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Coleção Jikan Volume 10 Método de Saúde por Revelação Divina

1950-04-20

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Coleção Jikan Volume 10 Método de Saúde por Revelação Divina Prefácio Há mais de vinte anos venho me dedicando à sagrada obra de salvar a humanidade. Não foi algo que eu tenha iniciado ou planejado conscientemente: foi Deus quem me escolheu, a mim, um simples ser humano, revelou-me os erros, as injustiças e a ignorância que permeiam todos os aspectos da cultura e incumbiu-me de corrigi-los. Por mais que a cultura moderna tenha alcançado um progresso surpreendente e brilhe com esplendor deslumbrante, é preciso dizer que, no que toca à saúde — a maior causa da infelicidade humana —, não há diferença alguma em relação aos tempos antigos. Na verdade, a situação chegou a piorar. E, além de ninguém levantar dúvidas a respeito, caiu-se no erro de crer que houve progresso. Eis aí, de fato, um grande problema. Vejam: tuberculose, doenças infecciosas, debilidade infantil, doenças mentais, paralisia infantil, parasitoses, neurastenia e assim por diante — todas continuam a se alastrar. Os tipos de doença tendem a aumentar a cada ano, e faltam hospitais. Onde está, afinal, o progresso da medicina? Se o número de doenças diminuísse ano a ano, se os hospitais passassem por dificuldades financeiras pela queda no número de internados e se a venda de medicamentos fosse minguando, isso sim seria sinal de que a medicina progride de verdade. Nada disso, porém, se observa: o que se vê é justamente o inverso, prova de que o suposto progresso não passa de ilusão. E, a par disso, cresce o número de pessoas de saúde precária, sem qualquer sinal de reversão. Pensando bem em tudo isso, o progresso da medicina é, na verdade, superficial e periférico. Deixamo-nos iludir apenas pela beleza de sua aparência externa e, como já dito, estamos a milhares de quilômetros de sua essência. Há na medicina, aliás, o termo "terapia sintomática" — métodos como o gelo para baixar a febre, os anestésicos para aliviar a dor por algum tempo, a cirurgia para remover órgãos doentes. Todos esses são apenas paliativos, e a verdadeira causa da doença permanece completamente desconhecida. A nosso ver, qualquer doença, por menor que seja, tem uma causa, e descobri-la deveria ser a verdadeira função da medicina. Como nunca se chegou a ela, porém, os médicos se veem forçados a recorrer a métodos bárbaros, como a remoção de órgãos doentes. Ora, isso não é terapia — é apenas um alívio temporário da dor. O verdadeiro método médico, portanto, é aquele que não danifica em nada os órgãos dados por Deus, preserva-os em sua forma original e remove somente a doença em si. Pois bem: essa verdadeira terapia, que até então parecia um sonho, não só consegui descobri-la, como também venho obtendo com ela resultados concretos e cada vez mais expressivos. Este livro, nesse sentido, expõe e ensina o verdadeiro método de saúde, fundado, naturalmente, na revelação divina. 20 de março de 1950 (Showa 25) Autor O Erro da Medicina Em primeiro lugar, ao tratar de saúde é evidente que se precisa compreender a verdadeira natureza da doença. A interpretação que a medicina moderna faz dela, porém, incorreu num erro surpreendentemente grande — e a maior prova disso é que, a despeito de todo o seu progresso, ainda não determinou a causa do resfriado comum. Partindo desse fato, explicarei em detalhe: a causa original daquilo a que chamamos doença é, na verdade, uma função fisiológica natural, e esse princípio vale para todas as coisas. Em tudo no universo, tanto no mundo material quanto no espiritual, a sujeira inevitavelmente se acumula e, em proporção direta a ela, ocorre uma atividade natural de purificação — princípio que não varia em nada. Em grande escala, quando a sujeira se acumula entre o céu e a terra, surgem as tempestades, que varrem com o vento, lavam com a chuva e secam com o sol; em pequena escala, quando a poeira se acumula dentro de uma casa, usa-se o espanador, varre-se com a vassoura, joga-se o lixo no depósito, junta-s O mesmo se passa com o corpo humano: por alguma causa, a sujeira sempre se acumula, tanto no espírito quanto no corpo, e contra ela ocorre então um processo natural de purificação. Isso é a doença. A prova maior está na febre que acompanha a purificação — as toxinas acumuladas se solidificam com o passar do tempo, e a febre é o calor necessário para dissolver essa solidificação. Dissolvida, torna-se líquida e é excretada do corpo pelo catarro, pela secreção nasal, pelo suor, pela urina, pela diarreia etc. Tal processo, porém, vem acompanhado de sofrimento, e foi a esse sofrimento que se deu o nome de "doença". Ora, se é por meio dela que o corpo se purifica e a saúde aumenta, a doença é uma função fisiológica natural voltada à promoção da saúde — nada há de mais benéfico. É preciso dizer que ela é a maior das bênçãos de Deus. Como esse sentido nunca foi compreendido, a medicina moderna nasceu de uma interpretação oposta à verdade. Não só caiu num erro inimaginável, como espanta que em tanto tempo não o tenha percebido. Quando penso em quantas centenas de milhões de preciosos espíritos de pessoas vivas foram sacrificados por isso, não posso deixar de ficar profundamente consternado. Partida de um erro assim, é natural que, quanto mais avance, mais a medicina se aprofunde no caminho errado e mais se distancie do caminho correto. Acima de tudo, a discrepância entre a patologia e a realidade é enorme. Iludidas, as pessoas imaginam que a solução está em fazer a medicina avançar ainda mais, e por isso se esforçam e pesquisam cada vez mais — eis um grande problema. Ah, que tragédia! Diante dessa realidade, se esse erro não tivesse sido descoberto, para onde iria a humanidade no futuro? É algo realmente difícil de prever. Passemos agora a expor essa teoria em ordem. (Nota) "Utata" significa "cada vez mais", "ainda mais". Refere-se a uma situação em que o grau avança de forma excessiva, tornando-se diferente do normal. A Verdade da Saúde Ao falar de saúde, a primeira coisa a ter em mente é que sua verdadeira essência está na adaptação e no respeito à natureza. Cabe considerar, antes de tudo, qual o propósito do Criador de todas as coisas — Deus — ao criar os seres humanos. Segundo a nossa interpretação, é criar um mundo perfeito da Verdade, do Bem e do Belo. Teoria tão ousada, reconheço, não se aceita de imediato; e é claro que não se sabe se esse mundo ideal levará dezenas de milhares, centenas de milhares ou milhões de anos para ser alcançado. Mas os fatos inegáveis do passado mostram que o mundo vem progredindo e melhorando passo a passo nessa direção — o que não se pode negar. Deus é o espírito, e os humanos são o corpo; juntos, ambos alcançam um progresso infinito, e nem é preciso dizer que os humanos existem como os responsáveis por essa obra. A responsabilidade dos humanos é, pois, realmente grande, e a condição mais importante para cumpri-la é a saúde humana. Natural, portanto, que Deus tenha dado a cada ser humano uma missão e a saúde suficiente para levá-la a cabo: prejudicada a saúde, o propósito de Deus não poderia ser alcançado. Pensando com profundidade a partir deste Caminho Perfeito, a saúde há de ser o estado original e normal do ser humano. Estranhamente, no entanto, os seres humanos são acometidos por doenças com facilidade — ou seja, tornam-se um corpo anormal. Assim, uma vez esclarecida a causa fundamental disso, restaurar o corpo anormal ao seu estado normal está de acordo com o propósito de Deus. Que se descobre, então, ao examinar a anormalização do corpo humano? Sobretudo isto: que ela decorre de ir contra a natureza. Compreender a realidade dessa antinatureza, corrigi-la e restaurar o estado normal é a verdadeira medicina; e a possibilidade dessa restauração é a forma verdadeira da medicina correta. Explicarei em detalhe, pois, o que vem a ser essa antinatureza. Quando um ser humano nasce nesta terra, alimenta-se primeiro de leite humano ou animal, pois os dentes ainda não nasceram e o sistema digestivo, recém-formado, é frágil. Aos poucos, à medida que a dentição se completa e as funções internas do corpo amadurecem, passa a ingerir os alimentos adequados a essa fase. Há, além disso, alimentos de toda espécie, cada um com seu sabor peculiar, e o paladar foi dado ao corpo humano justamente para que se pudesse comer com prazer; também o ar, o fogo e a água existem na medida necessária à saúde humana. Tudo é realmente perfeito. No corpo humano, a razão, a memória e as emoções nascem do cérebro; as mãos constroem coisas, os pés movem o corpo livremente; cabelos, pele, unhas, olhos, nariz, boca, ouvidos — tudo o que é necessário está perfeitamente presente. O rosto e o corpo inteiro são revestidos pela pele, cada um exibindo sua própria beleza. E isso é apenas o que salta à primeira vista: examinado de perto, é uma maravilha da criação que as palavras não alcançam. De uma única flor, de uma única folha, da beleza das montanhas e dos rios até os pássaros, os animais, os insetos e os peixes, não podemos deixar de nos maravilhar com a esplêndida arte divina. O ser humano, em especial, é uma obra-prima do Criador de todas as coisas, e a maravilha de sua função reprodutiva, voltada à preservação da espécie, é indescritível. Sendo o corpo humano uma obra tão grandiosa de Deus, devemos medir quão antinaturais são os erros que cometemos ao provocar anomalias como as doenças, que tolhem a atividade humana. Sobre isso os seres humanos devem refletir profundamente. O Ser Humano é um Vaso da Saúde Desde tempos antigos costuma-se dizer que o ser humano é um vaso de doenças; não há, porém, afirmação mais equivocada. Nós a corrigimos, dizendo que o ser humano é um vaso da saúde. Como mencionado no item anterior, ele foi originalmente criado para ser saudável — na realidade, contudo, as doenças se apegam a ele de um modo que não tem solução, e por isso as pessoas se resignaram, tomando-as por destino inevitável. Uma vez adoecido, é claro, ninguém se cura fácil e depressa: às vezes a doença se arrasta por muito tempo, às vezes retorna com frequência, e há quem passe mais tempo doente do que são. Daí só se conseguir pensar no ser humano como um vaso de doenças; e, prolongando-se esse estado, foi provavelmente daí que nasceu a expressão — porque se desconhecia a verdadeira natureza da doença. Não era sem razão que se acreditava não haver como escapar da doença nem do destino da morte; também a resignação de Buda Shakyamuni diante do nascimento, da doença, da velhice e da morte a isso se deve. Fala-se hoje, ainda, em medicina preventiva, mas isso parece apenas um produto do desespero, já que, uma vez que a doença ataca, não é fácil curá-la — pois, se a medicina tivesse a capacidade absoluta de curar doenças, nem se cogitaria a medicina preventiva. Voltando ao assunto principal: explicarei em que consiste a antinatureza que é a causa da doença, como mencionado antes. Em primeiro lugar, quando um ser humano adoece, o único método de que se lança mão são os medicamentos — e nisso está o erro fundamental. Os medicamentos, na medicina oriental, são feitos de raízes, cascas de árvores e ervas; na ocidental, extraem-se de minerais e plantas. Isso já é, em si, fundamentalmente antinatural. Pensem bem: as propriedades desses medicamentos têm, invariavelmente, sabores amargos, desagradáveis, azedos — sabores que o ser humano detesta. O ditado antigo "tomar algo para tirar o gosto do remédio" já diz muito; convém pensar por que são tão difíceis de engolir. Deus está