é imprescindível remover a natureza animal por meio da religião.
Não há outro método fundamental além deste. Nesse sentido, o princípio basilar da nossa Igreja Messiânica é remover a natureza animal do ser humano e realizar a reforma humana; pode-se dizer que esta é, de fato, a obra cultural ideal. No entanto, as pessoas que desconhecem essa verdade, sem sequer examinar o conteúdo da nossa Igreja, descartam-na como mera superstição. Não há outra maneira de descrevê-las senão como supersticiosas, que veneram a cultura estabelecida e equivocada. A esse respeito, a obra que estou escrevendo atualmente, intitulada "A Criação da Civilização", como mencionado anteriormente, visa superar a civilização atual, que tem forma exterior mas é pobre em conteúdo, e indicar o projeto e a concepção da verdadeira civilização que deve nascer. O objetivo, portanto, é, quando estiver concluída, fazê-la ler por intelectuais de todo o mundo e promover um grande esclarecimento.
Reflexões sobre a Situação Mundial e Japonesa
Eikō nº 248, publicado em 17 de fevereiro do ano 29 da Era Showa (1954)
Como escrevo constantemente sobre assuntos religiosos, pensei em mudar de área por um tempo, e escrevi isto. Trata-se de uma visão da situação atual do ponto de vista de um religioso. Abordarei primeiramente a situação mundial. Como é sabido, por volta desta época no ano passado, a região da Coreia do Norte havia entrado em uma fase de armistício, mas ainda pairava no ar um clima sangrento, numa situação tão incerta que ninguém sabia para que lado as coisas iriam pender. Além disso, os Estados Unidos, devido à promessa de campanha do presidente Eisenhower, estavam avançando com preparativos em grande escala com o objetivo de derrubar a China e a Coreia do Norte, criando uma atmosfera em que não se sabia quando o estopim da Terceira Guerra Mundial seria aceso. Contudo, logo no início do ano novo, como um raio em céu claro, a estrela gigante Stalin caiu na terra, e com isso a situação mundial mudou completamente.
Naquela época, quando Malenkov se tornou seu sucessor, é certo que os olhos do mundo estavam uniformemente voltados para isto: se ele daria continuidade às políticas de Stalin ou mudaria completamente de direção. Gradualmente ficou claro que era a segunda opção e, desde então, adotando a todo momento uma política de ofensiva pacífica, chegou-se aos dias de hoje. Por causa disso, até mesmo a política linha-dura dos Estados Unidos foi gradualmente suavizada, e, como se sabe, o presidente Eisenhower realizou uma conferência para um acordo sobre a bomba atômica. A situação mundial, assim, parece ter se tornado consideravelmente mais clara e, embora o perigo de uma grande guerra não tenha sido eliminado, é claro que ele foi adiado por enquanto. Não seria inútil, portanto, examinar um pouco a era de Stalin a esse respeito. Naquela época, a grande encenação de Stalin funcionou: com a ajuda à China, ele liquidou a imensa China em pouco tempo, fez com que Mao Tsé-Tung assumisse o controle total e, ao mesmo tempo, confinou o governo de Chiang Kai-shek em Taiwan, uma ilha isolada. Não é de admirar que aquela manobra o tenha deixado eufórico. Aproveitando o impulso, com a ajuda à China e os mesmos métodos, fez desta vez a Coreia do Norte se agitar e dominar toda a Coreia do Sul, unificando toda a península coreana, e, se possível, estender sua influência até mesmo ao Japão. Não é difícil imaginar que havia uma intenção de longo alcance de, se tudo corresse bem, colocar todo o Leste Asiático sob a Cortina de Ferro.
