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Nova Violência

1951-08-05

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Nova Violência Este registro é o relato das experiências que vivenciei entre o dia 8 de maio e o dia 12 de julho de 1950, quando houve uma pausa no processo. Não tenho a menor intenção de usá-lo para conduzir favoravelmente o julgamento a que atualmente respondo. Peguei na pena apenas porque, se não escrevesse depressa, correria o risco de perder a memória dos fatos. Este episódio foi, para mim, uma experiência extremamente valiosa. Sinto profundamente que qualquer pessoa que viva na sociedade moderna precisa estar plenamente consciente de que pode sofrer calamidades imprevistas por causa de um pequeno descuido, um equívoco ou o desconhecimento da lei. Foi por isso que escrevi este relato, movido pelo desejo, quase maternal, de informar o maior número possível de pessoas. E o que peço às autoridades é que, através deste manuscrito, percebam que ainda há inúmeros desafios a superar também na área da administração judicial, para que o Japão se torne verdadeiramente democrático — este é o meu anseio incessante. As investigações policiais e do Ministério Público a que fui submetido durante os vinte e dois dias desta ocasião foram de um caráter tão antidemocrático que chega a ser inimaginável, e tudo indica que o público em geral quase não tem conhecimento disso. Se tamanhas irracionalidades continuarem sendo permitidas, quantas pessoas inocentes serão prejudicadas e sofrerão adversidades no futuro? Seria incalculável. Nós, que tomamos conhecimento deste fato, não podemos deixar de salvá-las, custe o que custar. Por mais perfeita que seja a Constituição estabelecida, se a sua aplicação não a acompanhar, a liberdade e a democracia tão arduamente conquistadas acabarão sendo pisoteadas na lama. Penso que, se não houver um grande despertar o quanto antes, não conseguirei conter minha apreensão. Por isso, publico este relato de forma nua e crua. Não somos especialistas em direito, mas acredito que o princípio fundamental da lei é encorajar o bem e punir o mal, criar uma sociedade melhor e realizar a maior felicidade do maior número de pessoas. Essa deve ser a crença básica. No entanto, segundo a conclusão a que cheguei através da experiência vívida e direta deste episódio, os fatos são extremamente contrários a esse objetivo. Como é do conhecimento de todos, sou um religioso, mas não é preciso dizer que o propósito original da religião também é realizar uma sociedade humana melhor, encorajar o bem e punir o mal, e criar um mundo ideal. Portanto, por mais que nos dediquemos à propagação da religião e almejemos uma sociedade democrática e liberal, se os responsáveis pela administração da lei não tiverem essa compreensão, desejo despertá-los para essa realidade, na esperança de que, sob um entendimento correto, possam alcançar o objetivo pretendido. Se este registro puder servir, ainda que minimamente, como material para isso, será uma felicidade sem igual. Dito isto, refletindo bem, também nós não podemos deixar de nos sentir tomados por um intenso sentimento de autocrítica diante deste episódio — por quão negligente e desleixada foi a nossa administração até hoje, e por quão insuficiente foi a nossa supervisão. Se este incidente não tivesse ocorrido, talvez, inconscientemente, tivéssemos semeado inúmeras sementes de desgraça. Por isso, penso que uma grande calamidade foi resolvida como uma pequena calamidade. Acredito sinceramente que Deus se utilizou das mãos das autoridades para nos conceder a graça de uma grande purificação. Refletindo profundamente, este grande sofrimento não é senão o chicote do amor de Deus, e sinto apenas gratidão e comoção. Ofereço também minha mais profunda gratidão às autoridades que suportaram o fardo de desempenhar o papel desse chicote, pelo seu trabalho árduo. O título deste livro foi definido como "Manuscrito das Provações da Lei", mas, sendo realista, talvez não seja o mais apropriado. Digo isto porque, quer se trate de Cristo, de Nichiren, Honen, Shinran, ou, mais recentemente, da fundadora da Igreja Tenrikyo, embora esses fundadores tenham vivido numa época em que não existiam leis como as atuais, a expressão "provações da lei" costuma ser usada para eles. No entanto, o sentido desta "lei" provavelmente não é o da lei jurídica atual, mas uma palavra de origem budista. Isto porque, no início, o budismo era chamado de "Lei de Buda" e, com o tempo, passou a ser designado simplesmente "budismo". Nesse sentido, o caso de Cristo, por exemplo, não deveria ser chamado de "provação da lei", mas sim de "paixão". Além disso, como o meu caso não teve nenhuma relação com questões religiosas, sendo essencialmente um simples problema de sonegação fiscal, seria mais adequado chamá-lo não de "provação da lei", mas de "provação jurídica". É uma história à parte, mas diz-se que a fundadora da Igreja Tenrikyo, Miki Nakayama, foi presa mais de dez vezes. Ainda assim, o fato de a Igreja Tenrikyo ter chegado à prosperidade atual mostra que, para a religião, as provações da lei são algo inerente. Por mais que as autoridades exerçam pressão, se algo tem valor verdadeiro, nunca sucumbirá e, um dia, será reconhecido pela sociedade. Há ainda outro ponto importante sobre o propósito deste livro. Como é do conhecimento de todos, quando este episódio ocorreu, a maioria dos jornais o noticiou em grande escala, como um furo jornalístico. No entanto, ao ler essas reportagens, percebi que havia muitas informações absurdas. Preocupado com o grave erro que isso poderia causar à sociedade, considerei necessário fazer uma explicação preliminar. Nós, como religiosos, já que nos dedicamos à sagrada obra da Salvação da Humanidade, corporificando a Vontade Divina, acreditamos que expor a verdade nesta ocasião e dissipar as nuvens escuras do mal-entendido é a medida urgente a ser tomada. Por isso, escrevo este relato. Nesse sentido, espero incessantemente que a nossa sinceridade seja compreendida, que a verdadeira natureza das chamadas "provações da lei" seja apreendida, e que se faça uma crítica justa. Agosto de 1950

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