mostrando, com isso, que são venenosos e não devem ser ingeridos. O ópio, usado como anestésico para aliviar a dor, é extraído da flor da papoula, que Deus originalmente criou para alegrar os olhos humanos, nunca para ser ingerida. Também a penicilina, uma das drogas populares mais recentes, tem por matéria-prima o musgo, uma planta — coisas que igualmente não foram criadas para ser levadas à boca humana, mas para embelezar as pedras ou a terra. Por esse mesmo princípio, todos os alimentos e bebidas foram criados para se adequar ao paladar humano; basta comê-los, e isso é o natural. É claro que é um erro julgar o que é ou não nutritivo: todos os alimentos são produzidos para se adequar às pessoas nascidas naquela terra, ainda que haja diferenças conforme o clima e o solo da região. É por isso que os amarelos comem arroz e os brancos, trigo; e o fato de o Japão ser um país insular explica por que ali se come muito peixe, enquanto os povos continentais comem carne — o que também está correto. Pelo mesmo princípio, a dieta vegetariana dos agricultores está de acordo com a natureza, e é por isso que eles suportam o trabalho contínuo, sem descanso, ao longo do dia. A Ciência da Nutrição, que desconhece esse princípio, tenta recentemente fazer com que os agricultores comam peixe e carne; feito isso, porém, sua força de trabalho diminuirá. Os pescadores, ao contrário, por causa da dieta de peixe, não conseguem trabalho contínuo e trabalham de forma intermitente; em compensação, a dieta de peixe aumenta a sensibilidade, o que é adequado à pesca. A natureza é realmente bem feita. Esbocei acima os erros antinaturais dos medicamentos e dos alimentos. Explicarei agora, gradualmente, o princípio fundamental de por que os medicamentos, apesar de tão tóxicos, vêm sendo usados desde os tempos antigos. Saúde Verdadeira e Saúde Aparente Como mencionado antes, a medicina, por ter partido de um erro, desconhece por completo a verdadeira causa das doenças e a essência da saúde; por isso suas explicações patológicas soam apenas forçadas. Na medicina oriental, por exemplo, diz-se que a doença é causada pelo desequilíbrio dos cinco órgãos e seis vísceras; na ocidental, fala-se em "invasão de micróbios". Do nosso ponto de vista, a primeira explicação está errada — se os cinco órgãos e seis vísceras estivessem em desequilíbrio, a força para gerar o processo de purificação nem surgiria, e a doença não ocorreria. Quanto à segunda, há nela alguma verdade, mas a invasão de micróbios não é a única causa da doença; muitas outras nada têm a ver com micróbios. Além disso, se a doença ocorre quando os micróbios invadem, é porque o corpo não é saudável: fosse ele verdadeiramente saudável, mesmo invadido por micróbios não deveria adoecer. Ultimamente as pessoas têm muito medo de micróbios, esforçam-se por preveni-los e recorrem a todo tipo de método — e isso porque há poucas pessoas verdadeiramente saudáveis, e a maioria adoece justamente por causa dessa invasão. Distinguimos, pois, a primeira condição como saúde verdadeira e a segunda como saúde aparente. Explicarei agora por que surge essa diferença. Como mencionado no item anterior, quando ocorre o processo de purificação natural, a medicina, interpretando-o ao contrário, julga bom suprimi-lo ao máximo e recorre a todo tipo de método para isso. Ora, a purificação ocorre justamente porque o ser humano é saudável — num corpo fraco, a força de purificação não se manifesta. É como numa casa: acumulada a poeira, se os moradores estão saudáveis, conseguem limpar; se todos estão doentes, não conseguem. É exatamente a mesma coisa. O processo de purificação, é claro, vem acompanhado de sofrimento, e as pessoas o interpretam erroneamente, temendo-o como início de uma grande doença e tentando interrompê-lo o quanto antes. Para isso é preciso enfraquecer a força de purificação, e, para enfraquecê-la, o corpo precisa tornar-se frágil — daí o uso dos medicamentos. Originalmente não existe medicamento algum: todos são venenos, e os próprios farmacologistas sabem disso muito bem. Ou seja, procura-se primeiro enfraquecer o corpo com veneno; é por isso que as injeções se popularizaram nos últimos tempos — como o veneno é forte, ingerido causaria envenenamento, e por isso é aplicado através da pele. O repouso absoluto, as compressas de gelo, os cataplasmas: tudo isso são métodos de enfraquecimento. A radiação de luz, por sua vez, endurece a concentração de toxinas que começara a se dissolver, tornando-a igual ou pior do que antes. Dessa forma, por meio de todos esses métodos de enfraquecimento, a purificação se torna fraca, as toxinas retornam ao estado de solidificação anterior e a dor desaparece temporariamente. As pessoas confundem isso com a cura da doença, mas a prova de que não é cura está em a doença reaparecer depois de algum tempo — pois, quando a saúde se recupera, o processo de purificação volta a agir sobre as toxinas solidificadas, e então se aplicam de novo os métodos de enfraquecimento. Assim, à medida que se usa a toxina medicamentosa, ela vai se acumulando aos poucos. Explicarei aqui, brevemente, o que é essa toxina medicamentosa. Como já foi dito, se a causa da doença é o processo de purificação das toxinas solidificadas, que são essas toxinas? Surpreendentemente, a maior parte delas é toxina medicamentosa: as toxinas congênitas são a herança dos medicamentos usados por ancestrais e pais, e as adquiridas são os medicamentos introduzidos após o nascimento. À medida que as adquiridas se somam às congênitas, a quantidade de toxinas cresce pouco a pouco, e a pessoa se torna portadora de uma grande quantidade delas, o que provoca uma purificação intensa de uma só vez — tornando-se causa de pneumonia, encefalite, inchaços de todo tipo e demais doenças graves e difíceis. O tratamento médico, no entanto, continua a considerar bom interromper a purificação e aplica métodos de enfraquecimento; e, nesse caso, só surte efeito se o método for muito forte. A própria medicina prova bem esse ponto, no caso dos medicamentos específicos para pneumonia e outras doenças: nessas ocasiões, os médicos dizem que é um remédio muito eficaz, capaz de curar em pouco tempo se tudo correr bem, mas de levar à morte se correr mal. Nem é preciso dizer que, para interromper uma purificação violenta, é necessário um medicamento tão violentamente tóxico que pode custar a vida. Pelo exposto, vocês entenderão que a doença é um processo de purificação e que o tratamento médico é um método de interrompê-la. Em uma palavra, portanto, o tratamento médico é um método que não cura a doença, e o progresso da medicina é o progresso dos métodos que não curam. Por isso os médicos não dizem que curam a doença: dizem que a "solidificam" — o que é revelador. Para solidificar, é claro, usam-se os métodos de enfraquecimento já mencionados: não se esforçar, não pegar resfriado, cuidar-se, dormir o suficiente, usar medicamentos sempre que possível etc. Isso é saúde passiva. Enfraquecida a purificação, a ocorrência de doenças diminui — e a medicina preventiva de hoje é fruto de se confundir isso com um método de saúde. Chamamos, então, de "saúde aparente" a das pessoas de saúde passiva — os intelectuais pálidos de hoje, as crianças de constituição linfática, são seus representantes. Quanto mais fielmente uma pessoa segue a medicina e a higiene atuais, mais tende a esse tipo de saúde aparente; e, quando um micróbio a invade, ela inevitavelmente adoece e corre risco de vida — razão do tanto medo que hoje se tem de micróbios. A Medicina do Espírito Divino que descobrimos é exatamente o contrário: ocorrida a doença, ela torna a purificação mais vigorosa e excreta as impurezas do corpo o mais rápido possível. Por ser, assim, uma cura verdadeira e completa, o resultado é que a saúde aumenta mais do que antes da doença, e a pessoa se torna um corpo saudável que não adoece nem mesmo que os micróbios o invadam. Isso é saúde verdadeira. A maior prova disso é que os que se converteram à nossa Igreja há vários anos não se preocupam mais com micróbios — porque já não há medo de contágio. Essa felicidade não é nada além de uma dádiva de Deus concedida apenas a nós. Vocês entenderão, assim, que a descoberta de uma terapia verdadeira como essa é o princípio fundamental para a salvação da humanidade. Toxina Medicamentosa Como se viu no item anterior, até hoje, sem conhecer o processo de purificação que é a doença, buscou-se apenas solidificá-la — o que significa, evidentemente, fazê-la retornar ao estado anterior à purificação. Aos olhos de quem conhece a verdade, isso é o cúmulo da tolice: a natureza procura eliminar as toxinas, e justamente o esforço para impedi-la foi confundido com um método de cura, sendo, portanto, exatamente o oposto. Assim, a medicina empenhou-se até hoje ao máximo para não deixar as pessoas saudáveis. Por que se caiu em erro tão grande? Porque a purificação vem acompanhada de sofrimento e, quando se usam medicamentos, esse sofrimento se alivia um pouco; pensa-se, então, que a doença foi curada. Em suma, iludidos pelos efeitos temporários, desviaram-se sem perceber do verdadeiro caminho da medicina, até chegar ao estado atual. Não é de admirar que tenham passado a ver nos medicamentos a única solução. Por isso a medicina, que por tanto tempo progrediu centrada neles, não é o verdadeiro caminho médico: como parece curar sem curar, novos medicamentos surgem sem cessar, a ponto de o número de tipos já chegar hoje a centenas ou milhares. O simples fato de continuarem a surgir medicamentos novos até os dias de hoje já prova bem o que foi dito acima. Como a medicina caiu na superstição dos medicamentos, explicar hoje que a causa das doenças são os próprios medicamentos é algo tão inesperado que se torna difícil de acreditar. Uma frase comum entre os doentes crônicos é: "Não importa quanto remédio eu tome ou quantas injeções eu tome, não faz efeito nenhum." Sempre que a ouço, respondo: "É um grande erro dizer que o remédio não faz efeito. Se não fizesse efeito, não haveria motivo para se preocupar. Na verdade, ele faz tanto efeito que chega a fazer efeito demais." Isso não quer dizer que faça bem, mas que faz mal: os medicamentos criam doenças. Se os seres humanos deixassem de usá-los, as doenças desapareceriam. Sendo assim, não há na história da humanidade algo tão inesperado nem problema tão grave. Por isso acredito que dar a conhecer a toxina medicamentosa é o primeiro passo para a salvação da humanidade, e é isso que explico exaustivamente aqui. Não existe, portanto, medicamento algum neste planeta: todos são venenos. Quanto mais eficaz um medicamento, mais enfraquece o corpo humano com veneno e interrompe a purificação. Sempre digo que não é difícil criar medicamentos novos para ganhar dinheiro: basta criar um com veneno forte o bastante para não matar, e ele será tido como o mais eficaz e se tornará popular — disso tenho certeza. Por esse princípio, afirmo sem hesitação que, por mais medicamentos novos que surjam no futuro, nenhum será capaz de curar verdadeiramente uma doença. As injeções, que se popularizaram nos últimos tempos, são venenos tão fortes que causariam envenenamento se ingeridos — daí serem mais eficazes do que os medicamentos orais. E o que acontece, afinal, com a toxina medicamentosa que alivia temporariamente a dor? Ela permanece no corpo humano. A medicina, porém, diz que, embora existam algumas toxinas com efeitos colaterais, todas acabam desaparecendo — não há erro maior do que esse, e ele existe porque a medicina não avançou o bastante para descobrir a toxina medicamentosa. A razão é que a