No entanto, os Estados Unidos, que perceberam isso, não apenas criaram rapidamente a Organização das Nações Unidas e, com medidas de emergência, impediram o avanço, mas também, pensando no futuro, primeiro derrotaram o exército chinês, restauraram a Coreia do Sul e a Coreia do Norte ao seu estado anterior e, ao mesmo tempo, planejaram reviver o governo de Chiang Kai-shek como antes — percebe-se aí a profunda estratégia e a visão de longo prazo do presidente Eisenhower, que os levou a iniciar preparativos bélicos em grande escala. Assim, a China e a União Soviética, ao saberem disso, percebendo que a situação não era fácil, lançaram-se rapidamente numa ofensiva pacífica, como todos sabem. Isso porque, se hesitassem e a ONU lhes declarasse guerra, seria realmente um grande problema. Afinal, mesmo a China estava exausta pela longa guerra e sabia que não tinha chance de vitória. Escusado será dizer que a proposta de armistício do embaixador Malik, representante soviético na Assembleia Geral da ONU em junho do ano retrasado, foi o início disso. Fica claro, assim, pela situação subsequente, que o lado soviético nunca esteve verdadeiramente em paz, mas apenas usava de um expediente temporário para evitar a luta. Isso se confirma ao ver como as negociações de cessar-fogo foram propositalmente prolongadas, ou o passo lento das atuais conversações de armistício. Em outras palavras, a intenção da União Soviética é prolongar ao máximo, preparar-se suficientemente durante esse tempo e, quando tiver certeza de que não perderá de forma alguma, partir para uma atitude positiva. Isso é mais claro do que a luz do dia.
Pelo exposto, concluindo, a Guerra da Coreia foi um fracasso para o lado soviético. Além disso, os preparativos dos Estados Unidos desde então, colocando a Europa e o Japão em seu campo e equipando-se militarmente de forma constante, podem ser considerados verdadeiramente impressionantes. Diante dessa situação, pode-se considerar que, por enquanto, não há probabilidade de a União Soviética tomar a iniciativa de atacar. Pode-se considerar, portanto, que a guerra fria continuará por muito tempo. Nesse sentido, a menos que a União Soviética mude fundamentalmente sua política para a paz mundial, o dia em que o céu do mundo estará completamente limpo ainda está muito distante.
Passarei, a seguir, à crítica da situação atual do Japão. Primeiro, o destino do gabinete de Yoshida. Pode-se dizer que é um gabinete raro, por ter durado tanto tempo. A razão para isso não é tanto que o primeiro-ministro Yoshida seja excelente, mas sim que atualmente não há figuras do nível de primeiro-ministro à vista. É, em outras palavras, a sorte do primeiro-ministro. O que gostaria de dizer sobre isso é que as maiores falhas dos políticos de hoje são provavelmente estes dois pontos: a visão estreita e a falta de senso de justiça. Nesse aspecto, acho que o primeiro-ministro Yoshida pode ser considerado um político superior. De fato, há várias pessoas com mais sabedoria, perspicácia e força do que Yoshida, mas, infelizmente, falta-lhes grandeza, e são carentes da coragem e da convicção para defender a justiça. Parecem-me mesquinhos e astutos demais. A esse respeito, lembro-me dos políticos da Era Meiji (1868-1912) à Era Taisho (1912-1926). Havia muitos políticos com essas características notáveis. As pessoas mais velhas devem saber que havia muitos que, de alguma forma, tinham volume e eram dignos de confiança. Figuras superficiais e precipitadas como as de hoje, ao que parece, não eram muito consideradas naquele tempo. E o tipo de político que nós, cidadãos, mais desejamos hoje é uma pessoa de peso, de grande coração, do tipo dos grandes vultos. Não acho que seja só eu que penso assim. Por fim, o que quero dizer é que, pelas razões expostas, os políticos atuais se apegam demais a pequenos detalhes, querem transformar imediatamente em problema até mesmo questões insignificantes, e nas reuniões há muito barulho e discussão, sem que se chegue facilmente a uma conclusão. Esse acúmulo constante de problemas fica bem ilustrado pela praxe de prorrogação do período de sessões da Dieta. Visto do ponto de vista do povo — como fica claro pelo fato de que as brigas e disputas territoriais, à moda dos antigos yakuza, parecem ter se tornado um passatempo —, não é o cenário político atual verdadeiramente lastimável?
Meishu-Sama e o Dr. Braden
Eikō nº 164, publicado em 9 de julho do ano 27 da Era Showa (1952)
O Dr. Braden, professor de História das Religiões e Literatura Religiosa da Universidade Northwestern, no estado de Illinois, Estados Unidos, que veio ao Japão para estudar a situação religiosa mundial, teve a feliz oportunidade de conversar pessoalmente com Meishu-Sama no Hotel Gora, no dia 15 de junho passado, data que coincidiu com a cerimônia de conclusão do modelo do Paraíso Terrestre, em Hakone-Gora, da nossa Igreja Messiânica Mundial. Segue-se o relato desse diálogo.
(Conversa no Hotel Gora, na noite de 15 de junho)
Dr. Braden: Vim ao Japão e observei diversas religiões, e senti que as novas religiões estão realizando um trabalho muito vigoroso. Nos Estados Unidos também, as novas religiões estão atuando intensamente atualmente. Como vim ao Japão para uma pesquisa religiosa, gostaria de ouvir um pouco de sua opinião, se possível.
Meishu-Sama: Pois não, pergunte o que quiser.
Dr. Braden: Fale-me sobre a influência que a Segunda Guerra Mundial exerceu sobre a religião.
Meishu-Sama: Sofremos influências tanto boas quanto más, mas as más influências são temporárias, enquanto as boas são permanentes; portanto, no final, acredito que o saldo seja positivo.
Dr. Braden: E, especificamente, que influências houve sobre a sua religião?
Meishu-Sama: Até o fim da guerra, sofremos uma severa repressão, mas, depois do fim da guerra, a liberdade religiosa foi reconhecida e tudo se tornou muito mais fácil.
Dr. Braden: Quantos fiéis existem atualmente?
Meishu-Sama: Os fiéis realmente ativos devem ser de trezentos a quatrocentos mil.
Dr. Braden: E antes do fim da guerra, quantos eram?
Meishu-Sama: Eram apenas algumas centenas. A quase totalidade são fiéis do pós-guerra.
Dr. Braden: Por que aumentaram tão rapidamente depois da guerra?
Meishu-Sama: Isso se deve ao fato de termos oferecido a luz mais forte aos corações das pessoas, que estavam em confusão após a guerra. E, especialmente, pode-se considerar que a maior causa foi este milagre de curar doenças sem depender de medicamentos.
Dr. Braden: Explique-me esse milagre.
Meishu-Sama: A causa da doença é uma só: são as nuvens espirituais. Os sintomas que aparecem no corpo são variados, mas, como a causa é uma só em todos os casos, a cura se dá pela purificação do espírito. No entanto, isso deve ser difícil de compreender facilmente para pessoas formadas no conhecimento materialista. É como tentar fazer uma criança do ensino fundamental entender uma aula de universidade. Temos diversas publicações que editamos, por isso gostaria que lesse com atenção.
Dr. Braden: O que o senhor pensa a respeito de ser o Messias?
Meishu-Sama: Acredito que recebi a ordem divina para realizar a obra do Messias, mas, como ainda não é o momento, estou mantendo isso em tom vago.
Dr. Braden: O que pensa da Ciência Cristã?
Meishu-Sama: A Ciência Cristã é uma religião do tipo "autopoder", que cura doenças através do próprio pensamento; já a Igreja Messiânica Mundial cura doenças tanto para quem acredita quanto para quem duvida, e, nesse ponto, pode-se dizer que é uma religião de "outro poder" completa. Cristo também curava doenças, mas eu não apenas curo doenças pessoalmente, como também posso conceder esse poder a muitas pessoas. As pessoas que estão aqui reunidas (apontando para os mais de trinta líderes ali presentes) todas receberam esse poder. Se eu estivesse mentindo, essas pessoas deixariam de acreditar em mim.
Gostaria ainda de dizer que a civilização até agora foi uma civilização material, cujo centro são os Estados Unidos. A civilização do Oriente é uma civilização espiritual, e o Japão é o seu centro. Portanto, essas duas civilizações precisam se fundir. A forma resultante da união dessas duas civilizações — a civilização vertical e a civilização horizontal — é a cruz, e é aí que reside o significado da cruz. E agora é exatamente o momento para isso; de fato, a Vontade Divina reside no ponto em que os Estados Unidos e o Japão se unem.
Dr. Braden: Ouvi palavras muito interessantes. Sinto também uma total simpatia.
Meishu-Sama: Estou também muito satisfeito. O fato de estar conversando com o senhor aqui e agora já possui um profundo significado.
Dr. Braden: Gostaria de ouvir sua opinião sobre o comunismo.