capacidade digestiva do corpo humano se limita apenas aos alimentos dados por Deus: o corpo é feito para não processar corpos estranhos ao organismo — na verdade, a maravilha da criação se resume a essas duas palavras, "natureza". Como são corpos estranhos que não podem ser processados, as toxinas medicamentosas permanecem quase por inteiro e, com o passar do tempo, acumulam-se e se solidificam em vários pontos. Nisso está a causa de todas as doenças. Acima de tudo, é evidente que, quanto mais tratamento médico uma pessoa recebe, mais doenças adquire, e cada vez mais graves. Daí também o surgimento de doenças secundárias: ao se tentar curar uma doença, ela se transforma em duas, depois em três, e assim por diante — coisa que os próprios médicos hão de observar com frequência. Se os medicamentos curassem de fato, a ordem não deveria ser a inversa, de três doenças para duas, depois uma e depois nenhuma? É realmente estranho que não tenham percebido até agora algo tão óbvio. Por esse princípio, quem adoece e deixa a doença em paz cura-se na maioria dos casos; se a cura não vem com facilidade, é pela grande quantidade de toxina medicamentosa acumulada e, nesses casos, basta ter paciência para que ela venha aos poucos. A medicina, porém, que desconhece esse princípio, quanto mais se esforça por curar artificialmente, mais obtém o efeito contrário, levando o paciente, pouco a pouco, a um estado grave e até à morte. Ah, não há palavras que descrevam o erro da medicina. Quantas centenas de milhões de seres humanos foram sacrificados, ao longo de milhares de anos, por não conhecerem esse princípio? É incalculável. Mas o fato de eu ter feito essa descoberta — chegada a hora, Deus a revelou através de mim para a salvação da humanidade — significa que o mundo sem doenças, ideal da humanidade, está finalmente se realizando aqui. A Comédia da Nutrição Publicado com acréscimos no artigo da edição nº 13 da revista "Hikari", de 18 de junho de 1949 (Showa 24). O título "A Comédia da Nutrição" há de parecer-lhes muito estranho. Nem eu gostaria de empregar expressão semelhante, mas, não tendo encontrado outra mais adequada, peço a compreensão dos leitores. Em primeiro lugar, a chamada Ciência da Nutrição, hoje geralmente aceita e praticada sem a menor dúvida, não passa de um erro completo. Embora prejudicial e inútil, essa ciência equivocada é tida como um aspecto da cultura mais avançada e é amplamente praticada no mundo, com esforço e custo tão enormes que dão verdadeira pena. Se publico uma teoria tão ousada, que pode até parecer de um louco, é porque não me é mais possível calar diante dessa situação. Explicarei a seguir com o máximo de detalhes possível. Hoje em dia, os nutrientes tidos por mais importantes são as vitaminas A, B e C, além de aminoácidos, glicogênio, carboidratos, gorduras, proteínas etc. — os tipos são muitos, e sabe-se bem que o número de vitaminas conhecidas aumenta a cada ano. Quando essas substâncias são introduzidas no corpo por via oral ou por injeção, há um efeito temporário, mas não duradouro; no fim, dá-se o contrário, e quanto mais nutrientes se tomam, mais o corpo humano se enfraquece. Qual a razão disso? Em primeiro lugar, o próprio motivo pelo qual o ser humano ingere alimentos é manter a vida e exercer a força vital — o que não é preciso explicar agora —, mas a interpretação que a teoria atual dá a esse ponto se afasta da realidade. Quando o ser humano ingere alimentos, mastiga-os com os dentes; eles passam pelo esôfago, entram no estômago e descem para o intestino; a parte desnecessária é excretada como fezes e urina, e apenas a necessária é absorvida. Até que esse processo se complete, a atividade de todas as funções nutricionais — fígado, vesícula biliar, rins, pâncreas etc. — produz, extrai e distribui os nutrientes necessários a todas as funções: sangue, músculos, ossos, pele, cabelos, dentes, unhas etc. A manutenção da vida se deve a uma atividade tão insondável que a maravilha da criação, verdadeiramente misteriosa e oculta, não se pode exprimir em palavras. Esta é a verdadeira forma da natureza. Como se disse acima, os nutrientes necessários à vida humana estão contidos em todos os alimentos, e os tipos de alimento são infinitamente variados porque cada um atende a uma necessidade nutritiva diferente. Se os gostos e as quantidades mudam de pessoa para pessoa e de época para época, sem que os tipos sejam sempre os mesmos, é por causa das necessidades do corpo que os recebe. Por exemplo: quando se tem fome, come-se; quando se tem sede, bebe-se água; quando se deseja algo doce, é porque falta açúcar; quando se deseja algo salgado, é porque falta sal. As necessidades naturais do ser humano falam bem por si sós nesse sentido e, acima de tudo, o que o ser humano deseja é sempre o que lhe é saboroso. Vê-se, assim, quanto é errado forçar-se a comer, sob o nome de remédio, coisas ruins de que não se tem vontade. Desde os tempos antigos se diz que "remédio bom é amargo na boca" — e quão errado isso é! O amargo é veneno, e o Criador de todas as coisas mostra com isso que não se deve levá-lo à boca. Por essa razão, quanto mais saboroso o alimento, mais rico em nutrientes ele é: o sabor indica que a energia espiritual do alimento é densa. Quanto mais fresco o peixe ou a hortaliça, mais saboroso, porque essa energia é densa; com o passar do tempo, o sabor diminui, porque ela se dissipa. Explicarei agora os suplementos nutricionais. Em primeiro lugar, a função produtora de nutrientes do corpo produz, a partir de qualquer alimento, os nutrientes necessários — vitaminas ou qualquer outra substância —, livremente e exatamente na quantidade requerida. Mesmo a partir de um alimento sem absolutamente nenhuma vitamina, o poder misterioso dessa função produz a quantidade necessária. Esse processo de produzir nutrientes a partir dos alimentos é, precisamente, a força vital do ser humano — a atividade de completar uma substância incompleta é, em outras palavras, a própria vida. Por isso, quando alguém toma suplementos nutricionais já prontos, a função produtora de nutrientes não tem espaço para atuar, pois se trata de substâncias já completas, e naturalmente degenera. Degenerada a função nutricional, é natural que outras funções, solidárias a ela, degenerem também, e o corpo vá enfraquecendo aos poucos. Darei alguns exemplos disso. Houve, antigamente, um método alimentar chamado Fletcherismo, popular nos Estados Unidos, que consistia em mastigar o máximo possível, até que o alimento se tornasse pastoso. Pratiquei-o rigorosamente por um mês, mas minha força física foi diminuindo e deixou de responder como eu queria; assustado, parei e voltei à minha alimentação normal, e a força se recuperou. Foi assim que percebi quanto era errado mastigar demais. Qual seria a razão? Como os dentes mastigam bem, o estômago não tem espaço para atuar e por isso enfraquece. Aprendi, então, que é melhor mastigar os alimentos apenas pela metade. Desde os tempos antigos se diz que as pessoas que comem e defecam depressa são saudáveis; nesse ponto, os antigos eram mais sábios do que os homens cultos de hoje. Da mesma forma, quem toma digestivos torna lenta a atividade do estômago, que enfraquece; e, por isso, toma-se mais, e ele enfraquece ainda mais. A causa das doenças de estômago está, sem dúvida, no próprio uso de remédios para o estômago — é fato incontestável. É comum ouvir de pacientes com doenças crônicas do estômago e dos intestinos que, mesmo comendo alimentos de fácil digestão, não se curavam, mas que, por acaso, comendo algo como chá com picles, curaram-se. Como disse antes, a atividade de transformar alimentos incompletos em nutrientes completos é, precisamente, a força vital do ser humano. Comparemos isso a uma fábrica de máquinas: suponhamos que se levem matérias-primas para lá; a fábrica queima carvão, movimenta as máquinas, os operários trabalham e, aos poucos, uma máquina completa é produzida — esse processo é a própria razão de ser da fábrica. Se, ao contrário, for levada para lá uma máquina já completa, a fábrica não terá necessidade de trabalhar: não queimará carvão, não movimentará as máquinas, não precisará de operários e não lhe restará senão fechar. Procurei, acima, explicar isso da forma mais clara possível. Considerando essa lógica, gastar grandes quantias de dinheiro em suplementos nutricionais sem sabor algum e, ainda por cima, enfraquecer o corpo com eles não pode ser classificado senão como tolice — ou como comédia. Foi por isso que dei ao capítulo este título tão peculiar. (Nota) Fletcherismo: refere-se à proposta de Horace Fletcher, relojoeiro americano, de que "os alimentos devem ser bem mastigados", feita em 1899. Ele era tão obeso que não conseguia fazer um seguro de vida e, movido por isso, desenvolveu um método de saúde baseado sobretudo na mastigação, para reduzir a ingestão calórica a cerca de 1600 calorias. Na década de 1930, devido à situação alimentar do Japão de então, "a importância de mastigar bem os alimentos" tornou-se um slogan nacional e chegou a dominar a época, mas originalmente era um método voltado à prevenção da obesidade. O que se Aprende com os Relatos de Graças Artigo publicado na edição nº 36 de "Hikari", em 19 de novembro de 1949 (Showa 24), com acréscimos. Os relatos de graças divulgados até hoje nas publicações de nossa Igreja já devem passar de mil e centenas e, dada a tendência de aumento contínuo, os próprios fatos provam de sobra os efeitos extraordinários que a terapia de fé peculiar à nossa Igreja vem produzindo. Há aqui, contudo, méritos e deméritos da medicina que não se podem ignorar. De fato, não há quem ignore que todos os povos culturalmente avançados, regozijando-se com os benefícios do progresso da medicina moderna, confiam nela sem sombra de dúvida. Por isso se pode dizer que é quase sem precedentes o nosso ato de publicar opiniões francas sobre a medicina, que ocupa posição inabalável como a mais importante da esfera cultural. É claro que, se a medicina moderna produzisse os efeitos precisos que o público em geral lhe atribui e fosse de fato útil à saúde humana, por que empunharíamos a pena de bom grado para criticá-la? — ainda mais quando, à luz das leis vigentes, corremos o risco de ser acusados de obstrução ao exercício da medicina. No entanto, quanto mais aprofundamos nossos estudos, baseados na medicina concedida por Deus e aplicada na prática, mais sentimos o quanto a medicina moderna segue por um caminho desviado. Enquanto não despertar para isso, por mais que se esforce e acumule pesquisa e estudo, do ponto de vista dos resultados não haverá progresso algum: ela apenas gira em círculos, como há cem anos. Acima de tudo, o que se vê hoje é uma enxurrada de doentes e um estado geral de saúde ruim — é realidade constante que, quando um tipo de doença diminui, uma nova doença surge em outro lugar. Tudo isso decorre de um grande erro oculto na base da medicina. E a nossa terapia do espírito divino, quão eficaz é na prática? A prova está nos relatos de graças, realidades vívidas — não há demonstração maior: escritos por quem passou pela experiência, não deixam margem a dúvida alguma. Ao percorrer esses relatos, o que primeiro surpreende é isto: ao adoecer, sem exceção as pessoas recorrem de imediato à terapia médica e, quanto mais a recebem, mais vão piorando aos poucos. Quando está em jogo a vida, é claro, procuram-se os grandes hospitais, os médicos renomados, todo tipo de medicamento, arcando com o ônus financeiro e de tempo até o limite do possível; e, no entanto, como se disse, o resultado é a piora, e o doente é levado às portas da morte. Não há problema maior do que este: a teoria e os resultados da medicina são quase opostos. Como consta nos próprios relatos, os médicos afirmam que vão curar e dão a cura por certa, mas o desfecho costuma ser extremamente contrário ao esperado. Esse efeito contrário entre a teoria científica e a prática há de ser experiência corriqueira até mesmo para os médicos, e é comum ouvir que é enorme a distância entre o diagnóstico feito nos grandes hospitais e o que revela a autópsia. Nesses casos, porém, os médicos nem cogitam que a causa esteja num erro da própria medicina: interpretam o fato como sinal de que ela ainda não avançou o suficiente e passam a crer que promovê-la mais e mais é salvar a humanidade. Para nós, é erro tão grande que não temos palavras para descrevê-lo. Daí que se dediquem à descoberta de micróbios, a testes em animais, à descoberta de novos medicamentos, à radiação de luz, à melhoria da nutrição e a toda sorte de busca por um suposto poder de cura. O resultado é que o campo da medicina se torna cada vez mais complexo e diversificado: cresce o número de doenças e de seus nomes, multiplicam-se as disciplinas, e as pesquisas descem aos mínimos detalhes. As teorias e os métodos de cura parecem progredir maravilhosamente e iludem o mundo, que neles deposita a confiança extrema que hoje se vê. Mas, quanto ao que de fato importa — a cura das doenças —, não há progresso algum: apenas a terapia sintomática, de alívio temporário, tornou-se mais hábil. E, ainda por cima, crê-se em excesso que esse é o caminho do progresso. Ao criticar a medicina moderna com tal frieza, só nos resta suspirar fundo. Acontece que teorias divorciadas da realidade, por mais empenho que se ponha em aplicá-las, naturalmente não dão os efeitos esperados; e é por isso mesmo que se dedicam apenas à pesquisa. Se fosse só com cobaias, ainda vá lá — mas quantos seres humanos se tornam vítimas disso? É incalculável. Se a teoria científica fosse a verdade, a medicina preventiva já teria posto no caminho da solução gradual problemas como parasitas, tuberculose, doenças infecciosas, derrame e paralisia infantil; não haveria razão para que continuassem a surgir e a se alastrar como hoje. Em suma, fazer despertar para o erro da medicina moderna é a verdadeira salvação. Foi assim que o grande amor de Deus, no fim dos tempos, nos impulsionou a essa correção e nos revelou a verdadeira terapia. A medicina, afinal, vem se desenvolvendo há dezenas de séculos, e despertá-la da noite para o dia é dificílimo. Nós, porém, que acreditamos no poder absoluto de Deus, avançamos sem qualquer dúvida em direção à luz do futuro. Como Ver Este Fato Reedição do artigo publicado na edição nº 11 de "Hikari", em 31 de maio de 1949 (Showa 24). Como se disse no item anterior, deu-se instrução rigorosa para que todos os relatos de graças fossem escritos exatamente como as coisas aconteceram; por isso não há neles exagero algum. Cheios de gratidão e comoção, multiplicam-se dia após dia, mês após mês — recentemente chegam a centenas por mês, tantos que já se torna difícil publicar todos, e estamos estudando métodos para isso. Vê-se aí quantas pessoas estão sendo salvas. Como os leitores também podem constatar, ao ler essas páginas transbordantes de gratidão os olhos se aquecem, e não se sabe quantas vezes se enxugam as lágrimas que brotam. O que mais surpreende, porém, são os resultados da cura de todo tipo de doença. Examinada a questão de vários ângulos, verifica-se que, sem exceção, na terapia e em todos os demais tratamentos hoje praticados, cerca de um terço, de modo geral, não surte efeito, e dois terços, ao contrário, agravam o quadro. Não há problema maior do que este: os especialistas que virem esses relatos, e mesmo o público em geral, hão de ficar chocados com tamanha surpresa. Hoje, todos os chamados povos culturalmente avançados do mundo acreditam no progresso da medicina moderna e lhe confiam a vida como ao melhor dos métodos — tornou-se quase senso comum. No entanto, há mais de dez anos, querendo corrigir a medicina estabelecida, publiquei três livros antes do fim da guerra para tornar isso amplamente conhecido; os três foram proibidos, e então desisti. A situação está bem mais branda agora, mas antigamente não era permitido nem mesmo pronunciar a palavra "medicina". Por exemplo: ainda que não se tratasse de ato médico, bastava eu dizer a um paciente que ele se curaria pelo meu método para ser acusado de violar a lei do exercício da medicina — cheguei a ficar detido por três dias. Escrevi também, em um panfleto, que, comparada à cirurgia praticada pela medicina moderna — método bárbaro, que corta a carne, consome sangue e faz sofrer ao extirpar a parte doente —, a nossa terapia, sem dor e sem ferir o corpo, é capaz de remover até a raiz mais profunda da doença. Isso despertou a ira das autoridades: fui convocado pela polícia e, depois de longo sermão, multado. O resto se pode imaginar. Numa época assim, não me restou senão calar por completo, sem outro método a não ser mostrar ao mundo através dos fatos. Chegou, porém, o momento de romper esse silêncio — e é o que torno público neste livro. De fato, a Vontade Divina indica que chegou a hora de pôr fim ao sofrimento da humanidade com as doenças. A raiz do padecimento humano, como repito constantemente, está nelas: se o ser humano se tornar saudável no espírito e no corpo, a maior parte de todas as demais aflições estará resolvida. Nesse dia, não há dúvida alguma de que surgirá o Paraíso Terrestre, nosso objetivo. A grande profecia de Cristo, "o Reino dos Céus está próximo", e o mundo de Maitreya proclamado por Buda Shakyamuni não são outra coisa senão isso. Embora eu não seja médico nem tenha estudado medicina, foi pela revelação divina que vim a conhecer tudo sobre as doenças, em seus fundamentos. E, uma vez claro o quanto está desviado o caminho da medicina moderna, tenho a firme convicção de que Deus me confiou a grande missão de criar um mundo sem doenças — correção que é o primeiro princípio da salvação da humanidade. A Medicina do Espírito Divino é uma Medicina Democrática Artigo publicado na edição nº 22 de "Hikari", em 13 de agosto de 1949 (Showa 24). A medicina moderna, embora as pessoas pouco o percebam, é na verdade extremamente discriminatória e pouco democrática. Os pobres não podem comprar remédios caros, dificilmente conseguem se hospitalizar e não suportam o ônus financeiro de um tratamento prolongado; a igualdade de oportunidades de tratamento, portanto, é algo que não se pode esperar. Daí que o governo, a contragosto, tente resolver a situação através da Lei do Seguro Saúde — mas isso também não funciona como se desejaria: é comum ouvir que, quando um paciente segurado procura um médico conveniado, este o trata de forma diferente dos pacientes comuns, a ponto de muitos segurados fingirem ser pacientes comuns e pagarem a taxa normal, resultado absurdo. Sendo assim, pode-se dizer que a medicina moderna está longe de ser democrática — embora isso também seja inevitável diante da realidade econômica da sociedade atual, sem que se veja um método de melhoria imediata. A nossa terapia do espírito divino, porém, não faz distinção alguma entre ricos e pobres, pois não utiliza absolutamente nenhum material: é um contato direto, que se vale apenas da ação do espírito invisível através das ondas de Luz irradiadas do corpo humano. E ela produz efeitos várias vezes maiores do que a terapia médica. Uma terapia assim é, portanto, totalmente ideal — e pode-se dizer que é, literalmente, uma medicina democrática. Segundo declaração recente prestada ao jornal Mainichi pelo Sr. Sekizen Furuhata, diretor da Associação Médica Japonesa: "O tratamento de um paciente comum é decidido em consulta com seu bolso. Há casos em que, para um paciente, até mesmo uma coisa pequena é tratada com injeção; para outro, mesmo quando é absolutamente necessário injetar, muitas vezes não é possível devido à situação financeira. A atitude que o médico deve tomar neste caso é, infelizmente, raramente fácil, pois o paciente decide, etc." Eis aí, sem dúvida, um respaldo à afirmação anterior. O que Espero da Medicina Artigo publicado na edição nº 2 de "Tijotengoku", em 1º de março de 1949 (Showa 24). Na edição de 25 de agosto de 1948 do jornal Tokyo Shimbun, a coluna "Hitsusen" trazia a seguinte notícia: "A maioria das pessoas sabe que os médicos relutam em examinar os membros de sua própria família. Isso ocorre porque, no final, eles ficam indecisos no diagnóstico." É só isso; pensando bem, porém, há algo de grande importância oculto por trás dessa frase. Trata-se de um fato que também ouvimos com frequência, mas nele não há absolutamente nenhuma cientificidade. Diz-se que a medicina progrediu, e hoje ninguém pensa que ela esteja fora do âmbito da ciência; no entanto, se ao diagnosticar um membro da própria família surge a indecisão, não há cientificidade nisso e, ao mesmo tempo, não seria isso extremamente perigoso? Se a medicina é confiável, não seria de esperar que, no caso de um familiar, fosse preocupante que ele fosse tratado por outro médico, e que só se sentisse segurança ao tratá-lo pessoalmente? Ainda que assim não fosse, o padrão da ciência deveria ser que familiares e estranhos recebessem o mesmo diagnóstico. Visto dessa forma, o diagnóstico médico é coisa extremamente incerta, e não há como negar que seja, em certo sentido, da mesma natureza que a leitura da sorte feita por um adivinho. Não temos absolutamente nenhuma intenção de criticar a medicina; por mais que raciocinemos, porém, não podemos deixar de chegar a essa conclusão. Segundo consta, entre todas as doenças, a medicina ainda desconhece a causa até mesmo do resfriado comum — tido como a mais corriqueira e leve de todas. Portanto, o que desejamos é que os médicos ao menos se vejam obrigados a diagnosticar eles próprios os membros de sua família, e que a causa do resfriado venha a se esclarecer. Esperamos sinceramente que a medicina progrida ao menos até esse ponto. A Transformação em Paraíso Através da Saúde Artigo publicado na edição extra de "Hikari", em 30 de maio de 1949 (Showa 24), com correções. Não é preciso dizer que o grande rugido de leão de Cristo — "o Reino dos Céus está próximo" — e o objetivo de todas as religiões é um mundo melhor: remover o sofrimento humano e realizar um mundo de alegria. Diante desse ideal unânime, a realidade, infelizmente, está longe de se realizar; ao contrário, tem-se a sensação de que ainda é muito longo o caminho para escapar do limiar do Inferno. Tanto no Oriente quanto no Ocidente, desde os tempos antigos, apesar dos esforços contínuos através da religião, da filosofia, da ciência, da moral, da educação etc., por que não se vê progresso algum até hoje? E, quanto à saúde humana — que deveria ser vista como a raiz da tragédia —, a realidade é que dela não aparece nem sequer um vislumbre de solução. Sobre isso falamos até criar calos nos ouvidos, mas não creio que seja demais insistir apenas neste problema. É que, a menos que a questão da saúde seja bem resolvida, mesmo que todas as demais condições se concretizem, elas não terão significado algum. No entanto, a terapia do espírito divino que completei é capaz de remover todas as doenças humanas e tornar o corpo perfeitamente saudável. Descoberta de tal grandeza está de tal modo acima do nível da cultura moderna que, ao contrário do que se esperaria, é fácil que gere mal-entendidos — assim como quem está no chão não consegue ver o topo da cabeça de quem está no telhado. Vejam: quando se investiga a raiz de toda tragédia, é