Meishu-Sama: A essência do comunismo é contrária ao amor à humanidade. Pensar apenas em uma classe especial é ir contra o grande amor de Deus, o amor igualitário. É o mesmo tipo de pensamento parcial daqueles que, durante a guerra, pregavam o Hakkō Ichiu; portanto, certamente desaparecerá diante do poder divino. Para mim, que creio em Deus, isso não é problema.
Dr. Braden: Há comunistas entre os seus fiéis?
Meishu-Sama: Não há comunistas entre os fiéis, mas há pessoas que eram comunistas e que, ao testemunharem o milagre, passaram a crer em Deus e se tornaram fiéis. Se a pessoa crê em Deus, deixa de ser comunista.
Dr. Braden: Já disseram que a sua congregação tramava alguma conspiração?
Meishu-Sama: Antes do fim da guerra havia quem espalhasse esse boato, mas depois da guerra não há mais esse tipo de boato.
Dr. Braden: O que o senhor pensa sobre o projeto de lei para prevenção de atividades destrutivas, atualmente apresentado ao parlamento japonês?
Meishu-Sama: Acho que é inevitável prevenir atos violentos. Os comunistas, embora sejam japoneses, ajudam a União Soviética; são como soviéticos disfarçados de japoneses. Não deveria existir um japonês assim e, além disso, eles tentam fazer uma revolução através da violência; acho necessário, portanto, um projeto de lei para prevenir isso.
Dr. Braden: Não há o receio de que essa lei afete a sua congregação?
Meishu-Sama: Isso é uma questão de administração, mas, se a democracia se desenvolver, acredito que não haverá uso indevido desta lei. De qualquer forma, controlar aqueles que tentam destruir a sociedade pela violência é uma questão prioritária; portanto, deve ser necessário.
Dr. Braden: Não seria possível que os comunistas tomassem o poder no Japão?
Meishu-Sama: De forma alguma. Não creio que o Japão tenha uma cultura tão baixa assim.
Dr. Braden: Há pessoas no mundo que temem o comunismo. Até mesmo entre os americanos.
Meishu-Sama: É fato que o comunismo representa, até certo ponto, uma ameaça para os diversos países do mundo. Para prevenir essa ameaça, leis de prevenção são necessárias, assim como um certo nível de armamento também é necessário, e também é necessário mostrar claramente a existência de Deus.
Dr. Braden: Por favor, diga isso também ao presidente Truman.
Meishu-Sama: Tenho muitas publicações; leve-as com o senhor e entregue-as pessoalmente ao presidente.
Dr. Braden: Infelizmente, meu retorno da viagem mundial será apenas na primavera do ano que vem. Nessa época, talvez o presidente Truman não esteja mais em seu cargo.
Meishu-Sama: Ah, é mesmo? Então tratarei de enviá-las diretamente e o quanto antes, por meus próprios meios.
Dr. Braden: Muito obrigado por hoje, por ouvir tantas conversas proveitosas. Até logo.
Meishu-Sama: Que possa concluir com segurança sua pesquisa sobre as religiões dos diversos países do mundo. Até logo.
Sobre o Jardim Divino da Terra Divina
Eikō nº 122, publicado em 19 de setembro do ano 26 da Era Showa (1951)
Este jardim divino em Hakone Gōra, que venho construindo há cinco anos, está quase oitenta por cento concluído.
Mesmo assim, não só não fica devendo nada aos famosos jardins antigos existentes em várias partes do Japão, como, embora possa parecer presunçoso dizê-lo, acredito que haja uma diferença notável.
É verdade que existem muitos jardins famosos, cada um com suas características distintas e admiráveis, mas, no geral, não se vê tanta originalidade assim em nenhum deles.
Esta Terra Divina, porém, como se vê, é completamente diferente.
Para começar, há uma quantidade surpreendentemente abundante de rochas e pedras naturais raras e extraordinárias.
Assim, seguindo as revelações divinas, enquanto fazia a disposição de cada uma e as composições rochosas, rompi com as convenções dos jardins antigos, não me prendi a modelos, e o construí com uma forma totalmente nova.
Também selecionei diversos tipos de árvores para que correspondessem a isso, harmonizando-as bem.
Nas cachoeiras e nos riachos, por sua vez, extraí ao máximo o sabor natural, unindo a beleza da paisagem montanhosa e aquática à beleza do jardim, buscando expressar plenamente a grandeza e a excelência da arte natural.
Nem é preciso dizer que o objetivo é, através dos olhos de quem o observa, extrair a concepção de beleza inerente ao ser humano, elevar naturalmente o caráter e lavar as impurezas da alma.
Por essa razão, naturalmente, a combinação das rochas, assim como as árvores, as gramíneas e tudo o mais, foi escolhida com todo o cuidado, tratando cada uma com carinho, exatamente como se estivesse pintando um quadro com materiais naturais.
Gostaria, por isso, que as pessoas o olhassem com essa intenção.
Acredito que, quer se veja de perto, quer de longe, quer se observe parcialmente, quer se contemple o conjunto, de qualquer ângulo que se veja, cada um tem seu próprio sabor.
Além disso, com o passar dos anos, vários tipos de musgo característicos de Hakone, pequenas ervas desconhecidas, flores miúdas e graciosas, árvores que brotam como em um bonsai, aparecem nas reentrâncias das rochas, cada uma tentando atrair o olhar das pessoas.
Ultimamente, o jardim inteiro adquiriu pátina e se acalmou, tornando-se tão bom que é de se ficar admirado.
Eu mesmo, muitas vezes, sinto dificuldade em me despedir dele.
Nos dias de muita água após a chuva, além disso, é como se estivesse observando de cima um riacho de montanha profunda; o murmúrio da água correndo sobre as pedras, os respingos brancos que se espalham ao se quebrar e, enquanto ela serpenteia com um som suave, há duas cachoeiras nos pontos onde cai, e a alma é arrebatada por essa paisagem.
Destas duas cachoeiras, a da direita, a Cachoeira da Cabeça do Dragão, que cai em cascatas, também é bela, mas, observando a da esquerda, a água se quebra em várias linhas e se espalha, e vem à mente a imagem de uma andorinha-das-rochas que, naquele instante, passa raspando rapidamente.
A harmonia entre a natureza e o artifício humano está realmente bem expressa, e fiquei satisfeito com este resultado, que superou as expectativas.
Ao contemplá-la, tem-se a sensação de estar num vale profundo de uma montanha remota, e também de estar diante de uma pintura famosa.
Geralmente, quando se fala de uma cachoeira feita pelo homem, infelizmente um gosto vulgar a atrapalha, mas esta não tem absolutamente nenhum desses traços, sendo natural até o fim.
As cores das folhas de outono que brilham refletidas na cachoeira, as cores de cada árvore, os arbustos densamente plantados, tudo faz sentir-se como se estivesse numa montanha profunda.
Deixando de lado por enquanto o jardim já praticamente concluído, pensei em transformar também, em seguida, o amplo terreno baldio que corresponde ao lado dos fundos, próximo ao parque, num jardim muito diferente, e comecei a prepará-lo.
Este também é um projeto tão raro que é difícil imaginar, e provavelmente, quando estiver concluído, todos exclamarão "Ah!".
Escrevi acima o que me veio à mente, mas acho que muitos pensarão que é uma vaidade extrema elogiar, sem qualquer cerimônia, o que eu mesmo fiz.
Do ponto de vista das pessoas comuns, não deve parecer diferente, mas, afinal, foi Deus quem o criou através de mim; portanto, se é a técnica de Deus, ou seja, uma técnica divina, mesmo que eu a louve, não deve haver problema algum.
Isso porque acaba por engrandecer a Deus, e acho que é antes algo bom.
A esse respeito, outro dia, o Sr. William W. Schudler, professor de geografia de uma certa escola secundária dos Estados Unidos, veio visitá-lo.
De seu ponto de vista especializado, elogiou-o entusiasticamente, dizendo que, mesmo tendo visto jardins em todo o mundo, ainda não havia visto algo tão raro e artístico, e que provavelmente se poderia dizer que é o melhor do mundo.
Em seguida, finalmente, o último a ser construído é o museu de arte.
A previsão é que fique pronto até o verão do ano que vem.
Uma vez concluído, o Jardim Divino da Terra Divina certamente brilhará com ainda mais esplendor.