a causa da doença que ali se encontra. Jovens que sucumbem à tuberculose; os que, prestes a se formar em instituições de ensino superior, são acometidos pelo mesmo mal e, perdendo — eles e seus pais — a única esperança, veem-se lançados a um destino sombrio; pessoas de meia-idade cujos negócios fracassam pela metade, ou que, tendo enfim firmado uma base e avançando com grande entusiasmo, são levadas a um beco sem saída pelo demônio da doença: a maior parte das tragédias sociais é causada por doenças. A medicina avançada e as religiões estabelecidas, em contrapartida, prosseguem em seus esforços de sempre, mas a verdade é que não conseguem encontrar luz alguma. Em meio a essa situação extremamente lamentável, o que surgiu de repente foi a terapia do espírito divino. Quão revolucionária e grandiosa ela é! Aqueles que uma vez se convertem à nossa Igreja e lhe compreendem a essência podem facilmente convencer-se disso. O Método de Saúde que Cria "Mimados" Artigo publicado na edição nº 20 de "Hikari", em 30 de julho de 1949 (Showa 24), com acréscimos. Os métodos de higiene e de saúde da medicina moderna são, em outras palavras, métodos para criar "mimados". Pode parecer estranho, mas é o que veremos a seguir. O que a medicina moderna prega como método de saúde é que o ser humano não deve se esforçar demais, não deve dormir mal, deve comer alimentos de fácil digestão, deve mastigá-los bem, não deve sentir frio, deve usar cinta abdominal para não esfriar a barriga, deve fazer gargarejo ao voltar de saídas etc. No entanto, praticando exatamente esses métodos, alguém se tornaria saudável? Afirmo que se dá o contrário: isso, com certeza, tornará a pessoa fraca. Explicarei brevemente por quê. Primeiro, quanto ao esforço excessivo: o ser humano se torna tanto mais saudável quanto mais se esforça. A prova está em que o atleta, ao bater um recorde, esforça-se ao extremo, e é assim que desenvolve sua habilidade — o nadador Sr. Furuhashi é o maior exemplo disso. Por essa lógica, ao se esforçar, a saúde aumenta na proporção do esforço. Este ano, aliás, completo 67 anos; ainda assim, quando percorro montanhas e campos, os jovens não conseguem me acompanhar — e a razão, claramente, é que me esforço. Diz-se que a falta de sono causa tuberculose, mas também aqui se dá o contrário. Basta observar as classes que mais sofrem com a falta de sono — as empregadas de pousadas, de restaurantes e de casas de encontro, as gueixas etc. — para ver que a própria medicina reconhece ser a tuberculose menos comum entre elas. Por isso adoto a política de dormir o mínimo possível. Comer alimentos de fácil digestão enfraquece a atividade do estômago, e o mesmo vale para o mastigar bem. Como o Criador de todas as coisas fez alimentos de tão grande variedade, uns de fácil e outros de difícil digestão, isso significa que devemos comer de todos adequadamente. Lula, pepino-do-mar, polvo, daikon em conserva, umeboshi, berinjela, feijão — tudo parece indigesto; o certo, porém, é comer aquilo de que se tem vontade. As pessoas temem pegar resfriado; ora, o resfriado é o mais simples dos métodos de promover a saúde e, como sempre digo, a única graça concedida por Deus nesse sentido. Eu sempre procuro pegar resfriado. Usar cinta abdominal enfraquece a pele do abdômen, de modo que, se por acaso for retirada, sentir-se-á frio; sem usá-la, essa pele se fortalece e não se sente frio. Por isso eu e minha família decidimos nunca usar cinta abdominal. Quanto ao gargarejo, melhor é não fazê-lo, pois a saliva humana tem forte poder de eliminar micróbios — há insetos que enfraquecem ao simples contato com ela. A prova está em que, ao se segurar uma pulga com o dedo molhado de saliva, ela enfraquece. Eliminar temporariamente, pelo gargarejo, uma saliva de tamanho poder germicida é, na verdade, mais perigoso do que benéfico. As explicações acima não são teoria abstrata: todas se apoiam na realidade, e qualquer um pode concordar com elas. O método de saúde da medicina, portanto, é, para o ser humano, como criar um "mimado", sem deixá-lo passar por dificuldades. É o mesmo princípio de uma pessoa que, ao sair para a sociedade, se torna um inútil, sem resistência. (Nota) Sr. Furuhashi (Hironoshin Furuhashi), nascido em 1928, presidente da Federação Japonesa de Natação. Em 1948, impedido de participar das Olimpíadas de Londres, o mundo da natação japonesa realizou o campeonato japonês daquele ano no mesmo calendário das Olimpíadas. Furuhashi venceu os 1500m livre com o recorde mundial da época, de 18min37s0 — o recorde vencedor nas Olimpíadas de Londres havia sido de 19min18s5. Depois disso, estabeleceu vários outros recordes mundiais e foi chamado de "Peixe Voador de Fujiyama". Os Japoneses e as Doenças Mentais Artigo publicado na edição nº 8 de "Tijotengoku", em 25 de setembro de 1949 (Showa 24), com acréscimos. Hoje, mal abrem a boca, as pessoas falam da deterioração do pensamento, do aumento da criminalidade, da pobreza da política etc. Escreverei aqui sobre como a causa de tudo isso está intimamente ligada às doenças mentais. Primeiramente, qual é a verdadeira causa das doenças mentais? Trata-se de uma razão que ninguém jamais imaginou, algo que se pode chamar de inédito; sendo, porém, a própria verdade, qualquer um — a menos que seja um verdadeiro doente mental — deveria ser capaz de compreendê-la. Essa causa é, a um só tempo, física e espiritual: a possessão por espíritos. Isso pode ser um pouco difícil de entender para os homens modernos, educados sob uma visão materialista; tendo sido duramente ensinados a não acreditar no que é invisível, é natural que a compreensão não lhes venha com facilidade, e disso estamos plenamente cientes. No entanto, por mais que se negue a verdade, ela continua sendo verdade. Se o invisível fosse tido por inexistente, também o ar seria inexistente, e também a mente humana o seria. Este argumento não pode ser escrito sem partir da premissa de que existem o espírito e a possessão espiritual. Assim, aqueles que negam obstinadamente a existência do espírito — e que nos veem como supersticiosos — são vistos por nós, em contrapartida, como supersticiosos dignos de pena. Entrando agora no assunto principal: se as doenças mentais são fenômenos de possessão espiritual, por que isso acontece? No mundo é excessivo o número de pessoas que dizem ter rigidez no pescoço ou nos ombros — não seria exagero afirmar que são praticamente todos os japoneses. Por minha longa experiência, sei que qualquer pessoa tem nódulos no pescoço e nos ombros; raro é quem não os tenha, e quem os tem é insensível à dor, por estarem eles já muito endurecidos — pode-se dizer que é quase uma característica constitucional. Se eu disser que esses nódulos são a verdadeira causa das doenças mentais, vocês ficarão surpresos com o inesperado; à medida que eu for explicando, porém, certamente concordarão. Os nódulos no pescoço e nos ombros comprimem os vasos sanguíneos que levam sangue ao cérebro, causando anemia na parte frontal da cabeça. Mas aqui está o problema: essa anemia cerebral não é apenas anemia. Como o sangue é a materialização do espírito, trata-se, na verdade, de uma anemia das células espirituais que preenchem o cérebro — ou seja, de uma pobreza espiritual. É ela a causa das doenças mentais, pois a possessão espiritual visa justamente as áreas em que o espírito está rarefeito. E que espíritos são esses? Em sua maioria, espíritos de raposa; em seguida, de cão-guaxinim (tanuki); e, raramente, os de animais como cães e gatos. Naturalmente, todos são espíritos de pessoas falecidas, havendo também possessões conjuntas de espíritos humanos e animais. Se analisarmos os pensamentos humanos, temos primeiro a razão, a emoção e a vontade que as converte em ação. Isso ocorre porque a parte frontal do cérebro governa a razão, e a posterior, a emoção — prova disso é que a raça branca tem a testa larga e desenvolvida, indício de abundância de razão, enquanto a raça amarela tem a testa estreita e a nuca desenvolvida, indício de abundância de emoção, o que é evidente. É de conhecimento geral que os brancos são mais intelectuais, e os amarelos, mais emocionais. No ser humano, portanto, razão e emoção estão sempre em conflito: se vence a razão, não há fracasso, mas em compensação a pessoa se torna fria; se vence a emoção, ela age por instinto, e daí nasce o perigo. O essencial é que ambas estejam em harmonia, sem desequilíbrio — o ser humano, no entanto, tende a pender para um dos lados. E, seja pela razão, seja pela emoção, para manifestá-las em ação é sempre necessária a vontade, por menor que seja; sua origem é a capacidade espiritual situada no centro do abdômen, dentro do umbigo, chamada fonte geradora de ação. A cooperação desses três elementos é a trindade do pensamento. No entanto, a pobreza espiritual na parte frontal da cabeça provoca insônia — cuja causa, na maioria dos casos, é a solidificação na região próxima ao bulbo, do lado direito da nuca, que comprime os vasos sanguíneos. E como a insônia, por sua vez, acelera essa pobreza, os espíritos animais se apossam da pessoa pensando "é agora ou nunca". Sendo a parte frontal da cabeça o centro do corpo humano, ao ocupá-la podem manipular o ser humano à vontade. O espírito de raposa, em especial, tem interesse em controlá-lo livremente, pois isso lhe confere prestígio entre os seus semelhantes — algo que está completamente além da imaginação humana. Pretendo escrever em breve, com base em minhas próprias observações, um relato detalhado a seu respeito, e peço aos leitores que aguardem. Como se viu, é a própria razão que tem a função de conter sempre a emoção, instinto humano, e de evitar que ela cometa erros. O ser humano consegue manter um estado normal justamente porque a força dessa lei chamada razão suprime a emoção; perdida essa força, a emoção fica livre, desenfreada, descarrilada. Isso é a doença mental. Se a força da lei brilha na parte frontal da cabeça, nos termos descritos, os espíritos possessores que a reconhecem não conseguem ocupar essa área. Mas, uma vez rarefeito o espírito, os malignos se apossam pensando "é agora ou nunca" — e mesmo o que se chama de "rarefeito" comporta diferenças de grau, agindo eles conforme essa diferença. Por exemplo: se a plenitude espiritual na testa for dez, a possessão é de todo impossível; se for nove, o espírito só se apossa de uma parte; quando cai para dois, três, quatro, cinco ou seis, o espírito possessor pode exercer uma força equivalente a essa diferença — e assim a força da razão, que seria quatro, perde para a força da emoção, que é seis, o que lhe permite dominar o ser humano livremente. Como já assinalei, os nódulos comprimem os vasos sanguíneos e causam pobreza espiritual, e o espírito possessor age na mesma proporção dessa pobreza; como não há homem moderno sem nódulos, pode-se dizer que não existe uma única pessoa com plenitude espiritual de dez. Mesmo entre as pessoas respeitadas pela sociedade há sempre uma deficiência de dois ou três — e é por causa dela que se ouvem comentários como "uma pessoa tão importante cometeu um erro desses", "por que não percebeu algo tão simples?" ou "como foi que falhou?". Essa deficiência, porém, não é fixa: oscila o tempo todo. Quando se pratica uma ação admirável, ela está por volta de dois; mas quando, tocado por algum motivo, surge um pensamento maligno e se comete um crime, o estado chega a quatro ou mais. Isso é comum no mundo — em geral, a pessoa se arrepende depois de cometido o crime, mas a essa altura já voltou ao estado de dois. O que se costuma chamar de "sucumbir à tentação" é exatamente