Quanto às obras de arte a serem exibidas, embora eu tenha algumas poucas de minha propriedade, já pesquisei a maioria dos objetos de classe de tesouro nacional que estão em museus, em museus de arte de várias regiões, em coleções particulares e em templos, e as comunicações estão sendo estabelecidas gradualmente.
Certamente se tornará um museu de arte que não ficará devendo nada a nenhum outro.
Além disso, minha política é incluir poucas peças históricas ou arqueológicas; pretendo selecionar e expor apenas obras-primas de grandes mestres renomados de cada época, do Oriente, sejam novas ou antigas, do ponto de vista místico e estético.
A razão é que, independentemente de a pessoa ter ou não discernimento, a menos que seja algo que toque e encante a todos que a vejam com sua beleza, o museu de arte não cumprirá seu propósito.
Naturalmente, desde o projeto arquitetônico até os equipamentos e a decoração do interior deste museu de arte, tudo será feito por mim, conforme as revelações divinas.
Quando estiver concluído, portanto, certamente mostrará um efeito diferente.
Dessa forma, a Terra Divina estará praticamente completa.
Quando esse dia chegar, a Obra Divina entrará numa fase de desenvolvimento absoluto.
Não só isso: é claro que a construção do lado de Atami também entrará numa ordem de construção revolucionária.
Deus sempre age com toda a ordem, e esta é a verdade.
A Ilha de Hōrai
Eikō nº 106, publicado em 30 de maio do ano 26 da Era Showa (1951)
Sempre pensei que o Japão é, de fato, um país excelente quando observado sob a perspectiva da paz e da cultura.
Gostaria de escrever um pouco sobre algo que notei a esse respeito.
Gosto de obras de arte e, desde jovem, sempre que tinha oportunidade, dediquei minha atenção a essa área, dentro dos limites que as circunstâncias permitiam.
Ainda hoje vejo, aprecio e estudo essas obras, mas o surpreendente é que se pode dizer que quase todos os tipos de obras de arte do mundo abundam no Japão.
Dentre elas, o que quero destacar especialmente é que uma grande quantidade de obras de arte chinesas foi colecionada.
Isso se deve ao fato de que, desde tempos antigos, os poderosos apreciadores de arte de cada época as colecionaram, e elas foram bem preservadas até os dias de hoje.
Trata-se de uma realização que não se pode ignorar.
Acima de tudo, o fato de terem sido protegidas de danos e dispersão por um longo período e terem sido bem tratadas parece remontar ao período Fujiwara.
Somam-se a isso as obras primorosas deixadas por artistas famosos e mestres nascidos no Japão.
Ademais, do final do período Edo até mesmo após o início da Era Meiji, muitas obras célebres e obras-primas foram criadas e, como os clãs poderosos e os ricos competiam entre si para colecioná-las, o Japão reúne e possui em abundância obras de arte antigas e modernas, obras famosas da China e da Coreia, além de uma quantidade considerável de obras ocidentais.
Pode-se dizer que este é um país sem igual no mundo.
O Japão é, verdadeiramente, um museu de arte mundial.
A propósito, o que dizer da China, país de origem?
Devido a guerras e conflitos incessantes, as obras de arte foram destruídas e queimadas. Das pinturas antigas, quase nada restou. Apenas alguns objetos de bronze, cerâmica e porcelana sobreviveram, chamados de "objetos do subsolo", pois foram preservados por terem ficado enterrados durante muito tempo. Embora houvesse uma quantidade considerável, desde algumas décadas atrás os ricos e intelectuais da Inglaterra e dos Estados Unidos voltaram sua atenção para eles e os compraram avidamente, de modo que hoje quase não existem mais. Atualmente há uma quantidade considerável no Museu de Londres1 (doação do rico inglês Sr. George Eumorfopoulos2) e em museus de arte de Boston, Washington etc., nos Estados Unidos. Vi fotografias: ambos os locais possuem quase exclusivamente objetos de bronze, cerâmica e porcelana, naturalmente apenas os de excelente qualidade. No que diz respeito a pinturas, porém, não há obras antigas; há apenas algumas poucas da era moderna. No Japão, por outro lado, a quantidade de objetos de bronze, cerâmica, porcelana e pinturas da China e da Coreia é incalculável. Contudo, como estão dispersos por todo o país e não reunidos em um só local como na Inglaterra e nos Estados Unidos, não é possível vê-los. É o que se chama de "tesouro acumulado sem uso".