isso. As pessoas comuns, porém, vivem geralmente num estado de três ou quatro, e não se sabe quando, dependendo do motivo, ultrapassarão a linha dos cinco — e então cometem crimes impensáveis. Um exemplo disso é a histeria, cuja causa é quase sempre o espírito de raposa, que nesse momento se aloja na parte frontal da cabeça: por ciúme ou raiva, rompe-se a linha dos cinco. Quando isso acontece, a pessoa diz coisas absurdas, que não estão em seu coração, e age de forma descontrolada, mas isso não dura muito, pois a linha logo é reduzida de novo. O ser humano, portanto, deve assegurar a linha dos três — acima disso é perigoso. À luz dessa lógica, compreende-se bem o fato de haver tantos criminosos hoje. Como a possessão espiritual é, naturalmente, de um espírito animal, uma vez rompida a linha dos cinco, ainda que a forma seja humana, o coração em nada difere do de um animal, e por isso a pessoa pratica com indiferença atos animalescos. Neste ponto, a diferença marcante entre humanos e animais é que os humanos têm amor; nos animais, embora exista o amor de pais e filhos e o dos cônjuges, o amor ao próximo é extremamente fraco — ao contrário, as aves e os insetos o têm mais. E como a maioria dos animais nem sequer tem o amor conjugal ou o de pais e filhos, quando o ser humano manifesta sua natureza animal exibe uma crueldade inimaginável. Diante do exposto, se não há ninguém que mantenha os dez espíritos plenos, todos os demais são violados pela possessão espiritual em maior ou menor grau, e nessa mesma medida cabe chamá-los doentes mentais. Falando sem rodeios, portanto, pode-se dizer que todos os japoneses são, em algum grau, doentes mentais. Escreverei, a respeito disso, minha própria experiência: diariamente encontro de algumas a dezenas de pessoas e com elas troco conversas dos mais variados tipos, e posso afirmar que não há uma única que não apresente alguma falha. Qualquer pessoa, por mais importante que seja, tem algum defeito, ainda que imperceptível para a maioria — o que mostra que os doentes mentais leves são praticamente a totalidade. Isso não se limita à linguagem: o mesmo se aplica ao comportamento. Quase não há quem não se conduza de forma desordenada ao andar, ficar, sentar e deitar; não há interesse algum por etiqueta e cortesia. A maioria das pessoas erra até mesmo ao entrar num quarto e fazer uma reverência — umas se curvam para a parede, outras para a porta de correr ou para o fusuma, e a variedade é realmente grande. Há quem seja excessivamente cerimonioso e quem seja simples demais; tudo isso são, provavelmente, também doentes mentais leves. Por fim, escreverei sobre o método de solução fundamental: é preciso eliminar os nódulos, que são o obstáculo ao envio de sangue para o cérebro. Afirmo aqui que, para eliminá-los, não há neste mundo, por mais vasto que seja, outro método senão o Johrei da nossa Igreja. Por isso nossos seguidores estão, em geral, em dois ou três, e dificilmente algum deles se desviará da linha dos três — o que fica claro ao se observar o caráter deles. Vê-se, nesse sentido, quão grande é a contribuição da nossa Igreja para a prevenção dos males sociais de hoje. E qual é a essência desses nódulos? Sem dúvida, é a toxina medicamentosa. (Nota) Gyoujuuzaga: termo budista que se refere às ações diárias de andar, permanecer, sentar e deitar, de acordo com os preceitos. Por extensão, significa o comportamento cotidiano. A Saúde das Crianças Pequenas Publicação do artigo da edição nº 4 de "Tijotengoku", de 25 de maio de 1949 (Showa 24). Ultimamente, a saúde das crianças pequenas no Japão anda muito ruim: diz-se que a taxa de mortalidade é trinta e cinco vezes maior que a dos Estados Unidos — dado realmente surpreendente e, ao mesmo tempo, problema grave que precisa ser resolvido o quanto antes. Para isso, é necessário descobrir antes de tudo onde está a causa; mas, como a medicina atual se equivoca quase por completo a esse respeito, por mais que se esforce não obterá o efeito esperado. Onde estaria, então, a causa? Escreverei o que descobri a respeito. Pela experiência que tive tratando de crianças doentes, desde bebês até os cinco ou seis anos, a fragilidade das crianças da cidade é impressionante, e a diferença em relação às do campo, gritante. A medicina explica isso pelas más condições da cidade — ar ruim, falta de áreas de lazer, estímulo nervoso do trânsito e dos ruídos etc. —, em contraste com as boas condições do campo. É uma razão válida até certo ponto, mas a causa maior está em algo que passa despercebido. Na época, eu costumava perguntar às mães das crianças doentes ou frágeis que tratava: "Seu filho é filho de japoneses ou de ocidentais?" — e em seguida alertava: "Os filhos de japoneses foram criados, por gerações, pelos antepassados, com alimentos ao estilo japonês, mas agora, de repente, estão sendo alimentados e criados como crianças ocidentais, e essa é a causa da fraqueza." O mais curioso é que há mães que evitam dar aos filhos os doces japoneses tradicionais, sobretudo o anko (pasta de feijão doce). Quando pergunto "Por que não dá anko?", respondem: "O médico disse que causa disenteria epidêmica." E eu retrucava: "Isso não faz sentido. O feijão azuki é cozido e comido justamente por ser bom para a digestão, e, além disso, é refinado e misturado com açúcar, transformando-se numa pasta líquida — onde estaria o mal? Os médicos leem livros ocidentais e os traduzem ao pé da letra; como no Ocidente não existe anko, ele não está escrito nos livros, e por isso dizem isso. A dieta para doentes que os médicos recomendam também se baseia nos alimentos que existem no Ocidente, como leite, aveia, manteiga, maçã, batata etc., o que é até compreensível." Por essa mesma lógica, à medida que a pessoa cresce devem-se ir misturando gradualmente alimentos ao estilo ocidental; do nascimento até os cinco ou seis anos, porém, criar a criança com alimentos ao estilo japonês é sem dúvida melhor para a saúde — posso afirmá-lo com base em minhas inúmeras experiências. Ainda segundo essa mesma experiência, se forem aplicadas muitas injeções em crianças pequenas, o crescimento estanca ou se torna impossível: o pescoço fica mole, a criança emagrece, perde as forças e apresenta um quadro anêmico. Se essas crianças ficarem sem medicamentos por dois ou três anos, tornam-se tão saudáveis quanto as demais. (Nota) Nahen: que parte, por volta de onde. O Corpo Humano é um Conjunto Publicação do artigo da edição nº 38 de "Hikari", de 3 de dezembro de 1949 (Showa 24), com acréscimos. Escreverei sobre o quanto a medicina moderna se equivoca nesse ponto. Refiro-me à sua divisão em várias especialidades: clínica médica, cirurgia, neurologia, otorrinolaringologia, oftalmologia, urologia, ginecologia, pediatria etc. Pensem bem, porém: o corpo humano não é como uma boneca, cujos membros e tronco se fazem em separado para depois serem unidos — o todo se constitui numa relação mútua. Darei alguns exemplos disso. Certa vez, ao evacuar, tive uma hemorragia tão intensa que o vaso sanitário ficou inteiramente vermelho; aquilo continuou por duas semanas e cessou de repente. Até então, minha nuca vivia pesada e, quando eu conversava por muito tempo, a sensação de pressão se intensificava a ponto de ficar insuportável — e aquele sangramento a aliviou muito. Como naquela época eu já conhecia o erro da medicina, deixei a situação como estava; se tivesse consultado um médico, provavelmente teria sido diagnosticado com hemorroidas, e o sangue teria sido estancado. Foi assim que percebi que a hemorragia hemorroidária está relacionada ao cérebro. Certa vez, uma jovem sofria de dor de dente; ao aplicar Johrei, a dor cedeu de imediato, mas voltou no dia seguinte. Examinei-a e vi um nódulo nos gânglios linfáticos; apliquei Johrei ali, e de novo a dor cessou, para retornar no dia seguinte. Examinando com mais cuidado, encontrei uma solidificação nas costelas; ao aplicar Johrei nesse ponto, a dor sarou imediatamente, mas ela voltou a se queixar no dia seguinte. Dessa vez, imaginei que fosse mais abaixo e examinei a região do apêndice: havia ali uma solidificação e, ao aplicar Johrei nela, a cura enfim foi definitiva. Qual era a razão? Essa mulher havia sido operada de apendicite, e o antisséptico usado na ocasião se acumulara e se transformara em pus, que tentava sair pela gengiva — essa era a causa da dor. Por isso, mesmo que ela tivesse ido ao dentista, não teria se curado. Isso mostra que o corpo humano é um conjunto. Houve ainda outro caso: uma pessoa com febre alta, tosse e expectoração, que o médico diagnosticou como tuberculose pulmonar. Ao examiná-la, porém, deparei-me inesperadamente com uma solidificação na região inguinal direita. Pensei "é isso" e apliquei Johrei ali; em pouco tempo, a pessoa sarou por completo. Disse então, rindo muito: "O seu pulmão estava na virilha" — pois a solidificação da virilha, ao se purificar, convertera-se em febre baixa e expectoração, que migraram para o pulmão sob a forma de tosse e catarro; e foi esse quadro que o médico tomou, por engano, como tuberculose pulmonar. São casos comuns, e só por eles já se entende bem que o corpo humano é um conjunto. Se compararmos isso a um país — suponhamos o Japão —, não é possível que a região de Kanto esteja próspera enquanto a de Kansai está em declínio: como o país inteiro forma uma cadeia, as regiões se influenciam mutuamente. Enquanto não se despertar para esse Caminho Perfeito, por mais que se estude, nunca surgirá uma verdadeira medicina capaz de salvar as pessoas. A Encefalite Japonesa é Realmente Transmitida por Mosquitos? Publicação do artigo da edição nº 30 de "Hikari", de 8 de outubro de 1949 (Showa 24), com correções. De uns tempos para cá, a medicina atribui a causa da encefalite japonesa à transmissão por mosquitos, mas isso é um erro completo. Apresentarei nossa pesquisa sobre o assunto. Os pacientes de encefalite japonesa são, em sua maioria, crianças e, segundo as estatísticas, a faixa etária mais comum vai dos seis aos dez anos. Note-se ainda que a incidência é maior do final do verão ao início do outono. Como essa é justamente a época em que os mosquitos se reproduzem e ficam mais ativos, não é de estranhar que a medicina tenha acolhido a hipótese da transmissão por eles — ainda mais havendo pesquisas em que, ao esmagar grande quantidade desses insetos e injetá-los em camundongos, ocorreu encefalite, o que deve tê-los convencido. Nossa interpretação, porém, é inteiramente outra. É claro que camundongos e homens não são a mesma coisa; ao contrário, creio haver mais diferenças do que semelhanças entre o homem e os animais. Isso porque, na medicina da revelação divina, a causa da encefalite japonesa é extremamente clara e, além disso, na prática, é possível a cura completa em curto período, sem exceção. Ainda que a transmissão por mosquitos fosse real, como todos se curam por completo, os mosquitos não seriam sequer um problema. Explicarei, então, a verdadeira causa da encefalite japonesa. Em primeiro lugar, todo ser humano, sem exceção, possui, em maior ou menor grau, toxinas congênitas e adquiridas — o sangue tóxico e o pus. Quando o corpo humano recebe algum estímulo, as toxinas sempre se concentram nessa região. Para facilitar o entendimento, pense-se nos pontos de moxabustão: ao aplicar a moxa, a região fica vermelha e inchada e, em casos graves, chega a supurar. O mesmo ocorre quando o corpo é golpeado ou sofre um impacto — a região fica vermelha e inchada, porque as toxinas se concentram ali. Ao estender essa lógica, compreende-se facilmente a causa da encefalite japonesa. As crianças brincam