É verdade que no Japão também existem alguns museus e algumas galerias de arte particulares, mas tenho a sensação de que são realmente insatisfatórios. O museu principal é voltado sobretudo para objetos históricos e arqueológicos, e as galerias de arte particulares, com a devida licença, tendem a ser de escala pequena demais.
Deixando de lado por enquanto o aspecto das artes, gostaria de escrever sobre outro ponto importante, que não é outro senão a longevidade dos seres humanos. Sem falar do período anterior ao Imperador Jinmu, mesmo após essa época é possível constatar, por meio de documentos históricos, que as pessoas comuns mantinham uma longevidade superior a cem anos. Se assim era, certamente não havia doenças. Isso provavelmente se devia também ao fato de não existirem medicamentos. O famoso Primeiro Imperador Qin, Shihuang, ordenou a seu súdito Xu Fu que fosse ao Mar do Leste, onde havia uma ilha chamada Penglai. Dizia-se que os habitantes daquela ilha eram extremamente longevos, então certamente deveria haver um bom medicamento. Ele ordenou que Xu Fu fosse investigar e trouxesse o remédio, e assim Xu Fu veio de longe até o Japão. No entanto, ao desembarcar no Japão, por mais que procurasse, não encontrou tal medicamento. Decepcionado, não pôde retornar ao seu país e permaneceu no Japão, onde terminou seus dias.
Ainda hoje seu túmulo existe em Kumano, o que comprova a veracidade dessa história. Escrevi de forma resumida acima, mas, se todo o povo se tornar livre de doenças, puder manter uma longevidade superior a cem anos, houver abundância de obras de arte do mundo inteiro e o país for rico em belezas naturais de paisagens e montanhas, o que mais seria isso senão a Ilha Penglai do Mar do Leste? No entanto, é ainda muito cedo para se alegrar, pois é somente quando, além disso, não houver criminosos, for possível a autossuficiência alimentar e não houver mais preocupação com guerras, que se poderá, pela primeira vez, chamá-la de verdadeira Ilha Penglai. Mas isso não é algo difícil. Quando a nossa Igreja se tornar amplamente conhecida pela maioria dos japoneses, isso se realizará sem dúvida. Quão grata não é esta religião!
*1 (Museu de Londres) Refere-se ao Museu Britânico.
*2 (Sr. George Eumorfopoulos) Mr. George Eumorfopoulos.
Sobre a Arte da Velocidade e Picasso
Eikō nº 140, publicado em 23 de janeiro do ano 27 da Era Showa (1952)
Ao comparar e examinar, em primeiro lugar, a arte do Oriente e do Ocidente, percebe-se claramente que a ocidental é dinâmica, enquanto a oriental é estática.
Na música, por exemplo, a ocidental é fundamentalmente dinâmica e veloz, incitando o ouvinte a sentir-se exaltado e revigorado, incapaz de ficar parado. Já a oriental traz uma sensação de calma e serenidade. O mesmo se aplica à dança; a dança japonesa, por exemplo, é mais sobre "dançar" (mau) do que "saltar" (odoru), sendo extremamente serena. Em contraste, a dança ocidental é dinâmica, e acredito que o jazz seja a sua expressão máxima. O mesmo ocorre na pintura. A diferença fundamental entre a pintura e a música ou a dança, no entanto, é que, embora a pintura tente expressar o movimento, é difícil fazê-lo por ser um método estático, o que gera uma contradição.
A pintura ocidental moderna, contudo, nasceu do desejo de romper com isso e criar uma nova tendência. Até então, a pintura retratava os objetos estáticos exatamente como eram vistos, ou, mesmo quando representava algo em movimento, o fazia de forma estática. Considerando que essa concepção não era verdadeira, surgiram aquelas pinturas bizarras cujo grande mestre é Picasso. Compreendendo esse significado, ao observar as pinturas deles, será possível entendê-las em linhas gerais.