sob o sol escaldante quase sem usar chapéu, sobretudo entre os seis e os dez anos, faixa em que essa tendência é mais acentuada. Com isso, o cérebro aquece, exatamente como ao se aplicar moxa, e as toxinas presentes em toda a região das costas do corpo começam a se concentrar nele. A melhor prova disso é que, no início da doença, a região próxima ao bulbo, dos dois lados, endurece como um bastão, acompanhada de febre alta — sinal de que as toxinas sobem e se acumulam ali, a um passo de alcançar o cérebro. Em seguida, quando começam a invadir o cerebelo, a pessoa cai em estado de sono. Há um problema, porém: nesse momento, o tratamento médico sempre aplica compressas de gelo, e essa ação do gelo faz com que as toxinas se solidifiquem justamente nessa região, impedindo assim que sare o que deveria sarar naturalmente. É um erro surpreendente. Quando, ao contrário, se aplica o Johrei da nossa Igreja nesse caso, as toxinas começam a ser excretadas do cerebelo, passando pelo cérebro e saindo pelos olhos e pelas narinas — quanto mais grave o caso, maior a quantidade. Bastam, via de regra, dois ou três dias para que sejam eliminadas por inteiro, e com isso vem a recuperação. É realmente simples: em geral, dentro de uma semana, todos se curam por completo, sem exceção. Como resultado, o cérebro fica mais lúcido do que antes do início da doença, e as crianças em idade escolar, por exemplo, melhoram o desempenho. Isso é a pura verdade, sem nenhum exagero. Na medicina, porém, teme-se que o prognóstico deixe sequelas: deterioração cerebral, sintomas leves de demência, distúrbios nos membros. Por que isso acontece? Porque, como já mencionei, as toxinas que deveriam ser excretadas naturalmente são solidificadas pelo gelo ao tentarem passar pelo cerebelo, e essa solidificação se torna um obstáculo à atividade cerebral. O erro da medicina moderna é realmente indescritível. Aproveito para explicar também a encefalite da medula espinhal, que pode ser considerada um estágio anterior à encefalite japonesa. Nela, as toxinas se concentram e se solidificam apenas na região do bulbo, por se tratar de uma doença que ocorre no inverno, quando o cérebro não é exposto ao sol escaldante como no verão. A solidificação do bulbo, porém, é mais intensa do que naquela: torna completamente impossível flexionar e estender o pescoço, pois, ao contrário do que ali ocorre, as toxinas não chegam a invadir o cerebelo. Pelo exposto, compreende-se claramente que a encefalite japonesa nada tem a ver com mosquitos: trata-se apenas de um processo de purificação natural. (Nota) Anjo: estado de calma e serenidade. Estragar o Corpo Reedição do comentário da edição nº 20 de "Hikari", de 30 de julho de 1949 (Showa 24) (com correção de um caractere). É comum, no mundo, dizer-se que alguém "estragou o corpo", mas não há nada mais cômico do que isso. O corpo humano não é uma substância como o vidro ou a porcelana — tal maneira de falar se deve inteiramente ao desconhecimento da verdadeira natureza das coisas. Na realidade, a doença está longe de estragar o corpo; ao contrário, serve para ajustá-lo. Quando alguém tem diarreia, costuma-se dizer que "estragou o estômago" — e isso, na verdade, é excelente, pois toxinas nocivas à saúde estão sendo expelidas. Pegar Frio ao Dormir Reedição do comentário da edição nº 20 de "Hikari", de 30 de julho de 1949 (Showa 24). Costuma-se dizer que uma criança teve diarreia porque "pegou frio ao dormir", mas essa também é uma ideia estranha. Como a diarreia é uma ação de eliminação de toxinas, pegar frio ao dormir acaba sendo, na verdade, algo bom. Vale como exemplo o meu próprio caso: desde jovem nunca uso faixa abdominal ao dormir, e o mesmo se dá com meus seis filhos, que também não a usam — dormem com a barriga de fora e, por isso, passam o ano inteiro com ótima saúde. Disenteria Epidêmica Reedição do comentário da edição nº 20 de "Hikari", de 30 de julho de 1949 (Showa 24). Entre as doenças infantis, a mais temida é a disenteria epidêmica. Costuma-se atribuí-la a alimentos como a banana ou a doces com anko (pasta de feijão doce), culpando sempre a alimentação, mas isso é absolutamente falso. A disenteria epidêmica é um violento processo de purificação; se a culpa recai sobre o alimento ingerido imediatamente antes dela, é justamente porque sua verdadeira causa é completamente desconhecida. Os Micróbios São Temíveis? Publicação do artigo da edição nº 15 de "Hikari", de 30 de junho de 1949 (Showa 24), com acréscimos. Hoje em dia, é surpreendente o medo que as pessoas comuns têm dos micróbios; nesse ponto, os homens modernos são verdadeiramente infelizes. Do nosso ponto de vista, vê-los levar uma vida de extrema ansiedade, tremendo a cada instante, é como observar cordeirinhos dignos de pena. Pensem bem. Ao entrar num trem ou bonde, não se sabe quantos milhares ou dezenas de milhares de micróbios pairam no ar do vagão; não há como evitar as maçanetas das portas e as alças de suspensão, sem saber se um doente de tuberculose acabou de tocá-las. No barbeiro, não se sabe se por um pequeno ferimento entrará o micróbio da escarlatina; no banho, não se sabe quando espiroquetas ou gonococos se aderirão ao corpo e o invadirão — e, se entrarem nos olhos, pode-se ter uma temível conjuntivite. Ao comer fora, não se sabe se o bacilo da febre tifoide está aderido aos utensílios ou aos alimentos; ao conversar com alguém, não se sabe se o bacilo da tuberculose ou o da gripe vai voar para dentro; e, de volta em casa, fazer gargarejo e lavar as mãos ainda se torna um trabalho considerável. Vive-se, assim, sofrendo de uma espécie de fobia a micróbios. E se fosse possível libertar-se por completo desse sofrimento? Essa felicidade seria, sem dúvida, inimaginável — e informo aqui que existe, sim, um método assim, e é excelente. Não se trata de erguer uma casa isolada em alto-mar, longe da terra firme, ou numa montanha jamais pisada pelo homem, e viver ali; esse seria, é claro, um método perfeito, mas um despropósito desses não é praticamente possível — é preciso poder viver tranquilo, vivendo como sempre. Como obter, então, método tão excelente? Antes de tudo, basta tornar-se um corpo saudável que, ainda que os micróbios se adiram a ele, absolutamente não adoeça. É como um país de defesas frágeis que teme a guerra: fortalecidas as forças armadas o bastante para não ser invadido pelo inimigo, não resta preocupação alguma. Aqui reside a grandeza do Johrei da nossa Igreja — por meio dele a pessoa se torna verdadeiramente saudável, e a invasão de micróbios deixa de ser um problema. Não surge o menor medo. É uma história verdadeira, ainda que pareça mentira, e quem se torna seguidor da nossa Igreja pode comprovar que não digo nada falso. Só por este ponto já se vê quão imensa é a salvação da nossa Igreja — que outra coisa poderia ser, senão a verdadeira salvação de Deus? Um Fato que Não Pode Ser Menosprezado Publicação do artigo da edição nº 27 de "Hikari", de 17 de setembro de 1949 (Showa 24), com acréscimos. O resultado do Campeonato Nacional de Natação dos Estados Unidos foi, desta vez, realmente inesperado. Quem imaginaria que o Japão se mostraria tão forte e que a diferença para os Estados Unidos seria tão acentuada? É verdade que o gigante Furuhashi havia estabelecido, no ano passado, um recorde surpreendente, o que já alimentava certa expectativa; mas ninguém esperava que se chegasse a esse ponto — afinal, até então o campeonato mundial de natação estava nas mãos dos Estados Unidos. Diante desse fato, os especialistas americanos atribuem a causa ao treinamento intenso dos atletas japoneses e se espantam com o fato de eles treinarem continuamente por oito horas. Exporei aqui a nossa opinião a respeito. A verdadeira causa é a diferença de força física. Pode soar um pouco estranho, pois até agora todos supunham que os americanos fossem fisicamente superiores aos japoneses; no entanto, diante desta competição de natação, não se pode deixar de reconhecer que os fisicamente superiores são, na verdade, os japoneses. Sendo assim, é preciso investigar a fundo essa causa. A primeira razão é, de fato, a alimentação: os americanos consomem muita carne; os japoneses, muitos vegetais — e, nos carnívoros, a força física se desvia para o exterior, enfraquecendo o interior. Prova disso é que, nas provas de curta distância, os Estados Unidos são fortes, ao passo que nas de longa distância os japoneses se saem melhor, por sua maior resistência, ou seja, por se cansarem menos. O artigo a seguir, publicado no jornal Mainichi de 20 de agosto (telefonema de Los Angeles), mostra bem isso: "(omissão) Os atletas estrangeiros começam bem, mas após os 100 metros caem visivelmente. A técnica de natação é boa, mas Bloom, Jones etc., nos 400 metros, são impressionantes nos primeiros 50 e 100 metros, mas a partir dos 200 metros não aguentam mais. Acho que isso não é nada além de falta de treino. No revezamento de 800 metros, Maruyama e Murayama estavam especialmente bem, e Hamaguchi também começou com muita confiança. Furuhashi, apesar de vir direto da final dos 400 metros, fez um tempo surpreendente de 1 minuto e 1,4 segundos na primeira metade e 1 minuto e 6,3 segundos na segunda, o que acredito ter sido o principal fator para o estabelecimento do recorde mundial." Não há dúvida de que a razão do treino também é válida; suportar, porém, longas horas dele igualmente se deve à resistência física. A esse respeito, há um fato relevante. Segundo relatos de alpinistas estrangeiros, eles adotam dieta absolutamente vegetariana na semana que antecede a escalada. Já escrevi, em livros anteriores, que os agricultores japoneses suportam aquele trabalho pesado por serem vegetarianos — se fossem carnívoros, desistiriam de imediato. Também é fato que os vegetarianos vivem mais: o famoso escritor inglês Bernard Shaw, aos 93 anos e ainda vigoroso, deve isso ao seu vegetarianismo, do mesmo modo que os monges zen devem a ele sua longevidade. Um monge zen falecido há mais de dez anos, aos 112 — o mestre Torisu Etsuzan —, manteve-se vigoroso quase até o fim e, consta, deu instruções individuais a mais de dez pessoas pouco antes de morrer. Por esses inúmeros fatos, vocês compreenderão o quanto o vegetarianismo é bom para a saúde humana e o quanto é enganosa a ideia hoje corrente de que a alimentação carnívora seria superior em termos de nutrição. Exemplo Real dos Danos das Vacinas Publicação com acréscimos em artigo da edição nº 31 de "Hikari", de 15 de outubro de 1949 (Showa 24). Em 21 de setembro de 1949, na seção de cartas dos leitores do jornal Mainichi Shimbun, foi publicada a seguinte matéria, intitulada "Danos das Vacinas": ◇ Nós, pais e responsáveis das crianças vítimas do incidente dos danos da vacina contra coqueluche em Iwagasaki-cho, distrito de Kurihara, província de Miyagi, apelamos a todos. Em novembro do ano passado, a prefeitura emitiu um comunicado para a aplicação da vacinação preventiva contra a coqueluche, e os pais, desejando a felicidade de seus filhos, obedeceram-lhe fielmente. No entanto, quem, não sendo um deus, poderia imaginar que, entre as crianças em fase de crescimento que a receberam, 64 delas teriam sido injetadas com o bacilo da tuberculose? ◇ No início, o local da injeção começou a supurar, mas os pais pensaram levianamente: "Com o tempo...". Porém, no final de janeiro deste ano, descobriu-se que se tratava da temível tuberculose, e o pânico se instalou. Felizmente, graças à simpatia do Quartel-General Supremo das Forças Aliadas e à boa vontade de várias instituições relacionadas, todos os pacientes foram internados para tratamento no início de março, mas uma preciosa vida foi perdida. A ansiedade dos pais atingiu o extremo; os dias e as noites eram sombrios, sem risos nas famílias. Em 2 de agosto, com exceção de três pacientes relativamente graves, todos receberam alta para tratamento em casa. No entanto, metade dos que tiveram alta faz tratamento cirúrgico de tuberculose dos linfonodos axilares com médicos locais. ◇ Para o tratamento futuro, exige-se uma vida de luta contra a doença, acompanhada do profundo amor dos pais e de uma nutrição abundante, o que acarreta sofrimento econômico. Deparamo-nos, assim, com mais um grande obstáculo. Felizmente, até hoje recebemos alguma ajuda; para um tratamento de longo prazo, porém, a economia doméstica está em estado de completa ruína. ◇ Temos apelado incessantemente à prefeitura, ao governo provincial e ao governo central, clamando por esse sofrimento e implorando socorro. No entanto, a resposta de todos se resume a: "A menos que a causa seja esclarecida em um futuro próximo e a responsabilidade seja definida, não podemos tomar providências." É claro que é necessário esclarecer a responsabilidade, mas é um fato inegável que a vacinação preventiva foi a causa. Sendo assim, não seria a assistência àqueles que sofreram tal infortúnio uma questão humanitária de grande importância? Seria uma honra ouvir a opinião do Ministro da Saúde. (Representante dos pais das crianças vítimas dos danos da vacina contra coqueluche na província de Miyagi, Yoshio Mori) O caso acima refere-se à vacinação. As causas possíveis não passariam destas três suspeitas: (1) esterilização inadequada da seringa, (2) o próprio medicamento ou (3) contaminação do medicamento com o bacilo da tuberculose. Ocorre que (1) não se sustenta: em duas ou três pessoas, ainda vá; num número tão grande como 64, é implausível. Tampouco pode ser (2) o próprio medicamento, pois não há razão para que medicamento algum produza, por toxina medicamentosa, sintomas semelhantes aos da tuberculose. E (3) é de todo impossível, pois o bacilo da tuberculose não sobreviveria em grande número dentro do medicamento. Qual seria, então, a causa? A história é extremamente inquietante justamente porque não há como saber a verdadeira causa: descoberta ela, poder-se-ia estabelecer uma contramedida para o futuro; sem ela, não se pode dizer que não haja perigo. Dificilmente alguém permitirá, daqui em diante, que seus preciosos filhos recebam a vacinação. Por isso penso que o apropriado seria suspender temporariamente essa vacinação, recomeçar a pesquisa do zero e só retomar a vacinação preventiva quando houver garantia absoluta de que não há perigo. Acrescente-se que é comum ouvir e ver casos de danos coletivos provocados por injeções diversas; e, quando alguém, temendo isso, se recusa a tomá-la, também é frequente que os funcionários responsáveis a apliquem à força. Diante do exposto, esperamos que, daqui em diante, a vacinação preventiva seja objeto de pesquisas mais profundas e de medidas perfeitas, para que não haja uma única vítima de danos causados por injeções. Vacinação Preventiva e Tuberculose Preferiria não escrever este artigo, pois ele pode soar como uma crítica às medidas médicas que o governo hoje executa com absoluta convicção; mas, não podendo ignorar tanta confusão, escrevo-o assim mesmo. Que seja tomado, portanto, como uma teoria livre de preconceitos, oferecida apenas a título de referência — acreditar nela ou não é livre arbítrio de quem lê. Existem hoje muitas doenças chamadas infecciosas — varíola, sarampo, coqueluche, difteria, tifo, entre outras — e, como medida de prevenção, aplica-se a vacinação preventiva. É certo que ela pode conter temporariamente o surgimento da doença; impedi-lo de modo absoluto, porém, é impossível. Segundo nossa teoria, a doença é a ação de eliminação das toxinas que toda pessoa inevitavelmente traz no corpo — é, na verdade, um método divino de promoção da saúde, destinado a purificá-lo. A medicina interpreta isso ao contrário e julga correto interromper essa atividade de purificação. É aí que entra a vacinação preventiva. As chamadas doenças infecciosas são, na origem, um processo de purificação vigoroso, e por isso mais comuns entre os jovens: como as crianças em fase de crescimento têm metabolismo ativo, é natural que nelas ocorra com facilidade essa purificação, voltada a excretar as toxinas que obstruem seu desenvolvimento. Isso deveria ser chamado de verdadeira bênção celestial. Mas o que faz a medicina? Tenta enfraquecer essa excelente atividade, injetando medicamentos e outros corpos estranhos no organismo para debilitá-lo. Debilitadas exatamente como se planejou, as crianças já não conseguem gerar o processo de purificação — ou seja, a doença —, e a medicina toma isso, erroneamente, por prova de eficácia, passando a realizar a vacinação preventiva como se vê hoje. O erro é tão grande que não há palavras para descrevê-lo. Como resultado, não só se conservam as toxinas que deveriam ser eliminadas, como a elas se somam ainda as novas toxinas medicamentosas, aumentando o total. E, já sem forças para uma purificação intensa, essas crianças no máximo têm resfriados frequentes — se fosse só isso, ainda seria tolerável, mas o fato é que aí está a causa da temível tuberculose. Cabe explicar: o resfriado é uma purificação fraca, mas, de qualquer forma, é por meio dele que as toxinas do corpo são excretadas aos poucos, pelo escarro, pela secreção nasal, pelo suor etc. Também aqui a medicina entende o oposto e toma medidas para interrompê-lo, o que acaba se convertendo em tuberculose, como já expliquei no item dedicado a essa doença. Pelo exposto, a vacinação preventiva, hoje tão amplamente praticada, é exatamente a semeadura da tuberculose. Enquanto não se despertar para isso, portanto, ela não diminuirá — ao contrário, tende a se espalhar cada vez mais. Quando se recorre ao Johrei da nossa Igreja, no entanto, a rapidez da cura é surpreendente, e raramente há risco de vida. Tal é a precisão e a rapidez do seu efeito que a disenteria, por exemplo, se cura por completo em duas ou três sessões de Johrei de vinte a trinta minutos cada — ou seja, em meio dia. O tifo também se cura inteiramente em um a três dias, e o mesmo vale para a disenteria epidêmica e a escarlatina. A difteria, quando não tratada com injeção, cura-se por completo em uma ou duas sessões, e a coqueluche pode ser dada por curada em uma ou duas semanas. Quem ler isso provavelmente não acreditará, mas é um fato, e basta ler os relatos de graças para imaginá-lo. Por isso, quando o Johrei se tornar amplamente praticado, as doenças infecciosas se reduzirão a uma fração do que são hoje. Essa medicina divina revolucionária, tanto em sua patologia quanto em seu método de tratamento, já está completa. Quem não a conhece julga-a superstição e não lhe dá a menor atenção — e são justamente essas pessoas que, do nosso ponto de vista, estão presas a uma terrível superstição. Ah, divulgar isso é realmente tarefa árdua, pois é muito forte a crença arraigada de que o que não é superstição é superstição. Meu Método de Saúde Publicação do artigo da edição nº 43 de "Hikari", de 1º de janeiro de 1950 (Showa 25). Por fim, escreverei sobre meu método de saúde. Este ano, contando pelo estilo ocidental, completo 67 anos, e no entanto estou vigoroso, superando os jovens. Subo constantemente as montanhas que venho cultivando e, como eles têm as pernas mais fracas, sou eu quem sempre ajusta o ritmo. Muitas vezes me perguntam: "Meishu-Sama, o senhor não deve estar cansado?" — mas, para ser franco, não estou, e às vezes até me vejo em dificuldade para responder. Deito-me por volta das duas e meia ou três da manhã e acordo entre sete e sete e meia: durmo, portanto, cerca de quatro a quatro horas e meia. Quanto ao trabalho, meus auxiliares próximos bem o sabem — faço o equivalente ao de umas dez pessoas, e os jovens parecem ter dificuldade em me acompanhar; peço-lhes paciência, pois não há outro jeito. Devo isso, em parte, ao meu método de preservação da saúde, quase o inverso do que praticam as pessoas de hoje; por isso desejo torná-lo conhecido de muitos, para que lhes sirva de referência. O da medicina moderna prescreve: não fazer esforço excessivo, dormir bem, obter nutrição suficiente, mastigar bem os alimentos, não usar muito a cabeça etc. Eu faço quase o contrário. O primeiro princípio do meu método é fazer esforço excessivo, pois quanto mais a pessoa se esforça, mais sua saúde aumenta. Como esforçar-se muito é, no entanto, penoso, faço alguns ajustes. Quanto ao sono, há diferenças conforme a idade, mas para alguém da minha idade quatro a cinco horas bastam. Sobre a alimentação, algo curioso: sempre me preocupo com o excesso de nutrição. Recebo uma quantidade imensa de alimentos oferecidos por muitos seguidores, que seria uma pena desperdiçar, e procuro comer, ainda que aos poucos, a sinceridade de cada um deles — por isso posso até ser chamado de gourmet. Para compensar, depois do café da manhã como sempre boa porção de batata-doce e, antes de dormir, costumo comer chazuke e nunca deixo de tomar uma tigela de zenzai. Os alimentos também têm yin e yang, e inclinar-se demais para um lado ou para o outro não é bom: yin são as hortaliças, yang são os peixes e carnes, e procuro manter o equilíbrio entre eles — pela manhã, na proporção de 70% yin e 30% yang; ao meio-dia, metade e metade; à noite, 70% yang e 30% yin. Os tsukemono igualmente têm yin e yang — as hortaliças verdes são yin, e os brancos, como nabo e daikon, são yang —, e também esses eu mantenho em equilíbrio. Não mastigo muito bem, apenas pela metade, porque mastigar demais enfraquece o estômago; tampouco faço pausa após as refeições: assim que como, levanto-me e começo a me movimentar. É um método para fortalecê-lo, e foi assim que curei minha própria gastrite. Nunca determino a quantidade que como: o princípio do meu método alimentar é "comer o que se quer, na hora em que se quer, na quantidade que se quer" — embora, na vida prática, não se possa ser tão livre assim, e por isso faço os ajustes necessários. Algo que talvez pareça surpreendente: é melhor usar a cabeça o máximo possível. Também isso é um método de saúde, já que as pessoas que usam o cérebro têm vida mais longa — mas usá-lo em preocupações não é bom; é preciso usá-lo de forma agradável e prazerosa. Neste ponto se encontra igualmente o valor da fé, pois, quando algo nos preocupa, surge o sentimento de entregar a questão a Deus, e com isso a maior parte da preocupação diminui — fazemos, assim, que Deus compartilhe o fardo. Pode parecer atitude oportunista, mas esse tipo de oportunismo, ao contrário, agrada a Deus. Desde tempos antigos saio de casa pelo menos uma vez por dia — chova ou vente, jamais faltei — e caminho o máximo que posso. Ouço com frequência que esse é justamente o hábito de quem se torna mais saudável com a idade. Bebo cerca de três copinhos de saquê e, de cerveja, um copo; fumo na medida comum. Este é, em suma, meu método de saúde. Não faço caso algum de micróbios, e por isso, aos olhos comuns, tudo isso pode até parecer descuido com a saúde — quando é, justamente, o modo verdadeiro de preservá-la. Garanto que quem o adote se tornará saudável e jamais virará um intelectual pálido; recomendo, pois, que o pratiquem com tranquilidade. Jikan Sosho, 10º Volume Método de Saúde Revelado por Deus Publicado em 20 de abril de 1950 Formato B6, 72 páginas, não comercializável Autor: Okada Jikan Editor: Mihiroki Kōjirō Editora: Departamento de Publicação do Jornal Kyusei

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