Ou seja, elas expressam a sensação instantânea recebida de um objeto em movimento. Nesse caso, como mencionado, há duas formas: uma é quando se observa realisticamente o movimento do objeto; a outra é quando, mesmo com o objeto parado, o próprio pintor que o observa capta a sensação do momento de seu próprio movimento. O observador, portanto, também precisa discernir isso com precisão, o que é bastante difícil. Em suma, trata-se da velocidade do movimento do objeto observado e da velocidade do movimento do pintor que observa a quietude do objeto. Dito assim parece muito complicado, mas, de qualquer forma, basta pensar nisso como uma sensação de velocidade. É por isso que os rostos se sobrepõem, se distorcem, ou o rosto é pequeno e o corpo é desproporcionalmente grande. O emaranhado de linhas geométricas, além disso, é a sensação de velocidade em relação a um edifício, e a dança caótica de cores sem nexo é a sensação instantânea de um campo de flores ou das roupas de uma mulher. Se observarmos com esse entendimento, portanto, não é que não se compreenda até certo ponto, mas, falando francamente, acho que seria melhor anexar um manual de instruções do que foi desenhado. Caso contrário, o observador apenas terá seu cérebro confundido em vão. Como as pessoas vão às exposições para se divertir e apreciar, se isso se tornar um sofrimento, certamente terão que pensar seriamente sobre o assunto.
Acredito que, com o que foi escrito até aqui, vocês tenham compreendido em linhas gerais. Tenho, no entanto, uma queixa a fazer aos pintores, como observador. Quando nos deparamos com uma pintura, é essencial que possamos entender imediatamente o que está sendo retratado para captar a intenção do autor e nos divertirmos. Essa deve ser a essência da arte. No entanto, diante de uma pintura picassiana, somos forçados a pensar se o autor mirou em algo, o que tentou desenhar — não chega a ser como o jogo do "Vinte Portas"*, mas temos que considerar se é um animal, uma planta ou um mineral. Isso exige um tempo penoso. Isso, dessa forma, não é arte, mas apenas uma espécie de enigma. Seria bom se, por acaso, recebêssemos uma palavra de resposta do autor, mas provavelmente não haverá ninguém que faça isso. Eu mesmo, depois de observar algumas telas, sinto tontura, e fico com medo de pensar no que aconteceria se visse todas.
Dito isso, pode ser uma afirmação extrema, mas o espectador é uma espécie de vítima. De fato, o próprio pintor se sente muito bem e impõe sua visão subjetiva, mas quem fica com a pior parte é o espectador, forçado a comprá-la.
Quase diria: "Ó pobre coitado, teu nome é espectador de exposição". Isso se deve à forma de pensar dos artistas modernos, que ignoram a observação realista e se orgulham de se tornarem o que sempre chamo de "fantasmas da visão subjetiva". Como podem ver, escrevi de forma bastante ousada, mas isso pode ser também uma imposição da minha própria individualidade, ou talvez uma compensação por essa imposição.
Permitam-me, então, escrever um pouco sobre minha opinião a respeito da pintura. A pintura é, sem dúvida, algo fundamental para as artes em geral. Se possui essa importância, ela deve transmitir diretamente a sensação de beleza. Ou seja, ao nos depararmos com uma boa obra, é essencial sermos fascinados e embriagados pela beleza à vontade. Esse é o verdadeiro valor da pintura e um excelente patrimônio cultural. Se assim for, para que mais existiria uma exposição senão para isso?
Gostaria de acrescentar mais um ponto: o significado da existência da própria pintura, seja do passado ou do presente, do Oriente ou do Ocidente, não deve ser algo que apenas especialistas com olhos especiais possam apreciar. A universalidade que permite que qualquer pessoa se divirta é a essência da arte. Nem é preciso dizer, portanto, que a pintura ocidental atual não deve ser tão egocêntrica. Se ela se degenerar em uma música jazz que apenas segue modas passageiras, mais cedo ou mais tarde estará fadada à autodestruição. É claro que, sendo a pintura um alimento espiritual que os humanos absorvem pelos olhos, deve-se oferecer algo saboroso em vez de algo insípido, e essa é a consciência do pintor.
* (Vinte Portas) Programa de entretenimento transmitido pela NHK (exibido de 1947 a 1960).
💬 Contribua com a tradução
Encontrou algo estranho ou que pode ser melhorado? Selecione o trecho no texto (ou escreva abaixo) e envie sua observação. A equipe Goshinsho analisará cada indicação. Para enviar, será necessário fazer login.